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PAISAGENS SONORAS, MUSICA E INDUSTRIA CULTURAL: PROBLEMATIZACAO NA FORMACAO INICIAL DE PROFESSORES DE FISICA/SOUND LANDSCAPES, MUSIC AND CULTURAL INDUSTRY: PROBLEMATIZATION IN PRE-SERVICE PHYSICS TEACHERS EDUCATION/PAISAJES SONOROS, MUSICA E INDUSTRIA CULTURAL: PROBLEMATIZACION EN LA FORMACION INICIAL DE PROFESORES DE FISICA.

Introducao

Os aspectos sonoros das realidades vivenciais dos sujeitos contemporaneos expressam tendencia a imposicao social e cultural em detrimento de possibilidades de opcao. Esses fatores compreendem as paisagens sonoras e a musica. Perpassam cenarios imersos em controversias no escopo das relacoes entre ciencia, tecnologia, sociedade, ambiente e arte.

No dominio da educacao cientifica, por outro lado, ha demanda por extrapolacao de abordagem meramente linguistico-conceitual desprovida de articulacoes contextuais problematizadoras. Em relacao a Fisica, explicita-se a critica a abordagem restritiva desses aspectos sonoros, circunscritos em diversas situacoes a apresentacao das caracteristicas ondulatorias do som (MONTEIRO JUNIOR, 2012).

Em estudo de revisao de literatura foram analisados 23 artigos, publicados nos eventos brasileiros Encontro de Pesquisa em Ensino de Fisica (EPEF) e Simposio Nacional de Ensino de Fisica (SNEF), entre os anos 2006 e 2016, que discutem a abordagem de conceitos fisicos articulados a aspectos sonoros e musicais. Nesses trabalhos, evidenciou-se pouca relacao desses conteudos com os contextos vivenciais dos estudantes.

Essa ausencia de aprofundamento na analise da relacao entre sons e realidade vivencial remete a demanda por atividades educacionais que visem essa abordagem, que envolvam a articulacao entre paisagens sonoras, musica e seus aspectos cientificos, tecnologicos, sociologicos, ambientais, artisticos e culturais em sala de aula.

Ressalta-se, contudo, que para essa articulacao entre os conhecimentos de Fisica e contextos dos sujeitos, faz-se necessario que o individuo "saiba ouvir", para que possa fazer discernimentos sobre as caracteristicas daquilo que escuta. Nesse sentido, SCHAFER (2001) destaca:
Sempre achei que a educacao publica e o mais importante aspecto do
nosso trabalho. Em primeiro lugar precisamos ensinar as pessoas como
ouvir mais cuidadosa e criticamente a paisagem sonora; depois
precisamos solicitar sua ajuda, parar e planeja-la. Em uma sociedade
verdadeiramente democratica, a paisagem sonora sera planejada por
aqueles que nela vivem, e nao por forcas imperialistas vindas de fora.
(p. 12)


Paisagem sonora, no escopo das definicoes desse autor, refere-se aos sons diversos, de procedencias variadas, associados a um ambiente. Em um segundo momento, e importante viabilizar ao aluno refletir sobre os elementos sonoros que o rodeiam, para caracterizar sua pertinencia na composicao da paisagem sonora cotidiana.

Como consequencia disso, e possivel fazer uma extensao dessa caracterizacao de escuta critica para investigar a situacao da producao musical imposta pela midia. Existe a possibilidade, tambem, de analise em relacao aos padroes que sao estabelecidos e ao modo como e tratada a necessidade de enquadramento nesses modelos. E necessaria a diferenciacao entre entretenimento e elaboracoes que compoem a ideologia musical. Nesse cenario, o filosofo e compositor alemao Theodor Adorno situa a problematica associada a estandardizacao.
O prazer do momento e da fachada de variedade transforma-se em pretexto
para desobrigar o ouvinte de pensar no todo, cuja exigencia esta
incluida na audicao adequada e justa; sem grande oposicao, o ouvinte se
converte em simples comprador e consumidor passivo. (ADORNO, 2002 p.
168)


Partindo desses pressupostos, pode-se associar o conceito de problematizacao de Paulo Freire, para denuncia dessa estandardizacao e escolha pre-determinada em termos de industria cultural. Nesse sentido, este trabalho, que envolve pesquisa qualitativa e observacao participante, agrega objetivos formativos associados a critica e criatividade no que concerne aos sons em suas relacoes com ciencia, tecnologia, sociedade, ambiente e arte. Dessa forma, enfatiza-se a seguinte questao de pesquisa: Que possibilidades formativas podem ser identificadas a partir do desenvolvimento de atividades educacionais para problematizacao de paisagens sonoras e musica?

Nessa perspectiva, apresenta-se o delineamento de um conjunto de atividades educacionais para a problematizacao de paisagens sonoras e musica, desenvolvidas com estudantes de curso de Licenciatura em Fisica. Em carater avaliativo de pressupostos formativos foram identificadas e analisadas as relacoes estabelecidas pelos discentes entre paisagens sonoras e musica e aspectos cientificos, sociais, ambientais e culturais.

1. Paisagens sonoras

Segundo SCHAFER (2001), com o advento do cristianismo, houve mudancas de enfase de percepcao e a imagem de Deus passou de forma despercebida de auditiva para visual. Antigas religioes tinham como reflexo da presenca de Deus, ou deuses, sons. Isto poderia ser relacionado a voz que se comunicava com os seres humanos. Poderia ainda ser associado aos trovoes de Zeus e ao rugido dos mares de Poseidon.

O desencadeamento de formas de expressao visual trouxe, de certo modo, uma acomodacao auditiva ao ser humano, ocasionando a perda de grande parte da capacidade de perceber as coisas ao seu redor a partir dos sons. Isto implicava somente observar a partir daquilo que os olhos veem.
No ocidente, o ouvido cedeu lugar ao olho, considerado uma das mais
importantes fontes de informacao desde a Renascenca, com o
desenvolvimento da imprensa e da pintura em perspectiva. Um dos mais
evidentes testemunhos dessa mudanca e o modo pelo qual imaginamos Deus.
Nao foi se nao na Renascenca que esse Deus se tornou retratavel.
Anteriormente ele era concebido como som ou vibracao. (SCHAFER, 2001 p.
27)


Alem desses aspectos, ha diversos fatores seletivos na capacidade visual do ser humano, que faz com que aquilo que sera visto seja distinguido, de modo que o individuo enxergue o que seja relevante naquele momento. De forma similar ocorre em termos auditivos. Entretanto, na audicao esse processo ocorre de maneira menos acentuada, considerando que ha muito mais elementos visuais em um cenario do que sonoros. Por outro lado, a relevancia desses componentes e tratada de forma diferenciada (SCHAFER, 2001).

A audicao e o ultimo sentido a "fechar" antes de dormir e o primeiro a "despertar" antes de acordar, sendo assim e o responsavel por reacoes que possam vir a ser tomadas, de maneira automatica, para preservar o organismo. Por isso, a acomodacao auditiva pode ser em algumas situacoes prejudicial ao ser humano, quando se blinda o cerebro para um possivel alerta a uma ameaca iminente, em que nao havera respostas proporcionais para o que esta por vir (SCHAFER, 2001).

