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Poliamory and monogamy: constructing differences and hierarchies/Poliamor e monogamia: construindo diferencas e hierarquias.

Introducao

Este artigo apresenta resultados preliminares da pesquisa de dissertacao intitulada "Poliamor: um estudo sobre conjugalidade, identidade e genero" do Programa de Pos- Graduacao em Sociologia e Antropologia da UFRJ (PPGSA).

Foram analisadas quatro redes sociais de poliamoristas na internet: o site http://Poliamorbrasil. org/, o blog http://Poliamores.blogspot.com/, a comunidade "Poliamor Brasil", na rede de relacionamentos Orkut e a Pratique Poliamor Brasil no Facebook, assim como cinco entrevistas em profundidade com adeptos e observacao participante em tres 'poliencontros'.

O objetivo do presente trabalho e analisar o ideal de conjugalidade dos pesquisados, buscando, sobretudo, entender o papel que a monogamia ocupa na construcao do lugar poliamorista. Haveria hierarquias entre ambas as formas de relacionamento? Tratar-seia de uma oposicao completa ou haveria possibilidade de conciliacao entre as mesmas?

De acordo com Cardoso (2010), a palavra 'poliamor' (polyamory) surgiu em dois momentos durante a decada de 1990. O primeiro teria ocorrido em agosto de 1990, em um evento publico em Berkeley (California)--composto por "neopagaos" pertencentes a "Igreja de todos os mundos"--e que se destinava a criar um 'Glossario de Terminologia Relacional". Esta e considerada pelo autor como a primeira vertente poliamorista, com bases espiritualistas e pagas. Um dos livros mais conhecidos sobre o Poliamor: "Polyamory: The New Love Without Limits", escrito por Deborah Anapol e publicado em 1997, faria parte desta primeira tendencia.

Cardoso argumenta que nao houve grande circulacao do termo neste momento favorecendo um segundo surgimento, desta vez com um vies menos "transcendentalista" e mais "cosmopolita", pretendendo ajudar a solucionar problemas praticos dos relacionamentos amorosos (1). Em 20 de Maio de 1992, Jennifer Wesp, em um grupo de discussoes pela internet, empregou o termo como sinonimo de "nao monogamia", construindo, em seguida, o primeiro grupo de e-mails destinado a discutir "Poliamor", o alt.polyamory. A substituicao do termo "nao monogamia" por "Poliamor" ocorre, segundo Cardoso (2010), Rust (1996) e Klesse (2006), por considerarse que o primeiro traz conotacoes negativas ja que afirma apenas aquilo que nao e.

O primeiro registro da palavra 'poliamorista' (2) e bem anterior a de 'poliamor', datando de 1953. Ja o termo 'poliamoroso' (polyamorous), ainda segundo Cardoso, teria surgido associado ao fim da instituicao familiar, na obra de ficcao Hind's Kidnap, de Joseph McElroy de 1969. Outra utilizacao do termo teria acontecido em 1975, nos resumos do 7th American Anthropological Association Annual Meeting, em que Carol Motts se referiria a um futuro da humanidade no seculo XXIII dominado pelo homo pacifis, um ser "individualistico, livre-pensador, poliamoroso, vegetariano".

O termo Poliamor e uma combinacao do grego [poli (varios ou muitos)] e do latim (amor). No site Poliamor Brasil, ele e descrito como uma recusa da monogamia como principio e necessidade, o que possibilita a vivencia de "muitos amores" simultaneos de forma profunda e duradoura. Na comunidade do Orkut, Elina (3) o define como: "a plena consciencia de que podemos amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo" e acrescenta uma indagacao: "Pode-se amar de maneira igual o pai e a mae, os filhos sem se fazer diferenca, mas nao pode amar mais de um parceiro?". A definicao do blog Poliamores e: "um relacionamento que afirma ser possivel nao somente se relacionar, mas tambem amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo de maneira fixa, responsavel e consensual entre todos os membros" (4).

No blog Poliamores, sao apresentadas algumas possibilidades de relacoes poliamoristas. O 'casamento em grupo' ou 'relacao em grupo', quando todos os membros tem relacoes amorosas entre si. A 'rede de relacionamentos interconectados', quando cada um tem relacionamentos poliamoristas distintos dos parceiros--ou seja--os namorados de uma pessoa nao o sao entre si. Ha, ainda, as 'relacoes mono/poli', quando um dos parceiros e poliamorista e o outro e monogamico. O poliamorista mantem relacionamentos paralelos enquanto o monogamico, por opcao, tem so um parceiro.

Os tres modelos acima citados se dividem em "aberto" e "fechado". No primeiro caso, esta colocada a possibilidade de novos amores e, no segundo, e praticada a 'polifidelidade', restringindo as experiencias amorosas.

O Poliamor no mundo das 'nao monogamias'

O surgimento do termo Poliamor como alternativa ao de 'nao monogamia' e elucidativo para compreender a relacao estabelecida entre Poliamor e monogamia. Assim como em outras dicotomias, o Poliamor depende de seu oposto para fazer sentido, uma vez que se constitui como uma serie de discursos de critica a exclusividade afetivo-sexual. A afirmacao do Poliamor como sinonimo de 'nao monogamia', no entanto, se mostra pouco sustentavel na medida em que existem outros modelos de relacionamento nao monogamicos.

A poligamia, associada tradicionalmente as sociedades amerindias e mulcumanas (5), e a mais conhecida. Os pesquisados afirmam que nao sao poligamos, mas poliamoristas, uma vez que a poligamia pressupoe assimetria de genero, ou seja, ha um unico poligamo em cada relacao. Ja no Poliamor, e indispensavel que a possibilidade de mais de um relacionamento amoroso simultaneo seja tanto de homens quanto de mulheres.

O swing e o 'relacionamento aberto' (RA) seriam outras formas de 'nao monogamia' uma vez que preveem relacoes sexuais com mais de uma pessoa. No entanto, como mostra, Von der Weid (2008), do ponto de vista amoroso, os 'swinguers' afirmam-se monogamicos. O mesmo e observavel entre praticantes de 'relacionamento aberto', em que, em geral, ha um unico amor possivel.

Se a relacao Poliamor/monogamia e de antagonismo, a Poliamor/swing e RA e de ambiguidade. A existencia de outras praticas 'nao monogamicas' proporciona aos poliamoristas a necessidade de outras formas de diferenciacao que complexificam a dualidade Poliamor/monogamia. No entanto, a existencia de uma pluralidade de praticas ditas 'nao monogamicas', nao cessa a dicotomia Poliamor/monogamia, uma vez que os pesquisados situam tanto o swing quanto o RA como um "entre lugar", uma especie de hibrido, que reune caracteristicas contraditorias de ambos.

A monogamia como o "outro absoluto" do Poliamor

Quando se enfatiza a percepcao hierarquica das identidades, aparecem as praticas da "monogamia", "swing", "relacionamento aberto" e "Poliamor" dispostas em uma escala evolutiva--estando a "monogamia", para os pesquisados, no estagio menos desenvolvido--por envolver em maior grau: ciume, competicao, controle, posse e mentira. Ja o Poliamor, representaria o apice evolutivo da escala estando articulado a liberdade, igualdade, cooperacao, 'compersao (6)' e honestidade. Nesta logica, fundase um binarismo identitario--onde a monogamia e o "outro absoluto" do Poliamor e o 'relacionamento aberto' e o 'swing' o "entre lugar".

Como sugere Bento (2006), parte do processo de identificacao e a contraposicao a outros grupos ou praticas e a constituicao de margens que delimitam essa separacao:

Talvez o que de 'identidade' a identidade seja essa capacidade de, mediante pontos de identificacao, gerar as margens, ressuscitar os seres abjetos por meio dos discursos, para voltar a mata-los por meio de insultos e de outras evocacoes prescritivas preservando a minha identidade de contaminacao. (Ibid.: 205)

O risco de "contaminacao" monogamica e permanente, em especial porque os poliamoristas ja foram monogamicos. Sentir ciumes, competir por amores e buscar torna-los exclusivos representam os principais perigos para ultrapassar as "margens". Ha que se destacar, entretanto, que o processo de construcao da identidade poliamorista nao se formula em termos tao fixos. Por um lado, o Poliamor representa apenas um conjunto de ideais amorosos, podendo, inclusive, aqueles que se definem como poliamoristas jamais o terem vivido. Nesse sentido, ha uma tensa conexao entre elementos contraditorios. O sujeito identifica sua vida como monogamica, mas aspira que nao seja, o que gera culpa, frustracao e ate mesmo vergonha. Em alguns casos consegue adotar determinados elementos associados ao Poliamor, em especial, gradacoes variaveis de "autonomia" e "sinceridade", possivelmente vivendo um 'relacionamento aberto'. Eles reconhecem sua posicao ambigua, ja que, por um lado, nao estao tao limitados quanto os "monogamicos" e, por outro, nao estao tao "realizados" quanto os "poliamoristas".

E importante ressaltar que sao diferentes os lugares ocupados pelos pesquisados entre o "Poliamor" e a "monogamia".

Alfred Kinsey (1948) defendeu que os comportamentos sexuais tem variacoes consideraveis entre o grau maximo de "homossexualidade" e "heterossexualidade", sendo irreal a divisao dos individuos em dois grupos sexuais estanques. Nessa linha, pode-se afirmar que ninguem e absolutamente "poliamorista" ou "monogamico" e que estes termos correspondem apenas a principios binarios de organizacao da realidade, combinados de forma singular em cada trajetoria de vida.

Butler (2010) argumenta que nao ha uma versao "original" do "heterossexual", o que permite pensar que ha apenas copias parodiadas de uma nocao do poliamorista "puro" e "autentico". Desta forma, devemos considerar o processo de construcao das identidades poliamoristas como carregadas de ambiguidades e incoerencias ja que ao mesmo tempo em que reforcam a dicotomia monogamia/Poliamor, expoem seus limites em suas praticas.

Monogamia: aceitavel ou condenavel?

Entre os poliamoristas que afirmam sua superioridade, e defendido que o Poliamor se torne a nova estrutura legitima de relacionamentos. Sigmund, dono da comunidade do Orkut, e um dos que defendem esta posicao. Ele afirma que ao anularmos a monogamia estariamos livres de boa parte dos problemas conjugais. Rodrigo (7) nao acredita que o Poliamor possa se tornar majoritario em uma estrutura social capitalista. No maximo, conquistara visibilidade e um numero razoavel de adeptos. Ele defende que sera somente em uma sociedade "superior", em um "regime comunista", que o Poliamor podera se tornar a base hegemonica dos relacionamentos afetivos (8). Ja Brenda (9) argumenta que muitas pessoas nao se sentiriam bem em uma relacao 'poli': "Isso deve ser compreendido e nao pensar que ela age assim porque esta sendo imposta ou e insegura ou ciumenta. Na minha visao, a monogamia nao e errada em nenhum sentido. Relacionamentos diferentes atendem a pessoas de necessidades diferentes."

Bernardo (10) tambem nao ve problema na exclusividade "mutuamente consentida". Gabriel (11) concorda: "Acho que, assim como o poliamor e uma opcao, as relacoes monogamicas tambem sao. Nao existe uma forma de relacao melhor que a outra. Ambas sao validas. Isso e que e o bacana, temos um mundo cheio de opcoes!" Alana (12) diz que nao se deve cair na "ditadura do poli". Rogeria (13): "Claro. Vamos derrubar a intolerancia deles e impor a nossa, por que nao?" Ja Rodrigo defende que e necessario enfrentar radicalidade com radicalidade: "Vamos derrubar a intolerancia deles sendo intolerantes com a intolerancia deles." Rodrigo diz para Rogeria:
   Voce esta sendo intolerante com a intolerancia de
   quem e intolerante com a intolerancia ... Basicamente:
   a intolerancia deles oprime grupos e pessoas. A nossa
   serve para enfrentar no mesmo nivel essa opressao e
   libertar os oprimidos dela. Bater em quem bate em
   homossexuais nao e a mesma coisa que bater em quem
   bate em quem bate em homossexuais.


Para ele nao se deve considerar todas as opcoes igualmente validas, sendo, portanto, fundamental combater a exclusividade amorosa e a homofobia. Seria necessario estabelecer uma hierarquia entre as visoes, e o Poliamor seria a representacao desse estado mais avancado de relacionamento afetivo. Ja os poliamoristas contrarios a qualquer forma de "intolerancia", partem de uma argumentacao que se assemelha ao relativismo cultural propagado pela antropologia no seculo XX--onde nao e possivel afirmar que uma moral e melhor que outra, todas as praticas e significados humanos sao tratados como iguais. As diferencas sao abstraidas, ressaltando o aspecto que as unifica: sao todos pontos de vistas, caminhos, possibilidades.

Este posicionamento e bem expresso por Gabriel a partir de uma musica de Raul Seixas:
   "E a chave que abre a porta
   La do quarto dos segredos
   Vem mostrar que nunca e tarde
   Vem provar que e sempre cedo
   E que pra todo pecado
   sempre existe um perdao
   Nao tem certo nem errado
   Todo mundo tem razao
   E que o ponto de vista
   E que e o ponto da questao".


O discurso centrado na "diferenca" pode afirmar a "inferioridade"--o que ocorre na descricao de como os poliamoristas sao recebidos por monogamicos --ou a "superioridade", como nos depoimentos apresentados. Ha, em todo caso, uma disputa em torno dos significados de ambas as praticas, como mais validas e louvaveis do que as demais. Cardoso (2010) menciona uma tentativa de "hegemonizacao" da moral poliamorista para todas as relacoes de intimidade. Wilkinson (2010) fala em "polinormatividade". Haritaworn et al. (2006) denominam de "fantasias narcisistas" a busca poliamorista de ajudar os "sexualmente marginalizados".

Haritaworn et al. (2006) afirmam que as vertentes poliamoristas "esotericas" e, principalmente, as "autoajudas", possuem um discurso "normativo" despolitizado, um "individualismo abstrato" que, ao inves de criticar as estruturas de poder sobre etnia, genero, sexualidade e classe, individualiza e psicologiza os processos sociais, enfatizando a capacidade individual de mudanca (14). Barker & Langdridge (2010) afirmam que ha um discurso politico no meio 'poli' que situa a monogamia em um regime patriarcal e capitalista, apresentando argumentos feministas, marxistas, anarquistas, pos-estruturalistas e queer, para fundamentar a escolha pelo Poliamor.

Entre os pesquisados, sao encontradas criticas a "sociedade", ao "machismo" e ao "capitalismo", ao mesmotempoemqueseenfatizao"autoconhecimento" e o "aprimoramento" pessoal. Estas duas tendencias podem ser expressas pelo numero de pesquisados que se definiram politicamente como: "socialista", "libertario ao extremo", "esquerda liberal" ou "anticapitalista" (55%), enquanto como "apoliticos", 30%. Acredito, entretanto, que esta distincao ("politicos" x "apoliticos") apresenta limites para a compreensao do discurso nativo. A critica de muitos pesquisados se concentra sobre a "politica de representacao", sobre a necessidade e utilidade de se negar as diferencas em busca de unidade, sem, no entanto, se oporem a busca por transformacao social. Pode-se, ao inves das dicotomias "politico" e "apolitico" e "esoterico" e "autoajuda", dividir os posicionamentos dos pesquisados em tres:

1--"Autoajuda" ou "apolitica"- A preocupacao se concentra em resolver problemas praticos dos relacionamentos. Discurso focalizado no "eu mesmo", pequena valorizacao do termo "poliamorista";

2--"Politica de representacao" ou "politica de identidade"--Defende a necessidade de construir um grupo de identidade coeso e com proposicoes politicas, como a legalizacao da uniao poliamorosa. Esta vertente esta mais relacionada a discursos socialistas e feministas. Discurso focalizado na "igualdade" (15). Valorizacao do termo "poliamorista";

3--"Queer" ou "anarquista"--Critica a busca por representacao social, defendendo uma politica da "diferenca", sem identidades e sem pretensao de representacao coletiva. Procura modificar as "estruturas sociais" a partir de acoes individuais. Discurso focalizado nas "diferencas". Critica a categoria "poliamorista".

A busca por uma identidade poliamorista, utilizando conceitos bem definidos e organizando uma plataforma de objetivos comuns ao grupo, se intensificou no ano de 2011. Em junho de 2011 foi criado o grupo "Juventude Pro-Poli", em congresso da ANEL (16), que reune estudantes de diversos estados do pais. Nesse mesmo mes, Joao (17) expos, no Orkut, a busca por lavrar a primeira escritura de uniao 'poliafetiva' do mundo, alegando ja ter o suporte juridico e estando apenas a procura de pessoas interessadas em formalizar suas unioes.

O grupo "Pratique Poliamor Brasil", criado em 2011, tem o objetivo de organizar o movimento nacionalmente. O grupo tem a adesao das autoras do Blog Poliamores e do site Poliamor Brasil, do moderador da comunidade do Orkut, e do "Poli Rio", que como divulgado no site, a partir de Julho de 2011, esta "em nova fase, agora ligado diretamente a Rede Pratique Poliamor Brasil. Passando alem de um espaco de socializacao, a ser de Apoio, Autoconhecimento e Militancia".

Ideologia poliamorista

Os elementos quejustificam a opcao pelo Poliamor, assim como, que permitem diferenciar e hierarquizar as diversas modalidades de conjugalidade sao os valores de "liberdade", "igualdade", "honestidade" e "amor".

O Poliamor e considerado um vinculo mais "livre" do que a monogamia, o 'relacionamento aberto' e o swing, uma vez que o estabelecimento de um relacionamento nao e impeditivo de outros. Enquanto a monogamia e caracterizada como uma "prisao"--ja que ha uma unica relacao legitima por vez--o swing e o 'relacionamento aberto' sao considerados mais livres do que a monogamia, apesar de menos livres do que o Poliamor. As razoes apontadas para a maior liberdade do Poliamor em relacao a poligamia sao: a possibilidade de todos (homens e mulheres) terem mais de um relacionamento; de vivenciarem o amor em grupo e de amarem pessoas do mesmo sexo e fora do casamento.

Afirma-se que o Poliamor e mais "igualitario" do que a monogamia e o swing, ja que os ultimos sao considerados "machistas", privilegiando os desejos masculinos e tratando as mulheres como objetos. Afirma-se tambem que a poligamia e constituida por uma assimetria de genero, ja que necessariamente ha apenas um poligamo na relacao. Por sua vez, o Poliamor seria marcado pelo combate ao "machismo" e a possibilidade de que tanto homens quanto mulheres amem da forma que desejarem.

Acredita-se que no Poliamor se e mais honesto "consigo mesmo", ja que nao e necessario se "moldar" ao(s) parceiro(s) como nas demais formas de conjugalidade, que tem mais regras, expectativas e ciumes. Na monogamia haveria ainda menos "honestidade ao parceiro" em funcao da preferencia pelo adulterio em detrimento do questionamento da regra da exclusividade afetivo-sexual. Entre os praticantes de "swing" e 'relacionamento aberto', como o desejo de envolver-se afetivamente nao e aceito, seria preciso optar por ser honesto ao proprio desejo ou aos do parceiro.

O Poliamor seria mais "amoroso" tendo em vista ser o unico relacionamento que afirma ser possivel e preferivel que todos amem a mais de uma pessoa ao mesmo tempo.

"Conversao" poliamorista

A critica a monogamia fundamentada sobre a "mentira" e a falta de "liberdade para amar" e, em geral, precedida por uma autocritica--quando se considerava que os problemas enfrentados na relacao eram de responsabilidade dos envolvidos--a falta de amor e de respeito, por exemplo. O primeiro passo na carreira poliamorista requer a passagem da responsabilizacao dos envolvidos para uma critica a estrutura--a "monogamia"--que, de uma categoria pouco relevante ou inexistente, se torna uma realidade a ser superada.

Rodrigo teve um unico namoro monogamico ate o periodo em que ingressou na faculdade. Naquele momento ele considerava ser a monogamia a "coisa certa":
   Terminei o namoro achando que a restricao que a
   moralidade impunha era positiva, porque estava mais
   perto do que Deus queria, que para justica entre os
   sexos o homem tinha que reprimir sua sexualidade
   para viver monogamicamente com a mulher, e tambem
   acreditava que so existia amor na monogamia.


A entrada na faculdade e descrita por ele como um momento de rupturas:
   As bases que justificavam a monogamia, discursos
   biologizantes e religiosos cairam, teve todo um
   processo de desnaturalizacao, de relativizacao (...) Ai
   fui perceber que a moralidade so podia ser algo que
   atrapalhava ao inves de ajudar, nao tinhajustificativa, se
   eu poderia ter mais satisfacao tendo mais experiencias,
   fazendo mais sexo, tendo outras formas de afetividade,
   nao teria por que me restringir, ai eu comecei a entender
   essas restricoes como negativas e a defender relacoes
   abertas.


Roberta (18) conta que o seu primeiro envolvimento emocional ocorreu com tres pessoas ao mesmo tempo, mas que nesse momento ainda achava viver uma "confusao emocional". Algum tempo depois, aos 14 anos, tambem se apaixonou por tres pessoas:
   Eu era apaixonada por meu namorado, por um menino
   da escola e uma menina. Uma psicologa da escola
   chegou ate mim e disse que era muito comum nessa
   idade ficar confuso, que o que eu sentia pela amiga
   era diferente do que eu sentia pelo meu namorado, ela
   nem sabia que eu gostava de uma terceira pessoa (...)
   Comecei a questionar aquela psicologa, isso nao e um
   obstaculo, se ela acha que e errado ou antinatural, eu
   nao to confusa, tenho clareza do que quero, eu gosto
   dessa menina, como eu gosto do meu namorado, como
   eu gosto daquele outro menino ali.


Desde entao, Roberta passou a recusar relacionamentos monogamicos.

Alice (19) aos 15 anos iniciou um relacionamento, chegou a ficar noiva, mas rompeu cinco anos depois. Nesse periodo ingressou na faculdade e se apaixonou por Fernando, com quem casou e teve uma filha. Ao longo dos 10 anos de casamento concluiu que nao se adequava a monogamia:
   Sempre tive uma vontade de viver o Poliamor sem
   saber o que era o Poliamor. Ao mesmo tempo em que eu
   introjetei muito fortemente a moral da monogamia, nao
   conseguia ser monogamica. Minha unica solucao era me
   casar, construir uma familia, viver um relacionamento
   de margarina e eu me esforcei muito para isso, so
   que meio que fui derrotada por mim mesma. Porque
   nao era natural, me sentia culpada, frustrada, tentava
   ser, sofria e fazia meu marido sofrer. Eu traia ele, eu
   me apaixonava por outras pessoas. Tambem era uma
   violencia contra mim, nao fazer o que o meu coracao
   mandava.


Apesar das elaboracoes da critica a monogamia apresentarem diferencas, ha um processo basico comum--tambem presente nas descricoes dos foruns analisados--a percepcao de inadequacao pessoal a esse modelo de relacionamento, basicamente fundamentado sobre interesses por mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Essa percepcao e acompanhada pela crenca de que nao se deve reprimir os desejos ou trair, sendo, portanto, evocados os valores de "liberdade" e "sinceridade" e considerando-os contrarios a monogamia.

Monogamia: um "fantasma" permanente

A passagem da monogamia para o Poliamor nao tem rituais precisos, nao sendo abandonada a identidade monogamica por completo. Ha, portanto, uma especie de "Eu" monogamico residual a ser combatido permanentemente, em especial, associado aos ciumes. O Poliamor representa nesse sentido mais um ideal do que uma identidade, ou ainda, uma identidade a ser alcancada, estando cada sujeito em um estagio desse processo evolutivo.

Os problemas dos relacionamentos poliamoristas sao, em geral, apontados como causados pela manutencao de comportamentos e sentimentos "monogamicos". Alana relata que, apesar de viver uma relacao poliamorosa, nao se sente livre de ter uma "rivalidade infantil" quando outras mulheres se aproximam de seu parceiro, e que, quando ocorre o contrario, e ele quem sente ciumes "tentando desqualificar as pessoas". Ela acreditava que o Poliamor seria a solucao para todos os problemas no amor. Entretanto, o que ve sao poucos casos de sucesso. Para Alana, muitos se definem poliamoristas para se sentirem "moderninhos" mas que so tem relacoes "flutuantes" e "sem amor". Em sua opiniao, essas pessoas deveriam ser chamadas de "polificantes" ao inves de poliamoristas.

Este relato expressa uma preocupacao recorrente nas redes virtuais de separar os poliamoristas "verdadeiros" dos "falsos". Como "falsos" poliamoristas estao os homens que procuraram sexo "facil" e que querem ser 'poli' "apenas com a mulher dos outros". Entre as mulheres, seriam aquelas que se submetem aos desejos do parceiro.

Competicoes, hierarquias e ciumes sao caracteristicas consideradas proprias da monogamia e responsaveis pelas principais mazelas nos relacionamentos. Alguns pesquisados afirmam a permanencia destes elementos no Poliamor, mas apenas como "resquicios" de comportamentos monogamicos que estariam lentamente abandonando:
   Ciume nao nasceu do nada, e um sentimento
   desenvolvido em funcao da estruturacao da monogamia;
   assim como a compersao e um sentimento desenvolvido
   colateralmente pelo poliamor (so que nao e majoritario
   porque ainda vivemos numa sociedade monogamica,
   logo, como o novo sempre vem do velho, estamos
   contaminados pelas suas caracteristicas). Rodrigo no
   grupo do Facebook.


O exercicio da "nao comparacao" entre relacionamentos e apontado como condicao para o sucesso poliamoroso. No caso do "relacionamento em grupo" de Paulo (20), ele afirma que ha diferencas entre as relacoes e os sentimentos, mas que eles aprenderam a nao "comparar afinidades".

Os problemas enfrentados nos relacionamentos variam muito em funcao do tipo de vinculo que os parceiros estabelecem com o Poliamor. A descricao nos foruns sobre relacionamentos com poliamoristas "adormecidos" ou "simpatizantes" e ambigua. Se, por um lado, ha a possibilidade de enfrentar as tendencias monogamicas juntos, por outro, o neofito representa o que o poliamorista quer afastar em si: o ciume, a competicao, a inseguranca e a possessividade.

E recorrente o relato de que muitos aceitam se relacionar com poliamoristas sem exclusividade na expectativa de que, em algum momento, consigam "fisgar seus coracoes". Ao ver que nao conseguem, ocorrem brigas e o termino da relacao. Rodrigo diz ser esse o criterio que diferencia uma relacao com pessoas monogamicas que prospera das que nao. No periodo inicial, a falta de exclusividade nao costuma ser um problema, ja que se esta apenas conhecendo o outro. No decorrer da relacao, entretanto, esse entendimento "cai por terra"--ao se estabelecer um vinculo "serio"--muitas mulheres passam a exigir exclusividade, enquanto outras desistem da relacao. Rodrigo declara que as que passam por esse processo de "teste"--aceitando a liberdade de amar--sao aquelas com as quais os relacionamentos prosperam, mesmo que elas nao tenham outros amores.

Rodrigo acredita ser importante incentivar suas namoradas a terem outros relacionamentos:
   De inicio sempre tinha um estranhamento, tipo:
   'que parada e essa?', 'impossivel', 'nao da'. Ai eu
   argumentava com elas, e elas ficavam sem argumentos,
   iamos ficando elas gostavam e ignoravam o fato
   de eu ter varios relacionamentos, mas quando elas
   comecavam a se envolver mais profundamente elas me
   diziam que estavam se sentindo mal e queriam terminar
   (...) Com o tempo fui percebendo que era necessario
   minimamente convence-las disso, incentiva-las a terem
   outros relacionamentos. Era importante eu estimulalas,
   porque se dependesse delas provavelmente nao iam
   fazer. Eu perguntava: 'Nao tem nenhum cara que voce se
   interesse?' Quando ela saia eu perguntava se tinha algum
   cara interessante, se ela tinha ficado com alguem .... Ou
   entao quando conheciamos alguem eu falava 'po voce
   podia pegar tal cara.' Algumas estranhavam, outras
   nao. As com relacionamentos pequenos nao chegavam
   a esse nivel, os relacionamentos mais longos foram as
   que conseguiram entender melhor essa proposta.


Uma das marcas dos poliamoristas pesquisados e um discurso de aceitacao e valorizacao das diferencas. Entretanto, nesta discussao, e apresentada uma "diferenca" de dificil administracao: a entre um parceiro poliamorista e outro monogamico. Alguns pesquisados defendem que esta nao pode ser impeditiva. Outros consideram uma situacao intoleravel. Entre a "aceitacao" e a "negacao" se da um conflito e a tentativa de convencimento, seja de "monogamicos" de que e preferivel a exclusividade ou de poliamoristas de que ela e malefica. Nao foi encontrado nenhum relato de relacionamento "mono/ poli" em que as diferencas tenham sido aceitas sem tentativa de "conversao". Por outro lado, cabe destacar que nao vincular-se amorosamente a monogamicos implica limitacao, ja que sao poucos os poliamoristas. Estas consideracoes explicitam um paradoxo na posicao poliamorista: ao mesmo tempo em que se opoe aos monogamicos, deles dependem para praticar seu ideal.

A fragilidade do posicionamento poliamorista conduz a reflexao entre os pesquisados sobre um retorno definitivo ou temporario a monogamia.

Dos entrevistados, Roberta e a unica que apos viver relacionamentos 'nao monogamicos', volta a viver um. Aos 20 anos se apaixonou por um homem que nao compactuava com ideais poliamoristas e resolveu se "aventurar" em um namoro convencional:
   Era uma pessoa sabidamente monogamica, compreendia
   que o amor era algo que se vivia entre duas pessoas,
   era uma pessoa bem inflexivel nesse aspecto, enquanto
   estivessemos so ficando ele nao se importava de ambos
   ficarmos com outras pessoasja que nao envolvia amor,
   ate que ele comecou a se envolver mais profundamente
   e resolveu fechar para uma monogamia. Resolvi, como
   nao estava ficando com mais ninguem, fazer uma
   experiencia monogamica com ele.


O namoro foi descrito como ruim. Roberta se sentia cobrada a ter que passar mais tempo juntos e presa a um relacionamento "machista" que a colocava como "apendice" de seu namorado--vivendo a sua vida social, fazendo seus programas de entretenimento e sem tempo para realizar suas proprias atividades. Ao ser perguntada se considerava "machista" o seu namorado e nao a relacao, ela afirma:
   Eu era intensamente cobrada, se voce aceitou namorar
   comigo, devia saber que estava aceitando isso, isso,
   passar muito tempo comigo, explicar com quem esteve,
   chegar em casa na hora marcada, sair com meus amigos
   e comigo sempre que solicitada etc. Como eu queria
   fazer a experiencia da monogamia para ver se servia
   para mim, eu acabei aceitando as condicoes, mas como
   na maioria dos casos na monogamia ocidental, essas
   condicoes sao so para a mulher, ele estava ficando
   com outra menina e cobrando de mim que eu fosse
   monogamica.


A experiencia monogamica de Roberta serviu para fortalecer sua relacao com o Poliamor, ou com a Poligamia, ja que nesse periodo ainda nao conhecia o termo. E importante reafirmar que para "converter-se" poliamorista, torna-se necessario criticar a estrutura monogamica em vez de responsabilizar os envolvidos.

No grupo do Facebook, a possibilidade de desistencia do Poliamor e tema de debates. Em geral, as experiencias monogamicas sao atribuidas a um momento de fraqueza, afirmando a descrenca na possibilidade de se satisfazerem permanentemente com uma unica pessoa. Mariana (21) diz: "Ai gente, eu sou fraca apaixonada e ja cedi muitas vezes. E eu sei que no momento que fecho um relacionamento estou sendo infeliz. A partir dali comeco uma contagem regressiva so esperando nao aguentar mais." Joao declara:
   Apos me apaixonar acabo aceitando relacao fechada
   sabendo que vamos brigar pra caralho, que sou do tipo que
   acaba dando motivos pra ela sentir ciumes, que vou sentir
   falta das 'festinhas' e me sentir infeliz, que vou acabar
   ficando com outra menina tambem ... Uma desgraca.


Outro poliamorista conta: "Ja pensei em desistir. Mas eu iria pra onde, iria fazer o que? Minha mente nao vai mais voltar ao que era. Uma vez que se ve a luz nao da mais pra viver vendo apenas sombras. Rs". Apesar das dificuldades apontadas, ha um discurso, como bem demonstra a frase acima, que afirma ser o Poliamor o "caminho", a "luz", enquanto que a monogamia seria a "sombra". Nada mais esperado do que a "salvacao" represente o percurso mais dificil, que requer reflexao, desestruturacao da personalidade e enfrentamento da sociedade. Os entraves ao Poliamor, antes de serem motivo para desistencia, servem de estimulo para o processo de evolucao pessoal, libertacao e autoconhecimento.

Consideracoes finais

Para os poliamoristas, a monogamia e uma categoria fundamental para afirmacao daquilo que sao e acreditam. Alguns sinais apontam neste sentido. Dentre eles, o fato do termo Poliamor ter surgido como alternativa ao de 'nao monogamia' e um dos passos para a "conversao" poliamorista ser a afirmacao de inadequacao pessoal a monogamia.

Os pesquisados efetuam uma serie de oposicoes que tem como base a distincao Poliamor/monogamia: liberdade x prisao; "eu mesmo" x eu imposto: honestidade x mentira; igualdade x machismo: 'compersao' x ciume; adulto x infantil; luz x sombra, dentre outras.

Apesar de o Poliamor existir como negacao da monogamia, tres elementos favorecem a diminuicao desta dicotomia. O primeiro e a existencia de outros modelos de relacionamento 'nao monogamicos', o que produz a necessidade de novas formas de diferenciacao. Uma estrategia assumida pelos pesquisados e de identificar o 'relacionamento aberto' e o swing como proprios a monogamia uma vez que em ambos predomina a ideia de que o amor deve ter um unico destinatario. A diferenciacao a poligamia, por sua vez, e feita a partir de sua associacao a sociedades sem igualdade de genero, como as mulcumanas, o que a torna uma alternativa moralmente invalida.

Uma segunda motivacao para a ineficacia da dualidade Poliamor/monogamia e a pratica conjugal dos pesquisados que nao abandonam por completo caracteristicas associadas a monogamia: como o ciume e o sentimento de posse e que dificilmente conseguem superar outros dos seus principais desafios: encontrar parceiros adeptos e assumir publicamente a opcao.

A terceira razao e a existencia de um forte discurso dentro do meio 'poli' que e contrario a hierarquias, afirmando a igualdade entre todos os posicionamentos. Como as oposicoes elaboradas entre o Poliamor/ monogamia partem de uma distincao superioriodade/ inferioridade, o discurso centrado na igualdade de alguns pesquisados e outro fator a relativizar a oposicao Poliamor x monogamia.

Podemos reafirmar, por fim, que apesar dos limites encontrados para esta dicotomia, os pesquisados constroem a identidade poliamorista a partir da negacao da monogamia.

Referencias

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BUTLER, Judith. (2010). Problemas de genero: feminismo e subversao de genero. Rio de Janeiro: Civilizacao Brasileira.

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GOLDENBERG, Mirian (2010). Porque homens e mulheres traem? Rio de Janeiro: Best bolso.

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Mauss, Marcel. Sociologia e Antropologia. Sao Paulo: Cosac & Naify.

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VON DER WEID, Olivia. (2008). Adulterio consentido: Genero, corpo e sexualidade na pratica do swing. Dissertacao. PPGSA, UFRJ.

Antonio Cerdeira Pilao

Programa de Pos-Graduacao em Sociologia e Antropologia. UFRJ. Nucleo de Estudos de Sexualidade e Genero-NESEG.

email: tonipilao@hotmail.com

Mirian Goldenberg

Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. email: miriangoldenberg@uol.com.br

(1) divisao do Poliamor em duas vertentes e compartilhada por Haritaworn et al. (2006) que as denominaram "esoterica" e "autoajuda".

(2) A expressao "determined polyamorist" foi encontrada na Illustrated History of English Literature, Volume 1. Cardoso (2010) dispoe um link onde o termo pode ser encontrado: <http://books. google.com/books?ei=WzwcTcCYNofCsAPlz-3rCg&ct=result &id=T_5ZAAAAMAAJ&dq=%22polyamorist%22&q=polyam orist#search_anchor>

(3) Utilizarei aspas apenas para as informacoes que sao opcoes dadas pelas redes sociais a fim de diferenciar das descricoes que sao escritas pelos proprios usuarios. Elina declara morar e trabalhar na Holanda. Nao divulga a idade e diz nao ter filhos. Define-se como "caucasiana", com posicao politica "muito liberal de esquerda" e religiosa "agnostica". Sua orientacao sexual e definida como "curioso". Declara ter mestrado em Business e viver um 'relacionamento aberto'.

(4) Nao ha uma definicao consensual sobre o que seja amor. Alguns defendem que ele e indefinivel. Outros afirmam que se trata apenas de uma forma de designar "afetividade profunda". Apesar do "amor eterno" ser criticado entre os pesquisados, e perceptivel igual desvalorizacao de relacoes eventuais (aventuras) por considera-las meramente sexuais e utilitarias. A busca romantica por formar uma unidade com o parceiro e vista como uma alienacao monogamica, sendo afirmado, em contrapartida, que ninguem deve abdicar de sua individualidade em um vinculo amoroso.

(5) Ha, no entanto, inumeros estudos que apontam para a existencia de praticas poligamas no cristianismo e principalmente no judaismo do Mediterraneo. Ver Altaian & Ginat (1996). Sartre e Simone de Beauvoir talvez sejam o casal mais conhecido a (ja na decada de 1930) ter recusado a monogamia afirmando que ela e: "uma monstruosidade que engendra necessariamente hipocrisia, mentira, hostilidade e infelicidade" (Goldenberg 2010: 11). Ambos se afirmavam como poligamos.

(6) A 'compersao' e descrita como o oposto do ciume: "Sentimento agradavel provocado pelo prazer de saber que o parceiro [ama e e amado] por terceiros, alheios ou nao ao relacionamento." (Site Poliamor Brasil).

(7) Rodrigo foi um dos entrevistados. Ele declara ter 24 anos de idade, ser estudante universitario e morar com os pais na zona oeste do Rio de Janeiro.

(8) Nao e incomum a associacao da monogamia ao capitalismo. Para os pesquisados, ambas pressupoe hierarquia e competicao entre parceiros e por parceiros. O Poliamor e o comunismo, em contrapartida, seriam marcados por igualdade e cooperacao. O amor monogamico entendido como "sentimento de posse" tambem e considerado reflexo de uma logica capitalista de "mercantilizacao" de objetos, pessoas e sentimentos. Seria a partir do Poliamor e da superacao do capitalismo que todos poderiam ser efetivamente "livres".

(9) Brenda e autora do blog Poliamores.

(10) Bernardo declara ser morador de Natal (RN), ter 22 anos, viver uma "amizade colorida" com uma mulher, ser "bissexual" e ter feito faculdade na UFRN.

(11) Nao ha informacoes disponiveis no perfil do usuario.

(12) Alana declara morar com filhos em cidade desconhecida. Define-se como "multietnica", com "um lado espiritual independente de religioes", e com visao politica "libertaria".

(13) Nao ha informacoes disponiveis no perfil da usuaria.

(14) This ignores how emotions and desires are socially constructed in specific historical sites and power relations (Ahmed, 2004) (...) Such research argues that these books [self-help] set up new regimes of normativity, endorsing individualism at the expense of critiquing structural power relations around race/ethnicity, gender, class and sexuality. Haritaworn et al. (2006, p.520).

(15) Igualdade interna a categoria poliamorista, podendo, como abordado, ser afirmada a superioridade sobre a monogamia.

(16) Assembleia Nacional dos Estudantes--Livre. O site da entidade e: <http://www.anelonline.org/>.

(17) Joao e moderador da comunidade Poliamor Brasil no Orkut. Ele declara ser morador de Sao Paulo e ter 37 anos. Define-se como liberal, libertino, libertario, ateu, orgiasta, quase-escritor, poliamorista, feminista, entusiasta, empatico, intenso, paulistolatra, romantico e heterossexual.

(18) Roberta foi uma das entrevistadas. Ela declara ter 26 anos, ser estudante universitaria e morar com os pais em Niteroi, municipio do estado do Rio de Janeiro.

(19) Alice foi uma das entrevistadas. Ela declara ter 30 anos, ser professora e morar com a filha na regiao serrana do Rio de Janeiro.

(20) Paulo declara ser militar, ter curso superior incompleto, morar em Porto Alegre (RS), nao ter filhos, ser "apolitico "e de etnia "hispanico/latino".

(21) Mariana declara ser moradora de Maringa (PR) e ter feito curso universitario na CESUMAR.
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Author:Pilao, Antonio Cerdeira; Goldenberg, Mirian
Publication:Revista Artemis
Article Type:Report
Date:Jan 1, 2012
Words:6213
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