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Ovariohysterectomy for videosurgery (hybrid vaginal NOTES), celiotomy or mini-celiotomy in bitches/ Ovariohisterectomia por videocirurgia (via NOTES vaginal hibrida), celiotomia ou miniceliotomia em cadelas.

INTRODUCAO

A ovariohisterectomia (OH) eletiva e a cirurgia mais amplamente realizada na Medicina Veterinaria de pequenos animais (BECK et al., 2004), sendo indicada no controle populacional, para o tratamento de endometrites supurativas, nos manejos de prolapsos uterinos, nos tratamentos da hiperplasia endometrial cistica e da hiperplasia vaginal, assim como tratamento auxiliar de algumas doencas sistemicas, como o diabetes e a epilepsia (FOSSUM, 2005). Tradicionalmente, a OH e realizada rotineiramente por celiotomia via media ventral, sendo procedimento associado a boa recuperacao, porem com dor pos-operatoria considerada moderada (HANCOCK, 2005; MAYHEW & BROWN, 2007). Os proprietarios tem se conscientizado quanto a essa dor, demonstrando maior interesse em cirurgias minimamente invasivas, as quais tambem estao associadas ao menor periodo de convalescenca posoperatoria (MAYHEW & BROWN, 2007).

Uma abordagem cirurgica convencional, porem pouco invasiva para realizacao de OH convencional foi descrita utilizando incisao minima, de 1 a 5cm, e auxilio de gancho de Snook. Tal abordagem procura diminuir os gastos com anestesicos, material e instrumentais, bem como minimizar tempo de cirurgia, com rapida recuperacao pos-cirurgica, quando comparada a celiotomia tradicional (MIGILARI & VUONO, 2000).

A cirurgia videolaparoscopica apresenta potenciais vantagens em relacao a cirurgia convencional, tais como acesso atraves de pequenas incisoes, menor lesao tecidual, menores desconforto e dor no pos-operatorio, menor periodo de hospitalizacao do paciente, recuperacao pos-cirurgica mais rapida, menores custos e melhores resultados esteticos (MALM et al., 2004).

Considerando o desenvolvimento da videocirurgia e as diferentes indicacoes para a realizacao de OH em cadelas, intensificaram-se as pesquisas visando ao aperfeicoamento dessa operacao por acessos minimamente invasivos, no sentido de se reduzir os problemas e complicacoes enfrentados no trans e pos-operatorio (SIEGL, 1994; DAVIDSON et al., 2004; MALM et al., 2004; DEVITT et al., 2005; HANCOCK, 2005; DOS SANTOS et al., 2007; BRUN et al., 2008).

O numero de portais empregados para OH varia de acordo com os diferentes autores, podendose empregar quatro (SIEGL, 1994; BRUN et al., 2008), tres (FREEMAN, 1998), dois (DOS SANTOS et al., 2007), um portal pela tecnica videoassistida (DEVITT et al., 2005) e um portal abdominal e outro vaginal, pelo procedimento utilizando orificios naturais (BRUN et al., 2008), conhecido pela sigla NOTES (KAVIC, 2006). Na Medicina Veterinaria, a tecnica por NOTES hibrida foi desenvolvida no Brasil (BRUN, 2007) e atualmente vem sendo aperfeicoada e utilizada em pequenos animais. A comparacao entre as abordagens de OH videoendoscopicas e convencionais vem sendo estudada com bons resultados, relacionando um menor desconforto posoperatorio nas operacoes videocirurgicas, porem com maior tempo operatorio, comparado a tecnica convencional (DAVIDSON et al., 2004; MALM et al., 2004; DEVITT et al., 2005; HANCOCK, 2005).

Este trabalho tem por objetivo comparar tres tecnicas atualmente utilizadas para realizacao da OH eletiva em cadelas: por miniceliotomia ("tecnica do gancho"), via cirurgia endoscopia por orificios naturais (NOTES) hibrida e via cirurgia convencional.

MATERIAL E METODOS

Foram utilizadas 21 cadelas, com idade maxima de 12 meses, peso medio de 7,11[+ or -]2,65kg, higidas aos exames fisico e hematologico, sem raca definida, nao castradas, provenientes de entidades protetoras dos animais da cidade de Passo Fundo, RS. As pacientes foram submetidas a um exame clinico completo. Atestando-se a normalidade em todos esses parametros, os animais foram desverminados e alojados em canis individuais onde receberam racao comercial e agua ad libitum. Durante esse periodo, uma unica pessoa aferia os parametros clinicos acima mencionados. No dia anterior a cirurgia, foi coletada uma amostra sanguinea para realizacao do hemograma e bioquimica serica para verificar a condicao de higidez das pacientes.

Os animais foram separados, de forma randomica, em tres grupos cirurgicos, com igual numero de componentes: cadelas submetidas a OH por miniceliotomia a partir da "tecnica do gancho de Snook" (GM), animais submetidos a OH por NOTES vaginal hibrida (GN) e pacientes submetidos a OH convencional (GC), sendo que na tecnica do gancho e na laparoscopica o cirurgiao ainda estava em curva inicial de aprendizagem.

Procedeu-se jejum alimentar solido de 12 horas e hidrico de duas horas. Utilizou-se como medicacao pre-anestesica tiletamina associada ao zolazepam (5mg [kg.sup.-1], IM), Sendo que 20 minutos apos os animais foram induzidos com propofol a 1% (2mg [kg.sup.-1], IV). Em seguida, receberam cetoprofeno (2mg [kg.sup.-1], IV) e dipirona sodica (2mg [kg.sup.-1], IV). Para manutencao anestesica, foi utilizado o isofluorano vaporizado com oxigenio a 100%, em circuito semifechado e ventilacao mecanica. Com os pacientes em decubito dorsal, realizou-se tricotomia, que se estendeu do apendice xifoide ao pubis, e lateralmente as cadeias mamarias. Posteriormente, foi realizada assepsia utilizando clorexidine aquoso a 0.5%.

Os procedimentos anestesicos foram monitorados por meio da deteccao da pressao arterial media invasiva (PAI), a partir do acesso a arteria femoral esquerda, e da pressao venosa central (PVC), pelo acesso da veia jugular externa direita. Para tanto, foram utilizados cateteres de no 22 e 20, respectivamente. Utilizou-se para afericao da PVC o fator de correcao segundo AGUIAR (2004).

Os parametros vitais de FC, f e TR foram avaliados nos seguintes tempos: T0--anteriormente a inducao anestesica; T1--apos a inducao e estabilizacao do plano anestesico dos pacientes; T2--imediatamente apos a incisao de pele; T3--imediatamente apos ao acesso abdominal (GM e GC) ou a obtencao do pneumoperitonio (GN); T4--imediatamente a ruptura do ligamento suspensor esquerdo; T5--imediatamente apos a secao do segundo ovario; T6--apos o termino da celiorrafia, e as 2h (T7), 3h (T8), 4h (T9), 5h (T10), 6h (T11), 12h (T12), 24h (T13), 48h (T14) e 72h (T15) apos o termino da operacao. Os valores da PAI e da PVC foram aferidos somente apos a inducao, sendo coletados nos tempos T1, T2, T3, T4, T5 e T6, e anotados em tabela correspondente para posterior analise estatistica. Nos tres grupos, os animais foram mantidos com fluidoterapia intravenosa, utilizando solucao de NaCL 0,9% (10mg [kg.sup.-1] [min.sup.-1]) e receberam como profilaxia antimicrobiana ampicilina (20mg [kg.sup.-1], IV), aplicada aproximadamente 30 minutos antes da incisao cutanea. O tempo de cirurgia foi definido a partir da primeira incisao cutanea ate a ultima sutura de pele.

