Printer Friendly

Os Seis Poemas Galegos de Federico Garcia lorca e os canones das literaturas espanhola, galega e portuguesa.

Seis Poemas Galegos (SPG, Garcia Lorca 1935) e o livro editado na Galiza no seculo xx com mais edicoes, reimpressoes, traducoes, versoes para suportes audiovisuais e multimidia; o de maior atencao da critica literaria especializada internacional, e centro de lutas e polemicas. Numerosos artigos e livros os analisam, estudam e difundem, e ocuparam amplos espacos da comunicacao social. Poucas vezes um conjunto de 138 versos atingiu tanto interesse e continuada atualidade. Este artigo ocupa-se de Ernesto da Cal e Eduardo Blanco Amor, amigos de Lorca na decada de 1930, e principais testemunhas desse produto, apos os assassinatos do autor andaluz e do editor Anxel Casal, os dous em agosto de 1936. Eles influiram para situar os SPG nos campos literarios espanhol e galego; e Da Cal tambem no portugues, com resultado bem dispar.

1. A AMIZADE DE GARCIA LORCA, DA CAL E BLANCO AMOR E OS SPG

Ernesto Perez Guerra (ou Guerra: Ferrol, 1911-Lisboa, 1994; desde o exilio nos EUA, onde adquiriu nova nacionalidade, Ernesto Guerra da Cal) estudou na Universidade Central de Madrid. Noticias de imprensa referem-no (Gibson, 1987; Gomez, 2009) como ator no grupo teatral Anfistora, dirigido por Lorca e Pura Ucelay; e o diplomata chileno Carlos Morla Lynch (1957) testemunha o seu relacionamento com Lorca na casa madrilena de Pablo Neruda. Apos exilar-se, foi professor na Columbia University (onde se doutorou), New York University e City University of New York entre 1939 e 1977, alem de investigador de alargado reconhecimento, produtor literario, e colaborador na estacao de radio Voice of America. Nos campos Cientifico/dos Estudos Literarios e Literario ocupou-se de Lorca varias vezes. Porem, e apesar de lho terem demandado reiteradamente, o seu posicionamento sobre os SPG foi de silencio e prudencia ate a derradeira decada da vida.

Eduardo Blanco Amor (Ourense, 1897-Vigo, 1979) teve no jornalismo uma das principais dedicacoes profissionais. Participou tambem nos campos literario e teatral, e mais tangencialmente no do ensino. Foi-lhe apresentado Lorca por Da Cal, e e na atualidade referencia (Garcia Lorca 1988) para o estudo de Divan del Tamarit e Seis Poemas Galegos. Ele conseguiu que Lorca lhe entregasse os SPG, encontrou o editor, e redigiu o prologo. Ocupou-se de Lorca muitas vezes, sendo os SPG o centro das suas intervencoes, oferecendo versoes nao sempre coincidentes.

Os SPG podem estudar-se em tres periodos de 25 anos, que evidenciam o conhecimento sobre eles: 1935-1960, 1961-1985 e 1986-2010, ate a atualidade.

1.1. De 1935 a 1960

O livro teve recepcao na Galiza em 1935 e 1936 por elementos de diverso mas importante destaque no campo inteletual galeguista da altura, como Alvaro Cunqueiro (duas vezes), Anton Villar Ponte, Anxel Fole, Luis Manteiga, Roberto Blanco Torres, Augusto Maria Casas e trabalhos anonimos na imprensa. Valorizam que Lorca utilizasse o galego como grande ajuda para prestigiar o idioma autoctone, que ocupava espacos pouco significativos na comunicacao social, no ensino e no ambito institucional. Davam-lhe destaque, juntamente com o rei Afonso X, dentre as pessoas nao galegas que poetaram no idioma. Essas referencias implicavam no produto so tres nomes: Lorca, Casal e Blanco Amor.

As Obras Completas (Garcia Lorca, 1938) incluem os SPG, principiando a sua internacionalizacao. Tambem se publica (Garcia Lorca, 1941) a primeira traducao, para espanhol, a que seguirao outras em decadas posteriores, um processo que acompanha os de canonicidade de Garcia Lorca e de internacionalidade da sua producao.

O nome de Ernesto Da Cal (Perez Guerra) relaciona-se com os SPG em El Espanol, de Madrid, onde afirma o critico Carlos Martinez Barbeito (24 marco 1945):

Nunca crei que Lorca fuese capaz de escribirlos directamente en gallego, pues me consta que sus conocimientos de esta lengua eran muy rudimentarios. [...] sera preciso pensar que sus poemas sufrieron una reelaboracion, mas importante de lo que pudiera creerse, tal vez una verdadera traduccion--por cierto muy afortunada--por mano del prologuista del libro, Eduardo Blanco Amor o de Ernesto Perez Guerra, cuya intervencion me confeso, siendo el y yo estudiantes de Filosofia y Letras en la Universidad Central, el mismo ano de la publicacion.

Nesse ano, em recensao na Revista Hispanica Moderna afirma Da Cal (Janeiro/abril-1945: 62): "Tambien se han incluido los poemas que Lorca escribio en lengua gallega, presentados por una nota de E. Blanco Amor", mas sem outra referencia.

