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O que a telenovela ensina sobre ser mulher? Reflexoes acerca das representacoes femininas.

What soap opera teaches about being woman? Reflections about female representations

Ointeresse em estudar as relacoes entre as apropriacoes da midia e as relacoes de genero nasce da comprovada insuficiencia de pesquisas que abordem o genero como categoria teorica e explicativa para o estudo da midia no ambito dos Estudos Culturais latino-americanos (Escosteguy, 1998, 2002, 2008; Jacks; Menezes; Piedras, 2008; Meirelles, 2009). Enquanto a trajetoria dos Estudos Culturais feministas anglo-americanos inicia na decada de 1970, consolidando-se na decada de 1980 e permanecendo como um campo notavel de estudos, na America Latina, a pesquisa que relaciona genero e audiencia ainda nao pode ser considerada consolidada.

O olhar feminista da cultura contribuiu para a valorizacao do estudo de programas de entretenimento, visto que, ate entao, apenas programas noticiosos e politicos eram considerados dignos de pesquisa. Destaca-se, a partir dai, a importancia do estudo da cultura do ponto de vista do espaco familiar e do cotidiano. Nesse contexto, o interesse pelo estudo dos programas melodramaticos se deu por diversos motivos: tinham como publico-alvo as mulheres; faziam interagir as esferas publica e privada, destacando-se o lema feminista "o pessoal e politico"; retratavam e eram consumidos no contexto cotidiano; e eram desprestigiados, assim como quem os consumia.

Pensando as relacoes de genero e classe social na comunicacao

Com essa perspectiva, ganha valor academico o estudo da soap opera/telenovela, programa de relevancia impar no Brasil. Contudo, em nosso pais, a investigacao sobre tal relacao se desenvolve tardiamente, o que tem relacao com o desprestigio do programa e do proprio publico consumidor, as mulheres. Embora os trabalhos sobre telenovela tenham um timido inicio na decada de 1970, sua consolidacao so ocorre na decada de 1990. Ademais, ate hoje sao relativamente escassos as pesquisas que exploram questoes de genero na pesquisa da telenovela.

E importante ressaltar que, se o numero de trabalhos que abordam genero e comunicacao e reduzido, a pesquisa brasileira sobre a recepcao feminina da midia e ainda menos significativa. Pouco se busca compreender a leitura feminina da midia e o papel das apropriacoes dos meios de comunicacao na constituicao das identidades das mulheres brasileiras. O que se verifica com frequencia e que a mulher aparece em estudos de recepcao apenas como uma variavel sociodemografica, e nao como uma categoria teorica e explicativa (Escosteguy, 2002). Diferentemente, a pesquisa de recepcao que revela um debate de genero objetiva entender o sentido da midia na vida feminina, a razao das mulheres buscarem os meios de comunicacao e que implicancias essa relacao acarreta.

Estudar a recepcao a partir de uma perspectiva de genero implica conhecer como e por que a mulher se aproxima de diferentes meios de comunicacao, em que contexto recebe suas mensagens e que uso faz delas em sua vida. Isto permite acentuar a interacao dos meios com a realidade social e cultural das receptoras, conhecer seus gestos e preferencias, assim como as razoes que fazem com que elas se apropriem dos meios (Charles, 1996, p. 43).

Por sua vez, uma nocao que acompanha os Estudos Culturais desde suas origens e a valorizacao da classe social como um elemento definitivo na experiencia cultural, coerente com a influencia marxista da corrente. Ha, no entanto, uma preocupacao em nao fazer uso do conceito de classe de forma reducionista. Escosteguy (2001, p. 60), afirma que e fundamental "compreender a cultura na sua 'autonomia relativa', isto e, ela nao e dependente, nem reflexo, das relacoes economicas, mas tem influencia e sofre consequencias das relacoes politico-economicas".

Certamente, a relativizacao da centralidade da classe social nos estudos de cultura e fundamental na busca por uma compreensao mais complexa. No entanto, essa preocupacao tem sido extremada, fazendo com que, cada vez mais, a classe social--algumas vezes ate mesmo considerada um "conceito ultrapassado"--passe a ser tratada apenas como um dado sociodemografico ou mesmo seja esquecida. Fonseca (2006), percebe essa recusa tambem na Antropologia, o que vai de encontro com a importancia da classe para as relacoes sociais. E possivel inferir desse silenciamento que talvez nao seja politicamente correto falar em classe social, ou em pobres, pois, dessa forma, se ressalta algo que se quer acobertar, a desigualdade social.

