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Para uma taxonomia de parafrases explanatorias.

* RESUMO: A definicao constitui um dos principais tipos de informacoes procuradas pelos usuarios nos dicionarios. Neste trabalho discutimos a natureza desse item informativo e propomos substituir a palavra "definicao" por "parafrase explanatoria", devido a complexa natureza das informacoes contidas na equacao com o lema. A seguir, procuramos estabelecer uma taxonomia de classes de parafrases explanatorias. Para gerar essa taxonomia, empregamse dois parametros basicos: a) a perspectiva do ato de comunicacao (recepcao versusproducao) e b) a metalinguagem empregada. Alem dos tipos de parafrases obtidas por aplicacao desses parametros, o trabalho apresenta tambem outros tipos de parafrases comumente empregadas nos dicionarios.

* PALAVRAS-CHAVE: Definicao. Parafrase. Metalinguagem.

* ABSTRACT The definition of words is the primary type of information searched for in a dictionary. Given the complex variety of information included in the headword, the nature of the lexicographic definition is discussed and it is claimed that the terra "definition "should be substituted for the term " explanatory paraphrase". Our goal is to establish an exploratory taxonomy of explanatory paraphrase. The following basic parameters are ernployed so as to obtain this taxonomy: (a) the communicative act perspective (decoding x encoding language), and (b) the explanatory paraphrase metalanguage. In addition to these two types of explanatory paraphrase, it is also offered other types of paraphrases commonly found in dictionaries.

* KEYWORDS. Definition. Paraphrasa Metalanguage.

BUGUENO MIRANDA, F. A taxonomy of explanatory paraphrases.

Introducao

A definicao e, sem sombra de duvida, um segmento informativo central em qualquer dicionario de orientacao semasiologica. No entanto, a analise de muitos verbetes leva apensar que, para que uma definicao resulte suficientemente elucidativa, e necessario o cruzamento de tres variaveis. Em primeiro lugar, e necessario optar por um tipo de parafrase explanatoria (2) segundo o que se almeje conceber como membro da equacao em que, de um lado, esta o signo-lema, e, de outro, um comentario sobre esse signo-lema. A formulacao de uma taxonomia de definicoes permite justamente estabelecer uma correlacao entre modelos parafrasticos e a(s) particularidade(s) da entidade que faz parte da equacao antes mencionada. A segunda variavel a ser considerada e o pattern sintatico a ser escolhido, ou seja, o modelo de formulacao sintagmatica que ajuda a gerar parafrases explanatorias (3). Finalmente, a terceira variavel e a adocao de uma teoria semantica que permita elencar determinados tracos semanticos que sao relevantes na formulacao das parafrases.

No presente trabalho sera abordada a primeira dessas variaveis.

Na literatura especializada, e recorrente a mencao a definicao como o segmento mais procurado pelo consulente (HAENSCH et a1.,1982; JACKSON, 2002). No entanto, e possivel constatar tambem que a abordagem teorica desse segmento e, ate certo ponto, parcial, de modo que se dispoe de poucas informacoes sobre como gerar uma boa definicao, ou, em termos mais gerais, sobre como determinar quando uma definicao pode ser considerada satisfatoria. Pode-se afirmar que a discussao metalexicografica em torno desse segmento da microestrutura aborda um dos seguintes aspectos: ou trata da metodologia para "ganhar conhecimento do conteudo da parafrase explanatoria" (4), ou seja, preocupa-se com uma teoria semantica como suporte teorico-metodologico que permite apreender a significacao de uma palavra determinada (ALBRECHT, 1997; GEERAERTS, 2003), ou trata dos principios da redacao da mesma (MARTINEZ DE SOUZA, 1995; BENEDUZI; BUGUENO MIRANDA; FARIAS, 2005). Ha ainda uma terceira corrente que aborda essa problematica de uma perspectiva que poderiamos chamar de "taxonomica", ja que almeja criar uma tipologia de classes de definicoes, segundo diversos criterios (REY-DEBOVE, 1967; BOSQUE, 1982; SCHLAEFER, 2002). E sensivel a falta, no entanto, de um estudo de conjunto que permita, pelo menos, abordar os seguintes problemas:

a. Fornecer uma imagem de conjunto dos diversos tipos de parafrases explanatorias, estabelecendo com precisao as seguintes questoes:

[a.sub.1]. tipo de parafrase explanatoria versus perspectiva do ato da comunicacao;

[a.sub.2]. tipo de parafrase explanatoria versus metalinguagem empregada.

Por outro lado, e surpreendente tambem a enorme variedade terminologica e as classificacoes heterogeneas que o conceito "definicao" apresenta nas obras de referencia metalinguisticas, isto e, os dicionarios de linguistica propriamente ditos. Ao realizar-se um levantamento em Knobloch (1986), Lewandowski (1979), BuBmann (2002), Ulrich (2002) e Gluck (2005), constata-se que nao ha um unico tipo de definicao que apareca em todas as obras consultadas. Parece que, para os estudiosos, nao sao relevantes os criterios que permitem classificar tipos de definicoes divergentes que, alias, cumprem tarefas bem especificas e que obedecem tambem a condicoes muito particulares em relacao a funcao da obra lexicografica e/ou em relacao as necessidades ou condicoes do usuario (a definicao ostensiva e a definicao operacional sao exemplos paradigmaticos das condicoes antes assinaladas).

E tambem notoria a frequencia com que se faz uma distincao entre "definicao real" e "definicao nominal". Com relacao a essa questao, destacamos dois aspectos. Em primeiro lugar, a apresentacao dessa distincao sem explicitar de forma clara os criterios utilizados para a mesma e uma evidencia contundente que justifica uma exposicao mais detalhada da problematica que implica a elaboracao de uma taxonomia. Em segundo lugar, e inquietantemente surpreendente constatar que ha uma disparidade absoluta na concepcao que as obras apresentam para esses dois tipos de definicao, chegando a expor parafrases absolutamente antiteticas para exatamente o mesmo referente. A seguir, apresenta-se um quadro sinoptico com as definicoes fomecidas pelos dicionarios de linguistica para "definicao real" e "definicao nominal".

Embora a anulacao conceitual seja clara em algumas das definicoes propostas, e evidente que, para uma taxonomia da definicao, o criterio subjacente a essa distincao binaria e de absoluta importancia. Essa distincao e tratada ao longo deste presente trabalho. De fato, segundo Martin Mingorance (1994), tal distincao e de importancia fundamental, por exemplo, para a onomasiologia, embora, evidentemente seja igualmente fundamental para a semasiologia (5).

As parafrases explanatorias nos dicionarios

Um olhar rapido em muitos dos verbetes dos G 4 (6) (e, igualmente, de varios outros dicionarios) permite constatar que um numero significativo de definicoes sao pouco compreensiveis para o consulente. Os problemas encontrados podem ser representados esquematicamente da seguinte forma (7):

a. Ha parafrases explanatorias excessivamente longas.

b. Ha parafrases explanatorias que contem muitas palavras de dificil compreensao. Pelo seu elevado numero, dificilmente o consulente iria procura-las no dicionario.

c. Ha parafrases explanatorias que, embora nao contenham palavras de dificil compreensao, tambem nao sao facilmente compreendidas pelo usuario.

Os verbetes abacaxi (8), parafrastico (DRAE, 2001) (9), gomina (PRob, 1993) e paqueteria (DRAE, 2001) sao um exemplo claro disso:

Abacaxi Bras. Angol. Bot. 1. Planta da familia das bromeliaceas (Ananas sativus), cultivada ou selvagem, cuja parte comestivel e infrutescencia carnosa resultante do crescimento e da coalescencia de todas as flores da inflorescencia. Tanto a infrutescencia como o caule encerram uma enzima proteolitica que pode ter o mesmo emprego que a papaina. [Sin. (bras.): anana, ananas, ananaseiro, nanas, nanaseiro, abacaxi-branco, aberas.] 2. A infrutescencia comestivel do abacaxi; anana, ananas, nanas. 3. Bras. Gir. Coisa trabalhosa, complicada, embrulhada, intrincada: Antes de viajar, teve varios abacaxis para resolver. 4. Bras. Gir. Coisa ou pessoa desagradavel, macante, chata: Aquele romance e um abacaxi; "Dois meses depois, ela telefona, em panico: 'Vou ser mae!' Do outro lado da linha, Sandoval explode: 'Que abacaxi!' E, entao, comeca a evitar a pequena." (Nelson Rodrigues, 100 Contos Escolhidos. A Vida como Ela E, II, pp. 57-58). 5. Bras. V. galego (4). 6. Bras. PE AL Dancador pesado, desajeitado. (Au, 1999, s.v.)

Abacaxi s.m. (a1776 cf. JDan) B 1 ANGIOS planta terrestre (Ananas comosus) da fam. das bromeliaceas, nativa do Brasil, de folhas lineares com bordos espinhosos, identicas as da coroa que encima o fruto, escapo robusto e curto e inflorescencia com multas fores, fruto medindo cerca de 15 cm; abacaxi-branco, abacaxizeiro, aberas, anana, ananas, ananasde-caraguata, ananas-do-mato, ananaseiro, ananas-selvagem, ananassilvestre, nanaseiro, nana, nanas, pita 1.1 ANGIOS infrutescencia carnosa e comestivel dessa planta; abacaxi-branco, aberas, anana, ananas, ananas-de-caraguata, ananas-do-mato, ananas-selvagem, ananassilvestre, nana, nanas, pita 2 p.ext. ANGIOS design. Comum as plantas de diversas fam. que se assemelham ao abacaxi, seja pelo aspecto da planta ou da infrutescencia 3 (sXX) fig infrm trabalho complicado, dificil de ser feito; coisa intrincada; problema 4 p.ext, fig coisa ou pessoa macante, desagradavel 5 fig pej. m.q. galego ('portugues') 6 (1913) fig PEAL pessoa que danca mal, de maneira desajeitada e pesada [] descascar um a. B infrm. 1 resolver um problema dificil, trabalhoso ou extenuante 2 desvencilhar-se de uma incumbencia ou situacao desagradavel [] ETIM tupi *iwaka 'ti < i'wa 'fruta' + ka 'ti 'que recende'; ver iba--e -aba (in fine); fhist. 1899 abacachi [] SIN/VAR ver sinonimia de galego [] COL abacaxizal. (Hou, 2001, s.v.)

a.ba.ca.xi (1) sm (aba (5) + tupi kati recedente) 1 Bot Variedade das especies silvestres do genero Ananas (Ananas sativus). 2 Fruto dessa planta, grande e escamoso, de sulcos simetricos e forma conica, muito aromatico e saboroso. 3 antAlcunha dos portugueses no Rio de janeiro. 4 Mau dancador, desajeitado, pesadao. 5 gir Mil Granada de mao. 6 gir Tudo quanto e indesejavel, inutil, perigoso, prejudicial etc. A.-bravo: o mesmo que abacaxi-de-tingir A.-de tingir, Bot planta bromeliacea, que fornece uma tinta amarela, empregada em tinturaria (Aechmea tinctoria); gravata-branco. A.-silvestre, Bot: o mesmo que abacaxi-de-tingir Descascar abacaxi, pop: resolver problema dificil ou desagradavel.

a.ba.ca.xi (2) adj m + f Etnol Relativo aos Abacaxis, tribo das margens do rio Abacaxis. Sm + f Indigena dessa tribo. (Mi, 1998, s.v.)

gomine (...) Pommade pour les chevaux (10) (PRob, 1993, s.v.)

parafrastico, ca. (Del gr. [TEXTO IRREPRODUCIBLE EN ASCII.]) adj. [...] 1. Peiteneciente o relativo a la parafrasis. [paralelo] 2. Propio de elia, que la encierra o incluye (DRAE, 2001, s.v.)

paqueteria (1). (De paquetero) f Genero menudo de comercio que se guarda o vende en paquetes. [paralelo] (DRAE, 2001, s.v.)

Frente a tal panorama, e possivel constatar que esses problemas nao se devem unica e exclusivamente a ausencia de uma "sintaxe da definicao" (HERBST; KLOTZ, 2003, p.53-54, para esse conceito), mas parecem refletir tambem a carencia de um modelo de calculo da informacao que permita fornecer ao consulente os dados necessarios para uma eficaz compreensao da parafrase explanatoria, assim como uma escassa reflexao sobre o tipo de informacao que e fornecida a esse mesmo consulente.

Dito em outros termos, e como ja foi mencionado na introducao, uma definicao que almeje ser efetivamente elucidativa para o consulente devera ser o resultado da combinacao de tres variaveis:

1. uma taxonomia da definicao;

2. uma sintaxe da definicao;

3. um modelo semantico entendido como heuristica para estabelecer quanta informacao e necessaria na redacao de uma parafrase explanatoria.

Tipologia de parafrases explanatOrias

A tipologia proposta aqui atende a dois parametros:

1. A perspectiva assumida pelo dicionario em relacao ao ato comunicativo.

2. A metalinguagem empregada na propria parafrase explanatoria.

Parafrase explanatoria versus perspectiva do ato de comunicacao

Baldinger (1985) ja abordava uma questao central para o dicionario ao salientar o duplo "caminho" que o consulente pode querer percorrer no ato de consulta do dicionario. Por um lado, o usuario pode querer conhecer a significacao de uma unidade lexica, ou seja, a sua estrategia de busca vai do lema a parafrase explanatoria. Por outro lado, o mesmo consulente pode "saber" a significacao de uma unidade lexica e desconhecer o seu significante, ou seja, o usuario iria, hipoteticamente, da parafrase explanatoria para o signo-lema. Dito em termos mais simples, isso corresponde a complementariedade entre semasiologia e onomasiologia (ABRAHAM, 1988, s.v. Semasiologie, Onomasiologie (11), tambem GLUCK, 2005, s.v.).

Essa distincao basica leva a duas solucoes radicalmente diferentes no plano lexicografico.

Perspectiva semasiologica

A perspectiva semasiologica fundamenta-se em uma concepcao intensional da interpretacao semantica do signo linguistico. Isso significa que a parafrase explanatoria almeja representar o "conteudo de significacao" [Bedeutungsinhalt] (BUSSMANN, 2002, s.v. In tension), independentemente do mecanismo heuristico (modelo semantico) empregado para tal efeito.

Premissa basica 1: Toda parafrase explanatoria implica sempre um problema de reescrita. "Reescrita" significa glosar o conteudo de urna unidade lexica.

Premissa basica 2: Toda parafrase explanatoria almeja ser uma equacao de equivalencia semica.

De acordo com isso, pode-se distinguir entre os seguintes tipos de parafrases explanatorias:

1) Parafrase explanatoria analiticat (12) : consiste na reescrita do conteudo de uma unidade lexica por meio de uma proposicao que explicita o mesmo. Exemplo:

etiologia.(Del gr. [TEXTO IRREPRODUCIBLE EN ASCII.]).1. f Fil. Estudio sobre las causas de las cosas. 2. f Med Estudio de las causas de las enfermedades. (DRAE, 2001)

switch/sw" tS/n & v. * n. 1 a a device for making and breaking the connection in an electric circuit. (COD, 1995)

nougat [nuga] n.m. 1. Confisserie a base d'almendres, de sucre et de miel [...] (DPF, 1989)

2) Parafrase explanatoria sinonimica (13): consiste na reescrita do conteudo de uma unidade lexica por meio da substituicao dessa unidade por outra. Exemplo:

difusao Nf * [Abstrato de acao] [Compl: de + nome nao animado] 1 propagacao, divulgacao. (DUPB, 2002)

dilaceracao Nf * [Abstrato de processo] 1 despedacamento, estracalhamento. (DUPB, 2002)

paraje (De parar.). m. lugar, sitio. (DRAE, 2001)

Neste ponto, segue-se a tendencia atual no tratamento do problema. Ulrich (2002, s.v. Paraphrase) considera que um mecanismo parafrastico pode funcionar tanto por meio da substituicao de um termo por outro (parafrase explanatoria sinonimica), como por meio da reescrita de uma unidade lexica por um conjunto delas (parafrase explanatoria analitica).

No entanto, nao ha unanimidade em se considerar a parafrase explanatoria sinonimica como um tipo de definicao propriamente parafrastica (14). Por um lado, poder-se-ia objetar que nao se fornece uma "explicacao" propriamente dita, e sim outra unidade lexica equivalente (sinonimo), de modo que o conteudo permanece eliptico ao se fornecer uma designacao. Ou seja, a sinonimia poderia ser entendida como uma classe de relacao onomasiologica (HARTMANN; JAMES, 2001, s.v. onomasiology). Ha de se levar em conta tambem a caracterizacao que Alcaraz Varo e Martinez Linhares (1997, s.v. definicion) fazem, ao considerar que uma definicao "[...] e um discurso [...] metalinguistico caracterizado pela expansao e oposto a denominacao (15), que e uma condensacao do mesmo." Dito em outros termos, a definicao sinonimica e evidentemente extensional. Do ponto de vista estritamente formal, Martinez de Souza (1995, s.v. definicion lexicografica) considera a definicao por sinonimia uma definicao impropria em razao da nao existencia de uma reescrita que exprima o conteudo da unidade lexica (lema). Embora a literatura especializada, como ja se comentou, considere qualquer substituicao uma parafrase, a questao esta longe de ser um consenso. As consideracoes precedentes, acrescenta-se a aguda distincao proposta por Svensen (1993, p.116), que, embora defina uma parafrase como a "reescrita de uma palavra" [rewriting of the name], reserva o nome de "definicoes verdadeiras" [true definitions] para as parafrases entendidas como glosas propriamente ditas. Em prol da parafrase explanatoria sinonimica, e prudente levar em conta uma observacao de Jackson e Amvela (2000), para quem esse tipo de definicao permitiria uma melhor explanacao do significado das unidades lexicas abstratas. As parafrases explanatorias analiticas nao ofereceriam solucoes explanatorias satisfatorias. A esse respeito cabe salientar que nao ha estudos sobre modelos para a geracao de parafrases explanatorias que permitam corroborar ou refutar essa afirmacao.

Perspectiva onomasiologica

A perspectiva onomasiologica fundamenta-se em uma concepcao extensional da interpretacao semantica do signo linguistico. Isto significa que a um determinado conteudo semico atribui-se uma entidade (fonologica) que o designa.

1) Parafrase explanatoria sinonimica (16). A definicao sinonimica pode ser considerada tambem uma definicao extensional se se considera que entre o signo-lema e o sinonimo existe um tertium comparationis implicito perante o qual o signo-lema e o sinonimo sao duas designacoes para um mesmo conteudo. Exemplo: "gross nicht adv, intensiv, stark, heftig" (LaTDaF, 2003, s.v.), "Ap-fel.si.ne die; -, -n .[aproximadamente iqual a] Orange" (LaTDaF, 2003, s.v).

2) Substituicao (17) ostensiva. A substituicao ostensiva esta ligada ao uso de elementos iconograficos. Nesse tipo de mecanismo de "reescrita", associa-se uma representacao iconografica (uma gravura ou uma fotografia) a designacao desse realia (18). Abaixo apresentamos um exemplo de DILE (2003, s.v. raqueta, rasqueta):

[FIGURA 2 OMITIR]

Parafrase explanatoria versus metalinguagem empregada

Seco (2003) estabelece uma distincao clara segundo a parafrase explanatoria seja capaz de exprimir ou representar o conteudo de um signo (a parafrase expressa o que o signo e), ou a parafrase expressa como o signo se emprega (19).

Houve uma tentativa de classificar os signos linguisticos pelo fato de possuirem um significado semantico (um "conteudo") ou simplesmente permitirem estabelecer relacoes entre uns e outros (seriam signos "sem conteudo", ou"relacionais"). Os primeiros foram chamados de"categorematicos" ou "palavras cheias" (correspondiam aos substantivos, adjetivos e verbos (20)), enquanto os segundos eram chamados de "sincategorematicos" ou "palavras estruturais" (as demais categorias). No entanto, essa distincao tem-se revelado insustentavel, ja que ha casos dentre essas palavras qualificadas como "estruturais" (tais como alguns adverbios) onde e perfeitamente possivel estabelecer um conteudo. Lutzeier (1985, p. 26) postula a anulacao absoluta dessa dicotomia, argumentando que nao ha dois tipos completamente diferenciados de palavras, e sim, uma tendencia mais clara a uma significacao lexica ou a uma significacao gramatical. De fato, a analise de alguns comentarios semanticos de preposicoes ou conjuncoes (21), por exemplo, revela que e possivel gerar, em alguns casos, parafrases explanatorias segundo a distincao feita ao longo desse trabalho.

Por outro lado, e certo tambem que ha unidades lexicas que nao se deixam parafrasear segundo esses mesmos principios. E justamente esse fator que toma a distincao feita por Seco (2003) extremamente pratica, se consideramos o "sistema de instrucoes" que a parafrase explanatoria implica.

Assim, distingue-se entre "metalinguagem do conteudo" e "metalinguagem do signo". A nao observancia dessa distincao e sua representacao obscura no verbete levam a confusao e a perda de informacao relevante, como ja foi constatado no CCLD (2003) (MEDEROS, 1994, p.103).

1) Parafrase por metalinguagem do conteudo. Parafrase explanatoria de tipo intensional. Isso significa que a reescrita do signo-lema almeja descrever o "conteudo da significacao" do signo. Exemplo: "licitazione [...] s.f. 1. Offerta di prezzo in una pubblica asta". (VLI, 1995, s.v.), "gomina sustancia que se usa como fijador del cabello" (GDLA, 1996, s.v.).

2) Parafrase por metalinguagem do signo (22). Parafrase que instrui o usuario sobre como usar, onde aplicar ou que restricoes de emprego uma unidade lexica tem. Essas precisoes permitem estabelecer a seguinte subclassificacao:

2.1) Parafrase por indicacao de uso. Nesse tipo de parafrase, sao fomecidas instrucoes que permitem saber as particularidades da funcao de um signo ou as suas condicoes de uso em relacao a outros signos. Exemplo:

podenquero.1, m. Entre cazadores hombre que cuida o tiene a sul cargo los podencos (DRAE, 2001).

repeloso, sa. 1. adj. Dicho de la madera: Que al labrarla levanta pelos o repelo. (DRAE, 2001, grifo nosso).

2.2) Parafrase por metalinguagem do signo extensional. A parafrase assinala as unidades extralinguisticas as quais o signo-lema se aplica. Exemplo:

Sweets are small sweet things such as toffees, chocolates, and mints (CCLD, 2003, s.v. sweet, ac. 2).

paquidermo (Del gr. Hai, c, grueso, y--dermo). Adj. Zool. Se dice de los mamiferos artirodactilos, omnivoros o herviboros, de piel muy gruesa; p. ej., el jabali y el hipopotamo. (DRAE, 2001).

Na opiniao de Svensen (1993, p.123), esse tipo de definicao "[...] acontece as vezes [sc. nos dicionarios gerais], sendo mais frequente nos dicionarios terminologicos e tecnicos." No entanto, a sua presenca e muito maior do que parece, nao somente porque e consubstancial a algumas classes de palavras (as interjeicoes e o artigo (23), por exemplo), mas tambem a muitas unidades nominais. O exemplo de cobra e um entre muitos outros. A distincao proposta por Demonte (1999) entre classificar os adjetivos qualificativos (os que comportam uma unica qualidade) e relacionais (os que denotam um complexo de qualidades), tais como medico, sao um exemplo de um vies extensional profusamente empregado pela propria lingua. Coseriu (1991) tambem comenta a esse respeito que parte do lexico da lingua contem amplos conjuntos de unidades lexicas que sao unicamente designativas. E fundamental enfatizar que o tipo de extensionalidade tratado aqui nao corresponde conceitualmente de forma total ao conceito de extensionalidade proposto pela semantica prototipica (24), sobretudo, nas suas consequencias para o pattern sintatico das parafrases explanatorias.

Outros tipos de parafrases

A literatura especializada (BOSQUE, 1982; SCHLAEFER, 2002) oferece uma relacao bastante extensa e heterogenea de tipos de definicoes que nao sao possiveis de classificar segundo os criterios expostos nesse trabalho. No entanto, esses procedimentos parafrasticos sao empregados de forma mais ou menos recorrente nos dicionarios. Em alguns casos, tais como a "parafrase explanatoria antonimica", dita opcao parece obedecer a dificuldade que significa definir uma entidade que apresenta uma relacao de contraste semico equipolente. Na medida em que as teorias semanticas oferecam subsidios maiores para entender muitos fenomenos da linguagem (como o ja citado caso da antonimia ou as relacoes meronimicas), sera possivel, talvez, enquadrar esses fenomenos dentro de parametros de classificacao melhor articulados. Citam-se a seguir alguns tipos:

1) Parafrase meronimica (25). Estabelece uma relacao entre uma parte e o todo. Esse tipo de definicao viola a segunda premissa basica da classificacao aqui proposta. Segundo Svensen (1993, p.124), esse tipo de parafrase faria parte das definicoes extensionais. Uma percepcao tao oposta na classificacao deve-se a um problema de perspectiva. De fato, muitas meronimias sao metonimias (26). Uma nova metonimia, evidentemente, e uma nova designacao para um conteudo ja existente. No entanto, deve-se considerar tambem ate que ponto essa nova associacao e sentida como metonimica, ou ja como um signo totalmente autonomo de qualquer motivacao (27). Exemplo:

finger/finger/(fingers, fingering, fingered) 1 Your fingers are the four long thin parts at the and of each hand. (CCLD, 2003).

pluma. (Del lat. pluma). 1. f Cada una de las piezas de que esta cubierto el cuerpo de las aves. Consta de un tubo o cafion inserto en la piel y de un astil guarnecido de barbillas. 2. f Conjunto de plumas. Un colchon de pluma. 3. f. pluma de ave que, cortada convenientemente en la extremidad del cafion, servia para escribir. 4. f. Instrumento de metal, semejante ai pico de la pluma de ave cortada para escribir, que sirve para el mismo efecto colocado en un mango de madera, hueso u otra materia. 5. f. pluma estilografica. 6. f. Instrumento con que se escribe, en forma de pluma. 7. f. Habilidad o destreza caligrafica. 8. f. Escritor, autor de libros u otros escritos. Miguel es la mejor pluma de su tiempo. 9. f. Estilo o manera de escribir. Tal obra se escribio con pluma elocuente, habil, torpe, benevola, mordaz. 10. f. Profesion o ministerio del escritor. Jose mancha o vende su pluma. 11. f. pluma preparada para servir de adorno. 12. f. Adorno hecho de plumas. 13. f. pluma artificial hecha a imitacion de la verdadera. 14. f. Cada una de las virutas que se sacan al tornear. 15. f. Mastil de una grua. 16. f. coloq. Ventosidad, pedo. 17. f. coloq. Afeminarmento en el habla o los gestos de un varon. Esta muy claro que tiene pluma. 18. f. Col., E Cuba, Pari. y R Rico. grifo (I Dave para regular el paso de los liquidos). 19. f E1 Salv. y Mex. Barrera que se coloca en lugares publicos para que los vehiculos pasen de uno en uno y sea mas facil su control. 20. f. coloq. E1 Salv. calumnia (I acusacion falsa). 21. f. germ. Remo de bogar o remar. (DRAE, 2001).

2) Parafrase explanatoria antonimica. Estabelece uma relacao de oposicao semantica (28) com respeito a unidade lexica definida (29.) Exemplo: "insalubre adj. que no es salubre" (DLC, 1994, s.v.).

3) Parafrase explanatoria serial. Estabelece uma relacao entre uma unidade e outras para conformar com elas uma serie da qual e um membro. Exemplo: "martes segundo dia de la semana entre el lunes y el miercoles" (DSLE, 1996, S.V.).

4) Parafrase explanatoria mista (30) Estabelece uma relacao entre o sistema semiotico da linguagem e outros sistemas semioticos (por exemplo, os numeros ou as letras). Exemplo: "[y.sup.2] sm segunda incognita" (Mi,1998, s.v.).

5) Parafrase explanatoria estipulativa. Esse tipo de parafrase almeja estabelecer um consenso normativo em relacao ao emprego de uma unidade lexica. Exemplo:

algido,-a (medicina) Acompanado de frio intenso en el cuerpo: "Fiebre algida. Periodo algido'. (Como esto suele ocurrir en el periodo agudo de una enfermedad, la palabra ha pasado a emplearse impropiamente en el lenguaje vulgar, incluso de los medicos, como equivalente de <<culminante>> o <<maximo>> aplicada a cualquier clase de circunstancias, incluso a las que implican excitacion o acaloramiento. (DUE, 1990).

6) Parafrase explanatoria operacional. Nesse tipo de definicao, nao existe representacao do conteudo da unidade lexica, mas sao oferecidas regras para o emprego "situacional" da entidade denotada pelo signo linguistico (31). Exemplo: "finesse/fines/If you do something with finesse, you do it with great skill and style" (CCLD, 2003, s.v.).

7) Parafrase explanatoria taxonomica. Na definicao taxonomica, oferece-se no lado direito da equacao semantica a designacao da unidade lexica lematizada de acordo com uma classificacao terminologica. Segundo Thumb (2004, p.27), nesse tipo de parafrase explanatoria, oferece-se junto a classificacao terminologica, uma descricao fisica do referente. Essa relacao esta mais unida a natureza da entidade lexica definida do que a uma decisao metodologica. Exemplo: "higo (...) 3. Higo mata (Ficus pedifolia)" (DEUM, 1996, s.v.).

8) Parafrase explanatoria morfossemantica. E uma parafrase decomposicional. Apresenta os seguintes subtipos:

8.1.) Parafrase morfossemantica etimologica. A parafrase explicita a condicao derivacional do signo-lema em relacao a um elemento primitivo. Exemplo: "mirtino, na. (Del lat. myrtinus, y este del gr. [TEXTO IRREPRODUCIBLE EN ASCII.]).1. adj. De mirto." (DRAE, 2001, s.v.).

8.2.) Parafrase por derivacao morfossemantica decomposicional. A parafrase explanatoria segmenta um composto nas suas formas primitivas. Exemplo: "Begriffsumfang, der: Weite, Umfang eines Begriffs"( DGWdS, 1976, s.v.).

Para o caso especifico do alemao, Hammerl (1991, p.25-26) chama a atencao para o fato de se estabelecer uma distincao entre compostos "exocentricos" e compostos "endocentricos". No primeiro caso, uma reescrita parafrastica e necessaria, ja que a significacao nao pode ser obtida pela simples decomposicao, como, por exemplo, em Milchmann. No segundo tipo isso e possivel.

Conclusoes

A taxonomia proposta demonstra que e possivel ter parametros teoricometodologicos que orientem a redacao das parafrases explanatorias segundo o que se almeje apresentar como informacao na equacao com o signo-lema. No entanto, revela tambem que ha tipos de parafrases explanatorias (algumas muito empregadas nos dicionarios) que nao sao passiveis de serem enquadradas nos parametros propostos. Isso leva ase questionar se esses tipos de parafrase sao, necessariamente, produto de uma falta de sistematicidade na sua redacao ou se constituem um sinal da natureza ainda mais complexa do signo linguistico, para a qual a literatura especializada sobre semantica e lexicologia ainda nao oferece modelos de interpretacao.

REFERENCIAS

ABRAHAM, W. Terminologie der neueren Linguistik. Tubingen: Max Niemeyer, 1988.

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Recebido em setembro de 2008.

Aprovado em novembro de 2008.

Felix BUGUENO MIRANDA (1)

* Kurt Baldinger (1919-2007) in memoriam

(1) UFRGS-Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Letras-Departamento de Linguas Modemas. Porto Alegre-RS-Brasil. 91501-970-felixv@uol.com.br

(2) Sobre o conceito de parafrase explanatona, v. nota 4 do presente trabalho.

(3) V. os exemplos de abacaxi no presente trabalho para a importancia de um pattern sintatico.

(4) Dada a multiplicidade de designacoes (com implicacoes metodologicas, as vezes) que termos como "definicao" (Wiegand, 1989a, 1989b) ou "parafrase" tem (svensen, 1993), empregamos a expressao "parafrase explanatona", entendida aqui como uma reescritura nem sempre correspondente ao definiens escolastico, ja que assim conseguimos abranger tambem formas de reescritura tais como a whole-sentence definition de CcLD (2003).

(5) A esse respeito, confira Baldinger (1985, 1977).

(6) Tomamos a designacao empregada por Welker (2004) para o conjunto formado por Mi (1998), Au (1999) e Hou (2001), acrescentando ainda DUPB (2002).

(7) Deixamos fora da discussao a veracidade ou falsidade do conteudo proposicional das parafrases explanatorias, embora esse tambem seja um problema que merece atencao especial (confira; por exemplo, a parafrase explanatoria para parabrisas em DRAE (2001, s.v.), onde e falso afirmar que o parabrisas seja um unico vidro do carro).

(8) Para o caso de abacaxi, procuramos o verbete em mais de uma fonte, considerando o valor dessa entidade lexica (e extralinguistica) na comunidade luso-brasilera.

(9) Seguindo a tendencia da metalexicografia europeia (Hartmann, 2001), as obras lexicograficas aparecem identificadas por siglas. As referencias completas sao apresentadas, da mesma forma, ao final do trabalho.

(10) Para poder avaliar melhor a impropriedade da definicao de gomine em PRob (1993, s.v.), cf. a definicao de gomina para o espanhol em GDLA (1996, s.v.) citada no presente trabalho

(11) Ou, como diz Casas Gomez (2002, p.50), entre "semantica intensional" e "semantica extensional", distincao aplicada no presente trabalho.

(12) Chamada tambem de "defnicao logica" (Schlaefer, 2002, p.97), "definicao hiponimica" (Bosque, 1982, p.106) e "definicao discursiva" (Greirnas, 1986, p.73). Este ultimo opoe a "definicao logica", considerada exaustiva e univoca, a "definicao discursiva", considerada livre e aproximativa.

(13) Ver tambem "Perspectiva onomasiologica" no presente trabalho.

(14) Confira, por exemplo, Hammerl (1991, p.34).

(15) "Denominacao" corresponde, neste trabalho, a perspectiva onomasiologica.

(16) Sobre a possibilidade de considerar a sinonimia uma forma de onomasiologia, ver Casas Gomez (1995).

(17) Tambem chamada de "definicao ostensiva" (Schalefer, 2002, p.82). E obvio, no entanto, que, em sentido estrito, nao se pode falar em "definicao" neste caso, mas a designacao "parafrase", empregada ao longo desse trabalho, seria ainda mais aberrante.

(18) Para esse conceito, confira Dubois et al. (1999, s.v. realia).

(19) Em funcao das diferencas que essa distincao traz a tona, Seco (2003) classifica as definicoes em proprias e improprias. A nomenclatura empregada, no entanto, e pouco feliz. A impropriedade de algumas definicoes fundamenta-se na propria natureza do signo linguistico e na sua funcao, o que depois sera comentado.

(20) Segundo Rey-Debove (1967), por exemplo, alguns adverbios tambem corresponderiam a essa categona.

(21) Cf. ya em DRAE (2001, s.v., acs. 1 e 2).

(23) Corresponde a "definicao por funcao" e a "definicao por metalinguagem" propostas por Schlaefer (2002, p.98). Rey-Debove (1967, p.155) chama esse tipo de definicao de "relaciona]" [relationnelle].

(23) Para uma visao do artigo como sistema de instrucoes, ver Buguefio Miranda (2003).

(24) Confira, por exemplo, Geeraerts (2001, p.13).

(25) Bosque (1982, p.107) chama esse tipo de definicao de "metonimica".

(26) Confira, por exemplo, Bosque (1982).

(27) Um bom exemplo e o emprestimo mouse, "dispositivo que permite mover o cursor na tela do computador".

(28) Em Schlaefer (2002, p.89), menciona-se a possibilidade de empregar antonimos propriamente ditos. Nesse caso concreto, nao se poderia falar, seguindo a proposta de Zofgen (1994), de uma tecnica explanatoria em rigor, ja que nao aconteceria o principio da equacao semica (premisa basica 1). No entanto, nao foi possivel documentar essa opcao lexicografica, chamada por Rey-Debove (1967, p.153) de "definicao substancial negativa" [definition substantielle negative].

(29) Sobre a complexidade das relacoes antonimicas, confira Schifko (1992).

(30) Knobloch (1986, s.v. Definition) chama esse tipo de definicao de "simbolica".

(31) Constata-se, nas obras de referencia, uma disparidade conceitual sobre esse tipo de definicao. A definicao de "definicao operacional" fomecida por Knobloch (I986, s.v.) nao tem relacao com a proposta por BuBmann (2002, s.v.), por exemplo.
Figura 1--Quadro comparativo das definicoes de "definicao
nominal" e "definicao real"

            Knobloch            Lewandowski     BuBmann
            (1986)              (1979)          (2002)

Definicao   "estabelecimento    "Designacoes    "as definicoes
nominal     do significado de   para coisas/    nominais se
            uma palavra"        referentes"     refrem a designacao
                                                de objetos
                                                e qualidades
                                                abstratas, ou
                                                seja, a nomes,
                                                conceitos ou
                                                expressoes
                                                linguisticas"

Definicao   "refere a um        "definicao de   "definicao de
real        dado objeto         coisa"          um objeto ou
            mental, do qual                     de um conceito
            se faz uma                          concreto por
            afirmacao"                          meio de um
                                                termo hiperonimo
                                                G (=genus
                                                pioximum) e
                                                de qualidades
                                                especificas M
                                                (=differentia
                                                specifica)"

            Ulrich               Gluck
            (2002)               (2005)

Definicao   (a definicao         "[sc. sua funcao e]
nominal     apresentada em       explicar o
            Ulrich (2002) e      conceito de uma
            generica e nao       coisa, indepen
            estabelece a         dentemente
            distincao proposta   se se faz uma
            entre "definicao     assercao sobre a
            nominal" e           sua existencia"
            "definicao real")

Definicao                        "deve conter
real                             uma afirmacao
                                 sobre a possibili
                                 dade de uma
                                 coisa existir,
                                 ou seja, uma
                                 afirmacao sobre
                                 a sua existencia"
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Title Annotation:ARTIGOS ORIGINAIS
Author:Bugueno Miranda, Felix
Publication:Alfa: Revista de Linguistica
Date:Jan 1, 2009
Words:7153
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