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Percepcao de doenca e distress emocional numa amostra de mulheres brasileiras com e sem historico familiar de cancer de mama/Percepcion de la enfermedad y distres emocional en una muestra de mujeres brasilenas con y sin historia familiar de cancer de mama/Illness Perception and Emotional Distress in a Brazilian Women Sample with and without Cancer Family History.

Introducao

O cancer de mama (CM) e o segundo tipo de neoplasia com maior indice de mortalidade entre mulheres em todo o mundo, ficando atras apenas do cancer de pele. No Brasil, para o ano de 2018, foram estimados 58 700 novos casos de cancer de mama, com um risco estimado de 56,33 casos a cada 100 mil mulheres (Instituto Nacional do Cancer [INCA], 2018). O CM e causado por diversos fatores, envolvendo fatores biologico-endocrinos, vida reprodutiva, risco genetico, comportamento e estilo de vida. As taxas de incidencia aumentam rapidamente a partir dos 50 anos de idade (Desantis et al, 2016; INCA, 2018; National Cancer Institute [NCI], 2017).

O risco genetico e caracterizado pela predisposicao para o desenvolvimento da doenca, ocasionado por mutacoes nos genes, em especial, os da familia do BRC1 e BRC2 (NCI, 2017). Existem exames de rastreamento genetico que podem detectar genes relacionados ao cancer e sao indicados para membros de familias com alto risco da doenca, conforme cada caso (Catania et al., 2016; NCI, 2017). No entanto, exames desse tipo e servico de aconselhamento genetico ainda sao de dificil acesso para a populacao, principalmente no Brasil, devido ao seu alto custo e a indisponibilidade via sistema publico de saude (INCA, 2018). Estima-se que cerca de 10% de todos os casos de CM sao causados por mutacoes geneticas. (Catania et al., 2016; Den Heijer et al., 2013; NCI, 2017; Rees, Fry, Cull & Sutton, 2004).

O cancer de mama representa uma preocupacao entre as mulheres de modo geral, considerando as altas taxas de mortalidade e os multiplos fatores de risco. De acordo com alguns estudos (Bennett, Parsons, Brain & Hood, 2010; Den Heijer et al., 2013; Rees, Fry & Cull, 2001), essa preocupacao aparece acentuada naquelas mulheres com historico familiar de cancer de mama, especialmente com parentesco em primeiro grau (mae, irma e filha), que de alguma forma sao expostas ao contato direto com a doenca durante a fase de diagnostico e tratamento e que reconhecem o fator de risco genetico como uma ameaca (Metcalfe et al, 2013; Rees et al., 2004; Vrinten et al., 2017).

A exposicao a estimulos externos relacionados a doenca contribui ativamente na formacao das crencas que envolvem aspectos como, por exemplo, os sinais e sintomas, a estimativa de controle e condicoes de cura, consequencias envolvidas no processo de adoecer, entre outras ideias (McAndrew, Mora, Quigley, Leventhal & Leventhal, 2014). No entanto, essas nocoes podem ser desajustadas e orientadas apenas pela experiencia vivenciada junto ao familiar doente e o sentimento de identificacao afetiva (Heiniger, Butow, Charles & Price, 2015). A percepcao da doenca causa, ainda, impacto direto na autorregulacao emocional das pessoas, especialmente nas emocoes de medo, ansiedade e tristeza.

A maneira como as mulheres saudaveis percebem a doenca possui relacao com a forma como elas se cuidam e se previnem contra o cancer de mama (Seabra, Peuker, Armiliato, Alves & Castro, 2017). Isto e, se percebido como uma doenca extremamente ameacadora e fora de controle, tais percepcoes podem influenciar a nao pratica de exames preventivos contra o CM e outros cuidados com a saude. Por outro lado, uma percepcao coerente e ajustada pode favorecer os habitos saudaveis e comportamentos de rastreio da doenca (Seabra, et al., 2017).

De acordo com o modelo teorico de Autorregulacao em Saude, os individuos constroem conjuntos organizados de crencas e representacoes cognitivas e emocionais sobre doencas e ameacas a saude (Chittem, Norman & Harris, 2015; Leventhal et al., 2001; Rees et al., 2004)temporal expectancies for change. Estas representacoes cognitivas, ou percepcoes da doenca, sao geralmente formuladas em torno das seguintes dimensoes: identidade (o rotulo da doenca e os sintomas associados a ele), causa (crencas causais), duracao (aguda-cronica ou ciclica), de controle (a medida em que a doenca e percebida como capaz de ser controlada diante do controle pessoal ou do tratamento), consequencias (gerais na vida do paciente), a coerencia (compreensao dos pacientes da doenca), e representacoes emocionais (crencas sobre as emocoes envolvidas no adoecimento) (Moss-Moris et al., 2002).

Diante da possibilidade de uma doenca, as pessoas recorrem aos seus esquemas mentais e, conforme a percepcao sobre as condicoes de reestabelecimento da saude, adotam os comportamentos para lidar com a ameaca (Gibbons & Groarke, 2015). Algumas mulheres podem apresentar niveis de preocupacao e sofrimento psicologicos intensos que correspondem ao que chamamos de distress emocional (Den Heijer et al., 2013).

O termo distress tem sido utilizado, especialmente na area da oncologia, para se referir as preocupacoes e dificuldades psicologicas do individuo diante de ameacas a propria saude, como ocorre no caso do cancer (Otaran, Castro & Remor, 2018; Seidl & Souza, 2014). Frequentemente doencas graves como o cancer podem levar a ruptura do bem-estar psicologico dos individuos, implicando em sintomas de ansiedade e depressao. No caso especifico do cancer de mama, e mais comum encontrar estudos que investiguem o distress em mulheres com a doenca (Chittem et al., 2015; Salmon et al., 2015).

Entretanto, mulheres saudaveis com risco aumentado para o cancer de mama tambem podem apresentar distress emocional em algum nivel (Den Heijer et al., 2013; Power et al., 2011; Rees et al., 2004general distress, and RP (cognitive and affectivewe undertook a study to look at both the objective and subjective levels of distress and the wants and needs of individuals from a high familial cancer risk population. Three hundred and eighteen individuals (160 affected, 158 unaffected; van Dooren et al., 2004), especialmente parentes em primeiro grau, como irmas de pessoas com a doenca (MetCalfe et al, 2013). Parece existir, segundo esses estudos, uma relacao entre a percepcao da doenca e o distress emocional, e que mulheres com historia familiar de cancer de mama apresentariam niveis mais elevados de distress quando comparadas as mulheres sem o historico da doenca. Den Heijer et al. (2013) avaliaram longitudinalmente 197 mulheres com alto risco para o cancer de mama e apos 5 a 8 anos. Seus resultados mostraram que aumento do distress em mulheres que haviam perdido familiares em primeiro grau com a doenca, e seus preditores foram estilo de enfrentamento passivo, autoexame excessivo das mamas e superestimacao do risco de cancer de mama.

O presente estudo teve como objetivo examinar a relacao entre a percepcao da doenca e o distress emocional em uma amostra de mulheres com historico familiar de cancer de mama (Grupo 1) e sem historico familiar (Grupo 2). Alem disso, buscou-se comparar a percepcao da doenca e o distress entre os dois grupos. A hipotese principal era de que percepcao da doenca e distress estariam correlacionados, e que mulheres com historia familiar de cancer de mama apresentariam uma percepcao mais negativa sobre a doenca e niveis mais elevados de distress quando comparadas as mulheres sem o historico da doenca.

Metodo

Participantes

Participaram deste estudo 114 mulheres usuarias dos servicos de Unidades Basicas de Saude de duas cidades do sul do Brasil com idades entre 18 e 65 anos. Destas, 43 delas com historico de cancer de mama (idade media=48.21; DP=11.91) e 71 sem historico familiar (idade media=50.21; DP=11.44). A amostra foi selecionada por conveniencia, nas salas de espera dos centros de saude, enquanto aguardavam atendimento. Essa amostra corresponde a 61.29% do total de mulheres que foram convidadas (n=184). Dentre os motivos de recusa estao a falta de tempo para responder as questoes (n=18), condicoes de saude desfavoraveis (n=6) e falta de interesse (n=13).

Instrumentos

--Ficha de dados sociodemograficos, clinicos e de comportamentos em saude: foram incluidas perguntas como: idade, situacao conjugal, escolaridade, atividade laboral, historico clinico de saude, grau de parentesco com mulheres acometidas pelo CM, convivio durante o tratamento, entre outros.

--The Revised Illness Perception Questionnaire--Healthy Version (IPQ-RH) - (Figueiras & Alves, 2007): mensura percepcao da doenca de acordo. A validacao existente atualmente no idioma portugues foi desenvolvida a partir da aplicacao em populacao portuguesa, entretanto, estudos nacionais utilizam o instrumento com resultados satisfatorios (Castro, Peuker, Lawrenz & Figueiras, 2015). Foi realizada analise fatorial com participantes desse estudo, e os resultados confirmaram a estrutura do instrumento. Uma

lista de afirmacoes contendo 23 itens numa escala Likert de 5 pontos relacionados a doenca avalia as dimensoes "Consequencia"/ "Duracao"/"Cura"/ "Controle Pessoal"/ "Controle do Tratamento"/ "Representacao Emocional". O alfa de Cronbach (consistencia interna) das dimensoes variou de 0,83 (representacao emocional) a 0.53 (duracao ciclica). A duracao ciclica e duracao aguda/cronica obtiveram alfas inferiores a 0.60 e, portanto, foram excluidas das analises. Nao foram analisados nesse estudo as perguntas sobre sintomas e causas da doenca, que nao sao escala likert.

--Termometro Distress (TD) : o Termometro Distress e um instrumento bastante conhecido e utilizado pelos profissionais que atuam no cuidado com o cancer, proposto inicialmente pelo National Comprehensive Cancer Network no ano de 2007, para a avaliacao do distress emocional. Decat, Laros e Araujo (2009) realizaram a validacao do instrumento no Brasil, obtendo um alfa de Cronbach de 0.82, com uma sensibilidade de 82% e especificidade de 98%. O instrumento divide-se em duas partes, sendo que para o presente estudo foi utilizada apenas a primeira delas, representada por um termometro grafico unidimensional, onde o participante indica o nivel de distress percebido sobre o cancer de mama de acordo com a escala numerica que varia de zero (0) a dez (10). Pontuacoes acima de 4 pontos (ponto de corte) representam resultado positivo para o distress (VanHoose et al., 2015). A segunda parte nao foi utilizada porque corresponde a uma lista adicional de problemas que podem estar associados ao distress em diversas areas da vida.

Procedimentos

Trata-se de um observacional, analitico e transversal. Inicialmente, foram realizados os contatos com os locais de coleta (unidades basicas de saude) e, apos a anuencia da chefia dessas instituicoes, o projeto foi enviado e obteve aprovacao pelo Comite de Etica da Universidade do Vale do Rio dos Sinos e da Secretaria Municipal de Saude de Porto Alegre (CAAE: 66411717.5.0000.5344). Foram respeitadas todas as normas e diretrizes que regulamentam as pesquisas com seres humanos, em conformidade com as Resolucoes 466/2012 e 510/2016. As participantes foram convidadas a participar do estudo enquanto aguardavam consultas de rotina na area de ginecologia em sala de espera. Apos o aceite, as mulheres eram conduzidas a um espaco reservado na propria sala de espera, a fim de oferecer maior privacidade. O tempo aproximado de preenchimento dos instrumentos foi de 20 minutos.

Analise de dados

As analises foram processadas por meio do programa SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) versao 22.0. A analise inicial consistiu em descrever as caracteristicas gerais da amostra no que tange a media, desvios-padrao e frequencia de dados categoriais ou ordinais. Para verificar a normalidade foi utilizado o teste Shapiro-Wilk, no qual se observou que na maioria das variaveis os escores nao atendiam a aos criterios parametricos. Optou-se, assim, em utilizar o teste de correlacao de Spearman para verificar o sentido e a forca da relacao entre as variaveis distress, percepcao da doenca e outras variaveis sociodemograficas. Na comparacao de grupos (com historico familiar e sem historico) foi utilizado o teste nao parametrico U de Mann-Whitney.

Resultados

Caracteristicas da Amostra e Dados de Comportamento em Saude

A amostra total (n=114) foi dividida em dois grupos: mulheres com historico familiar de cancer de mama (HF) e mulheres sem o historico familiar da doenca (SHF) (n=71). No grupo HF (n= 43) as mulheres apresentavam idade media de 48.21 anos (DP=11.91), sendo que a maioria delas mulheres nao possuia companheiro fixo, 62.8% (n= 27). Entre o grupo, 51.2 % (n=22) apresentaram parentesco em primeiro grau (mae e irma) com familiares diagnosticadas com CM. Outras 48.8 % (n=21) referiram ser parentes em segundo e terceiro grau (avo, tia e prima). O diagnostico e tratamento do familiar foi acompanhado por 55.8% (n=24) das participantes, as quais, tinham em media 34.8 anos (DP=13, 49) nesta epoca. A idade da primeira mamografia das participantes do grupo foi aos 34, 95 anos (DP=8.42), com frequencia media de realizacao anual 69.8% (n=30).

Com relacao a familiar doente, durante o periodo do diagnostico essas mulheres tinham em media 55, 63 anos (DP=12.40). Em relacao aos tratamentos, 58.1% (n=25) realizaram algum tipo de cirurgia, 58.1% (n=25) realizaram quimioterapia e 44.2 % (n=18) passaram por radioterapia. O diagnostico ocorreu no estagio inicial em 46.5 % (n=20) dos casos. Quanto ao desfecho clinico do paciente com CM, 16.3 % (n=7) ainda estavam em tratamento, outras 32,6 % (n=14) tiveram a remissao da doenca, e o restante 51.2 % (n=22) faleceu.

No grupo SHF, as mulheres tinham em media 50, 21 anos (DP=11.44) e 54.9% (n=39) possuiam companheiro fixo. A idade de realizacao da primeira mamografia foi aos 34, 75 anos (DP=8.92), com frequencia de realizacao anual entre 52.1% (n=37) das participantes. A Tabela 1 apresenta outros dados sociodemograficos e de comportamentos em saude, referentes as participantes.

Na analise realizada utilizando o teste Qui-quadrado, nenhuma variavel apresentou associacao significativa entre os grupos HF e SHF.

Analises descritivas e de comparacoes entre os grupos HF e SHF

Com relacao as dimensoes da percepcao da doenca e ao distress, a tabela 2 apresenta os resultados descritivos (media e desvio padrao para cada grupo) e o teste U de Mann-Whitney para comparacao dos resultados dos grupos HF e SHF.

Observa-se na tabela 2 que a percepcao de controle do tratamento, que se refere ao quanto a pessoa acredita que o tratamento pode controlar a doenca, sugere que as mulheres com historico familiar acreditam menos que o tratamento tem o poder de controlar ou curar a doenca quando comparadas as mulheres do grupo SHF. Com relacao ao distress, ao considerar que pontuacoes acima de quatro pontos representam resultado positivo para o distress (Decat et al., 2009), observa-se que ambos os grupos possuem medias que indicam altos niveis de preocupacoes relacionadas a doenca.

Correlacoes

Foi realizada analise de correlacao de Spearman para analisar as associacoes entre percepcao da doenca, distress e idade das mulheres, separadas por grupo. A idade atual da participante foi incluida como uma variavel sociodemografica que pode contribuir para as explicacoes adicionais sobre a formacao das representacoes cognitivas das mulheres sobre o cancer de mama. A tabela 3 mostra os resultados.

De acordo com os resultados apresentados na tabela 3, as mulheres do grupo HF correlacionaram positivamente as dimensoes consequencia e controle do tratamento (r=0.315, p<0.05), controle pessoal e controle do tratamento (r=0.467, p< 0.01), controle pessoal e coerencia (r=0.334, p< 0.05), coerencia e representacao emocional (r=0.333, p< 0.01) e representacao emocional e distress (r=0.514, p<0.01). Isso mostra que na medida em que as mulheres acreditam que o cancer de mama tem mais consequencias negativas, menos elas acreditam no tratamento como forma de controle e cura da doenca. Tambem, quanto mais elas acreditam no seu controle pessoal em relacao a doenca, mais elas acreditam que o tratamento controla ou cura a doenca e mais acreditam que a compreendem. Ainda em relacao a coerencia, quanto mais elas acreditam que a compreendem, mais representacoes emocionais negativas elas acreditam que a pessoa pode ter, e quanto mais representacoes negativas, mais distress.

Ja no grupo SHF, as correlacoes entre coerencia e representacao emocional (r=0.43, p<0.01), controle pessoal e controle do tratamento (r=0.25, p<0.05) e representacao emocional e distress (r= -0.28, p<0.05) foram tambem significativas como no grupo HF, embora em intensidade mais fraca em geral. Contudo, no grupo SHF a variavel idade atual da participante se correlacionou de maneira negativa como o distress (r= -0.31, p<0.05), indicando que pacientes jovens tem mais preocupacao com o cancer de mama, correlacao ausente de significado no outro grupo. Tambem foram observadas correlacoes positivas entre consequencias e o distress (r= 0.27, p<0.05 respectivamente) indicando que quanto mais crencas de consequencias da doenca, maior o distress. Estes resultados indicam que para as mulheres SHF, quanto mais a mulher acredita que compreende o cancer de mama, mais representacao emocional negativa a doenca tem, e quanto maior o controle pessoal da doenca, tambem maior a crenca no controle do tratamento.

Discussao

Este estudo buscou examinar a relacao entre a percepcao da doenca e o distress emocional em mulheres saudaveis com historico familiar de cancer de mama e comparar os resultados com o de mulheres sem historico da doenca. Os resultados apontaram que mulheres com historico familiar percebem o cancer de mama como menos controlavel pelo tratamento quando comparadas as mulheres do grupo sem historico familiar da doenca. Nao foram identificadas diferencas significativas entre os grupos em relacao ao distress, embora seu nivel seja alto para ambos os grupos de mulheres, com e sem historico familiar da doenca.

A construcao das crencas individuais sobre a doenca esta intimamente relacionada as experiencias passadas e informacoes obtidas atraves de diferentes fontes (por exemplo, medicos, amigos e midia) (McAndrew et al., 2008). Na comparacao dos grupos, as mulheres com historico familiar de cancer de mama demonstraram acreditar pouco no controle da doenca por meio do tratamento medico. Nas analises de correlacoes intra-grupo das mulheres com HF, o controle do tratamento esteve associado ao controle pessoal de maneira significativa. Ter historico familiar e ter um fator de risco importante para o cancer de mama que a mulher nao pode controlar. Portanto, e possivel que essa percepcao de menor controle pessoal associado ao menor controle do tratamento ocorra pela via da incontrolabilidade do que aconteceu com sua(s) familiar(es). Neste sentido, e importante compreender como o risco familiar afeta nao apenas as crencas, mas tambem suas condutas de prevencao da doenca, ja que crencas desajustadas sobre a controlabilidade da doenca podem interferir negativamente nas nocoes sobre a efetividade de acoes individuais de prevencao (Rees et al., 2001) e a percepcao de risco da doenca afeta os comportamentos de autocuidado de mulheres em geral (Seabra et al. 2018).

Os achados do presente estudo tambem mostram que o distress esta relacionado a aspectos comuns e particulares quando a mulher tem ou nao historico familiar da doenca, indicando que isso e importante de ser levado em consideracao pelo profissional que a atende e tambem em campanhas de prevencao. Por exemplo, as mulheres, independente do historico familiar da doenca, associaram o controle pessoal ao controle do tratamento, o que e de extrema relevancia uma vez que essas crencas parecem estar associadas a adesao a exames de rastreamento e ao tratamento medico em mulheres (den Heijer, et al., 2013; Moss-Moris et al., 2002; Rees et al., 2001). A associacao entre representacao emocional e o distress em ambos os grupos tambem e algo compreensivel, uma vez que o que se sente (distress) e o que se cre que se sente a respeito da doenca (representacao emocional) sao conceitos que parecem estar originalmente interligados. Contudo, o distress esteve relacionado as percepcoes de consequencias negativas e a idade (jovem) apenas no grupo sem historico familiar. E possivel que os niveis de distress nas mulheres com historico familiar estejam mais associados a outras variaveis, como aspectos especificos e concretos da experiencia vivida com a familiar doente, do que com as suas crencas sobre a doenca.

Neste estudo, mais da metade das participantes do grupo HF acompanhou de perto o tratamento do familiar com cancer de mama, incluindo procedimentos invasivos e com efeitos adversos, como por exemplo, cirurgia, quimioterapia e radioterapia. O tratamento do cancer de mama esta associado a efeitos negativos como dor, nauseas, perda de forcas e prejuizos na aparencia fisica (INCA, 2018). A experiencia de observar um familiar, mesmo que indiretamente, diante dos desafios impostos pelo cancer de mama, pode influenciar negativamente na forma como as pessoas elaboram representacoes sobre a doenca e suas consequencias (Rees et al., 2001; Seabra et al., 2017). E esperado, portanto, que mulheres cujos familiares tiveram o diagnostico de cancer de mama, relacionem o sofrimento gerado pela experiencia (morte ou remissao da doenca da familiar) ao modo como percebem a doenca (Richardson, Schuz, Sanderson, Scott & Schuz, 2017). Nesse estudo, mulheres com HF relacionaram as crencas de compreensao (coerencia) da doenca ao controle pessoal, e tambem as consequencias negativas da doenca ao controle do tratamento. A coerencia sobre a doenca e a crenca que o sujeito possui sobre o quanto ele entende daquela doenca, mas que nao necessariamente e uma compreensao real da situacao (Moss-Morris et al., 2002). Para que haja autorregulacao diante de uma ameaca a saude, e necessario que o individuo se sinta capaz de controlar a doenca na medida em que compreende de maneira razoavel e ajustada as esferas que a envolvem (Leventhal, Weinman, Leventhal & Phillips, 2008). As mulheres com historico familiar desse estudo, de maneira especifica, parecem se autorregular associando a sua compreensao da doenca ao controle e a percepcao de consequencias do cancer de mama.

Observou-se ainda a partir dos resultados que, quanto mais jovens, maiores sao os niveis de distress nas mulheres do grupo sem historico familiar de cancer de mama. Resultados semelhantes tambem foram encontrados em estudo anteriores com amostras de mulheres em geral (Fehniger et al., 2014; Gibbons & Groarke, 2015; Mellon et al., 2008; Rees et al., 2004). Nos estudos referidos, poucas explicacoes foram encontradas para estes resultados. Algumas delas dizem respeito a maior escolaridade e esclarecimento entre os jovens sobre a doenca, o melhor conhecimento sobre estimativas de risco genetico e uma previsao negativa sobre as consequencias que o cancer poderia causar na vida de uma jovem (Glassey et al., 2017). Neste cenario, pode-se dizer que quanto maior o risco percebido, maiores tambem serao as preocupacoes sobre a doenca (distress) (Gibbons & Groarke, 2015).

A compreensao que as mulheres, de ambos os grupos, acreditam ter sobre o cancer de mama (coerencia) esta associada a sentimentos de medo e tristeza (representacao emocional). Os individuos formam suas crencas sobre a doenca a partir de fontes concretas e abstratas de informacoes (Leventhal et al., 2001), portanto e possivel que as fontes abstratas das mulheres que nao tiveram familiar com a doenca tenham gerado crencas de compreensao e de reacoes emocionais semelhantes ao que passam as mulheres que tiveram a experiencia concreta. Ao mesmo tempo, acompanhar uma familiar com cancer de mama pode gerar a sensacao de conhecimento e compreensao da situacao, mesmo que algumas vezes de forma desajustada e particular. Entretanto, a autorregulacao diante de experiencias dificeis pode estar prejudicada e originar uma representacao emocional negativa e niveis aumentados de distress (Kim et al., 2005; Leventhal et al., 2001; Rees et al., 2001). Crencas populares sobre o cancer de mama, como por exemplo, o cancer de mama visto como um "inimigo" que deve ser "combatido", parecem fortalecer emocoes negativas e diminuir a crenca de controle (Vrinten et al., 2017).

Os resultados sugerem ainda que a representacao emocional negativa esta associada a niveis maiores de sofrimento psicologico (distress). Respostas emocionais despertadas pela doenca sao fundamentais na autorregulacao em saude e, por isso, a representacao emocional foi incluida posteriormente ao modelo original como uma dimensao que passou a adquirir grande relevancia (Moss-Moris et al, 2002). A representacao emocional e o conhecimento destes aspectos emocionais que podem ser mais ou menos negativos. O distress, por sua vez, se refere ao sofrimento psicologico suscitado por estas emocoes. A juncao desses dois marcadores fortalece o conhecimento sobre os processos emocionais envolvidos na autorregulacao e comportamentos de saude. Porem, as acoes da mulher diante das emocoes e do distress ainda sao questoes abertas e que merecem ser melhor investigadas. Os comportamentos de saude dependem, alem da percepcao sobre a doenca, de aspectos como a percepcao de risco e modos de enfrentamento (coping) (Richardson et al., 2017; Seabra et al., 2018).

Por ultimo, os altos indices de distress relatados pelas participantes com e sem historico familiar nesse estudo fornecem indicios de que possa haver sofrimento psicologico dessas mulheres ao pensar no cancer de mama. Entretanto, esses achados precisam ser observados com cautela. Embora haja evidencias de que a preocupacao com a doenca mobiliza emocionalmente as mulheres e associa-se a uma visao negativa do cancer de mama (Rees et al., 2004; van Dooren et al., 2004), o distress e um conceito complexo e que merece exploracoes adicionais e aprimoramento em suas formas de reconhecimento e avaliacao (Otaran, Castro & Remor, 2018).

Conclusoes

Os resultados deste estudo sugerem que tanto as mulheres saudaveis com historico familiar de cancer de mama quanto as que nao possuem historico da doenca se preocupam com a doenca. No entanto, entre aquelas com historico familiar, ha a percepcao de menor controle do tratamento frente a doenca. Alem disso, maior percepcao de controle pessoal e do tratamento, coerencia e consequencias negativas foram crencas que estiveram associadas apenas no grupo de mulheres com historico familiar de cancer de mama.

O presente trabalho avanca na introducao do distress como um conceito associado a percepcao da doenca e que pode ser investigado em pessoas saudaveis (sem uma doenca especifica). O distress e um marcador importante que deve ser observado por todos os profissionais de saude, e protocolos de avaliacao dos sinais ja existentes devem ser adaptados a essa populacao, facilitando a oferta de suporte necessario e possibilitando estrategias mais efetivas para a prevencao do cancer de mama e do sofrimento relacionado a possibilidade de vir a ter a doenca.

Com relacao as limitacoes, o estudo contou com uma amostra reduzida e de caracteristicas heterogeneas, o que inviabilizou o pareamento entre os grupos e estatisticas mais robustas de analise de dados. Alem disso, o fato de a coleta de dados ter sido feita em um ambiente de atencao primaria a saude pode ter influenciado nos resultados de distress sobre o cancer de mama, uma vez que todas eram mulheres que buscavam os servicos de saude. Outro fator limitador para os resultados e a falta de uma medida sobre eventos estressores recentes na vida das mulheres e o tempo decorrido entre a experiencia com o familiar com cancer de mama e o momento da coleta das informacoes. E possivel, portanto, dizer que o distress especifico para o cancer de mama seja influenciado por outros aspectos que vao alem da experiencia com a doenca na familia.

Pesquisas futuras poderao reunir medidas de distress, percepcao de risco e percepcao da doenca, alem de incluir medidas mais especificas de comportamentos em saude (fatores comportamentais, como por exemplo, alimentacao, pratica de exercicio), estrategias de coping e autoeficacia. Por fim, destaca-se a necessidade de desenvolver intervencoes psicologicas, especialmente para mulheres com historia familiar de cancer de mama, a fim de aumentar a adesao aos comportamentos de prevencao, reduzir o seu sofrimento, melhorar a sua qualidade de vida e assegurar a deteccao precoce do cancer da doenca.

Referencias

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Paola de Matos Otaran (*)

Elisa Kern de Castro (**)

(*) Psicologa clinica, mestre em Psicologia pela Unisinos, Universidade do Vale do Rio dos Sinos

(**) Psicologa, doutora em Psicologia pela Universidad Autonoma de Madrid. Professora da Unisinos, Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Email: elisa.kerndecastro@gmail.com

Fecha de recebido: agosto 01, 2018

Fecha de aprovado: dezembro 04, 2018

Doi: http://dx.doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/apl/a.6894
Tabela 1
Dados Sociodemograficos e de Comportamentos em Saude

Dados Sociodemograficos            Grupo com   Grupo sem
e de Saude                         historico   historico
                                   (n=43)      (n=71)
                                   F   %       F   %

             Ensino Funda-mental   13  30.2    34  47.9
Educacao     Ensino Medio          19  44.2    28  39.4
             Ensino Superior       11  25.6     9  12.7
Trabalha                           21  48.8    35  49.3
Tem filhos                         35  81.4    66  93
             Ruim/Pessimo           6  14       9  12.7
Estado de    Regular               16  37.2    23  32.4
Saude
             Bom/Excelente         21  48.8    39  54.9
             Nao realiza           18  41.9    20  28.2
Frequencia   Raramente             11  25.6    14  19.7
Auto-exame   Todas as semanas       3   7      20  28.2
de
mamas
             Todos os              11  25.6    17  23.9
             meses
             Nao realiza            9  20.9    18  25.4
Frequencia   Dentro de um          30  69.8    38  53.5
Mamografia   ano
             Mais de um             4   9.3    15  21.1
             ano
             Nao realiza           16  37.2    24  33.8
Frequencia   Dentro de um          21  48.8    30  42.3
Ecografia    ano
mamaria
             Mais de um             6  14      17  23.9
             ano

Tabela 2
Media, Desvio-padrao, Minimo, Maximo e Variacao das Dimensoes do IPQ-RH
e o Distress e Teste U de Mann-Whitney para a comparacao de grupos

Dimensoes IPQ-RH          Grupo com historico        Grupo sem
                          familiar--HF (n=43)        historico familiar
                                                     CM-SHF (n=71)
                          Media  DP    Min.   Max.   Media   DP     Min.

Consequencias             4.26   0.47  3.5     5     4.16    0.37   3.3
Controle pessoal          3.62   0.63  1.3     4.3   3.73    0.54   2.7
Controle do tratamento    3.79   0.47  2.3     5     3.97    0.46   2.7
Coerencia                 3.16   0.72  2       4.3   3.36    0.68   2
Representacao emocional   3.43   0.63  2.4     5     3.37    0.91   1
Distress                  6.08   3.36  0      10     5.49    3.72   0

Dimensoes IPQ-RH          Grupo sem historico familiar CM-SHF (n=71)
                          Max.   Variacao   U

Consequencias              5     0-5        1253
Controle pessoal           5     0-5        1311
Controle do tratamento     5     0-5        1088.5 (*)
Coerencia                  4.3   0-5        1180
Representacao emocional    5     0-5        1356
Distress                  10     0-10       1176

Nota. (*) p<0.05

Tabela 3
Correlacao de Spearman ([rho]) entre as dimensoes do IPQ-RH, idade
atual da participante e distress, conforme os grupos

                         Grupo com historico
                         familiar HF (n=43)
                         Consequencias  Controle  Controle do  Coerencia
                                        pessoal   tratamento

Idade atual              -0.243         0.118     -0.007       0.246
Consequencias            -              -0.088     0.315 (*)   0.009
Controle pessoal         -              -          0.467 (**)  0.334 (*)
Controle do tratamento   -              -         -            0.167
Coerencia                -              -         -            -
Representacao emocional  -              -         -            -

                         Grupo com historico         Grupo com historico
                         familiar HF (n=43)          familiar SHF (n=71)
                         Representacao  Distress     Consequencias
                         emocional

Idade atual               0.094         -0.181       -0.134
Consequencias             0.161          0.311       -
Controle pessoal          0.248         -0.104       -
Controle do tratamento    0.036          0.162       -
Coerencia                 0.333 (*)      0.108       -
Representacao emocional   -              0.514 (**)  -

                         Grupo com historico
                         familiar SHF (n=71)
                         Controle  Controle do  Coerencia  Representacao
                         pessoal   tratamento              emocional

Idade atual              -0.025    0.109        -0.071     -0.280 (*)
Consequencias            -0.001    0.213         0.101      0.136
Controle pessoal         -         0.145         0.128     -0.1
Controle do tratamento   -         -             0.217      0.006
Coerencia                -         -             -          0.349 (**)
Representacao emocional  -         -             -          -

                          Grupo com historico
                          familiar SHF (n=71)
                          Distress

Idade atual               -0.306 (*)
Consequencias              0.252 (*)
Controle pessoal           0.192
Controle do tratamento     0.041
Coerencia                  0.213
Representacao emocional    0.254 (*)

Nota. p<0.05; (**) p<0.01.
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Author:de Matos Otaranl, Paola; de Castro, Elisa Kern
Publication:Avances en Psicologia Latinoamericana
Date:Jul 1, 2019
Words:7073
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