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Relacoes pedagogicas e sociais excludentes e traumaticas na escola de ensino fundamental: acoes psicopedagogicas como medidas de saude e educacao.

INTRODUCAO

As diferentes situacoes de aprendizagem que ocorrem no cotidiano escolar podem promover ricas experiencias coletivas, em razao das interacoes agradaveis desenvolvidas entre os diferentes atores sociais e o conhecimento em geral Podem estas, entretanto, contrariamente ao esperado, representar um grande sofrimento, segundo Harper et al. (2000), considerando-se os intercambios sociais inadequados, que nao raro, ocorrem entre professores e alunos; alunos e alunos; alunos e demais funcionarios de uma escola (DEL PRETTE & DEL PRETTE, 2005). Ressalta-se, pois, que em virtude de vivencias que se processam de forma negativa na escola, sobretudo entre alunos e professores; dificuldades de alguns estudantes em relacao ao aprendizado escolar, que resultam em perda de autoestima; fracasso na expressao de comportamentos adequados, socialmente falando, por se apresentarem carregados de agressividade, todos estes fatores podem gerar uma resposta de rejeicao por parte de professores e funcionarios em geral, tornando a instituicao de ensino um lugar de extrema hostilidade, distanciamento e exclusao (MOREIRA & CANDAU, 2003).

Na verdade, as experiencias sociais escolares deveriam ocupar um espaco do aprendizado acerca dos costumes, falares e tradicoes dos seus diferentes individuos, por serem estes os que trazem, para as salas de aula, a heranca pluricultural brasileira (ARROYO, 1997). Sem duvida alguma, cabe, sobretudo, a escola publica compreender a necessidade de se tratar o tema com a seriedade necessaria, pelo fato de que "o criterio da justica curricular e o grau em que uma estrategia pedagogica produz menos desigualdade no conjunto de relacoes sociais ao qual o sistema educacional esta ligado" (MOREIRA & CANDAU, 2003, p.157).

Opostamente ao esperado, porem, segundo Abramowicz & Moll (1997), a escola negligencia as diferencas entre seus estudantes, ao buscar uma homogeneidade de seres e saberes que nao e possivel. Assim procedendo, ao longo de decadas, a instituicao de ensino regular vem atuando, ainda que de modo subliminar, reforcando o dominio de um grupo social sobre os outros, legitimando o discurso e a ideologia da classe dominante, dificultando o reconhecimento da alteridade dos segmentos desfavorecidos, sobretudo os de etnia negra, neste espaco social (AMORIM, 2011).

A partir desta conduta, a instituicao escola inviabiliza a comunicacao e o intercambio de experiencias entre individuos, domando gestos e corpos e descredenciando valores, conforme lembra Foucault (1979), consequentemente, contribuindo para a fragmentacao dos grupos sociais (GARCIA, 2001).

Considerando-se o exposto acima, e importante destacar que o processo de exclusao, negligencia e abandono conferidos pela sociedade brasileira aos segmentos sociais desfavorecidos, especialmente negros e mesticos, tem acarretado inumeros problemas sociais visiveis, ao se ponderar que "a relacao entre questoes relativas a justica, redistribuicao, superacao das desigualdades e democratizacao de oportunidades e as referidas ao reconhecimento de diferentes grupos culturais se faz cada vez mais estreita" (CANDAU, 2008, p.45).

Endossando as palavras ditas acima, e no seio da escola onde se faz sentir, com propriedade, esta exclusao, quando as pesquisas demonstram que havendo, no minimo um episodio de reprovacao escolar, o quantitativo de retencao de criancas negras chega a atingir 66% (ABRAMOVICZ & MOLL, 1997); fato, que segundo as autoras mencionadas, conta com o nao conhecimento dos professores sobre a questao (IDEM, 1997).

O fato acima expresso requer uma reflexao mais acurada, sobretudo considerando-se que a esmagadora maioria de professores trabalha em mais de uma jornada, que se da em diferentes escolas, sob uma forma de trabalho alienante, e recebendo salarios aviltantes. No que tange a esta questao, sabe-se que este professor "esta irremediavelmente sozinho, desarticulado, destacado de uma rede de sustentacao que o remeta a uma tradicao, que o prestigie e atribua significacao a sua pratica" (KUPFER, 1998, p. 168).

Na verdade, as relacoes que se estabelecem entre professores e alunos se fazem permeadas pela reificacao de ambos (TREVISAN, 2011). Se por um lado o professor, segundo Fonseca (2009), esvaziado da importancia social de seu papel, apartado do dialogo com suas instituicoes de ensino, em razao de processos gerenciais advindos de orientacoes governamentais superiores, ha o aluno, individuo tomado como massa a ser modelada, "usinada", segundo o Dicionario Michaelis (1998), submetida, enquanto material em estado bruto, a acao de uma maquina ou de uma ferramenta, a fim de ser trabalhado, ate atingir o processo final.

Adicionado aos fatores descritos acima, no que tange ao alunado, destaca-se a gravidade da realidade de vida destas criancas e adolescentes pesquisados, que, usualmente, habitam areas de risco, nas quais presenciam cenas de morte, por meio de assassinatos; violencia diaria, tais como espancamento, parte de seus pais, padrastos ou pessoas que exercem a funcao parental; abuso sexual; abandono; negligencia, entre outras situacoes patologicas experimentadas. Todos estes fatores, evidentemente, contribuem para um desempenho social e escolar comprometidos, conforme destaca Candau (2008).

Similarmente aos estudantes pesquisados, vale destacar que um expressivo numero de estudantes de classes favorecidas ou desfavorecidas, sempre que revela algum tipo de dificuldade de aprendizagem, costuma ganhar o rotulo de desinteressado e preguicoso para aprender (ABRAMOVICZ & MOLL, 1997).

Inegavelmente, problemas se fazem sentir nas interacoes entre os sujeitos oriundos dos diferentes segmentos sociais que frequentam a escola, estando entre estas, aquelas pertinentes a dificuldade de encontrarem coisas comuns entre si; a exposicao destes sujeitos a metodos de leitura, escrita e calculos inadequados; o ensino dissociado da realidade socioeconomica e cultural destes educandos, resultando em sucessivas repetencias; os comportamentos por estes produzidos, os quais nao se fazem aceitos, socialmente falando; as agressoes ocorridas entre colegas, estudantes e professores, estudantes e funcionarios; a infracao as regras institucionais, no mais das vezes, concebidas sem a participacao dos sujeitos educandos, por refletirem apenas o desejo dos estabelecimentos (DEL PRETTE & DEL PRETTE, 2005). Enfim, os repetidos fracassos experimentados pelos estudantes de classes desfavorecidas, resultando no tragico quadro cotidiano das escolas brasileiras (GARCIA, 2001).

SUJEITOS DA PESQUISA

Objetivando explicitar as questoes ja abordadas, as linhas abaixo oferecerao um primeiro quadro de sujeitos que apresentam alguns problemas de aprendizagem e comportamento:
Sujeitos   Idade     Ano     Problema Apresentados

01         06 anos   1       Nec. Especiais (S. Down)
02         07        1       TDAH?
03         05        1       TDAH? Transt. Desaf.
04         06        1       Baixo Rend. TDH?
05         06        2       DA?
06         08        3       DA?
07         10        5       Transtorno Desafiador?
08         15        8       Dific. Aprend, Falta de
                             Asseio duas vezes Reprovado
09         15        8 (a)   Nao le/escreve, (quatro Rep. 9 ano)
10         15        8 (a)   Rep.(duas vezes a 8 ano)

Sujeitos   Comportamento

01         Falta de Limites e Agressividade
02         Agressividade e Mentiras
03         Furia, Agressao e Comp. Desafiador
04         Agressividade e Comp. Desafiador
05         Falta de Limites
06         Desinteresse e Apatia
07         Impulsividade e Agressividade
08         Insinua-se sexualmente p/ colegas *

09         Agressividade **
10         Alterna Apatia e Agressividade

a) * sujeito 08--A psicologa escolar suspeita de abuso sexual por
parte do pai, porem nao pode comprovar. ** sujeito 09--E pai aos 15
anos.

b) TDAH--transtorno do Deficit de Atencao e /ou Hiperatividade,
DA--Deficit de Atencao.