Perez Guerra surge de novo, atraves de Blanco Amor, no jornal La Hora de Chile: afirma que, das seis composicoes, quatro (Blanco Amor, 5 dezembro 1948):

se las dicto--algunas de ellas a mi vista--a su gran amigo Ernesto Perez Guerra. Estos originales, que tambien conservo, estan trazados sobre papeles que Federico iba cogiendo [...] Un dia de mayo de 1935 el poeta me entrego todo este material y me pidio que lo estudiase a fondo y que "si valia la pena" lo publicase en Galicia y que no volviese a hablarle del asunto, a ensenarle pruebas ni nada por el estilo ... Y asi fue. Rehice su ortografia --la de Perez Guerra era por aquel entonces muy vacilante--, encuadre esta o aquella palabra; les puse un prologo, que el me habia pedido [...]

Blanco Amor admite ter-se limitado a emendas ortograficas (num idioma nao unificado na Galiza) e modificacoes de alguma palavra para a "enquadrar". Este reconhecimento publico nao parece deixar lugar para a polemica, a se tomar de conta o seu papel de testemunha privilegiada. Mas, talvez por nao transcender suficientemente na altura este trabalho jornalistico, persistiram as duvidas sobre em quem e como se apoiou Lorca para escrever os seus SPG.

Blanco Amor enviou uma carta--hoje extraviada--para Da Cal, possivelmente na segunda metade de 1949, em que se insurgia contra a eliminacao do seu prologo nas Obras Completas. Para ele, aquele prologo era um ativo importante, por causa do interesse internacional por Lorca, para projetar-se como especialista, com o prestigio e ganhos que isso podia representar. Era um assunto de relevo para Blanco Amor, por nao ter uma posicao profissional tao segura como outros emigrantes e exilados. Em resposta aquela carta, a respeito dos SPG esclarece Da Cal (15 dezembro 1949):

mi intervencion fue servirle de diccionario viviente, y--si me es permitido el decirlo poetico y discriminativo. El me decia un verso en castellano e yo lo traducia libremente al gallego, buscando, como es natural las palabras que a el mas pudieran impresionarle por color, sonido, y evocacion magica. Si no le gustaba alguna--pura y simplemente en un juicio poetico, inmediato--yo le daba otras en opcion, y el, augustamente, elegia la que le salia de los cojones liricos. Este es el caso de todas--menos la que compuso en Galicia "Chove en Sant-Iago"--. Ahora, yo no se si despues el cambio palabras por otras que hallo en tu obra poetica. Eso dimelo tu y cuentame cual fue tu colaboracion. Yo escribia los primeros originales que el despues copiaba. Algunos los corregi yo luego. Por eso quizas en los que tu tienes hay cosas en mi letra.

Esta carta confirma a hipotese a respeito da colaboracao de Da Cal. Hipotese crivel, pois cabe pensar que Lorca nao tivesse conhecimentos suficientes de galego para a producao de poesia, e que Da Cal preenchesse as suas lacunas, que teriam sido bastantes. Contribui assim mesmo para minimizar a intervencao de Blanco Amor, quem nunca a citou. Sera encontrada e publicada so apos a sua morte, considerando-se central para o estudo dos SPG.

Na decada de 1950, no Dicionario de Literatura Portuguesa, Galega e Brasileira, Da Cal apresenta Lorca como (1956: 96) "o poeta espanhol contemporaneo de fama mais universal" e defende que os SPG "nao sao um jogo erudito, mas uma tentativa de interpretacao poetica da alma da Galiza; o poeta comeca por tentar penetrar nela pela via medular do idioma". Insiste assim em manter-se alheio a esse produto.

Porem, num monografico dedicado a Literatura Galega na revista Insula, Blanco Amor (julho/agosto 1959) refere-se de novo a sua intervencao nos SPG, e afirma:

creo que el incitador decisivo para que escribiese los poemas gallegos--al menos los cinco que me dio manuscritos--fue Ernesto Perez Guerra, igualmente gallego, su amigo mas intimo y personal en aquellos dias [...] sin la presencia e insistencia de Ernesto (el unico poema con dedicatoria, a el esta dirigido: "Cantiga do neno na tenga [sic]") estos no hubieran nacido.

Ernesto da Cal, pois, atribui a autoria a Lorca, sem aludir a sua intervencao. (1) E Blanco Amor quem o indigita, introduzindo outros elementos respeitantes a autoria, sem difundir os originais que reconhecia possuir e nos quais, segundo assinala, constava uma dedicatoria para Da Cal, sem esclarecer por que a tinha banido na edicao dos SPG. Aviva, talvez interessadamente, as duvidas sobre o produto lorquiano.

1.2. De 1961 a 1985

Na decada de 1960 acrescenta-se o interesse na Galiza, onde os SPG se usam como um elemento mais para ultrapassar a repressao desde o Campo do Poder Politico da ditadura e prestigiar o idioma. Ramon Pineiro e Fernandez del Riego, agentes do grupo nucleado em redor da editora Galaxia, central na altura, pessoalmente e atraves de reiteradas cartas (Gomez 2009), convidam Ernesto da Cal para escrever sobre o produto, sem sucesso. Em 1963 editam a Historia Literatura Galega, onde se coloca os SPG como modelo, ao defender (Carballo Calero 1963: 9): "Tecnicamente, e o idioma empregado o que caracteriza as distintas literaturas [...] Os Seis Poemas Galegos, de Federico Garcia Lorca, son literatura galega. La Colmena, de Camilo Jose Cela, e literatura castela. [...] Entendo por literatura galega a literatura en galego". Este criterio de Carballo Calero vingara, e os SPG serao emblema da literatura galega produzida no seculo xx por autores nao galegos.

Em 1974, Galaxia difunde em Grial o artigo de Martinez Barbeito (1945). Nessa revista publicam uma "cronologia galega" de Garcia Lorca, em que demandam mais atencao para (Franco Grande/ Landeira Yrago, julho/setembro-1974: 281) "un Federico Garcia Lorca siempre en Galicia [identificacao por alusao, com o lider nacionalista Daniel Castelao, morto no exilio, cujo livro Sempre en Galiza era clandestino na Galiza], e aludem a Da Cal. Esse ano Alonso Montero publica uma edicao dos SPG, em que julga o produto como "o homenaxe mais alto e, cecais, o mais eficaz" para a "nosa marxinada Fala", e defende que "Lorca, no esencial, poetizou em galego". Refere (Alonso Montero, 1974: 7-8) a participacao de Blanco-Amor, mas nao de Da Cal.

Maria Teresa Babin, da Universidade de Porto Rico, defende a "emocion" de Lorca atraves da experiencia direta e as leituras galegas e (Babin 1974) "ademas del estimulo que recibe de sus amigos gallegos, finos poetas como Ernesto, cuyo entusiasmo impulsa a Federico para la aventura linguistica que culmina en 1935 al aparecer la primera edicion de los poemas". Essa referencia a "Ernesto" indicava talvez que Da Cal lhe falara da sua participacao, em Nova Iorque ou em Porto Rico, onde tinham coincidido por interesses profissionais comuns.

Entre os contributos de Blanco Amor neste periodo vale a pena ressaltar um artigo no jornal espanhol El Pais, no ano anterior ao da sua morte. E apresentado como especialista em Lorca, e afirma (BlancoAmor, 1 outubro 1978):

Ernesto [Da Cal es] [...] uno de los que podrian contarnos mas cosas de Federico, por dentro y por fuera, pero no quiere. Y entre ellas, el origen de los Seis Poemas, en lengua gallega, de singular importancia en su lirica moderna, cuya publicacion me encomendo y cuyos originales conservo salvados de tanta trashumancia. [...]

No artigo fornece dados biograficos e profissionais de Da Cal, alguns errados, embora o apresente como figura importante do exilio e ofereca dele visoes positivas.

Na revista madrilena Triunfo, Alonso Montero (12 abril 1980: 42) destaca o relevo dos SPG: "El gallego, como idioma literario, llego por primera vez a no pocos lugares del mundo culto en la voz de Lorca". Questiona se os escreveu Lorca e afirma que a primeira palavra correspondia a Blanco-Amor, morto em dezembro de 1979; e acrescenta: "Aunque aparezcan los manuscritos, hasta hace meses en poder de Blanco-Amor, los investigadores necesitan una pormenorizada declaracion de Guerra da Cal. Si no aparecen, su declaracion seria aun mas valiosa", julgando Da Cal de "pieza clave en este proceso textual". (2) Contribui assim a gerar uma polemica, em parte artificial, sobre a autoria, pois, a valorizarem-se os contributos assinalados supra, parece coerente concluir que quem interviera de alguma maneira na composicao das poesias tinha sido Da Cal, com so emendas e modificacoes posteriores de Blanco Amor.

Meses depois este pesquisador refere um encontro com Francisco Lamas, um dos organizadores de uma visita de Garcia Lorca a Lugo em 1932, quem conservava um autografo do primeiro dos SPG, que reproduz. Segundo Lamas, aquele poema (Alonso Montero, 9 janeiro 1981: 22) "foi escrito 'en menos de media hora', un dia de novembro de 1932". Este relato sera utilizado em diferentes ocasioes por Alonso Montero. Da Cal oferecera (Gibson, 1987, Gomez, 2009) uma versao diferente.

Esse ano, na terceira edicao da Historia da Literatura Galega Contemporanea 1808-1936, Carballo Calero (1981: 728-30) estuda os SPG e sublinha a participacao de Da Cal. E uma Antologia da poesia galega editada por Galaxia inclui os seis poemas lorquianos e insiste em defender a autoria de Lorca em lingua galega, citando (Del Riego 1980: 511) o prologuista, Blanco Amor, sem qualquer referencia a Da Cal.

Em nova edicao da producao lorquiana, Mario Hernandez (Garcia Lorca 1981: 86-87) inclui a dedicatoria "A Ernesto Perez Guerra" da "Cantiga do neno da tenda". Refere uma carta de Jose Maria Alvarez Blazquez, de 7 de janeiro 1981, segundo a qual (Garcia Lorca 1981: 46) "Federico conocia bastante bien el gallego [...]. Que Blanco-Amor haya pulido algunos de sus poemas parece fuera de toda duda. Lo que ya no me parece facilmente demostrable es que Lorca haya traducido sus poemas de originales en castellano". Acrescenta Hernandez (47) que Margarita Ucelay, primeira esposa de Da Cal, lhe confirmou a ajuda deste, de "asesoramiento y discusion de variantes".

