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Political Behavior in Organizations: Mechanisms of Intervention/ Comportamento Politico nas Organizacoes: Mecanismos de Intervencao.

Introducao

De acordo com Jarret (2017), a literatura mais recente sobre politica nas organizacoes enfatiza a importancia de entender as formas que a politica pode tomar e como ela pode interferir a favor do bem-estar da organizacao. Os executivos devem estar equipados com um mapa confiavel do cenario politico e conscientes dos recursos de capital politico com os quais podem intervir a favor do bem-estar da organizacao e de seus membros. Segundo Morgan (2002), os dirigentes eficazes sao habeis na atuacao politica ao reconhecerem os conflitos de interesses em jogo e instrumentaliza-los como forca positiva a favor da organizacao.

Esta habilidade e ainda mais demandada no apoio e na gestao de iniciativas inovadoras que por sua natureza, requerem desapego ao status quo e uma alocacao de recursos, eventualmente vultosos, que se reveste de ambiguidade nos objetivos e de incerteza nos resultados. Uzzi (2017) aponta para o comportamento politico, motivado pela agenda de interesses proprios, ocultos ou explicitos, dos gestores como ingrediente presente em projetos organizacionais voltados para a inovacao. Por isto, ele destaca a importancia do que chama de navegacao politica, ou seja, da capacidade de mapeamento dos interesses individuais e do territorio politico como componente relevante na gestao de inovacoes que atendam aos objetivos organizacionais.

Na literatura sobre politica na organizacao nao ha uniformidade na conceituacao de comportamento politico. Contudo, e possivel agrupar as diversas visoes em duas categorias dominantes, com vieses distintos. A primeira possui um vies neutro ao definir a politica como a ocorrencia de determinadas formas de comportamento associadas ao uso do poder e da influencia. Essa visao assume que a politica deriva do conflito sobre alocacao de recursos escassos, ou dos conflitos inerentes a todo tipo de processo decisorio sobre alocacao de recursos ou ainda, de toda acao que requeira qualquer recurso de poder (real ou simbolico) ou de influencia (Mayes & Allen, 1977).

A segunda tende a defini-la como uma acao deliberada de engajamento de um individuo em comportamentos individualistas, divisionistas a custa de terceiros ou da organizacao (Mintzberg, 1973). Essa visao mais negativa sustenta que o comportamento politico surge quando um ator decide fazer prevalecer suas escolhas sobre as dos demais, nao importando se elas vem ao encontro do interesse da organizacao (Pettigrew, 1973). Nao obstante, segundo Mintzberg (1983), o comportamento politico e alimentado por um sistema de poder tecnicamente ilegitimo, uma vez que este nao e formalmente autorizado ou oficialmente sancionado pela organizacao, se contrapondo aos sistemas legitimos da hierarquia formal, das normas e crencas aceitas pela organizacao e da experiencia sempre que certificada oficialmente e sancionada pela autoridade.

Recentemente, a literatura tem apresentado uma abordagem mais favoravel a necessidade de se recorrer a acao politica para viabilizar processos de mudanca, gerir o processo de tomada de decisao, buscar engajamento e garantir alinhamento aos objetivos organizacionais (Buchanan & Badham, 2008; Horchwarter, 2012; Butcher & Clarke, 2003). Entretanto, de forma geral, nao tem sido eloquente na avaliacao dos fatores que poderiam servir para a neutralizacao da acao politica que joga contra os interesses da organizacao e drena as energias que deveriam estar alocadas na busca de resultados. A literatura tampouco indica quais os fatores que contribuiriam para ampliar os efeitos positivos da acao politica como mecanismo para encontrar o equilibrio entre os interesses individuais e coaduna-los em direcao ao objetivo organizacional.

No Brasil, os executivos, principalmente os do setor publico, percebem mais os efeitos negativos do comportamento politico nas organizacoes em relacao a estudos no exterior (De Moraes, 2017). Entretanto, nao ha um estudo de como esses executivos lidam com esses comportamentos. Assim, neste estudo, busca-se estabelecer um paralelo entre a visao dos executivos brasileiros e as diversas visoes trazidas pela literatura quanto a definicao do que e comportamento politico na organizacao. Pretende-se tambem inovar ao procurar identificar os mecanismos de intervencao que sao vistos como ampliadores dos efeitos positivos e redutores dos efeitos negativos da politica na organizacao. Os resultados podem orientar a acao dos gestores e dos tomadores de decisao para adotar a resposta adequada aos desafios de ordem politica que podem ameacar sua jornada pela busca de resultados em suas organizacoes.

Como contribuicao, este estudo adiciona resultados a literatura e a pesquisa nacional, ainda restrita em relacao aos estudos das organizacoes e do processo decisorio, sob uma otica politica e sociologica. Finalmente, esta pesquisa tambem busca conscientizar os estudantes, gestores de projetos e tomadores de decisao, que "varrer a politica para baixo do tapete e mais danoso do que lidar com um tapete cheio de irregularidades" (Brandon & Seldman, 2004 apud Horchwarter, 2012). A incapacidade de lidar com a politica como instrumento capaz de arbitrar interesses podera significar a incapacidade da organizacao em tomar decisoes vitais para seu sucesso ou ate para sua sobrevivencia.

Fundamentacao teorica

Este item abordara a formacao do objetivo organizacional como origem da atividade politica na organizacao, a relacao entre as dimensoes do comportamento politico e o estudo sobre a percepcao dos efeitos positivos e negativos do comportamento politico na obtencao de resultados organizacionais.

Comportamento politico na organizacao

Mintzberg (1985) define a organizacao como uma arena politica e descreve a politica organizacional como um conjunto de sistemas de influencia. Parte destes sistemas, como a autoridade formal, a ideologia (principios e valores da organizacao) e o expertise sao por ele definidos como legitimos por serem amplamente aceitos na organizacao. Ao contrario, a politica e vista como um sistema ilegitimo de influencia quando nao e formalmente autorizado, amplamente aceito ou oficialmente certificado. Contudo, segundo esse autor, da mesma forma que os sistemas legitimos podem ser usados para perseguir fins ilegitimos, a politica, embora meio ilegitimo de influencia, e muitas vezes usada para a obtencao de fins legitimos ou intuitos que contribuam para o bem da organizacao.

Esta definicao de politica na organizacao nao se afasta daquela defendida por Mayes e Allen (1977, p. 675), pela qual "a politica na organizacao e a gestao da influencia para obter fins nao sancionados pela organizacao ou para obter fins sancionados por meios de influencia nao sancionados". A Figura 1 apresenta as dimensoes da politica nas organizacoes, propostas por Mayes e Allen (1977).

