Printer Friendly

Rastros digitais sob a perspectiva da teoria ator-rede.

Digital traces from the perspective of actor-network theory

A personalidade deve ser procurada onde o esforco pessoal e menos intenso."

Giovanni Morelli

Em meados dos anos 1980, um episodio ate entao menor da literatura em ciencias humanas e sociais, ganha relativa notoriedade no meio academico com o historiador Carlo Ginzburg (1989). O episodio se passa entre 1874 e 1876, quando uma serie de artigos sobre pintura italiana foi publicada numa revista alema, assinados por um desconhecido estudioso russo--Ivan Lermolieff. Os artigos propunham um novo metodo para atribuicao de autoria de quadros, e suscitaram na ocasiao fortes debates e reacoes entre os historiadores da arte. Anos mais tarde, o italiano Giovanni Morelli se revela o verdadeiro autor destes artigos que, sob o heteronimo russo, elaboravam o que veio a ser conhecido na historia da arte como o "metodo morelliano". O metodo visava diferenciar, no campo da pintura, originais e copias, de modo a identificar a verdadeira autoria do quadro. A sua singularidade consistia em uma estrategia atencional e interpretativa distinta daquela, entao, corrente. Era preciso, dizia Morelli, abandonar o foco nos tracos mais manifestos e centrais do quadro, aqueles que supostamente conteriam a "assinatura" do pintor: o sorriso nos quadros de Leonardo da Vinci, ou os olhos voltados para o ceu nos quadros de Perugino, entre outros.

A atencao do examinador deve, ao contrario, voltar-se para detalhes menores e negligenciaveis, nos quais a influencia da escola do pintor e menos marcada. Assim, a forma dos dedos e unhas, dos lobos de orelhas e outros detalhes sem gloria, seriam pistas muito mais valiosas quanto a autenticidade de um quadro do que os tracos "canonicos" da escola ou do pintor. Morelli cataloga, desta forma, as orelhas proprias a Boticelli e Signorelli, por exemplo; tracos presentes nos originais, mas ausentes nas copias.

Embora seu metodo tenha tido sucesso na atribuicao de quadros nos principais museus da Europa, foi bastante criticado ate cair em descredito. O interesse pelo metodo foi renovado muito mais tarde, notadamente a partir de Wind (1972), que viu nele um exemplo da atitude moderna frente a obra de arte, mais atenta aos pormenores que ao conjunto. De acordo com este autor:

"Os livros de Morelli tem um aspecto bastante insolito se comparados aos de outros historiadores da arte. Eles estao salpicados de ilustracoes de dedos e orelhas, cuidadosos registros das minucias caracteristicas que traem a presenca de um determinado artista, como um criminoso e traido pelas suas impressoes digitais. Qualquer museu de arte estudado por Morelli adquire imediatamente o aspecto de um museu criminal [...]"

(Wind, 1972 apud Ginzburg, 1989, p. 145)

Mas o metodo morelliano interessa a Ginzburg nao tanto pelo seu papel na historia da arte, mas porque ele seria uma das matrizes de um paradigma que, segundo este autor, comeca a se estabelecer nas ciencias humanas nas decadas de 1870-80, baseado na ideia de que rastros por vezes infinitesimais permitem apreender uma realidade mais profunda. Trata-se do "paradigma indiciario", que teria, alem de Morelli, outros representantes ilustres como Freud e o Sherlock Holmes, de Conan Doyle. Da mesma forma que Morelli busca detalhes relativamente marginais do quadro, Holmes busca em cinzas de cigarro, pegadas na lama e outros indicios pouco perceptiveis as pistas da autoria do crime. Freud, por sua vez, propoe como um dos eixos de sua hermeneutica, a ideia de que o inconsciente se revela, sobretudo, nos residuos, nos elementos marginais. Chega a citar o metodo morelliano, afirmando como este e similar a tecnica da psicanalise (Freud, 1914).

Em todos estes casos, esta em jogo, segundo Ginzburg, a constituicao de um saber e um metodo interpretativo que toma o rastro, o residuo, o negligenciavel, como indice e via mestra para realidades complexas ou profundas. Este paradigma indiciario que "emergiu silenciosamente no ambito das ciencias humanas no seculo XIX" (Wind, 1972 apud Ginzburg, 1989, p. 143) teria, ainda conforme o autor, raizes muito mais antigas. O patrimonio cognitivo de interpretacao dos rastros teria sido legado por nossos antepassados cacadores que, por milenios aprenderam a reconstituir as formas e deslocamentos das presas invisiveis a partir de seus rastros selvagens.

Mas, no que este saber tao antigo quanto moderno nos interessa? Curiosamente, o que renova o interesse por um saber dos rastros e uma paisagem recente e distante dessas duas herancas: aquela das pegadas que deixamos nas redes de comunicacao distribuida, especialmente na internet, onde toda acao deixa um rastro potencialmente recuperavel, constituindo um vasto, dinamico e polifonico arquivo de nossas acoes, escolhas, interesses, habitos, opinioes, etc. Esses numerosos rastros digitais tem feito, como se sabe, a fortuna das empresas de rastreamento e mineracao de dados para fins comerciais e publicitarios (1).

