Printer Friendly

Reprodutibilidade de uma escala odontologica proposta como indicador de saude bucal em criancas e adolescentes [HIV.sub.+]/SIDA.

Reproducibility of a scale for oral health among children and adolescents [HIV.sub.+]/AIDS

Introducao

As doencas bucais de alta prevalencia ou de alta letalidade representam importante problema de saude publica, pois causam impacto nos portadores, exercendo efeito negativo na qualidade de vida dos mesmos.

Dentre estas, destacam-se os pacientes com diagnostico positivo para HIV ([HIV.sub.+]) que, devido a infeccao, possuem uma diminuicao progressiva em numero e atividade dos linfocitos T [CD4.sub.+], comprometendo a imunidade celular, deixando o hospedeiro suscetivel ao desenvolvimento de infeccoes oportunistas e neoplasmas (1,2). A cavidade bucal e particularmente suscetivel a infeccao, sendo uma fonte importante frequentemente utilizada para estimar o diagnostico e prognostico em pacientes [HIV.sub.+] (3).

Chapple e Hamburger (3) revisaram as principais lesoes bucais que acometem estes pacientes e destacam a leucoplasia, Sarcoma de Kaposi, linfoma de Hodgkin, candidose bucal, herpes simples, ulceras bucais, doenca periodontal, doencas das glandulas salivares e lesoes bucais induzidas por medicamentos.

Para Coulter et al. (4), o impacto da saude bucal em pacientes HIV+ nao tem sido suficientemente documentado e Broder et al. (5) apontam, dentre as dificuldades, o pouco interesse na investigacao das barreiras existentes ao desenvolvimento de programas de saude bucal ou ao nivel de cooperacao e interesse na populacao com diagnostico positivo para o HIV.

Broder et al. (6) salientam a importancia de voltar os olhares para o paciente infantil e adolescente e afirmam que os responsaveis pelas criancas e adolescentes tem a expectativa de participacao em programas odontologicos. Porem, uma vez iniciadas as atividades, ocorre grande evasao, principalmente pelo fato destes individuos terem a expectativa de tratamento odontologico curativo e nao estarem preparados para considerar orientacao e prevencao como uma estrategia importante.

A este fato, Phelan (7) inclui as dificuldades familiares frente a doenca, uma vez que o diagnostico positivo acarretara necessidades nao apenas fisicas, mas emocionais e sociais, que requerem uma interacao de uma equipe multidisciplinar. Neste processo, as sessoes informativas e educativas devem ser elaboradas a partir dos anseios e da realidade dos individuos (8-11), sendo importante a disponibilidade de instrumentos que reflitam adequadamente as atitudes relativas as dimensoes odontologicas.

Para tanto, Balbo (12) propos uma escala odontologica a ser utilizada para avaliar a percepcao, os cuidados e a promocao de saude baseada em informacoes dadas pelos responsaveis por criancas e adolescentes [HIV.sub.+] e este estudo se propoe a avaliar a reprodutibilidade desta escala, bem como fazer um diagnostico do servico e saude bucal para os pacientes que possuem cadastro junto ao GASPA (Grupo de Apoio e Solidariedade aos Portadores do virus HIV de Araraquara).

Material e metodos

Previamente a execucao deste estudo, a entidade que presta atendimento aos portadores de HIV (GASPA) foi consultada e deu autorizacao, por escrito, para levantamento de dados junto as familias cadastradas.

O delineamento amostral adotado foi o nao probabilistico. A amostra esteve constituida pela totalidade de criancas e adolescentes [HIV.sub.+] , com registro disponivel no GASPA, e cujas maes ou responsaveis concordaram em participar do estudo por meio da aceitacao do termo de consentimento livre e esclarecido, totalizando, ao final do estudo, 27 participantes.

O instrumento de medida utilizado foi o modelo de "escala odontologica" proposta por Balbo12 e aplicada para criancas [HIV.sub.+] atendidas na FMRP-USP.

