Printer Friendly

SPACE, TERRITORY AND PLACE: literature review on social management studies regarding socio-spatial formation/ESPACO, TERRITORIO E LUGAR: revisao da literatura dos estudos em gestao social sobre formacao socio-espacial.

1 INTRODUCAO

A gestao social enquanto processo gerencial dialogico compartilhado e pautado no bem comum (TENORIO, 1998, 2005), guarda estreita relacao com o enfoque territorial do desenvolvimento (PEREIRA et al, 2011; FISCHER, 2012). Com isso a questao do territorio parece ser um tema emergente no campo da gestao social (ZANI; TENORIO, 2011, 2014; FISCHER, 2012, IIZUKA; GONCALVES-DIAS; AGUERRE, 2011). Para alem dessa constatacao, almejamos neste artigo problematizar a formacao socio-espacial enquanto teoria relevante para a gestao social com enfoque territorial, buscando evidenciar como a literatura atual de gestao social trata conceitos como espaco, territorio e lugar.

Indaga-se neste artigo: como a formacao socio-espacial e seus conceitos centrais sao 'apropriados' pelos estudos de Gestao Social? Para responder tal questao, temos como objetivo compreender o uso de conceitos centrais de formacao socio-espacial nos estudos de Gestao Social. Especificamente, busca-se identificar e problematizar o uso de autores e categorias centrais das teorias de formacao (a) socio-espacial; e (b) identificar as caracteristicas centrais da producao cientifica em gestao social que trata de formacao socio-espacial.

Justifica-se a realizacao do presente trabalho tendo em vista que nenhuma sistematizacao da producao em gestao social e territorio foi realizada ate o momento, e, alem disso, a revisao integrativa realizada contribui na identificacao de lacunas no que se refere a relacao entre gestao social e as teorias de formacao socio-espacial. Cabe ainda destacarmos que a fundamentacao teorica em formacao socioespacial pode fornecer um 'norte' para pesquisadores que desconhecem a area e desejam aprofundar seu conhecimento.

Este artigo contempla, alem desta (1) introducao, uma (2) fundamentacao teorica dividida entre gestao social e formacao socio-espacial; (3) os procedimentos metodologicos empregados; (4) os resultados e discussoes. Por fim, sao apresentadas as (5) consideracoes finais do artigo, nas quais destacamos as limitacoes e possibilidades de novas pesquisas.

2 FUNDAMENTACAO TEORICA

2.1 Gestao social

O contexto teorico da origem dos estudos em gestao social na decada de 1990 destaca-se pela busca de formas alternativas e mais democraticas de gestao e de conhecimentos sobre a gestao em detrimento das teorias organizacionais 'tradicionais' (CANCADO; TENORIO; PEREIRA, 2011; ALCANTARA, 2015). Para Tenorio (2013, p. 2) "sao varios os elementos que animam este repto, entre os quais destacamos que, a semelhanca de outras, a sociedade brasileira, desde os anos 1990, e inspirada na Constituicao de 1988, tem exigido mudancas no modo como a sua relacao ocorre com o Estado e o mercado" (TENORIO, 2013, p. 2). Na busca disso, "existe um movimento de pesquisadores no pais que desde a decada de 1990 vem se debrucando sobre esta tematica" (CANCADO; TENORIO; PEREIRA, 2011, p. 682). No caso brasileiro, Tenorio (2013) relata que a ideia era tirar a gestao 'da mao de tecnocratas' em prol de uma visao democratica ampla:

Falamos do social quando desejamos falar daquilo que e "concernente a sociedade" [...] Fazemos referencia a possibilidade de uma atitude gerencial compartilhada entre os diversos atores, quer no interior das organizacoes (dirigentes e funcionarios), quer entre organizacoes (poder publico, mercado e sociedade civil), na qual o processo de tomada de decisao deve ser comparticipado em direcao ao bem comum, ao bemestar da sociedade [...] (TENORIO, 2013, p. 15-16).

Hoje e possivel inferir que "a Gestao Social nao e uma narrativa uniforme e homogenea" (JUSTEN; MORETTO NETO; GARRIDO, 2014a, p. 240). A Figura 1 apresenta alguns conceitos centrais no campo.

Apesar da diversidade de conceitos e temas, Cancado, Pereira & Tenorio (2015) sistematizaram categorias teoricas centrais da gestao social, a saber: democracia deliberativa, dialogicidade, emancipacao, esfera publica, interesse bem compreendido, intersubjetividade, racionalidade, solidariedade e sustentabilidade--as categorias interorganizacoes e comunidades de pratica presentes na primeira edicao do livro (CANCADO; PEREIRA; TENORIO, 2013) passaram a ser consideradas como modos de organizacao e nao categorias teoricas centrais na edicao de 2015 (CANCADO; PEREIRA; TENORIO, 2015). Os autores delimitam a gestao social como: "um processo dialetico de organizacao social proprio da esfera publica fundado no interesse bem compreendido e que tem por fi nalidade a emancipacao" (CANCADO; PEREIRA; TENORIO, 2015, p. 178).

Tambem diante dos diversos autores e perspectivas do campo, Peres Jr. & Pereira (2014) identificaram quatro abordagens: abordagem critica frankfurteana (5), abordagem da gestao do desenvolvimento social interorganizacional (6), abordagem da administracao publica societal (7) e abordagem puquiana (8).

1. corrente derivada da teoria critica frankfurtena, na qual se destacam os trabalhos de Fernando Guilherme Tenorio, da EBAPE/FGV e de Genauto Carvalho de Franca Filho, da Universidade Federal da Bahia (UFBA); [...] 2. aquela baseada na nocao de gestao do desenvolvimento social conduzido por interorganizacoes, desenvolvida pela Prof.a Tania Maria Diederichs Fischer, coordenadora do Centro Interdisciplinar de Desenvolvimento e Gestao Social (CIAGS), da Universidade Federal da Bahia (UFBA); [...] 3. abordagem centrada nos conceitos de administracao publica societal, de Ana Paula Paes de Paula (UFMG); [...] 4. abordagem puquiana, que recebe esse nome tendo em vista a origem e/ou local de atuacao de seus autores--a Pontificia Universidade Catolica de Sao Paulo (PUC/SP)--, na qual se destacam os textos de Ladislau Dowbor e os livros Gestao social: uma questao em debate (RICO; RAICHELLIS, 1999) e Gestao social, estrategias e parcerias: redescobrindo a essencia da administracao brasileira de comunidades para o Terceiro Setor (CAVALCANTI; NOGUEIRA, 2006). (PERES JUNIOR; PEREIRA, 2014, p. 226).

Recentemente, Guerra & Teodosio (2015) apresentaram que a gestao social se forma como um campo hibrido de processos de gestao heterogeneos (Figura 2). Segundo os autores, a figura destaca "uma sobreposicao dos temas que expressam a Gestao Social a fim de contemplar a integracao conceitual existente entre eles" (GUERRA; TEODOSIO, 2015, p. 50). Alem disso, o fim (finalidade) comum da gestao social estaria presente nos conceitos de participacao, emancipacao e desenvolvimento social. Guerra & Teodosio (2015) destacam com enfase a nocao de que a gestao social e formada por multiplos saberes.

Por sua vez, Alcantara et al. (2015) sintetizaram os diversos locus da gestao social presentes na literatura a partir das abordagens delineadas por Peres Junior & Pereira (2014). Este estudo revelou uma diversidade de locus da gestao social: sociedade civil, terceiro setor; qualquer sistema; esferas publicas; espacos publicos; espaco intermediario; conselhos gestores; experiencias participativas; movimentos sociais; ONGs; parcerias trissetoriais; territorios; interorganizacoes e espacos locais (ALCANTARA, 2015; ALCANTARA et al, 2015). Dessa forma, 'territorio' aparece como um dos locus da gestao social--portanto, tambem categoria teorico-empirica. Adiante, a categoria 'territorio' e mais explorada pela abordagem do desenvolvimento social interorganizacional e recentemente por atores da abordagem frankfurtiana como Zani (2011) & Tenorio (2014). Todavia, como notamos, a priori., nos parece que ela ainda e uma categoria (com seus diversos conceitos) pouco estudada teoricamente e empiricamente.

