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Phytosociological structure of the tree component of two seasonal evergreen forest areas, Rio das Pacas Basin, Querencia, Mato Grosso State, Brazil/Fitossociologia do componente arboreo de Dois Trechos de Floresta Estacional Perenifolia, Bacia do Rio das Pacas, Querencia-MT.

INTRODUCAO

O Codigo Florestal para o Estado de Mato Grosso, o campeao brasileiro de desmatamento florestal, determina que em areas florestais a Reserva Legal deva corresponder a 80% da area total do imovel rural (Lei Federal no. 4.771/65 e Medida Provisoria 2166-67/01). Apesar disso, entre os anos 2003 e 2004, 2007 e 2008, cerca de 30% dos desmatamentos foram realizados em areas de Reserva Legal nas propriedades rurais que se situam em areas de floresta (LIMA e ROLLA, 2005; IMAZON, 2009).

Esta situacao e ainda mais alarmante quando se considera que 57% do desmatamento em Mato Grosso ocorreram em areas de Floresta Estacional Perenifolia, um dos tipos florestais mais ameacados da Amazonia. A preocupacao com o acelerado decrescimo da cobertura vegetal nestas areas justifica-se por apresentarem valor ecologico intrinseco e pouco se conhece sobre sua composicao floristica e padroes ecologicos (ALENCAR et al., 2004). Por meio de estudos, ja e possivel reconhecer que a porcao sul da Floresta Amazonica apresenta este tipo peculiar de floresta, a qual nao apresenta relacoes floristicas com areas adjacentes de Cerrado e Floresta Amazonica (IVANAUSKAS et al., 2008; KUNZ et al., 2009) e, portanto, nao deve ser tratada como area de transicao conforme e apresentado na classificacao brasileira de vegetacao (IBGE, 1993).

Desta forma, o conhecimento da estrutura fitofisionomica em areas pouco estudadas e sujeitas a fortes pressoes antropicas, como e o caso da regiao do Alto Rio Xingu, onde esta inserida a Floresta Estacional Perenifolia, e fundamental para auxiliar os programas de conservacao e preservacao da cobertura florestal, bem como definir estrategias de restauracao florestal para as areas ja degradadas. Ademais, o reconhecimento da flora, estrutura e caracteristicas fisicas destes locais tem grande aplicacao na definicao de ecossistemas de referencia em projetos de restauracao florestal.

Para a Floresta Amazonica, a maior gama de estudos ecologicos esta concentrada principalmente no Estado do Amazonas (RANKIN-DE-MERONA et al., 1992; RIBEIRO et al., 1994; MATOS e AMARAL, 1999; AMARAL et al., 2000), Para (LIMA-FILHO et al., 2004; SALM, 2004; GAMA et al., 2005) e Maranhao (MUNIZ et al., 1994a; 1994b). A grande lacuna a respeito da diversidade e mesmo da conservacao da flora amazonica e referente a sua porcao sul, em sua maior parte no Estado de Mato Grosso, na area que abrange a Bacia do rio Xingu, onde foram realizados estudos apenas em Gaucha do Norte (IVANAUSKAS et al., 2003; IVANAUSKAS et al., 2004a; 2004b; IVANAUSKAS et al. 2008) e em alguns trechos da Bacia do rio das Pacas em Querencia (KUNZ et al. 2008; KUNZ et al., 2010a; KUNZ et al. 2010b; STEFANELLO et al., 2010).

Neste cenario, o objetivo deste estudo foi analisar a estrutura do componente arboreo de dois trechos de Floresta Estacional Perenifolia na Fazenda Dois Americanos, na Bacia do rio das Pacas, Querencia-MT.

MATERIAL E METODO

Area de estudo

A Bacia do rio das Pacas (Figura 1) esta localizada na mesorregiao Nordeste Matogrossense e ainda esta relativamente bem preservada, tendo parte de suas nascentes conservadas no interior e fora do Parque Indigena do Xingu.

Os dois trechos selecionados para analise da vegetacao situam-se na Fazenda Dois Americanos, localizada no interior da bacia. Os trechos amostrados estao situados no interfluvio (Figura 1), sendo que um deles exibe sinais de extrativismo seletivo e queimadas (12[degrees]10'45,9"S e 052[degrees]40'16,0"W) e o outro nao apresenta indicios de perturbacao (1201L93"S e 052[degrees]33'91"W). O clima da regiao e classificado como Tropical de Savana (Aw) segundo Koppen (1948), havendo duas estacoes bem definidas: a chuvosa, que ocorre no periodo de outubro a abril; e a seca, que corresponde aos meses de maio a setembro (SEPLAN, 2009). O relevo e basicamente plano e os solos na area amostrada sao classificados como Latossolo Amarelo e Vermelho-Amarelo (A. N. ROSSETE, comunicacao pessoal).

Amostragem

O metodo de amostragem utilizado foi o de ponto-quadrante (COTTAM e CURTIS, 1956; DURIGAN, 2003). No trecho conservado, foram estabelecidos 200 pontos distribuidos sistematicamente para o levantamento fitossociologico e no trecho com sinais de perturbacao antropica (area alterada) foram estabelecidos apenas 100 pontos, pois, a partir do ponto 50, notou-se, em campo, que poucas especies estavam sendo acrescentadas a curva do coletor. Para que o mesmo individuo nao fosse amostrado em dois pontos consecutivos, foi mantida uma distancia de 15 metros entre os pontos, sendo inclusos todos os individuos arboreos que apresentavam diametro a altura de 1,30 m do solo (DAP) [greater than or equal to] a 10 cm. Os individuos mortos em pe foram incluidos na amostragem, mas excluidos da analise fitossociologica, ja que e uma ferramenta utilizada para analisar a estrutura da comunidade de acordo com cada especie presente na mesma e a categoria (mortos) e representada por individuos de varias especies. A identificacao do material botanico foi feita em campo e, quando necessario, por comparacao com exsicatas existentes em herbarios e por consulta a especialistas. O material botanico foi incorporado ao herbario da Colecao Zoobotanica James Alexander Ratter, do Campus Universitario de Nova Xavantina/UNEMAT (Herbario NX). A identificacao seguiu o sistema de classificacao da APG III (2009), e os nomes cientificos foram conferidos mediante consulta no site do Missouri Botanical Garden--MOBOT (http://mobot.mobot. org/W3T/Search/vast.html).

Analise dos dados

Os parametros fitossociologicos considerados (Densidade, Frequencia, Dominancia, Valor de Importancia), bem como a diversidade de ShanonnWiener (H') e a equabilidade de Pielou (J') foram aplicados de acordo com Mueller-Dombois e Ellenberg (1974) e Durigan (2003), pelo programa FITOPAC 2.1 (SHEPHERD, 2007). A similaridade floristica entre as areas foi calculada utilizando-se o indice de Jaccard (MAGURRAN, 1988). Atraves dos dados da composicao floristica, foi feita a estimativa de riqueza de especies, pelo procedimento Jackknife 1 (HELTSHE e FORRESTER, 1983), utilizando o Programa EstimateS versao 8.2 (COLWELL, 2009). Uma curva de rarefacao de especies foi construida no intuito de avaliar a suficiencia amostral. Neste sentido, a analise baseou-se no numero de especies registradas em funcao do esforco de amostragem, representado pelos pontos-quadrante. Os indices de riqueza em especies estimada e observada sao apresentados acompanhados de seus intervalos de confianca (IC), ao nivel de significancia de 95% (p < 0,05).

RESULTADOS E DISCUSSAO

A curva de acumulacao de especies observadas para a area preservada da Fazenda Dois Americanos demonstra que o esforco em amostragem foi satisfatorio (Figura 2), sendo registrada uma riqueza de 57 especies. Ja a curva de acumulacao de especies observada para a area alterada nao se estabilizou completamente, sugerindo que o aumento em numero de pontos de amostragem poderia indicar maior riqueza floristica (Figura 2), pois, foram registradas apenas 52 especies, valor bem abaixo da riqueza estimada. Neste contexto, fica evidente que a distribuicao de apenas 100 pontos nao e suficiente para uma boa amostragem da vegetacao, embora em campo se tenha observado que poucas especies foram acrescentadas a curva do coletor apos o ponto 50.

A riqueza de uma comunidade pode ser influenciada pelo ambiente fisico, assim como pode indicar possiveis alteracoes ambientais na area. Nao houve diferenca significativa para a riqueza estimada entre as duas areas amostradas, pois, a area preservada e a area perturbada apresentaram riqueza floristica estimada em 65 especies (IC [+ or -] 5,45) e 69 especies (IC [+ or -] 8,85), respectivamente (Figura 2). A maior riqueza estimada para a area alterada pode ser reflexo da baixa quantidade de pontos amostrados, fazendo com que tal estimativa recebesse maiores valores quando comparado a da area preservada.

O total de especies amostradas em cada uma das areas foi semelhante ao encontrado em dois trechos de Floresta Estacional Perenifolia de interfluvio em Gaucha do Norte-MT, onde foram registradas 51 e 66 especies por hectare (IVANAUSKAS et al., 2004a) e superior ao encontrado em areas proximas a do presente estudo, onde foram amostradas 41 e 52 especies (KUNZ et al., 2008; KUNZ et al., 2010b). Contudo, ao se considerar outros trechos florestais do dominio amazonico, este resultado esta bem abaixo daqueles observados, nos quais ja foram registradas desde 76 ate 285 especies por hectare, considerando somente arvores com DAP [greater than or equal to] 10 cm (CAMPBELL et al., 1986; SILVA et al., 1987; MACIEL e LISBOA, 1989; SILVA et al., 1992; OLIVEIRA e MORI, 1999; OLIVEIRA e AMARAL, 2004; HAUGAASEN e PERES 2006). Oliveira & Mori (1999) explicaram que nem sempre os solos mais ferteis ou a precipitacao relativamente alta de um local ocasionam alta riqueza floristica e sugerem que o nivel de riqueza de uma comunidade pode ser resultante de eventos geologicos passados associados a heterogeneidade ambiental, assim como aos niveis de perturbacao local.

A densidade total foi maior na area alterada (909 ind./ha) do que na area preservada (772 ind./ ha). Os individuos mortos em pe corresponderam a 7,75% (25 individuos) e 6,25% (62 individuos) da densidade amostrada nas areas alterada e preservada, respectivamente. De modo geral, em trechos de Floresta Ombrofila da regiao amazonica, a densidade encontrada varia em torno de 750 individuos por hectare, considerando apenas os individuos com DAP [greater than or equal to] 10 cm (SILVA et al., 1992; OLIVEIRA e AMARAL, 2004).

Considerando o mesmo criterio de inclusao, os trechos de Floresta Estacional Perenifolia em Gaucha do Norte-MT, apresentaram em media, 500 ind./ha (IVANAUSKAS et al., 2004a) e em Querencia, 728 e 771 ind./ha (KUNZ et al., 2008; KUNZ et al., 2010b). Resultados semelhantes foram observados em areas de Floresta Ombrofila Densa no Para (456 ind./[ha.sup.-1] SILVA et al., 1987) e em Amazonas (527 ind./[ha.sup.-1] MATOS e AMARAL, 1999). Em outros trechos de Floresta Ombrofila Densa na regiao amazonica central, com a mesma metodologia, foram amostrados cerca de 600 ind./ ha (OLIVEIRA e MORI, 1999; HAUGAASEN e PERES, 2006).

A maior densidade registrada na area de Floresta Estacional Perenifolia alterada reflete um padrao normalmente encontrado ao longo da sucessao secundaria, em que ocorre elevada regeneracao de individuos de pequeno porte com posterior processo de autodesbaste, que passa a reduzir essa densidade e aumentar a area basal. Estudos de dinamica em florestas ombrofilas e estacionais em processo de sucessao tem demonstrado esta tendencia, ocorrendo aumento do numero de individuos nas classes de diametro do criterio de inclusao estabelecido, assim como tambem da area basal da comunidade (FORMENTO et al., 2004; OLIVEIRA-FILHO et al., 2004; PANTALEAO et al., 2008). No caso de areas sujeitas a perturbacao antropica, a extracao local de madeira e a ocorrencia de queimadas ocasionam a eliminacao de muitos individuos, mas em contrapartida, podem favorecer a regeneracao de especies presentes no banco de sementes que sao mais adaptadas as condicoes de alteracao nos regimes de luz, proporcionando um ambiente mais denso.

Um reflexo do estagio sucessional da area alterada pode ser a presenca de individuos de menor porte diametrico, que foi no maximo 58 cm (DAP medio = 18,3 cm), quando comparada com a area preservada, a qual apresentou individuos com ate 102,5 cm de diametro (DAP medio = 19,3 cm). Ocotea leucoxylon (Sw.) Laness. foi uma das especies que apresentou os maiores valores de diametro nas duas comunidades, com individuos medindo ate 61,8 cm de diametro na area preservada e 54,6 cm na area alterada. Alem desta, outras quatro especies se destacaram na area preservada devido aos elevados valores de diametros: Pouteria ramiflora (Mart.) Radlk. (69,2 cm); Copaifera martii Hayne (72,9 cm); Ormosia paraensis Ducke (82,8 cm) e Enterolobium schomburgkii (Benth.) Benth., que apresentou diametro maximo de 102,5 cm, enquanto na area alterada E. schomburgkii foi representada por individuos de no maximo 54,6 cm. Inga heterophylla Willd. foi a especie que apresentou maior diametro (58 cm) na area alterada.

A area basal, considerando os individuos mortos, na area preservada foi 29,28 [m.sup.2]/ha e na area alterada foi de 29,14 [m.sup.2]/ha. Estes valores sao superiores aos encontrados em trechos de floresta Estacional Perenifolia em Querencia-MT (24,77 [m.sup.2]/ha, KUNZ et al., 2008), Gaucha do Norte-MT, (18,63 a 23,95 [m.sup.2]/ha, IVANAUSKAS et al., 2004a) e em trechos de Floresta Ombrofila Densa em Maraba-PA (27,72 [m.sup.2]/ha, SILVA et al., 1986) e em Sao Luiz-MA (28,41 [m.sup.2]/ha, MUNIZ et al., 1994b). Contudo, encontra-se na media dos valores normalmente registrados para a regiao amazonica, que e em torno de 29,2 a 40 [m.sup.2]/ha (SALOMAO et al., 1988; MACIEL e LISBOA, 1989; SILVA et al., 1992; PITMAN et al., 2001; HAUGAASEN e PERES, 2006). Desta forma, o valor de area basal para a comunidade da area alterada sugere que a interrupcao das atividades antropicas favoreceu o desenvolvimento dos individuos arboreos, principalmente no que diz respeito ao incremento de diametro das especies de grande porte.

As dez especies com os maiores Valores de Importancia na area preservada e na area alterada representaram, respectivamente, 50,04 e 58,54% do VI total (Tabela 1).

A maior parte do VI de uma comunidade e destinada a um numero relativamente pequeno de especies (MORI et al., 1989), as quais apresentam certa uniformidade na sua estrutura e distribuicao, nao havendo especies dominantes ou que se destacam acentuadamente em Valor de Importancia (MUNIZ et al., 1994b). Esta observacao foi constatada em trechos de Floresta Estacional Perenifolia em Gaucha do Norte-MT, onde poucas especies predominaram em VI, tanto pelo numero de individuos quanto pela area basal (IVANAUSKAS et al., 2004a). Entretanto, na area alterada do presente estudo, a especie Ocotea leucoxylon (Sw.) Laness. nao seguiu este mesmo padrao, pois apresentou valores de densidade, frequencia e dominancia bem superiores em relacao a Connarus perrotteti (DC.) Planch., proporcionando quase o dobro em VI (Tabela 1).

Ocotea leucoxylon parece ser uma especie de ampla ocorrencia com altos Valores de Importancia em Floresta Estacional Perenifolia, pois ocupou a 1a posicao nas duas comunidades em Querencia-MT e em trechos de floresta de interfluvio (IVANAUSKAS et al., 2004a; KUNZ et al., 2008; KUNZ et al., 2010b), podendo ser considerada uma especie tipica dessa unidade fitogeografica.

Das dez especies consideradas de maior VI, seis foram comuns as duas areas em Querencia-MT, embora nao tenham a mesma representatividade (Tabela 1), indicando que, apesar da composicao floristica ser semelhante, a estrutura fitossociologica das duas comunidades apresenta-se distinta.

Tal constatacao e semelhante a observada em Gaucha do Norte-MT, onde em trechos de interfluvio, as especies que se destacaram em VI assumiram diferentes posicoes (IVANAUSKAS et al., 2004a). Esta relacao foi observada por Campbell et al. (1986), segundo os quais uma especie pode assumir altos valores de importancia numa comunidade, enquanto que no trecho vizinho pode estar quase ausente, evidenciando as variacoes entre o mesmo tipo florestal e de areas tao proximas. De acordo com Pitman et al. (2001), as especies podem responder de maneira diferente as variacoes ambientais, mesmo dentro de uma pequena area, onde pode haver diferencas de topografia, caracteristicas fisicas e quimicas do solo e outros fatores ambientais.

As especies Copaifera martii, Diplotropis purpurea, Enterolobium schomburgkii, Jacaranda copaia, Nectandra lanceolata, Ocotea leucoxylon, Trattinickia burserifolia, Trattinnickia glaziovii, Trattinickia rhoifolia e Vochysia vismiifolia possuem alto valor economico (IPT, 1989), sendo que a maioria delas e intensamente explorada por empresas laminadoras e madeireiras da regiao de Querencia-MT. E interessante destacar que algumas especies (Ormosia paraensis, Pseudolmedia macrophylla, Trattinnickia glaziovii e Vochysia vismiifolia) apresentaram VI bem menores na area alterada, principalmente em relacao ao numero de individuos. Provavelmente, os poucos individuos de tais especies presentes na comunidade deve-se ao fato do baixo diametro que apresentam, nao sendo apropriados para as laminadoras. Adicionalmente, especies como Nectandra lanceolata e Copaifera martii foram registradas apenas na area preservada, embora com baixos Valores de Importancia (Tabela 1).

As especies consideradas raras na area preservada e alterada (um individuo por hectare) representaram, respectivamente, cerca de 13 e 30% do total de especies. Estudos demonstram que para a regiao amazonica existe grande quantidade de especies raras, geralmente perfazendo entre 30 e 55% da comunidade total em um hectare (SILVA et al., 1992; ALMEIDA et al., 1993; MUNIZ et al., 1994b; OLIVEIRA e AMARAL, 2004), contrastando com o resultado referente a area preservada. Ja a alta porcentagem de especies raras na area alterada pode ser decorrente do esforco de amostragem, pois a alocacao de apenas 100 pontos, que corresponderia a 0,4 ha, pode ter sido insuficiente para que as especies fossem representadas por maior numero de individuos.

Outra causa para a grande quantidade de especies raras na area alterada pode ser em funcao da extracao de madeira, aliada a inexistencia de planos de manejo para tal atividade, o que pode ter provocado o desaparecimento das especies. Trattinnickia rhoifolia, por exemplo, faz parte do grupo de especies raras na area alterada. Provavelmente, este e um reflexo de que tais perturbacoes podem favorecer a vulnerabilidade das populacoes a extincao local, resultando em alteracoes na estrutura da comunidade.

Mesmo que a area alterada tenha alta porcentagem de especies raras, os valores de diversidade floristica (H' = 3,37) e de equabilidade (J = 0,85) sao semelhantes aqueles observados na area preservada (H' = 3,53 e J = 0,87). Estes resultados sao similares aqueles encontrados em outros trechos de Floresta Estacional Perenifolia, que variou de 3,07 a 3,30 e a equabilidade de 0,76 a 0,83 (IVANAUSKAS et al., 2004a; KUNZ et al., 2008; KUNZ et al., 2010a; 2010b). De modo geral, estes valores parecem ser comuns para a Floresta Estacional Perenifolia, pois para trechos de Floresta Ombrofila na regiao amazonica a diversidade esta acima de 4,0 (MUNIZ et al., 1994a; OLIVEIRA e AMARAL, 2004).

A similaridade floristica entre as areas foi alta (Cj = 0,67), sugerindo que, mesmo tendo sido explorada ha alguns anos, a area alterada apresenta elevada resiliencia, e esta em processo de regeneracao natural, cujo processo e favorecido pela existencia de um banco de sementes e de uma fonte de diasporos bem proxima, em bom estado de conservacao.

CONCLUSOES

As comunidades analisadas apresentam composicao floristica semelhante, mas a estrutura fitossociologica das comunidades e distinta, o que pode ser devido ao grau de perturbacao em uma das areas. Ainda se conhece pouco a respeito dessa tipologia florestal para determinar quais fatores ambientais interferem na distribuicao das especies vegetais. Apesar disso, o valor de similaridade e a semelhanca na riqueza de especies entre as areas poderia ser um indicador de que a area alterada encontra-se em estagio avancado de regeneracao, cujo processo pode estar conduzindo a uma estrutura distinta da area preservada, apesar da proximidade, mas com as caracteristicas da Floresta Estacional Perenifolia. Estudos relacionados a dinamica da comunidade arborea deveriam ser realizados para melhor compreensao das variacoes na estrutura fitossociologica das areas florestais.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos a Agencia dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional (USAID), Consorcio Estradas Verdes e Fundacao de Amparo a Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT--Processo 08/2004) pelo apoio financeiro para o desenvolvimento do Projeto Gestao Ambiental e Ordenamento Territorial da Bacia do rio Suia-Micu. Ao Programa Xingu/ ISA (Instituto Socioambiental) e Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) pelo apoio tecnico-cientifico e logistico. Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnologico (CNPq) pela concessao da bolsa de Mestrado a primeira autora. Ao proprietario da Fazenda Dois Americanos, Sr. Douglas Ferrell, pelo apoio para a realizacao deste estudo.

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Sustanis Horn Kunz (1) Natalia Macedo Ivanauskas (2) Sebastiao Venancio Martins (3) Daniel Stefanello (4) Elias Silva (5)

(1) Biologa, Dr.a, Professora Adjunta do Departamento de Ciencias Florestais e da Madeira, Universidade Federal do Espirito Santo, Alto Universitario, s/n, Caixa Postal 16, CEP 29500-000, Alegre (ES), Brasil. sustanishk@yahoo.com.br

(2) Engenheira Agronoma, Dra., Pesquisadora Cientifica do Instituto Florestal do Estado de Sao Paulo, Divisao de Dasonomia, Rua do Horto, 931, CEP 02377-000, Sao Paulo (SP), Brasil. nivanaus@yahoo.com.br

(3) Engenheiro Florestal, Dr., Professor Adjunto do Departamento de Engenharia Florestal, Universidade Federal de Vicosa, Av. Peter Henry Rolfs, s/n, Campus Universitario, CEP 36570-000, Vicosa (MG), Brasil. venancio@ufv.br

(4) Biologo, Msc., Secretario de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Querencia, Rua A, 11, Bairro Centro, CEP 78643-000, Querencia (MT), Brasil. d_stefanello@yahoo.com.br

(5) Engenheiro Florestal, Dr., Professor Adjunto do Departamento de Engenharia Florestal, Universidade Federal de Vicosa, Av. Peter Henry Rolfs, s/n, Campus Universitario, CEP 36570-000, Vicosa (MG), Brasil. eshamir@ufv.br

Recebido para publicacao em 14/07/2009 e aceito em 24/01/2013

TABLE 1: Phytosociological parameters of arborous species
sampled in the phytosociological survey performed at Dois
Americanos Farm, Querencia, MT state, Brazil. NI--Number
of Individuals, RD--Relative Density (%), RDo--Relative
Dominance (%), RF--Relative Frequency (%), IV--Importance
Value.

TABELA 1: Parametros fitossociologicos das especies arboreas
amostradas no levantamento fitos-sociologico realizado na
Fazenda Dois Americanos, Querencia, MT, Brasil. NI--Numero
de individuos; DR--Densidade relativa (%), DoR--Dominancia
relativa (%), FR--Frequencia relativa (%) VI--Valor de
Importancia, AP--Area Preservada; AA--Area Alterada.

                         NI          DR             DoR

                       AP   AA    AP     AA     AP      AA

Ocotea leucoxylon      52   45   7,05   12,0   12,05   18,81
(Sw.)Laness.

Hirtella racemosa      58   21   7,86   5,60   8,73    6,30
Lam.

Trattinnickia          36   5    4,88   1,33   6,72    1,46
glaziovii Swart

Xylopia amazonica      42   21   5,69   5,60   4,25    5,33
R.E. Fr.

Myrcia multiflora      39   18   5,28   4,80   3,72    3,73
(Lam.) DC.

Pseudolmedia           39   3    5,28   0,80   2,02    0,30
macrophylla Trecul

Vochysia vismiifolia   26   6    3,52   1,60   5,20    2,29
Spruce ex Warm.

Protium pilosissimum   36   --   4,88    --    1,38     --
Engl.

Miconia gratissima     31   21   4,20   5,60   2,15    3,83
Benth. ex Triana

Miconia pyrifolia      29   12   3,93   3,20   1,93    1,99
Naudin

Ouratea discophora     25   21   3,39   5,60   1,79    4,20
Ducke

Amaioua guianensis     24   1    3,25   5,33   1,03    3,46
Aubl.

Ocotea guianensis      20   19   2,71   5,07   2,39    4,45
Aubl.

Ocotea caudata         22   6    2,98   1,60   1,60    2,15
(Nees) Mez

Ormosia paraensis      6    1    0,81   0,27   5,70    0,86
Ducke

Sloanea eichleri K.    19   7    2,57   1,87   1,88    1,75
Schum.

Sacoglottis            18   9    2,44   2,40   2,30    1,81
guianensis Benth.

Cheiloclinium          20   7    2,71   1,87   1,54    1,07
cognatum (Miers)
A.C.Sm.

Matayba guianensis     17   6    2,30   1,60   1,78    0,82
Aubl.

Chaetocarpus           13   1    1,76   0,27   1,02    0,60
echinocarpus
(Baill.) Ducke

Pouteria ramiflora     6    2    0,81   0,53   2,69    1,18
(Mart.) Radlk.

Aspidosperma           5    1    0,68   0,27   2,88    0,08
discolor A. DC.

Miconia dispar         13   5    1,76   1,33   0,65    0,41
Benth.

Aspidosperma           7    1    0,95   0,27   2,12    0,36
obscurinervium
Azambuja

Enterolobium           2    2    0,27   0,53   3,34    2,07
schomburgkii
(Benth.) Benth.

Trichilia micrantha    11   --   1,49    --    0,79     --
Benth.

Licania sothersiae     8    6    1,08   1,6    1,58    1,31
Prance

Xylopia sericea A.     10   3    1,36   0,8    1,08    1,24
St.-Hil.

Pouteria torta         5    1    0,68   0,27   1,78    0,08
(Mart.) Radlk.

Connarusperrottetii    6    30   0,81   8,0    1,35    8,57
(DC.) Planch.

Guatteria              9    8    1,22   2,13   0,44    0,96
schomburgkiana Mart.

Miconia minutiflora    8    3    1,08   0,8    0,57    0,40
(Bonpl.) DC.

Myrcia amazonica DC.   8    1    1,08   0,27   0,41    0,09

Inga heterophylla      6    6    0,81   1,60   0,70    4,89
Willd.

Trattinnickia          6    1    0,81   0,27   0,78    0,58
rhoifolia Willd.

Nectandra cuspidata    3    --   0,41    --    1,05     --
Nees & Mart.

Guatteriopsis          5    1    0,68   0,27   0,38    0,36
blepharophylla
(Mart.) R.E. Fr.

Copaifera martii       1    --   0,14    --    1,49     --
Hayne

Protium                4    --   0,54    --    0,64     --
unifoliolatum Engl.

Nectandra              5    7    0,68   1,87   0,35    1,80
schomburgkii Meisn.

Abuta grandifolia      5    1    0,68   0,27   0,28    0,22
(Mart.) Sandwith

Mouriri apiranga       4    1    0,54   0,27   0,29    0,08
Spruce ex Triana

Himatanthus sucuuba    2    --   0,27    --    0,84     --
(Spruce ex Mull.
Arg.) Woodson

Maprounea guianensis   3    1    0,41   0,27   0,42    0,09
Aubl.

Tapirira guianensis    3    1    0,41   0,27   0,35    0,09
Aubl.

Diplotropispurpurea    1    1    0,14   0,27   0,88    0,07
(Rich.) Am-shoff

Sacoglottis            4    2    0,54   0,53   0,17    0,39
mattogrossensis
Malme

Virola sebifera        3    --   0,41    --    0,12     --
Aubl.

Micropholis egensis    2    --   0,27    --    0,37     --
(A. DC.) Pierre

Mabea fistulifera      2    2    0,27   0,53   0,35    0,35
Benth.

Nectandra lanceolata   2    --   0,27          0,35     --
Nees

Vismia amazonica       2    11   0,27   2,93   0,18    1,48
Ewan

Trattinnickia          1    7    0,14   1,87   0,44    2,73
burserifolia Mart.

Jacaranda copaia       1    1    0,14   0,27   0,44    1,08
(Aubl.) D. Don

Trattinnickia sp.      1    --   0,14    --    0,11     --

Xylopia frutescens     1    --   0,14    --    0,90     --
Aubl.

Miconia albicans       1    10   0,14   2,67   0,40    1,13
(Sw.) Triana Protium
guianensis (Aubl.)
March.

Schefflera             --   3     --    0,80    --     1,80
morototoni (Aubl.)
Maguire, Steyerm. &
Frodin

Pera coccinea          --   2     --    0,53    --     0,28
(Benth.) Mull. Arg.

Aspidosperma           --   2     --    0,53    --     0,22
desmanthum Benth. ex
Mull. Arg.

Inga thibaudiana DC.   --   1     --    0,27    --     0,16

Buchenavia capitata    --   1     --    0,27    --     0,13
(Vahl) Eichler

Licania minutiflora    --   1     --    0,27    --     0,07
(Sagot) Fritsch

                          FR              VI

                       AP     AA      AP      AA

Ocotea leucoxylon      7,2   11,88   26,31   42,69
(Sw.)Laness.

Hirtella racemosa      7,2   5,51    23,81   17,41
Lam.

Trattinnickia          4,8   1,45    16,36   4,24
glaziovii Swart

Xylopia amazonica      5,5   5,80    15,41   16,73
R.E. Fr.

Myrcia multiflora      4,9   4,35    13,91   12,88
(Lam.) DC.

Pseudolmedia           5,5   0,87    12,79   1,97
macrophylla Trecul

Vochysia vismiifolia   3,6   1,74    12,33   5,63
Spruce ex Warm.

Protium pilosissimum   4,6    --     10,88    --
Engl.

Miconia gratissima     4,2   5,22    10,54   14,65
Benth. ex Triana

Miconia pyrifolia      4,0   3,19    9,90    8,37
Naudin

Ouratea discophora     3,3   5,22    8,49    15,02
Ducke

Amaioua guianensis     3,5   5,22    7,74    14,01
Aubl.

Ocotea guianensis      2,6   4,93    7,70    14,44
Aubl.

Ocotea caudata         3,0   1,74    7,61    5,49
(Nees) Mez

Ormosia paraensis      0,9   0,29    7,38    1,42
Ducke

Sloanea eichleri K.    2,7   2,03    7,20    5,65
Schum.

Sacoglottis            2,5   2,32    7,20    6,53
guianensis Benth.

Cheiloclinium          2,7   1,74    6,99    4,67
cognatum (Miers)
A.C.Sm.

Matayba guianensis     2,2   1,45    6,25    3,87
Aubl.

Chaetocarpus           1,9   0,29    4,66    1,16
echinocarpus
(Baill.) Ducke

Pouteria ramiflora     0,9   0,58    4,37    2,30
(Mart.) Radlk.

Aspidosperma           0,7   0,29    4,28    0,63
discolor A. DC.

Miconia dispar         1,7   1,45    4,14    3,20
Benth.

Aspidosperma           1,0   0,29    4,08    0,92
obscurinervium
Azambuja

Enterolobium           0,3   0,58    3,90    3,18
schomburgkii
(Benth.) Benth.

Trichilia micrantha    1,6    --     3,87     --
Benth.

Licania sothersiae     1,2   1,74    3,82    4,65
Prance

Xylopia sericea A.     1,3   0,87    3,74    2,91
St.-Hil.

Pouteria torta         0,7   0,29    3,18    0,63
(Mart.) Radlk.

Connarusperrottetii    0,9   7,54    3,03    24,1
(DC.) Planch.

Guatteria              1,3   2,32    2,96    5,41
schomburgkiana Mart.

Miconia minutiflora    1,2   0,87    2,81    2,07
(Bonpl.) DC.

Myrcia amazonica DC.   1,2   0,29    2,65    0,65

Inga heterophylla      0,9   1,74    2,38    8,23
Willd.

Trattinnickia          0,7   0,29    2,31    1,13
rhoifolia Willd.

Nectandra cuspidata    0,4    --     1,89     --
Nees & Mart.

Guatteriopsis          0,7   0,29    1,78    0,91
blepharophylla
(Mart.) R.E. Fr.

Copaifera martii       0,1    --     1,77     --
Hayne

Protium                0,6    --     1,76     --
unifoliolatum Engl.

Nectandra              0,7   2,03    1,75    5,69
schomburgkii Meisn.

Abuta grandifolia      0,7   0,29    1,67    0,77
(Mart.) Sandwith

Mouriri apiranga       0,6   0,29    1,41    0,63
Spruce ex Triana

Himatanthus sucuuba    0,3    --     1,40     --
(Spruce ex Mull.
Arg.) Woodson

Maprounea guianensis   0,4   0,29    1,26    0,65
Aubl.

Tapirira guianensis    0,4   0,29    1,19    0,65
Aubl.

Diplotropispurpurea    0,1   0,29    1,16    0,62
(Rich.) Am-shoff

Sacoglottis            0,4   0,58    1,15    1,50
mattogrossensis
Malme

Virola sebifera        0,4    --     0,95     --
Aubl.

Micropholis egensis    0,3    --     0,93     --
(A. DC.) Pierre

Mabea fistulifera      0,3   0,58    0,91    1,46
Benth.

Nectandra lanceolata   0,1    --     0,76     --
Nees

Vismia amazonica       0,3   2,90    0,74    7,31
Ewan

Trattinnickia          0,1   1,74    0,72    6,33
burserifolia Mart.

Jacaranda copaia       0,1   0,29    0,72    1,64
(Aubl.) D. Don

Trattinnickia sp.      0,1    --     0,39     --

Xylopia frutescens     0,1    --     0,37     --
Aubl.

Miconia albicans       0,1   2,90    0,31    6,70
(Sw.) Triana Protium
guianensis (Aubl.)
March.

Schefflera             --    0,87     --     3,47
morototoni (Aubl.)
Maguire, Steyerm. &
Frodin

Pera coccinea          --    0,58     --     1,39
(Benth.) Mull. Arg.

Aspidosperma           --    0,58     --     1,33
desmanthum Benth. ex
Mull. Arg.

Inga thibaudiana DC.   --    0,29     --     0,72

Buchenavia capitata    --    0,29     --     0,68
(Vahl) Eichler

Licania minutiflora    --    0,29     --     0,63
(Sagot) Fritsch
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Author:Kunz, Sustanis Horn; Ivanauskas, Natalia Macedo; Martins, Sebastiao Venancio; Stefanello, Daniel; Si
Publication:Ciencia Florestal
Geographic Code:3BRAZ
Date:Jan 1, 2014
Words:6411
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