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Preposicoes mais gramaticalizadas em dicionarios escolares.

Introducao

Foram escolhidos tres dicionarios escolares, identificados aqui pelos codigos (1), (2) e (3), que sao dicionarios padrao (de referencia) de pequeno porte (mini-dicionarios), que se mostram preocupados em retratar o portugues contemporaneo do Brasil, em linguagem acessivel aos alunos e com explicacoes claras e adequadas a um publico escolar. Os dicionarios escolares foram escolhidos aleatoriamente, porque assumimos, num primeiro momento, que os dicionarios forneceriam definicoes similares. No entanto, logo sera notado que o dicionario (1) nao apresenta entradas para as preposicoes de e para, o que pode ser explicado pelo fato de se tratar de um mini-dicionario, em que o volume do dicionario regular foi aleatoriamente reduzido. Ademais, percebemos que as definicoes das preposicoes nao sao similares nos tres dicionarios. Foram consultadas as seguintes preposicoes: a, (tambem a), ante, apos, ate, com, contra, de, desde, em, entre, para, (per quando constava), perante, por, sem, sob, sobre, tras, alem da definicao do termo preposicao. Notamos que ha uma disparidade de tratamento que os dicionarios escolares dispensam as preposicoes mais gramaticalizadas e as menos gramaticalizadas e concentramos a atencao nas definicoes de seis preposicoes mais gramatilizadas (a, com, de, em, para e por), que foram contrastadas nos tres dicionarios. Usaremos a lingua falada como parametro e fonte para a criacao de exemplos no corpo deste artigo, porque acreditamos que um dicionario escolar, apesar de fazer referencia a norma padrao, deve ser util aos falantes da lingua portuguesa.

Por estar inserido no campo da Sociolinguistica, este estudo tem como objetivo observar a variacao existente entre as definicoes de preposicoes encontradas nos diferentes dicionarios, alem da variacao de tratamento que os tres dicionarios dao as preposicoes mais gramaticalizadas e menos gramaticalizadas. Esta ultima variacao e observavel gracas a Hipotese da Gramaticalizacao, a principio uma abordagem diacronica, que e adotada aqui sob a perspectiva sincronica.

Os graus de gramaticalizacao das preposicoes serao discutidos na primeira secao, as definicoes das preposicoes menos gramaticalizadas encontradas nos tres dicionarios sao apresentadas na segunda secao, e as definicoes das preposicoes mais gramaticalizadas, que sao o foco deste artigo, sao disutidas na terceira secao. Na quarta secao, o conteudo semantico de todas as preposicoes analisadas ate o momento e discutido e na secao seguinte o carater normativo dos dicionarios e abordado. Concluimos este estudo na sexta secao.

1. Graus de gramaticalizacao

Adotamos a Hipotese da Gramaticalizacao para explicar as variacoes sincronicas no interior da classe das preposicoes, que, a despeito da classificacao da gramatica tradicional, se apresenta como uma classe pouco homogenea. Podemos entender, atraves da nocao de gramaticalizacao, que as preposicoes da lingua portuguesa apresentam comportamentos semantico, morfologico e sintatico variados, conforme o grau de gramaticalizacao de cada uma. Acreditamos que o estabelecimento do grau de gramaticalizacao das preposicoes da lingua portuguesa seja uma questao de gradiencia, nao de categoria. Entendemos que as preposicoes podem ser dispostas num continuum com dois polos. Um polo e o da gramaticalizacao menos avancada e o polo oposto e o da gramaticalizacao mais avancada. As preposicoes analisadas aqui se dispoem entre estes dois polos, no continuum. Os criterios, segundo Kleppa (2005), para verificar o grau de gramaticalizacao das preposicoes sao: (a) frequencia, (b) distribuicao, (c) conteudo semantico e (d) possibilidade de amalgama com outros itens linguisticos.

(a) As preposicoes que estao definidas no dicionario nao possuem a mesma frequencia e distribuicao na lingua portuguesa. Tras, ante e per nao sao mais usadas na lingua corrente. Segundo Castilho et al. (a sair), em que se tomou o corpus minimo compartilhado do NURC (Norma Urbana Culta, um grande projeto de coleta de dados de fala realizado em cinco capitais brasileiras) como referencia, podemos gerar o grafico abaixo. As preposicoes mais frequentes sao as mais gramaticalizadas:

[GRAPHIC 1 OMITTED]

(b) Quanto a distribuicao, podemos afirmar que apos, ate, contra, desde, entre, perante, sem, sob e sobre sao sempre introdutoras de adjuntos, nunca de argumentos (1) do verbo, justamente porque nao contribuem para a formacao da carga semantica de um verbo (por exemplo, mandar em alguem, em que a preposicao esta integrada ao verbo). Ja as preposicoes mais gramaticalizadas podem funcionar como introdutoras de adjuntos e argumentos de verbos. Esta capacidade de figurar em variados contextos sintaticos pode ser chamada de extensao ou generalizacao contextual e e caracteristica das preposicoes mais gramaticalizadas. Sua alta frequencia se deve ao fato de serem empregadas em contextos sintaticos variados: tanto como introdutoras de argumentos como de adjuntos do verbo.