No escopo das consideracoes de SCHAFER (2001), ressalta-se que quando ha demasiados sons em um ambiente especifico, ou ha uma convivencia diaria com determinados niveis de ruidos, isto faz com que elementos sonoros de alertas particulares sejam ignorados. Por exemplo, uma pessoa que trabalha em um escritorio, que fica a margem de uma via expressa onde passam onibus, convive diariamente com os sons desses veiculos. Certo dia, esse sujeito esta mais distraido que o de costume, atravessa a rua e nao repara na buzina do onibus que avisa sobre perigo. A audicao tem como funcao primitiva ser o primeiro alarme contra iminentes ameacas. Se ha uma acomodacao auditiva com um ambiente, dado o demasiado indice de ruidos, os individuos se tornam vulneraveis a riscos que ficam fora do campo de visao. Nesse sentido, relaciona-se, tambem, o estudo de paisagens sonoras.

Conforme SCHAFER (2001), os estudos de paisagens sonoras tem como principal caracteristica uma analise de elementos que compoem os cenarios. Busca-se a diferenciacao em categorias, as quais possam posteriormente levar os individuos a uma analise do grau de relevancia de cada um dos sons no dia a dia. Esse estudo pode ser associado ao que PAULO FREIRE (1970) nomeia como teorizacao sobre uma dada problematizacao, em que um sujeito investiga todos os elementos que compoem certa conjuntura. Em seguida, examina-se a relevancia de cada componente em relacao ao contexto. Nesse aspecto, MONTEIRO JUNIOR (2012) destaca:
Baseados na tese que a dialogicidade freireana e o caminho por meio do
qual seres conscientes, "estando sendo" problematizadores do mundo,
re-constroem-no e a si mesmos, assumimos, a priori, que as paisagens
sonoras constituem um caminho de transversalidade que, nesse modo
dialogico problematizador do mundo tecnologico e cultural, pode revelar
temas geradores por meio dos quais os licenciandos podem construir
elementos conscientizadores das potencialidades da ciencia e da
matematica como construtoras de autonomia e criticidade em torno da
educacao sonora. (MONTEIRO JUNIOR, 2012 p. 9)


Em relacao aos sons, esse processo pode ser associado ao estudo de suas origens, sua evolucao e o grau de influencia nas situacoes vivenciais.

Na analise da evolucao historica visual de um cenario, a comparacao entre fotografias com diferenca de alguns anos ja traz a tona uma serie de mudancas que podem ser observadas. Em contrapartida, no estudo da evolucao sonora de um cenario e escassa a quantidade de dados com os quais se possa fazer uma comparacao. Quais eram os sons caracteristicos de uma determinada regiao ha 10 anos? Ou qual era a intensidade sonora de determinados ruidos?

A qualidade sonora do lugar onde se reside reflete diretamente na saude. Um exemplo disso e a influencia direta no sono. Conforme o grau de agitacao de uma paisagem sonora que cerca o individuo, o ouvido passa informacoes para o cerebro e o descanso relativo do organismo e proporcional a essa interacao (SCHAFER, 2001).

Apesar dos cenarios urbanos perderem gradualmente a maioria das caracteristicas primitivas, deve-se levar em consideracao as outras especies que convivem no mesmo ambiente. Outro problema, decorrente parcialmente da tumultuada paisagem sonora que constitui as grandes metropoles, envolve reclamacoes de moradores em relacao aos ruidos causados por passaros que estao acordando mais cedo. Isso permite uma analise em duas vias: qual e a influencia desses ruidos na rotina dos moradores locais? Quais sao as possiveis medidas a serem tomadas para mediar o problema? Ou, considerando os passaros como foco a ser analisado, qual e a principal causa desse fenomeno?

Nessa situacao, a paisagem sonora constitui parcialmente o problema, o que demanda uma analise mais ampla e diferenciada. Esse exame envolve o estudo de paisagens sonoras e seus reflexos no ambiente. O estudo de sons caracteristicos de cada regiao, que vem sendo gradualmente suprimidos pelos sons da cidade que envolve constante mudanca, tambem, representa um foco de demasiada importancia.

Os sons das bateras (embarcacoes adaptadas com um motor de dois tempos utilizadas na atividade pesqueira) da baia de Paranagua (proxima a cidade de Curitiba), por exemplo, que podiam ser ouvidos no centro da cidade ha alguns anos atras, hoje em dia, so podem ser identificados a beira de um rio afluente, quando nao ha buzinas de navios que ofusquem a sonoridade das pequenas embarcacoes. Esses sons eram muito caracteristicos a populacao; quando os ouviam, os moradores sabiam que estava quase na hora de voltarem para casa, apos o trabalho.

Essas mudancas desenfreadas nas cidades trazem reflexos na identidade cultural de um povo. O fandango, musica tipica do litoral do estado do Parana, a cada dia se torna mais dificil de encontrar. E necessario adentrar a Ilha dos Valadares (pertencente a baia de Paranagua) de modo a resgatar algumas raizes da musica paranaense. Em contrapartida, bailes com musica que estao nas midias sao encontrados em diversos lugares da regiao. Apesar dos esforcos de prefeituras em manter vivas as tradicoes dessa regiao litoranea, cada dia e mais iminente a extincao da tamanca (calcado de madeira para reproducao de sons percussivos em tablado de madeira) e da rabeca (instrumento medieval de tres ou quatro cordas) que remetem ao fandango.

Logo, uma analise de elementos constituintes do cenario musical podera trazer como resultado uma identificacao de padroes impregnados que nao fazem parte da cultura local, e viabilizar ao individuo uma reflexao sobre suas raizes.

2. Estudo de paisagens sonoras

Como ja abordado anteriormente, a descricao de alteracoes de elementos de paisagens sonoras constituintes de um local, que passou por demasiadas mudancas em um determinado periodo de tempo, possui uma defasagem muito grande no historico de informacoes. Afinal, quantos decibels marcavam o horario de pico de transito na cidade de Curitiba na decada de 1990? A memoria sonora nao costuma ser documentada na mesma recorrencia da visual. Na maioria das vezes, ela so sobrevive nos relatos de moradores antigos, ou seja, persiste somente enquanto aqueles que a vivenciaram ali permanecerem.

Isto traz dificuldades para se estabelecer um quadro de evolucao de tipos e intensidades de fontes sonoras com o passar dos tempos ou verificar se um ruido vindo de um advento posterior suprime seu antecessor. Por exemplo, desde quando os motores dos onibus passaram a encobrir o canto dos passaros? Assim, a caracterizacao de alguns elementos da paisagem sonora e seu desenvolvimento temporal apresentam informacoes defasadas por nao existir uma cultura de registro da memoria sonora.

A paisagem sonora e feita de diversos componentes, os quais podem ser caracteristicos de cada regiao (SCHAFER, 2001). Um passaro que canta no Sul, uma especie endemica do Brasil, nao necessariamente o faz no Norte; nem mesmo o barulho do mar de uma cidade litoranea pode ser percebido ao pe da serra. Cada componente corresponde a uma categoria, o canto dos passaros se enquadra em sons vivos, enquanto o barulho do mar e associado a modalidade de sons da natureza.

Quando se analisa uma paisagem sonora, deve ser feita uma categorizacao que favoreca a analise pretendida, de modo que viabilize a pesquisa. Os sons de uma unica fonte podem ser interpretados em ambitos diferenciados. Por exemplo, o som de um musico tocando seu violao ligado em uma caixa eletrica pode ser categorizado tanto como pos-advento da eletricidade quanto em relacao a criacao do instrumento. Caso o enfoque do estudo seja mais historico e cultural, a classificacao que se enquadra na evolucao do instrumento apresenta-se interessante, enquanto em uma investigacao voltada a relacao entre o som e conhecimentos cientificos, a categoria de elemento pos-advento da eletricidade seria mais adequada (SCHAFER, 2001).

