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PERFIL DA QUALIDADE DO LEITE EM PROPRIEDADE RURAL DO MUNICIPIO DE ITAPERUNA, RIO DE JANEIRO, BRASIL.

1 Introducao

A presente pesquisa quali-quantitativa de procedimento tecnico bibliografico apresenta um relato sobre o monitoramento de qualidade do leite ordenhado em propriedades rurais de Itaperuna/RJ.

De forma abrangente o leite e o produto obtido da ordenha completa e ininterrupta em condicoes de higiene, de vacas leiteiras sadias, bem alimentadas, tratadas e em repouso (BRASIL, 2011).

Dessa forma, o objetivo desse estudo e monitorar a qualidade do leite bovino ordenhado em propriedades rurais no municipio de Itaperuna--RJ, e integrar o monitoramento da produtividade leiteira ao programa de Extensao Rural e Universitaria do Curso de Medicina Veterinaria da Universidade Iguacu Campus V, Itaperuna--RJ (UNIG).

Neste contexto, justifica-se tal materia pela variacao na qualidade do leite que leva a ocorrencia em determinadas ocasioes de descarte significativo ou subaproveitamento do leite produzido na regiao. Programas de monitoramento visam contribuir para melhoria na qualidade final e consequente reducao no descarte do produto e prejuizos causados aos produtores.

A metodologia aplicada foi com base em ensaios quimico, microbiologico e fisico- quimico com uso de equipamento ultrassonico, potenciometro e kits comerciais disponibilizados pelo laboratorio de analises de leite da Universidade Iguacu Campus V.

As amostras foram coletadas em uma propriedade rural do municipio de Itaperuna- RJ, se adequando a orientacao dos coordenadores e demais membros participantes do Programa de Extensao Rural e Universitaria do Curso de Medicina Veterinaria da Universidade Iguacu Campus V responsaveis pelo trabalho de orientacao e capacitacao dos ordenadores e trabalhadores rurais envolvidos no processo, alem de monitoramento veterinario. As amostras apos obtidas, serao imediatamente refrigeradas e mantidas a temperatura de 2[degrees]C a 4[degrees]C, sendo posteriormente enviadas ao Laboratorio de Analises de Leite da UNIG, para processamento das analises laboratoriais.

1.1 Conceito de Leite

De acordo com a Instrucao Normativa No. 62, do Ministerio da Agricultura, Pecuaria e Abastecimento denomina-se leite, sem outra especificacao, o produto normal, fresco, integral, oriundo da ordenha completa e ininterrupta (BRASIL, 2011).

O leite e um alimento com extenso valor nutritivo e muito consumido pela populacao mundial, porem, e tambem, um bom meio de cultura para muitos microrganismos, assim, a existencia de problemas relacionados a condicoes higienicas deficientes durante os processos de obtencao, manipulacao e conservacao vem sendo considerada como uma das principais razoes para a ausencia de qualidade do leite (ROSA & QUEIROZ, 2007, p. 423).

1.2 Propriedades do Leite

A composicao do leite pode diferir, mas uma forma padrao deve conter: 87,1% de agua, 3,4% de proteinas, 3,9% de gordura, 4,9% de carboidratos (acucares) e 0,7% de sais minerais, alem de outras vitaminas (PRATA, 2001).

De forma mais inclusiva, e qualificado como uma mistura complexa, constituida por varias substancias como agua, proteinas, gorduras, carboidratos, minerais e vitaminas, consistindo um alimento humano bastante proximo a exatidao. No entanto, as mesmas caracteristicas que o tornam um alimento de grande importancia nutricional, garantem o crescimento de microrganismos tornando sua resistencia limitada pela presenca e aumento de microrganismos indesejaveis, os quais fomentam, entre outras, alteracoes fisico-quimicas no mesmo (SOARES et al, 2010).

A quantidade do leite produzida e sua composicao apresentam variacoes ocasionadas por diversos fatores, tais como alimentacao, doencas, periodo de lactacao, ordenhas, fraudes e adulteracoes (BERSOT et al, 2010, p. 645-652).

Qualquer substancia que nao faca parte da composicao do leite bovino e classificada como estranhas e estando presentes, podem causar danos a saude humana. A adicao de substancias estranhas ao leite esta relacionada a fraudes que podem ocorrer desde a fonte de producao ate a fase de comercializacao. Tais substancias sao classificadas de varias maneiras, de acordo com a finalidade de seu uso. Pode-se tratar de substancias conservadoras e/ou inibidoras, de substancias redutoras da acidez ou ainda de substancias reconstituintes da densidade (TRONCO, 2003).

