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O desenvolvimento do Efeito da Outra Raca (EOR) em criancas: dos modelos de codificacao de faces a emergencia do EOR.

Resumo

Em tarefas de reconhecimento facial, adultos e criancas apresentam dificuldade ao reconhecer faces de racas diferentes da sua. Esse efeito e conhecido como Efeito da Outra Raca (EOR) e tem sido consistentemente replicado em diversos estudos. O objetivo deste trabalho e apresentar uma revisao da literatura sobre alguns modelos teoricos que explicam sua emergencia e desenvolvimento. Os modelos de codificacao de faces baseado no Prototipo, e em Exemplares sao a base para a explicacao das diferencas na codificacao entre faces da mesma raca e faces de outra raca. Uma revisao das recentes pesquisas sobre o EOR e como experiencias com faces de outra raca, durante a primeira infancia o influenciam, foi apresentada. Finalmente, pesquisas futuras relativas ao contexto cultural foram propostas, para melhor investigar o desenvolvimento do efeito da raca e dos modelos de codificacao de faces.

Palavras-chave: Reconhecimento de faces, efeito da raca, desenvolvimento.

Abstract

In face recognition tasks, adults and children have difficulty recognizing faces from other races. This effect is known as the Other Race Effect (ORE) and has been consistently replicated in several studies. The aim of this paper is to present a review of some theoretical models that explain the ORE, its emergence and development. Face coding mechanisms based on Prototypes and Exemplars are the basis for the explanation of differences in coding between the same race and other race faces. It was presented a review of recent research on ORE and how the experiences with other race faces during early childhood influences the effect. Finally, further research on the cultural context has been proposed to better investigate the development of ORE and face coding mechanisms.

Keywords: Face recognition, race effect, development.

The Development of the Other Race Effect (ORE) in Children: From Face Coding Mechanisms to the Emergence of the ORE

Um fenomeno bastante robusto vem sendo identificado e estudado na literatura e consiste no reconhecimento mais preciso de uma face de nossa propria raca do que de uma face de outra raca. A este efeito (Brigham & Malpass, 1985; Chance & Goldstein, 1996), da-se o nome de "Vies da Raca" ou "Efeito da Outra Raca" (EOR). Alguns pesquisadores sugerem que esse efeito pode ser explicado pelo fato do ser humano desenvolver formas especializadas de perceber as caracteristicas das faces de sua propria raca (Lindsay, Christian, & Jack, 1991). Outros pesquisadores sugerem que o grau de contato e a experiencia com pessoas de outras racas diminuem o EOR, explicando a mitigacao deste efeito pelo contato e experiencias miscigenadas (Furl, Phillips, & O'Toole, 2002; Levin 2000).

Para discutir os modelos explicativos para o fenomeno e sua ontogenese e importante a perspectiva da Psicologia Evolucionista (PE), abordagem que propoe estudar a mente humana como resultante de processos adaptativos originados por selecao natural em nosso Ambiente Ancestral de Evolucao (AAE; Barkow, Cosmides, & Tooby, 1992). A PE pressupoe a existencia de uma natureza humana universal, constituida de mecanismos psicologicos de processamento de informacao que permitem a producao, a absorcao, a modificacao e a transmissao de cultura, adaptadas ao ambiente evolutivo, ou seja, o modo de vida de nossos ancestrais cacadores-coletores do Pleistoceno. Com esta perspectiva podemos pensar o processo de reconhecimento de faces como um desses mecanismos selecionados de processamento de informacao.

Seres humanos vivem em ambientes sociais complexos. Esse modo de vida tem vantagens porque oferece seguranca e permite acoes coletivas, tendo como consequencia um conjunto de pressoes seletivas sobre os que dele participam. Para sua sobrevivencia, foram selecionados mecanismos psicologicos que permitem a compreensao das acoes, intencoes e emocoes de co-especificos. Se um individuo pode entender melhor a mente de seus parceiros, tem vantagem sobre os outros, porque consegue cooperar melhor, detectar quem coopera e quem nao o faz, se esta sendo enganado ou nao, e tambem, as vezes, enganar e manipular outros sem ser descoberto (Kurzban & Neuberg, 2005).

Somos uma especie social, de filhotes altriciais, que nascem dependentes de cuidados dos adultos da especie para sua sobrevivencia e, para tal, alguns modulos parecem ter sido selecionados. Sabe-se agora (vide Seidl de Moura & Ribas, 2004, para uma discussao dessa literatura) que os bebes nascem capazes de discriminar entre estimulos diversos e lhes responder diferencialmente. O primeiro aspectos talvez seja a predisposicao a reconhecer e processar estimulos e padroes relacionados a coespecificos (vozes humanas, de preferencia femininas, configuracoes de faces, cheiro do leite da mae, lingua de seu grupo cultural, contingencias, calor emocional etc.). Dentre essas capacidades esta a de discriminar configuracoes de faces humanas e de preferir olhar para elas, a outros tipos de configuracoes (Kelly et al., 2005). Essa capacidade inicial e a base para o reconhecimento facial que tem importancia obvia para a sobrevivencia da nossa especie, uma vez que esta capacidade permite as trocas entre os sujeitos, o estabelecimento de coalizoes etc. (Seeck et al., 2001).

Se o reconhecimento de faces tem origem nesta capacidade de nossa especie; cabe indagar se o EOR no reconhecimento de faces poderia ter uma explicacao filogenetica especifica. Acreditamos que a resposta e negativa. Um teste simples, para saber se um determinado mecanismo pode ser pensado como parte de nossa mente adaptada, ou seja produto da selecao natural, e pensar se esse mecanismo resolveria problemas que nossos ancestrais encontravam no ambiente ancestral. Neste caso, as evidencias sugerem uma resposta negativa. Kurzban, Tooby e Cosmides (2001) propoem que a categorizacao de raca e um subproduto de adaptacoes que evoluiram para detectar coalizoes e outras aliancas de cooperacao. Somos capazes de usar pistas de raca para fazer categorizacoes quando raca e uma pista importante, mas nossa capacidade e para usar pistas relevantes, em geral.

