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Os destinos turisticos do centro sul Americano. instrumentos que transfronteirizam a integracao regional: um exemplo aplicado a Rota Pantanal Pacifico.

Consideracoes iniciais

O turismo e considerado uma das mais importantes atividades economicas da atualidade e a mais humana que existe dado a sua dinamicidade na inter-relacao com mais de 50 setores da economia mundial. Tem sido adotado pelos Governos como instrumento de desenvolvimento e de valorizacao dos recursos naturais e culturais, bem, como, agregacao de valores economicos a esses recursos e a geracao de divisas, mas a inclusao social que a mesma pode gerar nas bases onde sao desenvolvidas, faz desta, uma das atividades eminentemente humana.

Neste contexto o Brasil por ser considerado o pais com maior biodiversidade do planeta, tem a potencialidade de dispor de um dos mais ricos destinos de eco turismo do mundo e a sua diversidade cultural contribui significativamente para o enriquecimento desse mercado. No entanto, ainda estamos longe de ser o maior destino turistico do Continente. A politica de desenvolvimento da atividade ainda nao gerou o processamento e o ordenamento das potencialidades brasileiras em produtos. O pais carece de infra-estrutura, de qualificacao dos servicos e de mao-de-obra especializada, o que e o caso da maioria dos paises sul americanos. E levando em consideracao que e o pais com a maior faixa de fronteira da America do Sul, e que essas areas caracterizam potencialidades para o processo de comunicacao com os paises vizinhos e consequentemente para a criacao de rotas e roteiros integrados a infra-estrutura e os servicos sao essenciais, especialmente para o Brasil.

As fronteiras por sua vez, sao as areas e regioes localizadas proximas a territorios estrangeiros e tem por funcao delimitar, demarcar e caracterizar a divisao entre os mesmos. Todavia, tais regioes podem servir de ferramentas para o processo de integracao social, cultural, turistica e economica entre os paises que as constituem.

Existem casos onde as fronteiras caracterizam por si so, como verdadeiros destinos turisticos, pode-se citar as fronteiras entre o Brasil e a Bolivia, mais precisamente a parte central de sua area. Pois, estao localizados dentro destas tres Patrimonios da Humanidade, reconhecidos pela Unesco, como cultural, natural e reservas da biosfera. Sendo eles: o Pantanal Brasileiro, as Missoes Jesuiticas de Chiquitos e o Parque Noel Kempff Mercado na Bolivia, que no decorrer do trabalho serao mais bem detalhados. Ainda pode-se citar dentro desse contexto as fronteiras da Bolivia com o Peru, que sao permeadas pelo lago Titicaca e a do Chile com a Argentina com a puna do Atacama.

As fronteiras no contexto das promocoes turisticas constituem uma regra quase sem excecao e tal regra diz respeito ao abandona das mesmas como ferramentas de aproximacao e de promocao de destinos. Elas se inserem num quadro de isolamento que ocasionam surgimento de localidades isoladas e desintegradas do mercado nacional e internacional do turismo.

Regioes desta natureza com identificadas na maioria das vezes como bolsoes de isolamento que nao configuram produto e/ou mercado, pela nao existencia de servicos e logistica. E nesse caso nota-se o desencontro das funcoes e acoes das politicas de desenvolvimento turistico.

Durante as viagens que realizadas como parte do processo de investigacao da proposta da rota pantanal pacifico, pode-se verificar certo esquecimento das areas de fronteiras em praticamente todos os paises. A fronteira fica la, inerte marcando a descontinuidade do Estado nacional e a sensacao que muitas vezes se tem e de que ela existe para impedir a continuidade e nao para facilita-la. De modo que sera analisada a relacao entre as fronteiras e o turismo, tendo como area de estudo, a extensao territorial abrangida pela proposta de integracao rota "Pantanal-Pacifico" que compreende o centro oeste do Brasil-estado de Mato Grosso, Bolivia, sul do Peru, norte do Chile e noroeste da Argentina. Territorios que sao permeados por fronteiras que podem constituir verdadeiros destinos continuados de turismo e que potencializam a criacao de roteiros integrados entre seus paises.

