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RACISM: A MATTER OF PUBLIC HEALTH AND MANAGEMENT IN THE GENDER PERSPECTIVE/RACISMO: UMA QUESTAO DE SAUDE PUBLICA E DE GESTAO NA PERSPECTIVA DE GENERO.

1.INTRODUCAO

A problematica racial no Brasil esta atrelada com a natureza e a cultura, configurando em um problema de saude publica e de gestao, principalmente para as mulheres negras que percebem as discriminacoes e o fortalecimento da desigualdade social, afora a falta de investimento em politicas publicas voltadas para as suas necessidades especificas.

Segundo a revista Exame, o racismo afeta a saude dos negros e a principais doencas sao o estresse, hipertensao, depressao e ansiedade. A populacao ao buscar atendimento no SUS percebem a discriminacao sendo que a populacao negra (23,3%) e a populacao branca (9,5%) (Wade, 2017a, Demartini, 2016, Tavares, Oliveira & Lages, 2013).

As iniquidades em saude estao associadas as demandas socioeconomicas, raciais e de genero e apesar da diminuicao da taxa de mortalidade em geral nas ultimas decadas e elevacao da expectativa de vida, a populacao negra ainda permanece com altas taxas de morbimortalidade em todas as faixas etarias (Brasil, 2011).

O racismo institucional na saude publica reforca o mito da democracia racial, a partir do momento que os profissionais de saude demonstram ausencia de um olhar critico na problematica etnico-racial e suas implicacoes na saude, ao inves de promover a equidade, pois a populacao negra tem dificuldade de acesso aos servicos de saude, e nao tem a mesma qualidade na atencao a saude como a populacao branca (Williams & Priest, 2015, Tavares, Oliveira & Lages, 2013).

Os fatos demonstram que as falhas nas politicas publicas afetam a saude da populacao principalmente de grupos minoritarios, sendo que no Brasil, um agravante e o mito da democracia racial. O mito da democracia racial sustenta as iniquidades em saude da populacao negra, que sao sujeitas diariamente as micro e macro agressoes que comprometem o bem-estar psicologico e sua saude e apresentam prevalencia de estresse. O estresse pode ser agudo ou pos-traumatico independente de um evento unico ou continuo de micro agressoes, constituindo um alerta para os profissionais da saude mental (Mata & Pelisoli, 2016, Faro & Pereira, 2011).

O objetivo do estudo foi fazer uma revisao de literatura sobre o racismo e as consequencias na saude em termos de genero atrelado a gestao. Como metodo foi adotado a revisao narrativa que nao tem o objetivo de esgotar todas as fontes de informacoes, mas obter o maximo de dados por meio da selecao de artigos e outras fontes de dados como livros, propiciando a interpretacao dos achados (FCA/Unesp, 2015, Elias et al., 2012).

O estudo aqui proposto, busca cobrir uma lacuna academica ao associar racismo, saude publica e gestao, pois ha poucos artigos na administracao que abordam o racismo. E um tema desafiador que expoe o mito da democracia racial colocando em questao a saude publica e a performance dos gestores ao permitir o racismo institucional.

Considera-se no estudo, genero como construcao sociocultural entre a diferenciacao sexual, significando relacoes de poder que sao assimetricas e desiguais (Scott, 1994) e sob o controle economico (Wade, 2017b). A raca como uma construcao social, politica ou cultural e nao uma entidade biologica (Pena & Bortolini, 2004), portanto, tendo como sujeito empirico e categoria analitica a mulher negra. Raca negra corresponde aos homens e as mulheres de cor preta ou parda, conforme classificacao do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE, 2014).

O aporte teorico que abarca a questao do estudo e o feminismo negro, que buscou denunciar o racismo e afrontar as questoes raciais sobre as relacoes de genero e humanizar a mulher negra (Spivak, 2010, Paterniani, 2015, Fernandes, 2016). O feminismo negro diferenciou-se de outras abordagens feministas por incluir conflitos que vao desde a critica e combate ao patriarcado. Outro fato foi a luta das feministas brancas, universitarias, heterossexuais, de classe media e media alta que nao representavam os interesses das mulheres negras, que estavam em situacao de desigualdade em relacao as mulheres brancas, alem da ruptura do silencio das mulheres negras (Spivak, 2010, Cisne, 2014, Paterniani, 2015, Rosa, 2016, Silva & Silva, 2016).

E a interseccionalidade, por apresentar uma linearidade de analise com consubstancialidade (Kergoat, 2010, Crenshaw, 1965), devido as nuances contraditorias reafirmando-se na teoria critica em estudos feministas voltadas a raca e sexo/raca e genero (Crenshaw, 1965; Cox & Nkomo, 1990; Mariano & Carloto, 2009; Hirata, 2014; Mendes e Milani, 2016; Oliveira, 2016; Ribeiro, 2016; Conrado & Ribeiro, 2017).

Percebe-se a interrelacao entre classe, genero e raca na desigualdade social e que as proprias organizacoes criam a desigualdade por meio de praticas e processos interconectados dando continuidade a desigualdade social, por isso, as organizacoes sao consideradas um local critico e complexo (Acker, 2006).

2. RACISMO

O racismo compreende uma serie de subjetividades. Subjetividades estas, que apresentam diversas formas de viver, podendo ser prescritivas ou proscritas, individuais ou coletivas, homogeneas ou encarceradas, singulares ou passiveis de experimentacao em novos territorios e normalmente impostas e legitimadas (Zamora, 2012).

Nao e a raca que delineia a probabilidade de quem vai viver ou morrer no Brasil e sim o racismo, devido ao abismo das desigualdades sociais. Enfatiza-se que a mulher negra esta sujeita a tres tipos discriminatorios; genero, raca e classe social.

E a fracao mais pobre, frequentemente em trabalhos precarios com predominancia na esfera domestica, com menores rendimentos e tem elevada taxa de desemprego e maior prevalencia de mulheres negras nas classes mais baixas (Conrado & Ribeiro, 2017, Hirata, 2014, Zamora, 2012, Mariano & Carloto, 2009). O racismo ocasiona a exclusao, o conflito e a privacao em todo o mundo (Williams & Priest, 2015).

O racismo institucional no Brasil pode ser percebido por meio de normas, praticas e atitudes discriminatorias, que foram naturalizadas ao longo do tempo no contexto do trabalho, bem como, em outras instancias da sociedade suscitando ignorancia, falta de atencao, preconceito ou estereotipos racistas. Esta situacao exclui a populacao negra dos beneficios gerados pelo Estado e outras instituicoes que o representam (Lage & Souza, 2017, Lage, Perdigao, Pena & Silva, 2016, Brasil, 2011).

Zamora (2012) faz um alerta de que o preconceito racial tambem acontece nas bases estruturais da sociedade e reflete na educacao, saude, moradia, emprego, renda, expectativa de vida, acesso a equipamentos sociais, colocando os negros em injusta e grande desvantagem. A pobreza e a miseria tem predominancia no reduto negro corroborando Mariano e Carloto (2009).

Segundo Williams e Priest (2015) e Varella (2010), corroborando Coutinho et al. (2009) e Mariano e Carloto (2009), a discriminacao indireta acontece, afora manifestacoes explicitas de odio ou segregacao racial, atraves das praxis administrativas, empresariais, da legislacao, normas e politicas publicas supostamente neutras, mas que possuem potencial discriminatorio, causando danos ao grupo vulneravel e adscritos, minoria negra e mulheres. Alguns individuos relacionam desigualdades raciais como reflexos de problemas sociais, assim a pobreza, e uma situacao de desigualdade racial que pode ser identificada pelos dados estatisticos governamentais, como aqueles descritos pelo IBGE.

O racismo brasileiro e negado atraves do mito da democracia racial em um pais em que a maioria da populacao e negra (IPEA, 2017) e oriundo da violencia colonial da mulher negra pelo homem branco no passado e pela miscigenacao (Conrado & Ribeiro ,2017, Carneiro, 1995).

Segundo Carneiro (1995, p.548):

"Mesmo os negros que devem o seu sucesso aos seus proprios talentos pessoais sao prisioneiros desta perversa dinamica e veem-se impotentes para transferir o seu prestigio pessoal para o seu grupo racial. Embora desfrutem individualmente de uma situacao privilegiada sabem que nao representam nada que tenha relevancia politica, social ou economica porque os negros enquanto coletividades sao considerados a parcela descartavel de nossa sociedade e se bem-sucedidos individualmente servem apenas para legitimar o mito da democracia racial".

Segundo Sansone (1996) e Rosa (2014) somente no ano de 1955 com o enfraquecimento do discurso de cordialidade de vivencia entre brancos e negros que comecou a debater o racismo na esfera social, politica e na academia.

Candler (2015) enfatiza que a ideologia de democracia racial no Brasil encontra-se na festa de sete dias do carnaval onde todas as racas se misturam e convivem de forma harmoniosa. No entanto, os afrodescendentes, no Brasil, apesar de serem a maioria no pais, nao tem representatividade politica e economica como os afroamericanos, alem de estarem nos piores indicadores socioeconomicos. Por isso, Guerreiro Ramos, nos anos 50, denominou o fenomeno como Patologia Social Branca Brasileira, devido as discriminacoes contra o negro que refletem em autoalienacao estetica racial, constituindo o racismo. No Brasil, percebe-se uma desigualdade racial alarmante, sendo uma das mais rigorosas do mundo.

Nogueira (2006), Costa (2009) e Wade (2017a) enfatizam que o racismo no Brasil nao deve ser comparado com de outros paises, pois no Brasil sobressai o preconceito de marca ligado a estetica do negro, enquanto nos Estados Unidos (EUA) se destaca e o preconceito de origem relacionado com a ascendencia do negro e do grupo etnico ancestral.

Lage e Souza (2017) enfatizam que as mulheres negras sofrem no contexto do trabalho o preconceito de marca em decorrencia do cabelo crespo e sofrem por sexismo, racismo e assedio sexual. O racismo ainda permanece ativo na sociedade, porem disfarcado pela naturalizacao, assim, mantendo o preconceito maquiado (Lage et al.,2016).

No quadro 1 apresenta-se as diferencas entre preconceito de marca e de origem de acordo com as doze proposicoes de Nogueira (2006). O preconceito e explicito independente de sua aparencia fisica nos EUA segregando em grupos, bastando ter um ascendente negro enquanto no Brasil, o preconceito e mais leve e depende da sua cor e cabelo e ligado a classe social.

O problema racial impacta a qualidade de vida das pessoas negras, tanto que, as acoes afirmativas iniciaram na decada de 60, nos Estados Unidos da America e, no Brasil, o inicio ocorreu em 2005. Estas acoes visam contrapor a desigualdade economica e as barreiras psicologicas ja antecipados por Guerreiro Ramos, 50 anos atras (Candler, 2015).

Em suma, o preconceito de marca no Brasil deriva em racismo levando ao adoecimento aos negros e principalmente as mulheres negras, que ainda sofrem discriminacoes, nos servicos de saude.

2.1 Politicas publicas

No Brasil, a Constituicao Federal de 1988 considera o racismo como crime inafiancavel e imprescritivel, sujeito a pena de reclusao, conforme art. 5, inciso XLII (Brasil, 1988).

A implementacao das acoes afirmativas para insercao do negro nas universidades publicas e instituicoes federais de ensino tecnico de nivel medio por cotas raciais (Brasil, 2012), o branco compete com o negro na disputa por uma vaga, seja no mercado de trabalho ou no meio educacional, nota-se que a discriminacao se torna mais perceptivel, voltando a ser tema de estudo. Isto demonstra a relacao entre raca e classe social, pois as acoes afirmativas favorecem a entrada de estudantes oriundos de familias com renda igual ou inferior a um salariominimo e meio per capita.

No Brasil, o Direito constitucional do cidadao a saude, em conformidade com o artigo 196 da Constituicao de 1988 garante que "Saude e direito de todos e dever do Estado", por meio de politicas sociais e economicas que visam a reducao do risco de doencas e de outros agravos, acesso igualitario e universal, com acoes e servicos para sua promocao, protecao e recuperacao (Ferreira, Paiva & Reis Neto, 2015).

Nos EUA ainda se detecta que os direitos civis tem afetado e podem afetar a saude das minorias raciais e etnicas nos Estados Unidos, pois os direitos civis sao determinantes sociais de saude. A discriminacao e segregacao com os grupos minoritarios ainda persistem por causa de falhas nas leis de direitos civis (Hahn, Truman & Williams, 2018).

Figueroa e Hurtado (2014) apresentam propostas de reivindicacao e redefinicao politicas a partir das mulheres negras africanas e afrodescendentes, visando enfrentar a opressao e a marginalizacao sexista em um contexto de dominacao moderna /colonial.

Backes, Backes, Erdmann e Buscher (2012) corrobora Ferraz e Kraiczyk (2010), que o Sistema Unico de Saude (SUS) criado em 1990, com os principios da universalidade e a equidade no acesso aos servicos e acoes de saude e a integralidade da atencao, que sao operacionalizadas pelas diretrizes de descentralizacao, regionalizacao e hierarquizacao do cuidado e de participacao da comunidade.

Os principios e diretrizes aplicaveis ao SUS estao previstos no art. 198 da Constituicao Federal de 1988 (Brasil, 1988) e regulamentados pela Lei no. 8.080/1990 (Brasil, 1990a) e Lei no. 8142/1990 (Brasil, 1990b). Esses principios podem ser agrupados em dois segmentos: um que incorpora os principios decorrentes de valores sociais como o acesso universal e igualitario (CF,1988,art.196), a participacao comunitaria (CF,1988, art.198, III) e o atendimento integral (CF,1988, art.198, II); o outro grupo envolve os que dizem respeito a organizacao do sistema de saude: regionalizacao e hierarquizacao dos servicos e descentralizacao associada a direcao unica em cada esfera de governo(CF,1988, art. 197, I, II e III) (BRASIL, 1988).

No Brasil, pode-se contar que o SUS ter sido guiado por diretrizes e principios foi uma contribuicao inigualavel para o desenvolvimento sustentavel, a medida que integra a participacao e controle social com o planejamento e avaliacao da politica publica nas esferas federal, estadual e municipal. Nessa perspectiva, a discussao da saude e sustentabilidade deve estar direcionada para os determinantes sociais de saude interagindo de forma equanime em nivel local, nacional e mundial (Franco Netto, 2012).

No entanto, somente no seculo XXI comecou a discutir e implementar politicas para a equidade de genero e suas identidades, da atencao integral ao homem e o plano de enfrentamento da femininizacao da epidemia da Sindrome da Imunodeficiencia Adquirida (AIDS) e outras doencas sexualmente transmissiveis, como feedback do Estado as condicoes de saude deste publico que apresenta necessidades mais especificas na esfera do SUS (Ferraz & Kraiczyk, 2010).

Analisando as politicas publicas favoreceram muito a populacao negra percebe-se incompletudes, pois o racismo e visivel para os negros e invisiveis ao branco, precisando reestruturar estas politicas.

3. Adoecimento

Um dos pontos criticos no Brasil e a relacao positiva entre condicoes de vida de homens e mulheres, de todas as idades, racas e classes sociais e o estado de saude. A centralizacao de riqueza e o poder reflete na saude principalmente da populacao negra, que estao mais vulneraveis em condicoes de vida (Brasl, 2011).

O racismo vem aumentando nos ultimos anos e esta situacao segrega determinados grupos raciais em condicoes sociais e ambientais prejudiciais a saude e ao bem-estar geral. As sensacoes de frustacao a longo prazo devido ao racismo facilitam a propensao de hipertensao arterial entre os afro-americanos (Wade, 2017a, Williams & Priest, 2015).

As mulheres negras apresentam uma tendencia de maior risco de homicidios, maior risco de morte em todas as faixas etarias, maior prevalencia de obitos nos hospitais do SUS em mulheres sem companheiros e que trabalham como domesticas. A principal causa de internacao foram os acidentes de transporte (Santos, Guimaraes & Araujo, 2007) e as principais doencas encontradas nas mulheres negras foram: doencas isquemicas do coracao, cerebrovasculares e hipertensivas; diabetes, tuberculose, estresse principalmente no ambiente de trabalho, depressao e anemia falciforme (Assari, 2017, Xavier & Rocha, 2017, Wade, 2017b, Mata & Pelisoli, 2016, Faro & Pereira, 2011Cordeiro, 2009, Santos et al., 2007, Mays, 1995).

O racismo institucional na saude publica e o preconceito ocasiona a depressao e a falta de conhecimento dos profissionais e usuarios dos sistemas de saude em relacao a anemia falciforme (Lages, Silva, Silva, Damas & Jesus, 2017). No estudo de Assari (2017), a instrucao e um fator protetor contra a depressao maior em mulheres negras.

Cordeiro (2009) enfatiza que a saude da mulher negra brasileira ficou em segundo plano em funcao dos determinantes sociais enraizados na sociedade como racismo e genero nos servicos de saude, como exemplo as mulheres negras com anemia falciforme na Bahia. As mulheres negras percebem tratamento humilhante, sem cortesia e injusto em virtude dos constrangimentos que sao expostas.

Segundo Xavier e Rocha (2017), mulheres negras portadoras de anemia falciforme percebem sua condicao de saude relacionada com a interseccionalidade, a raca e as relacoes de genero e classe, o que gera uma cegueira publica deixando-as invisiveis.

No estudo de Hall, Everelt e Hamilton-Mason (2012), sobre o estresse no ambiente de trabalho, os autores identificaram que as mulheres negras deparam com a mesma estrutura que as mulheres brancas, com um condicionante a mais que e a questao da diversidade sobre a desigualdade. As mulheres negras americanas enfrentam o sexismo e racismo como fatores estressores mediante as ponderacoes a seguir: na contratacao e promocao; na defesa da raca e orientacao; mobilidade na hierarquia, racismo e discriminacao, isolamento e exclusao. Elas desenvolvem coping para lidar com o estresse.

A discriminacao percebida pelo afro americano causa pressao arterial sistolica e nas mulheres a diabetes. Raca e renda tambem levam a discriminacao percebida (Dawson, Walker, Campbell & Egede, 2015). As mulheres negras apresentam significativamente mais hospitalizacoes (Mulheres negras = 0.28; 95% CI, 0,00-0.55 [P = 0.048]) por falencia cardiaca que as mulheres brancas (Dupre, Gu, Xu, Willis, Curtis & Peterson, 2017).

Apresenta-se na tabela 1 a comparacao das morbidades entre mulher branca e negra no periodo de 1998 e 2008 em termos de prevalencia, dados do IPEA (2017).

Os dados demonstram que as mulheres negras tem maior propensao a ter doencas musculo esqueleticas, diabetes, hipertensao, doencas do coracao, insuficiencia renal cronica em 2008. Estudos mais recentes apontam para a questao da depressao na mulher negra e menor protecao a cancer. Portanto, o quadro epidemiologico vem alterando com os anos.

O estresse nao foi relacionado na tabela 1, porem algumas das patologias como doenca na coluna ou nas costas, hipertensao arterial e depressao podem ser decorrentes do estresse nao percebido pelos sujeitos que nao relata ao medico e /ou o medico diagnostica ja a doenca pelos sintomas.

As principais consequencias do estresse sao: tensao muscular: dores nas costas, pescoco, ombros; vontade subita de iniciar novos projetos; insonia, dificuldade de dormir; aperto na mandibula/ranger de dentes, roer unhas ou ponta de caneta, irritabilidade, fadiga, nervosismo, ansiedade, oscilacao no humor, sensacao de desgaste fisico constante; problemas de memoria, esquecimento; cansaco constante; hipertensao arterial momentanea, irritabilidade, reducao da libido, atrofia na producao de celulas sanguineas, sensibilidade emotiva, hipertensao arterial confirmada, formigamento nas extremidades (maos e pes), cansaco excessivo, dores no estomago dentre outros (Santos & Cardoso, 2010,Metzker et al.,2012, Kilimnik et al.,2012, Adriano et al.,2017,Felix et al., 2017). As consequencias para as empresas: rotatividade elevada, absenteismo, baixo desempenho e comprometimento (Ferreira et al.,2016).

O racismo nas organizacoes seja institucionalizado ou nao pode levar ao adoecimento das mulheres negras e demonstra que os gestores e lideres necessitam desnaturalizar este sistema de opressao, atraves da informacao, capacitacao e treinamento de seu staff para atender de forma igualitaria os cidadaos independente de sexo, cor e classe social, ter menor absenteismo, como tambem dando oportunidades para as mulheres negras possam demonstrar sua competencia, reconhecer seus valores, respeitar e promover a reducao da desigualdade social, pois o trabalho e o meio que os individuos podem se realizar profissionalmente e sentir um sujeito ativo na sociedade.

4. CONSIDERACOES FINAIS

O objetivo do estudo foi fazer uma revisao de literatura sobre o racismo e as consequencias na saude em termos de genero atrelado a gestao usando como metodo a revisao narrativa. A questao racial e complexa, afora que o sujeito discriminado e estigmatizado por uma natureza que ele nao tem dominio.

O racismo e a saude na perspectiva de genero constituem um novo foco na gestao demonstrando a necessidade de investimento em politicas publicas voltadas para genero e raca, capacitacao, desenvolvimento e treinamento dos profissionais de saude, que fazem a ancora para a discriminacao e fortalecimento da desigualdade social. O racismo no trabalho e na sociedade levam ao adoecimento. E as principais morbidades que comprometem a saude e a qualidade de vida das mulheres negras sao: anemia falciforme, depressao, diabetes, estresse e hipertensao. Estas doencas podem reduzir a performance, comprometimento, absenteismo, turnover, absenteismo dentre outras perdas para as mulheres negras, sistemas de saude e previdenciario e organizacoes.

Portanto, os gestores e lideres necessitam atentar para o problema do racismo e ter atitudes que promovam um clima de bem-estar no contexto do trabalho, treinar seu staff reduzindo o preconceito e no caso do racismo institucional na esfera da saude, os profissionais devem perder a cegueira da democracia racial e tratar todos com a mesma qualidade, pois todos os cidadaos tem direito a saude.

Aponta-se alguns desafios para reduzir o racismo no Brasil: erradicar o racismo institucional em todas as esferas governamentais, principalmente na esfera da saude. Investimento em educacao, formacao, capacitacao dos profissionais e empregados, de forma a reduzir a morbidade e mortalidade da populacao negra, discussao do tema, promocao da equidade de genero e raca, esclarecimento sobre a democracia racial como forma de combate-la na sociedade e reestruturar as politicas publicas. Como proposta sugere-se uma lideranca inclusiva.

E necessaria uma mudanca cultural contrapondo aos interesses do capital que tende manter as minorias nas margens, principalmente nas instituicoes publicas que nao visa o lucro, pois o racismo e historico e as vicissitudes de um preconceito de marca sugere-se desconstruir esta democracia racial de forma continua nas instituicoes publicas e privadas, atraves da reestruturacao das politicas publicas, valorizacao e reconhecimento do potencial das mulheres e principalmente mulheres negras.

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DOI: https://doi.org/10.5585/rgss.v7i2.384

Data de recebimento: 17/09/2017

Data de Aceite: 21/01/2018

Editora Executiva: Lara Jansiski Motta

Editora Cientifica: Sonia Monken

Avaliacao: Double Blind Review pelo SEER/OJS

Revisao: Gramatical, normativa e de formatacao

(1) Claudia Aparecida Avelar Ferreira

(1) Doutoranda em Administracao pela Universidade Pontificia Universidade Catolica--PUC, Minas Gerais, (Brasil). E-mail: claudiahgv@gmail.com
Tabela 1 -Prevalencia (%) de morbidades entre mulheres brancas
e negras entre
1998 e2008.

Doencas                                  Branca/       Negra/ano
                                  1998   2008   1998   2008

Doenca na Coluna ou nas Costas    24,2   17,5   27,6   18,1
Artrite ou Reumatismo              10    6,8    13,4   7,5
Cancer                            0,3    0,7    0,2    0,4
Diabetes                          1,9    3,1    1,9    3,4
Bronquite ou Asma                 4,3    4,5    3,6    4,2
Hipertensao                       12,4   14,4   16,2   17,8
Doenca do Coracao                 3,9    3,5    4,5    3,6
Insuficiencia Renal Cronica       3,3    1,5    3,5    1,6
Depressao                         8,2    7,2    8,3    5,6
Tuberculose                        0     0,1    0,1    0,1
Tendinite                         4,2    6,3    2,9    4,1
Cirrose                           0,1    0,1    0,1    0,1

Fonte: IPEA, 2017.

Quadro 1--Diferencas entre preconceito de marca no Brasil e
preconceito de origem nos EUA

Proposicoes                    Preconceito de marca (Brasil)

1. Quanto ao modo de   Determina uma pretericao de acordo com a
atuar                  posicao social e a relacao com o grupo
                       discriminador.

2. Quanto a            Serve de criterio o fenotipo ou aparencia
definicao de membro    racial.
do grupo
discriminador e do
grupo discriminado:

3. Quanto a carga      A tendencia e ser mais intelectivo e
afetiva:               estetico.

4. Quanto ao efeito    As relacoes pessoais, de amizade e admiracao
sobre as relacoes      cruzam facilmente as fronteiras de marca (ou
interpessoais:         cor).

5. Quanto a            A ideologia e, ao mesmo tempo,
ideologia              assimilacionista e miscigenacionista.

6. Quanto a            O dogma da cultura prevalece sobre o da raca.
distincao entre
diferentes minorias:

7. Quanto a etiqueta   A etiqueta de relacoes inter-raciais poe
                       enfase no controle do comportamento de
                       individuos do grupo discriminador, de modo a
                       evitar a susceptibilizacao ou humilhacao de
                       individuos do grupo discriminado.

8. Quanto ao efeito    A consciencia da discriminacao tende a ser
sobre o grupo          intermitente.
discriminado

9. Quanto a reacao     A reacao tende a ser individual, procurando o
do grupo               individuo "compensar" suas marcas pela
discriminado           ostentacao de aptidoes e caracteristicos que
                       impliquem aprovacao social tanto pelos de sua
                       propria condicao racial (cor) como pelos
                       componentes do grupo dominante e por
                       individuos de marcas mais "leves" que as
                       suas, logo, aprovacao social.

10. Quanto ao efeito   A tendencia e se atenuar nos pontos em que ha
da variacao            maior proporcao de individuos do grupo
proporcional do        discriminado
contingente
minoritario:

11. Quanto a           A probabilidade de ascensao social esta na
estrutura social       razao inversa da intensidade das marcas de
                       que o individuo e portador, ficando o
                       preconceito de raca disfarcado sob o de
                       classe, com o qual tende a coincidir.

12. Quanto ao tipo     A luta do grupo discriminado tende a se
de movimento           confundir com a luta de classes.
politico a que
inspira

Proposicoes                     Preconceito de origem (EUA)

1. Quanto ao modo de   Determina uma exclusao incondicional dos
atuar                  membros do grupo discriminado.

2. Quanto a            Presume-se que o mestico, seja qual for sua
definicao de membro    aparencia e qualquer que seja a proporcao de
do grupo               ascendencia do grupo discriminador ou do
discriminador e do     grupo discriminado, que se possa invocar,
grupo discriminado:    tenha as "potencialidades hereditarias" deste
                       ultimo grupo e, portanto, a ele se filie,
                       "racialmente".

3. Quanto a carga      Tende a ser mais emocional e mais integral,
afetiva:               no que toca a atribuicao de inferioridade ou
                       de tracos indesejaveis aos membros do grupo
                       discriminado.

4. Quanto ao efeito    As relacoes entre individuos do grupo
sobre as relacoes      discriminador e do grupo discriminado sao
interpessoais:         severamente restringidas por tabus e sancoes
                       de carater negativo.

5. Quanto a            Ela e segregacionista e racista.
ideologia

6. Quanto a            Da-se o oposto, maior tolerancia com as
distincao entre        minorias mais endoga micas e etnocentricas.
diferentes minorias:

7. Quanto a etiqueta   A enfase esta no controle do comportamento de
                       membros do grupo discriminado, de modo a
                       conter a agressividade dos elementos do grupo
                       discriminador.

8. Quanto ao efeito    A tendencia e ser continua e obsedante.
sobre o grupo
discriminado

9. Quanto a reacao     A reacao tende a ser coletiva, pelo reforco
do grupo               da solidariedade grupal, pela redefinicao
discriminado           estetica etc.

10. Quanto ao efeito   A tendencia e se apresentar sob forma
da variacao            agravada, nos pontos em que o grupo
proporcional do        discriminado se torna mais numeroso.
contingente
minoritario:

11. Quanto a           O grupo discriminador e o discriminado
estrutura social       permanecem rigidamente separados um do outro,
                       em status, como se fossem duas sociedades
                       paralelas, em simbiose, porem irredutiveis
                       uma a outra.

12. Quanto ao tipo     O grupo discriminado atua como uma "minoria
de movimento           nacional" coesa e, portanto, capaz e propensa
politico a que         a acao conjugada.
inspira

Fonte: Elaborado pela autora, original Nogueira (2006) e Rosa (2014).
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Author:Ferreira, Claudia Aparecida Avelar
Publication:Revista de Gestao em Sistemas de Saude
Article Type:Bibliografia
Date:May 1, 2018
Words:6180
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