Ronsini (2007, p. 48) justifica o emprego do conceito de classe social afirmando que, no plano empirico, a classe permanece um principio organizador da sociedade capitalista, da mesma forma que pauta diferencas profissionais, de renda, de educacao, de acesso a bens culturais e a centros de poder. A autora afirma ainda que o uso do conceito parece ser mais adequado em uma sociedade desigual e excludente como a brasileira. Ronsini, contudo, distingue o modo como insere a classe social em suas observacoes do sentido tradicional marxista: "As analises hodiernas nao se encaixam na teoria das classes como uma teoria da luta entre duas classes antagonicas pelo monopolio dos meios de producao" (Ronsini, 2007, p. 48), pois admitem que os conflitos nao sao pelo controle desses, mas pela inclusao dos sujeitos no capitalismo.

Para Martin-Barbero (2002, p. 14), apesar de desempenharmos multiplos papeis em nosso diaa-dia, todos eles estao atravessadas pela classe social a que pertencemos, constituinte fundamental de nossas identidades. O autor tece uma critica ao nivelamento entre a classe social e outras mediacoes:

a 'marca' singular e hegemonica dos atuais estudos de recepcao diz respeito ao 'esquecimento da classe social' produzido pelo nivelamento de todas as categorias: etnia, genero, idade, estrato social. E o processo mesmo de recepcao que resulta desestruturado, sem fundamentacao no 'processo social de construcao de sentido'. A diferenca de classe, ainda que mediada pela multiplicidade de distincoes introduzidas pela etnia, genero, idade, entre outras, nao e uma diferenca a mais, mas, sim, aquela que articula as demais a partir de seu interior e expressa-se por meio do habitus, capaz de entrelacar os modos de possuir, de estar junto e os estilos de vida (Martin-Barbero (2002, p. 14).

Jovens mulheres da periferia: quem sao e como vivem

A preocupacao em investigar os papeis da familia, da escola, da classe social e da telenovela na conformacao da identidade feminina deve-se ao entendimento de que essas sao referentes que afetam profundamente a socializacao e a formacao dos sujeitos em estudo. Entendemos que pesquisar a recepcao atraves das mediacoes (1) configura-se como uma forma valida de destacar essa autonomia relativa do receptor, compreendendo quais as fontes que atuam nas leituras da midia.

Para termos tal compreensao, empreendemos uma etnografia da audiencia, a qual se constitui do conhecimento originado da descricao do contexto de apropriacao da midia e refere-se a descrever os meandros do consumo midiatico. Dessa forma, realiza-se uma analise atenta ao cotidiano, no que se refere ao bairro, a casa, as praticas, buscando observar a producao de sentidos a partir do receptor (Ronsini, 2007). Os instrumentos de coleta de dados utilizados foram entrevista em profundidade, formulario sociocultural, observacao do espaco domestico e assistencia conjunta da telenovela. A etapa empirica da pesquisa estendeu-se de novembro de 2008 a dezembro de 2009.

O grupo pesquisado esta composto por 12 jovens mulheres, de classe popular (2), com idade entre 16 e 24 anos (3). As rendas familiares variam de R$ 500,00 a R$ 1.600,00. As condicoes economicas do grupo se refletem em casas simples e pequenas, em que moram de duas a nove pessoas; na falta de carro entre as familias ou na posse de carros de modelos antigos; no baixo grau de escolaridade--geralmente ensino fundamental incompleto--de pais, irmaos e das proprias garotas (4). No momento da pesquisa de campo, tres entrevistadas realizavam trabalho remunerado (baba, empregada domestica e monitora de escola) e as demais eram exclusivamente estudantes e/ ou donas de casa.

Os recursos financeiros limitados tem papel central na configuracao das identidades. Destacamos que os modos de ser mulher estao atravessados de forma pungente pela classe social.

E por pertencerem a classe popular que as jovens aprendem que:

* a mulher tem que cuidar da casa, ja que nao poderao ter empregada domestica, e, por isso, desde cedo aprendem a cozinhar, lavar roupa e limpar a casa;

* o trabalho feminino dificilmente significara um reconhecimento social, pois nao possuem uma carreira ou uma profissao, e, sim, um trabalho, muitas vezes temporario e malremunerado;

* as chances de nao terem os pais presentes (fisica e/ou afetivamente) aumentam, como e o caso da metade das entrevistadas;

* a televisao e a principal forma de lazer, dedicando-se, diariamente, muitas horas a seu consumo, em contraste a outras programacoes, como cinema e viagens, raridades entre as entrevistadas;

* a chance de pararem de estudar antes de completarem o ensino medio e grande, seja pela maternidade, pela necessidade de trabalhar--em casa, cuidando dos mais velhos e das criancas, ou fora, para contribuir com a renda domestica--, pela discriminacao escolar, pelo ensino basico deficiente--que podera dificultar o acompanhamento da turma em uma escola de ensino medio do centro da cidade--, ou pela falta de exemplos de dedicacao ao estudo;

* a gravidez na adolescencia e mais comum do que em classes abastadas, e acarreta transformacoes drasticas.

