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Rooting of Camellia sinensis L. in function of cutting collection time, genotypes and indolebutyric acid/Enraizamento de estacas de Camellia sinensis L. em funcao da epoca de coleta de ramos, genotipos e acido indolbutirico.

INTRODUCAO

Os chas produzidos a partir da infusao de folhas de Camellia sinensis L. movimentam bilhoes de dolares todos os anos por possuirem propriedades medicinais bastante conhecidas e serem considerados alimentos funcionais (KHAN & MUKHTAR, 2007; LIMA et al., 2009). No Brasil, a principal regiao produtora e o Vale do Ribeira, no Estado de Sao Paulo, onde a propagacao de Camellia sinensis e realizada por meio da estaquia, utilizando material semi-lenhoso com unica folha. O enraizamento das estacas e baixo pelo fato de essa especie apresentar dificil enraizamento (SHARMA et al., 1999).

Em especies de dificil enraizamento, a dificuldade na formacao de raizes nas estacas pode envolver a participacao de fatores relacionados a propria planta e fatores relacionados ao ambiente, constituindo um serio problema, tornando importante a busca de tecnicas auxiliares, como o uso de fitorreguladores.

Recomenda-se complementacao com uma auxina sintetica como o acido indolbutirico (AIB) (BASTOS et al., 2009; OHLAND et al., 2009), que, no caso de Camellia sinensis, e imprescindivel (ROUT, 2006), visto que o enraizamento na ausencia de fitorreguladores e muito dificil. Em comparacao com outras especies lenhosas, Camellia sinensis requer altas concentracoes de AIB (SHARMA et al., 1999), que variam de 3.000 a 8.000mg [L.sup.-1] (SENEVIRATNE et al., 1988; BANERJEE & AGARWAL 1990; JHA & SEN, 1992; ZEE et al., 2003). Diante do exposto, objetivou-se avaliar o efeito do genotipo, epoca e concentracao de AIB no enraizamento de estacas semilenhosas de Camellia sinensis.

MATERIAL E METODOS

Foram coletados ramos semilenhosos de tres genotipos de Camellia sinensis L. cultivados no Vale do Ribeira, IAC 259, F 15 e Comum, na Empresa Yamatea, Pariquera-Acu, SP, no inverno (28/08/2009), primavera (23/09/2009), verao (23/12/2009) e outono (13/05/10). Em seguida, o material vegetal foi transportado para o Campus Experimental de Registro e preparadas estacas subapicais de cerca de 0,5cm de diametro, com uma folha e duas gemas. Em seguida, feita a imersao da base da estaca em solucao de acido indolbutirico (AIB) 0, 2.000, 4.000, 6.000, 8.000 e 10.000mg [L.sup.-1]. Apos o tratamento, as estacas foram colocadas em tubetes de 90[cm.sup.3], contendo vermiculita como substrato e mantidas em viveiro sob 70% de sombreamento e irrigacao periodica. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, em esquema fatorial 4x3x6 (quatro epocas de coleta de ramos, tres genotipos e seis concentracoes de AIB), com quatro repeticoes de oito estacas.

As avaliacoes foram realizadas 60 dias apos a instalacao dos experimentos. As variaveis determinadas foram porcentagem de estacas vivas, mortas, enraizadas e com calo. Nas estacas enraizadas, foram determinados o numero e o tamanho das raizes formadas.

A analise estatistica foi realizada no programa estatistico Sisvar. Quando necessario, os dados foram transformados e submetidos a analise da variancia por meio do teste F, seguida da comparacao das medias pelo teste Tukey ou analise da regressao. Alem disso, para algumas variaveis foram feitas correlacoes pelo metodo de Pearson.

RESULTADOS E DISCUSSAO

A epoca de coleta de ramos afetou a mortalidade e o enraizamento das estacas. A mortalidade no inverno foi de 41%, nao influenciada pelo genotipo, concentracao e interacao genotipo e concentracao de AIB. Considerando apenas as estacas vivas, nao houve efeito da concentracao de AIB e da interacao genotipo e concentracao na porcentagem de enraizamento, no entanto, houve efeito do genotipo (Figura 1). Nao houve diferencas na porcentagem de enraizamento das estacas do genotipo Comum quando comparado com F 15, e do genotipo F 15 em relacao ao IAC 259. O enraizamento foi mais elevado no genotipo Comum quando comparado com o IAC 259. Todas as estacas vivas apresentaram brotacoes e apenas 32,49% calos, as duas variaveis independentes do genotipo e concentracao de AIB e interacao entre esses fatores.

O numero e o tamanho medio das raizes formadas em estacas coletadas no inverno foram influenciados significativamente pelo genotipo e pela concentracao de AIB aplicada e pela interacao entre esses dois fatores. Para o numero medio de raizes formadas por estaca em funcao das concentracoes de AIB nos tres genotipos, o modelo de regressao de melhor ajuste foi o linear, indicando incremento no numero de raizes com o aumento da concentracao de AIB (Figura 2A). No genotipo F15, nas concentracoes mais baixas do regulador de crescimento (0, 2.000 e 4.000mg [L.sup.-1]), o numero de raizes formadas foi mais elevado quando comparado com os demais genotipos, porem, a 10.000mg [L.sup.-1] de AIB, nao houve diferenca entre os genotipos. Para a variavel comprimento medio das raizes formadas no inverno, no genotipo F15, foi possivel o ajuste do modelo de regressao linear e, para IC 259, o quadratico (Figura 2B). No entanto, para o genotipo Comum nao foi possivel ajuste de modelo de regressao, devido as variacoes no tamanho das raizes em funcao das concentracoes de AIB terem sido reduzidas. A correlacao entre a porcentagem de estacas com calo e estacas com raiz no inverno, independente da concentracao de AIB e do genotipo, foi negativa, indicando que a presenca de calo teve efeito negativo no enraizamento (Figura 3).

Na primavera, a mortalidade media das estacas foi 30,72%, um pouco inferior ao observado no inverno (40,76%), e sofreu apenas a influencia do genotipo, sendo mais baixas as estacas do IAC 259 (15,95%), quando comparadas com estacas do genotipo Comum (40,17%) e, no F 15 (39,48%), que nao diferiram entre si. Todas as estacas vivas apresentaram brotacoes nao influenciadas pelo genotipo e concentracao de AIB utilizada. Cerca de 32,49% das estacas apresentaram calo, cuja formacao nao foi influenciada pelo genotipo e concentracao de AIB e nem pela interacao desses dois fatores. A formacao de raizes na primavera ocorreu apenas em 0,34% das estacas. No entanto, a formacao de calos foi extremamente alta, pois para IAC 259 e Comum ocorreu em todas as estacas vivas. No genotipo F15, com excecao da concentracao mais alta de AIB (10.000mg [L.sup.-1]), cuja formacao de calo ocorreu em 38% das estacas vivas, nas demais concentracoes em 100% das estacas. Cerca de 86% das estacas apresentavam brotacoes, valor mais baixo do que no inverno e que tambem nao foi influenciado pelos fatores isolados (genotipo e concentracao de AIB) e nem pela interacao entre eles.

[FIGURE 1 OMITTED]

No verao, a mortalidade media das estacas foi 92% e nenhuma das estacas vivas apresentou raiz. No outono, a mortalidade media das estacas foi de 81%, apenas 0,69% das estacas vivas enraizaram e 2,78% apresentaram apenas calo.

O inverno foi a epoca em que se obteve o maior enraizamento medio (66 %), que foi influenciado apenas pelo genotipo. Esse valor esta dentro do esperado para Camellia sinensis, que, segundo ZEE et al. (2003), varia de 40 a 80%. Em todas as epocas de coleta a porcentagem de estacas mortas foi alta variando de cerca 30% a 92%. Na primavera, apesar da maior sobrevivencia das estacas, a porcentagem de enraizamento foi baixa, indicando que houve algum fator que impediu a formacao das raizes, mas nao a formacao do calo e brotacoes.

Em especies consideradas de dificil enraizamento, que demoram mais de 30 dias para enraizar (SARANGA & CAMARON, 2007), como o Camellia sinensis, para o qual, neste estudo, o inicio da formacao das raizes ocorreu em 45 dias, o maior tempo requerido para o enraizamento pode expor a estaca a condicoes ambientais subotimas (AIELLO & GRAVES, 1998). Como consequencia e frequentemente, a morte da estaca em especies de dificil enraizamento esta associada a desidratacao do tecido (GRANGE & LOACH, 1983) e uma possivel limitacao na resposta a auxinas exogenas (AMINAH, 2003). Neste estudo, a morte das estacas provavelmente foi causada pela desidratacao.

A porcentagem de estacas com brotacoes foi alta no inverno e primavera. No inverno, tambem houve formacao de raizes adventicias, indicando que o desenvolvimento das gemas axilares nao inibiu o enraizamento, como em Backhousia citriodora, tambem considerada especie de dificil enraizamento, ja que o crescimento ativo das gemas axilares retardou ou inibiu a formacao de raizes adventicias (KIBBLER et al., 2004).

[FIGURE 2 OMITTED]

A maior formacao de raizes nas estacas no inverno pode estar relacionada as condicoes ambientais do viveiro onde as estacas foram mantidas. Resultado que contraria o estudo realizado por YONGHONG et al. (2005) com Camellia sinensis, segundo o qual a alta razao AIA/ABA nas estacas se correlaciona positivamente com a taxa de enraizamento. Isso porque no inverno supoe-se existir maior nivel de ABA na planta em relacao ao nivel de AIA. No campo, observase menor crescimento das plantas de Camellia sinensis nesta epoca, o que pode indicar a dormencia. Como consequencia, tambem era esperado maior efeito do AIB no enraizamento das estacas. No entanto, no inverno, a aplicacao do AIB foi benefica apenas para melhoria da qualidade das raizes formadas. Devido a resposta do numero medio de raizes emitidas por estaca em todos os genotipos terem sido lineares, pressupoese que concentracoes mais altas de AIB venham a promover resultados superiores. Respostas diferenciadas entre cultivares de Camellia sinensis quanto a capacidade de formacao de raizes adventicias em estacas foram tambem observadas por ZHONGXU et al. (2001).

[FIGURE 3 OMITTED]

A formacao de calo foi mais baixa no inverno e mais alta na primavera, demonstrando haver possivelmente uma relacao inversa entre formacao de calo e enraizamento, o que concorda com o estudo histologico realizado em clones de Camellia sinensis por YUERONG et al. (1985), no qual foi observado que a formacao de raizes adventicias em estacas do caule foi precedida pela fase de desdiferenciacao, ou seja, da formacao de calo.

A presenca da folha foi importante para manutencao da vitalidade da estaca, demonstrada pela correlacao positiva, significativa, entre a porcentagem de estacas vivas e a de estacas com folhas, cujo coeficiente de Pearson (r) foi igual a 0,97, independente da epoca, genotipo e concentracao de AIB. A retencao foliar tambem foi importante para o enraizamento, sendo que todas as estacas enraizadas apresentaram folhas, independente da epoca, genotipo e concentracao de AIB. O papel da folha no enraizamento de estacas semilenhosas esta relacionado a fotossintese, fornecimento de carboidratos (ALTMAN & WAREING 1975) e fornecimento de auxinas e co-fatores de enraizamento, transportados para a base das estacas (DAVIS, 1988).

CONCLUSAO

Em viveiro, sob 70% de sombreamento, o enraizamento de estacas de Camellia sinensis e influenciado pela epoca de coleta de ramos, genotipo e concentracao de AIB.

AGRADECIMENTOS

A Empresa Yamatea, pelo fornecimento de material vegetal e a FUNDUNESP e FAPESP, pela concessao de auxilio financeiro e bolsa.

REFERENCIAS

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Juliana Domingues Lima (I) * Ana Paula de Souza Lima (I) Ana Carolina Batista Bolfarini (I) Silvia Helena Modenese-Gorla da Silva (I)

(I) Campus Experimental de Registro, Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" (UNESP), 11900-000, Registro, SP, Brasil. E-amil: judlima@registro.unesp.br. * Autor para correspondencia.

Recebido para publicacao 22.09.10 Aprovado em 09.12.10 Devolvido pelo autor 15.01.11 CR-4183
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Author:Lima, Juliana Domingues; Lima, Ana Paula de Souza; Bolfarini, Ana Carolina Batista; da Silva, Silvia
Publication:Ciencia Rural
Date:Feb 1, 2011
Words:2659
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