Nao possuindo foco na categoria territorio, Alcantara et al. (2015, p. 8) apenas indicam pesquisas que investiguem "se as praticas desenvolvidas nestes espacos sao gerenciais dialogicas e em que medida contribuem para um desenvolvimento social". Por sua vez, Fischer (2012 p. 114; grifo nosso) destaca a importancia da concepcao de territorio ao colocar que a gestao social "nao e a gestao de processos descontextualizados, mas sim ancorados territorialmente" e Zani & Tenorio (2014) indicam que um territorio envolve atores locais como empresarios, associacoes civis, agentes publicos e outros. A citacao tambem destaca a relevancia do territorio:

[...] a construcao de uma iniciativa num determinado territorio e permeada por diversos fatos, dialogos e eventos inesperados e nao lineares [...]. Nesse contexto, emerge a cidadania deliberativa como um conceito teorico apropriado, pois a busca por alternativas de solucao as demandas locais ocorre por meio do efetivo exercicio de direitos e deveres dos atores em seus territorios (IIZUKA;GONCALVES-DIAS; AGUERRE, 2011, p. 1602. grifo nosso).

Percebemos inicialmente que territorio aparece em alguns trabalhos no ambito da gestao social, no entanto, nao existe sistematizacao e compreensao de como o campo aborda o conceito e suas vertentes (em sentido amplo da formacao socio-espacial). Assim, buscamos nesse artigo explorar a questao da formacao socio-espacial, dada a propria demanda declarada de autores do campo por novas perspectivas de pesquisas empiricas e teoricas (CANCADO, 2011; ALCANTARA, 2015; CANCADO; PEREIRA; TENORIO, 2015).

2.2 Formacao socio-espacial: espaco, territorio e lugar

O conceito de territorio pode fornecer importantes subsidios para se 'pensar' nao apenas a intervencao estatal em seus diferentes niveis, especialmente para o municipio, mas tambem para acao de atores envoltos em relacoes socio-espaciais que buscam espacos de atuacao e representacao para interesses coletivos e publicos. Primeiramente, o conceito de territorio pode orientar o entendimento dos processos de ordenacao territorial, assim como a realizacao de analises da mediacao de conflitos entre diferentes atores que demandam diferentes usos para o espaco social e disputam poder nos territorios.

Diferentes autores tratam de formacao socio-espacial, dentre eles, destacam-se Henri Lefebvre, David Harvey, Manuel Castells, Gilles Deleuze & Felix Guatarri. No Brasil, a obra de Milton Santos traz discussao aprofundada sobre o tema. De forma alguma esgotando as especificidades e conceitos de cada um desses autores, buscamos a seguir tracar uma diferenciacao entre os conceitos centrais utilizados neste estudo, de forma a posteriormente clarear seu uso nos estudos em gestao social.

Espaco traz concepcoes diferenciadas e hoje nao pode ser dissociado das perspectivas materiais e sociais. Gomes (2009) indica que o espaco e uma categoria ontologica tao central quanto o capital e o trabalho. Haesbaert (2005), por sua vez, menciona que diferentes autores conceituaram e refletiram sobre o espaco, entre eles Milton Santos (2014), com ampla producao sobre espaco social e urbanizacao. Santos (2014) conceituou espaco como um meio tecnico-cientfico-informacional (que ja foi um meio geografico natural e posteriormente tecnico), evidenciando assim a importancia da ciencia e das tecnicas na modificacao do meio geografico, alem do aumento do fluxo comunicacional e da quantidade de informacoes presentes em cada espaco. Em uma de suas ultimas obras, "A Natureza do Espaco", Santos (2014) resgata conceitos anteriores e faz uma nova sistematizacao, do espaco social como um conjunto indissociavel de sistemas de acoes e sistemas de objetos, destacando a intensa mobilidade dos capitais e a influencia das tecnicas e da globalizacao.

Segundo Haesbaert (2008), Felix Guatarri, por sua vez, interpreta o espaco como constrangimento ao indicar a interferencia de elementos territoriais de ordem natural ou social. Em uma perspectiva filosofica, Guatarri & Guilles Deleuze sao os autores que mais refletiram sobre o territorio. Michel Foucault tambem realiza um tratamento especial em sua microfisica do poder e na nocao e manutencao de uma ordem de poder, sem deixar de lado a rede de poderes perifericos em relacao ao poder centralizado (HAESBAERT, 2008).

Outro autor essencial para se pensar a formacao socio-espacial e Henri Lefebvre, cujos estudos iniciais tratavam da questao do espaco rural e de sua reforma, para posteriormente tratar da urbanizacao e da industrializacao, o direito a cidade e a revolucao urbana. Em sua obra "Productionof Space", Lefebvre (1991) trata da complexidade e da amplitude do conceito de'espaco social', destacando a visao simplificadora que destaca apenas uma face desse espaco, como espaco geometrico ou fisico. O espaco para Lefebvre (2001), desde seus primeiros estudos sobre o tema, e um lugar de consumo no qual tambem ocorre o consumo de lugar, com valores de uso e de troca. Alem disso, e um produto, uma mercadoria que pode ser vendida e parcelada, mas tambem e uma obra, com 'valor de uso', assim como e produtor e produzido por relacoes de producao e de reproducao em um sistema capitalista. Apesar de associado as relacoes de producao, o espaco nao e apenas material, dai a importancia da concepcao triadica de espaco de Lefebvre (1991): praticas espaciais, representacoes de espaco e espacos de representacao, vinculados a diferentes niveis ou camadas, impossiveis de serem totalmente separadas; assim o espaco social pode ser ao mesmo tempo 'espaco percebido', 'espaco concebido' e 'espaco vivido'.

Antes de tratar do conceito de territorio, cabe destacar as diferencas entre espaco e territorio. As principais distincoes estao relacionadas a generalizacao/especificidade, assim como o papel dos sujeitos. Haesbaert (2008), por exemplo, se utilizou das formulacoes de Lefebvre (1991) sobre apropriacao e dominacao dos espacos para discutir os territorios. Haesbaert destaca que embora Lefebvre (1991) se refira a espaco e nao a territorio, ele nao se refere a um espaco generico nem a um espaco natural, mas sim a um espaco produzido socialmente, um espaco processo.

Dessa forma, Souza (2005) & Haesbaert (2008) trazem as diferencas e a relacao entre espaco e territorio, que no senso comum sao tidos como sinonimos. Concomitantemente, Souza (2005) destaca que territorio e confundido com o recorte especifico de Estado-nacao: o territorio nacional. Saquet (2009) considera que, embora exista uma relacao de unidade entre os dois conceitos, estes correspondem a diferentes niveis e processos socio-espaciais da vida cotidiana e sao dois conceitos diferentes do pensamento cientifico. Se o espaco social e um conceito multiplo e multifacetado, o territorio e uma de suas faces.

Gomes (2009) explica que a distincao entre espaco e territorio reside no fato que o espaco social se refere a uma forma difusa e generica, enquanto que no territorio, a identificacao dos sujeitos que exercem o poder e fundamental, uma vez que indica como e produzido e controlado o territorio, alem de limitacoes e constrangimentos impostos a outros sujeitos e das possibilidades de diferenciar territorios. Para Saquet (2009), o espaco e indispensavel para se pensar a apropriacao e a producao do territorio.

Souza (2009), por sua vez, evidencia que o territorio nao tem apenas carater politico, mas tambem cultural e economico, mesmo que o que define o territorio em primeiro lugar e o poder. O territorio nao e apenas o substrato material, e antes de tudo um espaco definido e delimitado por relacoes de poder. Assim, as caracteristicas geoecologicas nao sao a questao central e sim a compreensao da genese de um territorio ou interesse por toma-lo ou mante-lo, ou seja, quem e como domina ou influencia--o territorio e um campo-forca: relacoes de poder espacialmente delimitadas, as quais operam sobre um substrato social (SOUZA, 2009).

Gomes (2009) conceitua 'territorializar' como o movimento de um agente no ato de presidir a logica de distribuicao dos objetos sobre uma superficie e de, simultaneamente, controlar as praticas sociais que ali ocorrem. Desta logica, o territorio pode ser considerado, segundo Gomes (2009), parte da extensao do conceito de espaco, mobilizada como elemento decisivo para o estabelecimento de um poder, nao podendo ser ignorado o fato que o exercicio de controle gera expropriacao de regras de acesso e circulacao. Gomes (2009) ainda apresenta o conceito de territorialidade, visto como conjunto de estrategias de acao utilizadas para estabelecer, manter ou reforcar o poder exercido, traduzido em inclusoes e exclusoes. Diferente de Haesbaert (2005), Gomes (2009) nao vincula a ideia de apropriacao aos territorios, por entender que o imaginario, uso e sentimentos baseiam a apropriacao, sem que afete o controle exercido no territorio.

