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Occurences of negative rainfall anomaly index in the State of Rio Grande do Sul/Ocorrencias de indices de anomalia de chuva negativos no Estado do Rio Grande do Sul/Ocurrencias de indices de anomalia de lluvia negativos en el Estado de Rio Grande del Sur.

1. INTRODUCAO

As observacoes e monitoramento da variabilidade espaco/temporal das precipitacoes e de fundamental importancia, tendo em vista, os danos e prejuizos que a falta de chuvas pode ocasionar a agricultura. De acordo com Lazzari (2005) cerca de 700 mil hectares plantados com graos foram perdidos na safra de 2004/2005 no Estado do Rio Grande do Sul em funcao da falta de chuvas. Berlato e Cordeiro (2005) estudaram as causas das perdas nas lavouras das principais culturas agricolas gauchas no periodo de 1992 a 1997 e verificaram que para a soja e o milho em 96,6% e 88,4% dos casos, respectivamente, a estiagem foi a responsavel. Os autores destacaram que no periodo estudado nao houve grandes estiagens, sendo a mais significativa a dos anos que remetem a safra 1995/1996 originada por evento fraco do La Nina.

A estiagem e um fenomeno natural, caracterizado pela escassez de agua associada a periodos extremos de deficit de precipitacao mais ou menos longos, que repercutem negativamente sobre as atividades socioeconomicas e ecossistemas naturais (SILVEIRA et al., 2006). A forma cronica da estiagem e denominada seca, considerada atualmente um dos desastres naturais de maior ocorrencia e impacto no mundo. Este fenomeno ocorre por longos periodos de tempo e afeta grandes extensoes territoriais. A estiagem pode ser caracterizada como um breve periodo de seca e classificada em tres principais tipos: a seca climatologica, quando a pluviosidade e baixa em relacao as normais de determinada area; a seca hidrologica, quando ocorre deficit de agua em reservatorios e rios e; a seca edafica, quando constata-se um deficit de umidade do solo (CAMPOS; NETO; MARTINS, 1997).

Neste sentido, avaliando-se as precipitacoes pluviometricas em relacao as suas medias historicas, as ocorrencias de estiagem ou secas climatologicas, suas intensidades frequencias e periodos de duracao podem ser observadas, tanto espacialmente como temporalmente. Tsakiris et al. (2007) afirmam que varios metodos tem sido propostos para a identificacao, quantificacao e monitoramento das secas, sendo os mais conhecidos, os indices de seca. Os indices de seca fornecem representacoes espaciais e temporais das secas e, portanto, colocam as condicoes atuais em perspectiva historica. Um destes indices e o Rainfall Anomaly Index (RAI) ou Indice de Anomalia de Chuva (IAC) desenvolvido por Rooy (1965). Este indice, tem como principal caracteristica, necessitar apenas de dados de precipitacao para ser calculado, e visa tornar o desvio da precipitacao em relacao a condicao normal de diversas regioes passiveis de comparacao.

Gross (2015) estudou os registros de decretos de situacao de emergencia por estiagem nos municipios do Estado do Rio Grande do Sul, em funcao dos periodos de duracao das estiagens em meses consecutivos de ocorrencia, de acordo com o Indice de Anomalia de Chuva (IAC) no periodo de 1991 a 2012. Neste estudo, o autor observou que cerca de 70% dos decretos de situacao de emergencia por estiagem foram efetuados apos dois e tres meses consecutivos de ocorrencias de indices de anomalia de chuva negativos. Para os demais decretos, os periodos variaram de quatro a dez meses consecutivos. Destaca-se que as intensidades dos eventos de estiagem observados foram em sua maioria de suaves a moderadas.

Utilizando series historicas de 30 anos de dados de precipitacao (1977 a 2006) de 43 estacoes meteorologicas, Marcuzzo; Melo e Rocha (2011) analisaram a variacao do Indice de Anomalia de Chuva (IAC) no Estado do Tocantins. Calculando o IAC mensal, encontraram uma grande variacao nos indices interanuais precipitados em cada mes, com um total de 13 anos umidos e 17 secos, e concluiram por uma tendencia de diminuicao das chuvas no Estado. Os autores salientaram que o IAC pode ser utilizado para o acompanhamento interanual da precipitacao pluviometrica do Estado do Tocantins, e determinar as mudancas em seu regime de chuvas.

