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PUBLIC OPINION OF CORPORATE CRIME: THE THOUGHTS OF UNDERGRADUATE BUSINESS AND ADMINISTRATION STUDENTS/ A OPINIAO PUBLICA SOBRE CRIMES CORPORATIVOS: O QUE PENSAM OS ESTUDANTES DE CURSOS DE GRADUACAO DA AREA DE NEGOCIOS.

INTRODUCAO

Condutas ilegais e criminosas trazem severas consequencias para seus diversos stakeholders, sendo esses atos, muitas vezes, encobertos e esquecidos pela sociedade. Um dos aspectos que deve ser considerado e a dificuldade em distinguir o que sao atos criminosos e comportamentos ilicitos, e ainda, se esses sao de responsabilidade da empresa ou dos individuos. O lado sombrio e discutido por Morgan (1996) como um desafio para aqueles que estudam as organizacoes, pois e nele que emergem crimes, falhas, acidentes, tragedias ou fatalidades que ocorrem dentro da logica operacional da organizacao que, por sua vez, e determinada por regulamentos, normas e procedimentos previamente estabelecidos, de forma a alcancar os objetivos corporativos de lucro, poder e influencia.

A criminalidade corporativa e um dos temas importantes para discussao no campo dos estudos organizacionais, pois, a partir de 1970, o numero de escandalos corporativos vem crescendo e ainda e complexa sua compreensao no que se refere as suas caracteristicas (tipos e estatisticas), suas causas e consequencias. Alem do mais, de modo geral, nos estudos na area de administracao, apenas e apontado o bright side (1) das organizacoes e pouco se discutem os aspectos negativos, os quais parecem nao fazer parte do contexto organizacional (MORGAN, 1996; GRIFFIN, 2010).

Medeiros e Alcadipani (2013) apontam as causas do comportamento criminoso e ilicito em organizacoes, bem como as definicoes do que consiste um crime corporativo e uma ilegalidade corporativa, apresentando dados que fundamentam as consequencias desses atos. Nesse contexto, torna-se relevante conhecer a opiniao publica sobre o controle da ilegalidade no mundo dos negocios. As pesquisas sobre a opiniao publica podem identificar quais delitos sao considerados mais graves e quais caracteristicas moderam as percepcoes da sociedade sobre os crimes e ilegalidades nos contextos organizacionais.

A educacao de executivos e administradores tem sido questionada pela sua formacao focada na instrumentalidade, uma vez que as escolas de Administracao e de gestao nao estao formando profissionais questionadores e que visam uma transformacao social, mas, sim, profissionais que seguem os modelos construidos em outros paises, principalmente, nos Estados Unidos (MOTTA, 1983; GREY; KNIGHTS; WILMOTT, 1996; NICOLINI, 2003; AKTOUF, 2005; PATON; CHIA; BURT, 2014).

Diante desse cenario, diversas questoes vem a tona: Como os estudantes da area de gestao compreendem os crimes corporativos? Os crimes de ruas sao vistos como mais graves do que os crimes corporativos por esses estudantes? Qual e o papel a ser desempenhado pelo profissional formado na area de negocios quanto ao combate aos crimes corporativos? De forma sintetica, este estudo esta voltado para o entendimento da seguinte questao: Qual e a opiniao dos estudantes da area de negocios a respeito dos crimes e ilegalidades corporativas?

Para responder a essa questao, estabelecemos que o objetivo geral desta pesquisa e o de caracterizar a opiniao dos estudantes de graduacao na area de negocios, de instituicoes publicas e privadas, delimitadas na cidade de Uberlandia/MG, a respeito dos crimes e ilegalidades corporativas, buscando a compreensao do que impulsiona as atuais percepcoes desse publico sobre questoes associadas ao tema. Mais especificamente, os propositos desta pesquisa sao: identificar o nivel de conhecimento dos pesquisados sobre o tema em questao; identificar a percepcao dos pesquisados quanto a gravidade dos crimes corporativos; conhecer a opiniao dos pesquisados sobre o combate dos crimes corporativos; e estabelecer relacoes entre as respostas encontradas e os perfis dos pesquisados.

Nesse contexto, os jovens gestores em formacao devem desempenhar um papel importante para evitar os crimes corporativos, e, portanto, devem assumir uma postura critica diante desses acontecimentos, uma vez que devem lidar com decisoes envolvendo essas praticas nas organizacoes. Desse modo, este estudo e importante por mostrar a relevancia da discussao dessa tematica no componente curricular dos estudantes, especialmente, na area de gestao, nas diversas instituicoes de ensino. Isso porque a problematizacao apresentada anteriormente aponta para a necessidade de os futuros gestores serem capazes de atribuir sentido, compreender e gerenciar sistemas contraditorios e ambiguos, constituidos por uma ampla variedade de elementos que se inter-relacionam: expectativas, sentimentos, discursos, identidades, demandas, valores, interesses e praticas (BORGES; MEDEIROS; CASADO, 2011).

Quanto aos procedimentos metodologicos adotados, esta e uma pesquisa de natureza quantitativa que se utiliza de um questionario estruturado para coletar a opiniao dos estudantes selecionados pelo criterio de acessibilidade. As hipoteses da pesquisa foram testadas com base em inferencia estatistica, aplicando-se teste de Qui-Quadrado de independencia com um nivel de significancia de 5%. No processo de tabulacao dos dados, 26 respostas foram descartadas por problemas de preenchimento ou por nao se enquadrarem no objeto de estudo da pesquisa. Desse modo, das 470 respostas obtidas, 444 foram validadas.

Este artigo esta estruturado em cinco secoes: a primeira e esta introducao, em que sao apresentados o contexto da pesquisa, a problematizacao, a justificativa, a importancia e seus objetivos. Na segunda, apresenta-se a literatura pesquisada a respeito da opiniao publica sobre Crimes Corporativos e os aspectos gerais da formacao de gestores. Na terceira secao, descrevem-se os aspectos metodologicos do estudo; a penultima apresenta os resultados e sua discussao a luz do referencial teorico. Por fim, as consideracoes finais do estudo encerram o artigo.

A OPINIAO PUBLICA EM RELACAO AOS CRIMES CORPORATIVOS

A opiniao publica desempenha papel fundamental no debate sobre a culpabilidade das corporacoes, visto sua influencia no controle das ilegalidades no mundo dos negocios (ALMOND, 2009; PAYNE, 2012). Conforme Szwajkowski (1985), a populacao em geral considera as ofensas corporativas como serias apenas quando suas consequencias sao fisicas, substanciais e, relativamente, imediatas. Todavia, conforme Sutherland (1940, p. 5) afirma, "White collar crime e um crime real", e mesmo que nao seja denominado de crime, ordinariamente, isso nao o torna menor. A opiniao publica desempenha, ainda, papel relevante na regulacao e controle dos crimes corporativos. Tanto e importante que, conforme Schrager e Short (1978), a ambiguidade da opiniao publica diante do comportamento corporativo ilegal faz com que a lei tambem seja ambigua.

Sutherland (1941) sugere que, quando se trata de crimes corporativos, como os diretores e executivos da corporacao sao homens de respeitabilidade, existe um interesse em preservar o prestigio desses e da propria corporacao. E e nesse ponto que o autor argumenta contra o tratamento homogeneo para todos os tipos de crime, principalmente, no que diz respeito a designacao de crime ser atribuida somente se houver a condenacao, haja vista que crimes cometidos por pessoas de alto status economico, denominados de "crime in the suites" tem tratamento diferente em relacao aos procedimentos administrativos utilizados quando os perpetradores pertencem a uma classe socioeconomica mais baixa, no caso dos crimes de rua ou street crimes, termo utilizado para se referir a qualquer tipo de ofensa cometida em locais publicos.

Nessa direcao, Sutherland (1940) se opoe a generalizacao das teorias tradicionais para explicar tanto os crimes corporativos quanto os crimes de rua. Isso porque as diferencas entre esses dois tipos e as suas implicacoes, na aplicacao de leis, de posicoes sociais dos criminosos, entre outras, sao significativas para que tenham o mesmo tratamento. Por exemplo, aqueles que praticam o crime corporativo tem posicoes privilegiadas na sociedade, influenciando, ate mesmo, na elaboracao e interpretacao das leis criminais, diferentemente, daqueles que cometem os crimes de rua.

No caso dos crimes corporativos, tanto o publico em geral, quanto as proprias vitimas nao tem mostrado interesse tanto quanto em relacao aos crimes de rua, o que pode influenciar a forma como os infratores sao condenados nos tribunais. Assim, de acordo com Rebovich e Kane (2002), o movimento para combater eficazmente a pratica desses crimes tem sido lenta por causa da falta de informacoes para o publico em geral sobre a ocorrencia e a ameaca de tais acoes.

Usando uma amostra probabilistica, Unnever, Benson e Cullen (2008) investigaram se a populacao dos Estados Unidos queria aprovar regulamentos mais rigorosos do mercado de acoes e defender sancoes penais mais punitivas para os executivos corporativos que ocultassem a verdadeira condicao financeira da empresa. No entanto, pesquisas recentes indicam que a populacao nao compreende que os crimes corporativos sejam tao problematicos quanto os crimes de rua. Sutherland (1940), que primeiro escreveu sobre o crime do colarinho branco, em teoria criminologica, na primeira metade do seculo xx, ficou desapontado com a falta do interesse publico na nova forma de crime apontada naquela epoca. Rebovich e Kane (2002) tambem mostram outras pesquisas que indicam um crescente desdem publico para os crimes corporativos.

Uma questao muito importante se levanta: como investigar esse lado sombrio das organizacoes se as pessoas nao tem a devida compreensao sobre esse tema? Assim, conforme Wood Jr. e Caldas (2007), as pessoas, no espaco organizacional, tendem a evitar serem testemunhas de acoes injustas e mas condutas organizacionais, muitas vezes, sendo omissas em relacao a tais atos.

Rebovich e Kane (2002) apresentam resultados de uma pesquisa realizada com 1.169 familias nos Estados Unidos que desafiam algumas dessas crencas de apatia publica para com o crime de colarinho branco. Os resultados mostram que muitos pesquisados acreditam que a fraude corporativa pode ser tao grave ou mais grave do que certos tipos de crimes de rua. O nivel de condenacao moral do crime corporativo provou ser mais elevado do que o previsto, particularmente quando os crimes estavam associados a casos de corrupcao. Surpreendentemente, as vitimas dos crimes nao e um fator que influencia as atitudes de punicao para os crimes corporativos, exceto nos casos em que os crimes tinham o potencial de impacto de longo alcance financeiro. Os autores concluiram que a cobertura da midia sobre o crime corporativo pode afetar a percepcao do publico sobre o entendimento e a gravidade dos crimes corporativos. Como complemento, Medeiros e Alcadipani (2013) destacam que muitos casos "passam despercebidos" pela opiniao publica no Brasil devido a pratica da parcialidade dos meios de comunicacao nacionais, que tem como clientes corporacoes que gastam montantes elevados com publicidade.

Oliveira, Valadao Junior e Miranda (2013) mostram que, quando se tem escandalos na midia envolvendo organizacoes em acoes criminosas, essas acabam utilizando de seus discursos ideologicos para se defenderem, muitas vezes colocando a culpa de determinadas responsabilidades sobre terceiros. Desse modo, as Corporacoes preferem nao assumir os custos advindos de seus comportamentos ilicitos, e esses custos sociais e ambientais acabam sendo deslocados para a sociedade. Dessa forma, enquanto os trabalhadores forem obrigados a se sujeitarem as pessimas condicoes de trabalho e os consumidores nao reduzirem o seu consumo, o crime corporativo continuara existindo.

De acordo com Friedrichs (2010), a partir da decada de 1960, houve um crescimento do interesse publico sobre o tema decorrente de uma maior consciencia da ilegalidade corporativa, da ansiedade dos consumidores e da politica em geral. Alem disso, pesquisas de opiniao publica mostram que, na decada de 1970, o crime de colarinho branco atingiu maior significado na mente da populacao. A venda de comida contaminada que resulta em morte passou da colocacao como crime mais grave de 26 lugar, em 1972, para 13 lugar, em 1979 (simpson, 2002).

Cullen, Bruce e Craig (1982) fizeram um estudo sobre as atitudes das pessoas em relacao ao crime corporativo em particular. Os autores mostraram que as atitudes do publico em relacao a criminalidade corporativa tinham endurecido significativamente. O problema e que a maioria das pessoas somente da a devida importancia ao crime corporativo quando percebe alguma consequencia drastica para sociedade em geral, justamente, pelo fato de a sociedade se preocupar muito com o foco do curto prazo. Nesse sentido, de acordo com Borges, Medeiros e Casado (2011), existe um novo desafio para que esses assuntos estejam mais presentes na formacao de profissionais na area de negocios, como o curso de Administracao, o que e algo complexo, haja vista a cultura brasileira de aversao as incertezas e os varios mitos existentes em torno da etica na gestao. Portanto, necessario se faz estimular os alunos a desenvolverem uma visao critica e reflexiva de que administrar nao envolve apenas planejar, coordenar, dirigir e controlar. E preciso repensar sobre a forma de ser fazer negocios, visto que leis e codigos de eticas nao serao suficientes para a inibicao de tais praticas se as pessoas e organizacoes nao mudarem seus valores e cultura (ALCADIPANI, 2014).

De acordo com Coleman (2005), assim como nos outros tipos de crimes, todas as pessoas que participaram de forma direta ou indireta deverao ser punidas. O problema e que, no crime corporativo, apenas um infrator, normalmente, e considerado culpado, e as outras pessoas e empresas envolvidas ficam impunes. Os crimes cometidos por individuos da classe baixa (2) sao tratados com sancoes penais, sob a forma de multas e prisao. Ja os crimes da classe alta nao resultam em uma acao criminal; isto e, ou resultam em acoes indenizatorias em tribunais civis, ou sao manipulados pelos inspetores, e por conselhos ou comissoes administrativas, com sancoes penais na forma de avisos, ordens para cessar e desistir, e, ocasionalmente, na perda de uma licenca. O fato e que, nos crimes cometidos por individuos da classe alta, somente em casos extremos sao aplicadas multas ou penas de prisao.

Os criminosos de colarinho branco sao segregados administrativamente de outros criminosos, e, por isso, nao sao considerados como verdadeiros criminosos pelo publico em geral. Essa diferenca pode ser explicada pelo fato de a classe alta ter maior influencia na moldagem do direito penal do que a classe baixa. A privilegiada posicao dos criminosos de colarinho branco perante a lei resulta de uma ligeira medida das pressoes de suborno a politicos. Em contraste com o poder dos criminosos de colarinho branco esta a fraqueza de suas vitimas. Os consumidores, investidores e a sociedade como um todo nao possuem conhecimento e poder suficientes, e, assim, acabam se tornando as principais vitimas (COLEMAN, 2005).

Borges e Medeiros (2014) destacam que as grandes corporacoes, especialmente as multinacionais, tendem a apresentar maior quantidade de processos, nao so relacionado a problemas com clientes, mas, tambem, com o meio ambiente e ate fornecedores. Alem disso, as pesquisas de opiniao publica mostram que as empresas de grande porte tendem a ser vistas como mais criminosas pela sociedade (COLEMAN, 2005). No entanto, os crimes corporativos nao sao vistos pelo publico como crimes de alta gravidade, o que discutimos em seguida.

A FORMACAO DE ADMINISTRADORES NO CONTEXTO CONTEMPORANEO

Nesta secao, concentramo-nos na discussao sobre o ensino e a formacao de profissionais de area de negocios, dando enfase ao ensino em Administracao. Desde que os escandalos corporativos ganharam maior evidencia, no inicio da primeira decada do seculo xxi, as escolas de negocios vem recebendo criticas e questionamentos sobre a sua responsabilidade da formacao de profissionais responsaveis pela gestao das organizacoes (WELSH; DEHLER, 2007; rubin; dierdorff, 2009). Em 2009, a Harvard Business Review promoveu um debate "How to fix Business Schools" com o proposito de discutir questoes como: "Muitos criticos acusaram que os valores transmitidos em programas de mba tem contribuido significativamente para os lapsos eticos e estrategicos que levaram a atual crise economica. Isso e justo? E se assim for, o que precisa mudar? Como podem as escolas de negocios recuperar a confianca popular?" (HBR, 2009). Essa iniciativa aponta para os desafios da formacao de gestores, o que tambem se reflete quando se discute o ensino em Administracao, pois esses cursos se institucionalizaram como o caminho para a formacao de gestores capazes de conduzir as organizacoes, prevalecendo a ideia de que a educacao formal oferece resultados mais efetivos nesse campo (RUBIN; DIERDORFF, 2009).

Entre as criticas dirigidas a formacao profissional de administradores e de executivos em geral, estao aquelas que se manifestam a favor de uma reflexao sobre a educacao executiva e o papel das escolas de negocios na formacao de gestores, bem como sobre o modo pelo qual esses fazem a gestao das empresas (BENNIS; O'TOOLE, 2005; GHOSHAL, 2005; MITROFF, 2004; gioia, 2002, entre outros). O fato e que, a despeito desses esforcos em debater a educacao executiva, pouco se tem discutido sobre a principal inquietacao de Adler (2002) quanto a uma crise de confianca em relacao as instituicoes envolvidas na formacao de profissionais que tomam decisoes no mundo de negocios, as quais impactam a vida na sociedade.

Aproximam-se da inquietacao de Adler (2002) estudos que se debrucam para explorar as percepcoes de estudantes de administracao sobre o ensino de responsabilidade social corporativa (FERREIRA; FERREIRA; FARIA 2011; SILVA; CHAUVEL, 2011; SANTOS; SILVA, 2013, entre outros), para questionar a formacao tecnicista em detrimento de uma visao humanista e social (GREY, 2004; AKTOUF, 2005; FONTENELLE, 2007, entre outros), para estimular reflexoes sobre a formacao do administrador (TEIXEIRA; SILVA; MAFRA, 2011; barcellos; dellagnelo; salies, 2011, entre outros). Esses estudos apontam para a necessidade de mudancas nas propostas pedagogicas dos cursos de Administracao, bem como nas relacoes entre universidade e sociedade, de modo a potencializar mudancas na formacao de administradores que se distanciem da logica puramente tecnico-economica e busquem formas alternativas para gerir as organizacoes. Isso, considerando que esses profissionais devam ser sujeitos criticos de praticas que vao de encontro aos anseios de uma sociedade, como no caso de crimes corporativos e outras ilegalidades.

A OPINIAO PUBLICA QUANTO A GRAVIDADE E PUNICAO DOS CRIMES CORPORATIVOS

Para Frank et al. (1989), a literatura sobre as atitudes do publico em relacao a punicao ou a gravidade do comportamento criminoso nas organizacoes foi amplamente negligenciada ao se concentrar, sistematicamente, sobre cinco temas: (1) a percepcao publica da ilegalidade corporativa, ao inves de percepcoes de crimes de rua ou outras formas de ilegalidades sem ser o crime do colarinho branco; (2) as avaliacoes sao condicionadas pelo grau de culpabilidade e prejuizos resultados da acao; (3) as circunstancias em que os cidadaos irao apoiar o uso de sancoes legais contra um executivo em oposicao a uma entidade corporativa; (4) a disposicao do publico para apoiar criminosos em oposicao a intervencao civil, em varios tipos de atividades empresariais ilegais; e (5) as atitudes dos executivos de negocios em relacao a sancao legal corporativa comparadas com as atitudes daqueles que estao em poder do publico em geral.

Warr (1989) sugere que gravidade e um conceito composto que reflete nocividade e ilicitude, e mostra que esses dois fatores podem ditar diferentes classificacoes de gravidade em relacao ao mesmo crime. Alem disso, a intencao ou nao por parte do crime cometido tambem pode refletir na classificacao colocada pela pessoa.

De acordo com Rosenmerkel (2001), os crimes corporativos tendem a receber classificacoes menos graves pelo publico em relacao a outros tipos de crimes. A maior parte desses crimes ocorre em contextos e envolvem acoes e resultados que sao significativamente retirados do cotidiano e consciencia do publico em geral. Desse modo, o publico tende a confiar no conceito de nocividade percebido ao considerar a gravidade dos crimes corporativos, ao inves de considerar as percepcoes de ilicitude, que sao mais comumente usadas em relacao as formas tradicionais de 'crimes de rua'. Essa tendencia talvez reflita a ambiguidade moral atribuida aos crimes corporativos.

No entanto, a crescente atencao que o crime de colarinho branco tem recebido nos ultimos anos levanta a possibilidade de mudancas nas percepcoes do publico de tais violacoes. Ao replicar a pesquisa de Rossi et al. (1972) sobre a gravidade de 140 crimes, Cullen, Bruce e Craig (1982) apresenta dados que indicam que o crime corporativo aumentou em gravidade mais do que qualquer outra categoria de ofensa, no entanto, ainda e visto como menos grave do que a maioria das outras formas de ilegalidades.

Por outro lado, para Rebovich e Kane (2002), a crenca de que o publico tenha uma atitude neutra em relacao a crime corporativo e, possivelmente, mais um mito do que realidade. Embora tenha havido alguns estudos de percepcao da seriedade do publico, aqueles realizados mostraram que o publico manifesta um pouco mais de preocupacao do que se acreditava anteriormente, sobretudo, nos casos em que o dano fisico ou lesao e o resultado final. Apos uma revisao de estudos internacionais sobre percepcao publica de crime de colarinho branco, inclusive os estudos de Rossi, Cullen, e Wolfgang (2012), Rebovich e Kane (2002) notaram que o publico percebe muitas formas de crime corporativo como mais grave, e que merecem punicao mais severa do que a maioria das formas de crime comum.

Como complemento, os estudos de Hans e Ermann (1989) mostram que as infracoes sao significativamente classificadas como mais negligentes e serias quando o reu e um orgao social do que quando e individual. Alem disso, o dano percebido por uma pessoa depende de varios fatores: a) ligacao entre o crime e o que se percebe; b) um contexto compartilhado; c) visibilidade do dano; ou d) consequencia das acoes percebidas (TVERSKY; KAHNEMAN, 1974).

A gravidade percebida pelo publico em geral sobre o crime mantevese elevada na decada de 1980. Uma pesquisa feita pelo Departamento de Justica dos Estados Unidos, em 1984, mostrou que o crime ambiental foi considerado mais grave (ficou em setimo lugar, atras do assassinato, mas a frente do contrabando de heroina). Conforme a pesquisa, 84% dos respondentes percebiam os danos ambientais como um crime grave, e tres, de cada quatro respondentes acreditavam que os executivos deveriam ser responsaveis por essas infracoes. Ainda, 74% dos entrevistados classificaram crimes relacionados a seguranca e saude no trabalho como mais graves; 60% opinaram que a fixacao de precos era uma ofensa grave; e menos da metade dos respondentes tinha crencas similares sobre insider trading (SIMPSON, 2002).

A pesquisa realizada por Miller, Rossi, e Simpson (1991) mostra que os entrevistados acreditam que as sancoes devam ser mais severas quando a vitima ou o infrator e uma corporacao, e nao um individuo. No entanto, as atitudes punitivas variam de acordo com grau de exploracao e da culpabilidade do ato. Pesquisas com executivos e autoridades da justica criminal tambem mostram variacoes semelhantes nas percepcoes em relacao a gravidade do crime de colarinho branco e punicao adequada. Assim, viu-se que a punicao do crime nao leva em consideracao apenas o que se esta acusando, mas o historico criminal dessas organizacoes e as consequencias das acoes.

E necessario mostrar para o publico que os crimes corporativos sao mais graves do que crimes convencionais e apelar para a aplicacao de uma adequada sancao aos criminosos. Existem varias razoes pelas quais os comportamentos criminosos corporativos nao sejam considerados como imorais pelo consenso da comunidade. A pesquisa bibliografica mostra que a moral e uma importante questao que influencia a opiniao publica em relacao a gravidade dos crimes corporativos, independentemente de idade, genero, raca, nacionalidade, religiao ou de renda de um individuo. Alem disso, ficou claro que as pessoas sao propensas a pensar no combate dos crimes muito em termos de seus aspectos legais, e muito pouco em termos de sua comunidade ou de fontes culturais. Mesmo quando ha um acordo entre a opiniao publica de que o comportamento e injusto e imoral, nao e provavel que seja tenha unanimidade de opiniao quanto ao que deve ser feito com a organizacao ou individuo agressor (FULLER, 1942).

Em sintese, a opiniao publica sobre a gravidade e a punicao dos crimes corporativos desempenha papel relevante para que leis sejam definidas. A sociedade civil pode fazer frente a acontecimentos de grande repercussao (almond, 2009; payne, 2012), mesmo que as pressoes sejam mais expressivas quando se tratam de crimes nas ruas (UNNEVER; BENSON; CULLEN, 2008).

PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS

De acordo com o criterio de classificacao proposto por Vergara (2004), quanto a natureza, esta pesquisa classifica-se como uma pesquisa quantitativa, a qual, segundo Lakatos e Marconi (2007), consiste em um estudo estatistico que procura apontar determinadas caracteristicas, medindo numericamente os levantamentos realizados acerca de um problema de pesquisa. Alem disso, a pesquisa quantitativa e utilizada quando a proposta e verificar se os dados mensuraveis adquiridos em uma amostra sao estatisticamente validos para o universo do qual a amostra foi retirada, o que se pretendeu neste estudo, pois, por meio do teste de Qui-Quadrado, foram realizados os testes das hipoteses do estudo. Quanto aos fins, este estudo e classificado como uma pesquisa descritiva, a qual, segundo Gil (2002), expoe caracteristicas de determinada populacao ou de determinado fenomeno, podendo tambem estabelecer correlacao entre variaveis e definir sua natureza, o que se pretendeu neste estudo.

Uma vez que o objetivo desta pesquisa e caracterizar a opiniao dos estudantes de graduacao na area de negocios, de instituicoes publicas e privadas, delimitadas na cidade de Uberlandia/MG, a respeito dos crimes e ilegalidades corporativas, buscando a compreensao do que impulsiona as atuais percepcoes desse publico sobre questoes associadas ao tema, estabeleceu-se como publico-alvo estudantes do 1 ao 10 periodo de graduacao em cursos na area de negocios, tanto de instituicoes publicas quanto de privadas, selecionando-se uma amostra de estudantes de cursos de Administracao, Ciencias Contabeis, Gestao da Informacao e Tecnologo de Gestao, tendo como referencia o universo constituido pela totalidade dos alunos inscritos no ensino superior no ano letivo de 2015. Vale mencionar que o universo de pesquisa foi centrado apenas para instituicoes publicas e privadas localizadas na cidade de Uberlandia-MG. A amostra representativa de cada curso inclui 500 alunos ao todo, sendo 200 estudantes de Administracao, 100 de Ciencias Contabeis, 100 de Gestao da Informacao e 100 estudantes de cursos Tecnologos em gestao. As amostras foram escolhidas aleatoriamente, segundo criterio de representatividade nao probabilistica por conveniencia, ou seja, pela facilidade de acesso aos pesquisados (VERGARA, 2004).

Os dados foram coletados por meio de um questionario estruturado composto por 19 questoes de multipla escolha e uma questao com escala na ordem de importancia de 1 a 5. O questionario desta pesquisa foi disponibilizado na plataforma do Google Docs, cujo link foi enviado por e-mail e por redes sociais para que os estudantes respondessem. Como complemento da quantidade de amostra selecionada, alguns questionarios foram impressos para a aplicacao direta com os estudantes das instituicoes privadas, o que foi realizado em sala de aula. Antes da aplicacao dos questionarios realizou-se um pre-teste com 10 estudantes de cada um dos cursos, a fim de se verificar possiveis problemas e ambiguidades do questionario elaborado. Apos esta fase, alcancou-se a versao final do mesmo.

A coleta de dados foi realizada durante os meses de janeiro, fevereiro e marco de 2015. A opcao "Outros" na questao do curso que o estudante faz serviu como criterio para eliminacao de respondentes que nao se encaixariam no objeto de estudo desta pesquisa, ou seja, foram descartadas as respostas de estudantes que nao faziam algum curso relacionado a area de gestao.

Logo apos, as hipoteses foram testadas com base em inferencia estatistica, aplicando-se teste de Qui-Quadrado de independencia com um nivel de significancia de 5%, com a utilizacao dos Softwares BioEstat 5.3 e o spss 20. As observacoes encontradas foram representadas por meio de figuras e tabelas. Alem disso, buscou-se fazer uma discussao dos resultados obtidos com a literatura pesquisada. No processo de tabulacao dos dados, 26 respostas foram descartadas por problemas de preenchimento ou por nao se enquadrarem no objeto de estudo da pesquisa. Desse modo, das 470 respostas obtidas, 444 foram validadas, representando uma taxa de resposta de 89% em relacao a amostra desejada.

O questionario foi elaborado considerando-se a revisao da literatura sobre a opiniao publica quanto aos crimes corporativos e as variaveis que podem influenciar essa opiniao quando se trata de estudantes dos cursos da area de gestao. O instrumento considerou as seguintes variaveis:

Conhecimento sobre Crimes Corporativos: refere-se a percepcao do estudante sobre o nivel de conhecimento que o respondente possui sobre o tema de crimes corporativos, bem como o fato de acompanhar ou nao noticias a respeito e as causas que acredita estarem associados a essas praticas.

Gravidade dos Crimes Corporativos: essa variavel se refere a percepcao de gravidade dos estudantes para 14 exemplos de acoes criminosas, escolhidas com base em situacoes que mais aparecem na midia e conforme a pesquisa de almond (2009), bem como a nocao de gravidade dos estudantes em relacao aos crimes corporativos e os crimes de rua.

Interesse ao Combate dos Crimes Corporativos: essa variavel referese ao papel que o estudante, enquanto futuro gestor entende que deva desempenhar para evitar esses tipos de acoes; alem de suas opinioes a respeito das punicoes sobre estas praticas criminosas.

Curso: e a variavel que define em qual area de gestao o estudante esta se graduando. As possiveis alternativas sao: Administracao, Ciencias Contabeis, Gestao da Informacao e Tecnologo de gestao.

Periodo: e a variavel que mostra em qual nivel o estudante se encontra na graduacao. As possiveis alternativas sao: 1 ao 10 para cursos com duracao de cinco anos, 1 ao 8 para cursos com duracao de quatro anos e 1 ao 4 para cursos com duracao de dois anos. Para facilitar a tabulacao dos dados, esses periodos foram agrupados em tres categorias: inicio, meio e fim.

Genero: essa variavel apresenta tres possiveis alternativas: feminino, masculino e outro.

Instituicao: essa variavel apresenta duas alternativas: publica e privada.

HIPOTESES DE PESQUISA

Com base na literatura estudada sobre a opiniao publica quanto aos crimes corporativos, sao levantadas algumas hipoteses sobre fatores que podem influenciar a interpretacao individual em relacao a esse tema.

De acordo com Santos, Guevara e Amorim (2013), quanto maior o grau de instrucao de uma pessoa, maior tende a ser sua percepcao do que e certo e errado. Desse modo, o grau de instrucao de um individuo reflete o tempo dedicado aos estudos e ao contato com topicos abrangentes, como crimes corporativos. Dessa forma, acredita-se que o grau de escolaridade e o conteudo estudado influenciam positivamente no conhecimento do individuo sobre essa tematica, bem como o papel que esse percebe desempenhar no combate ao crime corporativo. Assim, lanca-se mao das seguintes hipoteses de pesquisa:

Ho: O conhecimento independe do curso | H1: O conhecimento depende do curso

Ho: O conhecimento independe do periodo | H1: O conhecimento depende do periodo

H0: O papel a ser desempenhado independe do curso | H1: O papel a ser desempenhado depende do curso

Ho: O papel a ser desempenhado independe do periodo | H1: O papel a ser desempenhado depende do periodo

De acordo com Stylianou (2003), as pesquisas sobre a opiniao publica envolvendo crimes servem para identificar quais delitos sao considerados mais graves e quais caracteristicas dos individuos moderam essas percepcoes. Sendo assim, torna-se interessante avaliar as caracteristicas do genero e idade dos estudantes, bem como o local em que esses estudam para compreender se existem diferencas nas percepcoes em relacao a gravidade dos crimes corporativos. Assim, considerou-se apropriado avaliar as seguintes hipoteses:

H0: A gravidade independe da instituicao | H1: A gravidade depende da instituicao

H0: A gravidade independe do genero | H1: A gravidade depende do genero

H0: A gravidade independe da idade | H1: A gravidade depende da idade

O perfil dos estudantes pesquisados esta detalhado na Tabela 1. Para cada uma das seguintes variaveis: (a) conhecimento sobre crimes corporativos, (b) gravidade dos crimes corporativos e (c) interesse ao combate dos crimes corporativos, foram verificadas as associacoes com as outras variaveis: (1) curso, (2) idade (3) periodo, (4) tipo de instituicao e (5) genero. Para verificar a associacao entre as variaveis realizou-se a combinacao de todas as variaveis duas a duas, dispondo-as em uma tabela de dupla entrada, denominada de tabela de contingencia. O teste de Qui-quadrado de independencia foi aplicado, cuja hipotese nula (H0) testada foi de que a variavel pertencente na coluna independe da variavel representada na linha. Enquanto na hipotese alternativa (H1) foi testada a hipotese de que a variavel pertencente na coluna depende ou tem associacao com a variavel linha.

APRESENTACAO E ANALISE DOS RESULTADOS

Nesta secao, apresentamos os resultados da pesquisa em quatro subsecoes. Inicialmente, oferecemos uma visao geral do perfil dos participantes da pesquisa. Em seguida, na segunda parte, apresentamos o grau de conhecimento dos pesquisados quanto aos crimes e ilegalidades corporativas. Na terceira parte, discutimos os resultados obtidos quanto a gravidade dos crimes corporativos na visao dos pesquisados. Na quarta parte, apresentamos o nivel do interesse ao combate dos crimes corporativos por parte dos pesquisados. Por fim, na quinta parte, oferecemos uma sintese dos resultados.

PERFIL DOS ENTREVISTADOS

Na Tabela 1 apresenta-se o perfil dos estudantes participantes da pesquisa.

A maioria (75%) dos respondentes esta na faixa de 18 a 24 anos e 53% sao mulheres. Alem disso, a maioria (66%) dos estudantes participantes da pesquisa estuda em instituicao publica. E importante mencionar que estudantes do curso de Gestao da Informacao sao de instituicao publica e todos os Tecnologos (de recursos humanos, marketing e financas) estudam em instituicoes privadas. Apesar de 47% dos 444 estudantes pesquisados estarem no curso de Administracao, ha presenca de respondentes em todos os periodos de graduacao, bem como se obteve quase a mesma quantidade de respondentes dos generos feminino e masculino.

Na secao seguinte, descrevem-se os resultados obtidos sobre o nivel de conhecimento que os respondentes tem sobre crimes corporativos.

CONHECIMENTO SOBRE CRIMES CORPORATIVOS

A segunda parte do questionario tem como objetivo investigar o conhecimento dos respondentes sobre os crimes corporativos. A maioria dos estudantes (59%) acredita ter nivel medio de conhecimento adquirido de noticias e assuntos da atualidade que envolve o tema. Apenas 6% da amostra acreditam ter um nivel alto de conhecimento, sabendo o significado, implicacoes e sempre procurando acompanhar informacoes relacionadas a crimes corporativos. Ja 35% dos pesquisados acreditam possuir nivel baixo de conhecimento, tendo pouco ou nenhum conhecimento sobre a tematica. Rebovich e Kane (2002) colocam que esta falta de conhecimento do publico atrapalha no combate aos crimes, alem de mostrar o desdem publico quanto aos crimes cometidos por corporacoes. Portanto, e essencial que essa tematica seja mais discutida no meio social de forma a aumentar o interesse da populacao, ao passar a enxergar as consequencias que tais crimes e ilegalidades podem trazer a sociedade em geral.

A idade nao e um fator que afeta o nivel do conhecimento dos estudantes em relacao a tematica de crimes corporativos, visto que a hipotese nula de independencia das variaveis idade e conhecimento dos crimes corporativos nao foi rejeitada pelo teste de Qui-quadrado (p>0,05). Porem, o curso e uma variavel que afeta o nivel de conhecimento dos estudantes a respeito da tematica de crimes corporativos, pois se percebe que estudantes do curso de Administracao tendem a ter um nivel de conhecimento proporcionalmente mais alto em relacao aos outros cursos.

Por meio do teste de Qui-Quadrado fica claro que o periodo tambem e uma variavel que influencia o nivel de conhecimento dos estudantes. Dessa forma, pode-se afirmar que, quanto mais proximo do termino do curso, maior tende a ser o nivel de conhecimento dos estudantes sobre assuntos relacionados a tematica de crimes nas organizacoes. E interessante mencionar que nenhum estudante que se encontrava no inicio do curso afirmou possuir alto conhecimento. O nivel de conhecimento dos pesquisados tambem esta associado a instituicao que esses estudam, uma vez que p <0,05. Assim, estudantes de instituicao publica parecem ter mais conhecimento sobre o assunto do que estudantes de instituicoes particulares. Alem disso, o nivel baixo de conhecimento de estudantes de instituicoes publicas foi praticamente a metade das respostas, se comparado com os estudantes de instituicoes particulares. E, por fim, o nivel de conhecimento tambem tem associacao com o genero do estudante, pois p <0,05. Desse modo, os estudantes do genero masculino tem um conhecimento sobre o assunto 67% maior do que os estudantes do genero feminino, considerando o nivel alto de conhecimento.

A maioria (66%) dos pesquisados disseram ter ouvido ou lido noticias, recentemente, a respeito de crimes corporativos, sendo a midia (jornais, revistas e sites) o principal meio. Rebovich e Kane (2002) destacam que a cobertura da midia sobre o crime corporativo pode afetar a opiniao publica sobre o entendimento desse assunto. Portanto, se a maioria dos estudantes apresenta um medio ou baixo conhecimento sobre o assunto pode ser decorrente do fato do crime corporativo nao ser tao discutido na midia que acessam. Ainda a esse respeito, Medeiros e Alcadipani (2013) apontaram a parcialidade da midia como um dessas causas.

Quanto a forma de obtencao de conhecimento sobre o assunto, 19% dos estudantes afirmou ter conhecimento sobre o assunto por meio de conhecidos (amigos, familiares e colegas de trabalho) e/ou discussao em sala de aula. Apenas 1% dos estudantes respondeu ter lido recentemente artigos de blogs ou materias em televisao sobre o tema. A discussao em sala de aula sobre crimes corporativos foi mencionada principalmente por estudantes do genero feminino, de 18 a 24 anos, do curso de Administracao, de instituicao publica e que estao nos ultimos periodos. E importante mencionar que nenhum estudante de Ciencias Contabeis apontou que essa tematica havia sido discutida em sala de aula.

A ineficacia da justica brasileira (por falta de maior fiscalizacao, por exemplo), competicao intensa e pressao por desempenho sao as tres principais razoes apontadas pelos estudantes como motivos para que as organizacoes cometam crimes e ilegalidades. A existencia de empregados altamente comprometidos, a baixa competitividade e os altos niveis de inovacao foram os motivos menos apontados pelos estudantes.

As causas associadas as leis governamentais e questoes politicas foram destacadas, principalmente, por estudantes de instituicao privada e idade superior a 25 anos. Em relacao ao genero, ha contraposicao em algumas causas apontadas entre estudantes de genero masculino e feminino, como, por exemplo, os primeiros apontam para a baixa competitividade, enquanto os segundos mencionam a competicao intensa como uma das principais causas dos comportamentos criminosos nas organizacoes. Do mesmo modo, estudantes do genero masculino apontam para a alta inovacao nas estruturas e processos, enquanto aqueles do genero feminino apontam para a alta sucessao, ou seja, a quantidade de hierarquias no organograma tradicional da organizacao. Mais de 70% de estudantes em cursos de Tecnologo atribuem a ineficacia da justica brasileira como a principal causa. E, por fim, o periodo do curso e a variavel que nao apresentou nenhuma caracteristica particular.

De modo geral, os crimes corporativos nao se constituem em uma tematica ignorada pelos respondentes, embora o nivel de conhecimento seja medio. Na secao seguinte, apresentam-se os resultados obtidos quanto a opiniao dos pesquisados sobre a gravidade do crime corporativo.

OPINIAO SOBRE A GRAVIDADE DO CRIME CORPORATIVO

A terceira parte do questionario e dirigida para conhecer a opiniao dos pesquisados quanto a gravidade do crime corporativo. Os pesquisados atribuiram notas para 14 tipos de ilegalidades e crimes que podem acontecer nas organizacoes, sendo nota i para uma situacao pouco grave, e 5 para uma situacao muito grave. Diante disso, notou-se que os estudantes consideram o "uso de mao de obra infantil e trabalho escravo" como os tipos de crimes mais graves, cuja media de notas foi 4,82. Por outro lado, o recall de produtos foi apontado como a situacao menos grave, obtendo uma media de notas de 3,13. A media geral para todas as 14 situacoes e apresentada na Tabela 2. Para simplificar a analise, os tipos de ilegalidades e crimes foram divididos em quatro categorias, conforme as principais vitimas: crime de ordem ambiental, ilegalidade e crime contra o trabalhador, ilegalidade contra o consumidor e crime contra o governo, de acordo com as classificacoes apresentadas por Grabosky e Braithwaite (1987) e Schrager e Short (1978).

De acordo com a distincao proposta por Baucus e Dworkin (1991) entre ilegalidade corporativa e crime corporativo, pode-se observar que apenas as situacoes de "Jogar dejetos da producao em nascentes"; "Casos do assedio moral e sexual no ambiente de trabalho"; "Uso de mao de obra infantil e trabalho escravo" e "Organizacoes que possuem atividades consideradas ilegais como: jogos de azar, vendas de drogas" sao consideradas como crimes perante a jurisdicao brasileira e, portanto, sao tratadas na vara criminal. Na pesquisa, todas essas estao entre as cinco situacoes tidas como de maior gravidade na visao dos estudantes.

Os estudantes com idade de 18 a 24 anos tendem a considerar que ilegalidades cometidas contra o governo e consumidor sao menos graves do que os outros tipos de ilegalidades, pois a media de notas atribuidas para essas situacoes foi menor que quatro. Os estudantes com idade superior a 32 anos, em contrapartida, se preocupam mais com esses aspectos. Estudantes que cursam Gestao da Informacao consideraram as ilegalidades contra os consumidores como mais graves, se comparado com os pesquisados de outros cursos. Por outro lado, observou-se que estudantes que cursam Ciencias Contabeis atribuem maior importancia para crimes organizacionais contra o governo. Nenhuma associacao foi encontrada entre a idade e curso dos pesquisados e a nota especialmente atribuida a respeito dos crimes e ilegalidades contra o trabalhador.

Ja em relacao a instituicao, estudantes de instituicoes privadas apresentaram maior media nas notas atribuidas para crimes contra o governo; enquanto estudantes de instituicao publica avaliaram como mais grave as ilegalidades e crimes contra trabalhadores e consumidores. Curiosamente, os pesquisados que estavam no comeco do curso atribuiram maior gravidade para a maior parte das situacoes, se comparados com os estudantes que estavam no meio ou no fim de seus cursos. Estudantes de Gestao da Informacao do genero feminino, com idade superior a 32 anos, que estao no comeco do curso e em instituicao publica representam a parcela dos estudantes que mais se preocupam com crimes de ordem ambiental. E, por fim, quanto ao genero, notou-se que estudantes do genero feminino tiveram uma media de notas maiores para todas as situacoes.

A percepcao de gravidade dos estudantes das 14 acoes avaliadas foi baseada, principalmente, pela consequencia das acoes para pessoas, ambiente interno e externo organizacional e a questao etica e moral envolvida, representando 65% e 68% das escolhas dos pesquisados, respectivamente. Desse modo, os estudantes tendem a confiar no conceito de nocividade percebido ao considerar a gravidade dos crimes corporativos ao inves de considerar as percepcoes de ilicitude, de acordo com a pesquisa de Rosenmerkel (2001).

Ainda quanto a gravidade dos crimes corporativos, 27% dos estudantes basearam as suas escolhas no grau de culpa da organizacao envolvida. Essa justificativa foi apresentada por Warr (1989) e Tversky e Kahneman (1974) como o principal aspecto utilizado pelo publico quando ira classificar a gravidade de um crime. Outros 18% dos pesquisados utilizaram como base o fato de terem passado por alguma experiencia parecida ou ter tido conhecimento de algum desses fatos ocorridos. E, por fim, dois estudantes mencionaram terem escolhido a gravidade conforme a capacidade da organizacao para burlar as leis para cada um dos fatos e a percepcao de gravidade aprendida na "midia" para essas acoes.

Na opiniao da maioria (84%) dos estudantes, o estupro e assassinato e o tipo de crime mais grave; em segundo lugar, e classificado como mais grave o crime ambiental, representando 8% das respostas. Os resultados convergem com os achados de pesquisa de opiniao publica apontada por Simpson (2002), de que o crime ambiental foi considerado como o crime corporativo mais grave, ficando atras do assassinato. Apenas 23 (5%) estudantes apontaram a fraude corporativa como o tipo de crime mais grave; e os outros 3% restantes mencionaram o furto como o tipo de crime de maior gravidade. Dessa forma, conclui-se que os crimes corporativos tendem a receber classificacoes menos graves pelo publico em relacao a outros tipos de crimes, conforme apontado por Rosenmerkel (2001).

A ultima questao do questionario sobre a gravidade perguntava se os estudantes acreditam que o crime cometido por uma empresa e mais grave do que um crime cometido por um individuo. A maioria (62%) deles respondeu que o crime cometido por uma empresa nao e mais grave do que um crime cometido por um individuo. Assim, de acordo com a maioria dos respondentes, os crimes de rua, como estupro, assassinato e furto sao mais graves do que um crime ambiental ou a fraude corporativa. Quanto a esse aspecto, nao foi encontrada nenhuma associacao com os perfis dos estudantes. Porem, estudantes dos cursos de Administracao e Gestao da Informacao mostraram-se divididos em relacao a essa questao, tendo 42% e 47,1% dos pesquisados, respectivamente, considerado que o crime corporativo e mais grave.

Os resultados apontam que os crimes de rua sao considerados mais graves para a maioria dos respondentes, o que pode influir no interesse da populacao no combate dos crimes corporativos. A secao seguinte traz os resultados sobre essa tematica.

INTERESSE NO COMBATE DOS CRIMES CORPORATIVOS

O interesse ao combate dos crimes corporativos constitui o tema da ultima parte do questionario. Quando se perguntou aos estudantes se eles deixariam de ser clientes ou trabalhar em uma empresa que estava sendo acusada de cometer certo tipo de crime, as respostas ficaram bem divididas; 33% deles afirmaram que sim, mas somente se a empresa fosse considerada legalmente culpada. Ja outros 30,8% apontaram que isso dependeria de qual acao a empresa estava sendo acusada. Por outro lado, 15% dos estudantes disseram que deixariam de ser clientes e trabalhar, independentemente, se a empresa fosse legalmente considerada culpada ou nao; e outros 66 (15%) estudantes ja colocaram que essa situacao depende do historico de ilegalidades e crimes ja cometidos pela organizacao, ou seja, se houve reincidencia ou nao, indo ao encontro das observacoes constatadas em Miller, Rossi, e Simpson (1991). E, por ultimo, apenas 7% dos pesquisados disseram que continuariam a trabalhar e ser clientes dessa empresa, mesmo que a justica a condenasse como criminosa.

Quanto ao interesse sobre crimes corporativos, 44% dos pesquisados disseram que sabem ou tem interesse em saber como e onde denunciar uma empresa que praticasse alguma ilegalidade; outros 39% ja disseram possuir ou tem interesse em obter algum conhecimento das leis referentes ao Codigo de Defesa do Consumidor. Ainda, 20% dos estudantes disseram que participam ou tem interesse em participar de algum movimento de protecao ao meio-ambiente; e 11% apontaram que participam ou possuem interesse em participar de algum sindicato referente a sua categoria trabalhista.

O desinteresse tambem foi apontado nas respostas de 67 (15%) estudantes que afirmaram nao ter interesse algum sobre essa tematica. Essa parcela consideravel aponta para o papel omisso da sociedade em geral, que, conforme Medeiros (2013), tambem acaba contribuindo de algum modo para o acontecimento desses tipos de crimes e faz com que essas praticas sejam internalizadas como "normal". Alem disso, o desinteresse dos estudantes pela tematica reflete a necessidade de estimula-los a terem uma visao mais critica e reflexiva sobre o assunto.

O interesse em saber como denunciar organizacoes que praticam alguma ilegalidade e maior nos estudantes do genero masculino com idade superior a 32 anos e, principalmente, de instituicao publica e que cursam Gestao da Informacao. A maioria dos estudantes do genero feminino que cursa Ciencias Contabeis ou Administracao apresenta um forte interesse em relacao a protecao ambiental ou nenhum interesse sobre o combate de crimes corporativos. Alem do mais, o interesse em conhecer as leis referentes ao Codigo de Defesa do Consumidor e a participacao em algum sindicato e muito forte em estudantes de instituicoes privadas e que fazem algum curso em Tecnologo de Gestao.

Quanto ao aspecto relacionado a legislacao, 36% dos estudantes acreditam que as leis sao insuficientes no combate aos crimes corporativos e que e necessario um maior envolvimento da sociedade em geral, principalmente, nao sendo omissa aos fatos e a presenca de mais movimentos sociais. Portanto, conforme foi apontado por Vergara e Branco (2001), ha necessidade da existencia de mais pessoas que nao sejam indiferentes a essas situacoes e que tenham uma abordagem holistica no trato das organizacoes.

A aplicacao de advertencias e, em casos mais graves, prisoes, foi destacada por 44 (10%) estudantes como forma de combate aos crimes, principalmente, aqueles que se encontram no periodo final de seus cursos. Porem, 55 (12%) pesquisados apresentaram a educacao como meio de combate ao crime corporativo, e, assim, sugeriram que seja feita uma reforma de base, em que, desde os periodos iniciais de educacao, os professores estariam constantemente reforcando para os estudantes a importancia de agir de forma etica. Esses aspectos vao ao encontro dos resultados da pesquisa de Santos, Guevara e Amorim (2013) de que, quanto maior o grau de instrucao de uma pessoa, maior tende a ser sua percepcao do que e certo ou errado, por isso, uma maneira de tentar acabar com a corrupcao e outros crimes nas organizacoes e investir em capacitacoes para que as pessoas tenham mais conhecimentos sobre esse assunto. O autor tambem coloca as acoes de governanca corporativa como uma das maneiras de se tentar acabar com a corrupcao nas organizacoes, contudo, nenhum estudante citou esse aspecto.

O interesse no combate dos crimes corporativos mostrou ter alguma relacao (p<0,05, rejeicao de H0) com o curso e periodo dos pesquisados. Assim, estudantes de Administracao e Ciencias Contabeis e que estao mais da metade do curso acreditam, em grande parte, que as leis sao insuficientes no combate; enquanto que estudantes de Gestao da Informacao e Tecnologo e que estao no inicio do curso acreditam que a solucao esta na lei, apesar de essa ser muito ambigua e insuficiente. Portanto, e dificil determinar quem sao os verdadeiros culpados, bem como conseguir distinguir as acoes civis das criminais, conforme apontado por Schrager e Short (1978) quanto a dificuldade existente em se estabelecer a intencao criminal quando se trata de organizacoes. Ja a idade, instituicao e genero nao mostraram ter relacao (p>0,05, nao rejeicao de H0) com o interesse no combate aos crimes corporativos, pois nenhuma diferenca significativa foi encontrada entre as respostas.

Quando se perguntou aos estudantes qual e o papel a ser desempenhado pelo profissional formado na area de negocios quanto ao combate dos crimes corporativos, a maioria (65%) disse denunciar; 20% afirmaram que o profissional deve procurar alternativas para resolver esse aspecto; 8% disseram que o melhor papel para o profissional e negar-se a participar de tais atos. Alem disso, dois estudantes destacaram ser importante que o profissional repreenda esse tipo de pratica. Por outro lado, 4% dos pesquisados disseram que o profissional nao pode fazer nada a respeito, pois tem limitacoes na sua atuacao; e outros 3% apontaram que o profissional apenas devera cumprir ordens, o que remete a analise de Alcadipani e Medeiros (2013) sobre a banalidade do mal nos crimes corporativos.

A opiniao dos estudantes sobre o papel do futuro gestor nao tem associacao (p>0,05, nao rejeicao de H0) com nenhuma das variaveis: idade, curso, instituicao, periodo e genero. Contudo, o papel de negar e fortemente colocado por estudantes com idade de 25 a 31 anos. Os estudantes do genero masculino acreditam mais no papel de procurar alternativas como forma de combate aos crimes e ilegalidades nas organizacoes. Ja a ideia de que o gestor devera apenas cumprir ordens e mais forte naqueles que estudam em instituicoes privadas; alem de que o fato de nao poder fazer nada, devido a limitacao na atuacao do gestor, nao foi apontado por nenhum estudante que estava cursando os primeiros periodos.

A maioria (mais de 50%) dos pesquisados, principalmente estudantes de Tecnologo em gestao em instituicao privada, com idade media de 25 a 31 anos e do genero feminino, acredita que a punicao do crime corporativo devera ser mais rigorosa quando a vitima ou infrator for uma pessoa ou organizacao. Porem, mais de 20% dos estudantes acreditam que a punicao a ser adotada nao devera ser mais rigorosa, dependendo de determinada vitima ou infrator, o que vai de acordo com a pesquisa de Rebovich e Kane (2002). Esses estudantes sao, principalmente, do curso de Gestao da Informacao de instituicao publica, com idade media de 18 a 24 anos e que estao comecando o seu curso. As relacoes com os perfis dos pesquisados e essas apontam que estudantes de instituicao privada estao preocupados com a organizacao como vitima, enquanto aqueles de instituicao publica tendem a focar no individuo para a aplicacao de sancoes. Alem do mais, alguns cursos, como Ciencias Contabeis, apresentaram que a sancao deveria ser mais rigorosa quando a organizacao fosse vitima, e quando o infrator fosse o individuo.

Diferentemente da pesquisa apontada por Miller, Rossi e Simpson (1991), apenas 8% dos estudantes, especialmente do genero masculino e com idade superior a 32 anos, destacaram que a sancao deveria ser mais rigorosa quando a organizacao fosse vitima; e tambem 18% destacaram que a sancao deveria ser mais rigorosa quando a organizacao fosse o infrator.

A maioria (60%) dos estudantes, principalmente do genero feminino, com idade media de 25 a 31 anos e que estao cursando Tecnologo de Gestao, aponta que os executivos das organizacoes deveriam assumir a culpa pelos crimes ou ilegalidades que eles cometem em nome delas. Contudo, apenas 11 (2%) pesquisados (principalmente do genero masculino e que estao na metade do curso) disseram que os executivos nao deveriam assumir a culpa; outros 37% consideram que esse aspecto depende da situacao. Esses ultimos sao essencialmente estudantes do genero masculino, que estudam em instituicao publica e cursam Administracao.

Conforme os autores que escreveram sobre o assunto apontam, os sentimentos do publico sao potencialmente importantes na formacao de politicas de controle dos crimes, especialmente, se esses ocorrem quando "o publico expressa sentimentos de que alguma coisa poderia ter sido feita para parar uma onda de crimes corporativos" (UNNEVER; BENSON; CULLEN, 2008, p.165). Assim, esses resultados apontam para a necessidade de discutir os crimes corporativos com maior profundidade nos cursos que formam futuros gestores.

SINTESE DOS RESULTADOS

A Tabela 3 evidencia quais das hipoteses iniciais do estudo foram comprovadas, de acordo com os resultados expostos anteriormente. Assim, apenas duas hipoteses foram aceitas: o conhecimento sobre o crime corporativo depende do curso e do periodo do estudante. Portanto, a hipotese H0 relacionada a essas hipoteses foi rejeitada, uma vez que p<0,05.

Retomando o objetivo geral desta pesquisa, que e caracterizar a opiniao dos estudantes de graduacao na area de negocios, percebe-se que os pesquisados reconhecem a gravidade existente no crime corporativo, porem ainda o consideram como menos grave do que os crimes de rua. Quanto ao nivel de conhecimento dos estudantes sobre o tema em questao, e possivel afirmar que a maioria tem um conhecimento medio, e, poucos conhecem, de fato, o significado do termo, suas implicacoes e procuram sempre acompanhar informacoes relacionadas a tematica. Alem disso, estudantes do curso de Administracao tendem a ter um nivel de conhecimento mais alto; enquanto estudantes de cursos de Tecnologo em Gestao apresentam, em sua maioria, um conhecimento baixo. Aqueles que estao finalizando o curso e estudam em instituicoes publicas tambem acreditam possuir maior conhecimento sobre assunto.

Esta pesquisa identificou ainda a percepcao dos pesquisados quanto a gravidade dos crimes corporativos. Os resultados evidenciam que os estudantes atribuiram maiores notas para as acoes tidas como crimes pela jurisdicao brasileira. As ilegalidades associadas aos consumidores e trabalhadores foram mais pontuadas por estudantes com idade superior a 32 anos e que cursam Gestao da Informacao em instituicao publica. Ja estudantes que cursam Ciencias Contabeis atribuem maior importancia para crimes organizacionais contra o governo, como a corrupcao.

Quanto a opiniao dos pesquisados sobre o combate dos crimes corporativos, viu-se que a maioria dos estudantes acredita que as leis sao insuficientes no combate aos crimes corporativos e que e necessario um maior envolvimento da sociedade em geral. Alem disso, os respondentes reconhecem que o papel do futuro gestor no combate dessas praticas e denunciar. Porem, ainda existe muito desinteresse nesse aspecto, principalmente, por estudantes do genero feminino, que cursam Administracao ou Ciencias Contabeis em instituicao publica, e, que estao nos periodos finais do curso.

E, por fim, ao estabelecer relacoes entre as respostas encontradas e os perfis dos pesquisados, a pesquisa mostrou que ha uma associacao diferente, dependendo de cada um dos tres aspectos analisados, assim, por exemplo, a idade nao afeta o nivel do conhecimento dos estudantes sobre crimes corporativos; enquanto que o fato de o estudante estar em uma instituicao publica ou privada nao afeta a sua percepcao na gravidade de um crime. Alem disso, os testes de Qui-Quadrado possibilitaram encontrar novas relacoes que nao faziam parte das hipoteses inicialmente consideradas.

O Quadro 1 apresenta os principais resultados da pesquisa e uma comparacao com a teoria.

De modo geral, entende-se que os achados desta pesquisa tem correspondencia com a literatura pesquisada. Os resultados refletem ainda as inquietacoes de varios autores. Turner (2005) chama a atencao para se aumentar a consciencia publica e envolver estudantes de graduacao em Direito e prepara-los para julgarem corretamente os crimes corporativos. Contudo, necessario e expandir para todos os estudantes essa visao. Motta (1983) e Nicolini (2003) procuram despertar a atencao para que as escolas de Administracao formem administradores mais criticos da sua realidade social. Thiry-Cherques (2004) avalia as representacoes dos estudantes de Administracao a respeito da questao da etica, e assim, questiona se seria possivel o futuro administrador possuir uma consciencia moral e conduta etica, pois esses continuam aprendendo que o lucro da organizacao deve estar aliado a qualquer outro aspecto.

Os resultados desta pesquisa vao ao encontro das criticas dirigidas a formacao de administradores e executivos (bennis; o'toole, 2005; ghoshal, 2005; mitruff, 2004; pfeffer; fung, 2002; gioia, 2002), sugerindo que os responsaveis pelas propostas pedagogicas dos cursos reflitam sobre as lacunas existentes quanto a educacao desses profissionais, considerando o atual cenario empresarial, em que crimes, esquemas de corrupcao, trabalho escravo, entre outras praticas da mesma natureza tornam-se, cada vez mais presentes nas noticias comuns na midia em geral, e permanecem ausentes na pauta dos conteudos curriculares.

CONSIDERACOES FINAIS

Esta pesquisa teve como proposito caracterizar a opiniao dos estudantes de cursos de gestao acerca do conhecimento que possuem sobre o tema, suas percepcoes de gravidade com relacao aos crimes e ilegalidades cometidos por organizacoes, bem como o papel que compreendem desempenhar no combate dessas acoes.

O modelo de gestao das organizacoes ainda e pautado na instrumentalidade e racionalizacao, o que faz com que a exploracao do trabalho alheio seja pensada no intuito de obter lucro apenas e nao se pensa nas questoes eticas envolvidas. Assim, e oportuno estimular a critica nos jovens administradores para que esses pensem no futuro e na construcao de uma sociedade melhor, uma vez que os valores desempenham um papel importante na transformacao social das organizacoes. A educacao e a base para que a etica em relacao aos crimes corporativos seja bem compreendida e aplicada no contexto organizacional (THIRY-CHERQUES, 2004; ALCADIPANI; BERTERO, 2012; BORGES; MEDEIROS, 2014).

Em geral, ha um nivel medio de conhecimento dos estudantes sobre a tematica de crimes corporativos. Alem disso, observou-se, por meio desta pesquisa, que apenas a idade nao afeta o conhecimento dos estudantes, mas que o curso, periodo, instituicao e genero influenciam essa variavel, e, portanto, as hipoteses inicialmente levantadas foram confirmadas. Os estudantes apontaram a ineficacia da justica brasileira, competicao intensa e pressao por desempenho como os principais motivos para as organizacoes cometerem crimes e ilegalidades. Assim, os resultados desta pesquisa nao indicam um total desdem publico em relacao a tematica de crimes corporativos, como havia sido mencionado por Rebovich e Kane (2002) e Cullen, Bruce e Craig (1982).

Em relacao a gravidade, os estudantes consideram o "uso de mao de obra infantil e trabalho escravo" como o crime corporativo de maior gravidade em relacao a outros crimes e ilegalidades corporativas. Notouse que a percepcao de gravidade dos estudantes e afetada pelo genero e idade, porem a instituicao na qual estudam nao apresenta influencia. Alem disso, a nota atribuida para a gravidade de uma acao e baseada, principalmente, na consequencia das acoes para pessoas, ambiente interno e externo organizacional e a questao etica e moral envolvida. Contudo, eles ainda consideram os crimes de rua como mais graves do que os crimes corporativos, assim como mencionado por Rosenmerkel (2001).

Quanto ao interesse sobre crimes corporativos, a maioria mostrou ter interesse em saber como denunciar uma empresa que cometesse alguma ilegalidade ou crime e acredita que as leis sejam insuficientes no combate aos crimes corporativos. Assim, os estudantes veem que o papel a ser desempenhado pelo profissional na area de negocios e denunciar as praticas ilegais e criminosas que presenciarem nas organizacoes, bem como acreditam que os executivos devam assumir a culpa pelos crimes que cometem em nome das organizacoes. Alem disso, as hipoteses iniciais sobre o papel do futuro gestor nao foram comprovadas.

E, por ultimo, os pesquisados acreditam que a punicao do crime corporativo devera ser mais rigorosa quando a vitima ou infrator for uma pessoa ou organizacao. Contudo, conforme Fuller (1942), ainda ha necessidade de convencer os estudantes de que os crimes corporativos sao mais graves do que crimes convencionais e apelar para a aplicacao de uma adequada sancao aos criminosos, pois a ideia de que o gestor devera apenas cumprir ordens ainda e muito forte naqueles que estudam em instituicoes privadas.

Este estudo tem contribuicoes teoricas e praticas. Quanto as contribuicoes praticas, este estudo oferece informacoes sobre o interesse e a opiniao de estudantes sobre as condutas corporativas criminosas e ilegais, as quais tem se tornando cada vez mais recorrentes. Assim, tendo em vista o crescimento de casos dessa natureza, nao so no Brasil, esse assunto, pouco presente nos curriculos dos cursos de administracao, pode vir a ganhar mais espaco e ser utilizado para orientar a revisao de projetos pedagogicos dos cursos de modo a promover o interesse dos estudantes sobre a tematica, bem como estimulalos a ter uma visao mais critica sobre o papel que devem desempenhar no combate aos crimes e ilegalidades nas organizacoes. Em termos teoricos, este estudo oferece uma visao geral sobre o interesse e a opiniao publica sobre os crimes e ilegalidades corporativas, visando a construcao de teorias mais robustas sobre o tema.

As limitacoes da pesquisa se devem a abordagem quantitativa que, conforme Gil (2002) representa um retrato reducionista da complexidade social, nao conseguindo captar o ponto de vista do individuo por utilizar grandes amostras, e afastando o pesquisador do dia a dia do objeto. Alem do mais, os resultados alcancados com a pesquisa dos estudantes sobre crimes corporativos nao poderao ser generalizados a todos os estudantes de graduacao em areas de gestao, uma vez que foram pesquisados apenas estudantes de quatro instituicoes localizadas na cidade de Uberlandia-MG. Outro limite e o fato de nao se ter conseguido a mesma quantidade de amostra para cada um dos perfis pesquisados, o que possibilitaria aumentar o nivel de significancia do estudo.

Por fim, uma agenda de pesquisa e enderecada: (1) pesquisar se a sociedade em geral compreende o "Crime Corporativo" em sua plenitude, ou seja, investigar se trabalhadores e consumidores consideram determinadas situacoes como crimes nas organizacoes ou nao; (2) fazer uma pesquisa qualitativa com executivos, consumidores e trabalhadores que foram envolvidos direta ou indiretamente em acoes ilegais e/ ou criminosas nas organizacoes; (3) pesquisar a opiniao publica sobre crimes corporativos envolvendo a esfera governamental, como casos de fraudes e corrupcao; (4) avaliar a opiniao publica a respeito de um tipo especifico de crime ou ilegalidade corporativa, buscando analisar com maior profundidade o conhecimento, a percepcao de gravidade e opiniao sobre o combate dessa situacao; (5) aprofundar na investigacao se a categoria genero influencia a opiniao e interesse sobre os crimes corporativos; (6) investigar a influencia do discurso do "mito do empreendedor de sucesso" na percepcao de crimes corporativos; e (7) investigar as possiveis influencias culturais, como, por exemplo, a distancia de poder entre as organizacoes e sociedade, na opiniao e interesse sobre a tematica.

REFERENCIAS

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DADOS DOS AUTORES

SABRINA RAFAELA PEREIRA BORGES * sabrinarpb@yahoo.com.br

Mestre em Ciencias Contabeis pela UFU

Instituicao de vinculacao: Universidade Federal de Uberlandia

Uberlandia/MG--Brasil

Areas de interesse em pesquisa: Estudos Organizacionais, Financas Comportamentais e Instrumentos Financeiros.

* Av. Joao Naves de Avila, 2121, Sala 233 Bloco 1F Santa Monica Uberlandia/MG 38408-100

CINTIA RODRIGUES DE OLIVEIRA MEDEIROS cintia@ufu.br

Doutora em Administracao pela FGV/EAESP

Instituicao de vinculacao: Universidade Federal de Uberlandia

Uberlandia/MG--Brasil

Areas de interesse em pesquisa: Estudos Organizacionais, Cultura, Poder e Genero.

NADIA GIARETTA BIASE nadiabiase@gmail.com

Doutora em Estatistica pela UFLA

Instituicao de vinculacao: Universidade Federal de Uberlandia

Uberlandia/MG--Brasil

Areas de interesse em pesquisa: Comparacoes Multiplas de Parametros Binomiais, Metodo de Monte Carlo e Regressao.

VALDIR MACHADO VALADAO JUNIOR valdirjr@ufu.br

Doutor em Engenharia de Producao pela UFSC

Instituicao de vinculacao: Universidade Federal de Uberlandia

Uberlandia/MG--Brasil

Areas de interesse em pesquisa: Ensino em Administracao, Cultura, Sustentabilidade e Terceiro Setor.

A presente pesquisa contou com o apoio financeiro do CNPq.

Recebido em: 07/10/2015 * Aprovado em: 21/12/2015

Avaliado pelo sistema double blind review

Editora Cientifica: Claudia de Salles Stadtlober

SABRINA RAFAELA PEREIRABORGES sabrinarpb@yahoo.com.br

CINTIA RODRIGUES DE OLIVEIRAMEDEIROS

NADIA GIARETTA BIASE

VALDIR MACHADO VALADAO JUNIOR

UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLANDIA

DOI: 10.13058/raep.2016.v17n1.225

(1) Lado que brilha no sentido de transparente, visivel.

(2) Neste trabalho, a denominacao classe baixa e classe alta decorre da traducao literal das obras pesquisadas, entendendo referir-se a classe social de pessoas com renda baixa e renda alta, respectivamente.
Tabela 1 Perfil dos estudantes que participaram da pesquisa

Variavel      Descricao              Frequencia    Frequencia
                                     Absoluta      Percentual

Idade         18 a 24 anos           334           75%
              25 a 31 anos           75            17%
              Mais de 32 anos        35            8%

Curso         Administracao          207           47%
              Gestao da Informacao   70            16%
              Ciencias Contabeis     93            21%
              Tecnologo              74            16%

Periodo       1                      29            6%
              2                      34            8%
              3                      83            19%
              4                      36            8%
              5                      52            12%
              6                      39            9%
              7                      43            10%
              8a                     54            12%
              9                      28            6%
              10                     46            10%

Instituicao   Publica                294           66%
              Privada                150           34%

Genero        Feminino               237           53%
              Masculino              207           47%

Tabela 2 Notas atribuidas aos 14 tipos de ilegalidades e
crimes organizacionais

Situacao                                                      Media
                                                              Geral

Jogar dejetos da producao em nascentes                        4,71

Nao pagar hora extra                                          4,32

Cobrar indevidamente faturas de consumidores                  4,27

Deixar de pagar impostos municipais, estaduais e federais     3,99

Fabricacao e venda de produtos que podem ser prejudicais      4,46
para os usuarios

Contaminar de forma consciente alimentos que resulta em       4,80
morte ou problemas para pessoas

Fazer propaganda enganosa de produtos                         4,01

Ocorrencia de acidente de trabalho com operador de            4,52
maquinas por falta de equipamentos de seguranca

Declaracao falsa de informacoes financeiras                   4,17

Suborno direto ou indireto de funcionarios                    4,27

Casos do assedio moral e sexual no ambiente de trabalho       4,47

Uso de mao de obra infantil e trabalho escravo                4,82

Organizacoes que possuem atividades consideradas ilegais      4,08
como: jogos de azar, vendas de drogas

Recall de produtos                                            3,13

Tabela 3 Resultado do Teste de Hipotese por meio de Qui-Quadrado

Hipotese H0                                    Comprovacao   P-Valor
                                               da Hipotese

O conhecimento sobre crimes corporativos       Nao           0,00
independe do curso

O conhecimento sobre crimes corporativos       Nao           0,00
independe do periodo

A opiniao sobre o papel a ser desempenhado     Sim           0,055
independe do curso

A opiniao sobre o papel a ser desempenhado     Sim           0,080
independe do periodo

A percepcao de gravidade independe da          Sim           0,765
instituicao

A percepcao de gravidade independe do genero   Sim           0,258

A percepcao de gravidade independe da idade    Sim           0,211

Quadro 1 Principais resultados da pesquisa de opiniao publica com
os futuros gestores e suas relacoes com a teoria pesquisada

Aspectos       Teoria            Autores              Resultado da
                                                      Pesquisa

Interesse e    Ha falta de       Rebovich e           Estudantes
conhecimento   informacoes       Kane (2002);
do publico     sobre o tema e    Simpson (2002);      possuem um
sobre crimes   desdem publico    Cullen, Bruce        nivel medio de
corporativos   sobre essa nova   e Craig (1982)
               forma de crime.   Rebovich e           conhecimento,
               Estudos revelam   Kane (2002)
               certo             Carvalho (2010);     principalmente,
               crescimento no    Costa e Wood         aqueles do
               interesse         Jr (2012);
               publico sobre a   Coleman (2005);      genero
               tematica.         Baucus (1994);       masculino, que
               Causas dos        Medeiros e           cursam
               comportamentos    Alcadipani (2013);
               criminosos e      Ariely (2013)        Administracao
               ilegais nas                            em instituicao
               organizacoes:                          publica e estao
               competicao                             terminando o
               intensa;                               curso. A
               pressao por                            maioria dos
               desempenho;                            estudantes
               cultura                                (64%)
               corporativa;                           recentemente
               baixa                                  leu alguma
               competitividade;                       noticia
               organizacoes de                        relacionada a
               grande porte;                          crimes
               pouca folga de                         corporativos,
               recursos;                              e, apenas 19%
               mudanca                                destacou que
               frequente nas                          esse assunto
               leis; altos                            foi trabalhado
               niveis de                              em sala de au
               inovacao; alto                         Ia. A
               nivel de                               ineficacia da
               sucessao dos                           justica
               executivos;                            brasileira,
               organizacoes de                        competicao
               grande porte;                          intensa e
               empregados                             pressao por
               altamente                              desempenho
               comprometidos.                         foram as
                                                      principais
                                                      causas
                                                      apontadas pelos
                                                      estudantes.

Percepcao da   A percepcao de    Rosenmerkel          Os estudantes
gravidade      gravidade de um   (2001);              justificaram as
dos crimes     crime e afetada   Warr (1989);         notas
corporativos   por:              Tversky e            atribuidas de
               consequencia      Kahneman (1974)      gravidade com
               das acoes para    Rosenmerkel (2001)   base na
               pessoas,                               consequencia
               ambiente                               das acoes para
               interno e                              pessoas,
               externo                                ambiente
               organizacional;                        interno e
               ter passado por                        externo
               alguma                                 organizacional
               experiencia;                           e a questao
               grau de culpa                          etica e moral
               da organizacao                         envolvida. A
               envolvida; a                           maioria dos
               questao etica e                        pesquisados
               moral. Os                              (84%) considera
               crimes                                 o estupro e
               corporativos                           assassinato
               tendem a                               como o tipo de
               receber                                crime mais
               classificacoes                         grave.
               menos graves
               pelo publico em
               relacao a
               outros tipos de
               crimes.

Opiniao        As pessoas        Miller, Rossi, e     A maioria dos
quanto ao      preferem          Simpson (1991)       pesquisados
combate dos    sancoes mais      Fuller (1942)        acredita que a
crimes         severas quando    Vergara e            punicao do
corporativos   a vitima ou o     Branco (2001)        crime
               infrator e uma                         corporativo
               corporacao, e                          devera ser mais
               nao um                                 rigorosa quando
               individuo. As                          a vitima ou
               pessoas sao                            infrator for
               propensas a                            uma pessoa ou
               pensar no                              organizacao. A
               combate dos                            maioria (30%)
               crimes muito em                        dos estudantes
               termos de seus                         acredita que as
               aspectos                               leis sao
               legais.                                insuficientes
               Importancia de                         no combate aos
               ter uma                                crimes
               sociedade mais                         corporativos.
               critica e que                          Parcela
               nao seja                               significativa
               indiferente as                         dos pesquisados
               praticas                               (44%),
               criminosas.                            especialmente
                                                      aqueles do
                                                      genero
                                                      masculino,
                                                      disse que sabe
                                                      ou tem
                                                      interesse em
                                                      saber como e
                                                      onde denunciar
                                                      uma empresa que
                                                      praticasse
                                                      alguma
                                                      ilegalidade ou
                                                      crime.
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Author:Borges, Sabrina Rafaela Pereira; Medeiros, Cintia Rodrigues De Oliveira; Biase, Nadia Giaretta; Vala
Publication:Administracao: Ensino e Pesquisa RAEP
Date:Jan 1, 2016
Words:12982
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