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RADIATION THERAPY USING THE WILDLIFE MEDICINE: A REASONED OBTAINED STUDY IN CASES OF LITERATURE/UTILIZACAO DA RADIOTERAPIA NA MEDICINA DE ANIMAIS SELVAGENS: UM ESTUDO FUNDAMENTADO EM CASOS OBTIDOS DA LITERATURA/RADIOTERAPIA USO DE LA MEDICINA DE ANIMALES SALVAJES: UN ESTUDIO OBTENIDO EN CASOS DE LITERATURA.

INTRODUCAO

Apos a descoberta do raio-X em 1895, o fisico frances Antonie Henri Beccquerel descobriu a radioatividade que, desde entao, passou a ser utilizada para fins terapeuticos e de diagnostico (1).

Cem anos depois, a radioterapia tem sido firmemente estabelecida como um dos principais metodos de tratamento do cancer e e usada em mais de 50% de pacientes humanos com esta doenca. Na medicina veterinaria, o uso da radioterapia tem sido relativamente raro quando comparado com a cirurgia e quimioterapia. Porem, o uso limitado da radioterapia devese mais a falta de financiamentos e pericia do que a falta de indicacao medica (2,3).

Animais selvagens em cativeiro tendem a viver muito mais tempo do que na propria natureza e como consequencia disso, muitos zoologicos sao considerados uma colecao de animais geriatricos. Como resultado, o cancer e um problema comum encontrado por veterinarios de zoologicos (4). O cancer e uma neoplasia que acomete tanto humanos como os animais, sendo responsavel por uma alta mortalidade (5).

Em uma pesquisa informal em um grande zoologico, observou-se que quase metade de todos os mamiferos que foram submetidos a necropsia apresentou algum tipo de cancer. Desse modo, os veterinarios oncologistas tem pesquisado e desenvolvido abordagens terapeuticas para muitos tipos de cancer ao longo dos anos em ambas as terapias curativas e paliativas, incluindo nelas a aplicacao da radioterapia (4).

A radioterapia e uma modalidade eficaz de tratamento do cancer em animais e seres humanos, entretanto a sua utilizacao na medicina veterinaria ainda e limitada pelo pequeno numero de centros de tratamento radioterapico no pais (6).

O principio basico da radioterapia e o efeito da radiacao ionizante sobre as celulas, levando-as a morte. Ha varios tipos de radioterapia, como a teleterapia (na qual a radiacao e administrada por meio de um feixe externo) e a braquiterapia (em que uma fonte radioativa e implantada dentro ou proxima ao tumor) (7).

Na medicina veterinaria, a radioterapia teve inicio no ano de 1927, desde entao, essa modalidade oncologica vem crescendo pelo mundo (8). No entanto, a sua aplicacao dentro da medicina veterinaria para animais selvagens, tanto com intencoes curativas quanto paliativas, ainda nao e muito relatada na literatura. Esse estudo teve por objetivo descrever e comparar algumas aplicacoes da radioterapia em diferentes especies de animais selvagens procurando melhorar o conhecimento dela dentro da medicina veterinaria.

Foi realizada uma breve pesquisa bibliografica utilizando-se sites de busca como Google Academico e Scielo, abordando temas relacionados a area do estudo, localizados com as palavras-chave: radioterapia, animais selvagens, neoplasias.

Foram encontrados cinco tipos de casos em periodicos publicados recentemente, relatando sobre o uso de radioterapia em diferentes especies e neoplasias. Foram selecionados dados relevantes para cada caso, comparados e discutidos posteriormente. As publicacoes sao todas descritas em lingua inglesa e de ocorrencia fora do nosso territorio.

DESCRICAO DOS CASOS

O primeiro caso foi descrito por Stoskopf et al. (4). Trata-se de um gorila (Nautilus) de planicie ocidental, femea, de 36 anos de idade. Ela foi examinada pelos veterinarios no Parque Zoologico da Carolina do Norte por um sangramento vaginal intermitente, que ao exame radiografico nao se detectou alteracao, porem, a vaginoscopia revelou mucosa vaginal espessa e na biopsia diagnosticou-se carcinoma de celulas escamosas diferenciado.

Na ultrassonografia abdominal, visibilizou-se massa hiperecoica de 7 cm de diametro na area do corpo do utero e as radiografias toracicas nao mostraram evidencias de metastases. Foi realizada tomografia computadorizada de abdomen, pelve, torax com o paciente deitado em um dispositivo de posicionamento Vac-Lok para facilitar o posicionamento repetitivo (Figura 1a). A tomografia nao distinguiu os ovarios e revelou uma massa localmente invasiva envolvendo o corpo uterino e os cornos que se apresentavam distendidos caudalmente atraves do colo do utero e da vagina (Figura 1b). Nao havia sinais de metastase e foi tomada a decisao de prosseguir com a radioterapia paliativa, usando um software de planejamento de tratamento computadorizado baseado no exame de tomografia (Figura 1c).

O primata foi anestesiado em cada tratamento. Uma dose total de 16 Gray (Gy), foi aplicada em quatro fracoes de 4 Gy, administradas duas vezes ao dia com intervalo de 6 horas, durante dois dias consecutivos. Apos o tratamento, o animal apresentou diminuicao do apetite e letargia por cerca de duas semanas, mas evoluiu de forma favoravel. A reavaliacao do tumor por analise da tomografia depois de oito semanas indicou uma pequena resposta a terapia e sem evidencia de metastase. Optou-se por administrar novo esquema de radioterapia paliativa. O animal apresentou maior tolerancia ao tratamento, ou seja, nao apresentou sinais de inapetencia ou de letargia. O animal viveu por alguns meses sem sinais clinicos e foi mantida exposicao naturalista no parque, sendo monitorado diariamente pela qualidade de vida. Depois de varios meses, a condicao do animal comecou a deteriorar-se e foi eutanasiado.

O segundo caso refere-se ao tratamento de um furao (Mustela putorius) com suspeita de adenocarcinoma no saco anal com realizacao de radioterapia localizada, descrito por Nakata et al. (9). Animal com sete anos, macho castrado, com peso 1-3 kg, foi encaminhado para o Centro Medico Veterinario da Universidade de Toquio com massa perianal recorrente. Seis meses antes, tinha sido atendido por um medico veterinario local para investigacao de uma massa ulcerada na regiao perianal direita (Figura 2), que nao respondeu ao tratamento com antibioticos e foi removida cirurgicamente. No entanto, 3 a 5 meses mais tarde, a recorrencia da massa no lado direito e uma nova massa no lado esquerdo foram notadas.

As massas foram removidas cirurgicamente, mas novamente a excisao completa nao foi alcancada devido a um sangramento excessivo. O diagnostico por meio de exame histopatologico da massa tumoral resultou adenoma no saco anal.

Dada a rapida recidiva das massas e a associacao intima com o reto, concluiu-se que a excisao cirurgica completa poderia impactar negativamente a funcao do esfincter anal. Desta forma, optou-se pela utilizacao da radioterapia, que foi iniciada em um protocolo unico para reduzir o volume da massa. Foram agendadas doses de irradiacao de 4 Gy duas vezes por semana (com um total de 48Gy) usando uma unidade de ortovoltagem (MS-320R-2; Hitachi Medical) centrando-se sobre as massas. O furao foi mantido sedado para a radioterapia, utilizando-se a dose de 30 pg/kg medetomidine e 3 mg/kg de midazolam, por via intramuscular.

A sedacao foi revertida por injecao intramuscular de 120 [micro]g/kg de atipamezole imediatamente apos a irradiacao. O animal foi observado em um periodo de tres dias apos a primeira irradiacao. Quando completo, no sexto dia da irradiacao (dose total de 24 Gy), as massas ja nao eram externamente visiveis, mas eram palpaveis, com 1 cm de diametro (Figura 2). Os sinais clinicos tambem melhoraram e nao foram observados efeitos adversos da irradiacao ou sedacao repetida.

No entanto, dois dias apos o sexto dia de irradiacao, ocorreram subita perda de apetite, sinais de dispneia e tosse. A radiografia toracica revelou efusao pleural sem metastase pulmonar e o furao foi medicado novamente. Sua condicao clinica melhorou com estes tratamentos.

No quinquagesimo dia, apos a primeira admissao, reapareceram sinais de disquesia e derrame pleural e abdominal. Foi administrado 1 mg/kg de furosemida, 1 mg/kg de prednisolona, 20 mg/kg cephaloxin e misoprostol por via oral a cada 12 horas. No quinquagesimo setimo dia, foram realizadas irradiacao localizada (6 Gy) e remocao de derrame pleural (15 ml) e abdominal (35 ml), sob anestesia utilizando-se o mesmo protocolo. As citologias do liquido pleural e abdominal revelaram mesotelioma. Os sinais clinicos permaneceram inalterados durante 10 dias, apesar do tamanho do tumor estavel. A irradiacao foi interrompida devido ao risco de desconforto respiratorio sob sedacao. O animal morreu em casa no septuagesimo dia e a necropsia nao pode ser realizada.

O terceiro caso, descrito por Goodnight et al. (10), trata-se de um cuscus da terra (Phalanger gymnotis), de um zoologico da cidade Oakland no estado da California (EUA), com 15 anos, com aproximadamente 3,7 kg, que desenvolveu uma lesao aguda de pele de 2 cm de diametro, 1 mm de espessura no torax lateral direito sentido caudal ate o cotovelo. Inicialmente, foi diagnosticada como lesao traumatica e tratada com antisseptico topico uma vez por dia. Embora clinicamente o animal se apresentava estavel, a lesao progrediu. Por volta do decimo segundo dia, a lesao era de aproximadamente 3 cm de diametro, profundamente ulcerada, expondo tecido muscular esqueletico (Figura 3), no qual foi colhido amostras para a biopsia e tambem sangue para o hemograma.

Tres radiografias foram feitas e nao revelaram evidencias de neoplasia disseminada. Contudo o exame histopatologico revelou tecido linfoide neoplasico com infiltracao presente em toda a derme, interpretados dessa forma como possivel malignidade linfoide (epitheliotropic) e a quimioterapia foi realizada no animal. Quatro meses apos o diagnostico inicial, varias amostras de biopsia da pele foram colhidas no local do tumor original e o animal nao demonstrou sinais de doencas associadas. O exame histopatologico forneceu o diagnostico de linfoma cutaneo persistente. O animal foi submetido a quimioterapia e apos a radioterapia.

A radioterapia foi iniciada seguindo como base o protocolo padrao para caes e gatos domesticos. A lesao foi irradiada a 8 Gy ate uma profundidade de 12 mm, foi utilizado fotons de eletrons a 5 mega-eletron volts (MeV) em um campo de 10x10 cm, realizados com um equipamento acelerador linear da Siemens. Esta dose foi administrada a cada sete dias para um total de quatro tratamentos resultando em uma dose total de 32 Gy.

Houve mudancas na lesao durante a radioterapia apos 85 dias da dose inicial. Apesar de nao haver evidencia da lesao no local inicial, uma nova lesao maior apareceu na parte ventral do abdomen aproximadamente 120 dias apos a radiacao. Neste momento, o animal tornou-se letargico, a lesao passou a ser mais agressiva e a disseminacao sistemica foi considerada provavel. O animal nao respondia corretamente a quimioterapia e por consequencia aos fatos acontecidos, o animal foi eutanasiado.

O animal viveu mais de oito meses com boa qualidade de vida, conforme evidenciado pela falta de mudancas comportamentais, bom apetite, e manutencao do peso. Quando a lesao voltou agressivamente e foi considerado refratario aos medicamentos, a radioterapia levou a segunda lesao. Apesar da neoplasia responder pobremente aos tratamentos, nao houve efeito adverso sistemico importante para o animal.

O quarto caso se refere a um urso malaio femea (Helarctos malayanus) selvagem, capturado, de 45 kg com aproximadamente seis anos de idade, descrito por Mylniczenko et al. (11). Foi recebido no Lincoln Park Zoo, na cidade de Chicago, estado de Illinois (EUA), apresentando em janeiro de 2001, um aumento de volume na gengiva ao longo da superficie lingual dos incisivos inferiores, com um diametro de dois centimetros, vermelho e liso. A suspeita inicial foi de uma lesao inflamatoria secundaria causada por uma lasca de madeira. Nas semanas seguintes, o aumento de volume ficou 50% maior e se seguiu de ptialismo.

O animal foi anestesiado e mantido com inalatoria para avaliar a massa, a qual foi localizada em uma area da lingua e da mandibula, era friavel e sangrava facilmente. Media 5 cm de comprimento e se estendia por toda a superficie lingual da mandibula. Os incisivos adjacentes a massa foram extraidos, pois estavam soltos.

Ao exame radiografico, foi observado osteolise severa da porcao rostral da mandibula e amostras foram tiradas para exame citologico e histopatologico. A citologia sugeriu uma reacao inflamatoria com resposta neutrofilica degenerativa e a suspeita de adenocarcinoma. A histopatologia confirmou carcinoma de celulas escamosas, e diagnosticou como sendo a resseccao cirurgica incompleta. As radiografias de torax nao revelaram qualquer evidencia de doenca metastatica.

O tratamento inicial foi projetado para limitar os eventos da doenca, portanto, a cirurgia radical e quimioterapia foram consideradas mais adequadas para a situacao. A recuperacao do urso foi notavel dentro de 24 horas apos a cirurgia. E como a resseccao cirurgica nao foi eficiente, associou-se quimioterapia e radioterapia, que comecaram duas semanas apos.

A imobilizacao e os procedimentos de monitoramento foram semelhantes aos usados na cirurgia. A radioterapia da mandibula foi realizada utilizando um acelerador linear (Varian Clinac 2500) a 4 Gy (2 Gy em areas paralelas opostas) para uma dose total de 8 Gy com as laterais esquerda e direita, usando fotons de 6 Megavolts (Mv). O tamanho do campo foi de 6 x 6 cm com rotacao colimador. Tres sessoes de radioterapia adicionais foram realizadas em intervalos de uma semana. As complicacoes incluiram uma miosite suave que desenvolveu uma ranula por via sublingual no local da mandibulectomia logo apos o segundo tratamento com radiacao.

Seis meses apos o diagnostico inicial, foi realizada uma avaliacao geral. As radiografias toracicas e das mandibulas nao mostraram evidencia de lise ossea. Parametros sanguineos e de urina estavam dentro dos limites da normalidade e a citologia dos linfonodos submandibular tambem estavam normais. O animal foi avaliado periodicamente pelo exame oral voluntario utilizando tecnicas de condicionamento operante e os resultados foram satisfatorios.

O quinto caso se refere a um ourico de Madagascar conhecido como Tenrec (Echinops telfairi) de 15 anos, macho que apresentava uma massa caudal na orelha direita, relatado por Harrison et al. (12). Animal do zoologico Potter Park, no sul da Pensilvania (EUA). Foi realizada a citologia a qual mostrou caracteristicas de sarcoma, apos isso, foi feita a tentativa de remocao cirurgica da massa. Apos a remocao, a histologia foi consistente com sarcoma de tecidos moles.

Apos 331 dias a cirurgia, a massa retornou e foi iniciada a radioterapia. A tomografia computadorizada foi utilizada para armazenamento temporario em conjunto com software de planejamento de tratamento tridimensional computadorizado, para permitir a localizacao precisa da lesao e poupar os tecidos normais adjacentes. Em seguida, foi distribuida uma dose total de 6480 cGy, administrada em 24 fracoes ao longo de 46 dias. Durante o decorrer da radioterapia houve o desenvolvimento de uma paresia transitoria nos membros pelvicos, mas foi resolvida apos sete dias de tratamento com prednisona.

Os efeitos da radiacao aguda foram minimos e a massa respondeu com uma reducao de 90% do volume. O animal teve uma sobrevida de 266 dias a partir do inicio do segundo tratamento. Na necropsia, uma pequena massa com tecidos granulados foi encontrada no local da neoplasia inicial, indicando um bom controle regional do tumor; no entanto, extensas metastases no figado e baco estavam presentes. O diagnostico final foi melanoma amelanotico metastatico.

A Tabela 1 resume os dados relevantes para cada caso de radioterapia descrito a partir dos dados da literatura. Alguns dados nao sao mencionados nas publicacoes o que esta representado na tabela como "ND" (nao descrito).

DISCUSSAO

Na comparacao dos dados obtidos, cada caso refere-se a diferentes animais selvagens, sendo todos mamiferos, o que nao significa que na medicina de animais selvagens a radioterapia e empregada apenas em mamiferos, pelo contrario, segundo Filippich (7), essa modalidade tem muita aplicacao em aves.

A radioterapia demonstrou ser uma ferramenta utilizada em associacao a cirurgia e a quimioterapia no tratamento das neoplasias citadas em quase todos os casos. Nota-se tambem que a radioterapia e mais utilizada de forma paliativa do que curativa. Isso se deve ao fato de todos os animais selecionados pertencerem a zoologicos e, de acordo com Stoskopf (4), animais de zoologicos que vivem em cativeiro tendem a viver muito mais tempo do que soltos na natureza. Nota-se tambem que, na maioria dos casos, os animais sao geriatricos, o que predispoem ainda mais as chances do desenvolvimento de alguma neoplasia.

Percebe-se que a maioria dos casos e dos Estados Unidos e que todos os animais foram sedados e anestesiados para os procedimentos. Contudo, nao e possivel dizer por esse estudo se os Estados Unidos tem o maior numero de animais selvagens tratados por radioterapia, ou se apresenta o maior numero de neoplasias do que os outros paises.

Observa-se que a dose total nos casos tratados varia de 16 a 48 Gy e que a dose diaria e de 2 a 8 Gy, sendo os limites das doses diarias bem proximos e os limites da dose total bastante dispersos. Sobre as secoes de tratamento, na maioria dos casos relatados, utilizou-se o hipofracionamento de dose, ou seja, foram empregadas altas doses diarias, com poucas secoes de tratamento, aproximadamente de dois a cinco dias por semana, com alguns intervalos entre as secoes, reduzindo assim o numero de aplicacoes da sedacao e da anestesia durante os procedimentos.

Quanto a ausencia de informacao, percebe-se que alguns autores nao mencionam o tipo de planejamento do tratamento (casos: 2, 3 e 4), o tipo de equipamento utilizado (casos: 1 e 5), o tipo de energia utilizada (casos: 1 e 5) e o tamanho do campo tratado (casos: 1, 2 e 5). Somente em dois casos foi mencionado o uso da tomografia computadorizada combinado com um software especifico para o planejamento do tratamento (casos: 1 e 5), apenas tres descrevem o tipo de equipamento utilizado (casos: 2, 3 e 4), apenas tres mencionam o tipo de energia utilizada (casos: 2, 3 e 4) e somente dois descrevem o tamanho do campo utilizado no tratamento (casos 3 e 4), dificultando a replicacao do metodo para emprega-los em outros casos.

Considerando o numero de informacoes conforme a Tabela 1, os autores dos casos 2, 3 e 4 forneceram maior numero de informacoes do que os autores dos casos 1 e 5, que demonstraram restringir as informacoes em suas publicacoes. E importante salientar que esses dados sao relevantes e precisam ser mencionados em qualquer trabalho cientifico, pois pode servir como base inicial a outros pesquisadores em estudos futuros.

COMENTARIOS FINAIS

Como animais geriatricos sao predominantes em zoologicos, tem-se a ocorrencia de aumento de neoplasias em muitas especies e alternativas para tratamentos paliativos precisam ser avaliadas. A quimioterapia minimamente invasiva e a radioterapia adjuvante foram as opcoes de tratamento viaveis e devem ser consideradas para o tratamento de neoplasias em outras especies animais.

Apesar do pequeno numero de casos avaliados no levantamento desse estudo bibliografico, todos eles apresentaram resultados satisfatorios utilizando a radioterapia na medicina de animais selvagens, e forneceram informacoes relevantes que podem orientar inicialmente futuros pesquisadores nessa area, melhorando assim o conhecimento sobre o tema como tambem a qualidade de vida dos animais.

Recebido em: 15/01/2016 Aceito em: 16/01/2017

REFERENCIAS

(1.) Okuno E, Yoshimura EM. Fisicas das radiacoes. In: Okuno E, Yoshimura EM. Desintegracao nuclear [Internet]. Sao Paulo: Oficina de textos; 2010 [citado 2015 Sep 23]. p. 69-74. Available from: http://www.ofitexto.com.br/conteudo/deg_418789.pdf.

(2.) Andrade LA, Fernandes MR. Braquiterapia em medicina veterinaria. In: Jerico MM, Neto AJP, Kogika MM. Tratado de medicina interna de caes e gatos. Sao Paulo: Roca; 2014. p. 560-83.

(3.) McNiel E. Introduction to radiation therapy [Internet]. East Lansing, Michigan: Michigan State University; 2009 [citado 2015 Sep 23]. p. 126-9. Available from: http://landofpuregold.com/cancer/thepdfs/intro-radiationtherapy.pdf.

(4.) Stoskopf MK, Brown J, Devoe R. Imaging in zoological medicine practice. J Radiol Nurs. 2012;31(3):81-90.

(5.) Moretto AJG, Correa FG. Radioterapia para carcinomas em animais domesticos. Rev Cient Eletronica Med Vet, Garca [Internet]. 2013 [citado 2015 Oct 6];11(20). Available from: http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/mcMlQhIjR6u eiY8_2013-6-21-15-37-39.pdf.

(6.) Cunha SCS. Radioterapia: as radiacoes do bem. Revista Pulo do Gato [Internet]. 2013 [citado 2015 Oct 6]. Available from: http://www.revistapulodogato.com.br/materias/ler-materia/70/ radioterapiaas-radiacoes-do-bem.

(7.) Filippich LJ. Tumor control in birds. Sem Avian Exotic Pet Med. 2004;13(1):25-43.

(8.) Burk RL, King GK. The Veterinay Clinics of North America--Small Animal Pratice Radiation Oncology. Philadelphia: WB Saunders Company;1997.

(9.) Nakata M, Miwa Y, Nakayamaz H, Sakai T, Sasaki TN. Localised radiotherapy for a ferret with possible anal sac apocrine adenocarcinoma. J Small Anim Pract. 2008;49(1):447-76.

(10.) Goodnight AL, Couto CG, Green E, Barrie M, Myers G. Chemotherapy and radiotherapy for treatment of cutaneous lymphoma in a ground cuscus (phalanger gymnotis). J Zoo Wildl Med. 2008;39(3):472-5.

(11.) Mylniczenko ND, Manharth AL, Clayton LA, Feinmehl R, Robbins M. Successful treatment of mandibular squamous cell carcinoma in a malayan sun bear (helarctos malayanus). J Zoo Wildl Med. 2005;36(2):346-8.

(12.) Harrison TM, Dominguez P, Hanzlik K, Sikarskie JG, Agnew D, Bergin I, et al. Treatment of an amelanotic melanoma using radiation therapy in a Lesser Madagascar Hedgehog Tenrec (Echinops telfairi). J Zoo Wildl Med. 2010;41(1):152-7.

Michel de Campos Vettorato [1] Marco Antonio Rodrigues Fernandes [2] Luis Carlos Vulcano [3]

[1] Mestrando em Biotecnologia Animal pela Faculdade de Medicina Veterinaria e Zootecnia de Botucatu--FMVZ UNESP

[2] Docente do Departamento de Dermatologia e Radioterapia da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" de Botucatu (Unesp).

[3] Docente da Faculdade de Medicina Veterinaria e Zootecnia de Botucatu (FMVZ)

Caption: Figura 1. Ilustracao do primata sendo posicionado antes da imagem para orientar o design de sua radioterapia (A), imagens de tomografia computadorizada do animal em corte transversal e dorsal com meio de contraste iodado (B), onde visibiliza-se uma massa cavitaria se estende para a direita a partir do corpo uterino, a qual e invadida pelo tumor perto do colo do utero. O mesmo animal sendo posicionado para radioterapia (C) (4).

Caption: Figura 2. Aparencia das lesoes perianal, sendo a primeira imagem identificada na parte ventral (*) e na dorsal (seta) regioes perianal e superficies ulceradas (A) e apos o sexto dia da radioterapia, a massa nao pode ser reconhecido macroscopicamente (B) (9).

Caption: Figura 3. Alteracoes na lesao cutanea no linfoma do cuscus da terra, sendo no pre-tratamento (A) e oitenta e cinco dias apos a radioterapia inicial (B) (10).
Tabela 1. Apresentacao resumida dos cincos casos descritos que
utilizaram a radioterapia, com o numero de informacoes.

CASOS DESCRITOS             1 (4)

Animal                     Nautilus
Especie                    Mamifero
Sexo                        Femea
Idade                      36 anos
Tipo de cancer      Carcinoma de celulas
                   escamosas (diferenciado)
Tratamento          Radioterapia paliativa
Planejamento             Tomografia
                      computadorizada em
                     conjunto com software
                         de planejamento
Dose total                  16 Gy
Dose diaria                  4 Gy
Fracionamento          4 fracoes, duas
  (secoes)             por duas por dia
                         a cada 6 horas
Tamanho do campo              ND
Equipamento                   ND
Tipo de energia               ND
Imobilizacao              Sedacao e
                        anestesia geral
Local (pais)            Estados Unidos
TOTAL DE                      12
INFORMACOES

CASOS DESCRITOS             2 (9)

Animal                Mustela putorius
Especie                   Mamifero
Sexo                        Macho
Idade                      7 anos
Tipo de cancer        Adenocarcinoma no
                          saco anal
Tratamento         Cirurgia, quimioterapia
                   e radioterapia paliativa
Planejamento                 ND
Dose total                  48 Gy
Dose diaria                 4 Gy
Fracionamento       Duas vezes por semana
  (secoes)
Tamanho do campo             ND
Equipamento         Unidade de ortovoltagem
Tipo de energia            Raio X
Imobilizacao             Sedacao e
                       anestesia geral
Local (pais)                Japao
TOTAL DE                     13
INFORMACOES

CASOS DESCRITOS              3 (10)

Animal                 Phalanger gymnotis
Especie                     Mamifero
Sexo                           ND
Idade                       15 anos
Tipo de cancer          Linfoma cutaneo
                         (persistente)
Tratamento              Quimioterapia e
                     radioterapia paliativa
Planejamento           Protocolo padrao
                       para caes e gatos

Dose total                   32 Gy

Dose diaria                   8 Gy

Fracionamento        4 fracoes administrada
  (secoes)                a cada 7 dias

Tamanho do campo           10 x10 cm
Equipamento            Acelerador linear
Tipo de energia    Fotons de eletrons (5 MeV)
Imobilizacao       Sedacao e anestesia geral

Local (pais)             Estados Unidos
TOTAL DE                       13
INFORMACOES

CASOS DESCRITOS             4 (11)

Animal               Helarctos malayanus
Especie                    Mamifero
Sexo                        Femea
Idade                       6 anos
Tipo de cancer       Carcinoma de celulas
                    escamosas (mandibular)
Tratamento         Cirurgia, quimioterapia
                   e radioterapia curativa
Planejamento                  ND

Dose total           16 Gy (8 Gy em cada
                      lado da mandibula)
Dose diaria           4 Gy (2 Gy em cada
                      lado da mandibula)
                     ND, associada a tres
Fracionamento      sessoes de radioterapia
  (secoes)           adicionais realizadas
                        em intervalos
                         de uma semana
Tamanho do campo           6 x 6 cm
Equipamento           Acelerador linear
Tipo de energia         Fotons (6 MV)
Imobilizacao              Sedacao e
                        anestesia geral
Local (pais)            Estados Unidos
TOTAL DE                      13
INFORMACOES

CASOS DESCRITOS                5 (12)

Animal                    Echinops telfairi
Especie                       Mamifero
Sexo                            Macho
Idade                          15 anos
Tipo de cancer          Melanoma amelanotico
                             metastatico
Tratamento            Cirurgia, quimioterapia e
                        radioterapia paliativa
Planejamento       Tomografia computadorizada em
                     conjunto com um software de
                     planejamento tridimensional

Dose total                    6480 cGy

Dose diaria                    270 cGy

Fracionamento               24 fracoes ao
  (secoes)                 longo de 48 dias

Tamanho do campo                 ND
Equipamento                      ND
Tipo de energia                  ND
Imobilizacao              Uso de sedacao e
                           anestesia geral
Local (pais)               Estados Unidos
TOTAL DE                         12
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Article Details
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Author:de Campos Vettorato, Michel; Fernandes, Marco Antonio Rodrigues; Vulcano, Luis Carlos
Publication:Veterinaria e Zootecnia
Article Type:Report
Date:Jun 1, 2017
Words:3986
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