Nos animais do GM (OH pela "tecnica do gancho"), a incisao cutanea para acesso a cavidade abdominal, de aproximadamente 3cm de comprimento, foi realizada no ponto medio entre a cicatriz umbilical e o pubis. O omento foi afastado no sentido cranial para localizacao do corno uterino direito, com o auxilio de um gancho de Snook. Este instrumento foi introduzido proximo a parede abdominal lateral, com movimento pendular em direcao ao acetabulo, evitando-se atingir a vesicula urinaria. O corpo uterino foi tracionado caudalmente apos exteriorizacao e posicionamento de um afastador de Farabeuf pediatrico. A hemostasia dos pediculos ovarianos foi obtida com a tecnica das tres pincas, sendo a ligadura realizada com de fio poliglactina 910 no 2-0 apos a ruptura do ligamento suspensor. O mesometrio foi liberado com o auxilio de tesoura de Metezenbaum. Logo acima da cervix, foi realizada a ligadura dos vasos uterinos, por meio de duas ligaduras, uma circular e outra transfixante com poliglactina 910 no 2-0. Na ausencia de hemorragia, realizava-se omentopexia junto a cervix. A sutura da parede abdominal foi obtida em padrao de Sultan, e o tecido subcutaneo foi aproximado em padrao continuo simples, ambos com poliglactina 910 no 2-0. A pele foi suturada com nailon monofilamentar no 5-0, em padrao interrompido simples.

Nos animais do GN (OH por NOTES vaginal hibrida), era realizado o preparo do acesso vaginal, a partir da antissepsia da mucosa com o emprego de PVP-I 0,5%, na proporcao de 10mL [kg.sup.-1], e cateterizacao vesical com sonda uretral numero 6 ou 8. Era realizada uma incisao na cicatriz umbilical de aproximadamente 1cm, abrangendo a pele e o tecido subcutaneo. Pela tecnica aberta, era introduzido, na cavidade abdominal, um trocarte de 10mm, sendo esse fixado a pele a partir de uma sutura de arrimo com fio de nailon monofilamentar no 4-0. Apos a fixacao da canula, estabelecia-se o pneumoperitoneo (12mmHg). Sob visualizacao direta, era introduzido na cavidade peritoneal, por acesso vaginal, um trocarte de 5 ou 10mm de diametro na dependencia das dimensoes da vulva, tendo-se o cuidado de manter o acesso latero-ventral a cervix, sem atingir a bexiga, os ureteres, o colon ou os ligamentos associados. Apos a colocacao dos dois portais, os pacientes eram colocados em posicao de rotacao lateral direita a fim de facilitar a exposicao de ambos os ovarios pelo deslocamento das visceras. Na sequencia, promovia-se a ruptura do ligamento suspensor do ovario. O corno uterino era fixado temporariamente a parede abdominal correspondente, tracionando-se o ovario e fixando-o a partir de sutura transparietal, aplicada externamente sob visualizacao endoscopica, utilizando fio de polipropileno no 1 e agulha de 4cm.

Foi promovida a hemostasia com utilizacao de energia bipolar, utilizando pinca descartavel Powerblade[R] e seccao de parte do mesometrio e do mesovario com os vasos ovarianos com a lamina cortante do instrumento. Na ausencia de hemorragia, o ovario foi liberado da parede muscular, e o paciente rotacionado contralateralmente, repetindo-se as manobras de hemostasia e seccao dos ligamentos, vasos uterinos e ovarianos. Ambos os ovarios foram entao tracionados atraves da incisao vaginal, com exposicao extracavitaria desses orgaos, dos cornos uterinos e parte da vagina. Realizou-se uma ligadura circular e logo em seguida uma transfixante na parede vaginal, por meio da tecnica das tres pincas e com fio de poliglactina 910 no 2-0, permitindo que o tecido seccionado incluisse a cervix e a parte cranial da vagina lesionada pela introducao da canula na parede vaginal. A incisao umbilical foi suturada com poliglactina 910 2-0, abrangendo a camada muscular e o tecido subcutaneo em conjunto (em padrao de Sultan). A pele foi suturada com nailon monofilamentar no 5-0 em padrao interrompido simples.

Para os animais do GC (OH pela "tecnica convencional"), foi realizada uma incisao retroumbilical de 5cm de comprimento. Em seguida, o ovario esquerdo foi localizado manualmente. Apos essa etapa, seguiramse os mesmos procedimentos utilizados no GM.

Ao termino dos procedimentos cirurgicos, realizava-se o curativo e terapia anti-inflamatoria com cetoprofeno (2mg [kg.sup.-1], SC, SID) e controle analgesico com dipirona sodica (25mg [kg.sup.-1], SC, TID), durante tres dias. Os animais permaneceram em observacao, recebendo fluidoterapia ate a plena recuperacao anestesica em gaiolas individuais.

A quantidade estimada de hemorragia apos cada procedimento era obtida a partir da pesagem de gazes utilizadas na cirurgia em balanca digital. O sangramento cirurgico, em gramas (g), foi analisado baseando-se na subtracao dos valores correspondentes a pesagem final e inicial das gazes, utilizadas em cada procedimento proposto para OH eletiva em cadelas.

A analise estatistica foi executada utilizando-se o programa Graph Pad Prism, v. 4.0, Graph Pad Software Inc., 2003. Foi utilizado o teste de one-way-anova, quando se analisou apenas uma variavel por grupo, seguido do teste de Tukey como pos-teste quando P<0,05. Quando foram comparados os tempos em relacao aos tres grupos, foi utilizado o two-way-anova, seguido do teste de Bonferroni como pos-teste, quando P<0,05. A avaliacao da dor pos-operatoria foi obtida conforme escores atribuidos a cada item analisado (Tabela 1), podendo variar de zero a tres pontos. Quanto menor o escore atingido, considerava-se menor a resposta dolorosa posoperatoria. Essa avaliacao foi realizada nos seguintes tempos: 2h (T7), 3h (T8), 4h (T9), 5h (T10), 6h (T11), 12h (T12), 24h (T13), 48h (T14) e 72h (T15) do termino do procedimento cirurgico. Adotou-se o criterio do somatorio de sete pontos, conforme a analise objetiva e subjetiva (Tabela 1), como limite na escala de dor. Caso atingisse esse valor, era instituida terapia de resgate utilizando o tramadol (2mg [kg.sup.-1], SC, TID), baseando-se na proporcao de 35% do somatorio utilizada no estudo de FIRTH & HALDANE (1999). No presente estudo, essa tabela sofreu modificacao no quesito da monitoracao arterial nao invasiva, a qual nao foi realizada e entao reduziuse o somatario original com menos tres pontos.

RESULTADOS E DISCUSSAO

O acesso cirurgico via NOTES vaginal (BRUN et al., 2008), apesar da pouca utilizacao na Medicina Veterinaria, ja demonstra boa perspectiva para aplicacoes clinicas e diagnosticas, sendo um campo aberto para pesquisa. A modalidade convencional para OH em cadelas mostra-se muita segura (DAVIDSON et al., 2004; MALM et al., 2004) na realizacao da remocao das estruturas ovarianas e uterinas, quando comparada principalmente ao acesso via miniceliotomia pela "tecnica do gancho", ja que possibilita ao cirurgiao visao ampla destas estruturas, permitindo que as etapas de ligadura e seccao dos vasos envolvidos sejam realizadas com seguranca. No presente estudo, a OH via miniceliotomia demonstrou ser uma tecnica eficaz para extirpacao do utero, cornos uterinos e ovarios para o cirurgiao em fase inicial de curva aprendizagem, reforcando as observacoes de MIGILARI & VUONO (2000).

Observou-se que a OH via miniceliotomia parece ser menos segura, quando comparada a convencional, proposta neste experimento para cirurgiao que ainda nao e proficiente na tecnica. Isso se da pelo fato de a incisao abdominal ser menor e, assim, limitar a visualizacao das estruturas anatomicas abdominais. No caso da presenca de aderencias de orgaos ao peritonio visceral, a entrada com o gancho de Snook pela ferida cirurgica poderia causar alguma lesao iatrogenica. Alem disso, a tracao realizada para exposicao do mesovario e consideravel e, em situacoes em que animais operados estiverem no cio, estas estruturas tendem a se apresentar mais friaveis, existindo a chance de rompe-las pelo tracionamento.

A celiotomia convencional para OH ja era frequentemente executada pelo cirurgiao que realizou o experimento. Dentre as desvantagens desta operacao, pode-se ressaltar que ela tende a ser mais cruenta e promover maior lesao tecidual, quando comparada a OH via NOTES vaginal, alem de promover maior manipulacao visceral. Essas condicoes podem ser associadas ao elevado grau de desconforto pos-operatorio observado neste experimento para os grupos da celiotomia ("tecnica convencional"--GC) e miniceliotomia ("tecnica do gancho"--GM), conforme discussao posterior.

A modalidade videolaparoscopica se mostrou segura e eficaz para OH, porem requer treinamento aprimorado para sua realizacao. As dificuldades tecnicas para execucao da OH por NOTES hibrida foram verificadas principalmente nas etapas de posicionamento do trocarte para o acesso abdominal via vaginal em que o ponto apropriado, no fundo da vagina, ventro-caudal a cervix nao foi alcancado em um animal. Segundo BRUN et al. (2008), e importante alcancar essa localizacao na puncao vaginal para que se consiga realizar as ligaduras dos vasos uterinos de forma adequada e para possibilitar a oclusao da ferida vaginal.

No presente trabalho, em um caso, nao se alcancou uma puncao vaginal adequada, ocorrendo uma ferida de acesso caudalmente ao ponto desejado, cerca de 2cm da cervix. Essa condicao resultou numa complicacao pos-cirurgica, verificada logo na primeira avaliacao de desconforto pos-operatorio, momento no qual se constatou que o animal apresentava sangramento vaginal intenso, optandose por uma laparotomia exploratoria para descartar a ocorrencia de hemorragia intrabdominal e para proceder a hemostasia. Durante a cirurgia, constatouse que a perda sanguinea era proveniente da ferida vaginal, realizando-se entao a sutura da ferida, utilizando fio de poliglactina 910 no 2-0 em padrao continuo simples, obtendo-se assim a hemostasia definitiva da parede vaginal.

Outra dificuldade tecnica observada foi na etapa de exposicao das estruturas (ovarios, tubas uterinas e utero) via vaginal para seguinte ligadura dos vasos uterinos e oclusao da ferida vaginal. Neste momento, foi observado que, quando se utilizaram trocartes de 10mm via vaginal, as estruturas eram bem posicionadas no interior destes, conforme descrito previamente por BRUN et al. (2008). Ao se utilizar trocartes de 5mm, essa etapa se tornava mais dificultosa e demorada, ja que as estruturas nao entravam no interior do trocarte. Houve necessidade em um animal de se retirar o ovario esquerdo via acesso abdominal, em que se utilizou o acesso vaginal de 5mm, ja que, na manobra de eversao via vaginal, ocorreu o rompimento dessa estrutura sob o ligamento proprio. Nesse caso, foi necessario empregar o endoscopio de 5mm via vaginal, e a pinca de preensao via acesso umbilical para remocao deste.

As cirurgias duraram 49,6 [+ or -] 7,3, 104,6 [+ or -] 30,2, 55,3 [+ or -] 10,2 minutos, para os grupos GM, GN e GC, respectivamente. A analise estatistica do tempo cirurgico em minutos demonstrou que nao houve diferenca entre os acessos via tecnicas convencional e do gancho (P>0,05), porem ambos foram executados mais rapidamente que a NOTES vaginal hibrida (P=0,0002). A variavel tempo entre as abordagens tambem foi similar ao observado nos trabalhos em que os cirurgioes estavam em fase inicial de curva de aprendizagem (DAVIDSON et al., 2004; MALM et al., 2004). Ressalta-se que a velocidade operatoria em videocirurgia tende a aumentar conforme a curva de aprendizagem da tecnica va sendo alcancada (DAVIDSON et al., 2004).

Quanto a hemostasia dos vasos ovarianos, essa tecnica mostrou-se bastante eficaz sem a ocorrencia de sangramento proveniente do complexo arteriovenoso. Nao houve diferenca (P>0,05) quanto ao sangramento cirurgico (mensurado em gramas) entre os grupos. A variacao da pesagem inicial e final das gazes demonstrou valores muito baixos em todos os grupos, porem deve-se considerar que, no grupo da NOTES, esses foram ainda menores. Ja os maiores valores de sangramento transoperatorio foram alcancados com a celiotomia convencional, condicao explicada pelo maior traumatismo tecidual, ao se comparar com as outras duas modalidades operatorias.

Considerando a analise estatistica da FC, constatou-se que nao houve diferenca entre os grupos e os seus tempos (P>0,05). Por meio da analise estatistica da f, constatou-se que nao houve diferenca entre os grupos e os seus tempos (P>0,05). A PAM mostrou-se mais constante durante os tempos na modalidade via NOTES vaginal hibrida, e vale ressaltar que, no tempo correspondente, a tracao seguida de seccao do ligamento suspensor do ovario, houve um aumento significativo na pressao arterial media no grupo da tecnica convencional e no grupo da miniceliotomia, isso pode ser justificado pelo fato de que, no grupo da NOTES, essa ruptura tende a ser obtida com menor tracao, sendo que, em alguns casos, observou-se que nem havia a necessidade da sua seccao antes da promocao da hemostasia do mesovario, condicao verificada em outro relato (BRUN et al., 2008).

Em relacao a analise estatistica da PAI, constatou-se que nao houve diferenca entre os acessos e os seus tempos (P>0,05). Ja na analise da PVC, constatouse que houve diferenca entre grupos (P=0,4831), quando se compararam as tecnicas via NOTES com a celiotomia convencional, nao havendo diferenca nos grupos de acesso convencional ao abdome (P>0,05). Essa situacao pode ser explicada pelo aumento da pressao intraabdominal, provocada pelo pneumoperitonio, utilizando o C[O.sub.2] medicinal na NOTES, resultando em diminuicao do retorno venoso (DEVITT et al., 2005).

Pela analise estatistica da TR, constatou-se que nao houve diferenca entre os grupos e os seus tempos (P>0,05), contudo na miniceliotomia esse parametro foi mais constante. Atribui-se a isso menor exposicao visceral, devido a menor ferida cirurgica que a da celiotomia convencional (GI). Ja no grupo da NOTES, ha de se considerar que a insuflacao abdominal com CO2 nao aquecido tende a reduzir a temperatura corporea. Dentre os grupos, o GI foi o que demonstrou maior diferenca de temperatura durante o trans-operatorio, possivelmente pela maior exposicao e manipulacao viscerais.

Por meio da analise do desconforto pos-operatorio, constatou-se que houve diferenca entre os grupos analisados, sendo os valores de "p" menores que 0,05. O grupo da OH via NOTES foi o que apresentou o menor escore de dor (P=0,4625), na comparacao com os outros grupos. No grupo via cirurgia videolaparoscopica, em nenhum dos seis animais avaliados, foi necessario entrar com analgesia resgate durante as avaliacoes. Ja nos outros dois grupos via modalidade aberta, os animais mostraram-se muito parecidos na questao da analgesia pos-operatoria e a terapia de resgate com o tramadol foi instituida em quatro animais dos sete operados, em ambos os grupos. DAVIDSON et al. (2004), DEVITT et al. (2005) e HANCOCK (2005) tambem realizaram a comparacao da dor entre as abordagens laparoscopica e a convencional em caes para realizacao da OH. A escala de dor utilizada no presente estudo nao foi similar a desses autores, porem os resultados foram, com menor desconforto para as abordagens laparoscopicas.

MALM et al. (2004) realizaram a comparacao entre as abordagens convencional e laparoscopica para realizacao de OH em cadelas, concluindo que a hemorragia pela videocirurgia foi menor, sendo proveniente principalmente de hemorragias, devido a puncoes viscerais com a agulha de Veress e pela introducao do trocarte no abdome, condicoes que, no presente estudo, nao ocorreram, haja vista que se optou por realizar a tecnica aberta para o acesso a cavidade abdominal.

CONCLUSAO

As tres abordagens propostas para realizacao da OH em cadelas mostraram-se seguras e eficazes. Dentre as tecnicas comparadas, a que houve maior grau de dificuldade para sua realizacao foi a tecnica via NOTES vaginal hibrida.

Em relacao a comparacao entre as tres modalidades cirurgicas, o grupo da OH via NOTES vaginal hibrida apresenta menor desconforto posoperatorio, sendo executado em maior tempo cirurgico. A OH, pela tecnica convencional, mostrase, em parte, bastante semelhante a tecnica de miniceliotomia com gancho de Snook, porem a segunda permite uma operacao mais rapida, quando comparada as outras duas tecnicas. Ao se considerar a PVC, ha diferenca significativa entre os grupos via celiotomia convencional e via NOTES.

REFERENCIAS

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Fernando Wiecheteck de Souza (I) * Mauricio Veloso Brun (I) Marilia Teresa de Oliveira (I) Joao Pedro Scussel Feranti (I) Rose Karina Reis Correa (II) Renam Idalencio (III) Naila Cristina Blatt Duda (II) Aparicio Mendes Quadros (III) Rafael Ricardo Huppes (IV)

(I) Programa de Pos-graduacao em Medicina Veterinaria, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 97105-900, Santa Maria, RS, Brasil. E-mail: wiecheteck@hotmail.com. * Autor para correspondencia.

(II) Programa de Pos-graduacao em Ciencias Veterinarias, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS, Brasil.

(III) Programa de Residencia em Medicina Veterinaria, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo, RS, Brasil.

(IV) Programa de Pos-graduacao em Clinica Medica Veterinaria, Universidade Estadual Julio de Mesquita Filho (UNESP), Jaboticabal, SP, Brasil.

Recebido 10.01.13 Aprovado 17.09.13 Devolvido pelo autor 28.12.13 CR-2013-0035.R2
Tabela 1--Criterios objetivos e subjetivos utilizados para
avaliacao do grau de desconforto pos-operatorio
nas diferentes OH realizadas. Escala de Firth &
Haldane (1999) modificada.

Parametro avaliado                         Pontuacao

(FC--Acrescimo ao basal)
<10%                                           0
10 a 30%                                       1
30 a 50%                                       2
>50%                                           3
(f--Acrescimo ao basal)
<10%                                           0
10 a 30%                                       1
30 a 50%                                       2
>50%                                           3
(Nivel de Consciencia)
Alerta                                         0
Levanta-se quando estimulado                   1
Reage a estimulos, mas permanece deitado       2
Nao reage a estimulos                          3
(Palpacao na area de incisao)
Sem resposta                                   0
Resposta minima (eleva-se o dorso)             1
Reage a manipulacao (leve vocalizacao)         2
Tentativa de morder (severa vocalizacao)       3
(Vocalizacao)
Nao vocaliza                                   0
Vocaliza quando tocado                         1
Vocalizacao intermitente (leve)                2
Vocalizacao continua (severa)                  3
(Midriase)
Presente                                       2
Ausente                                        0
(Sialorreia)
Presente                                       2
Ausente                                        0
(Temperatura Retal >39,9[degrees]C)            1
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Author:de Souza, Fernando Wiecheteck; Brun, Mauricio Veloso; de Oliveira, Marilia Teresa; Feranti, Joao Ped
Publication:Ciencia Rural
Date:Mar 1, 2014
Words:4332
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