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Postharvest quality preservation of 'Bruno' kiwifruit by ethylene control/Preservacao da qualidade pos-colheita de kiwi 'Bruno' pelo controle do etileno.

INTRODUCAO

A producao brasileira de kiwi concentra-se na regiao Sul, com destaque para cultivar Bruno, que apresenta baixo requerimento de horas de frio hibernal (SCHUCK, 2008), sendo a colheita realizada normalmente nos meses de abril e maio. A adocao de tecnicas para aumento da conservacao da qualidade dos frutos e essencial para a expansao do periodo de oferta e comercializacao apos a colheita. A maioria das praticas de manejo pos-colheita usadas atualmente para prolongar a vida pos-colheita de kiwi envolve a reducao dos efeitos do fito-hormonio etileno e da respiracao climaterica.

A sensibilidade de frutos a acao do etileno varia com a especie, concentracao do fito-hormonio e o tempo de exposicao. O kiwi tem sido considerado uma das especies cujos frutos apresentam a maior sensibilidade ao etileno (CRISOSTO et al., 2000). Pesquisas sugerem que a presenca de etileno em concentracoes inferiores a 10 nL.[L.sup.-1] de etileno no ambiente de armazenamento e suficiente para rapido amolecimento dos frutos. As principais consequencias do etileno no ambiente de armazenamento estao relacionadas a perda de firmeza de polpa e a rapida senescencia dos frutos (ARPAIA et al., 1994), reduzindo assim o periodo de conservacao.

Considerando que o etileno tem papel critico sobre o amadurecimento e a conservacao pos-colheita de kiwi, varias estrategias tem sido adotadas visando a inibir a sintese e/ou acao desse hormonio. A refrigeracao dos frutos apos a colheita reduz a taxa respiratoria e retarda a deterioracao da qualidade de kiwi (MITCHELL, 1994). Mesmo assim, o potencial de armazenamento de kiwi em ambiente refrigerado sob atmosfera do ar e limitado a tres meses, dependendo da cultivar (BONGUI, 1996). O armazenamento sob atmosfera controlada (AC) envolve o monitoramento e o controle das concentracoes de oxigenio ([O.sub.2]), gas carbonico (C[O.sub.2]) e em alguns casos do etileno, alem da temperatura e umidade relativa, constituindo-se em uma alternativa para aumento do potencial de conservacao da qualidade dos frutos apos a colheita em relacao a AA (MAZARO et al., 2000). O uso de AC com 2,0kPa de [O.sub.2] e 5,0kPa C[O.sub.2] pode estender o periodo de conservacao de kiwi em mais de seis meses (ARPAIA et al., 1986). Contudo, para que as tecnicas de refrigeracao e AC sejam eficientes, deve-se evitar expor os frutos ao etileno, mesmo que a exposicao ocorra por poucos minutos (ARPAIA, 1994). A remocao do etileno, em ambiente de armazenamento de kiwi, e recomendada para conservacao por longos periodos (CRISOSTO et al., 2000), podendo ser obtida com a utilizacao de agentes oxidantes do etileno, como o permanganato de potassio (KMn[O.sub.4]).

O 1-metilciclopropeno (1-MCP) interfere na habilidade dos frutos em responderem ao etileno por se ligar de forma irreversivel ao seu sitio receptor (BLANKENSHIP; DOLE, 2003). Atualmente, o 1-MCP e amplamente usado comercialmente em camaras de armazenamento de maca e pera, especialmente para melhorar a conservacao da firmeza da polpa e retardar o desenvolvimento de disturbios fisiologicos associados a acao do etileno.

Objetivou-se determinar o efeito do 1-MCP sobre a conservacao pos-colheita de kiwi, cultivar Bruno, armazenado sob atmosfera do ar e atmosfera controlada.

MATERIAL E METODOS

Dois experimentos foram conduzidos com kiwi (Actinidia deliciosa) cultivar Bruno. Os frutos foram colhidos em abril de 2003 e 2004, em pomar comercial localizado no municipio de FraiburgoSC. Apos a colheita, foram selecionados frutos de tamanho uniforme e sem defeitos, os quais foram posteriormente homogeneizados e separados aleatoriamente em quatro grupos para a formacao das amostras experimentais. No experimento I, frutos tratados com 1-MCP e sem tratamento foram armazenados sob atmosfera do ar (AA), enquanto no experimento II, frutos tratados com 1-MCP e sem tratamento foram armazenados sob atmosfera controlada (AC).

Geracao, aplicacao e medidas da concentracao de 1-MCP:

Os frutos foram resfriados a 2[degrees]C logo apos a colheita. Parte dos frutos de cada experimento foi tratada com 1,0 [micro]L.[L.sup.-1] de 1-MCP tres dias apos a colheita em camara hermetica de 1 [m.sup.3], durante 24h, enquanto outra parte dos frutos permaneceu sem receber o produto, sob as mesmas condicoes, correspondendo ao tratamento-controle. O gas 1-MCP foi gerado misturando-se EthylBlock[TM] (0,14% de 1-MCP, Rohm and Haas Quimica Ltda.) e agua a 25[degrees]C, num frasco de 500 mL, conectado a camara de tratamento. O gas 1-MCP foi bombeado para a camara de tratamento num sistema fechado, durante 15min (tempo necessario para atingir a concentracao de interesse). A concentracao de 1-MCP durante o tratamento foi determinada por cromatografia gasosa (ARGENTA et al., 2003), usando-se gas 1-MCP (AgroFresh Inc., PA, EUA) como padrao.

Condicoes de armazenamento:

Os frutos foram armazenados em camaras comerciais carregadas com kiwi 'Bruno', em Fraiburgo-SC. No experimento I, os frutos foram armazenados sob AA (0,0 [+ or -] 0,5[degrees]C e UR 90 [+ or -] 3%), e no experimento II sob AC (2,0kPa de [O.sub.2] + 4,5kPa de C[O.sub.2]/0[degrees]C [+ or -] 0,5[degrees]C e UR 92 [+ or -] 3%) com baixo etileno. Os frutos foram submetidos a AC um dia apos a aplicacao do 1-MCP. Em ambas as condicoes de armazenamento (AA e AC), a temperatura do ambiente de armazenamento foi monitorada em intervalo de seis horas, com auxilio de um termometro de mercurio, enquanto a umidade relativa foi analisada semanalmente, com o auxilio de psicrometro. As concentracoes de [O.sub.2] e C[O.sub.2] foram monitoradas a cada hora por analisadores eletroquimicos e IRGA, respectivamente, e ajustadas automaticamente pela injecao de ar atmosferico e/ou adsorcao do C[O.sub.2] por carvao ativado. Um sistema de oxidacao do etileno do ar foi usado para prevenir o acumulo de etileno no ambiente sob AC. As concentracoes de etileno foram periodicamente determinadas em ambos os ambientes de armazenamento (AA e AC).

Analise dos frutos:

As avaliacoes da qualidade dos frutos foram realizadas na colheita e, periodicamente, durante o armazenamento. Para o experimento I, as avaliacoes foram realizadas apos 30; 60; 90 e 120 dias de armazenamento refrigerado, mais um e sete dias a 23[degrees]C. No caso do experimento II, as avaliacoes foram realizadas apos 60; 90; 120 e 150 dias de armazenamento refrigerado, mais um e sete dias a 23[degrees]C. Durante o periodo de prateleira (sete dias a 23[degrees]C), os frutos ficaram expostos ao etileno (1,0 [micro]L.[L.sup.-1]).

Os frutos dos dois experimentos foram analisados quanto a firmeza da polpa, teor de solidos soluveis (SS), acidez titulavel (AT), taxas respiratoria e de producao de etileno, e incidencia de disturbios fisiologicos.

A analise da firmeza da polpa foi realizada em um lado da superficie de cada fruto, onde previamente foi removida a epiderme, pela utilizacao de um penetrometro com ponteira de 8 mm de diametro (Guss, Africa do Sul). Para as analises de SS e AT, foi extraido o suco de amostra de tecido da seccao equatorial dos frutos. O teor de SS foi determinado com auxilio de um refratometro digital com compensacao automatica da temperatura (Atago, Tokio). A AT foi determinada com auxilio de um titulador automatico (Radiometer, Lyon, Franca), por meio da titulacao de 4 ml de suco, diluidos em 20 ml de agua, ate pH 8,1 com hidroxido de sodio 0,1N. Para analise de incidencia de pericarpo translucido e pericarpo senescente, foram realizados cortes na seccao transversal de cada fruto, atribuindo-se notas (1--ausencia; 2--presenca). As avaliacoes da taxa de producao de etileno e taxa respiratoria foram realizadas diariamente, apos o armazenamento, em 2003. Amostras de frutos foram colocadas em jarras de 4L, supridas com ar comprimido, livre de etileno, com fluxo de 100 mL.[min.sup.-1], e mantidas a 23[degrees]C. As concentracoes de etileno e C[O.sub.2] no ar efluente foram determinadas por cromatografia gasosa, conforme descrito por Argenta et al. (2003).

Delineamento experimental e analise estatistica:

Os experimentos foram conduzidos em delineamento inteiramente casualizado. Para as analises de firmeza da polpa e disturbios fisiologicos, foram utilizados, em cada ano, 20 repeticoes (cada repeticao correspondendo a um fruto). Para determinacao de AT e SS, foram utilizadas, em cada ano, quatro repeticoes de cinco frutos. Devido a ausencia de efeito interativo entre os anos de estudo (2003 e 2004) os dados foram analisados em conjunto. Para determinacao da taxa de producao de etileno e taxa respiratoria foram utilizadas tres repeticoes, constituidas de seis a sete frutos.

Os dados foram submetidos a analise da variancia, e a diferenca minima significativa entre tratamentos e periodos de armazenamento, determinada pelo teste de Fisher (p < 0,05), utilizando o programa SAS.

RESULTADOS E DISCUSSAO

Os frutos apresentaram, na colheita, firmeza da polpa de aproximadamente 67 N e teor de SS de 8,3%, em 2003, e firmeza da polpa de 63 N e teor de SS de 8,7%, em 2004.

O tratamento com 1-MCP frequentemente retardou o aumento acentuado da taxa de producao de etileno (Figura 1) e reduziu as taxas respiratorias (Figura 2) durante o periodo de prateleira, apos remocao de camara fria, dependendo da atmosfera e do periodo de armazenamento. Esses resultados evidenciam o efeito do tratamento 1-MCP sobre o controle do amadurecimento de kiwi.

O aumento da producao de etileno apos o armazenamento sob AC foi menor em frutos tratados com 1-MCP em relacao a frutoscontrole, especialmente depois de 90 e 120 dias de armazenamento (Figura 1). A maxima taxa de producao de etileno em frutos-controle mantidos sob AC foi observada aos cinco e seis dias a 23[degrees]C, apos 90 e 120 dias de armazenamento a 0[degrees]C, respectivamente.

Frutos-controle armazenados sob AA apresentaram baixa taxa de producao de etileno durante os sete dias a 23[degrees]C, mesmo apos 60 dias de armazenamento refrigerado (Figura 1). Ja, frutos tratados com 1-MCP e armazenados sob AA apresentaram aumento da taxa de producao de etileno durante os sete dias a 23[degrees]C, apos 90 e 120 dias de armazenamento a 0[degrees]C. A baixa capacidade de producao de etileno de frutos-controle apos 90 e 120 dias de armazenamento sob AA pode ser atribuido ao estadio avancado de amadurecimento dos frutos, indicado pelos baixos valores de firmeza da polpa (Figura 3), alto indice de frutos com pericarpo translucido (Tabela 1) e, especialmente, pelo desenvolvimento de pericarpo senescente (Tabela 2). Segundo Brecht e Kader (1984), o desenvolvimento de senescencia pode danificar o sistema enzimatico responsavel pela conversao do ACC em etileno. A reducao da capacidade de producao de etileno apos o armazenamento sob baixa temperatura tambem pode estar associada ao desenvolvimento de injuria pelo frio ou da sua interacao com o desenvolvimento de senescencia. No estudo, nao foi identificado injuria pelo frio.

Frutos-controle armazenados sob AA exibiram taxa respiratoria significativamente superior aquela de frutos tratados com 1-MCP, independentemente do periodo de armazenamento (Figura 2). A baixa taxa de producao de etileno em frutos-controle armazenados sob AA (Figura 1), em associacao ao desenvolvimento de senescencia (Tabela 2), sugere que o aumento acentuado da taxa respiratoria destes frutos, apos 90 e 120 dias de armazenamento a 0[degrees]C, ocorreu, em parte, devido a ativacao do metabolismo fermentativo. Analises informais indicaram aroma alcoolico nos frutoscontrole armazenados por 90 ou 120 dias sob AA, mais sete dias a 23[degrees]C.

Os principais indicadores do fim do armazenamento de kiwi sao o amolecimento da polpa a niveis criticos inferiores a 18 N e o desenvolvimento de podridoes e/ou disturbios fisiologicos; entretanto, para o consumo, os frutos devem apresentar firmeza da polpa entre 7 e 9 N (ARPAIA et al., 1994).

A reducao da firmeza de polpa foi acentuada apos 30 e 60 dias de armazenamento, em frutos sob AA e AC, respectivamente, durante os sete dias a 23[degrees]C (Figura 3), em ambos os anos. Resultado semelhante de perda da firmeza da polpa foi observado por Manolopoulou e Papadopoulou (1997) nas cultivares Bruno, Monty e Hayward, apos seis semanas de armazenamento sob AC a 0[degrees]C. A maxima conservacao da firmeza ocorreu em frutos tratados com 1-MCP e armazenados sob AC (Figura 3).

As perdas de firmeza da polpa de kiwi 'Bruno', nos dois primeiros meses mais sete dias a 23[degrees]C, foram de 66 e 46% para o tratamento-controle e 1-MCP, respectivamente, quando armazenado sob AC, e 94 e 82% para o tratamento-controle e 1-MCP, respectivamente, quando armazenado sob AA. Esses resultados evidenciam o efeito aditivo do tratamento 1-MCP e da AC sobre o retardamento do amolecimento dos frutos. Houve rapida deterioracao da firmeza da polpa durante armazenamento sob AA, mesmo quando os frutos foram tratados com 1-MCP. Isto foi relacionado, em parte, a presenca de etileno em concentracoes acima de 200 nL.[L.sup.-1], enquanto sob AC, a concentracao de etileno no ambiente de armazenamento manteve-se inferior a 40 nL.[L.sup.-1] durante todo o periodo experimental. Resultados semelhantes foram observados por Brackmann et al. (1995), quando kiwis 'Monty', 'Abbot', 'Bruno' e 'Hayward', mantidos sob AA, amadureceram rapidamente apos 72 dias de armazenamento na presenca de etileno.

A partir de 60 dias de armazenamento sob AC ou AA, mais um e sete dias a 23[degrees]C, houve pequena mudanca na firmeza da polpa em frutos-controle e tratados com 1-MCP (Figura 3). No entanto, frutos tratados com 1-MCP mantiveram-se com firmeza da polpa significativamente superior aquela de frutoscontrole durante todo o periodo de armazenamento e de amadurecimento a 23[degrees]C. Crisosto et al. (2000) tambem observaram perda do beneficio do 1-MCP sobre a conservacao da firmeza da polpa em kiwis 'Hayward' armazenados sob AA apos quatro semanas. O fato de o 1-MCP efetivamente retardar a perda de firmeza, apenas nas primeiras semanas de armazenamento, sugere que a possivel inibicao da acao do etileno pelo 1-MCP em kiwi e superada pela sintese de novos receptores para o etileno. Apos este periodo, as diferencas entre frutos tratados com 1-MCP e frutoscontrole refletem a manutencao de firmeza da polpa durante o periodo em que o produto esteve ativo.

Os principais eventos relacionados a perda da firmeza da polpa em kiwi sao a degradacao do amido em SS, a degradacao de componentes da parede celular e o decrescimo no potencial osmotico (ARPAIA et al., 1987). A relacao entre firmeza da polpa, potencial osmotico e turgor celular em kiwi ainda precisa ser elucidada (BONGUI et al., 1996). Segundo Arpaia et al. (1987), frutos armazenados sob AC mantem o conteudo de amido de 2 a 4 vezes superior em relacao aqueles armazenados sob AA. Esses autores sugerem que a conversao do amido em SS e o principal evento relacionado ao rapido amolecimento de frutos nos estagios iniciais de reducao da firmeza. Bongui et al. (1996) observaram que a atividade da enzima [alpha]-amilase em kiwi e maior logo apos a colheita, declinando simultaneamente com a reducao da firmeza da polpa dos frutos, e que o aumento da atividade de enzimas envolvidas na degradacao de componentes da parede celular so e considerado o principal evento no amolecimento dos frutos nos estagios avancado de amadurecimento.

Considerando a firmeza da polpa de 18 N como limite inferior para classificacao, embalagem e comercializacao dos frutos e 7 N correspondente ao limite de firmeza da polpa para consumo, o tratamento 1-MCP aumentou o potencial de armazenamento em aproximadamente 30 dias para frutos armazenados sob AA, e em 60 dias para frutos armazenados sob AC (Figura 3).

A firmeza da polpa e o teor de SS sao os atributos de qualidade mais importantes para a determinacao do ponto de colheita e qualidade durante o armazenamento, sendo que a AT tem importancia apenas na qualidade pos-colheita (BRACKMANN et al., 1995). Kiwis apresentam um elevado conteudo de acidos. Os valores sao proximos a 2% da massa fresca da polpa quando os frutos atingirem a maturacao, declinando lentamente apos a colheita (MITCHELL, 1994).

Observou-se reducao da AT durante armazenamento e durante teste de prateleira para frutos de ambos os experimentos. A maxima conservacao da AT foi observada em frutos armazenados sob AC, apos 60 e 90 dias mais um ou sete dias a 23[degrees]C (Figura 3). Nao houve efeito significativo do tratamento 1-MCP, quando associado ao armazenamento sob AC, na conservacao da AT, assim como nao houve efeito do 1-MCP sobre a reducao da atividade respiratoria (Figura 2). Em frutos armazenados sob AA, observou-se decrescimo linear da AT durante todo o periodo de armazenamento e prateleira, e beneficio do tratamento 1-MCP sobre a manutencao da AT (Figura 3). Neves et al. (2003) observaram maior conteudo de acidos em kiwi 'Bruno' tratado com 1-MCP e armazenado sob AA.

O conteudo de SS aumentou durante o armazenamento sob AA e AC (Figura 3). Somente nos frutos armazenados sob AA, na analise realizada com 30 dias mais um dia a 23[degrees]C, o tratamento com 1-MCP manteve menor o teor de SS. Neves et al. (2003) verificaram menor conteudo de SS em kiwi 'Bruno' armazenado sob AA e tratado com 1-MCP, enquanto Waclawovsky et al. (2001) nao observaram estes efeitos em kiwis 'Bruno' e 'Hayward'.

A aceleracao do amolecimento de frutos durante o armazenamento, na presenca de etileno pode levar ao desenvolvimento de disturbios fisiologicos. O desenvolvimento e a severidade de frutos com pericarpo translucido ou senescente aumentam com a duracao do armazenamento (ARPAIA et al., 1994). O tratamento com 1-MCP em frutos armazenados sob AA e sob AC resultou em menor desenvolvimento de pericarpo translucido durante todo o periodo de armazenamento, mais um e sete dias a 23[degrees]C (Tabela 1). O desenvolvimento desse disturbio ocorreu apos 90 e 120 dias de armazenamento sob AA, independentemente do tratamento com 1-MCP. A manifestacao desse disturbio sob AA ocorreu no primeiro mes de armazenamento em frutos-controle, apos sete dias a 23[degrees]C, sendo que apos 60, 90 e 120 dias de armazenamento, a totalidade dos frutos apresentaram desenvolvimento do disturbio. O tratamento 1-MCP retardou o desenvolvimento do dano nos dois primeiros meses de armazenamento sob AA, com incidencia significativamente inferior a frutos-controle apos 90 e 120 dias de armazenamento (Tabela 1). Maximos beneficios do 1-MCP sobre a reducao do desenvolvimento de pericarpo translucido foram observados em frutos armazenados sob AC (Tabela 1).

O tratamento com 1-MCP preveniu o desenvolvimento de pericarpo senescente durante o armazenamento sob AA ou sob AC (Tabela 2). Sob AA, observou-se aumento crescente no desenvolvimento de senescencia em frutos-controle, apos 90 dias de armazenamento a 0[degrees]C mais sete dias a 23[degrees]C. Entretanto, frutos tratados com 1-MCP e armazenados sob AA ou sob AC nao desenvolveram sintoma de senescencia durante todo o periodo experimental. Contudo, frutos-controle armazenados em AC desenvolveram sintomas de senescencia apos 150 dias de armazenamento a 0[degrees]C, mais sete dias a 23[degrees]C (Tabela 2).

[FIGURE 1 OMITTED]

[FIGURE 2 OMITTED]

[FIGURE 3 OMITTED]

CONCLUSOES

1-O tratamento com 1-MCP aumenta a conservacao da firmeza da polpa e reduz o desenvolvimento de pericarpo translucido e senescente, tanto para frutos armazenados sob atmosfera do ar (AA) quanto sob atmosfera controlada (AC com baixo etileno).

2-A reducao da producao de etileno pelo 1-MCP, apos remocao da camara fria, e mais evidente nos frutos armazenados sob AC com baixo etileno que sob AA.

3-A reducao da taxa respiratoria e o aumento da conservacao da acidez pelo 1-MCP, apos remocao da camara fria, sao maiores nos frutos armazenados sob AA que sob AC.

4-O tratamento com 1-MCP aumenta o potencial de armazenamento em aproximadamente 30 dias sob AA e em 60 dias sob AC com baixo etileno.

5-Nao ha influencia do tratamento com 1-MCP sobre o conteudo de solidos soluveis em ambas as condicoes de armazenamento.

REFERENCIAS

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MARCELO JOSE VIEIRA (2), LUIZ CARLOS ARGENTA (3), CASSANDRO VIDAL TALAMINI DO AMARANTE (4), CRISTIANO ANDRE STEFFENS (5), AMANDA MARIA FURTADO DREHMER VIEIRA (6)

(1) (Trabalho 078-09). Recebido em: 03-04-2009. Aceito para publicacao em: 18-01-2010.

(2) Eng. M.Sc. Centro de Ciencias Agroveterinarias (CAV), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Cx. Postal 281, CEP 88502-970, Lages-SC. E-mail: marcelo@renar.agr.br

(3) Eng. Agr. D.Sc. Estacao Experimental de Cacador (Epagri), C. P. 591, CEP 89500-000, Cacador-SC. E-mail: argenta@epagri.rct-sc.br

(4) Eng. Agr. Ph.D. Centro de Ciencias Agroveterinarias (CAV), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Cx. Postal 281, CEP 88502-970, Lages-SC. E-mail: amarante@cav.udesc.br

(5) Eng. Agr. Dr. Centro de Ciencias Agroveterinarias (CAV), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Cx. Postal 281, CEP 88502-970, Lages-SC. E-mail: a2cs@cav.udesc.br

(6) Eng. Agr. M.Sc. Centro de Ciencias Agroveterinarias (CAV), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Cx. Postal 281, CEP 88502-970, Lages-SC. E-mail: a8amf@cav.udesc.br
TABELA 1--Incidencia de pericarpo translucido (1--ausencia;
2--presenca) em kiwi 'Bruno' tratado ou nao com 1-MCP a 1,0
[micro]L.[L.sup.-1] apos armazenamento a 0[degrees]C sob atmosfera
do ar e atmosfera controlada com baixo etileno, mais um e sete
dias a 23[degrees]C. Fraiburgo-SC (Dados medios 2003 e 2004).

                             Atmosfera do ar (AA)

               1 dia a 23[degrees]C      7 dias a 23[degrees]C
Dias a
0[degrees]C    Controle      1-MCP       Controle      1-MCP

30              1,00 a       1,00 a       1,45 a       1,00 b
60              1,00 a       1,00 a       2,00 a       1,00 b
90              1,95 a       1,12 b       2,00 a       1,30 b
120             1,96 a       1,20 b       2,00 a       1,40 b
150

                           Atmosfera controlada (AC)

               1 dia a 23[degrees]C      7 dias a 23[degrees]C
Dias a
0[degrees]C    Controle      1-MCP       Controle      1-MCP

30
60              1,00 a       1,00 a       1,00 a       1,00 a
90              1,00 a       1,00 a       1,00 a       1,00 a
120             1,00 a       1,00 a       1,00 a       1,00 a
150             1,64 a       1,08 b       1,80 a       1,25 b

* Medias seguidas pela mesma letra na horizontal, entre tratamentos,
para uma mesma data de avaliacao e condicao de armazenamento,nao
diferem significativamente, pelo teste de Fischer (p < 0,05).

TABELA 2--Incidencia de pericarpo senescente (1--ausencia;
2--presenca) em kiwi 'Bruno' tratado ou nao com 1-MCP a 1,0
[micro]L.[L.sup.-1] apos armazenamento a 0[degrees]C sob
atmosfera do ar e atmosfera controlada com baixo etileno,
mais um e sete dias a 23[degrees]C. Fraiburgo-SC (Dados medios
2003 e 2004).

                             Atmosfera do ar (AA)

               1 dia a 23[degrees]C      7 dias a 23[degrees]C
Dias a
0[degrees]C    Controle      1-MCP       Controle      1-MCP

30              1,00 a       1,00 a       1,00 a       1,00 a
60              1,00 a       1,00 a       1,20 a       1,00 a
90              1,00 a       1,00 a       1,42 a       1,00 b
120             1,00 a       1,00 a       1,70 a       1,00 b
150

                           Atmosfera controlada (AC)

               1 dia a 23[degrees]C      7 dias a 23[degrees]C
Dias a
0[degrees]C    Controle      1-MCP       Controle      1-MCP

30
60              1,00 a       1,00 a       1,00 a       1,00 a
90              1,00 a       1,00 a       1,00 a       1,00 a
120             1,00 a       1,00 a       1,00 a       1,00 a
150             1,00 a       1,00 a       1,30 a       1,00 b

* Medias seguidas pela mesma letra na horizontal, entre tratamentos,
para uma mesma data de avaliacao e condicao de armazenamento, nao
diferem significativamente, pelo teste de Fischer (p < 0,05).
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Author:Vieira, Marcelo Jose; Argenta, Luiz Carlos; Do Amarante, Cassandro Vidal Talamini; Steffens, Cristia
Publication:Revista Brasileira de Fruticultura
Date:Jun 1, 2010
Words:4474
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