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O papel do governo e a pratica do consumo sustentavel: como esse stakeholder atua no setor eletrico?

THE ROLE OF GOVERNMENT AND PRACTICE OF SUSTAINABLE CONSUMPTION: HOW OPERATES THIS STAKEHOLDER IN THE ELECTRICITY SECTOR?

1 Introducao

Continuamente, percebe-se que as transformacoes ocorridas em ambito mundial, sejam elas nas areas economicas, sociais e/ou ambientais, indicam a necessidade de surgimento de uma nova forma de desenvolvimento que esteja direcionada para questoes coletivas em detrimento dos aspectos egoistas e individualistas atualmente apregoados. Nessa perspectiva, o desenvolvimento sustentavel emerge como alternativa possivel de ser alcancada a medida que se discute a busca pela harmonizacao entre as dimensoes social, economica e ambiental, fundamentais para a efetivacao desse novo modelo (SACHS, 2007).

Para que essa mudanca possa ser disseminada em toda a sociedade, faz-se necessario o envolvimento de diferentes atores sociais, nomeadamente Governo, Empresa e Sociedade, que devem realizar acoes de forma concomitante ao estabelecimento desse paradigma de modo que o mesmo possa ser efetivado. Tais praticas envolvem um papel mais ativo do governo, uma responsabilidade socioambiental das empresas, bem como uma maior consciencia individual ao modificar suas atitudes enquanto integrante da sociedade. Essas praticas atendem aos requisitos do desenvolvimento sustentavel, pela pratica de um consumo sustentavel (PNUMA, 2001).

Com a indissociacao e interdependencia entre producao, mercado e consumo, percebe-se a dificuldade em se modificar uma das partes sem que as demais tambem sejam modificadas (TUKKER et al., 2008). Assim, compreende-se que estao alinhadas as acoes desenvolvidas pelos atores sociais tanto para com o desenvolvimento sustentavel como para a efetivacao de um consumo sustentavel, entendendo que este ultimo constructo se caracteriza como um padrao de consumo resultante dessas interrelacoes entre os atores sociais para a efetivacao desse novo modelo de desenvolvimento (SILVA, 2010). Discute-se que muitos sao os atores que estao envolvidos para uma reestruturacao das praticas ate entao realizadas, a saber: Governo, Empresa, Midia, Terceiro Setor, Sociedade Civil, dentre outros.

Na literatura sobre a pratica sustentavel do consumo, em sua maioria, ha uma confusao entre conceitos que o equiparam com o consumo verde e o consumo consciente, o que impede o entendimento da complementaridade entre esses tipos responsaveis de consumo. Todavia, fica claro que a pratica do consumo e uma questao cultural que pode ser modificada a partir de uma reestruturacao nos habitos e costumes daqueles que o praticam (SLATER, 2002; SILVA, 2010). A partir dessas consideracoes, ao se observar a dinamica de mercado, a qual a sociedade esta inserida, percebe-se que muitas empresas estao modificando suas praticas organizacionais e direcionando-as para questoes socioambientais.

Dentre as muitas organizacoes que estao inseridas nesse contexto encontra-se a Companhia Eletrica de Pernambuco -- CELPE, que por meio de projetos de eficiencia energetica vem trabalhando para uma reestruturacao na pratica do consumo no setor. A iniciativa de desenvolvimento desses projetos de eficiencia energetica esta envolvida com a ideologia da empresa, mais especificamente ao que se refere a energia, foi uma regulamentacao que estimulou a ampliacao desses projetos criados. Dentre os muitos projetos que sao desenvolvidos destaca-se o Projeto Nova Geladeira, direcionado para a disseminacao de um carater mais consciente no consumo de energia eletrica.

Com vista a essa pratica desenvolvida pela organizacao, por entender que de alguma forma ela esta envolvida numa rede de parcerias que visa o estimulo ao consumo sustentavel no setor eletrico, toma-se a mesma como estudo de caso da presente pesquisa, entendendo que por meio dessas interrelacoes, a qual se esta inserida, pode-se tomar como o objetivo de estudo identificar qual o papel desenvolvido pelo governo como auxilio ao consumo sustentavel, em se considerando as especificidades do setor estudado. Com uma nova forma de atuacao dos atores sociais envolvidos, percebe-se que impactos socioambientais e riscos energeticos, na forma de novos apagoes, por exemplo, serao minimizados consideravelmente (WWF-BRASIL, 2007), melhorando a dinamica setorial.

Justifica-se o estudo de um setor economico especifico, a medida que se entende que para cada setor praticas podem ser desenvolvidas no sentido de se buscar o consumo sustentavel (TUKKER et al., 2008). Todavia, considerando que o ator social selecionado para o presente estudo -- o Governo -- atua em todos os setores da economia, torna-se possivel reconhecer qual seja o papel desse ator para essa pratica sustentavel do consumo e difundir os resultados obtidos para outros setores economicos, considerando-se as especificidades pertinentes a cada um desses e adaptando os apontamentos do estudo, no sentido de buscar o consumo sustentavel nessas outras areas.

Como melhor forma de compreender o objetivo proposto, o presente artigo esta dividido em cinco partes distintas. Alem dessa parte introdutoria, sao apresentados num segundo momento os aspectos teoricos norteadores da pesquisa, assim, identifica-se uma discussao sobre desenvolvimento sustentavel e consumo sustentavel, com o intuito de apresentar as argumentacoes utilizadas para o entendimento do fenomeno. A seguir sao apresentados os procedimentos metodologicos. No quarto momento, observa-se a apresentacao e analise dos resultados, com uma visualizacao do setor eletrico, a identificacao do consumo sustentavel no setor, alem da discussao sobre o papel do governo nesse sentido e, por fim, as consideracoes finais.

2 Discussao Teorica

2.1 Desenvolvimento Sustentavel

As discussoes envolvendo o desenvolvimento sustentavel tem levado em consideracao as diferentes transformacoes estruturais que ocorre continuamente em todo o mundo. Identifica-se que as mudancas climaticas, as crises economicas, bem como os impactos sociais que surgem, representam os diferentes reflexos que a acao individualista do ser humano impoe ao contexto ambiental ao qual se esta inserido (SILVA, 2010). Tais aspectos indicam cada vez mais a necessidade de redirecionamento da pratica capitalista atual para uma que consiga abranger aspectos mais coletivos e de interesses mais amplos.