O Ministerio da Agricultura, Pecuaria e Abastecimento--MAPA, atraves da Instrucao Normativa no. 62, regulamenta o padrao de identidade e qualidade do leite, incluindo manejo de ordenha, resfriamento na propriedade, transporte em grande quantidade, parametros fisicoquimicos, microbiologicos e contagem de celulas somaticas, o que aumentou o nivel de exigencia nas propriedades e nas industrias da area (BRASIL, 2011).

1.3 Manejo, etapas e higienizacao na ordenha manual

A ordenha e uma atividade que requer atencao e cuidado devido a sua influencia na producao do leite, na qualidade e na saude dos animais. Todo o cuidado durante a ordenha envolve a higiene nao so dos animais como a do local, dos utensilios e do ordenhador (RIBEIRO e BRITO, 2012).

Segundo a Embrapa a ordenha manual deve obedecer aos seguintes criterios: conduzir a vaca cuidadosamente para ordenha; prender a cauda e as patas da vaca; prender o banco na altura do quadril; lavar as maos e o antebraco com auxilio de escova e sabao e seca-los com uma toalha limpa; examinar e descartar os tres primeiros jatos de leite, em caneca de fundo escuro; lavar as tetas com agua corrente e tratada; e secar as tetas com papel toalha descartavel (IDEM).

A manutencao dos animais em ambientes higienicos, secos e confortaveis visa em primeiro lugar amenizar os problemas relativos as mastites ambientais, mas indiretamente tem reflexo nos indices de mastite contagiosa. Animais com uberes sujos exigem cuidados redobrados por ocasiao da ordenha. Deve-se observar com cautela as instalacoes para vacas secas, novilhas e vacas em lactacao como piquetes, sombreamento, dimensao correta das instalacoes nos diferentes sistemas de confinamento, natureza da cama e baias ou piquetes de paricao (SANTOS, 2002, p. 212).

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases do Ministerio da Agricultura e Desenvolvimento apos a ordenha e necessario desinfetar as tetas com produto a base de iodo glicerinado 0,5 a 1%, clorexidine 0,5 a 1%, hipoclorito a 4% ou acido sulfonico a 1,94% (RIBEIRO e BRITO, 2012).

1.4 Programa de Extensao Rural

Este programa tem o objetivo de melhorar a formacao de profissionais capazes de interpretar e agir nao apenas na dimensao tecnica, mas tambem nas dimensoes economica, social, cultural e ambiental, permitindo a solidez de competencias e habilidades para a compreensao da realidade afetada pelos novos projetos de desenvolvimento.

A ideia de desenvolvimento envolve dois processos diferentes: crescimento e mudanca. O crescimento pode ser visto sob o ponto de vista social e economico na medida em que ha um aumento na riqueza de um pais, mas a mudanca so ocorre quando mudam os padroes de distribuicao da mesma. Neste contexto, nao e dificil entender a importancia da Extensao Rural, conforme afirma Bezerra, Sanchez e Ulrich apud Campelo (2011, p.126):

Pode-se dizer que o objetivo global de um Servico de Extensao Agricola em uma sociedade subdesenvolvida e contribuir para o aumento da renda liquida das propriedades agricolas e melhoria das condicoes de vida da populacao rural (Bezerra, Sanchez e Ulrich 2011, apud CAMPELO, 1970).

Segundo Olinguer (2006), extensao rural e o processo de estender, a populacao rural, conhecimentos, habilidades e praticas agropecuarias, florestais e domesticas, reconhecidas como necessarias a melhoria de sua qualidade de vida.

1.5 Mastite

A mastite bovina e considerada a doenca que acarreta os maiores prejuizos economicos a producao leiteira, pela reducao da quantidade e pelo comprometimento da qualidade do leite produzido, ou ate pela perda total da capacidade secretora da glandula mamaria.

Caracteriza-se por uma inflamacao da glandula mamaria, geralmente de carater infeccioso, podendo ser classificada como clinica ou subclinica. A mastite ocasiona modificacoes patologicas no tecido glandular e uma serie de alteracoes fisicas e quimicas do leite e merece destaque em virtude de causar prejuizos relacionados ao descarte do produto, queda na producao gastos com antibioticos e, eventualmente, o descarte do animal (BRITO e BRITO, 1998).

A mastite clinica apresenta sinais evidentes, tais como: edema, aumento de temperatura, endurecimento, dor na glandula mamaria, grumos, pus ou qualquer alteracao das caracteristicas do leite (FONSECA & SANTOS, 2000). Na forma subclinica nao se observam alteracoes macroscopicas e sim alteracoes na composicao do leite; portanto, nao apresenta sinais visiveis de inflamacao do ubere (CULLOR et al., 1994)

Na patogenia dessa doenca, o organismo responde com o envio de leucocitos para o local, o que eleva a contagem de celulas somaticas (CCS) e afeta a composicao do leite (PAULA et al., 2004).

Segundo Bouchot et al (1995), o diagnostico da mastite clinica e realizado pelos sinais clinicos como inflamacao do ubere, secrecao lactea com grupos pus ou sangue. Enquanto a mastite subclinica e diagnosticada por exames baseados no conteudo celular do leite. (COSTA, 1998).

Um dos testes que pode detectar a mastite subclinica e a contagem direta ou indireta de celulas somaticas no leite. Celulas somaticas sao todas as celulas presentes no leite, que incluem as celulas originarias da corrente sanguinea como leucocitos e celulas de descamacao do epitelio glandular secretor. Os leucocitos, em sua maioria, sao mobilizados da corrente sanguinea para o tecido mamario diante de alteracoes na permeabilidade capilar. O aporte destas celulas se intensifica na quarta semana pre-parto, diminuindo gradativamente ate uma semana pos-parto. Na secrecao lactea de vacas com infeccao intramamaria, ocorre um aumento no numero de celulas de defesa passando a predominar neutrofilos, seguidos por macrofagos, linfocitos e o numero de celulas epiteliais permanece inalterado (PHILPOT e NICKERSON, 1991).

A contagem de celulas somaticas do leite indica, de maneira quantitativa, o grau de infeccao da glandula mamaria (MACHADO, PEREIRA, SARRIES, 2000).

O Somaticell[R] e um teste qualitativo em essencia, mas apresenta uma conversao para valores quantitativos, oferece um limite de resultados entre 69.000 a 1.970.000 cel/mL. Segundo Bordolla (2007), o Somaticell[R] e um indicador da CCS do leite, sendo utilizado no diagnostico de vacas com mastite subclinica em programas de gerenciamento da mastite em rebanhos leiteiros e no gerenciamento da qualidade do leite do rebanho atraves da analise do leite dos tanques de expansao ou latoes.

O California Mastitis Test (CMT) e um dos testes mais usuais para o diagnostico da mastite subclinica, sendo um indicador indireto da contagem de celulas somaticas no leite. Este consiste na coleta do leite dos quartos mamarios, individualmente, em uma bandeja apropriada, adicionando-se um detergente anionico neutro, que atua rompendo a membrana das celulas e liberando o material nucleico (DNA), que apresenta alta viscosidade. De acordo com a intensidade da reacao, classifica-se em: negativa (0), reacao leve (+), moderada (++) e intensa (+++) (FONSECA & SANTOS, 2000).

O sistema agroindustrial do leite e um dos mais importantes do pais. A atividade e praticada em todo o territorio nacional em mais de um milhao de propriedades rurais e, somente na producao primaria, gera acima de tres milhoes de empregos e agrega mais de seis bilhoes ao valor da producao agropecuaria nacional. (VILELA et al., 2002).

O municipio de Itaperuna caracteriza-se por ter um grande numero de propriedades leiteiras com pequeno numero de matrizes em seus rebanhos sendo o maior produtor da regiao Noroeste do estado do Rio de Janeiro tendo, assim, a producao de leite como uma atividade geradora de emprego e renda, sendo socialmente importante para a regiao.

Dessa forma, este trabalho visou realizar o levantamento de dados atraves da avaliacao da qualidade do leite na cidade de Itaperuna, comparando resultados encontrados nos testes de CMT e Somaticell do leite de vacas de uma propriedade do municipio.

2 Materiais e Metodos

O presente trabalho pesquisou vacas com mastite subclinica com emprego do California Mastite (CMT) e teste de contagem de celulas somaticas no municipio de Itaperuna.

Durante as visitas, o proprietario foi informado sobre a intencao de realizar uma pesquisa, assim como seus objetivos, justificativa e hipotese, onde o mesmo aceitou participar.

A partir da autorizacao do proprietario, o mesmo recebeu orientacao e informacoes a respeito do manejo do rebanho, da ordenha e dos principais fatores causadores de mastite, a importancia de um manejo adequado, antes, durante e apos a ordenha e sobre os testes que seriam realizados.

Foram avaliadas vacas, que sao ordenhadas manualmente pelo proprio produtor.

A equipe do projeto de extensao rural da Universidade Iguacu Campus V Itaperuna- -RJ e os responsaveis pela pesquisa chegaram a propriedade no mesmo horario em que o produtor realizava a ordenha.

O material era coletado para analise imediatamente apos cada ordenha, de maneira individual. Para cada vaca ordenhada era coletado um frasco pequeno de leite, uma parte desse leite era testado na propriedade imediatamente para a realizacao do teste de CMT e outra parte armazenada em recipiente, para realizacao do teste de Somaticell no laboratorio da Universidade Iguacu Campus V Itaperuna--RJ.

O teste de CMT (California Mastite Teste) foi realizado durante uma ordenha do mes de setembro e uma ordenha no mes de outubro.

Em setembro foram ordenhadas e avaliadas nove vacas e no mes de outubro tinham treze vacas. A inspecao e realizada visualmente avaliando a viscosidade do leite apos a reacao quimica entre leite e reagente.

O teste laboratorial, Somaticell foi realizado conforme as instrucoes do fabricante pela veterinaria do laboratorio de analises quimicas da Universidade.

3 Resultados e Discussao

Amostras de leite de treze vacas, identificadas sequencialmente, foram submetidas aos testes de CMT e Somaticell no mes de setembro e outubro do ano de 2016, visando acompanhar a evolucao ou nao da mastite em tais animais. Os resultados foram registrados em tabelas apresentadas a seguir.

Na Tabela 1, e possivel observar que o animal da amostra 2, no primeiro momento, apresentava resultado negativo tanto no teste de CMT (Tracos), quanto no teste Somaticell. No segundo momento do teste, houve uma progressao do quadro de mastite indicada pelo resultado do metodo de CMT apresentando um achado positivo (++) em um quarto mamario, porem nao evidenciado o mesmo padrao de elevacao pelo resultado do Somaticell que apresentou um valor abaixo do encontrado no primeiro teste realizado. Tal fato pode ser justificado pela questao de ser um teste qualitativo e depender da interpretacao do profissional executor.

Nos animais das amostras 3 e 4, verificou-se uma constante dos resultados em ambos os testes realizados nos dois momentos das analises. Ja na amostra 5, nos primeiros testes foram obtidos resultados positivos indicando ocorrencia de mastite subclinica, e posteriormente nos testes seguintes evolui para um quadro sugestivo de mastite clinica.

A amostra 7, apresentou resultados compativeis com mastite subclinica para o teste CMT em 2 (dois) quartos mamarios, comum a ligeira variacao na intensidade de positividade (++/+++) destes testes de um quarto para o outro nos resultados, e reproduzindo a positividade (+++) nos testes realizados na segunda etapa de analises no mes seguinte avaliado. O animal referente a amostra numero 8 apresentou resultados progressivos em ambos os testes, sugerindo a ocorrencia de quadro de mastite subclinica em evolucao.

Na amostra 9 houve uma constante no resultado, sendo este positivo no teste de CMT. Ja nos achados do teste do Somaticell, houve um aumento entre a primeira analise para a segunda realizada, e tambem um aumento no numero de quartos mamarios acometidos segundo os resultados encontrados com o teste CMT.

Os animais das amostras de numero 10, 11, 12 e 13 nao foram analisados no primeiro mes de execucao do teste por nao se encontrarem em periodo e lactacao. No mes de outubro os achados dos testes nas amostras 10 e 11 demonstram quartos mamarios saudaveis segundo os resultados obtidos com os testes realizados. Ja amostra 12, nao foi observada compatibilidade no resultado entre os testes CMT que apresentou resultado negativo, e o Somaticell apresentava resultadocompativelcom um processo patologico em grau moderado. O animal da amostra 13 foi evidenciado resultado positivo em ambos os testes com a observacao de achados proporcionais nos dois metodos e apresentando os 4 (quatro) quartos mamarios acometidos.

Na Figura 1, constam os dados registrados dos testes de CMT realizados nos dois momentos de analise, quanto a identificacao dos quartos mamarios avaliados e os resultados respectivos.

Os dados apresentados na Figura 1 sugerem uma evolucao do quadro de mastite nos animais das amostras de numeros 2, 5, 8 e 9.

A Tabela 2 apresenta os valores da analise fisico-quimica do leite e do teste de CCS, visto que a mastite e uma condicao patologica que pode causar alteracoes na composicao do leite.

Atraves da analise dos dados apresentados na Tabela 2, foi observado que nao houve um padrao significativo de alteracoes nos valores dos componentes das amostras, mesmo em animais com resultados positivos no teste de CCS.

Correlacionando os achados observados nos resultados do teste de CMT e do teste Somaticell, nos dois momentos de analise, encontramos que, no primeiro mes do trabalho, cinco (5) amostras foram positivas ao teste Somaticell, contrapondo a quatro (4) amostras positivas no teste de CMT.

No segundo mes do experimento, os achados observados consistem no numero de seis (6) amostras positivas no teste CMT, sendo uma delas proveniente de um animal que apresentava mastite clinica. E no teste Somaticell, um numero de sete (7) amostras positivas, mantendo assim, a variacao nos resultados de ambos os metodos nos dois momentos de analises.

Essa correlacao corrobora com os resultados obtidos por Medeiros et al (2008), que em seu estudo, encontraram que a maioria das amostras analisadas foi positiva nos dois testes e, que nas amostras nao coincidentes, um maior numero apresentou resultado positivo no teste Somaticell e negativo ao CMT.

Langoni et al (2012), constataram em seu trabalho, onde tambem apresenta uma comparacao entre os testes CMT e Somaticell, que, principalmente em plataformas de leite, o CMT pode ser deficiente devido a subjetividade na sua interpretacao e que, por esse motivo, o teste Somaticell pode revelar-se como uma importante ferramenta a ser usada nesses casos.

Evidencia-se neste trabalho um numero alto de resultados positivos para mastite subclinica em ambos os testes, o que, devido as circunstancias da propriedade avaliada, a qual realiza ordenha manual, sem implementacao tecnologica e de estrategias de boas praticas de ordenha, ja era esperado.

Assim como apresentam Philpot e Nickerson (2002), em estudos feitos em Minnesota, onde revelaram que 80% dos rebanhos com contagem de celulas somaticas elevadas nao seguiam os procedimentos de ordenha recomendados. O erro mais comum era a falha em limpar e secar os tetos corretamente antes de realizar a ordenha.

Pedrini et al (2003), descreveram que o desenvolvimento de programas no controle da mastite implica em medidas como, tratamento de vacas no periodo seco, tratamento dos casos clinicos, manejo adequado e bom funcionamento do sistema de ordenha.

Medidas como a lavagem dos tetos com agua corrente e secagem com papel toalha reduzem o numero de bacterias nas superficies dos tetos, mas tornou-se mais eficiente com a utilizacao de antissepticos (iodo ou toalha com clorexidine), principalmente em casos que se utiliza o bezerro para a descida do leite durante a ordenha (BRITO et al, 2000).

O tratamento com desinfetantes a base de iodo, clorexidine e cloro (hipoclorito de sodio), sao comumente utilizados nas propriedades rurais para o controle de populacao de microorganismos dos tetos nas ordenhas, diminuindo no pre-dipping a contaminacao, reduzindo em ate 50% a taxa de novas infeccoes causadas por patogenos (SANTOS e FONSECA, 2007).

Matsubaraet al concluiram que as boas praticas de ordenha demonstraram ser suficientes para adequar o leite produzido aos parametros estabelecidos pela Instrucao Normativa 51.

Paola (2005) avaliaram em quatro propriedades rurais o efeito de diferentes tecnicas profilaticas de higiene e limpeza, durante o manejo de producao, na qualidade bacteriologica do leite atraves da contagem de bacterias psicotroficas. Os dados demonstraram que apos a adocao das tecnicas de profilaticas, ocorreram diminuicoes significativas na contagem de bacterias psicotroficas do leite em todas as propriedades rurais estudadas, comprovando a importancia das praticas preventivas de higiene e limpeza sobre a qualidade bacteriologica do leite.

Hoe e Soriano (2006) afirmam que os procedimentos na rotina de ordenha necessarios para prevencao de mastite podem ser enumerados sequencialmente:

--Estimulacao pre-ordenha.

--Ambiente limpo, seco e livre de estresse.

--Checagem da presenca de mastite (retirando os primeiros jatos de leite).

--Limpeza dos tetos e retirada de areia ou maravalha do ubere.

--Uso de pre-dipping (desinfeccao dos tetos pre-ordenha).

--Cuidado especial com a ponta do teto

--Retirada do desinfetante e completa secagem dos tetos

--Acoplamento das teteiras corretamente.

--Posicionamento do conjunto (alinhar).

--Retirada conjunto manual ou extrator.

--Realizacao de um bom pos-dipping (boa imersao dos testos pos-ordenha).

--Desinfeccao da teteira apos ordenha de vacas com mastite, caso estejam na mesma sala de ordenha.

Os responsaveis pela propriedade avaliada no presente trabalho foram orientados quanto aos procedimentos acima citados, porem foi constado que nem todos os passos necessarios foram seguidos, o que justifica o resultado encontrado do numero de casos positivos nos animais analisados.

Silva e Nogueira (2010) salientam que o programa de manejo de ordenha nao possui um padrao. Desta maneira, deve ser adequado com a realidade de cada propriedade e ter uma integracao de todos os funcionarios responsaveis.

4 Conclusao

A qualidade do leite e diretamente influenciada pelo controle e profilaxia da mastite clinica e subclinica e pelas medidas de boa pratica de ordenha e manejo.

Os metodos rapidos e praticos de diagnostico sao necessarios para monitoramento do leite e, tanto o teste CMT quanto o teste Somaticell sao eficazes para tal fim, sendo que o ultimo teste citado apresenta uma sensibilidade maior e interpretacao menos subjetiva quando comparado ao CMT.

Alem disso, constatou-se a importancia da orientacao e da realizacao da pratica do predipping e pos-dipping, conforme as diretrizes estabelecidas pelo orgao regulamentador do controle de qualidade, visto que por falhar em tais procedimentos, a propriedade avaliada apresentou evolucao no quadro de mastite subclinica em seus animais.

5 Referencias

BORDOLLA, C.C. Metodos de deteccion de lasmastitis bovina. Revista Eletronica de Veterinaria, 2007. v.8, n.9, p.1-17

BRITO, J. R. F; BRITO, M. A. V. P.; VERNEQUE, R. S. Contagem bacteriana da superficie de tetas de vacas submetidas a diferentes processos de higienizacao incluindo a ordenha manual com participacao do bezerro para estimular a descida do leite. Ciencia Rural, Santa Maria, 2000 v. 30, n. 5, p. 847-850.

CULLOR, J. S., TYLER, J. W., SMITH, B. P. Disturbios da glandula mamaria. In: SMITH, B. P. Tratado de Medicina Interna dos Grandes Animais. Sao Paulo, 1994, v.2, p.1041-1060.

FONSECA, L. F. L.; SANTOS, M. V. Qualidade do Leite e Controle de Mastite. Lemos Editorial, 175p. Sao Paulo, 2000.

HOE, F. G. H., SORIANO, S. O que um tecnico deve conhecer sobre a prevencao de mastite.

In: MESQUITA, A. J., DURR J. W., COELHO, K. O. Perspectivas e avancos da qualidade do leite no Brasil. Goiania, 2006.: Talento, v.1, p.107-118.

LANGONI et al. Avaliacao do Somaticell[R] como metodo de triagem para contagem de celulas somaticas do leite de bovinos. Ciencia Rural, Santa Maria jun, 2012.v.42, n.6, p.1095-1101.

MATSUBARA M. T. et al. Boas praticas de ordenha para reducao da contaminacao microbiologica do leite no agreste Pernambucano. Seminario: Ciencias Agrarias, Londrina, jan./mar. 2011. v. 32, n. 1, p. 277-286.

MEDEIROS et al. Avaliacao do exame microbiologico, California Mastitis Test e Somaticell[R] no diagnostico da mastite subclinica em bovinos leiteiros Medicina Veterinaria, Recife, abr-jun, 2008, v.2, n.2, p.16-22.

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PEDRINI, S. C. B.; MARGATHO, L. F. F. Sensibilidade de microorganismos patogenicos isolados de casos de mastite clinica em bovinos frente a diferentes tipos de desinfetantes.

Arquivos do Instituto Biologico. Sao Paulo, 2003. v. 70, n. 4, p. 391-395.

PHILPOT, W. N.; NICKERSON, S. C. Mastitis: Counter Attack. A strategy to combat mastitis. Illinois: Babson Brothers Co., 1991. 150p.

PHILPOT, W. N.; NICKERSON, S. C. Vencendo a luta contra a mastite, 2002.p. 02- 05, p.22-27, p. 54-81.

SILVA, M. V. M.; NOGUEIRA, J. L. Mastite: controle e profilaxia no rebanho bovino. Revista Cientifica Eletronica de Medicina Veterinaria, Ano VII, Numero 15, Periodico Semestral, 2010.

VILELA, D.; LEITE, J. L. B.; RESENDE, J. C. Politicas para o leite no Brasil: passado presente e futuro. In: Santos, G. T.; Jobim, C. C.; Damasceno, J. C. Sul Leite Simposio sobre Sustentabilidade da Pecuaria Leiteira na Regiao Sul do Brasil, 2002, Maringa. Anais ... Maringa: UEM/CCA/DZO-NUPEL, 2002.

Maira Barreto NOGUEIRA, Luiz Antonio Eckhardt de PONTES, Hingrid Barbosa de SOUZA, Fernanda Giacomo RAGAZZI & Juliano Gomes BARRETO *

Universidade Iguacu--Campus V. Itaperuna, Rio de Janeiro, Brasil.

Autor para correspondencia: julianobarreto@hotmail.com

DOI: http://dx.doi.org/10.18571/acbm.162
Tabela 1: Comparacao CTM e Somaticell--Analise em: 21/10/2016

No. da    Identificacao   Resultado CMT   No. de quartos
amostra                    (Setembro)       positivos

01            Dica          Negativo            0
02            Sabia          Tracos             0
03           Paquita         Tracos             0
04            Croma          Tracos             0
05           Bolinha           +++              1
06            Zaza           Tracos             0
07           Catucha         ++/+++             2
08           Boneca             +               1
09           Adriana           +++              1
10            Tere             N/E             N/E
11           Lancha            N/E             N/E
12           Rolinha           N/E             N/E
13          Argentina          N/E             N/E

No. da    Identificacao   Resultado Somaticell    Resultado CMT
amostra                      (ccsx1000/ml)          (Outubro)
                               (Setembro)

01            Dica           Entre 69 a 79             N/E
02            Sabia          Entre 89 a 98             ++
03           Paquita         Entre 98 a 108          Tracos
04            Croma          Entre 89 a 98           Tracos
05           Bolinha        Entre 244 a 263      Mastite Clinica
06            Zaza           Entre 79 a 89             N/E
07           Catucha        Entre 500 a 530            +++
08           Boneca          Entre 98 a 108            ++
09           Adriana        Entre 224 a 244            +++
10            Tere                N/E                Tracos
11           Lancha               N/E                Tracos
12           Rolinha              N/E                Tracos
13          Argentina             N/E                  +++

No. da    Identificacao   No. de quartos  Resultado Somaticell
amostra                     positivo         (ccsx1000/ml)
                                               (Outubro)

01            Dica             N/E                N/E
02            Sabia             1            Entre 69 a 79
03           Paquita            0            Entre 89 a 98
04            Croma             0           Entre 166 a 186
05           Bolinha            0           Entre 457 a 470
06            Zaza             N/E                N/E
07           Catucha            2           Entre 760 a 800
08           Boneca             1           Entre 321 a 340
09           Adriana            2           Entre 418 a 457
10            Tere              0            Entre 79 a 89
11           Lancha             0            Entre 89 a 98
12           Rolinha            0           Entre 457 a 470
13          Argentina           4           Entre 630 a 700

(Legenda: N/E: Nao Executado; Intensidade: Tracos,
+, ++, ++/+++, +++).

Tabela 2: Analise Fisico-quimica do Leite.

Amostra          CCS         Gordura   SNG    Densidade   Proteina

01               N/E           N/E     N/E       N/E        N/E
02          Entre 69 a 79      3,3     8,80     31,6        3,2
03          Entre 89 a 98      2,8     8,64     31,4        3,1
04         Entre 166 a 186     1,0     8,14     30,9        2,9
05         Entre 457 a 470     2,2     8,37     30,8        3,0
06               N/E           N/E     N/E       N/E        N/E
07         Entre 760 a 800     3,4     8,67     31,0        3,1
08         Entre 321 a 340     4,0     8,90     31,5        3,2
09         Entre 418 a 457     4,1     9,02     31,9        3,3
10          Entre 79 a 89      2,1     9,17     34,0        3,3
11          Entre 89 a 98      3,2     8,79     31,7        3,2
12         Entre 457 a 470     4,1     9,44     33,5        3,4
13         Entre 630 a 700     3,6     8,67     30,9        3,1

Amostra          CCS         Lactose   Sais      Agua
                                              adicionada

01               N/E           N/E     N/E       N/E
02          Entre 69 a 79      4,8     0,7       0,0
03          Entre 89 a 98      4,7     0,7       0,0
04         Entre 166 a 186     4,4     0,6       0,0
05         Entre 457 a 470     4,6     0,6       0,0
06               N/E           N/E     N/E       N/E
07         Entre 760 a 800     4,7     0,7       0,0
08         Entre 321 a 340     4,9     0,7       0,0
09         Entre 418 a 457     4,9     0,7       0,0
10          Entre 79 a 89      5,0     0,7       0,0
11          Entre 89 a 98      4,8     0,7       0,0
12         Entre 457 a 470     5,2     0,7       0,0
13         Entre 630 a 700     4,7     0,7       0,0

Amostra          CCS            Ponto       pH    Condutividade
                             Congelamento

01               N/E             N/E        N/E        N/E
02          Entre 69 a 79       -0,562      6,6        5,9
03          Entre 89 a 98       -0,547      6,6        6,0
04         Entre 166 a 186      -0,502      6,5        5,1
05         Entre 457 a 470      -0,525      6,4        5,1
06               N/E             N/E        N/E        N/E
07         Entre 760 a 800      -0,554      6,6        5,0
08         Entre 321 a 340      -0,574      6,5        5,0
09         Entre 418 a 457      -0,584      6,6        5,9
10          Entre 79 a 89       -0,580      6,4       -2,0
11          Entre 89 a 98       -0,560      6,2        5,1
12         Entre 457 a 470      -0,614      6,2        5,9
13         Entre 630 a 700      -0,555      6,9        4,8

Legenda: N/E: Nao Executado.

Figura 1: Ficha de Anotacao de Mastite Subclinica. Legenda: AD:
Anterior Direito, PD: Posterior Direito, AE: Anterior Esquerdo, PE:
Posterior Esquerdo, MC: Mastite Clinica; Intensidade: -, Tracos, +,
++, +++.

Fonte: Autor.

Anotacao de resultado o teste de CMT

Produtor:                          Localizacao:
Fazenda:                           Ano:

Resultados do teste CMT

Mes              Julho

                 Resultado do teste
Identificacao
da vaca          AD       PD       AE       PE

02
03
04
05
06
07
OS
09
10
11
12
13

Mes              Agosto

                 Resultado do teste
Identificacao
da vaca          AD       PD       AE       PE

02
03
04
05
06
07
OS
09
10
11
12
13

Mes              Setembro

                 Resultado do teste
Identificacao
da vaca          AD       PD       AE       PE

02               -        -        -        -
03               -        -        -        -
04               -        -        -        -
05               -        -        -        +++
06               -        -        -        -
07               +++      +++      -        -
OS               -        -        -        +
09               -        -        +++      -
10
11
12
13

Mes              Outubro

                 Resultado do teste
Identificacao
da vaca          AD       PD       AE       PE

02               -        -        -        ++
03               -        -        -        -
04               -        -        -        -
05               -        -        -        MC
06
07               +++      +++      -        -
OS               -        -        -        ++
09               +++      -        +++      -
10               -        -        -        -
11               -        -        -        -
12               -        -        -        -
13               +++      +++      ++++     ++++

Mes              Novembro

                 Resultado do teste
Identificacao
da vaca          AD       PD       AE       FE

02
03
04
05
06
07
OS
09
10
11
12
13

Mes              Dezembro                            Anotacoes

                 Resultado do teste
Identificacao
da vaca          AD       PD       AE       FE

02
03
04
05
06
07
OS
09
10
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12
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Author:Nogueira, Maira Barreto; de Pontes, Luiz Antonio Eckhardt; de Souza, Hingrid Barbosa; Ragazzi, Ferna
Publication:Acta Biomedica Brasiliensia
Date:Apr 1, 2018
Words:4971
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