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Rating system for walkability (IC) as planning tool for urban mobility in downtown and badenfurt neighborhoods in blumenau (SC)/Espacializacao do indice de caminhabilidade (IC) como ferramenta de planejamento para mobilidade urbana dos bairros centro e badenfurt em blumenau (SC).

INTRODUCAO

A Lei Federal no. 12.587 de 03/01/2012, que institui a Politica Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), define mobilidade como a condicao em que se realizam os deslocamentos de pessoas e cargas na cidade. Em seu artigo 3, a referida lei explicita que o Sistema Nacional de Mobilidade Urbana (SNMU) e composto pelo conjunto organizado e coordenado dos modos de transporte, servicos e infraestruturas que garantem deslocamentos municipais (BRASIL, 2012). Dentre os modos de transporte pode-se citar o pedonal, bicicleta, tracao animal, motocicleta, automoveis, onibus, bonde, embarcacao e outros. O sistema de mobilidade dever ter uma abordagem multimodal e integrada, conectando distintas tecnologias, servicos e infraestruturas de forma complementar. Porem, esta situacao nao e observada, principalmente em paises em desenvolvimento. Segundo Rech (2004), mais de 80% da populacao urbana brasileira utiliza basicamente o veiculo automotor (individual e coletivo) como forma de transporte. O resultado dessa estatistica pode ser visualizado em problemas de mobilidade que sao recorrentes em varias cidades brasileiras, como congestionamentos, acidentes e baixa qualidade nos outros modais. Somado a isso existe tambem a depreciacao da qualidade atmosferica, ja que veiculos sao responsaveis por 20% da emissao dos gases que provocam o efeito estufa (STEINER, 2009).

A utilizacao do veiculo automotor tem relacao com a configuracao das cidades. Para Vieira e Morastoni (2013), em sua maioria, a configuracao dispersa das areas urbanas esta diretamente relacionada a evolucao do transporte automotivo, tendo em vista que ele exerce influencia na localizacao, tamanho e forma das cidades, assim como nos habitos de sua populacao. Diante dessa realidade, o caminhar se destaca com vantagens ambientais, economicas e sociais, afinal, somos pedestres em algum momento do dia e o caminhar e a forma de locomocao da maior parte das pessoas (VIEIRA, PACKER e MENESES, 2016). De acordo com Barton e Pretty (2010) e Szeremeta e Zannin (2013), cinco minutos de caminhada e suficiente para melhorar a saude mental, com beneficios para o humor e autoestima. Para tanto, os passeios publicos devem possuir caracteristicas que possibilitem o acesso universal e adequado ao espaco urbano.

Mas para se incentivar o caminhar, calcadas devem ter um padrao de qualidade, que possibilitem a caminhabilidade (SIEBERT; LORENZINI, 1998). Para Ghidini (2011, p. 22), "[...] a caminhabilidade e uma qualidade do lugar; o caminho que permite ao pedestre uma boa acessibilidade as diferentes partes da cidade [...]" sejam criancas, idosos ou pessoas com deficiencia. Portanto, a caminhabilidade e uma das condicoes que influenciam a mobilidade urbana (BUDAG e VITORINO, 2005). Entretanto, como na maioria das cidades brasileiras, os meios para realizacao de tais deslocamentos sao inexistentes ou, quando existem se encontram inadequados ou em mau estado de conservacao, nao recebendo a devida atencao tanto por parte do poder publico quanto dos proprietarios dos lotes. As calcadas sao espacos publicos, contudo, na maioria dos codigos de posturas dos municipios, os proprietarios sao definidos como os responsaveis por sua implantacao e manutencao. Desta forma, o poder publico passa sucessivamente aos proprietarios dos lotes lindeiros a incumbencia que lhe era devida.

Uma forma de mensurar a qualidade dos deslocamentos e o calculo do indice de Caminhabilidade (IC). Estudos sobre caminhabilidade foram iniciados por Bradshaw (1993) quando comerciantes e donos de imoveis urbanos no Canada comecaram a questionar os impostos tendo em vista a ma qualidade das calcadas. Ainda na decada de 1990, a metodologia canadense foi adaptada a realidade Blumenauense por Siebert e Lorenzini (1998) e aplicada em alguns bairros da cidade. Experiencias semelhantes foram realizadas em outras cidades catarinenses e paranaense, na decada de 2000, tendo participado, por exemplo, Itajai, Camboriu, Itapema e Foz do Iguacu (BUDAG e VITORINO, 2005; RUTZ, MERINO e PRADO, 2007; BUDAG e TRICARICO, 2009, VIEIRA e MORASTONI, 2013; VIEIRA, PEREIRA e MUSSI, 2014; VIEIRA, PACKER e MENESES, 2016).

Para se fazer um diagnostico relativo ao espaco geografico, como no caso da qualidade das calcadas, sao necessarias etapas de aquisicao e processamento de dados. A base dos estudos geograficos e a aquisicao de dados em campo, no entanto, sua execucao tem sido substituida com a popularizacao das tecnicas computacionais e de obtencao de dados via sensoriamento remoto (aerolevantamento--aviao ou drone--ou plataforma orbital--satelite). A aplicacao conjunta, no entanto, se faz fundamental em estudos de planejamento urbano. Dados atualizados de campo com sua devida coordenada geografica sao utilizados para representar o espaco geografico por meio dos Sistemas de Informacao Geografica (SIG). Um SIG consiste do conjunto de dados, equipamentos, plataformas computacionais e pessoas, utilizado para armazenar, analisar e extrair informacoes georeferrenciadas. Para Silva e Zaidan (2004) e Rocha, Ximenes e Guerra (2015), os SIG sao ferramentas fundamentais no planejamento urbano, pois facilitam o tratamento e a atualizacao dos dados espaciais, como acompanhar de mudancas de espaco e tempo, essenciais na elaboracao de politicas publicas voltadas aos municipios.

Partindo da premissa que a cidade e um sistema complexo e dinamico, cuja infraestrutura urbana encontra-se em constante transformacao, este trabalho teve por objetivo identificar e mapear o IC de dois bairros de Blumenau, em Santa Catarina. Foram utilizados dados coletas in loco e um SIG. O artigo encontra-se estruturado em cinco secoes: (1) introducao com referencias teoricas sobre mobilidade urbana e indice de caminhabilidade; (2) breve historico da cidade e da mobilidade urbana de Blumenau; (3) o metodo de coleta e tecnica de analise dos dados; (4) resultados e discussoes e (5) fechamento com as consideracoes finais.

HISTORICO DA CIDADE E DA MOBILIDADE URBANA DE BLUMENAU (SC)

Blumenau foi colonizada em meados do seculo XIX por imigrantes alemaes, sendo a area central a primeira a ser colonizada. Segundo Budag (2004), a influencia da colonizacao estrangeira e o processo de colonizacao por meio da iniciativa privada iniciada pelo Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau, delinearam uma forma propria de organizacao e de ocupacao do espaco. Somado a isso, tem-se as condicionantes naturais, cuja geomorfologia e caracterizada por uma topografia acidentada, com encostas que apresentam grande amplitude e inclinacao, permeadas por uma complexa rede de drenagem. Tem-se, portanto, uma malha urbana compartimentada por morros e cujas principais vias margeiam rios e ribeiroes, visto que a ocupacao urbana ocorreu ao longo dos fundos de vale. Devido a isso, a cidade sofre tambem com problemas recorrentes relacionados a deslizamentos, enchentes e inundacoes (FRANK; AUMMOND, 2009).

O principal modal de transporte em Blumenau e o veiculo automotor individual. No entanto, boa parte da populacao utiliza o transporte coletivo por veiculo automotor, que desde 2011 conta com corredores exclusivos no sistema viario central. Boa parte da populacao dirige-se diariamente dos bairros mais afastados e de cidades vizinhas ate o centro da cidade, o que causa constantes congestionamentos no sistema de mobilidade municipal.

A cidade contou com seu primeiro Codigo de Posturas em 1883, sendo seu primeiro regulamento construtivo, o Codigo de Construcoes, aprovado em 1939. De acordo com Siebert (2000), o primeiro Plano Diretor da cidade e de 1977, elaborado por uma equipe externa, de forma tecnocratica, com pouca participacao da Prefeitura e limitada participacao popular. Este plano foi revisado em 1989 e 1996/1997, passando posteriormente por alteracoes pontuais. Apos a aprovacao do Estatuto da Cidade, Lei Federal no. 10.257/2001, o Plano Diretor foi reestruturado em 2006 e conta com uma secao sobre a Politica de desenvolvimento urbano, a qual trata da Politica Publica Municipal de Acessibilidade Urbana e do Sistema de Circulacao.

Desde 2005, a Lei Complementar no 550/2005 dispoe sobre a construcao de passeios publicos ou calcadas no municipio, tendo sido elaborada uma cartilha para orientacao da populacao. A cartilha para implantacao e manutencao das calcadas passou por reformulacoes em 2012 e 2015. Nesta ultima reformulacao, a prefeitura municipal, por meio da Secretaria de Planejamento Urbano, lancou o Programa Calcada nota 10, cujo objetivo e sensibilizar os proprietarios para a melhoria da caminhabilidade, tornando as calcadas acessiveis a todos. Desde 2016, o municipio de Blumenau esta elaborando seu Plano Municipal de Mobilidade Urbana, conforme exigencia da Lei Federal no 12.587/2012 (VIEIRA, PACKER e MENESES, 2016).

Tendo em vista o historico promissor, porem ainda incipiente em termos de mobilidade urbana, e possivel afirmar que Blumenau possui problemas em relacao a mobilidade urbana, com possibilidades de melhoria no que tange aos veiculos automotores e aos nao motorizados, sendo estudos e diagnosticos fundamentais no municipio.

MATERIAIS E METODOS AREA DE ESTUDO

A area de estudo localiza-se no municipio de Blumenau (Figura 1), na bacia hidrografica do rio Itajai-Acu, no estado de Santa Catarina, sul do Brasil. De acordo com IBGE (2015), Blumenau possui uma populacao estimada de 338.876 habitantes, distribuidos em uma area territorial de 518,497 [km.sup.2], com uma densidade demografica 653,57hab/[km.sup.2]. A area urbana de Blumenau e dividida em 35 bairros de acordo com a Lei Complementar No. 489/2004, incluindo 2 distritos (Vila Itoupava e o Grande Garcia).

Neste trabalho, foram analisados o Centro e o bairro periferico do Badenfurt. Os dois bairros possuem caracteristicas distintas, sendo no Centro concentrada a area de comercio, a maior renda e a maior densidade demografica (1500-2000 hab/[km.sup.2]). Segundo Budag (2004), a area central de Blumenau constitui-se no espaco de maxima centralidade, com as maiores opcoes de comercio e prestacao de servicos, inclusive publicos. Ja o Badenfurt e um bairro limitrofe (divisa com o municipio de Indaial), periferico, com menor densidade demografica (500-1000 hab/[km.sup.2]) e populacao de baixa renda (BLUMENAU, 2005). A populacao por bairro, de acordo com IBGE 2010, e de 5004 habitantes para o Centro e de 8650 habitantes para o Badenfurt. No entanto, em relacao a dimensao, a area de cobertura do bairro Centro possui apenas 2,37 [km.sup.2] (perfazendo 1% da area territorial urbana), enquanto o bairro Bandenfurt possui 11,54 [km.sup.2] (correspondendo a 5,6% da area territorial urbana).

LEVANTAMENTO EM CAMPO E CALCULO DO IC

O levantamento das informacoes consistiu de duas acoes: coleta dos dados de campo e calculo e espacializacao do IC. Antes de ir a campo, no entanto, uma etapa preliminar de planejamento das atividades foi realizada sobre o mapa cadastral do municipio. Bases cartograficas georeferenciadas (curvas de nivel, cursos de agua, limite de municipios, entre outros) foram obtidas na Prefeitura Municipal de Blumenau, pela Secretaria de Planejamento Urbano, junto a Diretoria de Cartografia, Cadastro Multifinalitario e Informacoes. Foi utilizada uma planilha baseada na metodologia canadense de avaliacao do Indice de Caminhabilidade, que leva em conta dez (10) variaveis (BRADSHAW, 1993; SIEBERT; LORENZINI, 1998) (Quadro 1). Alem das 10 variaveis explicitadas por Siebert e Lorenzini (1998), foram propostas mais seis (06) variaveis adicionais (tipo de pavimento, rebaixo do meio fio, drenagem, localizacao, conservacao e disposicao) (Quadro 1). Mais informacoes sobre o IC podem ser encontradas em Bradshaw (1993), Siebert e Lorenzini (1998) e Santos (2003). A metodologia de Siebert e Lorenzini (1998) utiliza a versao adaptada a realidade local, tendendo aos fatores de analise quantitativa, eliminando-se ao maximo os fatores de analise qualitativa, em funcao do seu grau de subjetividade.

As variaveis receberam pontuacao de um (1), meio (0,5) ou zero (0) pontos, referindose respectivamente, a uma situacao de caminhabilidade otima, moderada ou inadequada ao deslocamento. Todas as informacoes foram coletadas para cada trecho de calcada, em face a uma quadra, por meio da ficha descritiva de campo e registro fotografico. As informacoes, depois de digitalizadas, foram utilizadas no calculo do IC, indicando a situacao das calcadas e caracterizando a prioridade de intervencao (Tabela 1).

A primeira vez que este indice foi aplicado na cidade de Blumenau, foi em 2005, com auxilio de 17 bolsistas da Universidade Regional de Blumenau (FURB), em todos os bairros de Blumenau avaliando calcadas em criterios que variaram de 0 a 10. (VIEIRA, PACKER e MENESES, 2016). Em 2015, tendo em vista o numero limitado de bolsistas e viabilidade da pesquisa, optou-se pela escolha do bairro Centro e Badenfurt, sendo que em 2005 eles apresentaram a melhor (7,6) e a pior (1,8) media de IC, alem de constituir-se em areas consolidadas e em consolidacao, respectivamente. As novas coletas de dados de campo foram realizadas durante o ano de 2015.

GEOPROCESSAMENTO

Todas as etapas de geoprocessamento foram efetuadas com o software ArcGIS 10.3. Foi usado como base o mapa cadastral de ruas fornecido pela Prefeitura de Blumenau, que conta com dados digitais (layers), como: vias, calcadas, cursos de agua, infraestrutura urbana, limites de bairros, entre outros, gerado em CAD com escala de 1:5000. Depois de importa-lo para o SIG, os trechos de calcadas (utilizados para calculos do IC em campo) foram vetorizados de acordo com o mapa cadastral usando a ferramenta trace (contorno). Todas informacoes foram trabalhadas no datum WGS 1984 para o fuso 22 S, referente ao municipio de Blumenau. Todos os trechos de ruas receberam um numero identificador (ID). Os resultados do IC para cada trecho foram inseridos para dentro dos SIG, ja que o SIG possui tambem possibilidade de insercao de informacao tabular (no arquivo .dbf ou database format). O IC de cada trecho foi inserido de forma manual de acordo com o resultado do IC e o ID, usando a tabela de atributos. As classes de IC foram definidas por meio da ferramenta simbology (simbologia), no qual seguiu-se padrao da Tabela 1. Utilizando a ferramenta calculate geometry (calcular a geometria) foi calculada a extensao de cada trecho de calcada. Os mapas foram exportados em formato de figura (.jpg) para apresentacao.

RESULTADOS E DISCUSSAO

Calcadas no bairro do Centro possuem maior qualidade tanto em numero como em extensao de trechos de calcadas em relacao ao bairro Badenfurt (Tabela 2), sendo que no Centro 68% (134/196) dos trechos possui IC bom (6-10) e no Badenfurt apenas 17% (11/65). O Badenfurt, por outro lado, possui maior quantidade e porcentagem nas classes moderada (37%), ruim (31%) e pessima (15%).

Em relacao a extensao dos trechos, o Centro apresentou 19,4 km de trechos com IC entre 6 e 10, sendo um total de 73,5% em relacao a extensao total. O Badenfurt, apresentou apenas 1,7 km ou 7,5% da mesma classe. Em relacao a classe entre 4 e 5,9, o Centro apresentou 5,7 km ou 21,8% e o Badenfurt com 8,1 km de trechos ou 35,7%. O Centro apresentou ainda 1,0 km ou 3,9% de trechos de IC entre 2 e 3,9 e o Badenfurt com uma extensao mais expressiva, 9,7 km ou 42,7%. A situacao "inadequada", no Centro apareceu em apenas 0,2 km de trechos ou 0,8% dos trechos e o Badenfurt com 3,2 km ou 14,1%. Essa informacao foi em parte corroborada pelas fotos das calcadas por bairro obtidas durante o levantamento de campo (Figura 2).

No Centro, as tres variaveis que receberam melhor pontuacao foram largura, obstaculos e nivelamento, e as com pior pontuacao foram mobiliario urbano, protecao contra intemperies e iluminacao. Para o Badenfurt, as variaveis que tiveram a melhor pontuacao foram largura, nivelamento e protecao contra intemperies, e as com pior pontuacao foram mobiliario urbano, travessia e obstaculos.

O resultado encontrado para o IC dos bairros sistematiza em dados quantitativos, e por meio de mapeamento georreferenciado representa o conhecimento empirico sobre a qualidade das calcadas dos bairros estudados. Ao percorrer os bairros e visivel uma menor qualidade das calcadas no bairro Badenfurt que e menos populoso, tem caracteristicas de periferia, ou seja, com pouca infraestrutura urbana, situa se no limite do municipio e consequentemente tem menor prioridade de acao por parte do poder publico. Contudo, o IC do Badenfurt teve uma ampliacao, demonstrando um aumento de 2005 (IC = 1,8) para 2015 (IC = 3,9). Isto ocorreu, devido a implantacao de novas calcadas, em funcao da construcao de uma nova ponte de ligacao entre a area Oeste e Norte do municipio de Blumenau, potencializando o desenvolvimento urbano do Badenfurt. Esse aumento do IC nao foi evidenciado no bairro Centro, que apresentou inclusive uma reducao de 7,1 em 2005, para 6,7 em 2015. Contudo, o Centro concentra uma densidade populacional mais elevada, os principais bens de servicos, o comercio e os equipamentos urbanos.

Especialmente no bairro Badenfurt, mas tambem no Centro, identificou-se que as calcadas apresentam problemas para a circulacao das pessoas. Entende-se que o poder publico e o responsavel e deve investir na melhoria dessas calcadas, pois sao espacos publicos, lugares de trocas e convivio social. Os resultados demonstram a necessidade de aplicacao mais efetiva da Lei Federal no. 12.587 de 03/01/2012, que institui a Politica Nacional de Mobilidade Urbana, na qual o sistema de mobilidade deve estar distribuido em toda a extensao municipal, priorizando-se os modos nao-motorizados de transporte como o caminhar.

CONCLUSAO

O SIG demonstrou ser uma ferramenta eficiente para espacializar e monitorar o indice de caminhabilidade (IC), tendo como estudo de caso os dois bairros no municipio de Blumenau, Badenfurt e Centro, em Santa Catarina. A vantagem do SIG foi a rapidez da atualizacao e disponibilizacao dos resultados. Muratori e Lobo (2015) tambem encontraram beneficios com a utilizacao do ambiente SIG no planejamento urbano, pois ele permite o acompanhamento das transformacoes urbanas.

O IC permite identificar as melhorias necessarias para ampliacao da qualidade das calcadas. Com a adequacao dos trechos de calcadas para os deslocamentos, o cidadao se sente motivado a utilizar os espacos publicos, bem como o transporte publico coletivo, por exemplo, pois entende que tera um bom acesso para chegar ate esses distintos modais (onibus, metro, trem, por exemplo). De forma geral, o IC foi superior no bairro central do municipio de Blumenau em relacao ao bairro limitrofe do Badenfurt.

No Centro, deve-se melhorar o mobiliario urbano, a protecao contra intemperies e a iluminacao publica, indicando-se melhorias e aperfeicoamento das variaveis analisadas. Para o Badenfurt ha necessidade de maior qualificacao e implementacao do mobiliario urbano, travessia acessivel e remocao de obstaculos, devendo-se realizar uma intervencao imediata.

DOI: 10.5380/raega

REFERENCIAS

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Gustavo Antonio Piazza (1), Rafaela Vieira (2)

Recebido em: 18/12/2015

Aceito em: 05/07/2017

(1) Fundacao Universidade Regional de Blumenau, Blumenau/SC e-mail: guinuzaum@gmail.com

(2) Fundacao Universidade Regional de Blumenau, Blumenau/SC, e-mail: arquitetura.rafaela@gmail.com

Caption: Figura 01--Localizacao da area de estudo, municipio de Blumenau (SC).

Caption: Figura 02--(A) Melhorias e aperfeicoamento--Centro; (B) intervencao a curto prazo--Centro; (C) intervencao imediata--Badenfurt e (D) situacao critica--Badenfurt--Blumenau (SC).
Quadro 01--Dezesseis variaveis avaliadas durante o levantamento
em campo nos bairros Centro e Badenfurt--Blumenau (SC).

Variaveis                Opcoes de avaliacao

1. Largura da            Largura livre superior
Calcada                  a um metro.

2. Condicao              Piso em boas condicoes
do piso

3. Obstaculos            Calcada livre de
                         obstaculos ao
                         deslocamento de
                         pedestres

4. Nivelamento           Calcada com declividade
                         minima (ate 2%)

5. Protecao              Calcada protegida da
contra                   chuva e do sol.
intemperie

6. Mobiliario            Calcada dotada de itens
Urbano                   de conforto

7. Iluminacao            Calcada bem iluminada

8. Uso lindeiro          Calcada com uso
                         lindeiro agradavel

9. Travessia             Calcada com boa
                         seguranca

10. Ambiente             Calcada em regiao
Psico-Social             inospita/perigosa e sem
                         policiamento

Variaveis adicionais

1. Tipo de pavimento     Concreto Paver

2. Rebaixo do meio fio   Existe e nao segue ABNT
3. Drenagem              Existe
4. Localizacao           Inicio e fim
5. Conservacao           Boas condicoes
6. Disposicao            Antes do raio de curva

Informacoes gerais

Nome da Rua              Municipio

Variaveis                Opcoes de avaliacao

1. Largura da            Largura livre inferior
Calcada                  a um metro

2. Condicao              Piso mal conservado
do piso

3. Obstaculos            Calcada com obstaculos
                         (arvores, postes,
                         mobiliario urbano)

4. Nivelamento           Calcada com declividade
                         acentuada (acima de 2%)

5. Protecao              Calcada parcialmente
contra                   protegida
intemperie

6. Mobiliario            Calcada adotada com
Urbano                   pelo menos um item de
                         conforto

7. Iluminacao            Calcada parcialmente
                         iluminada

8. Uso lindeiro          Calcada com o uso
                         lindeiro neutro

9. Travessia             Calcada com seguranca
                         razoavel

10. Ambiente             Calcada com media
Psico-Social             densidade de pedestres
                         e sem policiamento

Variaveis adicionais

1. Tipo de pavimento     Ladrilho Hidraulico
                         Lajotas Ceramicas
2. Rebaixo do meio fio   Nao existe
3. Drenagem              Nao existe
4. Localizacao           Inicio ou fim
5. Conservacao           Mas condicoes
6. Disposicao            No raio da curva

Informacoes gerais

Nome da Rua              Bairro

Variaveis                Opcoes de avaliacao

1. Largura da            Calcada inexistente
Calcada

2. Condicao              Piso inexistente
do piso

3. Obstaculos            Calcada obstruida
                         (pedestre anda na rua)

4. Nivelamento           Calcada interrompida
                         por degraus ou rampa

5. Protecao              Calcada sem sombra ou
contra                   protecao contra chuva
intemperie

6. Mobiliario            Calcada sem mobiliario
Urbano                   urbano

7. Iluminacao            Calcada sem iluminacao
                         noturna

8. Uso lindeiro          Presenca de deposito de
                         residuos, esgoto a ceu
                         aberto ou qualquer tipo
                         de descomforto

9. Travessia             Calcada sem condicoes
                         de seguranca

10. Ambiente             Calcada em regiao
Psico-Social             inospita/ perigosa e
                         sem policiamento

Variaveis adicionais

1. Tipo de pavimento     Nao possui

2. Rebaixo do meio fio
3. Drenagem
4. Localizacao
5. Conservacao
6. Disposicao

Informacoes gerais

Nome da Rua              Trecho

Fonte: adaptado de Siebert e Lorenzini (1998) e Santos (2003).

Tabela 01--Indice de Caminhabilidade e prioridade de intervencao

Indice de               Prioridade de intervencao
caminhabilidade

6,00 a 10,00 (Otima)    Melhorias e aperfeicoamento
4,0 a 5,90 (Moderada)   Intervencao a curto prazo
2,0 a 3,9 (Ruim)        Intervencao imediata
0 a 1,9 (Inadequada)    Situacao critica

Fonte: Santos (2003).

Tabela 02--Resultados do IC para o bairro Centro e Badenfurt,
Blumenau (SC)

IC                    Centro        Badenfurt

Numero de trechos     No.     %     No.     %

Otima (6-10)          134     68     11     17
Moderada (4-5,9)       52     27     24     37
Ruim (2-3,9)           7      4      20     31
Inadequada (1-1,9)     3      2      10     15
                      196    100     65    100

Extensao de trechos    Km     %      Km     %

Otima (6-10)          19,4   73,5   1,7    7,5
Moderada (4-5,9)      5,7    21,8   8,1    35,7
Ruim (2-3,9)          1,0    3,9    9,7    42,7
Inadequada (1-1,9)    0,2    0,8    3,2    14,1
Total                 26,3   100    22,9   100

Figura 03--Indice de Caminhabilidade (A) Centro e (B)
Badenfurt--Blumenau.

A

Indice de Caminhabilidade (%)
Numero de trechos

0-1,9 (Inadequado)   (2%)
2-3,9 (Ruim)         (4%)
4-5,9 (Moderado)     (27%)
6-10 (Otimo)         (68%)

Extensao de trechos (km/%)

0,217 (0,8%)
1,028 (3,9%)
5,783 (21,8%)
19,481 (73,5%)

Universidade Regional de Blumenau (FURB)

Mapa: Gustavo A. Piazza
Campo: Rafaela Meneses
Gabriel Z. Packer

Datum: WGS 1984 (22S)

Financiador:
-CAPES
-Gov. Estado
Santa Catarina
(Bolsa Art. 170)

B

Indice de Caminhabilidade (%)
Numero de trechos

0-1,9 (Inadequado)   (15%)
2-3,9 (Ruim)         (31%)
4-5,9 (Moderado      (37%)
6-10 (Otimo)         (17%)

Extesao de trechos (km/%)

3,229 (14.1%)
9,761 (42.7%)
8,153 (35.7%)
1,717 (7.5%)

Universidade Regional de Blumenau (FURB)

Mapa: Gustavo A. Piazza
Campo: Rafaela Meneses
Gabriel Z. Packer

Datum: WGS 1984 (22S)

Financiador:
-CAPES
-Gov. Estado
Santa Catarina
(Bolsa Art. 170)

Note: Table made from pie chart.
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Author:Piazza, Gustavo Antonio; Vieira, Rafaela
Publication:Ra'e Ga
Article Type:Ensayo
Date:Aug 1, 2017
Words:4411
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