As cinco entrevistadas que tem filhos afirmam que as gravidezes nao foram planejadas, ou seja, tornaram-se maes por "circunstancia", nao para a realizacao do sonho de ser mae. Todavia, sendo coerentes com o julgamento que fazem de que a maternidade deve ser prioridade na vida de uma mulher, tiveram suas vidas transformadas apos o nascimento dos filhos e dedicam-se a criacao deles. Entre as que sao maes, e comum que seu sonho de vida seja proporcionar ao filho um futuro melhor, com uma situacao financeira confortavel e uma trajetoria sem sofrimentos.

A maternidade e considerada o aspecto mais importante na vida de uma mulher, sendo incompreensivel para as entrevistadas a opcao daquelas que nao querem ser mae. Ademais, o amor maternal e visto como algo "natural".

"Ali por uns 25, 20 anos eu queria ter um [filho]. Ah, e bonitinho. (Bruna (5))

"E uma companhia pra mim, porque, por mais que tu seja casada, tu tem a companhia do teu marido, mas tu sabe que um dia voces vao se separa e pelo menos tu que te uma companhia pra ti nao fica sozinha. (Camila)

"Eu nao creio que uma mulher, assim, normal, nao va quere te um filho. Um filho e uma bencao na tua vida. (Emanuele)

"Acho que toda mulher sonha em se mae, ne? (Leticia)

"Eu acho que todas tem que te filho. Depois ta velho nao tem ninguem, quem e que vai te cuida? (Lucielen)

"Eu, desde os 15 anos, eu quero te um filho. Acho que nao tem coisa melhor que se mae. [...] E uma experiencia que eu quero te, eu nao seria mulher se eu nao tivesse essa experiencia, eu quero te muito. (Rafaela)

"Tu vai ve a crianca na tua frente, tu vai ter o amor de mae, ne? Mesmo tu nao querendo, tu vai ter o amor de mae. Quando a mae se torna mae, automaticamente tu vai criar esse amor dentro de ti. (Raquel)

Natiele e a unica entrevistada que nao demonstra o grande desejo de casar e ser mae.

"Por mim, eu nao quero se mae, brinco com o filho dos outros, mas meu eu nao quero, muito obrigado. Crianca, olha, incomoda muito. Ainda mais do jeito que ta, hoje em dia, essas crianca que a gente ensina prum lado, elas caem pro outro, querem sempre o lado torto. Ai e melhor nem te, se e pra ta se incomodando. (Natiele)

O trabalho, por seu turno, e elemento importante para a realizacao pessoal das garotas, porem, nao almejam a independencia financeira. Pensam a profissao como um modo de estar fora de casa, convivendo com outras pessoas que nao as de suas familias, e o salario como forma de terem um dinheiro proprio para fazerem suas compras pessoais, sem necessitar pedi-lo ao marido. Esse pensamento refere-se ao contexto social em que estao inseridas, no qual o homem e o provedor e a mulher apenas contribui para a renda familiar. Quando a mulher e a responsavel pelo sustento da casa, geralmente e devido a "falta de um homem", o que nao e o desejo delas. Preferem estar casadas e ter a protecao masculina. Silva, Torres e Berg (2009) falam da busca das jovens de classes populares por um "principe encantado", ou seja, pelo amor romantico de um homem, no qual depositam suas esperancas de um futuro melhor.

O comportamento para conseguir, e manter, a atencao e a afetividade desses homens "salavadores" e, com frequencia, um ensinamento transmitido pelas familias. Desempenhar bem as funcoes de esposa dedicada--e fornecedora de prazer--, dona de casa caprichosa e boa mae e o que os pais (pai e mae) mais valorizam na educacao das filhas. Nas rotinas domesticas, as jovens, assim como seus companheiros, cresceram com os exemplos de pais que pouco ou nada contribuem nas tarefas domesticas, mesmo nas familias em que as maes trabalham fora. Por isso, e comum a reproducao de uma dinamica familiar em que a mulher realiza jornada dupla ou tripla--como no caso da entrevistada Paola, que possui trabalho remunerado, estuda e cuida da casa, sem a ajuda do marido.

