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O modelo da traducao portuguesa do Estabelecimento dos mosteiros (Lisboa, B.N., Alc. 384).

O estudo de variantes dos dois testemunhos medievais portugueses das Institutiones de Joao Cassiano, Lisboa Alc. 363 (Santa Maria de Alcobaca, s. XII) (1) e Porto BPMP 786 (olim 43, Santa Cruz de Coimbra, a. 1165) (2), fornece elementos substanciais para a compreensao do processo de transmissao textual do texto de Joao Cassiano no espaco iberico, e permite entrever a classe de texto latino a partir do qual se realizou a sua traducao em Portugal, acrescentando assim elementos novos ao estudo por nos outrora realizado (3).

A transmissao textual das Institutiones de Joao Cassiano ter-se-a processado em dois momentos (4). Numa primeira fase, entre finais do seculo V e finais do seculo VII, as Institutiones teriam sido difundidas em dois corpos autonomos, como testemunham os seguintes codices que contem os Livros V-XII:

* Autun, BM 24 (= A) (seculo VII) [mutilado] (5)

* Montecassino, Biblioteca dell'Abbazia 295 (=C) (seculo VII-VIII, Montecassino) [palimpsesto reescrito no seculo X com as cartas de S. Jeronimo] [sem indice]. (6)

* El Escorial, Real monasterio de San Lorenzo R. II. 7 (seculo XIII in.; San Salvador de Ona, Burgos) [extractos]. (7)

Numa segunda fase da transmissao textual, um ramo da tradicao teria reunido os dois conjuntos num so corpo, formando codices com os Livros I-XII:

1. Seculo VI

* Torino, Biblioteca Nazionale, F.IV.l, n.16 (sec. VI, Bobbio): [manuscrito palimpsesto usado como indice de contratos passados pelo abade do mosteiro de S. Colombano] [sem indice]. (8)

2. Seculo IX

* Karlsruhe, Badische Landesbibliothek, Aug. Perg. 87 (=G) (sec. IXV3; Reichenau) [sem marcas da fase anterior] [sem indice, mas com espaco preparado]. (9)

* Laon, BM 328 bis (=L) (sec. IXV4, Corbie; poss. Laon, Notre-Dame) [com marcas da fase anterior] [com indice]. (10)

* Sankt Gallen, Stiftsbibliothek 183 (=S) (seculo IX, a. 820-840; Sankt Gallen) [sem marcas da fase anterior] [sem indice, mas com espaco preparado; com numeracao romana de capitulo].

* Karlsruhe, Badische Landesbibliothek, Aug. Perg. 164 (=T) (sec. IX in.; Reichenau) [com indice]. (11)

* Roma, Biblioteca Nazionale Centrale <<Vittorio Emanuele II>>, Sess. 66 (=R) (seculo IX; poss. S. Silvestro di Nonantola (Modena); Santa Croce in Gerusalemme) [com indice].

* Paris, BnF, lat. 260 (seculo VIII-IX; poss. Saint-Martial de Limoges): [falta o Livro XII] [com indice e numeracao de capitulo].

* Paris, BnF, lat. 12292 (=H) (sec. IX2, Lorsch; poss. Corbie; Saint-Germain-des-Pres) [com indice]. (12)

Por esta razao, a colacao do texto latino efectuada entre os manuscritos portugueses e o texto dado por Petschenig (=Z) incidiu sobre as duas tradicoes das Institutiones em separado, para que se pudessem identificar eventuais caracteristicas que tivessem permanecido no decorrer da transmissao textual (13).

Como os dois manuscritos portugueses, escritos em finais do seculo XII, apresentam um elevado numero de variantes comuns e escassas divergencias, pode-se afirmar com seguranca que pertencem ao mesmo ramo textual. O codice alcobacense (Ale. 363 = V) contem apenas as Institutiones e nao esclarece as circunstancias da sua origem, por falta de colofon. O codice de Santa Cruz (S.C.C. 43 =X), concluido a 27 de Novembro de 1165, pela mao do diacono Pelagio Garcia, contem, alem das Institutiones, tambem as Collationes. A sequencia textual das Institutiones de Joao Cassiano encontra-se interrompida, desde <<cathalo/gum, quem replicare>> (Cassian, Inst. 11, 10, 1) ate <<quem si uel inuitus>> (Cassian, Inst. 11, 14) e desde <<quod uel pugnauimus>> (Cassian, Inst. 12, 17, 6) ate <<passioni: postquam>> (Cassian, Inst. 12, 21,1) por falta de dois folios (14).

seculo XII

* Lisboa, BN, Alc. 363 (Santa Maria de Alcobaca) [com tabela tardia e duas numeracoes de capitulos].

* Porto, BPMP, cod. 786 (=Santa Cruz 43) (a. 1165, Santa Cruz de Coimbra) [sem tabela, indice ou numeracao de capitulo]

Em ambos os corpos (Livros I-IV e V-XII), ha variantes identicas nos manuscritos portugueses V e X, que diferem de Z. Estas diferencas sao de caracter textual (variacoes por adiectio (15), detractio (16), transmutado (17) ou immutatiom (18) e de caracter grafico (oscilacoes entre vogais (19), introducao do 'p' epentetico (20), simplificacao de consoantes geminadas (21), assimilacao (22) e dissimilacao (23), alteracao da grafia <ph> por <f> (24)), permitindo unir Fe X dentro do mesmo ramo textual.

Algumas dessas variantes tem correspondencia com manuscritos de proveniencia transpirenaica (25). Contudo, a maior parte das variantes nao estabelece relacao com esses manuscritos, facto que nos leva a considerar a existencia de uma tradicao local, resultante do processo de recepcao do texto.

Estas variantes (V = X [not equal to] Z) sao significativas, na medida em que permitem justificar o aparecimento de determinadas diferencas no texto da traducao (Alc. 384):

1. suum: post suum add. absque imperio senioiis 20c (V), 164a (X)

Z: /4 13/ <<...ut ne uerbo quidem audeat quis dicere aliquid suum [absque imperio semoris]...>>

Alc. 384: <<... que nehuu no he ousado de dizer per palavra algua cousa seer sua, sem madado do mais velho ...>>

2. Non tacebimus etiam nobis cognitum: nouimus 25c (V), 170b (X)

Z: /4 29/ <<Non tacebimus etiam nobis cognitum [nouimus] fratrem secundum saeculi huius ordinem summae familiae:>>

Alc. 384: <<Nbsjxmhocemos frey Segundo (26), o qual foy home de muita gente segundo a ordenacom deste mundo.>>

3. noster: post noster add. Iesus Christus 26d (V), 171 d (X)

Z: /4 31/ <<... quod non longe fuit a spelaeo, in quo dominus noster [Jesus Christus] ex uirgine nasci dignatus est.>>

Alc. 384: <<...o qual no he longe <<a spelio>>, eno qual o Nosso Senhor Jhesus Christo teve por bem de nacer da Virge.>>

4. sperare: facere 29d (V), 175a (X)

Z: /4 42/ <<Ergo patientiam tuam non debes de aliorum sperare [facere] uirtute, id est tunc earn tantummodo possideas, cum a nemine fueris inritatus...>>

Alc. 384: <<Ergo a tua paciencia non haas-de fazer da virtude alhea, quer dyzer que tan soomente entom ajas de posuyr a paciencia, quando non fores de negue menosprecado ...>> (27)

5. uastemur: post uastemur add. et in cunctis hominibus immorentur 30b (V), 175d (X)

Z: /5 2 1/ <<Quarum passionum causae quemadmodum, cum patefactae fuerint traditionibus seniorum, ab omnibus protinus agnoscuntur, ita priusquam reuelentur, cum ab ipsis uniuersi uastemur [et in cuntis hominibus immorentur], ab omnibus ignorantur.>>

Alc. 384: <<As cousas destas inclinacooes e paxooes sobreditas se forem declaradas e demostradas, segundo a doutrina dos velhos, logo e esse ponto som as paxooes conhocidas, assy que ante seja revelladas ante que nos gastem e more em todos, e enos homes moram e a todos som escondidas.>>

6. mutuari: experiri 31a (V), 176c (X)

Z: /5 4 2/ <<(cunetas namque si ab uno uolumus mutuari [experiri], aut difficile aut certe numquam idonea ad imitandum nobis exempla poterunt reppenri) ...>> (28)

Ale. 384: <<Ca se todallas virtudes e huu perfeitamente quisermos achar aadur ou certamete nuca acharemos ydoneos exenplos que ajamos de seguir...>>

7. plenitudine: post plenitudine add. uirtutum 31b (V), 176d (X)

Z: /5 4 3/ <<...id est per partes uirtutum esse in omnibus deus, licet nondum plenitudine [uirtxjtxun] earum omnia sit in omnibus ...>>

Ale. 384: <<....scilicet per partes de virtudes Deus em todos, como quer que ainda per coprimento dejvirtudes non he todallas cousas e todos...>>

8. castigatis: castiget et refrenet desiderium camis 37c (V), 184a (X)

Z: /5 23 1/ <<...id est ut primum legitimum tempus absolutionis expectet, deinde ut castigatis [castiget et regrenet desiderium carnis] tertio ut qualibuscumque escis uilioribusque contentus sit.>>

Alc. 384: <<scilicet, que primeiro guarde o tenpo e [hjora ligitima do comer, depois castigue e refree o desejo da carne, o terceiro que seja contete de quaesquer viandas ainda que sejam porvezinhas.>>

9. iudicare: post iudicare add. ante tempus. et illud. Nolite iudicare 39a-39b (V), 186a (X)

Z: /5 30 3/ <<...suo domino stat aut cadit, et: nolite iudicare [ante tempus. et illud. Nolite iudicare], ut non iudicemini: in quo enim iudicio iudicaueritis iudicabimini.>>

Alc. 384: <<A seu senhor perteece alevanta-llo ou derriba-llo". E em outro logar diz o Senhor: "Nom queirades julgar ante de tenpo e non queiras julgar e non seras julgado. Em aquelle juizo que julgares seras julgado">>

10. indiciis: post indiciis add. et ipsis experimentis expressit 39b (V), 186a (X)

Z: /5 31/ <<Hic idem senex otiosarum fabularum diabolum esse fautorem ac spiritalium conlationum inpugnatorem semper exsistere his declarauit indiciis [etjpsis

Alc. 384: <<Este meesmo velho demostrou per certos sygnaaes e experiences que o demo era senpre conpoedor e ditador de palavras ouciosas e enbargador das palavras e collacooes spirituaaes.>>

11. operatur: post operatur add. obediens est 60d (V), 213a (X)

Z: 19 11/ <<Sed illa tristitia, quae paenitentiam ad salutem stabilem operatur [obediens est], adfabilis, humilis, mansueta, suauis ac patiens, utpote ex dei caritate descendens:>>

Alc. 384: <<Mas aquella tristeza "que obra pendenca stavil per saude" obedientejre, graciosa, humildosa, mansa, suavel, paciente, assy como aquella que descende de Deus...>>

12. cellae: uitae 80a (V), 234b (X)

Z: /12 30/ <<...habitationem solitariae ccllac [uitae] desiderat...>>

Alc. 384: <<... deseja morada de vida solitaria...>>

13. posuisti: post posuisti add. ut 76c (V), 230d (X) / HL et Vulg.

meae: post meae add. et dextera tua suscepit me 76c (V), 230d (X)/ GH[L.sup.2] et Vulg.

Z: /12 17 5/ <<... et posuisti [ut] arcum aereum brachia mea. et dedisti mihi protectionem salutis [tuae] meae: [TEXT NOT REPRODUCIBLE IN ASCII] quia nec patres nostri in gladio suo possederunt terram, et brachium eorum non saluauit eos:>>

Ale. 384: <<E poseste os meus bracos assy como de cobre e deste-me defendimento da tua saude porque ne os nossos padres possoira a terra eno seu cuitello e o seu braco no nos salvou".>>

14. fregeiit: post fregerit add. aut perdiderit aliquid 21b (E), 165a (X)

Z: 14 16 1/ <<Si quis igitur gillonem fictilem, quem illi baucalem nuncupant, casu aliquo fregerit [aut perdiderit aliquid], non aliter neglegentiam suam quam publica diluet paenitentia ...>> (29)

Ale. 384: <<Se alguu quebrantar alguu cantaro ou vaso ou outro qualquer a que elles chama <<baucal>>, ainda que seja per aqueecimeto, a sua negligencia non sera pur guada senon com peedenca pubrica.>>

A traducao do Ale. 384 realizou-se, sem duvida, com base num texto comum a FelO estudo das variantes nao permite estabelecer uma correspondencia inequivoca com um dos testemunhos. Algumas licoes aproximam X da traducao do Alc. 384. Dos exemplos escolhidos, foram excluidos os elementos pouco seguros (30) e aqueles cuja correspondencia com o codice cruzio (X) nao e possivel averiguar devido a falta dos dois folios.

ac decoris: om. 72c (V), om. 83b (Alc. 384); sabbato: sabbati 159c (X), om. 17d (Alc. 384); quoque: om. 159c QO, om. 17d (Alc. 384); deleuit:post deleuit add. et 13c (V), om. 14b (Alc. 384); tradi: traditi 231b (X), dadas 89a (Alc. 384); mea: om. 76a (V), meu 87b (Alc. 384); eius: om. 18d (V), sua 19d (Alc. 384); habeat: post habeat add. cum 66b (V), om. 76b (Alc. 384); manifestissime: manifeste 212b (X), magnifestamete 69c (Alc. 384); refectionem: post refectionem add. s. tin. percipiant 165d (X), om. 23c (Alc. 384); prima: primo 196b (X), primeiramente 54a (Alc. 384); sed: uerum lb (V), mas lc (Alc. 384); sola: solum 141 d (X), soomete lc (Alc. 384); quid: quia 209c (X), porque 66c (Alc. 384); mirarentur: mirantur 168d (X), maravilhado-sse 26c (Alc. 384); miraremur: miramur 184c (X), maravilhamos 42b (Alc. 384); sancienda: sanctienda [erro de copia] 144d (X), se aja ... de reger 4b (Alc. 384); defunctum: defanctum [erro de copia] 173a (X), morto 30c (Alc. 384).

Tambem sao faliveis os casos que envolvem a traducao de texto biblico, pois nao ha forma de comprovar se a omissao esta relacionada com a configuracao do texto biblico em linguagem ou se se trata de uma glosa que procura respeitar a plasticidade da imagem poetica:

Z: /4 39 1/ <<Principium [ergo] nostrae salutis eiusdemque custodia [sicut dixi] timor domini est.>> custodia: post custodia add. sicut dixi 28d (V), 173d (X)

Alc. 384: <<"Comeco" [om.] de salvaco e guarda delia [om.] "he o temor do Senhor".>>

Z: /12 17 5/ <<sed dextera tua, et brachium tuum, et inluminatio uultus tui: [com placuisti] in eis:>> conplacuit: complacuisti 76c (V), 230d (X) (Ps. 43-44)

Alc. 384: <<[om.].>> Z: 11 3/ <<'"... sicut [qui] ablactatum super matrem suam [ita retribues in animam meam]".>>

suam: post suam add. ita retribues in animam meam 4b (V), 145rb-145c (X) (Ps. 130-131) Alc. 384: <<"...assy como de moco que non ha mester a teta quando ja gosta outros manjares mais proveitoso".>>

1. magisterio (31): ministerio 148d (X)

Z: /2 4/ <<...quia non humana adinuentione statutus a senioribus adfirmatur, sed caelitus angeli magisterio [monisterio: X] patribus fuisse delatus.>>

Alc. 384: <<...porque a envecom deste estatuto nom foy estabelecido por alvidro dos velhos, mas celestialmete per animistouco dos ang[e]os aos padres velhos foi prantada.>>

Considere-se que <<ministerium>> deu, por via erudita, <<ministerio>> e, por via popular, <<aministraco>>, uma vez que 'administracao' vem do lat. administratione (<minister) (32). Outros elementos textuais corroboram esta leitura:

a) Z: H 17 2/ <<de quorum sumptu sanctus apostolus ad Romanos scribens suumque eis in hoc ministerium praedicans ac subtiliter eos ad hanc conlationem prouocans ait:>>

Ale. 384: <<E das despesas daquellas cousas, screvendo o Apostollo aos Romaaos e preguando a sua miniriran^ymi em estas cousas, querendo os provocar sotilmente a esta doa o dizia:>>

b) Z: !1 17 4/ <<ad Gaiatas quoque, cum praedicationis niinirierium cum apostolis partiretur, hoc idem se depectum cum Iacobo, Petro et Iohanne testatur...>>

Ale. 384: <<E aos de Galacia tambem, quado partio o ministerio da preegacom co os apostollos, esso meesmo rogou a Joham e a Jacobo, dizendo que ...>>

c) Z: /8 7/ <<Habemus sane irae rninisterium satis commode nobis insertum...>>

Ale. 384: <<Certamente nos teemos hua fministracjom da yra enxertada em nos co grande proveito...>>

d) Z: /10 18/ <<... sed etiam quod usibus eorum qui secum erant posset sufficere, his uidelicet qui cotidie necessariis niinisteriis occupati nequaquam sibi parare similiter uictum suis manibus occurrebant.>>

Ale. 384: <<... mas ainda aquelo que abastava aos usos daqueles que era co elle, scilicet aaqueles que cada dia era e pachados, epedidos e mrmsterios necessareos co trabalho de suas maos no aparelhava a sy o comer.>>

2. inducunt: indicant 61b (V)

Z: /9 13/ <<seu quae letalem desperationem nobis inducunt [indicunt: V]>>

Alc. 384: <<ou aquellas que nos eduzee a mortal desperaco>> Infans <<ou as que a peconheta desperaco nos enduzere>> Indicios mais solidos aproximam V do modelo da traducao do Alc. 384:

1. uita: ad hoc 141d (X)

Z: /003/ <<...cum sis ipse cunctis uirtutibus scientiaque perfectus et uniuersis ita refertus diuitiis spiritalibus [spiritualibus], ut perfectionem quaerentibus satis abundcquc [habundeque] non modo tuus sermo, sed [uerum: V] etiam sola [solum: X] uita [ad hoc: X] sufficiat ad \om. X] exemplum...>>

Alc. 384: <<... como assi seja que tu es conprido em toda sciencia e perffeito em todas virtudes e assy [es] avondoso em todas as riquezas spirituaaes, em tal modo que a todos aquelles que te requere das avondosamente, e nom tan soomete a tua vida, mas ainda soo a reverenca da tua palavra he suficiente exenplo a todos...>>

2. inaestimabilis: otn. 55a (V)

Z: /8 4 1/ <<Itaque ut haec secundum litteram non absque nefando sacrilegio possunt intellegi super eo, qui inuisibilis, ineffabilis, inconprehensibilis, inaestimabilis [mi.: V], simplex et inconpositus sanctarum scripturarum auctoritate dcfinitur [diffinitur]>>

Alc. 384: <<Assy estas cousas non se podem entender segundo a letra sem grande sacrilegio, porque El [invisivel], enefabil, inconprensivel, [om.], sinplez e no he conposto per definco das Sanctas Scripturas.>>

3. mera: intemerata 77a (V)/T

Z: /12 19/ <<Haec est proprie humilitas erga deum, haec est antiquissimorum patrum sincera fides, quae penes successores ipsorum mera [irrtemerata: V] nunc usque perdurat.>>

Alc. 384: <<Esta he propriamente a humildade acerca de Deus e esta he a pura fe dos muitos antigos padres, a qual semmragoa durou polos seus sucessores e dura ainda agora.>>

Dois elementos comprovam a maior proximidade do modelo da traducao com V. No final do Alc. 384, o copista transcreve um capitulo precedido da indicacao: <<Emno capitolio .vo. da castidade ouvera este capitolio ser posto.>> /f. 93ab/, identificando-o, deste modo, como pertencente ao Livro VI, que corresponde ao passo /6, 7, 1-2/ na edicao de Petschenig.

Com efeito, a transcricao desse texto, cuja traducao e atribuida a D. Duarte, ja havia sido feita, no fim do Livro VI, como 'capitulo xvi', enquanto a traducao 'oficial' do tradutor se encontrava no 'capitulo vi' do mesmo Livro.
Alc. 384 f. 49cd                  Alc. 384 f. 53bcd
                                  (traducao atribuida
                                  a D. Duarte)

Livro VI                          Livro VI
<<Capitolio .vj[degress]. Ouve    <<Capitolio .xvj[degress].
que diz o Apostollo:              Ouve que diz o
"Todo aquel que                   Apostollo: "Todo
contede em canpo                  aquel que em canpo
faz abstinencia de                pelleja de todallas
todallas cousas".                 cousas se contem"./
E agora /VI,49d/                  IV, 5 3 c/ Inclinarmos
inquiramos de                     de quaaes todas
quaaes "todas                     pera podermos
cousas" diz, pera                 receber essinanca
avermos doctrina da               da pelleja spiritual
batalha spiritual per             per contenplacom da
respecto da carnal.               carnal. Certamente
Aquelles que em                   aquelles que neesta
estes canpos visiviis             pelleja visivel studa
studam legitimamete               bem pellejar usar
pellejar non tem                  de todas viandas, as
licenca de husar de               quaaes o desejo da
todallas vyandas                  carne demanda, no
que lhe o apetito                 teem autoridade, mas
requerir, mas ta                  soo daquellas que a
solamente daquellas               ensinanca de taaes
que a arte dos canpos             pellejas stabelleceo.
stabelleceo. E no soo             E non sollamente
lhe he necessaryo                 das vyandas defesas,
fazer abstinencia                 mas de bevedice
da bevedice e dos                 e todo inchimeto
manjares defesos,                 necessaryamete
mas certamete ainda               se deve de
fazem austinecia                  conteer. E ainda
da preguyca e da                  de toda priguica
ouciosidade, de tal               e ouciosidade e
guisa que ham cada                deleixamento, por tal
dia ensayametos                   que per continuado
e exercicios com                  exercicio e aficado
grandes avisametos,               penssamento sua
por que a virtude                 virtude possa seer
da sua forca possa                acrecentada. E assy
crecer. E assy per                de todo cuidado
este modo covem                   de tristeza dos
que tirem de sy e                 negocios deste mudo
seja stranhos aos                 e ainda da obra do
cuydados e aa                     casameto se conve
tristeza e negocios               a fazer estranho,
sagraaes, nem e elles             que /XII,93b/ afora
nom more desejo, ne               o trabalho da sua
obra de matrimony o,              esinaca al no queyra
ne em modo nehuu                  saber, nem e algua
sejam emvoltos em                 cura deste mudo
cuy dado mudanal,                 se queira embargar
sperado tan soomete               daquele ta somete
do senhor do canpo                que he Senhor do
o mantiimeto e coroa              capo esperando
de gloria e louvor de             galardona pera
vitorya.>>                        mantimento da sua
                                  vida. E que digna
                                  coroa de gloria e
                                  de louvor
                                  guacara per seus
                                  merecimentos ...>>

Alc. 384 f. 93ab                  Leal Conselheiro
<<Emno capitolio, vo.             ed. loseph M. Piei,
da castidade ouvera               p. 378.
este capitolio ser
posto.>>

Ouve que diz o                    << Ouve que diz o
Apostolo: "Todo                   apostollo: Todos
aquel que e capo                  aquelles que em
peleja de todalas                 campo pellejam,
cousas se cote",                  de todas cousas
inclinarmos de quaes              se austeem.
todas pera podermos               Emqueiramos de
receber ensinaca de               quaaes todos, pera
peleja spiritual per              enssynanca da
conteplaca da carnal.             pelleja spiritual per
Certamente aqueles                contemplacom da
que nesta peleja                  carnal. Certamente
visivel estuda bem                aquelles que nesta
pelejar usar de todas             pelleja vesyvel
viandas, as quaes                 estudam bem
o desejo da carne                 pellejar, husar de
demanda, no tem                   todas vyandas, as
auctoridade, mas                  quaaes o desejo da
soo daquelas que                  carne demanda, nom
a ensinaca de taes                tem autoridade, mas
pelejas estabelesceo.             soo daquellas que a
E no solamete das                 enssynanca de taaes
viandas defesas,                  pellejas estabeleceo.
mas da bevedice e                 E nom sollamente
todo inchimento                   das vyandas defesas,
necessareamente                   mas da bevedice e
se deve de coteer.                todo inchymento
E ainda de                        necessareamente
toda priguica e                   se devem conteer,
ouciosidade e                     e ainda de toda
deleixamento, por tal             a pryguyca,
que per continuado                occiosidade e
exercicio e aficado               deleixamento, por tal
pensamento sua                    que per contynuado
virtude possa                     exercicio e aficado
seer acrecentada.                 penssamento sua
E assy de todo                    virtude possa
cuydado, tristeza                 seer acrecentada.
dos negocios deste                E assy de todo
mundo, e ainda da                 cuydado, tristeza
obra do casamento                 dos negocios deste
se convem fazer                   mundo, e ainda da
estranho, que afora               obra do casamento
o trabalho da sua                 se convem fazer
enssynanca al nom                 estranho, que afora
queira saber, nem                 o trabalho da sua
algua cura deste                  enssynanca al nom
mundo se embargar                 queira saber, nem
daquelle tam                      algua cura deste
soomente, que he                  mundo se embargar:
senhor do campo,                  daquelle tam
sperando galardona                soomente, que he
pera mantiimento                  senhor do campo,
de sua vyda e que                 sperando galardom
digna coroa de                    pera mantiimento
gloria e de louvor                de sua vyda e que
gaancarom per seus                digna coroa de
mericimentos.>>                   gloria e de louvor
                                  gaancarom per seus
                                  mericimentos.>>


A referencia ao <<capitolio .v[degrees].>> e muito significativa, uma vez que remete para a posterior numeracao do V, comprovando que o tradutor se orientava por texto latino coincidente com este codice, tendo em conta que o X nao possui tabela, indice nem numeracao de capitulo, sendo a divisao de capitulos assinalada por paragrafo e letra capitular.
Livro VI

Alc. 384         V duas numeracoes   X        Z
cap. 6/cap. 16   cap. 6: cap. 5      cap. 6   cap. 7


O texto original de Cassiano (33) nao possuia tabela, indice nem numeracao de capitulo, como atestam os mais antigos testemunhos, os manuscritos F-IV-1 n.16 (sec. VI), C (Montecassino, Biblioteca dell'Abbazia 295, sec. VII-VIII), alem de X (S.C.C. 43, sec. XII) e V (Alc. 363, sec. XII).

Na verdade, a tabela do V nao e de origem, na medida em que foi inserida no inicio do codice, quando a pratica habitual ditava a criacao de indice no inicio de cada Livro, como atestam os manuscritos L (Laon, BM 328 bis), T (Karlsruhe, Badische Landesbibliothek, Aug. Perg. 164), R (Roma, Biblioteca Nazionale Centrale <<Vittorio Emanuele II>>, Sess. 66), lat. 260 (Paris, BnF), H (Paris, BnF, lat. 12292), alem do G (Karlsruhe, Badische Landesbibliothek, Aug. Perg. 87) e do S (Sankt Gallen, Stiftsbibliothek 183), que apresentam um espaco vazio, no inicio de cada Livro, para a redaccao de indice. Alem disso, o V possui duas numeracoes de capitulo (34), uma alfabetica e outra romana, com frequente intitulacao dos capitulos. Contudo, a numeracao e a intitulacao nao sao de origem, pois ocupam as margens de goteira e de pe, em vez de se situarem dentro da caixa de texto, como acontece com o incipit e o explicit de cada livro. Por isso, a divisao de capitulos era inicialmente assinalada por paragrafo e letra capitular, a semelhanca do X. De acordo com estas caracteristicas materiais, parece haver maior influencia do Vna organizacao material do texto da traducao, uma vez que o Alc. 384 apresenta numeracao romana de capitulo e tres intitulacoes:

Z: /I 1 1/--Alc. 384: <<do avito e do trajo dos monjes>>

V: (tabela e titulo) <<de habita olim monachonim et a quibus habuit ortum>>

Z: /I 2 1/--Alc. 384: <<da vestidura dos monjes>>

V: (tabela) <<qualis et quanta eratolim monachi uestis>> (titulo): <<...uestis monachi>> Z: 12 11 1/--Alc. 384: <<da distinco dos verssos que se dizem>>

V: (tabela e titulo) <<Quem modum tenent in recitando praedictos xiipsalmos>>

O aparecimento de indice deve estar associado a segunda fase de transmissao textual das Institutiones de Joao Cassiano, como um mecanismo gerado para facilitar o manuseamento e a leitura das duas obras, o De institutis coenobioriun (Livros I-IV) e o De octo principaliutn uitiorum remediis (Livros V-XII), reunidas no mesmo codice. As numeracoes de capitulo, por seu turno, devem ter surgido na sequencia do aparecimento do indice, devido ao nexo estabelecido entre ambos.

Assim, de acordo com os elementos apresentados, parece-nos razoavel considerar que a traducao do Alc. 384 se realizou possivelmente com base num texto relacionado com o Alc. 363.
Anexo: Organizacao dos Livros e Capitulos do Alc. 384

Livro I

Alc. 384    Alc. 363 duas numeracoes

1           1                          1
2           2                          2
3           3                          3
4           4                          4
5           5                          5
6           6                          6
7           7                          7
8           8 eras.
9           9 del.:                    8
10          10 emend.:                 9
11          11 emend.: (tabula = 11)   10

Alc. 384    S.C.C. 43                  Petschenig

1           1                          1
2           2                          2
3           3                          3
4           4                          4
5           5                          5
6           6                          6
7           7                          7
8           8                          8
9           9                          9
10          10                         10
11          11                         11

Livro II

Alc. 384           Alc. 363 duas numeracoes

1                  1                          1
2                  2                          2
3                  3                          3
4                  4                          4
5                  5 del.

6-7                6-7 emend.:                5-6
8
9                  8 emend.:                  7
10                 9 emend.:                  8
11                 10 emend.:                 9
12                 11 emend.:                 10
                   12 emend.:                 11
(14):      13      13 eras.:
(15):      14      (entrada)                  12
(16):      15      13 emend.: (entrada)
(17):      16      14 emend.:                 13
(18-19):   17-18   (tabula = 16)              14-15

Alc. 384           S.C.C. 43                  Petschenig

1                  1                          1
2                  2                          2
3                  3                          3
4                  4                          4
5                  5                          5
                                              6
6-7                6-7                        7
8                  8                          8
9                  9                          9
10                 10                         10
11                 11                         11
12                 12                         12
                   13                         13
(14):      13      14                         14
(15):      14      15                         15
(16):      15      16                         16
(17):      16      17                         17
(18-19):   17-18   18-19                      18

Livro III

Alc. 384   Alc. 363 duas numeracoes

1-2        1-2                        1-2
3-4        3-4:
5-6-7      5-6-7:                     2-3-4
7
8          8:
9          9 eras.:                   5
10         10:                        6
11         11:                        7
12         12 eras.:
13         13 eras.:
14         14 eras.:
15         15 del.: (tabula = 8)      9 (= 8)

Alc. 384   S.C.C. 43                  Petschenig

1-2        1-2                        1
3-4        3-4                        2
5-6-7      5-6-7                      3
7                                     4
8          8                          5
9          9                          6
10         10                         7
11         11                         8
12         12                         9
13         13                         10
14         14                         11
15         15                         12

Livro IV

Alc. 384   Alc. 363 duas numeracoes

1          1                          1
2          2                          2
3          3:
3-4        3-4 del. et emend. :       2-3
5          5 eras.:                   4
6          6 eras.:                   5
7          1:                         6
8          8:                         7
9          9:
10         10:
11         11 del..:                  8
12         12:                        9
13         13 eras.:                  10
14         14:
15         15:                        11
16         16:                        12
17         17:                        13
18         18:                        14
19         19:                        15
20         20:
21         21:
22         22 eras.:                  16
23         23 eras, v:                17
24         24    eras. VI:
25         25 eras. II:
26         26:
27         27:                        18
28         28:
29         29:
30         30:
31         31:
32         32 c/e/.:                  19
33         33 eras.:
34         34:                        20
35         35 eras.:                  21
36         36 eras.:                  22
37         37:                        23
38         38 c/e/. xv:               24
39         39:
40         40 c/e/. l:
41         41 c/e/. l:
42         42:
43         43: (tabula = 24)

Alc. 384   S.C.C. 43                  Petschenig

1          1                          1
2          2                          2
3          3                          3
3-4        3-4                        4
5          5                          5
6          6                          6
7          7                          7
8          8                          8
9          9                          9
10         10                         10
11         11                         11
12         12                         12
13         13                         13
14         14                         14
15         15                         15
16         16                         16
17         17                         17
18         18                         18
19         19                         19
20         20                         20
21         21                         21

22         22                         22
23         23                         23
24         24                         24
25         25                         25
26         26                         26
27         27                         27
28         28                         28
29         29                         29
30         30                         30
31         31                         31
32         32                         32
33         33                         33
34         34                         34
35         35                         35
36         36                         36
37         37                         37
38         38                         38
39         39                         39
40         40                         40
41         41                         41
42         42                         42
43         43                         43

Livro V

Alc. 384   Alc. 363 duas numeracoe   1

1          1                         1
2          2                         2
3          3                         3
4          4:
5          5:                        4
6          6:                        5
7                                    6
8                                    7
9          8 eras.
10         9 eras.:                  8

11         10:                       9
12         11:                       10
13         12:
14         13 emend.:                11
15         14 emend.:                12
16         15: (entrada)             13
17         16: (entrada)             13 (14)
18         17:                       14(15)
19         18:                       15 (16)
20         19:
21         20:
22         21:
23         22:
24         23:
25         24:
26         25:
27         26:
28         27:
29         28:
30         29:
31         30:
32         31:
33         32:
34         33:
35         34: (tabula =16)

Alc. 384   S.C.C. 43                 Petschenig

1          1                         1
2          2                         2
3          3                         3
4          4                         4
                                     5
5          5                         6
                                     7
                                     8
                                     9
6          6                         10
7          7                         11
8          8                         12
9          9                         13
10         10                        14
                                     15
11         11                        16
12         12                        17
13         13                        18
14         14                        19
15         15                        20
16         16                        21
17         17                        22
18         18                        23
19         19                        24
20         20                        25
21         21                        26
22         22                        27
23         23                        28
24         24                        29
25         25                        30
26         26                        31
27         27                        32
28         28                        33
29         29                        34
30         30                        35
31         31                        36
                                     37
32         32                        38
33         33                        39
34         34                        40
35         35                        41

Livro VI

Alc. 384    Alc. 363 duas numeracoes

1           1                          1
2           2                          2

3           3                          3
4           4                          4
5           5:
6           6:                         5
7           7:                         6
8                                      7
9           9:                         8
10
            10:
11          11:                        9
12          12:                        10
13          13:                        11

14          14:                        12
15          15: (tabula = 12)
16 Infans

Alc. 384    S.C.C. 43                  Petschenig

1           1                          1
2           2                          2
                                       3
3           3                          4
4           4                          5
5           5                          6
6           6                          7
7           7                          8
                                       9
                                       10
                                       11
                                       12
8           8                          13
9           9                          14
                                       15
10          10                         16
                                       17
11          11                         18
12          12                         19
13          13                         20
                                       21
14          14                         22
15          15                         23
16 Infans

Livro VII

Alc. 384   Alc. 363 duas numeracoe   1

1          1                         1
2          2                         2
3                                    3
4          4:
5          5 eras.:                  4
6          6:                        5
7          7 eras.:
8          8 eras.:
9          9 eras.:                  6
10         10 eras.:                 7
11         11 eras.:
12         12 eras.:                 8
13         13:                       9
14         14: eras.:
15         15:                       10
16         16: eras.:
17         17: (tabula = 10)

Alc. 384   S.C.C. 43                 Petschenig

1          1                         1
2          2                         2
                                     3
3          3                         4
4          4                         5
                                     6
5          5                         7
                                     8
                                     9
                                     10
6          6                         11
7          7                         12
8          8                         13
9          9                         14
                                     15
                                     16
                                     17
10         10                        18
11         11                        19
12         12                        20
                                     21
                                     22

13         13                        23
                                     24
14         14                        25
                                     26
                                     27
15         15                        28
                                     29
16         16                        30
17         17                        31

