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POTENTIAL TREE SPECIES FOR REVEGETATION OF SALINE TAILING CONTAMINATED WITH ARSENIC/ESPECIES ARBOREAS POTENCIAIS PARA A REVEGETACAO DE REJEITO SALINO CONTAMINADO COM ARSENIO.

INTRODUCAO

A explotacao de minerios associados a minerais sulfetados, como pirita (Fe[S.sub.2]) e arsenopirita (FeAsS), pode expor a atmosfera sulfetos que, ao entrarem em contato com agua e oxigenio, sofrem oxidacao (BLOWES et al., 1998). Os produtos da oxidacao dos sulfetos, alem de serem altamente soluveis, apresentam reacao fortemente acida, acidificando as aguas de drenagem (MELLO; ABRAHAO, 1998). Em razao dos baixos valores de pH, elementos toxicos como o arsenio (As), se presentes no material, sao solubilizados e mobilizados nas aguas de drenagem, podendo ser absorvidos em niveis toxicos pelas plantas e incorporados na cadeia trofica (MELLO; ABRAHAO, 1998; SHU et al., 2001).

O As, de acordo com a agencia norte-americana para substancias toxicas e registro de doencas (AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY, 2011), e o primeiro da lista prioritaria das substancias mais perigosas para a saude humana. O As pode estar presente em minerios de ouro e a explotacao desse metal pode acarretar problemas ambientais. Por essa razao, os residuos gerados na lavra e no beneficiamento requerem cuidados especificos.

Atualmente, a maior producao de ouro no Brasil e oriunda de uma mina a ceu aberto localizada no municipio de Paracatu--MG. Os minerios explotados em Paracatu apresentam baixos teores de ouro--em media 0,40 g [t.sup.-1] de ouro (HENDERSON, 2006). Como consequencia, grande volume de residuos contendo As (remanescentes da mineracao e rejeitos) e gerado no processamento desses minerios.

Dentre os minerios explotados em Paracatu, o mais superficial (denominado B1) e mais oxidado e possui teores de sulfetos inferiores (cerca de 3,0 g [kg.sup.-1]) aos do minerio subjacente, denominado B2. O minerio B2 e menos intemperizado e, portanto, com maiores teores de sulfetos (aproximadamente 10,0 g [kg.sup.-1]).

Uma das formas de se recuperar as areas onde os rejeitos do beneficiamento dos minerios sao depositados e a revegetacao, sendo a mais adequada ambientalmente. Esses materiais possuem elevada erodibilidade e, assim, sua cobertura e fundamental. Alem disso, a revegetacao e frequentemente requerida no processo de licenciamento do empreendimento. Entretanto, a revegetacao e um processo complexo por causa das caracteristicas quimicas, fisicas e biologicas dos rejeitos, que sao limitantes ao estabelecimento e crescimento de plantas. Os rejeitos apresentam salinidade elevada e potencial de geracao de acidez e de solubilizacao de elementos como As, Fe e S, o que pode limitar o crescimento de plantas e dificultar o processo de revegetacao da area (bacia) nas quais sao depositados (SILVA et al., 2004).

A revegetacao de substratos sulfetados normalmente envolve a implantacao de uma camada selante, a fim de evitar a oxidacao do material, seguida de uma camada superficial de solo ou qualquer outro material que permita o estabelecimento e crescimento de plantas (MELLO; DIAS; CORREA, 2003). No entanto, os autores mencionam que podem existir condicOes em que as caracteristicas dos substratos permitem a revegetacao direta com especies previamente selecionadas.

Especies vegetais que possuem tolerancia ao As e a salinidade podem, a principio, apresentar maior potencial para serem utilizadas na revegetacao da bacia de deposito dos rejeitos em Paracatu. Desta maneira, e necessario identificar especies com estas caracteristicas e, preferencialmente, que pertencam as fases distintas da sucessao ecologica, a fim de prover maior sustentabilidade a area em recuperacao.

O Brasil apresenta expressiva diversidade de ecossistemas florestais, dada a sua grande area fisica e a diversidade de climas e solos presentes em seu territorio (LEITAO FILHO, 1987). Por essa razao, e possivel encontrar especies nativas tolerantes as condicOes mais adversas de solo e clima. Neri et al. (2011) verificaram que diversas especies das familias Leguminosae e Melastomataceae, dentre outras, tem potencial de uso na recuperacao dos substratos sulfetados produzidos em Paracatu.

Nesse sentido, este trabalho teve como objetivo avaliar o potencial de quatro especies vegetais arboreas (quaresmeira, parica, jucara e cassia-rosea) para a revegetacao de rejeito salino contaminado com As, denominado rejeito B1, proveniente do beneficiamento de minerio de ouro.

MATERIAL E METODOS

O material utilizado como substrato para o plantio consistiu em um rejeito proveniente do beneficiamento de minerio de ouro explotado em Paracatu-MG (rejeito B1). O minerio (B1) e um filito bastante intemperizado, com teores de sulfetos em torno de 3,0 g [kg.sup.-1] e granulometria de calhau a argila (ASSIS, 2006).

Para a caracterizacao inicial do substrato, foram coletadas tres amostras para analise. Foram determinados pH em agua; teores disponiveis de P, K, S, Fe e Mn e trocaveis de [Ca.sup.2+], [Mg.sup.2+], [Na.sup.+] e [Al.sup.3+] (EMBRAPA, 2011); fosforo remanescente (ALVAREZ et al., 2000); teor de carbono organico total, determinado pelo metodo adaptado de Yeomans e Bremner (1988) (MENDONCA; MATOS, 2005), cujos resultados foram multiplicados por 1,724 para obtencao do teor de materia organica (MO); granulometria (EMBRAPA, 2011, adaptado por RUIZ, 2005a; 2005b); capacidade de campo (CC), determinada em extrator de Richards, no potencial de -10 kPa; densidade do substrato (Ds) pelo metodo da proveta; e densidade de particulas (Dp) pelo metodo do balao volumetrico (EMBRAPA, 2011); teor de As disponivel, extraido pelo extrator Mehlich 3 (MEHLICH, 1984) e quantificado com espectrometria de emissao optica, com plasma indutivamente acoplado (ICP-OES), no comprimento de onda de 193,696 nm.

O experimento foi conduzido em casa de vegetacao, em vasos plasticos pretos com orificios na parte inferior para a drenagem da agua. O substrato para o preenchimento dos vasos foi seco ao ar e passado em peneira com malha de 4 mm de abertura. Em seguida, 3,34 kg de substrato (peso seco) foram acondicionados em cada vaso, de forma a se obter um volume de aproximadamente 3,0 [dm.sup.-3].

O substrato de cada parcela foi homogeneizado com uma mistura de CaC[O.sub.3] P.A. e MgC[O.sub.3] P.A., na proporcao Ca:Mg de 4:1, em quantidade equivalente a 1,0 t [ha.sup.-1], e com fosfato de amonio monobasico P.A., na dose de 450 mg [kg.sup.-1] de P. Em seguida, o substrato foi umedecido com agua deionizada, em quantidade equivalente a 60 % da CC, e incubado em saco plastico por 23 dias.

Apos o periodo de incubacao, os substratos foram transferidos para os vasos plasticos e mudas das especies Tibouchina granulosa (quaresmeira), Schizolobium amazonicum Huber ex Ducke (parica), Euterpe edulis Mart. (jucara) e Cassia grandis (cassia-rosea) foram plantadas (uma planta por vaso). Para a formacao das mudas, aproximadamente um ano antes do inicio do experimento, as sementes foram acondicionadas em tubetes contendo substrato organico para que germinassem. Os tubetes com as sementes foram mantidos em casa de vegetacao, com temperatura variando de 20 a 26[degrees]C e com irrigacOes periodicas. No plantio, as mudas de quaresmeira apresentavam altura media de 26 cm; as de parica, 15 cm; jucara, 10 cm; e cassia-rosea, 19 cm.

Como o substrato e um material diferente dos solos e nao ha recomendacOes de adubacao para o mesmo, convencionou-se adubar com 270, 80, 0,833 e 0,266 mg [kg.sup.-1] de N, K, B e Mo, respectivamente. As doses de N e K foram parceladas em duas aplicacOes, sendo metade aplicada aos dezessete e metade aos trinta dias apos o plantio. A adubacao com B e Mo foi realizada em dose unica aos dezessete dias apos o plantio. Para o suprimento dos nutrientes, foram utilizados nitrato de amonio P.A., cloreto de potassio P.A., borato de sodio P.A. e molibdato de amonio P.A. Na adubacao nitrogenada, descontou-se a quantidade de N adicionada via fosfato de amonio monobasico.

O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com quatro tratamentos (especies estudadas) e cinco repeticOes, compostas de uma muda cada. O periodo experimental compreendeu 120 dias. Durante esse periodo, os substratos foram irrigados periodicamente com agua deionizada, de forma a manter a umidade do substrato proxima a capacidade de campo.

No segundo e em meados do terceiro mes do periodo experimental, diversas plantas apresentaram sintomas semelhantes aos causados pela deficiencia de N (folhas com coloracao verde-clara) e K (clorose e necrose nas bordas das folhas). Por essa razao, na epoca do aparecimento dos sintomas, os substratos receberam adubacOes adicionais em quantidades equivalentes a 50 mg [kg.sup.-1] de N e 25 mg [kg.sup.-1] de K.

A altura e o diametro de colo das plantas foram medidos mensalmente. A primeira medicao foi realizada no primeiro dia de cultivo. Foram calculadas as taxas de crescimento absoluto em altura (TCAh) e em diametro (TCAd), conforme equacOes 1 e 2:

TCAh = (hf - hi)/t (1)

TCAd = (df - di)/t (2)

Em que: TCAh = taxa de crescimento absoluto em altura (cm [dia.sup.-1]); TCAd = taxa de crescimento absoluto em diametro (mm [dia.sup.-1]); hf = altura final (cm);hi = altura inicial (cm); df = diametro final (mm); di = diametro inicial (mm); t = periodo experimental (dias).

Ao final do periodo experimental, as plantas foram retiradas e separadas em partes aerea e radicular. As raizes foram lavadas com agua deionizada e solucao de detergente neutro (0,1%) e, em seguida, com agua deionizada novamente. Apos essa etapa, foram lavadas com solucao de HCl (3%), terminando a lavagem com agua deionizada. A parte aerea foi lavada apenas com agua deionizada. Por fim, o material vegetal foi colocado em estufa a 60[degrees]C, onde permaneceu ate atingir massa constante.

Amostras dos substratos foram secas ao ar e passadas em peneiras com malha de 2 mm de abertura. Foram realizadas as mesmas analises da caracterizacao inicial, com alteracao apenas na determinacao do As e do P, conforme descrito abaixo. Determinou-se tambem a condutividade eletrica do substrato em extrato de pasta saturada (EMBRAPA, 2011). Os conteudos de As e P na biomassa foram calculados com base nos teores dos elementos e nos valores de materia seca. Calculou-se, tambem, o indice de translocacao do As (IT) (ABICHEQUER; BOHNEN, 1998), dividindo-se o conteudo de As na parte aerea pelo conteudo de As na planta, multiplicado por 100.

Para a determinacao dos teores disponiveis de As e P no substrato e dos teores desses elementos na biomassa, amostras de 0,5 g foram digeridas em forno de micro-ondas pressurizado, com 4 mL de acido nitrico concentrado e 2 mL de peroxido de hidrogenio para as amostras de material vegetal e 10 mL de acido nitrico concentrado para as amostras de substrato, de acordo com o programa de temperatura estabelecido pelo metodo USEPA 3051A (ESTADOS UNIDOS, 1998). Em seguida, o volume dos extratos foi completado com agua ultrapura para 10 mL (material vegetal) e 25 mL (substrato) e a mistura resultante foi centrifugada a 3000 rpm, por 5 minutos. A quantificacao dos teores de As e P foi realizada por ICP-OES, nos comprimentos de onda de 189,042 e 214,914 nm, respectivamente.

Os resultados foram analisados estatisticamente por meio de analise de variancia, sendo as medias de cada especie comparadas pelo teste de agrupamento de Scott-Knott, a 5% de significancia.

RESULTADOS E DISCUSSAO

O substrato possui baixa fertilidade, notadamente pelos baixos teores de P, [Ca.sup.2+], [Mg.sup.2+] e B (ALVAREZ et al., 1999) (Tabela 1). Por outro lado, os teores de Fe e Mn foram classificados como altos e o de S, como muito bom (ALVAREZ et al., 1999), o que esta relacionado com a natureza mineralogica do material.

O teor de materia organica (MO) nos substratos possivelmente foi superestimado. O metodo utilizado na determinacao do teor de carbono tem como principio a oxidacao desse elemento. Por essa razao, o resultado pode sofrer interferencia de outros elementos que estejam em formas reduzidas e que podem ser igualmente oxidados, como Fe, Mn e S, superestimando o teor de C organico.

O predominio da fracao silte e a baixa capacidade de troca cationica resultam em baixa capacidade total de adsorcao de cations. A umidade na capacidade de campo, que foi de 0,391 g g-1, pode ser considerada elevada para um material que possui apenas 0,036 kg [kg.sup.-1] de argila. Nesse caso, o silte e o responsavel pela retencao de agua, devido ao fenomeno da capilaridade.

Os sintomas caracteristicos de toxicidade de As em plantas sao murchamento das folhas, crescimento lento de raizes e brotos, necrose e cor arroxeada nas folhas basais (MELO, 2006). Esses sintomas foram observados em diversas plantas, em diferentes intensidades. E importante ressaltar que as adubacOes adicionais de N e K tiveram a finalidade de evitar possiveis deficiencias nutricionais, de modo a garantir que os sintomas observados nas plantas estivessem associados as caracteristicas do substrato, como a presenca de As e sais. Desse modo, e possivel que os sintomas observados nas plantas nao tenham sido causados por problemas nutricionais, mas pelos efeitos toxicos do As e pela salinidade do substrato.

As plantas de parica apresentaram clorose e necrose em diversos foliolos logo no inicio do cultivo. No terceiro mes de cultivo, as plantas estavam vigorosas, apresentando pequenas lesOes esbranquicadas nos foliolos, distribuidas de maneira bastante pontual e pouco frequentes, quase imperceptiveis em algumas plantas.

Os foliolos das plantas de cassia-rosea apresentaram coloracao avermelhada/arroxeada logo no inicio do cultivo. Com dez dias de cultivo, diversos foliolos ja estavam completamente necrosados, enquanto outros estavam intactos ou apresentavam clorose e necrose pontuais. Ao terceiro mes, alguns foliolos apresentaram coloracao arroxeada e clorose, com necrose nas extremidades, mas as plantas estavam visualmente vigorosas.

Logo no inicio do cultivo, as plantas de jucara apresentaram clorose nas folhas, com necrose apenas nas pontas. Com dez dias de cultivo, algumas folhas estavam completamente necrosadas e, as demais, com sintomas pontuais de necrose. No terceiro mes, diversas folhas (mais velhas) apresentaram clorose em todo o comprimento e necrose nas pontas. Ao final do experimento, observou-se que as lesOes nas folhas, possivelmente causadas pela toxicidade ao As, foram severas. No entanto, houve constante emissao de novas folhas e nenhuma planta morreu.

A quaresmeira foi a especie mais prejudicada pelas caracteristicas do substrato. As folhas, logo na primeira semana de cultivo, apresentaram clorose e necrose, evoluindo das bordas para o centro, e murchamento. Ao final do terceiro mes de cultivo, todas as plantas estavam mortas. Por essa razao, a quaresmeira apresentou reducao na altura e no diametro (Figura 1), o que resultou em taxas de crescimento absoluto em altura (TCAh) e diametro (TCAd) negativas (Tabela 2).

O destacado crescimento do parica, em relacao as demais especies avaliadas (Tabela 2), e devido as caracteristicas da propria planta. O parica e uma especie que possui rapido crescimento em altura e diametro (CARVALHO; VIEGAS, 2004), sendo uma das arvores brasileiras de mais rapido crescimento que se conhece (LORENZI, 2008).

O cultivo no substrato parece nao ter sido limitante ao desenvolvimento da cassia-rosea, como ocorreu com a quaresmeira. A cassia-rosea e uma especie plastica quanto a solos, ocorrendo naturalmente em solos umidos, com drenagem boa a lenta e com textura que varia de arenosa a franca (CARVALHO, 2003). Essa caracteristica pode ter favorecido seu estabelecimento no substrato.

As plantas de jucara apresentaram sintomas que podem ser de toxicidade de As, o que limitaria o uso dessa especie na revegetacao do substrato. E importante ressaltar que mesmo tendo sido observados esses sintomas, nenhuma planta morreu durante o periodo experimental e o seu crescimento em diametro parece nao ter sido comprometido. Uma caracteristica que pode ter favorecido o estabelecimento da jucara no substrato e a sua pouca exigencia quanto as caracteristicas edaficas, pois trata-se de uma especie que se desenvolve em solos acidos (pH entre 4,1 e 5,6), pobres em P, Ca, K e Mg e com drenagem de boa a regular (CARVALHO, 2003).

A jucara possui sistema radicular fasciculado, profundo, com varias ramificacOes secundarias (CARVALHO, 2003). No entanto, essas caracteristicas nao foram observadas no presente estudo, pois suas raizes ficaram concentradas na porcao central dos vasos. Da mesma forma ocorreu com as raizes da quaresmeira. Diferentemente, o sistema radicular do parica e da cassia-rosea, que e pivotante, se distribuiu em todo o volume do substrato, o que pode indicar maior tolerancia dessas especies as caracteristicas do substrato.

Parica, jucara e cassia-rosea acumularam o As, preferencialmente, em suas raizes (Tabela 3). O teor de As na cassia-rosea chegou a ser treze vezes maior na raiz, em relacao a parte aerea. Diferente do As, o P foi acumulado predominantemente na parte aerea das plantas, o que esta relacionado as suas funcOes metabolicas. O P desempenha papel importante na fotossintese, na respiracao e no armazenamento e transferencia de energia (DECHEN; NACHTIGALL, 2007), processos esses que ocorrem nas folhas.

A baixa translocacao de As pode ter favorecido o crescimento das plantas de parica e cassia-rosea (Tabela 3), uma vez que esse e um dos mecanismos de tolerancia ao metaloide. Por outro lado, o elevado teor de As na parte aerea da quaresmeira pode ter sido a principal causa da morte das plantas. O arsenato, como e quimicamente analogo ao fosfato, interfere nas reacOes vitais de fosforilacao, pois se liga a ADP, formando ADP-As, prejudicando a biossintese de ATP, o que provoca alteracOes no fluxo energetico das celulas das plantas (HUGHES, 2002; MEHARG; HARTLEY-WHITAKER, 2002). Segundo Nascimento (2007), a tolerancia ao As esta relacionada a manutencao das funcOes fotossinteticas e, portanto, quanto menor o transporte do As para a parte aerea, menor o comprometimento da taxa fotossintetica e maior a tolerancia da planta.

O arsenato absorvido pela planta e reduzido a arsenito, que tem elevada afinidade com os grupos tiol de peptideos (HUANG et al., 2008; MELENDEZ, 2006; SNELLER et al., 1999; SRIVASTAVA; MA; SANTOS, 2006; ZHAO et al., 2008). A complexacao de arsenito por tiois e um importante mecanismo de desintoxicacao de As, podendo diminuir a sua translocacao, especialmente se os complexos forem sequestrados nos vacuolos de celulas radiculares (SU et al., 2008). A elevada translocacao de As na quaresmeira pode ser resultado da baixa capacidade de complexacao do metaloide nas celulas radiculares.

Nascimento (2007) avaliou respostas fisiologicas das especies Stizolobium aterrimum (L.) e Canavalia ensiformis (DC.) ao As, ambas da familia Fabaceae. O autor verificou que os teores de As nas raizes foram sempre superiores aos da parte aerea. Zhao et al. (2008) citam que a explicacao para a limitada translocacao de As e que o arsenato e rapidamente reduzido a arsenito e, em seguida, se liga a tiois de algumas moleculas, como as fitoquelatinas, sendo sequestrado nos vacuolos das raizes. Assim, a adaptacao de plantas para resistir a elevados niveis de arsenato depende da producao indispensavel de complexos Asfitoquelatinas (HARTLEY-WHITAKER et al., 2001). As fitoquelatinas sao peptideos ricos em grupos tiol, capazes de se ligar a diversos elementos, como Cd, Cu, Zn e As (INOUHE, 2005).

Apos o periodo experimental, os substratos apresentaram baixos teores de [Ca.sup.2+] nos tratamentos com quaresmeira e parica (Tabela 4), sendo medios para as demais especies (ALVAREZ et al., 1999). No primeiro caso, as plantas de quaresmeira e parica podem ter absorvido o nutriente em maiores quantidades. Os teores de [Mg.sup.2+] foram classificados como muito bons em todos os tratamentos. Mesmo com a adubacao, os teores de K reduziram bastante, sendo classificados como muito baixos apos o periodo experimental, o que esta relacionado com a absorcao pelas plantas. Os teores de Fe reduziram apos o periodo experimental, mas permaneceram altos. Ja os teores de Mn e S se elevaram, sendo classificados como altos e muito bons, respectivamente.

Houve diferenca significativa nos valores de condutividade eletrica (CE) dos substratos apos o periodo experimental (Tabela 4). O maior valor de CE foi obtido no substrato com as plantas de quaresmeira. Como o substrato utilizado para o plantio foi o mesmo, a explicacao para essa diferenca e a absorcao de parte dos sais pelas plantas das outras especies.

Richards (1954) classificou solos salinos como sendo aqueles que apresentam CE maior ou igual a 4,0 dS [m.sup.-1] e percentagem de sodio trocavel (PST) menor que 15%, com pH menor que 8,5. Apenas o substrato com quaresmeira atendeu a essas condicOes e, portanto, foi classificado como salino. A salinidade do substrato possivelmente foi uma das causas da morte das plantas.

O murchamento das folhas da quaresmeira pode ter sido causado, principalmente, pela salinidade do substrato. Adicionalmente, a murcha foliar pode ter sido intensificada por alteracOes nas relacOes hidricas devido, provavelmente, a acao inibitoria do As sobre a [H.sup.+]-ATPase mitocondrial, comprometendo a producao de energia e, consequentemente, a absorcao de ions, e/ou ao comprometimento das celulas do sistema radicular, levando a alteracao na absorcao de agua (NASCIMENTO, 2007).

Parica (MARQUES et al., 2004) e quaresmeira (BRAGA et al., 1995) possuem alta exigencia nutricional, acumulando elevados teores de nutrientes em sua biomassa. Apesar disso, as plantas de parica avaliadas no presente estudo nao apresentaram sintomas de deficiencia nutricional, sugerindo que as doses de adubos utilizadas foram suficientes para a nutricao das mesmas, dentro das condicOes avaliadas. Sob as mesmas condicOes de adubacao, a quaresmeira nao conseguiu se desenvolver e isso esta mais relacionado a salinidade e a presenca do As no substrato do que a fatores nutricionais. Braga et al. (1995) verificaram que o teor de P na materia seca da parte aerea das quaresmeiras avaliadas foi de 0,170 dag [kg.sup.-1] quando as plantas foram adubadas com macro e micronutrientes, valor este proximo ao obtido no presente estudo.

O parica possui uma caracteristica importante para a revegetacao da bacia de rejeitos em Paracatu, que e a capacidade de tolerar condicOes de deficiencia hidrica. Carvalho (2005) verificou que o deficit hidrico induziu o surgimento de mecanismos de tolerancia a seca no parica. Segundo o autor, a maior capacidade de adaptacao do parica favorece o crescimento e a formacao de biomassa nas epocas secas. Desse modo, alem de ter apresentado os melhores resultados de producao de biomassa, taxas de crescimento e acumulo de As, o parica possui, ainda, a capacidade de se desenvolver mesmo em periodos secos. Isso reforca o potencial dessa especie para a revegetacao da bacia.

Dentre as especies avaliadas, o parica foi a que apresentou o maior potencial de uso para a revegetacao do substrato. O parica e uma especie de rapido crescimento, pioneira, sendo indicada para plantios a pleno sol (ROSA, 2006). Suas caracteristicas ecologicas possibilitam a sua inclusao no grupo de especies recomendadas para iniciar a revegetacao. Mesmo sendo nativo da Amazonia, e o municipio de Paracatu pertencente ao bioma Cerrado, deve-se considerar a possibilidade de uso do parica no processo de revegetacao, dado o seu potencial para esse fim.

CONCLUSOES

O potencial de uso das especies para a revegetacao do rejeito segue a ordem parica > cassia-rosea. Dentre as especies avaliadas, o parica e a que apresenta o maior potencial para a implantacao inicial de vegetacao, demonstrando maior capacidade de adaptacao as caracteristicas do rejeito.

As especies jucara e quaresmeira nao sao recomendadas para a revegetacao do rejeito. Possivelmente, o arsenio e/ou a salinidade comprometem o desenvolvimento das plantas, sendo letais para a quaresmeira.

Recebido para publicacao em 29/08/2014 e aceito em 15/02/2016

AGRADECIMENTOS

A Kinross Gold Corporation, por disponibilizar materiais e recursos para a execucao deste trabalho. Aos prezados professores Renato Campello Cordeiro, da Universidade Federal Fluminense, e Ricardo Erthal Santelli, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pela valiosa contribuicao na realizacao das analises laboratoriais e pela solicitude a todo momento. A Coordenacao de Aperfeicoamento de Pessoal de Nivel Superior e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnologico, pela concessao de bolsa de estudos.

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Lorena Abdalla de Oliveira Prata Guimaraes (2) Igor Rodrigues de Assis (3) Luiz Eduardo Dias (4) Amanda Longhi Cordeiro (5) Aline Soares Freire (6)

(1) Parte da Tese de Doutorado do primeiro autor, apresentada ao Programa de Pos-Graduacao em Solos e Nutricao de Plantas da Universidade Federal de Vicosa, Brasil.

(2) Engenheira Agronoma, Dr2., Pesquisadora do Incaper, Rodovia Joao Domingo Zago, km 2,5, Pacotuba, CEP 29323-000, Cachoeiro de Itapemirim (ES), Brasil. lorena.prata@hotmail.com

(3) Engenheiro Agricola e Ambiental, Dr., Professor do Departamento de Solos, Universidade Federal de Vicosa, Av. P.H. Rolfs, s/n, Campus Universitario, CEP 36570-000, Vicosa (MG), Brasil. igor.assis@ufv.br

(4) Engenheiro Agronomo, Dr., Professor do Departamento de Solos, Universidade Federal de Vicosa, Av. P.H. Rolfs, s/n, Campus Universitario, CEP 36570-000, Vicosa (MG), Brasil. ledias@ufv.br

(5) Engenheira Florestal, Mestranda em Ciencias de Florestas Tropicais, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazonia, Av. Andre Araujo, 2936 - Petropolis, CEP 69060-001, Manaus (AM), Brasil. amanda_longhi@hotmail.com

(6) Quimica Industrial, MSc., Professora do Departamento de Quimica Analitica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Avenida Athos da Silveira Ramos, 149, Centro de Tecnologia, Ilha do Fundao, CEP 21941-909, Rio de Janeiro (RJ), Brasil. asfreire@iq.ufrj.br

Caption: FIGURA 1: Altura e diametro das plantas avaliadas em funcao do tempo de cultivo.

FIGURE 1: Height and diameter of plants evaluated as a function of cultivation time.
TABELA 1: Caracterizacao inicial do substrato utilizado
no experimento.

TABLE 1: Initial characterization of the substrate used
in the experiment.

pH            P       K      Na

[H.sub.2]O    mg [kg.sup.-1]
4,57         20,7    68     15,2
Fe            Mn      S      As
  mg [dm.sup.-3]
1.026         13    141,6   111,9

pH           [Ca.sup.2+]    [Mg.sup.2+]    T

[H.sub.2]O                  [cmol.sub.c] [dm.sup.-3]
4,57             0,79          0,35       1,78
Fe                CC            Ds         Dp
            g [g.sup.-1]        kg [dm.sup.-3]
1.026           0,391           1,1       2,4

pH            PST          MO              P-rem

[H.sub.2]O     %     dag [kg.sup.-1]   mg [L.sup.-1]
4,57         3,71         0,91             55,1
Fe           Areia        Silte           Argila
                      kg [kg.sup.-1]
1.026        0,259        0,705            0,036

Em que: pH: relacao 1:2,5; P, K, Na, Fe e Mn: extrator Mehlich I;
[Ca.sup.2+], [Mg.sup.2+], [A1.su.3+]: extrator KCl 1 mol [L.sup.-1];
T: capacidade de troca cationica; PST: percentagem de sodio
trocavel = Na x 100 / T; MO: materia org anica = carbono organico
x 1,724; P-rem: fosforo remanescente; S: extrator fosfato
monocalcico em acido acetico; As: extrator Mehlich 3; CC:
capacidade de campo; Ds: densidade do substrato; Dp: densidade
de particulas.

TABELA 2: Medias de materia seca da parte aerea (MSA), radicular
(MSR) e total (MST), altura (h) e diametro (d) aos 120 dias e
taxas de crescimento absoluto em altura (TCAh) e diametro
(TCAd) das especies avaliadas, apos 120 dias de cultivo.

TABLE 2: Average of shoot (MSA), root (MSR) and total (MST)
dry matter, height (h) e diameter (d) at 120 days and absolute
growth rates in height (TCAh) e diameter (TCAd) of species
evaluated after 120 days of cultivation.

                MSA      MSR      MST       h       d
Especie
               g/vaso   g/vaso   g/vaso    cm      mm

Quaresmeira    1,19b    0,33b    1,52c    25,6b   3,1c
Parica         6,53a    2,07a    8,60a    32,3a   5,9b
Jucara         1,75b    0,88b    2,64c    11,9c   8,0a
Cassia-rosea   2,59b    2,15a    4,75b    26,9b   4,0c
CV (%)         26,28    31,43    23,78    15,68   19,60

                    TCAh              TCAd
Especie
               cm [dia.sup.-1]   mm [dia.sup.-1]

Quaresmeira       -0,0008c          -0,0044c
Parica             0,1454a           0,0168a
Jucara             0,0136c           0,0198a
Cassia-rosea       0,0682b           0,0042b
CV (%)              40,37             52,91

Em que: Medias seguidas pela mesma letra, na coluna, nao diferem
entre si, pelo teste de agrupamento de Scott-Knott, a 5%
de significancia.

TABELA 3: Medias dos teores e conteudos de arsenio e fosforo e
indice de translocacao de arsenio (IT) na materia seca das
especies avaliadas, apos 120 dias de cultivo.

TABLE 3: Average of concentrations and contents of arsenic and
phosphorus and translocation of arsenic (IT) in the dry matter
of species evaluated after 120 days of cultivation.

                     Teor de As

Especie        Parte aerea    Raiz
                    mg [kg.sup.-1]

Quaresmeira      12,81a      45,34b
Parica            7,30b      62,42a
Jussara           5,79b      44,79b
Cassia-rosea      2,49c      32,62b
CV (%)            32,42      27,55

                     Teor de P

               Parte aerea    Raiz
                   dag [kg.sup.-1]

Quaresmeira      0,135b      0,117b
Parica           0,066c      0,103b
Jussara          0,185a      0,244a
Cassia-rosea     0,060c      0,063b
CV (%)            19,30      40,39

                        Conteudo de As
                                                IT
Especie        Parte aerea    Raiz    Total
                          mg/planta              %

Quaresmeira      0,015b      0,014d   0,030c    51a
Parica           0,046a      0,129a   0,175a    27b
Jussara          0,010b      0,038c   0,049c    20b
Cassia-rosea     0,006b      0,068b   0,075b    8c
CV (%)            32,27      27,98    20,28    30,10

                       Conteudo de P

               Parte aerea    Raiz    Total
                          mg/planta

Quaresmeira      1,602b      0,378c   1,979b
Parica           4,263a      2,117a   6,380a
Jussara          3,270a      2,052a   5,322a
Cassia-rosea     1,568b      1,360b   2,928b
CV (%)            27,30      31,09    26,09

Em que: Medias seguidas pela mesma letra, na coluna, nao diferem
entre si, pelo teste de agrupamento de Scott-Knott, a 5% de
significancia

TABELA 4: Medias dos atributos quimicos e fisico-quimico dos
substratos das especies avaliadas, apos
120 dias de cultivo.

TABLE 4: Average of chemical and physico-chemical attributes
of the substrates of species evaluated
after 120 days of cultivation.

                     pH                P           K        Na
Especie
                 [H.sub.2]O                 mg [kg.sup.-1]

Quaresmeira         5,1a            397,4b         9a       4b
Parica              5,0a            652,8a        11a       10a
Jucara              4,9a            458,5b         8a       4b
Cassia-rosea        4,9a            487,9b        10a       4b
CV (%)              3,63             14,56       66,80     41,30

                     MO              P-rem         Fe       Mn

               dag [kg.sup.-1]   mg [L.sup.-1]   mg [dm.sup.-3]

Quaresmeira         0,52b            26,0a       678,1a    58,4a
Parica              1,47a            26,5a       609,3a    56,9a
Jucara              0,57b            23,2a       664,7a    47,5b
Cassia-rosea        0,79b            25,5a       824,4a    62,8a
CV (%)              38,58            16,54       31,88     12,20

               [Ca.sup.2+]   [Mg.sup.2+]     T           PST
Especie
                    [cmol.sub.c] [dm.sup.-3                %

Quaresmeira       0,61b         2,13b      4,46b        0,35b
Parica            0,95b         1,69b       5,68b       0,75a
Jucara            1,30a         2,32b      5,76b        0,32b
Cassia-rosea      1,54a         2,89a      7,26a        0,22b
CV (%)            28,76         20,40      17,42        65,78

                    S            As                      CE

                    mg [dm.sup.-3]                  dS [m.sup.-1]

Quaresmeira      599,7a        319,2a                   4,25a
Parica           614,2a        373,4a                   3,39b
Jucara           618,6a        367,7a                   3,57b
Cassia-rosea     580,8a        367,2a                   3,60b
CV (%)            10,49         15,49                   9,39

Em que: pH: relacao 1:2,5; K, Na, Fe e Mn: extrator Mehlich I;
[Ca.sup.2+] e [Mg.sup.2+]: extrator KCl 1 mol [L.sup.-1]; T: capacidade
de troca cationica; PST: percentagem de sodio trocavel = Na x 100 / T;
MO: materia organica = carbono organico x 1,724; P-rem: fosforo
remanescente; S: extrator fosfato monocalcico em acido acetico; As
e P: metodo USEPA 3051A, determinacao por ICP-OES. Medias seguidas
pela mesma letra, na coluna, nao diferem entre si, pelo teste de
agrupamento de Scott-Knott, a 5 % de significancia.
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Guimaraes, Lorena Abdalla de Oliveira Prata; de Assis, Igor Rodrigues; Dias, Luiz Eduardo; Cordeiro,
Publication:Ciencia Florestal
Date:Jul 1, 2017
Words:6311
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