Nesse sentido, o desenvolvimento sustentavel surge como alternativa a essa necessidade de mudanca, considerando-se que um conjunto de acoes deve ser praticado para a efetivacao do mesmo. Seu conceito mais completo foi definido no Relatorio de Brundtland, no qual o mesmo e entendido como "um processo de mudanca em que a exploracao dos recursos, a direcao dos investimentos, a orientacao do desenvolvimento tecnologico e a mudanca institucional estao todos em harmonia" para que as necessidades humanas possam ser satisfeitas atualmente e no futuro (WCDE, 1987).

De fato, o direcionamento das atividades para uma nova forma de pratica organizacional necessita de uma "mudanca no pensamento mecanicista para o sistemico, e de um sistema de valores baseado na dominacao para um sistema baseado na parceria" (CASAGRANDE, 2003, p.3), indicando que o novo modelo alternativo a ser praticado serve como subsidio para as acoes organizacionais, ao verificar o surgimento de uma perspectiva pautada na harmonizacao de tres criterios fundamentais, quais sejam: equidade social, eficiencia economica e equilibrio ambiental (SACHS, 2007), com o intuito de transformar as praticas ate entao desenvolvidas para essa nova visao.

A mudanca de paradigma desenvolvimentista relaciona-se com a modificacao na cultura social, nas praticas de consumo da populacao e na forma de atuacao das organizacoes (publicas e privadas) de maneira tal que sao necessarias acoes de longo prazo. Desse modo, Schumacher (2001) afirma que o problema deve ser entendido em sua totalidade, buscando reconhecer e desenvolver um novo estilo de vida, com novos metodos de producao e novos padroes de consumo. Para Buarque (2008), essa transicao de um modelo insustentavel para outro que contemple principios capazes de modificar positivamente o contexto deve abarcar mudancas estruturais e iniciativas transformadoras na base da organizacao, da sociedade e da economia.

Para que se torne possivel a efetivacao desse modelo de desenvolvimento emergente, percebe-se ser necessario um envolvimento entre atores sociais, de modo que seja possivel a realizacao de atividades mais voltadas para questoes socioambientais e que sejam incorporados as atitudes holisticas e a efetividade na interrelacao entre os mesmos (CANEPA, 2007; SILVA, 2010). Nessa perspectiva, podem ser considerados como co-responsaveis por essa nova visao desenvolvimentista, dentre outros atores, o governo, as empresas e a sociedade civil, cada qual com seus papeis e obrigacoes direcionados a esse novo modelo (BUARQUE, 2008; CORREA, SILVA & MELO, 2010).

Nesse contexto, percebe-se que dentre outros aspectos o governo assume o papel de regulador, fiscalizador e fomentador de acoes desenvolvidas no sentido de melhor organizar a sociedade. As empresas possuem a responsabilidade de desenvolver praticas socioambientais capazes de desempenhar um melhor papel no ambito coletivo com vistas a uma melhoria na performance dessas organizacoes. E a sociedade civil, alem de realizar associacoes que visam a luta por seus direitos, possui individualmente a responsabilidade de modificar os estilos de vida populacional e padroes de consumo incompativeis com a possibilidade de um desenvolvimento sustentavel (BUARQUE, 2008, CORREA, SILVA & MELO, 2010; SILVA, CORREA & AGUIAR, 2010; SILVA, 2010).

A partir dessas caracteristicas, entende-se que a mudanca na forma de atuacao posta em pratica e o ponto de partida inicial para que se consiga atingir um desenvolvimento endogeno, autossuficiente, orientado para as necessidades, em harmonia com a natureza e aberto as mudancas institucionais (SACHS, 2008). Esses aspectos levam a uma reflexao, sobre a necessidade de reestruturacao nao apenas nos modos de producao ate entao utilizados, como tambem nos padroes de consumo que nos diferentes niveis interferem, em se considerando a estruturacao atual, na efetivacao do desenvolvimento sustentavel. Assim sendo, torna-se necessario reconhecer os aspectos basilares para o estimulo ao surgimento de um consumo sustentavel, isso por meio da atuacao de diferentes stakeholders.

2.2 Stakeholders: Influencias na Estrutura de Mercado

O stakeholder pode ser considerado como elemento conceitual fundamental na analise de relacionamento e poder entre as organizacoes e os atores com os quais uma empresa esta envolvida (HUSTED & ALLEN, 2001; MITCHELL, ALGE & WOOD, 1997). Esses atores influenciam e sao influenciados pela organizacao, que sao considerados muitas vezes como choques externos que pressionam diferentes formas de atuacao (ABREU, 2001; PASA, 2004). Na discussao sobre a evolucao da responsabilidade social, percebeu-se que os stakeholders ganharam forca com a Teoria dos Stakeholders de Freeman (1984), estando os mesmos sujeitos atualmente a diferentes tipos de classificacoes para seu melhor entendimento. Dentre essas, Nascimento, Lemos e Mello (2008) definem que esses podem ser interno e externos a organizacao. Em outro momento, Clarkson (1995) indica que eles devem ser classificados como primarios e secundarios a influencia organizacional.

Corroborando com a perspectiva desse ultimo autor, o modelo de stakeholders de Steiner e Steiner (2006) representa de forma concisa como se da o relacionamento entre diferentes atores sociais (empresagoverno- sociedade) a medida que considera esses atores que afetam e sao afetados pela organizacao com diferentes niveis de influencia. Os stakeholders primarios interagem diretamente com a organizacao, em um pequeno grupo atuam de forma imediata, continua e com certo grau de poder de acordo com cada organizacao. Eles sao constituidos de maneira geral pelos acionistas (proprietarios), consumidores, funcionarios, comunidade e governo. Ja os stakeholders secundarios sao aqueles que com menor grau de influencia direta atuam sobre a organizacao, eles sao constituidos por muitos atores que podem ser observados na Figura 1 (STEINER & STEINER, 2006).

[FIGURA 1 OMITIR]

A partir dessa visao sobre quais os stakeholders que podem pressionar as atividades organizacionais, considerando que as organizacoes estao inseridas em um contexto macro com um conjunto grande de empresas -- o mercado, fica facilitado o alcance de influencias efetivas sobre a responsabilidade organizacional. A partir do momento em que se considera o governo como o ator principal de analise da presente pesquisa, dentro da ideia de interacoes sociais que sao propostas para o consumo sustentavel, percebe-se que o mesmo deve estar interagindo com todos os atores apresentados na ilustracao anterior de modo tal que facilite o direcionamento de todos para uma nova perspectiva de atuacao no mercado. Assim, entende-se que quando esses atores estiverem alinhados com a perspectiva do desenvolvimento sustentavel de forma efetiva os mesmos conseguem tambem auxiliar para um consumo sustentavel.

2.3 Consumo Sustentavel

A pratica do consumo acompanha o ser humano em todos os momentos de sua existencia, direta ou indiretamente, o que ratifica a ideia de que e indissociavel o viver sem consumir (SILVA, 2010). De acordo com o Instituto Akatu (2001), consumir e um processo que, geralmente, e realizado de forma automatica e, muitas vezes, de forma impulsiva, devendo-se entender que o mesmo esta relacionado com a decisao sobre o que consumir, por que consumir, como consumir e de quem consumir, alem da efetivacao da compra e o pos-consumo, no momento em que e necessario descartar o que foi utilizado. Esse processo pode ser observado de forma singular na compra de bens materiais e de servicos prestados.

O consumo provoca impactos em toda a sociedade, na economia e na natureza, e e por esses fatores que e necessario uma maior conscientizacao na hora de consumir, ou seja, e preciso que haja uma mudanca nos habitos atuais de consumo. Na visao de Bauman (2008), o consumo e condicao para a sobrevivencia do ser humano, ou seja, o mesmo pode ser entendido como uma caracteristica inerente as atividades desenvolvidas individualmente em toda a sociedade. Esse consumir, na medida em que e desenvolvido de forma exacerbada, pode se tornar incontrolavel, ao passo que venha a se tornar o chamado consumismo (BAUMAN, 2008; GIACOMINI FILHO, 2008). Esse excesso de consumo indica uma despreocupacao dos individuos quanto aos aspectos da coletividade.

Considerada como uma atividade inerente a um processo cultural de uma sociedade, o consumo tem pretensoes e alcance global (McCRAKEN, 2003; SLATER, 2002), portanto, e uma atividade realizada nas diferentes nacoes considerando-se as particularidades de cada localidade. Desse modo, a cultura de consumo vai alem da reproducao da vida cotidiana, atingindo de modo dominante um alcance pratico e uma profundidade ideologica que permite estruturar e subordinar as outras culturas (SLATER, 2002). A sociedade de consumo, a qual a populacao esta submetida na atualidade, demonstra o quao cultural a pratica de consumir envolve as relacoes interpessoais.

Diante do consumismo observado na maioria das populacoes ao redor do mundo, como parte da cultura de muitos paises (ASSADOURIAN, 2010), verifica-se cada vez mais necessaria a mudanca no modelo desenvolvimentista, alinhada a uma mudanca no paradigma consumista, de modo que seja possivel a continuidade nas praticas de consumo em escala mundial. Isso pode ser conquistado com a modificacao do paradigma de consumo voltado a um pensamento mais holistico das acoes desempenhadas (PNUMA, 2001), buscando redirecionar a visao do consumo moderno a medida que esse e caracterizado como a producao exclusiva para a venda, no mercado, aos consumidores (SLATER, 2002).

Com o evolutivo desenvolvimento do mercado direcionado a essa visao mais sistemica quanto as caracteristicas de consumo, percebe-se que o mesmo, com o passar do tempo, nao e afetado somente por aqueles que sao consumidores no sentido economico, mas tambem por aqueles que em suas acoes, mesmo que indiretamente, moldam a procura e compra de bens e servicos (PORTILHO, 2005). Evidenciase, assim, uma nova perspectiva de compra que alem de valorizar as questoes economicas, buscam englobar uma maior quantidade de variaveis inerentes a oferta do produto, dentre as quais se pode identificar a preocupacao empresarial com os aspectos sociais e ambientais.

A mudanca nas praticas de consumo da sociedade reflete o momento cultural a qual a mesma esta inserida perante as dinamicas e demandas requeridas, necessitando-se de um direcionamento coletivo para a efetivacao da forma de desenvolvimento emergente, o sustentavel. Cada vez mais, seguindo a ideia de mudanca de paradigma e considerando-a viavel, Santos, Leite, Tacconi e Alexandre (2008) afirmam que estao surgindo novas preocupacoes por parte do consumidor, as quais mudam o foco individualista de seu consumo para uma visao mais ampla em termos de consciencia do mesmo. Surge, portanto, o movimento na sociedade por um consumo mais responsavel.

Nesse novo contexto, com a intencao de uma nova pratica de consumo diante da necessidade no desenvolvimento de novos papeis sociais direcionados a esse objetivo, que de forma ampla assume a denominacao de consumo sustentavel. Para que esse seja compreendido ha que se identificar a existencia de uma complementaridade entre tipos diferentes de consumo mais responsaveis. Percebe-se que a partir de uma ideia hierarquica entre esses tipos de consumo tornam-se geradores de complexidade numa sequencia linear as ideias de consumo verde, de consumo consciente e, por fim, de consumo sustentavel, alcancando, desse modo, o objetivo do novo paradigma de consumo.

Na literatura sobre a tematica, percebe-se que ha uma confusao entre os conceitos na visao de muitos autores nacionais, os quais buscam normalmente trabalhar com a ideia ou de consumo verde de produtos ou de praticas de consumo consciente sem a efetiva distincao entre esses (AMORIM, ARAUJO, GONCALVES & QUEIROZ, 2009; BARROS & COSTA, 2008; BEDANTE & SLONGO, 2004; BORINELLI, MORIYA, SANTOS & COLTRO, 2009; CARDOSO & CAIRRAO, 2008; COSTA & OLIVEIRA, 2009; GOMES, 2006; GONCALVES-DIAS & MOURA, 2007; ORTIGOZA, 2002; PANAROTTO, 2008). Todavia, Silva (2010) busca realizar um delineamento claro dessa ideia hierarquica para a compreensao da tematica.

Diante dessas consideracoes, percebe-se que o consumo sustentavel analogamente ao conceito de desenvolvimento sustentavel pode ser considerado como a pratica de consumo que utiliza os recursos naturais para satisfazer as necessidades atuais, sem comprometer as necessidades e aspiracoes das geracoes futuras (GOMES, 2006; CORTEZ & ORTIGOZA, 2007). Para que o consumo sustentavel possa ser praticado, Jackson (2007) indica ser necessaria uma adequacao dos padroes de consumo a nova realidade social, entendendo que a partir da reducao no consumo de boa parte dos materiais, bem como um redirecionamento das praticas ate entao desenvolvidas facilitam seu alcance.