Dispositivos de vigilancia tem igualmente visto nestes rastros uma valiosa base de dados para o controle (Bruno, 2006; 2008).

Entretanto, alem e mesmo na contramao deste comercio e desta policia dos rastros digitais, ha ai uma ocasiao para se recolocar o problema da producao de um saber dos rastros. Este texto nasce desta ocasiao e explora o problema a partir das pistas encaminhadas pela teoria ator-rede (TAR), especialmente pelo trabalho de Bruno Latour (2007). A quantidade e a qualidade dos rastros digitais, hoje presentes na internet oferecem as ciencias sociais, segundo este autor, a possibilidade de renovar tanto suas metodologias quanto suas abordagens teorico-conceituais. Tais ciencias jamais estiveram diante de uma riqueza tao grande de dados: rastros subjetivos, comportamentais, linguisticos, financeiros, bem como interacoes, associacoes e conflitos de diversas escalas tornam-se significativamente mais faceis de serem descritos e retracados. Ao mesmo tempo, a natureza desses rastros traz novas inquietacoes. De toda forma, talvez nao seja exagero dizer que experimentamos algo proximo ao que Ginzburg vislumbrou no seculo XIX: o rastro (agora digital) como via privilegiada de conhecimento nas ciencias humanas e sociais. Contudo, no lugar de reconhecermos ai um paradigma, destacamos o quanto a producao de conhecimento dos rastros digitais e um terreno de embates.

O que se tornam os rastros digitais quando vistos sob a perspectiva da teoria atorrede? A pergunta ja indica a polifonia em jogo. Como apontamos, eles podem falar a lingua do comercio, da publicidade ou da vigilancia. Mas tambem podem falar a lingua da composicao de coletivos sociotecnicos, nos termos da TAR. A questao, assim, e a de como fazer falar os rastros digitais segundo esta ultima perspectiva. Eis a disputa colocada.

A acao humana e seus rastros

Toda acao humana, bem o sabemos, pode deixar atras de si rastros de diferentes qualidades. O estatuto desses rastros e dificil de definir em termos pretensamente universais, uma vez que o rastro e uma especie de quase-objeto (Serres, 1991) e situase num limiar entre presenca e ausencia; visivel e invisivel; duracao e transitoriedade; memoria e esquecimento; voluntario e involuntario; identidade e anonimato, etc. Uma lista bastante incompleta de aspectos importantes incluiria os seguintes "postulados":

a) Rastros sao mais ou menos visiveis. A visibilidade dos rastros nao e uniforme, mas multipla, e implica tecnicas distintas de visualizacao, as quais, por sua vez, interferem no modo de existencia do rastro. Um traco a lapis e uma impressao digital numa folha de papel, por exemplo, sao rastros de visibilidades distintas.

b) Rastros sao mais ou menos duraveis, persistentes. Oscilam desde a transitoriedade das pegadas na areia, ou a duracao instavel das pedrinhas com que O Pequeno Polegar marca seu caminho de volta para casa, ate a persistencia das inscricoes picturais nas grutas Chauvet-Pont d'Arc, que guardam esse gesto ha 32 mil anos. Espessuras temporais variaveis, portanto.

c) Rastros sao mais ou menos recuperaveis. Prestam-se a memoria e ao arquivo de modos distintos. Um telefonema, uma carta, um e-mail, um sms tem graus de rastreabilidade diferenciados.

d) Rastros sao mais ou menos voluntarios ou conscientes. Posso, por exemplo, inscrever deliberadamente a minha acao num objeto ou texto que produzo. Ou, posso deixar sem me dar conta, rastros de minha presenca em lugares, coisas, corpos.

e) Rastros sao mais ou menos atrelados a identidade daqueles que os produzem. Como bem nos mostrou Morelli, onde supostamente o rastro explicita a autoria, pode vigorar o falso ou o heteronimo. Ja onde rastros anonimos cairiam na indiferenca, pode residir o indice certeiro da identidade.

f) Rastros envolvem necessariamente uma inscricao material mais ou menos recuperavel por outrem. Neste sentido, remetem ao coletivo.

Estes postulados intimamente atrelados uns aos outros mostram o carater fragmentario, ambiguo e polissemico dos rastros de uma forma geral. Os rastros digitais tem, por sua vez, algumas especificidades.

Rastros digitais

Um rastro digital e o vestigio de uma acao efetuada por um individuo qualquer no ciberespaco (2). Ha, certamente, rastros no ciberespaco que nao derivam de acoes realizadas por individuos, mas de processos automatizados. Estamos considerando neste texto apenas rastros que envolvem direta ou indiretamente a acao humana, ainda que esta seja associada a inumeros agentes maquinicos e nao humanos.

As particularidades dos rastros digitais nao devem ser entendidas como caracteristicas exclusivas. Muitas delas sao partilhadas por outros tipos de rastros, mas encontram na inscricao digital, especialmente na internet, sua intensificacao. Uma serie de algumas particularidades conteria:

a) Nao se pode nao deixar rastro. Comunicar e deixar rastro

Ainda que o rastro seja uma virtualidade de toda acao, ele nem sempre se atualiza. Na internet, diferentemente, o rastro acompanha necessariamente toda acao, salvo que medidas para evita-lo sejam tomadas. O que se torna potencial e a sua recuperacao. Deste modo, alem ou aquem das informacoes pessoais que divulgamos voluntariamente na rede (posts, dados de perfil, conversacoes no Twitter ou no Facebook) toda acao--navegacao, busca, simples cliques em links, downloads, producao ou reproducao de um conteudo--deixa um rastro, um vestigio mais ou menos explicito, suscetivel de ser capturado e recuperado.