Livro VIII

Alc. 384   Alc. 363 duas numeracoe   1

1          1                         1
2          2                         2
3          3:
4          4:
5          5: del.:                  3
6          6:                        4
7          7:                        5
8          8 eras.:
9          9 eras.:                  6
10         10 del.: (tabula = 7)     7)

Alc. 384   S.C.C. 43                 Petschenig

1          1                         1
2          2                         2
3          3                         3
4          4                         4
5          5                         5
                                     6
6          6                         7
                                     8
                                     9
                                     10
7          7                         11
                                     12
                                     13
                                     14
8          8                         15
9          9                         16
                                     17
                                     18
                                     19
                                     20
                                     21
10         10                        22

Livro IX

Alc. 384   Alc. 363         S.C.C. 43   Petschenig

1          1                1           1
                                        2
                                        3
                                        4
                                        5
                                        6
                                        7
                                        8
2          2                2           9
                                        10
                                        11
                                        12
3          3 (tabula = 3)   3           13

Livro X

Alc. 384   Alc. 363 duas numeracoes   S.C.C. 43

1          1                          1
2          2                          2
3          3                          3
4          4                          4
5          5 (entrada)                5
6          6 eras.: (entrada)         5
7          7:                         6
8          8: (tabula = 8)            7)

Alc. 384   Petschenig

1          1
           2
           3
2          4
           5
           6
3          7
           8
           9
           10
           11
           12
           13
           14
           15
           16
           17
           18
           19
4          20
5          21

6          6                          22
                                      23
7          7                          24
8          8                          25

Livro XI

Alc. 384   Alc. 363         S.C.C. 43   Petschenig

1          1                1           1
                                        2
                                        3
                                        4
                                        5
                                        6
                                        7
                                        8
                                        9
2-3        2-3              2-3         10
                                        11
                                        12
                                        13
                                        14
                                        15
                                        16
4          4                4           17
5          5                5           18
6          6 (tabula = 6)   6           19

Livro XII

Alc. 384   Alc. 363

1          1
2          2
3          3              3
4          4              4
5          5              5
6          6              6
7          7              7
8          8              8
9          9              9
           (tabula = 9)

Alc. 384   S.C.C. 43      Petschenig

1          1              1
                          2
2          2              3
                          4
                          5
                          6
                          7
                          8

3          9
           10
           11
           12
4          13
           14
           15
           16
           17
           18
5          19
6          20
           21
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           23
7          24
           25
           26
           27
8          28
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           31
9          32
           33


BIBLIOGRAFIA

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VII, 31 das Institutiones.

Dionisio, Joao, D. Duarte, leitor de Cassiano, dissertacao de Doutoramento em Literatura Portuguesa, Faculdade de Letras de Lisboa, Lisboa, 2000.

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Maria Joao Toscano Rico

Faculdade de Letras de Lisboa

mjtoscanorico@hotmail.com

(1) Thomas L. Amos, The Fundo Alcobaca of the Biblioteca Nacional, Lisbon, vol. 2, Hill Monastic Manuscript Library, Collegeville, Minnesota, 1989, pp. 103-104. Joao Dionisio, D. Duarte, leitor de Cassiano, Dissertacao de Doutoramento em Literatura Portuguesa, Faculdade de Letras de Lisboa, Lisboa, 2000, p. 38 e notas 25 e 26 [texto policopiado].

(2) Catalogo dos Codices da Livraria de Mao do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra na Biblioteca Publica Municipal do Porto, coord. Aires A Nascimento--Jose Francisco Meirinhos, Porto, 1997, pp. 221-223.

(3) Maria Joao Toscano Rico, "A traducao portuguesa medieval do Estabelecimento dos Mosteiros de Joao Cassiano (ms. Lisboa, BN, Alc. 384): contributos para o estudo da formacao de uma lingua literaria", Dissertacao de Mestrado em Literaturas Classicas, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Lisboa, 2000 [texto policopiado].

(4) Veja-se Arnaldo Espirito Santo, A Recepcao de Cassiano e das 'Vitae Patrum': um estudo literario de Braga no seculo VI, tese de Doutoramento em Literaturas Classicas, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Lisboa, 1993. Sigo a edicao de M. Petschenig, CSEL, 17, pars I, Pragae, Vindobonae, Lipsiae, 1888. Alem do aparato critico desta edicao, que selecciona as leituras do Caroliruhensis CLXIV (=T) e do Sangallensis 183 (= S), tambem foi consultado o aparato critico da edicao de Jean-Claude Guy, das Sources Chretiennes (Jean Cassien, Institutions cenobitiques, Paris, Les editions du Cerf, 1965), que deriva da edicao de Petschenig.

(5) E. A. Lowe, Codices Latini Antiquiores: a palaeographical guide to Latin manuscripts prior to the ninth century, 11 vol., Oxford, 1934-1966; 1971 (Supplement), vol. VI, n.[degrees] 725; Claire Maitre (dir.), Catalogue des manuscrits d Autun: Bibliotheque municipale et Societe eduenne, Turnhout, Brepols, 2004 pp. 102-105.

(6) Lowe. Codices Latini Antiquiores, vol. 3. n.[degrees] 379.

(7) Espirito Santo, op.cit.. p. 46.

(8) Lowe. Codices Latini Antiquiores, vol. 4. n.[degrees] 455. Contem os fragmentos IV. 40-41, VI. 1 e VII, 30-VIII. 1.

(9) B. Bischoff. Katalog der festlandischen Handschriften des neunten Jahrhunderts (mit Attsnahme der wisigotischen). I. Aachen-Lambach; II. Laon-Paderborn, Wiesbaden. 1998-2004, vol. I. n.[degrees] 1621, pp. 339-340.

(10) B. Bischoff. Katalog, II. n.[degrees] 2106. p. 32.

(11) B. Bischoff, Katalog, I. n.[degrees] 1675, pp. 350-351.

(12) B. Bischoff, Die Abtei Lorsch im Spiegel Hirer Handschriften (Geschichtsbldtter fur den Kreis Bergstrasse. Sonderband, 10), Lorsch. 1989, p. 55; 112.

(13) Informacoes relativas aos codices enunciados de acordo com Petschenig: o codice C e o melhor. Os codices G.S e R sao de grande qualidade. Os codices T, H e L (Franca: Laon) sao de qualidade mediana. O codice A e de qualidade mediocre. Nao ha referencia a qualidade do Parisino e o aparato critico da edicao de Petschenig nao menciona o segundo corpo, ao qual falta o Livro XII, como foi possivel averiguar atraves do microfilme da Biblioteca Nacional de Paris.

(14) Falta o ultimo folio aos cadernos 28.[degrees] e 29.[degrees]. A reconstituicao da numeracao deveria ser a seguinte: 224 (desapareceu), 225 (antigo 224), 226 (=225), 227 (=226), 228 (=227), 229 (=228), 230 (=229), 231 (=230), 232 (desapareceu), 233 (= 231), 234 (= 232), 235 (= 233), 236 (=234), 237 (=235), 238 (=236). Dai resulta que o codice tenha 238 folios, o caderno 29.[degrees] seja quaterno e os cadernos 28.[degrees] e 29.[degrees] nao apresentem reclamo nem assinatura, devido ao corte do ultimo folio destes cadernos.

(15) ut: post ut add. ibi lc (V), 142a (X); uastemur: post uastemur add. et in cunctis hominibus immorentur 30b (V), 175d (X).

(16) prudentiamque: om. la (V), 141b (X); sublimioris: om. 30d (V), 176b (X).

(17) fundari: fundare lb (V), 14 Id (X)/L; congrue non uai et: non ualet congrue Id (V), 142b (X); redditur: reddetur 31a (V), 176d (X).

(18) respondit: coprehendit Id (V), 142c (X); mutuari: experiri 31a (V), 176c (X).

(19) A titulo de exemplo, registem-se estas oscilacoes vocalicas: fistucam: festucam 23a (V) 167a (X)/[G.sup.2][H.sup.2][L.sup.2]; saltim: saltem 51 d (V), 201 d (X)/[H.sup.2 ; intellegentiae: intelligentiae 10b 152a (X); epistulam: epistolam 165b (X)/[G.sup.2]HL; Helisaeus: Heliseus 5a (V), 146b (X)/HL; presbyter: presbiter 26a (V), 170d (X)/L; hiemis: hyemis 24a (V), 168c (X) L1.

(20) sollemnitas: sollempnitas 168c (X); abruptum: abrutum 49c (V).

(21) No primeiro corpo (Livros I-IV): refocilatum: refocillatum 17a (V), 159d (X); muttire: mutire 21 d (V), 165d (X).

(22) quidquid: quicquid 3c (V), 144c (X)/ G2L; subeintoria: succintoria 4c (V). 145c (X)/GH2L; obtinere: optinere 43d (V), 191d (X)/A.

(23) pomaria: pomeria 166a (X); fragrantiae: fraglantiae 60a (V), 212a (X)/G2L2.

(24) antiphona: antifonam 9a (V), 150c (X)/H2L; Sapphirae: Safirae 54a (V), 204c (X); filargyriae: philargiria 48a (V), phylargiria 197a (X).

(25) Os Livros I-IV repetem, sobretudo, as leituras de L, G e H; os Livros V-XII, seguem, principalmente, as leituras de L e H, alem das leituras de A, T, R, em menor numero, e, por ultimo, de G.

(26) O tradutor substantivou a preposicao <<secundum>>, transformando-a no nome do frade.

(27) Compreende-se a contencao do tradutor ao usar <<menosprecado>> no lugar de <<inritatus>>, pois 'irritado' deveria parecer demasiado agressivo.

(28) Os verbos <<experire>> e <<reperire>> ('achar') sao usados como sinonimos. Cf. Du Cange, II-III, p. 371 <<**Experiri pro Reperire, in Vita S. Galli ap. Pertz. Script, tom. 2 pag. 19. lin. 41. pro Reperiri ibid. pag. 18. lin. 16>>.

(29) A proximidade semantica entre <<frangere>> (quebrar') e <<perdere>> ('destruir) explica que o tradutor opte por explicar em que circunstancias poderia ocorrer a destruicao do vaso, <<ainda que seja per aqueecimeto>>, ou seja, mesmo que por negligencia o <<baucal>> se destrua no fogo, o que parece ser improvavel, visto ser essa a sua funcao. Cf. Du Cange, II-III, p. 593 e VI-VII, p. 268; Forcellini, II, p. 531 e III, p. 638.

(30) O tradutor pode omitir um termo por incompreensao, por falta de termo correspondente ou por julgar desnecessario, de modo que a omissao nem sempre oferece garantias de relacao entre texto de origem e texto de destino. Pouco seguros sao tambem os casos de proximidade semantica e de erro de copia:

(31) A outra ocorrencia de magisterium encontra-se em Z: /2 6/ <<Exhinc uenerabilis patrum senates. intellegens angeli magislcrio congregationibus fratrum generalem canonem non sine dispensation domini constitutum...>>. Alc. 384: <<E per esta guisa foy posto termo e fim aaquesto e aa cirymonia que se avia de guardar no coto a elles pello ang[e]o fecta...>>.

(32) Cf. Jose Pedro Machado, I. p. 86: administro (* administra <<ajudante. agente>><ad + minister).

(33) Jean-Claude Guy, op. cit., p. 14: <<II nous parait done fort vraisemblable que les capitulationes ne faisaient pas partie du texte original de Cas sien, mais qu elles furent introduites posterieurement, pour la commodite des lecteurs>>. A comprovacao e feita atraves de dois manuscritos antigos que nao contem numeracao de capitulos: o Casinense 295 (seculo VII) e o manuscrito palimpsesto do sec. VI, proveniente de Bobbio (Biblioteca Nacional de Turim, F-IV-1, n.16).

(34) A numeracao registada no indice do Alc. 363 nem sempre concorda com a numeracao encontrada no texto. Apesar disso, sao identicas nos Livros IX, XI, XII, e apresentam uma ligeira alteracao, no Livro X. A numeracao posterior foi interrompida, possivelmente devido as confusoes que estava a originar.
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Title Annotation:III VARIA NOSCENDA
Author:Rico, Maria Joao Toscano
Publication:Euphrosyne. Revista de Filologia Classica
Date:Jan 1, 2011
Words:6921
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