A influencia dos elementos constituintes de uma paisagem sonora ou a ausencia desses componentes pode ocasionar determinadas reacoes em vizinhancas. Moradores do campo podem sentir dificuldades em dormir em grandes metropoles, devido a demasiados ruidos, enquanto a quietude do campo pode incomodar alguns residentes da cidade. Marcos sonoros podem ser extremamente importantes para populacoes locais. Podem ser destacados como exemplos os casos de pessoas que moram na praia e se sentem a vontade com o barulho do mar ou moradores de tundra que se incomodam com ruidos que quebram o silencio da neve. O exemplo do galo cantando pela manha virou uma ilustracao de acordar cedo para quem vive em uma fazenda ou da rotina no campo.

Nesse sentido, destaca-se a problematizacao de paisagens sonoras, com a analise de seus elementos caracteristicos que influenciam diretamente na realidade vivencial de comunidades. Esse estudo pode ser associado a formacao cultural no ambito educativo.

3. Industria cultural

Nesse processo de problematizacao de paisagens sonoras e musica se relaciona a industria cultural, que se refere a um termo que foi explicitado pelo filosofo alemao Theodor Adorno em referencia a um modo logico de se fazer cultura a partir de uma perspectiva industrial. O cinema e um exemplo muito usual para o caso, um filme que almeja alcancar um grande grupo de pessoas tem que fazer com que aquele que o esta assistindo busque uma identidade em algum personagem. Entao, criam-se padroes de personagens e tramas, alem da propria producao em si, de modo que quando se tem uma obra que faz sucesso, logo essa logica por tras da tela e copiada e inserida com alguns elementos diferentes em contextos da realidade vivencial.
A suspeita de antigos criticos culturais se confirmou: em um mundo onde
a educacao e um privilegio e o aprisionamento da consciencia nos impede
de toda maneira o acesso das massas a experiencias autenticas das
formacoes espirituais, ja nao importam tanto os conteudos ideologicos
especificos, mas o fato de que simplesmente haja algo preenchendo o
vacuo da consciencia expropriada e desviando a atencao do segredo
conhecido por todos. No contexto de seu efeito social, e talvez menos
importante saber quais as doutrinas ideologicas especificas que um
filme sugere aos seus espectadores do que o fato de que estes, ao
voltar pra casa, estao mais interessados nos nomes dos atores e seus
casos amorosos. (ADORNO, 2002 p. 94)


Como consequencia direta desse processo de padronizacao, o modo de criacao, e toda a liberdade que demanda, acaba sendo limitado, uma vez que o sujeito nao tem poder de escolha, os padroes se repetem, pois ja se comprovaram uma fonte rentavel de lucro com o passar do tempo. A partir do momento que grandes massas adotam esses modelos, que sao proliferados pela industria cultural, cria-se uma grande crise de autenticidade, na qual individuos que busquem caracteristicas unicas sao tratados de maneira preconceituosa por aqueles que tem a necessidade de estar na "moda".
Ao mesmo tempo que a industria cultural convida a uma identificacao
ingenua, logo e prontamente ela e desmentida. A ninguem mais e licito
esquece-lo. Anteriormente, o espectador do filme via as proprias bodas
nas bodas do outro. Agora os felizes no filme sao exemplares
pertencentes a mesma especie de cada um que forma o publico, mas nessa
igualdade e colocada a insuperavel separacao dos elementos humanos. A
perfeita semelhanca e a absoluta diferenca. A identidade da especie
proibe a dos casos. A industria cultural perfidamente idealizou o
homem como ser generico. Cada um e apenas aquilo que qualquer outro
pode substituir: Coisa fungivel, um exemplar. (ADORNO, 2002 p. 42-43)


Nesse sentido, cabe situar a musica. Ela serve como panorama para diversos momentos da vida, agregando a busca de fundo musical para atividades ou circunstancias do cotidiano. "A musica forma o melhor registro permanente de sons do passado. Assim, ela sera util como um guia para modificacoes nos habitos e nas percepcoes auditivas" (SCHAFER, 2001 p. 151).

Como uma forma unica, cultural e emocional, a musica nao fica de fora dos olhares da industria. A partir da afirmacao de que sao associados muitos momentos com o que se ouve, o dominio industrial busca padroes que trazem solucoes prontas para o sujeito, dadas as situacoes que interessam para o lucro. Assim, a busca por novas experiencias se torna algo fora da realidade para aqueles que se identificam com esses modelos impostos.

O estudo de paisagens sonoras se alia a uma visao critica da industria cultural, em seu envolvimento com a musica, viabilizando elementos de reflexao. A partir do desenvolvimento da capacidade auditiva de uma maneira mais critica, o estudo das paisagens sonoras pode propiciar a reflexao sobre aquilo que chega aos ouvidos.

Isto pode viabilizar ao individuo refletir sobre o contexto no qual esta inserido, de identificacao e critica de padroes impostos pela industria cultural, de modo a se tornar o protagonista das suas proprias escolhas, influenciadas ou nao pela industria cultural. Ele passa a criar novas experiencias, ao inves de reproduzir aquilo que lhe e exposto: "quanto mais o todo e despojado de seus elementos espontaneos e socialmente mediado e filtrado, quanto mais ele e 'consciencia', tanto mais se torna 'cultura'" (ADORNO, 2002 p. 95).

4. Aprendizagem

A problematizacao de paisagens sonoras e de musica, ainda, relaciona-se a apropriacao linguistica e conceitual. Nesse sentido, podem ser associados pressupostos de aprendizagem significativa, que remete ao estabelecimento de relacoes entre conteudos ja apropriados e novos conhecimentos. Nessa perspectiva sao delineadas as modalidades de aprendizagem representacional (elementos representacionais), proposicional (estruturas expressivas) e conceitual. Em relacao a vertente conceitual, si-tuam-se os processos de formacao e assimilacao de conceitos (AUSUBEL, NOVAK, HANESIAN, 1 980).

Formacao de conceitos se refere as acoes de agrupamento de aspectos semelhantes em direciona-mento de generalizacao. Ressalta-se, nesse sentido, o dominio empirico-concreto com a viabilizacao de possibilidades de estabelecimento de relacoes envolvendo perspectivas contextuais. No caso da assimilacao, salientam-se as conexoes entre conceitos em um quadro teorico especifico (AUSUBEL, NOVAK, HANESIAN, 1980).

Neste trabalho, a problematizacao de paisagens sonoras e musica envolve a disponibilizacao de elementos para o estabelecimento de relacoes concernentes, particularmente, a conteudos de Fisica, tanto em termos de aspectos contextuais, quanto de associacoes entre conceitos de um quadro teorico especifico, agregando fatores representacionais e proposicionais.

5. Metodologia

Este trabalho envolve pesquisa qualitativa (FLICK, 2009) com observacao participante e imersao no ambiente de investigacao. Desse modo, houve in-teracao entre todos os sujeitos, em analise e categorizacao dos elementos constituintes da paisagem sonora e aspectos musicais do contexto dos participantes. Os dados foram constituidos por meio de registros escritos em diario de campo, gravacoes de audio e producoes escritas dos estudantes e analisados conforme Analise de Conteudo (BARDIN, 2011).

