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O vies ideologico das traducoes de livros no brasil: o caso do terrorismo e do fundamentalismo islamico.

Introducao

Dos estimados 11 milhoes de leitores ativos de livros no Brasil, somente 1,2 milhao leem obras relativas as tematicas das Ciencias Sociais. Esse grupo de interesse esta em quarto lugar, perdendo para as obras de religiao (4,7 milhoes de leitores), de literatura (3,5 milhoes) e de Filosofia e Psicologia (2,29 milhoes). (2) Apesar desse desempenho, as obras gerais (categoria que inclui as de sociologia e politica, entre outras agregadas sob o rotulo de Ciencias Sociais) sao as mais traduzidas no pais, especialmente de originais em ingles. Em 2006, de um total de 5.830 titulos traduzidos no pais, 3.194 contemplavam as obras gerais. (3) A mesma situacao paradoxal ocorre quando se observa que, dos 46.026 livros editados em 2006 no Brasil, 11.650 diziam respeito as obras gerais, total inferior, mas nao muito distante dos 18 mil livros didaticos e 13 mil tecnico-cientificos, os generos mais publicados. (4) Cabe lembrar que as obras gerais estao em penultimo lugar em faturamento, ganhando somente dos livros religiosos.

Chega-se a conclusao de que as editoras brasileiras prestigiam de forma excepcional essa categoria de livro e esse tipo de traducao, apesar de seu publico exclusivo ser o quarto em dimensao e seu faturamento ficar aquem da receita produzida pelas obras didaticas e os livros tecnicos, cientificos e profissionais.

As causas da preferencia editorial por esse tipo de obra e traducao devem ser investigadas. Pode-se inferir por hipotese que, em boa medida, o que explica essa situacao e o papel politico e social que essas obras desempenham. O leitor das obras gerais constitui a elite intelectual do pais. Esta envolvido na resolucao de dilemas politicos e sociais e disputa a guerra das ideias com livros e autores nas maos; entre eles, tambem os estrangeiros. Ou seja, o embate ideologico nacional faz uso tambem da producao intelectual internacional.

Panorama do mercado editorial brasileiro

Le-se pouco no Brasil. No caso de livros nao didaticos, tem-se menos de um exemplar por habitante ao ano, ressaltando-se que a metade dos livros lidos nao e comprada, segundo o IBGE. Em consequencia, as tiragens medias de cada edicao de uma obra sao baixas no pais. Por isso, pode-se afirmar que 71% da populacao ativa do pais nao tem contato ou tem muito pouco contato com livros. Em 2006, por exemplo, 61% dos 310 milhoes de exemplares vendidos referiam-se a obras didaticas, ou seja, trata-se de leitura comprometida e obrigatoria vinculada a cursos, escolas e universidades. Naquele mesmo ano, as compras de livros pelo governo brasileiro - que supre a rede publica de ensino - representaram um quarto da receita total da venda do setor no pais.

Panorama mundial da traducao de livros

Antes de examinar e refletir sobre um desses possiveis criterios de filtragem: o do vies ideologico das obras traduzidas para o portugues e publicadas por editores brasileiros, cabe expor com algum detalhamento a insercao do Brasil e da lingua portuguesa no contexto do mercado editorial global, pois algumas evidencias merecem ser assinaladas.

A primeira delas e que o Brasil ocupa papel de destaque na traducao de obras estrangeiras, localizando-se na decima posicao no mundo.

A segunda evidencia e de que mais livros sao traduzidos para o portugues do que livros de autores que escrevem em portugues sao vertidos para uma lingua estrangeira.

A terceira evidencia e o fato de que predomina, e muito, no Brasil a preferencia entre as obras traduzidas de autores de lingua inglesa.

Os dados reunidos no Index translationum confirmam essa mesma tendencia.

Segundo a Unesco, no mundo, o Brasil e o oitavo pais que mais traduziu do ingles.

A quarta evidencia mostra que ha pouco interesse por obras de autores de lingua portuguesa no mercado editorial mundial.

A quinta evidencia mostra que a lingua portuguesa ocupa um distante 12 lugar entre as mais vertidas no mundo, embora salte para a 7a posicao como a lingua de destino das traducoes.

Portanto, ate aqui, esses dados mostram que o Brasil traduz muito, com predominio de originais em lingua inglesa, num fluxo comercial desequilibrado, ja que o interesse dos estrangeiros por nossas obras e baixo, enquanto nosso interesse pela producao internacional, em especial a produzida em lingua inglesa, e alto. Alem dessas evidencias, e possivel assinalar que, apesar de o nosso mercado livreiro representar somente 2% do mercado global de livros, em termos absolutos, o Brasil e o setimo pais que mais vende exemplares, atingindo, em 2006, um total de pouco mais de 310 milhoes de volumes comercializados.

Em 2002, os livros editados em portugues, no Brasil, representavam igualmente 2% do mercado mundial de vendas de livros, alcancando 1% da receita total do setor em todos os mercados internacionais, que era bem inferior aos valores obtidos pelas editoras de livros em ingles (52% da renda do mercado editorial mundial), japones (14%), alemao (10%), chines (9%), espanhol (4%), italiano (4%), e em frances (3%).

Habitos de leitura

Como afirmado, e conforme o levantamento Retrato da leitura no Brasil (2001), somente 1 milhao e 200 mil brasileiros leem obras de Ciencias Sociais (11% do total do publico leitor). Esse leitor e tipicamente um individuo com curso superior, entre 20 e 29 anos, que pode pertencer as camadas economicas A/B ou C da sociedade. Esta finalizando ou ja acabou seus estudos universitarios, sendo esse genero leitura obrigatoria da faculdade. Ele pode ser ainda um leitor que busca uma ampliacao dos conceitos e ideias recem-adquiridos no curso universitario.

Ciencias Sociais e o quarto genero mais popular. Embora religiao esteja em ultimo lugar entre as obras mais editadas no Brasil e apresente o menor faturamento entre todos, e o genero mais lido, com 39% de preferencia do publico (o equivalente a 4.700 leitores), sendo a leitura da Biblia a responsavel pela metade desse indice, fator que distorce a evidencia de ser o genero mais popular (aparentemente os demais livros religiosos sao pouco procurados). Seguem, em ordem decrescente, a literatura de ficcao, com 29% das preferencias (3,5 milhoes de leitores) e as obras de Filosofia e Psicologia com 19% (2,29 milhoes de leitores).

No caso especifico das Ciencias Sociais, categoria de livro que se enquadra em obras gerais, objeto desta reflexao e estudo, a maior parte de seus leitores (15%) concentra-se em cidades de 100 a 500 mil habitantes e em centros urbanos com mais de 500 mil habitantes (13%). Dos 4.076 respondentes da pesquisa Retrato da leitura no Brasil (2001), em todo o pais, somente 9% haviam consultado uma obra de sociologia nos doze meses anteriores a pesquisa.