Turismo e fronteira--Bases conceituais

O turismo como atividade economica processa basicamente duas materias primas: Os recursos naturais e os culturais, agregando-lhes valores economicos para a formatacao e ordenamento dos mesmos em produtos turisticos. Para melhor entendimento da atividade e de suas interfaces com a economia e necessario a abordagem de alguns conceitos, no entanto, nao e uma tarefa facil, pois assim como afirma, Acerenza (1991: 23):
   Muitas vezes a conceituacao do turismo tem gerado controversias,
   como consequencia das multiplas e variadas interpretacoes que tem
   sido feitas dessa disciplina (atividade). O turismo constitui um
   campo particular de estudo, ou devido a inumreros pontos de vista
   de certas correntes de pensamento que o explicam em funcao dos
   principios idelogicos e filosoficos que elas professam.


Diante de tal afirmacao sera adotado o conceito de Beltrao (1999), pois, o autor traz uma visao bastante abrangente da atividade e contribui significativamente com a proposta desse trabalho, ao afirmar que "o turismo e o conjunto de todas as atividades sociais, culturais, politicas, economicas e naturais que envolvem pessoas se deslocando atraves dos mais diversos lugares de origem em busca de outros destinos desconhecidos ou nao, com uma permanencia temporaria ".

Quando o autor menciona a politica e a economia como parte formadora das atividades turisticas, automaticamente abre-se um leque de acoes inerentes aos governos em suas diversas esferas administrativas, essencialmente a municipal, pois, os municipios representam a base local da atividade, e segundo Dias (2005: 155):
   As principais funcoes que os municipios devem exercer sao a de
   acompanhar o desenvolvimento do turismo, providenciar para que os
   atrativos turisticos sejam monitorados e utilizados e forma a
   efetivar a exploracao sustentavel, ou seja, de forma racional,
   promover o municipio em mercados diferentes com estrategias
   previamente escolhidas, estabelecer parcerias com empresarios do
   turismo e os comerciantes locais, contribuir para o aumento da
   capacitacao de atores envolvidos no desenvolvimento turistico, as
   informacoes sobre as atividades turisticas regional devem estar
   sempre atualizadas e estar obtendo e fornecendo aos moradores e
   turistas, a intervencao deve ser direta e indiretamente para a
   realizacao de obras de infra-estrutura que possa contribuir para o
   turismo atraves de melhorias dos acessos, pontes, servico basico
   como agua potavel, esgoto, energia eletrica, etc.


O autor refere-se ao processo de inter-municipalizacao, ou regionalizacao do turismo, mas podemos trazer tais afirmacoes ao contexto deste trabalho ja que a abordagem do mesmo refere-se a relacao entre o turismo e as fronteiras. O turismo e um conjunto de atividades e deste conjunto de atividades surgirao outras que dizem respeito a prestacao de servicos, de trocas de informacoes, que por sua vez ocasionam o surgimento de um mercado turistico destinado ao ir e vir de pessoas pelas aduanas no exercicio de varias atividades, dentre elas a turistica, neste contexto, Lage e Milone (2000), contribui ao dizer que:
   Chamamos de mercado turistico a interacao da demanda de produtos
   relacionados com a execucao e operacionalizacao das atividades que
   envolvem bens e servicos de viagens e afins. Esse mercado pode ser
   considerado como uma vasta rede de informacoes de modo que os
   agentes economicos--consumidores e produtores--troquem informacoes
   e tomem decisoes sobre a compra e a venda dos diferentes bens e
   servicos a sua disposicao. A linguagem ou a forma de comunicacao
   que estes agentes no turismo usam para o entendimento e feita por
   meio dos precos e de seus bens, que se constituem no principal
   mecanismo de todo o sistema de mercado.


