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Postprandial oxygen consumption of juvenile pompano Trachinotus marginatus/Consumo de oxigenio pos-prandial de juvenis do pampo Trachinotus marginatus.

O potencial da criacao de alguns membros da familia Carangidae, como Trachinotus ovatus e Trachinotus carolinus, vem sendo estudado (LAZO et al., 1998; TUTMAN et al., 2004). Entretanto, estudos sobre a criacao de Trachinotus marginatus ainda sao escassos (SAMPAIO et al., 2003).

Um aumento no consumo de oxigenio em peixes e observado apos a alimentacao. Isso ocorre devido ao aumento da demanda energetica canalizada para os processos de ingestao, digestao, absorcao e assimilacao do alimento consumido (JOBLING, 1994; FU et al., 2005). Ao final dessas atividades, e observada uma reducao gradual do metabolismo ate o nivel de rotina inicial. O conhecimento da magnitude e duracao da taxa de consumo de oxigenio pos-prandial pode auxiliar na determinacao da frequencia alimentar ideal para uma especie. O objetivo deste trabalho foi conhecer a influencia do efeito pos-prandial sobre a taxa de consumo de oxigenio para juvenis do pampo T. marginatus.

Juvenis de pampo foram pesados (9,6[+ or -]0,2g) e medidos (8,4[+ or -]0,1cm) individualmente e, em seguida, distribuidos aleatoriamente em cinco tanques cilindricoconicos (40L), sendo cinco peixes por tanque e cinco repeticoes. Durante o periodo de uma semana de aclimatacao (temperatura: 24[degrees]C e salinidade: 33[par mille]), os peixes foram alimentados com 12% da biomassa quatro vezes por dia com racao (NRD INVE, 59% de proteina, 16% lipidio e 1mm de diametro).

Para a estimativa do consumo de oxigenio de rotina, os peixes foram mantidos em jejum durante 24h. Uma hora antes da alimentacao a aeracao foi suspensa, a superficie da agua dos tanques foi coberta com plastico transparente para minimizar a difusao de oxigenio do ambiente para agua dos tanques e a cada 15min foi medida a concentracao de oxigenio com oximetro digital (YSI modelo 55 Hexis). Logo apos os peixes terem sido alimentados, 90% da agua dos tanques foram cuidadosamente renovados para nao agitar os peixes. As medicoes da concentracao de oxigenio continuaram sendo realizadas para determinacao da duracao e amplitude do efeito pos-prandial sobre a taxa de consumo de oxigenio (CO), que foi calculada pela seguinte formula: CO = ([O.sub.i] - [O.sub.f]) x V/ B / T, em que: [O.sub.i] e a concentracao de oxigenio inicial (mg[O.sub.2]/L), [O.sub.f] e a concentracao de oxigenio final (mg[O.sub.2]/L), V e o volume do tanque (L), B e a biomassa (g) e T e o intervalo de tempo entre as medicoes (h).

Os resultados foram analisados por meio da Analise de Variancia e, quando encontradas diferencas significativas, foi aplicado o Teste de Tukey. Todas as analises foram realizadas com o nivel de significancia de 95% com o software Statistica 6.0.

O consumo de oxigenio medido apos 24h de jejum foi de 0,75mg[O.sub.2] [g.sup.-1] [h.sup.-1]. Trinta minutos apos os pampos serem alimentados, o consumo de oxigenio aumentou significantemente (P<0,05) para 1,06mg[O.sub.2] [g.sup.-1] [h.sup.-1]. O pico de consumo de oxigenio teve duracao de 90min e, depois de decorridos 150min da alimentacao, houve queda significativa da taxa de consumo de oxigenio (P<0,05) para 0,79mg[O.sub.2] [g.sup.-1] [h.sup.-1], valor similar ao consumo de oxigenio em jejum (P>0,05) (Figura 1).

O consumo de oxigenio de rotina representa a taxa de consumo de oxigenio em jejum (GUINEA & FERNANDEZ, 1991), enquanto o consumo de oxigenio pos-prandial inclui o gasto energetico para os processos de ingestao, digestao, absorcao e assimilacao do alimento consumido (JOBLING, 1994; FU et al., 2005). O consumo de oxigenio normalmente e determinado em respirometros onde a natacao e limitada. A metodologia utilizada neste experimento seguiu a recomendacao de BROWN et al. (1984), de modo que os peixes pudessem nadar livremente e interagissem entre si, simulando uma situacao de cultivo mais apropriadamente.

O consumo de oxigenio de rotina do pampo e de cinco a sete vezes superior ao observado para especies em que sao utilizados respirometros, como Sirulus meridionales (FU et al., 2005) e Mugil saliens (GUINEA & FERNANDEZ, 1991). Entretanto, quando sao comparados os resultados do pampo com outras especies em que foi utilizada metodologia similar, os resultados do pampo sao mais proximos, 0,66mg[O.sub.2] [g.sup.-1] [h.sup.-1] para Rachycentron canadum (FEELEY et al., 2007) e 0,46mg[O.sub.2] [g.sup.-1] [h.sup.-1] para Thunnus maccoyii (FITZGIBBON et al., 2007). Entretanto, e preciso considerar que o consumo de oxigenio e influenciado por fatores bioticos e abioticos (JOBLING, 1994), assim as diferencas observadas podem ser explicadas por outros fatores, alem da metodologia aplicada.

Segundo JOBLING (1994), a taxa de consumo de oxigenio apos a alimentacao e de 1,5 vezes maior que a observada para peixes em jejum. Para R. canadum (10g), o consumo de oxigenio pos-prandial foi 1,2 vezes maior que o valor observado com os peixes em jejum (FEELEY et al., 2007), ja para o pampo foi 1,4 vezes superior. Consumo de oxigenio pos-prandial ainda maior foi observado para Sirulus meridionales (37g), Thunnus maccoyii (10kg) e Sparus auratus (7g), respectivamente, de 1,9, 2,8 e 4,3 vezes maior que o observado para peixes em jejum (REQUENA et al., 1997; FU et al., 2005; FITZGIBBON et al., 2007). O efeito posprandial varia em duracao e amplitude de acordo com a especie, o estagio de vida, o peso, o status nutricional, a composicao e a quantidade de alimento ofertado (BEAMISH & TRIPPEL, 1990). Tambem deve ser levado em consideracao o tempo de jejum a que o peixe foi submetido, pois quanto maior esse periodo, maior sera a quantidade de energia necessaria para dar inicio aos processos digestivos, como a producao e liberacao das enzimas digestivas (GUINEA & FERNANDEZ, 1991; FU et al., 2005).

O tempo de passagem do alimento pelo intestino e outro fator que influencia a duracao do efeito pos-prandial (JOBLING, 1994), consistindo em um dado util na avaliacao do retorno do apetite para estimar a frequencia alimentar adequada (LEE et al., 2000). O tempo de passagem do alimento pelo intestino para juvenis de T. carolinus foi estimado em 3h (WILLIAMS et al., 1985), e o efeito pos-prandial para T. marginatus durou 2,5h. Desse modo, os resultados sugerem que a alimentacao de juvenis de pampo pode ser realizada com uma frequencia de aproximadamente oito vezes por dia, pois a cada 2,5h a taxa de consumo de oxigenio ja nao mostra a elevacao caracteristica da fase posprandial, sugerindo que os processos de digestao e assimilacao dos nutrientes foram finalizados.

[FIGURE 1 OMITTED]

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem a Coordenacao de Aperfeicoamento de Pessoal de Nivel Superior (CAPES), pela concessao da bolsa de mestrado para V.L. Cunha e de doutorado para M.H. Okamoto e a ANP pela bolsa de mestrado para R.V. Rodrigues. L.A. Sampaio agradece ao conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnologico (CNPq), pela concessao da bolsa de produtividade em pesquisa (processo 301673/2006-3).

REFERENCIAS

BEAMISH, F.W.: TRIPPEL, E.A. Heat increment: a static or dynamic dimension in bioenergetic models? Transactions of the American Fisheries Society, Bethesda, v.119, n.4, p.649-661, 1990.

BROWN, J.A.G. et al. Oxygen metabolism of farmed turbot (Scophthalmus maximus). I. The influence of fish size and water temperature on metabolic rate. Aquaculture, Amsterdam, v.36, p.273-281, 1984.

FEELEY, M.W. et al. Elevated oxygen uptake and high rates nitrogen excretion in early life stages of the cobia Rachycentron canadum (L.), a fast-growing subtropical fish. Journal of Fish Biology, Oxford, v.71, p.1662-1678, 2007.

FITZGIBBON, Q.P. et al. The energetic consequence of specific dynamic action in southern bluefin tuna Thunnus maccoyii. Journal of Experimental Biology, Cambridge, v.210, p.290-298, 2007.

FU, S.J. et al. Effect of feeding level and feeding frequency on specific dynamic action in Silurus meridionalis. Journal of Fish Biology, Oxford, v.67, p.171-181, 2005.

GUINEA, J.: FERNANDEZ, F. The effect of SDA, temperature and daily rhythm on the energy metabolism of mullet Mugil saliens. Aquaculture, Amsterdam, v.97, p.353-364, 1991. JOBLING, M. Fish bioenergetics. Londres, UK: Chapman & Hall, 1994. 309p, 1994.

LAZO, J.P. et al. The effects of dietary protein level on growth, feed efficiency and survival of juvenile Florida pompano (Trachinotus carolinus). Aquaculture, Amsterdam, v.169, p.225-232, 1998.

LEE, S-M. et al. Effects of feeding frequency and dietary moisture content on growth, body composition and gastric evacuation of juvenile Korean rockfish (Sebastes schlegeli). Aquaculture, Amsterdam, v.187, p.399-409, 2000.

REQUENA, A. et al. The effects of temperature rise on oxygen consumption and energy budget in gilthead sea bream. Aquaculture International, Dordrecht, v.5, p.415-426, 1997.

SAMPAIO, L.A. et al. Tolerancia de juvenis do pampo Trachinotus marginatus (Teleostei, Carangidae) ao choque agudo de salinidade em laboratorio. Ciencia Rural, v.33, p.757-761, 2003. Disponivel em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S010 384782003000400027&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt>. Doi: 10.1590/ S0103-84782003000400027.

TUTMAN, P. et al. Preliminary information on feeding and growth of pompano, Trachinotus ovatus (Linnaeus 1758) (Pisces; Carangidae) in captivity. Aquaculture International, Dordrecht, v.12, p.387-393, 2004.

WILLIAMS, S. et al. Value of menhaden oil in diets of Florida pompano. Progressive Fish Culturist, Bethesda, v.47, p.159-165, 1985.

Viviana Lisboa Cunha (I) Ricardo Vieira Rodrigues (I) Marcelo Hideo Okamoto (I) Luis Andre Sampaio (II)

(I) Programa de Pos-graduacao em Aquicultura, Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Rio Grande, RS, Brasil.

(II) Laboratorio de Piscicultura Marinha, Instituto de Oceanografia, FURG, CP 474, 96201-900, Rio Grande, RS, Brasil. E-mail: sampaio@mikrus.com.br. Autor para correspondencia.
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Author:Cunha, Viviana Lisboa; Rodrigues, Ricardo Vieira; Okamoto, Marcelo Hideo; Sampaio, Luis Andre
Publication:Ciencia Rural
Article Type:Report
Date:Jul 1, 2009
Words:1603
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