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Political cultures, historical cultures and memory: history and historiography in different uses of the past/Culturas politicas, culturas historicas e memoria: historia e historiografia em diferentes usos do passado.

SOIHET, Rachel et al. (orgs.) Mitos, projetos e praticas politicas: memoria e historiografia. Rio de Janeiro: Civilizacao Brasileira, 2009, 543 p.

Um livro de 543 paginas seccionado por uma apresentacao e 21 textos agrupados em 6 partes, Mitos, projetos e praticas politicas: memoria e historiografia oferece um grande painel temporal e tematico que vai do seculo XVIII ao XXI. Autores e autoras pensam a historia e suas questoes teoricas por objetos especificos: no Imperio do Brasil, simbolos e herois no maio de 1888 e a critica politica de Angelo Agostini; na republica brasileira, os funerais de Pedro II, Jango e a Republica de 1945-1964 e o legado de Fernando Henrique Cardoso; e mais os indios nas historias brasileira e argentina, a memoria e a historia da historiografia no Brasil, debates intelectuais nos Estados Unidos, quilombos e quilombolas, escrita biografica, cinema brasileiro, feminismo, Rio de Janeiro.

Natural que a expressiva quantidade de textos e autores em obras dessa natureza nem sempre contenham a unidade que se propala. A obra agrupa seus vinte e um textos nas seguintes seis partes: "Memoria e historiografia"; "Memorias, mitos e herois"; "Intelectuais, Memorias e projetos politicos"; "Etnicidade, memorias e direitos politicos"; "Genero, memoria e praticas politicas"; "Cidade, corte, capital: entre memorias e historia". As mais de 500 paginas do livro trazem em sua diversidade, porem, senao uma sincronia, itens da plataforma epistemologica que estaria ocupando, hoje, o cerne da reflexao dos historiadores sobre a relacao entre historiografia academica e os usos do passado realizados nas disputas da vida publica politica e social e sobre a atividade disciplinar da historia, contextualizando-a e historicizando-a.

Sob a assinatura das organizadoras, a coletanea e apresentada como "o quarto livro do NUPEHC", o Nucleo de Pesquisas em Historia Cultural, da Universidade Federal Fluminense, com textos articulados pelo que seria a unidade de propositos da atuacao do nucleo: o de ser "um espaco de reflexoes sobre historia e historiografia [...]" (SOIHET 2009, p. 11). (1) Segundo as organizadoras, 0 livro resulta de um seminario realizado na supracitada universidade em 2008, onde a "reflexao sobre as construcoes memoriais que atravessam o saber historiografico e o ensino da historia, alem de outras narrativas sobre o passado" (SOIHET 2009, p. 14) teria sido o eixo.

Duas contribuicoes importantes da coletanea se destacam: primeira, a de considerar a existencia de uma cultura historica como composta por diversos saberes que usam o passado forjando legitimamente um conhecimento que julgam adequados da historia para os fins de suas lutas sociais e politicas. E a segunda contribuicao e a de que naquela cultura, aos historiadores lhes cabe legitimamente um lugar e nao a supremacia do juizo sobre o passado, muito embora seja a eles que em grande parte das vezes se refiram os que usam o passado para fins nao academicos.

A relacao entre cultura e politica e o principal motivo da obra e as categorias cultura politica e cultura historica sao as que acionam a reflexao dos autores em seus textos. Se a primeira engloba linguagens, mitos, ritos, projetos, identidades, a segunda "tem-se revelado util" (SOIHET 2009, p. 13) para se compreender operacoes sociais construtoras de "sentidos de tempo e de historia" (SOIHET 2009, p. 13) manifestos em "dispositivos variados" como o ensino, a historiografia e a memoria. O empenho pela definicao de "cultura historica" forjada na relacao com os conflitos e solidariedades que configuram "culturas politicas" permeia, as vezes mais assumidamente, a preocupacao de boa parte dos autores da coletanea. Ao longo dela, se alguns autores supoem a cultura historica como dado, outros se empenham em defini-la.

Renata Figueiredo de Moraes analisa as festas no Rio de Janeiro entre 13 e 20 de maio de 1888 para pensar uma "cultura historica" como "relacao que uma sociedade mantem com seu passado" (SOIHET 2009, p. 84). As festas de entao construiram imagens da escravidao e dos escravos depois confirmadas pelos historiografos abolicionistas, que fixaram datas, marcos e personagens. A autora reve o legado da escrita da historia abolicionista que se tornou memoria, a qual, hoje, fundamenta reivindicacoes sociopoliticas de grupos afrodescendentes. A fim de problematizar os processos de memorializacao da historia, a autora entende "[que] o passado precisa ser analisado para que seja possivel perceber as distorcoes, ou os diferentes significados que foram atribuidos a lei do 13 de maio" (SOIHET 2009, p. 84).

Ja Cecilia Azevedo faz expressiva incursao na historiografia americana sobre a America Latina a fim de compreender a politica externa americana voltada para o continente na decada de 1960, em funcao do que examina a conformacao de uma cultura politica e historica que da um "sentido especifico a missao americana" no mundo. A autora identifica "interfaces entre os estudos academicos e a formulacao de doutrinas e iniciativas de politica exterior para a America Latina" (SOIHET 2009, p. 185) e ainda pondera sobre uma interacao entre sociedade e academia: o debate sobre a America Latina nos Estados Unidos organizava uma cultura historica num "imaginario bastante arraigado sobre a regiao" (SOIHET 2009, p. 185), traduzido no "confronto [social] entre correntes politico-ideologicas" que se estendia "igualmente no interior das associacoes de estudos e instituicoes de pesquisa" nos Estados Unidos (SOIHET 2009, p. 185).

Numa analise mais abrangente, digamos que Mitos, projetos e praticas politicas problematiza os proprios historiadores e a relacao que estabelecem entre sua cultura historica e cultura politica. Historiadores criam e mantem representacoes do passado e da escrita historica muitas vezes iludidos de que podem faze-lo baseados numa representacao de si mesmos e da historia alheia a praticas de consagracao da memoria e do prestigio social da disciplina academica historia, e esse ponto nao pode ser desprezado na analise e, se necessario, precisa ser criticado.

Em meio a diversidade temporal e tematica da obra, e significativo que a palavra "memoria" apareca nos titulos de suas seis partes. Os textos da coletanea reiteram o aprofundamento do autoexame disciplinar da historia, baseado na ideia de que as escritas da historia, se deixadas sem critica, cristalizam uma memoria de versoes do passado entre outras memorias que poderiam ter sido e nao foram. Mesmo ainda nao inteiramente nuancada, a definicao de cultura historica deve ser tentada e os autores do livro tem isso em mente. Jacques Le Goff, Jeanne Marie Gagnebin, Paolo Rossi, Pierre Nora, Paul Ricouer, Jacques Revel, Beatriz Sarlo, Roger Chartier, Manoel Salgado Guimaraes, Michel Pollak, sao analistas teoricos que endossam boa parte das consideracoes esposadas nos textos.

Os autores analisam a fundamentacao de diversos "usos do passado". E assim o fazem em duas frentes principais: os "usos do passado" como manejo de fatos passados internos ao universo da disciplina Historia e de instituicoes intelectuais conexas e os "usos do passado" como composicao de versoes da historia a fim de faze-las servir a cada um dos adversarios em lutas e conflitos sociais e politicos de cada presente no tempo. Se uma das frentes convida o olhar dos historiadores para si mesmos--praticas, modelos e atividades que os instituem, problematizando-as--a outra desloca o olhar dos historiadores para fora de si mesmos--a episodios, acontecimentos e processos do universo coletivo geral que sao firmados sem interacao com o que fazem os historiadores. Sem interacao aparente, e importante que se diga. Porque uma das qualidades de Mitos, projetos e praticas politicas e a de apontar para a dimensao que vincula producao historica e demandas do presente do historiador, ligando conhecimento especializado e o "universo mais amplo da memoria coletiva" (SOIHET 2009, p. 13). Ha no livro textos sobre os atualissimos embates politicos travados em lutas de afrodescendentes em torno da memoria de herois e feitos como Zumbi e Palmares, as disputas de indios pela definicao de limites de terras demarcaveis em funcao de etnias que precisam justificar-se recorrendo ao passado, os conflitos pela definicao de identidades feministas construidas a partir de acoes passadas de mulheres engajadas, ex-militantes envolvidas em acoes politicas na historia. A coletanea oferece um grupo de textos que enlaca passado pesquisado metodicamente pelo profissional de historia e passado lembrado por agentes do universo mais amplo da memoria coletiva, afinal os termos e pautas da agenda politica social tambem sao organizados e construidos em interacao com o conhecimento academico sistematico--em boa parte do tempo captado pela sociedade via escola e ensino de historia.

As organizadoras do livro perguntam: "que demandas as sociedades, os grupos e os individuos tem colocado para a historia? Como se relacionam memoria e historiografia, cultura e politica? Como aproximar pesquisa academica e ensino escolar de historia?" (SOIHET 2009, p. 11). Angela de Castro Gomes critica o fato de que, na memoria coletiva, tudo de Jango esta restrito a ser o presidente "deposto" em 1964 (SOIHET 2009, p. 36). A importancia do livro esta em apurar transitos diversos de conhecimentos do passado formulados e/ou ratificados por historiadores ou nao e que precisam ser constantemente revisitados. Seguindo as organizadoras, a analise cruzada da politica e da historia pode esclarecer o que leva sujeitos a estabelecerem "usos mais ou menos conscientes da historia e do tempo passado, presente e futuro" (SOIHET 2009, p. 14) com o fim de realizar calculadamente o que seriam ganhos praticos e racionais na arena politica. A articulacao entre cultura politica e cultura historica favorece a reflexao de como individuos e grupos constroem imaginarios e projetos de acao coletiva mediados por representacoes que fazem do passado.

Em Mitos, projetos e praticas politicas, a "memoria" nao se circunscreve ao conjunto de topos epistemologicos que a institui como problema a ser analisado e nem ao universo de praticas regulares da disciplina Historia e de seus praticantes intelectuais historiadores, mas deles escapa, porque nao parece estar mais em questao que os historiadores sejam aqueles que tenham a prerrogativa exclusiva de dizerem o passado. Destituidos dos lugares exclusivos daqueles que "sabem e dizem" a historia, os historiadores estariam vivendo no bojo de uma cultura historica que vai alem deles, mesmo que seus discursos sejam muitas vezes valorizados e apropriados.

Vania Maria Losada Moreira informa das taticas de usos do passado empregadas em conflitos politicos atuais, como os que envolvem o processo de fixacao legal de terras quilombolas derivado das controversias conceituais entre a intelectualidade universitaria e tecnicos do Instituto Nacional de Colonizacao e Reforma Agraria (INCRA) sobre o que e ser legitimo remanescente de quilombos. Para Maria Regina Celestino de Almeida, a homogeneidade de identidades indigenas formulada no processo de construcao dos Estados Nacionais no seculo XIX--e que penetrou entao o universo conceitual da cultura historica academica--hoje ja se reformula pela admissao de constituicoes nacionais que reconhecem a "pluralidade etnica e cultural" de varios estados. E assim que "novas culturas historicas" como a indigena--vao se construindo na luta politica, o que forca a "configuracao de uma nova cultura historica entre os intelectuais" (SOIHET 2009, p. 227).

O fato teria sido algum dia diferente do que hoje e? Teria a "cultura historica academica" sido sempre impermeavel a movimentos sociais, senao a interacao com seres alheios a suas praticas intra-academicas? Se se admite que sempre houve permeabilidade, mesmo que nao percebida, o que haveria de novo, hoje, e que ela parece ter alcancado o status de item de investigacao na pauta teorica dos historiadores, inclusive para que consigam se colocar como criadores tambem de mitos e dogmas. Maria Stela Martins Bresciani critica o que teria se tornado um "dogma" (SOIHET 2009, p. 174): a fundacao da interpretacao do Brasil instituida pela triade Gilberto Freyre, Sergio Buarque de Holanda e Caio Prado Junior, dogma ate hoje repetido por muitos historiadores sem se perguntarem o tempo, os motivos e os interesses que fundaram uma das memorias possiveis do comeco da reflexao historica no Brasil.

Se o subtitulo "memoria e historiografia" em Mitos, projetos e praticas politicas vale pelo que sugere de um projeto investigativo, a incidencia repetida da palavra "memoria" nos titulos das secoes da obra vale como emblema e categoria que lembra ao analista que historia e memoria se interpenetram, com uma ressalva: a primeira nao pode se cristalizar na segunda, sob o risco de qualquer discussao acabar nesse gesto. Tarefa dificil, mas cabe ao historiador precipuamente a incumbencia de nao deixar que isso aconteca.

Talvez por isso o primeiro texto da coletanea, o de Margarida de Souza Neves, discuta questao teorica estrita, examinando a relacao entre a "historia e a cultura da memoria" (SOIHET 2009, p. 21). A autora supoe uma "crise de sentidos" manifesta na "inoperancia" de categorias explicativas dos historiadores e organiza seu texto na base teorica de autores presentes--ora no fundo, ora na superficie--na argumentacao dos demais autores da coletanea. A autora advoga uma relacao necessaria entre historia e memoria, criticando o excesso de passado, a dificuldade de se conseguir esquecer e lembrar em "justa medida" (SOIHET 2009, p. 25).

Os multiplos aspectos que ligam cultura e politica pensadas por meio de conceitos como "cultura politica" e "cultura historica" estao nos textos, materializados em discussoes sobre as taticas e estrategias de "usos do passado". Se Luciana Quillet Heymann analisa o Instituto Fernando Henrique Cardoso, o IFCH, criado por processos que envolvem profissionais que imortalizam o ex-presidente tornando-o exemplo e conferindo-lhe o atributo de uma aquisicao para sempre, Maria Stella Martins Bresciani e Lucia Maria Paschoal Guimaraes dedicam-se aos intelectuais.

Paschoal Guimaraes examina o episodio da transferencia dos restos mortais de Pedro II e Tereza Cristina para o Brasil em 1921. O processo comeca com um projeto apresentado em 1906 que durante quinze anos envolveu varios lances ligados a criacao de um panteao, como solenidades, comemoracoes, atos oficiais e festas publicas, assistidas por milhares de populares: "ao mesmo tempo que tratava de dotar a nacao de um passado, a corporacao dos historiadores nao se descuidava do presente. Empenhou-se na 'fabricacao' da imagem publica do imperador brasileiro" (SOIHET 2009, p. 72). A imagem publica de "amante das letras e das artes", "mecenas", "rei filosofo" foi sendo firmada pelo Instituto Historico e Geografico Brasileiro (IHGB) ao longo do seculo XIX e a figura do soberano foi sendo desatrelada "dos signos da realeza para converte-la em uma figura atemporal e apolitica" (SOIHET 2009, p. 82), amenizando os vicios do regime republicano ao atribuir seus males a herancas e legados. Por muito tempo repetido por intelectuais, o procedimento de ver o imperio e as duas primeiras decadas da republica como males sistemicos construia a consagracao de Pedro II no panteao da historia nacional e preparava o marco analitico personalista que depois justificaria Getulio Vargas e a Revolucao de 30. A autora adverte que a memoria esta aberta "a dialetica da lembranca e do esquecimento, vulneravel a todas as utilizacoes e manipulacoes" (SOIHET 2009, p. 82).

Ja Stella Bresciani examina as "convergencias e oposicoes entre os interpretes do Brasil" (SOIHET 2009, p. 180), contestando posicoes assumidas por pesquisadores no debate intelectual quando adotam acriticamente leituras ja fixadas por outros autores como dogmas. A partir da recusa da famosa Introducao de Antonio Candido a 5a edicao de Raizes do Brasil, a autora nao aceita que intelectuais acatem tao passivamente interpretacoes datadas de outros tempos e contextos. "Adotar acriticamente conclusoes ou parte delas como base de novas pesquisas deixa de lado a importancia do dialogo entre os autores" (SOIHET 2009, p. 181), diz Bresciani, que nao ve tantas dessemelhancas entre as obras de Freyre, Buarque de Holanda e Caio Prado quando comparadas as de Oliveira Vianna e Alberto Torres. O argumento da autora reclama a analise critica da representacao do passado que conduz as constantes rememoracoes dos livros da triade fundadora da historiografia brasileira, volvendo o olhar para certa representacao do passado segundo a vontade de fundar-se a reflexao historico-sociologica no Brasil canonizando autores dali para frente fora de questionamentos.

Ha ainda no livro textos que trabalham as transformacoes da disciplina historia, avaliando a criacao de novos conceitos operativos, suas modificacoes e novos significados, ou mesmo o surgimento de campos de investigacao--como a historiografia--a partir da reavaliacao de praticas que se fizeram tradicao. Fabio Franzini e Rebeca Gontijo imergem na analise da constituicao de uma "moderna historiografia brasileira" (SOIHET 2009, p. 142) as custas da desqualificacao de toda escrita da historia do seculo XIX e das duas primeiras decadas do seculo XX. Estudos sobre a historiografia ganham realce ao se deslocarem das analises e balancos historiograficos de obras e autores para o autoexame dos historiadores e da memoria de sua disciplina, e, ademais, da chave interpretativa que relativizou a certeza de que a reflexao historica no Brasil comecou com a universidade, quando entao a investigacao adequada do passado passou a existir como "formacao" desprezando o conhecimento do passado nao cientificamente orientado de amadores, poligrafos, cronistas, eruditos etc.

Em boa parte dos artigos, a enfase nos--ou ainda a reincidencia dos--termos "usos do passado" e "memoria" age como preparadora do desenvolvimento argumentativo dos autores. Tal fato pode indicar um desafio aos historiadores que pode ser traduzido pela instabilidade que acomete as tentativas de definicao do que e uma "cultura historica". Autores ha--e nao nos referimos aqui exclusivamente a autores dessa coletanea--que passam pela "cultura historica" como se ela fosse autoevidente a ponto de nem precisar ser definida, dada sua naturalidade: algo como expressao da relacao com o passado existente em qualquer sociedade humana, nao restrita a comunidade de profissionais de historia, relacao que de um determinado momento em diante foi considerada pelos historiadores em suas interpretacoes.

Se o bordao "a historia tem historia" nem sempre foi o que organizou--e mesmo justificou--o argumento de um projeto autoinvestigativo disciplinar, agora ele e uma quase-baliza de interacao dos usos do passado elaborados pelos historiadores com os usos do passado realizados por outros sujeitos sociais a cada tempo historico. Talvez ainda nao tenhamos vivido o suficiente para avaliar problemas que levam tempo para se manifestar, mas e provavel que o exame da disciplina Historia problematizada em relacao a culturas historicas e politicas socialmente espalhadas ja tenha dado mostras de vitalidade e ajudado historiadores a reverem mistificacoes em torno de seus papeis sociais, postura em que, talvez, tenham sempre incorrido sem nunca se darem conta.

Os leitores interessados no que a coletanea pode oferecer quanto a estudos de historia da historiografia poderao ler nessa resenha mensagem de cunho politico-epistemologico: a de que a disciplina historica nao contraria a regra de que tudo e todos estao envoltos em questoes e praticas que sao politicas e de poder e ter isso em mente, assumindo que e fato, pode comecar mesmo a modificar uma representacao que fazemos de nossa disciplina alheia as mediacoes das culturas politicas vigentes que precisam ser criticadas, recusando que a cultura politica da historia se transforme em cultura da memoria. Essa pode ser uma leitura possivel dos textos da coletanea. Contribuicao atual a analise dos usos do passado socialmente realizados e das operacoes memoriais que envolvem o malogro ou a continuidade de interpretacoes da historia tornadas memoria, certamente que o livro enseja outras analises e leituras. Aos leitores diversos, eis o convite para conferirem se aceitam ou nao a leitura que ora propomos de Mitos, projetos e praticas politicas: memoria e historiografia.

Keywords

History; Historicity; Historiography.

Palavras-chave

Historia; Historicidade; Historiografia.

Enviado em: 20/12/2011

Aprovado em: 29/2/2012

Bruno Flavio Lontra Fagundes

bflf@uai.com.br

Doutor

Universidade Federal de Minas Gerais Rua do Chumbo, 31/102--Serra 30210-540--Belo Horizonte--MG Brasil

(1) Os tres primeiros titulos foram Ensino de historia: conceitos, tematicas e metodologia (2003), depois Culturas politicas: ensaios de historia cultural, historia politica e ensino de historia (2005), e, em 2007, Cultura politica e leituras do passado: historiografia e ensino de historia.
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Author:Fagundes, Bruno Flavio Lontra
Publication:Historia da Historiografia
Date:Aug 1, 2012
Words:3221
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