O desenvolvimento de tal mercado demanda espaco, que para o MIN (2005: 27), pode ser entendido por:
   Regiao turistica: Espaco geografico que apresenta caracteristicas e
   potencialidades similares e complementares, capazes de serem
   articuladas e que definem um territorio, delimitado para fins de
   planejamento e gestao. Assim, a integracao de municipios de um ou
   mais Estados, ou de um ou mais paises, podem constituir uma regiao
   turistica.


Nesse contexto que regiao turistica pode-se constituir um destino turistico. Segundo Souza e Correa (1998: 54), e "A localizacao de um grupo de atracoes, instalacoes e servicos turisticos relacionados, que um turista ou grupos de excursao decide visitar ou que os fornecedores decidirem promover ". Os destinos podem ser classificados como naturais.e/ou culturais.

Antes de abordarmos as fronteiras, faz-se necessario o entendimento dos espacos, territorios e regioes onde as mesmas se formam e se relacionam com o mercado turistico. O espaco, assim como o turismo e de dificil definicao, Lefebvre (1976: 25) apud Melo (2005: 26) diz que " o espaco e o locus da reproducao das relacoes sociais de producao", e Holzer apud Correa et al. (2003: 32) in Melo (2005: 27) aborda o espaco de forma subjetiva e que vem ao encontro da proposta desse trabalho que entende o espaco como areas que exercem poder de atracao "o espaco vivido e uma experiencia continua, egocentrica e social, um espaco de movimento e um espaco-tempo vivido ... (que) ... se refere ao efetivo, ao magico, ao imaginario".

Ja para Haesbaert (2002:121), que aborda o conceito de territorio como sendo "uma relacao desigual de forcas, envolvendo o dominio ou controle politico-economico do espaco e sua apropriacao simbolica, ora conjugados e mutuamente reforcados, ora desconectados e contraditoriamente articulados". Ja as regioes sao entendidas por Lencioni (1999: 134), como "[ ... ] um instrumento tecnico-operacional, a partir do qual se procurou organizar o espaco. Com o planejamento regional, a face intervencionista do Estado e do capital se tornaram transparentes". E acrescenta com Pierre George (1968: 148) apud Lencioni (2003: 141) "a nocao de regiao aparece entao com o significado de territorio explorado pela economia urbana de uma metropole regional. A nocao de regiao se confunde, nesse caso, com a de rede urbana". No entanto, a mesma autora menciona Bernard Kayser e Pierre George apud Lencioni (2003: 143):
   Chamam a atencao para as analises dos fatores naturais e historicos
   para explicar a polarizacao de um centro, a rede de comunicacoes e
   a atuacao da administracao sobre o territorio. Consideram, acima de
   tudo, que uma regiao sera mais madura, no sentido evolutivo do
   termo, quanto maior for a importancia de seu centro e quanto maior
   for a influencia que esse centro exerce sobre o territorio.


As consideracoes a respeito de "centro polarizador" abordadas pelos autores, estabelecem uma relacao direta com a forma como o turismo processa os espacos apropriados pela atividade, e tais centros tem a mesma funcao do centro geografico, pois segundo Boullon (2002: 80):
   O espaco turistico e consequencia da presenca e distribuicao
   territorial dos atrativos que, nao devemos esquecer, sao a
   materia-prima do turismo. Este elemento do patrimonio, mais o
   empreendimento e a infra-estrutura turistica sao suficientes para
   definir o espaco turistico de qualquer pais.


A partir do entendimento dessas definicoes de espaco, surgem outras formas de abordagem da apropriacao de regioes e territorios, por exemplo, para a construcao e/ou ordenamento de destinos turisticos. Que dentro da otica adotada para essa pesquisa, podem ser entendidos por regioes de contatos entre territorios politico-geograficos e ou culturalmente distintos, como sao os casos das fronteiras. Que de acordo com (Martin 1992: 21), a palavra "fronteira" e de origem latina, tambem usada como [mucho menor que]frontaria", que tinha a funcao de indicar parte de um territorio localizado "in fronte", ou seja, as margens. A palavra "limes" tambem fora utilizada para dar significado aos limites entre territorios, "confim entre dois campos".

