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Os reflexos das agroindustrias familiares para o desenvolvimento das areas rurais no Sul do Brasil.

LOS REFLEJOS DE LAS AGROINDUSTRIAS FAMILIARES AL DESARROLLO DE LOS ESPACIOS RURALES EN EL SUR DEL BRASIL

THE EFFECTS OF THE FAMILY AGRO-INDUSTRIES FOR THE DEVELOPMENT OF THE RURAL LOCALITIES IN THE SOUTH OF BRAZIL

LES REFLEXES DES AGROINDUSTRIES FAMILIALES POUR LE DEVELOPPEMENT DU MILIEU RURAL DANS LE SUD DU BRESIL

1. Introducao

Em face aos processos de reestruturacao capitalista e ao aumento da vulnerabilidade social e economica no meio rural latino-americano, tem se apresentado crescente a tendencia de diversificacao produtiva dentro da agricultura familiar (Long, 2001; Ellis, 2000). Nesse cenario, varias estrategias de desenvolvimento determinadas por dinamicas economicas endogenas tem sido identificadas, merecendo destaque as agroindustriais familiares rurais (Mior, 2005; Wilkinson, 2003). Segundo estimativas do Ministerio do Desenvolvimento Agrario (MDA) para o ano de 2008, essas iniciativas diferenciadas de insercao no sistema agroalimentar tem se mostrado expressivas na quantidade de empreendimentos existentes, alcancando aproximadamente 35 mil unidades dessa natureza em todo pais,. Diante dessa expressividade, varias pesquisas a nivel de Brasil tem se dedicado ao estudo das agroindustrias rurais dentro dos seus contextos regionais.

O objetivo central desse trabalho consiste em apontar e analisar a importancia das agroindustrias familiares para as dinamicas de desenvolvimento dentro do meio rural brasileiro, focalizando a discussao na regiao Sul do pais. O olhar desse estudo se direciona sobre alguns indicadores que tem se apresentado de forma comum no apontamento da importancia das pequenas agroindustrias para o processo de fortalecimento da agricultura familiar, mostrando a relevancia desses empreendimentos independente de sua localizacao, do tipo de produto e das caracteristicas estritas do empreendimento.

O referencial teorico desse trabalho dialoga com as novas tendencias do sistema agroalimentar contemporaneo, focalizando o debate no processo recente de valorizacao dos produtos tradicionais. Essa abordagem aponta, por um lado, a abertura e o crescimento dos mercados alternativos e, por outro lado, a possibilidade de insercao da agricultura familiar nesses espacos comerciais. Alem desse pano de fundo, e realizada uma rapida discussao teorica e terminologica sobre a tematica das agroindustrias rurais/familiares na tentativa de clarear essa nocao e apontar algumas das principais caracteristicas que demarcam essa atividade.

Esse texto esta dividido, alem da introducao e da metodologia, em mais quatro partes. Inicia-se com uma analise sobre o sistema agroalimentar, apontando para o processo de crescimento da demanda por produtos tradicionais no cenario recente. Em seguida, e discutido as caracteristicas das agroindustrias rurais/familiares. Na sequencia, conciliando as informacoes bibliograficas com as iniciativas empiricas analisadas, e trabalhada a importancia das agroindustrias para as estrategias de desenvolvimento no meio rural brasileiro. Subsequentemente, com carater conclusivo, e discutido o papel das iniciativas estudadas (agroindustrias familiares) para a constituicao de novas dinamicas no campo.

2. Metodologia do trabalho

Para efetivacao desse trabalho foi feito inicialmente uma revisao teorica encima de alguns estudos que discutem a nova dinamica do sistema agroalimentar, procurando entender a participacao da agricultura familiar nos mercados de produtos diferenciados e de elevado valor agregado. Em formato complementar foi incorporado o debate sobre as agroindustrias familiares, percebendo as nocoes e conceitos que estao por traz desse termo.

Para retratar a importancia das agroindustrias familiares nas estrategias de desenvolvimento rural foram utilizados estudos que se voltam ao tema dessas iniciativas produtivas na regiao Sul do Brasil (Figura 1). E fundamental esclarecer que nao se trata simplesmente de uma revisao dos trabalhos ja efetivados, mas da tentativa de perceber como essas iniciativas produtivas estao participando do processo de desenvolvimento a partir de uma leitura menos localizada. Portanto, a utilizacao de uma serie de pesquisas tem o intuito de apontar a presenca de um movimento comum e de significativa expressividade no Sul do pais, o que se torna dificil de perceber quando se tem uma analise restrita a escala local, pois o processo fica diminuido e enfraquecido.

[FIGURA 1 OMITIR]

Nesse trabalho foram utilizados 13 estudos que tiveram como foco as agroindustrias familiares presentes nos tres Estados da Regiao Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Parana), conforme o Quadro 1. Para tanto, a analise ficou recortada as pesquisas que apresentaram dados empiricos coletados em, no minimo, 10 empreendimentos. Essa escolha esta atrelada a preocupacao de absorver informacoes que retratem de forma representativa a situacao complexa presente nessa atividade, dando uma maior legitimidade e consistencia as informacoes divulgadas. Isso pode ser visualizado no universo de unidades produtivas cobertas pelas pesquisas, ja que participaram dos trabalhos 3.244 agroindustrias familiares (nesse valor podem estar agregadas algumas unidades que participaram em mais de um estudo). O recorte temporal se deu a partir de 1998 pela dificuldade de encontrar pesquisas anteriores que utilizassem um numero significativo de unidades na Regiao Sul.

Embora tenha se priorizado os trabalhos que apresentassem universo empirico, foram utilizados complementarmente outros estudos que contivessem uma discussao qualitativa acerca do tema.

3. As reconfiguracoes do sistema agroalimentar e a agricultura familiar

O sistema agroalimentar tem sido cenario de um crescente processo de (re)organizacao da producao a partir da industrializacao sob bases transnacionais e transetoriais, onde o comercio, a producao, o trabalho e as financas passam a atuar dentro de cadeias globais de commodities, funcionando no interior de uma economia crescentemente integrada, conforme Gereffi, Korzeniewicz e Korzeniewicz (1994).

Esse processo de globalizacao do sistema agroalimentar, conciliado com a abertura dos mercados -incluindo a integracao regional do Mercosul--e a consequente alteracao do arcabouco regulatorio e institucional, criou um novo ambiente concorrencial que ameacou diretamente a participacao da agricultura familiar nessas cadeias de commodities. Isso porque, se tornou crescente a necessidade de extrair a lucratividade por meio dos ganhos de escala, tendo nos insumos modernos (geneticos e quimicos), nos grandes maquinarios e nas inovacoes tecnologicas a condicao basica para manutencao ou entrada nos mercados (Wilkinson, 2003).

No entanto, a producao cada vez mais internacionalizada, a irresponsabilidade de algumas empresas com as questoes socio-ambientais e a presenca de produtos de procedencia desconhecida e qualidade indiferenciada acabou gerando uma serie de desconfiancas e incertezas por parte dos consumidores. Para inflamar ainda mais essa situacao obteve-se a crise sanitaria que inquietou a populacao atraves da vaca louca, febre aftosa, gripe aviaria, etc. Esse contexto de inseguranca acabou motivando a busca dos consumidores por alimentos mais saudaveis, de origem conhecida e com menores riscos a saude e ao meio ambiente (Burch e Lawrence, 2005).

No amago dessas transformacoes se tornou crescente a valorizacao dos produtos organicos, com denominacao de origem e da agricultura familiar, que passaram a ser associados a tradicao, a natureza, ao artesanal e ao local conjunto de valores agora premiado pelo mercado consumidor (Wilkinson, 2003). Com a viabilizacao desses mercados, as variaveis historicas, geograficas e culturais passam a ter um grande peso na determinacao dos padroes de qualidade (Ponte e Gibbom, 2005).

O retorno da demanda por produtos tradicionais e de origem conhecida mostra que as cadeias alimentares contemporaneas nao estao tao desenraizadas como uma leitura superficial da globalizacao poderia indicar, pois ainda existe a presenca da natureza e dos contextos regionais/locais dentro do sistema agroalimentar. No entanto, Murdoch, Marsden e Banks (2000) advertem que muitos valores industriais, comerciais e tecnologicos foram incorporados nas ultimas decadas e agora sao fundamentais para definir e manter a qualidade dos produtos alimentares, sejam eles commodities ou nao. Nesse sentido, os mercados locais e os produtos diferenciados oriundos da agricultura familia passam a deter novamente seu espaco nas cadeias produtivas, agora em um contexto diferenciado pelas novas normas de qualidade--adocao do sistema de boas praticas e de rastreabilidade (Flexor, 2006). Desta forma, algumas possibilidades se abriram as populacoes rurais mais marginalizadas atraves das tendencias de valorizacao dos produtos diferenciados baseados em conhecimentos especificos.

Nesse contexto em que a qualidade e a procedencia dos produtos se tornam uma possibilidade concreta para insercao nos mercados, a reapropriacao do "saber-fazer" dos setores tradicionais da agricultura passa a ser visto como uma das formas de inovacao no sistema produtivo. Nesse sentido, a abertura dos mercados alternativos e a consequente valorizacao desses produtos acabam oferecendo uma possibilidade impar de insercao autonoma da agricultura familiar, sendo inclusive, em alguns casos, a base de um novo paradigma de desenvolvimento para esse publico. Um exemplo disso e a incidencia da agroindustrializacao no interior das pequenas propriedades, que tem se apresentado de forma crescente em muitas regioes rurais, tanto brasileiras como latino-americanas.

4. Agroindustria familiar: um breve debate terminogico/conceitual

O tema da agroindustrializacao no interior das propriedades rurais tem sua presenca marcada em alguns estudos classicos desenvolvidos no contexto do campesinato, merecendo destaque os trabalhos precursores de Kautsky (A questao Agraria) e Lenin (O desenvolvimento do capitalismo na Russia). Mesmo que essas analises tenham priorizado o processamento da producao para o autoconsumo das familias, esse debate ja apontava para a importancia da atividade enquanto uma estrategia de reproducao dos agricultores.

Com as mudancas na dinamica da agricultura no ultimo seculo, a discussao sobre beneficiamento da producao primaria pelos proprios agricultores passou despercebida ao longo de muitas decadas, tendo em vista que os estudos se concentraram nas atividades agricolas (modernizacao, relacoes de trabalho, etc.) e na integracao dos produtores com as grandes agroindustrias. Para tanto,

el tema de la agroindustria rural emergio en los anos ochenta en la literatura de la economia campesina. Al principio se concibio la agroindustria familiar esencialmente como un medio para reforzar el control del campesino latinoamericano sobre la creacion de valor agregado en la cadena de produccion: se suponia que, procesando al menos en parte el producto bruto, tenia la oportunidad de retener un porcentaje mas elevado de dicho valor agregado, lo que le permitia incrementarse el nivel de ingreso (Requier-Desjardins, 1999, p. 2).

Essa retomada das discussoes referentes a agroindustrializacao esta relacionada a estagnacao das atividades exclusivamente agricolas como fonte de renda das familias rurais e as reconfiguracoes dos mercados agroalimentares (como ja foi comentado no topico acima). Mais recentemente tem emergido alguns programas estaduais e federais de incentivo a essas iniciativas produtivas, o que tem estimulado a criacao de novas unidades (Wesz Junior, 2009b). Esse contexto tem sido propicio ao surgimento e a qualificacao desses empreendimentos ao passo que a demanda por essas mercadorias tem acompanhado essa tendencia. Assim, a industrializacao que estava na maior parte dos casos vinculada com uma economia de subsistencia passa a se encontrar inserida nas diferentes escalas do mercado (local, regional, nacional e ate internacional), o que tem permitido acumular e reproduzir significativos recursos dentro da agricultura familiar (Boucher e Riveros, 1995).

Esse contexto tem propiciado um significativo acrescimo dos estudos sobre a atividade, que passa a ser tratada por diferentes denominacoes: agroindustria familiar, agroindustria rural, unidades de beneficiamento, agroindustria de pequeno porte, agroindustria artesanal e/ou colonial. Embora a maioria dos trabalhos nao tenha se preocupado com essas diferenciacoes, Guimaraes e Silveira (2007) mostram que essas terminologias apontam para diferentes dimensoes: a localizacao do empreendimento (rural), o processo de producao (artesanal), o tipo de produto (colonial) e a escala de producao (pequeno porte).

Mesmo inserido em um ambiente conceitual embrionario, varios pesquisadores ja demarcaram algumas das principais caracteristicas destes empreendimentos. Para Mior (2005, p. 191), a agroindustria familiar precisa ter "sua localizacao no meio rural, utilizar maquinas e equipamentos de menores escalas, onde a procedencia de sua materia prima e propria ou dos vizinhos, assim como a mao-de-obra, remetendo geralmente a um produto artesanal". Nesse sentido, um dos principais criterios que define esse empreendimento e a comercializacao de parte ou da totalidade da producao processada, ou seja, necessita-se que os lacos de consumo superem o ambiente estritamente familiar para que se estabelecam relacoes mercantis e, assim, se adquira com esses produtos valor de troca e nao somente valor de uso (Wesz Junior, 2009a).

