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Relacionamento conjugal, problemas de comportamento e habilidades sociais de pre-escolares.

Conjugal Relationship, Behavior Problems and Preschoolers Social Skills

Patterson, Reid e Dishion (1992) descrevem variaveis de contexto que interferem no surgimento e na manutencao de problemas de comportamento em pre-escolares, tais como: (a) medidas de estresse: ajustamento conjugal, conflito conjugal, eventos de vida negativos, problemas de saude na familia, problemas financeiros; (b) variaveis contextuais estaveis: historia familiar, desvantagem social dos pais, patologia parental, vizinhanca; (c) relacionamento pais-filhos. Este trabalho busca relacoes entre uma dessas variaveis, no caso o relacionamento conjugal, e problemas de comportamento em pre-escolares.

Problemas conjugais parecem estar relacionados, como variavel meio-proximal ao surgimento e manutencao de problemas de comportamento, uma vez que podem aumentar a probabilidade de alteracao do relacionamento estabelecido entre pais e filhos, o qual, por sua vez, como variavel proximal, influenciaria o repertorio dos filhos (Matos, 1983).

A literatura sinaliza que a qualidade da interacao conjugal pode influenciar as interacoes pais-filhos, bem como o repertorio das criancas quanto a problemas de comportamento e comportamentos socialmente habilidosos. Matlack, McGreevy, Rouse, Flatter e Marcus (1994) verificaram que quanto maior a coesao familiar, maior o repertorio de habilidades sociais e menor a delinquencia; por outro lado, quanto maiores os problemas familiares, mais frequentes os problemas de comportamento. Pawlak e Klein (1997), ao analisarem relacoes entre conflito parental, autoestima de adolescentes e estilo parental, encontraram: (a) quanto maior o conflito parental, mais pronunciado o estilo autoritario e menor a autoestima do filho; (b) os adolescentes nao relataram diferencas entre estilos paterno e materno; (c) houve relatos de semelhanca entre os repertorios parentais e dos filhos, por exemplo, relatos de jovens que utilizavam estrategias de permissividade e que foram criados por pais permissivos, ou ainda filhos de pais agressivos que sao tambem agressivos em suas relacoes. Tais achados sugerem que dificuldades interpessoais acabam sendo modeladas de geracao em geracao e perpassam diferentes relacionamentos, como o relacionamento conjugal e entre pais e filhos.

Lee, Beauregard e Bax (2005) verificaram que a agressao verbal materna favorecia o surgimento de conflitos conjugais e de problemas internalizantes dos filhos. Brancalhone, Fogo e Williams (2004) tambem encontraram que quanto mais frequente a violencia conjugal, maior era o indice de problemas de comportamento dos filhos, segundo relatos de professores.

Nessa direcao, Gottman (1998) aponta que o sofrimento e o conflito conjugal podem favorecer o surgimento de dificuldades para a crianca, tais como depressao, competencia social pobre, problemas de saude e desempenho academico pobre. Loeber e Hay (1997), de forma semelhante a Sidman (1989/1995), afirmam que a exposicao da crianca a niveis intensos de violencia e conflito pode criar uma preocupacao com a agressao, favorecendo um aumento de suas proprias tendencias agressivas. Feres-Carneiro (1998) tambem concorda que a qualidade da relacao conjugal influencia no desenvolvimento emocional dos filhos.

Adicionalmente, Kanoy, Ulku-Steiner, Cox e Burchinal (2003) verificaram, a partir de um estudo longitudinal, que quanto maior o conflito conjugal, maior o uso de agressividade nas interacoes com os filhos. Alguns pesquisadores atentam para o prejuizo de tal pratica no que concerne a favorecer o surgimento de problemas de comportamento (e.g., Alvarenga, 2001; Alvarenga & Piccinini, 2001; Bolsoni-Silva & Del Prette, 2002; Bolsoni-Silva & Marturano, 2002; Skinner, 1953/1993).

Moss, Cyr, Bureau, Tarabulsy e Dubois-Comtois (2005) descobriram uma relacao inversa entre insatisfacao conjugal dos pais e sentimentos de seguranca em seus filhos pre-escolares, permitindo concluir que alem de os conflitos conjugais poderem servir de modelo de agressividade as criancas, podem tambem favorecer dificuldades na saude e no desempenho escolar. Norgren, Souza e Kaslow (2004) verificaram que o nivel de satisfacao conjugal era maior conforme a proximidade e coesao conjugal, estrategias adequadas de comunicacao e de resolucao de problemas. Solantaus, Leinonen e Punamaki (2004) verificaram que quanto mais frequentes os conflitos conjugais, associados a outras variaveis de contexto, maiores eram os problemas de comportamento em criancas, tanto os internalizantes como os externalizantes.

A breve revisao apresentada nos paragrafos anteriores aponta para uma associacao consistente entre variaveis do relacionamento conjugal, relacionamento pais e filhos e comportamento dos filhos. Essa associacao pode ser interpretada de acordo com o ponto de vista de Emery e Tuer (1993), para quem os conflitos conjugais interferem no relacionamento com os filhos e vice-versa, isto e, conflitos com a crianca e/ou quanto a interacao com os filhos influenciam no relacionamento conjugal. Essas afirmacoes concordam com os achados de Silva (2000) de que os pais das criancas com maior repertorio socialmente habilidoso e com menos indicativos de problemas de comportamento apresentavam maior concordancia quanto as praticas educativas, favorecendo, assim, uma educacao mais consistente.

Como operariam os conflitos conjugais nesse ciclo autoalimentado? Acredita-se, a partir do referencial da Analise do Comportamento e do campo teorico-pratico do Treinamento de Habilidades Sociais, que casais socialmente habilidosos emitem comportamentos operantes, verbais e nao-verbais, que aumentam a probabilidade de gerar equilibrio nos reforcos obtidos por cada conjuge (Baum, 1987/1999), de forma que ambos possam ter garantidos os direitos de comunicacao e de expressividade. Tais repertorios socialmente habilidosos podem servir de modelos para os filhos que, por sua vez, podem passar a emiti-los de forma a obter reforcamento social. Esses pais tambem seriam capazes de se autocontrolarem seja nas interacoes com os filhos, seja no relacionamento conjugal.

Alguns autores (e.g., Beck, 1989/1995; Bugental & Johnston, 2000; Dattilio, 1995; Epstein & Schlesinger, 1995; Fincham & Beach, 1999; Gottman, 1998; Range & Dattilio, 1998) afirmam que as principais dificuldades conjugais sao decorrentes de deficits em habilidades de comunicacao, de expressao de sentimentos positivos e de resolucao de problemas. Tais dificuldades parecem ocorrer de forma semelhante nas interacoes estabelecidas entre pais e filhos (Bolsoni-Silva & Marturano, 2006). Assim, conflito conjugal parece ser uma variavel de contexto relacionada a interacao pais e filhos, pois e possivel que casais que tenham conflitos acabem sendo mais autoritarios e menos afetivos com seus filhos (Pawlak & Klein, 1997). Ao contrario, pais que conseguem efetivamente resolver problemas de natureza conjugal e que, inclusive, conversam sobre a educacao dos filhos, podem ser mais consistentes e participativos (Silva, 2000), prevenindo problemas de comportamento e promovendo competencia social.

Diante dessas consideracoes, o presente trabalho tem por objetivo comparar relatos de pais e de maes de criancas com e sem indicativos de problemas de comportamento, no que concerne ao relacionamento conjugal. Espera-se que os pais de criancas sem indicativos de problemas de comportamento apresentem maior satisfacao conjugal do que os pais de criancas com problemas de comportamento.

Metodo

Participantes

Participaram do estudo 96 pais biologicos de criancas com idade entre 5 e 7 anos, matriculadas em 13 Escolas Municipais de Educacao Infantil (EMEIS), distribuidas geograficamente por uma cidade do centro-oeste de Sao Paulo, organizados em dois grandes grupos: (a) 48 pais (24 maes e 24 pais) de criancas com indicacao escolar de problemas de comportamento (IPC); e (b) 48 pais (24 maes e 24 pais) de criancas com indicacao escolar de comportamentos socialmente habilidosos (ICSH). A opcao por pais biologicos e que viviam maritalmente foi para atender a consideracao da literatura (e.g., Matlack & cols., 1994) de que essas variaveis previnem o surgimento de problemas de comportamento.

Para compor a amostra foram visitadas 13 EMEIS, solicitando-se a colaboracao dos professores (que assinaram um termo de consentimento informado) na indicacao de ate tres alunos com: (a) maiores indicativos de problema de comportamento; e (b) maiores indicativos de comportamentos socialmente habilidosos. Alem disso, foi solicitado que o(a) professor(a) respondesse a dois instrumentos para cada uma das criancas indicadas: (a) Questionario de Comportamentos Socialmente Habilidosos para Professores (QCSH-PR, adaptacao de Silva, 2000); (b) Escala Comportamental Infantil B. de Rutter para professores (ECI-B, adaptacao de Santos, 2002). Os instrumentos foram aplicados pelo entrevistador, que fez as questoes oralmente e assinalou as respostas dadas. Os professores foram orientados quanto a necessidade de sigilo sobre suas indicacoes e orientados a responder aos pais, que porventura perguntassem, que as criancas foram escolhidas mediante sorteio, para evitar prejuizos a coleta de dados (vieses). A versao original do instrumento ECI para professores tem formato de autoaplicacao, porem neste trabalho o entrevistador o aplicou no formato acima indicado.

Foi perguntado aos professores/diretoria (ou aos proprios pais quando a escola nao soube informar) se as criancas indicadas moravam com os pais biologicos. Outros criterios para incluir os participantes foram: (a) criancas IPC atingirem a pontuacao da ECI-B para problema de comportamento (maior ou igual a 9); (b) incluir o mesmo numero de criancas IPC e ICSH para cada professor(a), o que implica que a crianca indicada (IPC ou ICSH), ao nao atingir os criterios acima mencionados, excluia automaticamente o seu par correspondente; em caso de empate, permanecia na amostra a crianca com maior escore no instrumento QCSH-PR. No caso da ECI-B, nove e o ponto de corte da escala para presenca de problema de comportamento em nivel clinico, portanto, a crianca indicada pelo professor como IPC so foi mantida nesse grupo quando seu escore na ECI-B foi superior a 9, denotando problema em nivel clinico; essas criancas tambem foram consideradas como tendo problemas de comportamento segundo o relato de maes (Bolsoni-Silva, Marturano & Manfrinato, 2005). Esse grupo de criancas tambem se diferenciava quanto aos comportamentos socialmente habilidosos, segundo o relato de professores (Bolsoni-Silva, Marturano, Figueiredo & Manfrinato, 2006).