Esta escala se propoe a avaliar aspectos ligados a promocao de saude, percepcao, conhecimento, habitos e cuidados que as maes/responsaveis tem em relacao a saude bucal de criancas e adolescentes soropositivas, baseando-se em questoes fechadas precodificadas.

O questionario refere-se a tres dominios que avaliam percepcao (grau de importancia dada a saude bucal), cuidados (cuidados com a higiene bucal) e promocao (fatores relacionados a promocao de saude bucal), calculados por um algoritmo constituido a partir da selecao de vinte itens do questionario, conforme proposto por Balbo (12).

A aplicacao do questionario foi realizada por um unico pesquisador, previamente treinado, em duas ocasioes, com intervalo de sete dias entre elas.

Para o calculo da reprodutibilidade, empregou-se a estatistica Kappa (13).

A estatistica Kappa foi estimada por ponto (k), sendo classificada segundo padroes de Landis e Koch (14).

Para analise dos dados, utilizou-se o software Stata 8.0. Os resultados estao apresentados em tabelas.

Este estudo foi aprovado pelo Comite de Etica em Pesquisa da Faculdade de Odontologia de Araraquara -- UNESP.

Resultados

A amostra foi composta por 27 criancas e adolescentes [HIV.sub.+], sendo a maioria do sexo feminino (62,9%). A idade media das criancas foi de 7,3 [+ or -] 4,8 anos, com idade minima de um e maxima de quinze anos, sendo que doze criancas apresentaram idade maior ou igual a dez anos (44,4%).

Segundo respostas dos responsaveis por criancas e adolescentes entrevistados as questoes da escala odontologica (EO), elaborou-se a Tabela 1.

Todos os respondentes afirmaram que consideram a saude bucal importante. Porem, nota-se que, apesar disto, a maioria nao procura um dentista com frequencia (70,4%), e para 25,9% das criancas, a escovacao dentaria nao e diaria. Apenas 18,5% das criancas tem seus dentes escovados por um adulto e o mesmo numero utiliza fio dental. Quanto a orientacao de saude, nota-se que a maioria dos responsaveis nao recebeu atendimento educativo preventivo em saude bucal, nem informacao sobre as manifestacoes bucais decorrentes da doenca e da necessidade de melhores cuidados higienicos devido a grande quantidade de acucar contida nos medicamentos. Todos os responsaveis afirmaram nao ter recebido informacoes sobre a capacidade dos medicamentos causarem xerostomia.

Na Tabela 2, apresenta-se o estudo da reprodutibilidade de cada item componente do questionario proposto por Balbo (12).

Nas questoes relativas a mae, houve concordancia maxima nos itens referentes a importancia da saude bucal, habito de escovacao diaria e a presenca de escova dental individual para cada membro da familia. A procura de atendimento odontologico motivado por estetica e para manutencao de halito puro apresentou concordancia boa.

Dentre as questoes relativas a crianca, observou-se concordancia regular para os itens referentes a utilizacao do fio dental e sua frequencia. As demais questoes apresentaram concordancia classificada como boa e otima.

Quanto as informacoes relacionadas com a organizacao do sistema de saude, chama atencao a dificuldade dos respondentes em relatar o local e o profissional que realizou orientacoes educativas preventivas, bem como a necessidade de atencao a higiene bucal devido ao conteudo de acucar presente nos medicamentos. A concordancia das demais questoes foi considerada boa e otima.

A estatistica Kappa (k) aplicada aos dominios componentes da escala odontologica (EO) esta exposta na Tabela 3.

Verificou-se boa concordancia entre as respostas apenas para o dominio referente a promocao de saude.

Discussao

O delineamento amostral utilizado, nao probabilistico, poderia representar, numa primeira analise, uma limitacao do estudo quanto a sua validade externa. Entretanto, baseado no fato do total de criancas e adolescentes [HIV.sub.+] configurar uma amostra de pequeno porte, a opcao do pesquisador foi trabalhar com todas elas, desde que houvesse o consentimento por parte dos responsaveis. Por outro lado, os autores proponentes do questionario (12) se utilizaram de amostragem por conveniencia e Balbo et al. (15) tambem apresentam dados coletados a partir deste mesmo tipo de amostra; portanto, optou-se pela realizacao do estudo.

O tamanho da amostra utilizada representa o total de criancas e adolescentes [HIV.sub.+], cadastrados junto ao GASPA do municipio de Araraquara (SP), cujos responsaveis concordaram em participar. Entretanto, o numero de participantes e insuficiente para a realizacao da estimativa do valor Kappa por intervalo de confianca. Por essa razao, a confiabilidade do instrumento proposto por Balbo (12), para implementacao do mesmo por parte dos servicos de saude, foi verificada pela estatistica Kappa, por ponto.

Na amostra estudada, 100,0% dos respondentes afirmaram considerar a saude bucal importante, bem como cuidar da saude bucal de seu filho (Tabela 1). Entretanto, quando questionouse o motivo considerado importante para procura de atendimento odontologico, pode-se notar que nao houve uma opiniao de consenso e a concordancia entre as respostas dadas nos distintos momentos foi classificada como boa apenas para os itens "Estetica"e "Halito puro", enquanto os demais apresentaram reprodutibilidade regular, o que pode ser reflexo da falta de informacao sobre habitos de saude bucal (Tabela 2).

Chama atencao que oito individuos (29,6%) afirmaram nao procurar o dentista com frequencia, o que pode ter ocorrido por desinformacao, por inviabilidade economica ou devido as diversidades de problemas ocasionados em todos os aspectos da vida pelo impacto da SIDA. De acordo com Hastreiter e Jiang (16), a dificuldade financeira tem sido um limitador do acesso a servicos de saude bucal por pacientes [HIV.sub.+]. Entretanto, os autores apresentam evidencias de que a falta de visitas regulares aos servicos de saude bucal pode ser mais dispendiosa do que o tratamento regular, alertando os pacientes e os servicos de saude para este fato.

Com relacao aos cuidados de higiene bucal de criancas, a literatura (15,17) tem recomendado que criancas menores de dez anos tenham seus dentes escovados ou sua escovacao monitorada por um adulto, uma vez que as mesmas ainda nao possuem habilidade manual nem maturidade suficiente para garantir a execucao de uma escovacao adequada. Neste estudo, apenas em 18,5% dos casos foi relatada a presenca do responsavel durante a escovacao (Tabela 1).

Outro aspecto a ser considerado e a nao utilizacao do fio dental pela maioria das criancas (Tabela 1), concordando com os achados de Balbo et al. (15). Na Tabela 2, observou-se uma concordancia regular para os itens referentes a utilizacao do fio dental e sua frequencia, o que pode ser reflexo da dificuldade dos cuidadores em assumir a nao utilizacao do mesmo pela crianca. A dificuldade de criancas e de adolescentes em se habituar a utilizacao do fio dental tem sido apontada na literatura; entretanto, tratando-se de criancas HIV+, esta situacao requer maior atencao, uma vez que a presenca de placa bacteriana, aliada a debilidade imunologica, pode corroborar para o desenvolvimento de infeccoes oportunistas (2,18,19).

Quanto a falta de informacoes sobre atendimento educativo preventivo, manifestacoes bucais decorrentes da doenca, efeitos na cavidade bucal pelo consumo de medicamentos (questoes EO17, EO18, EO19 e EO20) (Tabela 1), pode-se atribuir o fato a nao existencia de um profissional responsavel pela saude bucal das criancas [HIV.sub.+] junto a equipe multidisciplinar de saude. Ribeiro (20) e Zabos e Trinh (21) ressaltam a necessidade de elaboracao de programas de promocao de saude, pautados na educacao e motivacao e voltados para o atendimento das necessidades de pacientes [HIV.sub.+].

