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Os estudos de cinema no Rio Grande do Sul: trajetorias e desafios.

Film Studies in Rio Grande do Sul: trajectories and challenges

Ao procurarmos conhecer o campo dos estudos de cinema no Estado do Rio Grande do Sul procedeu-se uma consulta ao Banco de Teses da Capes (Coordenacao de Aperfeicoamento de Pessoal de Nivel Superior), do Ministerio da Educacao, que disponibiliza on-line os resumos de dissertacoes e teses brasileiras defendidas a partir de 1987. Foram utilizados tres termos "cinema", "filme" e "documentario", cruzados com as instituicoes de ensino superior que mantem Programas de Pos-Graduacao (PPG) no Estado. A busca resultou em um numero de 108 pesquisas produzidas de 1987 a 2008 e originarias das seguintes universidades: UFRGS (46), UNISINOS (13), PUCRS (38), UCS (02), UPF (02), UFSM (02), UFPel (03) e ULBRA (02). Destas mais de 100 pesquisas, 70% sao dissertacoes de Mestrado e 30% teses de Doutorado.

Diante dos dados, constatou-se que na area da Comunicacao Social concentra-se a maioria das pesquisas em cinema no Estado (39; 37%), o que nao chega a ser uma novidade ja que os Cursos de Cinema sempre foram uma das habilitacoes das Faculdades de Comunicacao Social. No entanto, e preciso que se diga que outras duas areas tambem tem demonstrado um maior interesse no cinema em relacao as demais: a Linguistica/Letras (23; 21%) e a Educacao (17; 16%). Um aspecto que acreditamos merecer um estudo a parte do que iremos desenvolver neste artigo.

Para este trabalho iremos dedicar maior atencao aos dados que se referem aos PPGs em Comunicacao, por ser tradicionalmente a area em que se desenvolveram os estudos de cinema, assim como aos da Historia por compreender que se trata de uma area que tem demonstrado um interesse pelo cinema, mesmo que ainda embrionario, dando contribuicoes tanto para o campo historiografico do cinema quanto para uma melhor compreensao deste como agente historico, no que diz respeito aos seus aspectos politicos. Vale pontuar que o historiador frances Marco Ferro foi o pioneiro a introduzir o cinema nos estudos de Historia nos anos de 1970, lancando os pressupostos de um campo teorico-metodologico que viria a ser conhecido como Cinema-Historia. Somente 20 anos depois os historiadores brasileiros comecam um timido dialogo com a setima arte, reconhecendo as potencialidades deste veiculo de comunicacao para a representacao do passado e, mais adiante, para o proprio ensino da Historia. Interessa-nos mapear o lugar que o cinema ocupa nas pesquisas dos PPGs de Historia do Rio Grande do Sul, principalmente por saber que na historiografia classica do cinema brasileiro as producoes deste Estado quase nao figuram, sendo geralmente alocadas como parte de pequenos ciclos regionais esporadicos. Uma ironia se levarmos em consideracao que o Rio Grande do Sul desde a decada de 1970 e o terceiro maior Estado produtor de filmes de longa-metragem no Brasil, perdendo apenas para Rio de Janeiro e Sao Paulo (Silva Neto, 2009, p. 1151).

Os pioneiros

Em 1895, quando do surgimento do cinematografo, acreditavam os irmaos Lumiere que o invento seria mais um dispositivo para a producao do conhecimento cientifico, assim como o microscopio. No entanto, foi George Melies que descobriu o aspecto magico, espetacular daquela maquina de "fazer imagens". Deste entao o invento foi conquistando as plateias do mundo e ao cair no gosto popular ja nao podia mais "fazer ciencia", estava destinado ao "fazer entretenimento", tanto que mais tarde seria o carro-chefe das industrias culturais de diversos paises.

Lancado a categoria de produto cultural, o cinema foi sendo deixado de lado pelos intelectuais, pela academia e, em contrapartida, conquistando as "mentes e almas" de espectadores por todo o mundo, o que fez com que o cinema demorasse a frequentar os bancos universitarios. Foram mais de 60 anos para que o cinema fosse aprovado como disciplina no ensino superior frances. Antes so era teoricizado ou merecedor de uma critica seria por cinefilos ou pelos seus proprios realizadores, como e o caso das valiosas contribuicoes do cineasta russo Sergei Eisenstein e do critico frances Andre Bazin, que encontraram um maior respaldo em cinematecas, museus, cineclubes e na imprensa do que nas universidades. E o caso da revista Cahiers du Cinema, criada por Bazin, que influenciou uma geracao de cineastas, intelectuais e criticos de cinema na Europa e na America nos anos de 1960/70. No caso da Franca, foi Jean Mitry o primeiro professor de cinema reconhecido na Universidade de Paris, e que mais tarde veio lecionar no Canada e nos Estados Unidos. Um dos fundadores da Cinemateca Francesa, em 1938, Mitry escreveu um enorme tratado, em dois volumes, intitulado Esthetique et psychologie du cinema (1963-1965), que foi considerado um divisor de aguas por conseguir sistematizar mais de 50 anos da teoria cinematografica. Quem o sucedeu na academia foi Christian Metz, "o mais influente produto da crescente atencao dada pela universidade ao cinema" (Andrew, 1989, p. 183), que

a partir da Linguistica de inspiracao Saussureana desenvolveu uma semiologia do cinema. Metz escreveu em 1971 a tese Language et cinema que lhe rendeu o doutoramento. Seus estudos foram responsaveis pela estruturacao de uma ciencia do cinema e pelo desenvolvimento de uma metodologia de analise de filmes.

Esta introducao mesmo que tardia dos estudos de cinema na universidade, para ficarmos apenas em seus precursores, foi importante para fundar um novo campo academico, estimulando a criacao de Escolas de Cinema que proliferaram ao longo das decadas de 1960/70 em varios paises, inclusive no Brasil. O pioneiro a introduzir o cinema na universidade brasileira foi Paulo Emilio Salles Gomes (1916-1977), que nos anos de 1960 ja era um dos principais nomes da critica cinematografica brasileira. Em 1956, depois de 10 anos vivendo na Europa, sobretudo na Franca, Paulo Emilio retornou ao Brasil e fundou a Cinemateca Brasileira, juntamente com Francisco Luiz de Almeida Salles e Antonio Candido de Mello e Souza (2),seus amigos de cineclubismo. A inspiracao era a Cinemateca Francesa que tanto lhe encantou. No entender de Paulo Emilio, a criacao da cinemateca e de uma memoria do nosso cinema era imprescindivel para o desenvolvimento dos estudos de cinema no pais.