E tambem importante o conceito de territorio traduzido por Saquet (2009), para ele a territorialidade efetiva-se em distintas escalas espaciais e varia no tempo por meio de relacoes de poder. Seguindo as consideracoes de Haesbaert (2005), Saquet (2009) compreende a territorialidade como mediacao simbolica, cognitiva e pratica que a materialidade dos lugares exercita nas acoes sociais, para enfim chegar ao entendimento de territorialidade como valorizacao das condicoes e recursos potenciais de contextos territoriais em processo de desenvolvimento, sendo, portanto, um fenomeno social intimamente ligado a cada lugar. Dessa forma, ela corresponde, para Saquet (2009), ao poder exercido, extrapolando a dimensao politica e envolvendo relacoes economicas e culturais.

Das distincoes propostas, resta ainda destacar brevemente a diferenca entre 'territorio' e 'lugar'. Onuma & Misoczky (2012), baseadas em Souza (2009), indicam que o poder se coloca em primeiro plano no conceito de territorio, enquanto o conceito de 'lugar' relaciona-se a identidades, intersubjetividades e trocas simbolicas na construcao de sentidos e imagem, numa perspectiva de espacialidade vivida, proxima do conceito de espaco vivido de Lefebvre (1991). Percebe-se que existe uma diversidade de conceitos de formacao socio-espacial que traz temas complementares a discussao sobre espaco, territorio e lugar.

3 METODOLOGIA DE PESQUISA

Figueiredo (1990) traz que as revisoes de literatura cumprem dois importantes papeis: integram o desenvolvimento da ciencia, num papel historico e fornecem a pesquisadores, estudantes e profissionais da area informacoes sobre o desenvolvimento de certo tema, servindo de meio de atualizacao. Sampaio & Mancini (2007) apresentam as revisoes sistematicas como aquelas metodicas e passiveis de reproducao.

A revisao integrativa, enquanto tipo de revisao sistematica possibilita a analise conjunta de literatura teorica e empirica. Para Botelho, Cunha & Macedo (2011) a revisao integrativa pode englobar a revisao de metodos, teorias e/ou estudos empiricos, podendo ser quantitativa ou qualitativa. Assim, esta revisao se define como uma revisao integrativa e a sucessao de etapas adotadas esta presente na Figura 3 (e descritas a seguir).

Para montar a base de artigos a serem analisados foram escolhidas primeiramente edicoes especificas de periodicos que versam sobre o tema abordado: primeiramente, uma edicao do periodico Cadernos EBAPE.BR9--edicao com 11 artigos voltados para a gestao social ("Gestao Social: Ensino, Pesquisa e Pratica") e com varios artigos sobre o enfoque territorial. Tambem foi escolhida a edicao especial de 2014 do periodico Organizacoes Rurais & Agroindustriais (8 artigos), que tratava justamente da conciliacao da gestao social e territorios ("Gestao Social e Territorios Rurais"). Complementarmente, foi feita uma pesquisa na base de artigos Scientific Periodicals Eletronic Library--SPELL pelas palavras "gestao social" e "territorio" no titulo e resumo de artigos--foram encontrado por este procedimento 24 artigos.

Portanto, a busca resultou em 43 artigos. Primeiramente foi verificada a presenca de artigos duplicados entre as edicoes dos periodicos e os artigos encontrados na SPELL, restando 41 artigos. O segundo filtro utilizado foi a aderencia dos artigos a proposta de discussao conjunta dos conceitos de gestao social e de formacao socio-espacial, para verificar essa exigencia, foi feita a leitura dos resumos e referenciais teoricos dos 41 artigos. Apos isso, restaram 29 artigos.

Em seguida foi feita a tabulacao dos artigos no Microsoft Excel, com as seguintes informacoes sobre cada artigo: titulo; autores; periodico; Qualis do periodico; ano de publicacao; palavras-chave; tema central dos artigos; classificacao dos artigos em empirico, teorico-empirico ou revisao; caso fossem teoricos-empiricos, ainda eram preenchidas informacoes sobre o local em que foi feita a pesquisa (cidade, territorio, estado e pais), alem do design da pesquisa (qualitativa, quantitativa ou ambos). Para todos os artigos tambem foi verificada a presenca das categorias 'territorio', 'territorio da cidadania', 'espaco social' e 'lugar'. Ainda nessa tabulacao foi considerada a presenca de adjetivacoes de 'espaco' como 'espaco publico' e 'espaco social'. Especificamente, foi analisado se os textos faziam referencia a autores como Henri Lefebvre, Milton Santos, David Harvey, Manuel Castells, Gilles Deleuze & Felix Guatarri--centrais para as discussoes envolvendo espaco, lugar e territorio em uma perspectiva critica da formacao socio-espacial.

Essa tabulacao inicial serviu de base para a analisedescritiva cujos resultados sao apresentados no primeiro topico dos resultados. Concomitantemente, os textos completos dos 29 artigos foram salvos para leitura completa e analise de conteudo feita por meio do software NVivo 10 (versao freetrial). Mais do que simplesmente gerar frequencias e medias, a analise de conteudo feita no NVivo 10 serviu de norte para uma segunda leitura dos textos focada nas categorias de analise. Por fim, apresentamos a discussao dos resultados, identificacao de lacunas e possibilidades de pesquisas futuras.

4 RESULTADOS E DISCUSSOES

4.1 Analise descritiva

Conforme ja descrito foram analisados 29 artigos que tratam de gestao social e temas correlatos a formacao socio-espacial. Iniciamos pela distribuicao temporal (Figura 4).

Observamos inicialmente que os primeiros artigos encontrados sao de 2009 e depois disso os proximos foram publicados 2 anos depois, em 2011. Isso indica que a tematica da formacao socio-espacial na gestao social pode ser considerada um tema emergente dado especialmente que o artigo seminal que de alguma forma inaugura o campo e de 1998--"Gestao social: uma perspectiva conceitual" de Tenorio (1998) publicado na Revista de Administracao Publica. Isto e, dentro da nossa busca (delimitacao em revistas), somente em 10 anos depois que a questao do territorio comecou a ser discutida pelo campo da gestao social.

Constatamos tambem que excluindo as edicoes especiais o numero de publicacoes e baixo--que destacam a questao da formacao socio-espacial, mesmo que com relativo crescimento nos ultimos anos. A seguir, apresentamos algumas caracteristicas dos 29 artigos.

Dada a natureza do conjunto de artigos selecionados, a concentracao no numero de artigos em 2011 (edicao Cadernos EBAPE.BR - 9 artigos) e 2014 (edicao Organizacoes Rurais & Agroindustriais - 7 artigos) se torna coerente com as chamadas da revista. A Revista de Ciencias da Administracao esta em terceira posicao com 4 artigos--em decorrencia da edicao especial "Gestao Social: teoria e pratica". Quanto ao Qualis CAPES (divulgado em 2016) dos periodicos nas quais os artigos foram publicados observamos a presenca de periodicos A2 e B1, denotando relevancia do tema em periodicos com boa classifi cacao--conforme Tabela 1.

Quanto aos autores mais proficuos, Allebrandt (6 artigos), Villela (5 artigos) e Sausen (4 artigos) se destacam, com uma forte rede de coautoria entre Allebrandt & Sausen, ambos da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.Tambem e importante destacar a divisao entre artigos teoricos e artigos empiricos, dos 29 artigos analisados, 27 sao empiricos e apenas 2 teoricos--os artigos teoricos, entretanto, nao avancam em uma discussao conceitual sobre formacao socio-espacial. Observamos que 24 dos trabalhos analisados tem design qualitativo, 1 quantitativo e 2 quantitativo e qualitativo, predominando estudos de caso com coleta de dados por meio de entrevistas e pesquisa documental.

4.2 Espaco, territorio e lugar nos estudos da gestao social

A Tabela 2 reune as frequencias de palavras (palavras mais citadas nos artigos) dos artigos realizada por meio do NVivo, com destaque para 'desenvolvimento', 'social', 'gestao', 'territorio'e 'territorial'. Percebemos palavras que oferecem direcionamentos sobre a enfase dada no campo como desenvolvimento, cidadania, programa, politicas, atores, local, sociais, rural, participacao, dentre outras.

A Figura 6, semelhantemente, apresenta de forma ilustrativa uma "nuvem de palavras" para as palavras-chave dos artigos. Pela nuvem destacamos que as palavras 'social' e 'gestao' referentes principalmente a 'gestao social';'cidadania' e 'deliberativa' referente a 'cidadania deliberativa'. Outras palavras referentes a 'politicas publicas', 'territorios', 'territorial' e 'participacao' sao as que apresentam maior frequencia. Especialmente, cidadania deliberativa aparece como perspectiva teorica e tambem metodologica com bastante recorrencia nos estudos selecionados.

Percebemos que a unica categoria de analise delimitadas na metodologia presente entre as vinte palavras mais citadas (e tambem palavras-chave) e territorio, com uma frequencia de 1142 ocorrencias, aparecendo em 28 dos 29 artigos. Apesar do alto numero de ocorrencias, 'territorio' pode ser considerado uma categoria periferica, uma vez que e citada em passant na maioria das vezes, sem um refinamento ou reflexao teorica. Alguns poucos textos, no entanto, trouxeram importantes reflexoes e direcionamentos, por exemplo, Santana, Guedes & Villela (2011, p. 852), ao citarem Pires & Pedlowski, destacam que os megaempreendimentos "tambem implicam no aumento das tensoes e conflitos sociais, visto que geram uma inevitavel disputa por territorios por agentes que operam a partir de diferentes escalas espaciais, e municiados de diferentes niveis de poder politico e economico". Dessa forma, os autores evidenciam as diversas ordens presentes no espaco social, que sao externalidades que influenciam a producao e reproducao das relacoes sociais e do proprio espaco social (SANTOS, 2014).

Gianella & Callou (2011, p. 85), ao discutirem a complexidade da nocao de territorio, indicam que o conceito "extrapola os limites disciplinares para se colocar como conceito denso, capaz de impulsionar analise (conhecimento necessario as politicas) e acao (mobilizacao social rumo a construcao de cenarios futuros) no espaco da inter e transdisciplinariedade". Apoiando-se em Zapata, Amorim & Arns apud Gianella & Callou (2011, p. 805-806) indicam que "territorio e um espaco socialmente organizado. Territorio significa espaco e fluxos, ou seja, lugares e pessoas interagindo", relacionada a uma identidade historica e cultural. Os autores ainda trazem relevante reflexao a partir do pensamento de Milton Santos, indicando que conceitos sao impregnados de vida social e experiencias culturais, dessa forma o territorio nao e uma abstracao:

Assim, nao faz sentido falar de Territorio abstrato e sim de "Territorio em uso" (SANTOS, 2005), onde se faz necessario reconhecer e considerar a densa rede de relacoes cruzadas entre as multiplices dimensoes que se tecem dentro deste conceito: das materiais, fisicas e geograficas, as sociais, politicas, de poder, de fluxos informacionais, de costumes, de culturas. Todas estas, imbricadas em processos circulares de influencia e condicionamento reciproco, sao implicitamente ou explicitamente aludidas quando recorremos ao conceito de Territorio (GIANELLA; CALLOU, 2011, p. 806).

Outroautor referenciado no campo de estudos de gestao social e enfoque territorial e Abramovay e sua utilizacao do conceito de capital social. Villela, Costa & Cancado (2014), trazem a percepcao do autor sobre o referido conceito:

O conceito de territorio e resultante dos modos de como a sociedade se organiza para usar os sistemas naturais que apoia sua reproducao. Este conceito, segundo Abramovay (2013), contribui para o abandono das nocoes restritamente setoriais da atividade agricola, impede a confusao entre os conceitos de desenvolvimento e crescimento economico, contribui para entender o jogo dos atores locais e seus mecanismos de governo, das limitacoes entre os avancos sociais e ecologicos. O territorio passa a ser considerado pelo seu capital social, ou seja, pelo conhecimento coletivo existente, que explica em muitos aspectos pelos quais uma regiao se desenvolve e outra nao (VILLELA; COSTA; CANCADO, 2014, p. 212).

Percebemos ainda, pela Tabela 2, que desenvolvimento (seja ele local, territorial, sustentavel, etc.) e um conceito muito importante para os estudos de gestao social e de territorios, aparecendo como ponto central do enfoque territorial da gestao social (VILLELA, COSTA; CANCADO, 2014).

Espaco social e tambem categoria periferica, cabe aqui destacar que muitos dos estudos encontrados trazem uma perspectiva de espaco mais alinhado a espaco publico e a cidadania deliberativa--de onde buscam embasamento em autores como Jurgen Habermas e no proprio campo nos trabalhos de Tenorio (1998, 2005). Espaco social teve apenas 8 ocorrencias distribuidas entre 5 artigos, para uma media de 0,75 ocorrencias por artigos. De forma semelhante, o conceito 'lugar' nao e aprofundado nos artigos analisados.

A ultima categoria de analise e 'territorios de cidadania', conforme destacado por Pereira et al. (2011, p.740), "territorios da cidadania constituem-se em um esforco do governo federal brasileiro em planejar o desenvolvimento do pais de modo a reduzir as desigualdades regionais, em uma perspectiva de sustentabilidade e de promocao da cidadania". Os territorios da cidadania aparecem como possibilidades de desenvolvimento e de maior participacao na tomada de decisoes, seja por reformarem as dinamicas participativas, seja por destacarem a capacidade transformativa daqueles que vivem em determinado territorio.

No que tange aos autores centrais dos estudos sobre territorio, espaco e lugar, Lopes & Kerbauy (2009), ao tratarem do desenvolvimento local, citam Manuel Castells e sua problematizacao das cidades como atores politicos como uma das vertentes dessa concepcao de desenvolvimento, em que os municipios devem se articular com as outras escalas e integrar-se ao mundo globalizado, resolvendo seus problemas de gestao e planejamento. Santana; Guedes & Vilella (2011) e Villela & Maia (2009), apesar de citarem Castells, discutem apenas sua problematizacao de redes, aliando-a a perspectiva de desenvolvimento local e territorial.

Nascimento et al. (2014) e o unico trabalho em que Henri Lefebvre e citado e mesmo assim de forma breve e por meio do texto de Veiga (2004). David Harvey, outro autor central que discute a questao urbana e formacao socio-espacial e que mais recentemente tem publicado obras mais alinhadas ao pensamento lefebvriano (HARVEY, 2014), nao e citado em nenhum dos artigos analisados--o que tambem ocorre com Gilles Deleuze & Felix Guatarri. Dentre os autores destacados, Milton Santos e o mais citado. Gianella & Callou (2011), Moretto Neto, Garrido & Justen (2011) e Benson & Allebrandt (2014) trazem importantes reflexoes feitas pelo geografo baiano. Os ultimos aproximam-se da obra "Espaco do Cidadao" de Santos para evidenciar o "distanciamento social, geografico e politico entre os cidadaos [brasileiros]" (BENSON; ALLEBRANDT, 2014, p. 252), indicando que aqueles que residem na periferia dispoem de "menos meios efetivos para atingir as fontes e os agentes de poder, dos quais se esta mal ou insuficientemente informado" (SANTOS apud BENSON; ALLEBRANDT, 2014, p. 252), nao esquecendo que a segregacao e fragmentacao sao importantes categorias para se pensar o territorio e o espaco social.

Moretto Neto, Garrido & Justen (2011) tambem tratam de uma construcao historica, ao evidenciar que as relacoes homem-natureza sao produtoras de tecnicas, diferentes para cada periodo da historia. As tecnicas tem destaque na obra de Santos, o que facilmente percebido nas obras "Por uma outra Globalizacao" e "A Natureza do Espaco", a propria formacao espacial e discutida por Santos (2014) a partir de um meio tecnico-cientifico, nos diversos fluxos entre pessoas e o meio em que interagem. Considerando a extensa obra de Milton Santos e sua profunda discussao sobre formacao socio-espacial e territorios, o pensamento de Santos e dos demais autores aqui discutidos e pouco explorado na grande maioria dos textos, que enfocam territorios da cidadania, como apresentado anteriormente, ou territorio como sinonimo de substrato material ou de uma regiao demografica, sem considerar fluxos, atores e a disputa por poder, pontos centrais das discussoes de formacao socio-espacial.

Outro ponto que precisa ser problematizado e as adjetivacoes utilizadas para o conceito de espaco, que recebe os mais diversos adjetivos, quase sempre nao repetidos em diferentes trabalhos: 'economico periferico', 'educacional' (MORETTO NETO; GARRIDO; JUSTEN, 2011), 'agrario' (SAUSEN; PATIAS; ALLEBRANDT, 2011), 'de participacao social' (ZANI; TENORIO, 2011), 'institucionalizado de participacao' (MACEDO et al, 2015). Mas dentre todas as adjetivacoes, uma merece especial destaque: espaco publico que aparece de forma bastante recorrente--no entanto, nao e abordado a partir dos pressupostos teoricos dos debates sobre formacao socio-espacial.

Dentre os artigos empiricos, nota-se uma diversidade de eventos, locais, 'territorios' e espacos analisados, seja do ponto de vista institucional ou demografico (Figura 4). Contudo, a maior parte dos trabalhos estageograficamente concentrada nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro.

Finalmente, constatamos que de forma semelhante, para as categorias 'espaco', 'lugar' e 'territorio', os autores que trabalham com formacao socio-espacial sao pouco utilizados, indicando mais uma vez que as categorias centrais problematizadas por esses autores sao tratadas sem o devido aprofundamento teorico ou reflexoes sobre o 'peso teorico' que o conceito ja carrega. Dessa forma, consideramos relevante que, conforme feito por Gianella & Callou (2011) e Pereira et al. (2011), os trabalhos de gestao social que tratem de territorios, sem predilecao por um ou outro conceito de formacao socio-espacial, devem especificar a qual conceito e corrente teorica se referem para nao ocorrer em 'usos' ontologicamente, epistemologicamente e ate metodologicamente inadequados dos mesmos.

5 CONSIDERACOES FINAIS

Neste artigo nos valemos do metodo de revisao integrativa a fim de responder a questao: como a formacao socio-espacial e seus conceitos centrais sao "apropriados" pelos estudos de gestao social? Concluimos que o campo de gestao social ainda que tenha muito avancado, a tematica da formacao socio-espacial ainda permanece como uma lacuna no campo. As categorias centrais estipuladas a partir de relevante literatura sobre formacao socio-espacial (territorio, espaco e lugar), estao em sua grande maioria, pouco exploradas pelo campo, evidenciando possibilidades de futuras pesquisas em temas ainda praticamente inexplorados ou sub-teorizados--motivo pelo qual nenhuma das categorias (territorio, espaco ou lugar) aparece como categoria central (nem forma de organizacao) da gestao social na sistematizacao de Cancado, Pereira & Tenorio (2013, 2015). Assim, a conclusao geral e que existe uma discussao ainda limitada pela gestao social no que tange ao amplo campo de debates interdisciplinar sobre territorio, espaco e lugar.

Como principal limitacao do presente estudo destacamos o tratamento mais descritivo do que explicativo dos resultados e a delimitacao da pesquisa em apenas artigos publicados em periodicos, alem, de considerar um numero limitado de categorias relacionadas ao conceito de formacao socioespacial que podem ser ampliadas. Como principais contribuicoes do texto, temos que (1) e a primeira sistematizacao do conhecimento sobre gestao social e territorios; (2) fornece direcionamentos para o aprofundamento de pesquisas sobre tematicas proximas a de formacao socio-espacial; (3) indica lacunas nos estudos analisados, as principais: (i) carencia de debate teorico aprofundado sobre territorio, espaco ou lugar; (ii) utilizacao do conceito de territorio atrelado apenas a uma dimensao geografica e neutra; (iii) carencia de debate sobre importantes fenomenos e categorias como territorialidade, desterritorializacao e reterritorializacao, dominacao e apropriacao, territorio funcional e territorio simbolico, territorio-rede e territorio-zona e (iv) pouca 'leitura' de textos classicos e atuais sobre a tematica de formacao socio-espacial. Essas lacunas podem ser convertidas em pesquisas futuras. Aqui, indicamos a seguinte agenda de pesquisa:

a) Analisar os pressupostos ontologicos e epistemologicos adotados pelos estudos da gestao social que utilizam conceitos de territorio, espaco e lugar;

b) Identificar as diferencas e complementaridades entre os conceitos de espaco publico (na linha de participacao e deliberacao) e de espaco social;

c) Problematizar a formacao dos 'territorios' tendo em vista os processos conflitivos e a naturalizacao de praticas voltadas para o 'valor de troca' em detrimento do 'valor de uso' dos espacos e lugares.

Finalmente, tendo em vista que a gestao social, principalmente na sua vertente frankfurtiana (PERES JUNIOR; PEREIRA, 2014), busca um gerenciamento mais dialogico, pautado no interesse publico nao estatal, no bem comum e tem como finalidade a emancipacao (TENORIO, 1998, 2005; CANCADO; PEREIRA; TENORIO, 2015), ela pode ampliar suas possibilidades ao abranger categorias e pesquisas importantes para a compreensao dos territorios, espacos e lugares em que os atores que desenvolvem tais praticas estao inseridos e se constituem. Assim, este artigo e tambem uma 'chamada' para estudos e reflexoes que visem transformacoes significativas na sociedade e nos territorios, espacos e lugares que ela 'ocupa', 'constroi' e 'faz morada'.

DOI--http://dx.doi.org/10.17800/2238-8893/aos.v7n2jul/dez2018p25-46

REFERENCIAS

ALCANTARA, V. C. Mundo-da-vida e sistema: o locus da gestao social sob a abordagem habermasiana. 2015. 421 f. Dissertacao (Mestrado em Administracao). Programa de Pos-Graduacao em Administracao. Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2015.

--. Mundo-da-vida e Sistema: refletindo sobre o locus da gestao social e suas tensoes. In: SEMINARIOS DE ADMINISTRACAO, 18, 2015, Sao Paulo, Anais [...] Sao Paulo: FEA-USP.

ALLEBRANDT, S. L. et al. Gestao social e cidadania deliberativa: uma analise da experiencia dos Coredes no Rio Grande do Sul, 1990- 2010. Cadernos EBAPE.BR, v. 9, n. 3, p. 914-945, 2011.

BENSON, A., ALLEBRANDT, S. L. Comunicacao e informacao no programa territorios da cidadania: o caso do territorio da cidadania noroeste colonial. Organizacoes Rurais & Agroindustriais, v. 16, n. 2, p. 247-261, 2014.

BOTELHO, L. L. R.; CUNHA, C. C. A.; MACEDO M. O metodo da revisao integrativa nos estudos organizacionais. Gestao e Sociedade, v. 5, n. 11, p. 121-136, 2011.

CANCADO, A. C. Fundamentos teoricos da gestao social. 2011. 315 f. Tese (Doutorado em Administracao). Programa de Pos-Graduacao em Administracao. Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2011.

CANCADO, A. C.; PEREIRA, J. R.; TENORIO, F. G. Gestao social: reflexoes teoricas e conceituais. Cadernos EBAPE. BR, v. 9, n. 3, p. 681-703, 2011.

--. Gestao Social: epistemologia de um paradigma. Curitiba, PR: Editora CRV, 2013.

--. Gestao Social: epistemologia de um paradigma. 2. ed. Curitiba, PR: CRV, 2015.

CARDOSO, B. L. D. et al. Desenvolvimento territorial sustentavel: estudo comparativo de indicadores do sistema de gestao estrategica em territorios rurais do Rio Grande do Norte. Revista Eletronica de Ciencia Administrativa, v. 13, n. 1, p. 39-55, 2014.

DECKERT, C. T.; ALLEBRANDT, S. L. A efetividade da cidadania no Programa Territorios da Cidadania: um estudo de caso do Noroeste Colonial do Rio Grande do Sul. Amazonia, Organizacoes e Sustentabilidade, v. 2, n. 2, p. 139-152, 2013.

DECKERT, C. T.; ALLEBRANDT, S. L.; SAUSEN, J. O. A gestao social no territorio da cidadania noroeste colonial do Rio Grande do Sul. Desenvolvimento em Questao, v. 10, n. 21), p. 88-118, 2012.

DIAS, T. F.; PAIVA, J. A. Gestao social e desenvolvimento territorial: um olhar a partir processo de governanca dos colegiados territoriais brasileiros. Revista de Ciencias da Administracao, v. 17, n. especial, p. 91-105, 2015.

FIGUEIREDO, N. Da importancia dos artigos de revisao da literatura. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentacao, v. 23, n. 1, p. 131-135, 1990.

FISCHER, T. Gestao social do desenvolvimento de territorios. Revista Psicologia, Organizacoes e Trabalho, v. 12, n. 1, p. 113-119, 2012.

FREITAS, A. F.; FREITAS, A. F.; DIAS, M. M. Gestao social e politicas publicas de desenvolvimento territorial. Administracao Publica e Gestao Social, v. 4, n. 1, p. 76-99, 2012.

