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Potencial ornamental de especies do Bioma Caatinga.

Resumo

A reducao ou substituicao de plantas ornamentais exoticas por especies nativas com potencial ornamental e uma tendencia atual do paisagismo. A insercao na cadeia produtiva de flores e plantas ornamentais e disponibilidade para a comercializacao representa um diferencial em um mercado altamente competitivo, atento a novidades e com tendencia a adotar produtos de impacto ambiental reduzido alem promover a conservacao ex situ. Neste sentido, objetivouse prospectar especies da flora nativa do Bioma Caatinga ocorrentes no Vale do Submedio Sao Francisco que apresentem elementos esteticos apropriados para uso no paisagismo. Foram realizadas incursoes em campo para identificacao das especies e descritos o habito de crescimento, a forma, a simetria, a estrutura, textura e cor das estruturas de maior valor ornamental, o aroma, a presenca ou nao de espinhos e indicadas as possibilidades de uso das especies. Foram indicadas um total de 43 especies, distribuidas entre habito herbaceo (21), habito arbustivo (11), arboreas (9), uma trepadeira e um cipo. Dentre as especies indicadas, 30,2% pertencem a familia Fabaceae. A flora da Caatinga apresenta especies com enorme potencial ornamental para diversos usos e efeitos paisagisticos. Ha necessidade de estimular o uso de especies nativas do Bioma Caatinga em projetos de paisagismo, cujo potencial ainda e pouco valorizado.

Palavras-chave: flora nativa, floricultura, paisagismo, condicoes semiaridas

Ornamental potential of Caatinga Biome species

Abstract

The reduction or replacement of exotic ornamental plants by native species with ornamental potential is a current trend of landscaping. The insertion in the productive chain of flowers and ornamental plants and availability for commercialization represents a differential in a highly competitive market, attentive to novelties and tending to adopt products of reduced environmental impact besides promoting ex situ conservation. In this sense, the objective was to prospect species of the native flora of the Caatinga Biome that occur in the Valley of the Submedio Sao Francisco that present aesthetic elements appropriate for use in the landscaping. Incursions were made in the field to identify the species and were described the habit of growth, shape, symmetry, structure, texture and color of structures of higher ornamental value, fragrance, the presence of spines or not with indication of the possibilities of use. A total of 43 species were reported, distributed among herbaceous habit (21), bush habit (11), arboreal trees (9), both one climbing and hardy liana. Among the species indicated, 30.2% belong to the Fabaceae family. The flora of the Caatinga presents species with high ornamental potential for diverse uses and landscape effects. There is a need to stimulate the use of native species of the Caatinga Biome in landscaping projects, whose potential is still little valued.

Keywords: native flora, floriculture, landscape, semiarid conditions

Introducao

O Brasil abriga a flora mais megadiversa do mundo, representada pelos biomas Amazonia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlantica, Pampa e Pantanal (Forzza et al., 2012). A composicao vegetal da Caatinga e representada por cerca de 5000 especies, com expressivo numero de especies endemicas (em torno de 380) (Siqueira Filho, 2012). Alvarez & Kiill (2014) relatam que pouco se sabe sobre o aproveitamento economico da biodiversidade existente nessa vegetacao. Dentre as potencialidades a serem exploradas, tem-se o mercado das plantas ornamentais, seja para paisagismo como arte floral.

Fischer et al. (2007)mencionam que, por razoes culturais, desde a epoca colonial o paisagismo no Brasil prioriza o uso de plantas exoticas sobre as nativas. De fato, o potencial ornamental da flora brasileira vem sendo menosprezado especialmente pela tradicao no uso de plantas exoticas, cujos processos de cultivo e manutencao estao ha muito dominados (Stumpf et al., 2008). Por outro lado, Heiden et al. (2007b) reportam que o potencial ornamental de muitas especies nativas brasileiras tem sido reconhecido por outros paises. Os autores mencionam que diversas especies foram levadas daqui e incorporadas a programas de melhoramento genetico desenvolvidos por empresas estrangeiras. Posteriormente importadas pelo Brasil, os hibridos desenvolvidos foram inseridos como novidades no mercado nacional, obtendo boa aceitacao. O fato evidencia, assim, o potencial de uso ornamental das plantas nativas e a dependencia do consumidor brasileiro pela opiniao de outros mercados.

A reducao no uso de plantas ornamentais exoticas ou sua total substituicao por especies nativas e uma tendencia atual do paisagismo. De acordo com Heiden et al. (2006), o uso de especies nativas em areas verdes planejadas, ao mesmo tempo em que colabora para a preservacao da flora local, e capaz de reforcar identidades regionais. Alem disso, a insercao de plantas nativas na cadeia produtiva da floricultura representa um diferencial em um mercado altamente competitivo, atento a novidades e com tendencia a adotar produtos de impacto ambiental reduzido. O reconhecimento de caracteristicas ornamentais nestas especies e o passo inicial para a producao e comercializacao (Heiden et al., 2007a), bem como para o estabelecimento protocolos de propagacao e de programas nacionais de melhoramento genetico de plantas ornamentais (Cardoso, 2013; Beckmann-Cavalcante et al., 2014). De acordo com Stumpf et al. (2009), a insercao dessas plantas em cultivos comerciais e sua posterior utilizacao sao tambem formas efetivas de colaborar com a conservacao ex situ.

No Brasil, varios estudos com especies nativas e endemicas para uso no paisagismo tem mostrado resultados positivos que evidenciam perspectivas de novidades para a floricultura nacional. Leal & Biondi (2006), por exemplo, identificaram o potencial ornamental de 25 especies nativas no estado do Parana, enquanto que no Rio Grande do Sul, desde 2006, estudos com plantas nativas tem se destacado no meio cientifico, a exemplo de Heiden et al. (2007a, 2007b) e Stumpf et al. (2008, 2009). Para o semiarido nordestino, os relatos cientificos ainda sao escassos, mas Alvarez & Kiill (2014) destacam as cactaceas e bromelias como produto promissor da floricultura.

Com base no exposto, o presente trabalho foi desenvolvido com o objetivo de prospectar especies da flora nativa do Bioma Caatinga ocorrentes no Vale do Submedio Sao Francisco que apresentem elementos esteticos apropriados para uso no paisagismo.

Material e Metodos

Inicialmente foi realizada consulta a base de dados do Herbario do Vale do Sao Francisco da Universidade Federal do Vale do Sao Francisco (HVASF/UNIVASF) para a identificacao de especies nativas e endemicas do Bioma Caatinga que apresentassem caracteristicas indicativas de uso ornamental (habito, cor e textura das estruturas de maior valor ornamental (folhas, ramos, caule, flores, frutos). Posteriormente, com auxilio do Software Carolus (programa que permite o controle e organizacao do acervo do HVASF), foi gerado um banco dos pontos de georreferenciamento das especies previamente selecionadas para auxiliar na localizacao dentro da area do Campus de Ciencias Agrarias/UNIVASF, Petrolina, Pernambuco. De acordo com o sistema brasileiro de classificacao da vegetacao (IBGE, 2012), na regiao predomina a fitofisionomia Savana Estepica (Savana seca e/ou umida da Caatinga do Sertao Arido).

Com base no banco de informacoes, no periodo de janeiro de 2014 a janeiro de 2015 foram realizadas incursoes quinzenais em campo para localizacao e identificacao das especies previamente selecionadas. Todas as plantas encontradas com base no georreferenciamento existente foram confrontadas com as exsicatas depositadas no HVASF para a confirmacao de sua identificacao botanica, fundamental para a continuidade do trabalho. Foi gerado um mapa com os pontos de localizacao das plantas a partir do Software Arc GIS 10.1 (Figura 10.1)

Para a descricao das caracteristicas ornamentais das especies selecionadas e eliminar ao maximo as preferencias pessoais, foi aplicada a metodologia proposta por Stumpf et al. (2009), com modificacoes, levando-se em consideracao tambem a carateristica de presenca e/ou ausencia de espinhos, e para habito, considerou-se tambem o grupo das trepadeiras e cipos.

Ainda de acordo com a metodologia, as plantas foram categorizadas em: plantas para jardins (indicadas para a formacao de forracoes, macicos, bordaduras, cercas-vivas ou para uso isolado); plantas para vasos (indicadas para o cultivo em recipientes de diferentes volumes); ou plantas multifuncionais (indicadas tanto para o emprego em jardins como para o cultivo em vasos).

Resultados e discussao

Inicialmente foram identificadas 143 especies entre nativas e endemicas apos consulta ao HVASF com caracteristicas indicativas de uso ornamental. Durante as incursoes, foram identificadas 43 especies em campo (Tabela 1), no entanto, para algumas, foram encontradas mais de um individuo por especie, o que justifica o maior numero de pontos apresentados no mapa (Figura 1).

As especies indicadas estao distribuidas em 22 familias (Tabela 1), destacando-se a familia Fabaceae, representada por 13 especies (30,2%). A observacao confirma dados de levantamentos floristicos realizados nas areas de Caatinga da Bacia Hidrografica do Rio Sao Francisco e em afloramentos rochosos na Mesorregiao do Agreste paraibano, respectivamente apresentados por Siqueira Filho (2012) e Sales-Rodrigues et al. (2014), que indicaram ser a familia Fabaceae a mais rica em especies nos locais estudados. Dentre todas as especies com caracteristicas adequadas aos propositos do trabalho, 17 especies sao consideradas endemicas (Siqueira Filho, 2012; Reflora, 2016). Pelo fato de serem especies que nao sao encontradas em outro ambiente, devem ser devidamente utilizadas para que nao sejam alvos de extincao.

Dentre as especies prospectadas, a endemica Schinopsis brasiliensis Engl. (Figura 21), encontra-se na Lista Oficial das Especies da Flora Brasileira Ameacadas de Extincao (MMA, 2008). Especies dos generos Amburana, Gomphrena, Ipomoea, Melocactus, Mimosa, Mitracarpus e Tacinga, porem distintas das especies indicadas no presente estudo, tambem constam nesta lista. Muitas vezes as especies sao exploradas de forma aleatoria para os mais diversos usos, levando-as quase a extincao pelo desconhecimento do manejo e uso potencial adequado. De acordo com Stumpf et al. (2009), a paulatina supressao da vegetacao, constitui um grave problema ambiental, que afeta diretamente a biodiversidade do local. Os autores ressaltam ainda que no quadro atual de devastacao do ambiente, a aplicacao pratica de plantas nativas com potencial ornamental, como uso no paisagismo, pode contribuir para a valorizacao e conservacao da biodiversidade.

As caracteristicas ornamentais que indicam a adequacao das especies para o uso no paisagismo, bem como suas possiveis aplicacoes de uso, estao sumarizadas na Tabela 2. Observa-se que a ocorrencia das especies no local de estudo apresentaram diferentes formas, simetrias, estruturas vegetais variando de flores e inflorescencias a folhas e cladodios, aspectos da textura, diversidade em cores, presenca e ausencia ambos para aroma e espinhos. Esta variabilidade de caracteristicas possibilita o uso no paisagismo em suas diversas formas, seja multifuncional (jardim e/ou vaso) ou para formacao de jardins.

Destaca-se que algumas especies selecionadas apresentam espinhos em alguma estrutura da planta, a exemplo de Bromelia laciniosa (folhas), Melocactus zehntneri (praticamente a planta inteira), Neoglaziovia variegata (folhas), Tacinga inamoena (cladodios), Allamanda puberula (fruto), Mimosa ophthalmocentra (caule), Cereus jamacaru (cladodios) e Cnidoscolus quercifolius (planta inteira espinescente, Figura 2D) (Tabela 2). O Bioma Caatinga e conhecido pela vegetacao xerofila, lenhosa caducifolia e espinhosa, com a queda de folhas na epoca da seca (marcada pela baixa disponibilidade hidrica), troncos esbranquicados e folhas modificadas em espinhos. Estas carateristicas sao estrategias adaptativas a deficiencia hidrica (Castro & Cavalcante, 2010; Loiola et al., 2012). Na elaboracao de um projeto de paisagismo, deve-se levar em consideracao o publico alvo, no entanto, a presenca de espinhos nas plantas nem sempre deve ser considerada um aspecto negativo ao se indicar plantas para uso nos jardins. Plantas com espinhos podem ser indicadas, por exemplo, para compor jardins contemplativos, destinados ao prazer sensorial da visao, ou ainda, para atuar como barreiras fisicas sem, no entanto constituir em barreiras visuais.

Conforme evidenciado, 48,8% das especies indicadas possuem habito herbaceo (Tabela 2). Foi notoria a presenca destas especies ao longo das avaliacoes, ocorrendo tanto individuos jovens como adultos em plena fase de florescimento, o que resultou no maior numero de pontos apresentados no mapa (Figura 1). Deduz-se que estas especies apresentam facilidade na sua perpetuacao. Malamut (2014) faz mencao as plantas que tem facilidade de propagacao e, ao longo do tempo, tornaremse invasoras, ocupando espaco e competindo com a flora existente, podendo causar prejuizo ao equilibrio do ambiente original. Desta forma, reitera-se a necessidade de estudos para evitar uso indiscriminado de uma determinada especie vegetal. E fundamental avancar na domesticacao e no melhoramento genetico das especies e, conjuntamente, incrementar a respectiva conservacao.

Segundo Leal & Biondi (2006), plantas de porte herbaceo podem ser utilizadas como forracao na composicao de canteiros; como macicos combinados ou nao com outras especies; ou ate mesmo como bordaduras, delimitando caminhos e canteiros.

Dentre as plantas do porte herbaceo (Figura 3 e 4), 42,9% das especies (Tabela 2) enquadram seu uso para forracao, a exemplo de Chamaecrista repens (Figura 3D), Diodella teres (Figura 3E), Evolvulus cordatus (Figura 3F), Gomphrena desertorum (Figura 3G), Mitracarpus baturitensis (Figura3J), Pavonia cancellata (Figura 4L), Rhaphiodon echinus (Figura 4N), Richardia scabra (Figura 40), Selaginella convoluta (Figura 4P) e Zornia brasiliensis (Figura 4U). Sao plantas que podem ser utilizadas para a finalidade de forracao, pela vistosidade de suas estruturas ornamentais e pelo rapido preenchimento de espaco dos locais onde foram caracterizadas. Segundo Malamut (2014), as forracoes sao usadas para dar unidade a paisagem, podendo substituir gramados, quebrar sua monotonia ou fazendo a transicao entre estes e arvores e/ou arbustos. No entanto, sao plantas que, apesar de formarem planos horizontais, podendo encobrir o solo e estruturalmente assumirem o papel de piso, nao toleram ao pisoteio como os gramados, mas podem proteger o solo contra erosoes originadas do vento e da chuva.

Dentre as especies indicadas como forracao (Tabela 2), Biondi (2013) tambem cita as especies dos generos Evolvulus e Selaginella como plantas aptas para esta finalidade, especificamente para causar contraste na composicao elaborada ou na paisagem existente. Tambem indica o uso para composicao de macicos homogeneos e revestimento de taludes. Neste contexto, a especie R. echinus (Figura 4N) e altamente indicativa para revestimento de taludes e barrancos, pelo fato de apresentar um crescimento acelerado recobrindo a superficie do solo.

A especie S. convoluta (Tabela 2, Figura 4P), uma pteridofita, nao apresenta flores, mas destaca-se pelo pouco crescimento, o verde de suas folhas e apresentam uma resistencia a seca, no qual durante o periodo de estiagem, permanece enrolada e com aspecto de morta; porem com as primeiras chuvas, rapidamente recupera a turgidez das folhas. Estas caracteristicas fazem dela uma planta interessante para uso no paisagismo como forracao no qual sugere pouca manutencao e reduzido uso de agua. Tambem foi documentada por Kiill et al. (2013) e Alvarez & Kiill (2014) com potencialidade de uso como planta ornamental.

Algumas especies selecionadas podem apresentar dupla funcao, ou seja, para a formacao de macicos e tambem recomendadas para cultivo em vaso (Tabela 2), a exemplo da Alophia linearis (Figura 3A) e Angelonia campestres (Figura 3B). As flores dessas especies sao de coloracao roxa, considerada uma cor fria no paisagismo promovendo a sensacao de calma e alivio, sendo assim indicadas para ambientes menores, jardins com espacos restritos (Alvarez & Kiill, 2014). Nesta categoria, ainda se enquadram as especies Melocactus zehntneri (cactacea) (Figura 31) e as bromeliaceas Bromelia lacioniosa (Figura 3C) e Neoglaziovia variegata (Figura 4Kb), que em conjunto podem formar grandes macicos.

Kiill et al. (2013) evidenciam que em ambiente natural, os cactos juntamente com bromelias compoem harmoniosos jardins. Por outro lado, em funcao de apresentarem espinhos, requerem certo criterio na escolha do lugar onde serao cultivadas, sendo o mais indicado para locais de restrita circulacao, assim como sugeriram Stumpf et al. (2009) ao elegerem especies do Bioma Pampa com espinhos. Estas sao especies que podem simbolizar o ecossistema tipico em que se encontram, contribuindo para composicoes rusticas ou tipicas regionais e fortalecendo o valor da flora local, inclusive atrativo ao turismo.

Ainda de acordo com Kiill et al. (2013), a N. variegata apresenta um porte elegante, folhas estreitas e lineares (Figura 4Ka), com listras alternadas, tipo zebrado, o que lhe confere aspecto peculiar. Apresenta inflorescencia racemosa (Figura 4Kc), com tonalidade do vermelho ao rosa, localizada na parte central da planta. Suas flores sao tubulares, com pedunculo roseo e petalas roxas. Durante as incursoes em campo, observou-se longevidade de suas inflorescencias. Embora o objeto de estudo fora plantas para paisagismo, as caracteristicas desta especie, sugerem um indicativo de uso para a arte floral, tanto suas folhas quanto suas hastes florais.

Para a formacao de macicos tambem podem ser indicadas as especies Piriqueta duarteana (Figura 4M), Sida galheirensis (Figura 4Qa e 4Qb), Stachytarpheta microphylla (Figura 4R), Tacinga inamoena (Figura 4S), Turnera subulata (Figura 4T), e Habranthus sylvaticus (Figura 3H). Estas especies destacam-se pelo colorido das flores e volume que formam ao serem observadas em campo, apropriados para composicao de macicos homogeneos. Destaca-se que a H. sylvaticus e uma especie que apresenta bulbo e floresce somente quando iniciam as chuvas, apos um periodo longo de estiagem (em torno de 9-10 meses), surgindo do solo arido e sem vegetacao, belas flores que formam um tapete natural (Figura 3Ha e 3Hb). Cabe salientar, que ao fazer uso de plantas para compor macicos, considera-se a associacao de plantas de mesma especie ou de especies variadas, no qual a caracteristica basica e um volume cheio em que o espaco ocupado tende a ser proporcionalmente igual em horizontalidade e verticalidade, tendendo mais para o horizontal. Das especies indicadas para macico, S. galheirensis (Figura 4Qb) tambem pode ser utilizada para formar bordaduras, no qual prevalece a linearidade de um porte menor. Este tipo de efeito tende a compor as bordas de um canteiro ou de um caminho, por exemplo.

As especies de habito arbustivo (Figura 5) representam 25,6% das plantas prospectadas para uso o paisagismo. Dentre estas, 54,5% sao representantes da familia Fabaceae (Tabela 2), destacando-se Calliandra leptopoda (Figura 5B), Calliandra macrocalyx, Mimosa ophthalmocentra, Mimosa verrucosa, Poincianella microphylla (Figura 5D) e Senna martiana (Figura 5F). Estas especies podem ser cultivadas isoladamente por apresentarem volume suficiente destacando-se na paisagem e podem se sobressair as arvores pela plasticidade quanto as formas, cores e volumes diferenciados. As caliandras e mimosas, por exemplo, aparentam ter arquitetura moldavel para bonsais, pois apresentam muitas ramificacoes, tamanho pequeno das folhas e parece resistir a podas drasticas, aramacoes e intervencoes em suas raizes, alem da beleza de sua floracao. A P. microphylla apresenta plasticidade para topiarias (arte de moldar plantas)sugerindo-se iniciar quando a planta ainda e jovem para uma boa formacao.

A especie S. martiana (Figura 5F), embora tenha volume suficiente para ser cultivada de forma isolada, recomenda-se tambem o cultivo em macico, pelo efeito contrastante que formam quando encontradas proximas uma da outra, compondo assim macicos homogeneos. Biondi (2013) recomenda tambem seu uso em canteiros centrais para diminuir o ofuscamento. Tambem as especies Ruellia asperula (Figura 5E) e Varronia leococephala (Figura 5G), cujas inflorescencias sao as principais caracteristicas ornamentais, podem ser cultivadas isoladamente, no entanto, sugere-se que estas sejam cultivadas em macicos, para que se destaquem na paisagem e possam gerar os beneficios esteticos e funcionais. O encanto destas plantas reside na sua floracao. A R. asperula (Figura 5Eb), por apresentar flores tubulosas e polinizada por beijaflores, caracteristica interessante por atrair aves.

As arbustivas Allamanda puberula (Figura 5A) e Jatropha mollissima (Figura 5C), alem do cultivo isolado, podem ser indicadas para formacao de cercas-vivas (Tabela 2). Apresentam formato verticalizado mais aberto, promovendo uma assimetria. De acordo com Malamut (2014), o afloramento dos caules junto ao solo permite a formacao de conjuntos vegetacionais onde as plantas perdem a sua individualidade e passam a formar associacoes, caracteristica util para cerca-vivas, e, um cultivo mais adensado destas especies, pode resultar numa cerca-viva mais fechada. A especie Vellozia cinerascens (Figura 5H) apresenta uso multifuncional seja isolada em jardins ou em vaso (Tabela 2). Torna-se ornamental pelas flores (Figura 5Ha) que apresenta, no entanto, encanta pelo seu conjunto, coloracao e beleza da folhagem (Figura 5Hb).

Com relacao as especies arboreas (Figura 2), sugere-se a indicacao de nove especies (Tabela 2), e em sua totalidade podem ser indicadas para cultivo isolado, no entanto, nao impede que sejam cultivadas formando grandes macicos ou ainda, formando macicos heterogeneos. Malamut (2014) descreve a importancia do uso de arvores para compor cenarios de paisagismo, por serem uteis para sombrear pisos e fachadas, melhorando a qualidade termica do ambiente as quais serao inseridas. Anadenanthera colubrina (Figura 2B), por exemplo, se destaca na paisagem pelo brilho de suas folhas verde-amareladas, enquanto a Amburana cearencis (Figura 2A), Fraunhofera multiflora (Figura 2F), Libidibia ferrea (Figura 2G), Luetzelburgia bahiensis (Figura 2H) e S. brasiliensis (Figura 21), destacam-se tambem pelas flores, que alem da beleza, em sua maioria apresentam aroma agradavel. A especie Commiphora leptophloeos e decidua (Figura 2Ea), no entanto suas folhas sao aromaticas e destaca-se no ambiente por seu tronco contorcido e avermelhado (Figura 2Eb). Dentre as arboreas, encontra-se a cactacea Cereus jamacaru (Figura 2C), arvore afila, imponente, que apresenta floracao exuberante embora efemera e, simboliza uma especie tipica do Bioma Caatinga.

O uso de especies arboreas nativas, da flora regional a exoticas deve prevalecer, no entanto, como sugere Alvarez et al. (2012), de forma sustentavel para nao causar risco de extincao, nao so arboreas, mas tambem de organismos que dela dependem. Ainda segundo estes autores, poucas sao as cidades no Semiarido que utilizam em seu paisagismo especies arboreas da Caatinga. Estudos realizados por Calixto Junior et al. (2009) e Lima Neto & Melo e Souza (2011), e, evidenciaram a dominancia de especies exoticas na arborizacao urbana em cidades do nordeste brasileiro. Fazer uso de especies arboreas nativas com indicacao para paisagismo e fundamental, pois sao adaptadas as condicoes de clima e solo, podem apresentar maior resistencia a pragas e doencas e contribuem para conservacao do patrimonio genetico e da biodiversidade. Alvarez et al. (2012), tambem recomendam as especies A. cearensis, P. simplicifolium, S. brasiliensis e Commiphora leptophloeos para serem utilizadas na arborizacao urbana.

A especie arborea C. quercifolius (Figura 2D) se desta no ambiente natural por apresentar uma estrutura verticalizada mais aberta, ramificando desde a base, no entanto, e totalmente espinescente. Com apelo no paisagismo, pode ser introduzida em cultivo isolado, mas deduz-se que se cultivada de forma adensada poderia ser utilizada como cerca-viva para formar uma barreira fisica, de protecao.

A especie Ipomea incarnata (Figura 6A), uma trepadeira herbacea, se desenvolve muito bem em epocas de chuva na Caatinga, tem a capacidade de escalar cercas de propriedades rurais (Figura 6Aa) e arbustos (Figura 6Ab) decorando, naturalmente, esses suportes, como mencionam Castro & Cavalcante (2010). A Dioclea grandiflora (Figura 6B), um cipo vigoroso, exclusivo da Caatinga brasileira, apresenta inflorescencias elegantes e atraentes nas extremidades dos ramos com flores roxas (Figura 6Ba e 6Bb). Ambas as especies podem ser cultivadas isoladamente, e em funcao do seu habito de crescimento, acabam proporcionando a ideia de serem varios os individuos que causam o efeito paisagistico de revestimento. Estes tipos de plantas, segundo Malamut (2014), podem ser utilizadas para encobrimento de muros ou estruturas indesejaveis, para cobrir pergolas, proporcionando espacos sombreados ou para criar paineis verticais, ornamentando fachadas ou criando barreiras visuais para areas privativas.

Castro & Cavalcante (2010), na busca por plantas nativas do Bioma Caatinga que pudessem ser aproveitadas, por meio de estudos, exploracao e comercializacao adequados, indicam uma serie de especies com potencialidades ornamentais. Dentre as herbaceas elencadas tambem sugeriram as especies S. galheirensis, 7. inamoena e H. sylvaticus), para arbustos (J. mollissima, R. asperula, V. leococephala e especies do genero Calliandra e Mimosa), para arboreas (A. cearencis, A. colubrina, C. jamacaru e especies do genero Senna e Poincianella), trepadeiras (especies do genero Ipomoea) e como cipo tambem indicaram D. grandiflora. De acordo com Souza et al. (2012), as especies nativas do Bioma Caatinga, de diferentes habitos de vida sao uteis nos jardins diversificados e heterogeneos, formando ambientes com caracteristicas singulares, com vistas a substituicao de modo eficiente e sustentavel aquelas tradicionalmente empregadas em projetos de paisagismo.

De acordo com Leal & Biondi (2006) a analise de variaveis esteticas e importante para indicar a melhor utilizacao das especies em um projeto paisagistico. Percebe-se que os ecossistemas rurais e urbanos do semiarido nordestino, inserido numa regiao de clima quente e seco, com periodo de ate nove meses de estiagem, necessitam da presenca de vegetacao que proporcione melhorias esteticas e funcionais em suas paisagens. Considerando que as especies indicadas estao adaptadas a estas condicoes, ao serem introduzidas, podem apresentar melhor desenvolvimento, menor custo de manutencao com relacao as especies exoticas alem da conservacao ex situ.

As especies prospectadas podem ser aproveitadas emsuas diferentes formas tornandose sinonimo de fonte de renda para populacao local bem como, poderao tornar-se numa forma de divulgacao e valorizacao da flora local. No entanto, vale ressaltar que ha necessidade de estudos mais aprimorados, sugerindo-se estabelecer protocolos de propagacao e auxilio do melhoramento genetico, sem, contudo levalas a extincao.

Conclusoes

E possivel afirmar que o Vale do Submedio Sao Francisco, inserido no Bioma Caatinga, abriga inumeras especies nativas cujas caracteristicas mostram adequacao ornamental para uso no paisagismo.

Todas as especies analisadas apresentam um grande potencial para diversos usos e efeitos paisagisticos.

A indicacao do potencial ornamental das 43 especies analisadas reforca e estimula o uso de especies nativas do Bioma Caatinga em projetos de paisagismo, cujo potencial ornamental ainda e pouco valorizado.

Agradecimentos

Ao apoio financeiro do CNPq pela bolsa de iniciacao cientifica do segundo autor e a equipe do HVASF, em nome do ultimo autor, por disponibilizar o Software Carolus.

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Markilla Zunete Beckmann Cavalcante (*), Daniel Fagner da Silva Dultra, Handerson Leandro da Costa Silva, Jarina Coelho Cotting, Sheila Daniella Pereira da Silva, Jose Alves de Siqueira Filho

Universidade Federal do Vale do Sao Francisco, Petrolina, PE, Brazil

(*) Autor correspondente, e-mail: markilla.beckmann@univasf.edu.br

Recebido: 12 Agosto 2016

Aceito: 10 Janeiro 2017

Tabela 1. Lista de especies do Bioma Caatinga encontradas no Campus
Ciencias Agrarias/UNIVASF eselecionadas pelo potencial ornamental.
Petrolina-PE, 2014-2015

Especie                           Nome Vulgar            Familia

Ruellia asperula                  Melosa                 Acanthaceae
(Mart. ex Ness) Lindau
Gomphrena deserforum Mart.        Suspiro-branco         Amaranthaceae
Habranthus sylvaticus Herb.       Lirio-da-caatinga      Amaryllidaceae
Schinopsis brasiliensis Engl.     Barauna, brauna        Anacardiaceae
Allamanda puberula A.DC           Quatro-patacas         Apocynaceae
Varronia leucocephala             Moleque-duro           Boraginaceae
(Moric.) J.S.Mill.
Bromelia laciniosa Mart.          Macambira-de-cachorro  Bromeliaceae
ex Schult. & Schult.f.
Neoglaziovia variegata            Caroa                  Bromeliaceae
(A) Mez
Commiphora leptophloeos           Imburana-de-cambao     Burseraceae
(Mart.) J.B.Gillett
Cereus jamacaru DC.               Mandacaru              Cactaceae
subsp. jamacaru
Melocactus zehntneri              Coroa-de-frade         Cactaceae
(Britton & Rose) Luetzelb.
Tacinga inamoena (K.Schum.)       Quipa                  Cactaceae
N.P.Taylor & Stuppy
Fraunhofera multiflora Mart.      Pau-branco             Celastraceae
Evolvulus cordatus Moric.         Azul-rasteira          Convolvulaceae
Ipomoea incamata (Vahl) Choisy    Jitirana               Convolvulaceae
Cnidoscolus quercifolius Pohl     Faveleira              Euphorbiaceae
Jatropha mollissima               Pinhao-bravo           Euphorbiaceae
(Pohl) Baill.
Amburana cearensis                Umburana-de-cheiro     Fabaceae
(Allemao) A.C.Sm
Anadenanthera colubrina           Angico-de-caroco       Fabaceae
(Veil.) Brenan
Calliandra leptopoda Benth.       Caliandra, esponjinha  Fabaceae
Calliandra macrocalyx Harms       Caliandra              Fabaceae
Chamaecrista repens (Vogel)       -                      Fabaceae
H.S.Irwin & Barneby
Dioclea grandiflora Mart,         Mucuna                 Fabaceae
ex Benth
Libidibia ferrea                  Pau-ferro; Juca        Fabaceae
(Mart. ex Tul.)
L.P.Queiroz var. ferrea
Luetzelburgia bahiensis           -                      Fabaceae
Yakovlev
Mimosa ophthalmocentra            Jurema-branca          Fabaceae
Mart. ex Benth
Mimosa verrucosa Benth.           Jurema-rosa            Fabaceae
Poincianella microphylla          Catingueira-rasteira   Fabaceae
(Mart. ex G.Don) L.P.Queiroz
Senna martiana (Benth.)           -                      Fabaceae
H.S.Irwin & Barneby
Zornia brasiliensis Vogel         -                      Fabaceae
Alophia linearis (Kunth) Klatt    Iris-do-campo          Iridaceae
Rhaphiodon echinus Schauer        Falsa-menta, beton     Lamiaceae
Pavonia cancellata (L.) Cav.      -                      Malvaceae
Sida galheirensis Ulbr.           Malva                  Malvaceae
Angelonia cornigera Hook.f.       Violeta-do-campo       Plantaginaceae
Diodella teres (Walter) Small     -                      Rubiaceae
Mitracarpus baturitensis Sucre    -                      Rubiaceae
Richardia scabra L.               -                      Rubiaceae
Piriqueta duarteana (Cambess.)    Chanana                Turneraceae
Urb. var. ulei Urb
Turnera subulata Sm.              Chanana                Turneraceae
Stachytarpheta microphylla Walp.  -                      Verbenaceae
Vellozia cinerascens              Velozia                Velloziaceae
(Mart, ex Schult. & Schult.f.)
Mart. exSeub.
Selaginella convoluta             Jerico                 Selaginellaceae
(Arn.) Spring

Especie                           Endemismo (*)

Ruellia asperula                  Nao
(Mart. ex Ness) Lindau
Gomphrena deserforum Mart.        Nao
Habranthus sylvaticus Herb.       Nao
Schinopsis brasiliensis Engl.     Sim
Allamanda puberula A.DC           Nao
Varronia leucocephala             Sim
(Moric.) J.S.Mill.
Bromelia laciniosa Mart.          Sim
ex Schult. & Schult.f.
Neoglaziovia variegata            Sim
(A) Mez
Commiphora leptophloeos           Nao
(Mart.) J.B.Gillett
Cereus jamacaru DC.               Nao
subsp. jamacaru
Melocactus zehntneri              Nao
(Britton & Rose) Luetzelb.
Tacinga inamoena (K.Schum.)       Nao
N.P.Taylor & Stuppy
Fraunhofera multiflora Mart.      Sim
Evolvulus cordatus Moric.         Nao
Ipomoea incamata (Vahl) Choisy    Nao
Cnidoscolus quercifolius Pohl     Sim
Jatropha mollissima               Nao
(Pohl) Baill.
Amburana cearensis                Nao
(Allemao) A.C.Sm
Anadenanthera colubrina           Nao
(Veil.) Brenan
Calliandra leptopoda Benth.       Sim
Calliandra macrocalyx Harms       Sim
Chamaecrista repens (Vogel)       Nao
H.S.Irwin & Barneby
Dioclea grandiflora Mart,         Sim
ex Benth
Libidibia ferrea                  Sim
(Mart. ex Tul.)
L.P.Queiroz var. ferrea
Luetzelburgia bahiensis           Nao
Yakovlev
Mimosa ophthalmocentra            Sim
Mart. ex Benth
Mimosa verrucosa Benth.           Sim
Poincianella microphylla          Sim
(Mart. ex G.Don) L.P.Queiroz
Senna martiana (Benth.)           Sim
H.S.Irwin & Barneby
Zornia brasiliensis Vogel         Nao
Alophia linearis (Kunth) Klatt    Nao
Rhaphiodon echinus Schauer        Nao
Pavonia cancellata (L.) Cav.      Nao
Sida galheirensis Ulbr.           Nao
Angelonia cornigera Hook.f.       Nao
Diodella teres (Walter) Small     Nao
Mitracarpus baturitensis Sucre    Nao
Richardia scabra L.               Nao
Piriqueta duarteana (Cambess.)    Nao
Urb. var. ulei Urb
Turnera subulata Sm.              Nao
Stachytarpheta microphylla Walp.  Sim
Vellozia cinerascens              Sim
(Mart, ex Schult. & Schult.f.)
Mart. exSeub.
Selaginella convoluta             Nao
(Arn.) Spring

'Baseado nas informacoes deSiqueira Filho (2312) e Refiora (2316).

Tabela 2. Descricao das caracteristicas ornamentais de plantas do Bioma
Caatinga indicativas de uso no paisagismo Petrolina-PE, 2014-2015.

Especies/Habilos            Forma            Simelria     Estrutura
Herbaceas
Alophia linearis            -                Simetrica    Flor
Angelonia cornigera         -                Simetrica    Flor
Bromelia laciniosa          -                Simetrica    Inflorescencia
Chamaecrista repens         -                Assimetrica  Flor
                                                          Folha
Diodella teres              -                Simetrica    Flor
Evolvulus cordatus          -                Assimetrica  Flor
Gomphrena desertorum        -                Assimetrica  Inflorescencia
Habranthus sylvaticus       -                Simetrica    Flor
Melocactus zehntneri        -                Simetrica    Cladodio
                                                          Flor
Mitracarpus baturitensis    -                Simetrica    Flor
Neoglaziovia variegata      -                Simetrica    Inflorescencia
Pavonia cancellata          -                Assimetrica  Flor
Piriqueta duarteana         -                Simetrica    Flor
Rhaphiodon echinus          -                Assimetrica  Inflorescencia
Richardia scabra            -                Assimetrica  Flor
Selaginella convoluta       -                Simetrica    Folha
Sida galheirensis           -                Simetrica    Flor

Stachytarpheta microphylla  -                Simetrica    Flor
Tacinga inamoena            -                Assimetrica  Cladodio
                                                          Flor

Turnera subulata            -                Simetrica    Flor
Zornia brasiliensis         -                Assimetrica  Flor
Arbustos
Allamanda puberula          Verticalizada    Assimetrica  Flor
Calliandra leptopoda        Verticalizada    Simetrica    Inflorescencia
Calliandra macrocalyx       Verticalizada    Simetrica    Inflorescencia
Jatropha mollissima         Verticalizada    Assimetrica  Flor
                                                          Folha
Mimosa ophthalmocentra      Equilibrada      Simetrica    Inflorescencia
Mimosa verrucosa            Horizontalizada  Assimetrica  Inflorescencia
Poincianella microphylla    Horizontalizada  Simetrica    Inflorescencia
Ruellia asperula            Verticalizada    Simetrico    Flor
Senna martiana              Verticalizada    Simetrica    Inflorescencia
Varronia leucocephala       Verticalizada    Assimetrica  Inflorescencia
Vellozia cinerascens        Verticalizada    Assimetrica  Folhas
                                                          Flor

Arvores
Amburana cearensis          Verticalizada    Simetrica    Flor
Anadenanthera colubrina     Verticalizada    Assimetrica  Folha
Cereus jamacaru             Verticalizada    Assimetrica  Cladodio
                                                          Flor
Cnidoscolus quercifolius    Verticalizada    Simetrica    Folha
Commiphora leptophloeos     Verticalizada    Assimetrica  Folha
Fraunhofera multiflora      Verticalizada    Assimetrica  Caule
                                                          Folha
Libidibia ferrea            Equilibrada      Simetrica    Folha
Luetzelburgia bahiensis     Verticalizada    Assimetrica  Flor
Schinopsis brasiliensis     Verticalizada    Simetrica    Flor
                                                          Folha
Trepadeira (*)
Ipomoea incarnata           -                Assimetrica  Flor
Cipos (*)
Dioclea grandiflora         -                Assimetrica  Inflorescencia

Especies/Habilos            Textura                    Cor
Herbaceas
Alophia linearis            Brilhante, lisa, glabra    Roxa
Angelonia cornigera         Brilhante, lisa, glabra    Roxa
Bromelia laciniosa          Brilhante, Lisa, glabra    Rosea
Chamaecrista repens         Brilhante, lisa, glabra    Amarela
                            Brilhante, lisa, pilosa    Verde
Diodella teres              Opaca, lisa, glabra        Alva
Evolvulus cordatus          Brilhante, lisa, glabra    Azul
Gomphrena desertorum        Brilhante, lisa, glabra    Rosea
Habranthus sylvaticus       Brilhante, lisa, glabra    Rosea
Melocactus zehntneri        Brilhante, lisa, glabra    Verde
                            Brilhante, lisa, glabra    Rosea
Mitracarpus baturitensis    Brilhante, lisa, glabra    Alva
Neoglaziovia variegata      Brilhante, lisa, glabra    Rosa
Pavonia cancellata          Brilhante, lisa, pilosa    Amarela
Piriqueta duarteana         Opaca, lisa, glabra        Salmao
Rhaphiodon echinus          Opaca, lisa, pilosa        Roxa
Richardia scabra            Brilhante, lisa, glabra    Alva
Selaginella convoluta       Brilhante, rugosa, glabra  Verde
Sida galheirensis           Brilhante, lisa, glabra    Laranja

Stachytarpheta microphylla  Opaca, lisa, glabra        Vermelha
Tacinga inamoena            Brilhante, lisa, glabra    Verde
                            Brilhante, lisa, glabra    Laranja a
                                                       vermelha
Turnera subulata            Opaca, lisa, glabra        Alva a amarela
Zornia brasiliensis         Brilhante, lisa, glabra    Amarela
Arbustos
Allamanda puberula          Brilhante, lisa, glabra    Amarela
Calliandra leptopoda        Brilhante, lisa, glabra    Vermelha
Calliandra macrocalyx       Brilhante, lisa, pilosa    Alva e base rosea
Jatropha mollissima         Brilhante, lisa, glabra    Vermelha
                            Brilhante, lisa, pilosa    Verde
Mimosa ophthalmocentra      Opaca, lisa, glabra        Alva
Mimosa verrucosa            Opaca, lisa, glabra        Rosa
Poincianella microphylla    Brilhante, lisa, glabra    Amarela
Ruellia asperula            Brilhante, lisa, glabra    Vermelha
Senna martiana              Brilhante, lisa, glabra    Amarela
Varronia leucocephala       Opaca, lisa, glabra        Alva
Vellozia cinerascens        Brilhantes, rugosa,        Verde
                            glabra                     Lilas
                            Brilhante, lisa, glabra
Arvores
Amburana cearensis          Opaca, lisa, glabra        Alva
Anadenanthera colubrina     Brilhante, lisa, glabra    Verde-amarelada
Cereus jamacaru             Brilhante, lisa, glabro    Verde
                            Brilhante, lisa, glabra    Branca
Cnidoscolus quercifolius    Brilhante, lisa, pilosa    Verde
Commiphora leptophloeos     Brilhante, lisa, pilosa    Verde
Fraunhofera multiflora      Opaco, rugoso, glabro      Cinza
                            Brilhante, lisa, glabra    Verde
Libidibia ferrea            Brilhante, lisa, glabra    Verde
Luetzelburgia bahiensis     Brilhante, lisa, glabra    Alva
Schinopsis brasiliensis     Brilhante, lisa, glabra    Esverdeada
                            Brilhante, lisa, glabra    Verde
Trepadeira (*)
Ipomoea incarnata           Opaca, lisa, glabra        Rosea
Cipos (*)
Dioclea grandiflora         Brilhante, lisa, glabra    Roxa

Especies/Habilos            Aroma         Espinho   Uso
Herbaceas
Alophia linearis            Ausente       Ausente   Multifuncional
Angelonia cornigera         Ausente       Ausente   Multifuncional
Bromelia laciniosa          Ausente       Presente  Multifuncional
Chamaecrista repens         Ausente       Ausente   Jardim

Diodella teres              Ausente       Ausente   Jardim
Evolvulus cordatus          Ausente       Ausente   Multifuncional
Gomphrena desertorum        Ausente       Ausente   Jardim
Habranthus sylvaticus       Ausente       Ausente   Jardim
Melocactus zehntneri        Agradavel     Presente  Multifuncional

Mitracarpus baturitensis    Ausente       Ausente   Jardim
Neoglaziovia variegata      Ausente       Presente  Multifuncional
Pavonia cancellata          Ausente       Ausente   Jardim
Piriqueta duarteana         Ausente       Ausente   Jardim
Rhaphiodon echinus          Agradavel     Ausente   Jardim
Richardia scabra            Ausente       Ausente   Jardim
Selaginella convoluta       Ausente       Ausente   Jardim
Sida galheirensis           Ausente       Ausente   Jardim

Stachytarpheta microphylla  Ausente       Ausente   Jardim
Tacinga inamoena            Ausente       Presente  Jardim


Turnera subulata            Ausente       Ausente   Jardim
Zornia brasiliensis         Ausente       Ausente   Jardim
Arbustos
Allamanda puberula          Agradavel     Presente  Jardim
Calliandra leptopoda        Agradavel     Ausente   Jardim
Calliandra macrocalyx       Agradavel     Ausente   Jardim
Jatropha mollissima         Ausente       Ausente   Jardim

Mimosa ophthalmocentra      Ausente       Presente  Jardim
Mimosa verrucosa            Ausente       Ausente   Jardim
Poincianella microphylla    Desagradavel  Ausente   Jardim
Ruellia asperula            Ausente       Ausente   Jardim
Senna martiana              Agradavel               Jardim
Varronia leucocephala       Ausente       Ausente   Jardim
Vellozia cinerascens        Ausente       Ausente   Multifuncional


Arvores
Amburana cearensis          Agradavel     Ausente   Jardim
Anadenanthera colubrina     Agradavel     Ausente   Jardim
Cereus jamacaru             Agradavel     Presente  Jardim

Cnidoscolus quercifolius    Ausente       Presente  Jardim
Commiphora leptophloeos     Agradavel     Ausente   Jardim
Fraunhofera multiflora      Ausente       Ausente   Jardim

Libidibia ferrea            Ausente       Ausente   Jardim
Luetzelburgia bahiensis     Agradavel     Ausente   Jardim
Schinopsis brasiliensis     Agradavel     Ausente   Jardim

Trepadeira (*)
Ipomoea incarnata           Ausente       Ausente   Jardim
Cipos (*)
Dioclea grandiflora         Agradavel     Ausente   Jardim

Especies/Habilos            Especificidade de uso
Herbaceas
Alophia linearis            Macico e/ou vaso
Angelonia cornigera         Macico e/ou vaso
Bromelia laciniosa          Macico e/ou vaso
Chamaecrista repens         Forracao

Diodella teres              Forracao
Evolvulus cordatus          Macico e/ou vaso
Gomphrena desertorum        Forracao
Habranthus sylvaticus       Macico
Melocactus zehntneri        Macico e/ou vaso

Mitracarpus baturitensis    Forracao
Neoglaziovia variegata      Macico e/ou vaso
Pavonia cancellata          Forracao
Piriqueta duarteana         Macico
Rhaphiodon echinus          Forracao
Richardia scabra            Forracao
Selaginella convoluta       Forracao
Sida galheirensis           Macico e/ou
                            bordadura
Stachytarpheta microphylla  Macico
Tacinga inamoena            Macico


Turnera subulata            Macico
Zornia brasiliensis         Forracao
Arbustos
Allamanda puberula          Isolada e/ou cerca-viva
Calliandra leptopoda        Isolada
Calliandra macrocalyx       Isolada
Jatropha mollissima         Isolada e/ou cerca-viva

Mimosa ophthalmocentra      Isolada
Mimosa verrucosa            Isolada
Poincianella microphylla    Isolada
Ruellia asperula            Isolada e/ou macico
Senna martiana              Isolada e/ou macico
Varronia leucocephala       Isolada e/ou macico
Vellozia cinerascens        Isolada e/ou vaso


Arvores
Amburana cearensis          Isolada
Anadenanthera colubrina     Isolada
Cereus jamacaru             Isolada

Cnidoscolus quercifolius    Isolada
Commiphora leptophloeos     Isolada
Fraunhofera multiflora      Isolada

Libidibia ferrea            Isolada
Luetzelburgia bahiensis     Isolada
Schinopsis brasiliensis     Isolada

Trepadeira (*)
Ipomoea incarnata           Isolada
Cipos (*)
Dioclea grandiflora         Isolada

Habito: (Herbaceas--plantas de pequeno porte e com caule tenro;
Arbustos--plantas lenhosas com caules multiplos, ramificados desde a
base; Arvore-plantas lenhosas providas de caule unico; trepadeira/cipos
(*)-caule e ramos longos, ascendentes); Forma: relacionada a copa de
arvores ou a conformacao geral de arbustos (Verticalizada--quando a
altura e maior que o diametro da copa; Horizontalizada--quando o
diametro da copa e maior que a altura; Equilibrada--quando o diametro
da copa e semelhante a altvra); Simetria: (Simetrico-quando a
conformacao geral e uniforme; imprime unidade e organizacao;
Assimetrico-quando os ramos se desenvolvem em diferentes direcoes,
desuniforme; Textura da(s) estrutura(s) de maior valor ornamental
(folhas, ramos, caule, flores, frutos): (Brilhante ou opaca; Lisa ou
rugosa; Pilose ou glabra); Cor da(s) estrutura(s) de maior valor
ornamental (folhas, ramos, caule, flores, frutos): determinada
visualmente; Aroma (Presente--agradavel ou desagradavel; Ausente);
Espinhos: (Presente--em qualquer parte da planta; Ausente).
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Title Annotation:Artigo
Author:Cavalcante, Markilla Zunete Beckmann; Dultra, Daniel Fagner da Silva; Silva, Handerson Leandro da Co
Publication:Comunicata Scientiae
Article Type:Report
Date:Jan 1, 2017
Words:6501
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