As acoes educativas agregaram a oficina de aprendizagem denominada "Fisica, Musica, Sociedade e Meio Ambiente", direcionada a estudantes de curso de Licenciatura em Fisica de instituicao de Ensino Superior, porem aberta para o publico em geral, desenvolvida no primeiro semestre de 2016. O grupo participante foi composto por nove alunos: sete do curso de Licenciatura em Fisica, dos quais tres encontravam-se matriculados a epoca no primeiro semestre, dois no quarto e dois no setimo (o referido curso envolve oito semestres); um aluno de curso Tecnico em Radiologia da mesma instituicao de realizacao da pesquisa; e um aluno de Medicina de outra instituicao.

Essa oficina de aprendizagem envolveu a verificacao e o desenvolvimento da capacidade auditiva dos individuos. Apos verificarem a caracterizacao de uma paisagem sonora, os alunos foram desafiados a observar de maneira problematizadora o contexto da instituicao de Ensino Superior e a proporem alternativas para problemas que eles constataram. Por fim, os alunos foram levados a uma discussao sobre o cenario musical contemporaneo brasileiro, uma vez que eles haviam vivenciado um processo de analise critica de elementos sonoros.

As competencias desenvolvidas pelos alunos, com relacao a proposta de SCHAFER (2001), simultaneamente aos pressupostos de ADORNO (2002), envolveram: compreensao de fenomenos naturais, culturais e artisticos; apropriacao e utilizacao de conhecimentos de Fisica; analise, sintese e interpretacao de sons, fatos e situacoes.

Essas competencias se referem ao desenvolvimento de um ouvido pensante com o estudo de paisagens sonoras, atividades de escuta diferenciadas e utilizacao desses aspectos para uma analise critica do cenario musical brasileiro e relacoes com a industria cultural. Essa oficina envolveu as atividades educacionais apresentadas na Tabela 1, a seguir.

As atividades educacionais desenvolvidas compreenderam quatro encontros, cada um com cem minutos (duas horas-aula), totalizando quatrocentos minutos (oito horas-aula), com abordagem de tematica envolvendo paisagens sonoras, musica e industria cultural.

O Encontro 1 teve como enfoque a analise e o desenvolvimento da capacidade e memoria auditiva. Para isso, foram selecionados exercicios de escuta, memoria e criacao de sons, baseados em SCHAFER (2009). Dessa forma, verificou-se a capacidade de discernimento de caracteristicas fisicas diante dos conhecimentos previos dos participantes, reconhecimento de sons, com base em relacao entre audicao e outros sentidos, memoria auditiva, lembrancas de experiencias antigas em associacao com atuais cotidianas.

Nesse ambito, destacam-se dois exercicios envolvendo caracteristicas do som, frequencia e intensidade sonora. Desenvolveu-se, ainda, exercicio relacionado ao reconhecimento de sons vinculados ao contexto dos sujeitos. Em relacao a memoria auditiva ressaltam-se quatro questoes, as quais envolviam "marcos sonoros" (referentes ao cotidiano dos participantes e suas infancias).

No Encontro 2, os participantes tiveram contato com a adequacao da metodologia de classificacao de fontes sonoras de SCHAFER (2001), explicitada na analise de dados. Nesse momento, foi apresentada a caracterizacao da paisagem sonora da regiao portuaria de Paranagua. Isso viabilizou aos discentes o estudo direcionado do caso da instituicao de Ensino Superior, com a escolha de duas regioes perifericas. Divididos em duas equipes e munidos de decibelimetros, os alunos selecionaram as fontes de reproducao sonora a serem analisadas e mediram os indices de intensidade sonora. Apos os dados coletados, eles elaboraram ilustracoes posicionando cada componente em esquemas e foram discutidas possiveis implicacoes a saude e solucoes aos problemas evidenciados.

O Encontro 3 se iniciou com uma revisao dos conceitos de ondulatoria, seguida de abordagem das propriedades do som com um enfoque diferenciado, pois foram priorizadas grandezas de maior importancia para a musica. A segunda parte do encontro trouxe para os participantes temas como frequencia fundamental, frequencias associadas a instrumentos, formacao de acordes e campos harmonicos.

Essa aula teve o intuito de trazer aos alunos a concepcao que musica e algo "pensado" e com uma progressao logica, mesmo levando em consideracao a criatividade dos musicos no que concerne as possibilidades que vem na producao e execucao de uma cancao. Foi abordada a questao de que musica nao corresponde a formatos pre-definidos, a considerar, por exemplo, que um acorde tem diversas configuracoes associadas as notas que o descrevem.

No Encontro 4, foram apresentadas aos alunos musicas que estavam no topo nas midias brasileiras a epoca, questionando-os com relacao as caracteristicas das mesmas. Foi mostrada aos discentes a evolucao do cenario musical mundial em contraste a tendencia brasileira da mesma epoca.

Apos a apresentacao da concepcao de industria cultural proposta por Theodor Adorno e Max Horkheimer em um ensaio denominado "Industria Cultural: o esclarecimento como mistificacao das massas", da decada de 1940 (ADORNO, 2002), apresentou-se uma entrevista feita com produtor musical, musico e proprietario de um estudio na cidade de Paranagua, com mais de 1 8 anos de atuacao. Ele abordou a questao das caracteristicas da producao das musicas que almejam alcancar o mercado musical. Por fim, os alunos refletiram sobre a presenca e a influencia da industria cultural nas suas vidas.

6. Analise de dados

No processo de analise de dados foram selecionadas unidades de contexto, em que se evidenciou o estabelecimento de relacoes entre conhecimentos cientificos e aspectos sociais, culturais e ambientais. Para atender a essas expectativas, foram estabelecidos quatro eixos: I. Verificacao de percepcao de conceitos fisicos; II. Desenvolvimento de percepcao e memoria auditiva; III. Estudo de paisagens sonoras; IV. Aprendizagem de conteudos de Fisica com estudo de paisagens sonoras e musica; V. Relacoes estabelecidas sobre musica e industria cultural.

Na apresentacao dos dados, as equipes foram designadas como A e B. No caso das producoes individuais, os alunos foram designados com a letra A seguida de numero (exemplo A1, A2,..., An).

a. Verificacao de percepcao de conceitos fisicos

No que concerne ao eixo I: verificacao de percepcao de conceitos fisicos, os conhecimentos de Fisica foram averiguados em dois momentos. Primeiro, no Encontro 1, verificou-se a capacidade de discernimento dos participantes entre sons agudos e graves, considerando a frequencia, e sons fortes ou fracos, em relacao a intensidade sonora, conforme proposto por SCHAFER (2001).

Nesse sentido, foram apresentados quatro sons aos alunos: (1) zumbido das asas de uma abelha; (2) trovao; (3) violino tocando; (4) mugido de uma vaca. Em termos de frequencia, os alunos apresentaram dificuldades em associar o som reproduzido em aula com aquele encontrado na natureza, houve excecao apenas no caso do trovao. No que concerne a intensidade sonora, pode-se observar maior indice de acertos. Contudo, ficou evidente que ha certa tendencia dos estudantes em confundir frequencia e intensidade.

No segundo momento, no Encontro 3, reali-zou-se uma revisao no estudo de ondas sonoras e suas caracteristicas fundamentais, com enfoque diferenciado sobre dois conceitos relevantes no estudo da acustica: frequencia e intensidade sonora. Foi possivel observar que apesar de terem conhecimentos sobre a tematica, os alunos do curso de Licenciatura em Fisica, em sua maioria, tem dificuldades no reconhecimento de diferentes tipos de sons, quando se leva em consideracao as referidas grandezas. Um aspecto relevante a ser considerado e a interferencia da psicoacustica nos resultados, uma vez que a forma de decodificacao de sons e feita diferentemente em cada organismo (SCHAFER, 2001).

b. Desenvolvimento de percepcao e memoria auditiva

Em relacao ao eixo II: desenvolvimento de percepcao e memoria auditiva, no Encontro I, alguns exercicios e questionamentos foram realizados, baseados na metodologia de SCHAFER (2009). Esse autor apresenta 100 exercicios de escuta e criacao de sons, os quais envolvem desenvolvimento da capacidade auditiva e de criacao, assim como memoria sonora.

Nesse sentido, destaca-se exercicio associado ao reconhecimento de sons corriqueiros, com resultados apresentados na Tabela 2.

Ao analisar os resultados apresentados na Tabela 2, e possivel observar que quase todos os participantes acertaram o resultado para os sons 1 e 3. Isso pode associar-se ao fato de que eles provavelmente entram em contato esses produtos com regularidade. Para SCHAFER (2001), ha um grande numero de informacoes sobre objetos, como peso, textura, aspectos visuais, sendo que a audicao nao e necessariamente a principal fonte provedora dessas nocoes.

No caso do som 4, em que houve somente um acerto, salienta-se que a agua remete a caracteristicas fisicas e sonoras distintas conforme o local por onde ela esta carreando. Provavelmente os alunos nao visitam com regularidade um ambiente onde haja uma cachoeira. Por outro lado, podem frequentemente presenciar a chuva ou o mar.

No que concerne aos questionamentos realizados, estes envolveram "marcos sonoros". Uma das questoes abordadas foi: "qual o ultimo som que voce escuta antes de dormir?". Os alunos A1, A2 e A8 citaram o ventilador; A3 destacou a respiracao; A4 e A7 comentaram sobre cachorros; A5 ressaltou carrinhos de supermercado; A6 e A9 mencionaram transito. Pode-se observar que todos os participantes afirmaram dormir ao som de objetos que sao de uso comum da casa ou barulhos externos.

Outra questao abordada foi: "qual o som mais bonito do seu dia?". A resposta dos entrevistados para esta indagacao foi quase unanime: musica. Nesse contexto, destaca-se, ainda, a seguinte pergunta realizada: "qual a experiencia sonora que mais te marcou em toda vida?". Nas respostas, musica, novamente, foi descrita como um marco sonoro importante, representando associacao com marcos de vidas (SCHAFER, 2001).

Ao analisar os resultados obtidos nesse eixo II, nota-se que os participantes tem a sua memoria auditiva ligada a demais sentidos, principalmente a visao. O unico exercicio de percepcao sonora que os participantes praticam diariamente tem envolvimento direto com a musica. Logo nao e de se estranhar que os envolvimentos da memoria acustica deles estejam associados a musica.

c. Estudo de paisagens sonoras

Em relacao ao eixo III: estudo de paisagens sonoras, no Encontro 2, aos participantes foi proposto o estudo de caso de um cenario comum a todos, da instituicao de Ensino Superior vinculada a pesquisa e suas imediacoes. Com base na metodologia de SCHAFER (2001), os alunos foram a campo para fazer analise dos elementos e informacoes encontrados de modo a realizar uma caracterizacao desse contexto.

Identificacao de elementos da Paisagem Sonora

Com o objetivo de realizar uma adaptacao da metodologia de SCHAFER (2001), que pudesse atender aos requisitos da pesquisa, a turma foi dividida em duas equipes, A e B, ambas munidos de decibeli-metro. Durante a aula foram fornecidas as devidas instrucoes de manuseio desse equipamento, baseadas em seu manual, de modo que os alunos conseguissem fazer de maneira mais exata possivel as medicoes.

Como a universidade ocupa um espaco significativamente grande, os alunos se posicionaram em duas diferentes esquinas perimetrais a instituicao, a equipe A nas proximidades de um posto de combustiveis e a equipe B proxima a um Shopping Center. E interessante salientar que nao foi feita a escolha de nenhuma area interior na universidade, mas em lado exterior, pelo fato de que ha o restaurante universitario, uma area semiaberta de uso comum a comunidade em geral, cujo ruido emitido pela conversa interferiria nas medicoes realizadas.

Solicitou-se aos alunos que fizessem uma ilustracao da paisagem sonora observada e detalha-mentos das fontes emissoras de som analisadas. Por exemplo, os alunos da Equipe A salientaram cinco elementos a serem examinados: carros; fiacoes ele-tricas; onibus; pessoas; vento. Os discentes relataram que na rua ha um intenso trafego de onibus e carros, uma vez que essa via tem sentido do centro para os bairros e devido ao horario, entre oito e nove horas da noite, em que foram realizadas as medicoes e analises.

Coleta de dados de intensidades sonoras

Nessa etapa, ao identificar elementos produtores de som, os alunos utilizaram um decibelimetro, para aferir os valores de intensidade sonora emitida pelas fontes. Os discentes tomaram as devidas precaucoes para utilizar o aparelho de maneira correta, uma vez que a rua envolvida nas acoes e um eixo de ligacao entre bairros, alem de estar cercada por predios no local onde se realizaram as medicoes supracitadas e apresentar uma corrente de vento de intensidade moderada a forte na ocasiao. Sendo assim, eles utilizaram um acessorio, que vinha com o kit do equipamento, para que nao houvesse grande influencia nas mensuracoes diante dos fatores ambientais detectados.

Vale salientar que os participantes foram orientados a fazer o maior numero possivel de medicoes, para gerar uma media e torna-la mais precisa. Dado o curto espaco de tempo disponivel para a realizacao da oficina, associado ao fato de varios alunos serem novatos do curso de Licenciatura em Fisica, nao foi solicitado nenhum tratamento de erros, sendo requerida somente uma media ponderada para obtencao dos valores.

De acordo com PIMENTEL-SOUZA (2000) e levando-se em conta os valores apresentados pelos estudantes, foi possivel afirmar que ambos os ambientes sao de risco a audicao. Em caso de longa exposicao a sons dessas intensidades, o organismo tolera no maximo oito horas. A partir disso, este fica sujeito a estresse degenerativo, alem de abalo a saude mental.

Caracterizacao de elementos de paisagem sonora

Nessa etapa os alunos classificaram cada uma das fontes sonoras, utilizando a metodologia de SCHAFER (2001), adaptada para essa oficina. Essa categorizacao envolve duas variaveis: natureza da fonte de reproducao e frequencia do evento.

Em termos de natureza da fonte, podem ser elencadas as modalidades associadas a: natureza; animais; tecnologicos. Por exemplo, a Equipe A relacionou o vento a "natureza"; pessoas a "animais"; fiacoes eletricas e carros (e onibus) a "tecnologico". No que concerne a frequencia de ocorrencia do fenomeno sonoro, apresenta-se classificacao como: continua; repetitiva; unica. A referida equipe associou carros (e onibus) a carater "repetitivo"; os demais componentes foram compreendidos como "continuo".

Dessa maneira, os alunos fizeram uma classificacao das fontes de reproducao identificadas em cada paisagem sonora. As equipes nao tiveram dificuldades em fazer essa categorizacao, que lhes permitiu levantar questionamentos com relacao a influencia da expansao das aglomeracoes urbanas, o que as impele ao incremento de extenuantes exposicoes a sons e ruidos. A partir disso, iniciou-se a etapa de apontamentos de sugestoes para mudancas nesses cenarios analisados.

Solucoes e reflexoes sobre a influencia da paisagem sonora

A partir de todas as analises feitas em observacao direta pelos participantes, nas etapas anteriores, eles realizaram discussoes e proposicoes sobre a tematica. Os estudantes, contudo, apresentaram sugestoes de mudancas superficiais considerando a complexidade da situacao, direcionadas meramente a "arrumar" alguns componentes do cenario.

Nesse sentido, nota-se que os discentes nao relevam a importancia da qualidade de uma paisagem sonora. Provavelmente, quando eles andam em meio ao caos urbano, utilizam algum dispositivo de fuga desse emaranhado sonoro.

Quando questionados com relacao a frequencia do uso de fones de ouvido, todos afirmaram que usam esses equipamentos enquanto passam pelo centro da cidade e em casa. Se nao estao com esses equipamentos, estao com algum aparelho reprodutor sonoro ligado, de modo que nao percebem o som ao seu redor.

d. Aprendizagem de conteudos de Fisica com estudo de paisagens sonoras e musica

Em relacao ao eixo IV: aprendizagem de conteudos de Fisica com estudo de paisagens sonoras e musica, viabilizou-se a abordagem de conhecimentos atrelados a acustica, ampliando a disponibilizacao de aspectos contextuais para estabelecimento de relacoes. Dessa forma, "ondas" que poderiam estar apenas representadas em desenhos nos quadros negros, associadas a equacoes e valores numericos, foram relacionadas a sons que permeavam cenarios sonoros e panorama musical no dominio da realidade vivencial dos participantes.

Nesse contexto, foram abordados: intensidade sonora, periodo, reflexao, refracao, timbre, frequencia e ressonancia. A analise de indicios de aprendizagem de conteudos de Fisica, no processo viven-ciado, reporta-se ao estabelecimento de relacoes, pelos participantes, envolvendo aspectos contextuais e conceitos estabilizados em dominio cientifico, conforme proposicoes de AUSUBEL, NOVAK, HANESIAN (1980). Destacam-se, nesse sentido, as atividades de estudo e caracterizacao de paisagens sonoras e relacionadas a musica.

No estudo de paisagens sonoras, no Encontro 2, os participantes, utilizando o decibelimetro, mediram valores de intensidade sonora provenientes de diversas fontes, evidenciando a presenca do som e periodo. Concernente aos niveis de intensidade sonora, na Tabela 3, apresentam-se alguns valores verificados pelos participantes da equipe A.

Os participantes reconheceram valores e associaram o conteudo de intensidade sonora a aspectos contextuais; apresentaram indicios de apropriacao linguistico-conceitual, tambem, na elaboracao de proposicoes de alternativas envolvendo aspectos da paisagem sonora, embora possam ser apontadas limitacoes dessas acoes propositivas. No processo de caracterizacao da paisagem sonora, foi possivel verificar fenomenos ondulatorios em relacao a re-fracao e a reflexao.

Nas acoes de problematizacao e analise de aspectos musicais, no Encontro 3, os participantes puderam verificar caracteristicas de frequencia ao estudarem instrumentos musicais. Paralelamente a isso, foram utilizados exemplares de vozes para caracterizar diferencas envolvendo timbre. Em relacao a ressonancia, foram feitos testes de afinacao, utilizando um afinador e um simulador de teclado.

Nesses testes, houve abordagem de frequencia, timbre e fenomeno da ressonancia, que ocorria quando se atingiam as mesmas notas no simulador. Nessas atividades envolvendo musica, houve indicios de aprendizagem concernentes ao estabelecimento de relacoes entre conteudos de Fisica e aspectos contextuais. Entretanto, foram identificadas algumas limitacoes em termos de aprendizagem no que se refere ao aprofundamento das associacoes envolvendo conhecimentos estabilizados em dominio cientifico.

e. Relacoes estabelecidas sobre musica e industria cultural

Em relacao ao eixo V: relacoes estabelecidas sobre musica e industria cultural, no Encontro 4, esperava-se que os alunos ja tivessem desenvolvidas suas capacidades auditivas, no que tange ao aumento da percepcao de sons. Esperava-se que pudessem visualizar um cenario sonoro, seja em uma paisagem, uma musica ou qualquer tipo de ambiente onde estivesse uma fonte reprodutora presente, de maneira mais ampla, levando todos os elementos em consideracao e distinguindo caracteristicas fisicas e antropologicas, sociais e culturais.

Entao, nesse encontro, foi iniciado dialogo levantando questionamentos aos alunos sobre os estilos musicais que dominavam o cenario brasileiro. A resposta foi unanime, o Sertanejo Universitario e o Funk Brasileiro. Apos, indagados se alguns desses estilos os agradavam, somente os alunos A5 e A2 se manifestaram a favor, porem ambos acrescentaram o fato de os ouvirem apenas em casas de show.

Ao serem questionados sobre o motivo pelo qual a maioria nao gostava desses generos musicais, houve somente a manifestacao de dois alunos: "eu nao gosto desses estilos pelo simples fato de as letras serem muito parecidas em musicas diferentes. As letras nao agregam nada as pessoas e muito pobre culturalmente se falando" (Aluno A9).

Outro aluno complementou a resposta articulando: "sem contar que elas sao muito preconceituosas com alguns estereotipos. O que mais me deixa irritada e que elas sempre vulgarizam a mulher" (Aluno A3).

Em um segundo momento, os alunos foram indagados sobre aspectos de constituicao de musicas, se eles achavam que eram boas ou ruins. Todos os alunos responderam negativamente, afirmando que tambem eram mal produzidas.

Entao, logo apos a articulacao em relacao a producao musical e a industria cultural, os alunos responderam, por escrito, a tres perguntas.

O primeiro questionamento entregue foi: "Qual o impacto da industria cultural na sociedade?".

A maioria dos alunos trouxe respostas similares, afirmando que a industria cultural dita valores vinculados a moda, musica e estilo de vida. Porem, tres respostas se destacaram.
Afunilamento, que acaba por nos mostrar uma superficialidade que nao
nos deixa criar um senso critico sobre tudo o que nos cerca, como a
musica, alem de gerar um "modelo especifico" do que e considerado
"bom". (Aluno A6)
A industria cultural influencia na arte, politica e educacao, na
sociedade como um todo. A industria cultural cria tendencias e inibe a
formacao de opinioes proprias. Em suma, a midia dita o que sera
consumido, comportamentos e, de certa forma, o gosto de alguns. (Aluno
A9)
A industria cultural molda a sociedade no sistema capitalista, pois as
musicas populares descrevem uma realidade que as pessoas ideais sao as
que tem maior poder de compra. Essas musicas sao muito difundidas
encobrindo uma realidade de desigualdade social e exploracao, como a
musica e uma atividade de lazer para uma grande maioria, a industria
cultural nao contribui em nada para que o individuo reflita, so ajuda
na reproducao do sistema. (Aluno A2)


As respostas explicitadas por esses tres participantes remetem a possibilidades formativas no trabalho desenvolvido. Destaca-se situacao em que individuos, que nao tem participacao em movimentos culturais, adquirem uma capacidade de discernimento auditivo maior, em relacao a momento anterior ao curso. Essas expressoes remetem a indicios de desenvolvimento de senso critico da realidade ao seu redor e das influencias a que estao sujeitos. No que diz respeito a um licenciando em Fisica, essa forma de pensar criticamente pode influenciar sua maneira de ensinar, nao sendo meramente um transmissor, mas um ser atuante no contexto educativo. Isso pode ser associado a concepcao educacional dialogico-problematizadora freiriana. Alem disso, esse senso critico leva a um contraste em relacao as ideologias que sao impostas (ADORNO, 2002).

A partir desse ponto, foi possivel levantar o segundo questionamento: "Qual impacto da industria cultural em sua vida?".

Grande parte dos alunos simplesmente apresenta a resposta a esse item como se fosse parte da indagacao anterior, caracterizando a influencia da industria cultural como algo que dita questoes como moda, musica e estilo de vida. Destacam-se, a seguir, as afirmacoes de quatro alunos.

"A industria cultural esta em praticamente tudo, nao ha maneiras de fugir de influencia. Por mais que eu nao seja influenciado pela industria atual, eu com certeza sou influenciado por uma anterior ou serei por uma futura" (Aluno A4). Apesar de nao se preocupar com aquilo que e imposto hoje, o aluno A4 expressou que se adaptou com elementos advindos de ritmos ditados anteriormente em dominio industrial e se mostrou aberto a incorporar fatores que possam vir em futuras tendencias. Isso retrata uma realidade em que o individuo se adapta a tudo que ha ao seu redor e seleciona aquilo que ele deseja (ADORNO, 2002). Salienta-se, contudo, que a partir do momento que haja espontaneidade do sujeito para escolher as experiencias pelas quais ele vai ser influenciado, amplia-se a sua independencia em relacao a industria cultural.

O Aluno A7 traz um retrato sobre o qual se pode notar que a midia o influencia de uma maneira diferente, mas ainda retrata uma realidade um tanto quanto comum. "Musicas com conteudo ou melodia nao muito agradavel ao meu 'estado de espirito' acabo por acostumar com a musica pela repeticao que se toca na midia" (Aluno A7). Esse discente traz um retrato muito habitual contemporaneamente, quando a repeticao dos meios de vinculacao de informacoes "vence pelo cansaco". Apesar de limitacao da resposta somente ao meio musical, esse e um retrato diario do que ocorre com muitos individuos em areas distintas.

A seguir sao apresentadas as respostas dos alunos A3 e A2, com o reconhecimento de influencias da industria cultural. "Ela torna mais dificil conhecer novas opcoes e nos faz ter um senso critico fraco, pois temos um conhecimento leve, ou nao aprofundado, sobre diversos temas" (Aluno A3)
Como somos resultados do que vemos, ouvimos e nossas experiencias em
geral, a industria cultural tem impacto direto na vida de todos. Esse
impacto pode ser identificado na minha vida pelo o que eu considero
importante e basico para viver, que certamente e influenciado pela
industria cultural. (Aluno A2)


Nesse sentido, ressalta-se que a individualidade do homem e algo que a industria cultural tenta combater, ha sempre padroes de identidades como metas de vida (ADORNO, 2002).

Quando questionados em como seria possivel minimizar os impactos dessa influencia, destaca-se a resposta do Aluno A9: "A educacao desde a infancia. A formacao de cidadaos pensantes tende a inibir o surgimento de individuos que nao analisam suas escolhas. Gera pessoas que sabem o que querem consumir, diferente daqueles que apenas reproduzem a tendencia das grandes massas" (Aluno A9).

Isso reflete uma das principais motivacoes deste trabalho, seguindo em paralelo com a dialogicidade freiriana (FREIRE, 1970). Ressalta-se, nessa direcao, a perspectiva de Theodor Adorno de enfrentamento das limitacoes impostas pelas formas de pensar disseminadas pela industria cultural, perpassando os processos formativos e educativos.

7. Consideracoes finais

A audicao nao possui apenas aspectos fisicos, fisiologicos e sensoriais, como tambem atua na forma como os individuos se relacionam entre si e com o ambiente em que estao inseridos. Nesse sentido, a compreensao de paisagens sonoras, de musica e de conhecimentos acerca das caracteristicas fisicas dos sons (acustica) torna-se relevante.

Durante a pesquisa, realizou-se o diagnostico a respeito do reconhecimento de tais propriedades por estudantes de curso de Licenciatura em Fisica. O perfil tracado, apos o desenvolvimento dos exercicios explicitados, demonstrou que os licenciandos participantes apresentaram dificuldades na distincao entre frequencia e intensidade sonora. A analise de frequencia considerando elementos musicais tambem demonstrou um deficit por parte dos participantes.

Contudo, podem ser apontadas possibilidades associadas a aprendizagem de conteudos de Fisica, considerando o estabelecimento de relacoes entre conceitos fisicos e aspectos contextuais, viabilizado pela problematizacao de paisagens sonoras e musica. Nesse sentido, destacam-se aspectos musicais, que se relacionavam aos interesses dos participantes. Ressalta-se, ainda, a atividade de reconhecimento da paisagem sonora em espaco familiar aos sujeitos, que viabilizou a mobilizacao de aspectos de interesse e elementos para estabelecimento de relacoes.

Alem dos conceitos fisicos, buscou-se realizar um estudo sobre a percepcao auditiva dos participantes. A relacao entre audicao e outros sentidos foi analisada atraves de exercicios com sons do cotidiano, demonstrando a estreita ligacao entre audicao e visao. Outro aspecto levantado, condizente com a percepcao auditiva dos individuos, referiu-se a forma e as situacoes nas quais os sons estao presentes no seu cotidiano.

Com relacao ao estudo de paisagens sonoras, os estudantes foram divididos em duas equipes para fazer o esboco dos elementos sonoros, a afericao das intensidades sonoras e classificacao de tais fa-tores a partir da natureza da fonte de reproducao e a frequencia do evento. Os dois grupos obtiveram exito nessa etapa, o que demonstra sua familiaridade com paisagens sonoras urbanas. No entanto, apesar dos resultados promissores para esse aspecto, os licenciandos demonstraram pouca profundidade teorica na proposicao de medidas mitigadoras para as fontes de poluicao sonora apontadas no estudo desses cenarios.

Por fim, buscou-se uma discussao sobre as relacoes entre: musica, industria cultural e qualidade musical. O interessante foi que a capacidade de diferenciacao de aspectos musicais e culturais foi ampliada no decorrer das discussoes. Por outro lado, a visao dos estudantes sobre industria cultural predomina em uma associacao direta com influencia do capitalismo, ignorando, contudo, aspectos sociais, politicos e culturais. Pode-se salientar como aspecto positivo a apropriacao do conceito de producao musical como um produto final com padroes pre-estabelecidos; muitos alunos trouxeram a entrevista com o produtor musical como muito esclarecedora nesse aspecto.

Ao final do desenvolvimento da oficina "Fisica, Musica, Sociedade e Meio Ambiente" conclui-se que e viavel e possivel elaborar atividades educacionais diferenciadas no ensino de ondulatoria e acustica. Porem, e necessario mais tempo, tanto de aula como de preparo de recursos didaticos. A elaboracao de um material didatico feito aos moldes da oficina se torna uma opcao muito atrativa, principalmente no que diz respeito ao conteudo de teoria musical.

Conclui-se que o objetivo foi alcancado parcialmente, uma vez que os dados obtidos abriram novas possibilidades de abordagem para que em uma futura pesquisa se viabilize a obtencao dos resultados almejados. Os encaminhamentos dos problemas de pesquisa se deram de maneira satisfatoria. Um ponto chave para o desenvolvimento de uma oficina similar ou da transposicao dessas acoes seria a elaboracao de um formulario ou entrevista que propicie conhecer a fundo o perfil dos participantes, de modo que haja mais profundidade e significancia desse trabalho a eles. Como possibilidades de estudos futuros, apresenta-se a questao da transposicao dessas atividades educacionais para o Ensino Medio brasileiro. Destaca-se, nesse sentido, que a capacitacao dos licenciandos em Fisica se faz necessaria para que haja essa interacao com alunos do ensino regular.

8. Referencias Bibliograficas

ADORNO, T. Industria Cultural e Sociedade. 2 ed. Editora Paz e Terra. Sao Paulo: Brasil. 2002.

AUSUBEL, D.P.; NOVAK, J.D.; HANESIAN, H. Psicologia educacional. Editora Interamericana. Rio de Janeiro: Brasil. 1980.

BARDIN, L. Analise de conteudo. Edicoes 70. Sao Paulo: Brasil. 2011.

FLICK, U. Introducao a pesquisa qualitativa. Traduzido por: COSTA, J. E. 3 ed. Editora Artmed. Porto Alegre: Brasil. 2009.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 17 ed. Editora Paz e Terra. Rio de Janeiro: Brasil. 1970.

MONTEIRO JUNIOR, F.N. Educacao Sonora: Encontro entre ciencias, tecnologia e cultura. 315 p. Programa de Pos-Graduacao em Educacao para a Ciencia, Doutorado em Educacao para a Ciencia--Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho", Bauru, 2012. Disponivel em <http://repo-sitorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/102066/monteirojunior_fn_dr_bauru.pdf?sequence=1&i-sAllowed=y>. Acesso em: 13, set., 2018.

PIMENTEL-SOUZA, F. Efeito do ruido no homem dormindo e acordado. In: ENCONTRO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ACUSTICA EM SIMPOSIO INTERNACIONAL, 19, Belo Horizonte. Anais eletronicos... XIX ESBA. Meio digital. 2000. Disponivel em <http://labs.icb.ufmg.br/lpf/pimen-tel,sobrac2000.html>. Acesso em: 13, set., 2018.

SCHAFER, R.M. A Afinacao do Mundo. Uma exploracao pioneira pela historia passada e pelo atual estado do mais negligenciado aspecto do nosso ambiente: A paisagem sonora. Traduzido por: FONTERRADA, M. T. O. Editora UNESP. Sao Paulo: Brasil. 2001.

SCHAFER, R.M. Educacao sonora: 100 exercicios de escuta e criacao de sons. Traduzido por: FONTERRADA, M.T.O. Editora Melhoramentos. Sao Paulo: Brasil. 2009.

Jose de Oliveira Costa Junior (*), Noemi Sutil (**), Joao Amadeus Pereira Alves (***)

Como citar este articulo: Costa, J.O., Sutil, N. y Pereira Alves, J.A. (2019). Paisagens sonoras, musica e industria cultural: problematizacao na formacao inicial de profesores de fisica. Gondola, Ensenanza y Aprendizaje de las Ciencias, 14(2), 322-339. DOI: http://doi.org/10.14483/23464712.13852

Recibido: 18 de septiembre de 2018; aprobado: 26 de diciembre de 2018

(*) Licenciado em Fisica e Mestrando em Ensino de Ciencias do Programa de Pos-Graduacao em Formacao Cientifica, Educacional e Tecnologica - PPGFCET pela Universidade Tecnologica Federal do Parana - UTFPR (Brasil). Docente da Secretaria de Estado da Educacao do Parana - SEED (Brasil). Correio eletronico: thejosephjr@gmail.com - ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0064-4052

(**) Licenciada em Fisica e Mestre em Educacao pela Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG (Brasil). Doutora em Educacao para a Ciencia pela Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" - UNESP (Brasil). Docente e pesquisadora do Departamento Academico de Fisica e Programa de Pos-Graduacao em Formacao Cientifica, Educacional e Tecnologica - PPGFCET da Universidade Tecnologica Federal do Parana - UTFPR (Brasil). Correio eletronico: noemisutil@utfpr.edu.br - ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3095-3999

(***) Licenciado em Fisica pela Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG (Brasil). Mestre e Doutor em Educacao para a Ciencia pela Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" - UNESP (Brasil). Docente e pesquisador do Departamento Academico de Fisica e Programa de Pos-Graduacao em Formacao Cientifica, Educacional e Tecnologica - PPGFCET da Universidade Tecnologica Federal do Parana -UTFPR (Brasil). Correio eletronico: joaoalves@utfpr.edu.br - ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1850-0260

DOI: http://doi.org/10.14483/23464712.13852
Tabela 1. Atividades educacionais.

Etapa                     Descricao
Introducao                Caracterizacao da audicao e a "regressao" da
                          percepcao dos sons.
Educacao auditiva         Desenvolvimento de atividades de educacao
                          sonora e reproducao de sons.
Estudo de                 Apresentacao de estudo de caso de uma paisagem
Paisagens sonoras         sonora, categorizando os elementos
                          constituintes.
                          Analise de paisagem sonora na instituicao de
                          Ensino Superior.
Introducao a conceitos    Apresentacao de escalas maiores e menores
basicos de ondulatoria,   harmonicas, com explicitacao de conceitos de
acustica e musica         Fisica.
Analise e discussao       Analise de relacao dos aspectos  musicais
de aspectos musicais e    envolvendo generos populares.
industria cultural
                          Analise de perfil musical dos participantes.
                          Discussoes sobre estandardizacao musical.

Fonte: autores, 2016.

Tabela 2. Reconhecimento de sons do cotidiano.

Aluno      Som 1    Som 2          Som 3   Som 4
A1                                 Moeda   Chuva
A2         Chaves   Pipoca         Moeda   Chuva
A3         Colher   Gelo           Moeda   Carro
A4         Chaves   Cascos         Moeda   Chuva
A5         Chaves   Agua           Moeda   Limpador
                                           Para-brisas
A6         Chaves   Agua           Moeda   Chuva
A7         Chaves   Succao         Moeda   Mar
A8         Chaves   Caixa de som   Moeda   Transito
A9         Chaves   Pipoca         Moeda   Cachoeira
Gabarito   Chaves   Pipoca         Moeda   Cachoeira

Fonte: autores, 2016.

Tabela 3. Valores de intensidade sonora verificados pela equipe A.

Fonte               Intensidade Sonora
Carros              77 dB
Fiacoes Eletricas   58,6 dB
Onibus              81,3 dB
Pessoas             65 dB
Vento               60 dB

Fonte: autores, 2016.
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Title Annotation:Cronica de experiencia
Author:Junior, Jose de Oliveira Costa; Sutil, Noemi; Alves, Joao Amadeus Pereira
Publication:Gondola, ensenanza y aprendizaje de las ciencias
Date:Jul 1, 2019
Words:9662
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