Sanches; Verdum e Fisch (2014) utilizaram o IAC para analisar a variabilidade das precipitacoes anuais em postos pluviometricos no municipio de Alegrete-RS no periodo de 1928 a 2009, comparando os indices calculados com as ocorrencias do El Nino-Oscilacao Sul (ENOS) e com a Oscilacao Decadal do Pacifico (ODP). Neste estudo, o IAC correlacionou-se de forma significativa com as ocorrencias da ODP, tanto na fase quente como na fase fria. No entanto, com relacao ao ENOS as correlacoes mais significativas foram verificadas para com os dados relacionados a fase quente do fenomeno, o El Nino. Estudo similar foi realizado por Chechi e Sanches (2013) que utilizaram o Indice de Anomalia de Chuva (IAC) para avaliar a influencia do El Nino Oscilacao Sul (ENOS) em dados de precipitacao coletados nos municipios de Erechim, Quatro Irmaos e Erebango no Alto Uruguai gaucho. Neste estudo foi observado que o IAC teve maior correspondencia com a fase quente ou positiva do ENOS, o El Nino.

De acordo com Repelli et al. (1998) o IAC e uma potencial ferramenta para aplicacoes de monitoramento de eventos extremos de precipitacao, tendo em vista a facilidade de acesso aos dados de precipitacao em tempo real. O autor salienta que este indice parece ser apropriado para a utilizacao em regioes semiaridas e/ou tropicais, especialmente para o Nordeste do Brasil. Neste sentido, Marcuzzo; Melo e Rocha (2011) observaram a necessidade de mais estudos sobre a precipitacao pluviometrica utilizando o IAC nos demais Estados e Regioes do Brasil.

Frente ao exposto o presente trabalho teve como objetivo a avaliacao espacial dos indices de anomalia de chuva negativos do Rio Grande do Sul no periodo de 1991 a 2012, considerando a frequencia em meses de ocorrencia, como subsidio para os estudos referentes aos eventos de estiagem nos municipios e setores regionais do Estado.

2. MATERIAIS E METODOS

2.1 Caracteristicas gerais da area de estudo

O Rio Grande do Sul esta localizado no Sul do Brasil, mantendo fronteiras a Oeste com a Argentina, ao Sul com o Uruguai, ao Norte com o Estado de Santa Catarina e a Leste e banhado pelo Oceano Atlantico (Figura 1). Esta e a unica Regiao do Brasil situada na zona extratropical conferindo a mesma, caracteristicas climaticas diferenciadas das demais regioes do pais. A extensao territorial do Estado e de 268.781,896 [km.sup.2], dividida em 496 municipios que abrigam 10.693.929 habitantes (IBGE, 2010).

Em se tratando de America do Sul, o Estado esta situado na Regiao Sudeste, que e formada pelo Sul do Brasil, Nordeste da Argentina, Uruguai e Paraguai. Esta regiao recebe forte influencia do fenomeno Oscilacao Sul (ENOS), ocasionando periodos de baixa pluviosidade em sua fase fria, o La Nina, e altos indices pluviometricos em sua fase quente, o El Nino (BERLATO; FONTANA, 2004).

O clima do Rio Grande do Sul e mesotermico umido (Cfa e Cfb) pela classificacao de Koppen-Geiger. As temperaturas variam sazonalmente, o que confere ao Estado veroes quentes e invernos rigorosos, com a formacao de geada e eventuais ocorrencias de neve. As medias de temperaturas variam de 15[degrees]C a 18[degrees]C com minimas de -10[degrees]C e maximas de 40[degrees]C. A distribuicao anual das precipitacoes pluviometricas e relativamente equilibrada, no entanto, com relacao aos volumes precipitados ocorrem diferencas entre o Sul e o Norte do Estado. No Sul, as precipitacoes oscilam entre 1.299 e 1500 mm e, ao Norte entre 1.500 e 1800 mm, com maior intensidade das chuvas na porcao Nordeste, junto a encosta do planalto (RIO GRANDE DO SUL/SCP, 2013).

[FIGURE 1 OMITTED]

2.2 Metodologia

O estudo foi conduzido nos laboratorios de Geotecnologias LABGEOTEC e de Geografia e Cartografia junto ao Centro Regional Sul do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CRS/INPE), localizado na Universidade Federal de Santa Maria. A area de estudo (Figura 1) foi o Estado do Rio Grande do Sul, justificada pelos significativos danos e prejuizos em decorrencia de estiagens registrados pela Defesa Civil-RS.

Para a pesquisa foram utilizadas series historicas de 22 anos de dados de precipitacao pluviometrica (1991 a 2012) de 57 estacoes meteorologicas para a realizacao do calculo do Indice de Anomalia de Chuva mensal, e a determinacao dos periodos secos ou de anomalias negativas de precipitacao, considerando as medias mensais das precipitacoes locais.

A aquisicao dos dados de precipitacao foi na pagina (ou site) HidroWeb da Agencia Nacional das Aguas (ANA) <http://hidroweb.ana.gov.br> e do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) <http://www.inmet.gov.br/portal>. Das estacoes ou pontos amostrais definidos, 44 localizam-se no Estado Rio Grande do Sul e 13 no Estado de Santa Catarina conforme Figura 2. Os dados das estacoes do Estado de Santa Catarina foram considerados nas avaliacoes para cobrir da melhor maneira possivel as areas do Rio Grande do Sul proximas aos limites entre os dois Estados, principalmente no litoral Norte e na area situada entre os pontos que localizam os municipios de Lagoa Vermelha-RS, Caxias do Sul-RS e Timbe do Sul-SC, o que nao foi possivel nas areas mais ao Sul do Estado, devido a falta de dados ou falhas nas series historicas dos mesmos. A determinacao destes pontos amostrais no Estado de Santa Catarina foi baseada na analise de agrupamento pluviometrico realizada por Khan, Kim e Saraiva (1998), que determinaram a area montanhosa na fronteira entre os dois Estados, como uma Regiao com precipitacoes similares, de acordo com os dados observados em estacoes meteorologicas daquela area, que compreende todo o Norte e Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul estendendo-se em direcao Norte sobre parte do Estado de Santa Catarina, ou seja, toda fronteira entre os dois Estados.

[FIGURE 2 OMITTED]

O Indice de Anomalia de Chuva (IAC) mensal e calculado de acordo com as equacoes 1 e 2 desenvolvidas por Rooy (1965). Para anomalias de precipitacao positivas, o parametro M e a media dos dez valores mais elevados de precipitacao do periodo estudado; para as anomalias negativas, o parametro X representa os dez valores mais baixos de precipitacao do mesmo periodo.

IAC = 3[(N-N)/(M-N)] Para anomalias positivas (1)

IAC = -3[(N-N)/(X-N)] Para anomalias negativas (2)

Onde:

N = precipitacao (mm) observada atual (do mes que sera calculado o IAC);

N = precipitacao media da serie historica (mm);

M = media dos dez valores mensais mais altos;

X = media dos dez valores mensais mais baixos.

Os valores do indice sao ordenados em um esquema de classificacao de nove categorias (Tabela 1) variando de extremamente umido a extremamente seco (FERNANDES et al. 2009).

Os dados do Indice de Anomalia de Chuva mensal, referentes a cada estacao meteorologica foram interpolados por Krigagem, obtendo-se os valores do referido indice para os pontos nao amostrados e a distribuicao das anomalias negativas de precipitacao mensal no territorio do Rio Grande do Sul no periodo de 1991 a 2012, totalizando 264 cartogramas ou imagens anomalia de precipitacao. Estes dados foram cruzados com a malha municipal do Estado, o que possibilitou a verificacao da frequencia absoluta em meses de ocorrencia de indices de anomalia de chuva negativos por municipio e consequentemente para os setores regionais, em todo periodo de analise. De forma complementar, os dados gerados com o calculo do indice de Anomalia de Chuva (IAC) tambem foram avaliados por estacao do ano e de 1991 a 2001 e de 2002 a 2012, cobrindo pouco mais de duas decadas, para observar as diferencas nestes dois periodos. Ressalta-se que para esta ultima avaliacao foram utilizados os dados do IAC calculados para todo o periodo de 1991 a 2012, ou seja, nao foram realizados novos calculos para os dois periodos especificados.

Considerando todos os 264 cartogramas gerados, os principais dados utilizados para a krigagem foram: angulo de anisotropia de 0[degrees]; o modelo utilizado foi o linear; o efeito pepita variou de 0,0102 a 1,89 perfazendo uma media de 0,386.

Para identificacao dos meses com ocorrencia de indices de anomalia de chuva negativos, considerou-se todas classificacoes a partir de seca suave ate extremamente alta (Tabela 1), sem discriminacao das classificacoes de seca no decorrer das avaliacoes. No cruzamento das espacializacoes dos dados do IAC, interpolados por krigagem sobre a area territorial do Estado, com a malha municipal do mesmo foram considerados afetados pelas estiagens, apenas os municipios em que suas respectivas areas inseriram-se totalmente em uma ou mais classificacoes referentes aos indices de anomalia de chuva negativos. As interpolacoes e cruzamentos dos dados foram realizadas no software Spring 4.3.3 (SPRING, 1996).

Destaca-se, que o menor periodo analisado no presente trabalho foi de um mes, de maneira que para as avaliacoes referentes a frequencia de meses com ocorrencia de indices de anomalia de chuva negativos, por estacao do ano foram considerados os meses de janeiro, fevereiro e marco como verao, abril, maio e junho como outono, julho, agosto e setembro como inverno e outubro, novembro e dezembro como a estacao da primavera.

Para a discussao dos resultados tambem foram adquiridos: Dados de decretos de situacao de emergencia por estiagem, junto ao site da Defesa Civil-RS < http://www.defesacivil.rs.gov.br/>; Dados relacionados a fenomenos que interferem na precipitacao pluviometrica do Estado como o El Nino Oscilacao Sul adquiridos junto ao site <http://www.noaa.gov/> da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA, 2015); Informacoes espaciais, como as Regioes Fisiograficas do Rio Grande do Sul (PACHECO, 1956), observadas em outros estudos e relacionadas as ocorrencias de estiagem no Estado do Rio Grande do Sul.

3. RESULTADOS E DISCUSSAO

A partir do cruzamento da malha municipal do Rio Grande do Sul com os dados do Indice de Anomalia de Chuva mensal, observou-se que o setor Sudoeste do Estado foi afetado significativamente por indices negativos (Figura 3). Em determinados municipios localizados no Sudoeste, as ocorrencias de anomalias negativas de precipitacao foram verificadas em mais de 60% dos 264 meses avaliados, sendo estes os municipios de Alegrete, Itaqui, Quarai, Santana do Livramento e Uruguaiana, com um maximo de 172 meses de ocorrencias no municipio de Alegrete. Resultado similar foi observado por Kulman et al. (2014) em estudo sobre as ocorrencias de estiagem no Estado utilizando dados de decretos de situacao de emergencia no periodo de 1981 a 2011.

[FIGURE 3 OMITTED]

Sanches; Verdum e Fisch (2013) estudaram a tendencia de chuvas de longo prazo, aplicando o teste de Mann-Kandall a series historicas de dados de precipitacao (1928 a 2009) de estacoes meteorologicas localizadas no municipio de Alegrete-RS, no Sudoeste do Rio Grande do Sul, e constataram uma reducao de 222,2 mm na analise da tendencia linear dos totais anuais de precipitacao para os 82 anos de analise. Tendencias negativas tambem foram observadas pelos autores nos totais mensais normalizados para a maioria dos meses do ano, com excecao de fevereiro e novembro que apresentaram tendencias positivas. No entanto, sob aplicacao do teste de Mann-Kandall, estes dados nao apresentaram tendencia significativa a mudanca de comportamento.

As areas de menor ocorrencia de indices de anomalia de chuva negativos situam-se principalmente na Regiao Metropolitana de Porto Alegre e adjacencias, onde em determinados municipios foram observadas ocorrencias em ate 45% dos 264 meses avaliados.

Souza Junior; Sausem e Lacruz (2010) observaram em imagens anomalia de vegetacao, areas de maior recorrencia de eventos de estiagem no periodo de 2000 a 2009, nas Regioes Fisiograficas da Campanha, Missoes, Serra do Sudeste, Encosta do Sudeste e parte do Alto Uruguai (Figura 4). Estas areas de recorrencia de estiagem, coincidem pelo menos em parte, com as areas de maior ocorrencia de indices de anomalia de chuva negativos verificados no presente trabalho e expostas na Figura 3, principalmente em se tratando dos setores Sudoeste (Campanha) e Centro Oeste (Missoes).

[FIGURE 4 OMITTED]

Na Figura 5 sao apresentados os resultados da avaliacao do numero de meses com ocorrencia de indices de anomalia de chuva negativos por municipio, considerando a divisao do periodo de analise de 1991 a 2001 e de 2002 a 2012, onde fica demonstrado que o numero de meses em que os municipios do Estado foram afetados por anomalias negativas de precipitacao foi superior no periodo de 2002 a 2012, pelo menos para a maioria dos casos. Em determinados municipios como Cangucu, Piratini e Pinheiro Machado localizados no setor Sul do Estado os aumentos do numero de meses com ocorrencia de indices de anomalia de chuva negativos chegou a 39% com relacao aqueles observados no periodo de 1991 a 2001. Com vista nestes resultados avaliou-se os totais de decretos de situacao de emergencia por estiagem, em cada um dos periodos em separado, onde observou-se que de um total 3005 decretos para todo o periodo de analise, ou seja, de 1991 a 2012, 70% foram registrados de 2002 ate 2012 principalmente nos anos de 2004, 2005, 2009 e 2012, de acordo com dados da Defesa Civil-RS. Destaca-se, que mesmo com a diferenca observada, o setor Sudoeste do Estado do Rio Grande do Sul mantem-se como aquele com o maior numero de ocorrencias de indices de anomalia de chuva negativos, tanto de 1991 a 2001 como de 2002 a 2012.

[FIGURE 5 OMITTED]

O maior numero de ocorrencias de anomalias negativas de precipitacao no periodo de 2002 a 2012 pode estar associado ao El Nino Oscilacao Sul em sua fase fria o La Nina, com ocorrencias registradas entre os anos de 2005-2006, 2007-2008, 2008-2009, 2010-2011 e 2011-2012 (NOAA, 2015). No periodo anterior, ou seja, de 1991 a 2001 foram verificados dois eventos de La Nina entre 1995-1996 e 1998-2000. Chechi e Sanches (2013) observaram que nos municipios de Erechim, Erebango e Quatro Irmaos, localizados no Alto Uruguai gaucho, na Regiao Fisiografica 07 (PACHECO, 1956), na decada de 2003 a 2012, predominaram as anomalias negativas de precipitacao de acordo com o Indice de Anomalia de Chuva anual. Segundo os autores, os anos de 2005, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011 foram classificados como secos, 2003, 2004 e 2006 como muito secos e 2012 como extremamente seco.

Nos meses de verao praticamente todo o Estado foi significativamente afetado, com destaque para o municipio de Cruz Alta e adjacencias no Noroeste do Estado. No entanto, nos municipios da Mesorregiao Nordeste Rio-Grandense, a frequencia de meses com ocorrencia de indices de anomalia de chuva negativos foi visivelmente menor (Figura 6). Para esta regiao do Estado, Brito; Barletta e Mendonca (2008) verificaram em series historicas de 1968 a 1998, que estacoes pluviometricas instaladas nos municipios de Torres e Bom Jesus tiveram seus maximos de precipitacao pluvial nos meses de verao, com 415 mm e 486 mm, respectivamente, associados as chuvas convectivas, originadas de sistemas atmosfericos como a Zona de Convergencia do Atlantico Sul.

No verao o Rio Grande do Sul sofre predominantemente a acao da Massa Tropical Maritima (mT) devido ao maior aporte de radiacao solar na latitude de localizacao do Estado. Essa massa de ar se caracteriza como uma parcela de ar com elevadas temperaturas e umidade na superficie, no entanto, sofre persistente subsidencia causada pelo Anticiclone Permanente do Atlantico Sul (AST), ocasionando tempo instavel proximo ao litoral e dificultando a entrada de frentes frias. Desta maneira a maior quantidade de precipitacao nos meses de verao ocorre na costa Leste do Estado devido principalmente ao alto teor de umidade absorvida do Oceano Atlantico aliada a corrente maritima quente (BARRY; CHORLEY, 1978; NIMER, 1990). Outra massa de ar que influencia na precipitacao do Rio grande do Sul nos meses de verao e a Tropical Continental (cT), ocasionando altas temperaturas e ondas de calor. Essa massa de ar se origina pelo maior aquecimento do continente em relacao ao mar e da depressao termica continental, a denominada Baixa do Chaco. Esse sistema de baixa ao interagir com a frente polar provoca alteracoes nas condicoes climaticas brasileiras, e em especial pouca precipitacao, ou verao seco na Regiao Sul do Brasil (TUBELIS; NASCIMENTO, 1980; NIMER, 1990; FERREIRA, 2007).

[FIGURE 6 OMITTED]

Na estacao do outono, em determinados municipios do Nordeste Rio-Grandense, como Bom Jesus, Sao Jose dos Ausentes, Cambara do Sul e Jaquirana, verificou-se no, uma significativa frequencia de meses com ocorrencia de anomalias negativas de precipitacao, o mesmo ocorrendo para determinados municipios localizados na Regiao Sudoeste e Centro Oeste do Rio Grande do Sul.

No inverno as maiores frequencias de meses com ocorrencia de indices de anomalia de chuva negativos foram observados em municipios das Regioes Sudoeste e Centro Oeste, em acordo com Britto; Barletta e Mendonca (2006) que verificou em estacoes pluviometricas localizadas nos municipios de Uruguaiana, Alegrete e Santana do Livramento no Sudoeste Rio-Grandense, o inverno como a estacao menos chuvosa para o periodo de 1968 a 1998. No periodo de inverno, a maior variabilidade das precipitacoes pluviais pode estar associada a formacao de Ciclogeneses e Frontogenes na America do Sul (SATYAMURTY; MATTOS, 1989). As ciclogeneses sao mais ativas nos meses de inverno, influenciando para maiores quantidades de precipitacao na Regiao Leste do Estado, sendo que a Regiao Oeste, juntamente com a Argentina e o Paraguai, sofrem subsidencia e em consequencia periodos de seca (GAN; RAO,1991; GRIMM; BARROS; DOYLE, 2000).

Na primavera, os municipios com maior ocorrencia de indices de anomalia de chuva negativos, localizam-se no setor Sul do Estado. Por outro lado, no setor Noroeste observou-se as menores ocorrencias de indices negativos, nesta mesma estacao do ano. Para esta Regiao destaca-se que Britto; Barletta e Mendonca (2008) observaram os meses de setembro e outubro (primavera) como os mais chuvosos, em estacoes meteorologicas nos municipios de Sao Luiz Gonzaga e Cruz Alta.

Para o setor Sudoeste, na estacao da primavera, observou-se os menores numeros de meses com ocorrencia de indices de anomalia de chuva negativos, quando comparados com aqueles verificados nas demais estacoes do ano. Nos meses de primavera o Sul do Brasil sofre a influencia dos Sistemas Convectivos de Mesoescala o que provoca forte precipitacao nesta regiao, alem de influenciar tambem na distribuicao da precipitacao no Noroeste e Norte do Estado do Rio Grande do Sul (GUEDES, 1985; SILVA DIAS, 1987; BRITO; BARLETTA; MENDONCA, 2008).

4. CONSIDERACOES FINAIS

O objetivo do presente trabalho foi a avaliacao espacial dos indices de anomalia de chuva negativos do Rio Grande do Sul no periodo de 1991 a 2012, considerando a frequencia em meses de ocorrencia, como subsidio para os estudos referentes aos eventos de estiagem nos municipios e setores regionais do Estado. Neste sentido, destaca-se que metodologia atendeu ao objetivo proposto, permitindo verificar as ocorrencias de indices de anomalia de chuva negativos, nos municipios e setores regionais do Estado. Portanto, possibilitou observar as areas de abrangencia e a frequencia de ocorrencias de indices negativos de precipitacao, sendo estas informacoes de fundamental importancia para estudos voltados as estiagens no Estado e para as acoes que visem a mitigacao dos seus efeitos sobre as comunidades humanas e as atividades economicas por elas desenvolvidas, principalmente aquelas vinculadas ao setor da agropecuaria, que depende de indices pluviometricos adequados para seu bom desenvolvimento.

A partir das avaliacoes espaciais observou-se que na Regiao Sudoeste a frequencia de indices de anomalia de chuva negativos, em meses de ocorrencia foi superior com relacao as demais Regioes do Estado, principalmente na ultima decada do periodo de analise e nas estacoes do verao, outono e inverno. Neste sentido, a Regiao Sudoeste e merecedora de atencao por parte dos tomadores de decisao, no que se refere as medidas mitigadores a serem efetuadas antes, durante e depois das ocorrencias de desastres naturais por eventos adversos de estiagem.

As menores frequencias de indices de anomalia de chuva negativos foram verificadas nos municipios da Regiao Metropolitana de Porto Alegre e adjacencias. Ademais, destaca-se a importancia de estudos aprofundados com o objetivo de verificar as causas do maior numero de ocorrencias de indices de anomalia de chuva negativos na ultima decada do periodo de analise, dando continuidade as avaliacoes realizadas no presente trabalho a partir de 2013, ou proxima decada, para comparacoes com os resultados obtidos e expostos neste manuscrito, assim como, aqueles obtidos por outros pesquisadores, e a verificacao de tendencias do fenomeno estudado.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem a CAPES (Coordenacao de Aperfeicoamento de Pessoal de Nivel Superior) pelo fomento que viabilizou o desenvolvimento deste trabalho.

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Joceli Augusto Gross

Doutorando em Geografia-Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Av. Roraima, no 1000-Sala 2052 - CRS/INPE, Camobi, Santa Maria, RS-97105-900 gross_j oceli_augusto@hotmail.com

Roberto Cassol

Doutor em Geografia-Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Av. Roraima, no 1000-Sala 2052 CRS/INPE, Camobi, Santa Maria, RS-97105-900 rtocassol@gmail.com

(1) Entende-se como atividade de pecuaria de corte toda atividade de criacao de animais que venha a ser destinada ao consumo ou comercializacao da carne, representada pela bovinocultura, ovinocultura e caprinocultura de corte, ficando de fora a bovinocultura de leite. (Matte; Waquil, 2013)
Tabela 1--Classificacoes das intensidades das
anomalias de precipitacao de acordo com o Indice
de Anomalia de Chuva (IAC).

IAC                           Classificacao

[mayor que o igual a] 4,00    Extremamente umido
  3,00 a 3,99                 Umidade alta
  2,00 a 2,99                 Umidade moderada
  0,50 a 1,99                 Umidade baixa
  -0,49 a 0,49                Normal
  -1,99 a -0,5                Seca suave
  -2,00 a -2,99               Seca moderada
  -3,00 a -3,99               Seca alta
[menor que o igual a] -4,00   Seca extremamente alta

Fonte: Adaptado de Fernandes et. al. 2009.
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Title Annotation:texto en portugues
Author:Gross, Joceli Augusto; Cassol, Roberto
Publication:Revista Geografica Academica
Date:Jul 1, 2015
Words:5392
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