Printer Friendly

Psychodynamic psychotherapy and biological treatment with fluoxetine: comparison of cognitive response in depressed patients/Psicoterapia psicodinamica e tratamento biologico com fluoxetina: comparacao de resposta cognitiva em pacientes deprimidos.

Desde o final do seculo XX, alguns pesquisadores tem procurado, no contexto da psicoterapia psicodinamica (ou psicanalitica), evidencias de alteracoes reais no funcionamento da pessoa, tanto no que se refere as questoes psicodinamicas, como as questoes cognitivas. Destaca-se aqui o trabalho de Andreassen (1997) no reconhecimento de que a mente e uma atividade do cerebro e de sua cognicao, e que estao intrinsecamente ligados.

Gabbard (2000, 2008) salienta que a psicoterapia tem um impacto sobre o cerebro--via mente. Isso e corroborado por diversos autores, como Fonagy, Roth e Higgitt (2005), Kandel (2003) e Solms e Turnbull (2002). Da mesma forma, as alteracoes neurologicas e cognitivas, ou seus efeitos sobre o sujeito, constituem uma ampla area de estudos (Hyman, 1999; Kaplan-Solms & Solms, 2005; Robinson, 2004).

O presente estudo objetiva analisar e comparar mudancas cognitivas em pacientes deprimidos ao longo de dois modelos de tratamento, a saber: tratamento com psicoterapia psicodinamica e tratamento biologico com fluoxetina, durante o periodo de 12 meses. As funcoes avaliadas incluem atencao, memoria imediata, amplitude da informacao, capacidade de julgamento, compreensao logica e verbal, nivel de formacao de conceitos, pensamento logico, nivel da capacidade de abstracao, capacidade de analise e sintese, concentracao, habilidade matematica, memoria auditiva, capacidade de aprendizagem, memoria visual, percepcao de detalhes, organizacao visual, capacidade de antecipacao e interpretacao de situacoes sociais, capacidade de metodizacao, rapidez de sintetizacao e raciocinio.

Essas diferentes funcoes e seu desempenho em processos depressivos foram examinados na literatura (Chepenik, Cornew, & Farah, 2007; Dunkin et al., 2000; Harvey et al., 2004; Marvel & Paradiso, 2004; Murphy, Nimmo-Smith, & Lawrence, 2003; Rogers et al., 2004). Alteracoes no funcionamento cognitivo de pacientes deprimidos sao corroboradas por estudos de neuroimagem que indicam alteracoes no funcionamento cerebral em pacientes deprimidos (Eugene et al., 2003; Rogers et al., 2004; Steele & Lawrie, 2004).

A capacidade de utilizar a cognicao em uma potencialidade saudavel, por meio de pensamentos funcionais, e conduta adaptavel, monitorando tambem os afetos, constitui uma das propriedades nucleares dos modelos contemporaneos de psicoterapia psicodinamica (Fonagy, Roth, & Higgit, 2005; Gabbard, 2004; Lamb, 2005; Leichsenring & Rabung, 2008). No entanto, o tema e praticamente desconsiderado na literatura da area. Geralmente, associa-se a psicoterapia cognitivo-comportamental a mudancas cognitivas em pacientes (Dobson, 1989; Vittengl, Clark, Dunn, & Jarrett, 2007). Apesar da ampla busca efetuada no PubMed, PsycInfo, MedLine, Scopus e ScienceDirect utilizando-se de descritores que associavam os termos psychodynamic, psychoanalytic, psychoanalysis AND cognition AND cognitive e assemelhados (por exemplo, neuropsychological), foram encontrados alguns poucos artigos relacionando alteracoes cognitivas com o tratamento psicoterapico psicodinamicamente orientado. Yazigi et al. (2011), por exemplo, relataram alteracoes cognitivas em pacientes recebendo psicoterapia psicanalitica de longo prazo. Essas alteracoes estavam associadas, principalmente, a um aumento na capacidade de atencao e na velocidade de processamento cognitivo. No entanto, estudos visando encontrar alteracoes cognitivas no contexto de tratamentos dinamicamente orientados podem ser considerados raros.

A psicoterapia psicodinamica e um metodo de tratamento proveniente da psicanalise idealizado no comeco do seculo XX por Sigmund Freud. O proprio termo psicodinamica, em geral, se refere a uma abordagem que tem sua origem na teoria e no conhecimento psicanaliticos (Kaplan & Sadock, 2008).

Freud (1905/1996, 1918/1996, 1933/1996, 1937/1996) citou a variedade de formas de psicoterapias existentes na relacao terapeuta-paciente, colocando a necessidade de melhor estuda-las e sistematiza-las. A tecnica de Freud foi denominada por ele mesmo de "psicoterapia psicanalitica" (1905, p. 242), e a partir dessa origem, foram-se criando modelos alternativos que respeitam os principios tecnicos e teoricos da psicoterapia psicanalitica. As principais diferencas nos principios tecnicos parecem ser as menores frequencias de consultas semanais (uma ou duas, ao inves de, no minimo, tres na psicanalise), a "abolicao" do diva em favorecimento ao encontro face-a-face (face-to-face) entre paciente e terapeuta, e intervencoes mais integradoras (Machado & Vasconcellos, 1998).

Em relacao aos resultados esperados da psicoterapia psicodinamica, alguns autores (Bachrach, Galatzer-Levy, Skolnikoff, & Waldron, 1991; Greene, 1993; Wallerstein, 1986) colocam que e "observada" uma diminuicao da angustia, um aumento na capacidade de racionalizacao dos conflitos, da tolerancia a frustracao, da capacidade de introspeccao e de antecipacao da deteccao de possiveis estressores ambientais. Alem disso, ha inumeros relatos, em estudos de caso, a respeito de alteracoes na forma de perceber, interpretar e se comportar em relacao ao mundo e as outras pessoas.

Da mesma forma, pesquisas empiricas em psicoterapia psicodinamica (Leuzinger-Bohleber, Stuhr, Bernhard, & Manfred, 2003; Roth & Fonagy, 2005) tem apresentado resultados no que tange a alteracoes no funcionamento global dos pacientes (incluindo afeto, comportamento e cognicao), e consequente efetividade do tratamento. O termo "cognicao" abrange funcoes neuropsicologicas como atencao, sensopercepcao, memoria, orientacao, consciencia, pensamento, linguagem, inteligencia, afeto e conduta, entre outras. Algumas dessas funcoes podem estar comprometidas em disturbios neuropsiquiatricos. Assim, por meio da avaliacao e reavaliacao da cognicao de tempos em tempos, pode ser possivel acompanhar o proprio andamento do processo psicoterapico, no sentido de saber se a cognicao esta "evoluindo" nos potenciais que a doenca psiquica notadamente costuma atacar em determinadas patologias (Porter, Bourke, & Gallagher, 2007).

Transtorno depressivo maior

No presente estudo, a patologia em questao e a depressao (conforme DSM-IV-TR, APA, 2002), a qual apresenta a maior incidencia na estatistica das doencas mentais (World Health Organization--WHO, 2009). Segundo a WHO, a depressao e uma doenca mental comum, que costumeiramente e caracterizada por tristeza, perda de interesse e motivacao para atividades e falta de energia para as tarefas do cotidiano. E estimado que 5-10% da populacao de todas as idades esteja sofrendo de depressao identificavel que necessite de tratamento. O risco de desenvolver depressao ao longo do curso de vida e de 10-20% em mulheres e um pouco menor em homens.

Apesar da seriedade da depressao como uma doenca e da disponibilidade de tratamentos reconhecidamente eficazes, apenas 30% dos casos em todo o

mundo recebem os cuidados necessarios (WHO, 2009). Os transtornos depressivos sao comuns, causando um nivel muito alto de sofrimento. As estimativas da OMS mostram que ao redor do ano de 2020 a depressao sera a segunda doenca, entre todas as existentes, mais presente em todas as faixas etarias, em ambos os sexos, em todos os paises do mundo. Alem disso, ela e causa de incapacitacao funcional e comportamental do sujeito, pois atinge aspectos motivacionais da vida, abalando a personalidade e afetando a cognicao (Zorzetto Filho, 2009).

Aspectos cognitivos na depressao

Alteracoes cognitivas geralmente estao presentes em pacientes deprimidos (Chepenik, Cornew, & Farah, 2007). A literatura demonstra principalmente alteracoes no processamento e organizacao do conteudo perceptual, na memoria operacional, na capacidade de atencao, nas funcoes executivas, no controle cognitivo e nos processos inibitorios, e na velocidade de processamento cognitivo (Harvey et al., 2004; Marvel & Paradiso, 2004; Philips, Drevets, Rauch & Lane, 2003a, 2003b; Rogers et al., 2004; Steele & Lawrie, 2004). O DSM-IV-TR (2002) inclui, entre os sintomas apresentados na depressao, retardo psicomotor e concentracao diminuida.

Na verdade, costuma-se associar somente as depressoes mais graves com comprometimentos nos desempenhos de testes neuropsicologicos (Robbins, Joyce & Sahakian, 1992; Zorzetto Filho, 2009). No entanto, Miller (1975) ja havia expandido essa ideia, evidenciando a associacao de formas moderadas de depressao a comprometimentos em varias tarefas cognitivas, motoras, perceptivas e de comunicacao. Esse autor localizou deficits cognitivos na inteligencia global, na capacidade visoespacial, na memoria e na aprendizagem, na capacidade de raciocinio abstrato, na linguagem e na velocidade de processamento. Sua conclusao foi a de que em todos os tipos de depressao existe algum nivel de prejuizo cognitivo.

De modo geral, muitos estudos demonstram que a depressao exerce uma ampla e consistente influencia sobre varios aspectos da cognicao. Isso levanta a possibilidade de que a cognicao como um todo acaba por ser atacada pela instalacao da depressao. Os achados de que uma melhora cognitiva ocorre antes da melhora do humor do deprimido durante o tratamento traz sustentacao a essa possibilidade (Dunkin et al., 2000).

Alem disso, os achados neuropsicologicos de alteracoes na cognicao de pacientes deprimidos sao corroborados por achados de neuroimagem (Drevets, 2003; Marvel & Paradiso, 2004). Aparentemente, em pacientes deprimidos, ha uma variada alteracao da neuroanatomia funcional (Murphy et al., 2003).

Tratamentos para depressao

Como visto anteriormente, um dos tratamentos para depressao e a psicoterapia psicodinamica. No entanto, os tratamentos para depressao incluem diversas formas de psicoterapias e/ou medicacoes antidepressivas (Kaplan & Sadock, 2008). O tipo de tratamento mais indicado ainda e motivo de estudos (Greenberg & Goldman, 2009; Tomba & Fava, 2009), e entre os tratamentos, estao as psicoterapias, o uso de psicofarmacos e o tratamento combinado com ambos (Greenberg & Goldberg, 2009; Tomba & Fava, 2009).

Segundo Cuijpers, Clignet, Meijel, Straten e Andersson (2011), as psicoterapias mais utilizadas para o tratamento da depressao em adultos sao as de enfoque cognitivo-comportamental, a interpessoal e a psicanalitica (ou psicodinamica). Ao avaliar os tratamentos psicoterapicos para depressao, Lambert e Ogles (2004) fizeram uma revisao de 19 metanalises de estudos publicados entre 1983 e 2001, e descobriram que os resultados das psicoterapias eram positivos. Isso foi corroborado pelo estudo de Westen e Morrison (2001), que demonstrou ampla melhora nos pacientes em diferentes formas de psicoterapia.

Desde a decada de 1950, com a descoberta da acao terapeutica dos antidepressivos triciclicos (ADTs) e dos inibidores da monoaminoxidase (IMAOs), diversos grupos de farmacos foram acrescentados ao arsenal terapeutico, tais como os inibidores seletivos da recaptacao da serotonina (ISRSs), os inibidores da recaptacao de serotonina e noradrenalina (IRSNs), o antagonista noradrenergico e serotoninergico especifico (mirtazapina), os antagonistas 5-HT2, a bupropiona e, mais recentemente, a agomelatina (Sena, 2009). Nenhum antidepressivo influencia de forma acentuada o organismo normal, apenas corrigem condicoes de funcionamento anomalo (Moreno, Moreno, & Soares, 2002).

Entre os antidepressivos, os inibidores da recaptacao da serotonina (ISRSs) constituem-se em medicamentos eficazes, com poucos problemas de tolerabilidade e seguranca (Kaplan & Sadock, 2008), sendo considerados medicamentos de primeira linha (Tolman, 2009). E entre os ISRSs, a fluoxetina tornou-se um dos mais populares do mundo por meio do Prozac[R].

A dose tipica de fluoxetina e de 20 a 60 mg por dia (Tolman, 2009). A fluoxetina e bem absorvida apos administracao oral, e seu pico de concentracao plasmatica ocorre seis a sete horas apos a ingestao da dose inicial (Sena, 2009). A meia vida prolongada estende-se de um a quatro dias para a fluoxetina e de sete a 15 dias para seu metabolito ativo, a norfluoxetina. A excrecao ocorre via renal, sendo menos de 10% eliminada na urina, sem sofrer alteracoes (Sena, 2009). Os efeitos colaterais mais relatados sao gastrintestinais (nauseas, vomitos, dor abdominal, diarreia), psiquiatricos (agitacao, ansiedade, insonia, nervosismo), alteracoes no sono e no peso, reacoes dermatologicas e disfuncoes sexuais (Moreno et al., 2002).

Ramanathan, Kumar e Suresh (2003) dizem que a fluoxetina pode melhorar as condicoes cognitivas de deprimidos. Essa melhora se daria principalmente na capacidade de aprendizagem e na memoria. Amado-Bocara, Gougolis, Poirier-Littre, Galinowski e Loo (1994) indicam que a fluoxetina pode aumentar os escores em testes cognitivos em pacientes deprimidos e em sujeitos normais. Cassano, Puca, Scapicchio e Trabucchi (2002) apontam que a fluoxetina ajuda a melhorar a memoria e a atencao, alem do humor dos pacientes. Por outro lado, alguns estudos (Mirow, 1991) associam o uso de fluoxetina com disfuncao cognitiva, e outros (Dunkin et al., 2000) dizem que problemas na area executiva da cognicao podem prever uma resposta precaria dos pacientes medicados com fluoxetina.

Alguns pesquisadores questionam em qual tipo de depressao os medicamentos devem ser utilizados em conjunto com o tratamento psicoterapico (De Jonghe & et al., 2004; De Jonghe, Kool, Van Aalst, Dekker, & Peen, 2001; Greenberg & Goldman, 2009). Os tratamentos combinados (psicoterapia e medicamento) tem sido utilizados principalmente em depressoes graves, com risco de vida, e/ou refratarias a um dos tratamentos (Tomba & Fava, 2008).

Tendo em vista o exposto e conforme citado anteriormente, este trabalho tem o objetivo de analisar e comparar mudancas cognitivas em pacientes deprimidos ao longo de dois diferentes modelos de tratamento, a saber: tratamento em psicoterapia psicodinamica e tratamento biologico com fluoxetina, durante o periodo de 12 meses.

Metodo

Participantes

Os criterios de inclusao para participar do estudo foram: presenca de transtorno depressivo maior ou transtorno depressivo nao especificado de outra forma, de acordo com os criterios do DSM-IV-TR e sintomas depressivos moderados (BDI entre 20-35). Os criterios de exclusao, por sua vez, foram: risco de suicidio, uso de outros medicamentos que pudessem influenciar o funcionamento mental, doencas somaticas graves, historia de problemas neurologicos e contraindicacao para o tratamento com fluoxetina.

A amostra foi constituida por 180 adultos diagnosticados com Transtorno Depressivo Maior de nivel moderado. Desses, 156 preencheram os criterios de inclusao e foram divididos em dois grupos de tratamento (psicoterapia ou fluoxetina). A idade dos participantes no grupo de psicoterapia (n=80) variou entre 26 e 34 anos (M = 29,84; DP = 2,42), sendo que 64,2% eram do sexo feminino. A maioria (54,2%) possuia ensino superior e era solteira (55,4%). No grupo de fluoxetina (n=76), a idade variou tambem variou entre 26 e 34 anos (M = 29,52; DP = 2,25), e 73,9% eram mulheres. Nesse grupo, 49,3% tinham curso superior e 52,2% eram solteiros.

Instrumentos

Neste estudo, o instrumento principal foi a Escala de Inteligencia Wechsler para Adultos, Terceira Edicao (WAIS-III). Para entrada no estudo, entretanto, os participantes responderam ainda a um Questionario de Dados Sociodemograficos, e ao Inventario de Depressao de Beck (BDI).

Questionario de Dados Sociodemograficos: Esse questionario contemplou questoes como sexo, idade, nivel sociocultural, entre outras questoes consideradas relevantes para o estudo.

Inventario de Depressao de Beck (BDI): O Inventario de Depressao de Beck (Beck & Steer, 1993) e provavelmente a medida de autoavaliacao de intensidade de depressao mais amplamente utilizada tanto em pesquisa como na clinica (Dunn, Sham, & Hand, 1993), tendo sido traduzida para varios idiomas e validada em diferentes paises. A versao utilizada para o presente estudo foi adaptada e validada por Cunha (2001). A escala consiste de 21 itens, incluindo sintomas e atitudes, cuja intensidade varia de 0 a 3. Os itens referem-se a tristeza, pessimismo, sensacao de fracasso, falta de satisfacao, sensacao de culpa, sensacao de punicao, autodepreciacao, autoacusacoes, ideias suicidas, crises de choro, irritabilidade, retracao social, indecisao, distorcao da imagem corporal, inibicao para o trabalho, disturbio do sono, fadiga, perda de apetite, perda de peso, preocupacao somatica e diminuicao de libido. Ao final do levantamento, quando os escores sao somados, pode-se fazer a classificacao dos sintomas depressivos de intensidade minima (0-11 pontos), leve (12-19 pontos), moderada (20 a 35 pontos) e grave (36-63 pontos).

Escala de Inteligencia Wechsler para Adultos, Terceira Edicao (WAIS-III): A Escala de Inteligencia Wechsler para Adultos (do ingles, Wechsler Adult Intelligence Scale WAIS-III), 3a edicao, e um dos mais importantes testes para avaliacao clinica de capacidade intelectual de adultos na faixa etaria entre 16 e 89 anos. E um instrumento de medida do funcionamento intelectual e cognitivo da pessoa sob uma forma abrangente e global (Cunha, 2000; Nascimento, 2004). Esse instrumento fornece subsidios para identificar e avaliar o estado e funcionamento das condicoes intelectuais e da cognicao como um todo. A WAIS-III foi adaptada a populacao brasileira (Nascimento, 2004), e e amplamente utilizada por tratar-se de uma bateria fechada, com 14 subtestes que avaliam diversas funcoes cognitivas (Lezak, Howieson, & Loring, 2004). Os subtestes sao: Vocabulario, Semelhancas, Aritmetica, Digitos, Informacao, Compreensao, Sequencia de Numero e Letras, Completar Figuras, Codigos, Cubos, Raciocinio Matricial, Arranjo de Figuras, Procurar Simbolos e Armar Objetos. Um estudo de confiabilidade teste-reteste da WAIS-III foi realizado com uma subamostra do presente estudo (Bastos, Gomes, Bandeira, & Trentini, 2011), a fim de garantir a confiabilidade da WAIS-III em pacientes deprimidos. Os coeficientes de confiabilidade encontrados ficaram entre 0,72 e 0,99, e se mostraram adequados para o presente estudo.

Procedimento

Os participantes foram selecionados entre os pacientes que buscaram atendimento em um ambulatorio de saude mental da regiao metropolitana de Porto Alegre/Brasil. Eles foram inicialmente entrevistados por um psicologo clinico. Pacientes com sinais de transtorno depressivo e ausencia de criterios claros de exclusao foram convidados para uma avaliacao inicial uma semana depois.

Os criterios de inclusao e exclusao foram verificados novamente com a entrevista clinica estruturada para o DSM, SCID-I e SCID-II (Del-Ben et al., 2001; Del-Ben, Rodrigues, & Zuardi, 1996; Del-Ben, Zuardi & Rodrigues, 1998), e pelo BDI, a fim de quantificar a gravidade do episodio depressivo. Apos a confirmacao do diagnostico, a pesquisa e seus objetivos foram explicados. Pesquisadores independentes avaliaram os pacientes com a WAIS-III antes e depois dos tratamentos. Esses pesquisadores nao sabiam que tratamentos os pacientes recebiam. O estudo seguiu as recomendacoes da Declaracao de Helsinque, e o consentimento informado dos participantes foi obtido. O projeto do estudo foi aprovado pelo Comite de Etica local.

A psicoterapia psicodinamica utilizada no presente estudo foi similar ao modelo proposto por Gabbard (2004, 2010). Esse modelo de psicoterapia funciona dentro de um contexto interpretativo e elucidativo, no qual e enfatizada a construcao de vinculo positivo com o paciente. O modelo conceitual desse tratamento inclui a compreensao dos conflitos inconscientes do paciente, e deriva das teorias psicanaliticas (como a psicologia do ego, teoria das relacoes de objeto, a psicologia do self, a teoria do apego e a psicanalise classica). A psicoterapia foi realizada individualmente, em consultas semanais.

Para os pacientes expostos ao tratamento biologico, a fluoxetina, foi prescrita por medicos psiquiatras, de acordo com o protocolo proposto pelo Ministerio da Saude e Agencia Nacional de Vigilancia Sanitaria (ANVISA). Essas recomendacoes comecam com 20 mg de fluoxetina por dia durante duas a quatro semanas e, se necessario, aumento gradual da dose ate um maximo de 60 mg por dia (http://www4.anvisa. gov.br/base/visadoc/BM/BM(34652-1-0).PDF). A fluoxetina foi escolhida pela sua excelente relacao custo-beneficio em comparacao com os custos de tratamento da depressao (Salminen et al., 2008).

Na primeira consulta psiquiatrica, os pacientes receberam explicacoes sobre o tratamento medicamentoso e receberam fluoxetina suficiente para duas semanas de tratamento, quando, entao, tiveram a segunda consulta. As consultas quinzenais continuaram ate que a dose adequada da medicacao fosse atingida. Depois disso, os pacientes passaram a comparecer a consultas mensais, nas quais a adesao ao tratamento era verificada, e eles recebiam o medicamento.

Analise de dados

Os dados foram analisados a partir de estatisticas descritivas e inferenciais. Inicialmente, para a estatistica descritiva foram utilizadas frequencia, media e desvio-padrao. A estatistica inferential utilizada foi o Teste t. Alem disso, foi utilizada a MANOVA de medidas repetidas, a fim de tambem realizar procedimentos multivariados para avaliacao de diferencas de grupos. A variancia das medias obtidas foi verificada, considerando-se a variavel "grupo de tratamento" (Aron, Aron, & Coups, 2006; Hair, Black, Babin, Anderson, & Tatham, 2005). Tais analises foram efetuadas utilizando o software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versao 18.

Resultados e Discussao

Em um primeiro momento, antes da apresentacao dos resultados referentes a influencia exercida pelos tratamentos sobre a cognicao do pacientes, cabe ressaltar que os pressupostos exigidos pelas analises estatisticas inferenciais foram atendidos. Esses pressupostos incluem normalidade multivariada, homogeneidade da variancia, linearidade e multicolinealidade (Hair et al., 2005).

Os resultados de Teste t dentro de cada grupo mostraram uma melhora significativa para nove dos 14 subtestes --cerca de 64%, para os pacientes em psicoterapia. Os pacientes em terapia biologica, por sua vez, obtiveram uma melhora significativa em quatro dos 14 subtestes avaliados--cerca de 28%. Esses resultados podem ser observados na Tabela 1.

Na comparacao teste-reteste, o grupo de psicoterapia melhorou nas areas de Inteligencia Verbal e de Execucao. Os pacientes melhoraram significativamente (p < 0,05) nas funcoes cognitivas de memoria de trabalho (Digitos e Sequencia de Numeros e Letras), atencao e velocidade de processamento (Codigos e Procurar Simbolos), raciocinio abstrato (Raciocinio Matricial), capacidade de julgamento e senso comum (Compreensao e Arranjo de Figuras), capacidade de percepcao do obvio, capacidade de organizacao, maleabilidade associativa e capacidade para enfrentar uma situacao (Arranjo de Figuras).

O grupo de terapia biologica melhorou especialmente na area da Inteligencia de Execucao. As principais melhoras parecem associadas as funcoes de memoria de trabalho (Digitos e Sequencia de Numeros e Letras), raciocinio abstrato (Raciocinio Matricial), atencao, concentracao, velocidade de processamento cognitivo (Procurar Simbolos e Codigos) e raciocinio espacial (Cubos). Estudos tem relatado a capacidade da fluoxetina de induzir neurogenese no hipocampo, com consequente melhora cognitiva nas funcoes de memoria (Li et al., 2009; Mowla, Mosavinasab, & Pani, 2007), o que parece sustentar os presentes achados. Teng, Humes, Nakata e Melzer (2008) e Ogren et al. (2008) tambem ja haviam apontado que a estimulacao do sistema serotoninergico aparentemente esta relacionada a melhora da cognicao.

A Figura 1 demonstra as diferencas de mudanca nos escores medios dos subtestes com alteracoes estatisticamente significativas. O grupo de psicoterapia psicodinamica obteve 11,1 pontos ponderados, em media, no pre-tratamento, subindo, apos 12 meses de intervencao, para 11,9 pontos. O grupo de fluoxetina, por sua vez, obteve no pre-tratamento a media de 11,2 pontos, e no pos-tratamento, a media ficou em 11,4 pontos ponderados.

Os resultados sugerem que tanto a psicoterapia psicodinamica quanto a terapia biologica com fluoxetina possibilitam boa resposta de melhora cognitiva em pacientes deprimidos com nivel ate moderado de intensidade dos sintomas depressivos. Essa melhora aparentemente ja e mensuravel cognitivamente 12 meses apos o inicio dos tratamentos em alguns subtestes da WAIS-III.

A psicoterapia psicodinamica mostrou melhora cognitiva em pacientes deprimidos nao medicados. Essa resposta parece demonstrar um efeito bastante amplo da psicoterapia psicodinamica sobre a cognicao, atingindo tanto o aspecto verbal, como o de execucao da inteligencia. A terapia biologica com fluoxetina, por sua vez, aparentemente tambem possibilita boa resposta de melhora cognitiva. Algumas funcoes cognitivas, como atencao, memoria de trabalho e velocidade de processamento, parecem ser especialmente sensiveis a intervencao biologica, que demonstra ser mais efetiva no aspecto de execucao do que no aspecto verbal da inteligencia.

Para verificar a variancia das medias obtidas nos subtestes foi realizada a MANOVA, envolvendo os dois grupos (psicoterapia psicodinamica e fluoxetina), dois momentos de avaliacao (antes e depois do tratamento) e 14 subtestes da WAIS-III (variaveis dependentes). Os resultados dessa analise sao apresentados na Tabela 2.

De acordo com os dados da Tabela 2, nota-se que ha uma diferenca significativa entre os grupos nas pontuacoes medias obtidas na segunda avaliacao (as medias da avaliacao inicial nao tiveram diferenca significativa). Essas diferencas envolvem os subtestes Vocabulario, Aritmetica, Digitos, Compreensao, Sequencia de Numeros e Letras, Completar Figuras e Codigos. Aparentemente, as variaveis cognitivas avaliadas por esses instrumentos sofrem influencias mais acentuadas por efeito da psicoterapia psicodinamica do que pelo efeito da terapia biologica, em pacientes deprimidos.

Os resultados encontrados no grupo de psicoterapia aproximam-se do que foi encontrado por Yazigi et al. (2011). Esses pesquisadores avaliaram 34 pacientes com a WAIS-III antes de iniciar psicoterapia psicanalitica, e os reavaliaram um e dois anos apos a avaliacao basal. Os resultados mostraram um aumento na capacidade de atencao (Completar Figuras) e na velocidade de processamento cognitivo (Procurar Simbolos) nos pacientes deprimidos avaliados. O subteste Arranjo de Figuras tambem mostrou diferencas significativas na segunda avaliacao. Um aspecto importante sobre o subteste Arranjo de Figuras pode ser ressaltado. Seus resultados tem sido associados a capacidade de planejar, antecipar e interpretar situacoes sociais, e a capacidade de antecipar as consequencias dos comportamentos das pessoas (Lezak et al., 2004). Yazigi et al. (2011) interpretaram o significado dos resultados do Arranjo de Figuras como "significando uma elevacao do pensamento social adequado, a fim de discriminar entre percepcoes relevantes e nao relevantes, que possibilitam melhores respostas sociais" (p. 17).

Os subtestes em que foram observadas melhoras relacionadas a psicoterapia psicodinamica (no caso, Compreensao e Arranjo de Figuras) apontam, assim, para uma ampliacao da maturidade social, do senso comum, da aptidao critica em relacao a propria experiencia e um maior ajustamento a realidade. Essa "elevacao" dos processos cognitivos relacionados a interacao social e parte constituinte da dinamica interacional trabalhada com os pacientes nas psicoterapias psicodinamicas (para uma discussao mais profunda dos conceitos e principios da psicoterapia psicodinamica, consultar Gabbard, 2010; McWilliams, 2004).

Assim, e importante considerar que esses resultados podem sugerir uma sensibilidade psicometrica do Arranjo de Figuras da WAIS-III para detectar alteracoes cognitivas especificas em pacientes deprimidos que estao recebendo psicoterapia psicodinamica. No entanto, deve ser feita a ressalva que essa consideracao e meramente hipotetica, pois as amostras de participantes dos dois estudos sao muito diferentes, tanto em tamanho amostral, como em perfis sociodemograficos e clinicos. No estudo de Yazigi et al. (2011), os participantes formaram um grupo heterogeneo de pacientes com diagnosticos variados, enquanto que no presente estudo os participantes formaram uma amostra muito homogenea. Novas investigacoes poderiam esclarecer essas consideracoes especificas.

Como dito anteriormente, Dunkin et al. (2000) ja haviam sugerido que uma melhora cognitiva ocorre antes da melhora clinica da depressao. Dessa forma, pode-se pensar que a melhora cognitiva ampla proporcionada pela psicoterapia psicodinamica pode servir como indicio de melhora clinica. De qualquer modo, e importante o debate sobre o quanto essa melhora, embora significativa, impacta a vida dos pacientes, ja que a diferenca, na maioria dos subtestes, nao foi classificatoria e sim, matematica. Ou seja, a mudanca cognitiva nao foi suficiente para que o nivel de classificacao da habilidade mensurada fosse alterado.

Consideracoes finais

Os resultados obtidos neste estudo permitem afirmar que a psicoterapia psicodinamica e a terapia biologica com fluoxetina tem efeito sobre a cognicao de pacientes adultos deprimidos. Alem disso, a psicoterapia psicodinamica se mostrou mais eficaz em algumas das funcoes cognitivas variadas.

Cabe ressaltar, entretanto, que varios fatores podem influenciar na cognicao dos pacientes. Esses fatores incluem as experiencias cotidianas dos sujeitos, as alteracoes fisiologicas (mudancas hormonais, por exemplo), as alteracoes psicologicas (defesas, padroes comportamentais) e fatores culturais (valores, regras sociais, etc.).

De qualquer forma, a avaliacao cognitiva de pacientes deprimidos parece oferecer a oportunidade de se conhecer as possiveis areas da cognicao que se encontram prejudicadas. Assim, permitem proceder na busca de tratamentos mais eficientes e mais de acordo com as necessidades dos pacientes. A partir de avaliacoes bem executadas, seria possivel tracar uma forma de intervencao terapeutica voltada para os diferentes deficits que aparecem nos quadros depressivos, sejam eles cognitivos, fisiologicos ou sociais.

Nesse sentido, a psicoterapia psicodinamica mostrou-se eficiente. Corroborando indicios dados por Kandel (2003), pode-se dizer que ha razoes para se acreditar que essa forma de tratamento, se bem conduzida, pode oferecer um novo referencial intelectual para o futuro da psiquiatria e da psicoterapia de orientacao psicanalitica.

No caso da depressao, e de interesse saber sobre qual sistema neurotransmissor a tecnica psicoterapica age. Como verificado no presente trabalho, houve melhora em funcoes cognitivas associadas a circuitos neurocognitivos variados, incluindo o cortex pre-frontal, o hipocampo e o circuito limbico-fronto-estriatal. Alguns estudos ja haviam relacionado essas areas ao humor deprimido (Frey et al., 2007; Porter et al., 2007).

No entanto, outras questoes seguem sem resposta. Seriam os deficits cognitivos encontrados uma consequencia da depressao? Ou seria o humor depressivo efeito da reducao de funcoes cognitivas importantes para o funcionamento saudavel do psiquismo? Novos estudos sao sugeridos, ja que essas respostas tem implicacoes terapeuticas importantes.

Enfim, tem-se melhora cognitiva em ambas as modalidades de tratamento. Entretanto, as evidencias de melhora parecem mais marcadas e foram significativamente diferentes e favoraveis para o grupo de pacientes em psicoterapia psicodinamica. A hipotese que fica, entre outras ja destacadas no texto, e a de que a psicoterapia abriria um espaco para a discussao de estrategias e caminhos para a solucao de possiveis deficits cognitivos. Esse estudo ainda esta em andamento e outra modalidade de tratamento sera incluida em outros trabalhos, nomeadamente o tratamento combinado de psicoterapia psicodinamica e tratamento biologico, para futuras analises.

Conforme dizem Solms e Turbull (2002), se uma massa critica de pesquisadores puder escolher o caminho de colocar suas terapeuticas a prova, o que vai ser conquistado sera muito maior do que o esforco que se tera que fazer. Tambem sera possivel compreender melhor como disturbios e sindromes neuropsiquiatricas se desenvolvem e se estruturam.

Isso permitira que nossas terapeuticas sejam direcionadas aqueles que se beneficiam verdadeiramente delas e de forma que funcionem melhor.

Referencias

Amado-Bocara, I., Gougolis, N., Poirier-Litre, M., Galinowski, A., & Loo, H. (1994). Effects of antidepressants on cognitive functions. Review of the literature. Encephale, 20(1), 65-77.

American Psychiatry Association--APA. (2002). DSM-IV-Manual diagnostico e estatistico de transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed.

Aron, A., Aron, E., & Coups, E. (2006). Statistics for psychology. New York: Pearson.

Bachrach, H., Galatzer-Levy, R., Skolnikoff, A., & Waldron, S. (1991). On the efficacy of psychoanalysis. Journal of the American Psychoanalytic Association, 39(4), 871-916.

Bastos, A. G., Gomes, B. M., Bandeira, D. R., & Trentini, C. M. (2011). Reliability of the Brazilian WAIS-III in depression. Interamerican Journal of Psychology, 45(3), 419-428.

Beck, A., & Steer, R. (1993). Beck Depression Inventory. San Antonio, TX: Psychological Corporation.

Cassano, G. B., Puca, F., Scapicchio, P. L., & Trabucchi, M. (2002). Paroxetine and fluoxetine effects on mood and cognitive functions in depressed nondemented elderly patients. The Journal of Clinical Psychiatry, 63, 396-402.

Chepenik, L., Cornew, L., & Farah, M. (2007). The influence of sad mood on cognition. Emotion, 7(4), 802-811.

Cuijpers, P., Clignet, F., van Meijel, B., van Straten, A., Li, J., & Andersson, G. (2011). Psychological treatment of depression in inpatients: A systematic review and meta-analysis. Clinical Psychology Review, 31, 353-360.

Cunha, J. (2000). Psicodiagnostico-V. Porto Alegre: Artmed.

Cunha, J. (2001). Manual da versao em portugues das Escalas Beck. Sao Paulo: Casa do Psicologo.

De Jonghe, F., Hendricksen, M., Van Aalst, G., Kool, S., Peen, V, Van, R., Van Den Eijnden, E., Dekker, J. (2004). Psychotherapy alone and combined with pharmacotherapy in the treatment of depression. British Journal of Psychiatry, 185, 37-45.

De Jonghe, F., Kool, S., Van Aalst, G., Dekker, J., & Peen, V. (2001). Combining psychotherapy and antidepressants in the treatment of depression. Journal of Affective Disorders, 64, 217-229.

Del-Ben, C., Rodrigues, C., & Zuardi, A. (1996). Reliability of the Portuguese version of the structured clinical interview for DSM-III-R (SCD-I) in a Brazilian sample of psychiatric outpatients. Brazilian Journal of Medical Research, 29(12), 1675-1682.

Del-Ben, C., Vilela, J., Crippa, J., Hallak, J., Labate, C., & Zuardi, A. (2001). Confiabilidade teste-reteste da Entrevista Clinica Estruturada para o DSM-IV--Versao clinica traduzida para o portugues. Revista da Associacao Brasileira de Psiquiatria, 23, 156-159.

Del-Ben, C., Zuardi, A., & Rodrigues, C. (1998). Confiabilidade do diagnostico psiquiatrico levantado sob supervisao e do diagnostico obtido atraves da entrevista clinica estruturada para o DSM-III-R (SCID). Revista da Associacao Brasileira de Psiquiatria, 20, 140-145.

Dobson, K. (1989). A meta-analysis of the efficacy of cognitive therapy for depression. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 57, 414-419.

Drevets, W. (2003). Neuroimaging abnormalities in the amygdala in mood disorders. Annals of the New York Academy of Sciences, 985, 420-444.

Dunkin, J., Leuchter, J., Cook, I., Kasl-Godley, J., Abrams, M., & Rosenberg-Thompson, S. (2000). Executive dysfunction predicts non-response to fluoxetine in major depression. Journal of Affective Disorders, 60, 13-23.

Dunn, G., Sham, P., & Hand, D. (1993). Statistics and nature of depression. Psychological Medicine, 23, 871-889.

Eugene, F., Levesque, J., Mensour, B., Leroux, J., Beaudoin, G., & Bourgouin, P. (2003). The impact of individual differences on the neural circuitry underlying sadness. NeuroImage, 19, 354-364.

Fonagy, P., Roth, A., & Higgitt, A. (2005). Psychodynamic therapies, evidence-based practice and clinical wisdom. Bulletin of the Menninger Clinic, 69(1), 01-58.

Freud, S. (1996). Sobre a psicoterapia (J. Salomao, Trad.). Em J. Strachey (Ed.), Obras psicologicas completas de Sigmund Freud: edicao standard brasileira (Vol. VII, pp. 241-254). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1905)

Freud, S. (1996). Linhas de progresso na terapia psicanalitica (J. Salomao, Trad.). Em J. Strachey (Ed.), Obras psicologicas completas de Sigmund Freud: edicao standard brasileira (Vol. XVII, pp. 169-181). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1918)

Freud, S. (1996). Novas conferencias introdutorias sobre psicanalise (J. Salomao, Trad.). Em J. Strachey (Ed.), Obras psicologicas completas de Sigmund Freud: edicao standard brasileira (Vol. XXII, pp. 11-178). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1933)

Freud, S. (1996). Construcoes em analise (J. Salomao, Trad.). Em J. Strachey (Ed.), Obras psicologicas completas de Sigmund Freud: edicao standard brasileira (Vol. XXIII, pp. 271-288). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1937)

Frey, B., Andreazza, A., Nery, F., Martins, M., Quevedo, J., Soares, J., Kapczinski, F. (2007). The role of hippocampus in the pathophysiology of bipolar disorder. Behavioral Pharmacology, 18 (5-6), 419-430.

Gabbard, G. (2000). A neurobiologically informed perspective on psychotherapy. British Journal of Psychiatry, 177, 117-122.

Gabbard, G. (2004). Long-term psychodynamic psychotherapy: A basic text. Arlington, TX: American Psychiatric Publishing.

Gabbard, G. (2008). Textbook of psychotherapeutic treatments in psychiatry. Washington, DC: American Psychiatric Publishing.

Gabbard, G. (2010). Long-term psychodynamic psychotherapy: A basic text (2nd ed.). Arlington, TX: American Psychiatric Publishing.

Greenberg, R., & Goldman, E. (2009). Antidepressants, psychotherapy or their combination: Weighing options for depression treatments. Journal of Contemporary Psychotherapy, 39, 83-91.

Greene, L. (1993). Primitive defenses and the borderline patient's perceptions of the psychiatric treatment team. Psychoanalytic Psychology, 10(4), 533-549.

Hair, J., Black, W., Babin, B., Anderson, R., & Tatham, R. (2005). Multivariate data analysis. New Jersey: Prentice Hall.

Harvey, P., Le Bastard, G., Pochon, J., Levy, R., Allilaire, J., & Dubois, B. (2004). Executive functions and updating of the contents of working memory in unipolar depression. Journal of Psychiatric Research, 38, 567-576.

Hyman, S. (1999). Looking to the future: The role of genetics and molecular biology in research on mental illness, in psychiatry in the new millenium. Washington, DC: American Psychiatric Publishing.

Kandel, E. (2003). A biologia e o futuro da psicoterapia psicanalitica: um novo referencial intelectual para a psiquiatria revisitado. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, 25(1), 139-165.

Kaplan, B., & Sadock, V (2008). Kaplan & Sadock's concise textbook of psychiatry. Philadelphia: Lippincott, Willians & Wilkins.

Kaplan-Solms, K., & Solms, M. (2005). Estudos clinicos em neuropsicanalise: introducao a uma neuropsicologiaprofunda. Sao Paulo: Lemos.

Lamb, W. (2005). A meta-analysis of outcome studies in long-term psychodynamic psychotherapy and psychoanalysis. Berkeley, CA: University of California.

Lambert, M., & Ogles, B. (2004). The efficacy and effectiveness of psychotherapy. In M. Lambert (Ed.), Bergin and Garfield's handbook of psychotherapy and behavior change (pp. 139-193). New York: John Wiley & Sons.

Leichsenring, F., & Rabung, S. (2008). Effectiveness of long-term psychodynamic psychotherapy: A meta-analysis. JAMA, 3000(13), 1551-1565.

Leuzinger-Bohleber, M., Stuhr, U., Bernhard, R., & Beutel, M. (2003). How to study the 'quality of psychoanalytic treatments' and their long-term effects on patients' well-being: a representative, multi-perspective follow-up study. The International Journal of Psychoanalysis, 84(2), 263-290.

Lezak, M., Howieson, D., & Loring, D. (2004). Neuropsychological assessment (4th ed.) Oxford, UK: University Press.

Li, W., Cai, H., Wang, B., Chen, L., Zhou, Q., Luo, C., Liu, N., Ding, X., Zhu, D. (2009). Chronic Fluoxetine treatment improves ischemia-induced spatial cognitive deficits through increasing hippocampal neurogenesis after stroke. Journal of Neuroscience Research, 87(1), 112-122.

Machado, S., & Vasconcellos, M. (1998). Psicanalise e psicoterapia de orientacao analitica. In A. Cordioli (Ed.), Psicoterapias: abordagens atuais (pp. 137-144). Porto Alegre: Artmed.

Marvel, C., & Paradiso, S. (2004). Cognitive and neurological impairments in mood disorders. Psychiatric Clinics of North America, 27, 19-36.

McWilliams, N. (2004). Psychoanalytic psychotherapy: A practioner's guide. New York: Guilford.

Miller, W. (1975). Psychological deficit in depression. Psychological Bulletin, 82(2), 238-260.

Mirow, S. (1991). Cognitive dysfunction associated with fluoxetine. The American Journal of Psychiatry, 148(7), 948-949.

Moreno, R., Moreno, D., & Soares, M. (2002). Psicofarmacologia de antidepressivos. In J. Mari, G. Busatto Filho, I. Bordin, & E. Miguel Filho (Eds.), Atualizacao em psiquiatria I (pp. 51-75). Sao Paulo: Casa do Psicologo.

Mowla, A., Mosavinasab, M., & Pani, A. (2007). Does fluoxetine have any effect on the cognition of patients with mild cognitive impairment? A double-blind, placebo-controlled, clinical trial. Journal of Clinical Psychopharmacology, 27(1), 67-70.

Murphy, F., Nimmo-Smith, I., & Lawrence, A. (2003). Functional neuroanatomy of emotions: A meta-analysis. Cognitive, Affective, and Behavioral Neuroscience, 3, 207-233.

Nascimento, E. (2004). Manual da Escala de Inteligencia Wechsler para adultos. Sao Paulo: Casa do Psicologo.

Ogren, S., Eriksson, T., Elvander-Tottie, E., D'Addario, C., Ekstrom, J., Svenningsson, P, Meister, B., Kehr, J., Stiedl, O. (2008). The role of 5-HT(1A) receptors in learning and memory. Behavioral Brain Research, 16, 195(1), 54-77.

Philips, M., Drevets, W., Rauch, S., & Lane, R. (2003a). Neurobiology of emotional perception I: The neural basis of normal emotion perception. Biological Psychiatry, 54, 504-514.

Philips, M., Drevets, W., Rauch, S., & Lane, R. (2003b). Neurobiology of emotional perception II: Implications for major psychiatric disorders. Biological Psychiatry, 54, 515-528.

Porter, R., Bourke, C., & Gallagher, P. (2007). Neuropsychological impairment in major depression: Its nature, origin and clinical significance. Australian and Neo Zealander Journal of Psychiatry, 41, 115-126.

Ramanathan, M., Kumar, S., & Suresh, B. (2003). Evaluation of cognitive function of fluoxetine, sertraline and tianeptine in isolation and chronic unpredictable mild stress-induced depressive Wistar rats. Indian Journal of Experimental Biology, 41(11), 1269-1272.

Robbins, T., Joyce, E., & Sahakian, B. (1992). Neuropsychology and neuroimaging. In E. Paykel (Ed.), Handbook of affective disorders (pp. 437-500). Edimburgh, UK: Churchill Livingstone.

Robinson, G. (2004). Genome mix: Beyond nature and nurture. Science, 304, 397-399.

Rogers, R., Kasai, K., Koji, M., Fukuda, R., Iwanami, A., & Nakagome, K. (2004). Executive and prefrontal dysfunction in unipolar depression: A review of neuropsychological and imaging evidence. Neuroscience Research, 50, 1-11.

Roth, A., & Fonagy, P (2005). What works for whom? A critical review of psychotherapy research. New York: Guilford.

Salminen, J., Karlsson, H., Hietala, J., Kajander, J., Aalto, S., Markkula, J., Rasi-Hakala, H., Toikka, T. (2008). Short-term psychodynamic psychotherapy and fluoxetine in major depressive disorder: A randomized comparative study. Psychotherapy andPsychossomatics, 77, 351-357.

Sena, E. (2009). Tratamento farmacologico da depressao. In A. Lacerda, L. Quarantini, A. Miranda-Scippa, & J. Del Porto (Eds.), Depressao: do neuronio ao funcionamento social (pp. 269-286). Porto Alegre: Artmed.

Solms, M., & Turnbull, O. (2002). The brain and the inner world: An introduction to the neuroscience of subjective experience. London: Karnac Books.

Steele, J., & Lawrie, S. (2004). Segregation of cognitive and emotional function in the prefrontal cortex: Stereotactic metaanalysis. NeuroImage, 21, 868-875.

Teng, C., Humes, E., Nakata, A., & Melzer, D. (2008). Modelos bioquimicos. In Moreno, R., & Moreno, D. (Eds.), Da psicose maniaco-depressiva ao espectro bipolar (pp. 301-326). Sao Paulo: Editora Segmento Farma.

Tolman, A. (2009). Depressao em adultos: as mais recentes estrategias de avaliacao e tratamento. Porto Alegre: Artmed.

Tomba, E., & Fava, G. (2009). The sequential combination of pharmacotherapy and psychotherapy in mood disorders. Journal of Contemporary Psychotherapy, 39, 101-109.

Vittengl, J., Clark, L., Dunn, T., & Jarrett, R. (2007). Reducing relapse and recurrence in unipolar depression: A comparative analysis of cognitive-behavioral therapy's effects. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 75, 475-488.

Wallerstein, R. (1986). Forty-two lives in treatment: A study of psychoanalysis and psychotherapy. New York: Guilford.

Westen, D., & Morrison, K. (2001). A multidimensional metaanalysis of treatments for depression, panic, and generalized anxiety disorder: An empirical examination of the status of empirically supported therapies. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 69, 875-899.

World Health Organization--WHO (2009). The world health report. Recuperado em 27 de novembro de 2012, de http://www.who. int/whr/2009/en/index.html

Yazigi, L., Botelho, N., Semer, N., Amaro, T., Fiore, M., & Silva, J. (2011). Rorschach and the WAIS-IH after one and two years of psychotherapy. Psicologia: Reflexao e Critica, 24(1), 10-18.

Zorzetto Filho, D. (2009). Neuropsicologia da depressao. In A. Lacerda, L. Quarantini, A. Miranda-Scippa, & J. Del Porto (Eds.), Depressao: do neuronio ao funcionamento social (pp. 253-268). Porto Alegre: Artmed.

Recebido em 19.10.2011

Primeira decisao editorial em 11.06.2013

Versao final em 14.06.2013

Aceito em 25.06.2013

Andre Goettems Bastos (2)

Clarissa Marceli Trentini

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

(1) Apoio: CNPq.

(2) Endereco para correspondencia: Rua Alfredo Miranda Obino 240, Porto Alegre, RS, Brasil, CEP: 91225-100. E-mail: andregbastos@gmail.com

Tabela 1. Resultados de media, desvio-padrao, teste t e nivel de
significancia dos dois grupos de tratamento.

Subteste                         Teste Media      Reteste
                                     (DP)        Media (DP)

Grupo Psicoterapia (n=80)

Vocabulario                      13,03 (3,47)   13,06 (3,23)
Semelhancas                      13,48 (3,16)   13,51 (2,84)
Aritmetica                       11,97 (3,35)   12,15 (2,50)
Digitos                           9,90 (2,36)   11,17 (1,74)
Informacao                       11,89 (3,09)   12,09 (2,83)
Compreensao                      12,69 (3,47)   13,03 (3,07)
Sequencia de Numeros e Letras     9,73 (2,28)   10,80 (1,63)
Completar Figuras                12,13 (2,57)   12,22 (1,88)
Codigos                          10,25 (2,31)   11,97 (1,67)
Cubos                            12,70 (2,76)   13,20 (2,26)
Raciocinio Matricial             11,14 (2,11)   12,01 (1,60)
Arranjo de Figuras               10,94 (2,72)   11,31 (2,24)
Procurar Simbolos                11,30 (2,56)   11,68 (1,91)
Armar Objetos                    11,12 (2,67)   11,96 (2,48)

Grupo Fluoxetina (n=76)

Vocabulario                      12,85 (3,27)   12,81 (3,20)
Semelhancas                      13,19 (2,64)   13,20 (2,56)
Aritmetica                       11,86 (3,07)   11,95 (2,89)
Digitos                           9,95 (2,21)   10,15 (2,03)
Informacao                       11,88 (2,84)   11,93 (2,71)
Compreensao                      12,80 (3,39)   12,87 (3,21)
Sequencia de Numeros e Letras     9,85 (2,26)    9,92 (2,22)
Completar Figuras                12,20 (2,39)   12,25 (2,27)
Codigos                          10,36 (2,44)   10,70 (2,03)
Cubos                            12,62 (2,85)   12,87 (2,66)
Raciocinio Matricial             11,05 (2,08)   11,39 (1,91)
Arranjo de Figuras               10,85 (2,72)   10,88 (2,68)
Procurar Simbolos                11,32 (2,59)   11,49 (2,30)
Armar Objetos                    11,12 (2,71)   11,21 (2,53)

Subteste                         t       p

Grupo Psicoterapia (n=80)

Vocabulario                       0,53   0,59
Semelhancas                      -0,44   0,65
Aritmetica                       -2,03   0,06
Digitos                          -3,10   0,01 *
Informacao                       -1,07   0,28
Compreensao                      -1,13   0,02 *
Sequencia de Numeros e Letras    -2,16   0,03 *
Completar Figuras                -0,89   0,37
Codigos                          -3,96   0,01 *
Cubos                            -2,62   0,01 *
Raciocinio Matricial             -3,57   0,01 *
Arranjo de Figuras               -2,37   0,02 *
Procurar Simbolos                -2,47   0,01 *
Armar Objetos                    -2,03   0,04 *

Grupo Fluoxetina (n=76)

Vocabulario                       0,19   0,84
Semelhancas                      -1,00   0,32
Aritmetica                       -2,05   0,04 *
Digitos                          -2,41   0,01 *
Informacao                       -1,93   0,06
Compreensao                      -0,68   0,49
Sequencia de Numeros e Letras    -1,42   0,15
Completar Figuras                -0,89   0,37
Codigos                          -3,62   0,01 *
Cubos                            -2,50   0,01 *
Raciocinio Matricial             -3,35   0,10
Arranjo de Figuras               -2,95   0,40
Procurar Simbolos                -1,93   0,06
Armar Objetos                    -1,84   0,07

Nota: * Diferenca estatisticamente significativa (p < 0,05).

Tabela 2. Resultados da analise de variancia
investigando o efeito grupo de tratamento.

Variaveis Independentes      Variavel Dependente      F       p

Psicoterapia Psicodinamica   Vocabulario            4,46    0,03 *
vs.                          Semelhancas            1,20     0,27
Fluoxetina                   Aritmetica             12,87   0,01 *
                             Digitos                11,27   0,01 *
                             Informacao             3,75     0,06
                             Compreensao            6,31    0,01 *
                             Sequencia de           22,46   0,01 *
                               Numeros e Letras
                             Completar Figuras      13,42   0,01 *
                             Codigos                4,31    0,03 *
                             Cubos                  0,11     0,73
                             Raciocinio Matricial   0,10     0,74
                             Arranjo de Figuras     0,42     0,51
                             Procurar Simbolos      1,23     0,26
                             Armar Objetos          0,15     0,69

Nota: * Diferenca estatisticamente significativa (p < 0,05).
COPYRIGHT 2013 Instituto de Psicologia
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2013 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Bastos, Andre Goettems; Trentini, Clarissa Marceli
Publication:Psicologia: Teoria e Pesquisa
Date:Oct 1, 2013
Words:7098
Previous Article:Effects of questions and answers to questions about rule following presented in children's stories/Efeitos de perguntas e de respostas as perguntas...
Next Article:Amizade e Bem-Estar subjetivo.
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2019 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters