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Relation between vegetation cover and erosion in representative plots of Cerrado/relacao entre cobertura vegetal e erosao em parcelas representativas de Cerrado/Relacion entre cobertura vegetal y la erosion en las parcelas representantes de Cerrado.

1. INTRODUCAO

O conhecimento sobre a dinamica erosiva partindo do momento que as gotas de chuva iniciam o impacto sobre as particulas do solo se torna fundamental para que se estabelecam metodologias que possam reverter a situacao de degradacao dos solos e do ambiente (GUERRA, 2012), ja que o conhecimento aprofundado dos fatos e dos processos que ocorrem permitem acoes que atuem sobre o manejo do solo de forma eficaz e objetiva. Por este fato, a degradacao dos solos tem sido assunto explorado dentro das linhas de pesquisas geograficas, ocasionadas pela intensa acao antropica que, nao dando atencao ao manejo correto do solo, aplicam diferentes usos do solo que visam apenas fins lucrativos, aos quais, na maioria das vezes, promovem desequilibrio ambiental que podem levar a intensificacao de processos erosivos, por meio da maior intensidade dada ao escoamento superficial que, por consequencia, pode gerar maior perda de solo.

O escoamento superficial, sua funcao e atuacao, faz parte e e resultado da dinamica da bacia hidrografica a qual atua, entendendo que bacias hidrograficas correspondem a um conjunto de terras que sao drenadas por rios e seus afluentes, limitadas por divisores de agua que irao determinar o fluxo da agua da chuva que infiltram no solo, formando nascentes e abastecendo o lencol freatico, ou escoam pela superficie da encosta para as areas mais baixas do terreno (BARRELLA, 2001). Neste sentido, o escoamento superficial podera sofrer variacoes de intensidade em relacao a diferentes caracteristicas do relevo, das condicoes climaticas e da capacidade protetora da vegetacao.

As condicoes climaticas interferem no processo erosivo, alem de ser um dos principais componentes do ciclo ambiental, pois e responsavel pelo fornecimento de agua que abastece os lencois freaticos, cursos d'agua, rios, seus afluentes e, por fim, o oceano. Durante e apos a precipitacao, a agua nao infiltrada escoa pela vertente, sendo que o seu volume dependera do total de precipitacao, da intensidade da chuva e de sua energia cinetica associada a caracteristicas fisicas do solo, como saturacao do solo, porosidade, textura e profundidade (BELTRAME, 1994). Tais caracteristicas do solo tambem influenciam sobre a permeabilidade da agua no solo e a sua resistencia a erosao, que se definem pela caracteristica das particulas do solo de acordo com o tamanho e a agregacao das mesmas (SILVA, 2007).

A cobertura vegetal, atua como protecao do solo frente a acao das gotas da chuva por meio da interceptacao da agua pela estrutura da vegetacao localizada acima da superficie do solo (GALETI, 1987), que reduzem a velocidade da gota da chuva e retiram parcialmente a intensidade do efeito splash, responsavel por causar ruptura dos agregados e selar a superficie do solo (GUERRA, 2012), alem de estruturar o solo por meio da dispersao de suas raizes, que podem aumentar a capacidade de infiltracao e reduzir a intensidade do escoamento superficial e dos processos erosivos decorrentes do mesmo. Em florestas tropicais, 4,5 a 24% da chuva e interceptada pela vegetacao, sendo que 1 a 2% do restante escoam por seus troncos, indicando que 75 a 96% da precipitacao externa alcanca a superficie do solo da floresta. (BRUIJINZEEL, 1990, apud ARCOVA et al., 2003). Ja em area de Cerrado, pesquisas indicam que os valores de agua precipitada que alcancaram a superficie do solo variam entre 72 a 95 %, enquanto as porcentagens da chuva interceptada pela vegetacao variam entre 0,7 a 2,4% em fitofisionomias como Cerradao, Cerrado Sentido Restrito e Denso (OLIVEIRA, 2015). A presenca de vegetacao ainda mantem a fertilidade e umidade do solo por meio da materia organica.

O relevo do terreno influencia a intensidade e principalmente, a velocidade do escoamento superficial por meio da acao da gravidade, pois a maior declividade e comprimento da rampa tornam mais volumosas a agua gerada pelo escoamento e com maiores velocidades (BIAS, 2012), ou seja, o solo localizado em maiores declives serao mais favoraveis a sofrer erosao pela agua da chuva do que solos em areas planas.

Este estudo tem o objetivo de estabelecer relacao entre a acao protetora da cobertura vegetal sobre o solo e os processos erosivos ocorrentes no mesmo, comparando, para isso, cinco situacoes de cobertura vegetal diferentes, sendo cada uma representativa de uma fitofisionomia de Cerrado e utilizando parcelas de 1 [m.sup.2], localizadas no sudeste do municipio de Uberlandia-MG. A pesquisa se deu entre fevereiro de 2014 a abril de 2015. Os parametros analisados semanalmente foram: escoamento superficial e perda de solo para os processos erosivos, analise da evolucao de densidade da cobertura vegetal para a protecao da vegetacao e precipitacao associada a ambos parametros.

2. MATERIAIS E METODOS

A metodologia adotada na realizacao deste trabalho contou com pesquisas bibliograficas para a definicao de quais parametros seriam analisados, alem de encontrar subsidios teoricos para construcao do mesmo. Em relacao a metodologia utilizada na pesquisa, contou-se com dados coletados semanalmente em campo, bem como analises realizadas em laboratorio a respeito dos parametros de perda de solo, escoamento superficial, densidade de cobertura vegetal e precipitacao. Entretanto, o tratamento final foi realizado por meio de valores de acumulacao mensais.

O escoamento superficial total foi quantificado a partir da instalacao de 5 parcelas de 1[m.sup.2], localizadas em diferentes condicoes de cobertura vegetal, que por meio de uma calha coletora e um recipiente com capacidade para 30 litros, armazenavam a agua derivada do escoamento superficial, a qual era contabilizada semanalmente. Desta agua armazenada, coletava-se 1 litro de agua, apos a homogeneizacao da amostra, para que em laboratorio fosse filtrada com o objetivo de se quantificar a presenca de sedimentos em cada parcela, carregados pelo escoamento superficial. Para a filtragem, os papeis filtros eram pesados em balanca de precisao em temperatura ambiente de 25[degrees]C. A pesagem do papel filtro, tanto antes como apos a filtragem, foi realizada em horarios proximos devido a necessidade de evitar a alteracao da pressao atmosferica nos diferentes horarios do dia, o que poderia alterar os resultados, ja que sao resultados proximos e de alta precisao. O mesmo era feito apos a filtragem, comparando os resultados que eram obtidos a partir da subtracao do peso final do papel filtro pelo peso inicial do mesmo, obteve-se o peso de sedimento retido em cada amostra.

Para determinar a densidade de cobertura vegetal e solo exposto de cada parcela, foi adotada a metodologia proposta por Pinese Junior, Cruz e Rodrigues (2008), que utiliza o software ENVI 4.3 para quantificar e qualificar a cobertura vegetal e solo exposto a partir de imagens fotograficas obtidas por meio de uma camera comum e capturadas de um mesmo ponto marcado e proximo a parcela, tendo como resultado final a porcentagem de cobertura vegetal e solo exposto por divisao de cores (Figura 1), que neste trabalho foram obtidas semanalmente para validar a comparacao dos dados da mesma parcela, bem como dos resultados de densidade vegetativa comparado aos dados de escoamento superficial total e producao de sedimento.

[FIGURE 1 OMITTED]

Os dados relacionados a precipitacao foram obtidos a partir da instalacao de uma estacao pluviometrica localizada proxima as parcelas experimentais e tratados em laboratorio, sendo que foram considerados como precipitacao semanal. Buscando uma melhor compreensao sobre o comportamento climatico da area, foram feitos dois tratamentos com os dados pluviometricos. Um deles relaciona os dados de precipitacao media mensal dos ultimos 30 anos na regiao com os dados no ano de 2014, identificando diferencas na distribuicao pluviometrica, utilizando tambem, neste caso, a temperatura media mensal dos ultimos 30 anos. Os dados de precipitacao foram obtidos atraves da estacao pluviometrica localizada no Campus Santa Monica da Universidade Federal de Uberlandia.

Por fim, compondo os resultados, foram realizadas analises estatisticas calculando a Correlacao de Pearson entre a cobertura vegetal e os parametros de precipitacao e perda de solo, procurando identificar a existencia de dependencia e/ou relacao entre o comportamento de tais parametros.

[FIGURE 2 OMITTED]

2.1 Area de estudo

A determinacao da area de estudo levou em consideracao a facilidade e disposicao da area para o desenvolvimento de pesquisas realizadas pela Universidade Federal de Uberlandia. Alem disso, a realizacao de campos semanais a area de estudo pelo Laboratorio de Geomorfologia e erosao dos solos da Universidade Federal de Uberlandia, laboratorio esse em que tal estudo foi realizado, levou certo interesse a efetivacao de uma pesquisa mais pratica com experimentos em campo, levantamento de dados temporais e acompanhamento continuo.

O estudo foi realizado na Fazenda Experimental do Gloria, localizada no sudeste do municipio de Uberlandia-MG nas respectivas coordenadas geograficas 18[degrees]56'56"S e 48[degrees]12'21"W a uma altitude de 919 metros acima do nivel do mar (Figura 3). Esta compoe a bacia hidrografica do Corrego do Gloria, afluente da margem direita do rio Uberabinha e sub-afluente do rio Araguari. Esta situada no Dominio dos Planaltos e na Chapada da Bacia Sedimentar do Parana, com tabular e levemente ondulado. A formacao geologica se insere na Formacao Marilia, em area de contato entre o Grupo Sao Bento e o Grupo Bauru, ocorrendo afloramento de basaltos e arenitos. Os solos que se encontram na regiao sao Latossolo Vermelho-Amarelo, estes ocorrem em ambientes secos (bem drenados), sao profundos e com uniformidade na cor, estrutura e textura; Organossolos, relacionados a ambientes umidos (mal drenados); Aluvissolos e Neossolo Litolico, ocorrem em relevos de maior declividade, sendo solos rasos. De forma geral, os solos da area sao acidos e pouco ferteis.

[FIGURE 3 OMITTED]

Como afirma Silva (2010), a regiao apresenta clima tropical, Aw segundo a classificacao de Koppen. Apresenta verao chuvoso e inverno seco, com temperatura variando entre medias de 24[degrees]C nos meses de Outubro e Marco, que sao meses mais quentes e 18[degrees]C nos meses de Junho e Julho, que sao meses mais frios, apresentando no geral temperatura media anual de 22[degrees]C. A precipitacao varia entre 1300 mm a 1700 mm, nas estacoes chuvosas. Assim, o bioma Cerrado possui duas estacoes marcantes, influenciadas pelo deslocamento das massas de ar que atuam na regiao, sendo a Massa Tropical Atlantica, Polar e Equatorial Continental.

2.2 Parcela Experimentais

O estudo se baseou na coleta de dados advindos de 5 parcelas experimentais, sendo todas localizadas na Fazenda Experimental do Gloria (Uberlandia-MG) (Figura 3) e dispersas aleatoriamente, porem com caracteristicas de cobertura vegetal e solo diferentes (Tabela 1). Essas parcelas seguiram o padrao de estrutura (Figura 4), sendo 1[m.sup.2] de extensao, cercada por chapa galvanizada com 50cm de altura, possuindo uma calha coletora conectada a um galao com capacidade de 30 litros.

As condicoes de vegetacao encontradas nas parcelas experimentais foram definidas como fitofisionomias a partir da similaridade de seus extratos vegetativos. A parcela A e composta por gramineas, essencialmente. A parcela B apresenta uma especie arbustiva associada a especies herbaceas. A parcela C possui especies herbaceas adaptadas a condicoes umidas, por estar em area de inundacao. A parcela D, como a A, possui gramineas e algumas especies herbaceas. Por fim, a parcela E apresenta uma especie arborea de, aproximadamente, 5 metros associada a grande variedade de especies herbaceas pela extensao da area.

A area geral de estudo se encontra em processo de recuperacao apos exploracao e manejo inadequado visando a extracao de cascalho. Deste modo, a definicao de fitofisionomias das parcelas experimentais referese a caracteristicas da area entorno, bem como das proprias parcelas, entendendo que estao em processo de alteracao e regeneracao para ambiente natural.