Para Machado (2005):
   A palavra limite de origem latina foi criada para designar fim
   daquilo que mantem coesa uma unidade politico territorial, ou seja,
   uma ligacao interna. Essa conotacao politica foi reforcada pelo
   moderno conceito de Estado, onde a soberania corresponde a um
   processo absoluto de territorializacao. O monopolio legitimo do uso
   da forca fisica, a capacidade de forjar normas de trocas sociais
   reprodutivas (a moeda, os impostos), a capacidade de estruturar, de
   maneira singular, as formas de comunicacao (a lingua nacional, o
   sistema educativo, etc.) sao elementos constitutivos da soberania
   do estado, correspondendo ao territorio cujo controle efetivo e
   exercido pelo governo central (o estado territorial).


Para o turismo uma fronteira nem sempre tem o significado de barreira, de interrompimento das unidades que a constitui. A visao turistica sobre as mesmas pode ser de continuidade, de homogeneidade, ja que a mesma apropria-se dos recursos naturais e culturais para exercer sua funcao de instrumento de contato, de investigacao e de conhecimento do distinto, que em alguns casos, estao alem fronteiras, transpondo os limites, criando desta forma a continuidade e a igualdade entre territorios que socialmente e politicamente descontinuam.

O Ministerio das Relacoes Exteriores na busca de uma maior aproximacao entre os paises que fazem fronteiras com o Brasil, adota como politica o desenvolvimento de acoes que ultrapassam as fronteiras [ ... ] uma das especificidades mais importantes das politicas de desenvolvimento regional voltadas para faixas de fronteira, refere-se ao fato de que se trata nao de areas-limite ou de "margens", mas justamente de areas de contato e de interacao. Dai a relevancia de um tratamento especial as formas com que se realizam estas interacoes, nao apenas aquelas de ordem mais estritamente economica, mas tambem as interacoes sociais e culturais, em sentido mais estrito, que revelam a solidez (ou a fragilidade) dos amalgamas, efetivos e potenciais, das areas de fronteira. A tipologia das interacoes culturais transfronteiricas diz respeito as relacoes identitarias promovidas ou passiveis de serem promovidas de um lado ao outro da faixa de fronteira [ ... ] (MIN 2005).

A politica brasileira de turismo por entender que as fronteiras podem ser instrumentos de integracao reativou o orgao governamental de debate do turismo no Mercosul, RET - "Reuniao Especializada em Turismo", que teve suas atividades interrompidas por dois anos. Retomada no final de 2003 "A RET tem como objetivo ser o instrumento para viabilizar a integracao das politicas no campo do turismo dos quatro estados-membros do Mercosul. E o mecanismo pelo qual se definem acoes comuns para promover o Mercosul como destino turistico internacional. A RET tem dois eixos fundamentais: a consolidacao do Mercosul como bloco no ambito do turismo, e o incremento da entrada de turistas nos paises do Mercosul".

A RET tem tambem a funcao de discutir a problematica das fronteiras e com o intuito de incentivar o debate o Ministerio do Turismo realiza desde 2004 o Seminario Internacional de Turismo de Fronteiras (Frontur). O principal objetivo deste evento e atrair atencoes para o turismo de fronteiras e encontrar solucoes que permitam a facilitacao do fluxo internacional de turistas. O seminario destina-se a entidades politicas e diplomaticas, profissionais do setor turistico, professores e academicos dos cursos de turismo, hotelaria e relacoes internacionais, imprensa e profissionais do terceiro setor. O Ministerio do Turismo, em parceria com o Ministerio da Justica, iniciou este ano a promocao de seminarios de sensibilizacao para agentes publicos de fronteira.

A ideia surgiu como uma das alternativas para melhorar o fluxo de turistas nas fronteiras, depois de constatada a inviabilidade de investimentos brasileiros em reformas nas Areas de Controle Integrado, cujos centros de turistas ficam do outro lado da fronteira brasileira, conforme o Acordo de Recife, de 1993. A intencao e mostrar a importancia do turismo para a economia do pais na geracao de emprego e renda. Os agentes de orgaos como a Policia Federal e Policia Rodoviaria Federal sao treinados para receber e acolher os turistas que atravessam os limites fronteiricos do pais (MIN 2006).

As areas do Brasil que correspondem ao objeto de estudo deste trabalho encontram-se localizadas na parte central do continente sul americano e fazem fronteira com um trecho do Paraguai, Bolivia e o Peru. E sao servidas por estradas que convergem para as cidades de Campo Grande e Cuiaba que redistribuem os fluxos para a regiao sudeste.

Fronteiras turisticas: onde os limites se tornam destinos

O turismo nas ultimas decadas tem sido adotado pelos governos como instrumento de desenvolvimento interno e como uma poderosa ferramenta no processo de construcao de politicas especificas e estrategicas, tendo na valorizacao de seus recursos naturais e culturais e de seus bens tangiveis e intangiveis os argumentos de projecao para os mercados externos.

Dentro dessa otica o mercado turistico mundial tem criado e desenvolvido propostas de integracao turistica entre municipios, estados e paises. No cenario nacional brasileiro a Estrada Real, rota que envolve os estados de Minas Gerais, Sao Paulo e Rio de Janeiro, e um caso de sucesso no turismo nacional, o Caminho de Santiago de Compostela e a rota mais conhecida do mundo envolvendo territorios da Espanha e Franca, a Rota 66 nos Estados Unidos e outro modelo e todas elas foram acoes de integracao de seus respectivos paises e que por meio de uma visao estrategica sao atualmente grandes destinos turisticos.

Com esta mesma visao surge a proposta de integracao turistica, cultural, social, ambiental e economica para a America do Sul rota "Pantanal-Pacifico", que tem por objetivo a criacao de vinculos entre o Pantanal brasileiro e o Oceano Pacifico que sao interligados por um eixo de aproximadamente 2.500 km tendo como eixo central os extremos entre as cidades de Cuiaba no centro oeste do Brasil, Arequipa no sul do Peru e Iquique no norte do Chile. No entanto, a area total do projeto envolve o tripe Pantanal, Machu Picchu e Atacama, abrangendo areas do Cerrado brasileiro tendo como ponto de partida o Centro Geodesico da America do Sul localizado na cidade de Cuiaba, capital do estado de Mato Grosso, a Bolivia, todo o sul do Peru, de Cusco ate Ica, onde se localizam as Linhas de Nasca, todo o Grande Norte do Chile e o Noroeste da Argentina, com as provincias de Catamarca, Tucuman Salta e Jujuy. Conforme quadro 1.

A proposta envolve o centro sul americano que segundo Melo (2002: 22) e entendido pela seguinte composicao,
   Se imaginarmos um circulo com um centro em Santa Cruz de la Sierra,
   na Bolivia, e um raio de 1.300 km, vamos circunscrever uma area
   superior a cinco milhoes de [km.sup.2], com uma populacao estimada
   em 40 milhoes de pessoas. Ai fica o chamado Centro-Oeste
   sulamericano, que envolve o Paraguai e a Bolivia; o norte da
   Argentina--onde estao situadas Salta, Jujuy e Tucuman; o norte do
   Chile, desde Antofagasta e Iquique ate Arica; o sul do Peru, em
   Arequipa, Tacna e Cuzco, algumas das mais importantes das sete
   provincias desta macro regiao sul-peruana; alem do Centro-Oeste e
   do Noroeste brasileiro, representados pelos estados de Mato Grosso,
   Mato Grosso do Sul, Goias, Rondonia, Acre e pelo Distrito Federal.


Esta porcao territorial compreende a parte mais diversificada do continente sul americano, e suas fronteiras sao compostas por atrativos de interesse mundial e com grande poder de atracao, e tais atrativos, sao em sua maioria reconhecidos como patrimonios naturais e culturais e[umlaut]Mou unidades de conservacao de seus respectivos paises. Observar quadro 2.

A fronteira entre o Brasil e a Bolivia e uma das mais ricas, pois e constituida por tres patrimonios da humanidade reconhecidos pela Unesco, como ja fora anteriormente mencionado. Nestas regioes as fronteiras se mesclam e ultrapassam as barreiras sociais e politicas, pois, constituem uma so paisagem e caracterizam e/ou potencializam um so destino turistico enriquecido pela diversidade cultural. Verificar quadro 3.

Outro exemplo de regioes homogeneas e o caso da fronteira Bolivia-Peru, entre La Paz e Puno que tem sues limites permeados pelas aguas do lago Titicaca que alem de constituir um dos mais importantes destinos turisticos do contente tem em suas margens bolivianas o sitio arqueologico de Tihuanaco e a historica cidade de Copacabana. Em territorio peruano a cidade de Puno e banhada pelas aguas do mistico lago que conduz ao conjunto das ilhas flutuantes do Uros, da mesma forma o sitio arqueologico de Sillustani compondo um grande complexo de atrativos que desconhecem as fronteiras que sao totalmente esquecidas por quem visita, exceto pela presenca do Estado que se encarrega de demarcar seu territorio. Veja o quadro 4.

Os limites entre Bolivia, Peru e Chile criam uma regiao de triplice fronteira, Tacna sul do Peru, Arica e Parinacota norte do Chile e La Paz no oeste boliviano. Regiao composta pela Cordilheira dos Andes, Cordilheira Ocidental, deserto do Atacama e deserto costeiro do Peru. E e nestas fronteiras, que o vulcao Tacora, que se localiza na provincia de Parinacota no extremo norte chileno, do alto de seus mais de 5.980 m, testemunha o desaparecimento dos limites criados pelo Estado o que se contempla e a continuidade.

Chile e a Bolivia apresentam uma area de fronteira extremamente rica e diversificada, onde os limites perdem forcas diante da grandiosidade dos elementos que as constituem. Nos limites entre a regiao de Arica e Parinacota e o departamento de Oruro encontramse localizados o cerro Parinacota na Cordilheira Ocidental do Andes, que e uma Serra com mais de 6.600 m de altitude. O Parque Nacional Lauca, um dos mais altos do mundo alcancando os 4.000 m de altitude, e formado por uma cadeia de vulcoes que fazem parte do Circulo do Fogo do Pacifico, que enriquecem a paisagem andina constituidas por comunidades tradicionais, vales e pequenos oasis.

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O vulcao Sajama e um dos pontos mais elevados da Bolivia e tambem se localiza proximo a regiao de fronteira com o Chile. E um grande atrativo turistico por ser considerado uma serra sagrada pelos povos indigenas Carangas. Forma parte da cadeia montanhosa de Carangas que esta integrada a Cordilheira Ocidental boliviana (Encarta 2006). E importante destacar que e entre os territorios orurenos e potosinos que se localiza o salar de Uyuni, que e uma das mais importantes reservas de salmoura (sal) do mundo, constituindo-se na principal base de desenvolvimento economico da regiao. No entanto, a sua beleza tem fascinado turistas de todas as partes do mundo, ja que Uyuni encanta por sua grandiosidade, 3.660 m de altitude e 9.000 [km.sup.2] de superficie com uma longitude aproximada de 140 km.

Antofagasta a terceira regiao do norte chileno constitui novamente fronteira entre tres paises, com Bolivia e Argentina. Nestas areas encontram-se localizados os atrativos que mais uma vez ignoram as limites fazendo das fronterias uma so paisagem, como e o caso do vulcao Lincancabur que pertence tanto ao Chile como a Bolivia, esta localizado proximo a cidade de Sao Pedro de Atacama, sua localizacao tambem e chamada de coracao do deserto.

Outro importante atrativo localiza-se nesta regiao, a Lagoa Verde, distante a 40 km de Sao Pedro de Atacama a 4700 m de altitude. O cerro de Tocorpuri e um conjunto de Picos montanhosos da Bolivia proximos a fronteira e de suas elevacoes se podem contemplar a beleza do salar de Atacama e a mina de cobre Chuquicamata, localizada na provincia de Calama, que e considerada a maior mina de cobre em ceu aberto do mundo.

Como esta e uma regiao de triplice fronteira Zapaleri que e um pico montanhoso de 5.653 m de altitude na Cordilheira dos Andes se encarrega de converger as fronteiras entre Bolivia, Chile e Argentina. Devido a sua localizacao geografica ele pertence aos tres paises, isto dependendo do lado em que se observa, uma vez que, em niveis gerais existe um consenso de considerar que o pico forma parte da regiao andina da Puna em suas tres expressoes: altiplano andino na Bolivia, puna de Atacama no Chile e a sub-regiao da puna na Argentina (Encarta 2006).

Argentina e Chile constituem uma das mais extensas fronteiras do continente, e dentro da area abrangida pela proposta da Rota Pantanal Pacifico, destaca-se como area de interacao as regioes de Antofagasta e Atacama no Chile e Catamarca e Salta na Argentina. Sendo suas fronteiras constituidas por areas de grande interesse turistico devido a presenca das colinas do Rincon, Aracar, Salin e Llullaillaco e dos vulcoes Socompa, Tres Cruces e Ojos del Salado. Destaque para o Paso San Francisco, caminho historico que interliga a provincia de Catamarca com a regiao do Atacama, rodeado por relevos isolados que alcancam altitudes de aproximadamente 6.000 m. Observe o quadro 5.

Argentina e Bolivia entre os departamentos de Potosi e Tarija e as provincias de Salta e Jujuy constituem areas de fronteiras irmas. As cidades de Villazon em Potosi e sua irma gemea, cidade La Quiaca em Jujuy localizadas em pleno altiplano andino unificam as fronteiras e permeiam seus limites.

Na fronteira entre Salta e Tarija localiza-se o Parque Nacional de Baritu, com area de 72.409 ha, preservando o setor de selva de montanha, com um clima bastante temperado para a regiao com medias de 25 [grado]C no inverno e 30 [grado]C no verao, mesmo estando localizado na zona oriental da Cordilheira dos Andes.

O parque chama atencao por suas subdivisoes ecologicas, chamadas de pavimentos ecologicos, sendo: pavimento de baixa montanha, onde se concentram arvores de grande porte; zonas umidas, a selva de montanha propriamente dita; pavimento de media montanha e o de alta. Esta regiao e tambem chamada de (nuboselvas) ou, selvas de nuvens, devido a presenca de um manto de nuvens que cobrem as ladeiras e vales durante a estacao chuvosa (Encarta 2006).

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A capital da provincia do Gran Chaco no departamento de Tarija localiza-se na fronteira com a Argentina, onde exerce uma relacao de estreita relacao com a cidade de Profesor Salvador Mazza na provincia de Salta e atua como centro comercial de distribuicao da producao de petroleo da regiao. Mais uma vez os elementos que constituem as fronteiras entre estes paises ultrapassam seus limites e constituem seus destinos conjuntamente, seja atraves de seus recursos naturais, culturais e economicos.

Em todas as regioes acima mencionadas o visitante experimenta a sensacao de conquista, de desbravamento e cada detalhe, cada ato, cada movimento e observado pelo olhar do turista, que consome a cultura e a paisagem perpetuando-as em registros permanentes atraves de fotos e filmes. Especialmente quando a regiao oferece lugares como os acima mencionados, remetendo-os a experiencias unicas, enriquecidas especialmente pela sensacao de transpor fronteiras carimbando o passaporte e selando de uma forma muito subjetiva uma experiencia pessoal de conquista como cidadao do mundo, numa aldeia global.

Consideracoes finais

E dificil desenvolver uma pesquisa sobre a relacao que a atividade turistica desenvolve com as areas da economia, com os setores sociais e com os espacos geograficos, sem incorporar uma visao, um tanto quanto ideologica, e porque nao dizer romantica e poetica. E assim como diz Haesbaert (2002: 146-147): "Sinonimo de emocao e ritmo, a poesia geralmente rompe com a linearidade e a funcionalidade promovidas pelo mundo moderno e capitalista, onde a "forma deve seguir a funcao", e difunde o ludico, o poder criador e a liberdade da imaginacao". No entanto, e preciso conseguir juntar ideologia e pragmatismo para a realizacao de trabalhos que envolvem a subjetividade e a objetividade.

Dentro do contexto da proposta analisada, pode-se dizer que de fato as fronteiras estudadas podem ser vistas como atrativos, produtos e servicos dentro do mercado turistico, pois, as mesmas constituem parte do processo natural e cultural de formacao dos mesmos, que por sua vez, constituem os destinos turisticos.

No entanto, vale ressaltar que a proposta de integracao rota "Pantanal--Pacifico" dependera eminentemente das acoes dos governos e das iniciativas privadas de cada pais envolvido, para a construcao de estrategias conjunta no sentido de oficializar a criacao de um eixo de integracao turistica no Continente, assim como, foram realizadas acoes de integracao economica, onde a criacao do Mercado Comum Sul Americano--Mercosul e o maior e melhor exemplo.

Os acordos bilaterais e os tratados de cooperacao representam um dos maiores avancos da diplomacia contemporanea, no entanto, ainda e necessaria a construcao de um processo que integre de fato o continente, que vincule e que aproxime as nacoes.

O processo de integracao economica desenvolvido ate entao, nao gerou de fato a inclusao de grande parte das comunidades regionais, pois, a economia meramente como atividade de producao e consumo, nao tem como objeto a integracao humana e neste sentido ela agrega somente os mercados que potencializam consumo e producao geralmente em grande escala. Ja o turismo e a cultura poderao promover o que falta na integracao economica, as questoes humanas, aliadas ao fortalecimento que a atividade promovera no contexto economico, pois, o turismo e tambem sinonimo de empreendedorismo, estrategias de desenvolvimento de infra-estrutura, servicos e comercio, ou seja, exerce a funcao de indutor e incentivador de capital e de geracao de divisas.

A pesquisa de estudo de viabilidade e os trabalhos de implantacao da Rota PantanalPacifico ate o momento comprovam que a proposta e de grande viabilidade em todos os seus aspectos, especialmente no que se refere as questoes sociais, culturais e economicas. Mas sao os aspectos geograficos que garantem todas as logisticas necessarias para se pensar numa rota com tamanha dimensao territorial.

A sua maior viabilidade se comprova devido a concentracao dos atrativos, numa escala geografica relativamente pequena. O que torna as fronteiras ainda mais atrativas e efetivamente em ferramentas de promocao de seus paises.

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(1) Pos Graduanda em Geografia pela Universidade Federal de Mato Grosso--UFMT, Presidente do IPP--Instituto Pantanal Pacifico sede Cuiaba MT--Brasil E-mail: <valltour@hotmail.com>.

(2) Biologa Especialista em Analise Ambiental e Planejamento Urbano - Estudante do 7 Semestre em Geografia--UNEMAT Rua Santa Catarina, 3295--Centro--CEP: 78.237-000--Curvelandia--Mato Grosso Brasil. E-mail: <cavernabezerra@hotmail.com>.

(3) Professor Adjunto da Universidade Federal do Mato Grosso UFMT--Cuiaba MT, lider do GEEPI--Grupo de Estudos Estrategicos e Planejamento Integrado (UFMT e CNPq e membro do DIGEAGEO--Diretrizes de Gestao Ambiental com uso de Geotecnologias (UFMS eCNPq) E-mail: <urbanus@terra.com.br>.
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Author:de Carvalho, Vanilde Alves; de Souza Bezerra, Fabiana; Netto, Luiz da Rosa Garcia
Publication:Espacio y Desarrollo
Article Type:Report
Date:Jan 1, 2007
Words:5743
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