Com essas premissas, de que temos um mecanismo adaptado para reconhecer coespecificos, que incluiu preferencia por configuracoes de faces e que estamos equipados para usar pistas relevantes para estabelecer categorizacoes, cabe analisar os mecanismos cognitivos hipotetizados para esse processo. Um dos modelos cognitivos de codificacao de faces mais empregados para delinear as causas do EOR, tanto em criancas quanto em adultos, e baseado numa nocao de espaco de multiplas dimensoes (Rhodes, Brennan, & Carey, 1987; Valentine, 1991; Valentine & Bruce, 1986; Valentine & Endo, 1992).

De acordo com tal modelo, faces sao representadas como vetores num espaco multidimensional. No centro desse espaco, ou seja, na conjuncao desses vetores, estaria a media de todas as faces vistas pela pessoa durante seu periodo de vida. Esta conjuncao de vetores e tambem conhecida como "Norma" ou "Prototipo Facial". A percepcao de uma face seria obtido, entao, a partir das diferencas entre a face a ser reconhecida e o Prototipo ou Norma (Rhodes et al., 1987; Valentine, 1991).

Com objetivo de delinearmos, melhor, os mecanismos subjacentes ao efeito da raca e o seu desenvolvimento em criancas, apresentaremos uma breve revisao teorica, abordando o Espaco Multidimensional de faces, os Modelos de codificacao e o desenvolvimento do Efeito da Outra Raca.

O Espaco Multidimensional de Codificacao de Faces

Uma questao que precede essa discussao e se o reconhecimento de faces pode ser explicado por modelos gerais de categorizacao, ou se este tem especificidades. Considerando seu valor adaptativo e a presenca de mecanismos basicos em recem-nascidos humanos, pode-se hipotetizar que se trata de um modulo ou dominio especifico (Barkow et al., 1992; Fodor, 1983). Fodor (1983) propoe que faces sao "candidatas favoritas" a formarem um tipo de estimulo que e processado por um modulo especifico da mente. Para esse autor, modulos sao orgaos mentais especializados, que evoluiram para processar informacao especifica relevante para a especie. Sao faculdades mentais e tem um funcionamento automatico, nao controlado pelo processador central, estando fora, inclusive, do controle consciente. Com isso, operam com muita rapidez e eficiencia.

Outra hipotese seria de que o reconhecimento de faces e tratado por um processador central e que e parte de um processo cognitivo geral, que ha muito vem sendo estudado a partir das investigacoes de um dos fundadores do movimento cognitivista, J. Bruner. Bruner (1983) iniciou o estudo de formacao de conceitos e seus ex-estudantes, como E. Rosch (1983) ampliaram e modificaram suas ideias iniciais, abandonando a visao classica de conceitos e introduzindo a de exemplares ou prototipos. A identificacao de exemplares prototipicos seria, para eles, a base para o processo de categorizacao no caso do desenvolvimento de conceitos naturais, que nao poderiam ser criados arbitrariamente pelo experimentador.

Modelos cognitivos de reconhecimento visual devem especificar como o conhecimento previamente adquirido e armazenado e usado para facilitar o reconhecimento de um estimulo visual. De acordo com Palmier (1975), o reconhecimento de faces e um exemplo de processamento de uma categoria perceptiva que deve incluir uma busca a um conhecimento armazenado na memoria. Este conhecimento e armazenado sob a forma de "Valores Prototipicos", ou seja, uma tendencia central das dimensoes relevantes do estimulo, nesse caso, as faces.

Para Palmier (1975) e outros autores desta perspectiva, ocorre o efeito da distincao no processo de reconhecimento de faces. Isso significa que, a partir da experiencia com faces, o sujeito constroi um modelo interno prototipico que e utilizado para facilitar o reconhecimento das faces que essa pessoa encontrara subsequentemente (Bruce, Burton, & Dench, 1994). As caracteristicas distintivas de uma face, a orientacao sobre a qual ela esta sendo observada, a raca, o sexo, entre outros, sao fatores que influenciam na habilidade de um observador em reconhecer essa face. A similaridade ou nao entre as faces e gerada pelo efeito desses diversos fatores em conjunto, contrastados ao prototipo armazenado.

Ao pensarmos no espaco de codificacao de faces como um espaco de multiplas dimensoes, cada dimensao do espaco representaria caracteristicas fisionomicas usadas para codificar faces. De fato, o processo envolvido na codificacao das faces e baseado em informacoes frequentes dos valores das caracteristicas descritivas da face (Valentine, 1991). Entretanto, as dimensoes parecem cooperar mais naturalmente com a discriminacao dentro de uma classe de estimulos onde todos os exemplares dividem uma estrutura comum, como as faces. Essa visao concorda com a definicao de Gamer (1978), de uma dimensao como um "atributo que existe para cada estimulo em um conjunto relevante de alguns valores positivos e mutuamente excludentes" (p. 104).

Um estudo com faces caucasianas com sujeitos da mesma raca, que empregou tecnicas de escalas multidimensionais, sugere que a principal dimensao necessaria no espaco de processamento de faces representa caracteristicas simples, como cor do cabelo, comprimento, formato do rosto e idade (Shepherd & Deregowski, 1981). A raca, o genero e a idade constituem atributos de multiplas caracteristicas. Por exemplo, faces femininas e masculinas diferem pela sobrancelha, o tamanho da mandibula, e etc. (Baudouin & Tiberghien, 2002). Usamos o formato dos olhos, o tamanho da sobrancelha e da mandibula para decidirmos se uma face pertence a um homem ou a uma mulher, mas nao atribuimos um nariz e boca grandes ou a cor dos olhos como base para essa decisao.

E importante ressaltar que o numero de dimensoes pode ser grande o suficiente para representar qualquer aspecto da face. Lee, Byatt e Rhodes (2000) utilizaram tecnicas de analise fatorial entre as dimensoes para calcular a distancia que a representacao de cada face tem do centro do espaco multidimensional e a densidade de pontos onde ela e alocada. Os resultados demonstraram que a alta correlacao positiva entre dois indices corrobora a premissa de que, quanto mais perto a face esta do centro, mais densa e a regiao que ela esta alocada. O Espaco Multidimensional onde codificamos faces tem sua origem no centro das dimensoes. Sendo assim, podemos dizer que a origem do Espaco Multidimensional e definida como a tendencia central das dimensoes.

Codificacao de Faces: Modelo do Prototipo e Modelo dos Exemplares

A literatura nos aponta para a existencia de dois modelos de codificacao de faces. Ambos baseados na premissa de que faces sao codificadas como pontos independentes dentro de um espaco de multiplas dimensoes. O modelo da codificacao baseado na Norma ou Prototipo pressupoe que faces sao codificadas referindo-se a uma Norma captada ou um Prototipo. O modelo baseado em Exemplares assume que as faces sao codificadas em funcao de exemplares categoricos armazenados na memoria. Apesar de serem baseados na mesma premissa, o Espaco Multidimensional, os dois modelos fazem predicoes diferentes.

Segundo a Hipotese do Prototipo, as faces devem ser codificadas em funcao de um Prototipo, ou Norma, resultante da generalizacao de todas as faces vistas por uma pessoa durante sua vida (Valentine, 1991). O Prototipo facial seria assim uma imagem ideal armazenada na memoria de longo prazo, como a tendencia central de uma unica classe, representando a aparencia tipica de apenas um grupo de pessoas.

Neste modelo assumimos que as faces sao codificadas em termos do desvio ou distancia que elas apresentam em relacao a uma que esta localizado na origem ou centro do espaco multidimensional, como ilustra a Figura IA. O reconhecimento de uma face ocorre, entao, pela sua comparacao com o prototipo atraves das multiplas dimensoes que formam o estimulo "face" (Valentine, 1991). Se o numero de dimensoes dentro do espaco facial e denotado por n, apenas um vetor "n dimensional" vai partir da norma (origem) em direcao ao ponto que representa os valores de dimensoes de uma face particular. E este vetor com "n" dimensoes que vai unicamente, especificar aquela face. Neste modelo, o reconhecimento de faces e definido como um processo de dois estagios: No primeiro estagio, um estimulo facial e codificado, como um vetor "" dimensional". No segundo estagio, um processo de decisao e requerido para determinar se o estimulo "combina" com um vetor de uma face anteriormente conhecida ou nao (Valentine, 1991).

[FIGURA 1 OMITIR]

E evidente que todo processo cognitivo de codificacao pode envolver algum erro ou ruido e que vai depender das condicoes do momento da codificacao (Valentine & Bruce, 1986). Esse erro pode ser relativamente grande e e representado como a regiao de incerteza ao redor das coordenadas do vetor do estimulo. Assumimos entao, que a confianca gerada pelo processo de decisao depende de tres variaveis: o erro associado ao vetor derivado do estimulo facial; a medida de similaridade entre o vetor derivado do estimulo e o vetor correspondente a face conhecida mais proxima; a similaridade entre o vetor estimulo e o vetor do vizinho mais perto (Valentine, 2001).

Vamos considerar o caso de uma face vista pela primeira vez por um sujeito. Por ser inedita para este individuo, nao existe nenhuma descricao desta face armazenada na memoria. Se a face em questao apresentar caracteristicas exacerbadas, diferentes daquelas que temos descricoes na memoria (um nariz muito grande, ou olhos muito afastados, por exemplo) ela sera codificada em uma regiao onde densidade dos pontos ao redor dela sera baixa. Entretanto, se a face encontrada possui caracteristicas mais homogeneas, (ou seja, for uma face tipica) sua localizacao, dentro do espaco de codificacao estara em uma regiao com alta densidade de pontos (Bursey, 1998). Consequentemente, o reconhecimento de faces distintas sera mais rapido e acurado, uma vez que as faces mais tipicas, como estao muito perto uma das outras e em maior quantidade, geram mais "falsos positivos" (Valentine, 1991; Valentine & Bruce, 1996).

Algumas evidencias que suportam o Modelo do Prototipo no reconhecimento de faces vem de estudos com caricaturas. Rhodes et al. (1987), por exemplo, estudaram o reconhecimento de caricaturas geradas por computadores.

Os autores descrevem como caricatura o processo onde caracteristicas distintas das faces sao exageradas, individualizando, ainda mais, uma face em particular. No estudo, uma face representativa da norma foi gerada pela media das posicoes das caracteristicas das faces (nariz, olhos, boca) cruzando varias faces ao mesmo tempo. As caricaturas, por sua vez, foram geradas atraves do aumento da distancia entre a localizacao de cada caracteristica na face de um individuo e a Norma, seguindo uma proporcao fixa. Uma "anticaricatura" tambem foi gerada atraves da reducao da diferenca entre a face e a Norma. Seus resultados demonstraram que caricaturas sao reconhecidas mais facilmente do que os desenhos de linhas veridicas, ou desenhos de faces "Normais". Estas, por sua vez, foram reconhecidas mais facilmente do que "anticaricaturas". Os resultados foram interpretados como uma evidencia da codificacao de faces baseado em prototipos.

Um segundo modelo cognitivo de explicacao do reconhecimento de faces e conhecido como modelo de codificacao de faces baseado em Exemplares, diferindo do modelo baseado na Norma apenas por partir do principio de que nao existe uma Norma ou Prototipo de onde emergem os vetores de codificacao de faces.

De acordo com o modelo dos Exemplares, as faces nao sao codificadas como vetores dentro do Espaco Multidimensional, mas sim como pontos. A origem desse Espaco Multidimensional nao e importante na codificacao do estimulo, uma vez que apenas indica o ponto de maior densidade de exemplares, como ilustra a Figura IB (Valentine, 1991). Esse modelo pressupoe que a similaridade entre duas faces e uma funcao monotonica da distancia que separa as representacoes de faces no Espaco Multidimensional. O processo de decisao depende de tres variaveis: o erro estimado associado a codificacao dos estimulos; a distancia entre a localizacao do estimulo e a face conhecida mais proxima; a distancia entre o estimulo e seu proximo vizinho.

E importante notar que apesar de ambos os modelos (baseados na norma ou em exemplares) serem modelos de proximidade entre estimulos, eles diferem em relacao ao papel de uma norma abstrata de codificacao e no uso de uma medida de similaridade de um vetor ou de distancia entre pontos (Valentine, 2001).

Ambos os modelos de codificacao levam em consideracao a distincao que uma face tem de outra em tarefas de reconhecimento. Tal distincao e sempre baseada na quantidade de exemplares de faces presentes no Espaco Multidimensional (Valentine, 2001). Como foi visto, no primeiro modelo, a origem do espaco multidimensional facial e definido como a tendencia central das dimensoes. Os valores das dimensoes que caracterizam as faces vao variar como uma curva Normal ao redor da tendencia central. Sendo assim, faces que a pessoa teve mais contato durante a vida estarao mais proximas da tendencia central e em maior quantidade. Desta forma, a densidade dos pontos (por exemplo, o numero de faces previamente vistas) vai diminuindo enquanto a distancia da tendencia central vai aumentando; aumentando tambem o tamanho dos vetores que ligam a face a tendencia central. A codificacao de uma nova face sera alocada em uma dessas duas regioes, de maior ou menor densidade dentro do Espaco Multidimensional (Valentine, 1991; Valentine & Bruce, 1986; Valentine & Endo, 1992).

Tanto o modelo baseado na Norma quanto o baseado em Exemplares claramente predizem que o efeito da distincao, ou seja, o quao distinta uma face e da outra, e estudado em termos de densidade de exemplares. A diferenca esta no fato de que no modelo de codificacao a partir da Norma, a similaridade entre duas faces que sao equidistantes no espaco e dependente da distancia dos pontos em relacao a Norma, ou do comprimento do vetor (Valentine & Bruce, 1986).

O Efeito da Raca no Reconhecimento de Faces

Como descrito anteriormente, um efeito relativamente bem observado em tarefas de reconhecimento facial e o "Vies da Raca" ou "Efeito da Outra Raca (EOR)". O EOR foi observado inicialmente por Malpass e Kravitz (1969) e corresponde a tendencia da pessoa em responder corretamente ao identificar faces de pessoas da mesma raca, em detrimento as faces de racas diferentes da sua.

De fato, e comum acharmos que faces de outras racas parecem mais similares umas com as outras do que faces de nossa propria raca. No inicio do seculo passado, Feingold (1914) ja postulava que para um americano que pouco convive com asiaticos, faces de pessoas desta raca se parecem muito. O inverso tambem foi constatado. Para asiaticos, todos os caucasianos se parecem. O efeito do vies da mesma raca tem sido muito replicado, tanto em laboratorio quanto em ambientes naturais (Bothwell, Brigham, & Malpass, 1989; Brigham & Malpass, 1985; Shepherd & Deregowski, 1981).

Um paradigma utilizado para analisar o EOR e a tarefa do "atraso no jogo de amostra". Neste paradigma, uma fotografia alvo de uma face de pessoa de raca diferente do participante e rapidamente apresentada, seguida por duas outras fotografias. O participante deve entao selecionar aquela que melhor se casa com o alvo. A mesma tarefa e repetida com uma face alvo da mesma raca do participante (Lindsay et al., 1991, Sangrigoli & de Schonen, 2004). O efeito da raca e evidenciado quando do melhor desempenho do participante em reconhecer faces de sua propria raca.

Diversos estudos apoiam a teoria de que a origem deste efeito esta na forma de codificacao de estimulos faciais. De acordo com esta visao, a configuracao dos estimulos faciais difere de raca para raca, tanto que pessoas desenvolvem conhecimentos especializados ao processar faces de cada raca em particular. Deste modo, por exemplo, sujeitos africanos tendem a direcionar mais atencao para o formato e a posicao dos olhos do que para a cor deles (Ellis, Deregowski, & Shepherd, 1975; Goldstein & Chance, 1985; Rhodes, Brake, Taylor, & Tan, 1989).

De acordo com esta perspectiva, Lindsay et al. (1991), sugeriram que as diferencas nas habilidades perceptivas especificas no processamento de faces de uma raca em particular contribuem, de forma significativa, para o Modificacoes feitas efeito do vies da raca. Comparativamente, individuos caucasianos obtiveram melhor desempenho no reconhecimento de suas proprias racas ao passo que os afro-americanos nao.

Outros estudos indicaram maior variabilidade do efeito do vies da raca em sujeitos afro-americanos do que em sujeitos caucasianos (Bothwell et al., 1989). Antony, Copper e Mullen (1992), seguindo a mesma linha, encontraram evidencias de que o efeito do vies da raca e maior entre sujeitos caucasianos do que afro-americanos. Este padrao tambem foi encontrado em outros estudos (Cross, Cross, & Daly, 1971; Malpass & Kravitz, 1969; Shepard, 1980). Os resultados dessas pesquisas podem ser justificados pela escolha do contexto das amostras. Os dados foram coletados em contextos culturais com maioria caucasiana e minoria afro-americana (em cidades dos Estados Unidos). Sendo assim, os afro-americanos tem contato com maior numero de faces caucasianas e menor numero de faces negras, em comparacao com os caucasianos. Cabe compreender se essa diferenca nas habilidades de reconhecer faces ocorre por conta do contato com pessoas de outra raca, ou por conta das diferencas nas caracteristicas faciais entre as racas. Brigham e Malpass (1985) encontraram algumas evidencias diretas de que o vies da raca e produto de diferentes tipos de interacoes entre membros de diferentes racas na sociedade.

Tres correntes teoricas que buscam explicar o EOR em funcao das caracteristicas da face e do contato com faces de outra raca. Sao elas: a Hipotese das Diferencas Inerente aos Estimulos, proposta por Chance e Goldenstein (1996); a Hipotese da Atitude Social, proposta por Seeleman (1940); a Hipotese da Experiencia Diferencial, proposta por Cross et al. (1971).

A primeira hipotese propoe que algumas racas possuem caracteristicas faciais mais homogeneas que outras. Autores que defendem esta hipotese sao Herrera e seus colaboradores (Herrera, McQuistonet, McLin, & Malpass, 2000) e sugerem que o efeito do vies da raca nao e necessariamente causado pela falta de experiencia com outras racas, mas sim atribuido a caracterizacoes perceptivas da raca. Esses autores examinaram o efeito do vies da raca com participantes hispanicos, usando como estimulo faces racialmente ambiguas. As faces ambiguas foram criadas de modo a que as caracteristicas faciais (olho, boca e nariz) se sobrepusessem as linhas faciais de hispanicos e negros. O cabelo foi usado como uma marca, sem ele a determinacao da raca se toma mais dificil. Observou-se que participantes hispanicos reconheceram melhor faces hispanicas do que negras. Isso pode ser atribuido a maior porcentagem de falsos alarmes para faces negras e a porcentagem de acertos iguais para faces negras e hispanicas. Os resultados nao apresentaram diferenca estatistica na habilidade de reconhecer faces "velhas" (faces bastante conhecidas) caucasianas ou hispanicas. Entretanto, faces "novas" (que eles acabaram de conhecer) negras foram mais falsamente reconhecidas do que faces "novas" hispanicas, o que leva a concluir que hispanicos sao mais acurados em reconhecer corretamente faces hispanicas nao vistas anteriormente. Esses resultados apoiam parcialmente a hipotese de diferencas entre as faces de diferentes racas.

A segunda hipotese, geralmente oferecida como explicacao para o efeito da raca, e a Hipotese da Atitude Social, que propoe que as atitudes interraciais dos individuos afetam suas habilidades de reconhecimento facial. Galper (1973) buscou testar essa hipotese avaliando estudantes americanos caucasianos, que frequentavam cursos com affo-americanos. Seus resultados indicaram que aqueles que tinham desenvolvido relacoes de amizade mais proximas aos estudantes afro-americanos eram capazes de reconhecer faces negras com mais precisao do que aqueles estudantes que, mesmo frequentando contextos miscigenados, nao desenvolveram relacoes de amizades entre racas. Feinman e Entwistle (1976) tambem obtiveram resultados na mesma direcao com criancas americanas que tem amigos de outras racas. Os pesquisadores demonstraram, em um estudo com 288 criancas (caucasianas e negras), que aquelas criancas que estudam em escolas integradas (com alunos caucasianos e negros) e moram em bairros miscigenados, desenvolvendo relacoes de amizade entre racas, exibem menos o efeito do vies da raca do as criancas que vivem em bairros e estudam em escolas segregadas, nao tendo relacoes entre as racas.

A terceira hipotese, da Experiencia Diferencial, faz predicoes muito parecidas com a hipotese anterior. Ela propoe que o nivel de experiencia e contato com pessoas de outras racas afeta a habilidade de reconhecimento de faces. Cross et al. (1971) observaram que pessoas caucasianas que vivem em comunidades com grande incidencia de negros e caucasianos exibiram maior habilidade em reconhecer faces negras do que as pessoas caucasianas que vivem em comunidades segregadas.

Apoiando ainda essa hipotese, outros estudos mais recentes tem demonstrado que o efeito da raca diminui de acordo com o aumento da experiencia com faces de outras racas (de Heering, de Liedekerke, Deboni, & Rossion 2010; Sangrigoli & de Schonen, 2004), ou que o tempo de exposicao com faces de outra raca pode reduzir ou ate mesmo inverter o EOR. Com objetivo de avaliar se o efeito da raca sofre modificacoes em funcao da experiencia com faces de outra raca, Sangrigoli, Pallier, Argenti, Ventureyra e de Schonen (2005) compararam as habilidades de reconhecer faces de adultos de origem coreana, que foram adotados entre tres e 9 anos de idade por familias europeias com um grupo controle de caucasianos europeus. Em seus resultados nao foram encontradas diferencas entre os dois grupos para reconhecer os dois tipos de faces (caucasianas e coreanas), demonstrando que a experiencia de longos anos com faces caucasianas, foi suficiente para os adultos, de origem coreanas, desenvolverem habilidades superiores para reconhecer faces caucasianas. Este padrao indicou uma reversao do EOR.

Ambas as Hipoteses da Atitude Social e Experiencia Diferencial fazem predicoes muito parecidas, no que diz respeito ao aumento do contato com outra raca ser um fator que influencia a magnitude do EOR, no entanto pesquisadores que apoiam a hipotese da Hipotese da Atitude Social atribuem um peso maior para as escolhas sociais do individuo, de amizades e relacionamentos e pesquisadores que apoiam a Hipotese da Experiencia Diferencial dizem que apenas o contexto em que a pessoa vive--comunidade segregada ou nao e importante para modular a magnitude do EOR. A diferenca entre as duas correntes teoricas pode ser explicada em funcao da importancia do envolvimento emocional inerente as escolhas de amizade e relacionamento pessoal, podendo ajudar na precisao do reconhecimento de faces de outras racas.

Paralelamente as tres Hipoteses descritas, alguns estudos demonstram como faces de outra raca sao codificadas dentro do espaco multidimensional. Quando se trata de reconhecer faces alheias a raca do observador, este teria a dificuldade de assimilar os elementos peculiares e particulares presentes. Isto ocorreria por nao possuir experiencia suficiente com uma determinada populacao para se identificar o que e caracteristica peculiar em apenas uma das faces (Valentine & Endo, 1992).

De acordo com o modelo Baseado na Norma ou Prototipo, Modificacao feita o espaco representacional para faces da mesma raca inclui uma melhor diferenciacao das dimensoes da face. Como resultado, faces da mesma raca sao mais homogeneamente espalhadas pelo Espaco Multidimensional e representadas de forma mais distinta, sendo reconhecidas com mais precisao. O pouco contato que a pessoa teve com faces de outra raca gera um Prototipo inacabado, ou inexistente, para as caracteristicas dessas faces. Aumentando o contato com uma raca diferente, passa-se a identificar melhor a face. A explicacao do modelo baseado no Prototipo para esse fato, e que o contato com as faces de outra raca aumenta a versatilidade do Prototipo estendendo-o e tomando-o aplicavel a nova raca.

Faces de individuos de outras racas formam uma classe de estimulos que violam as estatisticas da populacao de faces da mesma raca, agrupando-se em uma regiao afastada do Prototipo ou Norma (Valentine & Bruce, 1986). Ao utilizar tecnicas de analise fatorial entre as dimensoes de faces de outra raca, para calcular a distancia que cada face tem do centro do espaco multidimensional e a densidade de pontos onde ela e alocada, Caldara e Abdi (2006) nao encontraram correlacao positiva entre a distancia do centro e a densidade da regiao em que a face esta alocada, sugerindo que a codificacao de faces de outra raca de fato se comporta de forma diferente no espaco multidimensional, como ilustra a Figura 2. Assim, parece provavel que o efeito da raca resulte das diferencas na representacao mental entre faces da mesma raca e faces de outra raca.

[FIGURA 2 OMITIR]

Quando se considera o modelo baseado em Exemplares, as diferencas na densidade de exemplares entre faces da propria raca e faces de outra raca podem explicar o EOR (Valentine, 1991; Valentine & Endo, 1992). As dimensoes perceptivas que formam a base do espaco face estao "sintonizadas" para captar a sutil diferenca entre as faces. Como a experiencia das pessoas tende a ser maior com faces da sua propria raca, as caracteristicas das dimensoes que permeiam o espaco facial sao otimizadas para discriminacao de faces da propria raca do sujeito.

Nossas habilidades perceptivas com faces de nossa propria raca dao origem a recursos perceptivos que nao sao generalizaveis para faces de outra raca (Chiroro & Valentine, 1995; Valentine, 1991; Valentine & Endo, 1992). Assim, o Modelo baseado em Exemplares tambem propoe que o efeito da outra raca e resultado da falta de experiencia com faces de outra raca (Byatt & Rhodes, 2004).

Apesar das tres hipoteses explicativas do EOR, descritas anteriormente (Diferenca Inerente ao Estimulo, Atitude Social, Experiencia Diferencial), MacLin e Malpass (2001), demonstraram a importancia do fator "raca" que e explicitamente levado em conta quando codificamos faces de outra raca. Por exemplo, ao sermos apresentados a uma fotografia de uma face de outra raca, o primeiro pensamento e: "Essa pessoa e Oriental, ou Negra, ou Caucasiana".

Algumas caracteristicas que individualizam as faces de outra raca sao extraidas e armazenadas em um subgrupo de dimensoes afastado do centro do espaco multidimensional, sendo assim, elas nao sao suficientes para um reconhecimento acurado dessa face. Dimensoes relativas a caracteristicas da raca vao entao, receber um peso relativamente maior para faces de outras racas do que para faces da mesma raca do sujeito. Desta forma, ha relativamente menos informacoes de individualizacao para faces de outra raca. Em contraste, faces da propria raca sao essencialmente codificadas em dimensoes nao relacionadas a raca, mas a caracteristicas de individualizacao (MacLin & Malpass, 2001). Por isso, faces de outra raca e faces da propria raca formam grupos distintos no espaco facial, devido as diferencas relativas a densidade de exemplares entre estes dois tipos de face, como ilustra a Figura 2. De certa forma, os achados de MacLin e Malpass (2001) corroboram a Hipotese das diferencas Inerentes ao Estimulo e caminham no sentido de explicar a codificacao destas dentro do espaco multidimensional.

O Efeito da Raca em Criancas

Alem das explicacoes sobre o processo em adultos, o entendimento de sua ontogenese ainda suscita controversias, principalmente quando a idade em que esse efeito comeca a ser observado. Alguns resultados sao ainda sem explicacoes teoricas razoaveis. A primeira questao e quao cedo esse efeito pode ser observado. Achados recentes em relacao a preferencias espontaneas, tem confirmado a influencia que diferentes experiencias com faces apresentam na forma que o Prototipo adquire durante a primeira infancia (Bar-Hain, Ziv, Lamy, & Hodes, 2006; Kelly et al., 2005; Kelly, Quinn, et al., 2007)

Bar-Hain et al. (2006) testaram criancas da Etiopia criadas em centros de absorcao enquanto seus pais tentavam abrigo em Israel. Essas criancas eram frequentemente expostas a adultos etiopes e israelenses e nao demonstraram preferencias por faces africanas ou caucasianas quando apresentadas simultaneamente. Esses resultados fornecem evidencias de que faces observadas no ambiente visual desempenham um importante papel nas preferencias faciais suscitadas durante a infancia (Quinn, Yahr, Kuhn, Slater, & Pascalis, 2002).

Sangrigoli e de Shonen (2004) demonstraram que criancas caucasianas de tres meses de idade sao capazes de reconhecer faces de sua propria raca, mas nao faces de asiaticos. Entretanto, o efeito desapareceu quando a crianca era habituada a tres, e nao apenas um exemplar da face de outra raca. Seus resultados demonstram que, mesmo que o efeito da raca esteja presente em criancas de tres meses de idade, ele e fraco o suficiente para ser eliminado apos alguns instantes de exposicao dentro de uma sessao experimental.

A seletividade baseada nas diferencas faciais raciais parece emergir muito cedo na vida. Com tres meses de idade, criancas preferem olhar para faces de seu grupo do que para faces de outro grupo racial (Kelly, Ge, et al., 2007). Entretanto essa preferencia nao esta presente no nascimento, o que sugere fortemente que preferencias por seus proprios grupos resultam de diferentes exposicoes a faces do grupo racial de cada pessoa (Kelly et al., 2005).

Kelly, Quinn, e colaboradores (2007) investigaram a latencia do EOR durante os primeiros meses de vida. Seus resultados nao demonstraram evidencias do efeito do vies da raca em criancas de tres meses. Nesses estudos observou-se que o reconhecimento de faces de sua propria raca, emerge aos seis meses e esta totalmente presente aos nove meses de idade. Seus resultados demonstraram que Efeito da Raca segue alguns passos de desenvolvimento. Primeiramente, a exposicao a faces do mesmo grupo racial da crianca recem nascida induz a uma familiaridade e a preferencias visuais por tais faces. Em um segundo momento, as preferencias pelas faces de seu mesmo grupo racial produzem maior atencao visual para essa face, mesmo quando faces de outros grupos raciais estao presentes no mesmo ambiente (Bar-Hain et al., 2006; Kelly et al., 2005; Kelly, Ge, et al., 2007). Em um terceiro momento, sao desenvolvidas habilidades superiores de reconhecimento para faces do mesmo grupo racial da crianca, e nao para faces de grupos raciais com os quais a crianca nao e deparada com frequencia (Kelly, Quinn, et al., 2007).

Sangrigoli e de Schonen (2004), investigaram as habilidades no reconhecimento facial de criancas caucasianas de tres a cinco anos. Os estimulos eram fotografias de faces de adultos asiaticos e caucasianos. Seus resultados indicaram que criancas caucasianas apresentaram um melhor desempenho com relacao ao reconhecimento de faces caucasianas. Criancas asiaticas foram melhores nas faces asiaticas. A vantagem das faces de "mesma raca" foi estavel para essa faixa de idade, sugerindo que o efeito da outra raca ja esta presente em criancas de tres anos.

Varios estudos apresentam evidencias de que a memoria de reconhecimento facial melhora significativamente com a idade. Feinman e Entwisle (1976), por exemplo, testaram criancas americanas, caucasianas e negras nas series um, dois, tres e seis do ensino fundamental nas suas habilidades em reconhecer fotos de criancas caucasianas e negras. O efeito da raca foi evidente. Constatou-se que criancas caucasianas desempenharam melhor a tarefa de reconhecer faces caucasianas do que negras e as criancas negras foram melhores ao reconhecer faces negras do que caucasianas, em todas as faixas de idade.

Pezdek, Blandon-Gitlin e Moore (2003) demonstraram que a memoria de reconhecimento facial melhora com a idade e que o Efeito da Raca e evidente tanto em criancas como em adulto. Em seu estudo foi comparado o desempenho de 186 criancas, incluindo 62 em jardim de infancia (media de idade 5,63), 62 da terceira serie (media de idade 8,63) e 62 jovens adultos (media de idade 24,61). Metade das criancas eram negras e a outra metade caucasianas residentes na California. O delineamento experimental de Pezdek et al. (2003) teve como objetivo aproximar o maximo da situacao de testemunha ocular, onde a crianca assiste a um crime e depois deve reconhecer o criminoso. Os participantes assistiam a videos onde duas pessoas de racas diferentes (negras e caucasianas) desempenhavam uma tarefa de cozinha e retomavam no dia seguinte para identificar as pessoas. Este procedimento difere dos demais estudos, pois utiliza situacoes mais reais e pessoas desempenhando atividades, e nao apenas o jogo de ver uma fotografia e reconhecer a face dentre outras. O espaco de tempo de um dia para o outro tambem reforca o desempenho no reconhecimento. Seus resultados indicaram que o efeito da raca esta presente em criancas mais novas e o mesmo a partir dos cinco anos de idade. Nao apenas faces da propria raca foram mais frequentemente reconhecidas em todos os niveis de idade, como a dimensao do efeito da raca nao variou com a idade.

Os estudos citados apoiam tanto a Hipotese da Experiencia Diferenciada, quanto a Hipotese da Atitude Social, quando tambem com criancas com maior contato com faces de outras racas, o efeito da raca tende a diminuir (Chiroro & Valentine, 1995; Feinman & Entwisle, 1976). Varios aspectos do processamento facial melhoram com a idade entre 12-14 anos (Bruce et al., 2000; Carey, Diamond, & Woods, 1980; Mondloch, Le Grand, & Maurer, 2002). A existencia precoce do efeito do vies da raca junto com o desenvolvimento prolongado do processamento facial demonstra que o sistema do processamento facial e desenvolvido parcialmente atraves da interacao com o ambiente em que a crianca se encontra.

Sangrigoli e de Shonen (2004) propoem que a plasticidade dos processos cognitivos responsaveis pelo reconhecimento de faces, em especial ao reconhecer faces com caracteristicas raciais diferentes das do proprio sujeito, ainda esta presente ate os nove anos e que os processos de identificacao podem ser profundamente modificados durante a infancia. A idade do inicio do contato com outras racas deve ser um importante fator para determinar as habilidades de reconhecimento facial de outra raca. De acordo com Sangrigoli e de Shonen (2004), a infancia deve ser um periodo de muita sensibilidade, alem do qual, o efeito na experiencia de reconhecimento facial deve ser marcadamente reduzido.

Em sintese, os bebes nascem com algumas caracteristicas que parecem parte de um modulo de reconhecimento de coespecificos que agem como programas abertos para que aprendam sobre faces. Nessa aprendizagem, suas predisposicoes transformam-se pela experiencia e pelas interacoes em seus contextos de desenvolvimento.

Um modelo teorico que da conta dessas transformacoes e pode explicar o efeito de raca no reconhecimento de faces e o de Karmiloff-Smith (1995, 2000). Essa autora argumenta que a mente humana inclui predisposicoes inatamente especificadas de natureza dominio-especificas, que estabelecem limites quanto aos tipos de input a serem processados. Essas predisposicoes atuam na selecao de inputs relevantes pelos bebes humanos. Essas predisposicoes inatas sao epigeneticas a partir dos limites impostos por elas, o desenvolvimento se da por um processo que a autora denomina redescricao representacional. As informacoes inatas e adquiridas sao transformadas de forma iterativa por sua reapresentacao interna em diferentes formatos. Alem disso, as redescricoes representacionais transformam informacao implicita em conhecimento explicito, e observam-se a construcao consciente e exploracao de analogias, experimentos mentais e reais. O processo e ciclico, acontece recorrentemente dentro de microdominios (como o de reconhecimento de faces) ao longo do desenvolvimento, e apresenta-se em fases.

Na primeira fase a aprendizagem e orientada pelos dados e o que e focalizado e, predominantemente, in formacao do ambiente externo. Com isso, sao criadas adjuncoes representacionais. Essas adjuncoes somam-se a representacoes ja estaveis, mas nao as transformam. O produto dessa fase e desempenho bem-sucedido em qualquer microdominio que chegou naquele nivel. E o dominio comportamental. Na segunda fase, intemamente movida, o foco de mudanca e o estado atual das representacoes de conhecimento em um determinado microdominio. Adjuncoes representacionais podem ser transformadas. Finalmente, na terceira fase, chega-se a um equilibrio entre controle interno e externo, com a integracao das representacoes ja construidas e as novas informacoes recebidas. Adjuncoes diversas e representacoes podem interagir, e, transformadas, levam a novas representacoes de maior grau de complexidade e estabilidade. A transformacao do implicito em explicito envolve para Karmiloff-Smith (1995) a "apropriacao de estados estaveis". A informacao que esses estados contem e extraida e pode entao ser usada de forma mais flexivel para outras finalidades.

Consideracoes Finais

Com objetivo de apresentar uma revisao teorica a respeito do desenvolvimento do EOR, recorremos a premissa da PE, propondo que nossas preferencias por configuracoes faciais fazem parte de um mecanismo adaptado para reconhecer coespecificos. Tal mecanismo incluiu preferencia por configuracoes de faces, o que resulta em uma habilidade especifica para usar pistas relevantes para estabelecer categorizacoes. Esse processo e constituido de mecanismos cognitivos especificos e tem na teoria do Prototipo sua grande base.

O reconhecimento de uma face ocorre em funcao da comparacao da face vista e um prototipo de faces existente na memoria de longo prazo. Essa comparacao ocorre em um Espaco Multidimensional atraves de multiplos vetores, que determinam as caracteristicas de cada face. O prototipo comeca a se formar desde o nascimento e o sistema de processamento de faces toma-se gradativamente "sintonizado" para processar a categoria de faces mais prevalentes no ambiente visual do bebe, gerando o Efeito da Raca, ou melhor precisao ao reconhecer faces da propria Raca.

De fato, o Efeito da Raca esta presente desde muito cedo na primeira infancia. A magnitude do efeito da raca tende a ser proporcional ao contato que a crianca, e posteriormente o adulto tem com faces de outra raca, expandindo o prototipo ou a quantidade de exemplares com caracteristicas faciais de diferentes racas (Meissner & Brigham, 2001). Os Modelos de codificacao baseados na Norma e em Exemplares sao eficientes explicacoes para as diferencas no momento da codificacao de faces da mesma raca e faces de outra raca.

Experiencias com diferentes grupos raciais sintonizam o Espaco Multidimensional de codificacao de faces em funcao das faces destes grupos. Entretanto, pesquisas futuras devem ser propostas no sentido de delinear melhor as diferencas entre criancas e adultos na codificacao de faces dentro do Espaco Muldimensional. Precisamos investigar como a plasticidade do prototipo na infancia interfere na densidade de exemplares e na distancia vetorial entre a face e Norma e ainda compreender como o prototipo se expande para inserir as faces de outra raca, durante a experiencia com essas faces na infancia.

Outro ponto fundamental para futuras investigacoes e a questao da universalizacao do Efeito da Raca. Sabemos que ele surge no inicio do desenvolvimento, mas nao existem dados disponiveis para nos informar as diferencas do desenvolvimento do efeito em diferentes grupos raciais. Uma literatura recente, e ainda em expansao, comeca a desafiar a universalidade dos aspectos mais fundamentais da percepcao humana. Tem sido demonstrado que diferencas culturais de percepcao tambem existem dentro do dominio de processamento de faces (Blais, Jack, Scheepers, Fiset, & Caldara, 2008), caracterizando modos profundamente divergentes para extrair e processar a informacao visual. Pesquisas futuras devem estender os achados para outras amostras raciais antes de considerar qualquer nocao de universalidade do desenvolvimento.

E possivel que as criancas criadas em ambientes especificos (por exemplo, birraciais) desenvolvam habilidades diferenciadas no processo de reconhecimento de faces (Bar-Hain et al, 2006; Sugita, 2008). Um desafio para o futuro seria investigar que aspectos do processamento de faces em criancas estao sujeitos as influencias culturais e o quao determinantes sao essas influencias na ontogenese do Efeito da Raca.

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Ana Carolina Monnerat Fioravanti-Bastos (a), Maria Lucia Seidl-de-Moura (a) & J. Landeira-Fernandez *, (b), (c)

(a) Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, (b) Pontificia Universidade Catolica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil & (c) Universidade Estacio de Sa, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

* Endereco para correspondencia: Nucleo de Neuropsicologia Clinica e Experimental, Laboratorio de Analise de Dados, Departamento de Psicologia, Pontificia Universidade Catolica do Rio de Janeiro, Rua Marques de Sao Vicente, 225, Rio de Janeiro, RJ, Brasil 22453-900.

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Author:Monnerat Fioravanti-Bastos, Ana Carolina; Seidl-de-Moura, Maria Lucia; Landeira-Fernandez, J.
Publication:Psicologia: Reflexao & Critica
Date:Jan 1, 2014
Words:9747
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