As disparidades entre os especialistas a respeito da autoria mudarao ao encontrarem-se os autografos de cinco dos SPG no espolio de Blanco Amor, que comprou a Deputacao Provincial de Ourense (Espino Domarco, 22 marco 1985). Apos se conhecerem (Landeira Yrago, 6 junho 1985) surgira forte polemica no campo cultural galeguista, de que seriam os principais contendores Alonso Montero (sobretudo 6 novembro e 4 dezembro 1985) e Franco Grande (em especial 8 de novembro, 2 de dezembro, e 28 de dezembro 1985; ver detalhes da polemica em Gomez, 2009: 543). Alonso Montero denuncia contradicoes e imprecisoes de Da Cal e questiona a sua participacao no poema publicado em 1932. Franco Grande defende Da Cal e tenta provar que o conhecimento do galego nao lhe permitia a Lorca ter redigido os SPG.

Em Dezembro Da Cal publica em Portugal Antologia Poetica. Cancioneiro Rosaliano, com as primeiras revelacoes sobre os SPG. Diz terem sido (Da Cal 1985: 193-199) "resultado duma colaboracao linguistico-literaria entre Lorca--nessa altura ja no apogeu dum renome de ambito internacional--e quem isto escreve, entao estudante e inedito aprendiz de poeta". Afirma que Lorca conhecia pouco o idioma da Galiza, e era "precario" o seu contato com a literatura galega. Assume serem quatro dos cinco autografos completos, e duas estrofes do outro, "do meu punho e letra", e o resto deste ultimo "da mao de Federico", isto por ter ele proprio sufrido um acidente, que lhe impediu concluir essa composicao. Os autografos ficaram na posse de Blanco Amor, cuja conduta reprova, mas ve (Da Cal 1985:194) "explicavel, visto repetidamente ter-se atribuido uma participacao implicita que nunca neles teve". Critica que deturpasse os originais, e coloca como prova o intitulado "Velha cantiga". Afirma que apos a descoberta e publicacao dos autografos "a natural reserva por mim ate hoje guardada neste assunto ja nao se justifique". Indica ser esta nota um lugar nao apropriado e avanca que "essa e coisa que fica para ser feita, como e devido, num futuro proximo". Inclui a seguir o texto de "Velha cantiga", acompanhado do autografo e adaptado para a norma do portugues de Portugal, como fez com o resto dos poetas galegos, mas neste caso com valor diferente, ao reivindicar ele a elaboracao direta nesse texto e amparar-se no autografo. Esta versao pode considerar-se definitiva do poema e uma tentativa de introduzir os SPG no Campo Literario Portugues.

Responde assim as interpelacoes de tantos anos e reivindica a sua centralidade a respeito desse produto lorquiano. Os autografos, e a evidencia da sua letra--confirmada por um caligrafo (Landeira Yrago 1986)--, alem do seu testemunho, serao elementos principais para mudar o discurso a respeito dos SPG.

1.3. De 1986 a 2010

Prova dessa mudanca e um artigo de Mendez Ferrin (11 de maio 1987: 2), quem frisa a respeito dos SPG: "Non haberia iso se non houbera Guerra da Cal. Se cadra, algun dia levaremos a imprenta unha nova edicion que rece asi, en portada: 'Garcia Lorca/ Guerra da Cal, 'Seis Poemas Galegos'. E non pasa nada". A intervencao de Da Cal consolida-se e impoe-se. (3) A autoridade legitimadora de Ferrin, nome central ja na altura nos campos Literario e Cientifico/dos Estudos Literarios da Galiza, colaborava para coloca-lo num lugar referencial a respeito deste produto.

Na segunda parte da biografia de Garcia Lorca realizada por Ian Gibson, Da Cal esclarece que foram os seis poemas compostos com a sua intervencao. O primeiro (Garcia Lorca, dezembro 1932) escreveu-se apos uma viagem de Lorca a Galiza, em Maio de 1932 (Gibson 1987: 180-182):

Y es entonces--o poco tiempo despues--cuando nace la idea de componer, entre los dos, un poema, no ya en castellano sino en gallego. [...] parece claro que la intensa amistad que sentia Lorca por el joven gallego fue una de las principales circunstancias--y tal vez la mas importante--que provoco la necesidad de componer un poema en aquel idioma. Como homenaje a un pais y a una tradicion poetica que admiraba antes de conocer al muchacho, indudablemente. Pero tambien como homenaje a una amistad. [...]

Compuesto el poema, Federico lo aprendera de memoria. Y cuando aquel otono vuelva a Galicia, esta vez con La Barraca, no solo lo recitara ante la admiracion de varias personas sino que lo entregara para ser publicado.

De acuerdo con Guerra da Cal, el "Madrigal a la ciudad de Santiago" fue el unico ensayo poetico en gallego acometido por Lorca entonces. Hasta 1934, despues de que el poeta volviera de su estancia argentina, no se reanudara aquella colaboracion. Alude ao papel (Gibson 1987: 359) de Eduardo Blanco-Amor para favorecer a edicao. Relata-se com pormenor a versao de Da Cal, que contribui para reforcar a sua centralidade neste produto.

Em 1988, na edicao critica dos SPG, Andrew Anderson difunde (Garcia Lorca 1988: 112-41 e 257-82) a participacao de Da Cal na genese desse produto. Dedica amplo espaco a polemica da autoria, e a nova situacao propiciada ao encontrar os autografos. Ampara-se na carta de 1949 de Da Cal para Blanco Amor, no depoimento de Margarita Ucelay, e numa carta que Franco Grande lhe tinha encaminhado a ele sobre o assunto em 23 de abril 1986.