(c) As preposicoes mais gramaticalizadas nao possuem um unico conteudo semantico, porque tiveram parte de seu conteudo semantico alterado. O significado primario que aponta para recortes espaciais foi enfraquecido e outros valores (tempo, modo e outros, como veremos) foram agregados a carga semantica da palavra que foi deixando de ter um peso marcadamente lexical para assumir um carater funcional na lingua. Por exemplo, o valor semantico da preposicao menos gramaticalizada ate esta sempre relacionado a ideia de limite, tanto em "Vou ate a parede e volto" (espaco: limite) como em "Se ele nao voltar ate amanha, vou la busca-lo" (tempo: limite). Temos aqui uma forma com um significado, nao importa em que contexto (espaco ou tempo). Nao podemos afirmar o mesmo para preposicoes altamente gramaticalizadas, como por exemplo, de: "Vim de Caruaru" (espaco: origem) e "Sai de noite" (tempo: especificacao de um periodo). Qual e o valor semantico de de em: "Gosto de caminhar" ou "Ela nao cuida bem das plantas"? Em outras palavras, quanto mais especifico for o valor semantico de uma preposicao, mais proxima ela esta de um item lexical, portanto esta menos gramaticalizada que as outras preposicoes.

(d) As preposicoes mais gramaticalizadas podem ser amalgamadas a outras palavras (a + a = a, a + o = ao, de + a = da, de + aqui = daqui, em + o = no, em + ele = nele, por + o = pelo, e assim por diante; sendo que na oralidade temos ainda com + a = cu'a e para + o = pro). Trata-se de preposicoes que podem sofrer erosao (perda de material fonetico). Apenas as preposicoes a, com, de, em, para e por podem ser amalgamadas com outros itens linguisticos.

Tendo isso em mente, podemos chegar a dois grupos de preposicoes:

1. as menos gramaticalizadas (ante, apos, ate, contra, desde, entre, per, perante, sem, sob sobre e tras);

2. as mais gramaticalizadas (a, com, de, em, para e por).

Antes de contrastarmos os tratamentos que os dicionarios escolares dispensam as preposicoes mais e menos gramaticalizadas, passemos ao exame das definicoes das preposicoes menos gramaticalizadas encontradas nos dicionarios consultados.

2. Definicoes de preposicoes menos gramaticalizadas nos dicionarios escolares

Os numeros entre parenteses na extremidade direita indicam o dicionario escolar do qual as definicoes foram retiradas:

an.te, prep. Diante de; em presenca de; perante; por efeito de. Como prefixo, e unido por hifen quando o vocabulo a que se liga comeca por h, r ou s. (1)

an.te prep. 1. Na presenca de; 2. Por efeito de; 3. Diante de. (2)

ANTE, prep. Diante de; adv. Antes. (Como prefixo, entra na composicao de varias palavras, sendo unido por hifen quando o vocabulo a que se liga comeca por h, r ou s: ante-historico, ante-rosto, ante-sala.) an.te (3)

a.pos, prep. Depois de; em seguimento de; atras de; adv. depois. (1)

a.pos prep 1. Depois de, atras de; adv 2. depois, em seguida. (2)

APOS, prep. Depois de; atras de; adv. depois. a.pos (3)

a.te, prep. Expressa limite de tempo, espaco, lugar, acoes etc; adv. tambem, ainda. (1)

a.te prep 1. Indica limite de tempo, espaco, acao ou quantidade; adv 2. tambem, mesmo, ainda. (2)

ATE, prep. Indica um limite de tempo, no espaco ou nas acoes; adv. ainda, tambem, mesmo. a.te (3)

con.tra, prep. Em oposicao a; em contradicao; em direcao oposta de. (1)

con.tra prep 1. Em oposicao a; 2. em contradicao com; 3. em direcao oposta a de; 4. em frente de; 5. encostado a; 6. obstaculo; 7. objecao; adv 8. contrariedade. (2)

CONTRA, prep. Em oposicao a, em direcao oposta a de; em frente de; adv. contrariamente a. con.tra (3)

des.de, prep. A partir de, a comecar de. (1)

des.de prep 1. A comecar de; 2. a partir de; 3. a contar de. (2)

DESDE, prep. A comecar de; a partir de; - ja, loc. adv.: desde este momento; doravante; agora; neste momento; - logo, loc. adv.: desde este ou aquele momento; - que, loc. conj.: visto que; uma vez que. des.de (3)

en.tre, prep. No meio de; no espaco de. (1)

en.tre prep 1. No meio de; 2. no intervalo de; 3. em numero de. (2)

ENTRE, prep. No meio de; no intervalo de; no numero de; dentro de. en.tre (3)

per prep ant 1. Por; loc adv 2. de per si: cada um por sua vez; isoladamente. (2)

PER, prep. (ant.) Por; de - si: cada um por sua vez; isoladamente. per (3)

pe.ran.te, prep. Na presenca de; diante de; ante. (1)

pe.ran.te prep Diante de; na presenca de. (2)

PERANTE, prep. Na presenca de; diante de; ante. pe.ran.te (3)

sem, prep. Indica ausencia, falta etc. (1)

sem prep Designa falta, exclusao, ausencia, excecao, condicao. (2)

SEM, prep. Indica falta, exclusao, ausencia, condicao, excecao. sem (3)

sob, prep. Debaixo de; ao abrigo de. (1)

sob prep Debaixo de. (2)

SOB, prep. Debaixo de; no tempo ou governo de. sob (3)

so.bre, prep. Na parte superior de; em cima ou para cima de; atras de; acerca de; depois de; em consequencia de. (1)

so.bre (o) prep 1. Na parte superior de; 2. em cima de; 3. na superficie de; 4. alem de; 5. a respeito de. Cf sobre, do v sobrar. (2)

SOBRE, prep. Na parte superior de; em cima ou para cima; em consequencia de, conforme; em nome de; a respeito de. so.bre (3)

tras, prep. Atras, detras, apos. (1)

tras prep 1. Atras; interj 2. termo que designa pancada ruidosa. (2)

TRAS, prep. e adv. Atras, apos. tras (3)

Sublinhadas estao todas as definicoes que se restringem a traducoes da preposicao por locucoes prepositivas ou outras preposicoes (sublinhadas e em italico). Outras preposicoes foram mobilizadas para definir as preposicoes ante (no dicionario (1)), perante (no dicionario (3)), per (nos dicionarios (2) e (3)) e tras (nos dicionarios (1) e (3)). E possivel interpretar este fato como uma substituicao das preposicoes que ja nao sao mais usadas na linguagem corrente por outras, que fazem parte dos usos cotidianos.

Note-se que apenas as preposicoes ate e sem nao sao definidas atraves de outras preposicoes ou locucoes prepositivas. Estas duas preposicoes tem seu valor semantico explicado.

Nao era esperado que os dicionarios apresentassem informacoes acerca da distribuicao e frequencia, ou possibilidade de amalgama com outros itens linguisticos, mas que se concentrassem na explicitacao do valor semantico das preposicoes. E justamente isso que nao acontece com as preposicoes menos gramaticalizadas (exceto com ate e sem).

3. Definicoes das preposicoes mais gramaticalizadas nos dicionarios escolares

O dicionario (1) nao define a como sendo uma preposicao:

a, s.m. Primeira letra do alfabeto. Corresponde ao alfa grego, ao alef semita. Em musica representou a nota la e em quimica e o simbolo do argonio. (1)

a sm 1. Primeira letra do alfabeto; num 2. o primeiro da serie indicada pelas letras do alfabeto; art def 3. fem de o; pron pess 4. obliquo atono, fem de o; pron dem 5. fem de o; aquela; prep 6. exprime variadas relacoes: movimento, tempo, fim, distancia, meio, extensao, modo, preco, etc. (2)

A, s.m. Vogal oral, primeira letra do alfabeto; corresponde ao alfa grego; art. def. fem. de o; pron. pess. da 3a. pessoa do sing., fem., caso obliquo: encontrou-a; pron. dem., equivalente a aquela: era a que faltava; prep. indica numerosas relacoes, como lugar (Fui a Maceio.) etc. Simbolo do ampere. (3)

Sublinhadas estao as definicoes equivalentes nos dicionarios consultados. E de se notar que nao estamos mais diante de definicoes que se utilizam de locucoes prepositivas ou outras preposicoes, mas de explicacoes que levantam os tipos de relacao que a preposicao em questao pode estabelecer. Estas definicoes nao sao, contudo, satisfatorias.

A mesma relacao que o dicionario (3) apresenta sob o designativo lugar pode ser encontrada no dicionario (2), correspondendo a diferentes recortes espaciais: movimento, distancia, extensao. Ambas as listas de relacoes que a preposicao pode estabelecer sao potencialmente infinitas, ja que parecem nao descrever um inventario fechado de relacoes (terminam em "etc."). Nao esta claro o que significam as relacoes de meio e fim. Trata-se de valores semanticos que podemos retracar em "Comeco, meio e fim", ou em "meio de transporte", ou ainda "estou meio triste"? A relacao de fim talvez possa ser identificada na expressao

1) Fadado ao fracasso.

Exemplos seriam bem-vindos, para que o aluno entendesse o que estes rotulos significam. Esta falta de exemplos se torna gritante quando as definicoes sao baseadas em exemplos que nao sao explicitados. Quando o dicionario (2) define que uma das relacoes que a preposicao a pode estabelecer e a de preco, entao esta partindo de um exemplo equivalente a

2) Comprei bananas a um real.

O mesmo se aplica a categoria modo: o aluno precisa construir exemplos como

3) Estou bem a vontade

4) Caminhava a passos lentos para entender como esta preposicao pode estabelecer relacoes de modo ou preco.

Quanto a morfologia, podemos observar que os dicionarios registram, num verbete a parte, a possibilidade da contracao da preposicao a com outro item linguistico:

a, Contracao da prep. a com o pron. dem. ou o art. a. Ex: Vou a rua. (1)

a contr da prep a com o art def a ou com o pron dem a. (2)

A, contr. da prep. a com o art. ou pron. a; a craseado. Ex: Vou a cidade (vou para a cidade). (3)

Neste caso, ha exemplos que ilustram a informacao gramatical apresentada. Notaremos que a possibilidade de amalgama da preposicao com outros elementos nao sera abordada nos verbetes das outras preposicoes. Seguindo a ordem alfabetica, nos deparamos com a preposicao com:

com, Preposicao que indica: ligacao, companhia; modo, uniao etc. (1)

com prep Indica diversas relacoes: companhia, instrumento, modo, ligacao, causa. (2)

COM, prep. Indica diferentes relacoes: companhia; instrumento etc. com (3)

Apenas a lista de relacoes do dicionario (2) representa um inventario fechado das diversas relacoes que esta preposicao pode estabelecer, as outras duas terminam em "etc". Apenas a relacao de companhia e recorrente em todas as definicoes, as restantes (modo, uniao, instrumento, ligacao, causa) nao figuram simultaneamente nos tres dicionarios consultados. E exigido do aluno o esforco de imaginar exemplos que se encaixem nas definicoes fornecidas pelos dicionarios. Seguindo o mesmo frame usado para chegar a um exemplo de modo com a preposicao a, um exemplo para modo poderia ser

5) Caminhava com passos lentos, mas nao

6) * Estou bem com a vontade.

Exemplos para ilustrar a categoria causa poderiam ser:

7) Nao da mais pra ver o mar com tanto predio que tem na frente

8) A bicicleta enferrujou com a chuva.

Contudo, e pouco provavel que o aluno chegue a criar exemplos como estes. Na sequencia, temos a preposicao de:

de prep Indica varias relacoes: posse, lugar, proveniencia, modo, tempo, situacao, causa, instrumento, dimensao, etc. (2)

DE, prep. Designativa de diferentes relacoes, como de posse, lugar, modo, causa, tempo, dimensao, origem, materia, conteudo. de (3)

As definicoes centram-se no valor semantico da preposicao, mas nao sao exaustivas, como indica o "etc". E de se notar que, alem de uma lista de relacoes ser potencialmente infinita e a outra ser circunscrita a nove tipos de relacao, quatro tipos de relacao nao sao compativeis nas duas listagens: situacao e instrumento nao sao correspondentes a materia e conteudo, ou seja, sao tipos de relacao nao previstas por ambos os dicionarios. Ademais, nao esta suficientemente claro o que significa uma preposicao que indica relacao de situacao ou como a preposicao de pode expressar relacoes de conteudo ou mesmo instrumento. Para se chegar a essas definicoes, e preciso ter um exemplo em que a preposicao de possa estabelecer a relacao de situacao, instrumento ou conteudo. Exemplos para ilustrar a categoria causa podem ser criados pelo aluno a partir do frame utilizado para o mesmo tipo de relacao quando tratamos da preposicao com:

9) Nao da mais pra ver o mar, de tanto predio que tem na frente mas nao

10) * A bicicleta enferrujou da chuva.

E preciso criar outros exemplos que ilustrem a relacao de causa para a preposicao de:

11) Morreu de velho

Seguindo, nos deparamos com a preposicao em:

em, prep. Exprime relacoes de lugar, tempo, modo, duracao, meio, fim etc. (1)

em prep Exprime ideia de estado ou qualidade, fim, forma ou semelhanca, lugar, meio, modo, sucessao, tempo. (2)

EM, prep. Indica lugar, tempo, modo, causa e outras relacoes entre as palavras a que se junta. (3)

Note-se que os tipos de relacao estabelecidos pela preposicao em descritos no primeiro e terceiro dicionario sao potencialmente infinitos, ao passo que a lista do segundo dicionario e um inventario fechado. Da definicao do segundo dicionario podemos depreender que a propria preposicao tem valor semantico de estado ou qualidade, fim, forma ou semelhanca, lugar, meio, modo, sucessao ou ainda tempo, e nao e mais apontado para o fato da preposicao estabelecer relacoes entre termos. Ainda na definicao do segundo dicionario, as classificacoes de meio, fim, estado ou qualidade, forma ou semelhanca sao altamente vagas, e a classificacao de sucessao pode ser inserida tanto em tempo como em lugar. Encontramos esse mesmo tipo de classificacao no dicionario (1), em que duracao esta subentendida em tempo. O aluno precisa gerar exemplos para entender como a preposicao em pode estabelecer relacoes de modo:

12) Comemos em silencio.

Apesar da relacao de modo ser a mesma que a que foi usada para as preposicoes a e com, podemos notar que as preposicoes nao sao intercambiaveis quando exprimirem esta relacao:

13) * Caminhou em passos lentos

14) * Estou bem na vontade

O consulente esta bastante desamparado na criacao de um exemplo em que em possa expressar uma relacao de causa, como indica o dicionario (3). Os exemplos que se enquadravam nas relacoes de causa para as outras preposicoes nao servem aqui:

15) * Morreu em velho

16) * Nao da mais pra ver o mar, em tanto predio que tem na frente

17) * A bicicleta enferrujou na chuva.

Igualmente complicada e a criacao de exemplos em que se possa evidenciar a relacao de fim. Como ja foi questionado na analise da preposicao a, nao esta claro se fim e relativo a uma direcao espacial, ou se esta ligado a finalidade. O exemplo que servira para a nao e adequado aqui:

18) * Fadado no fracasso.

Passemos a preposicao para:

pa.ra prep 1. Exprime varias relacoes, como fim, direcao, destino, lugar, proporcionalidade, tempo, etc.; loc conj 2. para que: a fim de que. (2)

PARA, prep. Designativa de direcao, fim, destino, lugar, proporcionalidade, tempo etc. pa.ra (3)

Pela primeira vez ha uma compatibilidade entre as definicoes das diferentes relacoes que uma mesma preposicao pode estabelecer. No entanto, no dicionario (3) nao ha referencia as relacoes que a preposicao estabelece, as classificacoes sao aplicadas diretamente a palavra para, como se para tivesse o sentido intrinseco de direcao, fim, destino, lugar, proporcionalidade, tempo etc. Os termos direcao, destino e lugar sao apenas recortes diferentes de espaco, e poderiam ser substituidos pelo hiperonimo. Novamente estamos diante da classificacao fim e nao sabemos se ela se refere a espaco ou finalidade, mas podemos aceitar a construcao

19) Fadado para o fracasso

A relacao de proporcionalidade somente sera expressa quando houver um contexto especifico que permita esta interpretacao: X estar para Y. Nao podemos, no entanto, admitir que a preposicao estabeleca a relacao de proporcionalidade, porque e a estrutura fixa de X esta para Y que engendra o sentido de proporcionalidade.

A ultima preposicao a ser examinada e por:

por, prep. Designativa de diversas relacoes, entre elas, meio, causa, qualidade, lugar etc. (1)

por prep indicativa de numerosas relacoes: de tempo (chegou por ocasiao da colheita); de modo (faco-o por prazer); de divisao (divida o total por cinco); de lugar (passarei por Campos); de preco (comprou por cem reais), etc. Cf por. (2)

POR, prep. Designativa de diversas relacoes (de meio, causa, qualidade, lugar, modo, estado, preco, tempo etc.); - entre: atraves de. por (3)

Os tres dicionarios nao limitam o inventario de relacoes que a preposicao por pode estabelecer, pois todas as definicoes terminam com "etc". Com surpresa notamos que apenas uma classificacao (lugar) de tipos de relacao que a preposicao por pode estabelecer e equivalente nos tres dicionarios. Como expressar a relacao de qualidade (como indicam os dicionarios (1) e (3)) atraves da preposicao por? A ideia de divisao encontrada no dicionario (2) e apenas expressada pelo verbo dividir, ao qual a preposicao pode se ligar. Lendo a definicao do dicionario (2), o aluno consegue perceber o que e uma relacao de preco, que tinha sido questionada na ocasiao em que a preposicao a foi analisada. Novamente o dicionarista parte de um exemplo de uso para definir o valor semantico de uma preposicao:

20) Comprei bananas por um real

mas podemos pensar ainda em outros exemplos:

2) Comprei bananas a um real

21) Comprei bananas de um real

E possivel que o uso frequente de a e por nestes contextos em que o preco de um produto e anunciado tenha se cristalizado de tal forma que se tenha a impressao de que as preposicoes exprimem relacoes de preco. Se as sentencas a seguir sao possiveis, por que entao nao falamos da relacao de preco que as preposicoes de e em podem estabelecer?

22) Comprei um real de chicletes.

23) Comprei um real em chicletes.

24) Quanto voce pagou na sua bicicleta?

4. Conteudo semantico das preposicoes

Os dicionarios escolares registram, antes de mais nada, a carga semantica das palavras. Todas as preposicoes analisadas ate o momento, exceto o par com e sem, marcam relacoes de espaco (tempo (e modo (2))). Quando elas marcam relacoes de espaco, elas recortam o espaco de uma maneira peculiar, de modo que, se trocarmos uma por outra, teremos sentidos diferentes. Os dicionarios escolares nao explicitam que recorte do espaco e feito por quais preposicoes, e quando definem que determinada preposicao estabelece relacoes de espaco, apostam na intuicao do falante, que precisa mobilizar seus conhecimentos linguisticos para determinar quais recortes de espaco estao sendo feitos:

24) Cheguei a Recife

25) Cheguei em Recife

26) Cheguei de Recife

27) Cheguei por Recife

Vimos acima que cada preposicao pode apontar para um valor semantico, mas ha casos em que duas preposicoes podem apontar para o mesmo tipo de relacao, sendo que a mesma relacao pode ser expressa por duas formas concorrentes, como por exemplo:

a relacao de fim em 1) e 19): Fadado a/ para o fracasso

a relacao de preco em 2) e 20): Comprar bananas a/ por um real

a relacao de modo em 4) e 5): Caminhava a/ com passos lentos

a relacao de causa em 7) e 9): Nao da mais pra ver o mar com/ de tanto predio quem tem na frente

a relacao de espaco em 24) e 25): Cheguei a/ em Recife

Temos entao duas preposicoes altamente gramaticalizadas para o mesmo tipo de relacao. Isto nao significa que estas preposicoes mais gramaticalizadas perderam seu valor semantico; pelo contrario: assumiram tantos, que e dificil delimitar seu conteudo semantico. Este talvez seja um dos motivos que leva alguns dicionaristas a encerrarem suas listas de definicoes de preposicoes com o etc.

5. O dicionario como instituicao normativa

Assumimos que o dicionario seja, assim como a gramatica, um orgao regulador da linguagem. Autores como Barros (1999, 2000), Aleong (2002) e Rey (2002) concentram-se na descricao do discurso criado pelas gramaticas e dicionarios para instruir seus usuarios na arte de usar bem a linguagem:

O dicionario produz, na nossa sociedade, certos efeitos de sentido bem conhecidos: de lista, inventario ou registro do saber linguistico de uma sociedade; de discurso competente sobre a lingua; de discurso anonimo da coletividade; de neutralidade e imparcialidade proprias da "objetividade" do saber, isto e, de que esta fora do alcance das determinacoes socio-historicas e ideologicas; de ter o papel normativo de legitimizar ou de referendar os usos linguisticos aceitos e prestigiados em uma sociedade e de regulamentar a manutencao e a mudanca linguistica. (BARROS, 2000, p. 76)

(...) A modalizacao pelo ser, ou modalizacao de existencia do objeto, e a estrategia mais forte para o estabelecimento da norma, pois produz os efeitos de sentido de "naturalizacao" ou de "normalizacao, ou seja, de uso "natural" ou "normal" da lingua: a lingua e assim, o uso e aquele que esta sendo mostrado. A norma explicita ou culta nao se apresenta, portanto, como uma norma entre outras, mas como a norma, ou a norma propria da lingua. Essa estrategia e a mais empregada nos dicionarios, em que se produzem os efeitos de sentido ja mencionados, de neutralidade e imparcialidade. (BARROS, 2000, p. 85-86, grifos originais).

Este discurso normativo e tambem descrito por Rey (2002):

Para informar os falantes de seus julgamentos e de suas decisoes, para formula-los, comenta-los, a norma prescritiva sustenta um certo tipo de discurso. Discurso regulado pela natureza de seu objetivo: avaliacao critica e condenacao eventual dos outros discursos - que sao tambem o discurso do Outro - e, menos francamente, juizo de valor hierarquizando os usos e, atraves deles, os usuarios. Discurso definitorio pois, rejeitando uma parte dos usos da comunidade, ele delimita um objeto (...). (REY, 2002, p. 133).

Faulstich (1998) discute questoes de planejamento linguistico, envolvendo dicionarios:

A adocao da NGB, a publicacao de obras que adotaram a NGB, principalmente gramaticas, e a edicao do Aurelio fixam a utilizacao de uma norma propria do portugues do Brasil. E o "standard" do portugues sulamericano que passara a prevalecer em todos os meios de comunicacao - trata-se, portanto de passos definitivos para a normalizacao da lingua portuguesa do e no Brasil. (FAULSTICH, 1998, p. 255).

(...) convem observar que o processo de planificacao linguistica nao se da sem o de normalizacao. (op. cit., p.257).

Aleong (2002) apresenta e discute mais detalhadamente a nocao de norma explicita, utilizada por Barros (1999, 2000), que ele define como o conjunto de formas linguisticas que foram elaboradas por um pequeno grupo de pessoas para servir de referencia para todos os falantes de uma comunidade letrada e urbana:

(...) Segundo nosso ponto de vista, pode se identificar e isolar tres componentes em toda norma explicita. Primeiro, existe um discurso da norma, isto e, um pensamento ou uma visao da linguagem segundo a qual se pode classificar os fatos linguisticos em categorias de certo, errado, bom, mau, puro, padrao etc. (...) Em segundo lugar, toda norma explicita remete a um aparelho de referencia que inclui exemplos de uso correto por parte de falantes investidos de autoridade e de prestigio em materia de linguagem. (...) Enfim, em terceiro lugar, a norma e difundida e imposta a todo momento gracas a seu papel hegemonico de referencia legitima em lugares estrategicos como a escola, a imprensa escrita e audiovisual e a administracao publica, incluindo os tribunais. (ALEONG, 2002, p. 164, grifos nossos).

Os dicionarios analisados aqui sao do tipo escolar, apresentam per se a "norma padrao", ja que sao dicionarios de referencia, nao dicionarios que descrevem, por exemplo, o dialeto caipira, o "economes", a linguagem de chats e assim por diante. Eles servem de guia para o bom uso, mas nao foram elaborados com base no uso cotidiano. Chegamos a esta conclusao por dois motivos: porque registram as preposicoes ante, per e tras, sem alertar para o fato de se tratar de formas que cairam em desuso tanto na fala quanto na escrita do portugues brasileiro, e porque nao ha mencoes as diferencas de usos de preposicao na escrita e na fala. Assim, as contracoes de preposicao com artigo pra, pro, prum, pruma, cu'a e seus respectivos plurais nao sao mencionadas, ja que sao presentes apenas na fala e escrita informal. As contracoes de preposicao com outro elemento linguistico somente sao interessantes para os dicionarios, quando a contracao envolver recursos exclusivos da escrita, como e o caso dos diacriticos, ou seja, quando houver crase. O dicionario (1) nao apresenta a forma a como sendo uma preposicao, mas apresenta a forma a como sendo a contracao da preposicao com o artigo feminino definido, e os outros dicionarios igualmente destacam a crase, mas nao mencionam, por exemplo, a possibilidade de contracao de de, em ou por com outros elementos.

A e por sao as unicas preposicoes em que ha, nos dicionarios analisados, exemplos que possam ajudar o aluno a compreender as definicoes de preposicoes. E justamente no exemplo que o dicionario poderia explorar as possibilidades de contracao da preposicao com outras unidades linguisticas, mas os dicionaristas optam por manter a preposicao como uma forma invariavel:

por prep indicativa de numerosas relacoes: de tempo (chegou por ocasiao da colheita); de modo (faco-o por prazer); de divisao (divida o total por cinco); de lugar (passarei por Campos); de preco (comprou por cem reais), etc. Cf por. (2)

Os exemplos acima usam a palavra tal como ela aparece na entrada do dicionario, o que dificulta a compreensao, por parte dos alunos, de formas como pelo (por + o), donde (de + onde), na (em + a) etc.

Quando contrastamos as definicoes de preposicoes mais gramaticalizadas com as definicoes das preposicoes menos gramaticalizadas, podemos verificar que as preposicoes a, com, de, em, para e por sao as unicas que textualmente "estabelecem, exprimem, indicam, designam diferentes relacoes". As outras todas tem varias acepcoes, normalmente expressas por locucoes prepositivas, mas nao e feita mencao nenhuma a relacao que estabelecem. Estas ultimas preposicoes sao definidas atraves de listas de possibilidades de sentidos que podem assumir, como se fossem itens lexicais (o que fica claro nas definicoes de ate e sem).

6. Conclusao

A classe das preposicoes nao e uma classe de palavras suficientemente estudada, e as poucas informacoes que as gramaticas apresentam sobre elas sao assumidas pelos dicionarios escolares:

pre.po.si.cao, s.f. (Gram.) Palavra invariavel que liga outras duas palavras, exprimindo a relacao que existe entre elas. (1)

pre.po.si.cao sf 1. Acao de prepor; 2. Gram palavra invariavel que liga dois termos, estabelecendo entre eles diferentes relacoes. Cf proposicao. (2)

PREPOSICAO, s.f. Ato de prepor; (Gram.) palavra invariavel que liga partes da proposicao dependentes umas das outras, estabelecendo entre elas diferentes relacoes. pre.po.si.cao (3)

Nao ha nenhum tipo de reflexao sobre o seu estatuto categorial na lingua. Vimos que algumas preposicoes, a saber, as menos gramaticalizadas, sao facilmente definiveis, mas que as mais gramaticalizadas nao possuem um valor semantico especifico, unico e facilmente identificavel. Nao parece haver, nos dicionarios escolares analisados, nenhum questionamento por que as preposicoes se comportam de maneiras tao diferentes.

Em resumo, este estudo aponta para o tratamento diferenciado que e dado, nos dicionarios escolares analisados, as preposicoes:
   Os dicionarios consultados textualmente registram que as preposicoes
   mais gramaticalizadas estabelecem relacoes entre palavras/ termos/
   partes de proposicoes, e, no mais das vezes, nao encerram suas
   listas de tipos de relacoes (terminadas em etc.) e apenas
   eventualmente (vide a e por) apresentam exemplos de uso.

   Os dicionarios escolares tratam as preposicoes menos
   gramaticalizadas como elementos que significam por si, e sao
   traduzidas por locucoes prepositivas ou outras preposicoes.
   Sempre apresentam um inventario fechado de acepcoes e dispensam
   exemplos.


Contudo, esta diferenca de tratamento nao parece ser refletida, nao parece ser fundamentada em principio algum. O carater normativo dos dicionarios escolares analisados restringe as definicoes a enumeracoes de definicoes vagas (situacao, qualidade, modo etc.), sem que haja exemplos suficientes que possam sustentar as classificacoes apresentadas. A falta de exemplos e grave, ja que as preposicoes mais gramaticalizadas assumem um determinado valor semantico apenas no uso, no contexto em que sao empregadas.

Enquanto orgaos reguladores da linguagem e obras de referencia, os dicionarios prescrevem o conservadorismo ao listarem preposicoes como ante, per e tras, que nao sao mais usadas na lingua portuguesa e ao nao fazerem referencia ao registro da lingua falada, apresentando as contracoes possiveis, atendo-se apenas a fenomenos de contracao observaveis somente na escrita (crase).

A Hipotese da Gramaticalizacao foi utilizada para explicar o fato de que as preposicoes nao formam uma classe homogenea: trata-se de um fenomeno de variacao linguistica. Lancamos mao da Hipotese da Gramaticalizacao sob a perspectiva sincronica, analisando os diferentes graus de gramaticalizacao dos membros da classe das preposicoes. Alem de constatarmos variacao nos graus de gramaticalizacao, segundo criterios de frequencia, distribuicao (generalizacao contextual), alteracao do conteudo semantico e erosao fonetica (possibilidade de amalgama), constatamos que tambem variam (co-ocorrem) as preposicoes em determinados contextos (Cheguei em/ a Recife; Comprei bananas a/ por um real e assim por diante), mas que os dicionarios nao chamam a atencao do aluno para este fato. Por fim, variam as maneiras como cada dicionario define (insatisfatoriamente) cada uma das preposicoes analisadas.

Data de envio do artigo: 5 de outubro de 2006

Referencias

Os dicionarios:

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(2) AMORA,A. S. Minidicionario Soares Amora da lingua portuguesa. Sao Paulo, Saraiva, 2004.

(3) BUENO, F. S. Minidicionario da lingua portuguesa. Sao Paulo, FTD, 2004.

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Notas

(1) Considerando a estrutura argumental de um verbo, podemos dizer que cada verbo, para ter seu valor semantico completado, precisa especificar os participantes envolvidos na acao do verbo. Estes participantes sao tidos como sendo essenciais ao verbo. Assim, para citar um exemplo, podemos pensar que os participantes em colchetes sao essenciais na acao decodificada pelo verbo abracar: "[Jonas] abraca [Juliana]". Dizer apenas "Jonas abraca" nao e uma sentenca completa. Numa sentenca podemos especificar, alem dos participantes da acao, as circunstancias em que ela se desenrola. Estas circunstancias sao especificacoes sobre espaco, tempo e modo, que, se omitidas, nao comprometem a aceitabilidade da sentenca: "Jonas abraca Juliana [na estacao de trem] [ao meio-dia] [com todo o seu afeto]". Os tres sintagmas marcados em colchetes sao sintagmas preposicionais que podem ser dispensados, e, portanto tem status de adjunto, nao d argumento.

(2) Nao encontramos a relacao de modo aplicada a preposicao para.

Lou-Ann Kleppa, loukleppa@yahoo.com
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Author:Kleppa, Lou-Ann
Publication:Veredas - Revista de Estudos Linguisticos
Date:Jan 1, 2008
Words:6237
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