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PERFIL NUTRICIONAL DE PRATICANTES DE ATIVIDADE DE FORCA.

INTRODUCAO

Houve um aumento nos ultimos anos de pessoas que buscam saude e um corpo atletico, e o treinamento de forca e uma modalidade de exercicio fisico mais procurada por individuos de diferentes faixas etarias, de ambos os sexos e com formas fisicas variadas (Dias e colaboradores, 2005).

Esse fato tambem se justifica devido a essa modalidade trazer muitos beneficios para o nosso organismo, como a melhora de doencas cardiovasculares, diabetes, cancer, osteoporose e controle da massa corporea, alem disso, a atividade fisica melhora a saude mental, fazendo com que eleve a autoestima, socializacao com outras pessoas e na diminuicao do estresse e ansiedade (Matsudo, Matsudo e Neto, 2000; Marques e Liberali, 2012).

Devido ao grande esforco realizado por praticantes dessa modalidade, o consumo de macronutrientes e diferente de um individuo comum, ou seja, precisam de maiores quantidades para suprir suas necessidades, principalmente a proteica (Marques e Liberali, 2012).

Especialistas afirmam que a alimentacao equivale a 60% da importancia no ganho de massa muscular e desempenho de um praticante. Contudo, ha uma falta de conhecimento destes, que uma alimentacao balanceada e adequada para as necessidades de todos e de tamanha importancia (Menon e Santos, 2012).

Uma nutricao adequada e essencial para ganhos de massa magra satisfatorios, fornecendo um aporte de nutrientes adequado capaz de reparar e reconstruir os tecidos lesionados durante a atividade fisica (Bezerra e colaboradores, 2013).

A hipertrofia muscular e alcancada com uma combinacao adequada de treinamento fisico e dieta. Para aumentar a massa magra uma dieta equilibrada com balanco energetico e proteico ligeiramente positivo, e de suma importancia para a formacao do tecido muscular, mantendo suas funcoes e estrutura, possibilitando assim a realizacao das atividades de forca, porem o consumo proteico alem do recomendado e muito frequente e muitas vezes e combinado com baixa ingestao de calorias e carboidratos e alta ingestao de lipideos, o que dificulta o ganho de massa magra (Panza e colaboradores, 2007; Silva e colaboradores, 2012).

O consumo hiperproteico no meio dos praticantes que buscam hipertrofia se tornou algo muito comum, devido ao mito criado de que o alto consumo de proteinas melhora os ganhos de massa magra. Esse alto consumo de proteinas acarreta um desequilibrio nutricional geral em que carboidratos e lipideos tambem se encontram sendo ingeridos em quantidades inadequadas (Rocha e Pereira, 1998).

O consumo exacerbado de proteina pode levar a complicacoes a medio e longo prazo, podendo acarretar em doencas renais, elevar as perdas urinarias de calcio e aumentar a perda hidrica, devido a excrecao urinaria para a eliminacao de nitrogenio adicional encontrado, alem disso, a proteina ingerida em excesso sera convertida e armazenada na forma de gordura (Lima e colaboradores, 2015).

Considerando as alteracoes nutricionais, fisiologicas e ate clinicas obtidas pela inadequacao dietetica de praticantes de atividades de forca e a importancia da alimentacao para estes praticantes, despertouse para a necessidade de desenvolver um estudo nessa especialidade, cujo objetivo foi verificar o perfil dietetico e composicao corporea neste grupo analisando a apropriacao com a modalidade praticada.

MATERIAIS E METODOS

Caracterizacao e delineamento

Este estudo tratou-se de um trabalho quantitativo, exploratorio que buscou informacoes relevantes sobre praticantes de atividades de forca em academias do municipio de Campo Mourao-PR, visando o perfil nutricional e composicao corporal.

O publico alvo deste estudo foram pessoas sadias que praticavam atividade de forca em duas academias de musculacao, cada uma com media de 140 praticantes que se enquadravam nos parametros do estudo, a amostra da pesquisa foi de 26 individuos. Os individuos foram convidados a participar e assinar, de forma voluntaria, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Para a realizacao da pesquisa foram utilizados alguns criterios de inclusao: individuos na faixa etaria de 18 a 50 anos, de ambos o sexos, que estavam sob acao de atividade de forca por periodo igual ou maior que tres meses consecutivos, realizando esta, pelo menos, tres vezes na semana e que nao utilizavam esteroides anabolizantes, todas os questionamentos faziam-se presentes na anamnese nutricional e identificadas por questionamento direto ao praticante. Idosos e gestantes foram excluidos da coleta.

Coletas de dados

Foi aplicada uma anamnese nutricional com questionamentos a respeito da historia clinica e dietetica, informacoes gerais sobre a alimentacao, recordatorio 24 horas, usado para avaliar a adequacao de macronutrientes e calorias segundo SBME, e avaliacao antropometrica. Para complementar a pesquisa foi aplicado um Questionario de Registro Alimentar (QRA) adaptado de Biesek e colaboradores (2005) de tres dias, sendo um dia de final de semana e dois dias do meio da semana. Sucedeu-se o preenchimento durante a rotina do avaliado, buscando identificar os habitos alimentares, ingestao de energia e macronutrientes de cada um.

A mensuracao do peso foi realizada na balanca disponivel na academia em que os praticantes frequentavam. Consistia em uma balanca antropometrica (Welmy[R]), calibrada, com capacidade maxima de 200 Kg. Os avaliados foram orientados a usarem roupas leves, retirar os sapatos e ficarem em posicao ortostatica para a pesagem. Para mensuracao da estatura utilizou-se o estadiometro portatil (Sanny[R]), com total de dois metros. Os avaliados ficaram posicionados em pe, descalcos, com o peso igualmente distribuido entre os pes e o corpo erguido em extensao maxima.

A circunferencia braco foi medida com fita metrica inelastica (Sanny[R]) de fibra de vidro, com dois metros de capacidade, precisao de um milimetro. Para as estimativas de CB, CMB e AMBc utilizou-se a circunferencia do braco juntamente com a dobra cutanea tricipital, obtendo um diagnostico mais preciso do estado nutricional dos avaliados.

A realizacao do estudo da composicao corporea tratou-se de afericoes de quatro dobras cutaneas (tricipital, subescapular, supra-iliaca e abdominal) e foi estimada a quantidade de gordura corporal, segundo o protocolo de Faulkner (1968). As afericoes das dobras cutaneas foram realizadas seguindo a metodologia de Heyward e Stolarczyk (2000) e Costa (2001), sendo utilizado um adipometro cientifico (Sanny[R], modelo AD1007) com precisao de 0,1 mm, a pele e tecido adiposo subcutaneo foram pincados suavemente e aguardados 2 a 4 segundos para a leitura, pincada tres vezes e considerado o valor medio.

Para classificacao da composicao corporea segundo percentual de gordura corporal, utilizaram-se parametros estabelecidos por Lohman (1992).

Analises de dados

As variaveis continuas do estudo compreendem o calculo da Adequacao de Circunferencia de Braco (CB) (formula de Jelliffe, percentil segundo Frisancho (1981) e classificacao segundo Blackburn e Thornton (1979), Circunferencia Muscular do Braco (CMB) (formula de Jelliffe, adequacao segundo Blackburn e Thornton (1979), percentil segundo Frisancho (1981) e classificacao adaptado de Blackburn e Thornton (1979) e Area Muscular do Braco Corrigida (AMBc) (formula de Heymsfield, 1999, percentil segundo Frisancho, 1990).

Como ponto de corte para analise do consumo alimentar dos avaliados foi utilizada uma diretriz da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercicio e do Esporte (SBMEE) (2009), em que recomenda-se a ingestao de 37 a 41 calorias por quilo de peso corporal por dia, 5 a 8 g/kg de peso/dia proveniente de carboidratos, cerca de 1 g/kg de peso/dia de lipideos e 1,2 a 1,6 g/kg de peso/dia de proteinas.

As variaveis dieteticas foram processadas no software DietBox[R] (2018) e entao realizou-se a media entre os tres dias de Questionario de Registro Alimentar e um dia de Recordatorio 24h para cada macronutriente e calorias. Os valores obtidos foram comparados com as recomendacoes da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercicio e do Esporte e classificados. Os resultados foram expressos em n/% para cada classificacao.

Delineamento etico

O presente trabalho foi submetido ao Comite de Etica em Pesquisa envolvendo Humanos do Centro Universitario Integrado e apos aprovacao sob o parecer do CEP n. 0923471/2018 e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pelo local objeto da pesquisa e dos proprios sujeitos avaliados.

RESULTADOS

Dos 26 individuos constituintes da amostra, 19 eram do sexo masculino e 7 do sexo feminino, com media de idade de 23 e 31 anos, respectivamente.

A Tabela 1 mostra o estado nutricional em que se encontravam os avaliados, segundo Adequacao de Circunferencia de Braco (CB).

Na Tabela 1 e possivel visualizar que a maior parte dos individuos do sexo masculino encontrava-se em sobrepeso (n=9 /47,4%), segundo calculo de adequacao de CB, enquanto os individuos de sexo feminino apresentaram-se entre eutrofia (n=3 / 42,8%) e desnutricao leve (n=3 / 42,8%).

A tabela tambem mostra que uma pequena quantidade de praticantes do sexo masculino (n=2 / 10,5%) apresentou-se em estado de desnutricao leve ou moderada, a mesma quantidade aplica-se para os homens em obesidade, cujo por parte das mulheres essa classificacao nao se mostrou presente.

Estes resultados podem ser incompativeis com o publico avaliado, devido a Adequacao de CB nao levar em consideracao a quantidade de massa muscular e/ou massa adiposa dos individuos.

A Tabela 2 mostra a media do estado nutricional segundo percentual de gordura corporal em que se encontravam os individuos.

E possivel observar na Tabela 2 que a maioria dos individuos do sexo masculino (n=9 / 47,4%) se encontrava acima da media em relacao ao percentual de gordura corporal, situacao que nao se repete ao analisar os individuos do sexo feminino, em que 100% (n=7) das avaliadas encontrava-se em estado nutricional normal em relacao ao percentual de gordura corporal.

A Tabela 3 mostra a quantidade de tecido muscular dos avaliados, segundo classificacao da Area Muscular do Braco corrigida (AMBc).

Na Tabela 3 e possivel observar que a maior parte dos individuos do sexo masculino (n=7 / 36,7%) encontrava-se em normalidade de tecido muscular, enquanto 57,1% (n=4) dos individuos do sexo feminino apresentaram-se nessa classificacao.

Grande parte dos individuos do sexo feminino (n=3 / 42,9%) encontrou-se em deplecao leve de tecido muscular. Por parte dos individuos do sexo masculino 15,7% (n=3) apresentaram-se com deplecao leve, sendo 5,5% (n=1) em deplecao moderada.

Uma quantidade significativa dos individuos do sexo masculino (n=8 / 42,1%) demonstrou excesso leve ou moderado de tecido muscular, justificado pelo treinamento de contra resistencia com objetivo de hipertrofia muscular, resultado este que foi encontrado antagonicamente nos individuos de sexo feminino, onde nenhuma das praticantes encontrava-se com excesso de tecido muscular.

Para avaliacao do consumo dietetico, foram entregues Inqueritos Alimentares que deveriam ser preenchidos pelos participantes e devolvidos ao termino do preenchimento.

A Tabela 4 mostra a media de consumo energetico, proteico, glicidico e lipidico dos praticantes.

E possivel observar na tabela 4 que, todos os individuos do sexo masculino (n=19 /100%) praticavam consumo energetico abaixo do recomendado pela SBME para resultar em hipertrofia muscular, tambem e possivel observar uma grande quantidade dos individuos de sexo feminino (n=6 / 85,7%) neste mesmo padrao alimentar.

Referente ao consumo proteico, este se encontrou acima do recomendado na maior parte dos individuos do sexo masculino (n=13 / 68,4%), sendo notoria, tambem, a quantidade de praticantes que consumiam abaixo do recomendado (n=4 / 21,1%).

Quanto aos praticantes do sexo feminino, 42,9% (n=3) possuiam um consumo proteico dentro do recomendado. A mesma quantidade aplica-se para aqueles que consumiam abaixo do recomendado, enquanto apenas 14,2% (n=1) possuiu um consumo hiperproteico.

O perfil dos avaliados da pesquisa para consumo glicidico e de baixa ingestao de carboidratos, sendo 100,0% (n=19) para os homens e 85,7% (n=6) para mulheres, quantidades exorbitantes que prejudicam diretamente o aumento de massa muscular para ambos os sexos.

No que se refere ao consumo lipidico, este apresentou grandes variacoes para ambos os sexos, porem os maiores resultados foram para um perfil alimentar normolipidico para homens (n=8 / 42,1%) e hipolipidico para mulheres (n=4 / 57,1%).

DISCUSSAO

A Adequacao de Circunferencia de Braco (CB) e importante para o estudo, mesmo considerando que a CB nao utiliza valores de massa magra ou massa gorda para seus resultados. Sendo assim, a tabela 1 mostra que ha preponderancia de praticantes do sexo masculino em estado nutricional de sobrepeso. O mesmo foi demonstrado na pesquisa de Filardo e Petroski (2007), onde a presenca de homens, em academias, com estado nutricional de sobrepeso (53,2%) foi maior quando comparado com individuos em baixo peso ou eutrofia.

A tabela 1 tambem mostra que a prevalencia de mulheres praticantes de musculacao em estado nutricional de desnutricao leve ou moderada nas academias e maior quando comparada aos homens.

Esta prevalencia tambem foi identificada em uma pesquisa realizada por Rosario e Liberali (2012), onde foi identificado que 4,28% (n=11) dos individuos praticantes de musculacao, de uma amostra de 250 homens, estavam em estado de baixo peso enquanto que do sexo feminino essa quantidade foi de 11,90% (n=25) de uma amostra de 210 mulheres.

Mulheres praticantes de atividades de forca ainda preocupam-se muito em prevenir a masculinizacao da imagem corporal, ainda que esta preocupacao seja menos encontrada entre elas a cada dia, resultando em baixa quantidade de massa muscular e padroes abaixo do peso ideal. A presenca de um tabu entre as mulheres praticantes de musculacao sobre a masculinizacao do corpo feminino foi evidenciada por Lessa e colaboradores (2007).

Em um estudo realizado por Curi e colaboradores (2012) 84% das avaliadas apresentaram distorcao da imagem corporal, essa distorcao esta diretamente ligada com o padrao estetico de magreza, que muitas vezes se assemelha a pacientes com disturbios alimentares, como anorexia nervosa e bulimia, representado por modelos de beleza e difundido pelos meios de comunicacao em massa.

A tabela 2 mostrou resultados parecidos referentes ao estado nutricional dos avaliados segundo %GC, onde a maioria dos individuos de sexo masculino demonstrou estar acima da media enquanto os individuos de sexo feminino apresentaram-se em estado nutricional normal. Resultados contrarios foram demonstrados em praticantes de musculacao de outro estudo, onde 41,9% (n=13) dos homens apresentaram estado nutricional saudavel de acordo com %GC, enquanto 40,5% (n=15) das mulheres estavam com sobrepeso, segundo Sehnem e Soares (2015).

O estudo de Sehnem e Soares (2015) nao distingue a adequacao alimentar entre os sexos, portanto nao e possivel determinar a influencia da alimentacao perante a composicao corporal do estudo citado.

Na tabela 3 e demonstrado que a maioria dos individuos avaliados (n=11 /42,3%) de ambos os sexos encontra-se em normalidade referente a quantidade de tecido muscular. Resultado que se reforca por Lima e colaboradores (2015) que avaliaram homens e mulheres praticantes de musculacao e constataram que 48% dos sujeitos da pesquisa apresentaram-se em normalidade de tecido muscular.

A tabela tambem apresenta que praticantes do sexo masculino apresentam-se com tendencia a ter excesso de massa muscular, enquanto que por parte dos praticantes do sexo feminino, estes possuem tendencia a ter deplecao de massa muscular.

A maioria dos praticantes de musculacao possui um consumo insuficiente de nutrientes para o desenvolvimento de massa magra, segundo um estudo de Dos Santos e colaboradores (2016).

O consumo hipocalorico por parte de praticantes de atividades de forca que objetivam hipertrofia muscular nao seria a melhor adequacao, uma vez que a hipertrofia so e possivel a partir de um balanco energetico ligeiramente positivo.

Segundo um estudo realizado por Oliveira e colaboradores (2009), em que se avaliaram praticantes de musculacao do genero masculino, 72,7% dos avaliados consumiam uma dieta hipercalorica, 90,9% hiperproteica e hipoglicidica e 81,8% hiperlipidica.

Em outro estudo realizado por Duran e colaboradores (2008) onde foram avaliados 32 praticantes de musculacao, 53,1% dos individuos consumiam uma dieta hiperproteica, 46,9% hipoglicidica e em relacao aos lipideos a maioria (59,4%) apresentou consumir uma dieta dentro dos padroes recomendados, tendo 37,5% um consumo acima.

A tabela 4 mostra que o perfil alimentar dos sujeitos da amostra e inadequado referente a calorias e macronutrientes, onde as maiores inadequacoes estao em consumo de calorias e carboidratos que se apresentam abaixo do recomendado para praticantes que objetivam hipertrofia segundo SBME (calorias: 37 a 41 kcal/kg/dia; carboidratos: 5 a 8 g/kg/dia).

Resultados que foram evidenciados, tambem, por Menon e Santos (2012), os quais observaram em sua pesquisa que 52,2% dos avaliados apresentaram ingestao calorica abaixo do recomendado.

Referente as mulheres, segundo Donatto e colaboradores (2012), a pratica de uma dieta hipocalorica e hipolipidica podera desregular o sistema endocrino causando anormalidades na producao de hormonios, o que pode levar a amenorreia, alem de induzir a sarcopenia.

A inadequacao de macronutrientes e prevalente em praticantes de atividades fisicas, principalmente de carboidratos (Duran e colaboradores, 2008). A ingestao correta de carboidratos e tao importante quanto a proteica para praticantes de atividades de forca que objetivam hipertrofia muscular. Segundo De Melo e colaboradores (2016), o consumo correto de carboidratos pode inibir o efeito de glicogenolise que poderia resultar em perda de desempenho.

Ao analisar o consumo de proteinas em praticantes de musculacao, Menon e Santos (2012) mostraram em seu estudo que 43,55% dos avaliados consumiam de 1,8 a 3,4 g/kg de peso/dia de proteina, mostrando assim que o perfil do consumo alimentar de homens praticantes de atividade de forca e hiperproteico, alem de hipoglicidico.

A inadequacao da ingestao proteica tambem e visualizavel no presente estudo, onde individuos do sexo masculino possuem, em sua maioria, consumo de proteinas acima do recomendado, enquanto entre os individuos de sexo feminino os valores praticados sao, em grande parte, abaixo do recomendado para praticantes de atividades de forca.

Mazon e colaboradores (2018) obtiveram os mesmos resultados em seu estudo, onde 73,7% (n=28) dos praticantes de musculacao do sexo masculino possuiam consumo proteico acima do recomendado, enquanto do sexo feminino 23,8% (n=5) possuiam consumo abaixo do recomendado pela SBME.

Segundo Rosaneli e Donin (2007), quando a dieta e hipocalorica, a proteina e oxidada e utilizada como fonte de energia e nao estara disponivel para sintese celular, porem quando a sintese e maior que a degradacao ocorre a renovacao proteica no musculo, pois a pratica de exercicios fisicos promove alteracoes no organismo, principalmente no que se refere ao turnover proteico do musculo esqueletico.

Dessa forma, o excesso de massa muscular presentes nos individuos de sexo masculino, mesmo praticando dietas hipocaloricas e hipoglicidicas, remete ao alto consumo proteico juntamente com treinamento de forca, o que levaria a manutencao de massa magra atraves da renovacao proteico muscular.

No tocante ao consumo lipidico, este se apresentou abaixo do recomendado para praticantes de atividade de forca para ambos os sexos. Perfil este que pode gerar complicacoes metabolicas, hormonais e homeostaticas no organismo, devido a falta deste nutriente.

Menon e Santos (2012) tambem observaram que 41,6% dos homens avaliados possuiam consumo de lipideos abaixo do recomendado e o mesmo aconteceu com as mulheres com cerca 60%.

Uma das hipoteses do consumo lipidico apresentar-se abaixo do recomendado por praticantes de musculacao foi proposta por Zilch e colaboradores (2012), e seria devido ao habito de substituir refeicoes por suplementos alimentares, negligenciando a importancia das gorduras.

CONSIDERACOES FINAIS

A amostra estudada apresentou perfil nutricional inadequado para os habitos que cercam suas rotinas, com a pratica de atividade de forca, as ingestoes de carboidratos e calorias deveriam ser maiores quando comparada a pessoas que nao praticam atividades fisicas.

O perfil dos avaliados foi de dietas hipocaloricas, hipoglicidicas, hiperproteicas e hipolipidicas. Denota-se que esta inadequacao dietetica teve interferencia direta com a composicao corporal dos avaliados, em que mulheres apresentaram-se com magreza e deplecao de massa muscular e homens com sobrepeso e excesso de massa.

Este perfil masculino remete ao alto consumo proteico, porem com inadequacoes nos demais macronutrientes e calorias, onde a proteina em altas quantidades parece ter favorecido a manutencao de massa magra, contudo, observa-se a necessidade de mais estudos nessa especialidade.

No que diz respeito ao estado nutricional, conclui-se que praticantes de atividade de forca devem ter habitos alimentares dentro de suas necessidades, uma vez que dietas hipocaloricas podem gerar consequencias indesejaveis no sistema endocrino e na homeostase do organismo, afetando o desempenho fisico e na qualidade de vida.

Com a finalidade de promover ganhos de massa magra, o acompanhamento de um profissional nutricionista mostra-se primordial a fim de promover um consumo dietetico adequado sem menosprezar ou preconizar nenhum nutriente, uma vez que todos se mostram de suma importancia para praticantes de atividade de forca.

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E-mails dos autores:

fernando_fc20@hotmail.com

rafael.s.ikeda@gmail.com

coor.nutricao@grupointegrado.br

Recebido para publicacao em 19/01/2019

Aceito em 19/08/2019

Fernando Caetano (1)

Rafael Kiyoshi Soares Ikeda (1)

Renato Castro da Silva (1)

(1) - Centro Universitario Integrado, Campo Mourao-PR, Brasil.
Tabela 1 - Estado nutricional dos sujeitos da pesquisa, segundo
Adequacao de Circunferencia de Braco (CB).

Estado nutricional   Masc.       Fem.
Esegundo CB         n    %      n   %

Desn. Moderada      1     5,3   1    14,4
Desn. Leve          1     5,3   3    42,8
Eutrofia            6    31,5   3    42,8
Sobrepeso           9    47,4   -     -
Obesidade           2    10,5   -     -
Total              19   100     7   100

Fonte: Praticantes de atividade de forca de academias de Campo
Mourao-PR em agosto de 2018.

Tabela 2 - Estado nutricional dos sujeitos da pesquisa, segundo
percentual de gordura corporal.

Estado Nutricional    Masc.        Fem.
% Gordura Corporal   n    %       n   %

Desnutricao           -     -     -     -
Normal                5    26,3   -   100
Media                 4    21,1   -     -
Acima da media        9    47,4   -     -
Obesidade             1     5,2   -     -
Total                19   100     7   100

Fonte: Praticantes de atividade de forca de academias de Campo
Mourao-PR em agosto de 2018.

Tabela 3 - Classificacao da quantidade de tecido muscular dos sujeitos
da pesquisa, segundo AMBc.

Tecido Muscular      Masc.        Fem.
                    n    %       n    %

Deplecao moderada    1     5,5   -     -
Deplecao leve        3    15,7   3    42,9
Normalidade          7    36,7   4    57,1
Excesso Leve         6    31,6   -     -
Excesso Moderado     2    10,5   -     -
Total               19   100     7   100

Fonte: Praticantes de atividade de forca de academias de Campo
Mourao-PR em agosto de 2018.

Tabela 4 - Perfil alimentar segundo calorias e macronutrientes de
praticantes de atividades de forca

Consumo        Energetico         Proteico
Dietetico (1)  Masc.    Fem.      Masc.     Fem.
               n   %    n   %     n   %      n  %

Abaixo         19  100  6   85,7   4   21,1  3   42,9
Adequado        0    0  0    0     2   10,5  3   42,9
Acima           0    0  1   14,3  13   68,4  1   14,2
Total          19  100  7  100    19  100    7  100

Consumo        Glicidico           Lipidico
Dietetico (1)  Masc.    Fem.      Masc.      Fem
               n    %   n    %    n   %      n  %

Abaixo         19  100  6   85,7   7   36,8  4   57,1
Adequado        0    0  1   14,3   8   42,1  2   28,6
Acima           0    0  0    0     4   21,1  1   14,3
Total          19  100  7  100    19  100    7  100

Fonte: Praticantes de atividade de forca de academias de Campo Mourao,
PR em agosto de 2018.
Legenda: (1) Calorias: 37 a 41 kcal/kg de peso/dia; Proteinas: 1,6 a
1,7 g/kg de peso/dia; Glicidios: 5 a 8 g/kg de peso/dia; Lipideos:
cerca de 1g/kg de peso/dia (valor utilizado para avaliacao: 0,9 a 1,2
g/kg de peso/dia) (SBME, 2009).
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Author:Caetano, Fernando; Ikeda, Rafael Kiyoshi Soares; Silva, Renato Castro da
Publication:Revista Brasileira de Nutricao Esportiva
Date:Jul 1, 2019
Words:5426
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