De acordo com Jandinski et al. (22), Madigan et al. (23), Castro et al. (24) e Ribeiro et al. (2), a experiencia de carie e gengivite em criancas infectadas pelo HIV e elevada e esta falta de informacao pode levar ao agravamento desta situacao, pautada no fato de que estas criancas e adolescentes fazem um alto consumo de medicamentos contendo acucar, resultando na diminuicao do fluxo salivar, causada pelos mesmos e por habitos inadequados de higiene bucal (25).

Quanto as informacoes relacionadas com a organizacao do sistema de saude, chama atencao a dificuldade dos respondentes em relatar o local e o profissional que realizou orientacoes educativas preventivas e quanto ao conteudo de acucar nos medicamentos, o que pode denotar falta de programas continuos de orientacao voltados para o paciente pediatrico [HIV.sub.+].

Apesar das estimativas da consistencia interna da escala odontologica realizadas por Balbo (12) e Balbo et al. (15) terem conferido ao instrumento bons resultados, estas nao garantem a escala total qualidade metodologica. Assim, para a certificacao da confiabilidade do referido instrumento, deve-se proceder, alem destas estimativas, o estudo da reprodutibilidade de cada dominio componente da escala odontologica (EO).

A concordancia apresentada para cada um dos dominios percepcao, cuidado e promocao foi de 0,48, 0,21 e 0,64, respectivamente, o que aponta para uma reprodutibilidade abaixo do desejavel para os dominios percepcao e cuidado.

Deste modo, a par da constatacao da necessidade de inclusao, nos programas de saude de atencao aos portadores [HIV.sub.+] em saude bucal, sugere-se que mais estudos sejam realizados para a investigacao da reprodutibilidade da escala odontologica, a fim de que o algoritmo proposto para cada dominio possa ser avaliado e, se necessario, reformulado ate que o instrumento atinja a confiabilidade necessaria para o levantamento das informacoes da percepcao, dos cuidados e de promocao de saude bucal por parte de cuidadores de criancas e adolescentes [HIV.sub.+].

Conclusao

Frente aos achados, sugere-se a necessidade de que a saude bucal de portadores [HIV.sub.+] seja integrante da atencao a eles destinada. A reestruturacao das questoes componentes dos algoritmos propostos pela escala odontologica para as dimensoes de percepcao e cuidado devem ser reavaliadas, apos a inclusao da saude bucal em programas de atendimento de portadores [HIV.sub.+].

Colaboradores

JADB Campos e LCM Loffredo participaram igualmente de todas as etapas da elaboracao do artigo.

Artigo apresentado em 26/12/2007

Aprovado em 09/07/2008

Versao final apresentada em 30/10/2008

Referencias

(1.) Rachid M, Schechter M. Manual de HIV/AIDS. Rio de Janeiro: Revinter; 1998.

(2.) Ribeiro AA, Portela M, Souza IP. Relacao entre biofilme, atividade de carie e gengivite em criancas HIV+. Pesqui. Odontol. Bras. 2002; 16(2):144-150.

(3.) Chapple ILC, Hamburger J. The significance of oral health in HIV disease. Sex Transm Infect 2000; 76(4):236-243.

(4.) Coulter ID, Heslin KC, Marcus M, Hays RD, Freed J, Der-Martirosian C, Guzman-Becerra N, Cunningham WE, Andersen RM, Shapiro MF. Associations of self-reported oral health with physical and mental health in nationally representative sample of HIV persons receiving medical care. Qual Life Res 2002; 11(1):57-70.

(5.) Broder HL, Catalanotto FA, Reisine S, Variagiannis E. Compliance is poor among HIV-infected children with unmet dental needs. Pediatr Dent 1996; 18(2):137-138.

(6.) Broder HL, Russell SL, Varagiannis E, Reisine ST. Oral health perceptions and adherence with dental treatment referrals among caregivers of children with HIV. AIDS Educ Prev 1999; 11(6):541-551.

(7.) Phelan JP. Oral health care for adults, adolescents and children with HIV infection. New York: Aids Institute/Department of Health; 1998.

(8.) Souza L. A saude e doenca no dia-a-dia do povo. Caderno do CEAS 1982; 77:18-23.

(9.) Portillo JAC, Paes AMC. Autopercepcao de qualidade de vida relativa a saude bucal. Rev Bras Odontol Saude Coletiva 2000; 1(1):75-88.

(10.) Bensing JM, Visser A, Saan H. Patient education in the Netherlands. Patient Educ Couns 2001; 44(1):15-22.

(11.) Myburgh NG, Hobdell MH, Laloo R. African countries propose a regional oral health strategy: The Dakar Report from 1998. Oral Dis. 2004; 10(3):129-137.

(12.) Balbo PL. Epidemiologia de fatores sociais relacionados a saude bucal relatados pelas maes ou pelos responsaveis por criancas HIV+/AIDS atendidas no HCRP [tese]. Ribeirao Preto (SP): Faculdade de Medicina de Ribeirao Preto, USP; 2006.

(13.) Light RJ. Measures of response agreement for qualitative data: some generalizations and alternatives. Psychol Bull 1971; 76:365-377.

(14.) Landis JR, Koch GG. The measurement of observer agreement for categorical data. Biometrics 1977; 33:159-174.

(15.) Balbo PL, Rodrigues-Junior AL, Cervi MC. Caracterizacao dos cuidadores de criancas HIV+/AIDS abordando a qualidade de vida, a classificacao socioeconomica e temas relacionados a saude bucal. Cien Saude Colet 2007; 12(5):1301-1307.

(16.) Hastreiter RJ, Jiang P. Do regular dental visits affect the oral health care provided to people with HIV? J Am Dent Assoc 2002; 133:1343-1350.

(17.) Ottley C. Improving children's dental health. J Fam Health Care 2002; 12(5):122-125.

(18.) Eldridge K, Gallagher JE. Dental caries prevalence and dental health behavior in HIV infected children. Int. J. Paediat. Dent. 2000; 10:19-26.

(19.) Shetty K. Recommendations for the dental management of HIV-infected children and adolescents. HIV Clinician 2004; 16(2):1-7.

(20.) Ribeiro AA. Avaliacao de um programa de promocao de saude bucal em criancas HIV+ [tese]. Rio de Janeiro (RJ): Faculdade de Odontologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro; 2000.

(21.) Zabos GP, Trinh C. Bringing the mountains to Mohammed: a mobile dental team serves a community-based program for people with HIV/AIDS. Am J Public Health 2001; 91(8):1187-1189.

(22.) Jadinski J, Catalanotto F, Murray P, Katz R, Varagiannis E. Oral pathology in pediatrics AIDS. [abstract 2705] J Dent Res 1994, 73:440.

(23.) Madigan A, Murray PA, Houpt M, Catalanotto F, Feuerman M. Caries experience and cariogenic markers in HIV-positive children and their siblings. Pediatr Dent 1996; 18(2):129-136.

(24.) Castro GF, Souza IP, Chianca TK, Hugo R. Avaliacao de um programa de prevencao de carie em criancas HIV . [resumo 100]. In: Anais da 14 Reuniao Anual da Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontologica; 1997; Sao Paulo.

(25.) Maguire A, Rugg-Gunn AJ, Butler TJ. Dental health of children taking antimicrobial and non-microbial liquid oral medication long-term. Caries Res 1996; 30:16-21.

Juliana Alvares Duarte Bonini Campos [1]

Leonor de Castro Monteiro Loffredo [1]

[1] Departamento de Odontologia Social, Faculdade de Odontologia de Araraquara, Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho. Rua Humaita 1.680, Centro. 14801-385 Araraquara SP. jucampos@foar.unesp.br
Tabela 1. Distribuicao de frequencia (n) das respostas dos
responsaveis entrevistados as questoes componentes da escala
odontologica (EO). Araraquara (SP), 2006.

Questoes                                                     Sim   Nao

EO1 = Voce considera a saude bucal importante?                27    --

EO2 = Acha importante procurar o atendimento odontologico      9    18
por "estetica"?

EO3 = Acha importante procurar o atendimento odontologico      9    18
por "halito puro"?

EO4 = Acha importante procurar o atendimento odontologico     19     8
por "saude"?

EO5 = Acha importante procurar o atendimento odontologico     12    15
por "higiene"?

EO6 = Acha importante procurar o atendimento odontologico      9    18
por "evitar dor"?

EO7 = Acha importante procurar o atendimento odontologico      9    18
por "evitar gastos"?

EO8 = Acha importante cuidar da saude bucal de seu filho?     27    --

EO9 = Voce procura o dentista com frequencia?                  8    19

EO10 = Voce tem o habito de escovar o dente diariamente?      26     1

EO 12 = A crianca escova ou tem seus dentes escovados?        21     6

EO13 = A escovacao dos dentes da crianca e diaria?            20     7

EO14 = Voce e quem escova os dentes da crianca?                5    21

EO15 = A propria crianca escova seus dentes?                  16    10

EO16 = O fio dental e usado pela crianca?                      5    22

EO17 = Nos servicos de saude, voce ja recebeu algum tipo       9    18
de orientacao e/ou atendimento educativo preventivo sobre
a saude bucal de seu filho(a)?

EO18 = Algum profissional ja orientou sobre as                 9    18
manifestacoes bucais decorrentes da doenca?

EO19 = Algum profissional ja orientou sobre o acucar           1    26
contido nos medicamentos, ou seja, da necessidade de
melhores cuidados higienicos?

EO20 = Algum profissional ja orientou sobre a diminuicao      --    27
de saliva (xerostomia), ocasionada pelos medicamentos?

EO21 = A crianca ja foi levada ao dentista?                   17    10

Tabela 2. Estatistica Kappa ([kappa]) aplicada a todas as questoes
componentes do questionario proposto por Balbo (12). Araraquara
(SP), 2006.

                                            [kappa]
Questoes                                 [(IC.sub.95%)]   Classificacao

1 -- Questoes relativas a mae
  1.1 -- Voce considera a saude bucal         1,00            Otima
         importante?
  1.2 --Voce acha importante procurar
        atendimento odontologico por:
    A -- Estetica                             0,65             Boa
    B -- Saude                                0,54           Regular
    C -- Evitar dor                           0,60           Regular
    D -- Halito puro                          0,67             Boa
    E -- Higiene                              0,56           Regular
    F -- Evitar gastos                        0,54           Regular
  1.3 -- Voce acha importante cuidar          1,00            Otima
         da saude bucal do seu filho?
  1.4 -- Voce procura o dentista com          0.47           Regular
         frequencia?
  1.5 -- Voce tem habito de escovar os        1,00            Otima
         dentes diariamente?
  1.6 -- Na sua casa, cada membro da          1,00            Otima
         familia tem sua propria
         escova de dente?

2 -- Questoes relativas a crianca
  2.1 -- A crianca escova ou tem seus         0,76             Boa
         dentes escovados?
    2.1.1 -- Se sim, a escovacao e            0,90            Otima
             diaria?
    2.1.2 -- Quem escova os dentes da         0,79             Boa
             crianca?
    2.1.3 -- Quantas vezes por dia a          0,67             Boa
             crianca escova ou tem os
             seus dentes escovados?
  2.2 -- O fio dental e utilizado             0,60           Regular
         pela crianca?
    2.2.1 -- Se sim, qual a                   0,46           Regular
             frequencia que o fio
             dental e utilizado pela
             crianca?
  2.3 -- A crianca faz uso de                 0,92            Otima
         mamadeira noturna?
    2.3.1 -- Se sim, com que                  0,86            Otima
             frequencia?
    2.3.2 -- Qual e a composicao da           1,00            Otima
             mamadeira?
  2.4 -- O que a crianca come na maior
         parte das refeicoes?
    A -- arroz                                0,78             Boa
    B -- feijao                               0,78             Boa
    C -- carne                                0,79             Boa
    D -- ovos                                 0,57           Regular
    E -- verduras                             0,64             Boa
    F -- legumes                              0,74             Boa
    G -- leite                                1,00            Otima
    H -- frutas                               0,71             Boa
    I -- outros                               0,65             Boa
  2.5 -- A crianca come doces ou              0,65             Boa
         alimentos que contenham
         acucar?
    2.5.1 -- Se sim ou raramente, qual        0,63             Boa
             a frequencia com que a
             crianca come doces ou
             alimentos que contenham
             acucar?

3 -- Informacoes relativas a
     organizacao do sistema de saude
  3.1 -- Voce ja recebeu algum tipo de        0,65             Boa
         orientacao e/ou atendimento
         educativo preventivo sobre a
         saude bucal do seu filho?
    3.1.1 -- Se sim, onde?                    0,54           Regular
    3.1.2 -- Que tipo de orientacao?          0,73             Boa
  3.2 -- Algum profissional ja                0,52           Regular
         orientou sobre as
         manifestacoes bucais
         decorrentes da doenca?
    3.2.1 -- Se sim, qual foi o               0,39          Sofrivel
             profissional?
  3.3 -- Algum profissional ja                0,29          Sofrivel
         orientou sobre o acucar
         contido nos medicamentos, ou
         seja, da necessidade de
         melhores cuidados higienicos?
    3.3.1 -- Se sim, qual foi o               0,13            Fraca
             profissional?
  3.4 -- Algum profissional ja                1,00            Otima
         orientou sobre a diminuicao
         da saliva (xerostomia),
         ocasionada pelos
         medicamentos?
    3.4.1 -- Se sim, qual foi o               1,00            Otima
             profissional?
  3.5 -- A crianca ja foi levada ao           1,00            Otima
         dentista?
    3.5.1 -- Se nao, porque?                  0,92            Otima
    3.5.2 -- Se sim, qual o dentista?         0,70             Boa
    3.5.3 -- O dentista foi informado         1,00            Otima
             sobre a doenca?
    3.5.4 -- Se sim, como o                   0,82            Otima
             profissional reagiu?
  3.6 -- Teve dificuldade em conseguir        1,00            Otima
         o tratamento odontologico?
  3.7 -- Voce acha que o atendimento          1,00            Otima
         foi diferente?
    3.7.1 -- Se sim, porque?                  1,00            Otima
    3.7.2 -- Isto criou algum tipo de         1,00            Otima
             constrangimento?
  3.8 -- Alguma vez sentiu que seu            1,00            Otima
         filho(a) foi rejeitado(a)
         ou desrespeitado(a) no
         tratamento odontologico?
  3.9 -- Alguma vez teve o tratamento         0,93            Otima
         dentario do seu filho negado?
    3.9.1 -- Se sim, qual foi o motivo        1,00            Otima
             alegado?

Tabela 3. Estatistica Kappa ([kappa]) aplicada aos
dominios componentes da escala odontologica
(EO) proposta por Balbo12. Araraquara (SP), 2006.

Dominios--Escala odontologica     [kappa]     Classificacao

Percepcao                          0,48          Regular
Cuidado                            0,21         Sofrivel
Promocao                           0,64            Boa
COPYRIGHT 2010 Associacao Brasileira de Pos-Graduacao em Saude Coletiva - ABRASCO
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2010 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Title Annotation:texto en portugues
Author:Alvares Duarte Bonini Campos, Juliana; de Castro Monteiro Loffredo, Leonor
Publication:Ciencia & Saude Coletiva
Date:Jul 1, 2010
Words:4207
Previous Article:Pos-graduacao em Saude Coletiva de 1997 a 2007: desafios, avancos e tendencias.
Next Article:Analise da atencao a saude bucal na Estrategia de Saude da Familia do Distrito Sanitario VI, Recife (PE).
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2021 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters |