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O BRASIL DIMENSIONADO PELO FUTEBOL.

The designed by Brazil football

Futebol: do solo britanico aos campos brasileiros

Foi no seculo XVIII, com a consolidacao do parlamentarismo e a Revolucao Industrial, representando a vitoria do capitalismo na sociedade inglesa, que comecaram a ocorrer mudancas no jogo da bola. Aos dirigentes da aristocracia interessava reformular a educacao entao dominante no pais. O futebol, esporte que vinculava disciplina e solidariedade, serviria ao proposito. Para tanto, regras fixas foram criadas.

O processo de urbanizacao vivido na segunda metade do seculo XIX na Inglaterra relaciona-se com o processo de proletarizacao do futebol. Giulianotti (2002, p. 20) aponta que, entre 1820 e 1860, abriu-se um vazio no lazer

popular ingles a partir do abandono de antigos esportes praticados nas aldeias (entre eles, o adestramento de caes e a briga de galos) pela populacao que seguia em massa rumo as cidades em busca de emprego nas industrias emergentes. O futebol serviria ao proposito de preencher os poucos momentos de distracao.

Em 1863, surgiu o chamado futebol moderno, quando representantes de onze clubes e escolas reuniram-se e fundaram a Football Association, em Londres (dai onze jogadores em cada time). Neste mesmo ano, o futebol foi codificado em apenas quatorze regras (atualmente, sao dezessete), tornadas publicas em livros e cartilhas distribuidas pelo pais, como uma forma de controle sobre as emocoes. Ao que consta, as regras do futebol vinculam-se ao parlamentarismo, onde o poder nao esta concentrado apenas em um individuo, mas e dividido entre setores sociais rivais, o que exige negociacao e revezamento dos grupos atraves de leis, porem com regras de conduta e participacao.

Em 1885, quando foi instituida a profissionalizacao no pais, ja estavam estruturados pelo menos mil clubes em solo ingles, com agremiacoes articuladas a partir da associacao com o processo industrial: empresas siderurgicas (caso do West Ham), ferroviarias (Manchester United) e armamentistas (caso do Arsenal). A partir dos britanicos, a febre futebolistica espalhou-se pelos mais diversos cantos do planeta. Nao e a toa que varios clubes tenham adotado nomes ingleses, caso do Banfield, Newell's Old Boys e River Plate (Argentina), Sport Club Corinthians, River e Tranways (Brasil), Everton e Green Cross (Chile) e The Strongest (Bolivia). Isto para ficarmos na America do Sul.

Berco da producao industrial, o futebol significa trabalho em equipe, diferenciando a fabrica moderna da producao familiar artesanal. Pelo menos nas primeiras fases revolucionarias industriais, um jogador de futebol, assim como um trabalhador, possuia funcoes especificas relacionadas ao time em que atuava devendo, assim, especializar-se em uma posicao (linha de montagem) (1).

Joao Boaventura (s/d, p.9) aponta quatro elementos do taylorismo presentes no futebol: velocidade, especializacao de habilidades, cronometragem e trabalho em equipe. Os gols seriam os produtos e os espectadores os consumidores.

Tal qual uma fabrica que exige disciplina do trabalhador, do jogador de futebol tambem se espera que siga as instrucoes de um treinador se nao quiser perder seu posto de trabalho. O respeito a hierarquia do clube tambem deve ser levado em consideracao, caso o jogador, como o trabalhador, nao queira perder sua vaga, sempre disputada, sempre provisoria.

A duracao de uma partida de futebol nao depende de uma contagem de pontos (caso do volei e do tenis), mas do cronometro, caso da fabrica.

As ultimas decadas do seculo XIX tiveram como uma de suas caracteristicas o crescente fortalecimento das paixoes nacionalistas, sobretudo nas sociedades capitalistas centrais, empreendedoras de vigorosa expansao imperialista (2).

Paralelamente, surgiram resistencias a adocao do futebol enquanto pratica esportiva. Mas por pouco tempo. O esporte proliferou, chegando a Franca em 1872, a Suica em 1879, a Belgica em 1880, a Holanda, Dinamarca e Alemanha em 1889, a Italia em 1893, ao Brasil em 1895 (de forma oficial). Na America Latina, a rapida propagacao da modalidade foi facilitada pelo fato de existirem na regiao comunidades inglesas ligadas a empresas e empreendimentos do capitalismo ingles (Aquino, 2002).

Em poucos territorios houve resistencia a penetracao do jogo da bola, caso da Africa do Sul, Australia, Estados Unidos da America, Canada e Nova Zelandia (da mesma forma no mundo islamico, onde o futebol passou a ser apreciado e a desenvolver-se apenas a partir da decada de 1970, depois que o simbolo do imperialismo deixou de ser o ingles para ser o norte-americano, este ate entao sem grande tradicao na pratica).