No quadro acima, observa-se que os sujeitos, em sua maioria, apresentam comportamento agressivo, seguido pela manifestacao do desafio as regras e ordens criadas pela instituicao, passando pela apatia e pelas dificuldades de aprendizagem (CORREIA, 1991). Alguns apresentam comportamento sugestivo tanto de TDAH--Transtorno do Deficit de Atencao/Hiperatividade como de DA--Deficit de Atencao. Estudos desenvolvidos na area da Neuropediatria apontam causas multifatoriais, entre elas, a existencia de parentes ou um dos pais com TDAH, entre outras causas ligadas a presenca do transtorno em determinadas criancas e adolescentes (BARKLEY, 2002).

Quanto aos sujeitos da pesquisa, porem, estes passaram ou passam alguma forma de abuso ou abandono, seja emocional, fisico ou psicologico. Tais comportamentos sao citados pela National Child Traumatic Stress Network--NTSN (2006), onde encontramos dados que descrevem comportamentos causadores de trauma, com sendo todos aqueles que afetam o sujeito fisicamente, emocionalmente, psicologicamente, e academicamente. Quanto a forma como estas pessoas vao reagir as experiencias traumaticas, dependera da idade e nivel de desenvolvimento dos mesmos.

No que tange as consequencias do trauma sobre o aprendizado em relacao aos estudantes do primeiro segmento do Ensino Fundamental (1 ao 5 ano), a NTSN nos adverte que estes educandos podem apresentar estresse, acompanhado por manifestacoes corporais, tais como: dores de estomago, dores de cabeca e dores em geral. Podem estes, do mesmo modo, demonstrar mudancas de comportamento, como irritabilidade aumentada, agressividade e manifestacoes de raiva. Quanto aos estudantes do segundo segmento do Ensino Fundamental (da 6 a 9 ano), mais conscientes de sua realidade, estes tendem a experimentar sentimentos de culpa, vergonha ou fantasias de vinganca. Alguns deles podem revelar mudanca de comportamento na familia ou escola, assim como virem a se envolver em comportamentos de autodestruicao. Destaque-se que estes estudantes costumam revelar mudancas no desempenho escolar e baixa frequencia a escola.

No tocante a opiniao dos professores em relacao aos problemas de comportamento e aprendizagem dos estudantes do quadro 1, as falas contidas no quadro 2, logo a seguir, podem melhor ilustra-las:
Sujeitos   Avaliacao dos Estudantes e suas Familias por
           parte dos Professores

01         "Ela nao tem limites, a familia e negligente,
           desestruturada. A mae nao quer nada, quem cuida
           dela, eu sei, e a irma de 14 anos!"

02         "Nunca vi crianca igual, nao para nunca, alem
           disso, diz que o pai, que e seguranca, tem carro
           zero!"

03         "A mae diz que ele nao faz nada disso em casa. As
           outras maes estao fazendo abaixo-assinado para
           ele sair da turma, porque ele bate em todas as
           criancas."

04         "Este menino so pode ser hiperativo, ele e um
           horror de movimentacao e agressividade! Ele e
           criado pela avo que diz que e mae, porque o
           menino perdeu a mae, quando nasceu. O pai, por
           causa disso, rejeitou o menino."

05         "O fulano e filho de mae velha. Ele e adotado e
           sem limites. Ele e dessas criancas cheias de
           vontade que fazem o que querem. Na verdade, ele e
           imaturo."

06         "Ela nao aprende nada, e apatica e
           desinteressada. Nao para na mesma cadeira por
           muito tempo. A mae exige muito desta menina. Ela
           bate mesmo!"

07         Ela e debochada, respondona e nao respeita
           ninguem. Ela esfregou o caderno na cara da
           professora. Diz a orientadora que o pai dela
           morreu a pauladas. Ele era ex-presidiario. Que
           horror!"

08         Ela nao toma banho e cheira mal. Ninguem quer
           ficar perto dela. Nao aprende, e parece que o pai
           abusa sexualmente desta menina. Ela vive se
           oferecendo para os meninos. A avo e omissa e a
           mae foi embora. E uma familia desestruturada. E
           tudo muito triste."

09         "Imagine voce que este menino quer trabalhar com
           arma, para poder atirar. Fiquei sabendo que tem
           uma filha de um mes !"

10         "Este ai nunca vai andar para frente, porque a
           mae quer que a escola se adapte a ele e nao ele a
           escola."


Os maiores problemas apresentados pelos educandos da pesquisa, nas observacoes dos professores, tais como: nas familias de muitos de seus alunos, que deles abusam, seja fisica ou emocionalmente; na omissao e desestruturacao destas familias; no meio social deficitario, em termos de estimulos intelectuais; no comportamento desviante dos estudantes, quando comparado ao padrao esperado, porque carentes de um modelo educacional familiar adequado, desconhecem regras sociais e maneiras adequadas de ser comportarem em diferentes espacos sociais (CABALLO, 2002). Esta forma de pensar coincide com pesquisas as quais corroboram a visao estereotipada de aluno fracassado, "visto como diferente ou deficiente...", e de sua familia, "... considerada desinteressada e desestruturada, portanto, incompetente para educa-lo e acompanha-lo nas tarefas escolares" (ABRAMOWICZ & MOLL, 1997, p. 37).

Aliado a todos os dados acima descritos, o aumento da violencia, fruto de uma sociedade desigual e desarticulada, vem contribuindo para tonalizar, intensamente, o quadro de abandono e perda de status das instituicoes escolares (LUCINDA; NASCIMENTO & CANDAU, 2001).

Vista, em idos tempos, como a unica possibilidade de se romperem as desigualdades sociais, a escola, atualmente, sofre o mesmo desprestigio que o professor, figura refem do tempo, de pressoes sociais, de alunos desafiadores, de familias que nao cumprem seu papel, conforme adverte Zagury (2006).

Deve-se ressaltar que esta forma de conceberem os papeis sociais diz respeito as concepcoes que cada integrante de um grupo social tem do outro, tocando, pois, a esfera das Representacoes Sociais (MINAYO, 1999). Buscando focalizar tais questoes, prosseguir-se-a na pesquisa, abordando elementos pertinentes a analise dados da mesma.

METODO

O metodo utilizado para analisar os dados da pesquisa baseou-se na Teoria das Representacoes Sociais que afirma ser necessario compreender como a sociedade se representa a si e ao mundo que a rodeia, constatando que se "... ela aceita ou condena certos modos de conduta, e porque entram em choque ou nao com alguns de seus sentimentos fundamentais, sentimentos estes que pertencem a sua constituicao" (MINAYO, 1999, p. 91). A maneira como se julga o comportamento de um sujeito encontra respaldo nas concepcoes criadas no tecido social. Assim sendo, o outro que se olha, revela ao nosso olhar todas as formas e conceitos para enquadra-lo em criterios nossos, para submete-lo a todas as nossas praticas" (LARROSA, 1998, p. 09).

Corroborando esta afirmativa, diz-se, enquanto concepcao de aluno bem-sucedido, segundo professores, os que demonstram responsabilidade, obediencia, disciplina e esforco, atributos que o enquadram no conceito de "aluno nota 10" (RANGEL, 2000). Ja na concepcao do aluno, um bom professor torna a materia simples, sem complicacoes; fornece explicacoes, sempre que necessario; e paciente para responder, quando o aluno lhe faz perguntas; tem habilidades para ensinar de diferentes maneiras, ate que o aluno diga que aprendeu (IDEM, 2001).

RESULTADOS E DISCUSSAO

Considerando-se as intervencoes psicopedagogicas dirigidas aos estudantes aqui apresentados, deve-se destacar que todo o trabalho ofertado foi direcionado a mediar melhores interacoes entre os sujeitos em questao e seus pares, no ambito escolar; entre estes sujeitos e seus professores; entre estes mesmos sujeitos e seus familiares (SOLE, 2001). Em relacao ao sujeito 01, com necessidades educacionais especiais, em particular (Sindrome de Down), seu aprendizado, embora mais lento, em virtude da sindrome, contava com a parceria casa-escola, quanto ao estabelecimento de regras. A partir da maior atuacao da mae, o quadro da crianca revelou substancial melhora. O sujeito 02 reconhecia sua condicao social de carente, mas nao aceitava o fato, inventando a existencia de carros zero para o pai, um seguranca. Um trabalho de apoio e valorizacao da sua familia auxiliou a melhorar seu quadro. O sujeito 03 precisava conhecer a autoridade materna, assim sendo, trabalhou-se, em termos de orientacao educacional familiar. O sujeito 04 apresentava um quadro de ansiedade, movimentacao, agressao e ressentimento, por nao ver o pai e se sentir rejeitado. As questoes pertinentes ao comportamento inadequado do sujeito no convivio com colegas vem sendo trabalhadas, enquanto os problemas familiares sao tratados em terapia, fora da escola. O sujeito 05 se mostra paralisado, quando e cobrado a executar qualquer tarefa, assim sendo, enquanto trabalho em andamento, as estrategias de negociacao se revelaram como a melhor opcao. O sujeito 6 mostrava apatia e desinteresse, mas somente em relacao ao que nao gostava de fazer. Valorizar seu potencial e faze-lo crer em si auxiliou-o a vencer barreiras. O sujeito 07 revelava grande potencial e inteligencia acima da media, e, para auxilia-lo, um trabalho de parceria casa-escola, explorando talentos e respeito as diferencas auxiliaram-no bastante. Quanto ao sujeito 08, que apresenta dificuldade em construir uma autoimagem positiva, a parceria com a familia e o estudante, buscando resgatar-lhe a autoestima vem revelando um grande progresso, mesmo que lento. O sujeito 09 convive com a dualidade da responsabilidade de ser pai e ser adolescente, e ainda se mostra retraido. Finalmente, o sujeito 10 se esconde na atitude superprotetora de sua mae que nao sabe, mas obtem ganhos secundarios na dependencia do filho em relacao a ela.

CONSIDERACOES FINAIS

Tratando-se de segmentos sociais desfavorecidos, como os que sao apresentados neste trabalho, convem destacar que aqueles aqui descritos pertencem ao universo dos que desejam encontrar, como tantos outros, a aceitacao de sua pessoa no olhar, nas palavras e gestos emitidos pelos pais, professores e colegas com os quais convivem. Assim sendo, ressalta-se que a identidade social de um sujeito tambem se constroi na escola, pois nao sendo um ser autarquico, o homem depende de outros para existir (ARENDT apud LUCINDA, NASCIMENTO & CANDAU, 1998).

Reforcando este pensamento, deve-se destacar que toda e qualquer forma de preconceito precisa ser discutida com o grupo, dentro da escola, que vai trabalhar, democraticamente, para desfaze-lo. Assim sendo, defesas de argumentos emitidos por alguns professores que insistem em estabelecer comparacoes entre suas historias de vida e as de seus alunos, dizendo que tambem vieram de "meios carentes", nao deixando, por isso, de estudar, esbarram em resistencias a outros argumentos explicativos, que tentam lhes dizer que estas criancas vivem no meio de uma guerra urbana, e que sao tratadas como cidadaos "invisiveis" para as instancias do Estado. Reitera-se a argumentacao, dizendo que muitos deles, professores, certamente nao passaram pelas cenas de violencia, morte e abusos que muitas destas criancas vivenciam, cotidianamente.

Enfim, termina-se este trabalho, com a sugestao de que mais pesquisas na area sejam desenvolvidas, de modo a contribuirem para o desfazimento de crencas e preconceitos que afastam estudantes, mestres, familias e escola, a fim de que contribuam para desfazer a distancia que os separa.

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Maria Claudia Dutra Lopes Barbosa

Bacharel e licenciada em Letras--UFRJ; Especialista em Educacao Especial--UERJ; Mestre pela Faculdade de Educacao--UERJ; Doutora pela Faculdade de Ciencias Medicas--UERJ; Professora de Educacao Especial FAETEC/RJ; Psicopedagoga; Psicologa; Terapeuta Cognitivo-Comportamental

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Title Annotation:texto en portugues
Author:Lopes Barbosa, Maria Claudia Dutra
Publication:Sustinere - Revista de Saude e Educacao
Date:Dec 1, 2013
Words:3786
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