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RELEASE OF THE PARASITOID Cotesia flavipes HYMENOPTERA: BRACONIDAE) ON Diatraea saccharalis (LEPIDOPTERA: CRAMBIDAE) IN A SUGAR CANE PLANTATION/LIBERACAO DO PARASITOIDE Cotesia flavipes (HYMENOPTERA: BRACONIDAE) EM Diatraea saccharalis (LEPIDOPTERA: CRAMBIDAE) NA CANA-DE-ACUCAR/LIBERACION DEL PARASITOIDE Cotesia flavipes (HYMNOPTERA: BRACONIDAE) EN Diatraea saccharalis (LEPIDOPTERA: CRAMBIDAE) EN UNA PLANTACION DE CANA DE AZUCAR.

Introducao

O Brasil se destaca por ser o maior produtor de cana-de-acucar (Saccharum officinarum L.) com uma producao de 688*[10.sup.6]t em uma area plantada de ~10,1x[10.sup.6] ha (IBGE, 2019). Diatraea saccharalis (Fabricius) (Lepidoptera: Crambidae) e considerada uma das principais pragas da cultura (Dinardo-Miranda et al, 2012) sendo capaz de causar perdas de biomassa, morte do meristema apical e reducao de acucar e alcool (Rossato et al., 2013). Segundo Dinardo-Miranda et al. (2011), a cada 1% de intensidade de infestacao da broca, ocorrem perdas de 0,49% de acucar, 0,28% de alcool e 1,50% na produtividade de colmos.

O controle da D. saccharalis atraves de metodo quimico nao e eficiente, devido a lagarta ficar protegida no colmo. Dessa forma, o controle biologico com parasitoides e o metodo mais utilizado (Oliveira et al., 2012a). Segundo Pinto et al. (2006), o sucesso do controle biologico da broca da cana se deve a existencia de grande diversidade de parasitoides e predadores, que atuam principalmente sobre as fases de ovo e larva da praga. O controle biologico desse inseto-praga nos canaviais brasileiros e realizado principalmente pelo parasitoide larval e exotico Cotesia flavipes (Cameron, 1891) (Hymenoptera: Braconidae) (Carvalho et al., 2007; Arroyo et al., 2012). O uso de C. flavipes para o controle da Diatraea spp. e considerado um dos maiores programas de controle biologico em nivel mundial, com uma area tratada em torno de 3x[10.sup.6]ha (Vacari et al., 2012).

Fatores bioticos, como hospedeiro de criacao, qualidade, quantidade e idade dos parasitoides sao importantes e influenciam na eficiencia desses insetos beneficos em campo, visando o controle biologico de pragas. A baixa qualidade desses insetos pode resultar em falhas no controle, comprometendo a atividade canavieira. Por isso a identificacao de linhagens e/ou especies e a avaliacao da adaptacao ao hospedeiro-alvo sao fundamentais para garantir o sucesso de liberacoes de parasitoides em campo (Oliveira et al., 2005; Pratissoli et al., 2006).

Fatores abioticos como o clima afetam as interacoes entre especies, como plantas-herbivoros, predador-presa e parasitoide-hospedeiro (Tylianakis e Binzer, 2014). Os parasitoides dependem de uma serie de adaptacoes, de acordo com a ecologia e a fisiologia dos seus hospedeiros e plantas hospedeiras, para sua sobrevivencia e, portanto, e provavel que sejam altamente suscetiveis as mudancas nas condicoes ambientais (Hance, et al., 2007). A capacidade de um parasitoide procurar seu hospedeiro depende de sua tolerancia as variacoes climaticas, como a temperatura, que exerce influencia sobre a biologia, metabolismo, reproducao e a interacao parasitoide/hospedeiro (Pereira et al., 2011; Oliveira et al, 2012b; Selvaraj et al., 2013).

Em Dourados, Mato Grosso do Sul, Brasil, registros climaticos obtidos da estacao meteorologica da Embrapa Agropecuaria Oeste demonstram variacoes de temperaturas de ate 10[degrees]C em um unico dia, podendo afetar a performance de inimigos naturais no campo (Oliveira et al., 2012a). Assim, os objetivos deste trabalho foram avaliar o parasitismo de C. flavipes em diferentes horarios de liberacao, de maneira semelhante ao que e realizado nas lavouras, e identificar as melhores condicoes para essas liberacoes.

Material e Metodos

O experimento foi realizado em cultivo da cana-de-acucar localizado no municipio de Dourados/MS, Brasil. As lagartas da broca da cana D. saccharalis foram obtidas da criacao do laboratorio de Entomologia da Embrapa Agropecuaria Oeste.

Multiplicacao de Diatraea saccharalis

Ovos de D. saccharalis foram tratados com sulfato de cobre 1% e mantidos em placas de Petri (10cm diametro e 1,5cm altura) vedados com papel filme e incubados em camara climatizada a 25 [+ or -]1[degrees]C e fotofase de 12h. Apos eclosao, as lagartas foram transferidas para tubos de vidro (8,5cm altura x 2,5cm diametro) contendo dieta artificial modificada de Hensley e Hammond (1968) a base de farelo de soja, germe de trigo, vitaminas e sais minerais (Parra, 2007), sendo as mesmas mantidas nestas condicoes ate a fase de pupa. As pupas foram retiradas da dieta, sexadas e acondicionadas em gaiolas de PVC (10cm diametro e 22cm altura), revestidas internamente com folha de papel sulfite como substrato para oviposicao e fechadas com tecido do tipo 'voil' e elastico. Um total de 24 pupas (12 femeas e 12 machos) foram acondicionadas por gaiola, onde permanecem ate a fase adulta. Os adultos foram alimentados com solucao aquosa de mel 10%. Apos o acasalamento, as femeas realizaram as posturas nas folhas, iniciando um novo ciclo.

Obtencao de Cotesia flavipes

Para a realizacao do experimento foram utilizadas duas linhagens do parasitoide, que foram fornecidos por um laboratorio de controle biologico localizado no municipio de Dourados/MS (Linhagem 1) e por uma usina sucroalcooleira (provenientes de um laboratorio de Sao Paulo/SP) (Linhagem 2). Os parasitoides foram enviados pelos laboratorios na fase de pupa e permaneceram em laboratorio da Embrapa Agropecuaria Oeste a 25[degrees]C, ate 24h apos a emergencia, quando foram levados para a area experimental.

Informacoes climaticas

Dados de temperatura e umidade foram obtidos da Estacao Meteorologica da Embrapa Agropecuaria Oeste (informacoes externas a area experimental com a cana), e por um termometro digital (Datalogger Extech 135 RHT10) (informacoes dentro da area experimental instalada no canavial).

Bioensaio--Horario de liberacao sobre o parasitismo de C. flavipes

Para o desenvolvimento do experimento, uma lagarta de D. saccharalis de quarto instar foi introduzida em um orificio aberto em internodios de cana-de-acucar com ~25cm. Esses internodios foram protegidos com papel aluminio e foram mantidos em laboratorio durante 24h, com o objetivo de que a lagarta se adaptasse ao interior do internodio. Apos esse periodo, esses internodios foram levados para campo e amarrados em plantas de um canavial em uma altura de ~1,20cm, que estava com seis meses de idade e se tratava de cana soca em quarto corte em uma area experimental com ~2,9ha (29.160[m.sup.2]), localizada a 22[degrees]16'50.10"S e 55[degrees]07'36. 95"O.

Quatro internodios infestados com a broca foram dispostos a uma distancia de 2m de cada ponto de liberacao, seguindo a distribuicao dos pontos cardeais e os pontos de liberacao tinham 29m de distancia entre si, visando assegurar uma distancia suficiente para que os parasitoides liberados em um ponto nao influenciassem no parasitismo do outro ponto de liberacao.

As duas linhagens de C. flavipes estavam com ~24h de emergencia e foram liberadas nos horarios 6:00, 7:00, 8:00, 9:00 e 10:00. A quantidade de parasitoides liberados foi de 1500 por ponto.

Apos 24h das liberacoes, os colmos foram levados para o laboratorio, e as lagartas foram colocadas novamente em dieta artificial e mantidas em sala climatizada (25[degrees]C, umidade relativa de 60%, fotofase de 12h), para verificar a porcentagem de parasitismo.

Para cada uma das linhagens, o delineamento experimental foi em blocos casualizados, com cinco tratamentos (horarios de liberacao) e quatro repeticoes (blocos), sendo que a unidade experimental (parcela) consistiu de quatro colmos ao redor do ponto de liberacao. Os resultados para cada linhagem foram submetidos a analise de regressao a partir do modelo polinomial, para estabelecer o melhor horario de liberacao. Os experimentos com cada linhagem foiram realizado simultaneamente, na mesma lavoura e em area contigua.

A escolha da equacao que melhor se ajustou aos dados foi baseada no coeficiente de determinacao ([R.sup.2]) e na significancia dos coeficientes de regressao ([beta]i) e da regressao pelo teste F (<0,05).

Resultados e Discussao

O ponto maximo de parasitismo para a Linhagem 1 foi as 7h e 44min, com uma media de 39,8% das brocas parasitadas, e para Linhagem 2, que apresentou 55,3% de parasitismo, o horario que proporcionou maior parasitismo foi as 8h e 19min (Figura 1). Botelho e Macedo (2002) relataram, indices de ate 38,89% de parasitismo de D. saccharalis por C. flavipes em liberacoes realizadas no Estado de Sao Paulo entre os anos de 1990 a 1999, em mais de 1,8x[10.sup.6]ha. Esses valores sao semelhantes ao obtidos com a Linhagem 1, mas sao menores que os obtidos pela Linhagem 2. Esses indices maximos obtidos para cada uma das linhagens podem estar diretamente relacionados com a qualidade do parasitoide, onde fatores no processo de criacao podem afetar a performance do inimigo natural e poderia explicar esses melhores resultados obtidos no presente trabalho. O que tambem pode explicar esses melhores resultados e o fato de que eles sao referentes ao que foi identificado como melhor horario (temperatura para liberacao) e os resultados relatados por Botelho e Macedo (2002) nao levam em consideracao os horarios e temperaturas durante a liberacao.

A temperatura maxima no interior do canavial nos horarios de liberacao foi de 25,8[degrees]C e a minima 23,7[degrees]C, sendo que nos horarios entre 7:00 e 9:00 foi onde se verificaram as melhores taxas de parasitismo a temperatura media foi de 24[degrees]C (Tabela I). Vale destacar que mesmo em epocas mais frias (liberacao realizada no mes de maio), a temperatura no interior dos talhoes tem menor oscilacao (Tabela I), favorecendo a performance do parasitoide.

O ambiente interfere no controle biologico, uma vez que sua liberacao e um aspecto importante na reducao de pragas agricolas; por isso, oscilacoes de temperatura durante o dia tem uma forte influencia sobre o desempenho de parasitoides (Firake e Khan, 2014). Furlong e Zalucki (2017) indicam que o metabolismo, crescimento, movimento, reproducao e interacao hospedeiro-parasitoide dependem da temperatura.

Trabalhos realizados com C. flavipes tem demonstrado que a temperatura e um dos mais importantes fatores que afetam o desempenho desse parasitoide (Potting et al., 1997). Estudos tambem relatam que para C. flavipes, a faixa considerada favoravel para o desenvolvimento situa-se entre 20 e 30[degrees]C (Botelho e Macedo, 2002).

E importante conhecer essa dinamica que influencia a performance de cada parasitoide, visando buscar informacoes que contribuam para melhoria de programas de liberacao, pois Bittencourt e Berti-Filho (2004) relatam que temperatura de 30[degrees]C afeta negativamente Palmistichus elaeisis Delvare & LaSalle (Hymenoptera: Eulophidae) em diferentes hospedeiros, causando mortalidade no estagio de pre-pupa e sugerindo que 22[degrees]C e a temperatura mais adequada para seu desenvolvimento. Ja Glaeser et al. (2016) relataram que para Trichospilus diatraeae Cherian & Margabandhu (Hymenoptera: Eulophidae) nao houve alteracoes na sobrevivencia, longevidade, parasitismo e emergencia desse parasitoide quando exposto a temperatura de ate 33[degrees]C.

Conclusao

Os horarios de liberacao estao relacionados com as temperaturas no momento de liberacao. Verificou-se que os melhores horarios de liberacao de C. flavipes devem ocorrer em temperaturas proximas a 24[degrees]C. A menor oscilacao de temperatura no interior do canavial se mostrou um importante fator no momento das liberacoes, oferecendo um microclima favoravel para na performance do parasitoide.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnologico (CNPq) pela concessao da bolsa de Mestrado ao primeiro autor.

REFERENCIAS

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Priscila Laranjeira Rodas, Harley Nonato de Oliveira and Daniele Fabiana Glaeser

Priscila Laranjeira Rodas. Biologa, Mestre em Entomologia e Conservacao da Biodiversidade, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Brasil. Endereco: Rodovia Dourados/Itahum, Km 12--Unidade II--Caixa Postal: 364 --Cep: 79.804-970, Brasil. email: prih_davis@hotmail.com

Harley Nonato de Oliveira. Engenheiro Agronomo, Universidade Federal de Lavras, Brasil. Doutor em Entomologia, Universidade Federal de Vicosa, Brasil. Pesquisador, Embrapa Agropecuaria Oeste, Brasil. email: harley.oliveira@embrapa.br

Daniele Fabiana Glaeser. Biologa, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Brasil. Doutora em Agronomia, UFGD, Brasil. Bolsista Pos-doutoranda Fundect/CAPES.

Recebido: 31/08/2017. Modificado: 21/05/2019. Aceito: 22/05/2019.

Caption: Figura 1. Porcentagem de parasitismo de C.flavipes em funcao dos horarios de liberacao, (F= 9,3728; p=0,05) para Linhagem 1, (F= 43,8674; p=0,05) para Linhagem 2.
TABELA I
DADOS DE TEMPERATURA DURANTE OS HORARIOS
DE LIBERACAO DE C. flavipes EM UM CANAVIAL DE
DOURADOS/MS

Horario   Temperatura canavial    Temperatura externa
            ([degrees]C) (1)       ([degrees]C) (2)

6                 24,0                   16,6
7                 24,1                   17,1
8                 23,7                   18,8
9                 24,3                   21,1
10                25,8                   23,7
Media             24,4                   19,5

(1) Temperatura interna do canavial medido por um termometro digital
durante a liberacao do parasitoide; (2) Temperatura obtida pela
Estacao Meteorologica da Embrapa Agropecuaria Oeste.
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Author:Rodas, Priscila Laranjeira; de Oliveira, Harley Nonato; Glaeser, Daniele Fabiana
Publication:Interciencia
Date:May 1, 2019
Words:2686
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