No contexto da America do Sul, onde o futebol uma receptividade espantosa, a pratica teria sido introduzida na Argentina atraves de Buenos Aires. No Uruguai, por Montevideu. No Chile, por Valparaiso (Guttmann, 1996).

No Brasil, a existencia de numerosos portos aliada ao grande territorio do pais torna dificil precisar um local correto da introducao do futebol. No entanto, Sao Paulo, ate pelos investimentos ingleses, teria sido a primeira cidade brasileira a assistir pelejas disseminadas pelas suas vias, porem acompanhada bem de perto pelo Rio de Janeiro.

O futebol association foi trazido para o Brasil (especificamente, Sao Paulo) por Charles Miller (1874-1953), embora pairem duvidas a respeito (os gauchos, por exemplo, afirmam que o futebol teria sido introduzido no pais por Sir Artur Lawson (Cunha, 1194, p.1); de qualquer forma, o fato do Sport Club Rio Grande do Sul, fundado em 1900, ser o mais antigo clube brasileiro em atividade, nao coloca o Estado como precursor da pratica no Brasil, como se afirma na literatura esportiva gaucha).

A historiografia assinala a data de 14 de Abril de 1895 para a realizacao do primeiro confronto oficial de futebol no pais. Ja o ano de 1898 assistiu a criacao do primeiro clube destinado a pratica em solo brasileiro: a Associacao Atletica Mackenzie College (Sao Paulo-SP). Ha referencias, no entanto, de que ao final do seculo XIX colegios jesuitas do Rio Grande do Sul e maristas do Rio de Janeiro praticavam futebol como parte integrante dos exercicios fisicos e que instituicoes de ensino adotavam a pratica futebolistica como atividade curricular (Colegio Pedro II, Delamare, Paula Freitas, Anglo-Brasileiro e Arquidiocesano). Algumas citacoes apontam que clerigos catolicos viam no futebol uma forma de solucionar problemas disciplinares entre os discentes.

Para Hilario Franco Junior (3) (2007), atribuir a introducao do futebol no Brasil a Charles Miller e querer privilegiar as elites como protagonistas da historia brasileira.

O processo de introducao e proliferacao espacial do futebol no Brasil acompanhou a heterogeneidade territorial do pais, ou seja, a distribuicao e a estrutura do sistema urbano, as conexoes com o exterior, o dinamismo de cada cidade e particularmente a geografia do Imperialismo Britanico, que em determinado periodo imprimiu-se de forma destacada na composicao tecnica do territorio brasileiro. Somente num segundo momento e que as metropoles nacionais nascentes passaram a atuar como difusoras do futebol (4), caso de Sao Paulo.

Mario Filho (1994) periodiza o futebol brasileiro: da introducao da pratica no pais, ate 1910, um jogo de elite; de 1911 a 1930, a aproximacao de outras camadas sociais ao esporte, excetuando-se a participacao de negros e pobres que procuravam se envolver com as pelejas; a partir dos primeiros anos da decada de 1930, a efetivacao dos negros nos campos da pratica futebolistica (no que intitulou de "ascensao social do negro"). Uma observacao, no entanto, a periodizacao de Mario Filho: na cidade de Sao Paulo os operarios deveriam ter sido observados com mais atencao.

Joel Rufino, ao contextualizar a popularizacao do futebol, afirma que tanto em Sao Paulo quanto no Rio de Janeiro, a ambicao pela pratica teria sido resultado direto da intervencao dos patroes e do poder publico uma vez que a emergencia das greves operarias de 1917 teria feito "ver as autoridades industriais que a cidade precisava de um esporte de massas, como uma crianca que se manda brincar para queimar energias" (Santos, 1981, p.22). Por esta visao, os operarios teriam sido incentivados a "jogar bola" para induzir a disciplina a producao e controlar as populacoes urbanas.

Na mesma linha de raciocinio, Herschmann e Lerner (1993, p.35-60) elaboraram contexto que nos permite compreender que o esforco para recuperar o controle e harmonizar a producao apos as greves articuladas a partir de 1917.

Nos primeiros anos do seculo XX, o carater da pratica era elitista, com agremiacoes fechadas, preenchendo o tempo livre dos filhos das familias mais abastadas (Sevcenko, 1992). Tal elitismo pode ser demonstrado nos precos cobrados aos que desejassem se associar aos clubes familiares que foram sendo formados: altissimos, para a epoca. Ao serem anunciados para uma partida (escalacao), os jogadores tinham os nomes antecedidos por "senhor" (Mazzoni, 1950, p.31).

A elitizacao do futebol no Brasil teria um tempero racial, uma vez que a escravidao havia sido abolida ha pouco anos, especificamente 1888, e o trabalho estava associado ao esforco, portanto, ligado a negros e pobres. As elites, a associacao de atividades fisicas como forma de fortalecimento da relacao corpo e mente (5). Em unidades como Rio de Janeiro e Sao Paulo, o futebol, paulatinamente, foi construindo a "marca do jogo da higiene e da saude" (Pereira, 2000, p.52).

Futebol e imaginario

Na atualidade, quando vemos noticiadas brigas entre torcedores de clubes de futebol rivais, ou que fanaticos procuram agredir atletas que nao correspondem as expectativas nos times que defendem, ou que trens foram destruidos apos uma partida de bola por torcedores derrotados, chego a questionar: "por que o povo brasileiro parece ter sido educado para achar que seus problemas resumem-se ao futebol?". Talvez a pergunta deva ser colocada de forma diferente: "por que o futebol traz revolta e o desemprego e a violencia, a triste condicao da educacao ou da previdencia, a fome e a opressao, nem tanto?". Dificil responder sem que haja um aprofundamento na questao. O fato e que (no Brasil em especial) uma derrota do time pelo qual se torce, abala tanto ou mais do que a noticia de um ataque terrorista em Paris, Madri, Nova Iorque, Londres ou Moscou. Sofre-se mais com um reves do time do coracao do que com os milhoes de habitantes que chafurdam na miseria ou ignorancia. No Brasil, um esporte tao apaixonante que ate em um funeral a bandeira do clube do coracao do falecido aparece como decoracao, ornamento e acompanhamento.

Talvez Wisnik (2008, p.11) tenha razao ao afirmar que "viver o futebol dispensa pensa-lo, e, em grande parte, e essa dispensa que se procura nele".

Para aqueles que consideram o assunto futebol algo menor, acreditando existirem temas mais importantes, mais relevantes, mais salientes, uma boa desculpa para o distanciamento e soberba. Porem, acredito que o futebol (por ser um daqueles seduzidos pela pratica) representa a vida: real, dramatica, misteriosa e, por vezes, interessantemente alienante.

Futebol se vive, se consome e se pratica. E se sonha. Afinal, qual amante do jogo da bola nunca viveu, reviveu e imaginou jogadas pessoais espetaculares? Talvez por isso, no mundo contemporaneo, um espectador veja, reveja e veja de novo uma mesma jogada de efeito, um mesmo gol, um lance interessante ou bizarro (no sentido de esquisitice). Algo incompreensivel para os distantes das pelejas. Um chapeu, um drible, uma ginga, podem valer mais que um gol, ja que para o futebol nao basta a meta, mas os fatos e os meios.

Boa parte do poder de seducao de um clube ou agremiacao de futebol provem da representacao que o mesmo faz do local. Seja um time de varzea, seja um Barcelona.

Fala-se, no Brasil, o "futeboles". Para uma conversa informal, "bate-bola"; para esquecer os problemas, "bola pra frente"; para arriscar um palpite, "um chute"; para deixar algo de lado, "chutar para o alto" ou "botar para escanteio"; para se insinuar, "dar bola"; para livrar-se, "dar um cartao velho"; para mandar para longe ,"dar um bico", entre outros tantos exemplos que poderiam ser aqui citados.

Na falta de algum assunto, o futebol pode preencher vazios, nao trazendo, obrigatoriamente, conclusoes. Tal qual uma mesa-redonda de televisao ou radio. Bem fez Hobsbawn ao afirmar que o futebol tornou-se a conversa social do bar, uma "lingua franca" principalmente para os trabalhadores, aproveitando-se do vacuo deixado pelas esferas comunitarias em desagregacao na cidade moderna (Hobsbawn, 1991, p.170).

Na condicao de elemento central da cultura brasileira, o futebol marca a paisagem urbana, seja de uma grande ou de uma pequena cidade. Tal qual uma igreja, um estadio--acanhado ou monumental--tem marcante centralidade funcional e simbolica.

E por que a bola atrai tanto e a tantos? Talvez por ser perfeita em todos os lados, por nao possuir rosto, por poder rolar infinitamente pelo mundo, nao observando fronteiras. Esta mesma bola--elemento de desejo do praticante de futebol--que seguiu os caminhos evolutivos capitalistas, midiaticos e evolutivos, combinando a historia social e economica da pratica futebolistica: saiu-se de uma condicao agraria para uma condicao industrial, atestando a evolucao contemporanea. Bola: simbolo do poder e o meio unico de se chegar ao fim, usada pela publicidade como objeto do inconsciente humano, fisgando o desejo dos individuos para a felicidade de quem dela se apodera como meio publicitario (vide cervejarias da vida).

O Brasil digeriu o "foot-ball", roubandoo dos ingleses. E foi gracas a ele que, de reconhecido sentimento de inferioridade, ganhamos certa autoestima. Ate mesmo negros e mesticos passaram a ser (mesmo que nao completamente) aceitos e reconhecidos atraves do "jogo da bola".

Ninguem acompanha futebol apenas para ver seu time triunfar. O fazemos para aprender a viver melhor, para compartilhar coisas boas e ruins, em um exercicio que nos faz entender que nao podemos controlar tudo que ocorre em nossa vida. Ao vermos nosso time derrotado, aprendemos a aceitar nossos fracassos pessoais, o que certamente nos fara lidar melhor com a vitoria, entendendo que ela pode nos ser passageira. Vivemos sem termos bem a certeza da razao. De forma bem similar, torcemos para uma agremiacao sem exigirmos nada em troca.

Futebol e um rito, inclusive religioso. Qual goleiro nao faz suas preces? Qual jogador nao possui suas manias e supersticoes?

Arrisco afirmar que a vida humana ocidental, principalmente a partir do seculo XVIII, passou a aparentar partidas de futebol: embates, tempo medido, lutas pela "titularidade" e aceitacao, torcidas agindo como partidos politicos, advertencias, disputas, discussoes de teses, improvisos, regras e transgressoes, praticas de alienacao, simbologias da socializacao, teatralizacao da vida social, encenacoes abstratas de guerra, entre outros. O campo e o espaco da guerra e a bola a presa desejada pelos grupos oponentes, como numa caca esportiva, onde cada bando "tenta impedir a morte simbolica de sua presa e matar a presa do outro bando" (Franco Jr., 2007b, p. 195).

O futebol moderno separou o jogo do rito que marcava uma disputa entre precolombianos e aborigenes. E deve ter sido visto por operarios como a possibilidade de reparacao das desigualdades, uma vez que no campo economico isto parece impossivel. Como uma compensacao de injusticas e simbologia da aceitacao: negros, brancos, franzinos, baixinhos, altos, pesados: tudo vale na composicao do time. O proprio fato de se jogar com os pes (excecao ao goleiro) pode simbolizar a dificuldade do controle. O proprio fato de se introduzir uma arbitragem (1881) e um apito (1888), representou uma forma de regulamentar as acoes e o tempo, atuacao proxima do Estado, que frustra a realidade como que contendo o lucro a todo custo e renovando o jogo ao atuar no sentido de revitalizar a producao e limitar a imediatez do prazer. O arbitro deve atuar em prol da producao: cera, desperdicio e poupanca sao acoes proprias do homem no processo produtivo, o que e refletido no futebol, diferentemente de esportes com o volei e o basquete, onde o tempo e as acoes sao medidas rigorosamente, proprio de uma vida essencialmente urbana.

O futebol as assemelha as guerras ritualisticas de povos tradicionais. Sao disputas agonisticas, em que o importante e sobrepujar o adversario sem causar mortes. Os cantos, as bandeiras e a percussao da torcida fazem parte do ritual do jogo. Expressoes utilizadas no meio deste esporte tais como "tiro-de-meta", "canhao", " bomba", "ataque", "defesa", "artilheiro", entre outros, sao comuns e fazem parte de seu vocabulario (nao espanta as taticas do jogo evoluirem de acordo com as disposicoes de tropas no terreno em que elas devem combater, o que pode ser observado em lutas pela descolonizacao da Argelia e Congo na segunda metade do seculo XX). Uma visao nacionalista, em que se ataca o inimigo querendo ve-lo em seu campo ou mesmo a conquista do campo adversario, como em uma guerra.

Futebol se joga como se guerreia: com as armas que se possui, com os espacos geograficos, politicos e sociais que se tem. O futebol esta vinculado ao poder e a tentativa de vencer bloqueios a base da forca e da estrategia. Um bom exemplo nos veio da selecao holandesa de futebol na Copa do Mundo de 1974, realizada na Alemanha: um time articulado para nao guardar posicao e preencher os espacos do campo do jogo, esquema que pode ter sido montado a partir das caracteristicas naturais do pais, com um territorio pequeno e constituido de regioes planas e forte presenca do mar, densamente povoado. Ou seja, vira-se como pode.

Uma Copa do Mundo seria o encontro dessas armas. O Brasil, marcado pela necessidade de improvisacoes para a sobrevivencia do individuo, ficou famoso por criar formas para burlar espacos e inferioridades.

Michel Houellebecq afirma que o futebol seria a saida "para as frustracoes ligadas ao desaparecimento das guerras e arte para as frustracoes ligadas ao surgimento da democracia" (Houellebeck, 2008, p.10). No ultimo caso, Houellwbecq refere-se a Tocqueville, que identificou ser a democracia um regime em que e possivel transformar uma sociedade em um rebanho obediente e uniforme entre si e com apenas duas preocupacoes: prazer e saude.

O futebol e um esporte de facil assimilacao e improviso. Diria anarquico. Caso sejam dispensadas as regras oficiais, joga-se como quiser. O campo de jogo pode ser adaptado, assim como as metas (gols). Dois pares de chinelas podem ser o bastante para delimitar o objetivo. O campo pode ser um pedaco de calcada ou de rua. O piso pouco importa: regular, esburacado, ingreme. O tempo e livre; pode ate ser por numero de tentos marcados, tal qual "vira a seis, termina a doze". Oficialmente, onze jogadores de cada lado, mas podem ser unidos quantos jogadores se desejar ou se tiver a disposicao. Com goleiro, sem goleiro, com goleiro-linha. Ate a bola pode ser adaptada. Pode-se apitar por consenso. A tatica pode existir, ser traida e subtraida quando o futebol e praticado por diversao, no que Arlei Damo (Damo, 2005, p.35) intitulou pratica da "bricolagem", por nao reproduzir a divisao social do trabalho atraves das especializacoes das funcoes em campo ou fora dele nem buscar o rigor disciplinar, do tempo e das regras. Mesmos embates entre casados e solteiros podem fazer alusao ao status: os que podem e os que nao podem procriar, os providos e os desprovidos de liberdade. Para Chico Buarque, no futebol os mais ricos sao os donos do campo e os pobres os donos da bola; uns sao equilibrados, outros equilibristas (Buarque, 2006, p.54).

Num mundo de poucas escolhas possiveis, fato e que podemos escolher um time de futebol para torcer. Nao podemos, no entanto, escolher qual classe social vivenciar.

Ao contrario do basquete, do volei, do futebol de salao e de tantas outras modalidades, o futebol de campo e praticado ao ar livre, ao natural (embora atualmente existem arenas climatizadas e protegidas das imprevisoes da natureza, caso do Atletico Paranaense), exposto a natureza, mantendo sua origem rural. Certamente porque a Revolucao Industrial Inglesa baseou-se em um capitalismo agrario, em uma transicao rapida, mas que nao quis perder seu limiar. Para Verdu (1980, p.120), o volei, o handbol e o futsal sao esportes transportados da intemperie para a protecao do ginasio, como uma replica da producao industrial que cobre o mundo agropecuario (viveiros, estabulos, granjas).

Jose Sebreli, ao criticar a pratica, afirma que "o futebol e a unica coisa que da sentido as vidas vazias" (Sebreli, 1998, p.307), apontando que o esporte serviria ao totalitarismo do poder economico ao promover a aceitacao, o trabalho alienado, a agressao, o bairrismo e o desprezo da inteligencia humana. Ou seja, uma atividade superflua que ilude e manipula.

Talvez o grande atrativo para os admiradores do esporte seja o fato de que o pequeno pode vencer, diferentemente de outros esportes coletivos. Paises como o Brasil o incorporaram rapidamente, talvez como uma das unicas formas de se sentir grande, talvez porque a pratica nao da o direito do vencedor de portar-se com extrema arrogancia, nem ao derrotado sentir-se menor. Ate porque o futebol e ciclico: uma derrota hoje pode ser rapidamente absorvida pela vitoria na peleja seguinte.

Fato que so mesmo o futebol e capaz de unir pobres e ricos, capitalistas e comunistas, muculmanos e judeus, alem de inverter a ordem de importancia do mundo (num encontro futebolistico, uma potencia belica e economica pode se sentir inferior que um pais sul-americano ou africano, afinal o arsenal e o mesmo para os dois, excluindo-se ai a participacao da torcida, normalmente um fator de peso no desenvolvimento de um embate). Da mesma forma que une, o futebol pode proporcionar a cristalizacao de rivalidades (Kfoer, 2005) protestantes e catolicos na Escocia (vide Rangers x Celtic), resistencia catala na Espanha (Barcelona x Real Madrid), maragatos e federalistas no Rio Grande do Sul (Internacional x Gremio).

Num mundo globalizado como o atual, so mesmo o futebol pode identificar estilos regionais: o brasileiro, o alemao, o argentino, o holandes, o marfinense. Paolo Pasolini apontou-nos que "na Europa se joga em prosa; ja o futebol sul-americano, e em particular, o brasileiro, se joga como poesia" (Pasolini, 1971).

Em paises apaixonados pelo futebol, escolher um time para torcer e uma tarefa das mais dificeis, ate porque a decisao sera para toda a vida. Afinal, pode-se trocar de familia, de profissao, de uma visao de vida, porem a escolha para um time do coracao e para a vida toda.

Walter Benjamin (Benjamin, 2004) sugere que o futebol seja um jogo constituido de uma porcao masculina e outra feminina. O ataque seria representado pelo cacador (centroavante); a defesa, pelo goleiro, responsavel pela protecao ao espaco que nao pode ser penetrado, violado. Seguindo seu raciocinio, um goleiro que coloque uma partida a perder--tal qual uma virgem deflorada em uma sociedade mais conservadora--pode ser execrado, tal como aconteceu com o goleiro Barbosa na Copa de 1950, quando o Brasil perdeu a final em uma Maracana abarrotado a partir de uma suposta indefinicao sua.

Caso desejemos aprofundar ainda mais a tese de Benjamin, ate a decada de 1970 o goleiro atuava basicamente como um guardiao da meta; com o avanco social do feminino--em especial a partir dos anos 80 do seculo passado--o guarda-metas passou a sair jogando, a participar plenamente do jogo, como libero e ate mesmo batendo faltas ou penalidades maximas. Ate sua vestimenta abandonou o cinza ou o preto e coloriu-se, indo do rosa ao amarelo "marca-texto" (6).

Tal qual uma relacao sexual, quando se envolve, se excita, se goza. Um gol!

Talvez como a musica e a danca, o futebol seja a procura pelo sentido da vida. Neste contexto, mesmo que para muitos seja uma estupidez, o jogo da bola pode ser um objeto de paixao e desafio intelectual.

"Porco", "favelado", "burgues". Traduzindo: Sociedade Esportiva Palmeiras, Sport Club Corinthians Paulista, Sao Paulo Futebol Clube. O futebol se remete ao espectro social, as origens dos clubes. A luta, o estigma, a boa vida, sao registrados sem grandes valores praticos, como uma ofensa as origens, mas que se resolve no jogo, na guerra, em que cada grupo procura se afirmar e reafirmar sobre o outro atraves da vitoria. Se assim, a condicao nos remete ao imaginario ao procurar superar diferencas sociais e reafirmar visoes de mundo.

Futebol: controle e ideologia

O crescimento populacional dos principais centros urbanos do Brasil, caso de Sao Paulo e Rio de Janeiro, seguido de mobilizacoes reivindicatorias de novos componentes sociais como os operarios, teria exigido a popularizacao de um 'esporte de massas'. Perante a nova demanda, praticas corporais teriam sido estimuladas--caso do futebol, que ganhava admiradores no pais fazendo com que autoridades governamentais e dirigentes industriais convencem-se de que a pratica serviria ao proposito. Desta forma, municipios passaram a isentar de taxas os campos de futebol, patroes passaram a financiar pelejas entre seus trabalhadores e as forcas policiais deixaram de reprimir rachas em terrenos vazios.

Hilario Franco Junior (2007, p.25) ao fazer seus estudos sobre sociedade e projecao futebolistica, aponta para a existencia de instituicoes formais criadas por meio do Estado (constituicao, leis, decretos e codigos) e instituicoes informais, criadas por determinados segmentos sociais para reger a atuacao especifica do individuo (regras, convencoes, normas e costumes).

Nao se deve estranhar, portanto, a multiplicacao de regras esportivas a partir do seculo XVIII, em plena fase da explosao revolucionaria produtiva industrial: corridas de cavalo, 1750; golfe, 1751; criquete, 1788; rugbi, 1846; ciclismo, 1868; futebol, 1863. Isto porque Revolucao Industrial e futebol (entre outros esportes) baseiam-se na competicao, na produtividade, especializacao de funcoes e quantificacao de resultados. Ou seja, no jogo social, restricoes de comportamento possibilitam o controle dos interesses individuais em nome do que passa a ser intitulado "bem comum".

O futebol transformou-se em esporte em busca de rendimento quantitativo. Assim como a producao industrial, corpo e alma devem estar voltados para que se atinja o objetivo: produzir e defender o produzido de qualquer reves, segundo uma tecnica de regulacao e calculo das acoes.

Assim como no sistema produtivo, no futebol alguns realizam, outros pensam e dirigem, outros colhem os resultados. A pratica do esporte em uma fabrica passa a criar o sentimento de grupo, em que pese a existencia de uma hierarquia existente dentro de seu corpo. Desta forma, as tensoes internas tendem a diminuir, encobrindo as contradicoes, gerando o que no futebol moderno intitulamos "fair play".

Para Gerhard Vinnai (1970, p.11-23) os eventos de massa como o futebol direcionam os individuos para determinadas formas de conduta solidaria. Enquanto fenomeno social, a pratica deste esporte expressa a visao de tempo livre no desenvolvimento das forcas produtivas, refletindo sobre o exercicio da realidade ao manter unidos os trabalhadores dentro do aparato industrial alienado, reproduzindo o mundo do trabalho laboral, alem de organizar e controlar os homens e o mundo relacionado ao mundo do trabalho, inclusive durante o tempo em que os mesmos nao estao trabalhando diretamente.

Os reticentes em relacao ao futebol denunciam sua futilidade por anestesiar o espirito critico, afastando a reflexao e a contestacao, o que dificultaria as transformacoes sociais e politicas.

O futebol e sua proliferacao fariam parte de uma estrategia dos empregadores e patroes em geral para recuperar o controle e harmonizar a producao. A atividade seria uma poderosa aliada da disciplina operaria. Mesmo as atividades sexuais passam a ser regulamentadas para que nao se prejudique a producao compartilhada.

Segundo Wahl (1985, p.7-30), na Franca houve interesse de empresarios em promover a pratica do futebol atraves da identificacao entre clubes e empresas, procurando passar a imagem de "empresafamilia". Isto significaria que nao apenas no Brasil procurou-se difundir a visao de integracao e de ausencia de conflitos.

A profissionalizacao do futebol trouxe empresas (clubes) que passaram a vender seus servicos (exibicoes), transformando o esporte em mercadoria a ser consumida. Uma vida irreal que se vende e se consome.

As proprias torcidas profissionais contemporaneas sao reflexos da evolucao do sistema capitalista, funcionando como um orgao do clube-empresa ao atuar como escudo protetor da mesma (consumidores fieis que, por sua vez, atraem mais consumidores, em fidelizacao consumidora). A imprensa, cabe destacar os produtos, atuando com o proposito de midia e, claro, se beneficiando dela.

Pierre Bourdieu entende o esporte moderno como um fenomeno em que se atribui posicoes relacionadas ao capital social, economico e cultural de cada agente. A busca da hegemonia de determinadas praticas seria o acumulo de uma distincao social de acordo com o seu potencial de poder simbolico. Ou seja, para se compreender o esporte, seria necessario conhecer e reconhecer a posicao que determinada pratica ocupa por meio da distribuicao dos praticantes segundo a posicao do mesmo no espaco social, apontando a necessidade de se perceber o tratamento do esporte na condicao de fenomeno inscrito em um sistema mercadologico.

O futebol institui fundamentos ocultos de dominacao ao localizar a dominacao masculina na legitimacao dos corpos. Na verdade, uma dominacao pouco evidente, o que caracterizaria uma violencia simbolica. Nele, as diferencas biologicas mobilizam-se para fundamentar as diferencas entre os individuos de uma estrutura social. A dominacao masculina no futebol (e no universo esportivo de contato fisico) mostra-se atraves de elementos que indicam forca e virilidade. Ao feminino estariam destinadas praticas esportivas reforcadoras de caracteristicas esteticas, ou seja, legitimadoras da feminilidade.

CONCLUSAO

Talvez Garrincha tenha sido a sintese do brasileiro: uma mistura de Saci, Curupira e Macunaima. Um ser que encontrou no futebol uma forma de se expressar, assim como o brasileiro comum: nao basta ganhar ou perder, tem que se divertir.

Um pais de patrias instituidas como refugio. O proprio clube pelo qual se torce seria uma patria em que o brasileiro procura abrigo, apreco e justificativas para continuar.

Mesmo a busca de patrocinadores para a pratica do futebol--caso dos primeiros clubes operarios que buscaram no patrao subsidios--aponta para uma tendencia do brasileiro: se sentir protegido ao depender de quem considera superior.

O 'homem cordial' brasileiro busca a familiaridade ate nos apelidos dirigidos aos jogadores de futebol (ao menos ate os anos do seculo XX, quando proliferam nomes compostos, talvez como forma de diferenciar e atrair investidores, proprio da mundializacao capitalista): Dada, Dede, Didi, Dodo, Dudu, Bobo, Kaka, Nene, Pepe, Pele, Vava, Zico, Pele e tantos outros, substituindo a reverencia pela proximidade. Os diminutivos--explicaria Sergio Buarque de Holanda--tambem seriam uma explicacao da cordialidade brasileira, com forte apego a impessoalidade: Juninhos, Joaozinhos, Zinhos, Ronaldinhos, Robinho, Cicinho etc.

Ao enxergar na heranca negra uma grande vantagem, Gilberto Freyre teria dado o pontape inicial para a construcao de um novo modelo ao futebol, com a ginga e a malandragem associando-se a disciplina europeia, propiciando ao futebol brasileiro ganhar contornos unicos no planeta.

O homem cordial de Sergio Buarque, a civilizacao mestica de Freyre e a explicacao periferica de Caio Prado Junior, conjugam-se no futebol, onde o ludico procura disfarcar a miseria e o descaso. Vale lembrar que, elitizado a principio, o futebol irradiou-se de forma assustadora pelas varzeas e pequenos clubes, incorporando negros e mulatos de forma clandestina.

Talvez melhor do que se afirmar que o Brasil e reconhecido internacionalmente pelo seu poderio futebolistico, seja reconhecer a importancia do futebol para que identifiquemos o que e relevante para o pais. Quem sabe o futebol seja uma reinvencao da escravidao que assolou nossa historia por seculos. A incorporacao paulatina do negro na sociedade brasileira talvez seja fruto da aceitacao do outro como necessario.

A admissao da malandragem como forma de sobrevivencia e o uso da ginga como forma de desvencilhar-se das injusticas e desigualdades prevaleceram e prevalecem. Formas de subsistencia. Suporte de vida.

No futebol, ordem e desordem se congratulam e se resolvem, diferentemente do que se espera de uma sociedade que pretenda equilibrio.

A edificacao do futebol como surto entre os brasileiros durante as duas primeiras decadas do seculo XX, trouxe, na decada seguinte, a absorcao da pratica como um dos itens que poderiam constituir no pais seu nacionalismo. E provavel que o futebol tenha se arraigado na cultura brasileira por usar os pes, assim como rituais indigenas, como o samba e a capoeira. Talvez, tambem, por representar setores sociais menos favorecidos da sociedade brasileira, elevando-se como possibilidade de ascensao social, sucesso e reconhecimento.

Na condicao de elemento central na cultura brasileira, o futebol tem sido capaz de gerar objetos marcantes na paisagem urbana. Tambem se especializa na proliferacao de campos de futebol e na intensa apropriacao de espacos publicos (ruas, pracas, parques, praias) para a pratica informal deste esporte. Nas grandes cidades brasileiras, o calendario futebolistico contribui na demarcacao dos tempos e dos horizontes da vida cotidiana.

Fato e que o futebol desenhou e desenha o Brasil, quando vitorias e derrotas passaram (especialmente a partir da Copa de 1938, realizada na Franca) a ditar rumos e revisoes de caminhos do pais. Seja no imaginario de um povo, seja no esvaziamento da luta sindical do primeiro quartel do seculo anterior, seja desenhando planos diretores de cidades, seja na integracao do negro na sociedade brasileira (nao sem percalcos e guinadas, caso do goleiro Barbosa em 1950 e da euforia por Pele oito anos mais tarde), seja sendo usado para afirmar a ditadura militar, seja como ensaio para a abertura democratica com a "democracia" corintiana, seja ensaiando o lulismo (discutido nos jogos de almoco das fabricas), seja representando a imagem do Brasil nas Copas que venceu ou perdeu. Seja num 7 a 1.

REFERENCIAS

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Recebido para publicacao em 12/12/2018

Aceito em 20/01/2019

Agnaldo Kupper [1]

[1]-Universidade Estadual Paulista (UNESP), Assis-SP, Brasil.

E-mail do autor:

agnaldokupper2009@hotmail.com

Endereco para correspondencia:

Av. Rio de Janeiro, 1303, apto. 204.

Londrina-PR.

CEP: 86010-150.

(1) A partir do toyotismo, passou-se a exigir do trabalhador polivalencia, assim como no futebol moderno passou-se a exigir o jogador multifuncional

(2) Conferir Eric Hobsbawn. Nacoes e nacionalismo desde 1780. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990; Benedict Andersen. Nacao e consciencia nacional. RJ: Atica, 1989

(3) Hilario Franco Junior. A Danca dos Deuses: futebol, sociedade, cultura. SP: Companhia das Letras, 2007

(4) Interessante observar trabalho de Gilmar Mascarenhas de Jesus: Varzeas, operarios e futebol, uma outra Geografia. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2008

(5) No Brasil, o regulamento dos primeiros torneios de futebol previa que apenas jogadores alfabetizados nao realizadores de trabalhos bracais poderiam atuar

(6) Indico o curta-metragem de Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado: Barbosa. Barbosa foi o goleiro brasileiro na derrota da Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil. Tal qual "uma virgem deflorada" expulsa de casa, Barbosa foi considerado culpado pela derrota que chocou o pais.
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Author:Kupper, Agnaldo
Publication:Revista Brasileira de Futsal e Futebol
Date:May 1, 2019
Words:6779
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