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News Architecture in Journalism Apps: Features and Trends/Arquiteturas da noticia em apps jornalisticos: caracteristicas e tendencias.

Entre convergencias e divergencias comunicacionais

A convergencia das midias foi possivel com os avancos tecnologicos na computacao em meados dos anos 1990 (Deuze, 2004) e a partir de entao, a Internet"tornou-se a alavanca na transicao de uma nova sociedade--a sociedade de rede [...]" (Castells, 2003, p. 17).

No jornalismo tem se abordado com frequencia as tendencias convergentes que envolvem tecnologias, midias, empresas e funcoes do jornalista (Salaverria, 2003). Para o pesquisador, a dimensao empresarial pode ser explicada pelo "surgimento da Internet como uma nova plataforma para o jornalismo, em que existe a obrigacao de rever os modelos de articulacao dos meios de comunicacao dentro dos grupos de comunicacao" (1) (Salaverria, 2003, p. 33). A dimensao tecnologica implica na revolucao instrumental para a composicao, producao e distribuicao da noticia. A profissional refere-se a mudanca nas rotinas produtivas do jornalista, surgindo o profissional "multiplataforma". E, por fim, a dimensao multimidia que traz novas linguagens ao jornalismo.

Ha ainda a convergencia social, cultural e mercadologica (Jenkins, 2009) que acontecem ao mesmo tempo, no mesmo espaco. Nesse processo os sujeitos, a partir da interacao com a midia, passam a ter um novo comportamento de relacoes sociais, culturais e economicas.

Ao falar de uma comunicacao convergente e preciso destacar a divergencia. Pontua-se como divergente a nao apropriacao ou a subutilizacao dos meios de comunicacao digitais e das ferramentas disponiveis nos suportes, que desfavorecem o dialogo amplo, multidirecional, descentralizado e colaborativo. Ao somente transpor o conteudo jornalistico ou fazer uma adaptacao minima e superficial e ignorar as caracteristicas e potencialidades e divergir sobre

O objetivo de cada meio. A divergencia comunicacional ignora o objetivo de informar em diversos meios, diferentes linguagens e canais distintos, conceito presente no jornalismo contemporaneo, em que diversas narrativas contribuem para a construcao de novas arquiteturas da noticia. Ignorar as caracteristicas dos suportes, que fornecem mobilidade, conexao e interacao, e divergir dos objetivos para os quais foram idealizados.

Jornalismo movel: evolucao do webjornalismo

O webjornalismo se mostrou inovador e, ao mesmo tempo, desafiador para as empresas de comunicacao e para os jornalistas, tendo como parametro os modelos tradicionais, dotados de caracteristicas isoladas, que estavam presos aos seus canais nativos. E valido afirmar que jornalismo movel e uma evolucao do webjornalismo, pois utiliza a Internet, mas ganha mobilidade e dinamicidade do suporte de acesso. E neste contexto que surgem os sites responsivos, que se adaptam automaticamente aos diferentes formatos de tela, e os apps--como novo modelo de negocio.

Com a adocao dos dispositivos moveis, o jornalismo e estimulado a inovacoes. Com conexao always on (Pellanda, 2009) e mobilidade, o jornalismo movel tambem passa a ser ubiquo, o conteudo apropriado para telas menores, para ser lido tambem em movimento, alem de necessitar plataformas adequadas, os apps jornalisticos.