O dilema do encontro

Deriva desse contexto complexo o interesse teorico sobre os criterios utilizados na selecao de obras estrangeiras que sao traduzidas para venda no Brasil, em especial aquelas relacionadas aos temas das Ciencias Sociais. E obvio que ha necessidade de o editor nacional identificar um nicho de interesse de aficionados entusiastas, que justifique o esforco nao so de traduzir uma obra estrangeira como de publica-la e divulga-la nessa precaria estrutura, e o empreendimento torna-se ainda mais desafiador na categoria obras gerais.

O problema

Esse fato nos faz pensar sobre os criterios utilizados pelos editores nacionais na selecao de titulos que sao traduzidos e disseminados no Brasil. Cabe revelar que esse tipo de interesse e fruto de uma suspeita, relativamente trivial, que merece e demanda, no entanto, exame empirico. Os livros em geral, mas em especial os que se envolvem com o sentido e o significado dos eventos correntes, nao sao nem traduzidos nem publicados inocentemente. Visam atender as demandas ideologicas do mercado. Querem atender as necessidades de publicos e correntes de opiniao especificos. Afinal, cada livro e pensado para certo tipo de leitor.

Portanto, na selecao de tais obras a serem traduzidas o conteudo parece ser fator decisivo. E verdade que o engajamento do editor podera ser narcisista -- traduzira e publicara a obra que gostaria de ler. Podera ser militante -- traduzira a obra que vem ao encontro de sua propria fe. Mas podera ser ainda pragmatico -- publica-se qualquer obra que prometa boa circulacao. Certamente ha espaco tambem para a editoracao rebelde, a que satisfaz o desejo social de inovacao. Nesse tipo de engajamento de contestacao, a obra sera consumida pelos atormentados com o senso comum, pelos aflitos com o dito e o repetido. Ou seja, as traducoes e as versoes nao serao nunca universais. Os editores, como os bibliotecarios, veem-se forcados a selecionar, igualmente com base num criterio similar de relevancia, a obra produzida num lado do mundo para ser lida e consumida noutra parte do planeta.

Portanto, interessa-nos avaliar e refletir, por meio de um estudo de caso especifico, esse filtro utilizado por editores na selecao de tal acervo traduzido para o portugues e publicado no Brasil.

Estudo de caso

A resposta a essa indagacao sobre o vies ideologico das obras traduzidas e publicadas no Brasil sera obtida pelo levantamento de obras estrangeiras traduzidas para o portugues e editadas no Brasil no periodo de 11 de setembro de 2001 a abril de 2008, e que tratam especificamente da tematica do ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos e de eventos e fatos relacionados direta ou indiretamente aquela ocorrencia. Estas palavras-chave foram definidas para a pesquisa dos titulos e sumarios destes livros: 11 de setembro, Bin Laden, orientalismo, ocidentalismo, terrorismo, isla, fundamentalismo islamico, guerra no Iraque, guerra do Afeganistao, Al Qaeda, taliba e imperialismo. Para fins do enquadramento de uma obra em uma das duas correntes de opiniao descritas a seguir, considera-se a descricao, o conteudo e a resenha apresentada pela Amazon.com sobre ela. Levantamentos similares foram realizados nos sites Answers.com, Wikipedia e outras fontes referidas no Google. com. Esta investigacao examinou os acervos bibliograficos reunidos nas bibliotecas de quatro universidades brasileiras de prestigio (Universidade de Sao Paulo, Universidade de Brasilia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Universidade Federal do Rio de Janeiro) e das quatro maiores universidades em numeros de alunos (UNIP, Universidade Estacio de Sa, Universidade Estadual de Goias e Universidade Estadual de Piaui). Foram considerados igualmente os acervos comerciais das livrarias Cultura, Saraiva, FNAC, Siciliano, Nobel e Curitiba.

Visando a precisao e o rigor conceitual, cabe realcar que as duas principais correntes ideologicas que no Brasil disputam o controle do imaginario nacional sobre as tematicas anteriormente referidas foram denominadas em A pena, a tinta e o sangue: a guerra das ideias e o isla (Wainberg 2008) como nativismo orientalista e nativismo ocidentalista. Sao versoes nacionais das argumentacoes apresentadas em Orientalismo: o Oriente como invencao do Ocidente (Said 2007) e em Ocidentalismo: o Ocidente aos olhos de seus inimigos (Buruma & Margalit 2006).

O vies ocidentalista

Os discursos criticos dessa tradicao de pensamento (que reune uma variedade de autores de diversos continentes) sobre o Oriente contaminaram de tal forma o termo orientalista que essa antiga especialidade de investigacao academica adquiriu uma conotacao pejorativa. O fato obrigou muitas universidades do Ocidente a cancelarem catedras com esse rotulo. Ja o conceito de ocidentalismo, muito mais recente, ainda nao se popularizou e nao se degradou o suficiente para refletir o mal-estar de autores variados aos fundamentos filosoficos, politicos, culturais e economicos das sociedades europeia e norte-americana, principalmente. De qualquer forma, neste estudo, fazemos uma comparacao entre ambos os termos. Em decorrencia da imprecisao semantica dos termos Ocidente e Oriente, preferimos destacar com algum detalhamento que, para nossos fins, o vies ocidentalista de uma obra registra o mal-estar de autores e pensadores criticos variados com um ou mais de um dos fundamentos filosoficos do liberalismo (valores como a liberdade de pensamento, de expressao, religiao e de imprensa, os direitos humanos, a igualdade da mulher, entre outros), da democracia representativa e do capitalismo que marcaram originalmente as sociedades norte-americana e europeia ocidental e que se difundiram a seguir por outros continentes e paises.

Alem disso, em tais obras criticas ao Ocidente, os autores priorizam em graus variados a denuncia dos Estados Unidos e da Inglaterra (e de seus aliados), suas acoes militares e visoes estrategicas, a acao economica de suas corporacoes multinacionais assim como as prioridades geopoliticas desses estados. Apontam contradicoes e paradoxos entre tais acoes e os propalados valores das sociedades capitalistas e liberais. Entre os valores economicos criticados estao, por exemplo, a logica competitiva da economia de mercado e a liberdade desfrutada por atores poderosos o que, na opiniao desses criticos, os favorece injustamente em detrimento dos pequenos e mais fracos. E intensa tambem a ruminacao desses autores contra o lucro e a acumulacao do capital, a meritocracia, o neoliberalismo, a acao imperial das potencias ocidentais e o individualismo. Revelam desgosto com a falta de espirito utopico dessas sociedades. Tal critica pode incluir tambem um certo desconforto com a separacao existente nessas sociedades entre o Estado e a religiao, a secularizacao de suas populacoes e a globalizacao, que e vista como uma nova manifestacao do velho colonialismo, ou seja, a expansao dos interesses e do estilo de vida das potencias economicas do Ocidente no mundo todo, mas em especial no Oriente.

