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Pomeranian community and the use of pesticides: an unknown reality/Comunidade pomerana e uso de agrotoxicos: uma realidade pouco conhecida.

Introducao

A origem da agricultura e datada de aproximadamente dez mil anos atras, e no decorrer dos seculos, muitas modificacoes tecnico-produtivas foram incorporadas com o objetivo de aumentar a producao de alimentos. O processo de modernizacao tecnologica iniciado nos anos cinquenta com a chamada "revolucao verde", somado ao discurso da "modernizacao da economia rural", modificou profundamente as praticas agricolas, gerou mudancas tecnologicas nos processos de trabalho, aumentou a produtividade e, mais recentemente, a agricultura tornou-se uma importante atividade economica, atraves da geracao de divisas na exportacao brasileira. Esses incrementos na producao agricola afetaram diretamente a saude humana, principalmente dos trabalhadores rurais e dos ecossistemas, com o crescimento descontrolado de pragas como insetos, fungos e roedores, e expulsou a fauna e a flora de seus habitats, com a destruicao dos ecossistemas e a sua substituicao por novas areas de expansao de atividades agropecuarias (1). Com a modernizacao da agricultura, os trabalhadores rurais passaram a estar expostos a riscos diversificados e desconhecidos (2).

O elevado e indiscriminado uso de agrotoxicos no pais tem contribuido para a contaminacao ambiental e o aumento das intoxicacoes, principalmente ocupacionais. Estudos de caracterizacao da exposicao em regioes de agricultura familiar tem evidenciado a contaminacao do ambiente de moradia, principalmente a poeira domiciliar, solo, ar e alimentos. Isto se deve a forma de armazenamento dos agrotoxicos, que no meio rural se da na sua maioria no local de moradia, e ao uso de roupas contaminadas no campo, que sao usadas dentro de casa. Outro problema refere-se a proximidade das areas de cultivo, onde o agrotoxico e aplicado, das residencias. Esses problemas, somados a exposicao do trabalhador rural, constituem-se nos principais problemas de saude publica no meio rural brasileiro e em outros paises da America Latina (3-6).

Dados secundarios sobre intoxicacoes por agrotoxicos podem ser encontrados no Sinitox (Sistema Nacional de Informacao Toxico-Farmacologica); porem, Soares et al (7) chamam atencao para a subnotificacao dos casos de intoxicacao. Uma analise da base de dados do Sinitox, referente ao periodo de 1999 a 2003, identificou 64.313 casos de intoxicacao com 1.148 obitos por agrotoxicos de uso geral, dos quais cerca de 42% dos casos de intoxicacao com 747 obitos foram por uso agricola (8). Em 2003, na area rural brasileira, foram registrados 2.519 casos de envenenamento por agrotoxicos de uso agricola, sendo que a Regiao Sudeste foi a de maior numero de casos (1.423) em relacao as demais regioes. Sao Paulo e Espirito Santo foram os estados desta regiao com maior numero de casos registrados na area rural, 1.237 e 105 casos, respectivamente (9).

A exposicao ambiental aos agrotoxicos para a populacao urbana se caracteriza principalmente por uma exposicao cronica, que inclui tambem a seguranca alimentar, ou seja, baixas doses por um longo periodo de exposicao. O Programa de Analises de Residuos de Agrotoxicos em Alimentos (PARA), realizado pela ANVISA, analisou entre 2001 e 2004 cerca de quatro mil amostras de alimentos. O resultado mostrou que 28,5% dos residuos encontrados nos alimentos sao irregulares e que, destes, 83% correspondem a agrotoxicos que nao possuem uso autorizado para as culturas. Somente 17% possuem uso autorizado, mas encontrados em quantidades acima do limite maximo de residuos permitidos pela legislacao (10). Outro problema relacionado a exposicao ambiental em outras regioes do pais refere-se a pulverizacao por avioes e tratores, que em geral acarretam a contaminacao do ar, podendo atingir longas distancias atraves da dispersao dos produtos quimicos e, consequentemente, contaminando os recursos hidricos, a biota e solos (11).

O presente estudo foi realizado em uma comunidade pomerana no Alto Santa Maria, municipio de Santa Maria de Jetiba, regiao serrana do Espirito Santo (Figura1). Trata-se de uma comunidade que preserva suas tradicoes culturais, principalmente a lingua pomerana. Ao longo dessa pesquisa, foi possivel observar o papel da lingua enquanto mantenedor da identidade cultural. O povoamento da regiao de Santa Maria de Jetiba comecou com a chegada, em 1857, de imigrantes vindos da Pomerania. Ate o ano de 1873, pouco mais de 2.000 pomeranos se estabeleceram no Espirito Santo (12). Hoje, os descendentes dos imigrantes que residem na regiao serrana do estado sao considerados uma das ultimas comunidades no mundo onde se fala o pomerano. A area de estudo foi o povoado do Alto Santa Maria, no entorno da microbacia do corrego dos Goncalves, afluente do rio Santa Maria da Vitoria. A principal atividade economica do povoado e a agricultura familiar, que representa uma forte e expressiva tradicao, na qual os filhos dos agricultores iniciam o seu trabalho na roca muito jovem, antes dos dez anos de idade (13,14). Outra caracteristica da regiao e a alternancia da Escola Agricola, onde os alunos frequentam as aulas em uma semana e, na seguinte, sao incentivados a ficar com a familia para que tenham maior convivencia com a atividade agricola e dela participem mais ativamente. Esse povoado caracteriza-se por uma populacao rural, onde vivem 151 familias, representando aproximadamente 720 habitantes. O presente estudo objetiva caracterizar socioeconomicamente a comunidade pomerana do Alto Santa Maria e investigar os principais fatores de exposicao aos agrotoxicos para esta comunidade.

Metodos

O presente estudo e parte integrante do Programa Institucional da Agua da Fiocruz, que realizou um diagnostico socioambiental da comunidade pomerana no povoado do Alto Santa Maria, como parte integrante dos estudos de gestao da bacia do rio Santa Maria da Vitoria no periodo de 2005/2006. Trata-se de um estudo transversal, aprovado pelo Comite de Etica da Fiocruz/ENSP. A abordagem metodologica do estudo foi pautada na experiencia desenvolvida a partir do projeto Geo-Saude (15). Esta abordagem integra a participacao dos atores sociais locais na identificacao dos problemas ambientais prioritarios para a comunidade. Nesta abordagem, os atores sociais interessados no processo de parceria comunidade/projeto reunem-se juntamente com a equipe do projeto para discutirem os principais problemas ambientais e de saude da comunidade local, assim como as possiveis barreiras de impedimento do projeto e possiveis conflitos. Reunioes foram realizadas na escola, nas residencias de liderancas locais e em eventos da comunidade, com o objetivo de discutir os problemas socioambientais locais e seu nivel de importancia para a comunidade. Com base nas informacoes levantadas na primeira etapa, foi elaborado em 2005 um questionario semi-estruturado, aplicado na comunidade residente no entorno da microbacia do Corrego dos Goncalves, no povoado do Alto Santa Maria. As perguntas do questionario foram apresentadas e discutidas com os lideres locais, que revisaram e propuseram adequacao do vocabulario, apropriado para um melhor entendimento da comunidade na conducao das entrevistas, e ampliacao de algumas questoes. O questionario foi inicialmente testado em uma amostra de quinze entrevistas, sendo um adulto de cada propriedade. Com base no resultado do teste piloto, as questoes foram novamente revisadas de acordo com as consideracoes levantadas pelos atores sociais locais, resultando em um questionario semi-estruturado subdividido em seis modulos:

(1) sociodemografico e economico, com perguntas sobre o perfil do entrevistado e de suas condicoes de moradia, bem como sobre o processo de trabalho e sua renda familiar;

(2) saude, com perguntas sobre atendimento medico, principais agravos a saude e tratamento recebido;

(3) habitos pessoais, com questoes relacionadas aos habitos de fumar, uso de bebidas alcoolicas e higiene pessoal;

(4) inquerito alimentar, com perguntas sobre os alimentos consumidos e frequencia do consumo;

(5) producao agricola, com perguntas sobre tamanho da propriedade, tipo de culturas produzidas, destino da producao, criacao de animais e uso de agrotoxicos; e

(6) percepcao socioambiental, com perguntas direcionadas para os problemas da comunidade, assim como a percepcao do entrevistado em relacao a exposicao ocupacional e ambiental aos agrotoxicos.

[FIGURA 1 OMITIR]

Em relacao ao uso de agrotoxicos, o questionario abordou questoes sobre: (a) historico de utilizacao dos agrotoxicos (tipo por cultura e doenca); (b) praticas de uso; (c) uso de equipamento de protecao; (d) frequencia de aplicacao e (e) destino das embalagens.

Para o presente artigo, foram analisadas as seguintes variaveis:

(1) para a caracterizacao das condicoes socioeconomicas: sexo, faixa etaria, grau de escolaridade, renda familiar e atividade ocupacional;

(2) presenca de alguma doenca (variavel construida a partir da pergunta "Tem algum problema de saude?"); e

(3) producao agricola (presenca de assistencia tecnica na pratica agricola, uso de agrotoxicos, tipos de agrotoxicos por cultura, uso de equipamento de protecao, tipo de limpeza da area cultivada, destino das embalagens dos produtos quimicos e frequencia de aplicacao dos agrotoxicos).

Entrevistas individuais foram realizadas em um unico adulto selecionado aleatoriamente de cada uma das 151 propriedades, totalizando-se 151 entrevistas. Nao houve recusa a participacao na pesquisa; porem, houve recusa de parte dos entrevistados em responder algumas questoes do questionario, como renda e aquelas relacionadas a exposicao ao agrotoxico.