Metade das amostras IPC e ICSH possuia dois filhos, os demais participantes tinham de um a quatro filhos. Quanto a distribuicao por sexo, houve diferenca estatisticamente significativa (z = 2,50) entre os grupos IPC e ICSH, pois havia 18 meninos no Grupo IPC e 10 no Grupo ICSH. Em ambos os grupos, IPC e ICSH, a idade media das criancas era 5 anos e 11 meses. A idade media dos respondentes era de 30 anos para as maes IPC, de 33 para pais IPC, de 32 para as maes ICSH e de 34 para os pais ICSH. Os Grupos ICSH e IPC apresentaram, no geral, o mesmo grau de instrucao, destacando-se o Ensino Fundamental incompleto e o Ensino Medio completo. Vinte casais no Grupo ICSH e 18 no Grupo IPC eram legalmente casados. A renda dos participantes nao superava o valor de R$ 1.000,00. Nao houve diferenca entre os grupos nas variaveis parentais relativas a numero de filhos, idade, grau de instrucao e renda (teste U).

Este trabalho foi aprovado pelo Comite de Etica em Pesquisa da universidade em que foi desenvolvido, na sua 10a Reuniao Ordinaria, realizada no dia 14/5/2001 (Processo CEP-FFCLRP no 012/2001--2001.1.115.59.5).

Instrumento

O instrumento de coleta foi o Questionario de Relacionamento Conjugal--QRC, elaborado para esta pesquisa com base em diversos autores da area, tais como Beck (1989/1995), Range e Dattilio (1998), Dattilio (1995), Epstein e Schlesinger (1995) e Gottman (1998). Trata-se de um instrumento com sete conjuntos de informacoes: definicao do parceiro(a), expressividade de carinho entre os parceiros(as), comunicacao estabelecida entre o casal, identificacao e estabilidade de caracteristicas positivas e negativas do(a) parceiro(a) e avaliacao do relacionamento conjugal. E aplicado em forma de entrevista; cada topico e introduzido com uma questao que permite tres alternativas de resposta: frequentemente, algumas vezes, nunca ou quase nunca. Mediante a resposta, o entrevistador solicita informacoes adicionais, assinalando as respostas correspondentes em uma check-list, no caso da pergunta acerca da definicao do parceiro(a) e quanto as caracteristicas da comunicacao. As demais questoes sao feitas de forma aberta e as respostas anotadas em um protocolo que inclui algumas categorias possiveis de respostas. Quando a resposta nao tem correspondente nas categorias previstas no instrumento e anotada no protocolo na opcao outros. O instrumento permite obter um escore total e tambem escores para cada uma das areas.

Para verificar a fidedignidade teste-reteste do instrumento foram coletados dados com 12 pais e 12 maes, cujas medidas foram obtidas com um mes de intervalo. Aplicado o teste de correlacao de Spearman por postos, encontraram-se as seguintes correlacoes: QRC maes [rho = 0,84, p < 0,025]; QRC pais [rho = 0,94, p < 0,01].

Procedimento

Os passos de coleta de dados junto aos casais foram: (a) contato, por telefone ou pessoalmente, com os pais indicados pelos professores, para verificar o interesse em participar da pesquisa, conferir a adequacao aos criterios de inclusao e agendar a aplicacao do questionario na residencia dos participantes; (b) visitas as residencias, onde foram explicitados novamente os objetivos do trabalho, solicitando-se a assinatura de um termo de consentimento livre e esclarecido; (c) aplicacao do QRC com cada um dos progenitores individualmente, oferecendo, ao final, os devidos agradecimentos e endereco para contato posterior.

Analise de dados

Os dados obtidos com as perguntas passiveis de analises estatisticas foram tratados conforme as seguintes etapas: (a) elaboracao de tabelas para cada pergunta do QRC (e.g., "como define seu companheiro(a)"), contendo os escores de cada participante dos grupos IPC Maes, IPC Pais, ICSH Maes e ICSH Pais; (b) calculo dos escores gerais e para cada item, organizados por grupos--Maes IPC, Pais IPC, Maes ICSH e Pais ICSH, os quais foram tratados estatisticamente (SPSS, versao 14.0) a fim de verificar diferencas entre os grupos IPC e ICSH (teste t) e diferencas entre os relatos de pais e maes (teste t). As analises estatisticas puderam ser realizadas para as seguintes questoes: "como define seu companheiro(a)" e "caracteristicas da comunicacao", a medida que todos os participantes responderam a cada um desses itens, aos quais foram atribuidos escore 2 (frequentemente), escore 1 (algumas vezes) e escore 0 (nunca ou quase nunca). Para as demais questoes do instrumento foram realizadas analises quantitativas descritivas (expressividade de carinho entre os parceiros(as), identificacao e estabilidade de caracteristicas positivas e negativas do(a) parceiro(a) e avaliacao do relacionamento conjugal), cujos resultados sao descritos considerando a ocorrencia de respostas, organizadas por grupos.

Resultados

As caracteristicas do relacionamento conjugal investigadas referem-se a: (a) percepcao/definicao do conjuge, pelo respondente; (b) autodiscriminacao e discriminacao do conjuge sobre expressao de carinho (expressividade); (c) avaliacao da comunicacao conjugal; (d) discriminacao e estabilidade de caracteristicas positivas e negativas do conjuge; (e) avaliacao do relacionamento conjugal.

No topico referente a percepcao/definicao do conjuge, o entrevistador lia os itens e, entao, os participantes mencionavam 21 atributos do parceiro, correspondentes a itens de uma check list: amigo, bom esposo(a), bom pai/mae, calmo, carinhoso/amavel, caseiro, companheiro, compreensivo, confiavel, confidente, controlador, critico, egoista, ingrato, insensivel, inteligente, mantem dialogo, rebelde, sensato, simpatico e sincero. A Tabela 1 mostra as medias e desviospadrao dos itens que apresentaram diferenca significativa entre grupos nas comparacoes feitas com o teste t de Student.

Notam-se, na Tabela 1, poucas diferencas entre conjuges: (a) no grupo ICSH, os pais sao avaliados como menos egoistas e mais compreensivos que as maes; (b) no grupo IPC, os pais seriam mais companheiros e compreensivos que as maes. Nos demais itens, os grupos nao tiveram diferencas, indicando que os conjuges, de ambos os grupos, avaliam-se de forma muito semelhante, seja em caracteristicas positivas, seja nas negativas.

Ainda na Tabela 1, destacam-se alguns itens com diferencas estatisticamente significativas entre as maes ICSH e as maes IPC: "compreensiva", "boa mae", "boa esposa" e "rebelde". Esses grupos tambem diferem quanto ao escore total. Ja a comparacao entre pais ICSH e IPC aponta diferenca para apenas o item "carinhoso". Esses resultados indicam que sao poucos os itens avaliados que diferenciam os grupos, mas as diferencas encontradas sao a favor dos grupos ICSH.

As caracteristicas positivas do parceiro(a) mais frequentemente apontadas pelos respondentes sao: "da boa educacao ao filho" (dois Pais IPC, seis Maes IPC, oito Pais ICSH e sete Maes ICSH), "e prestativo" (oito Pais IPC, 16 Maes IPC, 11 Pais ICSH e 20 Maes ICSH), "cuida dos pertences do(a) companheiro(a)" (cinco Pais IPC, nenhuma Maes IPC, 10 Pais ICSH e tres Maes ICSH) e "faz alimentos desejados pelo(a) conjuge" (10 Pais IPC, duas Maes IPC, nove Pais ICSH e uma Mae ICSH). Ser prestativo aparece como a caracteristica mais citada, especialmente pelas maes.

Os participantes avaliaram o carater situacional (sete Pais IPC, quatro Maes IPC, quatro Pais ICSH e quatro Maes ICSH) ou permanente (15 Pais IPC, 18 Maes IPC, 20 Pais ICSH e 16 Maes ICSH) das caracteristicas avaliadas como positivas, sendo mais frequente a avaliacao como permanente, pois, segundo os respondentes, "elas existem desde que conhecem e/ou convivem com seus(suas) companheiros(as)" (sete Pais IPC, 11 Maes IPC, 15 Pais ICSH e nove Maes ICSH).

As caracteristicas negativas do parceiro(a) mais frequentemente apontadas sao: excessos na comunicacao (e.g., relatos do tipo "e irritado, agressivo, autoritario, critico, teimoso"- nove Pais IPC, cinco Maes IPC, seis Pais ICSH e 10 Maes ICSH) e comporta-se de forma que o conjuge nao gosta ("faz planos com colegas sem conversar previamente", "ri alto", "anda com mas companhias", "e ciumento", "bebe", fuma"--12 Pais IPC, 12 Maes IPC, oito Pais ICSH e 14 Maes ICSH). Essas categorias sao descritas mais frequentemente pelas maes ICSH quando comparadas aos pais ICSH, especialmente para os itens que compoem a categoria "comportase de forma nao desejada". Maes e pais IPC avaliam de forma semelhante as caracteristicas negativas dos(as) parceiros(as).

Os participantes avaliam o carater situacional (cinco Pais IPC, 10 Maes IPC, quatro Pais ICSH e oito Maes ICSH) ou permanente (seis Pais IPC, duas Maes IPC, quatro Pais ICSH e seis Maes ICSH) das caracteristicas avaliadas como negativas. Apenas no grupo de maes IPC elas sao consideradas mais frequentemente situacionais, podendo mudar com o tempo. As categorias explicativas, dadas pelos respondentes, indicam o carater de mudanca ("e possivel mudar frente ao esforco"--seis Pais IPC, sete Maes IPC, tres Pais ICSH e seis Maes ICSH). No entanto, chama atencao que alguns respondentes destacam a permanencia de atributos negativos ("nasceu com a pessoa e nao vai mudar"--sete Pais IPC, tres Maes IPC, cinco Pais ICSH e sete Maes ICSH).

No topico referente a comunicacao conjugal, sao mencionadas 19 caracteristicas. A maioria sao atributos do proprio respondente, tanto positivos [escuta o parceiro, permite que ele(ela) fale, consegue pedir algo a ele(ela), consegue dizer ao conjuge comportamentos que gostaria que ele(ela) mudasse, sente-se a vontade para falar de seus verdadeiros sentimentos, pede a opiniao do(da) conjuge] como negativos (fala demais, deixa de falar algo que gostaria, considera que o que acha e sempre certo, procura impor seu ponto de vista). Tambem sao lembrados atributos do conjuge, positivos (escuta, considera o que o respondente pensa/o que acha das coisas, deixa o respondente falar) e negativos (fala demais, faz o outro calar falando alto, procura impor o que pensa), assim como caracteristicas da comunicacao em si (discutem assuntos delicados, conversam para tomar decisoes/resolver problemas, dividem tarefas em casa).

Na Tabela 2 estao as medias e desvios-padrao dos itens, referentes a comunicacao conjugal, que apresentaram diferenca estatisticamente significativa entre grupos nas comparacoes feitas com o teste t de Student. Observa-se que na comparacao entre Pais e Maes nao ha diferencas no Grupo ICSH. Ja no Grupo IPC foram encontradas tres diferencas entre pais e maes: "voce fala demais", com maior frequencia para os pais, "discutem assuntos delicados", com maior frequencia para as maes e "voce consegue pedir algo a ele(a)", mais frequente para os pais; como o primeiro item apontado e negativo e teve seus escores invertidos, interpreta-se que os pais consideram que eles proprios nao falam demais.

