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Principios para o desenvolvimento de uma teoria da definicao lexicografica.

* RESUMO: A definicao das palavras e o principal tipo de informacao procurada em dicionarios semasiologicos, desempenhando, dessa forma, o papel mais importante no interior da microestrutura dessas obras. Entretanto, e a despeito dos inumeros estudos que tratam do problema da definicao sob as mais diversas perspectivas, ainda nao contamos com uma"teoria gerai da definicao lexicografica". E possivel identificar duas questoes essenciais que, em parte, ajudam a explicar essa lacuna no ambito da pesquisa lexicografica. Em primeiro lugar, e muito diffcil definir o que se entende por"significado". Em segundo lugar, a metalexicografia oferece uma variada gama de possibilidades de reescrita do conteudo semantico das unidades lexicas.

Em vista disso, o objetivo do presente estudo e propor os principios para o desenvolvimento de uma teoria da definicao lexicografica. Para tanto, apresentamos e discutimos tres parametros basicos: (a) uma taxonomia de parafrases explanatorias, (b) os padroes sintaticos para a redacao das parafrases explanatorias e (c) os modelos semanticos.

* PALAVRAS-CHAVE: Lexicografia. Definicao lexicografica. Taxonomia de parafrases. Padrao sintatico. Modelo semantico.

* ABSTRACT: Word definition is the main type of information sought m sernasiological dictionaries, thus playing the most important role within the microstructure of such works. However, despite numerous studies that deal with the problem of word definition under the most diverse perspectives, there is nota "general theory of the lexicographic definition". It is possible to identify two key issues which, in part, help explain this gap in the framework of lexicographical research. Firstly, it is very difficult to define what is meant by 'meaning'. Secondly, the rnetalexicography offers a wide range of possibilities for rewriting the semantic content of lexical units. Accordingly, this study sets forth the principles for developing a theory of the lexfcographic definition, by presenting and discussing three basic parameters: (a) a taxonomy of explanatory paraphrases, (b) the syntactic patterns to write the explanatory paraphrases, and (c) the semantic models.

* KEYWORDS: Lexicography. Lexicographic definition. Taxonomy of paraphrases. Syntactic pattern. Semantic model.

Principles for the development of a theory of the lexicographic definition.

Introducao

Segundo Hartmann (2001), Jackson (2002) e Lew (2009), o significado seria a informacao mais procurada pelos consulentes em dicionarios semasiologicos (1). Dessa forma, a definicao e tradicionalmente considerada o segmento mais importante no interior da microestrutura desse tipo de obra. (2) O termo definicao pode ser conceituado grosso modo como o resultado da reescrita do conteudo semantico de uma dada expressao linguistica (BUSSMANN, 1983, s.v. Definition; MARTINEZ DE SOUZA, 1995, s.v. definicion linguistica; HARTMANN; JAMES, 2001, s.v. definition). Com base nisso, dever-se-ia estabelecer, no interior do verbete, uma equivalencia ou igualdade entre o signo-lema (unidade lexica definida) e a parafrase resultante da reescrita do seu conteudo semantico (definicao). Essa relacao de igualdade e chamada por Lara (1996) de "equacao semica" [ecuacion semica].

E forcoso reconhecer, no entanto, que conceituar o termo definicao e muito mais dificil do que, em um primeiro momento, pode parecer. Nesse sentido, deve-se considerar, por um lado, a ausencia de uma definicao clara a respeito do que se entende por "conteudo semantico" ou "significado" de uma expressao linguistica (BUGUENO MIRANDA; FARIAS, 2010) e, por outro lado, a existencia de uma variada gama de possibilidades de reescrita desse "conteudo" (BUGUENO MIRANDA, 2009). Em razao disso, nao obstante o numero expressivo de trabalhos que tratam de problemas relacionados a definicao lexicografica sob as mais diversas perspectivas (3), ainda nao existe o que poderiamos chamar de uma "teoria geral da definicao lexicografica".

De acordo com Buguefio Miranda (2009), uma teoria da definicao deveria fundamentar-se em tres parametros:

a) uma taxonomia de parafrases definidoras;

b) um padrao sintatico;

c) um modelo semantico.

Este trabalho, na condicao de estudo piloto, pretende discutir as principais questoes atinentes a cada uma das variaveis arroladas. Nosso objetivo e lancar os principios e demarcar os limites para o desenvolvimento, em longo prazo, de uma teoria da definicao lexicografica.

A taxonomia de parafrases definidoras (4)

A classificacao tipologica das parafrases definidoras apresentada em Buguefio Miranda (2009) fundamenta-se em dois parametros basicos: (a) a perspectiva do ato da comunicacao adotada e (b) a metalinguagem empregada.

A perspectiva do ato da comunicacao

A perspectiva do ato da comunicacao, ou seja, a recepcao ou a producao linguistica, determina o ponto de partida do ato da consulta, que devera ser, respectivamente, o significante ou o significado. A partir dessa distincao fundamental, e possivel estabelecer a oposicao entre semasiologia e onomasiologia (BUSSMANN, 1983, s.v. Onomasiologie; s.v. Semasiologie; BALDINGER, 1985; HARTMANN; JAMES, 2001, s.v. onomasiology, s.v. semasiology, GEERAERTS, 2003; MANKEL, 2001). No que diz respeito a formulacao das parafrases definidoras, a oposicao gerada entre semasiologia e onomasiologia conduza concepcoes divergentes do signo linguistico, permitindo que se obtenha uma nova oposicao, dessa vez entre intensao e extensao, respectivamente (BUGUENO MIRANDA, 2009).

1. Concepcao intensional do signo linguistico (perspectiva semasiologica):A intensao corresponde ao conjunto de tracos que caracterizam uma determinada entidade (BUSSMANN, 1983, s.v. Intension; ULRICH, 2002, s.v. Intension; GEERAERTS, 2003; GLUCK, 2005, s.v. Intension). Uma definicao intensional e, portanto, a que enumera os principais semas de determinada unidade lexica (MARTINEZ DE SOUZA, 1995, s.v. definicion mtensionai; HARTMANN; JAMES, 2001, s.v. intensional definition).

Em Buguefio Miranda (2009), distinguem-se dois tipos de parafrases intensionais. O primeiro tipo e a parafrase definidora analitica, que expressa o conteudo semantico de uma dada unidade lexica por meio de uma proposicao. A parafrase definidora intensional analitica por excelencia e a definicao por genus proximum + differentiae specificae. (5)

donna s.f I Essere umano adulto di sesso femminile [...]. (PCDIt, 2009, s.v. donna).

O segundo tipo de parafrase intensional e a sinonimica. As definicoes sinonimicas sao as que expressam o conteudo semantico de uma dada unidade lexica por meio da substituicao dessa unidade por um ou mais sinonimos (MARTINEZ DE SOUZA, 1995, s.v. definicion por sinonimos) (6):

angustia [...] 1. f Afliccion, congoja, ansiedad [...] (DRAEe, 2001, s.v. angustia).

Uma parafrase sinonimica pode ser considerada intensional, na medida em que se entende por parafrase uma "reescrita do significado de uma expressao linguistica por meio de uma outra expressao ou por meio de varias outras expressoes de uma mesma lingua" (7) (ULRICH, 2002, s.v. Paraphrase, traducao nossa). Alem disso, pode-se tambem levar em conta que a explanacao do significado por meio de um ou mais sinonimos, de modo similar ao que ocorre com a explanacao por meio de uma proposicao, subjaz uma analise componencial do significado (ZGUSTA, 1971). Deve-se notar, contudo, que nao existe um consenso a respeito, de tal forma que e possivel encontrar autores para os quais a definicao sinonimica e tida como uma parafrase extensional, como veremos a seguir.