Um autor ocidentalista pode fazer sua denuncia com o desejo de renunciar aos valores liberais da sociedade de consumo. Pode tambem manifestar o desejo de purifica-los ou de renova-los. Tal critica se situa, portanto, numa latitude de rejeicao. Uma obra ocidentalista varia desde um extremo moderado, em que faz uso de um ou de alguns elementos dessa critica, ao outro extremo, no qual combina um grande numero dessas ponderacoes. O tom de sua retorica, por vezes, e reformista, mas nao raro e revolucionaria. A preocupacao desses autores e com a condicao social, politica, cultural e economica do Ocidente e so marginalmente com o fundamentalismo islamico, considerado pela maioria deles como tema periferico, irrelevante, artificial ou inexistente. Os orientalistas os acusam de construir uma imagem falsificada e fantasiosa do Oriente, descrita por eles como uma regiao atrasada, retrograda, autoritaria e selvagem - argumentos que tem servido as investidas imperialistas do Ocidente em regioes do Oriente Medio, Extremo Oriente, Africa e Asia. Tal argumento tem servido tambem ao neocolonialismo contemporaneo, em especial, o cultural. Em boa medida, a corrente ocidentalista de pensamento opoe-se a visao de que os valores ocidentais sao universais. A obra desses autores divulga tambem os relativismos cultural e moral, assim como o historicismo.

Como proposto originalmente por Margalit & Buruma (2006), o ocidentalismo foi divulgado no Ocidente pela pena de autores ocidentais (marxistas, fascistas, nazistas, radicais de tonalidades variadas e utopicos religiosos, entre outros). Em nossa formulacao, a semantica do termo foi ampliada e faz referencia aos autores que publicam suas obras com esse tom e sabor tambem no Oriente. Como dito, os autores ocidentalistas, tanto do Oriente como do Ocidente, rotulam seus adversarios como orientalistas. Estes, em represalia, afirmam que tais pensadores hostis ao Ocidente concedem alibis a acao terrorista de movimentos como o Al Qaeda, Hamas, Jihad Islamica, e outros. Considerando esses elementos de discurso, as seguintes obras traduzidas e publicadas no Brasil, entre setembro de 2001 e junho de 2008, apresentam um vies ocidentalista:

O vies orientalista

Os autores da corrente rotulada pejorativamente como orientalista revelam mal-estar com o Oriente, sendo, atualmente, seu principal alvo teorico o fundamentalismo islamismo. Priorizam em suas obras a denuncia da acao teologica e doutrinaria do islamismo politico, assim como a situacao social, cultural e economica das sociedades dos estados arabes e muculmanos em geral. Tal acervo critica os valores autoritarios e conservadores da ortodoxia islamica, especialmente sua vocacao messianica, evangelizadora e terrorista. Julga como demerito a posicao da mulher nessa teologia e nas sociedades islamicas, sua falta de respeito aos direitos humanos, considerados por esses autores como valores universais. Denunciam ainda o controle das castas religiosas sobre a vida individual dos cidadaos. Um autor rotulado por seus inimigos como orientalista enquadra-se numa latitude de rejeicao, desde um extremo moderado, em que refere um ou alguns elementos dessa critica ate o outro extremo, no qual faz uso de um amplo leque de evidencias e fatos que o levam a emitir um juizo de valor acido a tal padrao cultural e a tais correntes doutrinarias fundamentalistas. Essa critica visa ora promover o secularismo dessas sociedades, ora sua modificacao radical a imagem do Ocidente, desejando ainda reforma-la e modera-la sem que isso signifique um abandono de suas raizes culturais mais profundas. Mostram intensa contrariedade ao relativismo cultural e moral divulgada na obra antropologica e adotada e exposta na argumentacao ocidentalista. De forma geral, os autores rotulados como orientalistas advogam os ideais do liberalismo, sendo por isso geralmente favoraveis ao livre comercio, a democracia representativa e a globalizacao dos mercados economico e cultural. Muitos deles consideram que as potencias ocidentais tem um papel de lideranca politica e cultural e apoiam sua propalada missao de lutar pela democratizacao do mundo e pelos direitos humanos. Tais autores orientalistas publicam suas obras tanto no Ocidente como no Oriente, muito embora pensadores arabes e muculmanos moderados vejam-se hoje obrigados a editar boa parte de seus livros com tais pontos de vista sob a protecao de instituicoes ocidentais.

Considerando esses elementos, as seguintes obras traduzidas e publicadas no Brasil, entre setembro de 2001 a junho de 2008, foram enquadradas como obras que apresentam um vies orientalista:

Vies balanceado

A dificuldade no enquadramento das obras traduzidas e publicadas no Brasil no periodo de setembro de 2001 a junho de 2008 sobre temas que envolvem o isla, o terrorismo fundamentalista, as guerras no Iraque e Afeganistao, entre outros correlatos, exige uma terceira categoria aqui chamada de "balanceada". Entre suas principais propriedades esta o manifesto desejo do autor de evitar posicionamento ideologico e juizo de valor. Esse tipo de obra tem o objetivo indireto de exercer o papel de facilitador do dialogo intercultural e de conciliacao entre os diversos grupos humanos. Tais autores optam pela descricao dos fatos, ocorrencias e fenomenos numa abordagem equilibrada. Tal categoria inclui ainda obras em que o autor revisa criticamente aspectos de sua propria formulacao, ou a de seus companheiros. Isso significa dizer que nao abandona a essencia de sua interpretacao de mundo, mas que contempla aspectos da realidade que o obrigam a ponderar criticamente sobre argumentos que apresentou e defendeu no passado. Esse vies balanceado e marcante, portanto, em obras geralmente descritivas, jornalisticas, documentais e comparativas.

Conclusao e discussao

Os dados apresentados mostram que, na disputa entre o ocidentalismo e o orientalismo, as editoras brasileiras traduziram e publicaram um maior numero de obras ocidentalistas. No entanto, a maioria delas enquadrou-se na categoria balanceada.

A crise provocada pelo terrorismo e o fundamentalismo islamico no mundo contemporaneo deu folego ao antigo debate intelectual que, no Ocidente e no Brasil, e travado desde os tempos da Guerra Fria concernente a natureza e aos valores do capitalismo, aos interesses geopoliticos do ocidente e do liberalismo. Para essa corrente de opiniao e seus leitores ocidentalistas, Osama Bin Laden, suas acoes e ideias nao constituem tema de preocupacao e interesse intelectual prioritario. Tal tendencia reproduz o clima da opiniao publica brasileiro constatado no estudo Terrorismo, fundamentalismo islamico e o imaginario social brasileiro: a difusao das ideias e seus efeitos (Wainberg 2008b). Os editores nacionais, ao privilegiarem tal tendencia, vao ao encontro desse ambiente psicossocial, reforcando-o e amparando o nativismo ocidentalista com a palavra de seus pares, especialmente os autores criticos norte-americanos, usualmente rotulados naquele pais como radicais, liberais, anarquistas ou de esquerda.

No Brasil, tambem existe a critica ao Oriente, mas os editores interessados em promove-la estao muito mais dispersos. O interesse sobre o Oriente e seus dilemas, em especial os relacionados a crise do isla, depende da atencao de uma variedade muito maior de pequenas casas editoras do que o existente na promocao das ideias ocidentalistas, mais concentrada em empresas consagradas.

Cabe assinalar que 5 entre as 52 editoras analisadas sao as principais divulgadoras das obras dessas duas correntes no pais: a Record, que publicou um numero maior de livros com vies ocidentalista (assim como obras com o vies balanceado). Seguem seus passos a Bertand Brasil (com uma obra traduzida e publicada com vies ocidentalista), a Companhia das Letras (ocidentalista e balanceada) e a Zahar (orientalista e balanceada).

Os 52 editores citados traduziram e publicaram uma media aproximada de 13 livros estrangeiros/ano sobre essa tematica, principalmente de origem norte-americana. Como afirmado, nao ha traducao universal de obras. E o criterio ideologico na escolha dos livros para ser traduzidos e publicados no Brasil parece ter exercido certo papel. As editoras listadas deram tambem forte amparo a obras classificadas como balanceadas, mais palataveis ao objetivo politicamente correto de evitar aprofundar o propalado "choque das civilizacoes". Curiosamente, a Tabela 21 mostra que raramente uma editora, principalmente entre as mais fortes e dinamicas, contempla entre suas opcoes a edicao simultanea de obras com ambos os vieses, o ocidentalista e o orientalista.

Isso parece indicar o desejo de buscar certa coerencia editorial. Tal coerencia parece se expressar na escolha ideologica dos autores e das obras traduzidas. Esse fato nos induz a pensar que a funcao gatekeeper e praticada em sua plenitude. Como nao poderia deixar de ser, obras sao autorizadas e desautorizadas. Preferencias sao exercidas. Parece haver certa alianca entre editoras e correntes de opiniao. Ao contrario do que possa sugerir um entendimento inocente da funcao social das editoras como instrumento equilibrado e objetivo para a educacao do povo, elas na verdade fazem parte do nucleo duro da intelectualidade e existem para servir a esses interpretes da realidade. Para isso, observam no detalhe o senso comum dessa elite, seu estado de espirito e o que tais pensadores consideram falso ou verdadeiro, aceitavel ou heretico. Como se trata de um negocio, as editoras evitam em boa medida macular as crencas, mitos e conviccoes de suas correntes de opiniao preferenciais, os consumidores de seus livros.

No caso dessas traducoes, buscam autores estrangeiros e obras filiadas a essas preferencias. O olhar atento e preferencial e dirigido ao mercado editorial norte-americano, o mais vibrante e diversificado. O que la se publica -- e la se publica muito de tudo -- serve de caixa de ressonancia as casas editoras brasileiras. Obras de outros paises sao admitidas em boa medida no Brasil quando ecoam primeiro no mercado editorial dos Estados Unidos.

Como assinalado, a crise da leitura permanece sendo um obstaculo a difusao geral do livro no Brasil. Tal dificuldade e ainda maior no que se refere as obras como as examinadas neste levantamento, as que possuem tom polemico, ensaistico e argumentativo, e que estao vinculadas a temas da atualidade.

Como afirmado, tal acervo destina-se ao restrito e seleto publico de 1 milhao e 200 mil pessoas que constitui a elite brasileira sintonizada e preocupada com as tematicas sociais e politicas contemporaneas. E essa condicao que atrai o interesse das editoras que privilegiam a categoria obras gerais na traducao de autores estrangeiros. Assim, os editores exercem uma acao cujo carater politico e indisfarcavel. Ou seja, publicam e traduzem muito num genero que nao e o mais procurado, nao e o mais rentavel e que atrai somente o quarto grupo mais numeroso de leitores. Essa atitude contradiz a logica comercial, a de se obter maior beneficio economico com o menor esforco. No caso, as editoras brasileiras fazem um grande esforco para obter um resultado que nao e nem o mais facil nem o mais lucrativo, mas que e politicamente muito expressivo.

Referencias bibliograficas

BURUMA, I. & MARGALIT, A. Ocidentalismo: o Ocidente aos olhos de seus inimigos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.

CAMARA BRASILEIRA DO LIVRO; Sindicato Nacional de Editores de Livros. Producao e vendas do setor editorial brasileiro. Relatorio 2006. Sao Paulo, jul. 2007.

--. Producao e vendas do setor editorial brasileiro. Relatorio 2005. Sao Paulo, jul. 2006.

--. Producao e vendas do setor editorial brasileiro. Relatorio 2004. Sao Paulo, jul. 2005.

--. Retrato da leitura no Brasil. Sao Paulo: Abrelivros, 2001.

CRAIN, C. "Twilight of the books". The New Yorker, 24 dez. 2007.

EARP, F. S. & KORNIS, G. A economia da cadeia produtiva. Rio de Janeiro: BNDES, 2005.

--. A economia do livro: a crise atual e uma proposta de politica. Rio de Janeiro: UFRJ, 2005. (Textos para Discussao.)

SAAB, W. G. L. & GIMENEZ, L. C. P. Cadeia de comercializacao de livros. Disponivel em: <http://www.bndes.gov.br/conhecimento/relato/rel-ivr.pdf>. Acesso em: 31 mar. 2009.

SAID, E. W. Orientalismo: O Oriente como invencao do Ocidente. Sao Paulo: Companhia das Letras. 2007.

WAINBERG, J. A. A pena, a tinta e o sangue: a guerra de ideias e o isla. Porto Alegre: Edipucrs. 2008.

--. "Terrorismo, fundamentalismo islamico e o imaginario social brasileiro: a difusao das ideias e seus efeitos". Revista Brasileira de Comunicacao. Intercom, 2 semestre 2008.

ZAID, G. Livros demais!: sobre ler, escrever e publicar. Sao Paulo: Summus, 2004.

Jacques A. Wainberg (1)

(1) Professor do Programa de Pos-graduacao em Comunicacao da Pontificia Universidade Catolica do Rio Grande do Sul (PUC-RS); doutor pela Faculdade de Comunicacoes e Artes da Universidade de Sao Paulo (ECA-USP); pesquisador pelo CNPq. O autor agradece o apoio das auxiliares de pesquisa Janaina Azevedo Lopes e Liza Marques de Melo. Agradece ainda a Pontificia Universidade Catolica do Rio Grande do Sul e ao CNPq o apoio a realizacao deste estudo. (2) Dados da pesquisa Retrato da leitura no Brasil. Sao Paulo: CBL; SNEL; Abrelivros, 2001.

(3) Ibidem.

(4) Ibidem.
Tabela 1. Faturamento com a venda de livros
no Brasil (em R$ milhoes)

Ano (1) * (2) * (3) * (4) *

1999 12,14 10,49 5,69 33,09
2000 15,50 9,79 5,00 28,66
2001 17,88 9,71 6,78 26,84
2002 17,94 10,42 7,54 21,89
2003 16,94 7,38 10,70

Fonte: EARP, Fabio Sa & KORNIS, George. A economia
da cadeia produtiva. Rio de Janeiro: BNDES, 2005.

* 1. Obras didaticas; 2. Obras gerais; 3. Religiosas;
4. Obras tecnicas, cientificas e profissionais.

Tabela 2. Tiragem media das edicoes de
livros no Brasil

Ano Tiragem media

2000 7.333
2001 8.073
2002 8.475
2003 8.306
Media de 1990-2003 7.939

Fonte: EARP, Fabio Sa & KORNIS, George. A
economia da cadeia produtiva. Rio de Janeiro:
BNDES, 2005.

Tabela 3. Brasil - Consumo de livros nao didaticos por
habitante -- 1990-1998

Ano Livros nao didaticos/ Total de exemplares/
 Populacao Populacao

1990 1,0 1,5
1991 1,4 2,0
1992 0,6 1,1
1993 0,8 1,8
1994 0,8 1,7
1995 0,9 2,4
1996 1,0 2,5
1997 0,9 2,2
1998 0,9 2,5

Fonte: CBL e IBGE citados em: SAAB, William George Lopes;
GIMENEZ, Luiz Carlos Perez. Cadeia de comercializacao
de livros. Rio de Janeiro: BNDES, 2005.

Tabela 4. Brasil--Faturamento das editoras de
livros

Ano Total Indice
 (R$ milhoes de 2003)

1995 4.523 100
1996 4.157 92
1997 3.756 83
1998 4.066 90
1999 3.198 70
2000 3.174 70
2001 3.167 70
2002 2.679 60
2003 2.363 52

Fonte: EARP, Fabio Sa & KORNIS, George. A economia
da cadeia produtiva. Rio de Janeiro: BNDES, 2005.

Tabela 5. Vendas totais de livros ao governo do Brasil e
o faturamento (em percentual)

Ano Venda total Faturamento de vendas
 de exemplares ao governo de livros ao governo
 (% do total) (% do total)

1995 0,53 0,33
1996 0,31 0,13
1997 0,35 0,14
1998 0,39 0,20
1999 0,28 0,16
2000 0,66 0,24
2001 0,64 0,25
2002 1,02 0,21
2003 0,77 0,24
Media 0,55 0,21

Fonte: EARP, Fabio Sa & KORNIS, George. A economia da cadeia
produtiva. Rio de Janeiro: BNDES, 2005.

Tabela 6. Os dez paises que mais
traduziram obras estrangeiras
(numero de titulos)

Alemanha 229.755
Espanha 194.965
Franca 148.988
Japao 104.153
URSS (ate 1991) 92.764
Holanda 80.305
Polonia 60.826
Dinamarca 60.499
Italia 53.309
Brasil 49.697

Fonte: Unesco--desde 1979.

Tabela 7. Lingua portuguesa: versao e traducao
(numero de titulos)

Ano 2001 2002 2003 2004
Versao 733 492 570 412
Traducao 3.233 2.973 4.271 3.619

Fonte: Unesco--desde 1979.

Tabela 8. Titulos traduzidos para o portugues e editados
no Brasil no periodo de 2003 a 2005

Lingua original da obra 2003 2004 2005

Ingles 2.590 3.376 3.575
Frances 410 519 513
Espanhol 260 364 574
Alemao 180 260 258
Italiano 270 364 326
Portugues (Portugal) 120 156 142
Japones 30 52 141
Outros 60 104 79
TOTAL 3.920 5.194 5.608

Fonte: Camara Brasileira do Livro/Fundacao Instituto
de Pesquisas Economicas. Nota: A estatistica brasileira
nao coincide com a reunida no banco de dados da Unesco.

Tabela 9. As dez linguas mais
traduzidas no Brasil (numero
de titulos)

Ingles 33.899
Frances 5.755
Alemao 3.19
Espanhol 2.781
Italiano 1.988
Portugues 1.3
Latim 259
Grego antigo 123
Holandes (teuto) 112
Noruegues 75

Fonte: Unesco--desde 1979.

Tabela 10. Os dez paises que
mais traduziram do ingles
(numero de titulos)

Alemanha 146.508
Espanha 102.181
Franca 92.748
Japao 80.800
Holanda 55.306
Dinamarca 35.412
Polonia 34.579
Brasil 33.899
Italia 28.335
Noruega 25.098

Fonte: Unesco--desde 1979.

Tabela 11. Os dez paises que
mais traduziram do portugues
(numero de titulos)

Espanha 1.542
Brasil 1.130
Franca 1.069
Alemanha 978
Argentina 442
Estados Unidos 412
Italia 302
Portugal 233
Holanda 232
Japao 197

Fonte: Unesco--desde 1979.

Tabela 12. Lingua de origem da
obra vertida em lingua estrangeira
em todo o mundo (numero de titulos)

1. Ingles 942.087
2. Frances 176.129
3. Alemao 160.573
5. Italiano 52.030
6. Espanhol 40.440
7. Dinamarques 15.426
10. Polones 11.722
11. Arabe 8.113
12. Portugues 8.787

Fonte: Unesco--desde 1979.

Tabela 13. A lingua de destino
das obras traduzidas em todo
o mundo (numero de titulos)

1. Alemao 259.602
2. Espanhol 193.951
3. Frances 184.642
4. Ingles 109.702
5. Japones 104.393
6. Holandes 99.191
7. Portugues 69.829

Fonte: Unesco--desde 1979.

Tabela 14. Os paises que mais venderam livros
em 2002

Pais Milhoes de exemplares (%)

China 7.103 49
Estados Unidos 2.551 18
Japao 1.403 10
Russia 494 3
Alemanha 479 3
Franca 413 3
Brasil * 345 2
Reino Unido 324 2
Italia 265 2
Espanha 235 2

Fonte: Euromonitor (2003), elaborado por EARP,
Fabio Sa & KORNIS, George. A economia do livro.
Rio de Janeiro: UFRJ, 2005.

* O dado fornecido pela CBL para 2002 e de 320.600
mil livros vendidos no Brasil.

Tabela 15.

 Producao (1a edicao e reedicao)

Ano Titulos Exemplares Exemplares

1990 22.479 239.392.000 212.206.449
2000 45.111 329.519.650 334.235.160
2001 40.900 331.100.000 299.400.000
2002 39.800 338.700.000 320.600.000
2003 35.590 299.400.000 255.830.000
2004 34.858 320.094.027 288.675.136
2005 41.528 306.463.687 270.386.729
2006 46.026 320.636.824 310.374.033

 Vendas

Ano Faturamento (R$)

1990 901.503.687
2000 2.060.386.759
2001 2.267.000.000
2002 2.181.000.000
2003 2.363.580.000
2004 2.477.031.850
2005 2.572.534.074
2006 2.880.450.427

Fonte: Camara Brasileira do Livro.

Tabela 16. Maiores vendas de livros por
numero de exemplares e % segundo o
idioma -- 2002

Chines 7.296.000 51%
Ingles 3.164.000 22%
Japones 1.403.000 10%
Russo 494.000 3%
Alemao 515.000 4%
Frances (Franca) 413.000 3%
Espanhol 365.000 3%
Portugues (Brasil) 345.000 2%
Italiano 265.000 2%

Fonte: Euromonitor (2003), elaborado por
EARP, Fabio Sa & KORNIS, George. A economia
do livro. Rio de Janeiro: UFRJ, 2005.

Tabela 17. Titulos editados e exemplares traduzidos
para o portugues por subsetores--2003-2006

Subsetor 2003 2004

Didaticos 120 (11.830) 156 (12.856)
Obras gerais 2 .430 (9.650) 3.220 (8.420)
Religiosos 710 (4.550) (935 (4.634)
CTP 660 (9.560) (883 (8.948)
Total 3.92 5.194

Subsetor 2005 2006

Didaticos 160 (15.965) 177 (17.911)
Obras gerais 3.071 (9.262) (3.194 (11.650)
Religiosos 1.267 (4.408) 1.264 (4.383)
CTP (1.110 (11.893) (1.195 (12.081)
Total 5.608 (41.528) 5.830 (46.026)

Fonte: Camara Brasileira do Livro / Fundacao
Instituto de Pesquisas Economicas.
O valor entre parenteses e o total de
titulos editados (1a edicao e reedicao)
no Brasil no periodo.

Tabela 18. Obras com vies ocidentalista traduzidas e publicadas
no Brasil: 2001-2008

Autor Titulo em Ano da Editora
 portugues edicao brasileira

BERNARD, A fabrica do 2007 Nova
Francois de terrorismo Harmonia

BHABHA, O local da cultura 2005 UFMG
Homi

BRIGHTMAN, Inseguranca total 2006 Record
Carol

CAMPOS, 11 de setembro e 2005 Universo
David Heylen outras mentiras dos Livros
 que nos contaram:
 as conspiracoes
 que mudaram
 a historia

CHOMSKY, 11 de setembro 2003 Bertrand
Noam Brasil

CHOMSKY, Piratas e 2006 Bertrand
Noam imperadores Brasil

CHOMSKY, Poder e terrorismo 2005 Record
Noam

CHOMSKY, Imperio 2004 Campus/
Noam americano Elsevier

DAVIS, Holocaustos 2002 Record
Mike coloniais

DINGES, Os anos 2005 Companhia
John do condor das Letras

EMMANUEL, Depois 2003 Record
Todd do imperio

GOODMAN, Corrupcao a 2005 Bertrand
Amy americana Brasil

GRAY, Al Qaeda e 2004 Record
John o que significa
 ser moderno

HARDT, Imperio 2001 Record
Michael

HARVEY, O novo 2004 Loyola
David imperialismo

HOBSBAWM, Globalizacao, 2007 Companhia
Eric democracia das Letras
 e terrorismo

LENS, A fabricacao do 2006 Civilizacao
Sidney imperio americano Brasileira

MANN, O imperio da 2006 Record
Michael incoerencia

MEYSSAN, 11 de setembro 2003 Usina do
Thierry de 2001 -- Uma Livro
 terrivel farsa

MOORE, Livro oficial do 2004 Editora W11
Michael filme Fahrenheit
 11 de setembro

PETRAS, Imperio 2002 Xama
James F. e politicas
 revolucionarias
 na America
 Latina

PETRAS, Imperialismo 2007 UFSC
James F. e luta de classes
 no mundo

RAI, Milan Iraque: Plano de 2003 Bertrand
 guerra, dez razoes Brasil
 contra a guerra
 ao Iraque

SAID, Edward W. Cultura e 2005 Companhia
 imperialismo das Letras

SAID, Edward W. O Oriente como 2005 Companhia
 invencao do das Letras
 Ocidente

SOUZA, Corine Espia de Bagda 2004 Landscape

SPURLOCK, Onde esta Osama 2008 Intrinseca
Morgan Bin Laden

TARIQ, Ali Confronto de 2005 Record
 fundamentalismo

TARIQ, Ali Bush na Babilonia: 2003 Record
 A recolonizacao
 do Iraque

TARIQ, Ali & Imperialismo 2005 Expressao
BARSAMIAN, e resistencia Popular
David

WALLERSTEIN, O declinio 2004 Contraponto
Imanuel do poder
 americano

WEINBERGER, Cronicas da era 2006 Record
Eliot Bush: O que ouvi
 sobre o Iraque

Autor Titulo no Pais de
 original origem

BERNARD, Nao disponivel Franca
Francois de

BHABHA, The location EUA
Homi of culture

BRIGHTMAN, Total EUA
Carol insecurity

CAMPOS, Mentiras Espanha
David Heylen oficiales

CHOMSKY, 9-11 EUA
Noam

CHOMSKY, Pirates and EUA
Noam emperors

CHOMSKY, Power and terror EUA
Noam

CHOMSKY, Hegemony or EUA
Noam survival:
 America's quest
 for global
 dominance
 (American
 Empire Project)

DAVIS, Late victorian EUA
Mike holoucausts

DINGES, The condor years EUA
John

EMMANUEL, Apres Lempire Franca
Todd

GOODMAN, The exception EUA
Amy to the rules

GRAY, Al Qaeda and Inglaterra
John what it means
 to be modern

HARDT, Empire EUA
Michael

HARVEY, The New EUA
David imperialism

HOBSBAWM, Globalisation, Inglaterra
Eric democracy and
 terrorism

LENS, The forging EUA
Sidney of the American
 empire

MANN, Incoherent EUA
Michael empire

MEYSSAN, 9/11 -- the big lie EUA
Thierry

MOORE, The official EUA
Michael Fahrenheit 9/11
 reader

PETRAS, N/D EUA
James F.

PETRAS, N/D EUA
James F.

RAI, Milan War Plan Iraq EUA

SAID, Edward W. Culture and EUA
 imperialism

SAID, Edward W. Orientalism EUA

SOUZA, Corine Baghdad's spy Inglaterra

SPURLOCK, EUA
Morgan

TARIQ, Ali The clash of EUA/RU
 fundamentalisms

TARIQ, Ali Bush in Babylon: EUA
 The recolinisation
 of Iraq

TARIQ, Ali & Speaking of EUA
BARSAMIAN, empire and resistance:
David Conversations
 with Tariq Ali

WALLERSTEIN, The decline of EUA
Imanuel American power:
 The U.S. in a
 chaotic world

WEINBERGER, What I heard EUA
Eliot about Iraq: Bush
 J chronicles

Tabela 19. Obras com vies orientalista traduzidas e publicadas
no Brasil: 2001-2008

Autor Titulo em Ano da Editora
 portugues edicao brasileira

ABED, J. Introducao a critica Unesp
Mohammed da razao arabe

AL-ZAYYAT, Os caminhos 2007 Outras
Montasser da Al Qaeda Palavras

BABBITT, Irving Democracia e 2003 Topbooks
 lideranca

BODANSKY, Bin Laden: 2001 Ediouro
Yossef O homem que
 declarou guerra
 a America

BROOKS, Nove partes do 2002 Gryphus
Geraldine desejo: O mundo
 secreto das
 mulheres islamicas

BURUMA, Ian Ocidentalismo 2006 Zahar
& MARGALIT,
Avishai

CARR, Caleb A assustadora 2002 Ediouro
 historia
 do terrorismo

DEMANT, Peter O mundo 2004 Contexto
 muculmano

ELLIS, Deborah A outra face: 2005 Atica
 Historia de uma
 garota afega

JOMIER, Islamismo 2001 Vozes
Jacques

KEEGAN, John A guerra do Iraque Biblioteca
 do Exercito

KEPEL, Gilles Jihad: Expansao 2003 Biblioteca
 e Declinio do do Exercito
 islamismo

LEMERCIER, O fotografo: 2008 Conrad
Frederic Uma historia no
 Afeganistao v. 2

LEVY, Quem matou 2003 A Girafa
Bernard-Henry Daniel Pearl?

LEWIS, Bernard O que deu errado no 2002 Zahar
 Oriente Medio?

LEWIS, Bernard A crise do isla: 2004 Zahar
 Guerra santa
 e terror profano

LEWIS, Bernard Os assassinos: Zahar
 Os primordios do
 terrorismo no Ira

LOGAN, Harriet Mulheres de Cabul 2006 Geracao
 Editorial

MANJI, Irshad Minha briga 2004 W11
 com o isla Editores

MAKHMALBAF, O Afeganistao 2001 Publifolha
Mohsen

MEDDEB, A doenca do isla 2003 UFMG
Abdelwahab

OREN, Seis dias de guerra 2004 Bertrand
Michael B. Brasil

RASHID, Jihad: A ascensao do 2003 Cosac &
Ahmed islamismo militante Naify
 na Asia central

SASSON, Mayada -- Filha 2005 Best Seller
Jean P. do Iraque

SEIERSTAD, O livreiro 2006 Record
Ane de Cabul

WHEATCROFT, Infieis: O conflito 2004 Imago
Andrew entre a cristandade

 e o isla

ZIZEK, Slavoj Bem-vindo ao 2003 Boitempo
 deserto do real:
 Cinco ensaios sobre
 o 11 de setembro e
 datas relacionadas:
 Estado de sitio

Autor Titulo no Pais de
 original origem

ABED, J. Critique de la Franca
Mohammed raison arabe

AL-ZAYYAT, The road to EUA
Montasser Al-Qaeda: The story
 of Bin Laderis right-
 hand man (Critical
 Studies on Islam)

BABBITT, Irving Democracy and EUA
 liberty

BODANSKY, Bin Laden: The EUA
Yossef man who declared
 war on America

BROOKS, Nine parts of desire: EUA
Geraldine The hidden world
 of Islamic women

BURUMA, Ian Occidentalism: EUA
& MARGALIT, A short history of
Avishai anti-westernism

CARR, Caleb The lessons of EUA
 terror

DEMANT, Peter Islam vs. Islamism EUA

ELLIS, Deborah The breadwinner EUA

JOMIER, Nao disponivel EUA
Jacques

KEEGAN, John The Iraq War: The EUA
 military offensive,
 from victory in
 21 days to the
 insurgent aftermath

KEPEL, Gilles Jihad Franca

LEMERCIER, Nao disponivel Franca
Frederic

LEVY, Qui a tue Daniel Franca
Bernard-Henry Pearl?

LEWIS, Bernard What went wrong EUA

LEWIS, Bernard The crisis of islam: EUA
 Holy war and
 unholy terror

LEWIS, Bernard The Assassins EUA

LOGAN, Harriet Unveiled EUA

MANJI, Irshad The trouble with EUA
 Islam today

MAKHMALBAF, Brasil
Mohsen

MEDDEB, La maladie d'Islam Franca
Abdelwahab

OREN, Six days of war EUA
Michael B.

RASHID, Jihad: The rise of EUA
Ahmed militant Islam in
 Central Asia

SASSON, Mayada, daughter EUA
Jean P. of Iraq

SEIERSTAD, Bokhandleren i Noruega
Ane Kabul

WHEATCROFT, Infidels: A history EUA
Andrew of th conflict
 between Christendom
 and Islam

ZIZEK, Slavoj Welcome to the EUA
 desert of the real:
 five essays on
 September 11 and
 related dates

Tabela 20. Obras com vies "balanceado" sobre o isla, o
fundamentalismo islamico, o terrorismo, e as guerras no
Oriente traduzidas e publicadas no Brasil: 2001-2008

Autor Titulo em Ano da Editora
 portugues edicao brasileira

ANDERSON, A queda de 2004 Objetiva
Jon Lee Bagda

ARMSTRONG, Maome: Uma 2002 Companhia
Karen biografia do das Letras
 profeta

ARMSTRONG, Em nome 2001 Companhia
Karen de Deus das Letras

ARMSTRONG, O isla 2001 Objetiva
Karen

BARBER, O imperio do 2005 Record
Benjamim medo: Guerra,
 terrorismo e
 democracia

BAUDRILLARD, O espirito do 2002 Campos das
Jean terrorismo Letras

BICHEL, Bruce O pequeno guia 2003 United Press
& STAN Janz sobre o islamismo

BLIX, Hans Desarmando o 2004 A Girafa
 Iraque

BOUHDIBA, A sexualidade 2006 Globo
Abdelwahab no isla

BHUTTO, Reconciliacao: 2008 Agir
Benazir islamismo
 democracia e
 o ocidente

BURKE, Jason Al-Qaeda: 2007 Zahar
 A verdadeira
 historia do
 radicalismo
 islamico

CATHERWOOD, A loucura de 2006 Record
Christopher Churchill:
 Os interesses
 britanicos e a
 criacao do Iraque
 moderno

COLL, Steve Os Bin Laden 2008 Globo

CYMBALA, Jim A graca de 2006 Vida
& SORENSON, Deus no 11 de
Stephen setembro

DENAURD, Iraque, a guerra 2003 Qualitymark
Patrick permanente:
 A posicao
 do regime
 iraquiano

GEERTZ, Observando 2004 Zahar
Clifford o isla

GEHRKE-WHITE, O rosto atras Arx
Donna do veu

FUKUYAMA, O dilema 2006 Rocco
Francis americano

HUSAIN, O que ND Callis
Shahrukh sabemos sobre
 o islamismo

JACONO, Islamismo -- 2002 Globo
Claudio Lo historias --
 preconceito
 -- festividades --
 divisoes

JONES, Ann Cabul no 2006 Novo
 inverno Conceito

LALIC, Daniel Onde esta 2008 Larousse
 Bin Laden Brasil

LAMB, Cartas de Herat, 2006 Novo Seculo
Christina meus anos no
 Afeganistao

MEYSSAN, 11 de setembro 2003 Usina
Thierry de 2001: Uma do Livro
 terrivel farsa

NICHOLSON, Os misticos Madras
Reynold A. do isla

RAHIMI, Atiq Terras e cinzas 2002 Estacao
 Liberdade

ROGERSON, O profeta Maome: Record
Barnaby Uma biografia

SCHUON, Para compreender 2006 Nova Era
Frithjof o Isla:
 Originalidade
 e universalidade
 da religiao

SHAH, Saira A filha do 2004 Companhia
 contador de das Letras
 historias: Uma
 jornada aos
 confins do
 Afeganistao

STEWART, Os lugare do 2008 Record
Rory meio: A travessia
 do Ajeganistao

VERNETT, Juan As origens 2004 Globo
 do isla

WHITTAKER, Terrorismo: Um 2005 Bibliex
David J. retrato Cooperativa

WILLIAMS, Manha de 2003 Axis Mundi
Donald & ZOJA, setembro: O 2003
Kuigi pesadelo global
 do terrorismo

WRIGHT, O vulto 2006 Companhia
Lawrence das torres das Letras

WOODWARD, Bush em Guerra
Bob 2003 Arx

Autor Titulo no Pais de
 original origem

ANDERSON, The fall of EUA
Jon Lee Bagdah

ARMSTRONG, Muhammad: EUA
Karen A biography of
 the prophet

ARMSTRONG, The battle EUA
Karen for God

ARMSTRONG, Islam: A short EUA
Karen history

BARBER, Fears empire: EUA
Benjamim War, terrorism,
 and democracy

BAUDRILLARD, Lesprit du Franca
Jean terrorisme

BICHEL, Bruce Nao disponivel EUA
& STAN Janz

BLIX, Hans Disarming Irak EUA

BOUHDIBA, La sexualite Franca
Abdelwahab en Islan

BHUTTO, Reconciliation: EUA
Benazir Islam, democracy,
 and the west

BURKE, Jason Al-Qaeda: The EUA
 true story
 of radical islam

CATHERWOOD, Churchill's folly: EUA
Christopher How Winston
 Churchill created
 modern Iraq

COLL, Steve The Bin Ladens: EUA
 An Arabian family
 in the American
 century

CYMBALA, Jim God's grace from EUA
& SORENSON, ground zero:
Stephen Seeking God's
 heart for the future
 of our world

DENAURD, Irak, la guerre Franca
Patrick permanente:
 Entretiens avec
 Tarek Aziz

GEERTZ, Islam observed: EUA
Clifford Religious
 development in
 Morocco and
 Indonesia

GEHRKE-WHITE, The face behind
Donna the veil

FUKUYAMA, America at the EUA
Francis crossroad

HUSAIN, Islam (What do EUA
Shahrukh we know about
 religions?)

JACONO, Islamismo Italia
Claudio Lo

JONES, Ann Kabul in winter: EUA
 Life without peace
 in Afghanistan

LALIC, Daniel Where's Bin EUA
 Laden?

LAMB, The sewing EUA
Christina circles of Herat:
 A personal
 voyage through
 Afghanistan

MEYSSAN, 9/11 -- The EUA
Thierry big lie

NICHOLSON, The mystics EUA
Reynold A. of Islam

RAHIMI, Atiq Earth and ashes Ira/EUA

ROGERSON, The prophet EUA
Barnaby Muhammad:
 A biography

SCHUON, Understanding EUA
Frithjof Islam

SHAH, Saira The storyteller's EUA
 daughter: One
 woman's return
 to her lost
 homeland

STEWART, The places in EUA
Rory between

VERNETT, Juan Los origenes
 des Islam

WHITTAKER, Nao disponivel
David J.

WILLIAMS, Nao disponivel EUA
Donald & ZOJA,
Kuigi

WRIGHT, The looming
Lawrence tower

WOODWARD,
Bob Bust at war EUA

Tabela 21. O vies ideologico de livros traduzidos e
editados por editoras brasileiras: 2001--2008

 Ocidentalismo Orientalismo

Bertrand Brasil 4 1
Record 10 1
Companhia das Letras 4 --
Civilizacao Brasileira 1 --
Loyola 1 --
Zahar -- 4
A Girafa -- 1
Geracao -- 1
Atica -- 1
Contexto -- 1
Top Books -- 1
Objetiva -- --
Nova Harmonia 1 --
UFMG 1 1
Universo dos Livros 1 --
Campus/Elsevier 1 --
W11 1 1
Xama 1 --
UFSC 1 --
PubliFolha -- 1
Landscape 1 --
Intrinseca 1 --
Expressao Popular 1 --
Contraponto 1 --
Unesp -- 1
Outras Palavras -- 1
Ediouro -- 2
Gryphus -- 1
Imago -- 1
Vozes -- 1
Biblioteca do Exercito -- 3
Conrad -- 1
Best Seller -- 1
Boitempo -- 1
Campos das Letras -- --
United Press -- --
Globo -- --
Agir -- --
Vida -- --
Qualitymark -- --
ARX -- --
Callis -- --
Rocco -- --
Novo Conceito -- --
Larousse -- --
Novo Titulo -- --
Usina do Livro 1 --
Madras -- --
Estacao Liberdade -- --
Nova Era -- --
Axis -- --
Cosac & Naify -- 1
Total 32 28

 Balanceado Total

Bertrand Brasil -- 5
Record 5 16
Companhia das Letras 3 7
Civilizacao Brasileira -- 1
Loyola -- 1
Zahar 4 8
A Girafa -- 1
Geracao -- 1
Atica -- 1
Contexto -- 1
Top Books -- 1
Objetiva 2 2
Nova Harmonia -- 1
UFMG -- 2
Universo dos Livros -- 1
Campus/Elsevier -- 1
W11 -- 2
Xama -- 1
UFSC -- 1
PubliFolha -- 1
Landscape -- 1
Intrinseca -- 1
Expressao Popular -- 1
Contraponto -- 1
Unesp -- 1
Outras Palavras -- 1
Ediouro -- 2
Gryphus -- 1
Imago -- 1
Vozes -- 1
Biblioteca do Exercito -- 3
Conrad -- 1
Best Seller -- 1
Boitempo -- 1
Campos das Letras 1 1
United Press 1 1
Globo 4 4
Agir 1 1
Vida 1 1
Qualitymark 1 1
ARX 2 2
Callis 1 1
Rocco 1 1
Novo Conceito 1 1
Larousse 1 1
Novo Titulo 1 1
Usina do Livro 1 2
Madras 1 1
Estacao Liberdade 1 1
Nova Era 1 1
Axis 1 1
Cosac & Naify -- 1
Total 35 95

Tabela 22. A origem das obras traduzidas e publicadas no Brasil
por vies ideologico: 2001--2008

 Ocidentalismo Orientalismo Balanceado Total

EUA 26 20 29 75
Inglaterra 4 -- -- 4
Noruega -- 1 1
Espanha 1 -- 1 2
Franca 2 5 3 10
Italia -- -- 1 1
Ira -- -- 1 1
Brasil -- 1 -- 1
Total 33 26 35 95

Tabela 23. Numero de autores das obras traduzidas e publicadas no
Brasil por vies ideologico: 2001-2008

 Ocidentalismo Orientalismo Balanceado

Numero de autores 24 26 33
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Article Details
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Title Annotation:DOSSIE
Author:Wainberg, Jacques A.
Publication:Comunicacao, Midia E Consumo
Date:Mar 1, 2009
Words:8304
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