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Perceptions of organizational politics scale: adaptation and validation for the brazilian context/Escala de percepcao de politica na organizacao: adaptacao e validacao para o contexto brasileiro.

Introducao

As instituicoes sao permeadas por taticas politicas envolvendo conflitos, aliancas e jogos (Mintzberg, 1985), aspectos estressores considerados recorrentes e culturalmente disseminados no Brasil, que implicam em resultantes negativas sobre a percepcao que os funcionarios tem da organizacao e de seus papeis (Duarte, 2006; Kacmar & Carlson, 1997; Mansur & Sobral, 2011). O termo politica, aqui citado, difere da conotacao ligada aos meios utilizados pelos politicos publicos para atingir seus resultados. Trata-se de um componente do dia a dia organizacional referente a acoes, geralmente nao validadas formalmente, direcionadas aos interesses proprios e que muitas vezes nao consideram o bem-estar dos outros ou da organizacao (Kacmar & Baron, 1999).

Os primeiros estudos a respeito da presenca da politica no ambiente laboral consideram o fenomeno como uma caracteristica constituinte das relacoes organizacionais, em que o uso do poder para influenciar, obter e garantir interesses e inerente a propria existencia das instituicoes (Gandz & Murray, 1980; March, 1962; Mintzberg, 1985). A partir do final dos anos 70, importantes frentes de pesquisa foram iniciadas com o intuito de entender como os funcionarios reagiam ao perceber esse ambiente politico (e.g., Schein, 1977; Tushman, 1977; Madison, Allen, Porter, Renwick & Mayes, 1980). Em estudos mais recentes constatou-se que a Percepcao de Politica na Organizacao (PPO) traz diversos resultados negativos, levando, por exemplo, a queda de desempenho, insatisfacao no trabalho, frustracao e aumento de turnover (Bedi & Schat, 2013; Huang & Chuang, 2003; Kacmar & Carlson, 1997; Rosen, Harris, & Kacmar, 2009; Vigoda, 2000).

Pesquisas anteriores tratam o cenario brasileiro como altamente afetado por comportamentos politicos, os considerando conhecidos e praticados em todos os niveis das organizacoes, publicas e privadas, muitas vezes associados a uma questao cultural, como o notorio "jeitinho brasileiro" (Barbosa, 2006; Chu & Wood, 2008; Duarte, 2006; Mansur & Sobral, 2011). Entretanto, essa tematica ainda e considerada um tabu no Brasil (Miranda, 2009) e, apos consultas a bancos de dados indexados, a presente pesquisa identificou carencia de estudos empiricos com abordagem quantitativa, o que justifica a relevancia de ampliar este tipo de analise acerca da PPO neste contexto cultural, ja que a grande maioria das investigacoes nesta area ocorreu na Europa e Estados Unidos (Bedi & Schat, 2013).

A partir desta discussao, a presente pesquisa objetivou adaptar e validar uma Escala de Percepcao de Politica na Organizacao para o Brasil (EPPOBr). Optou-se pela escala de 6 itens de Hochwarter, Kacmar, Perrewe e Johnson (2003) em funcao de sua capacidade para captar especificamente comportamentos politicos negativos envolvendo acoes em beneficio proprio e manobras de bastidores. Considerou-se tambem sua flexibilidade para aplicacao nos setores publico e privado, uma vez que esses segmentos possuem motivacoes e realidades diferentes (Bysted & Jespersen, 2014).

Ao disponibilizar um instrumento de mensuracao da PPO adaptado ao contexto brasileiro, espera-se contribuir para o avanco do conhecimento acerca de comportamentos politicos nas instituicoes brasileiras e subsidiar futuras pesquisas ligadas, por exemplo, ao comportamento organizacional, com a possibilidade de inclusao dessa variavel apontada como intrinseca aos relacionamentos do mundo laboral. Essa contribuicao e importante na medida em que o cenario nacional, apesar de considerado altamente politico, academicamente apresenta poucas investigacoes empirico-quantitativas voltadas a politica nas organizacoes (Barbosa, 2006, Duarte, 2006; Mansur & Sobral, 2011; Miranda, 2009). Em termos praticos, mensurar a PPO pode auxiliar com insumos para a criacao de estrategias de redesenho de praticas gerenciais que considerem a presenca adjacente da politica no ambiente de trabalho e, possivelmente, auxiliem a minimizar seus efeitos negativos.

A Percepcao de Politica nas Organizacoes

Recorrentemente, a natureza das empresas tem sido descrita como politica, em que poucas decisoes importantes sao tomadas sem que as partes-chave protejam ou melhorem seus interesses (Kreutzer, Walter, & Cardinal, 2015). Assim, as organizacoes podem ser observadas como estruturas em que diversos procedimentos decisorios, definicoes de metas e estrategias sao elaborados a partir desta premissa (Mayes & Allen, 1977; Mintzberg, 1985). Essa caracteristica esta vinculada a um antagonismo: ao mesmo tempo em que a politica e reconhecida como inerente as organizacoes e necessaria aos lideres de sucesso, entende-se que e um comportamento contraprodutivo, prejudicial as relacoes e contrario as normas formalmente aceitas (Bedi & Schat, 2013; Gandz & Murray, 1980; Mintzberg, 1985; Mcallister, Ellen, Perrewe, Ferris, & Hirsch, 2015).

A presenca da politica como um sistema de influencia e poder inerente aos diversos tipos de instituicoes vem sendo investigada sob a otica da percepcao disfuncional que os funcionarios tem do fenomeno e seus impactos negativos nas organizacoes (Drory, 1993; Kacmar & Ferris, 1991; Miller, Rutherford, & Kolodinsky, 2008). Diversas definicoes da politica organizacional sob essa abordagem foram cunhadas por autores expoentes nos ultimos 50 anos e suas perspectivas ilustram a forma como o fenomeno e percebido. A Figura 1 aponta de forma sintetica algumas destas contribuicoes:

A multiplicidade de interesses, natural nas relacoes humanas, da origem a politica e alguns de seus fatores intrinsecos: conflitos, arranjos, aliancas e negociacoes (Atinc, Darrat, Fuller, & Parker, 2010; Mintzberg, 1985). As estrategias informais articuladas nos bastidores podem resultar tanto em ganhos para a organizacao como na conquista de poder e beneficios pessoais especificos (Pfeffer, 1992; Poon, 2003).

O aprofundamento na analise dos processos intrapessoais dos efeitos da PPO apontou uma forte relacao negativa com satisfacao no trabalho e comprometimento afetivo, impactando, desta forma, restritivamente no desempenho de tarefas e na dedicacao dos funcionarios (Chang, Rosen, & Levy, 2009; Miller et al., 2008; Mansur & Sobral, 2011). Outros efeitos relevantes identificados foram queda da moral, aumento da ansiedade e stress, fatores contraproducentes que evidentemente comprometem o resultado das organizacoes (Chang et al., 2009; Ferris, Frink, Galang, Zhou, Kacmar, & Howard, 1996).

Mensurando a Percepcao de Politica na Organizacao

O desafio em captar a percepcao do comportamento politico nas organizacoes esta ligado a ambiguidade, subjetividade e controversia do assunto (Drory & Romm, 1990; Miller et al., 2008). Dependendo das experiencias previas de cada observador, metas pessoais de carreira, grupo do qual faz parte e ate mesmo do genero, um mesmo comportamento pode ser considerado politico ou nao (Ferris et al., 1996; Kacmar et al., 1999; Kacmar, Bachrach, Harris, & Zivnuska, 2011). O estudo da PPO parte da premissa de que aspectos atitudinais no local de trabalho sao influenciados por percepcoes da realidade e nao necessariamente da realidade por si so (Kacmar & Carlson, 1997; Bargal, 2006). No Brasil, a producao empirica com abordagem quantitativa sobre esta tematica ainda permanece extremamente escassa, fato surpreendente em um cenario constantemente referido como politico (Barbosa, 2006; Duarte, 2006).

Apesar de uma ampla concordancia sobre os efeitos da politica organizacional, desde a decada de 60, apenas a partir dos anos 90 foram desenvolvidos instrumentos validos de medida da PPO (Miller et al., 2008). Um estudo meta-analitico de Bedi e Schat (2013) indica que as tres medidas internacionalmente mais utilizadas em pesquisas sobre politica nas organizacoes sao: a de Kacmar e Ferris (1991), com 12 itens; sua versao revisada por Kacmar e Carlson (1997), com 15 itens e, por fim, a escala de Hochwarter et al. (2003), objeto deste estudo.

As escalas de Kacmar e Ferris (1991) e a de Kacmar e Carlson (1997) possuem tres dimensoes: "Comportamento Politico Geral", ligada a acoes em beneficio proprio e manobras de bastidores; "Concordancia com o Poder" e permanencia em zona de conforto, e a terceira, "Politicas de Remuneracao e Promocao" que trata da influencia da politica nestes aspectos. A escala de Hochwarter et al. (2003) e unidimensional e, segundo seus autores, foi desenvolvida a partir dos pontos convergentes da literatura sobre o assunto: atitudes de promocao de interesses proprios a despeito do interesse da instituicao, acoes de bastidores visando influenciar decisoes e uso de taticas consideradas como ilegitimas pela maioria. Esta escala, apesar de possuir uma abordagem propria, apresenta aproximacao conceituai com a dimensao "Comportamento Politico Geral" dos trabalhos anteriores.

Nao foi possivel localizar, em periodicos indexados, o uso da escala de Hochwarter et al. (2003) em pesquisas em portugues do Brasil. Para esta verificacao foram realizadas buscas no servico de Biblioteca EBSCOhost, SciELO, Google Scholar e Portal de Periodicos CAPES/MEC. Para esse fim, os seguintes descritores foram utilizados (isoladamente e/ou conjugados): Percepcao de Politica, Politica Organizacional, Comportamentos politicos, Escala, Medida. O periodo da busca abrangeu o periodo de 2003, data da criacao da escala validada, ate 2016.

A busca nos bancos de dados tambem contribuiu para verificar que, quanto aos outros dois trabalhos, apenas tres referencias foram identificadas em periodicos indexados. Pode-se destacar o estudo de Mansur e Sobral (2011) com amostras do setor privado (servicos e industria) com a aplicacao de uma versao reduzida da escala de Kacmar e Ferris (1991). Esta constatacao evidencia a necessidade de instrumentos de medida de PPO adaptados e validados para o contexto nacional.

Procedimentos Metodologicos

Definicao do Instrumento de Medida

A escala de Hochwarter et al. (2003), possui uma estrutura com 6 itens, cujos escores sao obtidos a partir de uma escala de concordancia de 5 pontos, variando de 1 ("Discordo totalmente") a 5 ("Concordo totalmente"). Desta forma, o entrevistado assinala em que medida discorda ou concorda com a existencia de cada um dos comportamentos apresentados. A variavel latente PPO e obtida pela media aritmetica dos itens da escala. O instrumento foi optado a partir de tres caracteristicas:

* Permite consolidar em um unico fator os comportamentos politicos negativos, ou seja, acoes que buscam a promocao dos interesses pessoais a custa dos objetivos organizacionais usando taticas percebidas pela maioria como ilegitimas.

* Suas assertivas sao aplicaveis tanto ao setor publico como ao privado, o que nao ocorre com as outras duas escalas, pois incluem questoes relativas a remuneracao, fator que no Brasil e menos flexivel para os servidores publicos em funcao do ordenamento juridico possuir criterios especificos para este segmento. Uma escala bivalente permite estudos com amostras heterogeneas e ainda abordagens comparativas.

* Por fim, trata-se de uma escala curta, o que facilita sua aplicacao em conjunto com outros construtos, sem que o numero de questoes total fique demasiadamente majorado, o que, em decorrencia do escasso tempo dos respondentes, pode se configurar como uma vantagem na execucao de projetos que contemplem a investigacao de muitos fatores simultaneos. Alem disso, no contexto organizacional brasileiro, assuntos ligados a politica tendem a ser um tabu (Miranda, 2009), assim, um numero menor de questoes pode minimizar uma possivel carga negativa ou desinteresse aos respondentes de surveys.

Apesar dos pontos fortes anteriormente elencados, a EPPO-Br pode ser insuficiente para estudos que busquem um aprofundamento quanto a outras dimensoes politicas que extrapolam o nivel individual, como remuneracao e promocao (Kacmar & Ferris, 1991; Kacmar & Carlson, 1997), ja que seu foco e objetivamente a percepcao das acoes dos individuos no ambiente de trabalho e nao a acao institucional.

Em pesquisas internacionais, a escala ja foi aplicada no segmento publico abrangendo o poder municipal, estadual e agencias governamentais de forma geral (cf., por exemplo, Breaux, Munyon, Hochwarter, & Ferris, 2009; Brouer, Harris, & Kacmar, 2011; Kacmar et al., 2011; Rosen et al., 2009). Na iniciativa privada pode-se citar, por exemplo, sua aplicacao junto a funcionarios de ramos que abrangem industria, servicos, saude, alem de funcoes gerenciais ou de manufatura (Hochwarter & Thompson, 2010; Thornton, Esper, & Autry, 2016). Nestes estudos, a variavel PPO foi utilizada em diversas abordagens quantitativas com uso de estatisticas multivariadas, como regressoes ou modelagem de equacoes estruturais.

Traducao

A traducao inicial do ingles para o portugues foi feita por um tradutor independente e qualificado. Com a primeira versao foi realizado um pre-teste com 16 alunos de um programa de mestrado em Administracao, com o intuito de verificar o entendimento das afirmativas do questionario. A aplicacao de testes piloto e de grande importancia em projetos de pesquisa com coleta de dados, pois permite o aprimoramento dos planos de coleta, tanto em conteudo quanto em procedimento (Yin, 2015).

Algumas observacoes pontuais dos respondentes e dos pesquisadores foram entao encaminhadas a um segundo tradutor independente, que fez os ajustes necessarios e tambem a traducao reversa para o ingles (retrotraducao), objetivando comparar a traducao para o ingles com o instrumento original.

Concomitantemente, durante as etapas, alguns aspectos foram verificados, sob a supervisao do pesquisador: equivalencia semantica (avaliacao gramatical), adequacao de expressoes idiomaticas, equivalencia cultural--com o objetivo de apurar a coerencia entre os termos utilizados e o cenario a que se destina e, por fim, equivalencia conceitual, pois os itens podem se equivaler semanticamente, mas devem tambem equivaler conceitualmente (Sperber, Devellis, & Boehlecke, 1994).

A estrategia adotada, com sucessivas traducoes, pre-teste, e a juncao da competencia linguistica dos tradutores ao conhecimento proveniente dos estudos levantados acerca do tema, objetivou adequar o instrumento a proposta da adaptacao e evitar uma versao muito literal caso se utilizasse apenas a traducao-retrotraducao (Van de Vijver & Hambleton, 1996).

Caracteristicas da Amostra e Tecnica de Coleta de Dados

Duas amostras independentes foram utilizadas nesta validacao. A primeira composta por servidores de uma instituicao publica federal de ensino que oferta cursos tecnicos, superiores de graduacao e pos-graduacao lato e stricto sensu. A segunda, apenas com respondentes provenientes do setor privado, e composta por Administradores registrados em um Conselho Regional de Administracao (CRA). Neste caso, a maioria atua nas areas de Administracao Geral e Financas, seguidos de Comercial e Recursos Humanos (servico e industria).

Foram entrevistados 137 servidores publicos, docentes e tecnicoadministrativos, a maioria do genero feminino (58,2%), com tempo medio de atuacao 12 anos, 79,9% com nivel de escolaridade superior e destes, 98% possuem pos-graduacao. A amostra da iniciativa privada contou com 122 respondentes de diversos ramos de atuacao, 52,2 % do genero masculino, tempo medio de empresa 7,2 anos, todos com curso superior e destes, 71% possuem pos-graduacao.

A coleta de dados contou com o apoio das duas instituicoes. No setor publico, o questionario foi encaminhado para o e-mail institucional dos entrevistados. Quanto ao setor privado, o CRA encaminhou em seu boletim eletronico de noticias um convite para participar da pesquisa e disponibilizou no site da instituicao o link para acessar o questionario. Neste processo, garantiu-se o anonimato dos sujeitos e optou-se por nao levantar demasiadas informacoes pessoais ou identificacao de departamento. Alem dos principios eticos, esta escolha fundamenta-se na necessidade de proteger o experimento de respostas tendenciosas a padroes socialmente desejaveis (Hair, Babin, Money, & Samouel, 2005), em especial devido as questoes relacionadas a politica, consideradas mais delicadas para os respondentes (Miranda, 2009). Espera-se que, ao perceber claramente o anonimato, os entrevistados sintam-se mais a vontade para participar, possivelmente propiciando a pesquisa respostas mais imparciais.

O instrumento de coleta foi analisado e aprovado pelo Comite de Etica em Pesquisa com Seres Humanos do Ifes (CEP/Ifes) onde foi avaliado se os interesses dos participantes da pesquisa foram respeitados em sua integridade e dignidade, verificando assim se a pesquisa propoe um desenvolvimento dentro de padroes eticos cientificos (Brasil, 2016). O CEP/ Ifes e registrado na Comissao Nacional de Etica em Pesquisa do Ministerio da Saude (CONEP/CNS/MS).

Apresentacao e Discussao dos Resultados

A confirmacao da estrutura da EPPO-Br seguiu duas fases: primeiramente, antes de submeter o arquivo de dados a Analise Fatorial Confirmatoria, foi realizada uma Analise Fatorial com a tecnica dos Eixos-Principais visando adequar os dados ao modelo linear geral (Tabachnick, Fidell, & Osterlind, 2001) e verificar se no contexto deste estudo a retencao de itens permaneceria a mesma da escala original. A tabela 1 traz o resultado desse primeiro passo e apresenta, de forma segmentada por setor, as cargas fatoriais de cada item e os testes de adequacao:

A medida de adequacao das amostras verificada pelo Teste KMO foi superior a 0,80, considerado bastante satisfatorio. O teste de esfericidade de Barlett foi estatisticamente significante nos dois grupos (p<0,001), indicando que os dados sao adequados a analise fatorial (Hair et al., 2005).

Nas duas amostras os resultados identificaram apenas um fator, confirmando a estrutura unidimensional do instrumento original de Hochwarter et al. (2003). Nos dois casos o autovalor (eigenvalue) foi maior que 1, as cargas foram maiores que 0,50 e o percentual de variancia explicada excedeu 60%, o que permite considerar que se tratam de parametros robustos, principalmente ao se medir percepcoes (Hair et al., 2009). Os indices de fidedignidade apresentaram resultados satisfatorios com valores acima de 0,70 (Hair et al., 2009). Ocorreram diferencas com relacao a importancia relativa das cargas, podendo-se destacar que no setor publico o item PPO02 ligado a acoes em beneficio proprio obteve a carga mais elevada, o que no setor privado ocorreu com o item PPO04 relacionado a manobras de bastidores.

A proxima fase da validacao foi avaliar os indices de ajuste do modelo por meio de Analise Fatorial Confirmatoria (AFC) atraves de Modelagem de Equacoes Estruturais (MEE), conforme recomendado por Bentler (1990). Assim, baseado na estrutura fatorial definida anteriormente, procedeuse a AFC, utilizando o metodo de estimacao por maxima verossimilhanca (maximum-likelihood estimation). Para o teste de ajuste do modelo proposto foram analisados os seguintes indices: X2/df (qui-quadrado relativo), CFI (Comparative Fit Index); RMSEA (Root Mean Square Error of Aproximation); NFI (Normed Fit Index) e GFI (Goodness-of-Fit Index). A tabela 2 apresenta os resultados da AFC por setor e os criterios de ajustamento satisfatorio, conforme as referencias da literatura especializada sobre tais indices.

Os indices encontrados na Tabela 2 comprovam a probabilidade de o modelo teorico se ajustar aos dados (X2/gl), e apontam uma boa proporcao de variancia-covariancia explicada (GFI). Alem disso, o indice de ajuste normalizado (NFI) indica independencia entre as variaveis mensuradas, mesmo com uma amostra relativamente pequena, ja que o indice de ajuste comparativo (CFI) apresentou-se dentro dos valores de ajustamento. Por fim, obteve-se um otimo ajuste do modelo a populacao, uma vez que os valores RMSEA estao abaixo de 0,05 (Thompson, 2004).

Os resultados destes procedimentos apresentam fortes indicios de que a EPPO-Br possui caracteristicas adequadas (validade de construto) para mensuracao do conceito de Percepcao de Politica na Organizacao nas organizacoes brasileiras, seja no setor publico ou na iniciativa privada.

Apos a validacao, procedeu-se uma analise de variancia unidirecional (One-way ANOVA) para verificar se as diferencas entre as medias dos setores sao estatisticamente significativas. Para todas as variaveis obteve-se um nivel de significancia elevado (p<0,001), passando-se, assim, a estatistica descritiva (Tabela 3):

Os dois setores apresentaram uma PPO alta ([M.sub.1] = 4,029 e [M.sub.2] = 3,851), considerando-se que o ponto maximo da escala e cinco. Os dados medidos, ao apresentarem pouca variacao em torno da media, indicam um consenso quanto a essa percepcao ([DP.sub.1] = 0,662 e [DP.sub.2] = 0,691) e reforcam estudos anteriores que a tratam como um fator inerente as instituicoes (Atinc et al., 2010; Pfeffer, 1992; Parker, Dipboye, & Jackson, 1995).

No setor publico, de forma geral, as medias obtidas nas questoes foram mais elevadas do que as do setor privado, corroborando com a nocao de que nas organizacoes burocraticas brasileiras os comportamentos politicos tem uma presenca mais acentuada (Duarte, 2006). De fato, nesse segmento, ficou evidente uma maior percepcao de que ha muito comportamento ocorrendo em beneficio proprio (PPO1) em detrimento da instituicao (PPO2), a partir de manobras de bastidores, visando garantir espaco (PPO4). Um ambiente percebido desta forma esta propicio a relacoes conflituosas e tensao psicologica (Bedi & Schat, 2013; Miller et al., 2008), alem de gerar uma tendencia a atitudes negligentes no trabalho (Mansur & Sobral, 2011). Niveis de PPO elevados podem se configurar em um obstaculo para que instituicoes publicas atendam a propostas como Administracao Publica Gerencial e Governo Empreendedor (Secchi, 2009; Peci; Pieranti & Rodrigues, 2008), ja que sao modelos que demandam dedicacao e propensao para atingir metas, fatores que emocionalmente podem ser afetados pela PPO (Perrewe, Rosen, & Maslach, 2012).

Em relacao as variaveis observadas no setor privado, as questoes referentes a acoes de autobeneficio que nao consideram o melhor para a instituicao tambem apresentaram escores altos, porem nesse caso houve uma maior percepcao de manobras para insercao em grupos (PPO5). Neste cenario, pode-se obter como resultante uma interpretacao, por parte dos funcionarios, da existencia de formacao de grupos ilegitimos e de sectarismo. A PPO pode influenciar os profissionais na medida em que afeta a capacidade emocional de avaliacao de si proprio e dos outros (Ahmad, Akhtar, Rahman, Imran, & Ain, 2017; Perrewe et al., 2012).

Verifica-se, assim, uma PPO com media superior aos estudos de outros paises tomados como referencia no uso da escala. Como exemplos de area publica tem-se: agencias governamentais, M = 2,46 em Kacmar et al. (2011) e M = 2,32 em Rosen et al. (2009); professores e funcionarios de escolas, M = 3,04 (James, 2005) e funcionarios publicos efetivos (Breaux et al., 2009) com M = 3,41. No caso da iniciativa privada pode-se citar M = 3,25 (Hochwarter & Thompson, 2010) e M = 3,05 (Thornton, Esper, & Autry, 2016), exemplos que abrangem servicos e industria. Em adicao, os desvios-padrao foram menores que nos estudos citados. Tem-se, assim, a indicacao preliminar de uma PPO alta e disseminada nos cenarios investigados.

Conclusoes e Recomendacoes

O objetivo final desta investigacao, realizada com duas amostras, uma proveniente do setor publico e outra do setor privado, foi proceder a adaptacao e validacao de uma escala de Percepcao de Politica na Organizacao para o contexto brasileiro, criando-se assim a EPPO-Br. Os resultados indicaram que o instrumento possui caracteristicas psicometricas bastante satisfatorias para aplicacao em ambos os setores pesquisados.

Conceitualmente, as assertivas da EPPO-Br tratam, com uma abordagem incisiva, de uma questao delicada: a percepcao de taticas e comportamentos nao sancionados, voltados a interesses proprios, em detrimento do bemestar dos outros funcionarios e sem um vinculo direto com os objetivos da organizacao. A escala mostrou-se de facil execucao e entendimento, o que propicia sua utilizacao em surveys compostas tambem por outros conceitos dos quais se pretenda identificar possiveis relacoes com a percepcao de comportamentos politicos.

A estatistica descritiva apresentou escores medios de PPO elevados em relacao aos estudos internacionais, e uma presenca mais marcante no setor publico, o que inicialmente colabora com sustentacao empirica ao entendimento amplamente disseminado de que no Brasil os comportamentos politicos permeiam a sociedade (Barbosa, 2006), especialmente as organizacoes burocraticas (Duarte, 2006). Nos dois segmentos investigados ocorreu uma alta percepcao de acoes em autobeneficio que nao consideram o bem da instituicao, no setor privado houve mais enfase em manobras para insercao em grupos e na area publica esse enfoque foi voltado a obtencao de espaco atraves de articulacoes de bastidores. Entretanto, trata-se de uma avaliacao preliminar, ainda sem possibilidade de generalizacao, o que demanda novos estudos em diferentes regioes do pais e em outros formatos de organizacao.

Com a disponibilizacao de uma escala sobre percepcao de comportamentos politicos metodologicamente validada para o contexto nacional, assegura-se que os aspectos de medicao sao fidedignos, sem distorcoes para esta realidade sociocultural, e que se manteve a carga conceitual do estudo original, o que permite a comparacao e troca de informacoes com a comunidade cientifica internacional. Em decorrencia disto, espera-se que a EPPO-Br possa subsidiar a ampliacao de pesquisas organizacionais que considerem o uso da variavel PPO frente a fatores laborais como, por exemplo, desempenho, satisfacao e engajamento. Por se tratar de um fenomeno com varias resultantes negativas para as organizacoes (Atinc etal., 2010; Bedi & Schat, 2013), os resultados desse tipo de aplicacao poderao fornecer insumos ao desenvolvimento de diagnosticos e estrategias de gestao direcionadas a minimizar tais implicacoes. Em um cenario historicamente afetado por comportamentos politicos, a investigacao cientifica sobre essa tematica abre a possibilidade de novas abordagens menos vinculadas ao senso comum e juizos de valor.

Diversas evidencias empiricas apontam a realidade percebida como um dos mais importantes fatores determinantes de atitudes e comportamentos de funcionarios (Atinc et al., 2010; Breaux et al., 2009). Desta forma, em um panorama fortemente percebido como politicamente influenciado, a adocao de regras melhor definidas e procedimentos transparentes pode propiciar uma visao mais clara do ambiente laboral e minimizar o desenvolvimento das resultantes negativas da politica, como aumento de turnover e queda de desempenho.

Uma das limitacoes deste estudo esta ligada a possibilidade de vies ao se lidar com as percepcoes humanas, ja que estas naturalmente podem variar em funcao das vivencias e circunstancias de cada individuo (Zalkind & Costello, 1962). Outra limitacao relaciona-se as amostras: no setor publico, mesmo abrangendo cargos diversos, apenas um tipo de instituicao foi pesquisado; no setor privado, apesar de abranger atividades mais heterogeneas, apenas profissionais com nivel superior participaram da coleta, ficando uma lacuna de pesquisa quanto aos profissionais que nao possuem tal formacao.

Algumas direcoes podem ser sugeridas para estudos futuros: primeiramente o uso deste instrumento de medida para incluir a PPO como variavel preditora ou mediadora em investigacoes ligadas a Comportamento Organizacional, atraves de Regressoes ou em Modelagem de Equacoes Estruturais. Outra possibilidade e uma ampliacao da escala com o acrescimo de dimensoes ligadas a status ou posicionamento hierarquico. Por fim, uma vez que a arena politica das organizacoes tambem impulsiona seus funcionarios na busca de resultados (Eldor, 2017), e importante considerar que, de acordo com o desenho de pesquisa, a PPO tambem podera gerar resultantes positivas, sugerindo assim estudos que, juntamente com a politica organizacional, incluam questoes como enfretamento (coping) ou aceitacao tacita.

DOI: http://dx.doi.org/10.21529/RECADM.2017012

Recebido em: 25/03/2017

Aprovado em: 01/10/2017

Ultima modificacao: 22/09/2017

Agradecimentos

A Comissao Editorial pelas recomendacoes iniciais na etapa do desk review; aos avaliadores externos que anonimamente colaboraram com sugestoes e recomendacoes extremamente relevantes para a versao final deste estudo; a equipe de revisao e edicao; as Instituicoes que cooperaram com o processo de coleta de dados.

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Romulo Matos de Moraes

Departamento de Administacao do Instituto Federal do Espirito Santo IFES Campus de Alegre, Brasil.

romulomoraes@hotmail.com
Tabela 1. Resultados da Fatoracao de Eixo Principal

Item   Descricao                              Setor       Setor
                                              Publico     Privado
                                              Cargas      Cargas

PPO1   Ha muito comportamento em beneficio    0,821       0,797
       proprio acontecendo.
PPO2   As pessoas fazem o que e melhor para   0,897       0,702
       si, nao o que e melhor para a
       instituicao.
PPO3   As pessoas gastam muito tempo          0,697       0,738
       explorando aqueles que podem ajudar.
PPO4   As pessoas estao trabalhando nos       0,893       0,922
       bastidores a fim de garantirem seu
       espaco.
PPO5   Muitos funcionarios fazem manobras     0,699       0,894
       para se inserir em grupos.
PPO6   As pessoas estao apunhalando umas as   0,660       0,734
       outras pelas costas para se
       destacarem.
         Eigenvalue                           3,69        3,86
         % Variancia explicada                61,43%      64,34%
         Medida Kaiser-Meyer-Olkin (KMO)      0,823       0,874
         Teste de esfericidade de Bartlett    p < 0,001   p < 0,001
         (Sig.)
         Fidedignidade: Coeficiente Alfa de   0,789       0,812
         Cronbach

Fonte: Dados da Pesquisa e Adaptacao da escala de Hochwarter et al.
(2003).

Tabela 2. Resultados da Analise Fatorial Confirmatoria

Indice de      Valor obtido      Valor obtido      Valor adequado de
Ajustamento    (Setor Publico)   (Setor Privado)   ajustamento

[X.sup.2]/gl   1,007             2,12              < 3
GFI            0,978             0,949             >0,90

CFI            0,967             0,954             < 1
NFI            0,974             0,959             >0,95
RMSEA          0,007             0,042             < 0,08

Indice de      Referencias para os
Ajustamento    valores de ajustamento

[X.sup.2]/gl   Byrne (2010)
GFI            Baumgartner & Hombur
               (1996); Loehlin (1998)
CFI            Bentler (1990)
NFI            Byrne (2010)
RMSEA          Browne & Cudeck (1992)

Fonte: Dados da Pesquisa

Tabela 3. Estatistica Descritiva

                                      Setor Publico    Setor Privado
Variavel / Descricao                  Media   Desvio   Media   Desvio
                                              Padrao           Padrao
                                      (M1)    (DP1)    (M2)    (DP2)

PPO1                                  4,091   0,621    3,864   0,745
Ha muito comportamento em beneficio
proprio acontecendo.
PPO2                                  4,227   0,789    3,880   0,864
As pessoas fazem o que e melhor
para si, nao o que e melhor para a
instituicao.
PPO3                                  4,027   0,842    3,824   0,751
As pessoas gastam muito tempo
explorando aqueles que podem
ajudar.
PPO4                                  4,220   0,742    3,760   0,742
As pessoas estao trabalhando nos
bastidores a fim de garantirem seu
espaco.
PPO5                                  3,826   0,649    4,090   0,602
Muitos funcionarios fazem manobras
para se inserir em grupos.
PPO6                                  3,784   0,697    3,689   1,022
As pessoas estao apunhalando umas
as outras pelas costas para se
destacarem.
PPO                                   4,029   0,662    3,851   0,691
Percepcao de Politica na
Organizacao

Fonte: Dados da Pesquisa.

Figura 1. Definicoes de politica organizacional.

Autores                    Definicao

March (1962)               Tomada de decisoes e definicoes de objetivos
                           atraves de processos de barganha.
Mayes & Allen (1977)       Uso de taticas de influencia para atingir
                           objetivos nao sancionados pela organizacao,
                           ou uso de meios nao sancionados para chegar
                           a fins legitimos.
Mintzberg (1985)           Sistema de influencia sectario, oneroso,
                           tecnicamente ilegitimo que ocorre em
                           detrimento das necessidades da organizacao
                           na busca de interesses restritos.
Drory e Romm (1990)        Atitudes em beneficio proprio, busca de
                           atendimento de metas independentemente dos
                           meios utilizados; uso de meios informais de
                           influencia para resolver demandas
                           situacionais.
Pfeffer (1992)             Atividades direcionadas a aquisicao,
                           exercicio ou uso do poder na organizacao
                           para atingir resultados especificos.
Cropanzano et al. (1995)   Tentar influenciar os que detem meios para
                           promover ou proteger interesses proprios.
                           Buscar recompensas, dentro da organizacao,
                           atraves da influencia social.
Kacmar & Carlson(1997);    Atividade nao sancionada, de autointeresse,
Ferris et al. (2007)       geradora de conflitos e prejudicial a
                           organizacao.

Fonte: Elaborado pelo autor a partir da revisao teorica.
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Author:de Moraes, Romulo Matos
Publication:Revista Eletronica de Ciencia Administrativa
Date:Sep 1, 2017
Words:6305
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