O ato comunicacional ganha uma peculiaridade na internet. Nao apenas acessamos, trocamos, produzimos conteudos e informacoes diversas, mas deixamos um rastro dessa comunicacao. Comunicar e deixar rastro. A maxima da pragmatica "nao podemos nao comunicar" pode ser reescrita: nao podemos nao deixar rastros.

b) Arquivo por padrao

Historicamente, a producao da inscricao, do registro implicava, na maioria das vezes, um gesto adicional, que se somava ao ato comunicacional. Quando o rastro passa a ser consubstancial a acao, como na internet, temos uma maquina avessa ao esquecimento, a um so tempo comunicacional e mnemonica. Um check-in no Foursquare (3), por exemplo, e a acao de comunicar a presenca num local e, ao mesmo tempo, a inscricao de seu rastro. Se historicamente entende-se o esquecimento como o efeito mais "natural" e o registro como gesto suplementar, vivemos na rede o inverso: para que o esquecimento se produza, e preciso uma acao deliberada. O arquivo, por sua vez, esta assegurado por padrao.

c) Rastros digitais sao persistentes e facilmente recuperaveis

Nem todo rastro e rastreavel. Naturalmente, este principio aplica-se tambem a internet, mas os rastros digitais sao relativamente mais persistentes e facilmente recuperaveis. Isto se deve, em parte, a diminuicao relativa do intervalo entre a acao, a inscricao do rastro e sua recuperacao. Ha, mesmo, a possibilidade de monitorar e capturar o rastro em tempo real, de modo a possibilitar vias diferenciadas de recuperacao. O Google Insights, por exemplo, permite que recuperemos os rastros de busca de termos em periodos especificos, visualizando a sua frequencia numa linha do tempo.

d) A topologia e a visibilidade dos rastros digitais sao multiformes

Nossas pegadas digitais tem uma topologia complexa, constituindo uma cascata de inscricoes. Num estrato mais superficial e visivel, ha a comunicacao declarativa e sua respectiva inscricao: o que publicamos ou um aplicativo que utilizamos, etc. Concomitantemente, ha informacoes que "emanam" desse primeiro estrato e geram rastros de segunda, terceira, quarta ordens. Vestigios que se inscrevem em nosso navegador e nos sites que visitamos (cookies; beacons), contendo o registro de nossa navegacao, sao exemplos dessas outras camadas de rastros, menos visiveis. Marcas quase invisiveis derivam de acoes ou comunicacoes que muitas vezes nem sao percebidas como tais. Quando uso um aplicativo no Facebook, por exemplo, posso querer apenas me divertir e nao necessariamente criar um rastro que indica um interesse que venha alimentar os bancos de dados publicitarios. Neste contexto, somos emissores nao apenas no sentido declarativo; emanamos "pacotes de informacao" em cascata que alimentam bancos de dados de visibilidade variavel. Dai deriva uma extrema ambiguidade quanto aos aspectos voluntarios e involuntarios do rastro digital. Quanto mais se deseja inscrever presencas na rede, mais rastros involuntarios sao deixados.

O rastro em disputa: policia, comercio, conhecimento e politica

Ainda que seja possivel identificar atributos proprios aos rastros digitais, o seu estatuto permanece em disputa e nao pode, de fato, ser definido de antemao. Tal disputa e atravessada por inumeros interesses, saberes, praticas e, um dos focos de embate consiste no tipo de conhecimento que se pretende extrair desses rastros. Este tambem e o nosso foco de interesse. Colocaremos em contraste duas perspectivas. Cada uma delas faz falar os rastros de modos distintos, implicando diferentes concepcoes da rede onde eles se produzem. A primeira concebe o rastro como indice, prova ou evidencia, compreendendo a rede como aparato de captura. Tratarei brevemente desta perspectiva, voltada para procedimentos de vigilancia e controle de individuos e grupos (Bruno, 2006; 2008). A segunda perspectiva, objeto maior de nossa atencao, baseada na TAR, concebe os rastros como inscricoes de acoes, sendo a rede aquilo que faz proliferar mediadores. Se na primeira o conhecimento dos rastros opera segundo criterios de identificacao, prova e previsao, colocando o acento sobre o individuo; na segunda o conhecimento dos rastros opera segundo criterios de descricao e mediacao, colocando o acento sobre o coletivo.

a) A policia e o comercio dos rastros digitais: rede como captura

Como se sabe, o monitoramento dos rastros pessoais vem se tornando uma rotina dos servicos, sites, redes sociais e plataformas de producao e compartilhamento de conteudo na internet. Imensas bases de dados de nossos modos de vida sao cotidianamente elaboradas de forma distribuida segundo multiplos propositos: comercio, entretenimento, marketing, publicidade direcionada, consultoria politica, recrutamento de pessoal, desenvolvimento de produtos e servicos, inspecao policial e estatal, etc.

O valor desses rastros consiste no conhecimento que eles supostamente possibilitam. Apesar dos multiplos usos, ha elementos comuns quanto ao modelo de conhecimento em jogo nesses casos. Em primeiro lugar, os rastros sao interrogados prioritariamente em seu carater indicial. Toda a ambiguidade e polissemia sao deixadas de lado em nome de uma inspecao que faz falar o rastro como "evidencia" de um ato ou caracteristica de um individuo. Leis como a Hadopi (4), por exemplo, buscam rastros que atestem que o internauta fez downloads de arquivos, violando direitos autorais. Instancias policiais, por sua vez, buscam indicios de crimes em rastros deixados na rede. Boa parte do rastreamento efetuado por instancias de seguranca e/ou juridicas quer atrelar o rastro ao individuo, fazendo-o falar como indice que leva a identificacao daquele que o gerou.

Fora do plano policial e securitario, ha ainda outro modo de fazer falar o rastro digital como "evidencia". E o caso do comercio, do marketing e da publicidade direcionada. O rastreamento dos vestigios de navegacoes, comunicacoes e consumo na internet constituiria, segundo esta perspectiva, uma via privilegiada de acesso aos mais autenticos desejos e tracos de personalidade dos individuos. A suposicao de autenticidade contida nestes rastros esta atrelada a ideia de que, uma vez "emanando" do proprio fluxo das acoes cotidianas, eles seriam vestigios colhidos in natura, e, por isso, mais confiaveis, uma vez que o filtro da consciencia estaria mais relaxado. Servicos e algoritmos dedicam-se ao monitoramento e tratamento desses rastros em busca do conhecimento do que se designa, nesse setor, por on-line body language dos usuarios da rede.

Parte deste conhecimento alinha-se as pesquisas recentes sobre big data, com aplicacoes em varios dominios. Como o proprio termo indica, estamos diante de uma nova grandeza informacional que envolve tanto o aumento na capacidade de coleta, estocagem e tratamento, quanto a emergencia de um tipo de saber proveniente dessas imensas quantidades de dados, as quais revelariam regras inscritas nas correlacoes sutis entre eles (Anderson, 2008).

A pretensao de objetividade tambem esta atrelada ao carater automatizado do tratamento desses rastros que nao seriam submetidos a interpretacao humana, mas a procedimentos algoritmicos. Estes, por sua vez, revelam padroes de comportamento, personalidade, sociabilidade, desejo que nao sao pre-definidos (top down), mas que emergem o proprio cruzamento dos dados (bottom-up). Categorias que expressariam um grau de objetividade mais agudo que quaisquer outras teorias, observacoes ou interpretacoes permitiriam.

O saber em jogo pretende, ainda, ser proativo. As imensas quantidades de rastros heterogeneos constituem, segundo esta perspectiva, gigantescos arquivos com capacidade de projetar padroes de comportamento e, consequentemente, intervir sobre o curso das acoes dos individuos, ofertando escolhas e caminhos que incitem ou evitem, conforme o caso, o que se projetou. A evidencia supostamente revelada no rastro digital nao tem, neste caso, a pretensao de ser uma prova ex post facto, mas um vetor que permitiria agir antes do fato, ou antes da acao, de modo a orienta-la.

Ha, claramente, a construcao de um modelo de saber cujo argumento de legitimacao reside nas supostas objetividade e autenticidade proprias a coleta desses rastros em tempo real, in natura, e ao tratamento automatizado. Argumento fragil e questionavel tanto do ponto de vista cognitivo, quanto politico, pois, supoe que tais procedimentos dispensam mediacoes (e suas consequentes traducoes), atribuindo ao rastro um estatuto de evidencia.

b) O rastro digital segundo as pistas da teoria ator-rede: cognicao e politica

Na contracorrente da linguagem policial e comercial, outros modos de fazer falar os rastros digitais sao, entretanto, possiveis. Esta imensa e dinamica "mina" de dados deve ser, tambem, uma ocasiao para se experimentar estrategias cognitivas e politicas diferenciadas. Exploramos, nesta direcao, pistas encaminhadas pela teoria ator-rede.

"La mediation numerique s'etale comme un immense papier-carbone offrant aux sciences sociales plus de donnees qu'elles n'en ont jamais revees. Grace a la tracabilite numerique, les chercheurs ne sont plus obliges de choisir entre la precision et l'ampleur de leurs observations: il est desormais possible de suivre une multitude d'interactions et, simultanement, de distinguer la contribution specifique que chacune apporte a la construction des phenomenes collectifs. Nees dans une epoque de penurie, les sciences sociales entrent dans un age d'abondance."

(Latour e Venturini, 2010, pp. 5-6).

Os autores apontam, no trecho acima, ao menos duas grandes oportunidades para as ciencias humanas e sociais. A primeira concerne a um ganho quantitativo. Estas ciencias contam hoje com uma rica e inedita fonte de dados, outrora de dificil acesso. Mas nao se trata apenas de um maior volume de dados disponiveis, mas da possibilidade de renovar a leitura mesma dos processos sociais.

Por que a rastreabilidade digital e o conhecimento que dela deriva interessam especialmente a TAR? A resposta implica um breve parentese sobre alguns conceitos e principios desta abordagem. Em primeiro lugar, e preciso entender o estatuto do rastro a partir da nocao de acao e seu papel na redefinicao do social, proposta por Latour. Esta redefinicao implica abrir mao do modelo explicativo vigente em grande parte da sociologia: aquele que postula a sociedade ou "o social" como um dominio ou substancia especial da realidade, capaz de explicar porque processos e seres se mantem juntos. Decorre dessa concepcao essencialista ou substancialista, a ideia de que a sociedade ou qualquer outra grande estrutura--o poder, o mercado, o capital, o contexto, o simbolico--e o que explica uma serie de processos ditos "sociais". Latour provoca esta tradicao afirmando: "o social nao existe"! O que isto quer dizer? Sumariamente, significa que o "social" nao e o que explica, mas o que merece ser explicado. A provocacao e enderecada a boa parte da sociologia, que teria se poupado do trabalho fundamental de explicar como se constroi "o social", transformando-o numa especie de grande estrutura que tudo explica. Na esteira da TAR, Latour convida a inverter os termos e retomar o trabalho de explicar como se tece o social.

E precisamente para aqueles que desejam efetuar este trabalho que a rastreabilidade digital pode ser interessante. Pois, em linhas muito gerais, tal trabalho consiste em retracar as acoes que multiplos e heterogeneos atores efetuam, descrevendo as associacoes e redes que se formam na composicao de um coletivo qualquer. O "social" e aquilo que emerge dessas acoes, associacoes e redes, e nao algo que paira sobre ou sob elas. O trabalho de descricao do social e, assim, um trabalho de formiga, brinca Latour, referindo-se ao significante formado pelo acronimo da TAR na lingua inglesa (Actor Network Theory, ou ANT, tambem "formiga" em ingles). Implica assim uma perspectiva "rasteira", voltada para lugares concretos, ou oligoptica, termo proposto em contraste com a perspectiva panoptica, que deseja tudo ver (Latour, 2007).

Esta descricao deve levar em conta uma serie de principios da TAR, retomaremos apenas os diretamente atrelados a nossa argumentacao.

a) Nenhum criterio substancialista define de antemao o que e um ator;

b) A acao nunca e individual, e sim coletiva e distribuida;

c) Quando ha acao, ha rastro;

d) O trabalho de descricao das redes implica seguir os rastros das acoes, sendo a um so tempo cognitivo e politico.

O primeiro principio remete a heterogeneidade dos modos de existencia que compoem o social. Como se sabe, a TAR reivindica um social de composicao hibrida, entendido como coletivo sociotecnico de entidades humanas e nao humanas. Tais entidades nao sao, por algum atributo especial, atores (actantes). Um actante nao se define por sua natureza (humana ou nao humana; animada ou inanimada), mas pelo modo como age. Ve-se que o actante se diferencia do sentido sociologico classico de "ator social", privilegio do dominio humano (5).

Agir, segundo a TAR, e produzir uma diferenca, um desvio, um deslocamento qualquer no curso dos acontecimentos e das associacoes. Mediacao e traducao sao termos que buscam definir esta acao que e transformacao, "traicao". Os dois termos implicam deslocamentos de objetivos, interesses, dispositivos, entidades, tempos, lugares. Implicam desvios de percurso, criacao de elos ate entao inexistentes e, que de algum modo, transformam os elementos imbricados. Qualquer entidade que produza uma diferenca no curso de uma situacao deve ter o estatuto de actante, participando assim da composicao de um coletivo.

Esta composicao deve ser descrita segundo a nocao de rede, ou seja, como um "encadeamento de acoes onde cada participante e tratado, em todos os aspectos, como mediador" (Latour, 2007). Um mediador e algo que age transformando; diferentemente do simples intermediario, que transporta sem alterar. Um simples quebra-molas, diz Latour (1994), opera uma transformacao decisiva ao nos fazer agir como seres morais (diminuindo prudentemente a velocidade), ainda que estejamos apenas interessados em preservar a suspensao dos nossos carros. As cadeias de acoes e associacoes que constituem as redes nao sao, assim, meros veiculos por onde ha transporte--de informacao, sentido, objeto--sem transformacao. Ao contrario, as redes sao aquilo mesmo que emerge do trabalho de mediacao e traducao de atores heterogeneos. Em sua composicao, ha uma serie de disputas, negociacoes, controversias que redefinem continuamente os atores, suas acoes, associacoes, bem como, a propria rede. Assim, as redes nao existem como um objeto que estaria ai antes de haver acao, ou que subsiste apos cessarem as acoes. Topologicamente, a rede se define "por suas conexoes, seus pontos de convergencia e bifurcacao. Ela e uma logica de superficies, definida por seus agenciamentos internos e nao por seus limites externos" (Moraes, 2000). Dai a importancia de nao se confundir a nocao de rede proposta pela TAR com qualquer representacao ou objeto tecnico especifico. Uma rede, lembra Latour, e menos a coisa descrita, do que um modo de descricao. E esta descricao e menos a de uma coisa estabilizada, do que a de um coletivo em seu movimento de formacao.

O segundo principio--que afirma a natureza coletiva e distribuida da acao--permite compreender melhor o carater da rede. A acao jamais e individual ou local. Nunca agimos sos, quando agimos, outros passam a acao e, se agimos, e porque fomos acionados por outros. Dai o termo continuo ator-rede. A acao e sempre distribuida, em rede, e nao ha nenhum principio essencialista capaz de estabelecer, de antemao, que atores serao mobilizados para a construcao de uma rede.

Neste ponto, Latour (2007) retoma uma das intuicoes fundadoras das ciencias humanas e sociais na Modernidade: a de que nao somos senhores de nossa propria acao, seja porque nunca agimos sos (outros agem em nos), seja porque nunca somos plenamente conscientes de nossas acoes, seja ainda porque nossas acoes nos ultrapassam e produzem efeitos inesperados, que nos escapam. Sabemos o quanto a psicanalise, a antropologia, a sociologia, a linguistica retiraram do sujeito e da consciencia o centro da acao, multiplicando os agentes. Contudo, segundo Latour, a potencialidade desta intuicao e rapidamente sufocada pela invocacao de forcas como o social, o inconsciente, a estrutura, o simbolico que sobredeterminariam o sujeito e suas acoes. Retomar esta intuicao em sua radicalidade e supor que a acao e sempre distribuida e "subdeterminada", de modo que devemos manter sempre uma margem de incerteza em relacao a origem de qualquer acao. Quando agimos, devemos perguntar: quem mais age ao mesmo tempo que nos? Quantas entidades invocamos? Como nao fazemos jamais o que queremos?

Estas sao tambem as questoes que se colocam quando se trata de explicar como as redes e coletivos sociotecnicos se constituem. Explicacao, afinal, que define a tarefa da TAR: "seguir as coisas atraves das redes em que elas se transportam, descreve-las em seus enredos" (Latour, 2004, p. 397). Mas como "seguir as coisas"? Pelos seus rastros. Chegamos ao terceiro e ao quarto principios. Quando ha acao, ha rastro. Quando se age, quando se produz uma diferenca, produz-se um rastro que pode ser recuperado, ainda que estes rastros sejam intermitentes (Latour, 2007). Uma das tarefas de descricao de como as redes e coletivos sociotecnicos se constituem, consiste em retracar os rastros das acoes, traducoes, associacoes inscritos em documentos, arquivos, notas e registros de toda ordem.

Eis porque a rastreabilidade digital pode ser interessante, se explorada segundo a perspectiva da TAR. A rastreabilidade das acoes de inumeros atores nas redes digitais de comunicacao torna extremamente mais simples a tarefa de se retracar a tessitura mesma dos coletivos sociotecnicos. Os rastros digitais, fruto de acoes, interacoes e declaracoes de toda sorte, alem de vastos e diversificados, podem ter sua trajetoria retracada de forma relativamente simples, se comparada aos meios tradicionais de recuperacao de associacoes constitutivas de fenomenos sociais. Instrumentos convencionalmente custosos e lentos (questionarios, enquetes, calculos estatisticos) dao lugar a ferramentas mais ageis e simples (sistemas automatizados de coleta, registro e visualizacao), oferecendo as ciencias sociais nao apenas uma riqueza de dados, mas a possibilidade de observar e descrever os processos sociais segundo uma perspectiva que dispense as grandes particoes com as quais a sociologia classicamente trabalhou: micro e macro social, interacoes locais e estruturas globais, individual e coletivo, subjetivo e social. Uma das apostas da teoria ator-rede--seguir a linha de montagem dos coletivos sociotecnicos dispensando essas grandes particoes--tem seu folego renovado pelas redes digitais de comunicacao. Boa parte da sociologia supos que suas particoes eram incontornaveis, de modo que era sempre preciso escolher observar, seja o pequeno mundo local das interacoes face a face dos individuos e suas subjetividades, seja o grande aparato das estruturas, das dimensoes coletivas e sociais.

Estas esferas nunca existiram, de fato, como estratos diferenciados da realidade. O que as distancia e a extrema dificuldade de se acompanhar as acoes locais e as conexoes que constituem os coletivos, tornando a passagem de uma escala a outra extremamente dificil de rastrear e retracar. A conexao ator-rede se faz em toda parte, mas quando se trata de descreve-las e retraca-las, os esforcos sao consideraveis. O que as redes digitais favorecem e precisamente esta rastreabilidade, de modo que se pode, ao mesmo tempo, seguir uma serie de acoes e associacoes locais e ver como cada uma delas participa da construcao de coletivos. A passagem de uma escala a outra se torna facilitada: e possivel manter simultaneamente o foco (local) e a amplitude da observacao, como num movimento de zoom.

Tomemos o exemplo abaixo, uma imagem de uma serie de infograficos interativos sobre a disseminacao de rumores no Twitter na ocasiao dos protestos de agosto de 2011 em Londres (Fig. 1). Esta imagem se dedica especificamente ao rumor de que os protestos tinham chegado ao zoologico de Londres, ocasionando a soltura de animais pela cidade. Navegando pelo infografico, visualizamos tanto os agregados "globais" resultantes das associacoes entre os tuites confirmando (verde), contestando (vermelho), questionando (amarelo) ou comentando (cinza) os rumores - quanto as acoes mais locais, como os tuites especificos mais disseminados no seio de cada agregado (clicando nas "moleculas" dentro de cada "celula", e possivel visualizar os tuites particulares, reproduzidos na parte de baixo do canto esquerdo e abaixo da imagem dos agregados). Ainda e possivel acompanhar a trajetoria do rumor em uma linha do tempo (parte de cima da imagem), desde seu surgimento ate a sua extincao. O exemplo ilustra bem como a rastreabilidade digital permite retracar a formacao de um fenomeno coletivo, navegando numa paisagem de dados que nao supoe dois niveis--o elementar e o sistemico; o micro e o macro; o individual e o estrutural--mas um unico nivel tao plano quanto possivel, por onde se transita, sem sair da "superficie", do ator a sua rede e vice-versa. A ideia, cara a TAR, de que quanto mais se deseja localizar um ator, mais se tem que estender a sua rede (Law, 1999), torna-se uma experiencia relativamente comum neste exemplo e em outros tantos similares na internet e nas bases de dados digitais.

[FIGURA 1 OMITIR]

A partir desta perspectiva, podemos explorar os rastros digitais nao mais como evidencias atreladas a identificacao de individuos ou a previsao de padroes comportamentais, tal como querem a policia e o comercio. Outro modelo de conhecimento esta proposto: os rastros digitais podem falar agora a infra-linguagem da fabricacao de coletivos, redes, mundos, permitindo compreender e descrever esta fabricacao em seu movimento. Concebidos como inscricoes de acoes, os rastros que deixamos na internet sao interrogados quanto aos efeitos que produzem na formacao de coletivos. As redes onde eles se inscrevem nao sao entendidas como a teia que os captura, mas a trama que emerge das acoes que lhes deram origem e que as modificam em retorno. Descrever essas tramas e produzir um conhecimento sobre um fenomeno social qualquer e, ao mesmo tempo, reinventar um espaco politico.

Para brincar um pouco com a sonoridade das palavras em jogo, passamos de uma policia para uma politica dos rastros digitais. Eis o ultimo ponto a tratar. Por que este conhecimento e tambem uma politica dos rastros digitais? Em termos breves, porque descrever e retracar os rastros das acoes que constituem as redes e coletivos e tambem um meio de continuar a sua composicao, ampliando tanto a margem de entidades heterogeneas que dela podem participar, quanto a margem de acao que ela pode distribuir. Pois, uma rede e o que faz proliferar os mediadores (Latour, 2007) e, assim como o social, jamais esta plenamente acabada.

Quando entendemos a tarefa da politica como a composicao progressiva de um mundo comum (Latour, 2007); quando entendemos que a composicao de um mundo comum e o trabalho mesmo de tessitura das redes de modo a ampliar os modos de existencia que dela participam, distribuindo a acao e fazendo proliferar os mediadores; quando entendemos ainda que as redes nao estao jamais acabadas, sendo elas menos a coisa descrita do que o processo de descricao, retracar os rastros digitais que as compoem e uma tarefa simultaneamente cognitiva e politica. O "social", diria Latour, se constitui precisamente nesses movimentos intermitentes, e ai que fazemos sociedade, mundos. Antes de ser uma substancia estavel, o social e isto que so se torna visivel quando novas associacoes sao fabricadas.

Tomemos um exemplo atual dessa "emergencia do social" e da possibilidade de retraca-la segundo uma abordagem cognitivo-politica via TAR: na ocasiao dos acampamentos dos "indignados" nas pracas da Espanha em 2011, uma serie de dispositivos foram criados para fomentar e organizar a participacao nas reivindicacoes, propostas e assembleias presenciais realizadas nas pracas. Murais tematicos onde propostas politicas poderiam ser coladas; ardosias com a pauta das assembleias e reunioes do dia; mapas da praca indicando os locais das atividades; "caixinhas" para doacoes em dinheiro; peticoes redigidas colaborativamente; "varais" com listas de enderecos para contato e divulgacao, entre outras taticas de ocupacao e potencializacao da praca como espaco publico e politico. Atravessando todas essas taticas, uma serie de outros dispositivos produzidos na internet propagava e traduzia as diversas acoes das pracas, ao mesmo tempo em que criavam novos rastros e associacoes tecendo as conexoes deste movimento nas ruas e nas redes digitais. O exemplo do Tweetometro (Fig. 2) e especialmente interessante. O dispositivo foi criado para organizar e visualizar com mais detalhes as votacoes das propostas encaminhadas nas pracas e no movimento de um modo geral. Ao fazer isso, possibilita ao mesmo tempo compreender (se nos dedicarmos a seguir e descrever com paciencia os rastros que ele atualiza) as diferentes falas, acoes e traducoes em curso, e continuar o trabalho de composicao da rede, isto e, de distribuicao das acoes e de proliferacao dos mediadores. Pois o Tweetometro, ao traduzir as acoes e declaracoes das pracas em posts e hashtags no Twitter, segundo um formato em que podem ser votados e visualizados comparativamente, possibilita uma mudanca de escala, tanto no ambito cognitivo, permitindo ver, descrever, organizar, comparar, rastrear algo que antes se encontrava difuso, quanto no ambito politico, pois atua como um mediador que amplia o potencial de acao, decisao, negociacao para alem do aqui e agora das pracas e retornando sobre elas. Alem disso, cria uma camada de inscricao de rastros digitais mais duradoura e recuperavel, potencializando as possibilidades de pesquisa, reapropriacao, difusao, discussao, contestacao das acoes que lhes deram origem.

[FIGURA 2 OMITIR]

No ambito academico, um dos esforcos nesta direcao sao as cartografias de controversias que utilizam massivamente dados disponiveis na internet para mapear as disputas e toda a agonistica implicada na construcao de fenomenos sociais (6). Para ser breve e concluir, ressaltando apenas um dos muitos aspectos em jogo, a ideia central e utilizar a rastreabilidade digital tanto para descrever e tornar visivel as controversias que animam uma serie de fenomenos coletivos, quanto para ampliar a participacao publica e politica nestas controversias que, uma vez cartografadas, se tornam sensorialmente, cognitivamente e politicamente mais proximas, ampliando a margem de participacao de atores diversos.

Esta em jogo, nestes exemplos, uma expressiva distribuicao da acao, pois tratase sempre de fazer agir; e de agir politicamente, nao tanto no sentido de atuar segundo uma causa politica, mas no sentido de reverberar o poder de agir, traduzir e transformar. Pois, agir, segundo a perspectiva que estamos desenhando aqui, e precisamente fazer outros passarem a acao. Voltamos a questao que abre este texto: o que se tornam os rastros digitais quando vistos sob a perspectiva da teoria atorrede? Que os rastros digitais que todos nos produzimos constituam mundos tao comuns quanto heterogeneos e tenham outros destinos daqueles que lhes reservam as tecnologias de controle, eis a aposta que se lanca aqui para a pesquisa e a politica em cibercultura.

REFERENCIAS

ANDERSON, Chris. The end of theory: the data deluge makes the scientific method obsolete. Wired Magazine, 23 June 2008.

BRUNO, Fernanda. Dispositivos de vigilancia no ciberespaco: duplos digitais e identidades simuladas. Revista Fronteira, VIII, 2006.

--. Monitoramento, classificacao e controle nos dispositivos de vigilancia digital. Revista FAMECOS, 36, 2008.

FREUD, Sigmund. O Moises de Michelangelo. Obras Completas. Rio de Janeiro: Imago, 1970. v. XII.

GINZBURG, Carlo. Mitos, emblemas, sinais. Sao Paulo: Companhia das Letras, 1989.

LATOUR, Bruno. Changer de societe, refaire la sociologie. Paris: La Decouverte, 2007.

--. On Technical Mediation: Philosophy, Sociology and Genealogy). Common Knowledge, v. 3, n. 2, pp. 29-64, 1994.

--. Por uma antropologia do centro (entrevista). Mana, v. 10, n. 2, 2004.

LAW, John; HASSARD, John. (Ed.). Actor Network and After. Oxford: Blackwell, 1999.

MORAES, Marcia. O conceito de rede na filosofia mestica. Revista Informare, v. 6, n. 1, 2000.

SERRES, Michel. O contrato natural. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.

VENTURINI, Tommaso; LATOUR, Bruno. Le tissu social: traces numeriques et methodes quali-quantitatives, 2010. Disponivel em: <http://www.tommasoventurini.it/web/uploads/tommaso_venturini/LeTissuSocial.pdf>.

Fernanda Bruno

Professora do Programa de Pos-Graduacao em Comunicacao e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro--UFRJ.

<bruno.fernanda@gmail.com>

NOTAS

(1) Em pesquisa realizada em 2010 identificamos a presenca de 362 rastreadores de dados de usuarios (cookies, flash cookies e web beacons) em 5 sites da internet brasileira (Terra; UOL, Yahoo; Globo.com; YouTube) e de 295 rastreadores em 2 redes sociais (Orkut e Facebook). Cerca de 68% desses rastreadores atuam no campo do marketing on-line. Cf. Bruno, F. et al. Social impacts of the use and regulation of personal data in Latin America. IDRC, no prelo.

(2) Neste texto, restringimos nossa analise ao dominio da internet.

(3) <https://foursquare.com/>.

(4) <http://hadopi.fr/>.

(5) O termo actante, emprestado da semiotica, e utilizado por Latour para destacar esta diferenca de perspectiva. Neste texto, empregaremos os termos ator e actante de modo equivalente.

(6) Cf. <http://www.mappingcontroversies.net/>.
COPYRIGHT 2012 Editora da PUCRS
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2012 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Title Annotation:Ciencias da Comunicacao
Author:Bruno, Fernanda
Publication:Revista Famecos - Midia, Cultura e Tecnologia
Date:Sep 1, 2012
Words:6873
Previous Article:O relatorio MacBride e a genese do debate internacional sobre trocas desiguais nas industrias de comunicacao.
Next Article:Youtube como espaco de construcao da memoria em rede: Possibilidades e desafios.

Terms of use | Copyright © 2017 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters