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O jornal nacional e as estrategias de sobrevivencia economica e politica da globo no contexto da ditadura militar.

The Jornal Nacional and the survival strategies of economic and political the Globo in the context of the military dictatorship

O Jornal Nacional da Rede Globo de Televisao esta no ar, de modo ininterrupto, ha 40 anos, desde o dia 1[grados] de setembro de 1969 e representa o conjunto mais bem acabado de marcas que caracterizam um telejornal no Brasil. O JN e, atualmente, o telejornal mais popular do Brasil, personagem importante na historia politica, economica e social do pais. Ele tem o tempo publicitario mais caro da TV brasileira: uma publicidade de 30 segundos veiculada no Jornal Nacional custa 367 mil reais (1) e seus indices de audiencia andam na casa dos 35%, indice inferior apenas ao de outras duas producoes da propria TV Globo, as telenovelas do horario noturno (2).

Tomando seus quarenta anos como um pretexto, este artigo (3) analisa historicamente a relacao de dependencia/ independencia politica e economica da televisao brasileira atraves de um estudo de caso, o da Rede Globo de Televisao e seu principal telejornal do horario nobre, nos anos iniciais de sua formacao. Mostramos que o Jornal Nacional e produto da articulacao entre os interesses da elite brasileira e do governo militar e os ideais de modernizacao e de integracao nacional, articulacao que implicara no desenvolvimento, por parte da TV Globo, de uma estrategia que significou submeter-se a Ideologia da Seguranca Nacional e a censura ao mesmo tempo em que se transformava na principal emissora de televisao no Brasil. E evidenciamos que

o padrao Globo de qualidade reune elementos da ordem dos investimentos tecnologicos, da profissionalizacao do sistema de producao televisivo, do sistema de comercializacao e da qualidade estetica de seus produtos sendo fundamental para garantir o sucesso do Jornal Nacional.

O Jornal Nacional e hoje o programa mais antigo em exibicao na televisao brasileira. Tendo estreado em primeiro de setembro de 1969, o programa inaugurou tambem o sistema de transmissao em rede, por microondas, no Brasil. Ele foi transmitido, simultaneamente, ao vivo, para seis capitais brasileiras: Rio de Janeiro, Sao Paulo, Belo horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Brasilia, atingindo 56 milhoes de brasileiros. Era o maior sistema de transmissao em rede da America do Sul (Veja, 1969, p. 68).

Em sua primeira edicao, o Jornal Nacional anuncia aquela que seria a sua marca mais forte. Segundo o site da emissora:
   Hilton Gomes, ao lado de Cid Moreira,
   abriu a primeira edicao do JN anunciando:
   "O Jornal Nacional, da Rede Globo, um
   servico de noticias integrando o Brasil novo,
   inaugura-se neste momento: imagem e som
   de todo o pais". Cid Moreira encerrou: "E
   o Brasil ao vivo ai na sua casa. Boa noite". (4)


O ideal de integracao nacional estava na origem do novo programa e se tornou possivel com a tecnologia de transmissao em rede. Fazer com que "56 milhoes de brasileiros tenham mais coisas em comum. Alem de um simples idioma", como dizia o anuncio (5) do novo programa nas principais publicacoes impressas do pais, era ao mesmo tempo uma estrategia politica e economica: para Walter Clark Bueno, diretor geral da Globo na epoca, a transmissao em rede era a solucao para a permanente crise vivida pela televisao brasileira (Borgerth, 2003, p. 39-53).

Segundo a biografia de Roberto Marinho, fundador da emissora, contudo, esse ideal de integracao nacional e desenvolvimento e muito anterior a propria fundacao da TV Globo. Segundo Pedro Bial, seu biografo, e possivel enxergar na familia Marinho uma linhagem de homens comprometidos com a modernizacao do Brasil e "facil identificar em Roberto uma continuidade do projeto politico e empresarial de Irineu" (Bial, 2004, p. 42). Para ele, Roberto Marinho herdou o ideal do pai, o jornalista carioca Irineu Marinho, fundador do jornal O Globo, do Rio de Janeiro. Comentando a atuacao do jornalista-pai na imprensa carioca na decada de 1910, epoca em que fundou o jornal vespertino A Noite, Bial relaciona pai e filho:

Irineu Marinho bem sabia do desmando federativo, e esta consciencia iria se expressar mais tarde em seu apoio a um projeto de unificacao nacional, o movimento tenentista [...] Roberto Marinho nunca foi um ideologico, mas este ideal de integracao da nacao herdou-o do pai e levou-o alem. Mesmo porque suas ambicoes de empreendedor dependiam disso (Bial, 2004, p. 56).

Ate certo ponto, podemos dizer entao, que o Jornal Nacional e produto da articulacao entre os interesses da elite politica e economica e os interesses politicos e economicos dos militares. Esta articulacao se mostra mais evidente nos anos 1960 e 1970, que e tambem o periodo de consolidacao de um mercado cultural no Brasil. A consolidacao da televisao brasileira esta associada ao governo militar (1964-1985), a Doutrina de Seguranca Nacional e Desenvolvimento (6) e a ideia de integracao nacional. A Doutrina de Seguranca Nacional e Desenvolvimento tinha como meta criar condicoes para a implantacao de um modelo de desenvolvimento economico extremamente favoravel a entrada do capital estrangeiro, condicoes que eram interpretadas como sendo o fortalecimento do estado nacional, a implantacao de uma infra-estrutura capaz de transformar o Brasil em uma potencia economica e o controle dos movimentos sociais.

[...] O Estado militar aprofunda medidas economicas tomadas no governo Juscelino (7), as quais os economistas se referem como 'a segunda revolucao industrial' no Brasil. Certamente os militares nao inventam o capitalismo, mas 64 e um dos momentos de reorganizacao da economia brasileira que cada vez mais se insere no processo de internacionalizacao do capital; o Estado autoritario permite consolidar no Brasil o 'capitalismo tardio'. Em termos culturais essa reorientacao economica traz consequencias imediatas, pois, paralelamente ao crescimento do parque industrial e do mercado interno de bens materiais, fortalece-se o parque industrial de producao de cultura e o mercado de bens culturais (Ortiz, 1989, p. 114).

Em setembro de 1965 e criada a Empresa Brasileira de Telecomunicacoes (Embratel), que inicia uma politica modernizadora para as telecomunicacoes. Ja no seu primeiro ano de atuacao, a estatal tornou-se socia do Intelsat (Consorcio Internacional de Comunicacoes por Satelite), formado na epoca por 11 paises, e logo em seguida comecou a operar, via satelite, os servicos internacionais de telefonia, de telex e telegrafia e de canal para TV. A Embratel criou as condicoes para que o telefone e a televisao chegassem as regioes mais afastadas do pais, e a conexao telefonica via satelite possibilitava uma integracao mais agil entre as diversas regioes brasileiras e entre o Brasil e o mundo. Pouco tempo depois da criacao da Embratel, as emissoras de televisao puderam transmitir a chegada do homem a lua, em 1969, e a Copa do Mundo de Futebol, em 1970.

Em marco de 1969, a Embratel inaugurou o Tronco Sul, que permitiu integrar, por uma rede terrestre de microondas, Sao Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. A rede era formada por repetidores posicionados a intervalos de quase 50 km de distancia, que recebiam o sinal do equipamento anterior, amplificavam e o retransmitiam para o proximo. O primeiro produto a fazer uso pleno da tecnologia foi o Jornal Nacional, lancado em 1[grados] de setembro daquele ano. A Embratel concluiu em outubro de 1972 a implantacao dos troncos do Sistema Nacional de Telecomunicacoes. Quando a Embratel foi criada, havia um sistema de microondas de pouco mais de Dois mil km de extensao, ligando Sao Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasilia. Em 1972, eram mais de 11,5 mil km de rotas de microondas e 5,5 mil km de rotas de tropodifusao, interligando todas as capitais e as principais cidades do pais (Cruz, 2009).

Foi esse sistema de microondas que permitiu a interligacao de todo o territorio brasileiro e, mais especificamente, o funcionamento do sistema de rede, condicao fundamental para a consolidacao da TV no Brasil e para o lancamento do Jornal Nacional.

A infra-estrutura necessaria ao desenvolvimento da TV e resultado, entao, de um investimento do Estado que, guiado pela ideologia de Seguranca Nacional e pelos esforcos de integracao nacional promove uma revolucao tecnologica no sistema de telecomunicacoes. O investimento em telecomunicacoes e o interesse na integracao nacional poem lado a lado os militares e os empresarios, ainda que, como diz Renato Ortiz, "enquanto os militares propoem a unificacao politica das consciencias, os empresarios sublinham o lado da integracao do mercado. O discurso dos grandes empreendedores da comunicacao associa sempre a integracao nacional ao desenvolvimento do mercado" (1989, p. 118). Assim,

a propria nocao de uma identidade cultural brasileira vai se redefinir e sera reinterpretada em termos mercadologicos: e nacional aquilo que esta integrado ao mercado de consumo--inclusive e, sobretudo, mercado de consumo de bens simbolicos.

Nesses termos, e a partir da articulacao entre interesses politicos e interesses economicos, cultura nacional sera identificada a cultura popular de massa.

Essa articulacao de interesses criara uma dinamica em que os empresarios se submetem politicamente ao governo militar, enquanto que procuram consolidar sua independencia economica. Assim, no caso da TV Globo, a estrategia adotada foi a de se submeter a Ideologia da Seguranca Nacional e a censura ao mesmo tempo em que se transformava na principal emissora de televisao no Brasil. Para que essa estrategia tivesse sucesso, era preciso estabelecer um pacto com os militares, atraves do qual a TV controlava a producao de conteudos de seus programas em troca do apoio do governo para a construcao da infra-estrutura necessaria para a consolidacao da industria televisiva e apoio politico para aprovacao da legislacao de seu interesse. Em 1973, por exemplo, a TV Globo e a TV Tupi assinam um protocolo de autocensura, pelo qual se comprometem a regular a producao de conteudos para evitar a intervencao militar nas emissoras.

Em relacao ao Jornal Nacional, a estrategia adotada foi enfatizar a qualidade tecnica da producao e circulacao em detrimento do conteudo propriamente jornalistico. Em razao das restricoes da censura, mas tambem em razao de uma concepcao da funcao da televisao no Brasil, o Jornal Nacional optou por desenvolver-se e consolidar-se atraves de uma estrategia na qual qualidade e confiabilidade eram resultado do investimento tecnologico da emissora. Esse foi o modo como a TV Globo e seu jornalismo se desenvolveram--a ausencia de liberdade de informacao contrapos-se o chamado padrao Globo de qualidade.

Muitos estudiosos da televisao tem rapidamente interpretado o "padrao Globo de qualidade" como enfase na qualidade estetica dos produtos televisivos da emissora. Mas isso e dizer muito pouco sobre uma estrategia ao mesmo tempo politica e economica. O padrao Globo de qualidade traduz-se, claro, pela qualidade estetica de seus produtos, mas ele reune elementos da ordem dos investimentos tecnologicos, da profissionalizacao do sistema de producao televisivo e do sistema de comercializacao e implicou largamente a independencia da TV das agencias de publicidade e dos anunciantes. Para compreendermos melhor este processo, precisaremos voltar um pouco no tempo, ao inicio da historia da televisao no Brasil.

A televisao, entre nos, ja nasce como televisao comercial, privada, e se consolida como principal veiculo de comunicacao atraves dos varios projetos de modernizacao levados a cabo pelas elites brasileiras, na configuracao de um estado nacional.

Em 18 de setembro de 1950 acontece a inauguracao da TV Tupi, de Sao Paulo, de Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, que era dono do grupo Diarios Associados, o maior grupo de midia do pais, naquele momento. Os Diarios Associados eram o grupo proprietario dos principais jornais, revistas e emissoras de radio. Era dos Diarios Associados a revista O Cruzeiro, principal revista ilustrada brasileira no seculo XX. Em 22 de novembro do mesmo ano sao autorizadas as concessoes da TV Record, da TV Tupi do Rio de Janeiro e da TV Jornal do Comercio, do Recife. Em 1951, existem 7 mil aparelhos de TV no Rio e em Sao Paulo. Agencias de publicidade, sobretudo a McCann Erikson e J.W. Thompson, as mais fortes, eram as responsaveis pela producao dos programas e pelas contratacoes de artistas e jornalistas.

Nesse periodo, eram os anunciantes que estabeleciam a programacao televisiva. O tempo da TV era vendido por um preco sempre abaixo do custo efetivo, dai porque o anunciante nao so financiava como viabilizava a producao. Isso fica absolutamente evidente pelos nomes dos programas: Teatro Good-Year, Telenovela Mappin, Recital Johnson, Ginkana Kibon, Reporter Esso. Mesmo os programas jornalisticos recebiam patrocinio--a exemplo do Reporter Esso, o telejornal de maior audiencia a epoca. "Anunciantes e agencias de publicidade nao eram meros vendedores de produtos, mas tambem produtores de cultura" (Ortiz, 1989, p. 61). Como as emissoras nao conseguiam arcar com os custos de producao, era impossivel administrar o tempo e o valor comercial da publicidade.

Esse sistema so vai mudar no inicio dos anos 70, quando as agencias comecam a comprar os espacos televisivos, ao inves de patrocinar os programas. A experiencia pioneira, nesse sentido, nao foi da Globo, mas da TV Excelsior de Sao Paulo, que entrou no ar em julho de 1960 e foi a primeira emissora brasileira a padronizar sua programacao horizontalmente e verticalmente. Implantando no Brasil a nocao de grade televisiva, a TV Excelsior torna-se dentro de seis meses de operacao, a lider de audiencia na cidade de Sao Paulo (8).

O padrao Globo de qualidade nao pode ser compreendido sem o acordo inicial com o grupo Time-Life (9) e sem as presencas de Joe Wallach, Walter Clark Bueno, Jose Bonifacio de Oliveira Sobrinho, o Boni, e Armando Nogueira, no comando do jornalismo, nos anos de consolidacao da emissora. Em 1961, Roberto Marinho firma um contrato de assistencia tecnica com o grupo estadunidense Time-Life, segundo o qual a TV Globo ficaria responsavel pela compra e instalacao dos equipamentos e a Time-Life prestaria assessoria tecnica para implantacao da emissora--a TV Globo seria inaugurada em abril de 1965. Segundo Daniel Herz "a Time nao assiste tecnicamente a TV Globo, mas de fato administra e gere todo seu patrimonio" (1987, p. 115).

O contrato previa participacao da Time-Life nos lucros liquidos da TV Globo, o que era ilegal segundo o artigo 160 da Constituicao brasileira de 1946 e a Lei No. 4.117, de 27 de agosto de 1962 que institui o Codigo Brasileiro de Telecomunicacoes (10). O artigo 160 da Constituicao de 1946 afirmava:
   E vedada a propriedade de empresas jornalisticas,
   sejam politicas ou simplesmente
   noticiosas, assim como a de radiodifusao, a
   sociedades anonimas por acoes ao portador
   e a estrangeiros. Nem esses, nem pessoas
   Juridicas, excetuados os Partidos Politicos
   nacionais, poderao ser acionistas de sociedades
   anonimas proprietarias dessas empresas.
   A brasileiros [...] cabera, exclusivamente,
   a responsabilidade principal delas e a sua
   orientacao intelectual e administrativa... (11)


Logo depois da inauguracao da TV Globo do Rio de Janeiro, os Diarios Associados, grupo proprietario da Rede Tupi e tambem da revista O Cruzeiro, que tinha como principal concorrente na America Latina a revista Life, iniciaram uma campanha contra a presenca de capital estrangeiro na midia brasileira. Joao Calmon, deputado, diretor geral dos Diarios Associados e presidente da Associacao Brasileira de Empresas de Radio e Televisao, e Carlos Lacerda, entao governador da Guanabara, estado do Rio de Janeiro, denunciaram a existencia de um acordo entre Roberto Marinho e o grupo Time-Life. Em outubro de 1965 o deputado Eurico de Oliveira apresentou um requerimento a Camara dos Deputados pedindo a instauracao de uma Comissao Parlamentar de Inquerito. A CPI durou quase um ano e terminou com um parecer desfavoravel a Globo. Pouco tempo depois a TV Globo desfez o acordo com a Time-Life.

De todo modo, o acordo inicial com a Time-Life foi fundamental para a consolidacao empresarial da emissora, em pelo menos tres aspectos: assessoria tecnica para implantacao dos equipamentos e treinamento de pessoal, assessoria contabil e administrativa e montagem de uma equipe brasileira que constituiria o padrao Globo de qualidade. A presenca de Joe Wallach (12), empregado do grupo Time-Life na Globo era um dos principais motivos de desconfianca dos deputados durante a CPI, pois eles a consideraram uma evidencia de que a empresa estadunidense estaria participando da orientacao intelectual e administrativa da emissora. Wallach teve um papel fundamental na consolidacao da TV e depois Rede Globo. No inicio, ele funcionava como uma especie de assessor responsavel pela contabilidade da Globo, mas seu papel foi muito mais amplo.
   Ainda em 1971, Joe Wallach naturalizou-se
   brasileiro e chegou a renunciar a cidadania
   americana, ate que o Brasil passou a permitir
   dupla cidadania. Com o fim do acordo
   com a Time-Life, tornou-se diretor executivo
   da TV Globo, posto que o levou a integrar
   o Conselho Executivo da emissora.
   Nesse periodo, trabalhou junto ao Boni, na
   epoca diretor de programacao e producao
   da emissora, na implantacao do sistema de
   transmissao das ondas de TV, o comeco do
   modelo de rede [...] Wallach contribuiu, ainda,
   para a formacao da Rede Globo atraves
   do programa de adesao das afiliadas espalhadas
   pelo pais, e das Centrais Globo, nucleos
   como o de Jornalismo, o de Producao
   e o de Engenharia. Nesse mesmo periodo,
   assumiu o cargo de superintendente executivo
   da emissora. Ainda nos anos 1970,
   Wallach participou da expansao dos negocios
   da Rede Globo para o mercado internacional:
   iniciava-se a comercializacao de
   novelas e series para outros paises (13).


Joe Wallach deixou a Rede Globo em 1980, mas tornou-se consultor da Rede Globo na Telemontecarlo, originalmente uma subsidiaria da emissora brasileira na Italia. De volta ao Brasil, em 1991, integrou o grupo responsavel pala criacao da Globosat, primeira programadora de TV por assinatura brasileira (14).

Alem de implantar um eficiente sistema de gestao financeira, "foi Wallach quem convenceu Roberto Marinho a dar a Walter Clark o cargo de diretor geral da TV Globo" (15). Walter Clark ja tinha uma experiencia de quase 10 anos de televisao quando foi trabalhar na Globo. Ele havia trabalhado na Interamericana, uma das maiores agencias de publicidade brasileiras na epoca, e, depois, na TV Rio. Tornou-se primeiro diretor comercial, responsavel por reestruturar o setor comercial e por reformular a programacao e, depois, diretor-geral da TV Globo, que ate entao apresentava modestos indices de audiencia no Rio de Janeiro, ficando atras da TV Rio, da TV Excelsior e da TV Tupi. A Globo comecou a ganhar audiencia em fevereiro de 1966, quando, por determinacao de Walter Clark, a emissora interrompeu sua programacao durante tres dias para realizar a cobertura completa das enchentes que atingiam a cidade do Rio de Janeiro. Sobre a relacao entre Walter Clark e Joe Wallach, Luiz Eduardo Borgerth, diretor administrativo da TV Globo de Sao Paulo a epoca, dira: "Nunca se apurou quem tinha razao, se o Joe 'temos que gastar menos do que faturamos' ou se Walter 'temos que faturar mais do que gastamos', pois logo ficou impossivel gastar mais do que se ganhava" (Borgerth, 2003, p. 77).

Walter Clark foi o principal responsavel, na Globo, pela profissionalizacao dos sistemas de producao e de comercializacao. Como diretor geral ele "comecou a realizar o seu sonho de fazer da televisao uma atividade seria, profissional, solida, tecnica e, principalmente, respeitada; nao mais comandada ao sabor dos interesses e gosto das agencias de publicidade que ate entao 'traziam' o seu programa pronto ou o roteiro do que queriam [...]" (Borgerth, 2003, p. 44). Isso implicou a independencia da producao de conteudo da TV Globo das agencias de publicidade e dos anunciantes. "Para Walter Clark, as televisoes deveriam ser como os jornais, que faziam seu produto sem ouvir os anunciantes" (Borgerth, 2003, p. 45). Foi Walter Clark o responsavel pela implantacao de uma nova relacao com as agencias de publicidade e os anunciantes: a consolidacao da programacao da Globo possibilitou que a emissora passasse a vender o tempo nos intervalos comerciais da programacao televisiva, e as agencias passaram a comprar o tempo para seus anuncios, ao inves de patrocinar os programas. Para que isso fosse possivel, no entanto, era fundamental assegurar boa programacao e indices garantidos de audiencia.
   Walter Clark foi o responsavel pela contratacao--para
   o cargo de superintendente de
   producao e programacao--, em marco de
   1967, de Jose Bonifacio de Oliveira Sobrinho,
   o Boni, com quem trabalhara na TV
   Rio e que o ajudaria a implantar o modelo
   de programacao que levou a TV Globo ao
   posto de lider de audiencia no pais. Juntos,
   trouxeram para a emissora a nocao de continuidade
   e foi deles a ideia de levar ao ar
   um programa jornalistico intercalando duas
   novelas, na faixa de programacao considerada
   o horario nobre. Tambem foi obra dos
   executivos a estruturacao do nucleo de novelas
   da TV Globo e a criacao de diversos
   programas de grande sucesso, como o Fantastico
   (1973) e o Globo reporter (1973), entre
   outros (16).


Walter Clark e Jose Bonifacio de Oliveira Sobrinho conceberam o formato de programacao que a TV Globo adota ate hoje, com a grade do horario nobre formada por tres novelas, o Jornal Nacional entre a segunda e a terceira, e uma atracao especial a seguir.

Boni promoveu tambem importantes mudancas na area artistica da TV Globo. Foi ele quem concluiu ser imprescindivel mudar os rumos da teledramaturgia da emissora, ainda presa ao dramalhao, ao perceber o filao que havia sido aberto com o sucesso da novela Beto Rockfeller, exibida em 1968 na TV Tupi, com direcao de Walter Avancini e Lima Duarte. Com o aval de Walter Clark, Boni apostou em uma dramaturgia mais realista que retratava o cotidiano brasileiro contemporaneo, tendo sido responsavel pela entrada de Daniel Filho, Dias Gomes e Janete Clair na Rede Globo. Em 1970, Boni passou a ser o superintendente de Producao e Programacao da Rede Globo e era responsavel por todas as areas de programacao da emissora, inclusive o jornalismo, que esteve sob a sua supervisao ate 1995. Numa das decisoes mais importantes para a consolidacao do nivel tecnico, do faturamento e da audiencia da TV Globo, Walter Clark passou para Boni tambem o comando operacional e o planejamento tecnico da emissora, o que foi fundamental para racionalizar o uso da infra-estrutura tecnica necessaria a producao de conteudo e a qualidade da programacao da TV Globo. Em 1980, Roberto Irineu Marinho ja ocupava a vice-presidencia da Rede Globo e Boni assumiu a vice-presidencia de operacoes da TV Globo, funcao que exerceu ate 1997. Permaneceu como consultor da emissora ate 2001, quando se afastou da Globo para criar TV Vanguarda, afiliada a TV Globo no interior de Sao Paulo.

No jornalismo, Armando Nogueira foi um dos principais responsaveis pela consolidacao de um padrao de qualidade. Ele, que tambem entrou na TV Globo pelas maos de Walter Clark--quando, em setembro de 1966, o programa esportivo Grande Resenha Facit, da TV Rio foi para a Globo carregando consigo todos os seus integrantes--criou e implantou o Jornal Nacional e o Globo Reporter. Entre outubro de 1966 e ate 1990, Armando Nogueira esteve no controle do jornalismo, entre 66 e 74, na direcao do departamento de Jornalismo da emissora, e, a partir de 1974, com as reestruturacoes internas da Globo, na chefia da Central Globo de Jornalismo, onde ficou ate 1990. Na sequencia do caso da edicao que o Jornal Nacional fez do debate entre Fernando Collor de Mello e Luis Inacio Lula da Silva, no segundo turno das eleicoes presidenciais de 1989, afastou-se da Globo. Armando Nogueira morreu em 29 de marco ultimo.

Nos anos iniciais do Jornal Nacional, o padrao Globo de qualidade se traduziu por uma enfase na qualidade tecnica da producao em detrimento do conteudo jornalistico, em razao dos limites impostos pela censura. Ainda que o governo do general Ernesto Geisel (1974-1979) tenha iniciado o periodo de distensao e de liberalizacao politica da ditadura militar, so a partir do governo do general Joao Batista Figueiredo (1979-1985), e que o Departamento de Jornalismo nao recebeu mais nenhuma ordem de censura. Segundo Armando Nogueira, no entanto, a censura permaneceu em forma de autocensura, praticada pelos proprios profissionais da TV Carvalho, 1979-1980).

Assim, qualidade e confiabilidade eram, no programa, o resultado do investimento da emissora na contratacao dos melhores profissionais, na melhor tecnologia disponivel e na transmissao em rede nacional, configuradora de uma identidade nacional brasileira. Desde esse periodo, podemos dizer que o Jornal Nacional se equilibra entre a quase perfeicao tecnica (de imagem) e um tom oficial ou institucional. Desde entao,

a Globo manteve o habito de oferecer um tratamento bastante generoso as autoridades governamentais ao mesmo tempo em que nao abre mao de sua independencia economica, aquela que lhe garante poderio tecnologico, qualidade de seus produtos e, consequentemente, altos indices de audiencia.

O padrao Globo de qualidade significa, entao, uma composicao de elementos--economicos, comerciais, politicos, tecnologicos, produtivos, esteticos--que colocou a Globo em vantagem em relacao as demais emissoras existentes no Brasil. Ele pode ser interpretado como a melhor evidencia de que a Globo foi, no momento de consolidacao da televisao no Brasil, a emissora que melhor percebeu as potencialidades do veiculo e que melhor reuniu as condicoes economicas e politicas para transformar a sua programacao num objeto de consumo de massa. Se, hoje, o padrao Globo de qualidade da personalidade a programacao da emissora e tornou a TV Globo uma das principais marcas no mercado midiatico mundial, naquele momento ele foi o responsavel pela sobrevivencia economica e politica da emissora.

REFERENCIAS

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Itania Maria Mota Gomes

Professora do Programa de Pos-Graduacao em Comunicacao e Cultura

Contemporaneas da UFBA/BA/BR

itania@ufba.br

NOTAS

(1) Na telenovela das 21h, que tem mais audiencia, uma insercao semelhante sai por 365 mil reais.

(2) Segundo dados do Ibope, em http://www.almanaqueibope.com.br

(3) Uma versao preliminar deste artigo foi apresentada no VIII Lusocom, em Lisboa/Portugal, abril de 2009.

(4) Do site do programa: http://jornalnacional.globo. com/Telejornais/0,,GEN971-10405,00.html. Hilton Gomes apresentou o programa ate 1972 e Cid Moreira permaneceu na funcao por 27 anos, ate 1996, quando foi substituido por William Bonner, atual apresentador e editor-chefe do telejornal.

(5) Ver em Veja, 1969, a reproducao do anuncio.

(6) A Doutrina de Seguranca Nacional e Desenvolvimento esta associada a teorias geopoliticas, ao antimarxismo e as tendencias conservadoras do pensamento social catolico e preve uma relacao estreita entre desenvolvimento economico e seguranca interna e externa. No contexto brasileiro, ela surge como resposta ao crescimento dos movimentos sociais da classe trabalhadora--dai sua enfase na ameaca de subversao interna e na guerra revolucionaria. A DSND representa a consolidacao da ideologia de seguranca

nacional, transplantada para o Brasil apos a 2a Guerra Mundial, quando varios militares brasileiros de alta patente foram treinados no National War College, nos Estados Unidos. Seu objetivo principal era garantir metas de seguranca para implantar uma geopolitica para todo o Cone Sul do Continente Americano, capaz de bloquear o perigo expansionista do comunismo internacional. Na perspectiva da DSND, nao pode haver seguranca nacional sem um alto grau de desenvolvimento economico. O principal ideologo da DSND foi o general Golbery do Couto e Silva. Ver Alves (1984).

(7) Juscelino Kubitschek foi presidente do Brasil entre 1956 e 1961, periodo no qual desenvolveu o Plano Nacional de Desenvolvimento, caracterizado pelo lema Cinquenta anos em cinco. Seu Plano de Metas organizava-se em torno de seis grandes areas: energia, transportes, alimentacao, industria de base, educacao e a construcao de uma nova capital para o Brasil, Brasilia. Sua plataforma desenvolvimentista incluia a abertura da economia brasileira ao capital estrangeiro, a implantacao da industria automobilistica, da industria naval, a expansao da industria pesada, a construcao de usinas siderurgicas e de grande usinas hidreletricas, como Furnas e Tres Marias, a construcao de rodovias transregionais e o aumento da producao de petroleo da Petrobras. No governo do General Ernesto Geisel, os militares lancam o II Plano Nacional de Desenvolvimento (1975-1979).

(8) Em 1963 a TV Excelsior lancou um dos principais telejornais brasileiros, o Jornal de Vanguarda, que ganhou o Premio Ondas, concedido pela Sociedad Espanola de Radiodifusion S.A, membro efetivo da Union Europeenne de Radio-Television, que organizou os Premios Ondas de Radio e Televisao a partir de 1954, como o melhor telejornal do mundo. Em 1968 o programa sai do ar, em razao da edicao do Ato Institucional no. 5, o mais abrangente e autoritario ato editado pela ditadura, que suspendeu direitos politicos no Brasil. A Excelsior e fechada, em dezembro de 1970, na sequencia de uma serie de problemas com o Governo Militar. Para uma historia da TV Excelsior, ver Moya (2004).

(9) A Time Life e uma das mais importantes produtoras e distribuidoras de livros, musica, videos, dvds e produtos multimidia. Ela foi fundada em 1961 como uma divisao da Time Inc., especializada em livros. Seu nome tem origem nas duas principais revistas dos anos 60, a Time e a Life. Em 2003, a Time Life foi adquirida por Ripplewood Holdings L.L.C. e ZelnickMedia Corporation para tornar-se parte da Direct Holdings Worldwide L.L.C. Ver www.timelife.com.

(10) No Brasil, somente a Emenda Constitucional No. 36, de 28 de maio de 2002 (http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc36.htm) abre a possibilidade de participacao do capital estrangeiro na midia brasileira, o que sera regulado pela Lei No. 10.610, de 20 de dezembro de 2002 (http://www.planalto.gov. br/CCIVIL/LEIS/2002/L10610.htm), que dispoe sobre a participacao de capital estrangeiro nas empresas jornalisticas e de radiodifusao sonora e de sons e imagens. Estrangeiros e brasileiros naturalizados ha menos de dez anos podem deter ate 30% do capital votante e do capital total das empresas jornalisticas e de radiodifusao, assegurados aos brasileiros natos e naturalizados ha mais de dez anos o controle e a elaboracao da programacao, da linha editorial e do conteudo jornalistico. Essas alteracoes na legislacao brasileira sao decorrencia da assinatura do General Agreement on Trade in Services (GATS), que regulamenta, no ambito da Organizacao Mundial do Comercio, todas as formas de prestacao de servicos realizadas pelo comercio internacional. Ele foi aprovado em 15 de fevereiro de 1997 e implica o compromisso dos estados-membro da OMC em liberalizar seus servicos basicos de telecomunicacoes, ou seja, abrir o setor a participacao do capital estrangeiro. No Brasil, que e membro da OMC desde 10 de janeiro de 1995, o marco regulatorio inicial foi a emenda constitucional no. 8, promulgada em agosto de 1995 e transformada na Lei Geral das Telecomunicacoes--Lei no. 9.472/978, de julho de 1997, que revogou o antigo Codigo Brasileiro de Telecomunicacoes. A LGT nao so autoriza a exploracao dos servicos de telecomunicacao pela iniciativa privada, como estabelece a criacao de um orgao regulador para o setor, que vira a ser a Agencia Nacional de Telecomunicacoes. A regulamentacao neoliberal dos anos 90 enfatizou, em todos os setores, a abertura do mercado nacional ao capital estrangeiro, considerada uma via fundamental para o desenvolvimento do pais. A transferencia dos servicos prestados por empresas estatais ao controle privado e a abertura do mercado nacional ao capital estrangeiro foram a via politica construida para a modernizacao do pais sob o Governo Collor e em consonancia com as diretrizes economicas do Banco Mundial e do Fundo Monetario Internacional. Sobre a regulacao das comunicacoes no Brasil, ver Jamberro (1996; 2008); Caparelli & Santos (2005), Bolano (2003).

(11) A integra da constituicao pode ser consultada em www. planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao46. htm

(12) Ver em http://memoriaglobo.globo.com/Memoriag lobo/0,27723,GYP0-5271-269233,00.html um perfil de Joe Wallach.

(13) Memoria Globo: http://memoriaglobo.globo.com/ Memoriaglobo/0,27723,GYP0-5271-269233,00.html, Acesso em: 09 mar. 2010.

(14) A Globosat surgiu em 1991, a partir da reuniao de quatro canais de TV por assinatura, o Telecine, o GNT, o Multishow e o Top Sports (hoje SporTV). No inicio, a empresa era produtora de conteudo e tambem distribuidora. Em 1993 as Organizacoes Globo criaram a Net Brasil, empresa destinada apenas as atividades de venda, distribuicao e prestacao de servico na area de TV por assinatura. A Globosat tornou-se uma empresa exclusivamente voltada para a programacao e a geracao de conteudo. Alem dos quatro canais iniciais, hoje a Globosat possui tambem a Globo News, um canal de noticias 24 horas, o Universal Channel, o Shoptime, o Canal Brasil e o conjunto Telecine, que virou uma rede com cinco canais de diferentes generos de filmes, alem de operar por pay per view. Alem da distribuicao por cabo, desde 1996 a empresa opera tambem o sistema Sky, que distribui o sinal digital diretamente do satelite para miniparabolicas instaladas nos domicilios dos assinantes. Hoje a Globosat e lider no mercado de TV por assinatura no Brasil. A Globosat saltou de 350 funcionarios e quatro canais, em 1994, para 24 canais e mais de 1.000 funcionarios, em 2008. Sao 16,5 milhoes de telespectadores distribuidos por mais de 4,8 milhoes de domicilios-assinantes. E a programadora de maior alcance medio diario: 6,1 milhoes de telespectadores diferentes, em dados de janeiro a abril de 2009. Em dados atuais, dentre as 100 exibicoes de maior audiencia da TV por Assinatura no primeiro semestre de 2009, 93 sao da Globosat e cerca de 56% do tempo medio dedicado pelo publico a TV por assinatura no horario nobre estao distribuidos entre os Canais Globosat. Ver http://globosatcomercial.globo.com

(15) Memoria Globo: http://memoriaglobo.globo.com/ Memoriaglobo/0,27723,GYP0-5271-269233,00.html. Acesso em: 09 mar. 2010.

(16) Memoria Globo: http://memoriaglobo.globo.com/ Memoriaglobo/0,27723,GYP0-5271-256116,00.html. Acesso em: 09 mar. 2010.
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Title Annotation:DOSSIE DITADURA
Author:Mota Gomes, Itania Maria
Publication:Revista Famecos - Midia, Cultura e Tecnologia
Article Type:Report
Date:May 1, 2010
Words:6483
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