Militante do ensino do cinema desde que retornou ao Brasil, Paulo Emilio foi convidado por Darcy Ribeiro para organizar um dos primeiros cursos superiores de cinema no pais, criado no Instituto Central de Artes da Universidade Nacional de Brasilia (hoje, Universidade de Brasilia), UnB, em 1964 (3). Participaram tambem desta iniciativa os cineastas Nelson Pereira dos Santos e Maurice Capovila, o roteirista e critico de cinema Jean-Claude Bernardet e sua esposa Lucila Ribeiro Bernardet, entre outros. Porem, a experiencia do curso de cinema durou apenas um ano; com o golpe militar de 1964, comecou o "caca as bruxas" nas universidades e o governo decidiu fechar a UnB.

Mas a experiencia iria dar continuidade longe de Brasilia, outros dois novos cursos de cinema seriam criados no pais. Nelson Pereira dos Santos retornou ao Rio de Janeiro e ajudou na instalacao do Instituto de Artes e Comunicacao (mais tarde IACS), sede em 1968 que abrigaria um curso de cinema na Universidade Federal Fluminense (UFF). Ja Paulo Emilio Salles Gomes, de volta a Sao Paulo em 1966, foi convidado por Antonio Candido a lecionar a disciplina de Teoria Literaria na Faculdade de Letras da USP, mas o enfoque foi dedicado ao cinema brasileiro. Na USP, Paulo Emilio participou da fundacao da Escola de Comunicacoes Culturais (mais tarde Escola de Comunicacoes e Artes--ECA), tambem em 1968, onde passou a lecionar Cinema Brasileiro e Historia do Cinema. Foi Paulo Emilio o primeiro a escrever uma tese sobre cinema no Brasil: Cataguases e Cinearte na formacao de Humberto Mauro rendeu-lhe o titulo de Doutor em Filosofia na USP em 1972 (4).

Assim, uma nova geracao de intelectuais e pesquisadores do cinema brasileiro comecava a ser formada nos bancos universitarios, dentre eles Maria Rita Galvao, com valiosas contribuicoes para a compreensao historica do cinema paulista com seus trabalhos Cronica do cinema paulista (1969) e Companhia cinematografica Vera Cruz: a fabrica de sonhos, um estudo sobre a producao cinematografica industrial paulista (1976); e Ismail Norberto Xavier com Procura da essencia do cinema: o caminho da avant-garde e as iniciacoes brasileiras (1975) e Narracao contraditoria: uma analise do estilo de Glauber Rocha, 1962-64 (1980), que depois vai se destacar como um dos principais especialistas na obra glauberiana. Tanto os trabalhos de Galvao quanto de Xavier sao dissertacoes e teses defendidas na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciencias Humanas da USP. (5) Foram os departamentos de Letras e Filosofia os responsaveis pelas primeiras teses em cinema no Brasil, lembrando que o primeiro Programa de Doutorado em Comunicacao e Artes comecou suas atividades em agosto de 1980 na ECA/USP (6).

Diante disto, o que aconteceu com as pesquisas em cinema na universidade brasileira a partir dos anos de 1980 e, principalmente, no final da decada de 1990 quando comecou a proliferacao dos Programas de Pos-Graduacao em Comunicacao Social pelo pais? Procurando dar algumas respostas a esta questao, este artigo visa identificar o percurso dos estudos de cinema no Rio Grande do Sul e seus principais pesquisadores.

"E preciso buscar fora"--o pioneirismo dos pesquisadores gauchos

Ate a primeira metade da decada de 1990 havia uma carencia de Programas de Pos-Graduacao em Comunicacao na regiao Sul do pais, o que levou os pesquisadores gauchos interessados nos estudos de cinema a buscarem formacao fora da sua regiao e do seu Estado, em uma instituicao que ja havia criado uma tradicao de pesquisa na area, a Escola de Comunicacao e Artes (ECA), da Universidade de Sao Paulo (USP).

Mas o pioneirismo destes pesquisadores nao se limitou a ultrapassar as fronteiras do Estado, foram eles os responsaveis por introduzir o cinema do Rio Grande do Sul nos estudos de cinema. Um interesse da academia que veio tardio, mas necessario. Em 1990, a pesquisadora gaucha Flavia Seligman escreveu e defendeu a dissertacao Verdes Anos do Cinema Gaucho: o ciclo super-8 em Porto Alegre, no Mestrado em Artes/Cinema na ECA/USP. Foi o primeiro trabalho academico a contribuir para a compreensao de uma das principais fases da producao de cinema no Rio Grande do Sul, quando a inventividade e a ousadia de jovens realizadores subverteram o formato super-8 ao produzirem filmes de longa-metragem. Em 2000, ela continua desbravando tematicas pouco exploradas pela historiografia classica do cinema brasileiro, apresentando a tese O Brasil e feito pornos: o ciclo da pornochanchada no pais dos governos militares, no Doutorado em Artes/Cinema da mesma instituicao paulista. De 2006 a 2010 Seligman atuou como pesquisadora no PPG em Ciencias da Comunicacao da UNISINOS.

Assim como Seligman, Joao Carlos Massarolo tambem e um dos pioneiros a estudar o cinema gaucho na universidade brasileira. Em 1991, apresenta sua dissertacao de Mestrado em Artes/ Cinema na ECA/USP intitulada Um lugar ao Sul, trabalho que envereda por investigar o papel dos filmes de curta-metragem, dos cinejornais e dos filmes de tematicas popular e tradicionalista na cinematografia produzida no Rio Grande do Sul, que nos anos de 1980 eram uma forma de expressao a procura de um espaco, como defendeu o autor. Desde 1992, Joao Carlos Massarolo e professor do Departamento de Artes e Comunicacao da Universidade Federal de Sao Carlos (UFSCar) e em 1999 defendeu o Doutorado em Artes/Cinema na ECA/USP com sua tese sobre cinema e narrativas digitais.

Outros pesquisadores gauchos irao cursar o Mestrado em Comunicacao na ECA/USP nos anos de 1990, retornando depois para se doutorarem em um PPG no Rio Grande do Sul. E o que fez a professora do Programa de Pos-Graduacao em Comunicacao da UFRGS, Miriam de Souza Rossini. Jornalista e historiadora, cursou o Mestrado em Cinema na ECA/USP, entre 1989 e 1994. Escreveu a dissertacao Teixeirinha e o cinema gaucho--mais tarde publicada como livro pelo FUMPROARTE--uma das primeiras contribuicoes da academia, juntamente com o trabalho de Seligman, para a historia do cinema do Rio Grande do Sul que, como veremos mais adiante, ainda apresenta inumeras lacunas. Depois em 1999, a pesquisadora defendeu sua tese em Historia na UFRGS, com o titulo As marcas do passado: o filme historico como efeito de real, uma nova abordagem do cinema como reconstituicao da historia. Para a autora, a partir da nocao do efeito do real ou principio de realidade (inerente a qualquer narrativa), o filme historico deveria ser interpretado pelo historiador como aquele que oferece ao espectador representacoes verossimeis do passado. Representacoes que tem origem no tempo presente da producao cinematografica. Ou seja, para Rossini, um filme diz mais sobre o tempo no qual foi produzido do que sobre o passado retratado. Mas outro trabalho sera pioneiro em introduzir em meados de 1990 o debate sobre a relacao Cinema-Historia nas pesquisas do Rio Grande do Sul. Foi a dissertacao de Claudia Damiani Meyer defendida em 1993 no Mestrado em Historia da PUCRS, intitulada Um estudo sobre a relacao entre o cinema e a historia (1993), a primeira a reconhecer no Estado o lugar do cinema nos estudos de Historia. Porem, seu trabalho prioriza um olhar mais preocupado com o cinema enquanto reproducao da realidade, ou seja, o filme historico e analisado sob a perspectiva de falsidades ou verdades historicas, tendencia analitica que sera superada anos mais tarde pelos estudiosos de Cinema-Historia, inclusive pela tese apresentada por Rossini.

Em se tratando de Historia, e em especial da historia do cinema produzido no Rio Grande do Sul, devemos destacar a contribuicao do pesquisador gaucho Glenio Nicola Povoas que, assim como outros estudiosos de cinema da regiao, teve que buscar a sua formacao primeiramente em outro Estado. Em 1999, defendeu o Mestrado em Ciencias da Comunicacao na ECA/USP, com a dissertacao Historia e analise do filme Vento Norte, mais uma pesquisa que veio oferecer uma leitura sobre a cinematografia do Rio Grande do Sul. Vento Norte, dirigido por Salomao Scliar em 1951, foi o primeiro longa-metragem de ficcao produzido no Estado, um marco para uma cinematografia caracterizada pelo curta-metragem. Outra contribuicao do pesquisador viria mais tarde em 2005, com a primeira tese em cinema que tematizou e explorou toda uma producao de filmes do Rio Grande do Sul ate aquele momento desconhecida. Historias do cinema gaucho: propostas de indexacao 1904-1954, defendida por Povoas no PPG em Comunicacao Social da PUCRS, foi o primeiro trabalho a enfrentar o debate com a historiografia classica do cinema brasileiro, que sempre renegou o cinema realizado no Rio Grande do Sul a pequenos ciclos regionais esporadicos. O pesquisador teve o trabalho de sistematizar mais de 500 titulos de filmes em 35 mm e 16 mm produzidos no Estado durante o periodo estudado. Pesquisa que veio preencher algumas lacunas da historiografia do cinema silencioso gaucho. Atualmente, Povoas e professor do Curso de Comunicacao Social da PUCRS.

Assim como Seligman, Massarolo, Rossini e Povoas, outra pesquisadora gaucha foi estudar cinema na ECA/USP no mesmo periodo. De 1990 a 1995, Fatimarlei Lunardelli desenvolveu um estudo sobre o circo no cinema popular dos Trapalhoes, para em 2002 defender a tese Memoria e identidade: a critica de cinema na decada de 1960 em Porto Alegre no Programa de Pos-Graduacao em Ciencias da Comunicacao da mesma instituicao. Desde 2004 Lunardelli integra o corpo docente do curso de Realizacao Audiovisual da UNISINOS.

Como se pode notar, a maioria dos pesquisadores gauchos que foram buscar formacao em Sao Paulo, retornou ao seu Estado onde hoje ajudam a consolidar os estudos de cinema no Rio Grande do Sul. A partir da decada de 2000, somam-se a estes esforcos as contribuicoes de outros pesquisadores com origem nos PPGs em Comunicacao do Estado, um bom sinal de amadurecimento do campo de estudo na regiao.

Os estudos de cinema no RS hoje

Em uma analise da producao academica dos Programas de Pos-Graduacao em Comunicacao Social do Brasil, a partir dos resumos das dissertacoes e teses defendidas entre 1992 e 1996, Cicilia Peruzzo (2002, p. 56-57) constatou que sao os estudos de jornalismo (107; 14,2%,) que predominam em um universo de 754 pesquisas, seguidos por trabalhos que dialogam com a interface comunicacao e literatura (71; 9,4%). Os estudos de cinema (32; 4,2%) ocupam a oitava posicao, sendo antecedidos por trabalhos sobre televisao (37; 4,9%), cultura (36; 48%), estetica (36; 48%), publicidade e propaganda (33; 4,4%) e relacoes publicas e comunicacao e cultura organizacional (33; 4,4%).

Porem, estes dados nao se aplicam as producoes academicas dos PPGs em Comunicacao do Rio Grande do Sul que comecaram suas atividades em 1994 e 1995, na PUCRS, UNISINOS e UFRGS, (7) sendo que as primeiras pesquisas foram defendidas somente em 1998. Ao realizarmos um balanco das producoes destes Programas no Estado temos que das 667 teses e dissertacoes defendidas entre 1999 e 2008 6% sao estudos de cinema, superando os indicadores nacionais apresentados por Peruzzo. O que pode ser explicado pelo fato de que 2002 e o ano em que a producao cinematografica do Rio Grande do Sul cresceu em numeros e em qualidade tecnica, conquistando assim um maior destaque no cenario cinematografico nacional. O estimulo a esta producao veio principalmente das leis de incentivo a cultura, tanto federais quanto estaduais e municipais, (8) alem de outras duas medidas que beneficiaram o setor no Estado: a criacao da FUNDACINE em 1998, instituicao de natureza privada que tem como objetivo fortalecer o cinema gaucho; e o Premio RGE/Governo do Estado. (9) Coincidencia ou nao, e exatamente a partir de 2002, como podemos notar no Grafico 1, retro, que os estudos em cinema nas universidades gauchas apresentaram um crescimento, a ponto de termos em 2005 oito pesquisas defendidas com a tematica nesta area. Um cenario favoravel a producao cinematografica no Estado teria estimulado os novos estudos.

[GRAFICO 1 OMITIR]

No periodo de 1999 a 2008 temos um total de 39 estudos de cinema no Rio Grande do Sul, sendo 28 dissertacoes (Mestrado) e 11 teses (Doutorado). As primeiras pesquisas de Mestrado defendidas em 1999 foram: Viva Glauber, viva Hollywood: por uma teoria do espectador cinematografico, de Fernando Soares Mascarello, sob a orientacao de Eliana Pibernat Antonini na PUCRS; e O modernismo reacionario pelas lentes de Leni Riefenstahl, de Adriana Schryver Kurtz, sob a orientacao de Christa Berger na UFRGS. Adriana Schryver Kurtz se doutorou em 2007, no mesmo Programa, com a tese O destino da memoria das vitimas da Shoah na cinematografia de um mundo administrado e desde 2000 e professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-RS). Ja Fernando Soares Mascarello fez um percurso diferente, saindo do Rio Grande do Sul para se doutorar em 2004 na ECA/USP, com a tese Os estudos culturais e a espectatorialidade cinematografica: uma abordagem relativista, sob a orientacao de Eduardo Penuela Canizal. Depois retornou ao Estado para atuar como coordenador do curso de Realizacao Audiovisual da UNISINOS, recem-criado em 2003. Trajetorias que se assemelham a maioria dos pos-graduados dos PPGs em Comunicacao aqui analisados. Atualmente 60% destes pesquisadores atuam no ensino superior. Outro ponto positivo e que a maioria destes pesquisadores deu continuidade a seus estudos de cinema; ate 2010 dois haviam defendido teses e outros seis estavam com o Doutorado em andamento. Somente quatro de onze pos-graduados nao mantiveram o vinculo com o Programa no qual desenvolveu a sua primeira pesquisa, indo cursar o doutoramento em outro PPG do Rio Grande do Sul ou de outro Estado, em instituicoes como UnB e ECA/USP.

Em 2003, foram defendidas as primeiras teses em cinema do Rio Grande do Sul. Sao elas: Impactos das tecnologias na narrativa cinematografica, do cineasta e pesquisador Carlos Gerbase, sob a orientacao de Juremir Machado da Silva; e A discursividade no filme Hamlet: uma interpretacao hermeneutica de Paula Regina Puhl, sob a orientacao de Roberto Jose Ramos. Ambos os trabalhos tiveram origem no Programa de Pos-Graduacao em Comunicacao Social da PUCRS.

Sobre as trajetorias dos 11 autores que defenderam teses nos PPGs em Comunicacao no Estado, oito atuam em instituicoes de ensino superior do Rio Grande do Sul e um em outro Estado, Parana, sendo que quatro deles sao atualmente professores de Programas de Pos-Graduacao. Indicadores de que os PPGs tem formado pesquisadores qualificados para a atuacao no ensino superior e nos seus proprios quadros de docentes. Alem de que a presenca destes pesquisadores em PPGs significa a continuidade dos estudos de cinema no Estado.

E o caso de Carlos Gerbase e Joao Guilherme Barone Reis e Silva, ambos se doutoraram em Comunicacao na PUCRS, onde hoje tambem atuam como pesquisadores. No caso de Reis e Silva, cursou primeiramente o Mestrado em Comunicacao no exterior entre 1996 e 1998, na Universidad Internacional de Andalucia, Espanha, para em 2005 defender a tese Comunicacao e industria audiovisual: cenarios tecnologicos e institucionais do cinema brasileiro na decada de 1990, publicada quatro anos depois pela Editora Sulina.

A estes recentes esforcos e preciso somar as contribuicoes da sociologa Cristiane Cristiane Freitas Gutfreind, que desde 2003 atua no PPG em Comunicacao da PUCRS. Graduada pela PUC/RJ, Gutfreind cursou o seu Mestrado (1996) e o Doutorado (2001) em Sociologia na Universite Paris-Descartes, UPD, Franca, sob a orientacao de Michel Maffesoli, e atualmente investiga a representacao da ditadura militar no Brasil atraves das narrativas filmicas.

Ate 2008, Cristiane Freitas Gutfreind, Carlos Gerbase e Miriam Rossini foram os professores que orientaram o maior numero de pesquisas em cinema no Rio Grande do Sul, juntos somando um total de 13 trabalhos. Por outro lado, e preciso que se diga que outros 19 pesquisadores foram responsaveis por 26 estudos na area de cinema defendidos de 1999 a 2008 nos PPGs em Comunicacao da UNISINOS, PUCRS e UFRGS. Indicativo de que muitos destes pesquisadores orientaram um ou dois estudos em cinema nos ultimos nove anos, mesmo nao sendo o cinema objeto principal de suas pesquisas, procurando atender uma demanda de jovens pesquisadores gauchos interessados na setima-arte; ja outros professores optaram nos ultimos anos a diversificarem o seu campo de investigacao para o audiovisual, orientando trabalhos tanto de cinema quanto de televisao, video-arte, e etc.

Ao que se refere a um objeto comum nao foi possivel identifica-lo nas mais de 30 pesquisas desenvolvidas nos Programas de Pos-Graduacao em Comunicacao do Rio Grande do Sul. Pelo contrario, ha uma diversidade de objetos e de tratamentos metodologicos dado a estes. Sao trabalhos de Teoria e Historia do Cinema, producao e distribuicao cinematografica, impactos da tecnologia na narrativa cinematografica, o cinema chileno e o cinema paraense, estudos de documentario e etc. O que se pode afirmar e que predomina nestas pesquisas o metodo de Analise Filmica, ja que a maioria aborda um ou mais filmes como objeto.

Ao que se refere aos filmes produzidos no Rio Grande do Sul, somente quatro trabalhos na area de Comunicacao os elegeram. Sao eles: Sal de Prata (Carlos Gerbase, 2005), Deu Pra ti anos 70 (Nelson Nadotti e Giba Assis Brasil, 1981)--um filme marco da producao de longas-metragens em super-8 no Estado -, Noite de Sao Joao (2004) e Anahy de Las Misiones (1997), ambos de Sergio Silva. Ate 2008 Anahy de Las Misiones foi o filme gaucho que mais provocou interesse entre os pesquisadores no Rio Grande do Sul, resultando em duas dissertacoes de Mestrado, ambas no PPG em Comunicacao da PUCRS: Dissonancia no pampa--a saga de Anahy de las Misiones na representacao cinematografica da identidade gaucha de Vitor Manoel Necchi dos Santos Alves (2005); e A Questao da autoria nos filmes de Sergio Silva: diretor e equipe na construcao da obra cinematografica de Liangela Carret Xavier (2006). O filme de Sergio Silva tambem foi objeto de estudo da dissertacao Mae Coragem de bombacha: desconstrucao e afirmacao da identidade cultural gaucha no filme Anahy de las Misiones, defendida em 2005 por Roger Luiz da Cunha Bundt no Mestrado em Letras e Cultura Regional da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Interesse que pode ser explicado devido ao apelo historico e regional da tematica explorada na pelicula, a saga de uma mulher e seus filhos para sobreviver durante a Revolucao Farroupilha.

Os pesquisadores ainda nao descobriram o cinema do Estado do Rio Grande do Sul. Se levarmos em conta os trabalhos dos pioneiros, em 20 anos de producao academica apenas 20 pesquisas elegeram o cinema gaucho como objeto de estudo. Sendo que a partir da decada de 2000 os trabalhos sao originarios exclusivamente das universidades gauchas, o que nos remete a um regionalismo desta producao.

Os desafios para uma historiografia do cinema gaucho

De 1987 a 2008, somente 9% das 108 pesquisas, entre dissertacoes e teses defendidas nos mais variados PPGs do Rio Grande do Sul, sao de historiadores formados nas universidades gauchas. Isto reflete a lenta aceitacao do cinema como um novo objeto de estudo pelo campo da Historia. Entretanto, estes baixos indices nao surpreendem se considerarmos como explicacao o fato de o cinema gaucho ter sido estigmatizado como um cinema regional pela historiografia classica do cinema brasileiro. Enfim, pouco se escreveu sobre o cinema gaucho.

Por se tratarem de PPGs tambem tradicionais, alguns Mestrados em Historia comecaram as suas atividades nos anos de 1970/80, o estudo de cinema demorou mais de 20 anos para ser introduzido como objeto de estudo nas Faculdades de Historia do Rio Grande do Sul e os recentes trabalhos tem uma pequena representatividade. Assim como nas outras duas areas mencionadas acima, as recentes pesquisas nao equivalem a 1% da producao academica em Historia no Estado durante o periodo estudado. Somente nos primeiros anos do seculo XXI e que teremos historiadores academicos preocupados com a memoria do cinema gaucho. Antes a historia desta cinematografia vinha sendo contada pelos seus proprios realizadores, por cronistas ou por criticos de cinema, sempre sobre uma perspectiva jornalistica. Destaque para nomes como o de Tuio Becker, Antonio Jesus Pfeil, Antonio Carlos Textor, Anibal Damasceno Ferreira e etc.

Dos 10 estudos de cinema desenvolvidos de 1987 a 2008 nos PPGs em Historia do Rio Grande do Sul, a metade contribui diretamente para preenchermos algumas lacunas da historia do cinema produzido no Rio Grande do Sul. Na verdade, os pesquisadores gauchos que estudaram em Sao Paulo na ECA/USP foram os primeiros a se interessarem pela historia desta cinematografia. Somente nos anos de 2000 e que irao aparecer os primeiros estudos historicos de cinema oriundos das universidades gauchas. Sobre o periodo silencioso e o espetaculo cinematografico em Porto Alegre ate meados de 1940 foram produzidos quatro trabalhos: Criticas ou Possibilidades? Os Multiplos Olhares da Imprensa sobre o Cinema em Porto Alegre-RS (1896-1930), de Fabio Augusto Steyer (2000); Cinema em Porto Alegre (1939-1942): A construcao da supremacia, de Nilo Andre Piana de Castro (2002); O Cinema em Porto Alegre (1910-1914): Uma Forca Irresistivel, de Stefan Chamorro Bonow (2005). As tres pesquisas sao dissertacoes de Mestrado defendidas na PUCRS. A primeira e unica tese de doutoramento na area de Historia, durante o periodo estudado, so veio a ser escrita em 2008. Entre lanternas magicas e cinematografos: as origens do espetaculo cinematografico em Porto Alegre. 1861-1908, tese de Alice Dubina Trusz teve a orientacao da historiadora Sandra Jatahy Pesavento na UFRGS. Fora dos PPGs da capital gaucha, a excecao foi A Casa de Cinema de Porto Alegre: o cinema geracional, dissertacao de Francine Zanchet Grazziotin, sob a orientacao de Luiz Carlos Tau Golin no Programa de Pos-Graduacao em Historia da Universidade de Passo Fundo (UPF). Baseado em entrevistas com os fundadores e os principais integrantes da Casa de Cinema de Porto Alegre este trabalho buscou demonstrar como se deu a criacao e a consolidacao de um centro produtor de cinema fora do eixo Rio-Sao Paulo.

Alem de tardios, os estudos de Historia apresentados acima concentraram suas atencoes no cinema enquanto espetaculo, dando poucas contribuicoes propriamente sobre o cinema produzido no Rio Grande do Sul. O que nos habilita afirmar que a unica pesquisa que escapou a regra foi a tese de Doutorado em Comunicacao do pesquisador Glenio Nicola Povoas da PUCRS, defendida em 2005. Intitulada Historias do cinema gaucho: propostas de indexacao 1904-1954 e uma rara contribuicao da universidade gaucha a uma historia do cinema do Rio Grande do Sul. Um alerta de que ainda ha muito que se fazer por esta cinematografia.

O trabalho de Povoas tem o seu merito principalmente por explorar um periodo pouco conhecido ate mesmo pela historiografia classica do cinema brasileiro, a do cinema silencioso. Na verdade, as riquezas culturais, politicas e, porque nao dizer, esteticas destes filmes ainda estao para ser descobertas pelos estudiosos do nosso cinema. Assumir isto e o primeiro caminho para atualizarmos toda uma producao do cinema brasileiro, pois ironicamente foi o cinema de naoficcao, nas suas variacoes (os filmes naturais ou de cavacao, os cinejornais ou filmes atualidades e os documentarios), o responsavel por sustentar o cinema nacional por mais de cinco decadas, dando ate subsidios para a producao de filmes de enredo neste periodo, como ja apontado por Jean-Claude Bernardet (10).

Por outro lado, e preciso recordar que foram em dois PPGs em Historia do Estado do Rio Grande do Sul que originaram na decada de 1990 dois estudos que resolveram enfrentar o debate teorico-metodologico do campo Cinema-Historia, quando este era ainda muito incipiente no proprio Brasil. Em 1988 a Editora Contexto lanca Cinema e Historia do Brasil de Jean-Claude Bernardet e Alcides Freire Ramos; em 1992 a Paz e Terra publica o classico Cinema e Historia de Marc Ferro e em 1995 o historiador Jorge Novoa lanca o primeiro numero da Revista Olho da Historia e apresenta o texto Apologia da relacao Cinema-Historia como manifesto da Oficina Cinema-Historia que ele coordena desde entao na UFBA. Neste contexto, as pesquisas de Claudia Damiani Meyer e Miriam Rossini, desenvolvidas nos PPGs em Historia da PUCRS e da UFRGS, respectivamente, devem ser interpretadas como marcos de uma abertura ainda gradual dos historiadores gauchos para o cinema naquela decada.

Consideracoes finais

Em um ensaio publicado em 03 de dezembro de 1972, no jornal Correio do Povo, o professor de cinema, roteirista e diretor Anibal Damasceno Ferreira ja questionava a ausencia de dialogo entre os intelectuais e os realizadores gauchos. Por mais incipiente e caricata que fosse a cinematografia gaucha da epoca, marcada por um personagem rural e tradicionalista, era preciso reconhecer que alguns filmes do Teixeirinha foram sucesso de bilheteria, defendia o professor. No entanto, segundo Ferreira, os proprios intelectuais gauchos preferiam combater estes filmes de forma violenta na imprensa porto-alegrense.

Cenario que comecou a ser alterado somente na decada de 1990 com o trabalho de Miriam Rossini, Teixeirinha e o cinema gaucho, como vimos. Levou mais de 20 anos para que surgissem as primeiras pesquisas academicas sobre o cinema gaucho, no entanto todas tiveram origem fora do Estado do Rio Grande do Sul, na Escola de Comunicacao e Artes da USP. Assim, enquanto nao se consolidavam os Programas de Pos-Graduacao em Comunicacao no Rio Grande do Sul, a saida encontrada foi buscar formacao em Sao Paulo. Retornando ao Estado, estes pesquisadores auxiliam no amadurecimento dos Programas e estimulam o estudo de cinema entre jovens pesquisadores.

Entretanto, por mais que a partir dos anos de 2000 comecou um timido crescimento nos estudos de cinema no Rio Grande do Sul, no tocante a historiografia do cinema produzido no Estado o saldo ainda e devedor. Escreveu-se muito sobre a chegada do espetaculo cinematografico em Porto Alegre e os seus desdobramentos para uma cultura cinematografica nesta cidade e seus arredores. Temos conhecimento sobre tres fases importantes do cinema gaucho: o ciclo de Pelotas nos anos de 1910, as producoes do Teixeirinha em 1960/70 e do movimento superoitista em 1980.

Mas o que se sabe sobre o cinema produzido no Rio Grande do Sul em outros periodos e quase nulo, nem mesmo a recente producao de filmes no Estado, a partir de 1995, mereceu algum estudo mais criterioso ate o momento. E o que dizer do cinema no interior do Rio Grande do Sul? Um total desconhecido. Nada se sabe sobre a importancia do cinema no cotidiano dos gauchos que vivem nas pequenas cidades do Estado, nem mesmo se um filme ou outro foi realizado nestas cidades. Desafios que estao postos para os novos estudos de cinema no Rio Grande do Sul.

E, curiosamente, se nos perguntarmos quem sao os historiadores do cinema produzido no Rio Grande do Sul, nao seria erroneo respondermos o seguinte: sao estudiosos de cinema e amantes do cinema gaucho, mas que nao possuem formacao profissional de historiador, oriundos na sua maioria da area de Comunicacao Social.

REFERENCIAS

ANDREW, J. Dudley. As principais teorias do cinema: uma introducao. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1989.

AUTRAN, Arthur. Panorama da historiografia do cinema brasileiro. Alceu, Rio de Janeiro, PUC, v. 7, n. 14, p. 17-30, jan./jun. 2007.

BERNARDET, Jean-Claude. Cavacao. In:--. Cinema brasileiro: proposta para uma historia. Sao Paulo: Companhia das Letras, 2009.

FERREIRA, Anibal Damasceno. Os pessegos de Saint-Hilaire (Ensainho sobre o cinema gaucho). In: GUTFREIND, Cristiane; GERBASE, Carlos. Cinema gaucho: diversidade e inovacoes. Porto Alegre: Sulina, 2009, p. 09-14.

MIRANDA, Luiz Felipe; AUTRAN, Arthur. Glossario da Biografia. Portal do Cinema Brasileiro (Org. Eugenio Puppo). Disponivel em: <http://www.heco.com. br/candeias/biografia/02_06.php>. Acesso em: 03 set. 2009.

PERUZZO, Cicilia M. Krohling. Em busca dos objetos de pesquisa em comunicacao no Brasil. In: WEBER, Maria Helena; BENTZ, Ione; HOHLFELDT, Antonio (Org.). Tensoes e objetos da pesquisa em comunicacao. Porto Alegre: Sulina, 2002.

SILVA NETO, Antonio Leao. Dicionario de filmes brasileiros: longa metragem. Sao Bernardo do Campo, SP: Ed. do Autor, 2009.

SIQUEIRA, Servulo. O primeiro doutor em cinema. O GLOBO, 10 set. 1977. Disponivel em: <http://www. guesaaudiovisual.com/palavras/EnsPesMemoria/PauloEmilio.html>. Acesso em: 03 set. 2009.

SOUZA, Jose Inacio de Melo. Paulo Emilio no paraiso. Rio de Janeiro: Record, 2002.

--. Um balanco sobre o cinema brasileiro na universidade. Mnemocine. Disponivel em: <http://www.mnemocine. com.br/bancodeteses/cinebrasileironauniversidadehtm.htm>. Acesso em: 03 set. 2009.

XAVIER, Ismail. Paulo Emilio e o estudo do Cinema. Estudos Avancados, Sao Paulo, USP, v. 8, n. 22, p. 297-300, 1994.

Cassio dos Santos Tomaim

Professor nos Programas de Pos-Graduacao em Comunicacao Midiatica e em Historia da UFSM/RS/BR. tomaim78@gmail.com

NOTAS

(1) Este artigo e resultado de estudos desenvolvidos para o do projeto de pesquisa "O Documentario Gaucho Contemporaneo: Memoria e Identidade (1995-2010)", financiado pelo edital Universal MCT/CNPq No. 14/2009 e pelo Programa de Bolsas de Iniciacao Cientifica da UFSM-FIPE Junior em 2009 e 2010.

(2) Francisco Luiz de Almeida Salles foi critico de cinema e uma das principais personalidades da cena cultural paulista dos anos de 1970. Tambem contribuiu no projeto que originou o Museu da Imagem e do Som de Sao Paulo (MIS). Ja Antonio Candido de Mello e Souza e um dos principais expoentes da critica literaria brasileira e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciencias Humanas da Universidade de Sao Paulo.

(3) Escola de Cinema da Universidade Catolica de Minas Gerais (atual PUC-MG), criada em 1962, em Belo Horizonte, disputa a primazia com o curso de cinema da Universidade de Brasilia (UnB), de 1965. Nos poucos relatos sobre as escolas de cinema no Brasil, ela sequer e mencionada. Talvez esta preferencia pelo curso na UnB esteja relacionada ao nome de Paulo Emilio Salles Gomes. Ja a Escola de Cinema Sao Luiz e apontada por Luiz Felipe Miranda e Arthur Autran (2009) como o primeiro curso de cinema regular de nivel universitario em Sao Paulo, criado na segunda metade dos anos de 1960.

(4) Sobre a trajetoria academica e a vida de Paulo Emilio consultar Souza (2002) e Xavier (1994).

(5) Para uma melhor compreensao desta historiografia universitaria do cinema brasileiro produzida entre os anos de 1960/70 ver Autran (2007).

(6) E preciso dizer que o Mestrado em Artes, que concentrava a area de Cinema, data de 1974, segundo Souza (2009).

(7) O mais novo Mestrado em Comunicacao Social no Rio Grande do Sul e o da UFSM, criado em 2006.

(8) Alem da Lei Rouanet e da Lei do Audiovisual, ambas federais, os produtores gauchos podem recorrer a Lei de Incentivo a Cultura Estadual (Sistema LIC) e a um fundo municipal criado pela Prefeitura de Porto Alegre, o FUMPROARTE.

(9) Trata-se de um concurso publico bienal que seleciona tres projetos de longa-metragem a serem financiados por meio de renuncia fiscal dos recursos aplicados pela empresa Rio Grande Energia (RGE).

(10) Segundo o autor os historiadores do cinema brasileiro sempre escreveram historias de filmes de ficcao, cometendo um equivoco ao aplicar a realidade brasileira um modelo particular aos paises industrializados em que o filme de enredo foi sem duvida a base da producao cinematografica. No caso do Brasil, "a realidade cinematografica mais solida era o natural, o cinejornal, a cavacao" (Bernardet, 2009, p. 37-44).S
Quadro 1--Pesquisas no Brasil que tiveram o cinema gaucho como
objeto de estudo 1988-2008

Titulo                                         Autor(a)

Verdes anos do cinema gaucho: o                Flavia Seligman
  ciclo super 8 em Porto Alegre
Um lugar ao Sul                                Joao Carlos
                                               Massarolo
Teixeirinha e o cinema gaucho                  Mirian Correa
                                               Souza
Historia e analise do filme Vento Norte        Glenio Nicola
                                               Povoas
A Ana Terra na literatura e no cinema          Valdnei M.
                                               Ferreira
Criticas ou possibilidades? Os multiplos       Fabio Augusto
  olhares da imprensa sobre o cinema em        Steyer
  Porto Alegre
Cinema em Porto Alegre (1939-1942): a          Nilo Andre P
  construcao da supremacia                     Castro
Memoria e identidade: a critica de cinema      Fatimarlei
  na decada de 1960 em Porto Alegre            Lunardelli
Ficcoes sobre o general Netto: historia,       Flavia A.
  literatura e cinema                          Andrade
O cinema em Porto Alegre (1910-1914):          Stefan C.
  uma forca irresistivel                       Bonow
Historias do cinema gaucho: propostas de       Glenio Nicola
  indexacao 1904-1954                          Povoas
Dissonancia no pampa--a saga de                Vitor Manoel N.
  Anahy de las Misiones na representacao       S. Alves
  cinematografica da identidade gaucha
Mae Coragem de bombacha: desconstrucao         Roger Luiz Cunha
  e afirmacao da identidade cultural gaucha    Bundt
  no filme Anahy de las Misiones
A questao da autoria nos filmes de Sergio      Liangela Carret
  Silva: diretor e equipe na construcao da     Xavier
  obra cinematografica
A Casa de Cinema de Porto Alegre: o            Francine Z.
  cinema geracional                            Grazziotin
A cultura regional no cinema do Rio            Lislei do Carmo
  Grande do Sul: filmografia de 1981 a 2001    Carrilo
Dez mandamentos de Jorge Furtado:              Flavia Garcia
  cartografias em tres platos                  Guidotti
Deu Pra Ti, Anos 70 e A Festa Nunca            Luciana F.
  Termina" (24 Hour Party People)              Haussen
  --juventude, cultura e representacao
  do social no cinema
O Imaginario de Porto Alegre revelado em       Taciane Soares
  Sal de Prata                                 Correa
Entre lanternas magicas e cinematografos:      Alice Dubina
  as origens do espetaculo cinematografico     Trusz
  em Porto Alegre. 1861-1908.

Titulo                                             Area

Verdes anos do cinema gaucho: o                Artes/Cinema
  ciclo super 8 em Porto Alegre
Um lugar ao Sul                                Artes/Cinema

Teixeirinha e o cinema gaucho                  Artes/Cinema

Historia e analise do filme Vento Norte        Comunicacao
                                               Social
A Ana Terra na literatura e no cinema          Linguistica
                                               /Letras
Criticas ou possibilidades? Os multiplos       Historia
  olhares da imprensa sobre o cinema em
  Porto Alegre
Cinema em Porto Alegre (1939-1942): a          Historia
  construcao da supremacia
Memoria e identidade: a critica de cinema      Comunicacao
  na decada de 1960 em Porto Alegre            Social
Ficcoes sobre o general Netto: historia,       Linguistica
  literatura e cinema                          /Letras
O cinema em Porto Alegre (1910-1914):          Historia
  uma forca irresistivel
Historias do cinema gaucho: propostas de       Comunicacao
  indexacao 1904-1954                          Social
Dissonancia no pampa--a saga de                Comunicacao
  Anahy de las Misiones na representacao       Social
  cinematografica da identidade gaucha
Mae Coragem de bombacha: desconstrucao         Linguistica
  e afirmacao da identidade cultural gaucha    /Letras
  no filme Anahy de las Misiones
A questao da autoria nos filmes de Sergio      Comunicacao
  Silva: diretor e equipe na construcao da     Social
  obra cinematografica
A Casa de Cinema de Porto Alegre: o            Historia
  cinema geracional
A cultura regional no cinema do Rio            Comunicacao
  Grande do Sul: filmografia de 1981 a 2001    Social
Dez mandamentos de Jorge Furtado:              Comunicacao
  cartografias em tres platos                  Social
Deu Pra Ti, Anos 70 e A Festa Nunca            Comunicacao
  Termina" (24 Hour Party People)              Social
  --juventude, cultura e representacao
  do social no cinema
O Imaginario de Porto Alegre revelado em       Comunicacao
  Sal de Prata                                 Social
Entre lanternas magicas e cinematografos:      Historia
  as origens do espetaculo cinematografico
  em Porto Alegre. 1861-1908.

Titulo                                         Instituicao   Tipo

Verdes anos do cinema gaucho: o                  ECA/USP     (M)
  ciclo super 8 em Porto Alegre
Um lugar ao Sul                                  ECA/USP     (M)

Teixeirinha e o cinema gaucho                    ECA/USP     (M)

Historia e analise do filme Vento Norte          ECA/USP     (M)

A Ana Terra na literatura e no cinema             PUCRS      (M)

Criticas ou possibilidades? Os multiplos          PUCRS      (M)
  olhares da imprensa sobre o cinema em
  Porto Alegre
Cinema em Porto Alegre (1939-1942): a             PUCRS      (M)
  construcao da supremacia
Memoria e identidade: a critica de cinema        ECA/USP     (D)
  na decada de 1960 em Porto Alegre
Ficcoes sobre o general Netto: historia,          PUCRS      (M)
  literatura e cinema
O cinema em Porto Alegre (1910-1914):             PUCRS      (M)
  uma forca irresistivel
Historias do cinema gaucho: propostas de          PUCRS      (D)
  indexacao 1904-1954
Dissonancia no pampa--a saga de                   PUCRS      (M)
  Anahy de las Misiones na representacao
  cinematografica da identidade gaucha

Mae Coragem de bombacha: desconstrucao             UCS       (M)
  e afirmacao da identidade cultural gaucha
  no filme Anahy de las Misiones
A questao da autoria nos filmes de Sergio         PUCRS      (M)
  Silva: diretor e equipe na construcao da
  obra cinematografica
A Casa de Cinema de Porto Alegre: o                UPF       (M)
  cinema geracional
A cultura regional no cinema do Rio               UMESP      (M)
  Grande do Sul: filmografia de 1981 a 2001
Dez mandamentos de Jorge Furtado:               UNISINOS     (M)
  cartografias em tres platos
Deu Pra Ti, Anos 70 e A Festa Nunca               PUCRS      (M)
  Termina" (24 Hour Party People)
  --juventude, cultura e representacao
  do social no cinema
O Imaginario de Porto Alegre revelado em          PUCRS      (M)
  Sal de Prata
Entre lanternas magicas e cinematografos:         UFRGS      (D)
  as origens do espetaculo cinematografico
  em Porto Alegre. 1861-1908.

Titulo                                         Ano

Verdes anos do cinema gaucho: o                1990
  ciclo super 8 em Porto Alegre
Um lugar ao Sul                                1991

Teixeirinha e o cinema gaucho                  1994

Historia e analise do filme Vento Norte        1999

A Ana Terra na literatura e no cinema          2000

Criticas ou possibilidades? Os multiplos       2000
  olhares da imprensa sobre o cinema em
  Porto Alegre
Cinema em Porto Alegre (1939-1942): a          2002
  construcao da supremacia
Memoria e identidade: a critica de cinema      2002
  na decada de 1960 em Porto Alegre
Ficcoes sobre o general Netto: historia,       2004
  literatura e cinema
O cinema em Porto Alegre (1910-1914):          2005
  uma forca irresistivel
Historias do cinema gaucho: propostas de       2005
  indexacao 1904-1954
Dissonancia no pampa--a saga de                2005
  Anahy de las Misiones na representacao
  cinematografica da identidade gaucha
Mae Coragem de bombacha: desconstrucao         2005
  e afirmacao da identidade cultural gaucha
  no filme Anahy de las Misiones
A questao da autoria nos filmes de Sergio      2006
  Silva: diretor e equipe na construcao da
  obra cinematografica
A Casa de Cinema de Porto Alegre: o            2006
  cinema geracional
A cultura regional no cinema do Rio            2006
  Grande do Sul: filmografia de 1981 a 2001
Dez mandamentos de Jorge Furtado:              2007
  cartografias em tres platos
Deu Pra Ti, Anos 70 e A Festa Nunca            2008
  Termina" (24 Hour Party People)
  --juventude, cultura e representacao
  do social no cinema
O Imaginario de Porto Alegre revelado em       2008
  Sal de Prata
Entre lanternas magicas e cinematografos:      2008
  as origens do espetaculo cinematografico
  em Porto Alegre. 1861-1908.

FONTE: Banco de Teses da Capes
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Article Details
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Title Annotation:Cinema
Author:dos Santos Tomaim, Cassio
Publication:Revista Famecos - Midia, Cultura e Tecnologia
Article Type:Report
Date:Jan 1, 2011
Words:8037
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