Todas as familias do povoado atenderam aos criterios de inclusao para a realizacao das entrevistas, a saber: ter como principal atividade economica a agricultura familiar nos ultimos cinco anos, ter quinze anos ou mais de idade. Todos os entrevistados assinaram um termo de consentimento, concordando com a participacao na pesquisa. As entrevistas, uma por familia, foram realizadas por dois agentes do Programa da Saude da Familia do municipio, ambos pomeranos, apos o treinamento com membros da equipe do projeto para aplicacao dos questionarios. Quando necessario, o termo e o questionario foram traduzidos para o pomerano verbalmente pelos entrevistadores. Todas as propriedades foram georreferenciadas. Apos a coleta de dados, os questionarios foram digitados e revisados e construido o banco de dados.

A analise exploratoria dos dados permitiu caracterizar o processo de trabalho e estimar, atraves de modelos de regressao logistica, o risco de determinados fatores de exposicao. Foram elaborados cinco modelos de regressao logistica. Em quatro modelos, a variavel resposta foi a presenca de algum problema de saude (a variavel dicotomica foi elaborada a partir da pergunta "Qual o seu problema de saude?" e foram incluidas apenas as doencas potencialmente associadas ao uso e exposicao aos agrotoxicos) e as variaveis explicativas foram o tipo de capina da area cultivada (manual, herbicida, manual e herbicida), o uso de agrotoxico, frequencia de aplicacao dos agrotoxicos e o uso de algum equipamento de protecao. Alem disso, um modelo de regressao logistica simples foi ajustado para verificar a significancia da relacao entre o uso de equipamento de protecao e o grau de escolaridade.

Resultados

O municipio de Santa Maria de Jetiba esta localizado na regiao serrana do Estado Espirito Santo, a oitenta quilometros da capital. E o maior produtor de hortalicas do estado. A olericultura representa a atividade mais bem distribuida no municipio, alcancando aproximadamente 80% das 3.000 propriedades familiares existentes. A regiao e importante produtora de cafe, de eucalipto e de mel. Ha tambem atividades de ecoturismo, agroindustria, psicultura, floricultura, fruticultura e producao de tuberculos (12).

Em 2000, o IDH do municipio foi de 0,724, ocupando a posicao 2.550a do ranking dos municipios, enquanto que o IDH do estado foi de 0,765, ocupando a 11a posicao do ranking dos estados (dentre os municipios do Espirito Santo, Santa Maria de Jetiba ocupa a 41a posicao no ranking dos municipios). O municipio apresenta uma populacao de aproximadamente 32.224 habitantes e uma area total de 734 [km.sup.2], com uma densidade demografica de 43,9 hab/ [km.sup.2] (16). A populacao da area urbana e de 5.103 habitantes, o que significa que cerca de 80% da populacao do municipio vivem em propriedades rurais, predominantemente de base familiar. Essas propriedades tem em media vinte hectares e estao inseridas em areas de Mata Atlantica.

Em relacao a populacao entrevistada do Alto Santa Maria, 84% sao donos das propriedades e a forma de trabalho que prevalece na comunidade e o trabalho por conta propria. Segundo esta pesquisa, apenas 5% dos entrevistados possuem propriedades acima de vinte hectares. Esses dados confirmam que a populacao do Alto Santa Maria possui pequenas propriedades, tendo em vista que a area referente a um minifundio (pequena propriedade) equivale em media a dezenove hectares (17). A producao desta comunidade se caracteriza como agricultura de subsistencia, o excedente e vendido na maioria das vezes para atravessadores ou para o comercio de regioes vizinhas, como, por exemplo, a Grande Vitoria.

Segundo os dados levantados atraves das entrevistas, o uso de agrotoxicos na regiao chegou no inicio da decada de oitenta, com a implantacao de energia eletrica e a construcao de sistemas de irrigacao. Ate este periodo, a maior parte do povoado nao conhecia o uso de agrotoxicos. O processo produtivo sofreu importante transformacao; a agricultura antes voltada para a producao de cafe, milho, arroz, cana-de-acucar, feijao e agricultura de subsistencia, foi substituida pela olericultura, com a possibilidade de aumento de rentabilidade na producao agricola. Dessa forma, o uso intensivo de agrotoxicos se iniciou com a implantacao da olericultura e, consequentemente, o controle das pragas.

A Tabela 1 apresenta as caracteristicas socioeconomicas dos entrevistados. A maioria dos entrevistados encontra-se na faixa etaria da populacao economicamente ativa entre 18 a 49 anos.

Dos entrevistados, cerca de 88% nao sabem ler ou possuem ate o 1[degrees] grau incompleto. A populacao mais jovem apresentou grau de escolaridade mais elevado que os mais idosos. Em relacao a renda familiar, mais de 50% das familias vivem com menos de um salario minimo. A principal fonte de renda desta comunidade e a atividade da agricultura familiar, distribuida por todos os membros da familia nas funcoes de capinar, pulverizar o agrotoxico, plantar, arar e colher, na qual aproximadamente 80% trabalham ha mais de dez anos nesta atividade.

Em relacao a producao agricola, os resultados revelaram que o uso de assistencia tecnica, oferecida pela Secretaria da Agricultura do municipio, e pouco presente na regiao; apenas 16% referiram ja ter usado algum tipo de assistencia. Segundo os dados levantados nos questionarios, a limpeza da area cultivada e realizada com capina manual (37%), com herbicidas (12%) e com ambas as tecnicas (51%).

Com relacao ao uso de agrotoxicos, cerca de 60% dos entrevistados afirmaram que utilizam agrotoxicos na producao agricola; as justificativas sao o controle de pragas, o aumento da producao e a tradicao familiar. Segundo a percepcao da comunidade, entende-se por tradicao familiar a transformacao da tecnica do uso da terra por agroquimicos, iniciada no final da decada de oitenta, atraves da pressao externa da regiao. Os 40% restantes desenvolvem a agricultura organica. A palavra "veneno" foi a mais utilizada pelos entrevistados para se referirem aos agrotoxicos. Quanto a frequencia de aplicacao dos agrotoxicos, 44% declararam que fazem a aplicacao semanalmente. Alem disso, segundo os agricultores, a aplicacao e intensificada no verao, devido a maior intensidade de infestacao de pragas e perda do agrotoxico, atraves do carreamento do produto com as fortes chuvas.

Em relacao ao uso de equipamento de protecao individual (EPI), 60% dos entrevistados declararam nao utilizar. Do total de entrevistados, apenas 16% utilizam o EPI completo. Para os que nao usam protecao, as principais justificativas foram a falta de recurso financeiro para comprar o equipamento e o incomodo que o equipamento proporciona. Em relacao ao destino das embalagens dos agrotoxicos, as campanhas realizadas pelo Instituto de Defesa Agropecuaria e Florestal (IDAF), no sentido de sensibilizar a comunidade em relacao a importancia do retorno das embalagens, se refletiram nos resultados das entrevistas, visto que 50% dos que responderam a esta questao devolvem a embalagem ao fornecedor (Tabela 2).

Segundo os dados obtidos no questionario sobre a producao de alimentos, a regiao do Alto Santa Maria possui cultivos temporarios e permanentes; cerca de 60% utilizam ambas as formas de cultivo, ja que a maioria planta mais de um tipo de cultura. A producao de alimentos local e consumida por 98% dos moradores locais. As justificativas para esta afirmativa foram a qualidade dos seus produtos e a necessidade do autosustento. Dentre os produtos cultivados nas lavouras, destacam-se o alho, milho, feijao, verduras, cafe, cebola, cenoura, jilo, repolho, beterraba e berinjela (Tabela 3).

No que se refere ao uso dos agrotoxicos na regiao do Alto Santa Maria, foram relatadas 23 marcas diferentes. Dentre as marcas relatadas, 42% tem a finalidade de fungicida, 38%, de inseticida e 21%, de herbicida. Os agrotoxicos mais citados foram o Gramoxone, Roundup (ambos sao herbicidas) e o Decis (inseticida). Em relacao a classe toxicologica, 8% dos agrotoxicos usados nas culturas sao produtos extremamente toxicos (classe I), 17% sao produtos altamente toxicos (classe II), 50% sao produtos moderadamente toxicos (classe III) e 25% sao produtos pouco toxicos (classe IV) (Tabela 3).

Em relacao aos principais problemas de saude da comunidade referidos pelos entrevistados, mais da metade da populacao do Alto Santa Maria reclama de verminoses, problemas de pele e esquistossomose. Os proprios entrevistados referem-se aos problemas de pele relacionando-os com a exposicao aos agrotoxicos, o que de certa forma confirma a percepcao deste grupo analisado. Com relacao a resposta do entrevistado quanto ao seu problema de saude, 48% deles referiram problemas de saude potencialmente relacionados com o uso e exposicao aos agrotoxicos.

O primeiro modelo logistico elaborado foi um modelo simples (modelo 1), que analisou a presenca de algum problema de saude com o tipo de capina, ou seja, com a limpeza do terreno. Para este modelo, os resultados revelaram que a probabilidade de um individuo ter algum problema de saude e maior entre os que fazem a limpeza da area cultivada usando herbicida, em que o risco da exposicao e aumentado em 267% em relacao aos que fazem a capina manualmente. Quando o modelo e ajustado pela variavel "uso de agrotoxicos" (modelo 2) esta chance e potencializada e passa a ser 639% maior. Outro fator de risco encontrado foi a frequencia de aplicacao dos agrotoxicos; o modelo 3 aponta para o aumento do risco de um individuo ter algum problema de saude quando a frequencia da aplicacao e semanal. Por outro lado, o uso de equipamento de protecao (modelo 4) funciona como um fator de protecao, visto que a chance de um individuo ter algum problema de saude fazendo a capina com herbicida diminui para 257% em relacao a categoria de referencia. O modelo 5 relaciona o uso de equipamentos de protecao com o grau de escolaridade e o resultado revela que, quanto maior o grau de escolaridade, maior e a chance de um individuo usar o equipamento de protecao e menor o risco de exposicao aos agrotoxicos (Tabela 4).

Discussao

Os resultados deste estudo corroboram o impacto da exposicao aos agrotoxicos como uma variavel que contribui diretamente para os efeitos a saude humana. Segundo Soares et al. (18), os trabalhadores rurais que vivem constantemente em contato com os agrotoxicos estao sujeitos as intoxicacoes agudas com graves consequencias para a saude.

O uso dos agrotoxicos na regiao de estudo e intenso, como em outras regioes do Brasil. A re giao, como em outros estudos (19,20), sofreu incentivos do mercado para a compra e utilizacao dos agrotoxicos como uma forma de aumentar a producao, acompanhada da transformacao do processo de producao agricola no modo de subsistencia para a fase de comercializacao dos produtos produzidos como uma fonte de renda.

Segundo os dados do IBGE (16) sobre a populacao do municipio de Santa Maria de Jetiba, a taxa de analfabetismo funcional da populacao de quinze anos e mais e de 32,5% (urbana, 24,3% e rural, 34,3%) e a media de anos de estudo e de 4,4 apenas (urbana, 6,2 e rural, 3,9). A renda mensal familiar per capita corresponde a: ate meio salario minimo--28% da populacao; mais de meio a um salario minimo--31% da populacao; e de um a dois salarios minimos--23% da populacao. Comparando-se as caracteristicas socioeconomicas da populacao estudada do Alto Santa Maria com a situacao da zona rural brasileira, sobretudo do municipio de Santa Maria de Jetiba, observa-se que a baixa escolaridade e renda refletem no modo de vida da regiao (21)

A pratica agricola e o uso dos agrotoxicos apresentaram-se, nos relatos dos trabalhadores rurais, fortemente associados as tradicoes familiares: "Aprendi com a minha familia, aqui ja usava" (agricultor, 24 anos).

A ausencia de tecnicos especializados para auxiliar e instruir os agricultores rurais sobre as doses e tipos de agrotoxicos mais eficazes para cada cultura aumentam os riscos de intoxicacoes, devido ao uso inadequado de determinados produtos quimicos. Na regiao, os agricultores costumam misturar sobras de agrotoxicos, preparando o que eles chamam de "calda", para pulverizacao, cuja pratica pode potencializar os efeitos dos agrotoxicos a saude humana. Os fatores responsaveis pela contaminacao por agrotoxicos, principalmente dos organoclorados, atualmente se devem em grande parte pela inexistencia de aconselhamento tecnico adequado dos orgaos responsaveis pela indicacao agronomica, alem da falta de fiscalizacao e aplicabilidade das leis, a base educacional e campanhas de esclarecimento em relacao aos riscos da exposicao aos agrotoxicos (18,21,22).

A palavra veneno utilizada pelos entrevistados ao se referirem aos agrotoxicos evidencia uma maior percepcao de seus efeitos a saude humana. O presente estudo corrobora a pesquisa realizada por Gomide (23) em diversas regioes do Brasil, na qual mostrou que os agricultores que usam a palavra "remedio" apontam como positivo para a planta a aplicacao dos agrotoxicos, enquanto que os que utilizam o termo "veneno" tem maior clareza sobre os riscos a saude humana e ao meio ambiente.

Os agrotoxicos mais utilizados na regiao do estudo sao muito toxicos para a exposicao humana. A absorcao do produto quimico ocorre tanto pelo trato digestivo quanto pelas vias respiratorias e cutaneas, sendo o contato dermal a principal via de exposicao dos agrotoxicos. O Roundup, um herbicida utilizado na regiao na substituicao da capina manual, cujo principio ativo e o glifosato, pode provocar problemas dermatologicos. O herbicida Gramoxone pode provocar lesoes hepaticas, renais e fibrose pulmonar irreversivel (10). Uma situacao que pode agravar ainda mais a exposicao da populacao do Alto Santa Maria a este tipo de agrotoxico e a presenca de lesoes cutaneas nos membros inferiores dos agricultores, onde a absorcao do produto e mais rapida. O inseticida Decis, do grupo quimico piretroide, pode causar, dentre outras enfermidades, irritacoes nos olhos, alergias de pele e asma bronquica. Na regiao, sao comuns queixas referentes aos problemas que possivelmente envolvem a saude mental (20), tais como depressao, perda de memoria, que podem estar relacionados ao uso de agrotoxicos pertencentes ao grupo quimico dos organofosforados, pois atuam como inibidores irreversiveis das colinesterases, especialmente a acetilcolinesterase no sistema nervoso central (3,10). Outras queixas da comunidade referentes ao estado de saude sao os problemas respiratorios e os dermatologicos.

Atraves desta pesquisa, constata-se que a comunidade entrevistada no povoado do Alto Santa Maria encontra-se vulneravel a exposicao e, consequentemente, as intoxicacoes por agrotoxicos devido ao nivel de toxicidade dos produtos utilizados, falta de equipamentos de protecao adequados, baixa escolaridade, ausencia de um programa de extensao rural que sensibilize os trabalhadores para os riscos associados a saude em decorrencia do uso de determinados agrotoxicos, alem do tempo e frequencia de exposicao. Esses achados corroboram estudos realizados em diferentes regioes do pais e em nivel internacional (3,4,6,7,18,24).

Na comunidade pomerana entrevistada, o grau de escolaridade e a renda sao alguns dos determinantes para o aceite sobre o uso do EPI. Segundo Evans e Kantrowitz (25), as caracteristicas socioeconomicas tem relacao significativa com fatores de risco ambientais. O presente estudo corrobora os resultados de um estudo realizado no municipio de Mage, regiao metropolitana do Rio de Janeiro, com agricultores expostos aos agrotoxicos, que mostrou que as variaveis socioeconomicas influenciam nos niveis de intoxicacao, principalmente o grau de escolaridade (26). A baixa escolaridade e a falta de informacao sobre os riscos de exposicao aos agrotoxicos dificultam o entendimento das informacoes presentes nos rotulos (14). Esses resultados tambem foram evidenciados na pesquisa com a populacao pomerana, agravada pelo fato de uma parte dos agricultores no povoado do Alto Santa Maria nao falarem o portugues.

O desconforto causado pelo equipamento de protecao individual apontado pelos agricultores do Alto Santa Maria tambem foi destacado em um estudo realizado no municipio de Teresopolis, regiao serrana do Rio de janeiro, que avaliou as caracteristicas dos trabalhadores rurais (7).

Diante dos resultados e discussao apresentados neste artigo, e importante ressaltar a necessidade de campanhas direcionadas para a educacao ambiental da populacao de estudo, com enfase no risco de intoxicacao devido ao uso inadequado dos agrotoxicos e da proximidade das moradias das areas de cultivo.

Com relacao as limitacoes deste estudo, destacam-se o pequeno numero de entrevistas para a analise estatistica. Em relacao a linguagem, embora nem todos os entrevistados falassem o portugues, essa dificuldade foi suprimida devido a entrevista ter sido realizada por agentes de saude do municipio que falavam o pomerano. Uma outra dificuldade foi o acesso ao local, considerando as condicoes topograficas e a falta de infraestrutura das estradas de acesso a regiao do Alto Santa Maria.

Como verificado em outras regioes do pais, o municipio de Santa Maria de Jetiba tambem nao esta preparado para atendimento de casos de intoxicacao por agrotoxico, ou seja, nao ha recursos humanos treinados, nem infraestrutura laboratorial que permita confirmar o diagnostico de intoxicacao. Como consequencia, os registros de intoxicacao por agrotoxicos ou atendimento ambulatorial sao subnotificados, o que neste caso dificultam o conhecimento real da intoxicacao por agrotoxico no pais.

As transformacoes observadas nos ultimos anos no processo do trabalho rural do pais, a partir dos avancos tecnologicos, tornaram o agricultor cada vez mais subordinado as variacoes do mercado, contribuindo para a degradacao ambiental e os agravos a saude humana, em consequencia do aumento, qualitativo e quantitativo, indiscriminado de agrotoxicos no pais. Neste sentido, Santa Maria de Jetiba representa um retrato do que se verifica no pais em termos de uso e exposicao aos agrotoxicos.

Colaboradores

LS Viana trabalhou na concepcao e redacao do texto, revisao bibliografica e analise estatistica; SS Hacon, na concepcao e redacao do texto e na concepcao do estudo; L Alvarenga e C Gums, na concepcao do estudo e trabalho de campo, treinamento dos agentes de saude; RA Goldstein, na estruturacao do questionario, banco de dados e trabalho de campo; DF Buss e LR Leda participaram do trabalho de campo e analise de dados.

Agradecimentos

Selene Hammer Tesch (agente comunitaria de saude do Alto Santa Maria) e Debora Tesch (representante do grupo de jovens do Alto Santa Maria); Tatiana Berger, da Secretaria de Saude de Santa Maria de Jetiba; Prefeitura de Santa Maria de Jetiba e suas secretarias; Vilmar Waiandt (tradutor). Tambem a Vice-presidencia de Meio Ambiente da Fiocruz pelo apoio financeiro ao projeto atraves do edital tematico de 2003 do Programa Institucional de Pesquisa em Saude e Ambiente, Conhecimento e acao integrando ambiente, vida e sociedade, da Fiocruz/PDTSP.

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(21.) Moreira JC, Jacob SC, Peres F, Lima JS, Meyer A, Oliveira-Silva JJ, Sarcinelli PN, Batista DF, Egler M, Faria MVC, Araujo AJ, Kubota AH, Soares MO, Alves SR, Moura CM, Curi R. Avaliacao integrada do impacto do uso de agrotoxicos sobre a saude humana em uma comunidade agricola de Nova Friburgo, RJ. Cien Saude Colet 2002; 7(2):299-311.

(22.) Sobreira AEG, Adissi PJ. Agrotoxicos: falsas premissas e debates. Cien Saude Colet 2003; 8(4):985-990.

(23.) Gomide M. Agrotoxico: que nome dar?. Cien Saude Colet 2005; 10(4):1047-1054.

(24.) Hoppin JA, Adgate JL, Eberhart M, Nishioka M & Ryan PB. Environmental Exposure Assessment of Pesticides in Farmworker Homes. Env Health Perspect 2006; 114(6):929-35.

(25.) Evans GW, Kantrowitz E.Socioeconomic status and health: the potential role of environmental risk exposure. Annual Review of Public Health 2002; 23:303-331.

(26.) Peres F, Oliveira-Silva JJ, Della-Rosa HV, Lucca SR. Desafios ao estudo da contaminacao humana e ambiental por agrotoxicos. Cien Saude Colet 2005; 10(Supl.):27-37.

Artigo apresentado em 13/11/2007

Aprovado em 18/11/2008

Versao final apresentada em 10/09/2008

Ludmilla da Silva Viana Jacobson [1] Sandra de Souza Hacon [1] Luciana Alvarenga [1] Roberta Argento Goldstein [1] Carmen Gums [3] Daniel Forsin Buss [2] Luciana Ribeiro Leda [2]

[1] Departamento de Endemias, Escola Nacional de Saude Publica Sergio Arouca, Fundacao Oswaldo Cruz. Rua Leopoldo Bulhoes 1480, Manguinhos. 21041-210 Rio de Janeiro RJ. ludmillaviana@yahoo.com.br

[2] Departamento de Biologia, Instituto Osvaldo Cruz, Fundacao Oswaldo Cruz.

[3] Secretaria de Saude de Santa Maria de Jetiba.
Tabela 1. Caracteristicas socioeconomicas da
populacao entrevistada do Alto Santa Maria,
2005

Caracteristicas               n       %

Sexo

Masculino                      81    53,6
Feminino                       70    46,4

Total                         151   100,0

Faixa etaria

Ate 17                         12     7,9
18 a 34                        60    39,7
35 a 49                        38    25,2
50 ou mais                     41    27,2

Total                         151   100,0

Escolaridade complementar

Nao sabe ler e nem escrever     8     5,3
Escreve o nome                 17    11,3
Primeiro grau incompleto      108    71,5
Primeiro grau completo         11     7,3
Segundo grau incompleto         2     1,3
Segundo grau completo           2     1,3
Nivel superior                  3     2,0

Total                         151   100,0

Renda (R$)

Ate 299,00                     81    55,9
300,00 a 699,00                44    30,3
700,00 ou mais                 20    13,8

Total                         145   100,0

Vinculo de trabalho
Sem contrato                  130    86,1
Contrato rural                 21    13,9

Total                         151   100,0

Tabela 2. Distribuicao das variaveis relacionadas ao
processo de producao de alimentos das familias no
Alto Santa Maria, 2005.

Informacoes                              n     %

Usa agrotoxico?

Sim                                       86    59,7
Nao                                       58    40,3

Total                                    144   100,0

Frequencia de uso

Semanal                                   27    43,5
Quinzenal                                 13    21,0
Mensal                                     5     8,1
Semestral                                  3     4,8
Anual                                     14    22,6

Total                                     62   100,0

Palavra usada para designar o controle
de praga mais eficiente

Remedio                                    4     3,5
Veneno                                    88    78,5
Agrotoxico                                20    18,0
Total                                    112   100,0

Para onde vai a embalagem?

Rio                                        2     2,0
Enterra                                    4     4,0
Queima                                    20    19,7
Devolve ao fornecedor                     52    51,5
Guarda                                    23    22,8

Total                                    101   100,0

Como faz a capina?

Manual                                    52    37,0
Herbicida                                 17    12,0
Manual e Herbicida                        71    51,0

Total                                    140   100,0

Usa equipamento de protecao?

Sim                                       54    40,3
Nao                                       80    59,7

Total                                    134   100,0

Tabela 3. Agrotoxicos utilizados na regiao do Alto Santa Maria, 2005.

Nome comercial      Classe *       Classe        Ingrediente ativo *
                                toxicologica *

Afalon             Herbicida         III         linuron
Agrinose           Fungicida          IV         oxicloreto de cobre
Amistar            Fungicida          IV         azoxistrobina
Karate             Inseticida         II         lambda-cialotrina
Decis              Inseticida        III         deltametrina

Dithane PM         Fungicida         III         mancozebe

Expurgran          Inseticida         IV         malation
Score              Fungicida          I          difenoconazol
Folisuper 600 BR   Inseticida         I          parationa-metilica

Fungiscan 700 PM   Fungicida          IV         tiofanato-metilico
Gramoxone          Herbicida          II         dicloreto de
                                                   paraquate
Manzate            Fungicida         III         mancozebe

Pirate             Inseticida        III         clorfenapir
Roundup            Herbicida          IV         glifosato

Ridomil Gold MZ    Fungicida         III         mancozebe +
                                                   matalaxil-M
Rumo GDA           Inseticida         II         indoxacarbe

Cuprozebe          Fungicida         III         mancozebe +
                                                   oxicloreto de
                                                   cobre
Polytrin           Inseticida        III         cipermetrina +
                                                   profenofos
Folicur PM         Fungicida         III         tebuconazol
Vertimec 18 CE     Inseticida        III         abamectina

Ronstar 250 BR     Herbicida          II         oxadiazona
Tracer             Inseticida        III         espinosade
Curzate BR         Fungicida         III         cimoxanil +
                                                   mancozebe

Nome comercial       Grupo quimico *          Cultura referida

Afalon             ureia                 cebola, cenoura e alho
Agrinose           inorganico            jilo, berinjela e pimentao
Amistar            estrobilurina         beterraba
Karate             piretroide            cebola e repolho
Decis              piretroide            alho, beterraba, repolho,
                                           tomate, cebola, jilo,
                                           berinjela, pimentao
                                           everduras
Dithane PM         ditiocarbomato        repolho, alho, batata
                                           inglesa,batatinha, feijao,
                                           jilo, berinjela e
                                           pimentao
Expurgran          organofosforado       repolho
Score              triazol               beterraba
Folisuper 600 BR   organofosforado       abobrinha, feijao, repolho
                                           e verduras
Fungiscan 700 PM   benzimidazol          jilo
Gramoxone          Bipiridilio           cafe, milho e feijao
                   paraquat
Manzate            Ditiocarbomato        vagem, alho, pepino,
                     mancozeb              pimentao, jilo, abobrinha,
                                           batata, cebola, repolho,
                                           couve-flor, batatinha e
                                           tomate
Pirate             analogo de pirazol    tomate, repolho e beterraba
Roundup            glicina substituida   verduras, cafe, alho e
                                           cenoura
Ridomil Gold MZ    ditiocarbomato        repolho, pimentao e cebola
                     + acilaninato
Rumo GDA           oxadiazina            repolho, beterraba, tomate
                                           e verduras
Cuprozebe          ditiocarbomato        berinjela
                     + inorganico

Polytrin           piretroide +          repolho e beterraba
                     organofosforado
Folicur PM         triazol               berinjela e abobrinha
Vertimec 18 CE     avermectinas          abobrinha, pimentao,
                                           beterraba,repolho,
                                           berinjela e pepino
Ronstar 250 BR     oxadiazolona          cenoura e alho
Tracer             espinosinas           repolho
Curzate BR         acetamida +           jilo, berinjela e pimentao
                     ditiocarbomato

* Fonte: ANVISA

Nota: Os agrotoxicos e a cultura apresentados na tabela foram
Referidos pelos trabalhadores rurais.

Tabela 4. Resultados dos modelos de regressao logistica.

Variavel resposta    Modelos

Presenca             Modelo 1              Coeficiente
de problema
de saude             Tipo de capina
([n,sub.sim] = 66;
[n.sub.nao] = 72)    Manual (n = 52)          0,000
                     Herbicida (n = 17)       1,299
                     Manual e herbicida       0,036
                       (n = 71)

                     Modelo 2

                     Tipo de capina

                     Manual                   0,000
                     Herbicida                2,000
                     Manual e herbicida       0,374

                     Modelo 3

                     Tipo de capina

                     Manual                   0,000
                     Herbicida                1,930
                     Manual e herbicida       0,684

                     Modelo 4

                     Tipo de capina

                     Manual                   0,000
                     Herbicida                1,271
                     Manual e herbicida       0,078

Uso de               Modelo 5
equipamento
de protecao          Escolaridade             0,000

                     Nao sabe ler ate
                       1[degrees] grau
([n.sub.sim] = 54;     incompleto
[n.sub.nao]= 80)       (n = 133)
                       1[degrees] grau         1,462
                       completo ou mais
                       (n = 18)

Variavel resposta             Modelos

Presenca                     OR bruto            p-valor
de problema
de saude
([n,sub.sim] = 66;
[n.sub.nao] = 72)               1,0                --
                               3,67               0,046
                               1,04               0,924

                       OR ajustado por uso
                            de agrotoxico

                        ([n.sub.sim] = 86;
                         [n.sub.nao] = 58)

                                1,0                --
                               7,39               0,010
                               1,45               0,387

                     OR ajustado por aplicacao
                        semanal de agrotoxico

                        ([n.sub.sim] = 27;
                         [n.sub.nao] = 35)

                               1,00                --
                               6,89               0,047
                               1,98               0,311

                      OR ajustado por uso de
                       equipamento de protecao

                        ([n.sub.sim] = 54;
                         [n.sub.nao] = 80)

                                1,0                --
                               3,57               0,049
                               1,08               0,406

Uso de                       OR bruto
equipamento
de protecao                    1,00                --

([n.sub.sim] = 54;
[n.sub.nao]= 80)
                               4,32               0,019
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Title Annotation:ARTIGO ARTICLE
Author:Jacobson, Ludmilla da Silva Viana; Hacon, Sandra de Souza; Alvarenga, Luciana; Goldstein, Roberta Ar
Publication:Ciencia & Saude Coletiva
Article Type:Report
Date:Dec 1, 2009
Words:6077
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