Alem disso, durante o periodo de analise as parcelas sofreram por duas vezes um fator de degradacao do ambiente, o fogo, que ocorreu com intensidade baixa, sendo suficiente somente para provocar alteracoes nos valores de densidade de cobertura vegetal, ou seja, por dois momentos na pesquisa a cobertura sofreu interferencia em seu crescimento. Essas queimadas foram realizadas de forma artificial e controlada destinada a pesquisas em relacao a evolucao de processos erosivos. Tal fato nao alterou o seguimento da pesquisa, mas auxiliou no acompanhamento entre dependencia do crescimento da vegetacao pelos indices de precipitacao.

[FIGURE 4 OMITTED]

3. RESULTADOS E DISCUSSAO

3.1 Precipitacao anual

Entendendo que o comportamento climatico e diretamente influente e impulsionador dos processos erosivos, da mesma forma que e um dos fatores responsaveis pela manutencao do equilibrio ambiental, atingindo assim o crescimento e desenvolvimento das especies, e valido identificar como foi o comportamento da precipitacao no ano de analise em relacao aos ultimos 30 anos na mesma localidade. De maneira geral, observa-se que a variacao climatica anual apresenta duas estacoes bem definidas (Figura 5), sendo uma seca que se inicia em Maio e tem seu fim em Setembro, e outra chuvosa abrangendo o intervalo de outubro a abril, sendo estas estacoes caracteristicas do bioma Cerrado (MMA, 2009). Em alguns casos, ocorre um periodo de recesso de chuva durante a estacao chuvosa (ASSAD, 1994), entretanto esta situacao nao ocorre neste caso.

Em relacao a precipitacao nos ultimos 30 anos e no ano de 2014 na area de estudo (Figura 5), percebese que em 2014 apresentou indices de precipitacao menores as medias ocorrentes na regiao, sendo que somouse 1093 mm durante o ano com medias de 91 mm mensais e a media dos ultimos 30 anos calcularam-se 1551 mm anuais e medias de 129 mm mensais.

Ja o estudo especifico sobre a evolucao da cobertura vegetal compreendeu o periodo de Fevereiro de 2014 e Abril de 2015. os valores de precipitacao dos meses que sofreram interferencia da queimada foram divididos para que os dados referentes a cobertura vegetal e aos processos erosivos pudessem serem vistos antes e apos este fator (Figura 6). Esses quatro meses no ano de 2015 apresentaram maiores indices de precipitacao (519 mm de chuva somada, com media de 129 mm mensais) se comparados com os primeiros quatro meses do ano de 2014 (252 mm de chuva somada, com media de 63 mm mensais). Mas os meses que incluem no estudo de 2015 ainda nao se igualam as medias vistas nos ultimos 30 anos (795 mm de chuva somada, com media de 198 mm mensais), sendo sao menores tambem.

[FIGURE 5 OMITTED]

[FIGURE 6 OMITTED]

Dentro dos padroes encontrados na regiao, caracteristica de Cerrado, os indices de precipitacao no ano de 2014 foram menores que a media dos ultimos anos. Isto pode indicar que nao se obteve o maximo de capacidade erosiva identificado no Cerrado ao longo do ano de 2014, entendendo que a chuva e a maior geradora de erosao no ambiente.

3.2 Cobertura Vegetal

A cobertura vegetal de forma geral se apresentou relativamente estavel em todas as parcelas experimentais estudadas, mostrando altos indices no inicio da analise. Existem dois picos de forte reducao da densidade de cobertura vegetal, estes ocorreram devido a queimada, como ja citado, presenciados em todas as parcelas. Entretanto, e valido relembrar que estas queimadas foram de baixa intensidade e por este motivo nao foram capazes de anular a presenca de vegetacao. Mesmo com este fator de interferencia e possivel perceber que os altos indices de cobertura vegetal e os baixos acompanharam as estacoes chuvosas e secas, respectivamente. Mas, cada parcela, a qual representa uma fitofisionomia de Cerrado, apresentou um comportamento distinto em relacao a variacao da cobertura vegetal frente a variacao da precipitacao (Figura 7).

A parcela B (representativa de Campo Sujo), a qual e caracterizada por uma especie arbustiva com aproximadamente 2 m de altura associado a especies herbaceas, alcancou 52% de cobertura vegetal na estacao seca (seu menor indice) e durante a estacao chuvosa recuperou a cobertura vegetal em 98%. A parcela E (Parque de Cerrado) com especie arborea e aproximadamente 5 m e poucas especies herbaceas, por sua vez, sofreu reducoes em quase todo o processo, sendo que na estacao seca alcancou 11% de cobertura vegetal e na estacao chuvosa conseguiu recuperar apenas 20%. Estas parcelas representam os dois extremos dos valores obtidos, a parcela B mostrando os maiores indices de cobertura vegetal durante toda a analise e a parcela E com os menores indices deste mesmo parametro.

[FIGURE 7 OMITTED]

A parcela A (Campo Limpo em estado de recuperacao), a parcela C (Campo umido) e a parcela D (Campo Sujo), todas caracterizadas principalmente por especies herbaceas e diferenciadas, principalmente, pela disponibilidade hidrica do local em que se encontram, apresentaram comportamento proximo. Todas reduziram em niveis proximos na estrada da estacao seca, marcada tambem pela ocorrencia de uma queimada, alcancando seus niveis mais baixos no final desta mesma estacao. Entretanto, iniciaram o processo de reestabelecimento de uma cobertura vegetal mais densa com o inicio da estacao chuvosa, neste momento suas valores foram intermediarios em relacao as duas parcelas citadas anteriormente.

No tratamento estatistico, e interessante observar que nao existe uma forte correlacao entre os dados de precipitacao e cobertura vegetal (Figura 8), apesar de que nitidamente os valores deste ultimo aumentam de acordo com maiores valores de chuva. A maior correlacao ocorre na parcela B ([R.sup.2] = 0,3127), a qual ja e por si so uma correlacao muito fraca, a linha de tendencia neste caso, como gera a relacao de que quanto menor foram os indices de precipitacao, maior foi o valor de densidade de cobertura vegetal encontrado, tal comportamento tambem foi identificado nas parcelas A e C. Entretanto, as parcelas C e E mostraram a tendencia inversa, pois a relacao apresentada afirma que quanto menor os indices de precipitacao, maiores foram os valores de cobertura vegetal, mas pela correlacao ter se apresentado muito baixa, nao e possivel defender tal afirmacao.

A segunda queima, que ocorreu no inicio da estacao chuvosa, mesmo atingindo um ambiente seco, com maior disponibilidade de cobertura vegetal seca e de facil combustao, apresentou uma reducao na cobertura vegetal instantanea, mas com a entrada dos altos indices de precipitacao a cobertura vegetal aumentou seus niveis, voltando a valores proximos daqueles encontrados no inicio da pesquisa.

[FIGURE 8 OMITTED]

Durante a estacao chuvosa do final do ano de 2014 ao inicio do ano de 2015, ve-se um progressivo aumento na cobertura vegetal, momento em que e possivel afirmar a relacao entre densidade de cobertura vegetal e precipitacao. Neste sentido, a parcela D (Campo Sujo caracterizado somente por especies herbaceas) nao segue esta relacao em todos os momentos da pesquisa, pois no inicio da estacao seca (Maio de 2014) apresenta uma elevacao na densidade de cobertura vegetal, enquanto todas as outras parcelas estao em processo de reducao pela ausencia da chuva, de forma inversa ocorre no meio da estacao chuvosa (fevereiro de 2015), pois enquanto as parcelas estao em fase de crescimento vegetativo, a parcela D reduz seu valor, porem isto ocorre em um momento que apresenta os menores valores de precipitacao durante a estacao chuvosa, mostrando a sensibilidade de tal parcela as variacoes climaticas.

3.3 Processos Erosivos

Os processos erosivos neste estudo compreendem na relacao existente entre escoamento superficial e perda de solo nas parcelas experimentais. De forma geral, observa-se que o escoamento superficial e fundamental para a ocorrencia de perda de solo (Figura 9), mas existiram alguns casos isolados em que o escoamento apresentou valores baixos e a perda de solo apresentou valores maiores. Os dados acumulados do mes de Abril de 2014 apos a interferencia da queima, na maioria das parcelas apresentou grande indice de perda de solo em relacao ao escoamento superficial, o que tambem ocorreu em Novembro antes da interferencia da queima, que em parcelas como A e D tambem obteve perda de solo em altos valores quando relacionado ao escoamento superficial. Como tais eventos foram marcados por baixos indices de precipitacao e, consequentemente, pouco escoamento superficial, a razao de obter uma alta producao de sedimento pode ser explicado pela erosividade da chuva, por sua intensidade, nao levantadas neste trabalho.

O escoamento superficial apresentou maiores valores na parcela E (261 Litros totais), tambem caracterizada por menores valores de cobertura vegetal ao longo do estudo. Ja a parcela D obteve os menores valores de escoamento superficial (73 Litros totais).

Em relacao a perda de solo, a parcela D obteve os maiores valores (1752 gramas por [metro.sup.2] totais), mesmo apresentando os menores valores de escoamento superficial. Mas, as parcelas A e E tambem apresentaram niveis altos proximos ao da D, entretanto, a parcela A (1511,75 gramas por [metro.sup.2] totais) sofreu a perda de solo em alguns eventos especificos acompanhando picos de altos indices de precipitacao e a parcela E (1353 gramas por [metro.sup.2] totais) sofreu a perda de solo de forma mais distribuida independente do indice de chuva ocorrente.

Mas, as parcelas A e E tambem apresentaram niveis altos proximos ao da D, entretanto, a parcela A (1511,75 gramas por [metro.sup.2] totais) sofreu a perda de solo em alguns eventos especificos acompanhando picos de altos indices de precipitacao e a parcela E (1353 gramas por [metro.sup.2] totais) sofreu a perda de solo de forma mais distribuida independente do indice de chuva ocorrente.

Compreendendo a relacao entre os parametros abordados neste topico, a parcela B gerou menores processos erosivos, estando diretamente relacionada com a densa cobertura vegetal que protege o solo e mesmo apresentando valores relevantes de escoamento superficial nao houve grande perda de solo (380 gramas por [metro.sup.2]). Ja as parcelas A, D e principalmente, a E sofreram maiores processos erosivos, com grandes indices de escoamento associados a perda de solo.

3.4 Relacao entre vegetacao e processos erosivos

O seguinte trabalho surgiu do pressuposto de que a perda de solo, de alguma forma, e influenciada pela capacidade de protecao do solo gerado pela vegetacao. De maneira ampla e partindo de observacoes, este fato realmente ocorre, nao proporcionalmente, mas qualitativamente passivel de compreensao. Porem, as analises estatisticas nao apresentaram correlacao forte em nenhuma das parcelas (Figura 10), entendendo que uma correlacao forte seria obter o valor proximo a 1 como resultado da equacao. A parcela B obteve o valor de correlacao mais forte ([R.sup.2] = 0,5308) em relacao as demais parcelas. E a linha de tendencia nesta parcela mostra que a perda de solo foi maior quando a cobertura vegetal marcava suas maiores densidades. Neste caso, o escoamento superficial obteve valores relativamente alto frente a baixissima perda de solo, sendo que a cobertura vegetal apresentava seus maiores indices nesta parcela. A justificativa para grande quantidade de escoamento e baixa perda de solo pode se relaciona com a especie arbustiva presente em tal parcela que interceptava as gotas de chuva, reduzindo seu impacto e atribuindo-a menor capacidade erosiva.

[FIGURE 9 OMITTED]

[FIGURE 10 OMITTED]

A correlacao estabelecida entre Cobertura Vegetal e Perda de solo mostra que, na maioria das situacoes, tomando como base a linha de tendencia gerada, a perda de solo reduz ao passo que se aumenta a densidade de cobertura vegetal. Dando a entender que, a cobertura vegetal, por meio da estruturacao que gera no solo e pela protecao que estabelece na superficie, garante menor suscetibilidade a erosao pelas particulas de solo, independente dos valores de escoamento superficial.

A parcela E (representativa de Parque de Cerrado), a qual nao possuia cobertura vegetal de real protecao da superficie apresentou os maiores indices de escoamento superficial e perda de solo, mas estes dados foram contidos devido a caracteristica argilosa e pedregosa do solo, que gerava uma superficie relativamente selada, impedindo tanto uma erosao mais intensa como tambem o crescimento de especies herbaceas.

