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REPRESENTACOES DA CULTURA DE MASSA NA OBRA DE CLARICE LISPECTOR: A HORA DA ESTRELA/REPRESENTACIONES DE LA CULTURA DE MASAS EN LA OBRA DE CLARICE LISPECTOR: A HORA DA ESTRELA/REPRESENTATIONS OF MASS CULTURE IN CLARICE LISPECTOR'S A HORA DA ESTRELA.

INTRODUCAO

ESTE TEXTO ANALISA como Clarice Lispector inclui no enredo de sua novela A Hora da Estrela, aspectos relacionados com a emergente cultura de massa na decada de 1970 no Brasil (1). Tal opcao justifica-se pelo perfil da protagonista da obra em questao, Macabea. Uma jovem pobre que trabalha como datilografa e interage com o mundo social por meio da audicao de uma emissora de radio e da leitura de anuncios publicitarios de jornais. Com essa personagem a autora nos oferece uma diversidade de elementos que nos permitem algumas leituras do universo simbolico da receptora, de sua visao do mundo, da acumulacao de conhecimentos e percepcoes, das mediacoes processadas, do discurso dos emissores e da propria receptora, alem de sua condicao de migrante nordestina, do meio rural, que nao consegue se adaptar ao contexto sociocultural suburbano da cidade do Rio de Janeiro, na decada de 1970.

Macabea torna-se ouvinte assidua da Radio Relogio, uma emissora que "informava ininterruptamente a hora certa e curiosidades culturais e nenhuma musica" (Guidin, 1996, p. 36). A analise do universo de Macabea enquanto receptora de anuncios publicitarios de jornais e de programas radiofonicos justifica-se pela inclusao do cotidiano dos pobres no enredo da obra, uma perspectiva politico-literaria emergente na America Latina, com reflexos na producao sociologica e de demais campos das Ciencias Humanas, com enfoque principalmente nas situacoes de pobreza urbana e nas condicoes de sofrimento ambiental causado pelos bairros insalubres e distantes das periferias. As narrativas midiaticas passaram a retratar esses contextos (Martin-Barbero, 1995), transformando tais enredos em contos morais (Cole, 2003), ou seja, narrativas baseadas numa ordem simbolica cujos valores sociais sao utilizados para justificar determinados dramas pessoais e assim manter a ordem politica vigente.

Na America Latina, as pesquisas sobre recepcao desses contos morais adquiriram especial interesse com os estudos desenvolvidos por Martin Barbero (1987) e Guilhermo Orozco (1994), sobretudo no que tange ao conceito de mediacao. O primeiro destaca a cultura como mediacao, ou seja, como mediadora e produtora de sentido no processo de recepcao, o qual e entendido como ressignificacao dos discursos propostos e apresentados pela midia (Martin-Barbero, 1987). O segundo propoe que se entenda recepcao como um processo estruturante que configura e reconfigura a interacao dos publicos com os meios (Orozco, 1994). Para Orozco, a mediacao se origina em varias fontes, como cultura, politica, economia, classe social, genero, idade, etnia, meios, condicoes situacionais e contextuais, instituicoes e movimentos sociais. A mediacao tambem se origina na mente do sujeito, nas suas emocoes e experiencias. Cada uma destas instancias torna-se fonte de mediacoes e pode tambem mediar outras fontes (Gomes e Cogo, 1997, p. 12). Orozco propoe ainda quatro grupos de mediacao: individual, situacional, institucional e video-tecnologica. Todos esses casos de mediacao, salienta, sao impregnados pela cultura (Orozco, 1994).

Diante dessa afirmacao do autor, podemos inferir que a mediacao individual e a mais importante no caso da literatura. Isso porque e a mediacao individual que diz respeito ao receptor em si. Ela surge do sujeito, tanto como individuo com um desenvolvimento cognoscitivo e emotivo especifico, quanto em sua qualidade de sujeito social, membro de uma cultura (Orozco 1993, apud Gomes e Cogo, 1997, p. 12). Destacamos aqui a mediacao individual por outra razao: E a que mais adquire importancia no caso em estudo, ou seja, a recepcao de anuncios publicitarios de jornais e programas de radio pela personagem principal de A Hora da Estrela (Macabea).

Os estudos citados apresentam o receptor como agente do processo de recepcao, capaz de imprimir seu gosto, de escolher, de aprovar ou rejeitar determinado tipo de mensagem midiatica. Nesses estudos, os analistas conferem sentido, peso politico e significado historico as praticas sociais, politicas e comunicacionais dos trabalhadores (Rabay, 1994, p. 38). Isto, na avaliacao da autora, foi importante, porque boa parte dos receptores que participavam da luta politica por mais liberdade se reconheciam como sujeitos, mas, tambem porque tais estudos romperam com a tradicao anterior de tratar a recepcao de conteudos culturais como um processo passivo. E nesta perspectiva que analisamos, aqui, o problema da recepcao na novela de Clarice Lispector.

Vilma Areas (2005) tambem ressalta a relacao da obra aqui analisada com o universo da cultura de massas. A Radio Relogio, segundo a autora, alem de oferecer noticias vagas, sobre temas distantes da vida de Macabea--que fazem pouco sentido para ela e Olimpico-, produz experiencias esteticas marcantes no imaginario de Macabea. Um exemplo disso e quando ela relata a Olimpico a sensacao que teve ao ouvir a musica Una furtiva lacrima, "a unica coisa belissima em sua vida", segundo a descricao do narrador. O momento em que ela ouve a musica e destacado como "sua mais alta experiencia intelectual" (Areas, 2005, p. 101).

O assunto e discutido ainda por Regina Dalcastagne (2000, p. 85), mas com o proposito de acentuar a distancia simbolica entre os intelectuais e os marginalizados. Clarice Lispector representa essa distancia pela figura do narrador erudito e pela presenca de Macabea, iletrada. Clarice Lispector inclui nessa critica o predominio da visao masculina no campo intelectual. Por essa razao a autora recorre a um narrador masculino chamado Rodrigo S.M, ao justificar, ironicamente, que mulher escreve de forma piegas. Com esse recurso, Lispector poe em cena "um intelectual falando sobre uma mulher do povo (e reafirmando seu preconceito)", uma forma de ampliar e superdimensionar a distancia entre os intelectuais e o povo (Dalcastagne, 2000, p. 83).

Convem ressaltar aqui o diferencial do estudo proposto. Apesar de tambem focar nas representacoes da cultura de massas, ressalta tres aspectos ainda nao abordados. O primeiro diz respeito as condicoes de recepcao dos conteudos midiaticos pelo publico de pouca instrucao, ou seja, Macabea como uma receptora de tais mensagens. O segundo refere-se aos aspectos especificos da publicidade, representado pela relacao de Macabea com os anuncios publicados em jornais e revistas. Ao lado da Radio Relogio, Lispector coloca a publicidade como um poderoso discurso da cultura de massas. O terceiro trata da perspectiva predominantemente masculina dos produtores da cultura de massas, ressaltado na obra de Clarice Lispector aqui examinada pelo narrador masculino. Com isso, a autora denuncia o uso dos dispositivos midiaticos para reforcar o machismo e os preconceitos contra a mulher. Tanto e que Lispector opoe a figura ingenua e vulneravel de Macabea a de Olimpico, esperto e categorico em seu modo de falar, tal qual os meios de comunicacao.

PERFIL DA RECEPTORA MACABEA

A novela de Lispector, conforme ela mesma declarou em entrevista a Julio Lerner, concedida em janeiro de 1977, relata a historia de uma moca nordestina, "tao pobre que so comia cachorro-quente" (2). A novela e caracterizada ainda como "a historia de uma inocencia pisada, de uma miseria anonima" (Lerner, 1992, sem paginacao). Trata-se de uma antiprotagonista, pois a personagem e visivelmente desajustada a vida na grande cidade, pessima datilografa, subempregada, vive mal e mora em local sujo e insalubre, na periferia pobre do suburbio da Cidade Maravilhosa, um cortico na Rua Acre. Reside, portanto, "entre as prostitutas que serviam a marinheiros, depositos de carvao e de cimento em po, nao longe do cais do porto", como descreve o narrador (p. 45). Possui 19 anos, e alagoana, orfa e desnutrida. Ignora-se por que mudou para o Rio. Um dado importante, quase documental: "colecionava anuncios e fotos de artistas, recortados de jornais velhos, que colava num album". Uma vez por semana ia ao cinema, relata (p. 40).

Fragil fisicamente, Macabea e descrita como alguem que "mal tem corpo" (p. 27). Para falar assim da personagem, o narrador refere-se a outras mocas, aquelas que "vendem o corpo, unica posse real, em troca de um bom jantar em vez de um sanduiche de mortadela" (p. 27). Como "mal tem corpo para vender", ninguem a quer, ela e virgem e inocua, nao faz falta a ninguem" (p. 13). Por essa mesma razao, quase ao final da historia, Macabea perde seu namorado que, sugestivamente, chamava-se Olimpico, para uma secretaria muito bem nutrida, cujo nome tambem a distinguia em muito de Macabea. Chamava-se Gloria e era filha de um acougueiro. Alem do nome glorioso, a secretaria tinha comida farta, ao contrario de Macabea.

Essa descricao da personagem sugere uma leitura que mostra a moca nordestina como um ser desprovido de qualidades fisicas, requeridas socialmente para sua inclusao em um mercado simbolico em que o corpo e a moeda e a beleza o capital simbolico. A razao para isso talvez seja o simples fato de Macabea nao poder usufruir nem sequer de um bom jantar, como as mocas que "vendem o corpo". Isso a tornava cada vez mais fragil e cada vez mais privada de beleza fisica. Por isso permanecia "virgem e inocua", expressao encontrada pelo narrador para equiparar o corpo de sua personagem a um terreno esteril. Terra virgem nao por nunca ter sido cultivada, mas por nao oferecer nenhum atrativo para ser amanhada. Por "quase nao ter corpo", Macabea e privada de convivencia social, de relacoes, de amores. Seu cotidiano limita-se ao trabalho de datilografa, a audicao do radio e a leitura de classificados de jornais. A ela, apos o termino do expediente, so resta a companhia do locutor da Radio Relogio. Nem as colegas com as quais dividia quarto manifestavam interesse em sua companhia, em suas conversas. Como resume Vilma Areas, "a inacessibilidade dos bens materiais e culturais, a condicao de paria social, faz dela um ser inacabado pela impossibilidade de desenvolvimento adequado. Em suma, Macabea nao e um ser humanizado em sentido profundo, e essa e a fratura que o livro quer expor" (Areas, 2005, p. 81).

E necessario ressaltarmos ainda o contexto sociocultural da receptora Macabea, prototipo dos receptores da chamada cultura de massas. Migrante, oriunda do campo, ela depara-se com uma realidade social e uma cultura estranhas a sua vida de camponesa nordestina. O conflito rural x urbano e marcante, portanto. Nesse novo cenario social, ela e obrigada a conviver com um conjunto de coisas que lhe sao desconhecidas, no que diz respeito ao ambito do trabalho, ao uso do tempo livre e as formas de comunicacao e interacao humana e social. O cenario carioca suburbano, pobre e iletrado e o cenario sociocultural tipico dos receptores da cultura de massa, resultado da segmentacao economica, social e cultural operada pela industria cultural.

Nessa segmentacao, podemos destacar dois polos. O primeiro e o da cultura de massas em si, centrado na recepcao dos produtos culturais dirigidos ao publico de pouca ou media instrucao, desempregados, subemp-regados ou com empregos medios, que residem sobretudo nos cinturoes suburbanos. Trata-se de uma producao voltada para o entretenimento, a fim de preencher a lacuna deixada pelo tempo livre na sociedade voltada para o tempo de trabalho. O outro polo e o dos receptores de informacao para a tomada de decisoes, para a orientacao de atividades empresariais, industriais, politicas, financeiras e culturais. Ao contrario do primeiro, alguns segmentos da sociedade tem acesso ou interesse a essa informacao estrategica, que funciona como a alavanca dos negocios, da politica, da educacao, da ciencia, da tecnologia e do proprio campo da informacao e da comunicacao.

Segundo Guidin (1996, p. 71), a personagem Macabea denuncia a existencia de uma classe social marginalizada, sem consciencia politica e que, por isso, nao esta preparada para a luta de classes (3). Esse perfil e o que melhor define o universo dos receptores pobres das comunicacoes de massa, como os que, no Brasil, sao fieis telespectadores das telenovelas e leitores de revistas que giram em torno da televisao, como as operarias estudadas por Eclea Bosi (1977), mulheres que lembram em muito o perfil sociologico de Macabea. Como lembra Suzana Amaral, diretora da adaptacao de A Hora da Estrela para o cinema, Macabea tem a cara do Brasil. Ela (... ) E um Macunaima de saia, uma anti-heroina aqui do Brasil, mas com uma universalidade muito grande (apud Guidin, 1996, p. 96).

A problematizacao da linguagem e uma das caracteristicas da novela de Clarice Lispector a que estamos nos referindo. Tanto da linguagem da receptora Macabea, como dos locutores da Radio Relogio, como do proprio narrador da historia, um narrador masculino, Rodrigo S. M., porta-voz da autora, que assume a funcao de um escritor-narrador-personagem (Guidin, 1996, p. 45). Temos, entao os problemas de linguagem da migrante nordestina, ouvinte de radio e leitora de anuncios de jornais; os problemas de linguagem da emissora, que fala para um publico anonimo e indiferenciado, os ouvintes; e os problemas de quem escreve e conta essa historia, "que tem dificuldade ate mesmo para definir seu genero, classificando-a como relato, desabafo, literatura de cordel e melodrama de uma personagem miseravel e de fatos ralos" (Guidin, 1996, p. 43).

A dificuldade confessa de comunicacao da propria autora, Clarice Lispector, e outro elemento emblematico a ser considerado. Com receio de soar piegas, ela, no papel de emissora de uma mensagem, recorre ao recurso de um heterenimo, Rodrigo S. M., "porque escritora mulher pode lacrimejar piegas" (Lispector, 1982, p. 11). Ao optar por um narrador homem, que nao chora, Lispector esta questionando seu proprio modo de escrever e narrar suas historias, em que o olhar do narrador repousa sobre as impressoes subjetivas da personagem feminina. Alem disso, "esta pondo em discussao, sobretudo, a questao da autoria do texto literario que trata do feminino, como a escrita feminina trata do feminino e as condicoes socio-culturais desse tipo de discurso" (Guidin, 1996, p. 50).

A presenca de um narrador masculino representa, por outro lado, a nosso ver, uma critica de Lispector a visao machista dos emissores midiaticos, regidos pela logica da dominacao masculina (Bourdieu, 2002). Afinal, a Comunicacao, como campo simbolico esta inserida no universo de mediacao do poder e do saber, historicamente construidos como exclusivos do genero masculino. Foi esse universo que estabeleceu as regras para a essencia do ter e do ser, do tempo de trabalho e do tempo livre e da cultura de massa, temas tao presentes na obra em questao. Outro aspecto que merece atencao e a ironia do narrador na comunicacao com o receptor/leitor da historia de Macabea. Ao mesmo tempo em que percebemos a funcao denunciadora da obra, e explicito o pressuposto de que a literatura (como a industria da comunicacao) e impotente como instrumento de solucao de problemas sociais, como a miseria do mundo suburbano de Macabea. O proprio narrador afirma:
... (se o leitor possui alguma riqueza e vida bem acomodada, saira de
si para ver como e as vezes o outro. Se e pobre, nao estara me lendo
porque ler-me e superfluo para quem tem uma leve fome permanente...).
(p. 46)


Outra marca dessa ironia do narrador e o respeitoso pronome de tratamento utilizado para o leitor: vossa senhoria. Nas palavras de Guidin (1996), "nao estaria aqui (... ) a denuncia irenica de que a cultura letrada da escritora, de que o genero literario e o estilo de seu heteronimo Rodrigo nada fazem pelo oprimido?" (p. 73). Aplicada ao campo da cultura de massas, e clara, portanto, a critica aos emissores (representados na novela analisada pelos escritores) e aos receptores que nao estao incluidos no polo da miseria, em que esta Macabea.

A FORCA DA PRESENCA MASCULINA

A forca da presenca masculina e emblematica tanto nas manifestacoes folk-comunicacionais como no relato-melodrama de Clarice Lispector. Macabea projeta-se totalmente no espelho de Olimpico, personagem masculino. Sua historia tambem e contada por um narrador masculino. Ainda temos os locutores da Radio Relogio, que sao todos homens, os artistas, cujas fotos publicadas em jornais ela coleciona, o chefe, o medico, que ao constatar que ela esta tuberculosa lhe recomenda comer macarrao. Assim, a autora poe em evidencia o predominio da perspectiva masculina que predomina nos meios de comunicacao de massa.

O nome da personagem so e revelado quando ela conhece Olimpico. Ate entao o narrador nao revela o nome de sua protagonista. Isso vai ocorrer somente quando ela tem um encontro com um homem que possui fluencia verbal, dente de ouro, trabalha como metalurgico e e "muito sabedor das coisas". Olimpico tem no nome a referencia ao mito e ao epico, mas e filho sem pai, ladrao e assassino. Para Macabea representa, entretanto, pulsao de vida e nao de identidade. A partir do ingresso de Olimpico na narrativa e que Macabea recebe um nome. Seu nome, ate entao omitido pelo narrador, mesmo balbuciado e esquisito, apresenta-se agora e a identifica (Guidin, 1996, p. 57).

Olimpico, na realidade, e tao marginalizado do universo da cultura letrada quanto Macabea. A diferenca e que ele conhece, pelo menos superficialmente, alguns codigos da cultura urbana. Isso faz com que ele pareca, aos olhos de Macabea, integrado aquela cultura que ela desconhece. Ele trabalha e convive com outros individuos em condicoes semelhantes. Trabalho e capacidade para comunicacao interpessoal tornam-se dois diferenciais decisivos no enredo.

Macabea, ao contrario, nao conversa com ninguem alem dele. Seu trabalho e mecanico e ela sequer tem competencia para a adequada execucao da tarefa de datilografia. A prova e que, segundo o relato de Lispector, "o chefe vivia reclamando das marcas de dedos sujos no papel" (Lispector, 1982, p. 27). Por isso Macabea acaba sendo demitida. Ao longo da narrativa, Clarice Lispector faz questao de ressaltar o contraste entre Macabea e Olimpico. Ate mesmo pelo nome. O nome de Macabea, ou seja, sua identidade, so aparece quando ela passa a se relacionar com Olimpico. Diante dele, Macabea canta, ri, sonha e fala de si pela primeira vez. Para ele, declara textualmente que desconhece o sentido do proprio nome e que nunca fora pessoa importante (Guidin, 1996, p. 76). A falta de simetria entre os generos (masculino e feminino) esta ate nos proprios nomes: Olimpico x Macabea.

MACABEA E A CULTURA DE MASSAS

Macabea representa toda a gama de receptores que vivem a margem da comunicacao burguesa. Clarice Lispector nos apresenta uma Macabea que desconhece por completo os codigos midiaticos convencionais. Isso a torna quase impossibilitada de expressao, de uso pleno de suas faculdades discursivas. Macabea e incapaz de utilizar a palavra ate mesmo para conhecer-se, como declara o narrador: "Quero antes afiancar que essa moca nao se conhece senao atraves de ir vivendo a toa. Se tivesse a tolice de se perguntar 'quem sou eu?' cairia estatelada e em cheio no chao. 'Quem sou eu?' provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem indaga e incompleto" (Lispector, 1982, p. 15).

A falta de capacidade para conversar parece ter sido a segunda razao mais importante (a primeira, como ja foi mencionada, foi o fato de "quase nao ter corpo") para Macabea perder seu namorado Olimpico para a secretaria Gloria, os quais ate pelos nomes eram mais afortunados que a pobre datilografa, considerada pelo seu chefe incapaz de escrever corretamente. Macabea nao consegue usar a palavra nem mesmo para assegurar seu misero salario.

Um trecho de um dialogo entre Olimpico e Macabea e muito elucidativo para mostrar a escassez de palavras da personagem de Lispector. Antes do dialogo, o narrador diz que "Sentavam-se no que e de graca: banco de praca publica. Ali acomodados, nada os distinguia do resto do nada..." (p. 64). Assim se inicia o dialogo:

-Ele: Pois E.

-Ela: Pois E o que?

-Ele: Eu so disse pois E!

-Ela: Mas 'pois" o que?

-Ele: Melhor mudar de conversa porque voce nao me entende.

-Ela: Entender o que?

-Ele: Santa Virgem, Macabea, vamos mudar de assunto e ja!

-Ela: Falar entao de que?

-Ele: Por exemplo, de voce.

-Ela: Eu?!

-Ele: Por que esse espanto? Voce nao e gente? Gente fala de gente.

-Ela: Desculpe, mas acho que nao sou muito gente.

-Ele: Mas todo mundo E gente, Meu Deus!

-Ela: que eu nao me habituei.

-Ele: Nao se habituou com que?

-Ela: Ah, nao sei explicar. (p. 65)

Macabea consegue ler algumas palavras, mas nao e capaz de ler o mundo no qual ela vive, de acordo com os codigos que regem a comunicacao por meio das palavras. Seus codigos sao outros. Sua comunicacao se da por outros meios. Seu mundo e outro. A representacao explicita da dicotomia entre a comunicacao urbana e a linguagem de seu mundo rural de origem.

MACABEA E A RECEPCAO DO RADIO E DA PUBLICIDADE

Talvez por quase "nao ter palavras", Macabea era uma ouvinte assidua e fiel da Radio Relogio e se impressionava com as palavras utilizadas pelos locutores (todos homens). Quase nada entendia do que eles falavam, mas achava fantastico alguem ter a capacidade de usar tantas palavras por ela desconhecidas. Diante de Olimpico falava de sua admiracao pelas palavras dificeis, como "Elgebra" (sic).

Ela pergunta para ele:
- "O que e que quer dizer 'Elgebra'"? (p. 66)

E ele, que ela considerava muito sabedor das coisas, porque falava com
desembaraco, respondeu:

-"Saber disso e coisa de fresco, de homem que vira mulher. Desculpe a
palavra de eu ter dito fresco porque isso nao e palavrao para moca
direita". (p. 66)


Um dos consolos de Macabea era saber que os locutores tambem "falavam errado". Certa vez ela se atreveu a comentar um "erro" com Olimpico. Segundo ela, ao anunciar uma musica "dos estrangeiros", o radialista dissera "lacrima" em vez de lagrima. Queria confirmar com Olimpico se estava equivocada a palavra, mas seu namorado nao demonstrava interesse nesses assuntos. O narrador e quem da uma explicacao plausivel: "Nunca lhe ocorrera a existencia de outra lingua e pensava que no Brasil se falava brasileiro" (p. 51). Macabea representa o sertanejo que, fechado em seu mundo, nao tem sequer nocao do que seja o Brasil em seu todo. As referencias para a comunicacao segundo a logica da cultura rural estao sempre nos limites da cultura situada, cujos codigos tambem sao contextualizados.

Sempre que Olimpico calava, Macabea falava sobre algo que ouvira na Radio Relogio. O radio supria ate mesmo a falta da funcao fatica, na linguagem de Macabea. Servia de meio para manter o contato com seu namorado: "Na Radio Relogio disseram uma palavra que achei meio esquisita: mimetismo" (Lispector, 1982, p. 55). Mas Olimpico sempre retrucava em tom de censura. Ele era a encarnacao do poder na vida de Macabea. Alem de ser homem, ele detinha conhecimento sobre muitas coisas. Por isso ela admitia a censura e a interdicao de seu discurso: "Isso e la coisa para moca virgem falar? E para que serve saber demais? O mangue esta cheio de raparigas que fizeram perguntas demais" (Lispector, 1982, p. 73).

Com esse tipo de censura Olimpico fortalecia seu poder e seu saber. Indiretamente, reforcava a necessidade de Macabea continuar ignorando o sentido de determinadas palavras. "Era melhor nao saber" (p. 55). Assim, ela seria mais feliz. Isso servia de alento a ela. Mesmo assim, nao deixava de se espantar a cada palavra nova usada por seu namorado, o que legitimava ainda mais o seu dominio.

Ao ouvir a palavra mangue, logo perguntou: "mangue e um bairro?". E ele respondeu, com toda a onisciencia que Macabea lhe atribuia: "um lugar ruim, para os para homem ir" (Lispector, 1982, p. 73).

Mas a resposta nao bastava para Olimpico, era necessario desqualificar cada vez mais Macabea para reafirmar seu poder e seu saber. Assim, prosseguiu ele: "voce nao vai entender, mas eu vou lhe dizer uma coisa: ainda se encontra mulher barata. Voce me custou pouco, um cafezinho. Nao vou gastar nada com voce, esta bem?" (p. 55). Como sabia que Olimpico era um homem de muitas palavras e sempre reclamava de sua escassez de falas, mesmo tendo sempre a intencao de faze-la permanecer com pouca competencia discursiva, Macabea empenhava-se em aprender o maximo com a Radio Relogio.

Mesmo sendo leitora voraz de anuncios de jornais os quais ela recortava e colecionava para ver e rever em casa em suas noites vazias e solitarias, ela nao falava deles com seu namorado. Guardava tudo apenas para si. Os reclames faziam parte apenas de seu mundo de fantasia, de seu imaginario. E se deleitava com as fotografias dos produtos de beleza estampados nas paginas dos jornais, como as joias, os perfumes e os cremes.

Sentia apetite pelos cremes. Desejava come-los, degusta-los e nao passar na pele. Sabia que nunca seria bonita como as mocas que usavam tais produtos. Mais do que pela fantasia da beleza, a publicidade lhe atingia pelo estomago, pelo desejo de comida. O paladar era quase sua fonte exclusiva de prazer, mesmo comendo tao pouco e tao mal. A noite, tomava cafe frio por nao ter dinheiro para jantar. A sobremesa eram as fotos dos cremes anunciados nos jornais. O codigo visual, aqui, na visao de Macabea, e dire-tamente associado ao paladar, demonstrando mais uma vez sua inadequacao aos apelos visuais da publicidade. A unica fala de Macabea com alguem sobre os anuncios foi com sua tia, quanto ela ainda vivia, la no interior da Paraiba, antes de Macabea mudar-se para o Rio de Janeiro.

Desejava ser gorda. Registrou como um slogan publicitario que ouvira de um rapaz na cidade de Maceio para uma moca gorda: "a tua gordura e formosura" (Lispector, 1982, p. 78). Decidiu, entao, motivada pelos anuncios, pedir que a tia lhe comprasse oleo de bacalhau. Mas mesmo assim, nao falou a tia sobre os anuncios que lia e guardava em seu mundo de fantasia. Ela acreditava piamente nos anuncios. A credibilidade era o capital simbolico da publicidade no reino fantasioso de Macabea. Cria que ao tomar oleo de bacalhau ficaria cheia de corpo, de gordura e de formosura. O discurso da publicidade era, portanto, um discurso altamente eficiente. Nao apenas persuadia a receptora Macabea, mas, principalmente, a seduzia. Mas recebeu a seguinte resposta da tia: "voce pensa la que e filha de familia querendo luxo"? (Lispector, 1982, p. 78). Talvez por isso nunca mais se atreveu a conversar com ninguem sobre qualquer assunto ligado a publicidade. Muito menos com Olimpico. Ele tambem acharia que se tratava de luxo. E isso nao cabia em seu corpo, nem em suas palavras. So em sua fantasia. O discurso da tia, como o de Olimpico eram marcados pela interdicao. Afinal, a mensagem implicita, era a de que eles sabiam de mais coisas do que ela. Por isso se conformou quando perdeu Olimpico para Gloria, a secretaria filha de um acougueiro.

Como relata o narrador: "Macabea entendeu uma coisa: Gloria era um estardalhaco de existir. E tudo devia ser porque era gorda" (Lispector, 1982, p. 78). Alias, toda a sua vida foi afetada pela dificuldade de entender os codigos da cultura urbana. Ate mesmo no final da historia, quando ela morre atropelada, ao atravessar a rua atordoada com as palavras que ouvira de uma cartomante. O discurso do narrador e emblematico:
Macabea ficou um pouco aturdida sem saber se atravessaria a cruzar a
rua pois sua vida ja estava mudada. E mudada por palavras. Desde Moises
se sabe que a palavra e divina. Ate para atravessar a rua ela ja era
outra pessoa. Uma pessoa gravida de futuro. (p. 79)


Os anuncios publicitarios que Macabea lia e as mensagens da Radio Relogio tambem, muitas vezes, lhe "engravidaram de futuro" ou pelo menos de esperanca de ter futuro. Eram todos discursos eficientes, sedutores.

A presenca da cartomante e um recurso de Clarice Lispector para uma releitura do conto de Machado de Assis, intitulado A cartomante, como analisam Passos (2009) e Simon (2013). Da mesma forma que no mencionado conto, a cartomante faz previsao de um futuro glorioso. Macabea fica embevecida com a fala de Madame Carlota. Da mesma forma que na narrativa machadiana, a tragedia ocorre logo apos a previsao. Em ambos os casos, ironicamente, as promessas de felicidade feitas pelas cartas resultam em morte.

Alem do paralelo com o conto machadiano, a previsao da cartomante poderia ser encarada ainda como uma ironica metafora do discurso publicitario, que impregna a industria cultural e seus produtos. Cabe salientar que se trata de uma voz feminina, representando a forca de Eros, ao oferecer-lhe felicidade, formosura, amor e um futuro. O homem prometido pela cartomante, alem de muito rico, "vai lhe dar muito amor e voce, minha enjeitadinha, voce vai se vestir com veludo e cetim e ate casaco de pele vai ganhar!" (pp. 95-96). A cartomante lhe oferece felicidade atraves das palavras. A eficacia discursiva de suas predicoes "fertilizam os ovulos murchos de Macabea" (Guidin, 1996, p. 77), que se torna "gravida de futuro", como relata o narrador.

Mas a metafora de Lispector e apocaliptica. Ao atravessar a rua, extasiada com as predicoes e promessas da cartomante, "gravida de futuro", e atropelada por um automovel e pela voracidade do futuro, como descreve o narrador. E necessario destacarmos a simbologia representada por esse icone da modernidade, da era da velocidade, do avanco da tecnica e das comunicacoes.

Foi seduzida pelas palavras do discurso quase "publicitario" da cartomante que Macabea tornou-se noiva da morte, outra simbologia forte na narrativa de Clarice Lispector. Curiosamente, casamento e morte sao igualmente dois temas dos relatos melodramaticos do universo dos contos morais da cultura de massa, como a literatura de cordel, as lendas e os causos. Macabea morreu atropelada pelo futuro, a velocidade, o avanco tecnico, o discurso de promessa de felicidade.

A estrela da Mercedes que a atropelou foi interpretada por ela como sendo a sua "hora da estrela". Ao ver o carro que a atropelou, acreditou piamente que todas as predicoes da cartomante estavam se cumprindo, por se tratar de um carro bonito, conduzido por um homem louro, forte e viril. A publicidade e como essa morte retratada por Clarice Lispector. Uma bela dama, sensual, toda Eros. Mas tem alma de homem. Thanatos que se traveste de Eros. Essa e a formula da eficacia do discurso sedutor da publicidade. O feminino embalado e ornamentado com as armadilhas da dominacao masculina, que faz com que Macabea morra so e ignorada, esmagada pelo mundo urbano que nao conseguiu conquistar (Guidin, 1996, p. 41). Mundo urbano que lhe ofereceu discursos sedutores, pelo radio e pela publicidade. Seducao que nao implica compreensao, mas exclusao. Tanto e que Macabea, representante emblematica da cultura rural, foi excluida e morta pelos codigos urbanos. Metaforicamente, a cidade expulsa a cultura camponesa.

Mesmo sem desejar a morte de Macabea, nao ha outro jeito para terminar a historia, na visao do narrador, que afirma: "Eu poderia resolver pelo caminho mais facil, matar a menina-infante, mas quero o pior: a vida. Os que me lerem, assim, levem um soco no estomago para ver se e bom. A vida e um soco no estomago" (Lispector, 1982, p. 83). Mas como na visao do mesmo narrador, "a vida come a vida" (Lispector, 1982, p. 85), nao houve saida para Macabea a nao ser a morte.

Alem do sangue, do sexo, ha, portanto, um terceiro elemento marcante na historia da datilografa: a morte. Assim, completa-se a triade dos relatos melodramaticos da cultura de massa, no formato de contos morais. Mas ha ainda uma "certa sensualidade no modo como se encolhera", apos o acidente (Lispector, 1982, p. 84). A razao para isso esta em uma indagacao do narrador: "Ou e porque a pre-morte se parece com a intensa ansia sensual?" (Lispector, 1982, p. 84). Macabea teve toda a sua trajetoria marcada por elementos tipicos das narrativas da cultura de massa: sangue, sexo, morte e poder.

COMENTARIOS FINAIS

A associacao entre sangue, sexo e morte na historia de Macabea lembra hoje como a midia relaciona esses elementos com o gosto da audiencia. O narrador da historia encerra o drama de sua protagonista interpelando ironicamente seu receptor/leitor: "o final foi bastante grandiloquente para vossa necessidade?" (Lispector, 1982, p. 106). Essa necessidade, sem duvida, pode ser encarada como sendo a demanda do publico da midia por tragedias, dramas, mortes, sangue, dor e sofrimento, como vemos atualmente nos telejornais, nas telenovelas, nas revistas semanais e nos jornais diarios: a gratificacao do receptor pelas narrativas dos contos morais midiaticos.

A propria narrativa da morte de Macabea poderia se transformar em manchete, em noticia-drama, relato da morte de uma pobre datilografa, atropelada por carro importado, apos ouvir previsoes de um futuro brilhante. Com certeza, seria noticia de primeira pagina e iria comover multidoes de receptores avidos por esse tipo de produto-noticia. Em suma, o drama da receptora Macabea revela nao so a mazela brasileira da miseria, da nao integracao dos migrantes rurais ao contexto urbano, sobretudo na decada de 1970, mas tambem o fato universal da apologia da midia ao grotesco, ao inusitado para atender s necessidades dos receptores, bem como a natureza cruelmente sedutora da eficacia do discurso publicitario.

Convem salientar que estamos nos referindo em especial ao universo da recepcao que e alvo da cultura de entretenimento e de consumo de produtos cujos anuncios sao pautados no discurso da felicidade, como as promessas da cartomante feitas a Macabea. Mesmo que o discurso da cartomante seja entendido como o de alguem que teve pena de revelar a moca a verdade, nao deixa de ser um discurso enganoso, uma falsa promessa de felicidade.

E necessario destacar ainda a leitura presente na visao de Clarice Lispector a respeito da publicidade. Leitura essa que se coaduna com aquela realizada por grande parte dos teoricos latino-americanos citados na primeira parte do texto, como Luiz Beltrao, Martin-Barbero e Guilhermo Orozco.

E oportuno retomar aqui a discussao teorica apresentada na primeira parte do artigo, que ressalta o papel da mediacao individual, tao importante no caso da literatura e dos meios de comunicacao de massas (Orozco, 1993; Gomes e Cogo, 1997). Lispector exemplifica bem esse tipo de mediacao cultural, acentuando a recepcao de anuncios publicitarios de jornais e programas de radio por sua personagem. A autora coloca em cena um caso tipico de recepcao de produtos culturais voltados a um publico de periferia urbana de pouca instrucao, que vive a margem da cultura erudita e da propria sociedade, como ressaltam Guidin (1996), Bosi (1977) e Beltrao (2001), cujas ideias serviram de guia para a analise aqui proposta.

Por fim, e cabivel ressaltar a problematizacao da linguagem realizada por Clarice Lispector. A linguagem e representada como um agente de inclusao e de exclusao, um operador da dominacao simbolica. A linguagem e seu material de trabalho como escritora e tambem um elemento importante na cultura de massas. Curiosamente sua personagem quase nao consegue falar. E desprovida de beleza e de competencia comunicativa. Talvez por isso ela seja tao encantada com o universo da linguagem radiofonica e dos anuncios publicitarios.

REFERENCIAS

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Areas, V. (2005). Clarice Lispector com a ponta dos dedos. Sao Paulo: Companhia das Letras.

Beltrao, L. (2001). Folkcomunicacao: um estudo dos agentes populares de informacao de fatos e expressao de ideias. Porto Alegre: Editora da Pontificia Universidade Catolica do Rio Grande do Sul.

Bosi, E. (1977). Cultura de massas: leitura de operarias. Petropolis: Vozes.

Bourdieu, P. (2002). A dominacao masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.

Cole, J. (2003). Narratives and moral projects: generational memoires of Malagasy 1947 Rebelion. Ethos, v. 131, n.1, 95-126.

Dalcastagne, R. (2000). Contas a prestar: O intelectual e a massa em A hora da estrela, de Clarice Lispector. Revista de Critica Literaria Latinoamericana, v. 26, N. 51, 83-98.

Gomes, P. e Cogo, D. (1997). O adolescente e a recepcao televisiva. Verso e Reverso. Sao Leopoldo, v.11, n.23, jul./dez., 7-44.

Guidin, M. (1996). Roteiro de leitura: A hora da estrela de Clarice Lispector. Sao Paulo: Atica.

Lerner, J. (1992). A ultima entrevista de Clarice Lispector. Revista Shalon. Sao Paulo, v. 27, n. 296, jun./ago.

Lispector, C. (1982). A hora da estrela. Rio de Janeiro: Jose Olympio.

Martin-Barbero, J. (1987). De los medios a las mediaciones. Cidade do Mexico: Gustavo Gil Editora.

Martin-Barbero, J. (1995). America Latina e os anos recentes: os estudos de recepcao. In: Sousa, M. W. (Org). Sujeito, o lado oculto do receptor (pp. 39-68). Sao Paulo: Brasiliense.

Orozco, G. (1993). Educomunicacao: recepcao midiatica, aprendizagens e cidadania. Sao Paulo: Paulinas.

Orozco, G. (1994). La autonomia relativa de la audiencia. in Barba, Cecilia Cervantes (Org.) Investigar la comunicacao: propostas ibero-americanas. Guadalajara: Ceica.

Passos, C. (2009). As armadilhas do saber: relacoes entre literatura e psicanalise. Sao Paulo: Editora da Universidade de Sao Paulo.

Rabay, G. (1994). O receptor nas teorias de comunicacao. Signo. Joao Pessoa, v. 2, pp. 7-88.

Simon, C. (2013). Nos labirintos da realidade: um dialogo de Clarice Lispector com Machado de Assis. Porto Alegre: Redes.

ANTONIO TEIXEIRA DE BARROS (*)

(*) Doutor em Sociologia pela Universidade de Brasilia. Docente do Programa de Pos-Graduacao do Centro de Formacao da Camara dos Deputados do Brasil (CEFOR). E-mail: antonibarros@gmail.com.

Recibido: 14.10.17. Aceptado: 02.05.18.

(1) Aqui esta sendo usada a edicao de 1982, publicada pela editora Jose Olympio.

(2) A autora terminou de escrever a obra em 1977, cuja publicacao ocorreu em dezembro do mesmo ano.

(3) Cabe o registro de que Alencar (2009) apresenta leitura diferenciada, ao apontar para a possibilidade de que a novela de Clarice Lispector e uma metafora sobre a ascensao das massas ao poder. Aqui adotamos o primeiro enfoque.
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Author:De Barros, Antonio Teixeira
Publication:Atenea (Chile)
Date:Mar 22, 2019
Words:6840
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