Printer Friendly

SER AGENTE DE PASTORAL NEGROS NO CONTEXTO DA REALIDADE BRASILEIRA.

Anossa pertenca aos Agentes de Pastoral Negros significou criar um canal de conexao conosco mesmos e com nossas historias da fe ancestral. Os APNs, na caminhada eclesial, gestaram um espaco privilegiado de crescimento na fe e na negritude, propiciado por pessoas envolvidas no processo de transformacao do mundo, tendo como base os elementos constitutivos da Justica. A consciencia negra opera nesse espaco, como elemento fundamental no fortalecimento das lutas contra o racismo, embora seja enorme o desafio da sua construcao no Brasil. A historia dos APNs nos tem ensinado que as conquistas da negritude necessitam ser alimentadas a cada dia, considerando sempre os diversificados contextos sociais e politicos. Ser APNs encerra um compromisso cotidiano com as implicacoes da fe em um Deus dos pobres com seu rosto negro, cujos espacos de manifestacao estao tambem associados aos terreiros. O comprometimento com os valores das africanidades descobertos nos terreiros vai impulsionar um novo modo de estar no mundo, um novo jeito de lutar pela justica do Reino.

Introducao

Ao pensarmos sobre o convite e desafio propostos pela Associacao Ecumenica de Teologos e Teologas do Terceiro Mundo (ASETT) (EATWOT - Ecumenical Association of Third World Theologians), a primeira coisa que nos veio na mente foi um dos cantos que embalou e alimentou a caminhada dos Agentes de Pastoral Negros. "Eu sou negro sim, Como Deus criou. Sei lutar pela vida cantar liberdade e gostar dessa cor." (1)

Neste canto, cujo autor e desconhecido, o primeiro dado trata-se da afirmacao da negritude. Tal realidade era muito dificil em funcao do racismo e da associacao da cor negra com tudo o que de mais feio e ruim possa existir. Dai a consciencia negra eclodir como um clamor de justica. E com ela a certeza de que somos filhos de Deus, pois somos criados por Ele desse jeito, com nossa cor negra. E a partir dessa realidade que se engendrara a luta pela vida, pela liberdade, sem negar a cor.

No intuito de responder ao desafio proposto, o presente texto foi elaborado em tres secoes. Na primeira sao elucidadas as dificuldades encontradas pelos Agentes de Pastoral Negros no Brasil no inicio de sua caminhada em virtude do racismo e dos preconceitos em relacao a tudo o que pertence aos negros. A segunda secao aborda um pouco da historia da entidade e seu processo de organizacao sublinhando a relevancia da Teologia da Libertacao no fomento da esperanca dos pobres e consequentemente dos negros. Por fim, a terceira secao apresentamos uma panoramica da situacao atual dos Agentes de Pastoral Negros e a relevancia da atuacao dessa organizacao no processo de combate ao racismo, a discriminacao e a intolerancia religiosa. Caracterizamos assim o sentido de ser APNs na atualidade.

E preciso consciencia

O subtitulo sugere que, as primeiras constatacoes no presente texto, necessario dizer, sao: nao e facil ser negro no Brasil, nao e facil ser negro nas Americas, e nao e facil ser negro na diaspora. Talvez nao seja facil ser negro em lugar nenhum no mundo. Portanto, a nossa proposicao nos impoe pensar as dificuldades da afirmacao como negros na sociedade brasileira, e nao apenas negros, mas negros agentes de pastoral em um contexto eclesial onde o cristianismo, envolto no manto da cultura eurocentrica, supravalorizou uma concepcao de Deus, que relegou a segundo plano as demais concepcoes de Deus presentes nas diferentes culturas, e de modo particular, nas culturas de matrizes africanas. Entao ser Agente de Pastoral Negro, no contexto da realidade brasileira, e uma questao de afirmacao de identidade. Tal identidade e marcada pela fe atuando como elemento norteador da acao contra o racismo e em prol da promocao da igualdade racial. Ser agente de pastoral negro nesse contexto, demanda o agucamento ou a sublevacao da consciencia, que segundo Ardunini pode ser assim compreendida.
Consciencia e saber que se sabe. E autoreconhecer-se. Ha seres humanos
que sabem que sao seres humanos. E ha os que nao sabem explicitamente
que sao seres humanos. O que faz a diferenca e a consciencia. (...) sem
a consciencia, os seres humanos se nivelam as coisas. Sao trocaveis
como objetos. (Ardunini 2002:84)


A consciencia propicia a passagem de objeto a sujeito da historia. Os negros atuando na historia como sujeitos e nao mais como simples objetos e resultante do aprimoramento da consciencia trabalhada nos grupos de negros. Essa consciencia negra adquirida pelos agentes de pastoral negros tornou-se um grande incomodo na vida eclesial. O tornar-se sujeito da historia, coisa que a consciencia negra nos tem ensinado, nos faz nos posicionarmos de modo diferenciado diante das situacoes de racismo e discriminacao existentes nas igrejas e nas praticas cotidianas da sociedade brasileira.

Nosso Deus e um Deus que faz Historia conosco. E a certeza da presenca de um Deus proximo, caminhando de maos dadas conosco que nos alenta no dia a dia em meio as adversidades vividas pela comunidade negra no Brasil e nas Americas. A situacao de racismo e de discriminacao sao atentados a dignidade humana que afrontam a magnitude do Deus que se expressa nas feicoes dos negros na diaspora. O clamor que nasce do chao da comunidade negra ecoa como um grande gemido do espirito. O significado de ser APNs encontra nessa realidade acolhimento das aspiracoes humanas mais profundas. Isso fortalece a luta, pois a certeza de que tal qual em Exodo, Deus ouve o clamor dos negros. Assim sendo, como sujeitos da historia, os APNs passam a se autocompreenderem como um povo que tem uma missao, cujo significado contem e expressa a beleza e a riqueza da negritude manifesta na identidade negra. A negritude passa a ser compreendida como um dom de Deus.
Esta descoberta da negritude como dom recebido de Deus despertou os
Agentes de Pastoral Negros para a necessidade de coloca-la a servico da
causa do Reino entre os empobrecidos. Os valores que brotam da
negritude sao frutos da bondade divina e ninguem recebe um talento para
si mesmo e sim para servir a causa do Reino de Deus atraves da
comunidade. Agir na perspectiva da negritude como dom e agir movido
pelo Espirito Santo de Deus. (Rocha 1998: 156)


E como dom, a negritude, deve estar a servico da coletividade da comunidade negra. Afirmamos assim que a "apeenidade" e uma dimensao profetica da negritude. Ser APNs no contexto atual da sociedade brasileira e enfrentar com coragem os desafios para a concretizacao da justica de Deus em meio aos pobres, e em particular em meio a comunidade negra, envidando todos os esforcos para suplantar a discriminacao, o racismo e todas as formas correlatas de intolerancias.

Retalhos de nossa historia

Um pouco da historia nos ajudara compreender o sentido e o significado dos APNs na sociedade brasileira. A historia dos Agentes de Pastoral Negros nasce no inicio da decada de 1980. Sua inspiracao maxima se fundamentava na fe que tinham os negros atuantes nas igrejas e movimentos sociais, realidade nem sempre considerada no conjunto das lutas sociais do movimento negro. Era a maioria desses negros pessoas atuantes nas Comunidades Eclesiais de Base, lugar privilegiado de articulacao da vida e esperanca dos pobres na America Latina, fundamentadas e sustentadas pela Teologia da Libertacao.

Os APNs, sao inicialmente, aprendizes da Teologia da Libertacao. Ela nos ensinou a despertar para os direitos e para os desafios que a nossa fe colocava no contexto socioeclesial. A partir dai desencadeiam-se muitas descobertas importantes, dentre elas a grande riqueza presente no universo das comunidades negras. A descoberta das riquezas da negritude foi algo que desencadeou um grande crescimento na entidade Agentes de Pastoral Negros. Essa realidade demandou uma organizacao meticulosa em grupos de base, comissoes estaduais, comissoes regionais e comissao nacional, alem da eleicao de uma diretoria para responder institucionalmente pela organizacao. Foi o tempo da descoberta da "boa nova da negritude", que passava pelo negro e bonito e negro tem valor. Foi um tempo de enegrecimento da fe e da igreja.

Inicialmente a conducao desse processo de reflexoes e organizacao esteve mais ao zelo dos padres negros. A fe e a negritude, o lugar e o papel do negro nas igrejas, sempre estiveram presentes nas discussoes iniciais da entidade. O crescimento da organizacao demandou encontrar formas de responder as demandas em carater nacional. Dai a necessidade de constituir uma coordenacao nacional, uma diretoria, que inicialmente ficou muito vinculada aos religiosos negros, sendo inclusive eleito Padre Toninho, para ser o presidente da organizacao Agentes de Pastoral Negros. Dado a pertenca religiosa dos padres presentes na coordenacao da entidade, e seus vinculos com as suas Congregacoes Religiosas, as dificuldades na obtencao de recursos para tocar a entidade eram minoradas, pois as congregacoes religiosas bem como as relacoes estabelecidas pelos padres negros influenciava tal tarefa. Os APNs se estruturaram nos grandes quilombos regionais como forma de avivar a fe e a negritude nas comunidades e grupos negros. Esse foram os nossos espacos de educacao e formacao para a negritude.

Os tempos foram mudando, as compreensoes acerca da entidade tambem, o papel dos leigos na entidade foi tomando cada dia mais impulso e com isso pessoas, que nao padres, assumiram a presidencia dos Agentes de Pastoral Negros. Alguns padres negros com isso se retrairam e sem eles, de certo modo, algumas fontes de recurso tambem se retrairam. Isso demandou novos tempos para a instituicao. Os grandes encontros que nos primeiros anos aconteciam sistematicamente, tornaram-se pesados economicamente, uma vez que nossa gente nao gozava, e nem goza ate os dias atuais, de recursos disponiveis para a sustentacao da entidade. Inumeras tentativas de modificacoes no modo organizacional da entidade tem sido buscadas no intuito de minorar os custos. Entretanto a tao sonhada sustentabilidade, todavia se nos apresenta como um desafio longe de ser resolvido. Essa dificuldade associada a tantas outras acabaram influenciando na organizacao dos grupos de base da entidade.

Uma panoramica atual dos APNs

Na atualidade os Agentes de Pastoral Negros encontram-se organizados em 14 Estados da federacao. O contexto das politicas de acao afirmativa implementadas no Brasil a partir de 2003 fez com que muitos atores sociais das lutas antirracismo galgassem maior notoriedade e reconhecimento, e assim o foi tambem com os APNs. Atualmente a atuacao dos APNs se faz notar em diversificados contextos das lutas sociais na sociedade brasileira. Entretanto, nos ultimos anos e perceptivel a retracao das conquistas e as dificuldades de navegabilidades politicas onde os interesses da comunidade negra aparecam como algo relevante na politica nacional.

Essa nova conjuntura nos insta a reflexao. Sao fatores como a mudanca no cenario eclesial, mas tambem mudancas de cenario politico no pais. Muitas questoes basicas pelas quais os negros lutavam, acabaram sendo incorporadas nas demandas sociais das politicas implementadas pelo Estado. O ingresso de muitos de nos no mercado de trabalho modificou sensivelmente nosso tempo de militancia. Nao se pode negar que isso e bom, entretanto esse novo quadro fez com que muita gente ja nao mais se reunisse para discutir a necessidade da agua encanada, pois ja tem. Os que buscavam conquista da luz eletrica, do asfalto, do emprego, do saneamento entre outras, tambem ja conseguiram. Ademais algumas pessoas do nosso meio acabaram assumindo cargos nos poderes executivo, legislativo, ou mesmo na iniciativa privada, gerando uma cisao com a organicidade dos APNs. Paralelo a isso, muitos de nos nascemos para a luta nas comunidades eclesiais de base sustentadas pela Teologia da Libertacao. Essa pratica eclesial foi detonada pelo conservadorismo da igreja, dado que desestimulou muitos negros a discutir direitos nos grupos eclesiais. Por fim, nos dias atuais os grupos de base quase que se extinguiram em muitos lugares. O esfacelamento dos movimentos sociais atingiu tambem os APNs. A consciencia de APNs permaneceu nos individuos, pois uma vez APNs, sempre APNs, mas a dinamicidade requerida no fortalecimento da luta ja nao se da nos moldes dos tempos iniciais.

Em funcao desse novo tempo, a entidade demanda encontrar novos modos de se organizar. Talvez nao seja mais pensando em organizacao de "massa", mas quem sabe em um modo de manter acesa a chama dos individuos nos seus espacos de atuacao na luta de combate ao racismo, a intolerancia religiosa, a discriminacao e a promocao da igualdade racial no pais, considerando como elementos balizadores da luta a nossa fe e nossa ancestralidade. Cabe aqui considerar que o fio condutor da luta dos APNS sempre foi constituido de um pensar que, nossa atuacao enquanto negros deve ser em todos os espacos em que atuamos cotidianamente. Isso inclusive foi tema de grandes debates na entidade por ocasiao da fundacao da pastoral negra na igreja, cuja concepcao delega um espaco particular para trabalhar a negritude segmentadamente, nao comportada na concepcao dos APNs. Ora, se existem APNs na Pastoral da Terra, na Catequese, na Pastoral Operaria, nas Filhas de Maria, nas Cebs e em tantos outros lugares na igreja, bem como nos Terreiros, nas escolas, nas universidades, nos orgaos publicos etc, nao poderia ser em forma de gueto o modo mais adequado de pensar a acao e intervencao dos APNs.

As marcas de uma fe ancestral, cada vez mais se tornam uma realidade na cotidianidade dos grupos negros no Brasil. O Deus da Vida se revela e se expressa por meio das praticas e vivencias religiosas nas culturas afro-brasileiras, cujo lugar privilegiado de manifestacao e o terreiro. O reconhecimento dos terreiros como espaco de manifestacao de Deus, agregou a pratica dos APNs novos significados da luta de combate ao racismo e a discriminacao no Brasil.

Por muitos seculos a acao eclesial foi pautada na necessidade de evangelizar os negros. A caminhada dos APNs, no entanto, tem demonstrado que os negros sao os verdadeiros evangelizadores nas igrejas. Deus ja esta no meio dos negros. As vivencias nos grupos de agentes de pastoral negros nessas decadas tem sido testemunhos evidentes da presenca do Deus da vida fazendo historia conosco. Os sinais da presenca desse Deus podem ser percebidos por todos aqueles que conseguem desvencilhar dos preconceitos etnicos, culturais, religiosos e sociais e se colocam abertos a acao do Espirito, que capacita a cada um a compreender e discernir o que fala o outro, em sua propria lingua.

A caminhada dos Agentes de Pastoral Negros tem significado um avanco das lutas antirracistas, propiciando aos negros, fundamentalmente, um mergulho para dentro de si mesmos, tomando para si a historia. Com ela a consciencia da pertenca afroetnica, que encerra tradicao cultural ancestral, do ponto de vista historico, cultural e religioso; e consequentemente a qualificacao dos diferenciados olhares sobre os negros nas suas relacoes na sociedade brasileira.

O cristianismo na America Latina, e particularmente no Brasil, vive um certo desconforto em relacao as comunidades afro-brasileiras, principalmente no tocante ao modo como, historicamente, tem se relacionado com as matrizes religiosas africanas. Segundo a compreensao de Hoonraert o modo como as religioes cristas tem se relacionado com a comunidade negra no Brasil caracteriza-se como um sistematico processo de violencia institucionalizada. Desde o primeiro "gesto religioso" do catolicismo ao batizar os negros que chegavam nos portos brasileiros para serem escravizados no periodo colonial (Hoonaert 1978, 1983), ate os dias atuais com as mais diversificadas formas de intolerancia religiosa, os negros tem sido desrespeitados em suas religiosidades e diminuidos em sua dignidade humana.

O projeto politico do Estado brasileiro, associado a religiao, nao mediu esforcos para implementar o sistema de escravidao, uma das mais abominaveis praticas de violencia que a humanidade tem noticia. O regime escravocrata, enquanto sistema politico, lancou mao de metodos e praticas violentos para submeter e subjugar os negros aos trabalhos forcados. Nesse processo de subjugacao dos negros imposto pelo sistema politico as expressoes religiosas vinculadas as tradicoes africanas foram vistas e tratadas como afronta aos interesses do branco colonizador, uma vez que funcionavam como elemento de fortalecimento fisico e espiritual dos negros escravizados.

O modo como os negros vivenciavam suas religioes no periodo colonial, significava uma ameaca ao sistema vigente, razao pela qual se entendia como uma necessidade a sua perseguicao, o seu combate e o seu exterminio. Autores como Hoonaert (1978) entendem estar ai a fundamentacao ideologica que fez com que nunca houvesse propriamente missao na America Latina e sim conquista, e implantacao da estrutura da religiao dominante. Nesse contexto socioeclesial a acao dos APNs, que desde dentro das igrejas cristas elaboram duras criticas ao comportamento racista e discriminatorio das igrejas, vao explicitar e acirrar conflitos. Por outro lado, o reconhecimento dos valores da negritude presentes nos terreiros acaba levando agentes de pastoral negros a participar efetivo e afetivamente nas religioes de matrizes africanas.

O significado da presenca e vivencias de muitos APNs nesses espacos tem contribuido substancialmente para a abertura de novas possibilidades de dialogos. Agora nao mais como evangelizadores, mas sim como herdeiros e participes de uma tradicao ancestral dessas africanidades. Essa compreensao impulsiona uma nova mistica, onde os valores religiosos das africanidades atuam como elementos de fortalecimento da luta. A fe ancestral, tantas vezes negada e silenciada na historia do pais, e preservada com zelo africano nos terreiros, passa a ser assumida, pelos APNs, como uma dimensao da sua propria existencia enquanto negros e negras.

O comprometimento com os valores das africanidades descobertos nos terreiros vai impulsionar um novo modo de estar no mundo, um novo jeito de lutar pela justica do Reino. Nasce uma fe enegrecida e consequentemente novas implicacoes pastorais, eclesiologicas e teologicas. A necessidade de aprofundamento dessa fe enegrecida faz surgir no meio dos APNs as reflexoes teologicas tambem a luz dos processos da negritude. A compreensao de que o Deus da vida, nao so e o Deus dos pobres, mas e tambem o Deus dos negros, nos desperta para a dimensao profetica de nossa presenca no mundo.

Consideracoes finais

Como iniciamos com uma musica, faremos o final tambem com outra musica. "Estamos chegando, chegamos cantando, sambando revolta, nos somos humanos, ouvi o clamor, desse povo negro, que clama e que luta por direto e justica, um clamor de justica esta no ar". (2) Esse clamor de justica envolve a dinamica da acao dos APNs na perspectiva da promocao da igualdade racial. O ser Agente de Pastoral Negro no contexto latino-americano e de modo particular no Brasil e sobremaneira estar focado nos dramas vividos pela comunidade negra e buscar incessantemente praticas alternativas de humanizacao.

Constata-se que na sociedade, as mulheres negras, ainda que maioria, continuam sendo vitimas do machismo e dos modelos patriarcais e eurocentricos; a juventude negra vive em situacao de vulnerabilidade absoluta, sendo a maior vitima dos processos de exterminio e exclusao social; as comunidades religiosas de matrizes africanas vivem os dilemas em funcao da intolerancia religiosa que recai sobre si e suas praticas religiosas, alem de todas as mazelas secularmente impostas pela pobreza. Nesse cenario, um APN faz cotidianamente um pacto com a Justica do Reino. Um clamor de justica esta no ar! E a certeza de que Deus ouve o clamor de seu povo por causa de seus opressores, alimenta a luta, engendra esperanca e garante a vitoria.

Notas

(1.) Canto de animacao da caminhada dos Agentes de Pastoral Negros.

(2.) Canto de animacao dos grupos negros composto no ano de 1988 por ocasiao da Campanha da Fraternidade sobre o Negro no centenario da abolicao legal da escravidao no Brasil.

Referencias bibliograficas

Ardunini, Juvenal, 2002, Antropologia, ousar para reinventar a humanidade. Sao Paulo: Paulus.

Hoonaert, Eduardo, 1978, Formacao do Catolicismo Brasileiro 1500/1800. Petropolis: Vozes.

Hoonaert, Eduardo (org.), 1983, Historia da Igreja no Brasil. Primeira epoca. Tomo II. 3a Edicao. Petropolis: Vozes.

Rocha, Jose Geraldo, 1998, Teologia e Negritude: um estudo sobre os Agentes de Pastoral Negros. Santa Maria: Editora Pallotti.
COPYRIGHT 2017 Association for Religion and Intellectual Life
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2017 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:da Rocha, Jose Geraldo; Silva, Cristina da Conceicao
Publication:Cross Currents
Date:Mar 1, 2017
Words:3232
Previous Article:A TEOLOGIA NEGRA NO BRASIL E DECOLONIAL E MARGINAL.
Next Article:AGENTES DE PASTORAL NEGROS E A BIBLIA NO CONTEXTO AFRO: Uma Hermeneutica de Anos de Encanto.

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2022 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters |