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Para uma analise da lisibilidade de textos escritos em portugues europeu.

Introducao

As formulas de lisibilidade mais divulgadas (para o ingles, o Flesch Reading Ease Score (1948) ou o SMOG Grading Formula (1969); para o alemao, o Lix (1968); para o espanhol, a Formula de Lecturabilidad de Fernandez-Huerta (1959), por exemplo), tem em comum procederem a uma analise quantitativa simplificada, fundada, basicamente, na extensao da frase, em numero de palavras, e na extensao da palavra, em numero de silabas, por frase. Actualmente estas medicoes nao se realizam manualmente, mas atraves de aplicacoes informaticas (2).

Os varios estudos (3) que provam a falibilidade destas formulas (revelando, por exemplo, que frases com pontuacao aproximada nas formulas apresentam indices de frequencia de vocabulario e complexidade estrutural muito diferenciados; ou, ainda, confrontando palavras polissilabicas, plenamente conhecidas, com monossilabos, deicticos ou preposicoes, mas de referencia inacessivel para o leitor) resultam na conclusao de que nenhuma avaliacao de lisibilidade pode prescindir, por um lado, da consideracao do texto como objecto coeso e, por outro, do indice de frequencia dos lemas.

Um dos campos de reaplicacao das formulas de lisibilidade e o da producao e avaliacao de textos para leitura extensiva em L2. No caso do ingles L2, tanto editores como orgaos de gestao educacional pautam a regulacao dos materiais de leitura em funcao de instrumentos de avaliacao da acessibilidade dos textos, de acordo diferentes niveis de proficiencia. Conversamente, os textos, previamente calibrados, servem depois para aferir o nivel de proficiencia do aprendente. No entanto, as formulas de lisibilidade para o ingles, alem da eficacia reduzida que vem sendo constatada, nao tem aplicacao noutras linguas, designadamente nas linguas romanicas, desde logo pelo caracter analitico destas.

O trabalho experimental, que a seguir se descreve, de inventariacao de procedimentos de reescrita com aplicacao na producao de textos modificados para leitura extensiva em portugues L2, visa, como resultado ulterior, o apuramento de dados de medicao da lisibilidade, dos quais e possivel fazer derivar criterios fundamentados para avaliacao qualitativa e quantitativa da acessibilidade de textos integrados em programas de leitura em portugues L2, passiveis, alguns deles, de serem derivaveis para portugues L1.

1. Leitura extensiva em L2: textos originais ou textos modificados?

A actual teorizacao sobre leitura em L1 e L2 faz eco, recorrentemente, do paradoxo (4): se se da como certo, por um lado, que a leitura extensiva de textos originais propulsiona o reconhecimento automatico de vocabulario de baixa frequencia e de estruturas transfrasicas complexas, tambem nao se da como menos certo ser pernicioso propor textos de leitura extensiva para os quais os aprendentes ainda nao ganharam suficiente automatismo de decodificacao, por insuficiente competencia grafica e lexical.

Como saldar a diferenca de processamento envolvido na transicao da leitura de decodificacao/compreensao local para a leitura de compreensao global/interpretacao; ou, se quisermos, como proceder a passagem da fase do aprender para ler para a fase do ler para aprender?

1.1. Vantagens do texto (bem) modificado

O balanco entre posicoes teoricas antagonicas sobre o uso de textos simplificados, bem como o estudo empirico comparativo sobre estruturas linguisticas em amostras de textos simplificados e em amostras de textos originais correspondentes, levado a cabo por Crossley et al. (2007), legitima a assuncao de que o resultado de uma modificacao tecnicamente bem realizada--e assumidamente alheia ao objectivo de recriar ou reproduzir a plenitude comunicacional do texto original--respeitara as caracteristicas essenciais da lingua-alvo (vocabulario e padroes de recorrencia construcionais) em producao discursiva nao manipulada. Um texto modificado pode ser, entao, uma manifestacao linguistica em "estado natural" (5), desde que realizada de modo estrategico e regulado.

O texto (adaptado) permite o acesso facilitado de uma forma de palavra a um significado, mas tambem opera construcoes que reflectem as representacoes mentais complexas de uma forma de palavra, atraves do desenvolvimento dos schemata adstritos a um lema e da activacao de redes vocabulares intra e inter campos lexicais. Paralelamente, sao visados, de modo insistente, colocacoes e matizes de registo atinentes a um lema.

Se se assume que o conhecimento lexical deve ser construido na leitura, atraves de desenvolvimento de estrategias que reforcem a competencia de inducao de palpites correctos e a capacidade de associacao morfologica (Nation e Coady, 1988; Nation, 1990), entao vale a pena construir mecanismos de manipulacao de texto destinados justamente a potenciar mais garantias de inducao correcta, por parafrases e aducao de sequencias de expansao/justificacao, pontuadas, doseadamente, por palavras cognatas.

2. Trabalho experimental de producao de tres textos para leitura extensiva em portugues L2

Na prossecucao dos objectivos de apurar operacoes prototipicas de supressao, substituicao e reconstrucao, de e entre sequencias textuais, e de fornecer instrumentos de avaliacao que suportem a previsao do grau de conforto de leitura potenciado por um texto relativamente a um dado nivel de proficiencia, foi iniciado, em 2008, um trabalho experimental que passou (i) pela producao de tres adaptacoes de livros de viagens contemporaneos de autores portugueses (No Dorso do Dragao. Aventuras e Desventuras de uma Portuguesa na China, de Claudia Ribeiro, 2001 (6), para o nivel B1; A Mais Alta Solidao, de Joao Garcia, 2002 (7), para o nivel A2; e Planisferio Pessoal, de Goncalo Cadilhe, 2005 (8), para o nivel B1); (ii) edicao online multimedia (9) destes produtos; (iii) construcao de lemarios anotados (10) (iv) inventarios das colocacoes activadas e (v) testagem da eficacia dos objectos manipulados junto de aprendentes de PL2 dos niveis A2 e B1.

A disponibilizacao em versao multimedia das retextualizacoes destina-se a garantir a eliminacao de entropias decorrentes de limitacoes na competencia lexical e de falhas no reconhecimento da relacao grafia-fonia de uma forma de palavra e, enfim, pretende facilitar e tornar atractiva a leitura, provocando a adesao dos aprendentes.

Assim, a disponibilizacao de links de imagem e videos e de links para verbetes adaptados, ancorados em formas de palavra seleccionadas, permite que o fluxo de leitura nao seja interrompido pela consulta e interpretacao dos verbetes de dicionarios gerais, diminuindo assim, em grande parte, o esforco de actualizacao lexical durante o periodo da leitura e minimizando o risco de desistencia.

Por outro lado, a sonorizacao dos textos, por locutores profissionais (11) visa elidir problemas decorrentes de uma decifracao incorrecta, particulamente no caso de palavras homografas ou paronimas. Acresce que a prosodia auxilia, como e sabido, a tarefa de compreensao imediata dos enunciados e sequencias de enunciados. Pretende-se, portanto, que, chegados a fase de realizacao dos exercicios de testagem, os textos estejam depurados de factores externos de lisibilidade (ou seja, que nao os decorrentes de construcoes linguisticas, estritamente).

O inventario progressivo de palavras substituintes, elaborado aquando dos processos de reformulacao sintactica, enunciativa e discursiva, determinada pelas manipulacoes inerentes a actividade de retextualizacao, permite um controlo da extensao do vocabulario em activacao; paralelamente, e a partir deste inventario que se constituem os lemarios anotados.

A base de dados criada a partir dos lemarios (12) permite um controlo qualitativo do vocabulario activado, dado que faculta a fundamentacao para as opcoes lexicais-- e por conseguinte, estruturais--tomadas, quer no decurso da retextualizacao, quer apos o seu termo (para efeitos de revisao).

A navegacao na base de dados permite a leitura selectiva e de distribuicao, em funcao das etiquetas seleccionadas. As etiquetas reffreq (frequencia de referencia, com recurso ao AC/DC> frequencia da Linguateca http://www.linguateca.pt/), pf (presenca ou ausencia do lema no vocabulario do Portugues Fundamental) e ref (frequencia no texto--T1, T2 ou T3), permitem cruzar taxas de frequencia e assim avaliar a justeza da seleccao de um lema em detrimento de outro lema isofuncional ou semantica e discursivamente equivalente. A etiqueta coref (co-referencia e relacoes lexicais de sinonimia e antonimia (13)) e family (presenca de palavras cognatas) suportam, ainda que parcialmente, a avaliacao sobre o grau de redundancia e coesao do texto. A etiqueta class (classe de palavra) impede que lemas coincidentes na sua forma sejam contabilizados como um so lema.

Finalmente, a listagem de colocacoes (14) tem em vista uma posterior avaliacao de frequencia que va alem da contabilizacao dos lemas, cruzando dados da frequencia na lingua, com o auxilio do ja referido servico da Linguateca, com os dados da frequencia no texto.

2.1. Principios subjacentes ao processo de retextualizacao

Presidiram ao processo de retextualizacao tres principios dados como consensuais em aquisicao de L2 com recurso ao exercicio da leitura extensiva: (i) o papel positivo da frequencia de ocorrencias; (ii) a necessidade de aproximacao a um dado estadio da interlingua (15); e (iii) a necessidade de regulacao de inferencias.

Na observacao destes pressupostos, atendeu-se a factores da ordem do acesso ao conhecimento enciclopedico, da ordem do controlo lexical, da codificacao proposicional e da reconstrucao textual.

2.1.1. Acesso ao conhecimento enciclopedico

O processo de edicao online visa directamente a necessidade de o texto ser acompanhado de informacoes de radicacao cultural e historica16. Esse processo envolve:

* a informacao, verbal, iconica ou videografica, oferecida em link ao longo do texto, ancorada em vocabulario seleccionado;

* a redaccao de introducao, onde se apresenta um breve enquadramento dos temas e accoes relatadas;

* a segmentacao do texto pautada por titulos e subtitulos.

2.1.2. Controlo lexical

O limite de lemas e o constrangimento mais severo no processo de retextualizacao. O texto tem de ser adaptado com base na previsao de quais sao as palavras arquivadas no lexico passivo (17) dos aprendentes. Para tal cruzam-se os resultados da analise de corpora de pequenos textos escritos de alunos de portugues L2 (18) com o atendimento a faixa de frequencia de lemas (atraves do recurso ao vocabulario do Portugues Fundamental e da plataforma AC/DC>Frequencia da Linguateca).

De um modo geral, a seleccao de lemas ou expressoes para ancoragem em link de glosas ou de imagens/videos obedece ao criterio do grau de frequencia. No entanto, ha situacoes especificas em que, apesar da baixa frequencia de um item lexical, nao se opta pela explicacao em link, com o intuito de se poder aferir o grau de eficacia das parafrases construidas no corpo do texto ou a efectividade da leitura de outras glosas em que o item em causa e visado.

A limitacao do numero de lemas que se pressupoe pertencerem ja ao vocabulario dos aprendentes (entre 1000 e 1300 para o nivel B1 e nao mais de 700 para o nivel A2) convoca a repeticao de formas, ainda que com distribuicoes diferentes.

As tecnicas de gestao do lexico no texto tem em conta uma previsao das competencias estrategias do aprendente, designadamente, estrategias de memorizacao (capacidade de gestao da memoria de trabalho), de associacao ou de compensacao. Por exemplo, visando o fim especifico da consolidacao/aquisicao de um item lexical, opera-se a transicao de um termo dado como previamente conhecido para um termo co-referente de mais baixa frequencia, em contextos equivalentes--termo que se ira repetir desde o momento em que se da essa transicao (veja-se, a titulo de exemplo, a correspondencia <<viajante>>-- <<passageiro>>, em T3).

Uma vez assegurada a representacao mental complexa de uma palavra, reocorrente, estima-se uma maior tolerancia a extensao da frase e as estruturas clivadas. Deste modo, aposta-se numa complexificacao progressiva da estrutura de frase a medida que avanca a retextualizacao.

2.1.3. Codificacao proposicional

Neste ambito sao visadas as seguintes operacoes fundamentais:

* reduzir, por elisao e modificacao, o numero de frases com mais do que uma oracao finita: por norma, opta-se por nao mais de uma oracao subordinada e nao mais de tres oracoes coordenadas por frase;

* optar por frases activas, com ordem directa;

* excluir oracoes finitas nos complementos nominais;

* optar por sujeito explicito pelo menos uma vez por sequencia intermedia;

* eliminar formas verbais de conjuntivo, condicional e de preterito mais-que- perfeito; algumas demonstracoes:
Fig. 1 Alteracoes na codificacao proposicional motivadas pela
restricao de formas verbais: exemplos

Estruturas supletivas de Estruturas supletivas de
conjuntivo--T2 condicional--T2

Original Texto Original Texto
 modificado modificado

<<Para que <<Para uma <<A distancia <<A distancia
 uma expedicao parecia curta-- parecia
 expedicao dar estariamos pequena.
 desse lucro ...>> nessa altura Afinal, eram
 lucro ...>> ai a uns 250 apenas 250
 m do cume--mas metros. O
 demorariamos problema foi
 pelo menos que
 meia hora a demoramos
 fazer o meia hora para
 caminho.>> voltar ao
 cume.>>

Estruturas supletivas de Estruturas supletivas de
conjuntivo--T2 perfeito--T2

Original Texto Original Texto
 modificado modificado

<<Para que <<Para uma <<Nao tinha a <<Nao tinha a
 uma expedicao certeza certeza se ja
 expedicao dar absoluta de estava no
 desse lucro...>> ter chegado cume ou nao.>>
 lucro...>> ao cume.>> ---
 ---- <<Cheguei,
 <<Tinha finalmente,
 chegado ao ao ponto mais
 ponto mais alto do
 alto do mundo!>>
 mundo.>>


* aumentar o numero de enlaces sequenciais por expansao (com aumento do numero elos co-referenciais e de palavras cognatas):
Fig. Aducao de sequencias de expansao: exemplos

T2 <<Finalmente, resolvi descer. Levantei-me e comecei a
 caminhar para baixo.>>

 <<No principio, quando comecamos a preparar esta expedicao,
 eu sabia que nao podia ir.>>

 Bom, naquela altura eu nem sabia bem quem ele era. Sabia
 que o Wielicki ja nesse tempo tinha como objectivo ...>>

 <<No dia seguinte voltei a subir ao cume e desci entao para
 o lado certo, para o abrigo onde estavam as minhas coisas.
 Na descida passei pelos meus amigos ...>>

 <<E la que estao os picos mais altos do mundo. E o unico
 local da Terra onde as montanhas sobem a mais de 8 mil
 metros.>>

T3 <<Quando comecei a minha volta ao mundo, aquilo que mais me
 preocupava era escrever bem (...) A minha preocupacao era
 escrever bem, semana apos semana.>>

 << Quero agradecer tambEm a todos os meus companheiros de
 estrada. (...) A terminar, o meu agradecimento ...>>

 <<E, no entanto, gosto da alegria das pessoas, da limpeza,
 dos espacos verdes. Este encanto repete-se sempre que
 passeio por uma cidade espanhola ...>>

 << Acabo, entao, por comprar apenas uma biografia de Fernao
 de Magalhaes. E uma compra simbolica ...>>


Paralelamente, sao introduzidos estimulos de interesse na leitura, como sejam a introducao de exclamacoes e de perguntas retoricas em monologo interior, assim como a introducao de discurso directo e a interpelacao directa ao leitor.

2.1.4. Reconstrucao textual

Reconhecem-se duas modalidades de reconstrucao textual, dependendo do nivel a que se destina a retextualizacao e do grau de presenca de tecnolectos.

Para o nivel B1 (T1 e T3) operacionaliza-se uma modificacao por reproducao parafrastica de sequencias breves do texto original, antecedida da exclusao, numa dada macroestrutura, das sequencias que nao podem ser retextualizadas, por limitacao de vocabulario; basicamente, todas as descricoes e digressoes sao fortemente reduzidas. Seguese a analise das estruturas remanescentes, consubstanciada na:

--seleccao das palavras e fraseologias a substituir: o criterio de substituicao de vocabulario reside nos indices de frequencia que um dado item lexical patenteia;

--seleccao das estruturas frasicas a reformular em consequencia do constrangimento lexical;

--aplicacao das operacoes descritas em 2.3.3.

Para o nivel A2 (T2) implementa-se uma modificacao por recomposicao de sequencias longas, em que o grau de elisao de topicos tematicos diminui, aumentando, no entanto, o grau de distanciamento face a textualizacao original, por accao de reordenacao dos factos relatados e de sinteses.

Tome-se, como exemplo, em T2, o relato dos preparativos da escalada, ainda em Katmandu: no texto adaptado, a indicacao do peso da carga a transportar para a montanha serve de ilustracao a referencia da quantidade de tarefas que os dois organizadores da expedicao tinham de gerir; cumulativamente, essa indicacao e uma via de suprimir a enumeracao de objectos integrantes dessa carga. Porem, no texto original a indicacao surge apenas doze paragrafos adiante (p.85).

2.2. Exemplificacao das manipulacoes envolvidas quando da retextualizacao

As manipulacoes envolvidas repartem-se, pois, pelas areas da semantica temporal e enunciacao, semantica lexical, sintaxe e estruturacao textual. Apresenta-se abaixo um exemplo do trabalho de retextualizacao de uma pequena porcao de texto original de T1.

Excerto original

(pp. 202-203)

(1) A minha primeira fascinacao tremente perante as agudas montanhas da China foi a caminho do troco de Badaling da Grande Muralha, setenta quilometros a Norte de Pequim. (2) Eu chegara havia muito pouco tempo e tratava-se da minha primeira excursao fora da capital. (3) O caminho para a Grande Muralha nao se fazia entao por auto-estrada, como agora. (4) Saberao quanto perdem aqueles que a utilizam? (5) A velha estrada era campestre, com curvas e contra-curvas, provocando numerosos solavancos. (6) Sentia-se o sofrimento do autocarro a subir. (7) De repente, quando nada o fazia supor, vi um monumento enorme, um monumento verde, belissimo, que brotava da Terra com um impeto avassalador. O que era? Fiquei muda, como num sobressalto. (8) Era a minha primeira montanha chinesa. Uma montanha! Como era possivel crescerem daquele modo? (9) Como era possivel duvidar que era bem ali a Morada dos Imortais? (10) Mal refeita do encantamento, foram surgindo novas montanhas, como que desligadas umas das outras. Eram concentracao de poderosa energia, energia pura, verde-jade, dirigindo-se ao Ceu. (11) Significavam. Afirmavam o Sagrado. (12) Eu rodava a cabeca dentro do autocarro, tomada de uma alegria enorme. (...)

(13) Alcancamos a pe a Muralha, pelas escadinhas que serpenteavam na encosta e, estoirados, entramos na categoria de valentes. (14) Estavamos rodeados de ameias, a mil metros de altitude. (15) Recordo a minha desilusao com o aspecto de novinha em folha que a Muralha ali ostentava. E com a quantidade de turistas que a pisavam, so comparavel a que se encontrava na Cidade Proibida. (...) (16) Mas, se esquecessemos o pormenor e nos detivessemos na imensidao, o fascinio era inevitavel. (17) Em Badaling e em Mutianyu, a Grande Muralha fazia ondular as suas ameias e torres de vigia sobre um mar verde de montanhas a perder de vista. (RIBEIRO, 2001, p. 202-203).

Excerto retextualizado

A Grande Muralha

(1) Senti-me pela primeira vez fascinada com as altissimas montanhas da China, quando ia a caminho da Grande Muralha (setenta quilometros a Norte de Pequim). (2) Eu estava ha pouco tempo no pais e aquela era a minha primeira viagem fora da capital. (3) Naquela altura, o caminho para a Grande Muralha nao se fazia pela auto-estrada, como agora. (4) Quem vai hoje pela auto-estrada perde o melhor da viagem. (5) Nos fomos por uma velha estrada, pelo meio dos campos, cheia de curvas. (6) Sentia-se a forca que o autocarro fazia para subir. (7) De repente, apareceu, do nada, uma montanha enorme, verde, belissima, que saia da Terra com uma forca admiravel. Aquilo era uma verdadeira surpresa para mim: fiquei sem conseguir dizer palavra; estava ate uma pouco assustada ... (8) Era a minha primeira montanha chinesa. Uma montanha! Como era possivel crescerem daquele modo? (9) Como era possivel nao acreditar que era ali que moravam os deuses? (10) E logo apareceram novas montanhas, uma apos outra, subindo para o Ceu. (11) Aquelas montanhas eram a propria imagem do Sagrado. (12) Eu virava a cabeca, para um lado e para o outro, dentro do autocarro. Estava tao alegre!

(13) Para chegar a Muralha e preciso ir a pe, por umas escadinhas as curvas. (14) Chegamos: estavamos agora a mil metros de altitude. (15) Lembro-me que fiquei um pouco triste por ver que ali a multidao de turistas era tao grande como a que estava na Cidade Proibida. (16) Bom, pensei eu, o melhor era esquecer isso e ficar a olhar longamente a paisagem. O encanto nao podia ser maior: (17) a Grande Muralha, deitada sobre o mar verde de montanhas sem fim ...

Descrevem-se abaixo os principais procedimentos envolvidos.

(1) A supressao/substituicao de lexema ("fascinacao") implicou a anulacao da nominalizacao com complemento pesado e a opcao por desdobramento oracional (oracao temporal); por sua vez, esta opcao permitiu a explicitacao de "a caminho" em "ia a caminho"; a supressao do toponimo e contigua a necessidade de suprimir o lema "troco" (expansivel apenas por parafrase artificial).

(2) A eliminacao da forma de mais-que-perfeito exigiu a substituicao da forma verbal ("chegar", verbo de "accomplishment" por "estar", verbo de estado); procedeu-se a substituicao do imperfeito pelo presente na conjugacao do verbo "haver" com o significado de "decurso temporal" (combinacao mais frequente); a opcao por "estar" exige, por seu turno, a presenca de locativo; "excursao" e uma palavra de baixa frequencia o que dita a sua nao inclusao na lista de lemas e a sua substituicao por "viagem".

(3) Procedeu-se a substituicao do adverbial temporal "entao" por "naquela altura": "entao" e usado restritivamente nesta retextualizacao como conector conclusivo (uso mais frequente); o paralelismo tempo da enunciacao--tempo anterior inicia-se a cabeca da frase ("Naquela altura--agora").

(4) Foram colocados em equivalencia os deicticos "hoje"--"agora" na referencia de um intervalo de tempo dilatado que cobre o tempo da elocucao/enunciacao escrita; a supressao do uso modal de futuro conduziu a explicitacao da implicatura da pergunta retorica; eliminou-se a dupla subordinacao (interrogativa indirecta seguida de relativa); a repeticao do nome "autoestrada" justifica-se pelo facto de a palavra nao ter ocorrido ate esta fase da retextualizacao.

(5) Recorreu-se a predicacao verbal: o sujeito explicitado marca a transicao de uma situacao de insaturacao referencial (vigente nos dois enunciados imediatamente anteriores) para uma situacao de determinacao de agentes e accoes (retoma de sequencia narrativa); tratando-se de uma predicacao verbal a presenca do obliquo "pelo meio dos campos" e a opcao menos artificial para substituir o adjectivo "campestre" (de baixa frequencia); optou-se pela supressao simples da oracao gerundiva: trata-se de uma informacao de pano de fundo textual cujo conteudo, a ser mantido, exigiria a construcao de uma nova predicacao, bem como de parafrase para a palavra "solavanco", o que, automaticamente, atribuiria a esse segmento um relevo que ele nao tem no texto original.

(6) Substituiu-se o nome "sofrimento" por "esforco" (para efeitos de regulacao da limitacao de lemas), mantendo assim o animismo; suprimiu-se a perifrase eliptica de progressivo ("a subir") e optou-se por seleccionar uma oracao final nao finita (com explicitacao da accao operada pela preposicao "para").

(7) A serie de substituicoes lexicais resultou na alteracao do numero de oracoes: "quando nada o fazia supor" [flecha diestra] "do nada"; "monumento" [flecha diestra] "montanha"; "brotar" [flecha diestra] "sair"; "impeto" [flecha diestra] "forca"; "avassalador" [flecha diestra] "admiravel"; "muda" [flecha diestra] "sem conseguir dizer palavra" ; "sobressalto" [flecha diestra] "um pouco assustada"; projectou- se a sucessao das lexias "ficar" (estado resultante)--"estar" (situacao estativa), de modo a induzir a ordenacao logicotemporal dos eventos.

(8) Manteve-se o enunciado original.

(9) As transformacoes dizem basicamente respeito a substituicoes lexicais.

(10) Ocorreu a substituicao de perifrase aspectual de visao prospectiva ("foram surgindo") pela colocacao "uma apos outra"; substitui-se a oracao participial ("mal refeita") por "e logo" na introducao da serie iterativa; esta opcao acomoda a reducao do numero de predicacoes.

(11) Optou-se por recorrer a sujeito explicito (SD+ N): a realizacao do SD no deictico "aquelas" gera efeito de visualizacao; suprimiram-se os verbos "significar" e "afirmar", para observar a limitacao de lemas, tendo a reformulacao sido feita atraves da predicacao "ser a imagem".

(12) Optou-se pela parafrase: "rodar" [flecha diestra] "virar para um lado e para o outro"; a insercao de frase exclamativa justifica-se pela necessidade da supressao da estrutura "tomado de um + N" (pouco frequente).

(13) Optou-se por colocacoes de alta frequencia ("ir a pe"; "e preciso"); ocorreu mudanca de registo: descricao de accoes [flecha diestra] sequencia instrucional; a elisao simples de "entramos na categoria de valentes" foi necessaria porque se trata uma alusao a um episodio anterior que tambem foi suprimido integralmente.

(14) Explicitou-se a accao "chegar"; projectou-se a sequencializacao das situacoes "chegar"--"estar"; a presenca do deictico "agora" reforca a transicionalidade.

(15) A fusao de frases (e elisao de informacao) foi determinada pela limitacao de lemas.

(16) A opcao por monologo interior (elocucao presentificada) constitui uma estrategia de evitacao das formas de imperfeito do conjuntivo; as substituicoes de lexemas observaram diferentes solucoes: "pormenor" [flecha diestra] "isso"; "deter" [flecha diestra] "ficar a olhar"; "fascinio" [flecha diestra] "encanto"; "inevitavel" [flecha diestra] "nao podia ser maior".

(17) Ocorreu supressao de toponimos; a condensacao da construcao factiva "fazia ondular as suas ameias e torres de vigia sobre um mar verde" em "deitada" permite manter a associacao metaforica; substituiu-se "a perder de vista" por "sem fim".

Confirma-se, pois, que a totalidade das operacoes efectuadas tem de conduzir a construcao de um objectivo comunicacional autonomo em relacao ao do texto original.

2.3. Testagem

A fase seguinte do trabalho consistiu na verificacao de hipoteses sobre os processos de retextualizacao mais rentaveis, cruzando a teorizacao sobre Linguistica Textual com alguma informacao relativa a tecnicas de avaliacao (19) em Aquisicao de L2.

Para a avaliacao global do grau de acomodacao do aluno a leitura da versao modificada de T1 (20), foi aplicado um teste, disponivel online na pagina respectiva, que agrega a compreensao global (perguntas de I a V), o dominio de vocabulario (pergunta VI), a capacidade/possibilidade de operar inferencias correctas (pergunta VII) e a deteccao de valores pragmaticos (pergunta VIII).

A populacao-alvo de testagem do material de leitura constituiu-se de alunos do nivel B1, distribuidos por tres grupos: G1--alunos Erasmus, de formacao universitaria, em contexto de imersao ha, pelo menos, um trimestre; G2--alunos de formacao universitaria fora de contexto de imersao; G3--alunos integrados no sistema de ensino (basico e secundario) portugues.

Apresentam-se abaixo os resultados da testagem.

[FIGURE 3 OMITTED]

[FIGURE 4 OMITTED]

[FIGURE 5 OMITTED]

Apesar da clivagem entre os resultados dos alunos adultos universitarios e os dos alunos adolescentes integrados no sistema de escolar (basico e secundario) portugues (21), e de assinalar que, nos tres grupos, apenas no parametro VIII o G3 tenha descido abaixo dos 50%, em 2,5 pontos percentuais, e que todos os demais resultados se tenham mantido acima dos 62%.

Por outro lado, verifica-se que o resultado relativo a avaliacao do grau de dificuldade pelo aluno e despicienda, para efeitos de avaliacao da lisibilidade, pois nao acompanha os resultados obtidos no teste. No entanto, esta avaliacao permite aduzir informacao acerca da motivacao e atitude face as tarefas propostas, informacao que pode ser tida em conta na apreciacao de resultados de conjunto (integrando os resultados de testagem de T2 e T3).

3. Alinhamento dos parametros gerais envolvidos na avaliacao de lisibilidade

Os resultados deste estudo experimental permitem, de modo consistente, apontar os parametros frequencia de lemas (na lingua e no texto), processos derivacionais, co-referencia e estruturas de subordinacao como base para a constituicao de grelhas que sustentem a validacao de previsoes acerca do grau de conforto de leitura que um dado texto oferece a um aprendente de um dado nivel de proficiencia. Sao estes, justamente, os parametros visados na anotacao dos corpora/lemarios resultantes das retextualizacoes. Dado que a base de dados permite a leitura selectiva e de distribuicao, em funcao das etiquetas seleccionadas, esta afigura-se como uma ferramenta util numa primeira avaliacao do grau de lisibilidade de outros textos, modificados ou nao.

O refinamento de um instrumentario desta ordem deve pressupor a avaliacao da densidade ideal de palavras novas, para o aprendente, presentes no texto (22) e ponderar o peso relativo dos demais parametros (derivacao, co-referencia e subordinacao).

Ainda que apenas permita obter resultados por aproximacao, dadas as propriedades textuais nao tangiveis de parametros como as propriedades relativas ao estilo, registo e inferencia, um instrumento deste tipo sustentara avaliacoes mais objectivas de manuais escolares e de materiais suporte no ambito da investigacao sobre aprendizagem da leitura e processamento da informacao.

Referencias

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RECEBIDO EM 31/10/2010--APROVADO EM 13/05/2011

Ana Martins (Universidade do Porto)

(1) O presente artigo decorre do trabalho realizado no ambito do projecto de pos-doutoramento financiado pela Fundacao para a Ciencia e a Tecnologia--Ref. SFRH/BPD/40498/2007.

(2) Ver Flesch--Document Readability Calculator http://flesh.sourceforge.net/; SMOG Calculator http://www.harrymclaughlin.com/SMOG.htm

(3) Ver Davison, A. & Kantor, R. N. (1982); Bernhardt (1984); Coady (1993); Carver (1994).

(4) Para uma revisao do estado da questao ver Grabe (2002).

(5) Pode considerar-se estes textos como "nao naturais" apenas na medida em que, a par de comunicar um sentido, tem o objectivo primordial de ensinar a lingua.

(6) Doravante T1.

(7) Doravante T2.

(8) Doravante T3.

(9) T1: http://www.prof2000.pt/users/anamartins/nodorsododragao/(pedir credenciais de acesso para anamartins@mail.prof2000.pt);

T2: http://users.janssenweb.com/anamartins/altasolidao/(pedir credenciais de acesso para anamartins@mail.prof2000.pt);

T3: http://www.prof2000.pt/users/anamartins/planisferio/ou http://users.janssenweb.com/anamartins/planisferio/ (pedir credenciais de acesso para anamartins@mail.prof2000.pt);

(10) T1: http://usersjanssenweb.com/anamartins/?page=vocab&text=1&show=full;

T2: http://usersjanssenweb.com/anamartins/?page=vocab&text=2&show=full;

T3: http://users.janssenweb.com/anamartins/?page=vocab&text=3&show=full.

(11) As vozes em T1 e T2 sao, respectivamente, de Marina de Castro, da Antena 3, e de Miguel Roque, da Antena 2.

(12) Ver imagem-amostra em http: //www. prof2000.pt/users/anamartins/images/VOCLER. png

(13) Para a marcacao de antonimos recorreu-se ao sinal [-].

(14) T2: http://users.ianssenweb.com/anamartins/altasolidao/Colocacoes.html

(15) Entende-se por interlingua o sistema linguistico criado pela influencia da L1 e, cumulativamente, pelo input da L2; um sistema reduzido, dinamico e variavel. (Ver resumo da evolucao deste conceito operativo em Saville Troike (2006), p. 40-43.

(16) <<Experimental findings which do not ackowledge the impact of reader background are questionable. Reading research which is exclusively text-based taps only a proportion of the construct which is allegedly investigating>> Bernhardt (1984), p. 329.

(17) Faz-se aqui eco da distincao, adoptada por muitos investigadores, entre conhecimento passivo/receptivo e conhecimento activo/produtivo de uma palavra. Ver, por exemplo, Meara (1990) e Nation, (2001).

(18) Estes corpora estiveram na base do trabalho desenvolvido por Leiria (2001) e integram agora o Corpus de Producoes Escritas de Aprendentes de PL2: http: //www.uc.pt/fluc/rcpl2/

(19) Laufer (2001); Nation e Laufer (1999); Bachman e Cohen (1998).

(20) T2 e T3 estao ainda em fase de testagem.

(21) Esta clivagem era previsivel. Clarke (1980) mostra que leitores proficientes em L1 sao-no tambem em L2 e que os nao proficientes em L1 tambem o nao sao em L2.

(22) Hirsh e Nation (1992) e Nation (2001:150): os textos de leitura extensiva nao devem conter mais de 5% de ocorrencias desconhecidas e nao menos de 2% (excluindo os nomes proprios).
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Author:Martins, Ana
Publication:Veredas - Revista de Estudos Linguisticos
Date:Jan 1, 2011
Words:5462
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