Assim sendo, Silva (2010) define o consumo sustentavel como sendo o padrao de consumo resultante da interrelacao de atores sociais direcionado ao alcance do desenvolvimento sustentavel, tal ideia foi desenvolvida em consonancia com o modelo teorico de Michaelis (2003) (Figura 2). Assim, e necessario entender que para a pratica de um consumo sustentavel seja efetivo, cada um desses diferentes atores que podem ser observados possui papeis singulares as suas capacidades. Como se pode observar na ilustracao a seguir, sao varios os atores que se direcionam para esse consumo sustentavel, e dentre os quais se pode destacar o governo, que assume particularidades a partir de sua capacidade de poder e articulacao existente na sociedade. Apesar de o modelo assumir como aspecto central a empresa, o mesmo serve para mapear quais aqueles atores que atuam na rede setorial.

[FIGURA 2 OMITIR]

Assumindo como stakeholders basicos para a definicao da pratica social sustentavel a empresa, o governo e a sociedade, percebe-se que as empresas deveriam direcionar suas atividades considerando sua responsabilidade socioambiental e melhorando sua forma de atuacao no mercado (PNUMA, 2001). Uma das propostas alinhadas a esta perspectiva, esta na busca por solucoes inovadoras que auxiliam mais rapidamente o alcance do consumo sustentavel em funcao do modelo de desenvolvimento sustentavel que se almeja. Para Larantis, Gastal e Schneider (2004), a partir desse posicionamento, as empresas podem se utilizar a satisfazer a geracao de consumo consciente.

O individuo, enquanto outro ator considerado, deve desempenhar o consumo consciente no momento de sua compra, assumindo um papel de consumidor-cidadao, entendendo que esse e o seu papel de responsabilidade para que se mude a pratica de consumo apregoada. Suas acoes devem estar alinhadas com a perspectiva considerada para que haja efetivamente o emergir de um novo modelo. Ja o governo assume o papel de desenvolver politicas publicas e programas educacionais que auxiliem na efetivacao desse novo padrao de consumo. Salienta-se uma nao imersao na discussao desses papeis nesse momento, ja que o presente estudo busca identificar de fato qual vem a ser o papel do governo para o consumo sustentavel. A partir desse delineamento teorico, vale salientar que as diferentes economias, bem como os diferentes setores economicos possuem praticas distintas que facilitam a efetivacao do consumo sustentavel (TUKKER et al., 2008).

3 Procedimentos Metodologicos

Com o objetivo de identificar o papel do governo no auxilio para a efetivacao de um consumo sustentavel, a presente pesquisa assume uma abordagem qualitativa na medida em que o fenomeno estudado especifica e representa um processo de reflexao e analise de um contexto para uma compreensao detalhada do objeto de estudo (OLIVEIRA, 2005). A utilizacao da referida abordagem justificase, ainda, segundo Richardson et al. (2008, p.79), "por ser uma forma adequada para entender a natureza de um fenomeno social". Para tanto, a mesma esta caracterizada como pesquisa exploratoria e descritiva, no sentido de melhor compreensao do estudo.

A pesquisa caracteriza-se como exploratoria por proporcionar, segundo Gil (1991 p.45), uma maior familiaridade para com o problema, com vistas a torna-lo mais explicito e compreensivel, e descritiva por apresentar a descricao das caracteristicas de dada populacao ou fenomeno em estudo, com carater conclusivo para analise (GIL, 1991; MALHOTRA, 2006). Entendendo que a tematica do consumo sustentavel ainda apresenta poucos trabalhos alinhados com a perspectiva de desenvolvimento sustentavel continuamente discutida por diferentes atores sociais, e nesse contexto que se insere a presente pesquisa na medida em que busca-se evidenciar o papel desse importante ator social, qual seja: o governo.

Para que se torne possivel o levantamento de informacoes pertinentes ao estudo, salienta-se que o conceito utilizado como norteador da pesquisa quanto ao consumo sustentavel e aquele que indica a efetivacao de um padrao de consumo, resultante de inter-relacoes entre atores sociais, direcionados para o desenvolvimento sustentavel (SILVA, 2010). A partir dessa argumentacao, identificou-se no desenvolvimento pratico de suas atividades que a Companhia Eletrica de Pernambuco (CELPE) vem auxiliando para o consumo sustentavel no setor eletrico, na medida em que envolvido com um grupo de atores sociais facilita o consumo consciente de seus clientes e visa a reducao do impacto ambiental de suas atividades.

Desse modo, percebendo o envolvimento desses atores sociais com objetivos coletivos almejados, assume-se como metodo na presente pesquisa o estudo de caso, ja que com as atividades dessa organizacao selecionada, a pesquisa se envolve num campo de reconhecimento e apresentacao de caracteristicas peculiares sobre a tematica. O estudo de caso se apresenta como metodo adequado quando o investigador deseja: a) definir topicos de forma mais superficial do que especifica e aprofundada; b) cobrir condicoes contextuais e nao apenas o fenomeno de estudo; e c) basear-se em multiplas fontes de evidencias e nao em algumas poucas (YIN, 1993), facilitando desse modo, o alcance do objetivo proposto como norteador da pesquisa.

Como instrumentos de coletas de dados selecionaram-se o levantamento documental e a realizacao de entrevistas com representantes da organizacao. A utilizacao de documentos como fontes de dados justifica-se pela facilidade de embasamento informacional para posterior analise, essa etapa estando relacionada com a procura pelas regulamentacoes e/ou fomentos no setor eletrico que podem auxiliar para o entendimento do papel governamental, uma verificacao na web site da empresa selecionada com o intuito de identificar informacoes que possam subsidiar a analise, alem de noticias publicadas pela midia que fazem mencao aos projetos da empresa. Ja as entrevistas foram realizadas com o representante de responsabilidade social e com o gestor de eficiencia energetica da empresa. Para uma melhor analise, optou-se pelo anonimato dos entrevistados.

No que se refere a analise de dados, foi realizada uma analise de conteudo, buscando explicitar o conteudo das entrevistas e dos documentos, visando uma compreensao mais rapida e eficaz nos discursos diretos e simples (BARDIN, 2009). Esse tipo de analise foi realizada em tres etapas: em tres etapas: a) preanalise ou organizacao do material coletado nas entrevistas, bem como dos documentos levantados; b) analise do material propriamente dito, no qual os dados foram categorizados e embasados na literatura pertinente ao estudo; e c) tratamento dos resultados, sendo feita a interpretacao destes dados e confrontando-os com os resultados obtidos na teoria, formulando-se as consideracoes finais. Destaca-se que foram extraidas as informacoes para a realizacao das analises, sem realizar a construcao de categorias de analise nesse sentido, fato este indicado como possivel na analise dos dados coletados.

4 Apresentacao e Analise dos Dados

4.1 Conhecendo o Setor Eletrico Brasileiro

Com caracteristicas peculiares, se comparado aos outros mercados de energia do mundo, o setor eletrico brasileiro tem sua base geradora com predominancia de hidreletricas que, apesar de ser uma fonte secundaria e renovavel de energia, produzem grandes impactos sobre o meio ambiente, sentidos ao longo e alem do tempo de vida da usina hidreletrica no seu entorno (SOUSA, 2000). No Brasil, a partir dos anos 1960, o segmento energetico teve seu controle centralizado em poder do setor publico, por meio de empresas publicas federais e estaduais, tanto no que se refere a geracao, integracao de sistemas e distribuicao de energia (GOLDEMBERG & PRADO, 2003).

Como reflexo da crise fiscal que ocorreu no pais no final dos anos 1980 e com os adiamentos das necessidades de expansao da oferta de energia, tornou-se impossibilitado para as empresas estatais a manutencao nos investimentos necessarios para o setor eletrico, o que propiciou a entrada da iniciativa privada e a privatizacao dos ativos existentes nesse mercado de forma pulverizada. Todavia, como afirma Leme (2009), nao houve inicialmente, nesse processo de privatizacao, a criacao por parte do Estado de mecanismos necessarios para a nova regulacao do setor, o que gradativamente foi sendo trabalhado e organizado pelo governo como forma de melhorar as praticas no setor.

Nesse contexto de transicao, ocorreu uma serie de reformas no setor, com uma serie de politicas regulatorias ate que chegou ao novo modelo institucional do sistema energetico nacional, inaugurado pela lei 9.427/96, que instituiu a ANEEL (Agencia Nacional de Energia Eletrica), e a lei 9.648/98, que definiu as regras de entrada, tarifas e estrutura de mercado, entre outras coisas (PIRES, 2000). Com o surgimento de um ambiente concorrencial no setor eletrico, segundo Fernandino e Oliveira (2010), as empresas viram-se inseridas numa perspectiva ambiental e organizacional, na qual se mostrava necessario definir estrategias para sua atuacao, bem como o ajustamento de suas estruturas e delineamento de processos internos para uma melhor adaptacao a esse novo contexto.

Na decada de 2000, ao atravessar um periodo de escassez de chuvas, ao considerar-se a grande quantidade de hidreletricas no pais, surgiu a necessidade de novas formas de geracao da matriz energetica nacional. Nesse contexto, destacam-se nessa nova geracao energetica as termeletricas (biomassa) e o gas natural, tendo o governo que adotar medidas de apoio ao desenvolvimento de projetos de hidreletricas, de fontes nao-convencionais e de conservacao de energia (GRUPO NEOENERGIA, 2008). Concomitantemente a evolucao e dinamica reconhecida no setor eletrico brasileiro, ao longo dos anos surgiram as empresas responsaveis pela geracao e distribuicao de energia.

Dentre aquelas que foram criadas nesse periodo temporal de evolucao do setor eletrico brasileiro encontra-se a Companhia Energetica de Pernambuco -- CELPE. Fundada em 10 de fevereiro de 1965 com o papel de distribuidora de energia do Estado de Pernambuco, a empresa passa a ter carater privado no final da decada de 1990, quando foi adquirida em leilao por um consorcio chamado de Guaraniana, formado pela Caixa de Previdencia dos Funcionarios do Banco do Brasil (PREVI), pela carteira de investimentos do Banco do Brasil (BB S/A) e pelo Grupo Iberdrola, reconhecida hoje como Grupo Neoenergia (CELPE, 2010a). Atualmente a CELPE atende a mais de tres milhoes de clientes e leva energia a 184 municipios pernambucanos, ao distrito de Fenando de Noronha e ao municipio de Pedras de Fogo, no Estado da Paraiba (CELPE, 2010b).

Na prestacao de seus servicos, a empresa adotou uma gestao socialmente responsavel, implementando suas acoes de responsabilidade social e sustentabilidade por meio de programas estruturados, assumindo destaque nacional entre as melhores distribuidoras de energia do Brasil (CELPE, 2010b). A atuacao social da empresa estudada focaliza questoes de cultura, educacao e meio ambiente, sendo desenvolvidos projetos com o objetivo de atender a esse foco, tendo como exemplo de atuacao os projetos: Luz no Empreendedorismo, Acao Integrada, Telecentro Comunitario, Agente Celpe, Logisverde, Encontro Celpe e Comunidades Especiais.

Um dos principais meios de desenvolver as acoes de responsabilidade social da empresa e por meio de projetos de Eficiencia Energetica, que contemplam alguns desses focos e tem o objetivo de proporcionar a sociedade um uso mais eficaz e racional da energia eletrica, evitando os desperdicios e reduzindo tambem os custos incorridos com seu uso. Dentre esses projetos destaca-se o chamado Projeto Nova Geladeira que esta envolvido numa rede de parcerias, com a qual estimula-se o consumo consciente de energia da populacao de baixa renda beneficiada pelo projeto, e com isso em meio as interacoes sociais que desenvolve para a execucao do projeto, estimula a efetivacao do consumo sustentavel no setor eletrico.

4.2 Consumo Sustentavel no Setor Eletrico: Uma Visao Macro.

Para questoes de analise desse estudo, considerando-se a quantidade de praticas desenvolvidas pela empresa, selecionou-se a analise do Projeto Nova Geladeira como aspecto ilustrativo da facilitacao a pratica do consumo sustentavel, entendendo e considerando que o mesmo e desenvolvido pelas distribuidoras de energia do Grupo Neoenergia, considerando exclusivamente os aspectos operacionais apresentados pela CELPE, empresa estudo de caso do presente trabalho. A partir do ano 2000, com a aprovacao da lei 9.991/00 (atuacao do Governo), que dita que as empresas concessionarias ou permissionarias de energia eletrica no Brasil deveriam aplicar uma percentagem de sua receita operacional liquida (ROL) em programas de eficiencia energetica, a empresa comecou a realizar acoes de responsabilidade social por meio dos seus projetos, tal fato ocorreu mais especificamente no ano 2001.

Dentre os muitos projetos desenvolvidos pela Empresa, aquele considerado como um dos principais do Grupo Neoenergia, o Projeto Nova Geladeira, consiste na troca de geladeiras velhas de alto consumo de energia por uma nova geladeira com selo PROCEL de economia de energia. Num primeiro momento, o projeto pode nao apresentar muitas contribuicoes para o contexto social, mas em se observando as contribuicoes e possibilidades resultantes do mesmo, admite-se que a ideologia da empresa, de reestruturacao na maneira de consumo da populacao beneficiada e plausivel. O projeto iniciou suas atividades em 2006, quando em parceria com o Banco do Brasil (Instituicao financiadora), por meio do Banco Popular, a empresa proporcionou a populacao beneficiada a compra de geladeiras a um preco abaixo do mercado.

A partir de 2008, a empresa passa a trocar as geladeiras velhas por novas e mais eficientes em toda a Regiao Metropolitana do Recife e alguns municipios do interior do estado com os Agentes Celpe (Funcionarios), com o objetivo de propagar os conceitos de uso eficiente e seguro de energia eletrica. A ideia previa, alem do estimulo a reducao no consumo eletrico por parte da comunidade, um processo de conscientizacao capaz de alertar a populacao da necessidade de economia com os diferentes eletrodomesticos de sua residencia. Segundo o representante de eficiencia energetica da empresa, esse processo se dava "atraves de palestras ou orientacao personalizada para explicar os conceitos de uso eficiente e seguro de energia e preservacao do meio ambiente". Esse projeto, na visao da representante de RSE da empresa, esta em consonancia com a pratica da responsabilidade social da empresa, "na medida em que nocoes basicas de educacao e consumo consciente sao repassadas para uma populacao carente de informacoes sobre as formas de preservacao do ecossistema".

Com a ampliacao dos beneficiados a cada ano do projeto, a empresa comecou a trabalhar com instituicoes do terceiro setor, como parceiras para a execucao do projeto, aquela que atua diretamente nesse projeto e a Associacao de Voluntarios para o Servico Internacional - AVSI, uma Organizacao NaoGovernamental (ONG) atuante na capital pernambucana. As principais metas a serem atingidas ate dezembro de 2011 e a realizacao de 90.000 visitas a residencias, troca de 50.000 geladeiras e de 180.000 lampadas fluorescentes, alem da continuidade do processo de conscientizacao sobre eficiencia energetica por parte da empresa. Vale salientar, que a troca das lampadas e uma atividade inclusa no projeto macro da troca de geladeiras, alinhada a questao da eficiencia energetica.

Na Midia do estado, por meio de noticiarios impressos ou virtuais, constantemente sao identificadas noticias que enaltecem o carater responsavel que a empresa desenvolve com esse projeto, mostrando beneficios e parcerias que sao desenvolvidas em torno do objetivo principal do projeto. Dentre as reportagens, identificam-se parcerias entre a CELPE e prefeituras da Regiao Metropolitana do Recife e do interior do estado, alem das desenvolvidadas com outras organizacoes do terceiro setor, como o Instituto Walmart, com o intuito de beneficiar comunidades atendidas por seus projetos (CELPE, 2010c; DIARIO DE PERNAMBUCO, 2010; FOLHA PE; 2010). Desse modo, percebe-se que estao havendo interacoes entre os diferentes atores sociais no sentido de dar continuidade a pratica de consumo, mas de forma reestruturada e direcionada para um desenvolvimento sustentavel.

Compreendendo que o consumo sustentavel relaciona-se com o estimulo a efetivacao de um novo padrao de consumo, a partir das interrelacoes dos atores sociais e direcionado para a forma de desenvolvimento emergente (SILVA, 2010), e possivel afirmar que esta havendo o estimulo a partir das praticas apresentadas nesse trabalho, na medida em que todos os atores sociais anteriormente listados estao envolvidos com um objetivo comum que e a busca por uma nova pratica de consumo, mais eficiente e responsavel pelo consumidor final. Percebe-se que existe uma rede de interrelacoes entre esses atores sociais, que, de forma complementar, conseguem estimular e mudar a pratica de consumo final da energia.

A partir do momento em que o governo atuou como agente regulador, assumindo a responsabilidade pela estruturacao de um setor economico, no caso o energetico, a empresa viu-se envolvida com a necessidade de mudanca nas suas atividades cotidianas. Nesse momento, a empresa estimulada pela regulamentacao assumiu a responsabilidade, que nesse caso seria a de desenvolver projetos condizentes com os criterios estabelecidos na lei, mas que representassem as suas ideologias, ou seja, que alinhassem o que foi imposto com o objetivo da organizacao. Ao incorporar essa responsabilidade, as atividades desenvolvidas pela organizacao, envolvidas com a Educacao, Cultura e Meio Ambiente, puderam ser abordadas nos varios projetos nesse sentido.

A partir do momento em que iniciou o processo de efetivacao do Projeto Nova Geladeira, estudado ate entao, a empresa buscou parceria com o Banco do Brasil, ou seja, outro ator social uma Instituicao Financiadora, capaz de auxiliar com as ideias da organizacao, isso com o foco no consumidor, nesse caso o ator social mais beneficiado com as parcerias e interacoes ate entao desenvolvidas. O consumidor, alem de estar envolvido com o processo de conscientizacao e de ganho com a nova geladeira, deve assumir a sua responsabilidade de economizar energia para que toda a sociedade venha a ganhar, desse modo a empresa tambem estimula essa conscientizacao por parte do individuo beneficiado.

Nesse caminho de contribuicao para um consumo sustentavel no setor eletrico, observa-se claramente a atuacao de pelo menos mais dois atores sociais, que sao o funcionario da empresa, chamado de Agente Celpe, responsavel pelo contato com o beneficiario e em muitos casos pelo ponto inicial na conscientizacao desse individuo, ou seja, apesar de representar a empresa, o colaborador enquanto individuo tem sua responsabilidade nesse contexto maior trabalhado. Outro ator a ONG, por meio da operacionalizacao do projeto esta se envolvendo com a comunidade e pode estar envolvida ainda com o processo de conscientizacao e com esse novo perfil de consumo estimulado.

De forma mais parcial, a midia entra como ator social com o poder de demonstrar como as acoes da CELPE estao sendo desenvolvidas, e como se observou nas reportagens analisadas, na maioria das vezes reconhece-se a contribuicao positiva que o projeto tem no desenvolvimento de suas atividades. Esses atores podem ser mapeados no modelo de rede de influencias de Michaelis (2003) para facilitar a contribuicao existente dessas relacoes para o consumo sustentavel (Figura 3).

De fato, ao se considerar a sistematizacao complexa a qual a execucao desse projeto assume, na medida em que envolve uma grande gama de atores sociais, a saber: Governo, Empresa, Instituicao Financiadora, Comunidade (Individuos), Funcionario, Midia, Organizacao do Terceiro Setor, recebendo resultados positivos o Meio Ambiente e possivelmente outros atores que nao foram identificados a partir dos dados levantados nessa pesquisa, pode-se dizer que esta havendo efetivamente um estimulo por parte dessas relacoes para o alcance de um consumo sustentavel, na area de consumo de energia, seguindo essa ideia ate entao apresentada. Isso se apresentou como possivel a partir do momento em que o ator social Governo, na medida em que a partir das regulamentacoes e continuas atualizacoes desenvolvidas na sua interacao com todo o mercado, obteve um papel de fundamental importancia nesse processo direcionado ao consumo sustentavel.

[FIGURA 3 OMITIR]

Como se vem discutindo ate entao, cada stakeholder tem que assumir seu papel e desenvolver suas responsabilidades e obrigacoes para com todos os demais atores de determinados setores economicos, no presente caso, percebe-se que o Governo conseguiu iniciar todo o ciclo de acoes ou sistema que envolve um setor economico, no caso o energetico, direcionado ao alcance de um consumo sustentavel, mesmo que indiretamente. Salienta-se que a apresentacao desses dados suporta o alcance do objetivo proposto que e a identificacao do papel do governo, ao se obter uma visao macro das atividades desenvolvidas. Desse modo, torna-se possivel reconhecer como o governo pode auxiliar para esse padrao sustentavel de consumo.

4.3 O Papel do Governo para o Consumo Sustentavel: Entendendo a Atuacao desse Ator Social

A compreensao do papel do governo para o consumo sustentavel, em funcao dessa pratica sustentavel de consumo no setor eletrico apresentada anteriormente, facilita o entendimento da atuacao desse ator na perspectiva estudada. Salientando que este trabalho nao busca esgotar a discussao sobre a tematica, nem mesmo engessar as formas de atuacao desse ator, sua contribuicao esta no despertar academico sobre a necessidade de consideracao de diferentes atores sociais nessa area de estudo. Assim sendo, para o atendimento do objetivo proposto fez-se uma contextualizacao sobre a pratica sustentavel de consumo, discute-se como o governo atuou nesse sentido, e apresentam-se alguns aspectos que facilitam o disseminar dos resultados para outros setores economicos.

Para que o consumo sustentavel seja efetivado no setor eletrico, a atuacao do governo assumiu aspecto de fundamental importancia. A partir do momento em que ele redefiniu sua forma de atuacao que classicamente consistia em regulamentar a operacao do monopolio no setor; definir e encaminhar politicas de interesse geral; e funcionar como proprietaria enquanto empresas publicas (GOLDEMBERG & PRADO, 2003) para a criacao de um mercado livre, ainda segundo os autores, por meio de incentivos a eficiencia, identificou-se a intervencao de forma positiva do governo nesse contexto de producao-consumo energetico.

Desse modo, de acordo com a lei 9.991 (2000), As concessionarias e permissionarias de servicos publicos de distribuicao de energia eletrica ficam obrigadas a aplicar [...] no minimo, vinte e cinco centesimos por cento em programas de eficiencia energetica no uso final. [...] As receitas de que trata este artigo deverao ser aplicadas nas seguintes atividades do setor eletrico:

I - em programas de universalizacao do servico publico de energia eletrica;

II - no financiamento de projetos socioambientais;

III - em projetos de eficiencia e pesquisa energetica; e

IV - no pagamento de faturas de energia eletrica de unidades consumidoras de orgaos estaduais e municipais.

Como se observa, o governo desenvolveu seu papel de forma direta na busca por melhor estruturacao do setor. Para Fernandino e Oliveira (2010), o objetivo principal do governo quando criou essa lei era assegurar o desenvolvimento tecnologico e de gestao do setor eletrico. Esse fato para o WWF-Brasil (2007) esta relacionado com a criacao de cenarios para setor, dentre os quais se pode observar o Cenario Eletrico Sustentavel, no qual o governo precisa aprovar e programar um plano estrategico para um setor mais eficiente e inovador, com medidas de eficiencia energetica e maior utilizacao de fontes renovaveis de energia, como biomassa, eolica, solar e pequenas hidreletricas.

Segundo a organizacao, se o cenario Eletrico Sustentavel for aplicado no Brasil em 2020 havera uma reducao de ate 40% na demanda de energia eletrica. Diante de todas essas consideracoes, torna-se visivel que o governo deve continuar atuante de forma ativa no sentido de melhorar as praticas desenvolvidas. Nesse sentido, nos diferentes setores economicos direta ou indiretamente deve haver um envolvimento por parte do ator governamental no sentido de contribuir positivamente para um consumo sustentavel. Entendendo que muitas vezes o governo surge como o estimulador inicial para que sejam reestruturadas praticas desenvolvidas setorialmente.

Com o objetivo maior de efetivar o alcance de um consumo sustentavel, cada um desses atores sociais deve assumir papeis e obrigacoes distintas nesse sentido. Ao selecionar o governo como foco desse trabalho, na literatura que discorre pela tematica percebe-se que esse ator pode promover e facilitar o desenvolvimento de tecnologias limpas, bem como transferi-las e adota-las em todas as areas da economia. O mesmo ainda tem o papel de apoiar pesquisas para o fornecimento de informacoes de producao e consumo, tanto para a industria como para os consumidores, considerando a intencao direcionada para o desenvolvimento sustentavel (PNUMA, 2001). Essas acoes na visao de Taylor (2006) podem ser desenvolvidas em qualquer um dos niveis de atuacao governamental, sejam eles nacionais, estaduais ou regionais (municipais), por meio de regulamentacoes ou incentivos.

De acordo com Andrade (1998, p.65) "os governos podem adotar medidas de comando-e-controle (legislacao e estabelecimento de padroes de consumo e producao), adotar tambem instrumentos sociais (educacao e campanhas de informacao), instrumentos economicos (politicas fisicas e de preco)". Todos esses aspectos, facilitando um papel ativo de atuacao, no qual ele pode regulamentar, fiscalizar, fomentar/investir alinhado com essa nova perspectiva. De fato, nota-se ser imprescindivel que o governo assuma o seu papel entendendo que por meio, por exemplo, de politicas publicas e programas educacionais conseguira desenvolver ou incentivar outros atores para a tais praticas sustentaveis.

Na visao de Jackson e Michaelis (2003), a politica governamental tem condicoes de influencia no comportamento social, cultural, institucional e etico nas escolhas do consumidor individual, isso se dando por meio de suporte e encorajamento de iniciativas por escolas, ONGs, grupos da comunidade e organizacoes religiosas, havendo desse modo uma contribuicao positiva do papel do governo em uma inovacao social dentro dessa perspectiva sustentavel de consumo. Como se percebe, sao muitas as formas de atuacao que o governo pode assumir e direcionar suas acoes no decorrer de suas atividades governamentais, facilitando assim a busca pela efetivacao do consumo sustentavel. Apesar de todas essas consideracoes, apresenta-se como plenamente possivel o desenvolvimento de outros trabalhos mais direcionados a questao das politicas publicas e da cidadania individual e corporativa.

5 Consideracoes Finais

Para a efetivacao do desenvolvimento sustentavel, percebe-se ser necessaria uma reestruturacao nas praticas desenvolvidas pelos diferentes atores sociais atuantes nesse processo, essas estando alinhadas em um primeiro momento com o alcance de um consumo sustentavel para posterior implementacao do novo modelo desenvolvimentista. Vale salientar que, como discutido ate o presente momento, sao muitas as acoes que podem ser desenvolvidas por cada ator social para o alcance do objetivo maior. De fato, justifica-se a necessidade de envolvimento na medida em que individualmente nenhum ator consegue a mudanca macro almejada, apesar de conseguir a modificacao na sua area de atuacao, por exemplo, uma empresa pode praticar a responsabilidade socioambiental e nao ser reconhecida e auxiliada.

Como se pode observar na Figura 03, existe um conjunto de interacoes entre os stakeholders, seguindo a perspectiva de Michaelis (2003), que indica um processo de acao e reacao por parte da CELPE, ja que suas praticas de Responsabilidade Socioambiental foram intensificadas a partir de uma pressao governamental e que a mesma conseguiu interagir com um grupo de atores para que as praticas ate entao desenvolvidas no setor pudessem ser reestruturadas e direcionadas para uma visao mais responsavel em todos os atores. Quando a empresa comecou a desenvolver suas acoes, ao incorporar as estrategias praticas mais responsaveis, a mesma conseguiu criar movimentacoes em outros atores, como no caso da midia, por exemplo, que comecou a reconhecer esse diferencial na organizacao. Alem disso, a mesma buscou estimular um consumo consciente de energia com a realizacao de programas de conscientizacao, por isso, entende-se que foram essas interacoes que indicaram esse direcionamento organizacional a uma pratica sustentavel de consumo.

Nesse contexto de interacoes, percebe-se que acoes desenvolvidas pela CELPE contribuem para o alcance do consumo sustentavel no setor eletrico na medida em que consegue envolver uma grande quantidade de atores sociais direcionados ao desenvolvimento sustentavel. Assim, percebe-se que Governo, Empresa, Comunidade, Midia, Terceiro Setor, Funcionarios, Instituicoes Financiadoras, dentre outros atores sociais, tem papeis especificos e imprescindiveis nessa nova pratica coletiva. Para questoes desse estudo, na medida em que se selecionou o estudo de caso, destaca-se o papel responsavel da CELPE na busca pela eficiencia energetica no consumo da energia, o que contribui muito positivamente.

Todavia, como o objetivo do estudo focava a identificacao do papel governamental direcionado para auxiliar o consumo sustentavel, ao se analisar o setor eletrico, resultados importantes foram identificados. Com a analise da evolucao do setor, com a apresentacao do direcionamento setorial para o consumo sustentavel, a partir do Projeto Nova Geladeira desenvolvido pela empresa selecionada, identificou-se que o Governo tem o papel de promover e facilitar o desenvolvimento de tecnologias limpas, de apoiar pesquisas para o fornecimento de informacoes sobre a producao e consumo, de criar medidas de comandoe-controle e instrumentos sociais e economicos, alem de regular, fiscalizar, fomentar, investir, incentivar os diferentes setores economicos ao desenvolvimento de novas praticas.

Nesse contexto, para cada setor da economia, bem como para as diferentes classes economicas identificadas na sociedade, e de suma importancia que o governo esteja envolvido e ativamente integrado nesse processo de estimulo a promocao de um consumo sustentavel e, por conseguinte, do desenvolvimento sustentavel, considerando que esse resultante de uma integracao global dos diferentes tipos de reestruturacoes, na producao e no consumo, pela complexidade que apresenta. Assim sendo, identificam-se a relevancia e a originalidade da presente pesquisa ja que se consegue atender ao objetivo proposto e contribuir para a discussao sobre a tematica. Toma-se como limitacao da pesquisa a analise de apenas um projeto na empresa selecionada, mas entende-se que aquele analisado apresenta contribuicoes positivas para as discussoes. Para novos trabalhos, recomenda-se a ampliacao da analise dos projetos, caso seja considerada a empresa o foco do estudo, ou ainda, a realizacao da pesquisa sobre consumo sustentavel em diferentes setores da economia.

http://revistas.facecla.com.br/index.php/recadm/doi: 10.5329/RECADM.20111002008

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1- Minelle Eneas da Silva *

Mest/ando em Administracao pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Brasil minele.adm@gmail.com

http://lattes.cnpq.br/3329329091837689

2- Carla R. Pasa Gomez

Doutora em Engenharia de Producao pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Brasil Professora do Programa de Pos-Gradacao em Administracao da Universidade Federal de Pernambuco (PROPAD/UFPE), Brasil

carlapasagomez@gmail.com

http://lattes.cnpq.br/1964176230213353

Diego Maganhotto Coraiola -- Editor

Artigo analisado via processo de revisao duplo cego (Double-blind)

Recebido em: 15/07/2011

Aprovado em: 11/09/2011

Ultima Alteracao: 09/10/2011

* Contato Principal: Rua Padre Champagnat, 732. Apto 02 - Cidade Universitaria - Recife/PE, Brasil. CEP: 50740-320.
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Author:Eneas da Silva, Minelle; Pasa Gomez, Carla R.
Publication:Revista Eletronica de Ciencia Administrativa
Article Type:Report
Date:Jul 1, 2011
Words:10376
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