A codificacao das representacoes femininas na telenovela

Tomamos como objeto de analise a telenovela Caminho das Indias (6), transmitida no horario das 21h (novela das oito) pela Rede Globo. O estudo foi realizado a partir de: a) analise de seis capitulos 01 (primeiro), 10, 50, 90, 150 e 203 (ultimo)--, que permitiram observar e exemplificar codificacoes hegemonicas, negociadas e opositivas; b) acompanhamento diario da telenovela, levando-se em conta a trajetoria dos personagens, suas relacoes sociais e afetivas.

A importancia de estudar as representacoes femininas apresentadas na telenovela, para posteriormente compreender sua recepcao, e defendida por Hall. Buscando destacar tal reflexao, Morley (2006, p. 11-12) expoe que "certamente, poucos parecem ter notado a posicao de Hall [...], ele insiste que a 'leitura preferencial' e, sem duvida, uma propriedade do texto--a qual pode (e deve) ser identificada por uma analise cuidadosa do proprio texto."

A analise de representacoes femininas na novela Caminho das Indias tem a funcao de mostrar de que forma os estereotipos estao presentes no discurso midiatico, que se soma aos discursos de outras instituicoes socializadoras--ou outras mediacoes--para oferecer estruturas de sentido para a construcao da identidade feminina. Esses discursos sao impostos de forma invisivel e nao se apresentam como imposicoes, mas como algo agradavel, que serve a alguns interesses femininos, conquistando, assim, a cumplicidade das mulheres para sua propria subordinacao (Charles, 1996; Bourdieu, 2007).

Uma das principais representacoes femininas na telenovela refere-se a valorizacao da maternidade, tal como Badinter (1985) se refere ao falar do mito do amor materno (7). A obrigacao de ser uma boa mae, e mesmo de ser mae, e constante em Caminho das Indias. Um exemplo disso pode ser notado com a personagem Ruth (Cissa Guimaraes), que, apesar de retratar uma mulher independente, solteira e satisfeita com sua vida, foi tomada pelo desejo de tornar-se mae. Nao ser casada e mesmo nao estar em uma idade ideal para engravidar nao foram impeditivos, e a personagem optou pela "producao independente".

Por sua vez, a importancia de ser uma boa mae foi retratada, principalmente, por Melissa (Christiane Torloni) e Maya (Juliana Paes), sendo que a primeira fugiu aos padroes, e, a segunda, foi um "exemplo de mae". Melissa, uma mulher futil e obsessiva por beleza, tinha um "instinto materno" pouco desenvolvido, visto que se colocava a frente dos filhos, e envergonhava-se deles--da filha, por seu estilo de vestir e falar diferentes, e do filho, pela doenca psiquiatrica (esquizofrenia). A personagem redime-se no final da novela ao comparecer a apresentacao do filho na clinica psiquiatrica, mostrando aceitar sua doenca.

Maya, apesar de ter se casado com Raj (Rodrigo Lombardi) estando gravida de Bahuan (Marcio Garcia), e nao ter contado isso ao marido, foi apresentada como um modelo de mulher. Como mae e esposa, Maya mostrou significativas virtudes, pois era dedicada a familia e estava sempre bela. Ao casar-se, deixou o emprego para cuidar da casa, do filho e do marido. Enquanto isso, Raj permaneceu dedicado ao seu trabalho, mantendo o mesmo comportamento profissional apos o casamento.

Renunciar a sua individualidade em nome da familia nao e uma atitude exclusiva da mulher oriental, como mostra a observacao da personagem Silvia (Debora Bloch). Apos casar-se com Raul (Alexandre Borges), deixou de lado a docencia e passou a ser esposa e mae em tempo integral. O fim de seu casamento e a decadencia financeira fizeram com que ela voltasse a trabalhar, mostrando-se uma mulher batalhadora. O premio de Silvia, contudo, nao foi encontrado na profissao, mas sim em um novo amor. O casamento com Murilo (Caco Ciocler) significou o recomeco e a felicidade para a personagem.

Para a maior parte das personagens de Caminho das Indias, o trabalho era secundario ou mesmo inexistente, o que significaria, seguindo a reflexao de Mattos (2006) (8), que as mulheres da novela, com algumas excecoes, nao podem ser consideradas modernas. A distincao mais marcante entre funcoes femininas e masculinas refere-se aos cuidados da casa, de um lado, e o trabalho no meio publico, de outro (em funcoes como comerciante e medico), havendo nitida diferenca de reconhecimento social e salarial entre os dois polos. Outra separacao comum esta relacionada a hierarquia (Bourdieu, 2007), visto que, de um lado, estao chefes, como os executivos e empresarios, e, de outro, as secretarias e empregadas domesticas.