Essas caracteristicas apontadas acima foram na maior parte dos casos a base de delimitacao dos estudos supracitados sobre as agroindustrias familiares na regiao Sul do Brasil. De uma forma geral, pode-se ver, por um lado, uma demarcacao generica e ampla sobre esse tipo de empreendimento, o que dificulta no momento de recortar os processos a serem analisados, mas, por outro lado, isso reconhece a diversidade da agricultura familiar e das suas atividades. (4)

5. A Importancia das Agroindustrias Familiares nas Estrategias de Desenvolvimento Rural

Tem sido consenso entre os especialistas que o processo de modernizacao da agricultura acabou provocando bruscas mudancas no meio rural brasileiro. Se por um lado a alteracao da base tecnica incrementou a producao e a produtividade de muitos cultivares, em especial das commodities destinadas para a manutencao do modelo de crescimento economico pautado nos mercados externos; por outro lado acabou causando serios problemas para a populacao que permanecia em pequenas propriedades e que nao conseguiu se inserir na dinamica implementada pela mecanizacao, quimificacoes e tecnificacao das atividades agropecuarias.

um dos reflexos perversos desse processo pode ser visto sobre o numero de estabelecimentos rurais inferiores a 100 hectares no Brasil, que caiu em quase um milhao (906.301) entre o Censo Agropecuario de 1985 e 1995/96, significando um intenso percurso de concentracao fundiaria pela reducao de 17,3% no numero dos estabelecimentos com essa parcela de area, conforme Homem de Melo (2001). Alem disso, houve um forte desemprego da mao-deobra contratada e um abatimento das ocupacoes destinadas a forca de trabalho da familia dos produtores. Isso se deu, basicamente, em funcao da pressao por reducao dos custos dentro dos estabelecimentos produtivos e pelo crescente uso de novas tecnologias. Os dados apresentados demonstram que o pessoal ocupado na agricultura foi reduzido em cerca de 23% entre 1985 a 1996, o que corresponde a cerca de 5,5 milhoes de postos de trabalho, cuja maioria (cerca de 4 milhoes) situavam-se na categoria de responsaveis e membros pelos estabelecimentos produtivos, majoritariamente dos estratos de area inferiores a 200 hectares (Dias e Amaral, 1999 apud Raupp, 2005).

Alem disso, o crescimento agropecuario teve pouco impacto sobre o combate a pobreza rural, pois "mais de 60% da populacao rural continua com uma renda abaixo da linha de pobreza absoluta de meio salario minimo, enquanto que a desigualdade de renda aumentou na decada passada [1990] e os mais pobres se tornaram mais pobres" (OCDE, 2005, p. 15). Vale destacar ainda o aumento dos impactos ambientais que sao gerados pela abertura de novas areas para a agricultura e a contaminacao dos recursos naturais pelo uso em larga escala de fertilizantes sinteticos e agrotoxicos.

Diante disso, tem sido crescente a busca por novas alternativas que corroborem com o processo de desenvolvimento no meio rural. Nesse sentido, tem sido priorizada as atividades que gerem ocupacoes aos agricultores, renda as familias, baixos indices de poluicao, preservacao das culturas e tradicoes locais e a manutencao das pequenas propriedades rurais. Dentro dessa proposta tem sido elencado um numero razoavel de atividades, onde a juncao dessas estrategias tem um papel muito mais eficaz quando comparado com a uniformizacao das atividades nos territorios. O presente estudo priorizou a analise dos mecanismos ligados as agroindustrias familiares, uma vez que essa iniciativa tem se mostrado expressiva na quantidade de empreendimentos existentes, na distribuicao espacial das unidades e na variabilidade dos produtos.

Como ja foi comentado anteriormente, esse topico esta baseado fundamentalmente nas pesquisas realizadas na regiao Sul do Brasil, onde serao levantados alguns pontos que tem se apresentado de forma comum entre os diferentes estudos. Em suma, se trata de mostrar como as agroindustrias familiares vem contribuindo para as transformacoes no meio rural a partir das variaveis presentes nos distintos trabalhos.

--Elevacao/complementacao da renda familiar no meio rural

Uma das variaveis que tem sido destacada em praticamente todos os estudos direcionados as agroindustrias familiares diz respeito ao acrescimo da renda nas propriedades envolvidas com essa atividade. No oeste-catarinense, o numero de agricultores que tinham mais do que tres salarios minimos mensais passou de 7,4% para 48% apos a fundacao do empreendimento. Ja o percentual dos produtores que possuiam entre um e tres salarios minimos subiu de 37% para 51,9% com a implantacao da iniciativa produtiva em destaque. Essa ampliacao nos ingressos monetarios das familias esta relacionada com a renda que e proporcionada pela agregacao de valor, que fica entre R$ 400,00 a R$ 600,00 mensais por estabelecimento (5) (Prezotto, 2005).

Em outra pesquisa realizada com as agroindustrias familiares de todo o Estado do Rio Grande do Sul, 60% das familias que possuem o processamento da producao para venda apontam a melhoria da renda como o principal fator proporcionado pela agroindustrializacao (Oliveira, Prezotto e Voigt, 2002). Amorim e Staduto (2007), tendo como amostra 40 agroindustrias no Oeste do Parana, confirmam esses resultados, pois em 95% das unidades houve uma elevacao da renda familiar apos a inclusao do beneficiamento da producao no interior do estabelecimento.

Entretanto, a elevacao na renda familiar nas propriedades com agregacao de valor nem sempre se torna tao expressiva em termos monetarios. Isso porque, essa iniciativa produtiva e concebida por alguns agricultores como uma atividade complementar e sazonal, tendo em vista que a agroindustrializacao nem sempre e a unica ou a principal fonte de entrada de recursos na propriedade. Isso foi exemplificado no trabalho de Santos e Ferreira (2006), baseado em uma pesquisa com 135 agroindustrias distribuidas em todo o norte do Rio Grande do Sul, onde 65% das familias que possuiam agroindustria nao a tinham como principal fonte de renda. Para os autores isso nao significa que a atividade seja depreciativa, ja que essa suplementacao tem contribuido positivamente com a rentabilidade das propriedades rurais porque favorece a manutencao de um mix de ocupacoes no interior da agricultura familiar.

Essa discussao tambem e realizada por Diesel et. al. (2005) no centro do Estado do Rio Grande do Sul com a agroindustrializacao de aguardente na agricultora familiar, pois mesmo sem ser a principal fonte de entrada de capital, a comercializacao desse produto apresentou-se de fundamental relevancia no complemento da renda familiar.

--Reducao da vulnerabilidade economica dos agricultores familiares

Como apresentado acima, mesmo quando e pequeno o acrescimo da renda advindo da agroindustria familiar, sua importancia e significativa por ser fruto da diversificacao das fontes de ingresso (ou dos meios de vida como chama Ellis, 1998). Nos casos onde prevalece a entrada de recursos atraves do envolvimento com atividades multiplas, se torna visivel: a reducao do efeito de falha em uma renda na medida em que dilui o impacto em outras possiveis rendas; diminuicao da variabilidade de rendas durante o ano (amenizamento do efeito da sazonalidade); reducao da variabilidade de rendas entre os anos, o que resulta em uma maior estabilidade na producao agricola e nos mercados e; diminuicao do efeito dos riscos climaticos, financeiros e de outras tensoes (Ellis, 1998). Portanto, nos casos em que a agroindustria tem o carater complementar, sua importancia se instaura na reducao da instabilidade economica.

Essa questao tambem e abordada por Maluf (2004), pois a diversificacao que e proporcionada pela agroindustria familiar vai se apresentar como um importante amortecedor das tensoes exogenas a propriedade, o que refletira na reducao dos efeitos perversos provocados pelos insucessos de safra, oscilacoes de mercados e as rupturas dos compromissos de aquisicao dos produtos por complexos agroindustriais. Portanto, a atividade de beneficiamento da producao com fins comerciais traz uma maior autonomia aos agricultores, o que "lhes possibilita criar espacos de manobra para se contrapor ao regime sociotecnico prevalecente na agricultura modernizada e a gramatica da globalizacao, criando formas de insercao diferenciadas aos circuitos mercantis, que nao colocam em risco a reproducao do grupo familiar" (Wesz Junior e Niederle, 2007).

--Diversificacao e fomento das economias locais

Nas regioes em que se tem uma predominancia da agricultura especializada e de grande escala, a conformacao dos circuitos regionais de producao, distribuicao e consumo ficam geralmente atrofiados, dependendo fundamentalmente de bens externos ao territorio. Isso se altera nos espacos onde a maior parte das unidades de producao e formada por agricultores familiares que produzem de forma diversificada, fomentando assim as relacoes de producao e comercio dentro dos mercados locais (Maluf, 2004). No momento em que esses agricultores instalam pequenas agroindustrias, aumenta-se ainda mais o conjunto de produtos que passam a circular nos mercados regionais.

E importante destacar que as propriedades que possuem uma pequena agroindustria nao deixam de produzir as demais atividades agricolas porque a producao de materia-prima dificilmente ocupa toda area da unidade de producao (Wesz Junior, 2007). Nesse sentido, pode-se perceber que os proprios domicilios que desenvolvem atividades de industrializacao acabam fomentando os mercados locais sem perder a sua insercao com a producao in natura e com os produtos para o seu autoconsumo.

Portanto, a variabilidade de artigos produzidos e comercializados dentro de um territorio o fortalece na medida em que se diminui a dependencia de mercadorias exogenas, desacelerando a transferencia monetaria para outras regioes. Alem disso, a viabilizacao das agroindustrias nao se retrai somente aos agricultores, pois a renda obtida pelos proprios produtores e distribuida nos mercados locais atraves da compra de bens de consumo. Assim, o capital proporcionado pela agregacao de valor na agricultura familiar gira nao somente no meio rural, mas tambem no espaco urbano.

--Descentralizacao da producao e das fontes de renda

A forma difusa com que as agroindustrias familiares se localizam no meio rural tem apresentado significativos resultados no que tange a descentralizacao das fontes de renda. Isso porque, as unidades de beneficiamento tem sido construidas em diferentes municipios e localidades, conseguindo gerar incrementos de renda e oportunidades de ocupacao em formato esparso. Essa nova espacializacao dos pequenos empreendimentos tem potencializado uma maior cobertura dos beneficios e dos beneficiarios nas areas rurais, inserindo novas dinamicas em locais que eram voltadas prioritariamente as atividades agricolas. Esses resultados tem sido visualizados com mais volume quando conciliado com o turismo rural, conforme Sulzbacher, Clarino e Silveira (2008).

A localizacao de pequenas plantas industriais descentralizadas tem um carater totalmente distinto dos complexos agroindustriais, uma vez que essas ultimas concentram grandes producoes em um unico espaco. Essa diferenca, que pode favorecer as unidades maiores no que se refere a logistica, e concebida de forma depreciativa na dinamica local do territorio, pois cria uma espacialidade envolta em um unico lugar, desconsiderando as potencialidades que estao fora desse circuito. Ja as agroindustrias familiares, por terem uma localizacao esparsa, fomentam a descentralizacao na geracao de renda e a dissolucao dos impactos ambientais.

--Adequacao a estrutura fundiaria existente

Ate recentemente as atividades voltadas a geracao de renda no meio rural estavam vinculadas com a agropecuaria e, por isso, precisavam de grandes extensoes de area para se tornarem viaveis. Esse contexto dificultava a entrada e a participacao dos pequenos proprietarios nesse tipo de iniciativa produtiva, visto que a expansao da terra era um gargalo para esses agricultores. Contudo, a agroindustrializacao em escala familiar vem desconstruindo esse argumento, pois a viabilidade dessa atividade nao esta no incremento das areas, mas na agregacao de valor ao produto. Isso possibilita aos produtores familiares o envolvimento com o beneficiamento da producao de forma conjunta com os demais cultivos, uma vez que a producao da materia-prima e a estrutura fisica do estabelecimento nao demandam grandes quantidades de terra.

Isso pode ser visualizado em um estudo realizado por Wesz Junior (2009a), pois os agricultores familiares envolvidos com as agroindustrias de cana-deacucar possuiam uma area media muito semelhante as demais propriedades (18,2 hectares por unidade). Alem dessa conformacao com a estrutura fundiaria, a pesquisa apontou que a area plantada com a materia-prima para processamento necessitou somente de 22,5% do total das terras disponiveis, restando para os demais cultivos a suprema maioria das areas da propriedade (77,5%). A partir desses dados, o estudo acabou indicando que o processamento nao ocorre somente em propriedades com muita disponibilidade de terras, ja que esse fator nao se tornou limitante para o beneficiamento da producao agropecuaria.

Ja o estudo de Amorin e Staduto (2007) assinalou que 80% dos empreendimentos continuaram com a mesma quantidade de terra a partir da industrializacao da producao nos domicilios, evidenciando a conformidade entre a atividade de processamento dos produtos agropecuarios e a estrutura fundiaria dos estabelecimentos. Um resultado semelhante foi encontrado na regiao central do Rio Grande do Sul, onde a maioria das propriedades envolvidas com a agregacao de valor apresentou unidades com ate 20 hectares, enquanto que os modulos rurais da regiao variam de 20 a 35 ha (Silveira et. al., 2007).

A partir desses dados pode-se compreender que a pequena agroindustria vem se moldando satisfatoriamente as condicoes fundiarias presentes nas propriedades familiares, mostrando que as atividades de beneficiamento tem se adaptado plenamente aos recursos e contextos disponiveis. Isso porque, os ganhos proporcionados pelo processamento nao acontecem atraves da expansao das areas, mas pela reestruturacao da forca de trabalho, pela forma diferenciada de conduzir a producao e pelo modo distinto de comercializacao das mercadorias. Assim, os agricultores familiares permanecem no campo sem a necessidade da expandir as suas terras, o que garante uma forma de sustentacao pautada na agregacao de valor e nao no ganho de escala.

--Valorizacao das especificidades locais e preservacao dos habitos culturais

O processo de producao e agroindustrializacao dentro da agricultura familiar tem trazido importantes elementos no que tange a valorizacao da cultura e das especificidades locais. No caso dos produtos agroalimentares desenvolvidos pelas pequenas agroindustrias pode-se perceber que o formato da producao esta intimamente relacionado com a procedencia das familias e com o contexto local, assinalando uma forte relacao com a gastronomia tipica desempenhada pelas familias. Essa situacao aponta para um grande enraizamento desses empreendimentos e para valoracao dos atributos mais regionalizados, o que nao acontece quando se adquire produtos desconhecidos e homogeneos externos ao territorio. Segundo Mior (2005), enquanto a agroindustria convencional se autonomiza ou se desenraiza dos espacos locais regionais, tendo em vista sua insercao no mercado globalizado, a agroindustria familiar se constitui juntamente a partir de sua insercao nas redes sociais dos territorios locais e regionais.

As formas de valorizacao das especificidades territoriais tem se dado, no caso das agroindustrias familiares, atraves dos enunciados e das praticas manuais, que refletem um modo de producao tradicional e historico, transparecendo os habitos e costumes regionais. E indispensavel lembrar, conforme destaca Marsden (1999), que esses recursos que eram ate entao menosprezados pelo modelo de modernizacao agricola, como a cultura e o saber local, agora comecam a serem vistos como cruciais para a emergencia de um novo modelo de producao e de consumo alimentar.

No Rio Grande do Sul, tendo por base 1.528 agroindustrias, o que se percebe foi que em 77% dos empreendimentos a familia foi a unidade responsavel pela transmissao das formas de producao e processamento (Oliveira, Prezotto e Voigt, 2002). Em Santa Catarina, com base em 1.116 agroindustrias, 53% tiveram o aprendizado unicamente pela familia e em 20% dos casos foi conciliado o conhecimento familiar com as informacoes proporcionado pelos cursos de capacitacao (Oliveira, Schmidt e Schmidt, 2000). Assim, a maior parte das mercadorias produzidas nesses espacos acaba sendo reflexo dos conhecimentos que sao herdados junto com o patrimonio familiar.

Considerando alguns estudos mais especificos, na regiao central do Rio Grande do Sul, Diesel et. al. (2005) confirmam que as agroindustrias familiares de aguardente tem apresentado fortes atributos no que se refere a valorizacao do saber fazer e do conhecimento herdado das geracoes passadas, carregando consigo um sentido cultural e nao meramente economico. Nessa mesma regiao, so que na producao de vinho, Silveira et. al. (2007) tem mostrado algumas experiencias nessa direcao, ja que o processamento artesanal tem se constituido enquanto uma tradicao familiar, inter-geracional e que conseguiu manter os aspectos relacionados ao carater simbolico-cultural do produto. Segundo os autores, a maior parte das receitas e da forma de producao foram apreendidas no ambito familiar, mas atualmente tem sido incrementado um novo conhecimento atraves da promocao de cursos de aperfeicoamento. Neste contexto, a agroindustria familiar vem contraindo importantes atributos para criacao de uma identidade territorial, sendo um importante aspecto na estrategia de desenvolvimento rural (Froehlich e Alves, 2005).

--Estimulo da proximidade nas relacoes comerciais 1(produtor-consumidor)

Nas agroindustrias rurais, no intuito de baixar seus custos, geralmente sao as proprias familias os agentes responsaveis pela comercializacao dos produtos finais, diminuindo de forma significativa o numero de intermediarios. Uma pesquisa realizada no Rio Grande do Sul, Santa Catariana e Parana apontou que em 80% dos casos a comercializacao e feita por um membro da agroindustria (Ministerio da Integracao Nacional, 2004). Isso significa que alem da producao de materias-prima e do processamento da producao, os agricultores ainda se envolvem com a venda dos produtos finais.

Esse contato entre os consumidores e produtores acaba deixando os adquirentes do produto cientes da procedencia do que estara sendo consumido, fomentando uma certa transparencia entre os diferentes elos da cadeia produtiva. Deve-se advertir, entretanto, que essas situacoes amparadas pelas relacoes sociais, algumas vezes, camuflam e viabilizam situacoes de informalidade que podem acabar comprometendo as condicoes de sanidade dos produtos e, automaticamente, a saude dos consumidores (6).

Outra forma de comercializacao direta tem se dado nas feiras locais, onde se tem uma massiva participacao das agroindustrias. Nesse caso, a relacao entre produtor e consumidor acontece atraves dos lacos de proximidade que sao fomentados e mantidos em funcao do modo com o qual os circuitos alternativos de comercio se desenvolvem. Mas, alem de ser um espaco de venda da producao, Azevedo, Colognese e Shikida (2000) argumentam que as feiras tem contribuido positivamente para o controle da qualidade da producao no oeste paranaense. Isso porque, os agricultores acabam convivendo e trocando experiencia com outras agroindustrias, se prejudicando se nao progredirem ou inovarem na aparencia e na qualidade das mercadorias.

Essa situacao em que o processo de comercializacao se embasa fortemente na pessoalidade e na proximidade apresenta caracteristicas totalmente diferenciadas das relacoes mercantis impostas a partir da modernizacao agricola, onde e forte a presenca de intermediarios e das grandes agroindustrias. Reconhecendo isso, Wilkinson (1999) trata esse fenomeno como a "redescoberta do mercado local" pelos agricultores familiares, pois implica em certa medida na adocao de novas formas de organizacao dos produtores para satisfazer a demanda existente. Mas, ao mesmo tempo em que se inova nesse elo da cadeia produtiva, se reafirma algumas das caracteristicas antigas do campesinato que foi a forte presenca dos espacos locais e as relacoes de troca embasadas por relacoes pessoais.

No Rio Grande do Sul, das 1.528 agroindustrias identificadas na pesquisa, mais de 60% efetivavam a comercializacao dos produtos diretamente com os consumidores, 46% atraves dos estabelecimentos comerciais localizados nos municipios e 27% atraves das ferias (7) (Oliveira, Prezotto e Voigt, 2002). Como os municipios presentes nesses Estados sao, na sua maioria, pequenos (com menos de 30.000 habitantes no meio urbano), isso desestimula a entrada de redes modernas de distribuicao, ao mesmo tempo em que fortalece as relacoes sociais entre produtores e consumidores, fomentando a propria fidelidade em relacao ao produto.

Na regiao central do Rio Grande do Sul esse mecanismo de comercializacao se encontra cada vez mais difundido, onde os produtos sao comercializados predominantemente nas propriedades e eventualmente entregues para pequenos mercados e feiras. Esse formato de venda acaba criando uma imagem da mercadoria atrelada diretamente ao produtor, o que e fortalecida quando se concilia com estrategias de turismo rural. Isso pode ser visto tanto na producao de cachaca (Diesel et. al., 2005) como na producao de vinho (Silveira et. al., 2007).

E importante ressalvar que a comercializacao obedece circuitos distintos dependendo das caracteristicas fisiologicas da mercadoria e da situacao legal do empreendimento. No caso da inexistencia de atravessadores e das grandes agroindustrias, onde os produtores passam a ser os unicos responsaveis por todas as etapas da producao, acaba-se obtendo um baixo preco das mercadorias, o que facilita o acesso desses artigos a distintos grupos de consumidores (Wesz Junior e Niederle, 2007).

--Ocupacao e geracao de emprego no meio rural

Em face as pressoes de competitividade proporcionadas por mercados cada vez mais abertos de um lado e ao desenvolvimento tecnologico de outro, a agricultura, embora continue sendo um setor central do ponto de vista economico, gera cada vez menos empregos (Moyano, 1997). Isso acabou impactando diretamente nos elevados indices de exodo rural, que durante toda segunda metade do seculo XX foram praticamente ininterruptos. Para tanto, tem sido fundamental a busca de atividades no campo que tragam ocupacoes para essas populacoes, diminuindo assim os fluxos migratorios para o meio urbano.

As agroindustrias familiares tem gerado inumeras ocupacoes no que se refere a producao e cultivo da materia-prima, beneficiamento da producao e a comercializacao o produto final. Na grande maioria dos casos, essas oportunidades de trabalho ficam presumidas ao grupo domestico, enquanto que a contratacao de forca de trabalho exogena a propriedade vai depender do produto a ser processado, da capacidade da agroindustria e do seu nivel tecnologico.

No Oeste Catarinense 130 agroindustrias familiares geravam 1.040 postos de trabalho diretos (sendo que 650 eram ocupados pelos proprios agricultores) e mais 2.600 indiretos. Nesse contexto, a media de mao-de-obra detida diretamente por agroindustria superou as 8 pessoas por agroindustria (Prezotto, 2002). No Rio Grande do Sul, tendo por base os 1.528 empreendimentos, a media de postos de trabalho por agroindustria chegou a 4,7, sendo que 3,5 pertenciam ao proprio nucleo familiar e 1,2 eram trabalhadores contratados (Oliveira, Prezotto e Voigt, 2002). Outro estudo que congregou os Estados do Parana, Santa Catarina e Rio Grande do Sul mostrou que das 76 agroindustrias analisadas, 52% utilizavam somente mao-de-obra familiar, quanto que as demais conciliavam trabalhadores do grupo domestico e contratados de fora da propriedade (Ministerio da Integracao Nacional, 2004).

Nesse sentido, o que tem predominado nas estrategias de agregacao de valor e a massiva participacao da familia nas ocupacoes. Na regiao das Missoes do Rio Grande do Sul a utilizacao intensiva do trabalho familiar detinha 86,4% das pessoas ocupadas nos empreendimentos. Nesse caso e importante ressaltar que, haja vista serem 45 agroindustrias e 266 ocupacoes no total das unidades, tem-se quase 6 ocupacoes geradas por estabelecimento. Considerando que a media da area cultivada com a materia-prima atinge praticamente 4 hectares, teriamos, em media, 1,25 pessoas ocupadas por hectare (Niederle e Wesz Junior, 2007). Esse resultado e notavel frente ao ambiente de inovacoes tecnologicas constantes que eliminaram centenas de empregos com a implementacao de maquinas cada vez mais sofisticadas que sao absorvidas principalmente pela agricultura empresarial (segundo a Companhia Nacional de Abastecimento -Conab- o cultivo da soja no Brasil gera um emprego a cada 120 hectares plantada).

--Reducao do exodo rural

Como foi destacado acima, as agroindustrias familiares tem apresentado resultados positivos na absorcao do trabalho familiar e na geracao de emprego, apontando para um significativo aumento na renda dos agricultores. Isso tem favorecido um acrescimo das ocupacoes dentro da propriedade e, ao mesmo tempo, tem melhorado a qualidade de vida das familias. Essa situacao se apresenta de forma adequada para a manutencao dos jovens no espaco rural, tendo em vista a conquista de condicoes satisfatorias para a sua permanencia.

Uma pesquisa realizada pelo Ministerio da Integracao Nacional (2004) nos tres Estado sulistas apontou que em 74% das propriedades com agroindustria familiar nao ocorreu a migracao de nenhum membro da familia para o meio urbano. Mais surpreendente ainda e que em 37% dos casos aconteceu, inclusive, uma migracao de volta para o meio rural de individuos do grupo domestico que estavam morando na cidade mas que, com a consolidacao da agroindustria na propriedade, retornam ao estabelecimento para auxiliar no desenvolvimento da atividade. Nesse sentido, pode-se perceber que essas iniciativas de agregacao de valor dispensam um importante papel na manutencao dos agricultores no campo, favorecendo na contencao do exodo rural e, em alguns casos, propiciando ainda um fluxo de retorno da populacao. Esse resultado se apresenta de suma importancia no contexto da agricultura familiar, ja que o processo de esvaziamento do campo e a falta de sucessores nas propriedades tem se apresentado como um dos grandes problemas a serem enfrentados.

--Estimulo ao cooperativismo e associativismo

A participacao da agricultura familiar na producao de commodities tem se apresentado de forma preocupante nos ultimos anos, principalmente pelo processo de liberalizacao comercial e pela normatizacao das regras de qualidade. Nesse sentido, a lucratividade tem se dado muito em funcao do ganho em escala, inclusive nas estrategias de agregacao de valor a producao. Diante disso, alguns agricultores optaram por se organizarem em associacoes ou cooperativas, mesmo que informais, para potencializar a comercializacao dos produtos das agroindustrias familiares.

Essa opcao de criar grupos, alem de favorecer no momento das vendas das mercadorias, tem oportunizado o acesso as politicas publicas, uma vez que se conseguem contratos com um montante de recurso maior pela forma de organizacao (Wesz Junior, 2009b). Alem disso, o alastramento das formas associativas para o meio rural, em especial no ambito das agroindustrias familiares, tem condicionado a otimizacao dos maquinarios, equipamentos, instalacoes (estrutura disponivel) e mao-de-obra, racionalizando recursos pela diminuicao da capacidade ociosa.

De uma forma geral, a maior parte das agroindustrias tem se constituido de pequenos grupos de agricultores, na sua maioria com lacos de parentesco, onde a gestao e o trabalho na unidade sao indissociaveis e compartilhados coletivamente. No entanto, muitas agroindustrias fogem dessa condicao, criando unidades com um numero maior de produtores que nao sao, necessariamente, ligados por relacoes familiares. O trabalho realizado em todo o Rio Grande do Sul apontou para uma media de 3,4 associados por empreendimento (Oliveira, Prezotto e Voigt, 2002). No Oeste Catarinense a media e 5 agricultores por agroindustria (Prezotto, 2002) em no Sudoeste do Parana essa valor chega a 15 pessoas por empreendimentos (Ministerio da integracao Nacional, 2004).

De uma forma geral, independente das especificidades, e perceptivel que um numero significativo de agricultores tem se organizado de forma coletiva para as atividades de agroindustrializacao. Na maioria dos casos, essa cooperacao se restringe ao processamento dos produtos, pois nas demais atividades a associacao nao esta presente, ja que dentro das propriedades rurais a producao de bens para o autoconsumo e para a venda in natura e feita de forma individual, sem a presenca do grupo. Portanto, sao as atividades de processamento dos produtos que tem fomentado formas coletivas de organizacao, revitalizando nesses casos uma importante estrategia de reproducao das populacoes rurais.

--Preservacao do meio ambiente e dos recursos naturais

A forma descentralizada com que as agroindustrias se localizam no meio rural tem se apresentado como um importante fator na preservacao dos recursos naturais. Isso porque, a nao concentracao dos empreendimentos condiciona a absorcao paulatina dos residuos pelo meio ambiente, ja que sao quantidades pequenas, esparsas e com baixos niveis de toxidade. Essa situacao oferece a possibilidade de muitas unidades absorverem o que ate entao era considerado residuo, realizando uma reutilizacao dos dejetos na forma de insumos de producao.

Um estudo realizado com 20 agroindustrias artesanais de cachaca no Noroeste do Rio Grande do Sul tem confirmado esse processo de reutilizacao dos residuos. Isso ficou evidente com o bagaco da cana-de-acucar e com a vinhaca -principais dejetos do processo produtivo- que passaram a ser consumidos pelos bovinos dentro das proprias propriedades, auxiliando na alimentacao destes animais no inverno. O restante dos "residuos" era introduzido nas areas de cultivo da materia-prima, sendo uma importante fonte de adubacao organica da cana-de-acucar. Essas readequacoes tem oferecido, por um lado, uma expressiva minimizacao do impacto ambiental nas propriedades, ao mesmo tempo em que tem aumentado a autonomia das familias pela reducao dos adubos e da alimentacao animal exogena ao estabelecimento (Wesz Junior, Trentin e Ferreira, 2006).

Alem disso, tem sido crescente a presenca da producao ecologica e organica nos produtos das agroindustrias familiares, o que e fruto do aumento da demanda apos a intensa crise sanitaria (vaca louca, febre aftosa, gripe aviaria, etc.), da preocupacao com o meio ambiente e da busca por produtos mais saudaveis. No Rio Grande do Sul, em 2001, 15% dos produtos industrializados desenvolvidos pela agricultura familiar passaram por um processo de producao ecologica (Oliveira, Prezotto e Voigt, 2002). Em outro estudo voltado aos tres Estado do Sul, o numero de agroindustrias com uma producao organica ou em transicao ja atingia 24% dos empreendimentos, conforme o trabalho coordenado pelo Ministerio da integracao Nacional (2004).

Mas deve-se advertir que existem no meio rural algumas agroindustrias familiares que nao tem apresentado um comprometimento com praticas ambientais. Essa incidencia geralmente esta atrelada ao desconhecimento dos riscos por parte dos agricultores e a falta de assistencia tecnica orientadora nesse sentido. Essa situacao, alem de ter consequencias para os recursos naturais -mesmo que em proporcoes infimas se comparadas com as grandes agroindustrias- tem trazido desvantagens aos agricultores no momento de comercializar o produto final, ja que tem se difundido a busca por produtos "ecologicamente corretos".

--Mudancas nas relacoes de genero

Nas agroindustrias familiares, a organizacao e a divisao das tarefas dentro do grupo familiar tem acontecido com a inclusao de todos os membros do domicilio nas atividades de beneficiamento da producao. Mior (2005, p. 199) adverte que "nao e somente na comercializacao que a importancia da mulher agricultora ganha relevo, pois a esfera da producao da agroindustria familiar tambem reserva um lugar extremamente importante para sua acao". Isso porque, a tradicao artesanal na confeccao de produtos por parte da mulher marca em muitos casos o ponto de partida para a ampliacao da atividade em termos de escala e rearranjo do trabalho na propriedade (Nascimento Nato, 2005).

Conforme enfatizou Guivant (2001), a estrategia de agregacao de valor frequentemente vem associada a transformacao de atividades anteriormente confinadas a cozinha da familia rural. Essa situacao pode ser presenciada nas agroindustrias analisadas no Oeste do Parana por Amorim e Staduto (2007), onde 52% das unidades foram criadas pelas mulheres e 22,5% pelo casal, sendo assim muito significativa a presenca feminina na articulacao e no surgimento dessas estrategias. Santos (2005), baseado nas agroindustrias do Alto Uruguai gaucho, chama atencao justamente para o papel das mulheres na comercializacao (que atinge 80% nas feiras) e no processamento dos produtos, em especial nos produtos panificados.

Portanto, tem ocorrido um processo de revalorizacao do trabalho dos membros da familia. Enquanto outrora

o monocultivo da soja e o consequente predominio de atividades mecanizadas ofertavam poucas possibilidades de trabalho as mulheres, idosos ejovens, fazendo com que estes se constituissem apenas como ajuda nas atividades eminentemente masculinas. O crescimento das agroindustrias tem possibilitado a maior participacao destas 'forcas marginais' (Wesz Junior e Niederle, 2007, p. 105).

Seguramente, a agroindustrializacao no interior das unidades familiares tem promovido significativas transformacoes nas relacoes familiares de trabalho. Mior (2005, p. 211) ja havia chamado a atencao para este fato, demonstrando como essa atividade envolve a mobilizacao de diferentes competencias dos distintos membros da familia em atividades que vao desde a producao e o processamento ate a venda. Assim, "ha uma re-semantizacao do papel dos membros da familia em virtude de uma articulacao de elementos onde estao envolvidos aspectos como o empenho no trabalho e o conhecimento pratico, o saber e a pericia, os quais conformam a artesanalidade que continua envolvida em todo o processo" (Wesz Junior e Niederle, 2007, p. 105).

6. Consideracoes Finais

Mesmo com as especificidades temporais, regionais e setoriais que sempre serao encontradas com esse tipo de empreendimento (pequenas agroindustrias rurais) e com esse publico (agricultores familiares), pode-se perceber que muitas questoes relacionadas a agroindustrializacao apareceram de forma comum nos varios estudos. Esse resultado se apresenta de forma muito significativa dentro da proposta inicial desse artigo, pois ficou perceptivel que mesmo diante das diferenciacoes, varios pontos convergem em um movimento mais geral que tem implicacoes diretas sobre o desenvolvimento rural.

Nesse sentido, pode se perceber uma variabilidade de situacoes e uma consequente multiplicidade de influencias das agroindustrias sobre as dinamicas locais. De forma pontual, tendo por base os estudos empiricos abordados, pode-se dizer que as agroindustrias agem positivamente atraves da elevacao/ complementacao da renda familiar, diminuicao da vulnerabilidade socioeconomica dos agricultores, diversificacao e fomento das economias locais, valorizacao e preservacao dos habitos culturais, estimulo da proximidade social entre produtor-consumidor, geracao de emprego no campo, reducao do exodo rural, valorizacao das especificidades locais e alteracao nas relacoes de genero.

Nesse sentido, as agroindustrias familiares geram importantes reflexos para o desenvolvimento dos territorios em que se encontram inseridas, alem de proporcionarem um transbordamento desses resultados para fora do espaco rural. Isso demonstra que a presenca dessas iniciativas acaba promovendo varios efeitos beneficos que sao compartilhados pelas unidades de processamento independente das particularidades mais minuciosas. Alem disso, as agroindustrias apresentam resultados multifacetados e de cunho multidimensional, uma vez que atingem varias arestas dentro de um mesmo espaco e de um mesmo periodo temporal.

Recibido: 2009-04-20 Aceptado: 2009-08-10 Publicado: 2009-12-31

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Valdemar Joao Wesz Junior (1) Iran Carlos Lovis Trentin (2) Eduardo Ernesto Filippi (3)

(1) Graduado em Desenvolvimento Rural e Gestao Agroindustrial pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) e Mestre pelo Programa de Pos-Graduacao de Ciencias Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CPDA/UFRRJ). Atualmente esta vinculado ao Observatorio de Politicas Publicas para a Agricultura (OPPA). E-mail: jwesz@yahoo.com.br

(2) Graduado em Geografia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Mestre em Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PGDR/UFRGS). E-mail: trentinrs@yahoo.com.br

(3) Graduado em Ciencias Economicas e Mestre em Economia Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Doutor em Economia Politica (Universite de Versailles Saint-Quentinen-Yvelines, Franca). Atualmente e professor do Programa de Pos-Graduacao em Desenvolvimento Rural (PGDR/UFRGS) e do Programa de Pos-Graduacao em Economia (PPGE/UFRGS).

(4) A agricultura familiar da Regiao Sul do Brasil pode ser sumariamente caracterizada, segundo dados do ultimo censo agropecuario (2006), pela pequena area media dos estabelecimentos (15,3 hectares), pelo trabalho familiar (93% das ocupacoes), pela presenca da pluriatividade (23% dos entrevistados), pela baixa incidencia de financiamentos (somente 37% acessaram) e pela producao de alimentos como a mandioca (84%), leite (80%), aves (70%), feijao (70%), suinos (67%), milho (57%) e cafe (57%).

(5) Esses valores equivalem, respectivamente, a 2 e 3 salarios minimos mensais nacionais em 2002 (ano da pesquisa).

(6) E importante ressalvar que a condicao de ilegalidade nao e necessariamente sinonimo de produtos em condicoes desfavoraveis ao consumo. Isso porque, ate recentemente, a maioria das legislacoes nao eram adaptadas as escalas menores, desestimulando e inviabilizado esse mecanismo na agricultura familiar. Para uma analise mais aprofundada consultar Prezotto (1999, 2005), Maluf (2004), Silveira et. al. (2007), Sulzbacher e David (2008).

(7) Os dados superam 100% porque muitas agroindustrias tem mais de uma forma de comercializacao.
Quadro 1

Estudos empiricos realizados na regiao Sul do Brasil sobre as
agroindustrias familiares utilizados nesse trabalho

                                Ano da        Ano da
                              pesquisa de   publicacao
     Autores                     campo      dotrabalho

1    Oliveira, Schmidt           1998          2000
     e Schmidt

2    Azevedo, Colognese          1998          2000
     e Shikida

3    Oliveira, Prezotto          2001          2002
     e Voigt

4    Prezotto                    2001          2002

5    Prezotto                    2002          2005

6    Wesz Junior,                2004          2006
     Trentin e Ferreira

7    Amorim e                    2004          2007
     Staduto

8    Ministerio da               2004          2004
     Integracao Nacional

9    Diesel et. al.              2005          2005

10   Santos e                    2005          2006
     Ferreira

11   Wesz Junior e Niederle      2005          2007

12   Silveira et. al.            2005          2007

13   Wesz Junior                 2005          2009

                                 No de
     Area do estudo          agroindustrias
     Empirico                 pesquisadas

1    Todo estado de              1.116
     Santa Catarina

2    Regiao Oeste do               23
     Parana

3    Todo estado do Rio          1.528
     Grande do Sul

4    Regiao Oeste de              130
     Santa Catarina

5    Regiao Oeste de               63
     Santa Catarina

6    Regiao das Missoes
     do Rio Grande do Sul          20

7    Regiao Oeste                  40
     do Parana

8    Mesorregiao Grande            76
     Fronteira do Mercosul
     (RS, SC e PR)

9    Regiao Central do             10
     Rio Grande do Sul

10   Regiao Norte do Rio          135
     Grande do Sul

11   Regiao das Missoes            45
     do Rio Grande do Sul

12   Regiao Central do             13
     Rio Grande do Sul

13   Regiao das Missoes            45
     do Rio Grande do Sul
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Title Annotation:Texto en Portuguese
Author:Wesz Junior, Valdemar Joao; Lovis Trentin, Iran Carlos; Filippi, Eduardo Ernesto
Publication:Cuadernos de Desarrollo Rural
Date:Jul 1, 2009
Words:9029
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