4. CONSIDERACOES FINAIS

A diferenciacao nos resultados das parcelas, representadas por diferentes fitofisionomias do Cerrado, indicam que a caracteristica da cobertura vegetal interfere na perda de solo, pois a densa especie arbustiva mostrou valores significativos no escoamento superficial, porem com baixa perda de solo, a especie arborea com pouca densidade de cobertura do solo por sua vez apresentou tambem grandes indices de escoamento superficial e obteve muita perda de solo. Ja as parcelas com especies herbaceas se mostraram sensiveis aos indices de precipitacao, fazendo com que a densidade de cobertura variasse ao longo da pesquisa, e a perda de solo acompanhou tanto os niveis de precipitacao como a variacao da densidade de cobertura vegetal.

A situacao indica que a quantidade de escoamento superficial so gera maior perda de solo quando ocorre com precipitacoes intensas e de grande erosividade. Entretanto, apesar de tal relacao ser o comportamento esperado no seguinte estudo, a correlacao fraca indicada em todas as parcelas faz com que a linha de tendencia nao apresente um padrao confiavel. A relacao estabelecida entre erosao e cobertura vegetal, no seguinte estudo, vai alem destes proprios parametros, necessitando levar em consideracao fatores como erosividade da chuva, caracteristicas do solo de cada ambiente, grau de inclinacao do relevo dentre outros fatores, para que assim seja possivel determinar um padrao para diferentes tipos de vegetacao/fitofisionomias.

Agradecimentos

Os autores agradecem ao apoio financeiro recebido atraves dos projetos FAPEMIG CRA-PPM-00201-14 e CNPQ-PQ CNPQ 305548/2011-5.

REFERENCIAS

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BARREELA, W. et al. As relacoes entre as matas ciliares os rios e os peixes. In: RODRIGUES, R.R.; LEITAO FILHO; H.F. (Ed.) Matas ciliares: conservacao e recuperacao. 2.ed. Sao Paulo: Editora da Universidade de Sao Paulo, 2001.

BELTRAME, A. da V. Diagnostico do meio fisico de Bacias Hidrograficas: modelo e aplicacao. Florianopolis: Ed. da UFSC, 1994.

BIAS, Edilson de Souza et al. Analise da eficiencia da vegetacao no controle do escoamento superficial: Uma aplicacao na Bacia Hidrografica do rio Sao Bartolomeu, DF. Geociencias: UNESP, Sao Paulo, v. 31, n. 3, p.411-429, jan. 2012.

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GALETI, P. A.. Praticas de Conservacao a Erosao. Campinas: Instituto Campineiro de Ensino Agricola, 1987. 278 p.

GUERRA, A. J. T.. O Inicio do Processo Erosivo. In: GUERRA, A. J. T.; SILVA, A. S. da; BOTELHO, R. G. M. (Org.). Erosao e Conservacao dos Solos: Conceitos, temas e aplicacoes. 7. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012. Cap. 1. p. 17-50.

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Yasmmin Tadeu Costa

Graduada em Geografia pela Universidade Federal de Uberlandia Rua Joao Naves de Avila, 2121-Santa Monica, Uberlandia-MG, CEP 38408-100 yasmmin_t@hotmail.com

Silvio Carlos Rodrigues

Professor Doutor do curso de Geografia na Universidade Federal de Uberlandia Rua Joao Naves de Avila, 2121-Santa Monica, Uberlandia-MG, CEP 38408-100 silgel@ufu.br
Tabela 1: Atributos das Parcelas Experimentais.

Fitofisionomia            Areia   Silte   Argila

(RIBEIRO; WALTER, 1998)   (g [Kg.sup.-1])

A Campo Limpo              896      3      101
B Campo Sujo               891     13       96
C Campo umido              817     39      144
D Campo Sujo               836      3      161
E Parque de Cerrado        535     77      388
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Costa, Yasmmin Tadeu; Rodrigues, Silvio Carlos
Publication:Revista Geografica Academica
Date:Jul 1, 2015
Words:4555
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