Por outro lado, as personagens Ines (Maria Maya) e Leinha (Julia Almeida) ofereceram dois importantes exemplos de representacoes em que a carreira profissional e aspecto importante para a realizacao feminina, e que desvincularam as mulheres da necessidade de estarem acompanhadas de um homem para alcancar a felicidade. Na trama, as jovens estiveram sempre solteiras e felizes, e seus premios finais vieram atraves de conquistas profissionais. Ines foi anunciada como a futura presidente da empresa da familia Cadore, e Leinha recebeu proposta para trabalhar como produtora em Hollywood, tendo sua dedicacao aos trabalhos audiovisuais reconhecida.

Assim, percebe-se que, na telenovela analisada, a relacao entre mulher e trabalho foi apresentada de forma positiva: voltar a trabalhar foi o inicio da "volta por cima" de Silvia; o emprego de Maya, em um call center, mostrou que a jovem tinha costumes mais modernos que as demais mulheres indianas; os trabalhos de Aida (Totia Meirelles) e Cica (Aninha Lima) na clinica psiquiatrica compunham o retrato de duas mulheres "bem resolvidas"; Ruth era uma diretora dedicada que buscava melhorar a escola onde trabalhava; e a falta de uma ocupacao produtiva por Melissa colaborou em seu retrato como uma mulher futil. Contudo, o trabalho nao era central para nenhuma das personagens principais da trama, e era a dedicacao a familia que distinguia as "boas mulheres". Portanto, em Caminho das Indias, permaneceu a representacao do feminino vinculado ao espaco privado e do masculino, ao publico.

Leituras da telenovela: construindo os sentidos do feminino

A televisao e o principal meio de comunicacao consumido pelas jovens. La Pastina (2006, p. 35) observa que, para muitos telespectadores, a TV "e a principal, se nao a unica, fonte de informacao". Entre as entrevistadas, a reflexao do autor se confirma. Elas leem pouco jornal, nao consomem revistas ou livros, acessam pouco a internet e, quando o fazem, as paginas mais acessadas sao as redes de relacionamento. O radio, embora concorra com a televisao em tempo de consumo, serve somente para ouvir musica, e nao se configura num momento de integracao familiar, como a TV e, especialmente, a telenovela.

As telenovelas, embora nao durem mais que nove meses, reproduzem um mesmo modelo, que pouco muda de uma decada para outra, ha 50 anos. Assim, muitas jovens de 20 anos, como as entrevistadas, acompanham telenovelas desde a infancia e, apesar de realizarem uma negociacao na decodificacao desses produtos, sao educadas por eles, assim como pela escola, pela familia e por outras instituicoes socializadoras. De tal forma, o genero melodramatico, ao apresentar basicamente as mesmas representacoes femininas ao longo de anos, constitui importante formador de modelos femininos.

A identificacao com as personagens das novelas, mesmo que parcial, existe. A personalidade "guerreira" e humilde e o que ha em comum entre as mulheres da ficcao e as entrevistadas. A personagem Maria do Carmo (Susana Vieira), de Senhora do Destino (Rede Globo, 2004), seria a principal representante da mulher brasileira--grupo no qual as jovens se incluem--por sua "alegria", "autoestima" e "jeito guerreiro".

"Pra mim ela e a tipica mulher brasileira, ne? De onde ela veio, conseguiu cresce na vida, mas nao exageradamente, conseguiu o basico pra consegui vive, ne? Que as mulheres elas sao guerreira, elas gostam de trabalha, vao atras daquilo que querem, conseguem aquilo, que querem, ne? Nao tem mais aquela historia de que so o homem que pode, so o homem que faz. Nao, agora e igual mulher e homem, ne? O marido deixou ela, criou os filho sozinha, conseguiu educa os filho, estudaram, se formaram, ela conseguiu se alguem na vida, conseguiu um nome reconhecido, ne? (Raquel)

Uma analise especifica da recepcao de algumas personagens femininas de Caminho das Indias permite a explicitacao mais detalhada das opinioes das informantes sobre a mulher na telenovela. Maya teve avaliacao positiva de 11 entrevistadas, que admiram sua resistencia ao sofrimento e seu amor pelo filho. Apenas uma jovem fez um julgamento negativo da personagem, descrevendo-a como "muito dramatica, muito mocinha sofredora, nao tem iniciativa". Nessa perspectiva, a personagem Maya iria contra o enfatizado valor do espirito "guerreiro", que as receptoras salientam nas personagens femininas.

Contrastando com Maya, Melissa, do nucleo ocidental, teve suas atitudes reprovadas pelas telespectadoras. Apenas duas jovens gostavam da personagem, pois a consideraram uma "mulher de atitude". Ambas se confessaram, em outras questoes, vaidosas, e nao se importaram com os cuidados permanentes de Melissa com a beleza. Outras tres entrevistadas mostraram simpatia pela personagem--pois o modo caricato como suas extravagancias eram apresentadas divertia as jovens--, porem, nao deixaram de criticar suas atitudes com os filhos. Por outro lado, sete informantes destacaram a futilidade, o egoismo e a insensibilidade da personagem com as necessidades do filho esquizofrenico (Tarso).

"A Melissa e o tipo da mulher futil, so pensa em beleza, em roupa, em joia, bem mulher futil, bem sem nocao, sem cultura, sem estrutura, sem inteligencia, mulher bem que gosta de banalidade. Enquanto o filho dela ta com problema, ela ta pensando em botox, em cabelo, em roupa, joia, perfume, viagem, bem a madame mesmo. (Carol)

"A Melissa era muito futil, ela so pensava nela, nao via o problema do filho dela, nao via nada, ela so olhava pra si mesma, pra beleza dela, e nao se preocupava com os outros que tava na volta dela. (Natiele)

"Ela teria que se coloca mais no lugar de mae, nao quere que o filho fosse o bonito da capa da revista, o perfeito. (Paola)

"Ela e muito louca (risos), muito louca, ei! Ela so que creminho, ela nao tem nocao do que acontece com o filho dela, ela so que sabe de gasta dinheiro, sabe? (Rafaela)

Desse modo, fica claro que, para as entrevistadas, e papel principal de uma mulher ser uma mae dedicada e atenta aos filhos. Na otica delas, o egoismo e uma grande falha moral, incompativel com a maternidade.

O aspecto comico da telenovela teve a personagem de Norminha (Dira Paes) como um de seus principais representantes. Metade das entrevistadas declarou gostar da personagem, pois se divertiam com sua atuacao. Nao deixaram, contudo, de critica-la por ser infiel ao marido.

"A Norminha, ta loco! Nem tem o que fala da Norminha. Norminha, ta loco! [...] Mais engracada que todos da novela. (Lucielen)

"A Norminha era legal (risos) ... era legal. Eu gostava mais quando ela dava o leitinho pro Abelzinho (risos). Era legal, so que, por um lado, ela era errada, porque ela era casada, nao devia faze o que ela fazia, mas era divertido o papel dela. (Natiele)

"Cinco informantes desaprovaram completamente a personagem, pois era 'sem vergonha', 'falsa', 'barraqueira' e 'vileira'.

"A Norminha e aquela mulher escandalosa, barraqueira, bem da vida mesmo, que traiu o marido, nao tem educacao, assim, nao e uma mulher de fraquejo, e bem aquela mulher vileira mesmo, de vida, eu acho pelo menos. Ela e uma mulher leviana, que nao mede as consequencias das coisas que faz. (Carol)

Expressando um ponto de vista menos comum, Camila afirmou que Norminha representava grande parte das mulheres brasileiras e era uma personagem positiva para as mulheres, pois "ta mostrando o que a mulher pode faze, ne?".

Suellen (Juliana Alves) nao teve nenhuma avaliacao negativa, sendo destacada como uma mulher liberal, alegre, espontanea e determinada. A decisao por continuar trabalhando como balconista, mesmo apos se casar com um medico que poderia sustenta-la, foi a atitude de Suellen mais aplaudida pelas receptoras, sendo citada positivamente por todas, pois representou uma mulher independente e sem interesses financeiros no casamento. "Eu achei bem legal da parte dela continua trabalhando, ela nao se escorou no doutor" (Paola). A atitude destacada em Suellen pelas informantes alude ao que Mattos (2006) afirma sobre os relacionamentos amorosos de mulheres modernas, que veem o romance como um fim em si mesmo.

De forma mais geral, as entrevistadas identificaram a mulher de Caminho das Indias como prioritariamente dedicada a casa, filhos e marido. Essa imagem destacou-se no nucleo indiano, mas tambem foi comum entre as representacoes de mulheres brasileiras. Oito entrevistadas nao diferenciaram a representacao da mulher indiana a da brasileira, pois o cuidado da casa e o "ter atitude" foram aspectos em comum.

"Acho que mais em casa, porque muito pouco se trabalha ali, mas e em casa, no servico de casa que eles mostram mais. Na India e tudo bem dize da casa, nao trabalham fora. E no Brasil, a Silvia nao trabalha, a Yvone nao trabalha, a Melissa nao trabalha, aquilo e so comprando, ne? Entao eu acho que e mais dona de casa. (Camila)

"As mulheres, elas tinham atitude, ne? Com atitude, elas iam em frente naquilo que elas queriam, a Melissa era uma delas, ne? Elas iam em frente, a Maya tambem. (Emanuele)

As outras quatro informantes distinguiram os modos de ser da mulher que vive no Brasil da que vive na India. Enquanto as brasileiras sao independentes, as indianas sao submissas e vivem apenas para fazer as vontades do marido e da familia dele.

"Era mostrada na parte da India como a mae, a dona de casa, deveria fica so em volta dos filhos, do marido, eu acho que ali era mais a empregada da casa. Tinha tudo, tinha joia, mas ela teria que faze tudo, ela nao poderia trabalha, nao poderia estuda, nao poderia faze nada, so vive em volta dos filhos e do marido. Ja aqui, na parte do Brasil, tinha a parte legal da Duda, que fico cuidando do filho sozinha, da mae da Camila, que tomava conta das duas filha, trabalhava bastante, bem legal, mostra pra mulher que ela pode toma conta duma casa, toma conta das filha sem depende de ninguem. Achei bem legal. (Paola)

Por fim, a novela ensinaria as mulheres, na perspectiva das jovens, valores modernos, relacionados a sua liberdade pessoal: "Mostra que mulher trabalha, tem sua casa, tem sua vida, nao precisa depende so do homem" (Natiele). Os principais ensinamentos podem ser assim sintetizados: ser independente, caracteristica que esta relacionada a vida profissional; ter atitude, que diz respeito a nao serem submissas; e ser guerreira, que se refere a lutar por seus objetivos, pessoais e profissionais.

Por outro lado, para tres entrevistadas, a telenovela tambem ensinaria as mulheres a "se preservarem", mostrando a necessaria dignidade moral feminina, e ofereceria exemplos de mulheres submissas, que tem como objetivo de vida casar e agradar o marido. "Na novela, mostra que a mulher tem que ta agradando o homem, mas, na minha opiniao, acho que os dois tem que se tratado igual." (Rafela). Ha ainda a avaliacao de Paola, que considera que a novela nao ensina nada as telespectadoras.

Consideracoes finais

Estudar a identidade feminina e, primeiramente, buscar entender o que torna as mulheres seres especificos. Seu sexo importa, especialmente por legitimar as diferencas entre homens e mulheres, com as quais ambos convivem durante a vida. Porem, e na cultura do cotidiano--da classe social, da familia, da escola, da midia, da igreja, do bairro--que as identidades sao conformadas, negociadas, reajustadas. Importante atentar, no entanto, que, mesmo enquanto mulheres, nao constituem um grupo homogeneo, isto e, nao basta nascer mulher para constituir a identidade feminina.

A telenovela, produto impar para pensar as representacoes femininas, apresenta algumas aberturas ideologicas no tocante as relacoes pessoais e oportuniza a discussao de assuntos considerados tabus, como o sexo. Do mesmo modo, apesar de nao ser esta representacao hegemonica, apresenta mulheres autonomas, que alcancam a independencia pessoal atraves do trabalho. Ao mesmo tempo, a telenovela (re)produz um modelo feminino tradicional, que vincula a mulher ao papel de mae, prioritariamente, esposa e dona de casa, deixando a esfera publica como campo de atuacao majoritariamente masculino. Assim, entendemos que ha uma abertura nas representacoes das mulheres, no entanto, nao se percebe uma abordagem propriamente igualitaria dos generos.

Atraves dos apontamentos acerca da recepcao da telenovela, percebemos que as leituras das jovens reproduzem o que e apresentado no programa, oscilando entre essas duas formas de representar as relacoes de genero. Segundo as entrevistadas, o programa exibe uma mulher moderna, que "nao precisa depender do homem", mostrando a mulher que trabalha e e a "senhora do seu destino" (9). Por outro lado, nao deixam de relacionar a mulher ao papel prioritario de mae, bem como de esposa, expostos na telenovela e valorizados na educacao familiar. Acostumadas com exemplos de submissao feminina na familia e no bairro--que elas mesmas relatam--, as entrevistadas leem as representacoes oferecidas pela telenovela como uma valorizacao da mulher. Assim, entre as mediacoes empiricas estudadas--familia, classe social e telenovela--, e a ficcao seriada a que propoe um discurso feminino mais inovador. Esse discurso, mesmo que pouco se concretize em pratica, e fundamental, pois tambem constitui a identidade feminina.

Acreditamos, como Charles (1996), que, apesar de obras ficcionais, e papel da telenovela ampliar o leque de representacoes femininas, fugindo das imagens simplificadas que reduzem a mulher a vida privada--ainda hegemonicas--, e venham a favorecer uma relacao mais igualitaria entre os generos. "A projecao de novas identidades femininas nos meios e uma exigencia da modernidade e um aspecto nodal da comunicacao para o desenvolvimento" (Charles, 1996, p. 49).

REFERENCIAS

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Lirian Sifuentes

Doutoranda no Programa de Pos-Graduacao em Comunicacao da PUCRS/RS/BR. lisi fuentes@yahoo.com.br

Veneza Ronsini

Professora no Programa de Pos-Graduacao em Comunicacao Midiatica da UFSM/RS/BR. venezar@gmail.com

NOTAS

(1) O conceito de mediacoes e tao complexo que Martin-Barbero nao oferece uma definicao clara, nem situa as origens do mesmo. Essa categoria, segundo Signates (2006), e citada 37 vezes em "De los medios a las mediaciones" (Martin-Barbero, 1987), em cinco sentidos diferentes: a) como construto ou categoria teorica; b) como discursividade especifica; c) como estruturas, formas e praticas vinculatorias; d) como instituicao ou local geografico; e) como dispositivo de viabilizacao e legitimacao da hegemonia. Para Orozco (2001, p. 23), mediacao pode ser entendida "como um processo estruturante que configura e orienta a interacao das audiencias e cujo resultado e o outorgamento de sentido por parte dessas aos referentes midiaticos com os que interatuam".

(2) A classificacao social das entrevistadas foi definida mediante a metodologia da estratificacao socio-ocupacional, na qual a familia e classificada a partir do membro melhor situado economicamente. Os grupos resultantes sao reunidos em quatro camadas: alta (proprietarios e alta classe media); media (media classe media e proprietarios de pequeno negocio urbano); media baixa (baixa classe media, operarios e trabalhadores autonomos); baixa (camada inferior de operarios, assalariados populares e trabalhadores autonomos, empregados domesticos e nao ocupados) (Quadros; Antunes, 2001). Essa divisao serviu como ponto metodologico de partida para a busca de entrevistadas que fizessem parte do estrato social pretendido por esta pesquisa (classes baixa e media baixa). No entanto, nossa compreensao de classes/grupos populares vai alem do que se define pelas profissoes, ou pela posse de bens materiais. Alem da importancia da ocupacao e da renda familiar, consideramos que as classes populares possuem uma cultura especifica, um habitus de classe, no sentido bourdiano, que conforma os modos de agir e pensar.

(3) A delimitacao etaria segue a divisao do IBGE, que define entre 15 e 24 anos a faixa em que estao inseridos os jovens no Brasil.

(4) Toma-se a reflexao de Mattos (2006, p. 182) como referencia para destacarmos a importancia da presenca dos pais no ambiente domestico para a conformacao identitaria, e a ausencia mais comum dos pais na classe popular. A autora afirma: "Ainda que a classe media esteja convivendo com mudancas na estrutura familiar, o que vem ocorrendo e a formacao de novas configuracoes de familia, e nao a desagregacao familiar, muito mais frequente na classe baixa. Mesmo que os pais de classe media nao vivam juntos, isso nao implica a perda de suporte e da referencia de ambos os pais para os filhos".

(5) Todos os nomes usados para as entrevistadas sao ficticios.

(6) Caminho das Indias estreou dia 19 de janeiro de 2009 e, apos 203 capitulos e oito meses no ar, terminou em 12 de setembro de 2009. A trama foi escrita por Gloria Perez e dirigida por Marcos Schechtman.

(7) Em "Um amor conquistado. O mito do amor materno", Badinter (1985) demonstra, por meio de inumeros indicios--como os exemplos das maes frias que tendiam a abandonar os filhos, na Franca urbana dos seculos XVII e XVIII--que o amor materno inato e um mito. Esse cuidado e, na realidade, uma construcao social. Porem, faz parte do imaginario da mulher do nosso seculo acreditar que tal amor nasce conosco e que, portanto, possuimos um "instinto materno".

(8) Para Mattos (2006, p. 172), a mulher moderna se caracteriza "por construir sua identidade a partir do trabalho e compreender as relacoes entre ela e os homens como um fim em si mesmo. [...] O trabalho, tanto na sua dimensao economica quanto na sua dimensao existencial, seria para a mulher moderna sua principal fonte de reconhecimento social."

(9) Fazendo referencia a personagem considerada o retrato da mulher brasileiro, Maria do Carmo, da novela Senhora do Destino.
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Title Annotation:Televisao
Author:Sifuentes, Lirian; Ronsini, Veneza
Publication:Revista Famecos - Midia, Cultura e Tecnologia
Article Type:Report
Date:Jan 1, 2011
Words:6705
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