Da Cal encontra-se assim indigitado no centro dos estudos sobre esses textos e impoe-se progressivamente um discurso que assume e privilegia a sua participacao.

Em 1993, numa atividade da Associacom Galega da Lingua em Santiago, com ensejo de ter-se dedicado o Dia das Letras Galegas a Blanco Amor, Maria do Carmo Henriquez informa (Gomez 1993) que Da Cal tinha preparado um livro a respeito dos SPG, que se conheceria apos a sua morte.

Ernesto da Cal morre em Lisboa em Julho de 1994, sem novos contributos publicos a respeito dos SPG. Por sua vez, os especialistas no produtor andaluz insistem em reconhecer a sua participacao como decisiva. Em nova edicao das Obras Completas (Garcia Lorca 1996) ao tratar os SPG afirma Miguel Garcia Posada (958-60):

Hay que hacer justicia a un nombre: Ernesto da Cal. Estudiante y amigo de Lorca, intervino de manera decisiva. Del cotejo de esos mss. con la edicion principe se infiere que Blanco-Amor no se limito a ser un simple editor, sino que enmendo y arreglo el texto bastante mas de lo que hubiera sido deseable. No esta claro tampoco que Lorca estuviese conforme con su actuacion.

Em 19 de novembro de 1997, a Real Academia Galega estudou a proposta de dedicar a Lorca o Dia das Letras Galegas de 1998, com ensejo da efemeride do centenario do seu nascimento. Segundo Alonso Montero (1998: 7), estaria justificado por ter sido "autor 'literario' dos Seis Poemas Galegos (1935)" e a proposta "acolleu algunhas importantes adhesions", mas nao prosperou. Em 1998 merece destaque um congresso internacional organizado na Universidade de Santiago de Compostela (Alonso Montero e Villar: 1998) sobre os SPG. A participacao de Da Cal continua a difundir-se esse ano, como numa entrevista com Ian Gibson, significativamente intitulada, com destaque (Somovilla, 15 janeiro 1998), "Sin Guerra da Cal no existirian los poemas gallegos". Essa tese sera tambem assumida por Alonso Montero (2006) num volume de homenagem a Anxel Fole, Lorca e os SPG.

Mais recentemente, Gomez (2009) reproduz fac-similarmente o rascunho do trabalho sobre o "Madrigal" redigido por Da Cal para o seu livro, inedito, sobre os SPG. Esse texto esclarece que Lorca decidiu compor poemas de agradecimento em homenagem a Galiza para reconhecer as atencoes recebidas com ensejo da viagem que realizou na primavera de 1932, de que tinha regressado muito feliz. Por volta de Junho de 1932, foi Da Cal quem lhe recomendou que fizesse as composicoes (tinha pensado inicialmente duas) em galego, oferecendo-se ele como tradutor, ideia bem acolhida por Lorca. Assim, segundo escreve Da Cal (Gomez, 2009. Vol. II, 27):

Ele, 'homo ludicus', achou divertidissimo, quando eu lhe propus que dissesse que os tinha feito ele directamente. Concordou e pusemo-nos de acordo, para por maos a obra do primeiro, o "Madrigal", dai a poucos dias, na sua casa. Assim o fizemos e foi um caso de traducao simultanea, talvez unico na historia da poesia. [...]

O dia que se juntaram para elaborar o primeiro poema, Lorca interpretou no seu piano cancoes galegas do repertorio do musicologo Pedrell, e acrescenta Da Cal:

[...] comecou a recitar os primeiros versos do "Madrigal", toda a primeira estrofe sem hesitacao. Estava o poema ja escrito? Sabia-o ja de cor? Nao sei. Nunca soube. Entao eu incitei-o ao por em galego--e traduzi oralmente os dois primeiros versos--coisa facilima. Ficou radiante. Eu tirei de caneta e apanhei um bloco que havia sobre a mesa e pusemos maos a obra. Acabado o poema, no mesmo bloco eu passei o rascunho para limpo. Falamos mais. Eu fui-me embora, e nao soube mais--ate a sua volta da nova viagem desse outono a Galiza. Foi, se bem me lembro em Dezembro. Eu ja tinha visto o "Madrigal" em Resol e em El Sol. Federico vinha radiante. Tinham acreditado que ele possuia o galego como lingua lirica e ria, ria, ria. Adorava essas simulacoes. (4) Eu lembro-me de ter destruido o rascunho inicial depois de o copiar. Do que aconteceu com esse primeiro apografo meu nao faco ideia.

A respeito do autografo de Lorca (Alonso Montero, 9 janeiro 1981, citado supra), afirma que "apresenta uma riscadura e uma omissao" e: "Eu nao sei onde ou quando Lorca fez o seu apografo. Do que posso dar fe e de que ele o transcreveu--com essas duas maculas--do autografo meu da versao oral final a que nesse dia se chegou". Novos trabalhos, edicoes, versoes, e outros produtos atualizam o singular poemario lorquiano, embora ja nao se coloque em questao a participacao de Da Cal.

Em maio de 2011, o IES Rosalia de Castro, de Santiago de Compostela, centro de ensino secundario que ocupa o edificio em que Lorca proferiu a conferencia na cidade em 1932, organizou uma exposicao e colocou uma placa na fachada, que ajudaram para popularizar esse produto (Rueda 2012). Em maio de 2012 este centro organizou nova exposicao, para lembrar os 80 anos da presenca de Lorca, enfatizar que foi o alicerce dos SPG, e homenagear o centenario de Da Cal.

Outras iniciativas somaram-se na Galiza (Gomez, 11 agosto 2011), projetadas por outras pessoas e instituicoes, para assinalar a efemeride do 75 aniversario dos SPG e o centenario do nascimento de Da Cal, coincidentes em dezembro de 2011. Entre elas, o Consello da Cultura Galega reeditou um livro (Perez Rodriguez, 2011) sobre a genese dessas composicoes lorquianas, ou um concerto no Conservatorio Profesional de Musica de Santiago de Compostela, em 7 de maio de 2012, em que se inclui uma versao da "Cantiga do neno da tenda", do compositor galego Xoan Rubia, e por vez primeira se recolhe esse poema como de dupla autoria Lorca/ Da Cal.

2. SINTESE CONCLUSIVA

Os Seis Poemas Galegos de Federico Garcia Lorca provam o alto capital simbolico que atingem produtos literarios para um sistema e, tambem e eventualmente, para a comunidade de que faz parte. Com efeito, que um escritor reconhecido, central, do canone do intersistema de lingua espanhola e, ainda, do europeu e ocidental do seculo--incluido em listagens de livros e autores de alargada referencia (http:// en. wikipedia.org/wiki/Western_canon; cfr. os cem livros do seculo xx segundo Le Monde, http://en. wikipedia.org/wiki/Le_Monde% 27s_ 100_ Books_of_the_Century) ou por autores de forte influencia no campo, como Harold Bloom (1994)--possa ser invocado como proprio ou propriedade de um outro sistema confere a este um valor de legitimacao grande, sobretudo se, como e o caso, esse sistema, o galeguista, conhece uma precariedade importante em varios dos seus macro-fatores e os seus agentes estao empenhados na sua normalizacao no proprio espaco social, em rivalidade com o funcionamento e aceitacao, social tambem, de um outro sistema, mais legitimado e poderoso, o espanhol. Isso explica a atencao sistemica por esses seis breves textos, sendo Lorca proposto por membros da Real Academia Galega para o Dia das Letras Galegas (celebracao popular na Galiza, que mobiliza instituicoes, meios de comunicacao, editoras e, sobretudo, o mundo escolar de maneira importante ao longo do ano, sobretudo em volta do dia 17 de Maio, feriado oficial muitas vezes, num funcionamento de popularizacao e legitimacao importante, ver Samartim 2003).

Lorca conferia elementos fortes do ponto de vista legitimador: a modernidade, a vanguarda e a posicao politica (progressista, de esquerda), ainda acrescentada depois do seu assassinato, um ano depois da publicacao, precisamente por razoes culturais e politicas, que o converteria em simbolo internacional de barbarie, como tem assinalado Gibson (1987); a legitimidade aumentava ao proceder Lorca do sistema espanhol, que funcionava como principal referente de oposicao para o galeguismo mas que, ao mesmo tempo, funcionava igualmente como principal referente de adscricao para parte da sociedade galega, por maior identificacao e/ou prestigio frente a literatura galega e, sobretudo, ao seu veiculo linguistico, ausente no espaco institucional (ate a sua recuperacao incipiente na decada de oitenta do seculo xx). Possuir esses textos (e, por sinedoque, a Lorca) e, pois, possuir um bem precioso. Note-se que muitos dos trabalhos referidos param mais na indole do processo autoral ou no proprio facto extraordinario de Lorca escrever em galego que na atencao concreta ao repertorio dos mesmos.

As controversias a respeito da autoria e do processo de composicao dos mesmos implicaram produtores de varios paises e acrescentou a atencao e a intervencao sobre a singularidade dos SPG, unico produto de Lorca em lingua diferente do espanhol.

A relativa importancia dos SPG para cada sistema fica refletida na posicao ocupada em cada um deles. No canone da Literatura Espanhola, em que Federico Garcia Lorca e produtor central do seculo xx, os Seis Poemas Galegos encontram-se citados como produto secundario. No canone da Literatura Galega tem constatado relevo, sendo os SPG exemplo central de producao literaria galega no seculo xx por um autor nao galego. No canone da Literatura Portuguesa nao merecem qualquer citacao, e passou despercebida a revelacao de Da Cal (1985), prova do nao reconhecimento geral no intersistema de lingua portuguesa do galego como parte efetiva dele.

A legitimacao a que aludimos nao funciona apenas para o sistema no seu conjunto. Os agentes que se vinculam de alguma maneira ao produtor e ao produto em foco, nutrem-se dessa legitimidade e a controversia, mais ou menos explicita e a varios niveis que se produz, pode ser tambem uma luta de posicoes e legitimidades.

Na atualidade, parece existir consenso a respeito de quatro nomes implicados nesse afortunado produto literario: Federico Garcia Lorca, pois sem a sua vontade favoravel nunca seriam realidade; Ernesto da Cal, por ter incitado e ajudado decisivamente para que se redigissem na lingua da Galiza; Eduardo Blanco Amor, por conseguir que Lorca lhe entregasse os textos e arranjar a edicao (alem de redigir o prologo), e Anxel Casal por publica-los na sua editora, Nos. Blanco Amor, figura central do canone literario galego e Guerra da Cal, figura secundarizada nesse mesmo campo mas de importante centralidade no dos estudos literarios de lingua portuguesa, sao objeto de uma disputa ainda nao definitivamente encerrada para a qual, como ficou exposto, eles contribuiram. Quica, a edicao do estudo inedito de Da Cal sobre este produto, projeto em que se trabalha (Gomez, 11 agosto 2011), venha mudar algumas cousas em algum desses sistemas e em alguma das atuais percecoes.

UNIVERSIDADE DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

BIBLIOGRAFIA CITADA

Alonso Montero, xesus. "Los poemas gallegos de Garcia Lorca y una incognita". Triunfo 898, 12 abril de 1980: 492.

--. "Garcia Lorca, Federico". Gran Enciclopedia Gallega. Gijon, Silverio Canada, Vol. xV, 1980. 183-190.

--. "A eira das palabras. Encontro, en Madrid, con Garcia Lorca e Francisco Lamas". Faro de Vigo, 9 janeiro de 1981: 22-3.

--. "Sobre os 'autores' dos 'Seis poemas galegos' de Federico Garcia Lorca" e "Guerra da Cal e Lorca". Faro de Vigo, 6 e 14 novembro de 1985: 45 e 58.

--. Homenaxe os tres poetas medievais da Ria de Vigo, Martin Codax, Mendino, Johan de Cangas. A Corunha: Real Academia Galega, 1998.

--. Anxel Fole, Lorca e os Seis Poemas Galegos. Lugo: Concello de Lugo, 2006.

Alonso Montero, xesus e Villar, Miro eds. Textos e documentos para o congreso sobre Garcia Lorca en Galicia, Garcia Lorca, poeta en lingua galega. Santiago de Compostela: Direccion xeral de Politica Linguistica-USC, 1998.

Babin, Maria Teresa. "La Poesia Gallega de Garcia Lorca". San Juan de Puerto Rico, Sin Nombre 5. 2 (1974): 21-42.

Blanco Amor, Eduardo. "Sobre los poemas gallegos de Garcia Lorca". La Hora de Chile, 5 dezembro 1948.

--. "Los poemas gallegos de Federico Garcia Lorca". Insula 152-153 (julho/agosto 1959): 9.

--. "Federico, otra vez, la misma vez". El Pais (suplemento "Arte y Pensamiento"), 1 outubro 1978: I, VI e VII.

Bloom, Harold, The Western Canon. The Books and School of the Ages. Nova Iorque: Harcourt Brace, 1994.

Carballo Calero, Ricardo. Historia da Literatura Galega Contemporanea. Vigo, Galaxia (1a e 3a eds.), 1963, 1981.

Da Cal, Ernesto Guerra. "Presenca de Garcia Lorca. Florilegio. Sao Paulo, Letras Editora Continental Ltda". Revista Hispanica Moderna xi.1-2: 62.

--. "Carta a Blanco Amor". Ourense: Biblioteca da Deputacao, 15 dezembro 1949.

--. "Bilinguismo na Literatura Galega (Escritores nao galegos que escreveram em galego)". In Coelho, Jacinto do Prado (dir.). Dicionario das Literaturas Portuguesa, Galega e Brasileira. Porto: Figueirinhas, 1956. 95-6.

--. Antologia Poetica. Cancioneiro Rosaliano. Lisboa: Guimaraes, 1985.

--. Os Seis Poemas Galegos de Federico Garcia Lorca. Inedito (in Gomez: 2009, vol. II: 27).

Espino Domarco, F. J., "'Seis Poemas Gallegos' de Lorca, en la biblioteca de la Diputacion". La Region, 22 marco 1985: 19?

Fernandez del Riego, Francisco. Antoloxia da Poesia Galega. Do Posmodernismo aos Novos. Vigo: Galaxia, 1980.

Franco Grande, Jose Luis. "O galego de Garcia Lorca-Guerra da Cal", "Primeira revelacion de Guerra da Cal" e "O 'galego' de Garcia Lorca". Faro de Vigo: 52, 1 e 40, e 44; 8 novembro, 2 e 28 de dezembro, 1985.

Franco Grande, Jose Luis e Landeira Yrago, Jose. "Cronologia gallega de Federico Garcia Lorca y datos sincronicos". Grial 45 (julho/setembro 1974).

Garcia Lorca, Federico. "Madrigal a la ciudad de Santiago". Yunque (Lugo) e Resol. Santiago de Compostela, dezembro 1932.

--. Seis Poemas Galegos. Ed. E. Blanco Amor. Santiago de Compostela: Nos, 1935.

--. Obra Completa. Ed. Guillermo de Torres. Buenos Aires: Losada, 1938.

--. Poemas Gallegos. Trad. e ed. Alberto Muzzio. Buenos Aires: Inter Nos, 1941.

--. Florilegio. Ed. Pascual Nunez Arca. Sao Paulo: Continental Editora, 1944.

--. Seis Poemas Galegos. Ed. De xesus Alonso Montero. Madrid: Akal, 1974.

--. Primeras Canciones, Seis Poemas Galegos, Poemas Sueltos, Canciones Populares. Ed. Mario Hernandez. Madrid: Alianza Editorial, 1981.

--. Divan del Tamarit. Seis Poemas Galegos. Llanto por Ignacio Sanchez Mejias. Ed. critica de Andrew Anderson. Madrid: Espasa Calpe, 1988.

--. Obras Completas I. Poesia. Ed. Miguel Garcia Posada. Barcelona: Galaxia Gutemberg-Circulo de Lectores, 1996.

Gibson, Ian. Federico Garcia Lorca. Vol. II: De Nueva York a Fuente Grande (1929-1936). Madrid: Grijalbo, 1987.

Gomez, Joel R., "Guerra da Cal, Lorca". La Voz de Galicia, 7 dezembro 1993.

--. A trajectoria de Ernesto Guerra da Cal nos campos cientifico e literario. Tese de Doutoramento inedita. Santiago de Compostela: Universidade de Santiago de Compostela (ed. disponivel em http://hdl.handle.net/10347/2595), 2009.

--. "El Lorca gallego crece y seduce". La Voz de Galicia, Culturas, 11 agosto 2011.

Landeira Yrago, Jose. "Los Poemas Gallegos, al margen de Federico Garcia Lorca". La Voz de Galicia (Cuaderno de Cultura), 6 junho 1985: 1.

--. Viaje al sueno del agua. El misterio de los poemas gallegos de Garcia Lorca. Corunha: Ed. do Castro, 1986.

Lopez-Iglesias Samartim, Roberto. "O Dia das Letras Galegas no sistema literario galego: o caminho para o reconhecimento da autoridade da Academia". Forum (Universidade do Minho) 33 (2003): 59-69.

Martinez-Barbeito, Carlos. "Garcia Lorca, poeta gallego". El Espanol, 24 marco 1945; reproduzido in Grial 43 (janeiro/marco 1974): 90-8.

Mendez Ferrin, xose Luis. "O perfume escusado de Anfistora". Faro del Lunes, 13 outubro 1986: 2.

--. "Outra vez Garcia Lorca". Faro del Lunes, 11 maio 1987: 2. Morla Lynch. En Espana con Federico Garcia Lorca (paginas de un diario intimo 1928-1936). Madrid: Aguilar, 1957.

Perez Rodriguez, Luis. O Portico dos Seis Poemas Galegos de F. Garcia Lorca, 3a. ed. Santiago de Compostela: Consello da Cultura Galega, 2011.

Rueda, Ubaldo. "2011: Lorca, San Clemente, Compostela e os Seis Poemas Galegos". O Instituto Rosalia de Castro e o Colexio San Clemente. Santiago de Compostela: xunta de Galicia-Concello de Santiago, 2012. 199-203.

Somovilla, Miguel. "Entrevista a Ian Gibson". La Voz de Galicia, 15 janeiro 1988: 74.

(1) O seu crescente prestigio internacional como pesquisador, o tratamento com a familia Garcia Lorca (exilada, como ele, em Nova Iorque) e com hispanistas dos EUA e de outros paises, e o nao poder amparar-se nos autografos sao porventura causas desta atitude, que mudara em 1985).

(2) Estes paragrafos encontram-se no verbete sobre Lorca que Alonso Montero realizou para a Gran Enciclopedia Gallega, publicado nesse ano. Lorca e dos produtores literarios a que se dedica maior espaco nesse repositorio. Salienta que (Alonso Montero, 1980: 187) "talvez se supere el centenar [de ediciones de SPG] si tenemos en cuenta su inclusion en obras completas, antologias, miscelaneas, etc. [...] Docenas de veces aparecio este poemario en boletines y revistas de la Galicia emigrante en los anos en que no era facil publicarlos en la Galicia interior", e frisa as suas traducoes.

(3) Em trabalho anterior mesmo tinha questionado (Mendez Ferrin, 13 outubro 1986) uma versao de Blanco Amor, e acrescentava: "Digan o que queiran, parece que non hai dubida ningunha de que Guerra da Cal e Lorca estiveron unidos por unha boa amizade e de que o profesor galego e principal responsable dos sete [sic] poemas do granadino aparecidos no noso idioma [...]".

(4) Aqui introduz Da Cal a seguinte nota de rodape: "Nessa mesma viagem tinha feito um semelhante simulacro de 'improviso' em Pontevedra, onde pretendeu 'repentizar' numa mesa do Cafe Moderno um soneto em castelhano, que com leves variantes tinha sido publicado dois anos antes em Havana--cujo original tinha ficado na posse do ensaista cubano Juan Marianello. Vid. Jose Luis Franco Grande e Jose Landeira Yrago, 'Cronologia gallega de Federico Garcia Lorca y datos sincronicos', Grial, Revista Galega de Cultura, Vigo, 1974, no. 45, Xulio[sic]-Agosto-Setembro. Separata: A. G. Galicia, S. A., Vigo, 1974, 29 pags. (pag. 22)". Assinala igualmente Da Cal que Lorca mencionou um segundo poema, tambem de tema compostelano, mas que ainda nao estava pronto, e que seria "Danza da lua en Santiago".
COPYRIGHT 2013 University of North Carolina at Chapel Hill, Department of Romance Languages
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2013 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Author:Feijo, Elias J. Torres; Gomez, Joel R.
Publication:Romance Notes
Date:May 1, 2013
Words:6003
Previous Article:Do medo a emocao em O Bazar Alemao de Helena Marques.
Next Article:The divided mind: new perspectives on colonial representations in Isabela Figueiredo's Caderno de Memorias Coloniais.

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2020 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters