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O que se diz sobre os MOOCs? A producao cientifica brasileira sobre os Massive Open On-line Courses nos ultimos 10 anos.

1. Introducao

O processo de ensino/aprendizagem vive um complexo momento de profunda transformacao propiciada pelo amplo acesso a internet e pelo desenvolvimento de tecnologias de informacao e comunicacao (TICs) (Luis, Rocha, & Marcelino, 2017, p. 55). Segundo Ruano, Congote e Torres (2016, p. 16), o uso generalizado de computadores pessoais, os telefones celulares e os tablets reconfigurou as maneiras de se receber, interpretar, administrar e transmitir a informacao. Nesse contexto surgem novas tecnologias de educacao a distancia para a aprendizagem aberta - open learning - que se caracterizam pelo amplo acesso aos recursos pedagogicos via internet e pela construcao de conhecimento por meio de interacoes sociais e educacionais. Novas oportunidades formativas ganharam forma nos ambientes virtuais, tais como os Massive Open On-line Couses (MOOCs), simulacoes de realidade virtual, treinamento assincrono, jogos em rede, alem de aprendizagem informal e auto-estudo.

Os MOOCs surgiram ha cerca de uma decada caracterizados por sua flexibilidade; livre acesso (abertos); baixo (ou nenhum) custo para os usuarios e potencial de alcance massivo (Barin & Bastos, 2013). Eles se realizam em Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs), por meio de ferramentas da web e/ou por redes sociais que apresentam como proposta a integracao das tecnologias em rede. Martins, Leite e Ramos (2017) explicam que os MOOCs surgem inicialmente como uma proposta cientifica e academica de educacao a distancia articulada a uma proposta economica de internacionalizacao da educacao.

Os MOOCs ainda nao possuem um padrao de funcionamento definido e seu futuro academico e incerto (Cid Bastos & Biagiotti, 2014). Fontana e Leffa (2018) afirmaram que as plataformas MOOC tem avancado inexoravelmente em um intervalo de tempo relativamente curto, e a tendencia para os proximos anos e que se amplie ainda mais. Os MOOCs assumem relevancia especial na atual conjuntura de conhecimento amplamente disponivel e grande competitividade (Araujo et al., 2017; Brites & Rocha, 2017; Dal Forno & Knoll, 2013; Fassbinder, Delmaro, & Barbosa, 2014; Gomes & Barbosa, 2016; Mejias, Gema, & Melo, 2013; Oliveira, 2017; Teixeira, Mota, Morgado, & Spilker, 2015).

Os MOOCs tem se mostrado ferramentas importantes para viabilizar o acesso a conteudos de renomadas universidades (Cid Bastos & Biagiotti, 2014; Zhang, Peck, Hristova, Jablokow, Hoffman, Park, & Bayeck, 2016), que, em muitos casos, estariam fora de alcance de ampla parcela de potenciais estudantes na modalidade presencial.

Ao propiciarem o acesso a todos os estudantes aos mesmos cursos, por meio do acesso a internet, os MOOCs sao apresentados como uma proposta para democratizacao do ensino (Cid Bastos & Biagiotti, 2014; Nascimento, Cardoso, & Rocchietti, 2013).

A compreensao acerca dos MOOCs pode fornecer importantes informacoes sobre desterritorializacao da educacao (Dal Forno & Knoll, 2013). Porem, apesar dos prometidos beneficios dos MOOCs para estreitar o fosso digital e promover a equidade nas oportunidades educacionais, o uso de MOOCs ainda se mostra muito aquem das possibilidades tecnologicas disponiveis (Ma & Lee, 2018) e pouco se conhece sobre sua eficiencia nos processos de formacao-educacao (Noe, Clarke, & Klein, 2014), especialmente no contexto dos paises em desenvolvimento.

0 presente trabalho objetiva tracar o panorama dos estudos sobre MOOCs realizados no Brasil, desde o surgimento dos MOOCs em 2008 ate 2018. Para tanto, foram considerados os estudos publicados no periodo em periodicos das areas de Administracao, Educacao, Psicologia e Saude Coletiva, por serem essas as areas mais correlatas ao fenomeno estudado, bem como sendo as areas de atuacao, interesse e proficiencia cientifica dos autores deste trabalho. Sao objetivos secundarios deste trabalho apresentar a institucionalizacao da pesquisa no Brasil, descrevendo grupos de pesquisa, autores e instituicoes envolvidos no tema, alem de apontar as lacunas de pesquisa sobre o tema.

E importante ressaltar que este trabalho se deriva de um estudo de maior escopo, ainda inedito, sobre impacto de aprendizagem em ambientes virtuais abertos. Uma versao resumida deste trabalho foi publicada nas Atas do 8 (o) Congresso Ibero-Americano em Investigacao Qualitativa - CIAIQ 2019 (do Carmo, Araujo, Murce, & Abbad, 2019) e o presente artigo rediscute as analises, mas de modo que nao altera substancialmente os resultados analiticos apresentados no trabalho anterior - visto se tratar da mesma base de dados. Entretanto, este artigo amplia a descricao dos metodos de investigacao utilizados e detalha os procedimentos de tratamento e questionamento aos dados auxiliados pelo software webQDA.

Este artigo se estrutura por uma secao de revisao teorica na qual sao apresentados os principais conceitos e o historico do surgimento dos MOOCs; seguida por uma secao que apresenta os metodos, protocolos e procedimentos aplicados neste, os quais fundamentam as analises e discussoes apresentadas na secao subsequente; e finaliza-se por uma secao de consideracoes finais na qual sao apresentadas as lacunas na investigacao sobre os MOOCs e na qual se propoe uma agenda de pesquisa futura sobre o tema.

2. Historico e principais conceitos sobre MOOCs

Tres fases distintas marcam o desenvolvimento da EaD: primeiramente tem-se os estudos por correspondencia; depois, vieram as midias eletronicas aplicadas a processos formativos a distancia e mais recentemente surgiram os cursos massivos e abertos on-line - os MOOCs (Gomes & Barbosa, 2016). O primeiro MOOC foi oferecido por George Siemens, Stephen Downes e Dave Cormier na Universidade de Manitoba, no Canada, em 2008 (Souza & Cypriano, 2016; Teixeira et al., 2015). O curso, intitulado "Connectivism and connective knowledge" foi oferecido a 25 alunos em regime presencial e 2.30o alunos on-line (Souza & Cypriano, 2016). Desde entao, os MOOCs cresceram consideravelmente e continuam crescendo em popularidade (Rodrigues, Ramos, Silva, & Gomes, 2016).

Os modelos de MOOCs mais recorrentes sao os x-MOOCs, que mais se assemelham as tradicionais aulas presenciais nos quais a figura do professor ainda exerce o papel central (Barin & Bastos, 2013) e os c-MOOCs, nos quais os proprios alunos geram a maioria das atividades, escrevendo suas proprias reflexoes em blogs e plataformas sociais e compartilhando com seus pares.

Enquanto os c-MOOCs sao de natureza conectivista e adotam o conceito de "aberto" tal como definido no campo da educacao aberta onde todos colaboram e constroem o conhecimento, os x-MOOCs entendem "aberto" como um sinonimo de "gratuito" (Teixeira et al., 2015). Nao ha consenso nos estudos sobre MOOCs quanto a massividade desses cursos. Vela (2016) ressalta que os MOOCs nao sao massivos no sentido de quantidade de participantes, mas que assim se adjetivam quando se considera que os participantes provem de multiplas instituicoes e diversos paises e diferentes niveis de formacao. Sabe-se, entretanto, que "a acessibilidade dos ambientes virtuais de aprendizagem, para pessoas com diferentes perfis e necessidades, assume uma preocupacao relevante", uma vez que contribuem para a utilizacao mais ampla e abrangente dos espacos virtuais de aprendizagem (Luis et al., 2017, pp. 59 -60).

No que se refere ao acesso aberto, Alevizou (2015), Rodrigues, Ramos, Silva e Gomes (2016) e Rambe e Moeti (2017) ressaltam que os MOOCs sao vistos como promotores de objetivos sociais por meio da ampliacao do acesso a educacao. Mas esses autores tambem consideram que imperam motivacoes tecno-economicas nas decisoes quanto a oferta dos MOOCS. Grande parte dos MOOCs se fundamentam em conhecimentos de base ocidental, servindo para a exportacao da uma epistemologia cientifica hegemonica. Isso tem estimulado criticas de que os MOOCs podem favorecer uma forma sutil de neocolonialismo intelectual (Martins, Leite & Ramos, 2017; Rambe & Moeti, 2017). Outras criticas aos MOOCs denunciam a perversidade do vies mercadologico que define a oferta desses cursos, o que se faz evidente quando alguns cursos gratuitos sao usados para publicidade de outros servicos - on-line ou nao - pagos (Fontana & Leffa, 2018).

Alem disso, pouco se sabe sobre a efetividade da experiencia de aprendizagem de alunos com diferentes habilidades, motivacoes e disposicoes, e sao escassas as inovacoes com ganho significativo no aprendizado em relacao aos metodos tradicionais (Rodrigues et al., 2016). Frequentes criticas pautam a pouca interacao e o feedback pobre entre professores e alunos e entre os proprios estudantes (Fontana & Leffa, 2018). A maioria dos MOOCs nao sao desenhados para favorecer experiencias de aprendizagem colaborativas (Teixeira et al., 2015) e apresentam altas taxas de evasao (Higashi, Schunn, & Flot, 2017).

Grandes incertezas pairam sobre o futuro dos MOOCs (Cid Bastos & Biagiotti, 2014). E inegavel que eles criam oportunidades para atividades mais flexiveis e interativas e para novas estrategias de avaliacao (Barin & Bastos, 2013).

3- Metodos de investigacao

Esta revisao sistematica foi guiada pelo Protocolo de Cronin, Ryan e Coughlan (2008) e seus procedimentos (passo-a-passo) estao sintetizados no Quadro 1:

O corpus de pesquisa deste trabalho foi composto em tres etapas: primeiramente uma busca exploratoria inicial no Google Academico permitiu identificar as palavras-chave que posteriormente embasaram as buscas nos periodicos brasileiros pelos artigos que seriam analisados. Nessa primeira etapa, foram considerados 30 trabalhos dos quais foram extraidas 87 palavras-chaves. Dessas palavras, 51% nao se repetiam. As palavraschave mais frequentes foram: MOOC (11 vezes); Educacao aberta (5); MOOCs (4); e Massive Open Online Courses (3). A segunda etapa se deu pela selecao dos periodicos dos quais seriam extraidos os artigos que comporiam o corpus de pesquisa, ou seja, todos os periodicos indexados pelo sistema Qualis Capes (evento de classificacao Quadrienio 2013-2016 - o mais recente no momento da pesquisa) com nota igual ou superior a B2 nas areas de Administracao, Educacao, Psicologia e Saude (considerou-se a maior classificacao, quando classificados em mais de uma area). A terceira etapa foi a coleta dos artigos com as palavras-chave selecionadas na etapa anterior. As buscas incluiram as publicacoes de janeiro de 2008 a novembro de 2018, ou seja, desde o surgimento dos MOOCs ate a finalizacao da coleta de dados para este estudo. Buscou-se artigos que contivessem nos titulos, resumos ou palavras-chave os termos: "MOOC", "MOOCs", "Massive Open Online Course" ou "Educacao aberta". Foram encontrados 149 artigos, dos quais 113 foram excluidos por nao terem relacao direta com o tema. Esses trabalhos tratavam de EAD ou tecnologias de informacao e comunicacao de uma forma geral, com mencao superficial aos MOOCs.

Apos essa selecao, restaram, entao, 36 artigos, os quais foram submetidos a leitura rigorosa. Entao, foram eliminados outros sete artigos por nao tratarem especificamente do tema. O corpus de pesquisa definitivo se compos por 29 artigos estritamente relacionados ao estudo dos MOOCs. O Quadro 2 sintetiza os numeros de artigos que compoem o corpus de pesquisa deste estudo, separados por area de conhecimento de classificacao do periodico em que o trabalho foi publicado.

Na revisao bibliometrica dos 29 artigos selecionados, utilizou-se das seguintes categorias de analise: 1) Periodico de publicacao do artigo; 2) Area do Periodico; 3) Ano de publicacao do artigo; 4) Autores; 5) Quantidade de autores; 6) Tipo de artigo (teorico ou teorico-empirico); 7) Natureza da Pesquisa (descritiva, explicativa ou exploratoria); 8) Palavras-chave; 9) Principais resultados; e 10) Lacunas reveladas pelo estudo.

Com relacao aos autores, buscou-se as informacoes relacionadas as 4.1) instituicoes de vinculacao na data da publicacao do artigo; 4.2) pais da instituicao de vinculacao do autor; 4.3) unidade federativa (UF) da instituicao de vinculacao do autor (se instituicao brasileira); 4.4) titulacao maxima do autor; e 4.5) quantidade de trabalhos na tematica ou em tematica relacionada. As informacoes sobre os autores, quando nao disponiveis nos artigos, foram buscadas no curriculo lattes, para o caso dos brasileiros e estrangeiros que estavam cadastrados na plataforma. Para os pesquisadores estrangeiros que nao estavam cadastrados no lattes, a busca foi realizada pelo nome completo dos autores e a consulta de seus trabalhos no Google Academico. Buscou-se tambem informacoes sobre 4.4) grupos de pesquisa cadastrados no Diretorio dos Grupos de Pesquisa no Brasil voltados para MOOCs e aos quais os autores poderiam estar vinculados a tais grupos.

Os artigos classificados como teoricos-empiricos (22 no total, pois sete artigos derivaram-se de investigacao puramente teorica), tambem foram categorizados segundo: 7.1) Abordagem de pesquisa (qualitativa, quantitativa e mista); 7.2) Origem dos dados (primario, secundario ou misto); 7.3) Delineamento (experimento, quase-experimento, correlacionai ou sem delineamento); 7.4) Recorte temporal (transversal ou longitudinal); 7.5) Metodo (survey/levantamento de opinioes, quase-experimento, experimento, estudo de caso, observacao participante, pesquisa documental e pesquisaacao); 7.6) Amostragem (censitaria, probabilistica ou nao-probabilistica e rigida ou flexivel); 7.7) Perfil amostrai (alunos, professores, gestores, executivos, plataformas); 7.8) Instrumentos de procedimento de coleta de dados (questionario, roteiro de entrevista, roteiro de grupo focal, roteiro de observacao, roteiro de analise documental e roteiro de analise de foruns); 7.9) procedimentos de coleta (online, presencial, por telefone); e 7.10) tecnicas de analises de dados (estatistica descritiva, estatistica inferencial, analise de conteudo e analise de discurso).

Apos analisado o panorama bibliometrico das publicacoes, foi realizada uma analise qualitativa interpretativa dos objetivos e conteudo dos artigos, a fim de mapear a evolucao tematica dos estudos sobre MOOCs publicados nos periodicos brasileiros que compoem o corpus desta pesquisa. Para essa etapa de analise qualitativa, foi usado o software webQDA de analise qualitativa. Ja a analise bibliometrica foi majoritariamente realizada com o auxilio do software MS Office Excel.

3.1. Usando o webQDA para tratamento e analise dos dados

Os 29 artigos que compuseram o corpus de pesquisa deste trabalho foram importados para o webQDA como fontes internas em formato PDF e separadas em pastas segundo a area de classificacao do periodico de que foram extraidas. Foram, entao, criadas classificacoes das fontes, que funcionam como um "rotulo descritivo para todo o documento" (Souza, Costa, Moreira, Souza, & Freitas, 2016) e nao apenas para parte dele (como funcionariam os codigos e os descritores). As classificacoes permitem filtrar as fontes a partir de seus atributos. A Figura 1 apresenta os itens de classificacao dos artigos selecionados, que se apoiam nas seguintes categorias: 1) Periodico de publicacao do artigo; 2) Area do Periodico; 3) Ano de publicacao do artigo; 5) Quantidade de autores; 6) Tipo de artigo (teorico ou teorico-empirico); 7) Natureza da Pesquisa (descritiva, explicativa ou exploratoria).

Apos terem sido criada as categorias de classificacao e definidos seus respectivos valores de atributos, fica facil aplica-las sobre as fontes. Basta, para tanto, acessar a pasta das fontes e, no canto direito da tela, na aba realcada na Figura 2 com a seta vermelha, atribuir os valores dos atributos de classificacao criados anteriormente. Vale lembrar que e importante gravar a operacao pressionando o botao com o simbolo do disquete.

O leitor deve ter notado que, dentre as classificacoes de fontes, nao foram incluidas as categorias 5) Autores; 8) Palavras-chave; 9) Principais resultados; e 10) Lacunas. Tal exclusao e devida a natureza dos dados dessas categorias, que presumem grande variedade de valores e, portanto, tem pouca utilidade para a filtragem das fontes. Um recurso do webQDA util para destacar e identificar nos artigos esses tipos de dados e a geracao de codigos. Diferentemente das classificacoes (que se aplicam a toda a fonte), codigos podem ser aplicados aos trechos das fontes que distinguem as informacoes relevantes para a categorizacao.

Para a codificacao dos autores dos artigos analisados, foram geradas categorias na medida em que se avancou na leitura dos textos. A ferramenta "codigos abertos" do webQDA que permite gerar novos codigos livres a partir da marcacao direta no texto dos artigos importados no formato PDF. Assim foi possivel nomear as categorias pelos nomes dos autores. Essa ferramenta agilizou enormemente o processo de codificacao em codigos livres e evita erros de grafia ao se extrair o nome das categorias diretamente do texto original. A ferramenta para a geracao de "codigos abertos" esta realcada na Figura 3 pela seta amarela.

O processo de geracao de codigos livres com o nome dos autores pelo uso da ferramenta "codigo aberto" do webQDA permitiu identificar 89 autores no total dos artigos em analise. Sobre os codigos livres relativo aos autores foram aplicadas "classificacoes de codigos" por dois atributos: titulacao do autor - com seis valores possiveis: doutorado; doutorando (em curso); mestrado; mestrando (em curso); graduacao e sem informacao - e a instituicao de origem do autor - que neste estudo assumiu 27 valores, que sao os nomes das 12 instituicoes estrangeiras e das 25 instituicoes brasileiras as quais se vinculam ao menos um dos autores dos textos em analise.

Assim como no caso da classificacao de fontes, classificacao de codigo permite a filtragem pelos atributos de codigos e e facil aplicar os atributos sobre os codigos livres tambem. Basta acessar a pasta dos codigos livres e, no canto direito da tela, realcado na Figura 4 com a seta vermelha, atribuir os valores dos atributos de classificacao criados anteriormente. Vale lembrar que e importante gravar a operacao pressionando o botao com o simbolo do disquete.

Para codificar nas fontes as palavras-chave, os principais resultados e as lacunas reveladas pelos estudos, bem como para destacar os objetivos do trabalho, optou-se por realcar as passagens do texto por meio de "descritores". Os descritores funcionam como atributos de classificacao a serem aplicados sobre um trecho da fonte em analise (Souza et al., 2016, p.22). Os descritores apresentados na Figura 5 foram aplicados aos trechos relativos a essas categorias.

Ja para as categorias mais interpretativas, pautando os objetivos, o tema ou assunto principal abordado pelos artigos, optou-se por destacar as passagens de textos por meio de "codigos arvore", gerando uma estrutura hierarquica para organizar codigos e subcodigos, como se ve na Figura 6.

A estrutura de classificacao oferecida pelo software webQDA - composta por codigos, classificacoes por atributos e descritores, discutidos nos paragrafos acima, auxiliaram as analises apresentadas na secao seguinte.

4. Analises e discussoes

Depois de tratados os dados com o auxilio do software webQDA, foram geradas matrizes com cruzamentos das codificacoes e dessas com seus atributos. "As analises revelam que as revistas da area da Educacao foram as campeas em publicacoes sobre o tema (com 22 dos 29 artigos analisados), seguida pelas revistas da Administracao (5 artigos)" (do Carmo et al., 2019, p. 586). A baixa producao academica sobre MOOCs em outras areas de conhecimento - que nao seja a area de Educacao - contrasta com a realidade de difusao dessa tecnologia de ensino em diferentes areas cientificas. A Revista Novas Tecnologias na Educacao (Renote) foi aquela que concedeu maior espaco ao tema, tendo publicado seis artigos sobre MOOCs nos ultimos 10 anos.

No que concerne a autoria da producao nacional sobre MOOCs, 89 autores estiveram envolvidos na producao analisada, dos quais 49% sao doutores, 12% sao doutorandos e 16% sao mestres. Apenas dois desses autores contam dois ou mais artigos no corpus de pesquisa, o que parece revelar que os MOOCs nao estao dentre seus temas de investigacao prioritarios e que as publicacoes parecem derivar de iniciativas isoladas e pontuais dos autores.

A distribuicao geografica dos autores brasileiros envolvidos com producao sobre MOOCs revelaram concentracao no sul/sudeste do pais. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade Federal de Santa Maria sao as instituicoes de origem dos autores que concentram maior numero de publicacoes, com tres artigos cada uma. A Universidade de Sao Paulo (USP) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) contam dois artigos cada.

Em onze trabalhos observa-se a presenca de autores de mais de uma instituicao, podendo apontar parceiras interinstitucionais. No Diretorio de Grupos de Pesquisa no Brasil na Plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnologico (CNPq), foram encontrados tres grupos de pesquisa vinculados aos estudos de "MOOCs". No entanto, quanto a um desses grupos nao foi encontrado no corpus de pesquisa nenhum trabalho de autoria de seus membros. No caso dos outros dois grupos de pesquisa foram analisados trabalhos publicados pelos pesquisadores a eles vinculados. Vale notar que alguns desses autores se vinculam a ambos os grupos, concomitantemente.

Os trabalhos teorico-empirico, de abordagem qualitativa e com recorte transversal predominam no corpus analisado. Os metodos de investigacao predominantes foram os estudos de caso, os metodos mistos e a pesquisa documental, com coletas da dados online. A maioria dos trabalhos teorico-empirico aplicam a analises de conteudo (50%), sendo o segundo metodos analitico mais recorrente as analises estatisticas, sejam elas descritivas (18,18%), inferenciais (4,55%) ou ambas (9,09%). Apenas dois apresentaram delineamento correlacionai. Nao foram encontrados trabalhos experimentais ou quase-experimentais.

4.1. Evolucao da Tematica da Producao Nacional Sobre MOOCS

Foi em 2013 que se publicou o primeiro trabalho sobre MOOCs nos periodicos brasileiros considerados nesta pesquisa A analise dos assuntos e dos objetivos das publicacoes analisadas revelou padrao evolutivo da abordagem da tematica na producao brasileira, destacando-se duas fases: na primeira, de 2013 a 2015, os trabalhos buscaram reconhecer o campo e revisar a literatura. Ja na segunda fase, que vai de 2016 a 2018, os trabalhos apresentaram experiencias de aplicacao dos MOOCs e aprofundamento dos estudos sobre a tematica. A linha do tempo apresentada na Figura 7 sintetiza a evolucao da producao cientifica brasileira sobre MOOCs.

Na primeira fase, os trabalhos sao teoricos, descritivos e incipientes, sem discussao ou propostas de trabalhos empiricos, constando revisoes de literatura (Dal Forno, Barin & Bastos, 2013; Knoll, 2013), descricao do processo de EAD que culmina no surgimento dos MOOCs (Nascimento et al., 2013) e sugestoes para o incremento da eficiencia de MOOCs (Cid Bastos & Biagiotti, 2014). Vale realcar que ate 2014, ainda se estavam implantando as primeiras experiencias com MOOCs no contexto brasileiro.

Ao final dessa primeira fase, ja em 2015, as publicacoes sobre MOOCs passam a se mostrar mais robustas. Tres artigos internacionais foram publicados em revistas brasileiras., sendo que dois deles trabalhos trazem abordagens criticas aos MOOCs (Alevizou, 2015; Harasim, 2015) e um deles apresenta o modelo de MOOCs implementado na Universidade Aberta Portuguesa (UAb) (Teixeira et al., 2015).

No periodo de 2016 e 2018, ou seja, na segunda fase evolutiva da producao cientifica brasileira sobre MOOCs, a quantidade de publicacoes aumentou expressivamente (mais que triplo da producao da fase anterior). Juntamente com analises criticas, emergem estudos descritivos voltados para avaliacao de experiencias, desvelando a tendencia de consolidacao do MOOCs no cenario brasileiro. Nessa segunda fase, foram avaliadas experiencias do uso de MOOCs no que concerne a aspectos funcionais das plataformas, perfis comportamentais dos usuarios, percepcao de eficiencia e satisfacao, percepcao ou avaliacao de aprendizagem.

Numa avaliacao quanto a efetividade dos MOOCs, a partir de uma perspectiva ampla, Moura e Souza (2017) concluiram que eles apresentam baixo o potencial disruptivo, ou seja, nao transformam os modelos educacionais de modo promover resultados de ensino-aprendizagem significativamente diferentes dos modelos educacionais tradicionais. Tambem aportando criticas aos MOOCs, Martins, Leite e Ramos (20017) alertam para o risco de que, ao mesmo tempo em contribuem para a internacionalizacao da educacao, os MOOCs tambem podem se prestar uma nova forma de colonizacao legalizada.

5. Consideracoes Finais

O estudo de Gomes & Barbosa (2016) revelou que a producao cientifica internacional sobre MOOCs intensificou-se nitidamente nos ultimos cinco anos, o que converge com os resultados das analises deste trabalho. Este trabalho buscou oferecer uma visao panoramica da producao cientifica sobre MOOCs publicada no Brasil. Segundo o panorama apresentado, eis um tema ainda pouco explorado pela producao cientifica. As analises, revelaram que grande parte dos trabalhos analisados sao de carater exploratorio, e que a poucas experiencias descritas no corpus de pesquisa revelam o pequeno potencial de inovacao dos cursos implementados, especialmente com relacao ao idioma e os formatos dos cursos.

A tendencia crescimento e ampla difusao dos cursos em plataformas MOOC, no cenario brasileiro e internacional clama por se conhecer mais profundamente os principios, os processos e as praticas dessa modalidade de educacao a distancia mediada por computador. Diante disso, se demandam investigacoes que revelem o perfil dos estudantes, os padroes de interacao entre os participantes, suas estrategias de aprendizagens bem como a efetividade e a capacidade inovativa dos MOOCs.

Diante do alerta de Martins, Leite e Ramos (2017) e de Rambe e Moeti (2017), a producao cientifica nao pode se furtar de tambem oferecer trabalhos criticos, que pautem a contribuicao social e o potencial de democratizacao trazido pelos MOOCs, e que tambem indaguem sobre as motivacoes e sobre os protagonistas das ofertas desses cursos.

Observa-se tendencia de crescimento da producao cientifica sobre os MOOCs, mas os dados revelam que as os autores dos trabalhos analisados nao sao pesquisadores assiduos da tematica e que ha poucos os grupos de pesquisas ativos e produtivos sobre o tema, de modo que se constata carencia de consolidacao como tema de investigacao cientifica.

Referencias

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Eliane Almeida do Carmo (1), Carolina Lopes Araujo (2), Gardenia Silva Abbad (3), Pedro Paulo Murce Menezes (4)

eliane.adm@gmail.com, carolinaaraujo@unb.br, gardenia@unb.br, pemeneses@yahoo.com.br

(1) Fundacao Osvaldo Cruz (FIOCRUZ - Brasilia), Avenida L3 Norte, s/n, Campus Universitario Darcy Ribeiro, Gleba A, 70904-130, Brasilia - DF, Brasil

(2) Faculdade UnB Planaltina, Universidade de Brasilia, Vila NS de Fatima - Vila Nossa Sra. de Fatima, 73345-010, Brasilia - DF, Brasil

(3) Instituto de Psicologia, Campus Universitario Darcy Ribeiro ICC Sul, 70910-900, Brasilia - DF, Brasil

(4) Faculdade de Economia, Administracao e Contabilidade - Universidade de Brasilia - Campus Darcy Ribeiro - Predio da FACE Asa Norte - CEP: 70910-900, Brasilia - DF, Brasil

Recebido/Submission: 12/05/2019

Aceitacao/Acceptance: 16/07/2019

DOI: 10.17013/risti.33.1-15
Quadro 1 - Revisao sistematica de literatura pelo Protocolo de Cronin,
Ryan e Coughlan (2008)

1 passo  Formular a pergunta de pesquisa

2 passo  Definir os criterios para a coleta
         de dados (inclusao dos periodicos
         consultados)
3 passo  Selecionar e acessar os itens que
         compoem o corpus de pesquisa
4 passo  Analisar o corpus de pesquisa e
         sintetizar os achados

5 passo  Disseminar os resultados da pesquisa

1 passo  "O que tem sido publicado sobre MOOCs no Brasil
         nos ultimos 10 anos e por quem?"
2 passo  Periodicos com classificacao Qualis Capes igual ou
         superior a B2 em Psicologia, Saude, Administracao e
         Educacao.
3 passo  Artigos indexados com as palavras-chave: Educacao
         aberta; MOOC; MOOCs; ou Massive Open Online Courses.
4 passo  Gerar categorias de classificacao dos artigos e
         classifica-los com a ajuda do software WebQDA de
         analise qualitativa.
5 passo  Redigir e publicar o presente artigo

Quadro 2 - Sintese quantitativa da busca de trabalhos sobre MOOCs em
periodicos brasileiros com classificacao Qualis Capes maior ou igual a
B2

Area            Trabalhos     Exclusoes  Exclusoes  Composicao
                selecionados  (titulo /  (leitura   final do
                (1a busca)    resumo     do texto)  corpus

Educacao        108            83        3          22
Administracao    14             5        4           5
Psicologia       25            24        0           1
Saude Coletiva    2             0        1           1
Total           149           113        7          29

Area            Observacoes



Educacao        5 experiencias internacionais / traducoes
Administracao   2 experiencias internacionais
Psicologia      1 artigo de traducao
Saude Coletiva  1 em ingles, em parceria
Total           brasileira
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Author:do Carmo, Eliane Almeida; Araujo, Carolina Lopes; Abbad, Gardenia Silva; Menezes, Pedro Paulo Murce
Publication:RISTI (Revista Iberica de Sistemas e Tecnologias de Informacao)
Date:Sep 1, 2019
Words:5868
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