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Resonant heart: communication, affections and mechanical sociabilities in electronic music parties/Coracao sonoro: comunicacao, afetos e sociabilidades maquinicas em festas de musica eletronica.

Introducao

Ja passava das duas horas da manha quando o discjockey (DJ) Steve Angello, a principal atracao do King Festival (1), entrou no palco. House music era o estilo de musica eletronica que saia das caixas de som. Quatro rapazes pulavam de forma intensa perto do palco, dando a impressao, pela forma sincronizadas como dancavam, de que nao conseguiam dominar seus corpos. A situacao se repetia com os outros corpos: a musica os contaminava, as pessoas pareciam escravas do som. Perto do banheiro, localizado no final da pista, mais contagio sonoro, pois nao era so na frente do palco que os participantes dancavam e pulavam; ali atras tambem, na fila do banheiro. O dono da noite era, de fato, Steve Angello. Sua musica afetava o publico de forma ativa, que respondia com gritos, dancas, pulos e sorrisos. O DJ batia palmas, falava as vezes com o publico; a interacao entre DJ/pista e pista/DJ era notavel. A sociabilidade manifestada naquela pista era potencializada por ondas sonoras, maquinicas, de alta intensidade.

A cena narrada acima e um exemplo classico de interacao em uma festa de musica eletronica. Assim sao esses eventos: corpos dancantes, conectados pela percussao (batida) eletronica e estimulados por substancias licitas e ilicitas. Musica, drogas, corpos, danca: tudo e fluxo neste contexto. A musica eletronica/maquinica, ou seja, feita com maquinas eletro-eletronicas, afeta corpos excitados por drogas, que afetam outros corpos, que respondem ao DJ por meio da danca. As festas de musica eletronica podem ocorrer em festivais, em raves, em lugares abandonados, clubes. A musica tem que ser a eletronica e essa e a unica regra; o resto e consequencia da disposicao dos participantes intensificada pelo fluxo sonoro.

O afeto que movia as pessoas naquela noite e neste artigo entendido como passagem e movimento, como acao e emocao, como fluxo e sentimento. As relacoes humanas nao seriam possiveis sem os afetos. Os afetos estruturam a base da sociedade e da cultura, pois ambas se fundam a partir da relacao com o outro. Nao existe alteridade sem a mediacao dos afetos e isto quer dizer que os afetos sao o alicerce da propria existencia. Essa condicao para a existencia pode ser demonstrada inclusive do ponto de vista da fisiologia: o corpo humano, para se manter e se regenerar, tem necessidade de afetar e ser afetado por corpos exteriores ao dele.

Para Spinoza (1677/2010) (2), os afetos sao as afeccoes do corpo, uma acao, uma potencia de agir que pode ser aumentada ou diminuida e essa acao pode ser de um corpo sobre o outro ou de um objeto sobre um corpo. Pensar os afetos sob a otica spinozista e entender como se forma a propria sociedade, dentro de um jogo de afetacoes em que uns afetam os outros, modificando a si mesmos e aos outros depois de afetarem ou serem afetados.

Spinoza e os afetos

Para Merleau-Ponty (2006), o ato de sentir e uma comunicacao vital com o mundo; nao seria possivel compartilhar sentimentos no processo de sociabilidade se nao houvesse a comunicacao entre os sujeitos. Comunicacao, nesse caso, remete a partilha, divisao de algo com o outro, o que implica em diferentes niveis de mobilizacao sentimental. Ao sentir e ao transmitir meu sentimento ao outro, posso modificar tanto a mim quanto ao outro, positiva ou negativamente. A comunicacao se realiza e o sentimento e conteudo transformador entre o eu e o outro. Nesse sentido, sentimentos podem ser considerados como emocoes ou afetos, ou seja, sao modos de conhecer o mundo e de pensar, pois o corpo e sempre afetado ao sofrer a acao do mundo sobre si e essa acao gera, invariavelmente, algum nivel de emocao ou mesmo um sentimento e ha sempre a possibilidade de algum tipo de ideacao, elaboracao consciente ou abstracao racional em decorrencia. Spinoza (1677/2010) nao faz distincao entre sentimento, emocao e afeto e utiliza sempre o vocabulo afeto para referir-se a esse tipo de fenomenos. Para ele, o ser humano nao consegue viver livre dos afetos. A sua vontade nao e livre, pois ha uma relacao de dependencia entre o individuo e os afetos. Isso acontece porque a todo instante o homem e afetado pelo mundo que o cerca. Nao ha controle das acoes do acaso sobre o ser, mas existe uma relacao de dependencia e causalidade entre o mundo, que causa algo no individuo, e o ser, que causa no mundo. Viver e afetar e ser afetado.

Spinoza falava a respeito dos afetos (affectus) como acao de afetar, como afeccao (affectio) do corpo e como a ideia dessas afeccoes. As afeccoes sao imagens ou marcas corporais que remetem a um estado do corpo afetado e implicam a presenca do corpo afetante (o corpo que afeta). Sao as marcas de um corpo exterior sobre o corpo afetado. Sobre afetacao, discorreremos mais adiante neste artigo. Deleuze (2009), ao se debrucar sobre o pensamento de Spinoza, afirma que o filosofo nao acreditava em uma acao a distancia, pois sua acao implicara sempre em um contato e sua afeccao sera uma mistura de corpos. Esses corpos nao sao obrigatoriamente humanos; podem ser objetos, animais, corpos materiais inanimados. A affectio e uma mistura de dois corpos, um corpo que age sobre o outro e o outro que vai abrigar a marca do primeiro. Toda mistura de corpo levara o nome de afeccao. A afeccao e o efeito de alguma coisa sobre o sujeito; as percepcoes sao exemplos de afeccoes. No seio da afeccao, ha um afeto. O afeto seria o processo de transicao de um estado para o outro, e a passagem vivida, e alguma coisa que a afeccao envolve.

O afeto e, por consequencia, essa passagem vivida, experimentada, que implica necessariamente um aumento de potencia ou uma diminuicao de potencia. Atraves das afeccoes, nao so a potencia de agir do afeto e aumentada ou diminuida, estimulada ou refreada, mas tambem as ideias dessas afeccoes. Os afetos sao as diminuicoes e os aumentos de potencia vividos. Por exemplo: quando a potencia de agir e aumentada, surge o sentimento da alegria; quando diminuida, da tristeza. E a potencia que define a forca de um afeto. A potencia de agir varia em funcao de causas exteriores. O afeto e uma acao quando o sujeito e a causa de uma dessas afeccoes, e uma paixao quando o individuo e afetado. Para Spinoza, o corpo humano pode ser afetado de muitas maneiras por corpos exteriores, por objetos, e cabe a cada ser humano julgar, de acordo com seu afeto, o que e bom e o que e mau. Tudo o que acontece no corpo humano deve ser percebido pela mente e todas as maneiras pelas quais um corpo e afetado seguem-se da natureza do corpo afetado e, simultaneamente, da natureza do corpo que o afeta (Spinoza, 1677/2010).

E importante destacar que todo afeto e uma afeccao, mas nem toda afeccao e um afeto, ou seja, uma afeccao e um afeto se tiver um impacto sobre a potencia de agir de um corpo. O riso, o tremor, uma lagrima sao afeccoes que remetem ao corpo sozinho, nao precisam, obrigatoriamente, de um corpo afetante que cause a mudanca de estado, ou aumento/ diminuicao da potencia para se tornar de fato um afeto. No entanto, para existir um afeto, e preciso haver uma afeccao. Uma fotografia, por exemplo, pode afetar um sujeito de diversas maneiras, seja ao trazer uma boa recordacao, seja uma ma lembranca; um cachorro e afetado pela presenca do dono ao abanar o rabo de alegria ou ao morder esse dono, caso esteja com raiva. Spinoza reconhecia o afeto dos animais nao humanos, assim como dos humanos. Quando se trata de seres vivos nao humanos, os afetos incluem a dimensao do sentir, da percepcao, mas nao ha uma racionalidade sobre isso porque os afetos estao no campo da mera fisiologia, do neural, dos estimulos-resposta. Ja no caso dos humanos, os afetos podem ser comandados pela razao. Ha, ainda, os afetos dos seres inanimados, os objetos, que operam na logica da acao, do fluxo e se restringem a isso. Primariamente o afeto e fluxo, acao; em seguida, dependendo dos corpos envolvidos, ele vai atuar na percepcao e, por ultimo, pode virar um sentimento mais elaborado sob o ponto de vista cognitivo. Nesse jogo de afetacao, nenhum dos dois corpos nem o que e afeta nem o que e afetado e passivo, tudo e interacao. "A interacao se torna comunicacao" (Deleuze & Guattari, 1992, p.183).

A contribuicao de Spinoza (1677/2010) e fundamental para pensar a comunicacao sob a otica dos afetos. Quando ha comunicacao entre dois individuos, ambos sao modificados, afetados pelo processo e ocorre uma troca, uma partilha como resultado da acao de um sobre o outro. A comunicacao e, nesse sentido, equivalente ao processo de transicao de estados a que se Spinoza se referia. Um objeto ou um signo, ao agir sobre um sujeito, o modifica; em algum nivel, por minimo que seja, o estado do individuo e alterado para que a comunicacao efetivamente aconteca. Spinoza reconhecia a existencia de apenas tres afetos primitivos: a alegria, a tristeza e o desejo. Todos os outros afetos estao relacionados a esses tres.

Para Spinoza (1677/2010), os afetos nao estao apenas no plano dos sujeitos; antes, sao fluxos de passagens, pressupoem transferencia, transito. As festas de musica eletronica sao um campo privilegiado para pensar a impermanencia, pois tudo esta em fluxo: mensagens, luz, som, drogas, maquinas, pessoas, interacoes, emocoes, sentimentos. As festas transitam entre lugares e duracoes diversas, entre modas e vinculacoes efemeras. O termo rave e de origem inglesa e significa festa espetacular, mas tambem e o adjetivo entusiasmado. A musica eletronica e geralmente tocada em um volume alto, cabendo ao DJ guiar a vibracao dos dancantes. No momento em que ele executa uma musica, afeta de alguma forma os corpos dos participantes e altera os seus estados emocionais.

Esse tipo de festa engloba diversos eventos: as raves comerciais, as raves underground e as raves em lugares abertos em contato com a natureza. As comerciais geralmente tem grande divulgacao na midia. Sao realizadas em arenas, estadios ou locais para shows, trazendo DJ's conhecidos mundialmente. As do tipo underground, em que a divulgacao geralmente e pouca e comumente realizada de forma oral, acontecem em lugares abandonados e os frequentadores habitualmente ja se conhecem entre si. As raves em lugares abertos ocorrem em praias, sitios, granjas, cujo intuito e de destacar o contato com a natureza.

Ha outro tipo de festa de musica eletronica que acontece em casas noturnas (clubes e bares), que sao relevantes no contexto desse tipo evento, mas nao configuram raves em stricto sensu. E relevante ressaltar que a cena rave comecou em clubes; eles fazem parte da historia. (Sylvan, 2005). Outro tipo de festa de musica eletronica sao os festivais. Boa parte das vezes, os festivais duram mais de um dia, com grande producao e atraindo uma multidao. Podese citar, como exemplo, o festival de musica eletronica Universo Paralello (3), que acontece no final do ano no sul da Bahia.

Maquinas e afetacoes

Nas festas de musica eletronica, a maquina tecnologica e indispensavel; o aparato tecnologico em si e protagonista juntamente com o DJ. Pode ser um computador, sintetizador, sampler (4), mixer (5), fone de ouvido, caixas de som. Toda essa maquinaria tecnologica gera a musica essencialmente eletronica. Construida por meio de sintetizadores (instrumento projetado para produzir sons gerados artificialmente) e outras tecnologias decorrentes ou nao da microinformatica. Este tipo de musica sugere ritmo, continuidade, infinitude, circularidade, hipersonoridade, mixagem, novas colagens, afetacoes diversas. As batidas sao intensas e a sensacao e de que sao interminaveis.

A historia dessas comemoracoes eletronicas esta conectada ao surgimento do house em 1986, nos Estados Unidos, em especifico nas cidades de Dallas e Chicago. O house e um estilo de musica eletronica associado a era disco dos anos 1970 com um publico de prevalencia homossexual e negra. E uma especie de disco music (6) misturado com ritmos eletronicos do inicio dos anos 1980. De acordo com Simon Reynolds, este estilo cria na pista de danca um ginasio de desejo, uma liberacao do extase, um espetaculo coletivo de auto-erotismo, muito presente nas discotecas gays durante a decada de 1970. (Reynolds, 1999). A batida e exata e cronometrica entre 120 a 130 bpm (batidas por minuto), fazendo uso de muitos sons sintetizados.

Dois anos depois do surgimento do house, o techno (ritmo eletronico mais sincopado, de batidas intensas) apareceu em Detroit. O techno espalhouse de Detroit para Nova Iorque e, logo em seguida, se transplantou para Londres e Toquio. Como a house music, esta vertente da musica eletronica possui um formato mais extenso e nao precisa ser escutado desde o inicio, alem de possibilitar facilmente o processo de mixagem. As batidas variam entre 130 a 150 bpm.

O techno e o house eram os estilos de musica eletronica mais escutados nas raves e casas noturnas no final da decada de 1980 na Europa e nos Estados Unidos. Depois, surgiram diversos estilos de musica eletronica como o trance, o acid-house, o electro, o drum and bass, o tribal house, dentre outros. Cada estilo varia na sua estrutura de acordo com as bpm, velocidade do ritmo de cada genero musical. As festas de musica eletronica e os estilos desenvolveram uma relacao direta e mutua. Algumas festas se dedicam a apenas um estilo. Atualmente, ha tambem o genero EDM (electronicdance music) na sua traducao literal. A EDM e escutada geralmente em casas-noturnas, grandes festivais de musica eletronica e tem como foco a danca, o entretenimento e o apelo comercial.

A musica eletronica e a protagonista da festa. Age sobre o corpo dos dancantes e do DJ, afeta a todos de alguma maneira, seja de forma ativa, despertando o afeto da alegria, ou de forma negativa, provocando a tristeza. E nesse cenario que surgem as afetacoes nao sao somente entre sujeitos, mas tambem entre homens e maquinas, que emergem neste contexto indistintamente como atores sociais.

A maquina, na acepcao que interessa a este artigo, e um sistema de controle ou de cortes; esta relacionada com um fluxo material continuo, que ela interrompe. A producao do corte de fluxo so acontece se a maquina estiver conectada com outra. Sob essa perspectiva de fluxos e cortes, a definicao de maquina extrapola o entendimento de maquina apenas como aparelho industrial/tecnologico. A ideia de fluxo tem uma definicao fisica, como um numero de particulas que escoam, por unidade de area, de uma seccao transversal de um feixe de particulas. Assim, tem-se fluxo como movimento continuo de algo que segue um curso. Nao obstante o conceito de maquina seja fundamentalmente fisico, e a partir do conceito de producao e fluxo que surgem as outras maquinas. Para Morin (2008), existem maquinas fisicas, biologicas, sociais. Na maquina, nao existe somente o maquinal (repetitivo), ha tambem o maquinante (inventivo); a ideia de maquina comporta os componentes de producao e criacao. Dentro dessa compreensao ampliada, o corpo humano pode ser considerado tambem uma maquina: a boca que corta o fluxo de leite; o nariz que corta o fluxo de ar; o ouvido, o fluxo sonoro. O corpo humano e uma maquina fisica que realiza trabalho, efetua transformacoes e producoes. Qualquer ser fisico que execute trabalho, sofra transformacao e produza e uma maquina porque e producao e fluxo.

Guattari (1988) afirma que o inconsciente humano e maquinico, opera como maquina, controla e corta fluxos, assim como tudo ao redor do sujeito: sao tao-somente maquinas. Maquinas desejantes, que afetam e sao afetadas. Esse inconsciente esta atuante em tudo, trabalha no interior dos individuos, no viver dos corpos, na familia, no sexo, no bairro, na escola, nas universidades, nas festas ... Sujeito e maquina estao imbricados um no outro. Entra sempre uma parte de subjetividade no seio de todo agenciamento maquinico. Reciprocamente, entra uma parte de sujeicao maquinica no seio de todo agenciamento subjetivo. Na sequencia dessa proposicao, pode-se falar que ha uma consonancia de ordem tecnologica eletro-eletronica entre maquinas-musicas e maquinas-corpos mediada por afetos nas festas de musica eletronica. Para mais alem da sujeicao maquinica que caracteriza a existencia humana no mundo, o corpo humano atual e um pouco cyborg tambem, tecnologizado pelas proteses artificiais, sejam de cunho estetico como o silicone para aumentar os seios ou funcionais como os aparelhos auditivos etc. Seriam maquinas corporais (maquinas-corpo) entrelacadas com maquinas tecnologicas (tecnomaquinas).

Morin (2008) afirma que os individuos sao seres-maquinas. Ele compreende a maquina como algo que produz e cria, e, nesse sentido, esta em movimento continuo, em fluxo. O ser vivo deve ser entendido como a mais perfeita das maquinas ciberneticas e inclusive o mais perfeito automato, pois ultrapassa em complexidade, perfeicao e eficiencia, ate a menor das bacterias, a mais moderna das usinas automaticas. E possivel compreender a vida como complexo polimaquinal porque comporta, entre todos os sistemas vivos, uma correspondencia estrutural e processual de cunho maquinico. Isso, entretanto, nao quer dizer que todos os sistemas vivos sejam iguais, indistintos e que se relacionem entre si indiferentemente. As diferencas estao tambem nas estruturas, processos e especialmente, no sistema limbico (emocional) dos humanos, que difere dos outros seres vivos. Para Damasio (2004), falta aos outros seres vivos as estruturas cerebrais necessarias para representarem em mapas sensitivos as transformacoes que ocorrem no corpo durante uma emocao.

Alem disso, os seres humanos sao maquinas com uma capacidade de simbolizar altamente desenvolvida, caracteristica que corta o fluxo dos acontecimentos, permitindo a apropriacao psiquica do mundo. Cassirer (1977) afirma que e o simbolo que imputa sentido ao mundo e permite o desenvolvimento da cultura. E inegavel que o pensamento e o comportamento simbolico figuram entre os tracos mais caracteristicos da vida humana e que todo o progresso da cultura humana se baseia nessas condicoes. Por meio dos simbolos, o homem compreende, interpreta, articula, organiza, sintetiza e universaliza sua propria experiencia, seja no campo da linguagem, da religiao, da arte ou da ciencia. Por meio do simbolo, o homem produz cultura; o homem e uma maquina simbolica/simbolizante.

Ha, entao, maquinas tecnicas, maquinas humanas e maquinas sociais, se pensarmos em estruturas que cortam e controlam o fluxo dos acontecimentos coletivos. A maquina tecnica implica um elemento nao-humano, que amplifica, prolonga a forca do homem, maquina humana. A maquina social tem os homens como pecas e os integra, interioriza-os num modelo institucional que abrange todos os niveis da acao, da transmissao e da motricidade. Ela tambem forma uma memoria sem a qual nao haveria sinergia entre o homem e suas maquinas tecnicas. Uma mesma maquina pode ser tecnica e social, mas nao sob o mesmo prisma: o relogio, por exemplo, como maquina tecnica, serve para medir o tempo uniforme e, como maquina social, serve para reproduzir as horas sagradas, assegurar a ordem na cidade e acionar todo um fluir simbolico ao representar status, procedencia, genero etc.

Ha tambem as maquinas desejantes, que atravessam toda a sociedade: sao os elementos microinconscientes, que funcionam tambem nas maquinas sociais. A maquina e desejante e o desejo e maquinado. (Deleuze & Guattari, 2010). O desejo e onde o rizoma opera, e aberto, conectavel, e a ponte entre os humanos, e o que liga. O rizoma e uma haste subterranea e difere absolutamente das raizes e radiculas. Qualquer ponto de um rizoma pode ser conectado a qualquer outro e deve se-lo. (Deleuze & Guattari, 1995).

Nas festas de musica eletronica, toda uma maquinaria esta interconectada como um rizoma. Maquinas humanas e tecnologicas estao interconectadas pela musica, no mesmo fluxo sonoro e vibratil, como se fossem uma maquina social desterritorializada, afetando-se mutuamente. A maquina social esta espalhada nos gestos do ser humano. O inconsciente e maquinico, trabalha como fabrica e contamina as acoes do individuo no cotidiano. O termo social e aqui compreendido no sentido proposto por Latour (2012) de associacao entre coisas que nao sao, em si mesmas, sociais. O intuito e nao restringir o social aos humanos, mas ampliar a esfera do social as coisas, animais, plantas, maquinas tecnologicas etc. Por esse motivo, Latour define o social como um movimento peculiar de reassociacao e reagregacao, um tipo de associacao momentanea caracterizada pelo modo como duas ou mais partes se aglutinam e assumem novas formas. O social para Latour pode ser um tipo de afetacao.

Outra nocao importante para a abordagem deste artigo e a de ator social, termo utilizado por Latour (1994) para designar animais, plantas objetos etc., ou seja, tudo aquilo que nao for humano e que componha a vida social. Os atores sociais nao humanos sao privados de alma, mas a eles e atribuido um sentido e, por isso, possuem a capacidade de indicar, de forma confiavel, os fenomenos, o que os converte em tambem atores sociais.

Tendo esses pressupostos, o termo afetacao pode ser tambem um ato ou efeito de conectar, de ligar; como aquilo que afeta e, de alguma forma, une. Na observacao empirica feita sobre as festas de musica eletronica (7), foi possivel iluminar as afetacoes encontradas com o conceito de Spinoza (1677/2010) de afetos e afeccoes, que remete nao so ao estado do corpo quando afeta ou e afetado, mas a acao, a transformacao, a passagem que os corpos sofrem /agem quando afetam ou sao afetados, alem de corresponder a todo processo afetivo em que ha uma transformacao da energia vital do ser. A afetacao engloba o afeto e a afeccao. A afetacao nao deve ser confundida com afeccao, ate porque existem algumas afeccoes que nem se tornam afetos.

Nas festas de musica eletronica, as afetacoes podem ser corporais, sonoras, sociais e maquinicas. Na primeira, o corpo humano e afetado por outro humano; na segunda, a afetacao se da por estimulo sonoro; na terceira ha um processo de afetacao entre seres humanos com humanos e nao humanos, reciprocamente, e na ultima, os humanos sao afetados exclusivamente por maquinas. As afetacoes sao inerentes a todos os tipos de festa, contudo, nas festas de musica eletronica, ha uma consonancia forte entre as afetacoes maquinicas e sonoras por causa da musica essencialmente tecnologica, produzida por maquinas tecnologicas (tecnomaquinas) que afetam corpos ciborgues, modificados pela tecnologia e tambem com proteses dentro de si. Ha encontros.

Deleuze (1968) exemplifica dois tipos de encontros: no primeiro caso, encontro um corpo cuja relacao se compoe com a minha, produz em mim uma afeccao boa, desperta em mim o sentimento de alegria; no segundo, encontro um corpo cuja relacao nao se compoe com a minha, que nao traz nada de util a minha natureza, e, nesse sentido, e nocivo e me afeta com tristeza. (DELEUZE, 1968). Quando encontro com alguem ou algo, afeto-o; e para que haja afetacao, e indispensavel o encontro. Spinoza (1677/2010) dizia que temos sempre que buscar os bons encontros, aqueles que aumentam nossa potencia de agir e nos preenchem de alegria. Os bons encontros sao raros em nossas vidas, por isso a procura dos individuos por festas, diversao, musica, danca.

No ato de viver, todo corpo acaba sendo afetado por algum encontro. O proprio mundo nos afeta globalmente e essa afetacao e necessaria para permitir que ocorra uma comunicacao entre o eu e o mundo. Para comunicar, e preciso afetar, de modo que todo processo de comunicacao e tambem um processo de afetacao; se me comunico com o outro, modifico-o e o outro modifica algo em mim. A afetacao mutua entre pessoas/objetos pode transformar-se em interacao ou comunicacao, mas nem toda afetacao e comunicacao se nao resultar em uma alteracao mutuamente implicada e mais ou menos comum para os participantes.

Ha tambem as afetacoes comunicativas, elas acontecem porque o nosso corpo e uma midia. O ser humano pode ser compreendido nao so como receptor das informacoes provenientes do meio, mas como uma rede de comunicacao que emite signos continuamente, ao mesmo tempo em que os recebe do seu ambiente. O corpo humano e a midia primaria por ser a primeira forma de comunicacao do sujeito com o meio (Beth & Pross, 1990), por ser possuidor de uma riqueza comunicativa impressionante. Suas expressoes, gestos, cheiros, olhares, toques e maneiras de agir criam uma trama de significados inserida em ambiente natural, social e cultural. Essa trama desvela um corpo visualizado como um pergaminho, que precisa ser lido e interpretado pelos outros sujeitos para ser socialmente e culturalmente reconhecido no mundo que o circunda.

O corpo e o comeco e o fim de toda comunicacao, e o primeiro instrumento de afetacao e vinculacao com outros seres humanos. E linguagem e, ao mesmo tempo, produtor de inumeras linguagens com as quais o ser humano se aproxima de outros seres humanos, se vincula a eles, cultiva o vinculo, mantem relacoes e parcerias que sao edificadas culturalmente e socialmente por causa da experiencia do corpo no mundo e da sua atuacao com o outro (Baitello Jr., 2005). Nas festas de musica eletronica, corpo expressivo e o corpo da comunicacao, aquele que se manifesta, demonstra-se, poe-se para fora durante a acao e durante o processo da afetacao. E um corpo que so tem sentido se for ativo, potente.

Os afetos nas festas

A comunicacao e um fluxo de alta intensidade nas festas de musica eletronica, principalmente entre o publico/DJ. Ha, no entanto, outro fluxo comunicativo que e igualmente intenso, embora menos entendido como tal: a conexao do tipo eletro-fisico entre publico/caixas de som. No King Festival, por exemplo, a afetacao sonora foi sensivelmente significativa. A apresentacao da dupla australiana de DJ's NERVO afetou o publico de forma ativa. As DJ's australianas falavam algumas frases e executavam coreografias com as maos. A plateia era guiada pelo som de NERVO e a maioria das pessoas cantava suas musicas. A afetacao era reciproca. As artistas afetavam o publico, que afetava as artistas. Sua apresentacao foi uma demonstracao de que as afetacoes sonoras sao relacoes afetivas entre o sujeito e determinado tipo de musica ou som e vao alem da fruicao sensorial em alguns casos, principalmente quando a musica ja e conhecida pelo individuo e aumenta sua potencia de agir.

No mesmo festival, eram notaveis tambem as afetacoes principalmente entre maquinas humanas e tecnologicas. Afrojack, umas das principais atracoes da festa e que iria encerrar o festival, atrasou mais de duas horas. Algumas pessoas usavam freneticamente seus celulares, postando mensagens; outras fotografavam, filmavam. Quando o DJ chegou, sua musica empolgou os dancantes e varias pessoas se aproximaram das caixas de som, tantas que logo nao havia mais espaco ali. A afetacao pela maquina de som naquele instante nao deixava de ser tambem uma afetacao sonora, mas as afetacoes maquinicas pressupoem associacoes sensiveis entre os sujeitos e determinadas maquinas, sejam elas quais forem.

Ja as afetacoes comunicativas extrapolam a mera troca de informacoes ao criar comunhao por meio de atividades ritualizadas e simbolicas entre os atores sociais. Esse tipo de afetacoes tambem cartografada no King Festival teve manifestacao especialmente notavel durante o set de Afrojack. Pulos se misturavam com passos de danca, cada um respondia aos estimulos da musica a sua maneira. No entanto, um corpo numa pista de danca, ao sofrer a acao da musica eletronica, realiza passos que podem ser imitados ate de forma mimetica por outro participante. Isso ocorreu de forma que, em alguns momentos, o movimento se espalhou para um grande numero de pessoas de maneira contagiante. Os participantes se enxergavam uns nos outros. Corpos afetados se comunicavam por meio da danca, de beijos ou de sorrisos, em resposta aos estimulos sonoros.

Bataille (1992, p.104) sugere que a "existencia e comunicacao--e que toda representacao da vida, do ser, e geralmente de 'qualquer coisa, deve ser revista a partir dai." Segundo a etimologia, a palavra comunicacao vem do latim communicatio e significa estabelecer uma relacao com alguem, mas tambem com um objeto cultural. Os individuos estao entrelacados na e pela comunicacao desde sua historia filogenetica. As moleculas, as celulas, os corpos tecem juntos uma teia comunicacional com o ecossistema, estao imbricados nos organismos e na sociedade. A comunicacao abraca dimensoes fisicas, quimicas, biologicas, sociais, historicas, filosoficas, psicologicas e culturais. E a espinha dorsal da vida e pressupoe, necessariamente, partilha.

Sao diversos os fatores que favorecem o estabelecimento de afetacoes comunicativas nas festas de musica eletronica. Ha uma partilha do gosto sonoro, da forma de dancar, da vibe (8), como os frequentadores costumam falar. A musica e especificamente registrada por todo o corpo. A interacao ocorrida entre sons e corpos sera sempre parte de um resultado de respostas apreendidas, de disposicoes individual ou cultural. (Gilbert & Pearson, 1999). Talvez por isso, por alguma incorporacao mnemonica de praticas ancestrais, a musica eletronica cria um cenario de excitacao grupal e ressonancia ritmica, em que a experiencia individual se torna coletiva e todos os presentes sao varridos por um espiral de som.

Ao citar Nietzsche em um dos seus textos, Deleuze (1998) faz uma apologia a inteligencia Techno, atribuindo um lugar a musica eletronica no mundo contemporaneo ao trazer as problematicas do tempo, do silencio, da sintese e da tecnica. A musica eletronica e uma producao sonora em que a relacao homem-maquina/orgaos-silicio vai produzir novas musicas tecnicas como puros blocos de tempo ou cristais de tempo. Para Nietzsche (1891/2007) o homem da extrema modernidade e o homem tecnico, em quem a diferenca entre o sujeito e maquina e turva.

Na realidade da cena de musica eletronica, o ser humano esta cada vez mais ligado as maquinas, aos sintetizadores. Ha uma conexao do biologico com o silicio que permite falar de uma conexao social no sentido atribuido por Latour. A musica inteligente, a inteligencia Techno, e filha legitima da producao sonora a partir de uma matriz intensiva onde o silencio, com sua intensidade zero, distribui os eletrons, as vibracoes das particulas. O barilho de fundo do choque de eletrons e a materia prima de toda a producao sonora. O silencio e o grande ordenador do plano de composicao e do plano de consistencia sonora. Ele precipita densidades. (Deleuze & Manganaro, 1998).

Para os participantes das festas de musica eletronica, principalmente nos festivais e raves, parece que ha algo que remete ao cosmos, feito de forcas sonoras inaudiveis. Nesse processo de producao sonora, a musica eletronica exprime no seu mais alto grau a temporalizacao do mundo, a densificacao das impressoes de sensacoes e simultaneidade de linhas de realidades conexas multiplas. O cosmos e sonoro e a Terra sua musica. E como se os DJ's tentassem buscar a reproducao desse som cosmico. Os fisicos chamam esse som de barulho de fundo, irradiacao original, choque de eletrons, de uma producao sonora de carater abissal, remissiva a uma dimensao temporal e espacial de som do cosmo em expansao.

A experiencia de escuta da musica eletronica requer certo nivel de concentracao e foco. O ouvinte se torna parte do processo de criacao musical no momento em que ele, ao dancar ou emitir alguma reacao na pista de danca, guia o DJ no processo de construcao de uma nova musica. De acordo com alguns DJ's, sao os dancantes que mandam na musica. A pista e o termometro; por meio dela, dos movimentos e das reacoes que os dancantes emitem, o DJ sabe se a musica que colocou realmente afetou os participantes de forma positiva ou nao. Pode-se falar aqui de uma afetacao sonora mediada pela musica e ativadora da potencia de agir daquele corpo individual e social dancante, potencia essa que aumenta a experimentacao da alegria entre eles.

Uma sociabilidade maquinica

A palavra sociabilidade e derivada do latim socius, aquilo que "se associa, aliado, algo que acompanha, segue"e tem a mesma raiz do termo social. A tradicao sociologica, no entanto, restringe o social aos humanos para se referir, geralmente, a qualquer tipo de comportamento ou atitude, influenciado por experiencias passadas ou presentes do comportamento de outras pessoas.

Para Latour (2012), a palavra geralmente e usada para tratar aquilo que ja esta reagregado e age como um todo. Da maneira como o concebe, entretanto, o social designa algo que se associa e pode, depois, se desassociar; nao e preciso durar. O social e algo que esta em movimento, um alvo movel que pode conectar-se e desconectar-se. Esse algo e um ator social que pode ser um objeto, um animal, um ser humano; basta ter a habilidade de associar-se a outra coisa. Os atores sociais sao mediadores que engendram outros mediadores e, dai, surgem novas e imprevistas situacoes e vao se tracando cartografias, redes. O que se tem e uma rede em que ha movimento, deslocamento, transformacao, translacao, registro entre os atores. Latour denomina a esse conjunto de possibilidades e praticas de "teoria do ator-rede ou ANT", em que o social e o nome de um tipo de associacao momentanea caracterizada pelo modo como se da a aglutinacao ao assumir novas formas.

Esse social pressupoe fluidez, afetacoes, movimentos; e fluxo assim como a maquina e e dessa acepcao que decorre a perspectiva de uma sociabilidade que nao ocorre so entre humanos; coisas, animais tambem se podem sociabilizar. Se nos estudos sociologicos mais ortodoxos, a atividade sempre esteve situada no campo dos sujeitos, a intencao aqui e entender a sociabilidade como uma capacidade que os objetos, os animais, os humanos tem de se associar/conectar-se e se desassociar/ desconectar-se em constante fluxo, passando por diferentes combinacoes.

Nas festas de musica eletronica, como ja relatado, pode-se visualizar esse tipo de sociabilidade. Pessoas, caixas de som, drogas, DJ's, teloes de LED, banheiros, aparelhos de celular, todos compoem o cenario em que se desenvolvem as afetacoes no sentido dessa sociabilidade ampliada. Nelas, varios atores sociais se encontram, associam-se, combinam-se, de modo que se pode falar de uma sociabilidade maquinica, em que coisas e pessoas estao interconectadas em fluxo. O movimento e uma constante, os sujeitos dancam sozinhos, acompanhados (raros casos), ao lado das caixas de som em que milhoes de decibeis fazem tremer o corpo todo. A imagem abaixo ilustra o que foi dito:

Em momentos assim, o individuo se funde a caixa de som como se compusesse com ela uma so entidade. A moca da foto responde aos estimulos sonoro-tecnologicos com sua danca, seu corpo vibra na mesma frequencia da musica. Seu corpo e uma extensao da caixa. Ou sera a caixa uma extensao do seu corpo? As fronteiras claras entre corpo humano e a tecnologia desaparecem do ponto de vista da interacao social. E tudo maquina, fluxo e e por meio dos afetos que essa associacao acontece. Objetos agindo sobre pessoas, que agem sobre objetos, pessoas agindo sobre pessoas e objetos, sobre objetos: um circulo de afetacao onde tudo e acao/reacao e em que, as vezes, acontecem os encontros felizes a que Spinoza (1677/2010) se referia.

As afetacoes ocorridas nas festas de musica eletronica demandam especular-se qual seria o sentido dos afetos na realidade contemporanea. O que expressam? O que significam? Se a producao de sentido e admitida como um fenomeno (9), no momento em que se expressa, ela sai de si, poem-se para fora, produz-se no decorrer do acontecimento. O sentido nao existe a priori, nao e algo que esta la por antecipacao, mas algo que se constroi no evento do acontecer. Os acontecimentos nao possuem um sentido, eles sao o sentido. Sentido nao esta nem nas coisas nem nos seres, mas na sua friccao, no seu atrito, ele e a intersecao de varios comportamentos (Marcondes Filho, 2014). Ou seja: e fluxo. Como os afetos.

O sentido e a producao da realidade, o seu acontecer; os afetos contemporaneos e, talvez, atemporais, sao os encontros entre os humanos/naohumanos e o mundo; seu sentido e o ato de conectar, de associar na esfera do mundo vivido. Um afeto e a comunicacao em processo, define-se em seu proprio fluxo, em seu movimento como dinamica dos seres e das coisas, como potencia criadora, como a propria criacao em ato. A associacao entre seres humanos e maquinas eletronicas, melhor dito, entre maquinas-corpo e tecnomaquinas, cria sentido para os participantes da associacao e origina um fenomeno particular que e, ao mesmo tempo, universal, uma vez que a existencia social humana se da em um mundo de tecnicas e objetos produzidos e perpetuados culturalmente desde o inicio da humanidade.

Destacar essa associacao tem o intuito de promover uma etica da tecnica, em que as afetacoes entre os humanos, os nao-humanos e entre ambos possibilitem a existencia de uma realidade criadora, inventiva, produtiva. Uma realidade permeada pelo desenvolvimento educacional, economico, politico, social, cultural, ecologico e humano, acima de tudo. Etica que permita o desvelamento do homem, de um novo homem, com sua matriz arquetipica original, mas atravessado pela tecnologia, por fios e carne, silicio e sangue. Um cyborg de fato, porem com uma sempre presente vontade de se conectar, vontade de se associar, criar lacos, produzir, afetar, comunicar, simbolizar, imaginar e, porque nao, amar.

DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-3729.2018.3.29193

Referencias:

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Recebido em: 17/11/2017

Aceito em: 28/05/2018

Dados dos autores:

Thiago Tavares das Neves | nevesthiago1@hotmail.com Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Doutor e Mestre pelo Programa de Pos-Graduacao em Ciencias Sociais da UFRN. Endereco do autor:

PPGCS--Centro de Ciencias Humanas, Letras e Artes--UFRN, Sala 430 Campus Universitario

Av. Senador Salgado Filho, 3000--BR-101, Km 92 Lagoa Nova 59.078-970--Natal/RN

Josimey Costa da Silva | josimeycosta@gmail.com Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Pos-Doutora em Comunicacao Social pela ECOPOS-UFRJ e Doutora em Ciencias Sociais/Antropologia pela PUC/SP. Professora do Departamento de Comunicacao Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Decom-UFRN), atuando na Pos-Graduacao em Estudos de Midia (PPgEM-UFRN) e na PosGraduacao em Ciencias Sociais (PPGCS-UFRN).

Endereco da autora:

Secretaria Academica do Programa de Pos-Graduacao em Estudos da Midia, Laboratorio de Comunicacao, 1 andar.

Campus Universitario Lagoa Nova 59.078-900--Natal/RN

Contribuicoes dos autores: Ambos, autor e autora, fizeram contribuicoes substanciais para concepcao, desenvolvimento, redacao e revisao critica do trabalho; e aprovacao final da versao para publicacao.

Thiago Tavares das Neves

Programa de Pos-Graduacao em Ciencias Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PPGCSUFRN), Natal, RN, Brasil ORCID: 0000-0002-8603-8362

<nevesthiago1@hotmail.com >

Josimey Costa da Silva

Programa de Pos-Graduacao em Estudos da Midia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PPgEMUFRN), Natal, RN, Brasil ORCID: 0000-0003-2556-8180

<josimeycosta@gmail.com>

(1) O King Festival, festival voltado para a musica eletronica, aconteceu nos dias 15 e 16 de novembro de 2013 na cidade de Recife/PE. Foi a primeira edicao e contou com grandes executores da musica eletronica conhecidos no cenario mundial.

(2) A maior parte das obras de Spinoza, incluindo a Etica, foram originalmente publicados na Opera Posthuma (OP / Nagelate Schriften (NS), 1677). As edicoes utilizadas neste artigo sao recentes.

(3) Mais informacoes: https://universoparalello.org/pt/

(4) Maquina que tira amostra de sons captando, registrando, analisando e reproduzindo ondas sonoras de qualquer natureza.

(5) Aparelho que alterna e/ou combina varias fontes de som, de forma a soma-las em um unico sinal de saida.

(6) Estilo de musica eletronica que teve seu inicio e apogeu durante a decada de 1970, dando origem as discotecas (clubes noturnos onde a musica era tocada). Nova Iorque foi considerada o polo da disco music. A discoteca Paradise Garage foi a primeira discoteca dos EUA, com discotecagem do DJ Larry Levan que inaugurou o estilo. Esta vertente de musica eletronica atraia mais o publico gay (de cor negra e latinos). Toda essa atmosfera combinada com o lancamento do filme Saturday Night Fever (Os embalos de sabado a noite) que transmitia bem o clima disco da epoca.

(7) Os dados dessa pesquisa e o resultado de uma tese doutoral em Ciencias Sociais da UFRN. Foram visitados dois festivais de musica eletronica um em Recife/PE, o King festival que ocorreu nos dias 15 e 16 de novembro de 2013; o Dream Valley realizado nos dias 14 e 15 de novembro de 2014 em Penha/ SC e a PAJUX, uma festa de musica eletronica que aconteceu em 20 de fevereiro de 2016 numa casa noturna em Natal/RN.

(8) Energia, vibracao.

(9) Fenomeno e compreendido aqui como aquilo que existe nao so exteriormente, como algo palpavel, concreto e social, mas tambem para o ser que percebe tem um significado idiossincratico. O fenomeno se revela durante o acontecimento, e expressado, posto para fora.

Caption: Figura 1--Garota dancando ao lado da caixa de som no King Festival
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Title Annotation:MIDIA E CULTURA
Author:das Neves, Thiago Tavares; da Silva, Josimey Costa
Publication:Revista Famecos - Midia, Cultura e Tecnologia
Date:Sep 1, 2018
Words:6956
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