Printer Friendly

Older adults with intellectual disabilities: sociodemographic characteristics, clinical conditions and functional dependence/Idosos com deficiencia intelectual: caracteristicas sociodemograficas, condicoes clinicas e dependencia functional/ Ancianos con discapacidad intelectual: caracteristicas sociodemograficas, condiciones clinicas y dependencia funcional.

INTRODUCAO

O envelhecimento demografico e uma realidade mundial que atinge tambem pessoas com deficiencia. No Brasil, 23,9% da populacao tem algum tipo de deficiencia, o que representa cerca de 45,6 milhoes de pessoas. Quanto ao tipo de deficiencia, a visual atinge 35.774.392 pessoas, a auditiva--9.717.318 pessoas, a motora--13.265.99 e 2.611.536 sao portadores de deficiencia intelectual/mental (1).

Sao consideradas pessoas com deficiencia intelectual as que apresentam um funcionamento intelectual inferior a media da populacao geral e com limitacoes no funcionamento adaptativo em pelo menos duas habilidades instrumentais: autocuidado, comunicacao, sociabilidade, uso de recursos comunitarios, vida academica, profissional, saude, seguranca e lazer (2).

Se o envelhecimento em condicoes de independencia fisica e social ja e um desafio, o envelhecimento com deficiencia torna-se um processo ainda mais complexo (3).

Assim, o cuidado adequado ao deficiente intelectual que esta envelhecendo configura-se como um debate importante a ser instigado entre profissionais de saude. Nesse sentido, salienta-se que apesar do crescimento no numero de trabalhos cientificos sobre envelhecimento, nas ultimas decadas, ainda sao escassos os estudos publicados sobre o processo de envelhecimento entre idosos com deficiencia. Portanto, ha uma carencia de informacoes a respeito das condicoes de saude do deficiente intelectual, as quais acabam favorecendo a continuidade de uma serie de problemas sociais (4). Estudos em relacao a identificacao e as caracteristicas de saude-doenca das pessoas com deficiencia intelectual sao importantes tanto para o avanco nessa area do conhecimento, quanto para a producao de evidencias para melhores praticas de cuidado (5).

Por conseguinte, o objetivo deste estudo foi descrever as caracteristicas sociodemograficas, as condicoes clinicas e o nivel de dependencia funcional de pessoas com deficiencia intelectual em processo de envelhecimento.

REVISAO DE LITERATURA

Os maiores desafios relacionados a saude, decorrentes do envelhecimento populacional, sao a prevencao, a manutencao da saude, a independencia e autonomia e o retardamento de doencas e fragilidades. A organizacao do sistema de saude no Brasil precisa ser ajustada para os diferentes perfis demograficos e epidemiologicos consequentes desse aumento, uma vez que a magnitude do aumento dos gastos em saude com a populacao idosa dependera, sobretudo, de esses anos a mais serem saudaveis ou livres de enfermidades e dependencias. Dessa forma, a capacidade funcional surge como o conceito de saude mais adequado para instrumentalizar e operacionalizar uma politica de atencao a saude do idoso. Essa politica deve, assim, ter como objetivo maior a manutencao da maxima capacidade funcional do individuo que envelhece, pelo maior tempo possivel (6).

Nesse contexto, e fundamental considerar que independencia e autonomia envolvem aspectos sociais, economicos e, mais marcadamente, as habilidades fisicas e mentais necessarias para a realizacao das atividades da vida diaria (AVD) de forma adequada e sem necessidade de ajuda (4-6).

As pessoas com deficiencia, muitas vezes, em decorrencia de limitacoes oriundas de deficiencia fisica, sensorial ou intelectual, apresentam algum grau de dependencia. Tais limitacoes podem vir a gerar restricoes na capacidade funcional, necessitando assim de adaptacoes no ambiente e insercao de apoios para a manutencao dessa autonomia (4,5).

Apesar dos avancos tecnologicos na area da saude e do processo de inclusao social terem contribuido decisivamente para o aumento da qualidade de vida e da longevidade das pessoas com deficiencia, o processo de envelhecimento se processa mais precocemente. Porem, nao ha um consenso em relacao a idade cronologica a partir da qual uma pessoa com deficiencia deve ser considerada idosa, uma vez que cada patologia apresenta particularidades e determinada expectativa de vida. Ha evidencias cientificas nacionais e internacionais de que as pessoas com deficiencia intelectual, principalmente aquelas com Sindrome de Down, apresentam envelhecimento precoce (7).

Na literatura, ha a indicacao de que entre as pessoas com deficiencia intelectual os sinais de envelhecimento surgem em torno dos 30 anos de idade, devido ao uso prolongado de medicamentos, principalmente neurolepticos e anticonvulsivos. Esses medicamentos causam problemas secundarios de saude, como desmineralizacao, osteoporose e desordens do movimento, os quais comprometem a mobilidade e diminuem a forca muscular (8). Para fins legais, no Brasil, o Projeto de Lei no 1118, de 2011, estabelece que a pessoa com deficiencia e considerada idosa quando tiver idade igual ou superior a 45 anos. Essa alteracao leva em consideracao que a expectativa de vida destas pessoas nao e a mesma daqueles individuos sem deficiencia (9).

Frente a esta situacao, a necessidade de conhecer e reconhecer as caracteristicas clinicas e funcionais da deficiencia intelectual e contemporanea e de extrema importancia, uma vez que se faz necessario compreender os sintomas, para entao explorar os mecanismos e as dinamicas que interferem no comportamento e na conduta das pessoas deficientes (4).

METODOLOGIA

Estudo descritivo, de abordagem quantitativa, desenvolvido em um centro de convivencia de uma Associacao de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) no sul do Brasil.

A populacao selecionada para o estudo foi constituida de 60 pessoas com deficiencia intelectual em processo de envelhecimento do Centro de Convivencia da APAE. Foram utilizados como criterios de inclusao: homens e mulheres com idade igual e/ou superior a 45 anos e com diagnostico CID-10 de deficiencia intelectual (F70-F79), associado ou nao a outra deficiencia, que tambem sao os principais criterios de elegibilidade para participacao das atividades na referida instituicao. Foram excluidos os individuos que apresentaram faltas consecutivas que dificultassem e/ou impedissem a aplicacao dos instrumentos no periodo de coleta de dados. Dessa forma, a amostra do estudo foi composta por 54 participantes, equivalendo a 90% da populacao acessada.

A coleta de dados foi realizada no periodo de 01 de janeiro a 31 de abril de 2015, nas dependencias da APAE. Para a coleta de dados, utilizou-se a observacao nao participante; a consulta a prontuarios; a ficha de avaliacao clinica elaborada por uma das pesquisadoras e a aplicacao do Indice de Barthel Modificado (IBM).

Em um primeiro momento, as pessoas foram observadas por uma das pesquisadoras em suas atividades diarias na instituicao, analisando suas iniciativas, decisoes, condicoes motoras, condicoes cognitivas e limitacoes, registrando os achados na ficha de avaliacao clinica, em consonancia com o IBM. No segundo momento, a pesquisadora aplicou a analise de documentos (prontuario dos pacientes e sistema online de cadastramento utilizado na instituicao investigada), para obtencao das caracteristicas sociodemograficas. As variaveis selecionadas foram: sexo, idade, escolaridade, estado civil, ocupacao, tempo e motivos da institucionalizacao, alem de suporte social.

No terceiro momento, para a caracterizacao clinica da amostra, foram coletadas as variaveis antropometricas: estatura, massa, indice de massa corporal (IMC) e circunferencia da cintura. A seguir, realizou-se a avaliacao do IBM. Durante a avaliacao dos parametros de atividades basicas aferidas por esse indice, as pessoas foram solicitadas a realizar tarefas, recebendo comandos e orientacoes constantes para a execucao de tais atividades.

O IBM utiliza o sistema de pontuacao com variacao de 10 a 50, com uma escala de resposta de um a cinco pontos para cada item, aumentando a sensibilidade na deteccao das mudancas. Este instrumento avalia 10 atividades basicas de vida diaria: alimentacao, higiene pessoal, uso do banheiro, banho, continencia do esfincter anal, continencia do esfincter vesical, vestir-se, transferencias cama-cadeira, subir e descer escadas, deambulacao ou manuseio da cadeira de rodas (alternativo para deambulacao). Para essa analise, foram utilizados os valores absolutos (de 1 a 5) de cada dominio (1 corresponde a totalmente dependente para o determinado dominio; 5 corresponde a totalmente independente para o determinado dominio). A classificacao ocorre de acordo com os escores obtidos, da seguinte maneira: totalmente independente (escore 100), com dependencia leve (escore 99 a 76), moderada (escore 75 a 51), severa (escore 50 a 26) e totalmente dependente (escore [less than or equal to] 25) (10).

Os resultados foram processados e tabulados no programa Statistic Package for Social Science, versao 20.0. Para o tratamento dos dados, optou-se pelo uso da estatistica descritiva, com numeros relativos e absolutos, sendo que os resultados estao apresentados sob a forma de tabela.

O estudo esta vinculado ao macroprojeto intitulado A rede de atencao a saude e de suporte social a pessoa idosa com deficiencia na grande Florianopolis e as tecnologias de cuidado, aprovado pelo Comite de Etica em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina, sob numero 24410513.5.0000.0121. Todos os principios eticos estabelecidos pela Resolucao no 466/2012 do Conselho Nacional de Saude foram respeitados.

RESULTADOS

Participaram do estudo 54 pessoas com deficiencia intelectual e em processo de envelhecimento, a maioria (57,4%) do sexo feminino e com idade media de 48 anos. Em relacao ao tempo de vinculo com a instituicao, a idade de ingresso foi em torno dos 33 anos e frequentavam-na ha cerca de 16 anos. Alem da deficiencia intelectual, 57,4% dos participantes tambem apresentava outras doencas associadas. Quanto ao cuidado a pessoa em processo de envelhecimento constatou-se a enfase da mulher como cuidadora, principalmente irmas (40,7%) e maes (20,4%). Todos os parametros analisados em relacao ao perfil sociodemografico e de saude dos integrantes da pesquisa estao apresentados na Tabela 1.

Os resultados relacionados a investigacao diagnostica e ao IBM estao dispostos na Tabela 2. Destacou-se a prevalencia de individuos com diagnostico de deficiencia intelectual modera (77,8%) com etiologia indeterminada (51,9%). Comprometimento visual (20,4%), comprometimento auditivo (14,8%) e hipertensao arterial (13%) foram as principais doencas associadas. A avaliacao das atividades basicas de vida diaria, por meio do IBM, mostrou que 83,3% dos participantes apresentaram dependencia leve, segundo a Tabela 2.

Em relacao as atividades basicas mensuradas, por meio do IBM, os resultados obtidos estao descritos na Tabela 3. No item independencia, a atividade com maior prevalencia foi o controle da bexiga e do intestino (96,3%). A higiene pessoal foi a atividade em que a maioria demandou ajuda minima (75,95%). A alimentacao (38,9%) demandou a maior ajuda moderada. Ainda, a higiene pessoal e banho (9,3%) demandaram maior ajuda substancial, conforme a Tabela 3.

DISCUSSAO

Neste estudo, predominaram pessoas idosas do sexo feminino (57,4%), resultado tambem registrado em outros estudos com idosos institucionalizados (11-14). Em relacao a idade, obteve-se uma media de 48 anos, o que indica um processo de envelhecimento precoce entre a populacao estudada.

No concernente ao cuidado a pessoa em processo de envelhecimento, constatou-se que ele era realizado predominantemente pela irma (40,7%) ou mae (20,4%) dos participantes do estudo. Em relacao a idade do cuidador, a media obtida foi de 57 anos. Esses achados sao corroborados por um estudo, no qual os cuidadores eram em sua maioria mulheres (83,3%), maes (56,1%), e com media de idade acima dos 50 anos (7). Pesquisa internacional, ao estudar sobre familias colombianas com adultos com deficiencia intelectual e idade entre 23 e 55 anos, tambem identificou prevalencia de mulheres como cuidadoras primarias (93%), principalmente maes (65,2%) (13).

Os cuidados com uma pessoa que nasce com deficiencia intelectual prolongam-se pela vida toda e sao providos principalmente pelos pais, numa perspectiva de dedicacao de longa duracao. Esses cuidados permanentes e prolongados vao se tornando mais dificeis de serem executados, porque com o passar dos anos o cuidador tambem envelhece e vivencia desgaste fisico e mental7. Dessa forma, a medida que envelhecem, as necessidades do individuo e dos seus familiares alteram-se. Na maior parte dos casos, os progenitores deixam de ser capazes de proporcionar a assistencia adequada sendo, muitas vezes, dificil distinguir quem cuida de quem12. Entretanto, a medida que os pais envelhecem e se tornam tambem dependentes ou morrem, resta o apoio dos irmaos ou outros parentes (3).

A familia foi e continua a ser o nucleo da solidariedade intergeracional por excelencia, desempenhando uma funcao essencial no restabelecimento e na manutencao da saude e bem-estar dos seus membros, nomeadamente por meio da prestacao de apoio em situacoes de necessidade de cuidados e dependencia (14). Assim, para a busca de um cuidado integral e humanizado, deve-se considerar as particularidades e complexidades da pessoa em questao, estruturar, refletir e utilizar de forma coesa os saberes desenvolvidos a fim de ofertar um cuidado adequado, com estrategias assistenciais para as necessidades da pessoa, mediante a implementacao de tecnologias de cuidado adequadas a essa clientela.

No tangente as condicoes clinicas, identificou-se uma media de IMC de 28,81, indicando que os participantes encontram-se acima do seu peso ideal. Consideram-se como valores e significados de IMC (kg/[m.sup.2]): <18,5 para baixo peso; 18,5 a 24,9 para peso normal; 25 a 29,9 para sobrepeso e >29,9 para obeso (15). O IMC e um dos indicadores do estado nutricional mais usado em estudos populacionais, associado ou nao a outras variaveis antropometricas, obtido a partir do peso e estatura (16). A obesidade e considerada um problema de saude publica nos paises mais desenvolvidos e os individuos adultos com deficiencia intelectual parecem ter uma taxa de incidencia de obesidade superior a populacao em geral, sobretudo as mulheres (17).

A media de circunferencia da cintura dos participantes foi 99,46 cm, a qual e considerada elevada para o sexo feminino. A circunferencia da cintura foi obtida utilizando-se fita metrica nao extensivel, posicionada imediatamente acima da cicatriz umbilical, e a leitura feita no momento da expiracao. Para classificacao foram utilizados pontos de corte propostos pelo National Cholesterol Education Program, que aponta risco cardiovascular para valores [greater than or equal to] 102 cm para homens e [greater than or equal to] 88 cm para mulheres (18).

Resultados semelhantes quanto ao IMC e sobrepeso foram descritos em estudo com idosos institucionalizados de Fortaleza/CE. Os problemas associados ao estado nutricional do idoso podem acelerar o aparecimento de fragilidades e vulnerabilidades, dificultando a recuperacao dos idosos e reduzindo, significativamente, seu tempo de vida, principalmente na presenca de doencas cronicas (19).

Revisao sistematica sobre morte precoce e causas de morte de pessoas com deficiencia intelectual evidenciou que a expectativa de vida de pessoas com deficiencia intelectual e 20 anos menor em relacao a populacao geral, em paises de alta renda. As doencas respiratorias e circulatorias sao as causas subjacentes mais comuns de morte e provavelmente evitaveis em alguns casos (5). Doencas cronicas como diabetes, hipertensao e tipos de canceres sao fatores de risco, desde a infancia entre deficiente intelectuais devido a alta prevalencia de sedentarismo (20-22). Assim, tais achados antropometricos podem estar relacionados com os habitos de vida dessa populacao, destacando o tempo de ociosidade prolongado, conforme observado no cotidiano de cuidado dessas pessoas.

Outro aspecto evidenciado no presente estudo e que 53,7% dos participantes apresentavam alguma doenca associada, com destaque para o comprometimento visual (20,4%) e comprometimento auditivo (14,8%). De todos os sentidos, a visao e audicao sao os mais afetados, pois diminuem a sua acuidade, o que influencia, entre outros aspetos, o controle postural e o equilibrio, constituindo uma barreira para a relacao do idoso com o seu meio envolvente (23, 24).

No que diz respeito ao diagnostico clinico, houve predominancia de deficiencia intelectual moderada (77,8%) entre as pessoas avaliadas neste estudo. No entanto, apesar da diferenciacao entre os niveis de dependencia, de forma geral, todos os participantes sao totalmente dependentes do comando e da orientacao constante nas atividades executadas.

A presenca de incapacidades funcionais em idosos tem se tornado um importante problema de saude publica, tendo em vista o impacto que causam na vida do individuo, na familia e nos servicos de saude. Por isso, compete aos profissionais de saude a identificacao precoce das incapacidades funcionais, bem como os fatores a elas associados, e, por isso, a avaliacao global do idoso deve ser rotina nos servicos de saude, desde a atencao basica ate os niveis mais complexos de atencao (25,26).

Quanto a dependencia funcional, constatou-se um elevado numero de pessoas com dependencia leve (83,3%). Ressalta-se que esse dado esta diretamente associado nao apenas ao desempenho da pessoa em efetuar tal tarefa, mas ao comando e a orientacao realizados primeiramente. A avaliacao da capacidade funcional do idoso possibilita intervir, por meio da promocao da saude, com acoes especificas que contribuam para evitar as incapacidades, permitindo ao enfermeiro e aos demais profissionais de saude tracar o plano de cuidado especifico para cada idoso, com base nos resultados dos instrumentos utilizados para mensurar a capacidade funcional (27).

Por conseguinte, os participantes deste estudo apresentaram as maiores dificuldades na execucao de atividades mais complexas, que exigem maior coordenacao e raciocinio, revelando melhor desempenho em atividades globais. Nesse contexto, a dependencia dessas pessoas parece estar atrelada aos comportamentos daqueles que os rodeiam, os quais muitas vezes acabam agravando a dependencia ao inves de promover/estimular a autonomia. De modo geral, ha um desajuste entre as capacidades e exigencias do contexto em que estao inseridas as pessoas com deficiencia intelectual. Assim, a principal barreira parece ser a falta de estimulos adequados. A impaciencia com ensinamento e treinos de habilidades de autocuidado decorre da falta de informacao e da inadequada estruturacao das estrategias clinicas, terapeuticas, pedagogicas e familiares para a prevencao de perdas e manutencao de habilidades adquiridas. Afinal, tais virtudes sao primordiais quando se fala em pessoas com deficiencia intelectual e em processo de envelhecimento, pois as solicitacoes feitas a elas demandam maior tempo de espera, para que as respostas acontecam (7).

Destaca-se a importancia de localizar as necessidades, demandas, habilidades e potencialidades de cada pessoa com deficiencia intelectual e em processo de envelhecimento, nao so pelos profissionais que atuam com as mesmas, mas tambem pelas familias. Isso pode contribuir para a reducao das adversidades socioambientais e possibilitar o investimento em novas tecnologias de cuidados, para melhoria das condicoes de saude e reducao do nivel de dependencia.

Nesse contexto, e preciso apostar em programas e servicos voltados para a promocao da saude, qualidade de vida e desenvolvimento da autonomia e independencia. Tais dispositivos devem ser permeados com atividades de artesanato, atividades ocupacionais, praticas fisicas periodicas, atividades artisticas e de entretenimento. Essas acoes contemplam a prevencao e manutencao das habilidades e irao contribuir para um protagonismo da pessoa com deficiencia intelectual no processo de envelhecimento (7).

A natureza dos sistemas de apoio e muito variada e sofre a influencia do proprio individuo, da familia, dos amigos, da rede de contatos informais e dos servicos especializados disponibilizados pelas politicas publicas de saude, de assistencia social ou por organizacoes que atuam frente a deficiencia intelectual (28). Destaca-se a relevancia da capacitacao dos profissionais de saude para o cuidado das pessoas idosas visando ao envelhecimento saudavel e com qualidade (29). Nessa perspectiva, os apoios sao recursos e estrategias para promover o desenvolvimento, a educacao, os interesses e o bem-estar social das pessoas com deficiencias, entre elas a pessoa com deficiencia intelectual e tambem contribui para o processo de autodeterminacao e inclusao social.

CONCLUSAO

O perfil sociodemografico e clinico dos participantes e caracterizado majoritariamente por mulheres, com deficiencia intelectual moderada e com outras doencas associadas, sendo auxiliadas por cuidadoras.

Destaca-se que apesar do escore final do IBM ter apresentado predominancia de dependencia leve, essas pessoas sao totalmente dependentes do comando, orientacao ou de alguma supervisao nas atividades executadas. Sendo essas dificuldades apresentadas em maior grau na execucao de atividades complexas, que exigem maior coordenacao e raciocinio.

Esta pesquisa fomenta reflexoes sobre a necessidade do desenvolvimento de estrategias de cuidado baseadas nas potencialidades dessas pessoas, evidenciando a importancia da abordagem multidimensional, focada em mudancas no processo de avaliacao. Nessa perspectiva, amplia-se uma visao integral de cuidado, delineada nas necessidades individuais, ambientais e em diferentes dimensoes correlacionadas com niveis de apoios apropriados.

A aplicacao da avaliacao do IBM pode ser util para detectar as limitacoes mais incapacitantes das pessoas com deficiencia intelectual e em processo de envelhecimento, associada ou nao a outras deficiencias. Porem, faz-se necessario o desenvolvimento de outros instrumentos para a deteccao mais fidedigna das limitacoes dessas pessoas.

A amostra de conveniencia e vinculacao dos participantes a um cenario especifico de cuidado foram as limitacoes do presente estudo. Dessa forma, e preciso realizar outros estudos para elucidar questoes subjetivas envolvidas no processo saude e doenca desse grupo populacional e fornecer subsidios para a melhoria da pratica dos profissionais de saude e de enfermagem.

DOI: http://dx.doi.org/10.12957/reuerj.2018.22781

REFERENCIAS

(1.) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica IBGE. Censo Demografico 2010. [citado em 14 maio 2017] Disponivel em: http:// www.censo2010.ibge.gov.br.

(2.) Santos FHS, Dota FP. Inclusao profissional de pessoas com deficiencia intelectual: uma questao de autonomia. In: Guilhoto L, Organizadores. Envelhecimento e deficiencia intelectual: uma emergencia silenciosa. 25 ed. Sao Paulo: Instituto APAE de Sao Paulo; 2013. p. 117-32.

(3.) Marin MJS, Lorenzetti D, Chacon MCM, Polo MC, Martins VS, Moreira SAC. As condicoes de vida e saude de pessoas acima de 50 anos com deficiencia e seus cuidadores em um municipio paulista. Rev. bras. geriatr. gerontol. 2013; 16(2):365-74.

(4.) Girardi M, Portella MR, Colussi EL. O envelhecimento em deficientes intelectuais. RBCEH. 2012; 9(Supl. 1):79-89.

(5.) O'Leary L, Cooper S-A, Hughes-McCormack L. Early death and causes of death of people with intellectual disabilities: a systematic review. J. Appl. Res. Intellect Disabil. 2018;31:325-42.

(6.) Veras RP. Estrategias para o enfrentamento das doencas cronicas: um modelo em que todos ganham. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. 2011; 14(4):779-86.

(7.) Hayar MA. Envelhecimento e deficiencia intelectual: o cuidador familiar como protagonista nos cuidados ao idoso. Fed. Nac. das Apaes- Fenapaes. 2015;2(2):40-52.

(8.) Pimenta RA, Rodrigues LA, Greguol M. Avaliacao da qualidade de vida e sobrecarga de cuidadores de pessoas com deficiencia intelectual. Rev. Bras. Cien. Saude. 2010;14(3):69-76.

(9.) Senado Federal(Br). Projeto de Lei no 1118, de 2011.. Estabelece que a pessoa com deficiencia e considerada idosa quando tiver idade igual ou superior a quarenta e cinco anos. [citado em 14 maio 2017] Disponivel em: https://legis.senado.leg.br/sdleggetter/documento?dm=4451474

(10.) Cincura C, Pontes-Neto OM, Neville IS et al. Validation of the national institutes of health stroke scale, modified ranking scale and Barthel index in Brazil: the role of cultural adaptation and structured interviewing. Cerebrovasc. Dis. 2009; 27(2):119-22.

(11.) Moore KL, Boscardin WJ, Steinman MA, Schwartz JB. Age and sex variation in prevalence of chronic medical conditions in older residents of U.S. Nursing homes. J. Am. Geriatr. Soc. 2012;60(4):756-64.

(12.) Aguilella AR, Alonso MV, Gomez CS. Family quality of life and supports for parents of ageing people with intellectual disabilities. Siglo Cero. 2008;39(3):19-34.

(13.) Cordoba L. Families of adults with intellectual disability in Cali, Colombia, using the model of quality of life. Psykhe. 2007;16(2):29-42.

(14.) Sebastiao C, Albuquerque C. Envelhecimento e dependencia: estudo sobre os impactes da dependencia de um membro idoso na familia e no cuidador principal. Revista Kairos Gerontologia. 2011;14(4):25-49.

(15.) Calazans FDCF, Guandalini VR, Petarli GB, Moraes RAG, Cuzzuol JT, Cruz RP. Triagem nutricional em pacientes cirurgicos de um hospital universitario de Vitoria, ES, Brasil. Nutr. Clin. Diet. Hosp. 2015;35(3):34-41.

(16.) Menezes TN, Brito MT, Araujo TBP, Silva CCM, Nolasco RRN, Fische MATS. Perfil antropometrico dos idosos residentes em Campina Grande-PB. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. 2013;16(1):19-27.

(17.) Sousa GR, Pinto MG, Seeber JR, Silva DAS. Associacao do estado nutricional com aptidao fisica relacionada a saude em adultos com deficiencia intelectual. Rev. Bras. Educ. Fis. Esporte. 2015;29(4):543-50.

(18.) Cardoso AS, Gonzaga NC, Medeiros C, Carvalho DFD. Relacao entre acido urico e os componentes da sindrome metabolica e esteatose hepatica nao alcoolica em criancas e adolescentes com sobrepeso ou obesidade. J. Pediatr. 2013;89(4):412-8.

(19.) Borges CL, Silva MJ, Clares JWB, Nogueira JM, Freitas MC. Caracteristicas sociodemograficas e clinicas de idosos institucionalizados: contribuicoes para o cuidado de enfermagem. Rev. enferm. UERJ. 2015;23(3):381-7. DOI: http://dx.doi.org/10.12957/ reuerj.2015.4214

(20.) Rimmer JH, Yamaki K, Davis BM., Wang E, Vogel LC. Obesity and overweight prevalence among adolescents with disabilities. Prev. Chronic. Dis. 2011; 8(2):1-6.

(21.) Mendonca GV, Pereira FD, Fernahall B. Effects of combined aerobic and resistance exercise training in adults with and without Down syndrome. Arch. Phys. Med. Rehabil. 2011;92(1):37-45.

(22.) Frey GC, Temple VA. Health promotion for latin americans with intellectual disabilities. Salud Publ. Mex. 2008; 50(2):167-77.

(23.) Azeredo Z. Envelhecimento individual. In: Azeredo Z, organizadora. Idoso como um todo. Viseu(Pt): Psicosoma; 2011. p. 45-76.

(24.) Sequeira C. Cuidar de idosos com dependencia fisica e mental. Lisboa(Pt): Lidel; 2010.

(25.) Brito KQD, Menezes TN, Olinda RA. Functional disability and socioeconomic and demographic factors in elderly. Rev. bras. enferm. 2015; 68(4):633-41.

(26.) Bitencourt GR, Felippe NHMD, Santana RF. Diagnostico de enfermagem eliminacao urinaria prejudicada em idosos no pos-operatorio: um estudo transversal. Rev. enferm. UERJ. 2016; 24(3): e16629. DOI: https://doi.org/10.12957/reuerj.2016.16629

(27.) Santos GS, Cunha ICKO. Capacidade funcional e sua mensuracao em idosos: uma revisao integrativa. REFACS (online). 2014; 2(3):269-78.

(28.) Verdugo MA, Gomez LE, Arias B, Navas P, Schalock RL. Measuring quality of life in people with intellectual and multiple disabilities: validation of the San Martin Scale. [Res. Dev. Disabil. 2014;35(1):75-86.

(29.) Rigon E; Dalazen JVC, Busnello GF, Kolhs M,Olschowsky A, Kempfer SS. Experiencias dos idosos e profissionais da saude relacionadas ao cuidado pela estrategia saude da familia. Rev. enferm. UERJ. 2016; 24(5):e17030. DOI: https://doi.org/10.12957/ reuerj.2016.17030

Juliana Balbinot Reis Girondi [I]; Fernanda Felizola [II]; Jordelina Schier [III]; Karina Silveira de Almeida Hammerschimdt [IV]; Luciara Fabiane Sebold [V]; Jose Luis Guedes dos Santos [VI]

[I] Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Universidade Federal de Santa Catarina. Brasil. E-mail: juliana.balbinot@ufsc.br.

[II] Fisioterapeuta. Especialista em Atencao a Saude da Pessoa Idosa. Associacao de Pais e Amigos dos Excepcionais de Florianopolis. Brasil. Email: fernanda_felizola@hotmail.com.

[III] Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Universidade Federal de Santa Catarina. Brasil. E-mail: nina.schier@gmail.com.

[IV] Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Universidade Federal de Santa Catarina. Brasil. E-mail: karina.h@ufsc.br.

[V] Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Universidade Federal de Santa Catarina. Brasil. E-mail: fabiane.sebold@ufsc.br.

[VI] Enfermeiro. Doutor em Enfermagem. Universidade Federal de Santa Catarina. Brasil. E-mail: jose.santos@ufsc.br.

Recebido em: 15/05/2016--Aprovado em: 16/05/2018
TABELA 1: Perfil sociodemografico e de saude dos participantes.
Florianopolis/SC, Brasil, 2015. (N=54)

Variaveis                                       Media   DP (*)

Idade (anos)                                    48,19    9,47
Altura (cm)                                     1,54     1,12
Peso(kg)                                        68,67   16,27
Circunferencia da Cintura (cm)                  99,46   13,02
Indice de Massa Corporea--IMC (kg/[m.sup.2])    28,81    5,74
Numero total de medicamentos utilizados         2,09     2,10
Idade de ingresso na instituicao                33,19   14,06
Tempo que frequenta a instituicao (anos)        16,00   10,68
Idade do cuidador                               57,63   14,26

Variaveis                                         f       %

Sexo
  Feminino                                       31      57,4
  Masculino                                      23      42,6

Doencas associadas
  Sim                                            29      53,7
  Nao                                            25      46,3

Vinculo do cuidador
  Irma                                           22      40,7
  Mae                                            11      20,4
  Pai/mae                                         9      16,7
  Irmao                                           5      9,3
  Funcionaria                                     5      9,3
  Cunhada                                         1      1,9
  Sobrinha                                        1      1,9

(*) Desvio padrao

TABELA 2: Variaveis clinicas e Indice de Barthel Modificado.
Florianopolis/SC, Brasil, 2015. (N=54)

Variaveis                                                    n      %

Codigo CID/Descricao da doenca
  CID10 F71/Deficiencia Intelectual Moderada                42     77,8
  CID10 F80/Transtornos especificos do desenvolvimento      27     50,0
    da fala e da linguagem.
  CID10 F72/Deficiencia Intelectual Severa                  12     22,2
  CID10 Q90/Sindrome de Down                                12     22,2
  CID10 R26.8/Outras anormalidades da marcha e da            6     11,1
    mobilidade
  CID10 H54.0/Cegueira, ambos os olhos                       2     3,7
  CADEIRANTE/Se utiliza cadeira de rodas adaptada            2     3,7
  CID10 H90.3/Perda de audicao bilateral neuro-sensoria      1     1,9
  CID10 G80.4/Paralisia cerebral ataxica                     1     1,9
  CID10 H91/Outras perdas de audicao                         1     1,9
  CID10 M53.0/Sindrome Marinesco (Sjogren)                   1     1,9

Etiologia
  Indeterminada                                             28     51,9
  Genetica                                                  15     27,8
  Anoxia perinatal                                           9     16,7
  Meningite                                                  2     3,7

Doencas Associadas
  Comprometimento visual                                    11     20,4
  Comprometimento auditivo                                   8     14,8
  Hipertensao Arterial Sistemica                             7     13,0
  Convulsao                                                  6     11,1
  Hipotireoidismo                                            5     9,3
  Hipercolesterolemia                                        5     9,3
  Diabetes Mellitus                                          4     7,4
  Historico de tumor                                         3     5,6
  Cardiopatia                                                3     5,6
  Estrabismo                                                 2     3,7
  Problemas ortopedicos                                      2     3,7
  Hipertireoidismo                                           1     1,9
  Triglicerideos elevados                                    1     1,9
  Artrite Reumatoide                                         1     1,9
  Doenca Renal                                               1     1,9
  Epilepsia                                                  1     1,9
  Depressao                                                  1     1,9

Indice de Barthel Modificado
  Dependencia leve                                          45     83,3
  Dependencia moderada                                       7      13
  Dependencia severa                                         2     3,7

TABELA 3: Atividades basicas mensuradas pelo IBM. Florianopolis/SC,
Brasil, 2015. (N=54)

                             Incapaz de   Requer ajuda   Requer ajuda
Atividades                    realizar    substancial      moderada
                                n(%)          n(%)           n(%)

Higiene pessoal                  --          5(9,3)         8(14,8)
Banho                         1 (1,9)        5(9,3)        19(35,2)
Alimentacao                      --          4(7,4)        21(38,9)
Toalete                          --          1(1,9)         4(7,4)
Subir escadas                    --          4(7,4)         4(7,4)
Vestuario                        --          1(1,9)        17(31,5)
Controle da bexiga               --            --             --
Controle de intestino            --            --             --
Deambulacao                      --          3(5,6)         2(3,7)
Uso de cadeira de rodas          --          1(1,9)         1(1,9)
Transferencia cadeira/cama       --          1(1,9)           --

                             Requer ajuda    Totalmente
Atividades                      minima      independente
                                 n(%)           n(%)

Higiene pessoal                41(75,9)          --
Banho                          29(53,8)          --
Alimentacao                     3(5,6)        26(48,1)
Toalete                         9(16,7)       40(74,1)
Subir escadas                  12(22,2)       34(63,0)
Vestuario                       7(13,0)       29(53,7)
Controle da bexiga              2(3,7)        52(96,3)
Controle de intestino           2(3,7)        52(96,3)
Deambulacao                     7(13,0)       40(74,1)
Uso de cadeira de rodas           --             --
Transferencia cadeira/cama      3(5,6)        50(92,6)
COPYRIGHT 2018 Universidade do Estado do Rio de Janeiro- Uerj
No portion of this article can be reproduced without the express written permission from the copyright holder.
Copyright 2018 Gale, Cengage Learning. All rights reserved.

Article Details
Printer friendly Cite/link Email Feedback
Title Annotation:Original Research/Artigo de Pesquisa/Articulo de Investigacion
Author:Girondi, Juliana Balbinot Reis; Felizola, Fernanda; Schier, Jordelina; de Almeida Hammerschimdt, Kar
Publication:Enfermagem Uerj
Date:Jan 1, 2018
Words:4923
Previous Article:Characteristics of obese women receiving care from a Family Health Support Unit/ Caracteristicas de mulheres obesas assistidas pelo Nucleo de Apoio a...
Next Article:Relationship between length of service and ethics violations in nursing/Relacao entre tempo de exercicio profissional e ocorrencias eticas em...
Topics:

Terms of use | Privacy policy | Copyright © 2021 Farlex, Inc. | Feedback | For webmasters |