2. Concepcao extensional do signo linguistico (perspectiva onomasiologica): A extensao diz respeito aos referentes que sao designados por uma dada expressao linguistica (BUSSMANN, 1983, s.v. Extension; GEERAERTS, 2003; GLUCK, 2005, s.v. Extension, extensionaI), de forma que uma definicao extensional e a que "aponta" para os referentes, nao para o significado (MARTINEZ DE SOUZA, 1995, s.v. definicion extensional; HARTMANN; JAMES, 2001, s.v. extensional definition). Assim, pois, de acordo com Geeraerts (2001), a extensao pode ser compreendida de duas maneiras: (a) como um problema de designacao de um referente extralinguistico e (b) como um problema de categorizacao, ou seja, de inclusao do referente em uma determinada categoria.

Em Buguefio Miranda (2009), distinguem-se dois tipos de parafrases extensionais. O primeiro deles e a parafrase sinonimica. Uma definicao por sinonimos tambem pode ser considerada uma definicao extensional, uma vez admitida a existencia de um tertium comparationis implicito entre o signo-lema e o sinonimo. Nesse caso, signo-lema e sinonimo constituiriam duas designacoes para um mesmo conteudo semantico (CASAS GOMEZ, 1995; HARTMANN; JAMES, 2001, s.v. onomasiological dictionary):

Apfelsine die; -, -n [aproximadamente igual a] Orange (LaGWDaF, 2008, s.v. Apfelsine).

O segundo tipo e a substituicao ostensiva, consistente na associacao de uma imagem a uma dada designacao. Buguefio Miranda (2009) opta por designar essa tecnica definitoria como "substituicao ostensiva" em vez de "definicao ostensiva" [ostensive Definition], termo empregado em Schlaefer (2002), fundamentando sua opcao no fato de nao se poder falar, nesses casos, em uma "definicao" ou "parafrase" propriamente tais.

[FIGURA 1 OMITIR]

Alem dos dois tipos de defnicao de carater extensional discriminados em Buguefio Miranda (2009), a analise realizada em Farias (2009b) permitiu-nos constatar a existencia de um terceiro tipo de parafrase extensional, denominada enumerativa. Uma parafrase definidora enumerativa e a que aponta para o(s) referente(s) extralinguistico(s), enumerando os membros mais tipicos da categoria:

reptile [...] Reptiles are a group of cold-blooded animals which have skins covered with small hard plates called scales and lay eggs. Snakes, lizards, and crocodiles are reptiles. (CCLDe, 2003, s.v. reptile).

A metalinguagem

A informacao sobre a unidade lexica no interior do verbete pode ser de dois tipos: o primeiro faz referencia a essa unidade enquanto significante, e o segundo faz referencia ao significado da mesma. Em vista disso, Seco (2003) estabelece uma distincao entre metalinguagem de primeiro enunciado (ou metalinguagem de signo) e metalinguagem de segundo enunciado (ou metalinguagem de conteudo). A predicacao em metalinguagem de signo e a predicacao em metalinguagem de conteudo diferem nao somente pelo nivel de informacao, mas tambem pela forma como a mesma e apresentada, o que se ve refletido na propria segmentacao da microestrutura. (8)

A oposicao entre metalinguagem de signo e metalinguagem de conteudo permite distinguir, respectivamente, entre parafrases que exprimem o conteudo semantico do signo-lema e parafrases que explicam o seu emprego.

A. Parafrase por metalinguagem de conteudo:As parafrases por metalinguagem de conteudo (ou definicoes proprias, na terminologia de Seco (2003)) opoem-se as demais pelo fato de submeterem-se a prova da substituicao. Entre as parafrases por metalinguagem de conteudo, estao as definicoes por genus proximum + differentiae specificae e as parafrases sinonimicas, cujos exemplos foram apresentados anteriormente.

B. Parafrases por metalinguagem de signo: As parafrases por metalinguagem de signo (ou improprias, na terminologia de Seco (2003)) sao as que nao permitem a aplicacao da prova da substituicao. De acordo com Buguefio Miranda (2009), as parafrases por metalinguagem de signo podem ser de dois tipos: indicadoras de uso e extensionais. As parafrases por metalinguagem de signo indicadoras de uso subdividem-se em morfossintaticas (informando sobre o emprego morfologico e / ou sintatico do signo-lema, como no caso de [sino.sup.2]e prenada) e pragmaticas (informando sobre os contextos de aplicacao do signo-lema, como no caso de [che.sup.2]):

[sin.sup.2] [...] 1. conj. advers. U. para contraponer un concepto afirmativo a otro negativo anterior. No lo hizo Juan, sino Pedro. No quiero que venga, sino, al contrario, que no vuelva por aqui. No sentf alegffa ninguna por el, sino, antes bien, pesadurnbre. (DRAEe, 2001, s.v. [sino.sup.2].

prenada [...] 1. adj. Dicho de una mujer, o de una hembra de cualquier especie: Que ba concebido y tiene el feto o la cnatura en el vientre. [...] (DRAEe, 2001, s.v. prenada).

[che.sup.2] interjeccion RPlata, Bol Exclamacion que se usa con valor apelativo para dingirse a una o varias personas a las que se trata de tu, vos o usted [...] (DUEAe, 2003, s.v. [che.sup.2].

As parafrases por metalinguagem de signo extensionais, por sua vez, tambem podem ser de dois tipos, tendo em vista a adocao de uma concepcao de extensao como designacao ou como categorizacao. Sob a perspectiva da extensao como designacao, a parafrase extensional indica ao usuario a qual (ou a quais) entidade(s) extralinguistica(s) o signo-lema se aplica:

lord [...] (usually the Lord) [sing ] a title used to refer to God or Christ [...]. (OALD, 2005, s.v. lord).

Por sua vez, sob a perspectiva da extensao como categorizacao, a parafrase extensional enumera os membros mais tipicos da categoria:

[baga.sup.1] [...] 1 Rubrica: morfologia botanica, fruto simples, carnoso, indeiscente, freq. comestivel, com um ou mais carpelos e sementes (p.ex., tomate, uva, mamao, goiaba etc.). (HouE, 2009, s.v. [baga.sup.1]). (9)

O padrao sintatico das parafrases definidoras

Os argumentos que justificam o estabelecimento de um padrao sintatico para a formulacao das parafrases definidoras sao: (a) a necessidade de se submeter as definicoes a prova da substituicao (nos casos em que seja viavel) e (b) a existencia de parafrases com um padrao redacional muito complexo. Para ilustrar, tomamos os seguintes exemplos:

batizado [...] 2. Fig. Diz-se de certos liquidos, especialmente o leite, adulterados pela adicao de agua ou de outro liquido. (AuE, 2009, s.v. batizado).

marsopa [...] 1. f Cetaceo parecido ai delfin, de cerca de metro y medio de largo, cabeza redondeada con ojos pequenos y las narices en la parte mas alta, boca grande de hocico obtuso y 24 dientes en cada lado de las mandibulas, cuerpo grueso, liso, de color negro azulado por encima y blanco por debajo, dos aletas pectorales, una sola dorsal, y cola grande, robusta y ahorquillada. (DRAEe, 2001, s.v. marsopa).

No primeiro caso, AuE (2009, s.v. batizado) apresenta uma definicao impropria. Ao optar por uma formulacao desse tipo, o dicionario evidencia sua preocupacao em indicar a restricao de atribuicao (10) do adjetivo em questao, mas, ao mesmo tempo, inviabiliza a prova da substituicao. A definicao de marsopa, por sua vez, alem de ser muito longa e possuir um numero bastante elevado de termos cientificos, apresenta uma formulacao linguistica muito complexa. Confrontamonos, assim, com uma impossibilidade pratica de substituicao. (11)

Tendo em vista a operacao de substituicao a qual devem submeter-se as definicoes sempre que possivel, os parametros basicos que deverao orientar a proposta de formulacao de padroes sintaticos para as parafrases explanatorias sao, novamente, (a) a oposicao entre metalinguagem de conteudo e metalinguagem de signo e (b) a oposicao entre semasiologia e onomasiologia. O cruzamento desses parametros permite obter as seguintes coordenadas para a elaboracao de padroes sintaticos aplicaveis a formulacao das parafrases definidoras: (i) modelos sintaticos para as parafrases por metalinguagem de conteudo, a partir de uma perspectiva semasiologica, e (ii) modelos sintaticos para as parafrases por metalinguagem de signo, a partir de uma perspectiva onomasiologica. Temos, portanto, parafrases intensionais no primeiro caso e parafrases extensionais no segundo.

A elaboracao de modelos sintaticos deve levar em conta, tambem, o modelo semantico que subjaz as parafrases definidoras. Os dois modelos mais empregados sao a semantica estmtural e a semantica prototipica, que se refletem na formulacao, respectivamente, das parafrases por genusproximum + differentiae, specificae e das whole-sentence definitions:

candy [...] sweet food made of sugar and / or chocolate, eaten between meals, a piece of this [...] (OALD, 2005, s.v. candy.

candy [...] Candy is sweet foods such as toffees or chocolate [...] (CCLDe, 2003, s.v. candy.

Neste momento, restringir-nos-emos a elaboracao de padroes sintaticos no marco da semantica estrutural. (12) Na terceira parte do trabalho, discutiremos a questao dos modelos semanticos no que concerne a formulacao das parafrases definidoras e a real pertinencia da relacao estabelecida entre cada uma das teorias e os padroes sintaticos.

Ressaltamos, por fim, que cada classe de palavras, em virtude de sua natureza e de seu comportamento morfossintatico, exige um tipo diferente de definicao (SVENSEN, 1993; MARTINEZ DE SOUZA, 1995, s.v. definicion linguistica; LANDAU, 2001), razao pela qual se deve elaborar padroes distintos para cada categoria morfologica.

Padrao sintatico das parafrases em metalinguagem de conteudo

A premissa fundamental subjacente a geracao de modelos sintaticos para as parafrases em metalinguagem de conteudo e o cumprimento das condicoes de concisao, abrangencia e circularidade, propostas por Martinez de Souza (1995, s.v. definicion linguistica). Thumb (2004), por sua vez, aponta tres razoes que permitiriam refutar o principio da circularidade. Em primeiro lugar, a substituicao somente seria possivel em alguns casos, devido a ausencia de isomorfismo morfologico entre definiens e definiendum. Em segundo lugar, as parafrases definidoras apresentadas nos dicionarios costumam ser longas. Por fim, em terceiro lugar, nem rodas as classes de palavras admitem tal procedimento. Deve-se salientar, contudo, que as ponderacoes de Thumb (2004), de forma alguma, invalidam a aplicacao do principio da circularidade proposto por Martinez de Souza (1995). Antes de tudo, para que a substituicao seja possivel, a parafrase precisa ser breve, ou concisa, de acordo com o primeiro principio exposto. Alem disso, a abrangencia garante o isomorfismo de categoria morfologica, imprescindivel para a aplicacao da operacao de substituicao. Convem lembrar, ainda, que a propria distincao entre metalinguagem de conteudo e metalinguagem de signo previne contra uma tentativa de aplicacao do principio da circularidade a parafrases em metalinguagem de signo.

Substantivos

As reflexoes realizadas em Beneduzi, Buguefio e Farias (2005) e Farias (2009a) permitiram-nos constatar que nao e possivel falar em uma tecnica unitaria para todos os substantivos. Inicialmente, seria necessario separa-los em dois grandes grupos: concretos e abstratos. Considerando apenas os substantivos concretos, seria possivel estabelecer uma segunda separacao entre os que permitem, sem maiores problemas, uma definicao em metalinguagem de conteudo, e os que exigem uma definicao em metalinguagem de signo (13).

No caso dos substantivos concretos passiveis de definicao em metalinguagem de conteudo, pode-se, simplesmente, aplicar a formula do genus proximum + differentiae specificae. O padrao sintatico seria, portanto:

Substantivos concretos = Hiperonimo (Nome) + Especificador(es)

Os principios essenciais de redacao desse tipo de parafrase sao: (a) a aplicacao a prova da substituicao e (b) a manutencao da identidade de conteudo intensional e extensional entre a definiens e definiendum (FARIAS, 2009c). Apresentamos a definicao de guitarra como exemplo: (14)

guitarra fInstrumento musical eletronico que possui um braco longo com seis cordas que vibram ao serem tocadas pelos dedos.

Os substantivos abstratos de acao podem ser subdivididos de acordo com o aspecto dos verbos dos quais derivam. Dessa forma, os substantivos derivados de verbos que indicam incoacao (15) sao classificados como ato; os que se originam de verbos cursivos (16) sao classificados como processo, e, finalmente, os que se originam de verbos resultativos (17) sao classificados como efeito. Assim, "ato", "efeito" e "processo" foram os hiperonimos selecionados para a redacao das parafrases definidoras (BENEDUZI; BUGUENO; FARIAS, 2005). O padrao sintatico dos substantivos abstratos seria o seguinte:

Substantivos abstratos de acao = Hiperonimo ("Acao de"/"Processo de"/"Efeito de") + Especificador(es)

Apresentamos os exemplos a seguir:

partida f1 ato de ir-se [alguem / algo].

crescimento m 1 processo de desenvolvimento de [alguem / algo]. 2 efeito do| desenvolvimento de [alguem / algo].

Verbos

Considerando que a parafrase assumira uma forma diversa de acordo com a transitividade do verbo em questao (LANDAU, 2001; SECO, 2003), o principal problema relacionado com a formulacao das parafrases definidoras dessa classe de palavras e a indicacao da valencia. A valencia de um verbo diz respeito a sua capacidade de "abrir casas" para preenchimento por termos (sujeito e complementos) (NEVES, 2000). Em Farias (2009c), sao previstos tres segmentos microestruturais para a alocacao da informacao sobre a valencia verbal: (a) no segmento dedicado a marcacao da categoria morfologica, por meio de uma abreviatura, (b) no segmento correspondente a definicao, atraves da indicacao dos complementos verbais na parafrase definidora, e (c) no segmento destinado aos exemplos para a producao (18), no qual os actantes devem aparecer explicitamente em uma oracao.

Tendo em vista a elaboracao de um modelo preliminar para as parafrases de verbos, partiremos da proposta de Beneduzi, Buguefio e Farias (2005). Nesse trabalho, foram apresentados criterios que possibilitariam obter as qualidades apontadas por Martinez de Souza (1995, s.v. definicion linguistica) na redacao das definicoes de verbos: (a) para obter a concisao, as definicoes devem apresentar um unico periodo, com linguagem acessivel ao consulente, trazendo as informacoes que nao fazem parte da definicao propriamente dita sob a forma de contorno (19), (b) para obter a abrangencia, as definicoes devem construir-se com um verbo transitivo (ou, ainda, um verbo suporte) e seus complementos, e (c) a circularidade e obtida atraves da formulacao de uma definicao que respeite o isomorfismo morfologico e, dessa forma, permita a substituicao da palavra entrada pela parafrase definidora. Levando em conta os criterios apresentados, obtemos dois modelos sintaticos basicos para a elaboracao das parafrases dos verbos:

Verbos intransitivos = Verbo transitivo / Verbo suporte + Complementos

Verbos transitivos (20) = Verbo transitivo / Verbo suporte (+ Complementos) + [Valencia do signo-lema]

No caso dos verbos intransitivos, os complementos apresentados fazem parte da definicao. Por outro lado, no caso dos verbos transitivos, o uso de colchetes para marcar a valencia indica que esse elemento nao e pertinente ao conteudo semantico da definicao, mas corresponde ao comentario de forma. A fim de se evitar a sobrecarga de informacoes na parafrase definidora, a marcacao da actancia deveria restringir-se aos objetos direto e indireto, bem como ao complemento circunstancial, nas situacoes em que se exige: (21)

morrer vi perder a vida.

chutar vt dar pontapes em [algo / alguem].

arcar vi ~ com assumir a responsabilidade por [algo].

Adjetivos

Demonte (1999) define os adjetivos como termos que atribuem determinadas propriedades aos substantivos com os quais se combinam. As propriedades que os adjetivos sao capazes de atribuir permitem a sua classificacao em dois grandes grupos: qualificativos e relacionais. Os adjetivos qualificativos expressam um traco constitutivo, ou, em outras palavras, uma unica propriedade do substantivo ao qual acompanham, ao passo que os adjetivos relacionais expressam um conjunto de propriedades, estabelecendo relacoes entre os substantivos aos quais se referem e outros ambitos externos a eles. Tendo em vista as diferencas essenciais entre as duas categorias de adjetivos discriminadas por Demonte (1999), percebe-se que apenas para os adjetivos qualificativos e possivel gerar definicoes em metalinguagem de conteudo. Um padrao redacional basico para as parafrases de adjetivos qualificativos e:

Adjetivos qualificativos = [Restricao de atribuicao[ + Oracao subordinada adjetiva

A seguir, apresentamos exemplos de definicoes redigidas segundo o modelo proposto:

supersonico adj 1 [velocidade] que e superior a do som. 2 [aeronave] cuja velocidade e superior a do som.

Adverbios

De acordo com Martinez de Souza (1995, s.v. definicion linguistica), os adverbios, de um modo geral, admitem definicoes em metalinguagem de conteudo. Nesses casos, os adverbios sao parafraseados por meio de uma locucao ou oracao adverbial:

Adverbios = Locucao / Oracao adverbiai

A seguir, apresentamos exemplos de adverbios temporais e modais cuja parafrase pode seguir o modelo redacional proposto acima:

anteontem adv no dia anterior ao de ontem.

precisamente adv de modo exato.

No que diz respeito aos verbos terminados em-mente, o padrao sintatico pode ser ainda mais especifico. Assim, pois, seguindo o modelo da parafrase proposta para precisamente, o padrao redacional para essa categoria de adverbios pode ser:

Adverbios modais = "de modo" + Adjetivo

Padrao sintatico das parafrases em metalinguagem de signo (22)

As parafrases em metalinguagem de signo, como vimos, nao se deixam submeter a prova da substituicao. Alem disso, e muito dificil, nesse caso, adequar os padroes sintaticos propostos a principios especificos, corno ocorre com as parafrases por metalinguagem de conteudo.

Substan tivos

Em Farias (2009c), chamou-se a atencao para o fato de que nem todos os substantivos concretos podem ser definidos por meio de uma parafrase em metalinguagem de conteudo. A capacidade de poder ou nao ser definido por meio de uma parafrase intensional parece estar determinada por fatores que ainda nao sao bem conhecidos, mas se refietem nos limites semanticamente imprecisos que muitas parafrases apresentam.

Neste ponto da discussao, retomaremos a distincao de Geeraerts (2001) entre extensao corno designacao e extensao como categorizacao. Considerando a extensao como um problema de designacao de um referente extralinguistico, podemos distinguir tres categorias de substantivos. Na primeira categoria, estao os substantivos concretos que podem ser definidos tanto por meio de uma parafrase intensional como por meio de uma parafrase extensional (por exemplo, cadeira, pessoa e guitarra). Ja na segunda e na terceira categorias, encontram-se os substantivos concretos para os quais uma parafrase intensional nao constitui uma solucao completamente satisfatoria. A segunda categoria e a das unidades lexicas que denominam uma entidade extralinguistica particular. A terceira categoria, por sua vez, e a das unidades lexicas cujo conteudo semantico pode ser atribuido a diferentes referentes, por existir uma coincidencia parcial do ponto de vista semematico. O padrao sintatico, nesses casos, pode ser:

Substantivos (perspectiva: extensao como designacao) = "Nome" / "Designacao" / "Expressao" + "para (referirose a) [alguem / algo]"

A seguir, apresentamos exemplos para a segunda e a terceira categoria de substantivos, respectivamente:

Todo-poderoso m Nome usado para referir-se a Deus.

chiqueiro m Nome usado para referir-se a um lugar muito sujo.

No que concerne a extensao como categorizacao, as unidades lexicas analisadas dentro deste segundo grupo tambem apresentam a propriedade de designacao, o que, alias, e uma condicao intrinseca a natureza dos substantivos. Por essa razao, consideramos as duas perspectivas complementares. O que difere as unidades lexicas incluidas nesse segundo grupo das demais e o fato de que elas ocupam uma posicao de hiperonimia dentro de uma classificacao taxonomica. O padrao sintatico proposto para a formulacao das definicoes desse grupo de palavras, evidentemente, viola o principio da prova da substituicao. Encontramo-nos, contudo, diante de um fato ontologico da linguagem que, para efeitos lexicograficos, deve ser marcado na parafrase definidora da seguinte forma:

Substantivos (perspectiva: extensao como categorizacao) = "Nome dado a / com que se designa" / "Designacao para" + Hiperonimo (Nome) + Especificador(es) + (Expoentes da categoria)

Oferecemos um exemplo a seguir:

baga fNome dado aos frutos de pele fina, polpa carnosa e macia e com varias sementes pequenas no seu interior, como o mamao, o tomate e a uva.

Adjetivos

Em conformidade com o exposto ad supra, para os adjetivos relacionais, que denotam um conjunto de propriedades, e necessario formular definicoes em metalinguagem de signo. A redacao das parafrases, nesse caso, deve obedecer a seguinte estrutura:

Adjetivos relacionais = [Restricao de atribuicao] + "Relativo a" + Sintagma nominal

Abaixo, apresentamos um exemplo da aplicacao dessa formula definitoria:

vocal adj [algo] relativo a voz humana.

Adverbios

Martinez de Souza (1995, s.v. defiificion linguistica), nao obstante acredite que grande parte dos adverbios aceita definicoes em metalinguagem de conteudo, reconhece, por outro lado, que ha adverbios, como sim e nao, para os quais seria muito diffcii elaborar definicoes intensionais. Em casos assim, seria necessario recorrer a parafrases em metalinguagem de signo indicadoras de uso, as quais, normalmente, apresentam formulacoes semelhantes as seguintes:

Adverbios = "Expressa" / "Usa-se para expressar" + Nocao expressa

As parafrases de sim e naopoderiam, portanto, ser formuladas, respectivamente, como:

sim adv Expressa afirmacao / consentimento.

nao adv Expressa negacao / recusa.

Os modelos semanticos subjacentes (?) a formulacao das parafrases definidoras

Segundo Jakobson (2008), uma das funcoes da linguagem e a metalinguistica, que reflete sobre a propria linguagem. Intimamente ligada a essa, encontra-se a funcao fatica, que tem por objetivo manter expedito o canal da comunicacao. Cada vez que um individuo, em uma situacao de interacao, nao compreende a significacao de uma unidade lexica, a comunicacao, obviamente, se interrompe. Manifestado o fato, o falante precisa explicar, ou parafrasear, o que o seu interlocutor nao compreendeu. Paralelamente, ele tambem pode lancar mao de outros sistemas semioticos para reparar o "defeito" na comunicacao. Assim, por exemplo, se alguem fala que so escreve com caneta tinteiro e o receptor nao sabe o que e uma caneta tinteiro, entao o emissor necessita explicar o que e urna caneta tinteiro. Caso veja que a explicacao nao basta, podera, ainda, tomar uma caneta tinteiro e compara-la, por exemplo, com uma caneta esferografica. Nessa situacao, encontramos dois mecanismos explanatorios analogos aqueles usados na tarefa lexicografica: o primeiro consiste em uma parafrase explanatoria propriamente dita, e o segundo corresponde a uma substituicao ostensiva. Chegamos, dessa forma, a duas conclusoes:

a) qualquer tentativa explanatoria so tem sucesso se o receptor (ou consulente, no caso do dicionario) compreende o conteudo da parafrase. Ha, portanto, um problema de calculo em relacao a utilidade das informacoes;

b) o emissor (ou redator, no caso do dicionario) dispoe de mais de um sistema semiotico para tornar compreensivel aquilo que nao foi entendido, e, dentro de um mesmo sistema semiotico, diversos recursos (como o vies extensional de uma definicao, por exemplo).

Dizer que a semantica e uma disciplina da linguistica que estuda o significado das palavras e correto, mas insuficiente para a lexicografia. Nesse ambito, ha pelo menos dois aspectos que sao tao importantes como a reflexao sobre a natureza do significado de um signo linguistico: (a) gerar um instrumento heuristico que permita acessar o significado e (b) tornar essa informacao acessivel ao usuario. Trata-se de objetivos complementares, mas claramente diferenciados. Em Mel'cuk (1984-1999), encontramos um dicionario cujo aparato heuristico permite oferecer um panorama exaustivo sobre o comportamento sintatico-semantico de alguns tipos de unidades lexicas da lingua francesa, mas que resulta muito complexo ate mesmo para o especialista, que, alias, constitui o seu publico-alvo. Diante disso, evidencia-se a necessidade de se oferecer uma informacao ainda mais acessivel quando o usuario e o publico geral, nao especializado. Em Buguefio Miranda e Farias (2006), por exemplo, demonstrou-se que muitos segmentos da microestrutura tem pouca ou, mesmo, nenhuma utilidade para o potencial consulente do dicionario. Em se tratando de um dicionario geral, a clareza das informacoes e um fator absolutamente central.

Um modelo semantico como mecanismo heuristico para apreensao e explicitacao do significado

No ambito das pesquisas sobre a definicao lexicografica, e recorrente o estabelecimento de correspondencias entre tecnica definitoria e teoria semantica (23). Sao duas as principais teorias semanticas que costumam servir de suporte para o desenvolvimento dos estudos sobre a definicao lexicografica: a primeira, de cunho estruturalista, corresponde a analise componencial do significado, e a segunda, localizada no ambito da linguistica cognitiva, e a semantica prototipica, ou mais especificamente, a teoria dos prototipos.

A analise componencial implica na decomposicao do significado em tracos semanticos distintivos, denominados semas (POTTIER, 1977). Tal analise e levada a cabo por meio da comparacao estabelecida entre os co-hiponimos e o hiperonimo, objetivando encontrar um conjunto de tracos com os quais se possa descrever cada um dos co-hiponimos, diferenciando-o dos demais (BUSSMANN, 1983, s.v. Komponentenanalyse; DUPUY-ENGELHARDT, 1995; HILTY, 1997; HARTMANN; JAMES, 2001, s.v. componential analysis). O significado de uma dada unidade lexica esta circunscrito a uma lingua funcional, (24) sendo determinado essencialmente pelos limites estabelecidos no interior do campo semantico correspondente, e nao pela referencia a entidade do mundo real designada pelo signo em questao (ENGELBERG; LEMNITZER, 2004).

A teoria dos prototipos, por sua vez, nasceu como uma reacao ao modelo das condicoes necessarias e suficientes. Os primeiros trabalhos de Eleanor Rosh, psicologa cujos estudos serviram de base para o desenvolvimento da teoria dos prototipos, procuraram demonstrar que as categorias nao sao compostas por membros detentores do mesmo status, como preconizava a teoria das condicoes necessarias e suficientes, mas, ao contrario, ha membros dentro de uma categoria que sao julgados como mais centrais que outros (25). Essa assimetria, chamada de efeito de centralidade ou de prototipicidade, pode ser exemplificada pela categoria mamffero, da qual vaca e cabra sao membros mais prototipicos do que baleia e morcego. O prototipo e, pois, o membro considerado como o mais representativo de uma categoria. Em se tratando de uma teoria baseada no experimentalismo psico-cognitivo, fica evidente que se extrapola o ambito estritamente linguistico (significado) e passa-se a esfera do conhecimento extralinguistico (referente). Dessa forma, a organizacao dos conceitos e de suas designacoes e feita com base na apreensao do mundo pelo individuo (HILTY, 1997; ENGELBERG; LEMNITZER, 2004).

Correspondencia entre teorias semanticas e tecnicas definitorias

A distincao entre a analise componencial, por um lado, e a teoria dos prototipos, por outro, refiete, em certa medida, a oposicao fundamental entre "significado" (linguistico) e "referente" (extralingui****stico). Essa oposicao fundamental, por sua vez, e a que rege as classicas distincoes realizadas entre "dicionario de lingua" e "dicionario enciclopedico", por um lado, e "definicao lexicografica" e "definicao enciclopedica", por outro (REY, 1977; HAENSCH et al., 1982; LANDAU, 2001; ENGELBERG; LEMNITZER, 2004).

A oposicao entre "significado" (linguistico) e "referente" (extralinguistico) tambem esta na base da distincao entre "intensao" (conjunto dos tracos semanticos distintivos que conformam o semema de uma dada entidade linguistica) e "extensao" (conjunto de entidades extralinguisticas designadas por um dado conceito). Em outras palavras, e possivel estabelecer uma relacao entre a analise componencial e uma "compreensao intensional do significado", bem como de uma relacao entre a teoria dos prototipos e uma "compreensao extensional do significado". Isso possibilita, pelo menos em um primeiro momento, estabelecer uma correspondencia entre a analise componencial e as definicoes por genus proximum + differentiae specificae, e entre a teoria dos prototipos e as whole-sentence defintions. (26)

Ressaltamos, no entanto, que nao e possiyel comprovar se a redacao das parafrases definidoras nos dicionarios esta, de fato, respaldada por uma teoria semantica. Em Farias (2009b), por exemplo, demonstrou-se que, pelo menos no que diz respeito a definicao dos substantivos, salvo pelo fato de que as wholesentence definitions apresentam-se formalmente como uma sentenca completa, nao ha uma grande diferenca entre o resultado final obtido pelo emprego de uma ou outra tecnica definitoria.

Os problemas encontrados nos dicionarios de lingua sao de duas ordens: (a)

de redacao das parafrases definidoras e (b) de insuficiencia do modelo semantico (caso tenha sido adotado um).

Problemas na formulacao das parafrases definidoras

No que concerne as definicOes por genusproximum + differentiae specificae, as falhas na formulacao decorrem da insercao inapropriada de informacoes enciclopedicas (relacionadas com a entidade extralinguistica) nas parafrases. Em muitos casos, essas informacoes sao completamente desnecessarias, ja que nao contribuem para ajudar o leitor a compreender o signifcado da unidade lexica definida, como nos exemplos a seguir. (27)

abacaxi [...] 1.Bras. Angol. Bot. Planta da familia das bromeliaceas (Ananas sativus), cultivada ou selvagem, cuja parte comestivel e infrutescencia carnosa resultante do crescimento e da coalescencia de toda a flor da inflorescencia. Tant infrutescencia como o aule encerram uma enzima roteolitica ue ode ter o mesmo emoprego que a papaina. [...]. (AuE, 2009, s.v. abacaxi).

fruit [...] 3 [...] Frui t (20) comestible, lorsqu'il est sucre, que l'on consomme generalemen au dessert, parfois comme accompagnement canard" l'orange, porc aux runeaux dinde aux marrons, etc. (PRobE, 2001, s.v. fruit).

Em relacao as whole-sentence definitions, estas, por sua vez, deveriam distinguir-se das definicoes analiticas nao somente por sua formulacao em forma de sentenca completa, mas tambem por apresentarem um vies extensional. O vies extensional pode transparecer atraves de uma indicacao de ordem pragmatica (28), ou da apresentacao de elementos prototipicos. Os elementos prototipicos, por sua vez, podem aparecer sob a forma de enumeracoes dos membros mais tipicos de uma categoria (29), ou ainda sob a forma de informacoes enciclopedicas, referentes a entidade extralinguistica (30). Assim, pois, em relacao as whole-sentence definitions, a principal falha detectada e a ausencia de elementos de carater extensional (ou prototipicos), quando estes poderiam ser perfeitamente empregados, ajudando na elucidacao do significado. Comparemos, por exemplo, duas definicoes de insect, retiradas de dois diferentes dicionarios da linha Collins COBUILD: (31)

insect [...] Ah insect is a small animal that has six legs. Most insects have wings. Ants flies butterflies and beetles are all insects. (CCLDe, 2003, s.v. insect).

insect [...] An insect is a small creature whit six legs. Most insects have wings. (CcLD, 2004, s.v. insect).

Ambas as definicoes compreendem pelo menos duas partes claramente distinguiveis: na primeira, apresentam uma parafrase que enumera os tracos intrinsecos a categoria definida, e, na segunda, apresentam um elemento virtuematico. Alem disso, a definicao oferecida em CCLDe (2003, s.v. insect) ainda apresenta uma terceira parte de carater extensional, onde sao listados os membros mais prototipicos da categoria. Esse terceiro elemento acrescido a defnicao e bastante importante para ajudar o consulente a entender o que e insect, podendo, inclusive, em se tratando da tecnica de redacao em questao, corresponder a definicao propriamente dita. O fato de que CCLDe (2003, s.v. insect) apresente esse elemento prototipico com sucesso na definicao poe em destaque a falha detectada em CcLD (2004, s.v. insect).

Limitacoes dos modelos semanticos (em relacao a elaboracao das parafrases definidoras)

Um modelo teorico, seja ele qual for, sempre aborda somente um aspecto de determinado problema, muito embora nao ignore os demais. A semantica estrutural, no ambito da qual tem lugar a analise componencial do significado, pretende ser uma teoria "limpa", ou seja, procura desconsiderar o referente (plano extralinguistico), para lidar apenas com o significado (plano linguistico). Dessa forma, de acordo Geeraerts (2001, p. 14), "[...] no ambito de uma concepcao estruturalista de semantica, isto [sc. o uso de elementos prototipicos nas definicoes] seria inadmissivel, porque esses elementos sao mais concernentes ao nivel enciclopedico do que ao nivel semantico." (32)

Segundo a concepcao saussuriana, o signo linguistico e uma uniao indissoluvel entre significante e significado (SAUSSURE, 2002). Em conformidade com Ogden e Richards (1956), um dos componentes do significado e, precisamente, o referente. Dessa forma, o triangulo basico proposto pelos referidos autores restitui ao signo linguistico algo que lhe e inerente.

Ullmann (1964) propos uma adaptacao na terminologia empregada por Ogden e Richards (1956), posto que, para ele, nao interessava a simbolizacao em geral, mas a definicao do significado das palavras. Assim, pois, sugere-se, em substituicao aos termos simbolo [symbol], pensamento/referencia [thought/reference] e referente [referent], utilizados por Ogden; Richards (1956), os termos nome [name], sentido [sense] e coisa [thing], respectivamente (ULLMANN, 1964). Ullmann (1964) alerta para o fato de que o linguista deve concentrar sua atencao no lado esquerdo do triangulo, ou seja, na relacao entre nome e sentido.

Por fim, Coseriu (2004a) distingue o que ele denomina "niveis de funcionalidade", "estratos do significar" ou "tipos de conteudo linguistico", que sao tres: "designacao", "significado" e "sentido". A distincao desses tres niveis de funcionalidade esta diretamente relacionada com a distincao dos tres niveis da linguagem, a saber, universal, historico e individual, tendo em vista que "A linguagem e uma atividade humana universalque se realiza individualmente, mas sempre segundo tecnicas historicamente determinadas ('linguas')." (COSERIU, 2004a, p. 91, grifo nosso). Assim, pois, a "designacao" corresponde ao nivel universal, o "significado", ao nivel historico, e o "sentido", ao nivel individual. A "designacao", de acordo com Coseriu (2004a), e a referencia a realidade, ou, dito de outra forma, a relacao estabelecida entre uma dada expressao linguistica e um "estado de coisas". Ja o "signifcado" corresponde ao conteudo de um signo delimitado no interior de uma determinada lingua. Por fim, o "sentido" e um conteudo linguistico particular, que se exprime em um texto particular e e determinado por meio de e alem da designacao e do significado. (33)

A fim de centrar a discussao no ambito da lexicografia, mencionamos a proposta de Rey (1977), que adapta o triangulo de Ogden e Richards (1956) a definicao. A partir do esquema proposto por Rey (1977), podemos inferir que, ao mesmo tempo em que a definicao lexicografica procura descrever um significado, ela tambem aponta, ainda que indiretamente, a um referente extralinguistico. Desse modo, e possivel afirmar que as definicoes formuladas intensionalmente a partir da soma dos semas que constituem o semema da unidade definida devem permitir reconhecer o referente no mundo extralinguistico. Cabe, por fim, salientar que, neste caso, o termo "extensao" esta atrelado a capacidade de reconhecer um dado objeto no mundo.

Nao obstante, ademais de poder ser evocado na correspondencia da parafrase com uma entidade extralinguistica, o referente ainda aparece algumas vezes de forma explicita nas definicoes. Alias, e preciso admitir que, em muitos casos, o uso de elementos extralinguisticos, seja na forma de enumeracoes, seja na forma de elementos virtuematicos ou enciclopedicos, pode ser uma valiosa ferramenta de auxilio a compreensao do significado. Em defesa desse argumento, citamos, por exemplo, Werner (1984), para quem a analise componencial como suporte teorico para a formulacao das parafrases definidoras, embora seja aplicavel de forma irrepreensivel em muitos casos, nao apresenta resultados satisfatorios em outros tantos. Isso, segundo o autor, deve-se ao fato de que algumas unidades lexicas sao extremamente dificeis ou, simplesmente, nao podem ser descritas por meio de expressoes linguisticas, razao pela 'qual algumas definicoes possuem elementos que correspondem ao conhecimento sobre a "coisa" (WERNER, 1984). Zgusta (1971, p.254-257), por sua vez, sustentava que as definicoes de termos tecnicos e unidades lexicas que designam plantas e animais, por exemplo, "[...] tendem a tomar-se enciclopedicas ou, ao menos, conter alguns elementos enciclopedicos." (34) A dificuldade de estabelecer uma separacao total entre significado e referente e apontada tambem por outros autores, a exemplo de Bosque (1982), Cruse (1988), Stati (1995) e Burke (2003).

Considerando, portanto, que uma definicao e bem sucedida na medida em que consegue ser suficientemente elucidativa para o consulente, o uso de elementos de carater extralinguistico nas parafrases por genus proximum + differentiae specificae, a nosso ver, e, multas vezes, inevitavel, como nos exemplos a seguir: (35)

muleta [...] 3 Taurom. Palo con un pano rojo sujeto a el por una de sus orillas, con el torero trastea al toro. (DUEe, 2001, s.v. muleta)

Obst [...] die mst sussen u. saftigen Fruchte (von Baumen u. Strauchem), die man (roh) essen kann, wie z.B. Apfel Bananen od. Pfirsiche [...] (LaGWDaF, 2008, s.v. Obst)

Por sua vez, no que diz respeito especificamente a aplicacao da teoria dos prototipos a tecnica das whole-sentence definitions, a analise realizada em Farias (2009b) permitiu-nos constatar duas restricoes fundamentais. Com relacao a representacao da prototipicidade atraves da enumeracao de membros da categoria definida, quanto mais hiperonfmica for a unidade lexica definida, mais facil sera gerar definicoes que apresentem um elemento prototipico. Consequentemente, quanto mais hiponimica for a unidade definida, mais improvavel sera gerar whole-sentence definitions com esta caracteristica. A comparacao das seguintes definicoes ilustra esse problema:

human being [...] A human being is a man, woman, or child. [...] (CCLDe, 2003, s.v. human being).

man [...] 1 A man is an adult male human being. [...] (CCLDe, 2003, s.v. man).

woman [...] 1 A woman is an adult female human being. [...] (CCLDe, 2003, s.v. woman).

child [...] 1 A child is a human being who is not yet ah adult. [...] (CCLDe, 2003, s.v. child).

Com relacao a representacao da prototipicidade atraves da indicacao de elementos virtuematicos e enciclopedicos, o sucesso desse procedimento esbarra nas limitacoes que a propria lingua impoe, dado que algumas palavras, por sua propria natureza, sao muito dificeis de definir. Landau (2001), por exemplo, aponta, entre outras, as unidades pertencentes a nomenclaturas (tais como soldado, cabo, sargento, tenente, capitao, major, coronel, general, marechal) como itens com os quais as whole-sentence definitions nao funcionam bem. A constatacao de Landau (2001) coincide, em parte, com os resultados obtidos em Beneduzi, Buguefio e Farias (2005), que apontam, alem das unidades lexicas que se incluem em taxonomias fechadas, os nomes de animais, plantas e frutos como palavras complicadas de definir, mesmo quando se trata de definicoes analiticas. Nesses casos, as parafrases geradas, desconsiderando o fato de que constituem uma oracao completa, sao (como nao poderiam deixar de ser) identicas as definicoes formuladas sob o principio de genus proximum + differentiae specificae:

apple [...] Ah apple is a round fruit with a smooth skin and firm white flesh. (CcLD, 2004, s.v. apple).

captain [...] 1 In the army, navy, and some other armed forces, a captain is an officer of middle rank. [...] (CCLDe, 2003, s.v. captain).

kilogram [...] A kilogram is a metric unit of weight. One kilogram is a thousand grams, and is equal to 2.2 pounds. (CcLD, 2004, s.v. kilogram).

A analise esbocada permitiu-nos chegar a seguinte sintese no que tange ao estabelecimento de uma correlacao entre teoria semantica e tecnica dennitoria:

a) a analise componencial, como teoria semantica subjacente a redacao das parafrases definidoras, nem sempre se revela suficiente. Na tentativa de elucidar o significado de uma palavra, o referente extralinguistico, em muitos casos, nao pode ser completamente ignorado. Em outras palavras, parece dificil estabelecer uma separacao radical entre significado e referente, ou entre plano linguistico e extralinguistico, quando se trata da geracao de parafrases definidoras;

b) a teoria dos prototipos, por sua vez, tampouco e capaz de resolver satisfatoriamente todos os problemas encontrados no momento de redigir as parafrases definidoras. Como vimos, ha um grande numero de palavras que, pela sua propria natureza, nao se deixam definir por meio de elementos prototipicos, de modo que, nesses casos, faz-se necessario recorrer a outros metodos definitorios.

Sendo assim, podemos assumir que uma correlacao entre teoria semantica e tecnica definitoria nem sempre e verificavel, isso por duas razoes:

i) muitas vezes, nao se nota uma preocupacao explicita da obra lexicografica em utilizar uma determinada teoria semantica para respaldar as suas decisoes metodologicas no momento de redigir as definicoes;

ii) mesmo quando e possivel identificar uma teoria semantica como base para a formulacao das definicoes, os resultados obtidos, pelas razoes expostas, nao sao completamente satisfatorios.

Consideracoes finais

A definicao lexicografica, conforme procuramos demonstrar, engloba diferentes aspectos, devendo, portanto, ser considerada sob diversos pontos de vista concomitantemente, a fim de que seja possivel apreende-la em sua totalidade.

O trabalho tinha como objetivo propor os principios que deveriam sustentar uma teoria da definicao lexicografica. Para tanto, em primeiro lugar, expusemos os parametros para uma classificacao das parafrases definidoras segundo a perspectiva do ato da comunicacao adotada e a metalinguagem empregada. A taxonomia proposta permitiu-nos refletir sobre a diversidade de mecanismos linguisticos (e, inclusive, nao linguisticos) que a (meta)lexicografia dispoe para a explicitacao do conteudo semantico das unidades lexicas. Em segundo lugar, formulamos modelos sintaticos para a redacao de parafrases em metalinguagem de conteudo e em metalinguagem de signo. As propostas, apesar de seu carater ainda experimental, possibilitaram oferecer uma visao geral acerca da necessidade de se gerar padroes distintos de redacao, tendo em vista nao somente as diferentes classes gramaticais, como tambem a natureza diversa das unidades lexicas dentro de uma mesma classe. Finalmente, em terceiro lugar, analisamos a possivel relacao entre tecnica definitoria e teoria semantica. A discussao realizada apontou indicios suficientes para fazer supor que, de fato, em alguns casos, existe uma correlacao entre uma teoria semantica e a tecnica definitoria empregada. Entretanto, nao e possivel comprovar essa afirmacao de forma incontestavel.

Em sintese, as questoes tratadas indicam que boa parte dos problemas relacionados com a definicao lexicografca carece de uma resposta minimamente satisfatoria. Isso decorre nao somente da ausencia, ate o momento, de uma teoria geral da definicao, mas tambem (e principalmente) da carencia de estudos sobre a natureza dos proprios signos linguisticos, o que e essencial para que se possa passar a descricao do seu (suposto) conteudo semantico. Dessa forma, poder-se-ia arriscar a dizer que o desenvolvimento de uma teoria da definicao lexicografica depende diretamente de um estudo acerca da natureza do significado das palavras, que, tradicionalmente, subdividem-se em lexicais e gramaticais (BUGUENO MIRANDA; FARIAS, 2010).

A obtencao de parafrases elucidativas depende, portanto, (a) da obediencia a determinados principios de formulacao e (b) da natureza do objeto definido. Diante disso, sustentamos que uma teoria da definicao lexicografica deveria desenvolver-se no marco de uma teoria geral dos mecanismos explanatorios. Isso viabilizaria prever mecanismos de explanacao do significado alternativos a parafrase definidora, como exemplos (FARIAS, 2008) e ilustracoes (FARIAS, 2010). Esses mecanismos alternativos poderiam ser empregados nos casos em que uma descricao linguistica, devido a natureza do objeto definido, nao consegue ser suficientemente elucidativa.

Agradecimentos

Parte deste trabalho e produto de um periodo de pesquisa junto ao Romanisches Seminar da Universidade de Heidelberg e financiada pelo Katholischer Akademischer Auslander-Dienst (Bonn/Alemanha). Agradeco, particularmente, ao Prof. Dr. Jens Ludtke pelo convite e pelas interessantes discussoes sobre teorias semanticas.

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Recebido em setembro de 2010.

Aprovado em novembro de 2010.

(1) A distincao entre semasiologia e onomasiologia fundamenta-se no ponto de partida do ato da consulta, o significante ou o significado, respectivamente (BALDINGER, 1985), e possibilita estabelecer uma oposicao entre dicionarios semasiologicos e onomasiologicos. Os dicionarios semasiologicos tem como principal caracteristica apresentar parafrases definidoras, enquanto os dicionarios onomasiologicos distinguem-se pelo estabelecimento de relacoes conceituais entre as palavras, a exemplo do thesaurus, dos dicionarios de sinonimos / antonimos, dos dicionarios pela imagem, ou mesmo dos dicionarios bilingues (HARTMANN; JAMES, 2001, s.v. semasiological dictionary, s.v. onomasiological dictionary).

(2) Confira Hausmann (1989); Landau(2001).

(3) Alguns desses trabalhos sao de Zgusta (1971), Pottier (1977), Haensch et al. (1982), Bosque (1982), Wemer (1984), Svensen (1993), Biderman (1993), Martinez de Souza (1995, s.v. definicion linguistica), Seco (2003), Geeraerts (2003) e Beneduzi, Buguefio e Farias (2005).

(4) Esta secao sintetiza o exposto em Buguefio Miranda (2009).

(5) Em conformidade com Hartrnann (2001) e seguindo a tendencia da metalexicografia europeia, em vez da Harvard Citation (autor, ano, pagina), usaremos abreviaturas para as citacoes de dicionarios.

(6) A definicao por meio de sinonimos e considerada um vicio por alguns autores, como, por exemplo, Martinez de Souza (1995, s.v. definicion linguistica) e Landau (2001).

(7) [Wiedergabe der Bedeutung eines sprachl. [sc sprachlichen] Ausdrucks durch einen anderen Ausdruck oder durch mehrere andere Ausdrucke derselben Sprache].

(8) A microestrutua dos dicionarios encontra-se formalmente segmentada em comentario de forma [Formkommentar e comentario semantico [semantischer Kommentar] (WIEGAND, 1989, p.434-440). O comentario de forma comporta informacoes relativas a representacao grafica e fonetico-fonologica do signolema, enquanto o comentano semantico abriga informacoes referentes ao significado (HAUSMANN; WIEGAND, 1989; BUOUEiNO MIRANDA, 2004).

(9) A literatura especializada oferece uma relacao bastante extensa de parafrases explanatorias que nao sao passiveis de classificacao de acordo com os parametms expostos anteriormente (BOSQUE, 1982; SCHLAEFER, 2002). Alguns exemplos sao as parafrases meronimicas, as antonimicas, as seriais, as mistas, as estipulativas, as taxonomicas e as morfossemanticas (BUGUENO MIRANDA, 2009).

(10) Ha casos em que o adjetivo pode servir como atributo para toda urna classe, de forma que a atribuicao pode ser expressa pelos vocabulos algo ou alguem, como e o caso, por exemplo, de bonito. Existem outros adjetivos, porem, que nao podem ser atributos de qualquer substantivo, mas apenas de alguns com caracteffsticas semanticas especlficas, como e o caso de prefiada (cuja definicao foi apresentada anteriormente), que pode caracterizar apenas seres vivos do sexo feminino. A essa indicacao da classe ou grupo de substantivos aos quais os adietivos podem servir de atributos, chamamos "restncao de atribuicao".

(11) Uma breve taxonomia dos principais problemas redaeionais encontrados nas parafrases definidoras e apresentada por Buguefio Miranda e Farias (2009).

(12) A respeito dos padroes redacionais aplicados as whole-sentence definitions, confira Hanks (2003) e Rundell (2008).

(13) Trataremos dos substantivos concretos definNeis em metalinguagem de signo a seguir.

(14) As definicoes apresentadas dentro dos retangulos foram criadas ad hoc para este trabalho.

(15) A incoacao indica mudanca de estado e, consequentemente, comeco de um novo estado (TRAVAGLIA, 1981). Por essa razao, o aspecto incoativo, muitas vezes, confunde-se com o inceptivo, que e caracterizado por apresentar a situacao em seu ponto inicial ou seus primeiros momentos (TRAVAGLIA, 1981).

(16) De acordo com Travaglia (1981), o aspecto cursivo caracteriza-se pela apresentacao da situacao em pleno desenvolvimento, ou seja, ja tendo passado seus primeiros momentos, mas sem, contudo, ter atingido seus ultimos momentos.

(17) De acordo com Travaglia (1981, p.48-49), e possivel encontrar dois tipos de resultatividade: a "resultatividade 1" ou "permansividade", que indica um estado resultante de uma situacao dinamica que ja foi conclulda, e a "resultatividade 2", que indica a conclusao de uma situacao, ao se atingir o seu ponto terminal.

(18) Sobre a distincao estabelecida entre exemplos para a compreensao (que cumprem a funcao de tentar tomar mais clara a significacao) e exemplos para a producao (que cumprem a funcao de apresentar o contexto sintatico da unidade defnida), confira Farias (2008).

(19) Em Beneduzi, Buguefio e Farias (2005), define-se contorno como um elemento que nao faz parte da definicao propriamente tal, mas que e fundamental para a sua inteligibilidade. Tais elementos desempenham uma funcao semantica na parafrase definidora. Em Seco (2003), por outro lado, o termo contorno fica restrito a marcacao das valencias, apresentando carater eminentemente sintatico.

(20) O modelo sintatico das parafrases de verbos transitivos e igualmente aplicavel a verbos que exigem complemento circunstancial.

(21) A indicacao do sujeito deve ser feita apenas quando este se limita a uma unica entidade. Um exemplo sena o verbo prevaricar, em espanhol. Para esse verbo, DUEe (2001, s.v. prevaricar, ac.2) oferece a definicao "Faltar un empleado pubbco a la justicia en las resoluciones propias de su cargo, conscientemente o por ignorancia inexcusable", na qual o segmento "un empleado publico", embora nao apareca marcado, corresponde a indicacao do sujeito.

(22) Em razao do espaco, nao serao tratados os problemas e solucoes para os padroes sintaticos das parafrases de conjuncOes, preposicoes, artigos, pronomes e interjeicoes, classes gramaticais que requerem, via de regra, definicoes em metalinguagem de signo.

(23) A esse respeito, confira Weinnch (1979), Hartmann e James (2001, sv. definition style) e Engelberg e Lemnitzer (2004).

(24) Lingua funcional e uma vanedade interna da lingua historica, delimitada diacronica (variacao no decorrer do tempo), diatopica (variacao no espaco geografico), diastratica (variacao de estratos socio-culturais da comunidade Imgufstica, o que inclui as girias, por exemplo) e diafasicamente (variacao nos niveis de fala, como por exemplo, coloquial, familiar, literario, poetico). A esse respeito, confira Coseriu (1967, 2004b).

(25) Uma sintese das pesquisas realizadas por Eleanor Rosch e apresentada em Lakoff (1990).

(26) A titulo de ilustracao, poder-se-ia comparar as definicoes de candy em OALD (2005) e em CCLDe (2003) apresentadas anteriormente. A pnmeira corresponde a uma formulacao por genus proximurn + differentiae specificae, e a segunda, a uma whole-sentence definition.

(27) Os grilos sao nossos.

(28) Por exemplo, em "polite [...] 2 You can refer to people who consider themselves to be socially superior and to set standards of behaviour for everyone else as polite society or polite company." (CCLDe, 2003, s v. polite).

(29) Por exemplo, em "sweet [...] 2 Sweets are small sweet things such as toffees, chocolates, and mints. [...]" (CCLDe, 2003, s.v. sweet).

(30) Por exemplo, em "soap [...] 1 Soap is a substance that you use with water for washing yourself or sometimes for washing clothes." (CCLDe 2003, s.v. soap).

(31) Os grifos sao nossos.

(32) [Within a structuralist conception of semantics, this [sc. o uso de elementos prototipicos nas definicoes] would be inadmissible, because these elements belong to the ' encyclopedic' level rather than the semantic level].

(33) Para um aprofundamento da discussao acerca desse problema, confira tambem Matus (1993), Vega (1993) e Casas Gomez (1995, 2002).

(34) [tend to become encyclopedic, or at least to contain some encyclopedic elements].

(35) Os grifos sao nossos.

Felix BUGUENO MIRANDA, UFRGS--Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Letras--Departamento de Linguas Modemas. Porto Alegre--RS--Brasil. 91540-000--felixv@uol.com.br.

Virginia Sita FARIAS, UFRGS--Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Letras--Departamento de Linguas Modernas. Porto Alegre--RS--Brasil. 91540-000--virginiafarias@terra.com.br. Bolsista de doutorado CNPq.
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Title Annotation:ARTIGOS ORIGINAIS
Author:Bugueno Miranda, Felix; Farias, Virginia Sita
Publication:Alfa: Revista de Linguistica
Date:Jan 1, 2011
Words:12022
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