Crozier e Friedberg (1977 apud Mintzberg, 1985) afirmam que a politica na organizacao e um mecanismo concreto gracas ao qual os individuos estruturam seu poder e o regulam, sendo um instrumento essencial para a acao organizada. Na mesma linha, Pfeffer (1994) critica a perspectiva da teoria da agencia, pela qual a politica prejudica a eficiencia da organizacao por dissipar as energias dos executivos, restringir o fluxo informacional e distorcer a percepcao sobre a opiniao dos outros. Sustenta, ao contrario, que em ambientes de mudanca ou ambientes inseridos em contextos de ambiguidade e incerteza, a falta de acao politica pode significar a incapacidade da organizacao em tomar decisoes vitais para a sua sobrevivencia. Estes autores parecem sugerir que a politica na organizacao se configura como elemento intrinseco e inerente a atividade organizacional, inerente ao processo de tomada de decisoes intra (e entre) departamentos.

As abordagens de Mintzberg (1985), de Mayes e Allen (1977) e Pfeffer (1994) confirmam a perspectiva de Cyert e March (1992) pela qual o processo decisorio, como sendo descoberta de um determinado caminho de acao que satisfaca a todo o conjunto de requisitos e restricoes, definido pelo papel organizacional, esta na origem da formacao do objetivo da firma. Em contraponto a teoria neoclassica, esta perspectiva assume que a racionalidade dos individuos e limitada, que a adaptacao da organizacao ao ambiente nao e determinada exclusivamente pelo mercado e que o contrato de trabalho nao e capaz de resolver todos os conflitos inerentes a relacao individuo-empresa. Assim como no processo decisorio e particularmente no processo decisorio estrategico, a decisao otima nao e necessariamente aquela que maximiza o lucro da organizacao, mas e a que melhor responde ao conjunto de preferencias dos que participam do processo. Prescindir da compreensao dos aspectos politicos da organizacao, inviabiliza a discussao e a negociacao de interesses conflitantes (Morgan, 2002).

Estas visoes aqui reportadas configuram a relevancia da politica nas organizacoes, embora nao revelem claramente em que medida ela contribui positiva ou negativamente para a obtencao de resultados que favorecam a organizacao. Este estudo trara uma visao expandida das diversas interpretacoes de politica e atividade politica na organizacao obtida na literatura sobre o tema. Alem disto, como a atividade politica se materializa em comportamento politico dos individuos que fazem parte de uma organizacao, este estudo procurara identificar potenciais acoes, comportamentos ou atitudes, na visao de executivos nacionais, que possam alimentar ou orientar a acao politica a favor do objetivo organizacional e vice-versa, alem de neutralizar as acoes que possam distrair a organizacao dos seus objetivos.

Politica nas organizacoes: breve retrospectiva

Nas decadas de '50 e '60, a perspectiva politica da organizacao encontra seus primeiros e principais representantes na Carnegie School, de Richard Michael Cyert, James Gardner March e Herbert Alexander Simon. Surge como contraponto a escola racional normativa pela qual a organizacao, apoiada em um processo de decisao racional e livre de conflitos, tem como objetivo a maximizacao do lucro.

A Carnegie School se contrapoe a perspectiva racional de maximizacao de lucro porque concebe a racionalidade dos tomadores de decisao como sendo limitada. Quando a tomada de decisao, a limitacao de conhecimento, de informacoes e de tempo impoem necessariamente uma visao restrita das alternativas racionais em jogo.

Diferentemente do que alega a escola racional, os autores da Carnegie School tambem sustentam que a organizacao nao responde as demandas do ambiente apenas de acordo com uma logica de mercado, mas por meio de um processo de adaptacao cuja dinamica atende caracteristicas idiossincraticas da propria organizacao. Ainda, os autores sustentam que o processo decisorio e permeado por objetivos individuais nao necessariamente convergentes entre si ou com o objetivo organizacional.

A visao da organizacao como uma composicao de atores distintos com multiplos objetivos fundamenta a perspectiva organizacional como uma coalizao politica, na qual os processos decisorios sao realizados por meio de coalizoes instaveis, que se alimentam da contradicao intrinseca entre os interesses individuais e os da organizacao. O que esta na base da ideia de coalizao e a expectativa que os participantes individuais da organizacao tenham uma ordem de preferencias substancialmente diferentes entre si (Cyert & March, 1992).

A perspectiva politica da Carnegie Schoole mais tarde integrada as nocoes derivadas da teoria da dependencia de recursos (resource dependence theory), proposta por Pfeffer (1981), na qual a enfase se concentra no papel do poder como mecanismo dos individuos de superarem resistencias para alcancarem determinados objetivos. Pfeffer (1981) caracteriza o poder como a habilidade de um ator em adquirir e controlar recursos de valor (valued resources) em relacao aos outros. A politica na organizacao e "o poder em acao" e a tomada de decisao, dentro de um contexto politico, e uma funcao do poder. As decisoes refletem, nesta perspectiva, as preferencias daqueles que tem mais poder.

A concepcao de poder como acesso aos recursos tambem e explorada por autores que analisam a politica e o uso do poder no contexto da teoria de agencia. O papel do poder (ou do exercicio do poder) dentro da firma e promover e proteger investimentos em relacionamentos especificos dentro de um ambiente no qual os contratos sao incompletos. Quanto menor o espaco dos contratos, que podem ser escritos ou impostos, mais importante o papel dos direitos residuais e, portanto, do poder (Rajan & Zingales, 1998).

Ja Mintzberg (1983) propoe uma perspectiva ampliada a de Pfeffer (1981), concebendo a politica como um sistema de influencia ilegitimo. Este sistema e usado em conjunto ou em oposicao aos mecanismos legitimos de poder e influencia identificados na autoridade formal da hierarquia, na ideologia organizacional expressa por valores e crencas e na experiencia como expressao da autoridade derivada do conhecimento especializado.

Em linha com a proposta de Mintzberg (1983), Mayes e Allen (1977) definiram a atividade politica como atos intencionais de influencia para aumentar ou proteger os interesses proprios de individuos ou grupos. Ademais, concebem o comportamento politico como uma atividade nao autorizada empreendida para assegurar resultados que nao seriam obtidos por intermedio dos meios sancionados pela organizacao.

Nao distantes desta posicao, Eisenhardt e Bourgeois (1988), na perspectiva de como se comportam os executivos no processo de tomada de decisao estrategica, definem a politica como acoes observaveis, mas frequentemente encobertas, com as quais os executivos ampliam seu poder para influenciar uma decisao.

Mintzberg (1983) avanca na definicao de comportamento politico alegando que, para uma acao politica efetiva, nao basta o recurso ao uso do poder, e essencial que o ator politico revele vontade e habilidade politica. Ferris e Treadway (2012) defendem estes conceitos e avancaram no intuito de identificar os mecanismos pelos quais a acao de influencia possa ser mais eficaz: "Individuos politicamente habeis sao capazes de diagnosticar adequadamente o contexto social e adaptar seu comportamento a situacao de forma a selecionar os metodos e taticas apropriadas para influenciar os outros" (Ferris & Treadway, 2012, p. 4).

Efeito (positivo-negativo) do comportamento politico

As diversas linhas teoricas e de pesquisa tem se dividido sobre em que medida a atividade politica e os objetivos organizacionais sao, necessariamente, excludentes. Uma excessiva enfase no interesse proprio da atividade politica tem levado autores a considera-la como antietica e exercida as custas dos objetivos organizacionais (Dean & Sharfman, 1996; Kacmar & Baron, 1999 apud Ferris & Treadway, 2012; Randall, Cropanzano, Bormann, & Birjulin, 1999).

Como ja vimos, Cyert e March (1992) entendem que as organizacoes sao compostas por atores que agem por interesses proprios, mas que o fazem construindo coalizoes para promover seus interesses e, por conta deste processo, os interesses da organizacao podem surgir a partir dos interesses individuais. Pratt (1998) adere a este entendimento e afirma que o interesse proprio pode se alinhar aos interesses da organizacao, especialmente quando os individuos percebem sua organizacao como espaco de autorrealizacao.

Diversos autores entendem que uma definicao abrangente do construto de politica nas organizacoes exige um prudente afastamento de julgamentos de valor, pelos quais a politica e concebida ora como negativa ora como positiva para os interesses da organizacao. Nesta abordagem, a politica faz parte e e essencial para a sobrevivencia da organizacao: "a organizacao e intrinsecamente politica, no sentido de que devem ser encontradas maneiras de criar ordem e direcao entre as pessoas com interesses diversos e potencialmente conflitantes" (Morgan, 2002, p.178). Segundo Ferris et al. (2007), a politica representa uma resposta de ordem pratica capaz de influenciar construtivamente o comportamento e os resultados impostos pela ambiguidade organizacional. Para esses autores, a politica na organizacao e o contexto no qual os empregados entendem a ambiguidade inerente ao ambiente de trabalho.

Silvester (2008) argumenta que o comportamento politico funciona como uma inestimavel acao de sensemaking ao promover o compartilhamento de crencas e a construcao de consenso em ambientes de elevada ambiguidade, como e o caso, por exemplo, dos ambientes caracterizados por elevado nivel de incerteza. Considerando que o compartilhamento de sentidos e gerido por meio de processos politicos, a politica se torna um importante instrumento para se atingir objetivos pessoais e organizacionais. A politica e o mecanismo a disposicao da organizacao para encontrar o equilibrio entre os interesses pessoais e coaduna-los em direcao ao objetivo organizacional (Russo, 2010). Ainda de acordo com Pettigrew (1977), politica diz respeito a legitimacao de certas ideias, valores e demandas--nao apenas uma acao resultante de uma legitimidade previamente adquirida.

Lepisto e Pratt (2012), conforme Figura 2, sintetizaram as diversas definicoes que a literatura oferece sobre politica nas organizacoes, destacando especialmente em que medida a atividade politica funciona como catalizadora dos interesses individuais a favor da organizacao ou ao contrario, como atividade de bastidores, movida por auto interesse.

Os autores, com base nesta revisao de literatura, argumentam que: (i) a politica e um fenomeno inerentemente social, pois e uma forma de se agir para obter algo no ambito de um grupo; (ii) a obtencao deste algo se da pelo poder ou influencia social; (iii) o poder e movido por interesse proprio e dirigido a um objetivo; (iv) a politica e mais acionada ou prevalece quando as praticas sancionadas oficialmente nao estao disponiveis ou sao menos efetivas para a obtencao dos objetivos.

Usando a sintese que Lepisto e Pratt (2012) fazem de diversos autores, o comportamento politico possui cinco componentes: 1) acao de um individuo ou de um grupo, 2) orientacao a um objetivo de interesse proprio, 3) utilizacao de acoes de poder e influencia social, 4) em relacao a dois ou mais atores socialmente interdependentes e 5) por meios que nao sao sancionados oficialmente.

Esta sintese revela uma perspectiva na qual prevalece a visao da politica como uma atividade pela qual os individuos buscam atingir interesses pessoais, recorrendo a mecanismos nao sancionados ou aceitos pela organizacao, sempre que as estrutura formais de poder e influencia nao estao disponiveis ou nao funcionam adequadamente. Haveria um espaco de nao politica sempre que os objetivos e os meios de influencia para obte-los fossem sancionados pela organizacao.

Tambem e possivel agrupar as diversas visoes da literatura centrando na questao de o comportamento politico ser um meio de uso do poder e da influencia para favorecer interesses individuais de forma convergente aos interesses organizacionais ou, ao contrario, deliberadamente contra esses interesses. Segundo Gandz e Murray (1980), as diversas visoes de comportamento politico, tal como expressas na literatura, podem ser agrupadas em duas categorias: 1) definicoes que entendem a politica como a ocorrencia de certas formas de comportamento associado ao uso do poder e da influencia e 2) definicoes que enxergam na politica a acao intencional de engajamento em comportamentos direcionados ao interesse proprio a custa da organizacao.

Estas categorias ainda podem ser subdivididas. Na primeira categoria estao os que entendem a politica como consequencia dos conflitos que surgem pela disputa de recursos escassos, os que entendem que ela deriva de toda forma de conflito derivado do processo decisorio e os que associam a politica a uso do poder e da influencia a qualquer causa. Na segunda categoria, encontram-se os que defendem que a politica como sendo uma acao consciente a favor do interesse proprio e contrario a efetividade organizacional. Nesta categoria ha tambem os que identificam a acao politica como uma acao deliberada para proteger o interesse proprio contra interesses de terceiros. Finalmente, ha os que veem a politica como acao daqueles que acreditam que os objetivos podem ser alcancados mais facilmente pelo engajamento em acoes informais, de bastidor e divisionistas.

A partir da analise da literatura e, particularmente, das visoes propostas por Gandz e Murray (1980), este estudo busca captar e analisar a percepcao de politica dos respondentes, representando a visao de individuos com cargos executivos ou de gestao em suas respectivas organizacoes, bem como suas percepcoes sobre mecanismos de intervencao para maximizacao de eventuais efeitos positivos e reducao de efeitos negativos da atividade politica.

Procedimentos metodologicos

Para atender o objetivo de identificar a percepcao de executivos brasileiros sobre as formas de comportamento politico nas organizacoes e mecanismos de intervencao correlatos, utilizou-se uma abordagem de pesquisa qualitativa e exploratoria. Estas escolhas se devem: aos posicionamentos contraditorios observados na literatura sobre o efeito do comportamento politico nos resultados organizacionais, evidenciados na Figura 2, e a falta de estudos empiricos com a analise da percepcao de executivos sobre os temas (De Moraes, 2017).

Esta pesquisa faz parte de um projeto sobre politica nas decisoes desenvolvido por um grupo de pesquisa vinculado a uma universidade publica do Estado de Sao Paulo. Foi elaborado um amplo questionario com base em perguntas abertas e fechadas, para investigar diversos aspectos da politica na organizacao e na tomada de decisao estrategica. Neste artigo, procurou-se identificar a percepcao dos executivos sobre o conceito de comportamento politico, mecanismos para maximizar o efeito positivo e para reduzir o efeito negativo da politica nas organizacoes, tendo como base um questionario aplicado pelo grupo de pesquisa.

Como metodo de pesquisa foi escolhido um levantamento, pois "facilita a pesquisa em areas politica ou eticamente sensiveis", como afirmam Marshall e Rossman (2006, p. 126), sendo apropriado para inferir a percepcao de um grande grupo de pessoas com base nas respostas de um numero reduzido de respondentes. Este levantamento foi aplicado (50% presencial e 50% por meio eletronico) no periodo de dezembro de 2015 e abril de 2016, totalizando uma amostra de 110 respondentes, composta por executivos e gestores brasileiros de varias areas. Para o atendimento do objetivo proposto, alem de questoes demograficas, foram utilizadas as seguintes questoes abertas:

* Questao 1: O que significa comportamento politico nas organizacoes?

* Questao 2: Quais acoes sao efetivas para ampliar os efeitos positivos de comportamento politico nas organizacoes?

* Questao 3: Quais acoes sao efetivas para reduzir os efeitos negativos de comportamento politico nas organizacoes?

Na analise das respostas, utilizaram-se as fases sugeridas por Marshall e Rossman (2006), sem uma previa definicao de categorias para cada questao:

* os dados foram organizados em planilha Excel;

* os autores imergiram nos dados, destacando as frases e conceitos referidos por cada respondente;

* os dados foram codificados e classificados por um dos autores na definicao de comportamento politico, mecanismos de intervencao sobre o comportamento politico e influencia desses mecanismos;

* as codificacoes foram conferidas e ajustadas com a visao dos demais autores;

* as categorias foram interpretadas, segundo os padroes que se revelaram, e reorganizadas para sintetizar os achados, quando surgiram as oito categorias de comportamento politico e as dez categorias de mecanismo de intervencao;

* as categorias foram comparadas com a teoria, o que gerou os resultados e conclusoes deste artigo.

Para interpretar as questoes abertas que procuravam identificar de que forma os respondentes ampliariam os efeitos positivos e de que forma reduziriam os efeitos negativos do comportamento politico, cada resposta foi analisada sublinhando-se as palavras-chave ou frases que apontavam o tipo de intervencao e sentido da acao (de ampliar ou de reduzir). Ao todo, foram computadas 188 palavras-chave ou frases relativas aos mecanismos de ampliacao dos efeitos positivos e 152 aos de reducao dos efeitos negativos.

Apresentacao e discussao dos resultados

Como pode ser visto na Figura 3, uma parcela representativa dos respondentes tem cargo gerencial (52%), como socio, CEO, diretor, gerente e supervisor/coordenador. Na amostra, apenas analistas, assessores e os classificados em outros cargos nao possuem subordinados. Na amostra obtida ha cargos com autoridade de decisao em todos os niveis, com varios tipos de formacao. O percentual mais representativo se encontra na administracao (33%) e na engenharia (24%). Apenas dois dos classificados como "nao respondeu" possuem nivel secundario, os demais possuem nivel superior e pos-graduacao.

Comportamento politico nas organizacoes: percepcao dos executivos

A pesquisa focou na percepcao dos respondentes sobre o significado de comportamento politico, tendo em vista sua experiencia como gestor e sob o contexto de decisoes estrategicas. Utilizando-se as definicoes de politica nas organizacoes (Figura 2) e a definicao de comportamento politico proposta por Lepisto e Pratt (2012), as percepcoes foram classificadas em 8 categorias (A a H), como pode ser visto na Tabela 1.

As categorias F, G e H estao fora dos conceitos de comportamento politico nas organizacoes adotados nesta pesquisa, com baixa aderencia ao cerne da definicao apresentada por Lepisto e Pratt (2012), ou seja, o uso de poder/influencia para atendimento de objetivos pessoais, a favor ou contrarios a organizacao. A categoria F, com 5 respondentes, foi excluida dado que o comportamento politico nao e estranho ao processo decisorio racional, pois como afirma Morgan (2002, p. 210), "ninguem e neutro na administracao das organizacoes". Ha conflitos em qualquer decisao e eles devem ser discutidos e negociados. Com relacao a categoria G, o objetivo da questao formulada e avaliar o comportamento politico no contexto da acao individual na arena organizacional (Mintzberg, 1985), mas nao como decorrencia de uma habilidade pessoal ou tracos de personalidade. A ultima categoria, H, com 21 participantes, foi excluida por fugir do contexto intra-organizacional e, portanto, estranha ao objetivo da pesquisa. As exclusoes de 28 respostas (25%) confirmam a afirmacao de Morgan (2002) que a politica nas organizacoes e um tema geralmente negligenciado ou ignorado.

A primeira dimensao analisada no comportamento politico corresponde ao direcionamento (vies positivo ou negativo) em relacao aos objetivos organizacionais. O vies positivo revela uma percepcao de que o comportamento pode vir ao encontro da realizacao dos objetivos organizacionais. O vies negativo revela o oposto, que o comportamento politico e movido por interesses que visam a realizacao de objetivos pessoais, eventualmente contrarios aos objetivos da organizacao.

Na categoria A, com 17 respondentes, o comportamento politico e entendido como instrumento para se obter resultados ou perseguir os interesses da organizacao e, portanto, revela um vies positivo. Nesta categoria, o comportamento politico e associado a atividade de influencia. Essa categoria conserva certa similaridade com a definicao de Bacharach e Lawler (1980 apud Lepisto, Pratt, 2012) no sentido do comportamento politico se caracterizar como o uso tatico do poder e da influencia para mobilizar apoio a favor ou contra estrategias, politicas ou praticas no contexto da organizacao.

O comportamento politico e visto como a capacidade de se relacionar para manter um ambiente favoravel aos negocios na categoria B com 16 respondentes. Essa visao do recurso ao poder para facilitar a convergencia de interesses individuais no ambiente organizacional reflete, em parte, a visao de Tushman (1977 apud Lepisto, Pratt, 2012) pelo qual o uso do poder pode afetar objetivos, diretrizes e outros parametros da vida organizacional. Mais especificamente, a categoria C, tambem com 16 respondentes, demonstra que o comportamento politico na organizacao decorre do necessario alinhamento dos seus integrantes a cultura da organizacao. A cultura aparece ora como respeito e alinhamento ao codigo de valores, crencas, dentro de um alinhamento com o proposto por Pettigrew (1977) ou ate a ideologia, ora como a adaptacao a uma forma de ser e funcionar da organizacao ("o jeito de jogar o jogo"). Tanto a categoria B como a C refletem, por parte dos respondentes, um vies entre neutro e positivo em relacao aos efeitos do comportamento politico na organizacao.

As categorias D e E, com 10 e 23 respondentes respectivamente, associam mais claramente o comportamento politico como derivado do recurso ao poder e a influencia. A diferenca e que a categoria E associa claramente este recurso a necessidade de se alcancar ou proteger interesses de individuos ou de grupos, ao passo que em D se estabelece uma associacao do comportamento politico com o exercicio deliberado do poder que deriva das tradicionais estruturas hierarquicas de poder nas organizacoes. A categoria D apresenta um vies mais neutro em relacao ao uso do poder para a obtencao de interesses pessoais; nesse sentido, encontra proximidade com a definicao de Valle e Perrewe (2000 apud Lepisto e Pratt, 2012) que entendem que o uso consciente do poder para promover o interesse pessoal pode coadunar ou nao com os interesses de terceiros ou da organizacao.

Na categoria E o uso do poder e mais declaradamente orientado a busca de interesses pessoais ou de grupo. Autores que refletem de forma mais aproximada esta visao sao Randall et al. (1999) e Eisenhardt e Bourgeois (1988) que afirmam ser o comportamento politico a influencia nao sancionada ou acoes encobertas pelas quais individuos lutam por interesses pessoais tendo em vista ampliar seu poder de decisao na organizacao.

Sumarizando na Figura 4, os 49 respondentes agrupados nas categorias A, B e C revelam um vies de neutro a positivo na medida em que percebem a atividade politica como algo intrinseco a dinamica organizacional e como necessario para se obter resultados a favor da organizacao. As categorias D e E revelam um vies de neutro a negativo, pois enxergam a politica como derivacao das estruturas formais de poder ou associada a objetivos de autointeresse. Pode-se afirmar que os 23 respondentes agrupados na categoria E assumem um vies claramente negativo por entenderem a acao politica como exclusivamente motivada pelos interesses proprios, ou na descricao de Mayes e Allen (1977), por objetivos nao sancionados pela organizacao.

E possivel tambem apontar outra dimensao relevante que distingue as visoes dos respondentes em relacao ao uso do poder e da influencia. Uma parte engloba os que entendem a politica como algo derivado das relacoes entre os individuos que compoem a organizacao ou do necessario alinhamento destes individuos a cultura da empresa (categorias A, B e C da Tabela 1). Por outro lado, ha outro grupo que enxerga o comportamento politico como o exercicio consciente e direcionado do poder e da influencia (categorias D e E) para alcancar algum objetivo.

Este estudo obteve respostas analogas a leitura feita pelo Gandz e Murray (1980) que propoem existirem duas variaveis relevantes para acomodar as diversas interpretacoes capturadas tanto na literatura como nesse estudo, concebendo entao o comportamento politico como sendo funcao, de um lado, do engajamento consciente ou nao do individuo a acao politica e, do outro, da direcao da acao politica a favor do interesse proprio ou da organizacao.

Por esta funcao foi possivel mapear e comparar as diversas visoes reportadas na literatura (Figura 2) e as visoes capturadas e categorizadas neste estudo (Tabela 1). O mapeamento foi realizado em um plano no qual no eixo horizontal representa o vies da acao politica, contra ou a favor do objetivo organizacional. A mesma categorizacao usada sobre os resultados da pesquisa (categorias de A a E--Figura 4) foi utilizada para ordenar as diversas interpretacoes encontradas na literatura, reproduzidas na Figura 5. No eixo vertical, usando a categorizacao sugerida por Gandz e Murray (1980), foi representado o grau da acao subjetiva de engajamento do individuo com a intencao de obter algo a seu favor (ou de seu grupo) em detrimentos dos demais na organizacao.

Desta forma, na Figura 5, busca-se distribuir, simultaneamente, as definicoes encontradas na presente pesquisa assim como as diversas definicoes da literatura (Figura 2) sobre comportamento politico ou atividade politica na organizacao. O tamanho dos circulos no grafico representa o numero de respondentes em cada uma das cinco categorias, sendo maior a categoria E, menor a D e com tamanho intermediario as categorias A, B e C. Como e possivel verificar pela distribuicao na Figura 5, as categorias do estudo, em seu conjunto, revelam um vies mais positivo em relacao a media das visoes da literatura, com 49 respondentes agrupados nas categorias A, B e C.

Mecanismos de intervencao nos efeitos do comportamento politico

Quanto a analise das acoes para ampliacao de efeitos positivos e acoes para reducao de efeitos negativos informadas pelos respondentes, as frases ou palavras-chaves foram agrupadas em 10 categorias de mecanismos de intervencao, vide Tabela 2. Importante destacar que algumas categorias aparecem, na visao dos respondentes, como relevantes tanto no sentido de ampliar os efeitos positivos como reduzir os efeitos negativos. Em pouquissimos casos a mesma palavra/frase-chave foi usada para orientar dois tipos diferentes de intervencao e, por isto, apareceu em categorias diferentes. E o caso do termo objetivos comuns ora usado com a ideia de focar em resultado, ora com a ideia de criar ambiente participativo.

Enfatiza-se inicialmente as intervencoes sugeridas pelos respondentes para reduzir os efeitos negativos do comportamento politico. A primeira se resume a recorrer a punicao ou repressao (22 para reduzir x 7 para ampliar) de comportamentos que se revelam prejudiciais a organizacao. Neste caso se faz uma referencia clara ao uso do poder para afastar os individuos que nao estariam alinhados aos objetivos sancionados ou que adotariam meios nao reconhecidos como legitimos (nao sancionados) pela organizacao.

Outra intervencao sugerida pelos respondentes e o estabelecimento de regras e controles (18 para reduzir x 9 para ampliar). Esta visao e coerente com a definicao de Mayes e Allen (1977) pela qual haveria um espaco de "nao politica" sempre que os individuos ou grupos se organizassem em funcao de objetivos sancionados pela organizacao adotando meios (regras) sancionados. Ainda que se possa discordar da hipotese de ser possivel um espaco de "nao politica" na organizacao, e bastante plausivel reconhecer que pela definicao de regras claras (meios sancionados) e mecanismos de controle adequados, a organizacao tende a reduzir os espacos no qual se justifica a acao politica.

As duas intervencoes sao coerentes e poderiam ser entendidas de certa forma como complementares, na medida em que adocao de regras claras para todos seguirem, ao dissipar zonas cinzentas de acao politica, inibiria a necessidade de se recorrer a meios punitivos ou repressivos.

Para os respondentes, ha intervencoes que contribuem nos dois sentidos, para ampliar ou para reduzir, conforme pode ser verificado na Tabela 2. Foco e resultados, recompensa e transparencia foram apontadas intervencoes que podem, em igual medida, ampliar os efeitos positivos e reduzir os negativos. Transparencia nas relacoes e na comunicacao sao indutoras da formacao de um ambiente de confianca e contribuem para legitimar os propositos organizacionais aos olhos dos seus integrantes. A definicao de metas claras e dos mecanismos formais de reconhecimento e recompensa (intervencoes foco e resultados e recompensa) inibe o espaco de negociacoes paralelas, de lobbies de bastidor, do uso de meios de influencia nao sancionados, em resumo, alinham as energias da organizacao na mesma direcao que e o objetivo organizacional.

A ampliacao dos efeitos positivos do comportamento politico, por sua vez, e atrelada mais acentuadamente, segundo os respondentes, as intervencoes de alinhamento, participacao, organizacao e cultura, lideranca etica e desenvolvimento de capital humano. O alinhamento, entendido como um conjunto de conceitos complementares, tais como convergencia, dialogo, negociacao ganha-ganha, networking, e uma intervencao que melhor expressa a dimensao politica que pode ajudar na busca de eficacia organizacional. De certa forma define o ambiente no qual pode prevalecer o uso do poder institucional (socializado) em contraposicao ao uso do poder pessoal (Mcclelland & Burnham, 1995).

O ambiente participativo e estruturas de poder mais horizontalizadas, podem sinalizar empoderamento e estimular o engajamento dos individuos com os objetivos organizacionais. Esta percepcao vem ao encontro das tendencias recentes pelas quais as organizacoes hierarquizadas, baseadas em regramentos rigidos, estaveis, previsiveis, parecem ser um anacronismo (Buchanan & Badhan, 2008).

Segundo os respondentes, organizacao e cultura, como expressao de gestao coerente e sustentavel, de visao e valores claros e respeitados, alem de lideranca etica, sao algumas das intervencoes que podem contribuir para gerar um ambiente favoravel a 'boa' politica. Esta percepcao mantem coerencia com a visao pela qual a politica pode ser vista como elemento de legitimacao de certas ideias, valores, demandas e como instrumento para a gestao de sentido (Pettigrew, 1977).

Lideranca etica, como intervencao que sintetiza conceitos como honestidade, integridade, etica, exemplo e lideranca, aparece como alavanca indispensavel a formacao de um ambiente no qual os dilemas eticos possam ser enfrentados e os interesses individuais possam ser justamente arbitrados na formacao do consenso organizacional.

A ultima intervencao a favor da ampliacao dos efeitos positivos do comportamento politico, o desenvolvimento de capital humano, envolve um conjunto de conceitos bem amplo, mas que sintetiza uma percepcao clara dos respondentes sobre a necessidade de se focar a dimensao humana e profissional no ambiente organizacional. Humana, pelo reconhecimento das necessidades subjetivas e objetivas dos individuos. Profissional, pelo investimento no desenvolvimento da capacitacao e apoio ao crescimento no ambiente de trabalho. O ambiente organizacional e um microcosmo da sociedade. A defesa de direitos e a busca de elementos de justica social se reproduzem em escala diversa, mas analoga no dia-a-dia da organizacao. Respostas adequadas a este tipo de demanda podem incentivar um ambiente que favoreca o comportamento de cidadania organizacional e, por consequencia, o objetivo organizacional. A Figura 6 sintetiza os principais achados com relacao aos efeitos positivos e negativos do comportamento politico.

Consideracoes finais

Da formulacao a execucao estrategica, do enquadramento do problema a escolha das alternativas na tomada de uma decisao, a acao politica molda o caminho que as organizacoes irao tomar. Em contextos nos quais o processo decisorio e afetado por elevado grau de incerteza e ambiguidade, o comportamento politico se torna ainda mais ativo e determinante. O presente trabalho teve como objetivo identificar a percepcao de executivos brasileiros sobre as formas de comportamento politico nas organizacoes e mecanismos de intervencao correlatos. Para atender esse objetivo foi aplicado um levantamento em executivos brasileiros, para o qual houve 110 respostas.

Com relacao a percepcao sobre o conceito de comportamento politico, verificou-se que 44,5% dos respondentes avaliam-no como um direcionador ou viabilizador dos objetivos organizacionais, com uma visao neutra a positiva de sua influencia. Com visao mais negativa sobre o termo, 30% da amostra avalia o comportamento politico como derivado do recurso ao poder e a influencia, seja como recurso a necessidade de se alcancar ou proteger interesses de individuos ou de grupos, ou como exercicio do poder derivado das tradicionais estruturas hierarquicas de poder. O restante da amostra apontou respostas divergentes a literatura pesquisada: 1,8% como atributos pessoais, 4,5% como comportamento estranho ao processo racional e 19,1% como relacionamento da empresa com o ambiente externo. Percebeu-se uma predominancia da visao positiva na pesquisa, diferentemente do predominio do vies negativo da literatura sobre o tema. Esta percepcao alternativa dos respondentes e um dos resultados de destaque do artigo.

Sobre os mecanismos de intervencao, tema pouco discutido na literatura, o artigo contribui com a introducao de sua categorizacao em dez tipos. Destas, cinco acoes sao voltadas predominantemente para a maximizacao dos efeitos positivos do comportamento politico (participacao, alinhamento, lideranca e etica, organizacao e cultura e desenvolvimento do capital humano), duas acoes sao mais vinculadas a reducao de potenciais efeitos negativos (regras / controles e punicao / repressao), enquanto tres tipos de acoes, na visao dos respondentes, auxiliam em ambas direcoes (foco e resultados, recompensa e transparencia).

Como contribuicoes do ponto de vista teorico, o estudo revela uma maior percepcao positiva dos executivos participantes desta pesquisa sobre o termo comportamento politico do que a visao apresentada na literatura. Alem disso, os mecanismos de intervencao propiciam um framework para desenvolvimento de outros trabalhos prescritivos de carater qualitativo ou quantitativo.

Sob a lente gerencial, o artigo demonstra que a politica e necessaria como instrumento para arbitrar interesses, sendo vital para o conjunto de decisoes das organizacoes. Os mecanismos de intervencao, derivados deste estudo, sao alavancas potenciais para o uso do comportamento politico em prol de melhores resultados organizacionais.

Como limitacoes do estudo, destacam-se a dificuldade de generalizacao dos resultados alcancados, seja pelo tamanho da amostra como pela natureza exploratoria do metodo usado, alem da falta de triangulacao dos achados qualitativos com eventuais construtos quantitativos, como a eficacia do processo decisorio. Tais lacunas podem ser sanadas em estudos futuros. Assim, pode-se sugerir, tanto pesquisas qualitativas com foco em entrevistas, obtendo visoes dos varios atores, quanto estudos de casos com avaliacao dos participantes, do processo decisorio adotado e seus resultados.

Espera-se que o presente estudo amplie discussoes sobre o binomio politica e decisoes organizacionais. Desta forma, como potenciais desdobramentos futuros, podem ser realizadas replicacoes desta pesquisa com executivos de distintos niveis organizacionais (apenas executivos de alto escalao, por exemplo), de distintos paises para avaliar a influencia da cultura, assim como pesquisas sobre a efetividade dos mecanismos de intervencao para o atendimento dos objetivos organizacionais, bem como confronto entre o comportamento politico e procedimentos racionais para a tomada de decisao.

DOI: http://dx.doi.org/10.21529/RECADM.2018012

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Agradecimentos

Os autores agradecem as sugestoes e recomendacoes dos avaliadores da RECADM, que contribuiram para o desenvolvimento deste estudo.

Recebido em: 09/02/2018

Aprovado em: 09/04/2018

Ultima Modificacao: 17/06/2018

Rosaria de Fatima Segger Macri Russo (iD), Programa de Mestrado Profissional em Administracao, Gestao de Projetos, Universidade Nove de Julho, Brasil. Doutora em Ciencias (Administracao)--USP/FEA, Brasil.

romacrirusso@gmail.com

Fabiano Rodrigues (iD), Programa de Mestrado Profissional em Producao Jornalistica e Mercado, Escola Superior de Propaganda e Marketing, Brasil. Doutor em Ciencias (Administracao)--USP/FEA, Brasil.

frodrigues@espm.br

Renato Russo (iD), Conselho de Administracao da Sul America Seguros, Brasil. Mestre em Administracao pelo Insper, Brasil.

renatorusso@r2dm.com.br

Abraham Sin Oih Yu (iD), Professor Associado do Departamento de Administracao da FEA-USP, Sao Paulo, Brasil.

PhD em Engineering-Economic Systems, Stanford University, USA.

abraham_sinoih_yu@hotmail.com

Caption: Figura 4: Vies da percepcao sobre o comportamento politico

Caption: Figura 5: O comportamento politico na literatura e na pesquisa

Caption: Figura 6: Sintese da influencia dos mecanismos de intervencao sobre o comportamento politico
Tabela 1: Frequencia de respondentes por categoria de
comportamento politico

   Definicao      Frequencia     Exemplos de respostas      Categoria
                   absoluta

Acao do               17       "Tratase de tentativas de        A
individuo de                   influencia social, uso de
influenciar                    poder para influir na
para alcancar o                tomada de decisoes dentro
objetivo da                    da organizacao".
organizacao
                               "Comportamento politico e
                               o conjunto de decisoes
                               tomado pelo alto escalao
                               da empresa para que o
                               restante do grupo possa
                               atuar'.

Acao de               16       "Comportamento politico          B
individuos para                em organizacoes e
facilitar a                    investir e desenvolver
relacao com                    relacionamentos
outros                         interpessoais de forma
individuos ou                  que possa favorecer
grupos                         objetivos futuros."

                               "Na minha opiniao,
                               comportamento politico
                               seria a forma de se
                               relacionar com os
                               stakeholders dos
                               processos e gerir
                               conflitos. Seria tambem a
                               arte de conviver com a
                               pluralidade de perfis
                               comportamentais presentes
                               nas organizacoes".

Acao do               16       "Sao regras (muitas vezes        C
individuo de                   implicitas) que
alinhamento com                direcionam as atitudes
a cultura                      dos funcionarios/membros
da empresa                     em uma organizacao. Uma
                               especie de "codigo de
                               conduta" social, dentro
                               da organizacao".

                               "Seguir e cumprir as
                               metas, visoes e missoes
                               sempre seguindo os
                               valores da empresa".

Acao de               10       "Comportamento que               D
individuos ou                  envolve a relacao entre
grupos para                    as pessoas e as diversas
obter e exercer                esferas de poder".
o poder na
organizacao                    "Comportamento politico,
                               na minha opiniao, seria
                               uma hierarquia sugerida
                               como base nas classes de
                               poder".

Acao do               23       "Significa para mim fazer        E
individuo para                 contatos e aliancas de
exercer o poder                modo a ganhar algo em
ou influenciar                 troca. Influenciar
para proteger                  pessoas para que te vejam
interesses                     de uma maneira e lembrem
pessoais ou de                 de voce".
grupos
                               "Comportamento poltico e
                               quando os diretores e
                               gestores da empresa
                               comecam a tomar decisoes
                               politicas dentro da
                               organizacao protegendo um
                               ou outro, sem analisar
                               fatos reais".

Comportamento         5        "O comportamento poltico         F
estranho ao                    surge quando ideologias e
processo                       aspectos outros comecam a
decisorio                      ter maior importancia e
racional                       relevancia do que os
                               dados tecnicos e
                               cientificos".
                               "Sagacidade".

Atributos             2        "Pode ser um tipo de             G
pessoais                       atributo, simples, para
                               compreender empatia numa
                               perspectiva tangivel".

Acao de               21       "Seria a forma como uma          H
relacionamento                 organizacao publica ou
da empresa com                 privada decide sua forma
o ambiente                     de atuacao perante o
externo                        ambiente em que ela
                               atua".

Fonte: Autores (2017).

Tabela 2: Distribuicao das citacoes de mecanismos de intervencao no
comportamento politico

 Mecanismos de    Palavras ou frases-chave    Reduzir os   Ampliar os
  intervencao                                  efeitos      efeitos
                                              negativos    positivos

Punicao           Punicao, repressao,             22           7
                  intolerancia, remocao,
                  isolar, acoes
                  coercitivas, tolerancia
                  zero, inibir/coibir,
                  inibir agenda propria,
                  nao tolerar interesses
                  particulares, mapear
                  agendas.

Regras e          Monitoramento, controle,        18           9
controle          regras, normas,
                  governanca, lei,
                  politicas claras,
                  organizacao, compliance,
                  limites, boas praticas,
                  respeito as politicas,
                  politicas para controle
                  de suborno, canal de
                  comunicacao anonimo,
                  respeito a hierarquia.

Foco e            Foco, foco no resultado,        20           19
resultados        resultados, objetivos de
                  resultado, objetivos
                  claros, prioridade,
                  posicionamento/ponto de
                  vista, atividade foco
                  cliente, indicadores,
                  resultados.

Recompensa        Meritocracia, recompensa,       11           12
                  reconhecimento,
                  incentivo/desincentivo.

Transparencia     Comunicacao,                    28           27
                  transparencia, portas
                  abertas, discussao
                  aberta.

Organizacao e     Cultura, visao, boa             7            12
cultura           gestao, planejamento,
                  presenca do gestor,
                  praticas sustentaveis,
                  missao, gestao coerente.

Alinhamento       Relacionamento,                 14           30
                  networking, interacao,
                  alinhamento,
                  convergencia, objetivos
                  comuns, dialogo,
                  conciliador/
                  agregador/negociacao/
                  modulacao, ganha-ganha,
                  ouvir, empatia, feedback.

Participacao      Participacao, integracao,       15           24
                  sinergia/compartilhar,
                  evitar silos, estar
                  junto, aproximacao,
                  abertura/sentindo-se
                  dono, trabalho em equipe,
                  empoderamento, horizontal
                  izacao, colaboracao
                  participativa, hierarquia
                  menor, delegacao, decisao
                  colegiada, relacionamento
                  com todos os niveis,
                  avaliacao 360[degrees],
                  comites, engajamento,
                  respeitar a maioria,
                  evitar concentracao de
                  poder.

Lideranca         Etica, honestidade,             8            21
etica             integridade, lideranca,
                  exemplo.

Desenvolvimento   Capital humano,                 9            27
capital humano    capacitacao, treinamento,      152          188
                  mentorig/coaching,
                  conscientizacao,
                  motivacao, compreensao,
                  amizade, valorizacao ser
                  humano, qualidade de
                  vida, stress/pressao,
                  evitar criticas/
                  reclamacoes,
                  autoconhecimento,
                  religiao, foco nas
                  pessoas, ambiente de
                  trabalho positivo,
                  valores, respeito, bom
                  humor/otimismo/educacao.

Fonte: Autores (2017).

Figura 1: Dimensoes da politica na organizacao

                                 Objetivos da influencia

Meios de Influencia    Sancionados pela       Nao sancionados pela
                       organizacao            organizacao

Sancionado pela        Comportamento de       Comportamento
organizacao            trabalho nao           politico
                       politico               organizacionalmente
                                              disfuncional

Nao sancionados pela   Comportamento
organizacao            politico
                       potencialmente
                       funcional para a
                       organizacao

Fonte: Adaptado de Mayes e Allen (1977, p. 672)

Figura 2: Definicoes comuns de politica nas organizacoes

       Fonte             Definicao de Politica nas Organizacoes

Ferris, Russ and       Processo de influencia social no qual o
Fandt (1989, p.145)    comportamento e estrategicamente desenhado
                       para maximizar um interesse pessoal de
                       curto ou longo prazo, o qual e consistente
                       com ou contra o interesse de terceiros (no
                       qual maximizacao do interesse pessoal se
                       refere a obtencao de resultados positivos
                       ou a prevencao de resultados negativos)

Mintzberg (1983,       Comportamento de individuo ou grupo que e
p.172)                 informal, ostensivamente paroquial,
                       tipicamente divisionista, e, sobretudo, no
                       sentido tecnico, ilegitimo--nao sancionado
                       por autoridade, ideologia aceita ou
                       expertise certificado.

Valle e Perrewe        O exercicio de influencia tatica, que e
(2000, p.361)          estrategicamente direcionada a objetivos,
                       racional, consciente, e intencionada a
                       promove o interesse pessoal, tanto contra
                       como em apoio de interesses de terceiros.

Pfeffer (1981, p.7)    Atividades tomadas dentro da organizacao
                       para adquirir, desenvolver e usar o poder
                       e outros recursos para obter os resultados
                       desejados por uns em uma situacao na qual
                       ha incerteza ou dissenso sobre escolhas.

Bacharach e            O uso tatico do poder para reter ou obter
                       controle sobre recursos reais ou
                       simbolicos.

Lawler (1980, p.1,     Os esforcos de individuos ou grupos nas
1998, p.69)            organizacoes para mobilizar apoio a favor
                       ou contra estrategias, politicas ou
                       praticas organizacionais nas quais possuem
                       interesse ou participacao.

Mayes e Allen          A gestao de influencia para obter fins nao
(1977, p.675)          sancionados pela organizacao ou para obter
                       fins sancionados por meios de influencia
                       nao sancionados.

Tushman (1977,         A estrutura e o processo do uso da
p.207)                 autoridade e do poder para afetar a
                       definicao de objetivos, diretrizes e
                       outros principais parametros da
                       organizacao.

Pettigrew (1973,       Comportamento de individuos, ou, em termos
p.17)                  coletivos de subunidades, dentro de uma
                       organizacao que reclama contra o sistema
                       de compartilhamento de recursos da
                       organizacao.

Kacmar e Baron         Acoes de individuos direcionadas a
(1999, p.4)            objetivos que aumentam seus proprios
                       interesses pessoais sem se importar com o
                       bem-estar dos demais individuos na
                       organizacao.

Ferris et al. (2005,   [Habilidade politica] A habilidade de
p.127)                 entender efetivamente os outros no
                       trabalho e usar deste conhecimento para
                       influenciar outros para agir de forma a
                       alavancar os objetivos pessoais ou da
                       organizacao.

Ferris, Fedor e King   A gestao de sentidos compartilhados, que
(1994, p.4)            foca na avaliacao e na interpretacao
                       subjetiva do sentido mais do que na visao
                       de que os sentidos sao propriedades
                       objetivas e inerentes a uma situacao; do
                       ponto de vista do comportamento politico
                       gerencial, o objetivo e administrar o
                       sentido das situacoes de forma a produzir
                       desejos, resposta auto-serving e
                       resultados.

Randall et al.         Influencia nao sancionada que busca
(1999, p.161)          promover o interesse pessoal as custas dos
                       objetivos da organizacao.

Eisenhardt e           Acoes observaveis, mas frequentemente
Bourgeois (1988,       encobertas, com as quais os executivos
pg. 737)               ampliam seu poder para influenciar uma
                       decisao.

Fonte: Adaptado de Lepisto e Pratt (2012, pp. 75-76).

Figura 3: Cargo e formacao dos respondentes

Director                   14%
Gerente                    24%
Sup/Coordenador            12%
Analista                   30%
Consultor                   4%
Engenheiro                  3%
Assessor                    3%
Outros                      4%
Nao respondeu               4%
Socio                       1%
CEO                         1%

Administracao              33%
Engenharia                 24%
Marketing                   4%
TI/Computacao               3%
Psicologia                  3%
Economia                    2%
Quimica                     2%
Farmaceutica                2%
Relacoes Internacionais     2%
Letras                      2%
Outros                      5%
Nao respondeu              18%

Fonte: Autores (2017).

Note: Table made from pie chart.
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Author:de Fatima Segger Macri Russo, Rosaria; Rodrigues, Fabiano; Russo, Renato; Yu, Abraham Sin Oih
Publication:Revista Eletronica de Ciencia Administrativa
Date:Sep 1, 2018
Words:8514
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