O jornalismo digital, ate chegar ao jornalismo movel passou por cinco fases. A primeira, chamada transpositiva (Mielniczuk, 2001), e a migracao do jornalismo tradicional para a web (Canavilhas, 2001, 2007; Pavlik, 2001; Barbosa, 2013). A segunda fase se caracteriza pelas primeiras producoes jornalisticas exclusivas para a web, com o uso dos hipertextos (Pavlik, 2001; Canavilhas, 2001, 2007; Mielniczuk, 2001, 2003), em que ha o inicio de um pensamento mais interativo, que toma na pratica algumas potencialidades da web, mesmo que em um nivel basico de participacao, ao acessar outras informacoes pelos links ou oferecer contato direto com os jornalistas e as redacoes--os hipertextos se apresentam como inovacao e a web como novo suporte informativo. A terceira fase, ou geracao, e caracterizada pela exploracao das caracteristicas da web a favor da noticia. A partir de entao, denomina-se o jornalismo na web como webjornalismo (Canavilhas, 2001; Mielniczuk, 2001) e diferencia-se das demais ao cunhar novas estruturas narrativas, com a multimidialidade. Na quarta fase, porem, e que o jornalismo se apropria com maior forca da multimidialidade. E nessa geracao tambem que as bases de dados se consolidam como elemento estruturante do jornalismo, instituindo a capacitacao das equipes, novos elementos estruturantes na organizacao da informacao, integracao de arquivos que remetem a memoria e o oferecimento de mais dados (Barbosa, 2013)--esta foi a geracao mais complexa, desafiadora e cara do que as anteriores, resultou em diferentes velocidades de migracao e adaptacao pelas redacoes. Para Barbosa (2013), o jornalismo esta na quinta geracao, envolve a convergencia jornalistica impulsionada pelas midias moveis, num processo que a estudiosa afirma ser de um novo ciclo de inovacao, com os apps nativos ou autoctones.

Caracteristicas do webjornalismo

O jornalismo movel e a evolucao do webjornalismo e as caracteristicas permanecem incorporadas ao novo cenario comunicacional sendo, a memoria, a instantaneidade, a interatividade, a hipertextualidade, a multimidialidade, a personalizacao e a ubiquidade (Canavilhas, 2014).

A memoria na web foi possivel com o upload de informacoes e assim, aconteceu a "virtualizacao do mundo fora do lugar" (Lemos, 2009a, p. 90), criando os territorios informacionais e a memoria (2) tecnologica. "[...] todas as tecnologias sao extensoes dos nossos sistemas fisico e nervoso, tendo em vista o aumento da energia e da velocidade" (Mcluhan, 1964, p. 109). A memoria e uma caracteristica potencial que acaba por se tornar uma ferramenta. "A informacao eletronica passa a ser acessada, consumida, produzida e distribuida de todo e qualquer lugar, a partir dos mais diferentes objetos e dispositivos" (Lemos, 2009a, p. 92). Palacios complementa que "acresce-se o fato de que na Web a memoria torna-se coletiva, atraves do processo de hiperligacao entre os diversos nos que a compoe" (Palacios, 2003, p. 4). Na producao jornalistica, a memoria hospedada nos bancos de dados do ciberespaco, permite ao profissional ir alem da sua recordacao e das informacoes disponiveis nos servidores dos meios de comunicacao e a retomada de dados para complementacao na producao de novas noticias, criando uma continuidade de multiplos fluxos.

Se houvesse a necessidade de pontuar em poucas palavras o conceito da instantaneidade seria "ser o primeiro" (Bradshaw, 2014). Gleick (2000, p. 58) afirma que "a transmissao de dados em tempo real e uma obsessao do seculo XX, alimentada por um desfile de novas tecnologias". Com esses aparatos e a conexao a Internet, as noticias sao recebidas imediatamente e estao sendo atualizadas, segundo a segundo, disponibilizadas em todo o mundo. O jornalismo e o tempo sempre estiveram ligados intrinsecamente. Prova disso e a corrida contra o deadline (3) na entrega das materias e ate mesmo a busca pelo furo da noticia, dada em primeira mao. Por sua vez, o deadline deixa de ocorrer no webjornalismo e no jornalismo movel, com a dissolucao do tempo (Palacios, 2002) e as atualizacoes ininterruptas.

A interatividade, segundo Rost (2014, p. 55), e definida "[...] como a capacidade gradual que um meio de comunicacao tem para dar maior poder aos utilizadores tanto na selecao de conteudos (interatividade seletiva) como em possibilidades de expressao e comunicacao (interatividade comunicativa)".

Ate a segunda tela (4) havia apenas receptores. A partir da era digital, com a conexao a Internet, o publico--em termos potenciais--passa a ser tambem produtor de conteudo e tem acesso a espacos/suporte para disponibilizar as informacoes produzidas (Mielniczuk, 2013, p. 115). A interatividade, sem coercao ou mediacao, tem como caracteristica a individualidade e nao seria erroneo afirmar que se torna uma forma de personalizacao dos participantes na construcao de uma noticia.

O objetivo da personalizacao e o de responder as necessidades individuais e "a ideia principal e reunir, classificar e filtrar o conteudo disponivel, incluindo as noticias mais interessantes" (Lorenz, 2014, p. 138). O pesquisador comeca um de seus artigos com uma frase que acaba por definir o conceito da personalizacao, "o futuro da oferta de informacao ira diferenciar-se entre a comunicacao para muitos, para poucos ou apenas para um leitor" (Lorenz, 2014, p. 137). Canavilhas (2007) afirma que a hipertextualidade, a multimidialidade e a interatividade sao caracteristicas do webjornalismo, que juntas abrem uma oportunidade unica para que qualquer individuo faca uma leitura personalizada, navegando pelos links disponiveis, tornando-se um jornalismo "post-massmediatico", personalizado, individual e unico, que relaciona o sujeito aos conteudos "em uma esfera mais privada e emocional" (Canavilhas, 2007, p. 7).

O hipertexto, outra caracteristica do webjornalismo, pode se darno contexto de conexao ou agregacao de informacoes, no acesso de mais informacoes dentro da mesma noticia, em forma de texto ou multimidias. Esse processo permite a imersao no conteudo, por meio de niveis informacionais, defendidos por Canavilhas (2006) e, a recuperacao de memoria. A hipertextualidade (Bardoel e Deuze, 2001; Canavilhas, 2014) e um grande diferencial em relacao aos meios tradicionais. Por meio dessa ferramenta, o interagente nao fica preso ao lead e a uma estrutura linear, mas pode navegar por textos, videos, fotos, graficos, ilustracoes, sites, sons etc., relacionados ao assunto da noticia.

Outra caracteristica, a multimidialidade, ganha forca pela simplificacao dos processos audiovisuais na web, com a presenca nas redes sociais, que geram engajamento; nas multifuncoes disponiveis nos smartphones; e no oferecimento de diferentes formatos de midia pelas empresas de comunicacao (Salaverria, 2014, p. 47-48). Em resumo, com a multimidialidade, dispensa-se o uso e a necessidade de varios aparelhos tecnologicos. Basta-lhe apenas a conexao, um suporte tecnologico de acesso (Smart TV, tablet, notebook, PC, smartphone) e a decisao de escolha.

A ultima caracteristica a ser abordada, a ubiquidade (Pavlik, 2014), tem o conceito de estar, simultaneamente, em todo lugar, em todo o tempo e pretende obter desta forma, maior alcance e mobilidade. "Com a banda larga ubiqua, especialmente com a tecnologia wireless, a conectividade movel esta redefinindo os preceitos basicos do jornalismo e da midia" (Pavlik, 2014, p. 164).

Caracteristicas de hardware nos dispositivos moveis

Pontua-se como caracteristicas de hardware nos dispositivos moveis a conectividade (rede celular, wi-fi e bluetooth), a localizacao (GPS), as saidas (vibracao, alto-falante e tela) e os sensores (touch screen, camera, microfone, acelerometro e giroscopio). O objetivo de pontua-las e descreve-las e mostrar como esses recursos alteram os contextos de interacao no jornalismo movel.

Em si, os dispositivos moveis foram concebidos para atender aos anseios de uma sociedade cada vez mais conectada e em movimento. Assim, os smartphones se propoem a funcoes de personalizacao, ubiquidade e mobilidade (Canavilhas, Satuf, 2013). Mas, como essas caracteristicas dos dispositivos moveis afetam e remodelam o jornalismo contemporaneo? "Os telefones celulares representam um desafio importante para empresas de jornais ao produzir conteudo que pode ser transmitido em um novo contexto em que a informacao e consumida em um ambiente movel" (5) (Rodrigues, Garcia e Bran, 2015, p. 270).

A localizacao GPS e um recurso oferecido, porem foi apropriado apenas por apps comerciais, nao tem sido explorado pelos meios jornalisticos, nao por razoes tecnicas, ja que os comerciais usam a tecnologia para obter e fornecer dados dos consumidores, mas talvez pelo custo ou falta de interesse, entre outras hipoteses. Ressalta-se que acontece a solicitacao para a localizacao do sujeito durante o download de acesso, contudo nao ha o oferecimento de servicos decorrentes desse dado.

As saidas do smartphone incluem a vibracao, alto-falante e a tela. A funcao de vibracao, principalmente, quando as pessoas estao em movimento, serve para fazer a vez do toque sonoro. E e usada para o alerta de notificacoes push news (Luna e Fante, 2017), se assim o individuo quiser e personalizar a opcao no app. Nessa conjuntura, o periodismo das midias tradicionais deixa de existir. As outras saidas, tela e o alto-falante, juntas ou separadamente, tem papel primordial na adocao da convergencia de midias, em especial, na adocao de videos e audios. Com esses recursos, o jornalismo movel pode adotar diferentes arquiteturas de noticias, estimulando a interacao e imersao no conteudo publicado e provocando inovacoes na forma e contar historias. A tactilidade altera a concepcao da interatividade com as possiveis possibilidades de funcionalidades de diferentes toques. Neste sentido, e mister afirmar que ha uma inovacao no acesso da noticia e de uma nova "gramatica gestual" para interagir com a noticia (Palacios e Cunha, 2012).

O giroscopio refere-se a funcionalidade de girar o dispositivo para que o conteudo possa ser visualizado na vertical ou na horizontal. Para acionar o sensor basta inclinar o aparelho. A posicao na horizontal favorece a leitura, com letras maiores e menor interferencia de imagens, na vertical o aspecto visual e valorizado, incluindo infograficos, fotografias e elementos visuais (Palacios e Cunha, 2012, p. 669).

Outro sensor, o acelerometro, auxilia na movimentacao vertical para a leitura da noticia ou a navegabilidade na plataforma. No sentido de percorrer, pode ser comparado, em parte, pela funcao do mouse.

Por fim, a camera (fotografica e de video) e o microfone instauram tambem uma nova fase ao jornalismo, especificamente na producao da noticia e na interacao com o conteudo. Com os recursos os individuos podem enviar para os meios de comunicacao sugestoes de pautas por meio de audio e video, alem de comentario. Ou entao, criar canais alternativos (blogs e redes sociais, por exemplo) e tomar para si a funcao de informar e produzir conteudo.

Metodologia de pesquisa

A pesquisa de cunho exploratorio e descritivo, que abarca os metodos qualitativo e quantitativo, adotou a analise de conteudo como tecnica de investigacao. Foram desenvolvidas duas fichas de analises. Uma objetiva analisar o conteudo da noticia e a outra avalia software (app jornalistico) e hardware (smartphone). Os apps jornalisticos analisados totalizam seis, os brasileiros Folha de S. Paulo, Estadao e O Globo e, os portugueses--Observador, Publico e Expresso.

Apos a decisao pela amostra, prosseguiu-se a etapa de determinacao do conteudo a ser colhido em cada app. O periodo de recolha de dados se deu durante o segundo semestre de 2016, que tem 26 semanas--tempo determinado devido a inclusao da diversidade de acontecimentos, nao concentrando eventos que poderiam comprometer a analise, como a realizacao das Olimpiadas, eleicoes municipais, o momento atual de crise politica--com o processo de impeachment da Presidente da Republica, Dilma Rousseff e, por fim em ambos os paises, o natal. Com o objetivo de compreender um periodo significativo, a observacao de cada app foi feita em 14 dias distribuidos de julho a dezembro de 2016, resultando em duas semanas construidas.

Foi analisado a cada dia uma noticia dos apps escolhidos, sendo objeto a decima noticia elencada na editoria de ultimas noticias. A escolha dessa editoria se deu para garantir a atualidade e diversidade de temas, ja a decima noticia foi proposta para que houvesse tempo de participacao dos sujeitos. Os horarios de observacao se alternavam durante o dia, tarde ou noite, a fim de garantir a diversidade de temas. No momento da observacao as questoes referentes as materias ja eram respondidas com o preenchimento da ficha de analise. As telas com a materia jornalistica completa tambem foram capturadas e arquivadas.

Cinco dos apps analisados possuem lastro em jornais impressos de grande prestigio no pais de origem e um e nativo digital. Foram coletadas 84 materias jornalisticas e recolhidos o total de 1692 dados diretos.

Constatacoes

Sobre a multimidialidade constatou-se que o texto e foto continuam como no impresso, a contemplar o conteudo no jornalismo movel e, ha apenas uma mudanca sensivel e acanhada na adocao de outras midias pelos meios de comunicacao. Das 84 noticias, apenas duas apresentam video em sua composicao estrutural e outras sete oferecem a opcao para acessar galeria de fotos, trazem prints de telas do Twitter, ilustracao ou linha do tempo. O Estadao e o Expresso optaram pela publicacao apenas de textos e fotos, na amostra geral. O Publico expos 3% do conteudo com a insercao de prints do Twitter, alem dos textos e fotos. O Observador trouxe 4% das noticias com prints do Twitter e 4% com a insercao de videos. O Globo usou a ilustracao em 4% das noticias. A Folha agregou 13% do seu conteudo com galerias de fotos e linha do tempo. O que chama a atencao na observacao e que ha apenas duas editorias que adotam mais interatividade, a de politica e a de esporte.

A analise revela que o numero de noticias que nao possuem nenhum hipertexto em sua estrutura chega a 68%. Considera-se neste sentido, que o jornalismo movel continua, em parte, disposto no modelo de shovelware, denominado por Salaverria e Negredo (2009), como a transposicao do jornalismo off-line para o online. A partir dos resultados, tem-se a hipotese que os meios de comunicacao se mostram mais preocupados em apresentar seus conteudos em uma nova plataforma, os apps, ignorando as novas potencialidades ou ainda, protelando as adaptacoes.

Ressalta-se que o numero de hipertextos disponiveis apos a noticia e, contudo, inversamente proporcional aos numeros inseridos na noticia. Com excecao do O Globo que nao adota a caracteristica, em 75% das noticias veiculadas nos outros apps pesquisados apresentavam a hipertextualidade referentes a assuntos relacionados (74%) ou recomendados.

Ainda em consonancia com a caracteristica da hipertextualidade procurase saber de que forma estrutural o texto era apresentado, por meio da piramide invertida, deitada, encaminhamento para sites ou outros. Esta abordagem se deu, pois, o modelo da piramide deitada, proposto por Canavilhas (2007, 2008), propoe a organizacao do texto jornalistico em blocos de informacao, acessiveis por links.

De forma correspondente a quantificacao de noticias que nao possuem a hipertextualidade, a composicao da noticia mais adotada nos apps foi a da tradicional estrutura da piramide invertida (Erbolato, 1991). Observou-se que devido o conteudo nao incorporar o novo formato de texto jornalistico em pequenos blocos ligados pela hipertextualidade, dado na piramide deitada (Canavilhas, 2006)--mais apropriada para as pequenas telas, para a acao de interacao nos smartphones e necessario utilizar o recurso de hardware, a tactilidade, por meio da rolagem (scroll). Entre os apps observados, a Folha apresentou a maior porcentagem de conteudo no formato da piramide deitada, sendo de 71%. Ja a plataforma do O Globo adotou 100% do conteudo em forma da piramide invertida, ou seja, sem qualquer hipertextualidade.

Diretamente proporcional ao uso da piramide invertida, a maior incidencia de resgate de memoria se apresentou na propria narrativa jornalistica, totalizando 74%.

Da amostra, 4% referem-se a informacao publicada em formato de nota, sem nenhuma mencao de resgate de memorias ou orientando o individuo sobre o tema--casos verificados no O Globo e Estadao. O conteudo do Observador se destaca entre todos, publicando em 36% das materias, a memoria por meio de hipertextos.

As analises acerca da personalizacao comecam pela verificacao da possibilidade de identificacao automatica de geolocalizacao do interagente pelo app. Embora seja possivel que os meios de comunicacao obtenham facilmente este dado, apos o download, ao solicitar a permissao do individuo, a exemplo O Globo e o Estadao, nenhum dos apps utiliza o dado para o envio de noticias que tenham a proximidade fisica como criterio. Sobre outras possibilidades de personalizacao, constatou-se que ha a configuracao para o recebimento de alertas, pela tecnologia push news, em todos os apps observados e tambem alguma forma de ajuste permanente. E o caso dos portugueses Observador que permite a personalizacao do tamanho da fonte e, o Publico--em que se pode determinar a ordem das secoes, guardar noticias como as mais importantes e alterar o tamanho da fonte.

Com referencia a interatividade, verificaram-se quais as possibilidades permitidas para a participacao e colaboracao com o conteudo veiculado. O app do O Globo padroniza as publicacoes e em nenhuma delas ha o campo para insercao de qualquer forma de colaboracao, em um formato dialogico unidirecional. Os demais apps nao adotaram um modelo padrao, optam ou nao, em diferentes conteudos, por permitir comentarios--alias, a unica forma de participacao permitida, sendo proibido o post de links, videos, audios ou fotos. O Expresso se destaca por permitir em 93% da amostra a autorizacao para comentarios. Pela participacao ser permitida apenas por textos, considerase que os apps estao em um primeiro estagio de interacao, pontuado como seletiva (Rost, 2014), reativa (Primo, 2011) ou participativa (Suau, Masip, 2011), que nao pressupoe um grande envolvimento.

Sobre a tactilidade percebida como forma de interatividade, as possibilidades de movimento, pontuadas por Palacios e Cunha (2012), totalizam 11 e sao, na maioria, ignoradas pelos desenvolvedores dos apps jornalisticos. Apenas o toque (tap) rapido sobre a superficie da tela que ativa um botao e a funcao rolar (flick), do modo scroll para rolar as opcoes de menu ou um texto, estao presentes em todos os apps observados. O duplo toque (double tap) rapido do dedo na superficie da tela para selecionar um item esta disponivel apenas no Publico, Folha, O Globo e Observador. O comando de pincar (pinch), que usa dois dedos para ampliar ou diminuir uma imagem e utilizado pelo Publico e Globo. Somente a Folha permite a acao de pressionar (press), ao segurar o dedo sobre a superficie da tela por mais tempo, com o objetivo de selecionar um item. A funcao de giroscopio e possivel no Observador, apos a ultima atualizacao no fim de 2016.

A pesquisa tambem abarca observacoes acerca da instantaneidade. Contemplou-se na teoria e, pode-se averiguar na pratica, que a noticia passa a ter a caracteristica do imediatismo, a partir da web. Constatou-se que todos os apps oferecem a opcao de uma aba ou editoria chamada Ultimas noticias. Sem considerar o acesso, os apps em conjunto com smartphones tambem podem alertar sobre as ultimas noticias, atraves da tecnologia push news (Luna e Fante, 2017).

Consideracoes finais

Ressalta-se que o termo arquitetura da noticia e sinonimo de um complexo de elementos que contemplam a noticia planejada com diferentes elementos multimidia, estruturada textualmente, apresentada por genero e formato(s), que perpassa pelo design grafico e uma plataforma e permita a interacao, a partir das funcionalidades do software (app) e do hardware (smartphone) e as caracteristicas do webjornalismo.

Verifica-se, na amostra, que a adocao da multimidialidade, que deveria agregar o uso de outros meios ao texto, e baixa. Fator que pode ser resultado pela falta de jornalistas que dominem diversas funcoes, reducao de custos ou ainda, ser opcao da empresa a publicacao imediata da noticia, reduzindo o tempo de producao.

No jornalismo movel, a instantaneidade inova com relacao ao conteudo, devido aos dispositivos moveis e conectados que seguem juntos aos corpos. A instantaneidade e constatada no app ao oferecer a possibilidade de recebimento de notificacoes pela tecnologia push news, que sao recortes mais atuais do cotidiano ou a partir de temas de interesses. Em poucos caracteres, que invocam a leitura rapida (scanning), o sujeito recebe a noticia, como pilulas informacionais (Luna e Fante, 2017), que tem mais detalhes ao ser acessada, no app.

A memoria, que pode se apresentar em diferentes modos, encontra a maior adocao na narrativa textual, apesar de todas as possibilidades de hardware e software oferecidas, remetendo a atividade presente no jornalismo impresso. Apesar da possibilidade de inovacao, o recurso da hipertextualidade muitas vezes e descartado.

Pontua-se como formas de personalizacao o recebimento de alertas, a determinacao de ajustes de layout, arquivamento de conteudo no app e a decisao pela escolha das opcoes de leitura. A tecnologia push news e optativa em todas as plataformas. A determinacao de ajustes permanentes, que surge no webjornalismo, continua no jornalismo movel e traz a possibilidade de escolher tipo e tamanho da fonte, cores e de ordenar secoes e guardar noticias no proprio app.

O hipertexto e apresentado apos as noticias de forma macica--com excecao de O Globo que nao adota a caracteristica. A acao, contudo, e desproporcional quando se trata da hipertextualidade na materia jornalistica. Desta forma, constata-se que ha baixa adocao do recurso da hipertextualidade no jornalismo movel.

Com a promessa de ser uma plataforma interativa, mais democratica e aberta, a Internet chega. Esperava-se que no jornalismo nao fosse diferente. As empresas de comunicacao, no entanto mantiveram a participacao restrita apenas a comentarios, na melhor das hipoteses. A diferenca para esta caracteristica da noticia em apps e o uso do touchscreen, resultado de um nivel primario de interatividade, apenas em resposta a navegabilidade permitida.

Sobre a estrutura da noticia, a partir dos formatos das piramides, considerou-se como requisito para a classificacao da piramide deitada a presenca de, no minimo, um hipertexto no conteudo da noticia. Constata-se que de forma diretamente proporcional a falta de adocao de hipertexto, o conteudo, nos apps, se apresenta, em grande porcentagem, com a estrutura da piramide invertida.

A partir das observacoes, o que o app muda na noticia hoje? Da a possibilidade de uma nova narrativa textual, dividida em blocos menores adequados para as pequenas telas, lincados por hipertextos; estabelece o imediatismo atraves das continuas atualizacoes das noticias; possibilita a notificacao constante dos ultimos acontecimentos com a tecnologia push news; e apresenta uma nova possibilidade de interatividade com a tactilidade.

Apesar das mudancas tecnologicas que influenciaram e inovaram o jornalismo, verifica-se que referente ao conteudo no jornalismo movel, a essencia tradicional permanece. Salvo as caracteristicas presentes no webjornalismo (multimidialidade, memoria, personalizacao, ubiquidade, hipertextualidade, interatividade e instantaneidade) e as qualidades tecnicas, como a conectividade permite a mobilidade.

A pesquisa leva a crer que os meios de comunicacao veem os apps jornalisticos como extensoes dos sites, nos quais ha pouca producao especifica para a plataforma (com excecao do Observador que e um app jornalistico nativo), desprezam recursos importantes como a geolocalizacao e todas as possibilidades tacteis que o dispositivo aceita, alem de manter uma arquitetura que se assemelha, em grande parte do conteudo, ao jornalismo off-line, sem possibilidades de interatividade e multimidialidade.

Constata-se que o jornalismo movel transita entre as caracteristicas do off-line e do online. Nao ha a adocao de um padrao, tecnologico ou de conteudo, adotado pelos meios de comunicacao. Nem tradicional, nem inovador. Assim, se apresenta, em um movimento dialogico. Com base nos resultados obtidos comprovou-se a hipotese de que os conteudos jornalisticos produzidos para dispositivos moveis e publicados em apps jornalisticos possuem arquiteturas semelhantes, com caracteristicas proximas do webjornalismo, evidenciando niveis diferentes de usos dos recursos disponiveis para smartphone, porem apenas algumas possibilidades do suporte sao adotadas.

DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-3729.2018.3.29299

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Recebido em: 28/11/2017

Aceito em: 06/04/2018

Alexandra Fante Nishiyama | alexandrafante@gmail.com Universidade Metodista de Sao Paulo (Umesp).

Doutora e Mestra em Comunicacao Social pela Universidade Metodista de Sao Paulo (Umesp). Doutorado em cotutela pela Universidade da Beira Interior, de Portugal.

Endereco da autora:

Escola de Comunicacao, Educacao e Humanidades da Universidade Metodista de Sao Paulo (Umesp) Rua Alfeu Tavares, 149

Campi Rudge Ramos 09.641-000--Sao Bernardo do Campo/SP

Alexandra Fante Nishiyama

Escola de Comunicacao, Educacao e Humanidades da Universidade Metodista de Sao Paulo (Umesp), Sao Paulo, SP, Brasil. ORCID: 0000-0002-7730-3195

<alexandrafante@gmail.com>

(1) No original: La aparicion de Internet como nueva plataforma para el periodismo, que ha obligado a revisar los modelos de articulacion de los medios en el seno de los grupos de comunicacion.

(2) Memoria caracteriza a capacidade de reter ou relembrar informacoes. A Internet e os dispositivos de armazenamento de informacoes como os computadores e HDs acabam se tornando extensoes do corpo, aumentando a capacidade do cerebro humano.

(3) O webjornalismo tendo como uma de suas caracteristicas a instantaneidade, o conceito de deadline deixou de existir. As noticias sao, em maioria, produzidas e postadas imediatamente na web. Essa caracteristica dos meios digitais conectados causou uma disrupcao no processo de producao e divulgacao da noticia.

(4) Neste caso, o autor se refere a evolucao das telas, pontuando como se fossem as geracoes, diferente do termo usado para se referir a um dispositivo eletronico adicional (como smartphone, tablet ou computador) utilizado pelo individuo enquanto ele faz uso de um dispositivo eletronico principal.

(5) No original: Los telefonos moviles suponen un reto importante para las empresas periodisticas a la hora de producir contenidos capaces de ser transmitidos en un nuevo contexto em que la informacion se consume en movilidade.
Quadro 1--O processo de midiamorfose das telas, do cinema ao celular

           Dispositivo      Produtos              Contexto de consumo
                            jornalisticos

1a tela    Cinema           Cinejornal            Publico, coletivo

2a tela    Televisao        Telejornal            Privado, coletivo

3a tela    PC--Internet     Websites, portais,    Privado, individual
                            foruns, listas de e-
                            mails

4a tela    Telefone         Alertas SMS, acesso   Publico /Privado,
           Celular          WAP, sites adaptados  individual
                            a mobilidade,
                            aplicativos

Fonte: Mielniczuk, 2013, p. 116

Grafico 1--Adocao da multimidialidade no jornalismo movel

ELEMENTOS MULTIMI DI ATICOS

Outros    4%
Video     1%
Texto    52%
Foto     43%
Audio     0%

Fonte: A autora

Note: Table made from bar graph.

Grafico 2--Multimidialidade no jornalismo movel

PRESENCA DA HIPERTEXTUALIDADE

Nao    68%
Sim    32%

Fonte: A autora

Note: Table made from bar graph.

Grafico 3--O uso das piramides no jornalismo movel

ESTRUTURA DAS NOTICIAS

Outro                                2%

Usa o modelo de piramide            31%
Deltada e hipertextos

Usa o modelo de piramide            67%
invertida e o scroll

Apresenta a manchete e o link        0%
Encamina para o site

Fonte: A autora

Note: Table made from bar graph.

Grafico 4--A memoria no jornalismo movel

A MEMORIA NA NOTICIA

Outro                                    4%
Em hipertextos apes a noticia            0%
Em hipertextos presentes na noticia     22%
Na narrativa jornalistica               74%

Fonte: A autora

Note: Table made from bar graph.

Grafico 5--A participacao no jornalismo movel

PARTICIPACAO NA NOTICIA

Errvio de fotos              0%
Publicacao de audio          0%
Publicacao de video          0%
Publicacao de dados          0%
Comentarios
Nao havia registros no      40%
  Momento de observacao
Nao havia esta              25%
Opcas na noticia            35%

Fonte: A autora

Note: Table made from bar graph.

Grafico 6--A tactilidade no jornalismo movel

MOVIMENTOS DE TACTILIDADE

Comprimir (exclusivo de iOS)                  0%
Expalhar com un dedo sobre a area de tela     0%
Deslizae com varios dedos                     0%
Rotacionar                                    0%
Pressionar                                   17%
Pincar                                       33%
Deslizar (para escrever)                      0%
Rolar (modo scroll)                         100%
Duplo toque                                  67%
Toque                                       100%

Fonte: A autora

Note: Table made from bar graph.
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Title Annotation:JORNALISMO
Author:Nishiyama, Alexandra Fante
Publication:Revista Famecos - Midia, Cultura e Tecnologia
Date:Sep 1, 2018
Words:5805
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