A Tabela 2 mostra mais diferencas nas comparacoes entre os grupos ICSH e IPC que os demais resultados apresentados. Tanto na comparacao entre maes quanto entre pais, o Grupo ICSH tem maiores escores, sendo, portanto, mais habilidoso no que concerne a comunicacao. Os itens que se destacam na comparacao entre as maes ICSH e maes IPC sao: "voce procura impor seu ponto de vista ao conjuge", "voce pode falar", "voce permite que ele(a) fale", "voces conversam para tomar decisoes/resolver problemas" e "voce pede a opiniao de seu conjuge". Os itens que discriminaram pais ICSh e pais IPC foram: "ele(a) te faz calar falando alto", "ele(a) procura impor o que pensa a voce" e "voce pode falar".

Quanto a qualidade da comunicacao, avaliada pelos participantes como adequada, sao relatadas mais frequentemente categorias positivas que negativas. Segundo os relatos dos pais e das maes, a comunicacao e adequada porque o "casal conversa" (15 Pais IPC, 12 Maes IPC, 13 Pais ICSH e 15 Maes ICSH), porque conseguem "negociar para resolver problemas" (oito Pais IPC, sete Maes IPC, 13 Pais ICSH e 12 Maes ICSH) e tambem porque buscam "ouvir a opiniao do outro" (cinco Pais IPC, sete Maes IPC, 10 Pais ICSH e seis Maes ICSH). Verifica-se um maior numero de participantes ICSH que relataram "negociar"; e no grupo ICSH, os pais tendem a citar o comportamento "ouvir a opiniao do outro" com mais frequencia que as maes.

Foi investigada a forma como ocorria a expressao de carinho ao conjuge. De maneira geral, os conjuges expressam carinho "abracando" (11 Pais IPC, 16 Maes IPC, 17 Pais ICSH e 18 Maes ICSH), "beijando" (11 Pais IPC, 12 Maes IPC, 17 Pais ICSH e 13 Maes ICSH), "conversando ou telefonando" (13 Pais IPC, 15 Maes IPC, nove Pais ICSH e nove Maes ICSH), "agradando e/ou fazendo carinho" (quatro Pais IPC, quatro Maes IPC, oito Pais ICSH e uma Mae ICSH) ou "fazendo coisas que o conjuge pede e/ou gosta" (um Pai IPC, 14 Maes IPC, cinco Pais ICSH e seis Maes ICSH), como por exemplo, sair para passear, ajudar nas tarefas domesticas e fazer os alimentos que o conjuge gosta. Comparando os grupos, percebe-se que as maes IPC e as maes ICSH, bem como os pais ICSH relatam mais frequentemente tais categorias quando comparados aos pais do Grupo IPC. Na maior parte das categorias de expressao de carinho, as frequencias sao mais semelhantes entre pais e maes do Grupo ICSH que entre pais e maes do Grupo IPC, o que pode ser indicio de maior concordancia entre os conjuges no Grupo ICSH

O Questionario de Relacionamento Conjugal investigou, por fim, a avaliacao da relacao conjugal (satisfatoria, insatisfatoria, regular), bem como as razoes que justificam tal avaliacao. Os resultados apontam que ambos os grupos, ICSH e IPC, avaliam de forma satisfatoria a relacao conjugal, especialmente os pais e as maes ICSH, no que tange ao maior numero de pessoas que indicaram tal avaliacao (18 Pais IPC, 19 Maes IPC, 22 Pais ICSH e 23 Maes ICSH). Exemplos de atributos positivos que justificam a avaliacao da relacao conjugal como satisfatoria sao: "o relacionamento e normal, o casal conversa, o casal se da bem, o casal busca um ao outro, o casal nao tem conflitos, o conjuge e bom e/ ou carinhoso, nunca aconteceu nada grave, ha equilibrio e/ ou harmonia e/ou respeito entre o casal, relacionamento sexual satisfatorio e nao ha autoritarismo do(a) conjuge". Os atributos negativos apontados sao, por exemplo: "o casal tem conflitos, ha dificuldades financeiras, falta tempo para o casal ficar junto, falta companheirismo entre o casal, ha autoritarismo do(a) conjuge, o(a) conjuge e nervoso(a), o conjuge bebe e o conjuge chega tarde em casa sem justificarse". A frequencia de atributos positivos citados (32 no grupo de Pais IPC, 36 no grupo de Maes IPC, 47 no grupo de Pais ICSH e 48 no grupo de Maes) foi maior no grupo ICSH do que no IPC. Em ambos os grupos, porem, a frequencia citada de atributos positivos foi maior do que a de negativos (seis Pais IPC, seis Maes IPC, tres Pais ICSH e uma Mae ICSH). Alguns valores superam o numero de participantes (24 em cada grupo) porque estes poderiam indicar mais de um atributo.

Discussao

As analises encontraram diferencas a favor do Grupo ICSH no que diz respeito a caracteristicas da comunicacao conjugal, avaliada seja pelas maes, seja pelos pais; mas as diferencas obtidas entre pais e maes de cada grupo foram pequenas, indicando homogeneidade dentro de cada grupo. Quanto a percepcao ou definicao do conjuge, os grupos pouco diferiram nas comparacoes entre pais e maes de cada grupo; mas as maes do Grupo ICSH avaliaram, no escore total e em alguns itens, mais positivamente seus conjuges que as maes do Grupo IPC.

As categorias "expressa carinho" e "recebe carinho" foram igualmente citadas pelos participantes, bem como a avaliacao conjugal foi tida como "satisfatoria" por ambos os grupos. Muitos itens de avaliacao/percepcao e de comunicacao nao apresentaram diferencas estatisticas entre os grupos, sugerindo que ambos os grupos, alem das dificuldades identificadas pelo instrumento, por exemplo em comunicacao e afeto, relataram comportamentos adequados para o relacionamento conjugal, que apareceram com escores altos (sobretudo o escore 2). Tais comportamentos adequados poderiam ser utilizados como ponto de partida para intervencoes junto a casais com criancas com problemas de comportamento, de forma a superar as dificuldades de interacao conjugal que podem estar relacionadas aos problemas de comportamento dos filhos.

Os resultados deste trabalho nao apoiam uma associacao entre satisfacao conjugal e problemas de comportamento, diferentemente dos achados de Moss e cols. (2005) que apontam a satisfacao conjugal influenciando o surgimento de problemas de comportamento. Entretanto, Norgren e cols. (2004) verificaram que a satisfacao conjugal esta relacionada com proximidade, estrategias de resolucao de problemas e de comunicacao conjugal; como os resultados deste estudo indicam que a qualidade da interacao conjugal, especialmente a comunicacao, e melhor para o grupo sem problemas (ICSH), e possivel que esse grupo tenha maiores indices de satisfacao e que haja, portanto, uma influencia positiva na interacao com os filhos. A falta de uma associacao entre satisfacao conjugal e problemas de comportamento pode ser devida a caracteristicas do instrumento usado na presente investigacao.

Quanto a percepcao ou definicao do conjuge, as Maes ICSH avaliam mais positivamente os parceiros no escore total e nos itens: "[nao] e rebelde", "e compreensivo", "bom pai" e "bom esposo". Pais e maes nao diferem quanto a percepcao do conjuge, com excecao de poucos itens que nao refletem no escore total do instrumento. Esses resultados confirmam apenas em parte a literatura quanto a hipotese de que casais mais afetuosos podem ser tambem mais afetuosos com seus filhos, prevenindo o surgimento de problemas de comportamento (Brener & Fox, 1998; Brener & Fox, 1999; Eisentein & de Souza, 1993; Solis-Camara & Fox, 1996; Walsh, Laczniak & Carlson, 1998). Por outro lado, observou-se que Pais IPC relataram caracteristicas positivas no(a) conjuge tanto quanto Pais ICSH. Esse aspecto (a identificacao de caracteristicas positivas do/a parceiro/a) poderia ser um ponto de partida em programas de intervencao com os pais e com casais, uma vez que parece implicar habilidades que ja implementam nas suas interacoes. Essas habilidades, ao aumentarem de frequencia, poderiam contribuir para a resolucao das queixas trazidas por eles, seja na interacao conjugal, seja na interacao com os filhos.

Quanto a comunicacao, pode-se afirmar que pais e maes de ambos grupos nao apresentaram diferencas quanto aos relatos dos proprios comportamentos ou de seus parceiros. No caso do Grupo ICSH, apenas o item "ele(ela) procura impor o que pensa a voce" teve maior frequencia para os pais que para as maes, o que significa que as maes acham, mais que os pais, que seus parceiros impoem o que pensam a elas. No Grupo IPC, os itens "discutem assuntos delicados" e "voce consegue pedir algo a ele(ela)" foi mais citado pelos pais que pelas maes. Com esses resultados, pode-se hipotetizar que, ainda que para poucas situacoes, pois a maioria dos itens nao teve diferencas, os homens sentem-se mais a vontade para conversar e se expressar que suas esposas, o que reitera uma tendencia cultural de maior submissao das mulheres. Barbour, Eckhardt, Davison e Kassinove (1998) afirmam que os homens sao mais agressivos que as mulheres, o que pode concordar, ao menos em parte, com os resultados deste estudo, pois sao os pais quem, pelo menos na percepcao das parceiras, mais procuram impor seu ponto de vista e falam demais, comportamentos que podem ser indicativos de agressividade.

Os participantes ICSH, pais e maes, avaliaram mais positivamente a comunicacao conjugal que os do Grupo IPC, seja no escore total do instrumento, seja para os itens: "voce pode falar", "voce permite que ele (ela) fale", "conversam para tomar decisoes" e "voce pede a opiniao do conjuge". Por outro lado, os itens negativos "voce procura impor seu ponto de vista", "ele(a) impoe seu ponto de vista" e "ela(ele) te faz calar falando alto" foram menos citados pelos participantes ICSH. Dessa forma, e possivel que o Grupo IPC tenha mais conflitos conjugais que o ICSH, pois conforme alguns autores (Fincham & Beach, 1999; Gottman, 1998; Heyman, Brown, Feldbau-Kohn & O'Leary, 1999; Katz, Lynn & Low, 2004), excesso de negativismo, criticas e respostas defensivas sao indicativos de disfuncao conjugal, o que pode acarretar dificuldades a crianca, tais como depressao, competencia social pobre, problemas de saude e desempenho academico pobre, que sao indicadores de problemas de comportamento. De todo modo, pelos resultados obtidos, os casais de ambos os grupos apresentam afetos e comportamentos que o parceiro(a) desaprova.

Os resultados desta pesquisa mostram que os participantes ICSH conversam mais para negociar e resolver problemas. Eles parecem tambem possuir uma comunicacao conjugal mais satisfatoria, o que foi constatado tambem na interacao com os filhos (Bolsoni-Silva & Marturano, 2006). Silva (2000) encontrou que a consistencia conjugal, isto e, o casal conversar para decidir como se comportar em relacao aos filhos e agir contingentemente, previne o surgimento de problemas de comportamento, a medida que tal habilidade foi mais frequente no grupo de pais de criancas competentes socialmente. Os conjuges, ao se casarem, trazem consigo regras de suas familias de origem e, muitas vezes, falham em formar suas proprias, favorecendo que o conjuge possa assumir determinadas estrategias de educacao com os filhos que sao incompativeis a opiniao do outro. Consequentemente, podem ocorrer conflitos entre o casal e um prejuizo na educa cao, a qual passa a nao ter a consistencia adequada. Quando nao ha consistencia entre as praticas educativas do pai e da mae, a crianca passa a ter dificuldades em compreender conceitos de limites e de certo e errado, pois aprende, desde cedo, a se comportar diferentemente diante de cada um dos conjuges, de forma a atingir seus objetivos (Bolsoni-Silva & Marturano, 2002).

As maes atribuiram aos seus parceiros um maior numero de caracteristicas negativas, quando comparadas aos pais, especialmente para comportamentos como "sair com colegas", "beber" e "fumar". Nesse conjunto de caracteristicas, o fato de o companheiro sair pode estar associado a sobrecarga da mulher no cuidado com a casa e com os filhos. Diversos estudos apontam para a maior sobrecarga das maes na interacao com os filhos e no cuidado da casa (Costa, Teixeira & Gomes, 2000; McHale, Updegraff, Tucker, & Crouter, 2000; Silva, 2000), podendo ser fonte de estresse e de conflitos conjugais.

Por outro lado, as caracteristicas positivas foram consideradas, pelos respondentes IPC e ICSH, Pais e Maes, como permanentes, enquanto que as negativas teriam um carater situacional, o que e bastante positivo para maximizar as interacoes positivas e motivar as pessoas a procurar solucoes para os problemas, inclusive pedindo mudancas de comportamento.

Consideracoes Finais

Os resultados obtidos com este estudo confirmam em parte a hipotese levantada no que diz respeito a ocorrencia de conflitos conjugais (justificados por deficits em comunicacao, afeto e por avaliacoes negativas do conjuge) como uma variavel que favorece o surgimento de problemas de comportamento em pre-escolares. Por outro lado, e preciso destacar que diversas caracteristicas de comunicacao e avaliacao do conjuge foram relatadas com a mesma ocorrencia entre os grupos com e sem problemas, sinalizando que apesar de haver algumas diferencas entre eles, ha tambem semelhancas; tais achados indicam que os pais de criancas com problemas de comportamento apresentam diversas reservas comportamentais que poderiam ser utilizadas em programas de intervencao a fim de expandir repertorios e melhorar a interacao conjugal e com seus filhos (Goldiamond, 1974/1992). Alem disso, deve-se reconhecer que o relacionamento conjugal e apenas uma das variaveis preditivas para o surgimento de problemas de comportamento, havendo outras nao controladas neste estudo, que podem estar influenciando nos resultados obtidos, tais como depressao materna, crises financeiras, vizinhanca (Patterson, Reid & Dishion, 1992).

Adicionalmente, nao e possivel afirmar que a falta de expressao de afeto tenha sido preditiva de problemas, uma vez que ambos os grupos (com e sem problemas) relataram de forma semelhante e com alta frequencia a expressao de carinho entre os conjuges. Alem do mais, o delineamento do estudo so permite identificar relacoes de coocorrencia e nao relacoes funcionais.

Esta pesquisa contribui com a literatura, pois sao poucos os estudos brasileiros que investigaram relacoes entre conflitos conjugais e problemas de comportamento em pre-escolares, justificando inclusive a elaboracao do QRC.

Entretanto, como limitacoes pode-se apontar: (a) a falta de estudos mais aprofundados quanto as propriedades psicometricas do instrumento utilizado; e (b) os dados terem sido obtidos a partir de uma unica modalidade de coleta, relato verbal, o que pode mascarar as informacoes quando a fala nao corresponder inteiramente aos comportamentos manifestos. Pesquisas futuras que realizem observacao e utilizem tambem outros instrumentos de coleta poderiam resolver esse impasse.

Recebido em 29.07.08

Primeira decisao editorial em 23.10.08

Versao final em 02.02.09

Aceito em 17.03.09

Referencias

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Alessandra Turini Bolsoni-Silva1

Universidade Estadual Paulista (Bauru)

Edna Maria Marturano

Universidade de Sao Paulo (Ribeirao Preto)

(1) Endereco para correspondencia: Eng Luiz Edmundo C. Coube, s/n.,Vargem Limpa. Bauru, SP. CEP 17015-970. Fone: (14) 3103-6087. E-mail: bolsoni@fc.unesp.br
Tabela 1. Comparacoes (media, desvio padrao e teste t) entre
pais e maes e entre os grupos IPC e ICSH para a categoria
Percepcao/Definicao do Conjuge, organizadas por grupos.

Definicao
do conjuge

               ICSH pais x maes
Companheiro    1,92 (0,28) x 1,92 (0,28)
Compreensivo   1,96 (0,20) x 1,67 (0,56)
Egoista (a)    1,92 (0,28) x 1,63 (0,71)
               Maes ICSH x maes IPC
Carinhoso      1,75 (0,44) x1,63 (0,58)
Compreensivo   1,67 (0,56) x 1,29 (0,69)
Bom pai/mae    2,00 (0,00) x 1,83 (0,38)
Bom esposo(a)  2,00 (0,00) x1,75 (0,44)
Rebelde (a)    1,75 (0,53) x 1,33 (0,76)
Total          35,75 (3,39) x 33,08 (5,34)

Definicao      Comparacoes
do conjuge     Media (desvio-padrao)

               t
Companheiro    --
Compreensivo   3,077 **
Egoista (a)    2,070 *
               t
Carinhoso      --
Compreensivo   2,060 *
Bom pai/mae    2,145 *
Bom esposo(a)  2,769 **
Rebelde (a)    2,198 *
Total          2,065 *

Definicao      Comparacoes
do conjuge     Media (desvio-padrao)

               IPC pais x maes
Companheiro    2,00 (0,00) x 1,92 (0,28)
Compreensivo   1,71 (0,55) x 1,29 (0,69)
Egoista (a)    1,67 (0,64) x 1,75 (0,53)
               Pais ICSH x pais IPC
Carinhoso      1,96 (0,20) x1,88 (0,34)
Compreensivo   1,96 (0,20) x1,71 (0,55)
Bom pai/mae    2,00 (0,00) x 1,88 (0,34)
Bom esposo(a)  2,00 (0,00) x 1,92 (0,28)
Rebelde (a)    1,58 (0,50) x 1,63 (0,65)
Total          36,54 (3,98) x 35,08 (3,91)

Definicao
do conjuge

               t
Companheiro    2,892 **
Compreensivo   2,318 *
Egoista (a)    --
               t
Carinhoso      2,034 *
Compreensivo   --
Bom pai/mae    --
Bom esposo(a)  --
Rebelde (a)    --
Total          --

Nota: apenas os itens com algum resultado significativo sao
apresentados na tabela.

(a) O item e considerado negativo e, portanto, os escores
foram invertidos previamente a realizacao das analises estatisticas.

* p < 0,05; ** p < 0,01

Tabela 2. Comparacoes (media, desvio padrao e teste t) entre pais
e maes e entre os grupos IPC e ICSH para a categoria Comunicacao
conjugal, organizadas por grupos.

Comunicacao

                                        ICSH pais x maes
Consegue pedir algo ao conjuge          1,67 (0,64) x 1,83 (0,38)
Discutem assuntos delicados             1,75 (0,44) x 1,67 (0,48)
Fala demais (a)                         1,33 (0,76) x 0,96 (0,95)
Conjuge procura impor (a)               1,42 (0,72) x 0,71 (0,75)
                                        Maes ICSH x IPC
Pede a opiniao do conjuge               1,92 (0,28) x 1,38 (0,65)
Permite que o conjuge fale              2,00 (0,00) x 1,92 (0,28)
Pode falar                              2,00 (0,00) x 1,75 (0,44)
Conversam para tomar                    1,96 (0,20) x 1,71 (0,55)
decisoes/resolver problemas
Procura impor seu ponto de              1,00 (0,78) x 0,54 (0,78)
vista ao conjuge (a)
Conjuge faz calar falando alto (a)      1,79 (0,41) x 1,42 (0,83)
Conjuge procura impor o que pensa (a)   0,71 (0,75) x 0,71 (0,75)
Total                                   32,42 (3,22) x 27,83 (5,48)

Comunicacao                             Comparacoes
                                        Media (desvio-padrao)
                                        t
Consegue pedir algo ao conjuge          --
Discutem assuntos delicados             --
Fala demais (a)                         --
Conjuge procura impor (a)               --
                                        t
Pede a opiniao do conjuge               3,760 ***
Permite que o conjuge fale              2,407 *
Pode falar                              2,769 **
Conversam para tomar                    2,088 *
decisoes/resolver problemas
Procura impor seu ponto de              2,037 *
vista ao conjuge (a)
Conjuge faz calar falando alto (a)      --
Conjuge procura impor o que pensa (a)   --
Total                                   3,533 ***

Comunicacao                             Comparacoes
                                        Media (desvio-padrao)
                                        IPC pais x maes
Consegue pedir algo ao conjuge          1,88 (0,34) x 1,50 (0,78)
Discutem assuntos delicados             1,38 (0,82) x 1,79 (0,41)
Fala demais (a)                         1,35 (0,83) x 0,75 (0,90)
Conjuge procura impor (a)               0,83 (0,87) x 0,71 (0,75)
                                        Pais ICSH x IPC
Pede a opiniao do conjuge               1,71 (0,55) x 1,58 (0,58)
Permite que o conjuge fale              1,92 (0,28) x 1,75 (0,44)
Pode falar                              2,00 (0,00) x 1,79 (0,51)
Conversam para tomar                    1,96 (0,20) x 1,83 (0,49)
decisoes/resolver problemas
Procura impor seu ponto de              1,13 (0,90) x 0,83 (0,87)
vista ao conjuge (a)
Conjuge faz calar falando alto (a)      1,92 (0,28) x 1,50 (0,66)
Conjuge procura impor o que pensa (a)   1,42 (0,72) x 0,83 (0,87)
Total                                   33,13 (4,11) x 29,67 (5,02)

Comunicacao

                                        t
Consegue pedir algo ao conjuge          2,099*
Discutem assuntos delicados             2,846**
Fala demais (a)                         2,545*
Conjuge procura impor (a)               t

Pede a opiniao do conjuge               --
Permite que o conjuge fale              --
Pode falar                              2,005*
Conversam para tomar                    --
decisoes/resolver problemas
Procura impor seu ponto de              --
vista ao conjuge (a)
Conjuge faz calar falando alto (a)      2,538**
Conjuge procura impor o que pensa (a)   2,538*
Total                                   2,612*

Nota: apenas os itens com algum resultado significativo sao
apresentados na tabela.

(a) O item e considerado negativo e, portanto, os escores foram
invertidos previamente a realizacao das analises estatisticas.

* p < 0,05; ** p <0,01; *** p <0,001
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Author:Turini Bolsoni-Silva, Alessandra; Marturano, Edna Maria
Publication:Psicologia: Teoria e Pesquisa
Article Type:Report
Date:Jan 1, 2010
Words:8355
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