GARCIA, A. S. Esferas publicas como uma categoria fundante da gestao social. 2016. 273 f. Dissertacao (Mestrado em Administracao). Programa de Pos-Graduacao em Administracao. Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2016.

GIANNELLA, V.; CALLOU, A. P. A emergencia do paradigma de desenvolvimento centrado no territorio na observacao de duas politicas no Cariri cearense. Cadernos EBAPE.BR, v. 9, n. 3, p. 803-827, 2011.

GOMES, P. C. C. Introducao. In:--. A condicao urbana: ensaios de geopolitica da cidade.

Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. p.11-20.

GUERRA, J.; TEODOSIO, A. D. S. S. Dialogismo e reflexidade: uma analise da contribuicao dos centros e programas de estudos de gestao social no Brasil. Revista de Ciencias da Administracao, v. 17, n especial, p. 45-62, 2015.

HAESBAERT, R. Territorios alternativos. Sao Paulo: Contexto, 2002.

--. Da desterritorializacao a multiterritorialidade. In: ENCONTRO DE GEOGRAFOS DA AMERICA LATINA, 10, 2005, Sao Paulo. Anais [...] Sao Paulo: USP.

HARVEY, D. Cidades rebeldes: do direito a cidade a revolucao urbana. Sao Paulo: Martins Fontes, 2014.

IIZUKA, E. S.; GONCALVES-DIAS, S. L. F.; AGUERRE, P. Gestao social e cidadania deliberativa: a experiencia de Ilha Comprida--Sao Paulo. Cadernos EBAPE.BR, v. 9, n. 3, p. 748779, 2011.

JUSTEN, C. E.; MORETTO NETO, L.; GARRIDO, P. O. Para alem da dupla consciencia: Gestao Social e as antessalas epistemologicas. Cadernos EBAPE. BR, v. 12, n. 2, p. 237-251, 2014a.

--. Do monologo ao dialogo: o potencial emancipatorio do Programa Territorio da Cidadania Meio-Oeste Contestado revisitado a luz da gestao social. Organizacoes Rurais & Agroindustriais, v. 16, n. 2, p. 192-207, 2014b.

KRONEMBERGER, T. S.; GUEDES, C. A. M. Desenvolvimento territorial rural com gestao social: um estudo exploratorio entre Brasil e Argentina. Organizacoes Rurais & Agroindustriais, v. 16, n. 2, p. 233-246, 2014.

KRONEMBERGER, T. S.; VILLELA, L. E.; ZANI, F. B. APLs e desenvolvimento territorial: um estudo sobre o programa territorio da cidadania norte do Rio de Janeiro. Desenvolvimento em Questao, v. 10, n. 21, p. 28-60, 2012.

LEFEBVRE, H. The production of space. Oxford, UK; Cambridge, Mass.: Blackwell, 1991.

--. O direito a cidade. Sao Paulo: Centauro, 2001.

LOPES, E.; KERBAUY, M. T. M. Desenvolvimento local e a construcao de uma nova territorialidade: a implantacao do Programa Territorios da Cidadania no Norte Pioneiro do Parana. Cadernos Gestao Publica e Cidadania, v. 14, p. 55, p. 79-103, 2009.

MACEDO, L. F. A. et al. A Fragilidade da atuacao dos conselhos comunitarios na conducao do plano diretor de Itaguai-RJ: uma situacao de alerta ao desenvolvimento sustentavel. Revista de Ciencias da Administracao, v. 17, n. especial, p. 134-148, 2015.

MAUERBERG JUNIOR, A. et al. A universidade como espaco territorial de inovacao: o papel da extensao universitaria no incentivo as praticas inovadoras de gestao. Organizacoes Rurais & Agroindustriais, v. 16, n. 2, p. 220-232, 2014.

MONJE-REYES, P. Economia solidaria, cooperativismo y descentralizacion: la gestion social puesta em practica. Cadernos EBAPE.BR, v. 9, n. 3, p. 704-723, 2011.

MORETTO NETO, L.; GARRIDO, P. O.; JUSTEN, C. E. Desenvolvendo o aprendizado em gestao social: proposta pedagogica de fomento as incubadoras sociais. Cadernos EBAPE.BR, v. 9, n. 3, p. 828-845, 2011.

NASCIMENTO, P. F. et al. O turismo rural e as reconfiguracoes territoriais em questao: a forca da identidade cultural para o desenvolvimento nas montanhas capixabas. Organizacoes Rurais & Agroindustriais, v. 16, n. 2, 178-191, 2014.

OLIVEIRA, J. R.. et al. A gestao social no contexto do programa territorios da cidadania: os casos dos municipios de Braga, Campo Novo e Coronel Bicaco--RS. Administracao Publica e Gestao Social, v. 3, n. 1, 43-65, 2011.

ONUMA, F. M. S.; MISOCZKY. M. C. Uma reflexao sobre a nocao de desterritorializacao identitaria e suas implicacoes para politicas de acolhida de refugiados. In: ENCONTRO DA ASSOCIACAO NACIONAL DE POS-GRADUACAO EM ADMINISTRACAO- ANPAD, 36, 2012, Rio de Janeiro. Anais [...] Rio de Janeiro, 2012.

PACHECO, A. S. V.; MORETTO NETO, L. SILVA, K. V. G. Gestao Social nos Territorios da Cidadania: um estudo de caso no Territorio do Meio-Oeste do Contestado. Revista de Ciencias da Administracao, v. 17, n. especial, p. 106-119, 2015.

PEREIRA, J. R. et al. Gestao social dos territorios da cidadania: o zoneamento ecologicoeconomico como instrumento de gestao do territorio noroeste de Minas Gerais. Cadernos EBAPE. BR, v. 9, n. 3, p. 724-747, 2011.

PERES JUNIOR, M. R.; PEREIRA, J. R. Abordagens Teoricas da Gestao Social: uma analise de citacoes exploratorias. Cadernos EBAPE. BR, v.12, n. 2, p. 221-236, 2014.

RIBEIRO, A. C.; ANDION, C. Habilidades sociais e mobilizacao para o desenvolvimento rural no Territorio da Serra Catarinense. Organizacoes Rurais & Agroindustriais, v. 16, n. 2, p. 167-177, 2014.

SAMPAIO, R. F.; MANCINI, R. C. Estudos de revisao sistematica: um guia para sintese criteriosa da evidencia cientifica. Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 11, n. 1, p. 83-89, 2007.

SANTANA, J. S.; GUEDES, C. A. M.; VILLELA, L. E. Desenvolvimento territorial sustentavel e desafios postos por megaempreendimentos: o caso do municipio de Itaguai--RJ. Cadernos EBAPE.BR, v. 9, n. 3, p. 846-867, 2011.

SANTOS, M. A natureza do espaco: tecnica e tempo, razao e emocao. Sao Paulo: Edusp, 2014. SAQUET, M. A. Por uma abordagem territorial. In: SAQUET, M. A.; SPOSITO, E. S. (Orgs.). Territorios e territorialidade: teorias, processos e conflitos. Sao Paulo: Expressao Popular, 2009. p. 73-94.

SAUSEN, J. O.; PATIAS, I. A.; ALLEBRANDT, S. L. Desenvolvimento local e estrategia de pequenos empreendimentos agroindustriais--a logica da cooperacao e do associativismo: o Pacto Fonte Nova. Cadernos EBAPE.BR, v. 9, n. 3, p. 868-894, 2011.

SOUZA, M. L. "Territorio" da divergencia (e da confusao): em torno das imprecisas fronteiras de um conceito fundamental. In: SAQUET, M. A.; SPOSITO, E. S. (Orgs.). Territorios e territorialidade: teorias, processos e conflitos. Sao Paulo: Expressao Popular, 2009. p. 57-72.

TENORIO, F. G. Gestao social: uma perspectiva conceitual. Revista de Administracao Publica, v. 32, n. 5, p. 7-23, 1998.

--. (Re) visitando o conceito de gestao social. Desenvolvimento em Questao, v. 3, 101-124, 2005.

--. Tem razao a gestao social?. In: COLOQUIO INTERNACIONAL DE EPISTEMOLOGIA E SOCIOLOGIA DA CIENCIA DA ADMINISTRACAO. Florianopolis. Anais [...] Florianopolis: UFSC, 2013.

VEIGA, J. E. Destinos da ruralidade no processo de globalizacao. Estudos Avancados, v. 51, n. 18, p. 51-67, 2004.

VILLELA, L. E.; MAIA, S. W. Formacao historica, acoes e potencial da gestao social no APL de turismo em Visconde de Maua RJ/MG. Revista ADM.MADE, v. 13, n. 2, p. 34-47, 2009.

VILLELA, L. E.; COSTA, E. G.; CANCADO, A. C. Perspectivas da agropecuaria do municipio de Itaguai face a megaprojetos em implementacao no local. Organizacoes Rurais & Agroindustriais, v. 16, n. 2, p. 208-219, 2014.

ZANI, F. B.; TENORIO, F. G. Gestao social do desenvolvimento: a exclusao dos representantes dos empresarios? O caso do Programa Territorios da Cidadania Norte-RJ. Cadernos EBAPE.BR, v. 9, n. 3, p. 780-802, 2011.

--. Gestao social do desenvolvimento: o desafio da articulacao de atores sociais no Programa Territorios da Cidadania Norte-RJ. Organizacoes & Sociedade, v. 21, n. 68, p. 853-874, 2014.

Luis Fernando Silva Andrade (1)

Valderi de Castro Alcantara (2)

Florence Rodrigues Pereira (3)

Jose Roberto Pereira (4)

(1) Mestre em Administracao--PPGA-UFLA. E-mail: andradelfs@gmail.com

(2) Mestre em Administracao--PPGA-UFLA. E-mail: valderidecastroalcantara@gmail.com>

(3) Bacharel em Direito. Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ). E-mail: florencedireito@yahoo. com.br>

(4) Doutor e Sociologia. Professor--Departamento de Administracao e Economia da Universidade Federal de Lavras (DAE/UFLA). E-mail: jrobertopereira@gmail.com

(5) Ligada ao referencial habermasiano e a contraposicao entre gestao social e estrategica realizada por F. G. Tenorio.

(6) Destaque para os textos de T. Fischer (2012) sobre desenvolvimento e interorganizacoes.

(7) Relacionada ao modelo societal de Paes de Paula.

(8) Enfase em debates sobre terceiro setor, ONGs e avaliacao.

Caption: Figura 2--Gestao Social: Campo em construcao, temas em evidencia.

Caption: Figura 6--Nuvem de palavras-chave (25 palavras mais frequentes).
Tabela 1--Quantidade de artigos por periodico e Qualis

Periodico                          N.      Porcent.   Qualis
                                 Artigos

Cadernos EB APE,BR                  9        31,0       A2

Organizacoes Rurais &               7        24,1       B2
Agroindustriais

Revista de Ciencias da              4        13,8       B2
Administracao

Administracao Publica e Gestao      2        6,9        BI
Social--APGS

Desenvolvimento em Questao          2        6,9        B2

Cadernos Gestao Publica e           1        3,4        B2
Cidadania

Revista ADM.MADE                    1        3,4        B2

Amazonia, Organizacoes e            1        3,4        B3
Sustentabilidade--AOS

Revista Eletronica de Ciencia       1        3,4        BI
Administrativa (RECADM)

Revista Organizacoes &              1        3,4        A2
Sociedade--O&S

Total                              29        100%

Fonte: Dados de pesquisa.

Tabela 2--As vinte palavras mais citadas nos artigos.

Palavra           Contagem

Desenvolvimento     2298
Social              2250
Gestao              1793
Territorio          1142
Territorial         1012
Cidadania           972
Programa            885
Processo            858
Politicas           829
Territorios         813
Atores              780
Local               759
Sociais             747
Sociedade           716
Rural               655
Participacao        641
Acoes               620
Municipios          557
Publicas            528
Estado              514

Fonte: Dados de pesquisa.

Quadro 1: Diversidade de conceitos de gestao social.

Conceitos de Gestao Social Conceito        Referencia

"[...] um gerenciamento mais               Tenorio (1998, p. 16)
participativo, dialogico, no qual o
processo decisorio e exercido por meio
de diferentes sujeitos sociais".

"[...] modo de gestao proprio as           Franca Filho (2003, p. 4)
organizacoes atuando num circuito que
nao e originariamente aquele
(tradicional) do mercado e do Estado
[...]".

"[...] gestao social como o processo       Tenorio (2005, p. 102)
gerencial dialogico no qual a autoridade
decisoria e compartilhada entre os
participantes da acao (acao que possa
ocorrer em qualquer tipo de sistema
social--publico, privado ou de
organizacoes nao-governamentais)".

"[...] um ato relacional capaz de          Gondim, Fischer & Melo
dirigir e regular processos por meio da    (2006, p. 7)
mobilizacao ampla de atores na tomada de
decisao, que resulte em parcerias intra
e interorganizacionais, valorizando as
estruturas descentralizadas e
participativas, tendo como norte o
equilibrio entre a racionalidade
instrumental e a racionalidade
substantiva, para alcancar enfim um bem
coletivamente planejado, viavel e
sustentavel a medio e longo prazo".

"[...] gestao que produza os bens          Cabral (2008,25)
publicos e reproduza os valores sociais
que permitam o florescimento deste
espaco articulado pelo TS [terceiro
setor]"

"[...] um processo dialetico de            Cancado (2011, p. 205)
organizacao social proprio da esfera
publica, fundado no interesse bem
compreendido, e aue tem nor finalidade a
emancipacao".

"Pode-se concluir que a gestao do          Fischer (2012, p.118)
desenvolvimento social e um processo de
mediacao que articula multiplos niveis
de poder individual e social".

"[...] tomada de decisao coletiva, sem     Cancado, Tenorio & Pereira
coercao, baseada na inteligibilidade da    (2011, p. 697)
linguagem, na dialogicidade e no
entendimento esclarecido como processo,
na transparencia, como pressuposto e na
emancipacao enquanto fim ultimo".

"[...] acao gerencial dialogica propria    Cancado, Pereira & Tenorio
da sociedade, do interesse publico nao     (2013, p. 17).
estatal e voltado para o bem comum".

"A gestao social e um campo de saberes e   Araujo (2014, p. 88).
praticas referentes aos modos de gerir
interorganizacoes, territorios e
relacoes sociais, sendo orientado por
uma ideologia social e do interesse
publico, orquestrando diferentes escalas
e tipos de poder. Prevalece a logica
humanitaria, do interesse publico e
social em detrimento dos interesses
privados, individuais e monetario".

Fonte: Adaptado de Garcia (2016, p. 62).

Quadro 2--Procedimentosde pesquisa.

Etapa                     Descricao

1       Identificacao     (a) gestao social e formacao
        do tema e         socio-espacial (b) como a formacao
        pergunta          socio-espacial e seus conceitos
                          centrais sao "apropriados" pelos
                          estudos de gestao social?

2       Pesquisa por      (a) selecao de edicoes relacionadas
        artigos e         ao tema e pesquisa na base de
        criterios de      periodicos SPELL; (b) aplicacao do
        selecao           filtro 1--remocao de artigos
                          duplicados; (c) aplicacao do filtro
                          2--remocao dos artigos nao
                          aderentes a proposta da pesquisa.

3       Sistematizacao    a) Tabulacao dos artigos no
        e verificacao     Microsoft Excel (titulo; autores;
        da base criada    periodico; QUALIS dos periodicos;
                          ano; palavras-chave; temas
                          relacionados; estado; pais;
                          ocorrencia de categorias centrais;
                          autores do debate sobre formacao
                          socio-espacial; adjetivacoes de
                          espaco; referencia completa, etc);
                          (b) criacao de pasta com artigos
                          completos em 'pdf' para analise no
                          software NVivo 10.

4       Analise           (a) lista de artigos; publicacoes
        descritiva        por ano; estratos dos periodicos;
                          autores principais;

5       Analise           (a) busca por categorias de analise
        integrativa       (territorio; territorio de
                          cidadania; espaco social; lugar e
                          outras); (b) analise das
                          ocorrencias e dos usos dos
                          conceitos.

6       Discussoes e      (a) discussao dos resultados,
        consideracoes     identificacao de lacunas e
                          possibilidades de pesquisas
                          futuras.

Fonte: Elaborado pelos autores com base
em Botelho, Cunha & Macedo (2011).

Quadro 3--Descricao dos artigos selecionados.

Titulo                      Period.   Autor--ano

Desenvolvimento local e a   CGPC      Lopes & Kerbauy (2009)
construcao de uma nova
territorialidade: a
implantacao do Programa
Territorios da Cidadania
no Norte Pioneiro do
Parana

Formacao Historica, Acoes   AM        Villela & Maia (2009)
e Potencial da Gestao
Social no APL de Turismo
em Visconde de Maua RJ/MG

Gestao social e cidadania   Ebape     Allebrandt et al. (2011)
deliberativa: uma analise
da experiencia dos
Coredes no Rio Grande do
Sul, 1990-2010

A emergencia do paradigma   Ebape     Gianella & Callou (2011)
de desenvolvimento
centrado no territorio na
observacao de duas
politicas no Cariri
cearense

Gestao social e cidadania   Ebape     Iizuka, Goncalves-Dias &
deliberativa: a                       Aguerre (2011)
experiencia de Ilha
Comprida--Sao Paulo

Economia solidaria,         Ebape     Monje-Reyes (2011)
cooperativismo y
descentralizacion:
lagestion social
puestaenpractica

Desenvolvendo o             Ebape     Moretto Neto, Garrido &
aprendizado em gestao                 Justen (2011)
social: proposta
pedagogica de fomento as
incubadoras sociais

Gestao social dos           Ebape     Pereira et al. (2011)
territorios da cidadania:
o zoneamento
ecologico-economico como
instrumento de gestao do
territorio noroeste de
Minas Gerais

Desenvolvimento local e     Ebape     Sausen, Patias &
estrategia de pequenos                Allebrandt (2011)
empreendimentos
agroindustriais--a logica
da cooperacao e do
associativismo: o Pacto
Fonte Nova

Desenvolvimento             Ebape     Santana, Guedes & Villela
territorial sustentavel e             (2011)
desafios postos por
megaempreendimentos: o
caso do municipio de
Itaguai--RJ

Gestao social do            Ebape     Zani & Tenorio (2011)
desenvolvimento: a
exclusao dos
representantes dos
empresarios? O caso do
Programa Territorios da
Cidadania Norte-RJ

A gestao social no          APGS      Oliveira et al. (2011)
contexto do programa
territorios da cidadania:
os casos dos municipios
de Braga, Campo Novo e
Coronel Bicaco--RS.

A Gestao Social no          DQ        Deckert, Allebrandt &
Territorio da Cidadania               Sausen (2012)
Noroeste Colonial do Rio
Grande do Sul

Gestao Social e Politicas   APGS      Freitas, Freitas & Dias
Publicas de                           (2012)
Desenvolvimento
Territorial

APLs e Desenvolvimento      DQ        Kronemberger, Villela &
Territorial: um Estudo                Zani(2012)
sobre o Programa
Territorio da Cidadania
Norte do Rio de Janeiro

A efetividade da            AOS       Deckert & Allebrandt
cidadania no programa                 (2013)
territorios da cidadania:
um estudo de caso do
noroeste colonial do rio
grande do sul

Comunicacao e informacao    OR&A      Benson & Allebrandt
no programa territorios               (2014)
da cidadania: o caso do
territorio da cidadania
noroeste colonial

Do monologo ao dialogo: o   OR&A      Justen, Moretto Neto &
potencial emancipatorio               Garrido (2014b)
do programa territorio da
cidadania meio-oeste
contestado revisitado a
luz da gestao social

Desenvolvimento             OR&A      Kronemberger & Guedes
territorial rural com                 (2014)
gestao social: um estudo
exploratorio entre brasil
e argentina

A universidade como         OR&A      Mauerberg Jr. et al
espaco territorial de                 (2014)
inovacao: o papel da
extensao universitaria no
incentivo as praticas
inovadoras de gestao

O turismo rural e as        OR&A      Nascimento et al. (2014)
reconfiguracoes
territoriais em questao:
a forca da identidade
cultural para o
desenvolvimento nas
montanhas capixabas

Habilidades sociais e       OR&A      Ribeiro & Andion (2014)
mobilizacao para o
desenvolvimento rural no
territorio da serra
catarinense

Perspectivas da             OR&A      Villela, Costa & Cancado
agropecuaria do municipio             (2014)
de Itaguai face a
megaprojetos em
implementacao no local

Desenvolvimento             Recadm    Cardoso et al. (2014)
territorial sustentavel:
estudo comparativo de
indicadores do sistema de
gestao estrategica em
territorios rurais do rio
grande do norte

Gestao social do            O&S       Zani & Tenorio (2014)
desenvolvimento: o
desafio da articulacao de
atores sociais no
Programa Territorios da
Cidadania Norte-RJ

Gestao social e             RCA       Dias & Paiva (2015)
desenvolvimento
territorial: um olhar a
partir processo de
governanca dos colegiados
territoriais brasileiros

Dialogismo e reflexidade:   RCA       Guerra & Teodosio (2015)
uma analise da
contribuicao dos centros
e programas de estudos de
gestao social no Brasil

A fragilidade da atuacao    RCA       Macedo et al. (2015)
dos conselhos
comunitarios na conducao
do plano diretor de
Itaguai-RJ: uma situacao
de alerta ao
desenvolvimento
sustentavel

Gestao social nos           RCA       Pacheco, Moretto Neto &
territorios da cidadania:             Silva (2015)
um estudo de caso no
territorio do meio-oeste
do contestado

Legenda (apenas para fins
de organizacao na
figura): RCA: Revista de
Ciencias da
Administracao; O&S:
Organizacoes & Sociedade;
CGPC: Cadernos Gestao
Publica e Cidadania; AM:
Revista ADM.MADE; Ebape:
Cadernos EBAPE.BR; APGS:
Administracao Publica e
Gestao Social; OR&A:
Organizacoes Rurais &
Agroindustriais; Recadm:
Revista Eletronica de
Ciencia Administrativa;
AOS: Amazonia,
Organizacoes e
Sustentabilidade; DQ:
Desenvolvimento em
Questao.

Fonte: Elaboracao Propria.

Quadro 4--Eventos, locais, territorios e espacos analisados.

Territorio,           Referencia--Artigo
Espaco ou Local

Territorios da        Lopes & Kerbauy (2009); Gianella &
cidadania             Callou (2011); Iizuka; Goncalves-Dias &
                      Aguerre (2011); Oliveira et al. (2011);
                      Pereira et al. (2011); Zani & Tenorio
                      (2011; 2014); Deckert, Allebrandte &
                      Sausen (2012); Kronemberger, Villela &
                      Zani (2012); Deckerte Allebrandt (2013);
                      Justen, Moretto & Garrido (2014b);
                      Kronemberger & Guedes (2014); Dias &
                      Paiva(2015); Pacheco, Moretto Neto &
                      Silva (2015).

Construcao de         Santana; Guedes & Villela (2011);
megaempreendimentos   Villela, Costa & Cancado (2014).

Arranjos              Vilella & Maia (2009); Kronemberger,
produtivos            Villela & Zani (2012).
locais

Politicas de          Freitas, Freitas & Dias (2012); Cardoso
desenvolvimento       et al (2014)

Geoparks              Gianella & Callou (2011).

Empreendimentos       Sausen, Patias & Allebrandt (2011).
agroindustriais
associativos

Empreendimentos       Nascimento et al. (2014).
rurais focados
em turismo

Conselhos             Allebrandt et al. (2011).
regionais de
desenvolvimento

Conselhos             Macedo et al. (2015).
comunitarios

Colegiado de          Ribeiro & Andion (2014).
desenvolvimento
territorial

Universidades         Mauerberg Junior et al. (2014).

Fonte: Elaboracao Propria.

Figura 4--Numero de artigos publicados por ano.

2009   2
2010   0
2011   10
2012   3
2013   1
2014   9
2015   4

Note: Table made from bar graph.
COPYRIGHT 2018 Amazonia, Organizacoes e Sustentabilidade-AOS
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2018 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Andrade, Luis Fernando Silva; de Castro Alcantara, Valderi; Pereira, Florence Rodrigues; Pereira, Jo
Publication:AOS-Amazonia, Organizacoes e Sustentabilidade
Date:Jul 1, 2018
Words:8823
Previous Article:ANALYSIS OF COGNITIVE STYLES OF MANAGERS APPLIED TO AN ENGINEERING DEVELOPMENT/ANALISE DE ESTILOS COGNITIVOS DE GESTORES APLICADOS A UM...
Next Article:DISPOSAL MANAGEMENT OF ELECTRO-ELECTRONIC WASTE WITH FOCUS ON GREEN IT/GESTAO DO DESCARTE DE RESIDUOS ELETROELETRONICOS COM FOCO NA TI VERDE.
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2021 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters |